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IMMANUEL KANT Kant foi um filósofo prussiano nascido em 1724 e amplamente considerado o principal filósofo da era moderna. Kant revolucionou a filosofia assim como Copérnico revolucionou a física. Ele é conhecido, principalmente, pela elaboração do denominado idealismo transcendental: Todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vem da experiencia) para a experiencia concreta de mundo, os quais seriam de outra forma impossível de determinar. KANT E A REVOLUÇÃO COPERNICANA NA FILOSOFIA Até ele, todos os filósofos admitiam sem grande esforço a existência dos objetos e dos sujeitos conhecedores desses objetos. Acreditava-se que o sujeito era capaz de conhecer os objetos que por sua vez se davam a conhecer. É como se de alguma maneira as reflexões filosóficas parassem em torno dos objetos. Diante disso, Kant começa a representar essa relação. Antes de pretender conhecer os objetos é melhor se perguntar sobre a capacidade de conhecer do sujeito. Será que o sujeito do conhecimento possui de fato capacidade para aprender todas as dimensões do objeto? Kant passa a colocar o sujeito como centro da pesquisa filosófica. Ele então revoluciona a história da filosofia e seu ponto de partida é justamente compreender em que medida o sujeito é capaz de conhecer e é claro que tal compreensão levaria um limite a partir do qual não seríamos capazes de conhecer nada. A SENSIBILIDADE E O ENTENDIMENTO Segundo Kant, o nosso corpo seria dividido em duas partes principais: uma responsável pela sensibilidade e outra pelo entendimento. Por meio da sensibilidade os homens experimentariam os fenômenos. A sensação (ou intuição como Kant prefere chamá-la) é determinada por duas formas que estariam em nosso aparelho representacional antes mesmo de nascermos e que são chamadas por isso de formas a priori de sensibilidade - o espaço e o tempo. Por exemplo, imagine que você esteja conhecendo pela primeira vez um certo objeto. Sempre que você conhece alguma coisa você o posiciona em certo lugar no espaço em um determinado tempo. Essa relação entre espaço e tempo permite que você guarda as informações necessárias sobre aquele objeto. Kant acredita que a noção do espaço de tempo sejam anteriores a qualquer experiência. É como se fossem características de uma máquina fotográfica: Uma máquina sem lentes essenciais não poderia fotografar, da mesma maneira sem as noções de espaço e de tempo não seremos capazes de conhecer. Tudo o que é captado pela nossa sensibilidade ou por nossa intuição é depois organizados pelo nosso entendimento. Para fazer isso, o entendimento conta com uma série de categorias que também estarão presentes a priori em nosso corpo (já nasceríamos com elas). Kant estabelece um total de doze categorias e elas funcionariam como pequenos compartimentos nos quais guardamos e organizamos as informações que recebemos - a nossa sensibilidade. OS JUÍZOS É claro que o tempo todo julgamos a realidade que nos cerca. Existe em nosso corpo partes que não dependem das experiências que fazemos. Elas são partes a priori justamente por estarem em nós antes mesmo das experiências que faremos em nossas vidas. Por um lado, temos a noção de espaço e tempo (formas a priori da sensibilidade) e por outro as categorias (formas a priori do entendimento). Quando julgamos o mundo fazemos sobre ele certo juízo. Primeiro ele percebe que somos capazes de fazer juízos analíticos (separar em partes). Para Kant certo conhecimento depende somente de uma análise. Exemplo: Todo triângulo tem três lados. O “três lados” já está contido na noção do triângulo basta que você analise para perceber o óbvio. Enquanto isso, existem também os juízos sintéticos, um deles é o juízo sintético a posteriori. Na frase “aquele carro azul” fazemos a síntese entre as ideias de carro e azul. Ambas se encontram separadas na realidade, mas a juntamos por meio de uma síntese porque a posteriori essa síntese só é possível com a experiência. Já os juízes sintéticos a priori tem um comum com os a posteriori - o fato de o predicado não está necessariamente contido no sujeito - como analíticos. Mas esse tipo de juízo é capaz de trazer um conhecimento verdadeiramente novo, por exemplo, a síntese entre as ideias de reta e ponto nos leva à conclusão de que a menor distância entre dois pontos é necessariamente uma reta. Como os juízos analíticos não dependem da experiência sensível da sensibilidade eles são considerados a priori ao passo que os juízos sintéticos a posteriori dependem inteiramente da sensibilidade, ou seja, das experiências. Dessa forma, são juízos a posteriori. O que marca os juízos sintéticos a priori é justamente conseguir as duas coisas ao mesmo tempo: a universalidade de uma noção analítica e as formas de sensibilidade. O IDEALISMO TRANSCENDENTAL Para Kant, existe uma realidade objetiva, mas o homem não consegue captar exatamente essa realidade. Na verdade, o que o homem faz é uma representação da realidade. Como centro da questão é a capacidade do homem de conhecer, Kant percebe que o máximo de conhecimento que o homem consegue de fato é a representação e não a coisa em si. Daí a ideia de a teoria Kantiana ser transcendental diferentemente do idealismo dogmático, que supunha a ideia tal como existia na realidade, Kant pressupõe uma limitação ao conhecimento humano.