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GASTRO – DOENÇAS ORIFICIAIS DOENÇA HEMORROIDÁRIA Hemorroidas são coxins vasculares normais do canal anal. São formados por espaços vasculares (sinusóides), tecido elástico e conjuntivo e músculo liso. Sua função é proteger os esfíncteres anais subjacentes e contribuir para a continência fecal. O termo “doença hemorroidária” refere-se a situações quando há sintomas relacionados à presença da hemorroida. Ela é mais prevalente em pessoas com idade entre 45 e 65 anos, tendo como principal causa o esforço evacuatório repetitivo, que determina o estiramento do tecido de sustentação dos plexos. FATORES DE RISCO ✓ Constipação ✓ Esforço evacuatório prolongado ✓ Gestação CLASSIFICAÇÃO ✓ Externas: na extremidade inferior do canal anal, abaixo da linha pectínea ✓ Internas: acima da linha pectínea, porém podem se exteriorizar ✓ Mistas HEMORROIDA INTERNA ✓ GRAU I – não prolapsam através do ânus ✓ GRAU II – prolapsam através do ânus durante a evacuação ou durante esforço, mas o retornam à posição original espontaneamente ✓ GRAU III – prolapsam através do ânus e só retornam para dentro com ajuda manual ✓ GRAU IV – estão prolapsadas através do anus e o retorno não é possível nem com ajuda manual FISIOPATOLOGIA ✓ Teoria da veia varicosa (aumento da pressão intra- abdominal) ✓ Teoria da hiperplasia vascular (hiperplasia dos corpos cavernosos retais) ✓ Teoria mecânica (degeneração dos tecidos de sustentação) ✓ Teoria hemodinâmica (comunicações arteriovenosas na submucosa ✓ Teoria da disfunção do esfíncter (hiperatividade do esfíncter interno do ânus) FATORES IMPORTANTES NA PATOGÊNESE ✓ Vasculares: abertura de shunts capilares ✓ Inflamatórios: irritação crônica ✓ Mecânicos: hipertonia esfincteriana; hiperpressão abdominal causada pela obstipação; obesidade; posição supina prolongada ✓ Degenerativos: envelhecimento; relaxamento das fibras de sustentação ✓ Hormonais: gravidez ✓ Ambientais: alimentação excessiva; álcool; condimentos picantes etc. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ✓ Desconforto anal ✓ Sangramento ✓ Edema ✓ Prurido ✓ Mucorreia ✓ A hemorroida não dói! A dor pode ser um sintoma secundário a inflamação ou estresse contínuo sobre ela. TRATAMENTO Medidas gerais ✓ Controle da frequência evacuatória ✓ Modificações dietéticas e hábitos de higiene ✓ Medicação tópica (anti-inflamatórios, corticoides e analgésicos) ✓ Medicação oral (fibras e flavonoides) Cirurgias Ligadura elástica: indicada para doenças do 1º grau. É uma região menos dolorosa, uma vez que estão localizadas acima da linha pectínea; o elástico liberado estrangula a hemorroida, que entra em necrose. Esclerose hemorroidária: para doenças no estágio 1-2. A aplicação de uma solução hipertônica no plexo, faz com que ele retraia. Ligadura da A. hemorroidária guiada por Doppler: com o auxílio do Doppler, identifica-se uma área pulsátil acima da dilatação e nesse ponto faz a transfixação da artéria, fazendo uma isquemia da artéria que iria nutrir a hemorroida. Técnica aberta (Milligan-Morgan): 3º-4º grau. Traciona os mamilos hemorroidários com a pinça. Dissecção ocorre da parte mais externa para a parte interna, faz a transfixação do ponto internamente e depois secciona o mamilo dilatado. Deixando a cicatrização por segunda intenção, por isso o nome “aberta”. Técnica fechada (Fergusan): os passos iniciais são os mesmos da técnica aberta, mas a conclusão da cirurgia se faz com a sutura quase total da área crurenta que correspondeu a ressecção dos mamilos hemorroidários. Mais indicado para abordar um único plexo. Deixa um ponto de secreção que facilita a cicatrização. Tem como desvantagem a possibilidade de estenose do canal anal. Procedimento para prolapso hemorroidário (PPH): nas situações em que a doença compromete toda a circunferência anal, ou