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COLIBACILOSE AVIÁRIA ● Afecções causadas por Escherichia coli (E. coli) Infecções ● Locais (ex: onfalite) ● Sistêmicas (colisepticemia) ● E. coli faz parte da microbiota intestinal - mas algumas cepas são mais virulentas e se a ave estiver imunossuprimida ela pode causar problemas ● Família enterobacteriaceae ○ Bastonete curto ○ Gram-negativo ○ Não esporulado ○ Anaeróbico facultativo ○ Flagelado – móvel favorecendo a disseminação da bactéria ○ LAC + (MacConkey) ou seja, elas fermentam a lactose no ágar Por conta disso as colônias se tornam rosa quando fazemos o cultivo no ágar MacConkey, que é um meio seletivo diferencial para enterobactérias, fica na coloração rosa justamente pois as bactérias fermentam a lactose que está presente no meio, com isso ocorre a viragem do indicador de pH ficando rosas, bactérias que não fermentam a lactose ficam translúcidas nesse meio - cultivo para bactérias gram negativas indicando a fermentação por lactose. Recomenda-se a utilização do Ágar MacConkey em amostras clínicas que contenham microbiota mista, como urina, fezes, feridas e secreções. As bactérias gram negativas se desenvolvem melhor com essa técnica e se diferenciam por apresentarem a habilidade de fermentar a lactose. Diferente dos outros meios de cultura, o Ágar MacConkey é seletivo, pois apresenta combinação de sais biliares e o cristal violeta, que inibem os microrganismos gram positivos, assim reduzindo relativamente doenças causadas por bactérias ou protozoários presentes nas fezes. Além disso, um dos diferenciais do Ágar MacConkey é que as bactérias gram negativas produzem colônias na cor rosa. As incapazes de fermentar permanecem incolores ● Em aves: geralmente sistêmica ● Secundária a outros agentes ● Manifestações extraintestinais - quadros reprodutivos, quadros articulares, enfim vai depender de onde a bactéria vai se instalar ● Uma das principais doenças da avicultura industrial no mundo Perdas econômicas devido à: ● Aerossaculite, celulite, colissepticemia, coligranuloma, doença respiratória crônica (DRC) ● Onfalite, osteomielite, panoftalmia, peritonite, pericardite ● Pneumonia, pleuropneumonia, salpingite, síndrome da cabeça inchada (SCI) onde vai ter o aumento do volume da barbarela da crista, sinovite - justamente pois temos um quadro infeccioso bacteriano com liberação de lipopolissacarídeos na corrente sanguínea fazendo com que ocorra esses quadros de edema Patótipos ● Enteropatogênicos (EPEC) ● Enterotoxigênicos (ETEC) ● Enteroinvasivos (EIEC) ● Entero-hemorrágicos (EHEC) ● Entero-agregativos (EAggEC) ● Uropatogênicos (UPEC) ● Meningite neonatal (NMEC) ● Enteropatogênicos de coelhos (REDEC) ● Patogênicos de aves (APEC) - que significa patogênico para aves APEC ● Aerossaculite ( inflamação dos sacos aéreos) ● Polisserosite (inflamação das serosas de uma forma geral) ● Septicemia ● Outras doenças extraintestinais em galinhas, perus e outras espécies de aves (por que extraintestinais? porque geralmente as infecções por E.coli tendem a causar diarreias, quadros entéricos, e aqui não, aqui vamos ver muitas vezes quadros extraintestinais com quadros não diarreicos mas sistêmicos) ● Antígenos : Somático – LPS: “O” ■ Flagelar : “H” ■ Capsular: “K” ■ Fímbrias: “F” Esses antígenos que as bactérias apresentam que favorecem a sua adesão, colonização das mucosas, sua dispersão no organismo do animal. Todos esses antígenos favorecem a disseminação da bactéria pelo organismo do animal Outros Fatores de virulência que podem estar presentes: ● Adesinas ● Toxinas ● Aerobactina ● Plasmídeos - que são os DNAs extra cromossomais, que inclusive podem transferir de uma