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Cicatrização – Parte II · Introdução: · O processo cicatricial, na maioria das vezes, ocorre de forma rápida e satisfatória. · A cicatrização patológica pode estar relacionada a inúmeros fatores, como infecção, hipoalbuminemia, má perfusão tecidual, doenças preexistentes - como diabetes e obesidade, irradiação, tabagismo, uso de corticoide, entre outros. · Também interferem na velocidade e qualidade da cicatrização o tamanho, a localização da lesão, o mecanismo de trauma, raça, idade e fatores genéticos do paciente. · Tão importante quanto a formação do tecido cicatricial provisório é a sua degradação, que, se ocorrer de maneira inadequada, pode levar à fibrose excessiva. · A cicatriz patológica pode levar a situações graves e incapacitantes, como nas sequelas de queimadura (estenoses orificiais e bridas palpebrais, cervicais ou interdigitais) e na estenose cáustica do esôfago, por exemplo. · Distúrbios fibroproliferativos: · Cicatrizes hipertróficas: · São cicatrizes elevadas, tensas, lisas, sem sulcos, poros ou pelos, de coloração avermelhada, que não ultrapassam os limites da lesão original e tendem a regredir, total ou parcialmente, ao longo do tempo. Podem apresentar dor e/ou prurido e são decorrentes de distúrbios fibroproliferativos da derme, por trauma ou inflamação local. · Podem ocorrer em qualquer idade e local do corpo e tendem a regredir espontaneamente, são mais comuns que o queloide e geralmente mais responsivas ao tratamento. · As cicatrizes hipertróficas geralmente se desenvolvem antes de completar 4 semanas da lesão. · Queloides: · São cicatrizes com forma tumoral (nodulares, multinodulares, pediculadas ou não), de consistência endurecida, de superfície lisa, com tonalidade avermelhada, violácea ou acastanhada, dolorosas e pruriginosas e que ultrapassam os limites da lesão inicial, apresentando recidivas frequentes após a excisão. · Também decorrem de desordens fibroproliferativas da derme após traumatismos ou inflamações locais, porém, algumas vezes, não há referências a trauma prévio. · São mais comuns nas raças negra e oriental e acometem mais pacientes jovens (podem ter a tendência atenuada na velhice). Os hormônios sexuais também influenciam no aparecimento de queloides, justificando sua maior frequência entre 10 e 30 anos, sendo mais intensos na puberdade e durante as gestações e mais escassos na menopausa. · São mais frequentes em indivíduos com história familiar positiva, porém não há padrão genético estabelecido ligado ao sexo. O fato de haver pacientes com cicatrizes queloidianas e história familiar negativa, favorece a hipótese de penetrância genética variável, porém ainda sem comprovações. · As regiões do corpo mais acometidas são: deltoide, esterno, dorso, região cervical, ângulo de mandíbula e lóbulos de orelhas. · Na mesma região, e até na mesma cicatriz, podem coexistir áreas de queloides e áreas normais. · Diferença entre cicatriz hipertrófica x queloide: · Patogênese: · Feridas normais têm sinais de "pare" que interrompem o processo de reparo quando o defeito dérmico é fechado e a epitelização é concluída. Quando esses sinais estão ausentes ou são ineficazes, o processo de reparo pode continuar sem esmorecer e causar a formação excessiva de cicatriz. · O desequilíbrio entre a síntese exagerada de colágeno e outros elementos e a degradação e o remodelamento inadequados da MEC causam hipertrofia cicatricial. · O prurido e o eritema estão relacionados com o maior número de mastócitos e, consequentemente, maior liberação de histamina. · O prurido e o eritema estão relacionados com o maior número de mastócitos e, consequentemente, maior liberação de histamina. · Prevenção: · A presença ou não de infecção, a orientação da ferida em relação às linhas de força da pele, a