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Adriana Ferreira P3 - 2020.1 ACROMEGALIA (TBL - 07) É uma doença sistêmica crônica, decorrente da produção excessiva do hormônio de crescimento (GH) e do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1). Clinicamente caracteriza-se pelo surgimento de feições grosseiras e crescimento de extremidades. Os sintomas podem ser inespecíficos, tornando a doença subdiagnosticada, o que se associa a sua elevada morbimortalidade e redução na expectativa de vida em média de 10 anos, em função de suas complicações sistêmicas. Na sua quase totalidade a acromegalia é ocasionada por um adenoma hipofisário secretor de GH (somatotropinoma). EIXO SOMATOTRÓFICO A regulação hormonal ocorre sob o controle principal de dois peptídeos hipotalâmicos: GHRH (estimula a secreção do hormônio) e SRIF (inibe a liberação de GH em resposta ao GHRH e baixos níveis de glicemia). GHRH: Age em receptores da membrana acoplados à proteína G estimulatória (Gs), ativa o AMPc, eleva a adenilato ciclase, aumenta o influxo de cálcio intracelular, induz e mantém a função trófica dos somatotrofos, além de estimular a transcrição do gene GH e sua secreção. A Grelina é outro secretagogo do GH, oriundo do trato gastrointestinal. SRIF (Somatostatina): Pode se ligar a 5 subtipos de receptores acoplados à proteína G inibitória.(Ex.SSTR2 e SSTR5). Possui efeito inibitório sobre o somatotrofo. Mecanismo de ação e controle do GH O GH age sobre receptores transmembranares expressos principalmente nos músculos, no fígado e nas cartilagens. O receptor de GH sofre clivagem e origina uma proteína do GH sérico (GHBP1) que possui uma meia vida maior e medeia o transporte celular do hormônio. O GH estimula a geração do IGF-1, um hormônio polipeptídico sintetizado predominantemente no fígado (80%) e nos tecidos extra-hepáticos (principalmente osso, músculo e rim), inclusive na própria glândula hipofisária. O IGF-1 tem um importante papel na regulação do eixo somatotrófico pela retroalimentação (feedback) negativa sobre o hipotálamo e hipófise. Ele inibe a secreção do GH pela supressão da síntese do RNA mensageiro e do estímulo para secreção de somatostatina, além do efeito inibitório sobre a proliferação celular e indução da apoptose. O GH possui efeitos somáticos e metabólicos. O crescimento linear ocorre primordialmente de maneira indireta, mediada pelo IGF-1. Os efeitos metabólicos ocorrem por efeito direto do GH sobre os carboidratos, lipídeos e proteínas. No que se refere aos carboidratos, o GH em excesso provoca resistência insulínica, levando ao aumento da produção hepática de glicose e menor oxidação e captação de glicose pelos tecidos periféricos. Como consequência, ocorrem hiperinsulinismo, intolerância à glicose e DM. Mecanismo de ação e controle do IFG-1 O IGF-1 atua de modo endócrino em tecidos a distância, mas pode ser sintetizado localmente em tecidos-alvos, nos quais age de modo autócrino. Circula no plasma ligado a proteínas carreadoras. Seus níveis são mais elevados durante a adolescência tardia e declinam ao longo da vida adulta. Esse níveis estão elevados durante a puberdade e a gravidez, e na acromegalia. EPIDEMIOLOGIA -No Brasil, há apenas 1.000 casos de Acromegalia registrados. -Ocorre com igual frequência em Homens e Mulheres. -Mais comum entre 30-50 anos, porém pode acontecer em qualquer idade. Adriana Ferreira P3 - 2020.1 -Gigantismo: Quando a secreção excessiva do GH se inicia antes do fechamento das cartilagens de crescimento, acontece crescimento linear excessivo. -Acromegalia: Excesso de GH após a fusão epifisária. Adulto que não pode mais crescer longitudinalmente, por isso cresce nas extremidades. -Acromegalia ativa está associada a uma taxa de mortalidade duas vezes maior à da população geral. Sintomas Inespecíficos -> Doença Subdiagnosticada -> Elevada Morbimortalidade. ETIOLOGIA 1) Somatotropinoma - Adenoma Hipofisário secretor de GH responsável por 98% dos casos. - Adenoma de células puras ou mistas (GH e Prolactina). - 80% são Macroadenomas (>10mm) ao diagnóstico, por isso vai ter sintomas locais, como dor de cabeça e perda de campo visual. - Podem ocorrer de forma esporádica ou familiar. 