bactéria para outra, como resistência de antimicrobianos para uma bactéria para outra ● Colicina ● Resistência a proteínas do soro ● Antígenos capsulares complexos LPS ● Trato digestório das aves: concentrações de E. coli pode ser acima de 106 UFC/g (unidade formadora de colônia) de fezes ● Devido essa alta concentração de E.coli nas fezes das aves acontece uma excreção contínua pelas fezes => isso faz com que a bactéria se dissemine mundialmente, distribuição cosmopolita ● Pode permanecer nas criações por longos períodos, contaminando água e alimentos (vias de transmissão) ● Contaminação fecal da casca do ovo: principal via de transmissão para pintinhos => alta mortalidade embrionária *** caso ele não venha morrer ao nascer ele terá quadros de onfalite Epidemiologia ● Microbiota – 10-20% patogênicas – Patógeno Oportunista ● Roedores / aves silvestres => reservatórios ● Sorogrupos: O2, O21, O36, O50, O78, O88, O119 e O152 (mais prevalentes em aves no Brasil) - os sorogrupos são identificados por provas laboratoriais de microaglutinação, onde nós verificamos e classificamos as bactérias, e dependendo podem ser classificadas como mais ou menos virulentas. Geralmente esses antígenos O que são os antígenos LPS é quem são utilizados para o diagnóstico ● Homem: O157:H7 – toxi-infecções alimentares ● Aves jovens (4-9 semanas): são mais suscetíveis aos quadros respiratórios ● Adultas: mais predispostas a quadros reprodutivos, como à salpingite (associada ao nível hormonal de aves em postura) => pois os hormônios da ovipostura favorecem a colonização da E. coli no oviduto é facilitada quando o nível de estrógeno está elevado levando ao quadro de salpingite, que por sua vez interfere no trabalho reprodutivo da ave Fatores predisponentes: ● Alta densidade de aves ● Baixa ventilação ● Altas concentrações de amônia ● Elevada umidade da cama - favorece disseminação e proliferação de fungos ● Variações extremas de temperatura ● Deficiência no processo de desinfecção ● Micotoxinas na ração ● Agentes infecciosos imunossupressores e/ou capazes de lesionar o epitélio respiratório ○ Vírus da bronquite infecciosa ○ Pneumovirose aviária ○ Bordetella avium ○ Mycoplasma gallisepticum ○ Eimeria tenella (protozoário) ○ Ascaridia galli (helminto) PATOGENIA ● E. coli => tecidos do hospedeiro => resposta inflamatória aguda ( por conta dos LPs e todos os antígenos citados anteriormente) ● Esse antígenos vão promover o aumento da permeabilidade vascular => fluidos e proteínas se acumulam nos tecidos causando quadro de edema - lesão no endotélio dos vasos causado pelo LPs e por outros antígenos ● Membranas edematosas; líquidos se acumulam em cavidades (podendo gerar um quadro de peritonite e ascite que é aquele acúmulo de liquido) ● Eventualmente: exsudatos com aparência caseosa => fibrose (mas isso vai indicar que o processo está um pouco mais crônico) INFECÇÕES LOCALIZADAS ● Celulite ● Onfalite ● Salpingite (adultos) ● Síndrome da cabeça inchada (SCI) INFECÇÕES SISTÊMICAS ● Colissepticemia e doença respiratória crônica complicada ● Coligranuloma (são abcessos que podem estar disseminados por órgãos e tecidos cavitário das aves, ou mesmo na pele da ave) ● Sequelas de colisepticemia ● Leva a condenação da carcaça Celulite ● Frangos de corte ● Condenações em abatedouros (aspecto da carcaça) ● Acúmulo de exsudato com aspecto caseoso no tecido subcutâneo das aves, principalmente na região abdominal ● Inoculação da E.coli ocorre por fezes pelas unhas das aves durante o processo de apanho (lesões na apanha) a fezes das unhas das vaes que acabam se machucando na porção ventral, é uma lesão tão rápida que nos momentos de espera para abate acaba