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ANA KAROLYNE MONTEIRO-M2 1 1) DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA Definição -A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é um conjunto de sinais e sintomas secundário à ascensão e à disseminação, no trato genital feminino superior, de micro-organismos provenientes da vagina e/ou da endocérvice. Estes micro-organismos podem acometer o útero, trompas de falópio, ovários, superfície peritoneal e/ou estruturas contíguas (fígado) -DIP é uma afecção que compreende vários espectros inflamatórios e infecciosos do trato genital superior feminino, que incluem quaisquer combinações de endometrite, salpingite, abscesso(s) tubo-ovariano(s) e peritonite pélvica. -Ela constitui a complicação mais comum e grave das doenças sexualmente transmissíveis. Epidemiologia -É comum em mulheres jovens com atividade sexual desprotegida, sendo mais prevalente entre os 15 e 25 anos. Cerca de 70% das pacientes acometidas apresentam idade inferior a 25 anos. As adolescentes possuem risco três vezes maior de desenvolver DIP do que as pacientes acima de 25 anos. -A investigação epidemiológica da DIP é prejudicada por alguns fatores, a saber: ---Depende da realização de testes laboratoriais e de imagem que sejam simples, baratos e eficazes para um diagnóstico de certeza; ---Os critérios clínicos dificultam a definição dos casos de DIP, pois não existem sinais e sintomas patognomônicos da doença; ---Os sistemas de notificação e de informação são precários em nosso país. -Possui morbidade alta, mortalidade diminui porque melhorou uso dos antibióticos. -Deica seqüelas a longo prazo que causam morbidade reprodutiva: Infertilidade, prenhez ectópica e dispaurenia e dor pélvica. Etiologia Entre os micro-organismos sexualmente trans- missíveis, merecem destaque C. trachomatis e N. gonorrhoeae, os dois únicos patógenos primários da DIP relatados na literatura. -A despeito do evento inicial, a microbiologia da DIP é polimicrobiana. -Todas as mulheres que tem DIP aguda devem ser ras- treadas para N. gonorrhoeae e C. trachomatis e testadas para HIV, sífilis e hepatites virais. -A DIP por Actinomyces incide em usuárias de Dispositivo Intrauterino (DIU). Mas, em cerca de 90% dos casos, a DIP é originária de agentes sexualmente transmissíveis. Fatores de Risco -Idade menor que 25 anos -Início Precoce da Atividade Sexual -Estado Civil: -Estado Socioeconômico -Tabagismo / Alcoolismo / Uso de Drogas Ilícitas -Múltiplos Parceiros Sexuais -Parceiro Sexual Portador de Uretrite. História de IST ou DIP Prévias ou Atuais: -Vaginose Bacteriana (VB) -Uso de Métodos Contraceptivos Fisiopatologia A DIP começa com a ascensão de micro-orga- nismos pelo trato genital, mais precisamente pela passagem destes pelo OI do colo uterino ANA KAROLYNE MONTEIRO-M2 2 Este processo é facilitado em dois períodos: período perimenstrual e pós-menstrual imediato. Ela ocorre mais frequentemente nestes dois períodos pela abertura do colo, pela fluidez do muco cervical imposta pela ação estrogênica, e pela sucção do conteúdo vaginal promovida pela contratilidade uterina. O principal sintoma da DIP é a presença de des- carga vaginal purulenta, quase sempre acompanhada de dor abdominal infraumbilical, dor em topografia anexial, dor à mobilização do colo uterino e febre. Podem ocorrer também os chamados sintomas atípicos, como sangramento uterino anormal (hipermenorreia ou metrorragia), dispareunia e sintomas urinários. Todo processo começa com uma endometrite, que se caracteriza pela presença de plasmócitos no estroma endometrial. Esta é a manifestação inicial da DIP. É devido à endometrite que a paciente se queixa comu- mente de dor à mobilização do colo uterino e de dor abdominal infraumbilical. A seguir, o processo infeccioso pode se dirigir às trompas. Nesta, o gonococo e a clamídia causam lesão direta e indireta do epitélio ciliar, que induz à intensa reação inflamatória, carac- terizada