2)Hipersecreção de GH hipotalâmica ou ectópica, responsável por 2% dos casos. Obs: Enquanto a insulina estimula o armazenamento de gordura, o GH estimula a quebra (lipólise), mas de modo geral, o paciente vai ganhar peso não por causa do aumento de gordura, mas pelo crescimento de osso, cartilagem e músculo (predomina o ganho de peso pelo crescimento de vários tecidos). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Acromegalia é um distúrbio insidioso, com progressão gradual dos sinais e sintomas, os quais podem resultar da compressão do tumor sobre estruturas adjacentes (cefaléia, distúrbios visuais ou hipopituitarismo), da secreção excessiva de GH (aumento das mãos e dos pés, alterações cutâneas, modificações fisionômicas e manifestações musculoesqueléticas) ou das complicações (cardiovasculares, respiratórias, endócrinas, metabólicas, esqueléticas e neoplásicas) resultantes do excesso de GH. Modificações fisionômicas: alargamento do nariz, aumento dos lábios,crescimento exagerado da mandíbula com prognatismo, proeminência frontal, separação dos dentes, maloclusão dentária, macroglossia e aumento dos arcos zigomáticos. (Devido ao caráter insidioso são o motivo da consulta inicial em apenas 10% dos casos). Ainda como resultado da hipersecreção do GH, podem surgir visceromegalias (língua, tireóide, coração, glândulas salivares, fígado, baço e rins). A hepatoesplenomegalia clinicamente aparente é, contudo, rara. Hipertrofia prostática pode também acontecer. Há aumento das extremidades em praticamente 100% dos casos, mas é motivo de consulta inicial em apenas 10%. Artralgia ocorre em 70% dos casos, enquanto artropatia (20-60%) pode resultar em doença articular degenerativa em juntas sujeitas à sobrecarga de peso (joelhos, quadril e colunas). Hiperidrose e pele oleosa são sinais precoces comuns. Também é comum o espessamento da pele. O Fenômeno de Raynaud pode ser observado em até um terço dos acromegálicos. Não raramente o diagnóstico da acromegalia é estabelecido casualmente ou a partir das complicações da doença, tais como irregularidades menstruais, DM, insuficiência cardíaca, apnéia do sono, hiperplasia prostática ou síndrome do túnel do carpo (ocasionada pela compressão do nervo mediano, por aumento de partes moles). Apoplexia hipofisária pode ser eventualmente a manifestação inicial dos somatotropinomas e outros adenomas hipofisário. Pode ocorrer espontaneamente ou estar relacionado com várias condições como testes diagnósticos (adm de TRH,CRH,GnRH ou TOTG), procedimentos invasivos (ex.angiografias), traumatismo craniano, uso de agonistas dopaminérgicos ou clomifeno, gravidez, etc. Cefaléia intensa e súbita, acompanhada ou não de perda de consciência, paralisia de pares cranianos ou perda da visão são manifestações mais comuns da Apoplexia, a qual pode ser, contudo, oligossintomática. “Cura” da acromegalia, com normalização do GH e do IGF-1, pode ocorrer em razão da completa destruição do tumorpela apoplexia. Complicações Sistêmicas GH tem ação somática (crescimento sobre todos os tecidos). Aumenta o risco de neoplasias. Os mais clássicos são neoplasia de intestino, cólon e tireóide, por isso que todo paciente acromegálico deve fazer colonoscopia para