evoluindo para lesão de celulite e sendo descartada ● Pode estar relacionada a surtos de colibacilose na criação ou má qualidade dos pintinhos em criações de alta densidade ● Isolados: sorogrupos O2 e O78 => produzem aerobactina e colicina (que são enzimas que vão contribuir para a patogênia) Aqui lesão hemorrágica supurativa, que é um quadro de celulite produzido por E.coli. Acaba não ficando restrita ao subcutâneo, mas atinge órgãos e outros tecidos Podemos inclusive encontrar abcessos com material caseoso na musculatura das aves Notem a região abdominal ventral,a quantidade de exsudato e processo inflamatório, aqui já é um processo mais cronico Onfalite ● Contaminação dos ovos com fezes => galinhas infectadas ● Penetração de E. coli para o interior da casca => comprometimento do saco vitelino ou morte do embrião - e se ele nascer tem grandes chances de desenvolver a onfalite ● E. coli pode ser isolada em 70% dos casos de onfalite ● Outros patógenos: Proteus, Bacillus e Enterococcus ● Taxa de infecção pode ultrapassar 25% se a galinha estiver infectada ● Contaminação fecal + transmissão transovariana - se a ave tiver um quadro de salpingite ela pode transferir a E.coli do seu oviduto para o interior do ovo na formação do ovo ● Mortalidade embrionária é maior quando infecção ocorre no período final de incubação ● Parede do saco vitelino torna-se edematosa ● Gema acastanhada, podendo conter massas caseosas ● Se o pintinho nascer: disseminação da bactéria nos 4 primeiros dias => com um quadro de pericardite ● Pintinho não absorve o saco vitelino => comprometimento do ganho de peso e da transferência de Ac maternos - será um animal refugo com alta taxa de mortalidade Foto: Retenção de saco vitelino – onfalite com aumento do volume abdominal bem significativo com presença de exsudato purulento Foto do lado: Retenção de saco vitelino – pintinho de 5 dias Salpinge (adultos - é mais comum nos adultos) - inflamação das trompas de falópio (tubas uterinas) ● Aves adultas são menos suscetíveis a quadros respiratórios, mas podem apresentar salpingite ● Isso ocorre por conta da proximidade do saco aéreo abdominal esquerdo com o oviduto ● Infecções ascendentes a partir da cloaca ● Massa caseosa no oviduto, que aumenta de tamanho progressivamente ● Persiste durante meses ● Aves afetadas morrem em seis meses ● As que sobrevivem raramente voltam à postura ● Degeneração e flacidez dos folículos ovarianos ● Derrame de folículos na cavidade abdominal: peritonite fibrinosa e mortalidade aguda ● Aumento dos níveis de estrógeno => hipertrofia do epitélio uterino => favorecimento da infecção ascendente Foto: ooforite por E.coli em ave Foto: Peritonite após ruptura de folículos ovarianos na cavidade abdominal da ave Síndrome da Cabeça Inchada (SCI) ● Associação de E. coli com pneumovírus ou vírus da bronquite ● Celulite aguda ou subaguda que envolve a área da cabeça e dos olhos ● Segue-se quadro respiratório agudo => sinusite e edema peri e infra-orbitário ● Comprometimento do SNC => torcicolo, opstótono e incoordenação motora ● Duração: 2-3 semanas ● Mortalidade: 3-4% ● Redução da produção de ovos: 2-3% ● Lesão viral: redução dos cílios do epitélio respiratório => infecção secundária por E. coli ● Aumento da produção de muco => processo inflamatório das glândulas do trato respiratório ● Lesões: ○ Edema facial ○ Celulite ○ Exsudato caseoso de coloração amarelada no espaço aéreo dos ossos do crânio ○ Áreas lesionadas podem se estender em direção ao nervo óptico e meninges ○ Citotoxina: responsável pelo edema Fotos: Síndrome da Cabeça Inchada (SHS) – E. coli + Pneumovirus Colissepticemia e doença respiratória crônica complicada ● E. coli