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1 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 10/08/2021 Introdução ao estudo das doenças infecciosas - Prof. Cristiane Lamas Objetivos da aula Rever conceitos fundamentais em infecção como microbiota, portador, doente (infectado) Rever os métodos laboratoriais de maior uso em infectologia Rever como devem ser colhidos materiais biológicos de maneira correta Rever os grupos bacterianos mais importantes nas doenças infecciosas Agentes infecciosos Bactérias, vírus, fungos, protozoários, helmintos e ectoparasitas. Lista de algumas doenças infecto-parasitárias Leishmaniose Ascaridíase Tricuríase Esquistossomose Filariose Tracoma Oncocercose Doença de chagas Ancilostomose Hanseníase Tuberculose Dengue Malária HIV Hepatite Diarreia aguda Escabiose Conceitos Micróbios: bactérias, micobactérias, vírus, fungos, protozoários Microbiota residente: há microbiota residente na pele, no trato digestivo, no trato urinário, no trato genital, no trato respiratório superior e inferior. Os sítios estéreis são: sangue, líquor e tecidos profundos. • Estômago: Lactobacillus e Helicobacter pylori (pode ser patogênica), tolerantes ao HCl. • Intestino: Enterobactérias (E. coli, Gram- negativa), bactérias não-esporuladas e estritamente anaeróbias ou anaeróbias facultativas, como Fusobacterium e Bacteroides (gêneros Gram-negativos), Bifidobacterium (principal população de bactérias Gram-positivas) e Firmicutes (também Gram-positivas); em menor número encontramos ainda outros grupos de bactérias Gram positivas, como Clostridium e lactobacilos. • Pele: Staphylococcus coagulase negativo (epidermidis), S. aureus (coagulase positivo) e corinebactérias (bastonetes Gram positivos irregulares e de baixa virulência). • Trato genital feminino: principalmente lactobacilos, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus agalactiae (pode causar problemas graves no recém-nascido, sendo importante fazer identificação dessa na microbiota genital feminina antes do parto normal; caso haja, deve-se fazer tratamento com antibiótico) e enterobactérias Valorizar o resultado de culturas. Olhar o resultado valorizando os microrganismos que não fazem parte daquela microbiota. Streptococcus pyogenes indica desequilíbrio quando na microbiota da pele, tendo papel patogênico, agente infeccioso. • Cavidade oral: Streptococcus do grupo viridans, Neisseria sicca, fusobacterium, Lactobacillus, Candida. Microbiota transitória: ambiente hospitalar. S. aureus resistente (MRSA), enterobactérias resistentes, Pseudomonas aeruginosa, gram negativos resistentes, ESBL (produtores de beta-lactamase estendidos, gram positivos), KPC (resistente aos carbapenêmicos). Doenças infecciosas INTRODUÇÃO AO ESTUDO 2 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 • Esôfago: bactérias e leveduras da orofaringe, a maioria são colonizadores transitórios. Estado de portador: mais utilizado para vírus! Paciente do vírus B (hepatite B crônica). Colonização: Aderência e multiplicação bacteriana ou fúngica em um hospedeiro sem causar dano tecidual ou comprometimento de funções. Pode ser bactéria transitória ou permanente. Microbiota transitória com S. aureus. Portador, sem clínica. Termo mais utilizado para bactéria. Infecção: manifestação clínica. O sujeito pode estar infectado, mas com manifestações subclínicas. Utilizada mais para vírus. Lembrar de perceber o contexto, sobre o que está se falando, dependendo da infecção ou colonização. Doença infecciosa: indica manifestação clínica. Quando suspeitamos de doença infecciosa? Um dos sinais mais importantes da doença infecciosa é a febre. Mas, os pacientes que estão com doença infecciosas também podem apresentar hipotermia (temperatura menor que 36º). Os pacientes que podem apresentar hipotermia durante a infecção são os idosos, crianças, renais crônicos, hepatopatia crônica, imunossuprimidos, lúpus. Mal