nos casos em que há prolapso da mucosa anal em toda esta região, em situações em que ocorre a exteriorização de todo o plexo pela borda anal. O grampeador é colocado na região anal e dá-se pontos para aproximar a borda anal ao grampeador, depois acopla o grampeador a uma oliva (verde). Toda a área que estava exteriorizada é retirada e o que estava dilatado é preso por grampos. TROMBOSE HEMORROIDÁRIA É uma emergência em pacientes com hemorroidas, em que há a formação de trombos no plexo hemorroidário. É facilmente distinguível de hemorroidas normais por apresentar um padrão mais arroxeado, enquanto as normais são mais vermelhas. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL – HEMATOMA ANAL FISSURA ANAL É uma laceração aguda, longitudinal ou uma úlcera oval crônica no epitélio escamoso do canal anal. Geralmente é decorrente de uma isquemia secundária a hipertonia do esfíncter anal interno. FISIOPATOLOGIA Localização na linha média posterior do canal anal Escassez capilar na comissura anal posterior Aumento da pressão de repouso por contração crônica do esfíncter anal interno Úlcera isquêmica do canal anal decorrente da hipertonia do esfíncter anal interno. QUADRO CLÍNICO Sintomas Dor Sangramentos Prurido Mucorreia EXAME FÍSICO Fissura e plicotema (deslocamento da derme que se exterioriza para fora do anus e pode ser visualizado no exame físico) Tratamento Aguda Analgesia Medicação tópica Agentes formadores de massa → alimentação rica em fibras Crônica Esfincterotomia química: nitratos, bloqueadores do canal de cálcio e toxina botulínica Cirurgia: ressecção da borda fibrótica para permitir a cicatrização e ressecção parcial do esfíncter para aliviar pressão. ABSCESSO ANAL O abscesso anorretal é um acúmulo localizado de pus nos espaços perirretais. Em geral, os abscessos têm origem em uma cripta anal. ✓ O abscesso perianal é superficial e emerge para a pele ✓ O abscesso isquiorretal é mais profundo, estendendo-se pelo esfíncter até o espaço isquiorretal, abaixo do levantador do anus; pode penetrar no lado contralateral, formando um abscesso em “ferradura”. ✓ Abscessos acima do levantador do anus (supralentadores) são bastante profundos e podem se estender ao peritônio ou órgãos abdominais. CAUSAS ✓ Infecção das glândulas anais ✓ Obstrução do ducto por fezes ✓ Trauma anal ✓ Obstrução por corpos estranhos QUADRO CLÍNICO ✓ Dor latejante ✓ Insificação da lor ✓ Vermelhidão local ✓ Tumoração TRATAMENTO ✓ Drenagem ✓ Antibioticoterapia FISTULA ANAL É um trajeto tubular com uma abertura no canal anal e outra geralmente na pele perianal. Um pertuito com infecção crônica ligando duas superfícies com revestimento epitelial. ✓ Orifício interno: linha pectínea ✓ Orifício externo: pele (raramente no reto) ETIOLOGIAS ✓ Piogênicas: são as mais comuns; decorrente da drenagem espontânea de abscessos. Pode-se falar que a fistula é uma complicação do abscesso anorretal ✓ Congênitas ✓ Traumáticas: corpo estranho deglutido ✓ Neoplasias ✓ Específicas: doença de Crohn, colites, tuberculose intestinal, DST ✓ Iatrogênicas: pos-operatórias TRATAMENTOS Identificação do trajeto fistuloso por estilete metálico de ponta romba, ressecção do trajeto e, nos casos de transfixação do esfíncter anal externo há passagem de sedenho (estrutura que irá permitir a fibrose do segmento esfincteriano sem que ocorra a sua ruptura, evitando a perda de controle e consequentemente a incontinência anal). A cicatrização ocorre por segunda intenção. AFECÇÕES IDIOPÁTICAS Prurido anal É tido como idiopático quando não há evidências de: ✓ Doença dermatológica específica ✓ Não é provocado por muco, infecções ou outras condições o diagnostico é de exclusão e não há tratamento específico. Proctologia fugaz Dor intensa, súbita e recorrente, com duração de 5 a 20 minutos, sem causa aparente. Não há tratamento.