na circulação sanguínea ● Quadro respiratório em aves de 4-9 semanas de idade ● Evolução para septicemia ● Agentes respiratórios: perda de cílios traqueais e aumento de muco => colonização por E. coli ● Porta de entrada: trato respiratório superior ● Colonização por E. coli na traqueia => disseminação para sacos aéreos e tecidos adjacentes ● Lesões: aerossaculite, pericardite, periepatite (tríade de condenação de carcaça) perdas econômicas significativas ● Sacos aéreos espessados, com exsudato caseoso ● Espessamento do pericárdio, presença de exsudato fibrinoso, de coloração amarelada ● Morte aguda em seis horas: ausência de lesões ● Aves acometidas: pneumonia, pleuropneumonia e peritonite ● Evolução rápida para septicemia => alta mortalidade ● Aves sobreviventes: salpingite, panoftalmite, meningoencefalite, celulite, osteomielite, sinovite, esplenomegalia, fígado esverdeado e congestão muscular Polisserosite serofibrinosa por E. coli foto: Enterocolite por E. coli Coligranuloma ● Sinonímia: Doença de Hjarre ● Granulomas em diferentes órgãos (fígado, mesentério e duodeno, exceto baço) ● Lesões nas serosas semelhantes a tumores por leucose ● Perus: relacionado à tiflite piogranulomatosa ou hepatite ● Forma atípica de colibacilose sistêmica ● Mortalidade de até 75% quando o lote é afetado foto: Coligranuloma em cecos Foto: Coligranuloma em fígado Sequelas de colisepticemia ● Sinovite e osteoartrite ○ Comprometimento das articulações, ossos e tecidos adjacentes ● Meningoencefalite ○ Zonas com perda de cor ao redor dos vasos meningeais ● Panoftalmite ○ Geralmente unilateral; exsudato fibrino-heterofílico que pode progredir para lesão granulomatosa DIAGNÓSTICO ● Clínico ● Laboratorial ○ Isolamento bacteriano (órgãos internos e sangue) ○ Sorologia - Antígenos ○ Molecular: PCR – fatores de virulência ● Necropsia Isolamento ● Suspeita de colissepticemia: amostras de sangue do coração ou do fígado, colhidas assepticamente ● Lesões fibrinopurulentas: suabes de exsudato do pericárdio, sacos aéreos ou articulações ● Medula óssea ● Meios de cultura: MacConkey, ágar eosina azul de metileno (EMB), série bioquímica para enterobactérias Diagnóstico Diferencial ● Mycoplasma (aerossaculite) ● Chlamydophila (aerossaculite e pericardite) ● Pasteurella e Salmonella (pericardite e septicemia) ● Bacterioides (granulomas no fígado) ● Vírus respiratório Tratamento ● Antimicrobianos: ○ Classe I: enrofloxacina (uso comum em humanos) ○ Classe II: eritromicina, penicilina, gentamicina, sulfonamida, ceftiofur, tetraciclina (uso moderado em humanos) ○ Classe III: estreptomicina, neomicina, bacitracina, tilosina, lincomicina, espectinomicina (uso incomum em humanos – de eleição para aves) Tratamento - limitações ● Custo ● Existência de cepas multirresistentes a antimicrobianos Profilaxia e Controle ● Evitar estresse ● Biosseguridade – desinfecção, concentração de amônia, ventilação, temperatura, umidade... ● Maior tempo de vazio sanitário (duas semanas) ● Desprezar ovos sujos ● Uso de probióticos ● Vitaminas A, E, D e C na ração ● Vacinas – bacterinas ● Baixa proteção cruzada contra diferentes sorogrupos ● Novas vacinas: pili bacteriano => busca por antígenos comuns a vários sorogrupos ATIVIDADE Explique resumidamente o que é a tríade da condenação da carcaça, na Colibacilose aviária. A partir da colonização por E. coli na traqueia, ocorre disseminação para sacos aéreos e outros tecidos adjacentes, logo gerando algumas lesões, dentre essas lesões temos, aerossaculite, pericardite e periepatite, que são lesões que levam a denominação de tríade de condenação de carcaças, determinando as carcaças que serão condenadas, havendo perda econômica.