rastrear pólipos e USG da tireóide. Adriana Ferreira P3 - 2020.1 Se perguntar na prova qual a justificativa desses exames? Dizer que GH tem efeito somático sobre todos os tecidos e estimula o crescimento de tumores. Obs: Pode ter bócio, pois GH estimula o crescimento da tireóide como um todo. DIAGNÓSTICO Dosagem do GH basal: Paciente Normal: TOTG = ⬆Glicose = ⬇GH ( <1 ng/ml) Acromegálico: TOTG = ⬆Glicose = ⬆GH ( >1 ng/ml) Obs: -GH normal + IGF-1 normal = descarta acromegalia. -GH ⬆ + IGF-1 ⬇ (ou o inverso) = dúvida = fazer TOTG. - GH varia ao longo do dia. Como sua secreção é pulsátil, podendo alcançar picos com valores que excedem várias vezes o “normal”, amostras ao acaso de GH têm pouco valor no diagnóstico da acromegalia. Evitar realizar TOTG em pacientes com DM, dando-se preferência ao GH-basal e IGF-1. Além de que, DM descompensado pode ocasionar resultado falso-positivo no TOTG. Como o GH é contra insulínico, aumenta a glicemia. Se o paciente já está com a glicose alta, não precisa mais de GH, fazendo o GH cair (feedback negativo). Por isso é recomendado fazer TOTG e observar o GH que deverá cair (se cair abaixo de 1, não tem acromegalia). Se o GH permanecer >1, é um provável tumor que produz GH, já não é fisiologia. https://emojiterra.com/pt/seta-para-cima/ https://emojiterra.com/pt/seta-para-baixo/ https://emojiterra.com/pt/seta-para-cima/ https://emojiterra.com/pt/seta-para-cima/ https://emojiterra.com/pt/seta-para-cima/ https://emojiterra.com/pt/seta-para-baixo/ Adriana Ferreira P3 - 2020.1 Dosagem para IGF-1: Diferentemente do GH, o IGF-1 reflete a secreção integrada do GH, não apresentando flutuação circadiana nem secreção pulsátil, o que torna uma ferramenta mais consistente e robusta para a caracterização da atividade de doença. Níveis normais de IGF-1 praticamente excluem o diagnóstico de acromegalia. Em resumo, níveis elevados de IGF-1 associados a um nadir do GH ao TOTG >0,4 ng/ml (quase sempre >1 ng/ml) são achados típicos de acromegalia. O TOTG está indicado apenas quando as dosagens do IGF-1 e GH basal não permitirem uma definição diagnóstica. Exame de Imagem: Como mais de 95% dos acromegálicos têm um adenoma hipofisário secretor de GH, uma RM com contraste da hipófise deve ser realizada depois que o diagnóstico bioquímico tiver sido estabelecido, para avaliar o tamanho do tumor, a magnitude da eventual extensão extrasselar e a relação do tumor com o quiasma óptico. No caso de macroadenomas, um exame dos campos visuais se faz necessário, para avaliar a compressão do nervo óptico. A localização anatômica de tumores extra-hipofisários é conseguida por RM e TC de tórax e abdome. Na radiografia simples de crânio em pacientes acromegálicos, podem ser observados alterações das selas túrcicas (aumento do volume, imagem de duplo assoalho selar, erosão das clinóides, etc.), alargamento dos seios da face e protrusão da mandíbula. Radiografias das mãos e pés também mostram as alterações anatômicas. TRATAMENTO Objetivos do tratamento: -Normalização dos níveis séricos de GH e do IGF-1. -Controle da massa tumoral, preservando a função hipofisária. Três Modalidades terapêuticas: 1)Cirurgia (Realizada por via transesfenoidal) 2)Terapia Medicamentosa (usa o medicamento para o resto da vida) 3)Radioterapia 1ª OPÇÃO DE TTO: CIRURGIA TRANSESFENOIDAL (único tratamento que pode trazer cura) Obs:Se o paciente não poder operar = remédio como segundo momento. OPÇÕES MEDICAMENTOSAS: 1º - Análogos de Somatostatina (Inibem a adeno-hipófise) 2º - Agonistas Dopaminérgicos (1º escolha para o tratamento do prolactinoma) *Radioterapia: Quando não responde a cirurgia e medicamentos. *O prolactinoma é o único que pode resolver com a medicação, acromegalia não.