síntese adequada por planos com desbridamento de necrose e de tecido de granulação excessivo, a tensão dos pontos, a idade, a raça, a história familiar, a região acometida, todos esses fatores nos ajudam a adotar medidas profiláticas. · Incisões eletivas são menos perceptíveis quando colocadas em paralelo às linhas naturais de tensão da pele (linhas de Langer). Esse posicionamento tem duas vantagens: a cicatriz fica paralela ou dentro de uma prega natural da pele, que camufla a cicatriz, e esse local exerce a menor quantidade de tensão sobre a ferida. · Bordas da ferida nitidamente definidas e bem alinhadas que são aproximadas sem tensão cicatrizam com a menor quantidade de cicatriz. · Linhas de langer: são linhas onde procuramos posicionar as cicatrizes quando necessarias, para resultar em melhores cicatrizações. · Tratamento: · Substancias de uso tópico: · Óleo de silicone a 20% podem ser utilizados, em associação com a pressoterapia. · Ácido retinoico a 0,05% de uso diário podem tornar as cicatrizes mais amolecidas e levemente menos volumosas. · Compressão ou pressuterapia: · Malhas elásticas para compressão de cicatrizes tem mecanismo de ação ainda não muito bem esclarecido. Acredita-se que haja hipóxia por oclusão vascular e diminuição na síntese de colágeno e do número de mastócitos, com melhora na organização das fibras e diminuição do prurido local. · Placas ou tiras de gel de silicone, também com mecanismo de ação ainda não muito bem compreendido, atuariam por compressão, como as malhas, e também aumentariam a temperatura da cicatriz, levando ao aumento da ação de enzimas, como a colagenase. A diminuição da perda de água pela cicatriz, levando a uma hiperidratação local. · Infiltração intralesionais de corticoide: · A triancinolona tem efeito supressivo direto na síntese de colágeno e na redução de elementos inibidores da colagenase. Quando utilizada em altas doses, pode levar à atrofia do tecido subcutâneo, telangiectasias, necrose, ulcerações e discromias. · O corticoide atua na supressão da fase inflamatória, diminui a produção de colágeno pelos fibroblastos e controla a proliferação de fibroblastos. · Radioterapia: · A radioterapia pode ser utilizada como terapia complementar no tratamento de queloides, sendo a betaterapia (radiação corpuscular) a principal delas. Deve ser iniciada logo no 1º dia pós-operatório e seguida diariamente sem interrupções por um período médio de 10 dias. · A radiação ionizante inibe a síntese de colágeno e auxilia no equilíbrio entre sua síntese e sua degradação. · Cirurgia: · A excisão cirúrgica isolada pode levar à recidiva do queloide em até 80% nos primeiros 2 anos e de até 100% nos primeiros 4 anos, sendo ideal a associação com outros métodos de tratamento, como a radioterapia ou a infiltração de corticoide intralesional. · Distúrbios da contração cicatricial: · Contratura: · A contração cicatricial é um processo fisiológico no reparo das lesões com perda de substância, visando à coaptação de suas bordas. A persistência da contração além do período de reepitelização gera a contratura dos tecidos, que deforma e causa resultados estéticos insatisfatórios, limitações na movimentação de membros e articulações e perda de funções, principalmente nas contraturas orificiais. · Tratamento: · Não cirúrgicos: dilatações, massagens e fisioterapia. · Cirúrgicos: zetapastias e/ou resseções cicatriciais com fechamento primário, enxertos ou retalhos. · Malignização de cicatrizes: · Feridas crônicas e cicatrizes instáveis têm risco aumentado de desenvolver câncer, transformando-se em úlceras de Marjolin. A transformação é mais comum em cicatrizes de queimaduras, mas pode ocorrer em úlceras flebopáticas, úlceras de pressão, lesões de lúpus e áreas de enxerto de pele. · O tempo médio para o surgimento de neoplasias é de 