estar geral, perda de apetite, emagrecimento. Queixas relativas a vários tratos: lesão cutânea/erupção; tosse, expectoração, dor pleurítica; diarreia; disúria, estranguria, polaciúria; artralgia, artrite; dor. Sinais flogísticos: rubor, dor, calor, edema e perda de função. Síndrome consumptiva Paciente emagrecido (catabolismo em função da infecção) e com febre prolongada → pensar em tuberculose e HIV, como hipóteses diagnósticas. Pode pensar também em endocardite subaguda. Síndrome mononucleose-like: fase aguda do HIV ISTS: A hepatite B e C é mais comum na infecção por transmissão sexual, mas também pode ser com hepatite A. Como colher a história de um indivíduo que chega com febre para o atendimento De modo usual! Não esquecer jamais de história de exposição a animais, de viagens (região norte: malária e febre amarela), de contato com pessoas doentes (mesmo que há muitos meses ou anos), contato com alimentos diferentes (açaí e doença de chagas), do uso de drogas ilícitas (comportamento de risco dessas pessoas), do comportamento sexual (ISTS: sífilis, HIV), de alcoolismo, de origem (naturalidade), de ferimentos ou lesões de pele ou traumatismos recentes (celulite, erisipela, impetigo, bacteremia por S. aureus ou S. pyogenes, leptospirose - também pode penetrar na pele íntegra). Como examinar o paciente... De ponta a cabeça Todos os sistemas são examinados Não esquecer de prestar atenção a linfonodos, fígado, baço, pele, orofaringe, sistema nervoso central (orientação rigidez de nuca), sopros cardíacos. Fundoscopia: tuberculose miliar (esta é parte do exame físico) Sugere tuberculose miliar Infiltrado que sugere retinite que pode ser pelo HIV. Além das habilidades da anamnese e do exame físico… 3 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 A interação com a equipe do laboratório de microbiologia, virologia, parasitologia e imunologia é muito importante! Tratamento empírico às vezes dá certo! No entanto, algumas vezes não dá, principalmente no paciente grave, sendo importante descobrir o agente etiológico e dá o diagnóstico certo para combater a infecção com o tratamento. Exame básico: hemograma completo • Série vermelha • Série branca • Contagem total e diferencial (diferentes células brancas) • Plaquetas • Contagem autorizada • Para visualização por técnico ou hematologista: o corante utilizado é o GIEMSA. Exemplo de resultado de hemograma A Série Vermelha não sofre muitas alterações em grande parte das doenças infecciosas, exceto malária e dengue. Na dengue ocorre uma hemoconcentração, desproporção de plasma e das hemácias. Série branca Contagem total de leucócitos com valores aumentados (leucocitose), principalmente em uma infecção bacteriana. Já a leucopenia está mais associada com a infecção viral ou no paciente que é imunossuprimido, renal crônico, hepatopata, HIV. Também é importante prestar atenção que leucócitos são esses com valores alterados. Plaquetas têm uma variação de referência grande. Achados possíveis Anemia de doença crônica; hemólise e o parasita intraeritrocitário na malária; hemoconcentração e/ou sangramento na dengue. Leucocitose (mais associada a infecção bacteriana) ou leucopenia (mais associada a infecção viral) Nas infecções bacterianas o perfil da série branca é bastante distinto. Têm-se leucocitose (observada na lâmina), muitos neutrófilos bastões e ausência de eosinófilos na periferia. Neutrófilos, bastões, mielócitos e metamielócitos - desvio à esquerda (número elevado de bastões, sugerindo infecções bacterianas graves). Desvio com bastões, mielócitos e metamielócitos: em infecções bacterianas com ausência de eosinófilos na periferia e granulações tóxicas nos neutrófilos (indicando que esses neutrófilos estão bastante ativados). Plaquetopenia ou trombocitose: Pode estarpresente tanto na infecção bacteriana quanto viral. Plaquetopenia em infecção bacteriana significa uma alteração muito