por edema e infiltrado leucocitário. Isso explica a dor à palpação do(s) anexo(s). A inflamação da superfície tubária pode acarretar a formação de aderências. Estas justificam a queixa de dor pélvica crônica que algumas pacientes apresentam. As aderências podem levar à oclusão do lúmen tubário ou à formação de traves. A oclusão da trompa justifica a sequela de infertilidade por fator tubário que algumas pacientes desenvolvem. Provavelmente, as traves são as responsáveis pelo aumento da incidência de gestações ectópicas. A aglutinação das fímbrias pode produzir oclusão tubária total e a formação de piossalpinge. Em alguns casos, as fímbrias envolvem o ovário, e formam o abscesso tubo-ovariano. O processo infeccioso pode, então, progredir em direção à cavidade peritoneal. Eventualmente, o conteúdo dos abscessos pode cair na cavidade e constituir um abscesso em fundo de saco de Douglas, ou entre alças intestinais, ou no espaço subdiafragmático. Neste estágio, as pacientes já apresentam sinais de irritação peritoneal. Diagnóstico -Complicado -Vai desde paciente assintomática até emergenciais -Não tem teste definitivo para o diagnóstico de DIP -baseado nos achados clínicos Critérios Diagnósticos na DIP O diagnóstico baseia-se na presença de três critérios maiores mais um critério menor, ou na presença de apenas um critério elaborado. Quadro Clínico -Pacientes de risco: mulheres sexualmente ativas, sem atraso menstrual, próximas aofinal do período menstrual, múltiplos parceiros que não usam contraceptivos de barreira,DIP prévia. ANA KAROLYNE MONTEIRO-M2 3 -Dor à mobilização do colo uterino. -Dor anexial. -Dispareunia. -Corrimento vaginal mucopurulento. -Queixas urinárias. -Sangramento intermenstrual. -Anorexia, náuseas e vômitos. -Febre (30 a 40% dos casos). Exames Complementares 1-Teste de gravidez: Para exclusão da suspeita de gravidez ectópica ou abortamento séptico. 2-Hemograma completo: Evidenciará a presença de leucocitose superior a 10.000- 12.000/mm3, com aumento da contagem de bastões. 3- Velocidade de hemoss edimentação e proteína C-reativa: Na quase totalidade dos casos, ambos os exames estarão elevados. 4-EAS e/ou urinocultura: Para afastar infecção do trato urinário. 5-Cultura de materiais da cérvice uterina com antibiograma ou NAAT para N. gonorrhoeae: A cultura só tem valor se for realizada em meio específico: para gonococo (Thayer-Martin), clamídia (McCoy), micoplasma e ureaplasma (meio A3 Shepard). Além disso, recomenda-se realização da pesquisa de Gram da secreção cervical, exame a fresco da secreção cervical e pesquisa de imunofluorescência direta para clamídia. -Exame bacterioscópico de outros sítios: Com cultura e antibiograma de material obtido da uretra, por videolaparoscopia ou por punção do fundo de saco posterior (culdocentese, que é usada excepcionalmente). Sorologia para sífilis (VDR L), hepatites B e C, HIV e imunofluoresc ência indireta para clamídia. Ultrass onografia abdominal e pélvica: poderão revelar a presença de líquido livre na pelve, abscessos tubo-ovarianos e pélvicos. O principal achado ultrassonográfico na DIP é a presença de uma fina camada líquida preenchendo a trompa, com ou sem a presença de líquido livre na pelve. Biópsia de endométrio: Pode confirmar a presença de endometrite. Ress onância magnética: Poderá revelar a presença de líquido livre na pelve, abscessos tubo-ovarianos e pélvicos. Videolaparoscopia: Permite a obtenção de um diagnóstico acurado nos casos de salpingite e de um diagnóstico bacteriológico mais completo.Os critérios mínimos à videolaparoscopia para diagnóstico da DIP aguda são hiperemia da superfície tubária, edema da parede tubária, exsudato purulento cobrindo a superfície tubária ou extravasando pela extremidade fimbriada, quando esta se encontra pérvia. Estadiamento Em 1990,Monif propôs uma classificação para o estadiamento dos quadros de DIP segundo a evolução dos processos infecciosos. Tratamento