35 anos, mas pode ocorrer até com menos de 1 ano, sendo o carcinoma espinocelular (CEC) o tipo histológico mais comum, com agressividade exacerbada e mau prognóstico. Sua incidência estimada é de 1:300 úlceras crônicas ou de 0,77% a 2% das cicatrizes de queimaduras. O índice de metástases é de aproximadamente 30% a 61 %, contra 0,5% a 3% dos CEC de outras origens. · Manejo de feridas crônicas: · A preparação do leitoda ferida é o manejo de uma ferida para acelerar a cicatrização endógena ou para facilitar a eficácia de outras medidas terapêuticas, sendo algumas delas: · Desbridamento de tecido necrosado · Diminuição da carga bacteriana · Corrigir desequilíbrios na umidade das feridas · Compensação de comorbidades clinicas. · As características da ferida (tamanho, profundidade, infecção, componente do tecido necrótico, edema, drenagem) são documentadas e os cuidados locais da ferida, iniciados. · Curativos: · O curativo para ferida aberta ideal mantém um ambiente úmido, limpo que evita que a pressão e traumatismo mecânico e reduzam o edema, estimula o reparo e é barato. Trocas de curativos menos frequentes e prevenção de irritação da pele também são benéficos. · Diferentes classificações de curativos de feridas são usadas dependendo da sua função na ferida (desbridamento, antibacteriana, oclusivo, absorvente, aderência), tipo de material utilizado para produzir o curativo (p. ex., hidrocoloide, alginato, colágeno) e a forma física do curativo (pomada, filme, espuma, gel). · Os filmes são permeáveis a gás mantêm um ambiente úmido e são úteis para feridas dérmicas de espessura parcial, tais como áreas doadoras de enxerto de pele. · Para feridas altamente exsudativas, os curativos de absorção são úteis para criar um ambiente úmido sem excesso de líquidos e acúmulo de material proteico. · Os curativos hidrocoloides são úteis para locais em que a aderência é necessária, como as extremidades e sobre proeminências ósseas. Eles são de certa forma espessos e podem permanecer no local por 2-3 dias. À medida que sua capacidade de absorção é alcançada, eles perdem a aderência e a remoção atraumática suave é facilitada. · Os curativos hidrogéis são semelhantes ao hidrocoloides, exceto que têm pouca aderência e são mais úteis para cobrir feridas em tendões, ligamentos ou na face. · Os alginatos podem absorver 15-20 vezes o seu peso de líquido, o que os torna adequados para feridas altamente exsudativas (não devem ser utilizados em feridas com pouco ou nenhum exsudado, pois irão aderir à superfície de cicatrização da ferida, causando dor e prejudicando o tecido saudável na remoção). · Curativo com pressão negativa: · Aplicação tópica de pressão negativa: · Permite eliminar o liquido extracelular e o exsudato · Aumenta o fluxo sanguíneo, favorece uma cicatrização mais rápida. · O aparelho de aspiração: · Aplica uma pressão negativa no local da ferida · Descomprime um curativo de espuma em modo continuo ou intermitente em função do tipo de ferida e dos objetivos clínicos. · Indicações: · Feridas crônicas: escara, ulcera, pé diabético · Ferida aguda e sub-aguda: ferida traumática · Deiscência operatória · Preparação para cirurgia: enxerto de pele · Câmara Hiperbárica: · Criação de ambiente com hiperoxia → estímulo à neovascularização na ferida com hipóxia e auxiliar na destruição de microrganismos através da oxidação e também no reparo da matriz extracelular. · Para feridas altamente exsudativas, os curativos de absorção são úteis para criar um ambiente úmido sem excesso de líquidos e acúmulo de material proteico. Cicatrização – Parte II v Introdução : o O processo cicatricial, na maioria das vezes, ocorre de forma rápida e satisfatória. o A cicatrização patológica pode estar relacionada a inúmeros fatores, como infecção, hipoalbuminemia , má perfusão tecidual, doenças