importante na microcirculação e isso está promovendo a aderência dessas plaquetas na microcirculação. Neutropenia: infecções virais, brucelose, sepse fulminante, induzida por fármacos. Pancitopenia: em hiperesplenismo, em doenças medulares, doenças fúngicas disseminadas, tuberculose disseminada. Linfocitose: infecções virais, coqueluche • Linfócitos atípicos: EBV, CMV, sarampo, dengue, HIV e toxoplasmose. Linfocitose com linfócitos atípicos está mais relacionado com infecções virais. Toxoplasmose e sífilis podem fazer linfocitose atípica, mas o mais clássico é quando ocorre em infecções virais (hepatite, EBV, HIV) Eosinofilia O ciclo pulmonar ou ciclo de Loss acontece em alguns parasitas que têm em seu ciclo de vida a necessidade de maturação das larvas no pulmão. Tais agentes incluem: Necator americanus, Ancylostoma 4 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 duodenale, Strongyloides stercoralis e Ascaris lumbricoides. Uma regra mnemônica é a sigla “NASA”, com as iniciais de cada um. Durante o ciclo de Loss, o paciente pode apresentar tosse seca, febre e perda de peso, o que define a síndrome de Loeffler. Além disso, em alguns casos também ocorrem: broncoespasmo, hemoptise, lesões hepáticas com hiperglobulinemia, elevação das transaminases, sinais de pneumonite e eosinofilia aos exames de lavado broncoalveolar e biópsia transbrônquica. Por isso, um diagnóstico diferencial é a pneumonite eosinofílica. Um padrão de tosse característico são os acessos de tosse (expelindo o patógeno), que ocorre no momento em que o parasita ascende à árvore brônquica para ser deglutido e ter acesso ao trato gastrointestinal. Esporadicamente, em casos de elevado número de parasitas, pode haver sufocamento e até óbito, como nos casos de bolo de áscaries em crianças. Ou ainda, reações de hipersensibilidade. Preparando distensão sanguínea ou esfregaço de lâmina periférica Exemplos 1. Hemograma com 25.000 leucócitos (leucocitose - bem aumentada referência máxima é de 10.500), diferencial 0 eosinófilos, 15% bastões, 82% segmentados, 2% mielócitos; plaquetas 35.000 (plaquetopenia); Hb = 13 g/dl 2. Leucograma com 4.000 leucócitos (normal), 0 eosinófilos (ausência de eosinófilos), 15% bastões, 80% segmentados, 2% mielócitos. 3. Leucograma com 15.000 leucócitos (leucocitose), 30% eosinófilos, 5% bastões, 50% segmentados, 15% linfócitos. 4. Leucograma com 3.500 leucócitos (normal), 2 eosinófilos, 50% linfócitos, 30% segmentados, 5% monócitos, 5% bastões, 66.000 plaquetas (plaquetopenia). Marcadores inflamatórios VHS - velocidade de hemossedimentação PCRT - proteína C reativa titulada Procalcitonina - (mais caro!) VHS Determinada pelos níveis de fibrinogênio, principal agregador de hemácias. Marcador indireto da proteína sérica (fibrinogênio que esta muito envolvida na inflamação e coagulação) Simples e de baixo custo Aumenta na gravidez, na anemia, na insuficiência renal crônica. Sinaliza infecção bacteriana ou micobacteriana (tuberculose) Aumenta com a idade O fibrinogênio tem meia vida longa, logo demora a aumentar e a cair Limite máximo de 150mm. Valores> 100 indicativos, tuberculose, endocardite, osteomielite, neoplasia ou arterite de células gigantes O VHS leva de 4 a 6 semanas para diminuir, por causa da meia vida do fibrinogênio. Por isso não vale a pena pedir de 2 a 3 vezes na semana. O VHS é mais usado por infecção prolongada, que está a muito tempo fazendo febre. Lembrar que não é específico para infecção, pode estar aumentado para endocardite, tuberculose, neoplasia. Estante com tubos medindo VHS - mede a altura da coluna formada após 1 hora de sedimentação. Proteína C reativa titulada (PCRT) É um indicador direto por ser proteína inflamatória sintetizada pelo fígado sob estímulo inflamatório direto. Meia vida relativamente curta. Usualmente presente em concentrações baixas, os níveis aumentam e diminuem rapidamente. Quantificável até em níveis altos Função de “scavenger” de material nucleico Alta em doenças inflamatórias: AR, PMR, Wegener, Behçet (vasculite), PAN, gota, pseudogota, espondilite anquilosante, artrite juvenil. 