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Laís de Campos Bento – 8ª etapa MEDICINA UNICID Definição: Se caracteriza pela proliferação anormal do trofoblasto. Mola hidatiforme e coriocarcinoma são doenças do trofoblasto, especificamente das vilosidades placentárias, de origem ectodérmica. É uma complicação da gravidez com potencial para evolução maligna. Doenças trofoblásticas são conhecidas como gravidez anormal. Epidemiologia: Acomete 1000-2000 gestações no Ocidente. O risco de ter mola hidatiforme aumenta após a primeira gestação molar em até 5x. Costuma acometer mulher desfavorecidas economicamente e nos extremos reprodutivos. Fatores de risco: Maior de 40 anos, tabagismo, mola hidatiforme prévia, abortamentos prévios, uso de ACO, exposição a radiação ionizante, SOP, inseminação artificial e intervalo interpartal curto. Classificação: Benigna: mola hidatiforme completa e incompleta. Maligna: neoplasia trofoblástica gestacional: mola invasora, coriocarcinoma e tumor trofoblástico do sítio placentário. MHC: possui vilosidade coriônica difusamente hidrópica e associada ao trofoblasto hiperplásico com vários graus de atipia celular. Não possuem tecido fetal ou embrionário, possível de encontrar vasos com hemácias nucleadas. Tem mais chance em se transformar em maligna. MHP: compostas por 2 populações de vilosidades coriônicas, apresentadas por diferentes graus de hiperplasia focal. Tecidos fetais costumam estar presentes, mas são associados a triploidias, como sindactilia, hidrocefalia e retardo do crescimento. Patologia: À histopatologia as molas hidatiforme completas não possuem elementos fetais, mostram proliferação generalizada e mais pronunciada do trofoblasto e maior frequencia de atipias. Ao cariótipo: MHC: Resultado da fecundação de óvulo sem núcleo ativo, ou seja, todos os genes são de origem paterna, sendo que 90% têm cariótipo 46XX e o restante, 46 XY. Tais anomalias promovem perda precoce do embrião e proliferação excessiva do trofoblasto. É um resultado do produto de concepção entre DNA nuclear paterno e DNA citoplasmático materno, sendo que todos os cromossomos vêm do pai (androgênica) e o DNA mitocondrial da mãe. Aqui não há feto nem anexos. Proliferação sincício com formação de cachos de uva. Laís de Campos Bento – 8ª etapa MEDICINA UNICID MHP: é associada a triploidia (69,XXY) ou tetraploidia( 92 XXXY). Esta anomalia ocorre quando o óvulo normal é fecundado por 2 espermatozoides ou um espermatozoide diploide. Tem cromossomos maternos e paternos. Possível verificar o feto e vesículas. O potencial para transformação maligna é de 5-10% na mola parcial e 10-20% na mola completa. Quadro clínico: MHC: atraso menstrual, sangramento (suco de ameixa), no final do primeiro ou início do segundo trimestre. A perda de matéria molar com vesicular via vaginal é quase sinal patognomico mas pouco visto atualmente, por conta da realização de diagnóstico precoce. Altura uterina maior que a esperada para IG por conta da proliferação trofoblástica (útero em sanfona), altos níveis de HCG e cisto teca-luteínicos (USG). Estes cistos são formados por altos níveis de HCG que hiperestimulam o ovário; se formam após o esvaziamento da mola e regridem em 2-3 meses após normalização de gonadotrofina. Um grupo pequeno pode apresentas complicações clinicas como: doença hipertensiva específica da gestação, hipertireoidismo (ação direta de HCG-B na tireoide, o qual é parecido com TSH), insuficiência respiratória (embolização por tecido trofoblástico ou correspondente ao quadro de pulmão de choque em razão de reposição rápida de líquidos) e hiperêmese gravídica. MHP: apresentam pouca sintomatológica e pequena parte das gravidas apresentam crescimento uterino excessivo, além de que os níveis de gonadotrofinas são mais baixos e raramente excedem 100.000Mui/ML. Mola invasora: há grandes cavitações hemorrágicas no miométrio, com invasão de toda espessura uterina e consequente rotura. Aqui o quadro clinico é de instabilidade hemodinâmica e choque. Diagnóstico: Eminentemente clínico. Dosagem de BHCG >200.000 o diagNóstico é definitivo. Se >100.000 deve-se suspeitar. Dosar TSH, tipagem sanguínea(se mãe for RH- deve-se dar Ig-AntiD) e hemograma. Além disso pedir RX-tórax. MHC: presença de vesículas coriônicas, mas não é possível verificá-las no primeiro tri. MHP: são descritos padrões sugestivos com alterações no formato do saco gestacional, sugestivos de triploidia, espessamento da placenta com áreas anecoicas e ausência de incisura no exame de doppler da artéria uterina. Tratamento: Compreende esvaziamento molar e seguimento clínico, neoplasia trofoblásticas gestacional requer quimio e/ou cirurgia. Para esvaziamento molar são considerados: estabilidade hemodinâmica, toxemia gravídica, volume uterino, idade da paciente, paridade e desejo de engravidar no futuro. Laís de Campos Bento – 8ª etapa MEDICINA UNICID Contudo é feito a dilatação com velas de Hegar e esvaziamento uterino por vacuoaspiração. Histerectomia profilática é indicada em pctes multíparas ou com mais de 38 anos. Ovários com cistos teca-luteínicos devem ser preservados, não há indicação de quimioterapia profilática. Após esvaziamento a pcte deve se consultar semanalmente no primeiro mês, quinzenalmente nos 3 meses seguintes e mensalmente até completar 1 ano. Em cada consulta deve-se observar: sangramento genital, involução uterina e queda de HCG e a paciente não deve engravidar no período de 1 ano. Pcte com NTG deve ser tratada com quimioterapia e/ou cirurgia, se houver hemorragia genital após esvaziamento molar, presença de infiltração miometrial na imagem, ascensão de HCG em 2 dosagens consecutivas, HCG detectável e sem tendencia de queda nos últimos 6 meses, diagnostico histológico de coriocarcinoma, mola invasora ou tumor de sítio placentário. Mola invasora: quimioterapia em nulíparas e histerectomia em multíparas. Caso seja um coriocarcinoma é necessário emprego de tratamento adjuvante(quimio). Quimioterápicos mais usados são MTX (monoterapia), actinomicina D, etoposídeo e derivados de platina. Coriocarcinoma: pode haver metástase para o pulmão, com lesões em aspecto de moeda. E em segundo lugar de metástase é a vagina. Metástase venosa é a pulmonar. Metástase hepática e cerebral é por via arterial. Estadiamento no câncer de doença trofoblástica gestacional: I: no útero, II: invade anexos e pelve, III: pulmão, IV: cérebro, fígado e outras estruturas. Estadiamento I: só fazer monoterapia. Classificação prognóstica da OMS para doença trofoblástica gestacional metastática: Laís de Campos Bento – 8ª etapa MEDICINA UNICID Prognostico de NTG de baixo risco ainda que com metástases é muito bom, chances de cura são grandes (90% de remissão). Já no tipo metastático de alto risco, histerectomia é realizada se tumor >6cm ou se ficar resistente à quimioterapia Alto risco: Laís de Campos Bento – 8ª etapa MEDICINA UNICID