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@CASA LMEDR E SUMOS GINECOLOGIA A B O R D A G E M S I N D R Ô M I C A 2025 @CASALMEDRESUMOS@CASALMEDRESUMOS É expressamente proibida a reprodução, parcial ou total, do conteúdo, conforme preceitua a lei 9610/98. O uso e a reprodução desautorizada do material imputa em crime de violação de direito autoral, que está previsto no artigo 184 do Código Penal, sob o risco de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa. Se você compactua de qualquer forma com a reprodução indevida, saiba que está cometendo CRIME. O programa DRM Social (Digital Right Management) possui um conjunto de tecnologias que são aplicadas visando inibir a reprodução e/ou compartilhamento indesejado de arquivos digitais. São monitorados acessos suspeitos e envios indevidos dos arquivos fornecidos a você, que são protegidos por senha, com seu nome e CPF na forma de marca d’água no rodapé de todas as páginas. O material foi atualizado até Janeiro/25. Novas atualizações que saírem a partir desta data serão lançadas no formato digital na área de membros da plataforma da Hotmart, concedida a você no momento da compra. S U M Á R IO SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II ESTEROIDOGÊNESE CICLO MENSTRUAL E SD. PRÉ-MENSTRUAL INCONT. URINÁRIA E DISTOPIA GENITAL AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE SANGRAM. GINECOLÓGICOS BENIGNOS ANTICONCEPÇÃO CLIMATÉRIO E OSTEOPOROSE 5 G I N E C O L O G I A - A B O R D A G E M S I N D R Ô M I C A Vulvovaginites 5 Cervicites e Uretrites 7 DIP 7 Úlceras Genitais 8 Violência Sexual 12 Verrugas Genitais 13 Câncer de Mama 19 Câncer de Ovário 21 Câncer de Endométrio 23 Câncer de Colo Uterino 24 Câncer de Vulva 28 SUA e “SUD” 48 Pólipos 49 Miomatose e Adenomiose 50 Endometriose 52 Dismenorreia 53 15 23 29 32 36 41 48 55 57 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) QUAIS AS POSSIBILIDADES? (1) Síndrome do CORRIMENTO GENITAL/URETRAL ✓ Trato Genital Inferior ➢ Vulvovaginites ➢ Cervicites ✓ Trato Genital Superior ➢ DIP (2) Síndrome da ÚLCERA GENITAL (3) Síndrome da VERRUGA GENITAL 1. VULVOVAGINITES Mais comuns: vaginose > candidíase > tricomoníase Vaginose Bacteriana Agente: POLIMICROBIANA! - GARDNERELLA VAGINALIS - Bacterioides sp - Mobiluncus sp - Mycoplasma hominis - Peptoestreptococcus sp Quadro Clínico: - METADE É ASSINTOMÁTICA! - ODOR: fétido, piora após o coito e menstruação - CORRIMENTO: acinzentado e homogêneo Diagnóstico: CRITÉRIOS DE AMSEL (3 dos 4) (1) Corrimento branco-acinzentado, fino, homogêneo (2) pH vaginal > 4,5 (3) Teste das aminas (Whiff) positivo (4) Microscopia direta: clue-cells De acordo com o MS, o PADRÃO-OURO PARA DIAGNÓSTICO é o GRADIENTE DE NUGENT (GRAM) = número de bactérias e lactobacilos patogênicos (escore > 7). Tratamento: - METRONIDAZOL 250MG 2CP VO 12/12H 7 DIAS OU - METRONIDAZOL CREME VAGINAL 100MG/G 1X/NOITE 5 DIAS No tratamento tópico, idealmente se abster de relações sexuais para aumentar a eficácia do tratamento. Reforçar o uso pela noite, ao deitar. - NÃO PRECISA TRATAR PARCEIRO! - A PRESENÇA ISOLADA DE GARDENERELLA NÃO INDICA O TRATAMENTO. - EVITAR ÁLCOOL DURANTE O TRATAMENTO