5 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Valor de rederência: 0,5 mg/dl Se 2-5, pode pensar em infecção viral Se > 4, dificilmente de causa viral Se > 10, altamente sugestivo de causa bacteriana Acompanhamento de tratamento/atividade de doença PCRT pode indicar que a bactéria é responsiva ao antibiótico, para isso se pede antes e depois do uso para verificar se a antibioticoterapia está funcionando. COVID se comporta como infecção viral normal até o 5 dia de doença. Depois desse período o COVID se torna uma doença inflamatória grave desencadeada pelo vírus, mas não sendo diretamente causada por ele. Leucograma não foi um bom marcador para infecção na terapia intensiva Temperatura não foi um bom marcador para infecção na terapia intensiva PCRT foi um bom marcador para identificar infecção no paciente em terapia intensiva Procalcitonina Procalcitonina é um peptídeo precursor da calcitonina, hormônio envolvido com a homeostase de cálcio. É produzido pelas células C da tireoide e por células neuroendócrinas do pulmão e intestinos. O nível sérico de procalcitonina no sangue de indivíduos saudáveis é indetectável em ensaios de rotina (<10 pg/ml). O nível aumenta em resposta a estímulos inflamatórios, especialmente de origem bacteriana podendo chegar a 100 microgramas/L. Sua meia vida é de 25 a 30h. Quando aumenta, não há aumento em paralelo da calcitonina nem do cálcio. Procalcitonina normal afasta causas bacterianas, podendo retirar o sistema antimicrobiano. Procalcitonina e sepse Os níveis de procalcitonina podem ser usados como marcador de sepse bacteriana grave. A PCT tem a melhor sensibilidade (85%) e especificidade (91%) para diferenciar resposta inflamatória sistêmica (SIRS) de sepse quando comparada a IL-2, IL-6, IL-8, PCRT e TNF-alfa Com este marcador possivelmente pode-se diminuir o uso desnecessário de antimicrobianos. Contudo caro e pouco disponível. A coinfecção bacteriana em pacientes internados por COVID é baixíssima, assim não se justifica o uso de antibioticoterapia de maneira “profilática” - nunca. Azitromicina para COVID têm um papel imunomodulador do sistema respiratório. Alguns médicos propõem, mas isso não é consenso e não está nas recomendações oficiais para o tratamento do COVID. Imagem: evidência útil, mas indireta de infecção • Radiografias; • Ultrassonografia; • tomografias computadorizadas; • Ressonância magnética nuclear; • 18-FDG PET/CT • SPECT/CT com cintilografia com leucócitos marcados. Ao observar os exames de imagem não se pode chegar ao diagnóstico, apenas a sugestão, à hipótese diagnóstica. 6 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Diagnóstico específico: definição do agente etiológico. Regra fundamental É muito importante documentar o agente etiológico de infecções. Para isso é preciso colher material biológico antes de se iniciar antimicrobianos A coleta deve ser rápida e bem feita: material adequado (ex., secreção em seringa e agulha, ao invés de swab de secreção), pedindo ao laboratório completo com informações relevantes (de onde foi coletado o material para o laboratório saber interpretar qual microrganismo que pode estar crescendo). Envio rápido ao laboratório. Hemoculturas Coletar hemoculturas em paciente grave, hipotenso, confuso. Coleta de 20 ml de sangue no adulto. Em criança colher 1-3 ml de sangue. Azul: bactérias aeróbias Laranja: bactéria anaeróbia (infecção do abdômen, uterina). Roxo: micobactéria e fungo. Colher2 potes azuis (t=0;t=1;t=6h). Normalmente se faz 2 coletas, mas quando se suspeita de endocardite subaguda faz-se três coletas. Dentro do frasco têm líquido nutritivo, resina (adsorve o antibiótico, caso o paciente já tenha tomado), ágar (gelatina de cultura). Lembrando