preexistentes - como diabetes e obesidade, irradiação, tabagismo, uso de corticoide , entre outros. o Também interferem na velocidade e qualidade da cicatrização o tamanho, a localização da lesão, o mecanismo de trauma, raça, i dade e fatores genéticos do paciente. o Tão importante quanto a formação do tecido cicatricial provisório é a sua degradação, que, se ocorrer de maneira inadequada, pode levar à fibrose excessiva. o A cicatriz patológica pode levar a situações graves e incapa citantes, como nas sequelas de queimadura (estenoses orificiais e bridas palpebrais, cervicais ou interdigitais) e na estenose cáustica do esôfago, por exemplo. v Distúrbios fibroproliferativos : o Cicatrizes hipertróficas : § São cicatrizes elevadas, tensas, li sas, sem sulcos, poros ou pelos, de coloração avermelhada , que não ultrapassam os limites da lesão original e tendem a regredir, total ou parcialmente, ao longo do tempo. Podem apresentar dor e/ou prurido e são decorrentes de distúrbios fibroproliferativos da derme, por trauma ou inflamação local. § Podem ocorrer em qualquer idade e local do corpo e tendem a regredir espontaneamente , são mais comuns que o queloide e geralmente mais responsivas ao tratamento. § As cicatrizes hipertróficas geralmente se desenvolvem antes de completar 4 semanas da lesão. o Queloides : § São cicatrizes com forma tumoral (nodulares, multinodulares, pediculadas ou não), de consistência endurecida, de superfície lisa, com tonalidade a vermelhada, violácea ou acastanhada, dolorosas e pruriginosas e que ultrapassam os limites da lesão inicial, apresentando recidivas frequentes após a excisão. § Também decorrem de desordens fibroproliferativas da derme após traumatismos ou inflamações locais, porém, algumas vezes, não há referências a trauma prévio. Cicatrização – Parte II Introdução: o O processo cicatricial, na maioria das vezes, ocorre de forma rápida e satisfatória. o A cicatrização patológica pode estar relacionada a inúmeros fatores, como infecção, hipoalbuminemia, má perfusão tecidual, doenças preexistentes - como diabetes e obesidade, irradiação, tabagismo, uso de corticoide, entre outros. o Também interferem na velocidade e qualidade da cicatrização o tamanho, a localização da lesão, o mecanismo de trauma, raça, idade e fatores genéticos do paciente. o Tão importante quanto a formação do tecido cicatricial provisório é a sua degradação, que, se ocorrer de maneira inadequada, pode levar à fibrose excessiva. o A cicatriz patológica pode levar a situações graves e incapacitantes, como nas sequelas de queimadura (estenoses orificiais e bridas palpebrais, cervicais ou interdigitais) e na estenose cáustica do esôfago, por exemplo. Distúrbios fibroproliferativos: o Cicatrizes hipertróficas: São cicatrizes elevadas, tensas, lisas, sem sulcos, poros ou pelos, de coloração avermelhada, que não ultrapassam os limites da lesão original e tendem a regredir, total ou parcialmente, ao longo do tempo. Podem apresentar dor e/ou prurido e são decorrentes de distúrbios fibroproliferativos da derme, por trauma ou inflamação local. Podem ocorrer em qualquer idade e local do corpo e tendem a regredir espontaneamente, são mais comuns que o queloide e geralmente mais responsivas ao tratamento. As cicatrizes hipertróficas geralmente se desenvolvem antes de completar 4 semanas da lesão. o Queloides: São cicatrizes com forma tumoral (nodulares, multinodulares, pediculadas ou não), de consistência endurecida, de superfície lisa, com tonalidade avermelhada, violácea ou acastanhada, dolorosas e pruriginosas e que ultrapassam os limites da lesão inicial, apresentando recidivas frequentes após a excisão. Também decorrem de desordens fibroproliferativas da derme após traumatismos ou inflamações locais, porém, algumas vezes, não há referências a trauma prévio.