que o ideal é coletar antes do paciente começar o uso de antibióticos. Coleta em veia periférica, com antissepsia com álcool a 70%, PVPI ou clorexidina. No adulto, fundamental volume mínimo de 20 ml por coleta, distribuídos em 2 frascos de 10ml. Não é preciso coincidir com o momento da febre. Colher pelo menos 1 coleta, idealmente 2 coletas (intervalo mínimo de 20 a 30 min). Se suspeita endocardite subaguda, 3 coletas (momento 0, 1 hora e 6 horas). Leitura automatizada. Bactérias comuns crescem em horas. Incubação por 5 a 7 dias. Leituras são feitas continuamente Quando positivas, deflagradas É feita a coloração de Gram para identificação preliminar E é então semeado em placas. Gram: determina se Gram positivo (azul) Coloração de Gram Se Gram + (azul) ou Gram - (rosa) e a morfologia (cocos, bacilos, cadeias, agrupados, em letra chinesa) são bactérias comuns. Candidas são coradas em Gram +. 7 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Bactérias crescem rápido Nas primeiras 12 a 24 horas, o clínico será informado pelo laboratório: 1. Do número de hemoculturas positivas. 2. Do aspecto do Gram dessas hemoculturas. 3. Elas são então semeadas em ágar sangue. Coagulase negativo têm o aspecto mais esbranquiçado. Coagulase positivo (S. Aureus) têm aspecto mais amarelado. A partir do que cresce em colônias É feito um novo Gram É colocado para identificação É colocado para teste de sensibilidade E aguarda-se mais 24 horas para se ter identificação e TSA. Adicionar peróxido de hidrogênio e quando formam bolhas diz-se que é catalase positivo. 8 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Prova em tubo, onde pode-se observar o coágulo formado no primeiro tubo. 90% deles são S. aureus. Cocos Gram positivos Estreptococos: em pares ou cadeias Catalase negativo α, β ou gama-hemolíticos β hemolíticos são grupáveis α hemolíticos = viridans, sendo importante identificá-los quando pneumococo ou em sangue (EI). O viridans têm aspecto esverdeado no ágar sangue como mostrado na foto cedida pela Dra. Maisa. Pneumococo: S. optoquina, aspecto colonial. Estafilococos: em pares ou tétrades ou cachos Coagulase positivo Coagulase positivo ou negativo Micrococcus, etc Anaeróbios S. pyogenes quando cresce em ágar sangue ele é beta hemolítico. Quando faz o teste com o látex se determina se ele é do grupo A, B ou C. Reações bioquímicas importantes Catalase: diferencia estreptococo (catalase negativo) de estafilococo (catalase positivo). Coagulase: diferencia estafilococo aureus (coagulase positivo) de outros coagulase negativo. Optoquina: A susceptibilidade à optoquina é evidenciada presumida de pneumococo. Somente o Streptococcus pneumoniae é optoquina sensível, único viridans que é optoquina sensível. Os outros viridans provenientes da boca não são optoquina sensível. Disco de bacitracina: para identificação presumida de estreptococo beta hemolítico do grupo A. Oxidase: diferenciação de enterobactérias/Acinetobacter de Pseudomonas aeruginosa. A optoquina é um antibiótico, mas ela não tem uso prático como antibiótico, e sim como agente que ajuda na identificação das bactérias. Teste da oxidase a partir de colônias de Gram negativos Enterobactérias, hemófilos e Acinetobacter são oxidase negativos. Pseudomonas, Neisseria e Moraxella são oxidase positivas. Depois de todos esses testes deseja-se saber a qual antibiótico a bactéria é sensível. Para isso faz-se o teste de sensibilidade antibiótico (TSA). O TSA é feito em um meio que não é tão rico nutritivamente quanto o ágar sangue. Meio usual, com discos impregnados com concentrações fixas de antibióticos, leitura pelos halos (ágar de Mueller-Hinton, método de Kirby-Bauer). Fitas impregnadas com concentrações crescentes de antibióticos: E-teste. Microdiluição em meio líquido nutritivo, o MIC. O laboratório dá o resultado de sensibilidade de acordo com o halo de inibição que é medido em milímetros. 9 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Referente ao E-teste: vários estudos demonstram que a CIM determinada pelo Etest apresenta concordância com os métodos de ágar diluição e microdiluição em caldo, para diferentes antimicrobianos, em geral, com uma variação permitida de +/- 1 diluição. Meios de cultura para germes comuns Ágar sangue: com 5% de sangue de carneiro; o mais comumente usado. Determina α ou β hemólise. Não crescem os hemófilos, Legionella, outros fastidiosos/exigentes. Ágar chocolate: para vários fins, incluindo crescimento de hemófilo e Neisseria. Usado para líquor, escarro, amostras genitais. MacConkey: inibe o crescimento de Gram positivos e com isolamento de Gram negativos e diferenciação de cor para lactose. Colocado para amostras não puras (ex.: escarro, urina). CLED: preferencialmente para Gram negativos, por exemplo, a urina. Caldo (tioglicolato, BHI): para recuperação de quase todos os microrganismos, exceto anaeróbios. Outras condições: Atmosfera de incubação: aeróbia, aeróbia com CO2, microaerofílica, anaeróbia. Temperatura: 25, 37, 42ºC. A identificação é feita pelo aspecto colonial, pela presença ou ausência de hemólise em ágar sangue, pelo Gram das colônias, pelas reações bioquímicas. Identificação bacteriana: vários métodos, todos se valem de painéis de reações bioquímicas, testando várias sequências de açúcares, aminoácidos. E, a combinação dos testes é analisada por um sistema de computador que pode explicar porque chegou a tal conclusão. Contudo, há bactérias não cultiváveis ou de difícil cultivo Treponema pallidum Germes atípicos pulmonares, ex.: Mycoplasma, Chlamydia, Coxiella burnetii Legionella pneumophila Bartonella henselae Rickettsia rickettsii Como identificar essas bactérias que não são cultiváveis? Imunofluorescência com identificação de antígenos. Para este diagnóstico, alternativas Pesquisa direta de antígeno, ex. antígeno urinário para Legionella. 10 AV1 – Infectologia – Prof. Cristiane Lamas – Fernanda Pereira - 5º período – 2021.2 Anticorpo fluorescente direto: para Legionella e Bordetella pertussis; para Chlamydia. Teste de aglutinação do látex, para detecção direta de antígeno em amostras ex. líquor para estreptococo do grupo B, Haemophilus influenzae, S. pneumoniae, N. meningitidis. Sorologias, ex RPR ou VDRL para sífilis (testes não treponêmicos), ou teste treponêmicos. Sorologias (métodos comercialmente mais viáveis, como ELISA, ou mais caros, como imunofluorescência) para os atípicos pulmonares, para rickettsias, para Bartonella. Testes de biologia molecular, principalmente o PCR em sangue ou outros materiais. Vírus Sorologia pareada usada para diagnóstico de vários. Ex.: CMV, EBV, dengue Sorologia específica. Ex.: Hepatites A, B e C Biologia molecular, PCR: HIV, HBV, HCV no sangue; CMV (pacientes imunossuprimidos); herpes simples no líquor; rotavírus nas fezes. Alterações teciduais sugestivas (ex.: inclusões citomegálicas, em biópsia de esôfago ou cólon). Cultura em células é um método caro e pouco disponível assim como exame direto de material em microscópio eletrônico. Biologia molecular Técnicas cada vez mais utilizadas em diferentes materiais clínicos para diagnóstico, por exemplo: Dosagem de carga viral para HIV, hepatite B, hepatite C, CMV, em sangue periférico. Dosagem de DNA viral no líquor para herpesvírus Pesquisa rápida em escarro para M. tuberculosis, inclusive residente. Em futuro próximo, possivelmentea identificação de S. aureus resistente (ou sensível) em sangue periférico - GeneXpert MRSA. MRSA é uma bactéria Gram positiva, extremamente perigosa, encontrada nos pacientes de CTI. Hemoculturas para fungos Princípios semelhantes Para fungos, são colhidos em frascos de cultura específicos ou em tubos de lise centrifugação, uma por dia por 3 dias diferentes, e a incubação é por 6 semanas, com leituras semanais. A incubação é a 30ºC em ágar Sabouraud.