E ATÉ 24H APÓS O SEU TÉRMINO (EFEITO ANTABUSE) SE RECORRENTE: METRONIDAZOL GEL 10 DIAS + ÁCIDO BÓRICO 21 DIAS + METRONIDAZOL GEL 2X/SEMANA 4-6 MESES → esquema promissor segundo o MS, mas que ainda requer validação com estudo prospectivo randomizado. E NA GRAVIDEZ E PUERPÉRIO? - TEM QUE TRATAR! Segundo o MS, o metronidazol pode ser usado! Candidíase Agente: - CANDIDA SP. ▪ Principalmente ALBICANS - Se de repetição (4 ou + episódios/ano): ▪ Desconfiar de não-albicans Fatores de Risco: - Gravidez, obesidade, ACO de alta dose de estrogênio, corticoide, imunossupressão, hábitos de higiene, vestuário, antibióticos, DM descompensado Quadro Clínico: - SINAIS INFLAMATÓRIOS: PRURIDO (!), disúria, dispareunia, edema, hiperemia - ODOR: sem odor - CORRIMENTO: grumoso, branco, aderido Diagnóstico: (1) Prurido, corrimento branco aderido, em nata (2) pH vaginal 4/ANO): - FLUCONAZOL D1, D4 e D7 OU - ITRACONAZOL 100mg 2cp VO 12/12h 1 dia OU - MICONAZOL creme 10-14 dias + - FLUCONAZOL 150mg 1x/semana por 6 meses OU - MICONAZOL creme 2x/semana por 6 meses OU - ÓVULO VAGINAL 1x/semana por 6 meses - TRATAR PARCEIRO SOMENTE SE MANIFESTAÇÕES (ex: balanopostite) - O ACHADO ISOLADO DE CANDIDA NÃO INDICA O TRATAMENTO. E NA GRAVIDEZ? - FAZER TRATAMENTO TÓPICO! Imagem: Dr. André Luiz Vasconcelos Imagem: researchgate.com Imagem: MSD Manuals 555 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Tricomoníase Agente: TRICHOMONAS VAGINALIS Se tem trichomonas, houve contato sexual! Quadro Clínico: - SINAIS INFLAMATÓRIOS: irritação, hiperemia, prurido, COLPITE (COLO EM FRAMBOESA/ASPECTO TIGROIDE) - ODOR: fétido - CORRIMENTO: abundante, bolhoso, purulento Diagnóstico: (1) Corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, colo em framboesa (2) pH > 5 (3) Teste das aminas (Whiff) pode estar positivo (4) Microscopia direta: protozoário móvel Obs: corrimento bolhoso também pode estar presente na vaginose! Tratamento: - METRONIDAZOL 400MG, 5COMP VO, DU OU - METRONIDAZOL 250MG 2CP 12/12H VO por 7 dias. - CDC: tinidazol e secnidazol são opções - NÃO PODE CREME E NÃO PODE CLINDAMICINA! - O ACHADO ISOLADO DE TRICHOMONAS INDICA O TRATAMENTO! Se tem trichomonas, houve contato sexual! - CONVOCAR PARCEIRO E TRATAR PARCEIRO (!) + - RASTREAR OUTRAS DST (!) - Cuidado com o EFEITO ANTABUSE! E NA GRAVIDEZ E PUERPÉRIO? - TEM QUE TRATAR! Segundo o MS, o metronidazol pode ser usado! Ilustrando... Diagnóstico Diferencial... Vulvovaginite Inespecífica - Causa mais comum de corrimento vaginal na infância, relacionado a erros de higiene, vestuário... - Não tem agente etiológico específico - O diagnóstico é de EXCLUSÃO (exame físico, exame a fresco, EPF (é comum a oxiuríase “passear” entre a região anal e a vagina) - O tratamento é feitobilateral → algumas referências indicam - Progesterona: se desejo de gestar ou alto risco cirúrgico Diferentes Classificações vs Manejo OMS IECG ACOG Categorização Funcional Manejo Simples Sem atipia Hiperplasia Benigna Efeito Estrogênico Progesterona Complexa Sem atipia Simples Com atipia Hiperplasia Atípica ou NIE Pré-câncer Cirurgia ou Progesterona Complexa Com atipia Adenocarcinoma Adenocarcinoma Câncer Estadiamento Particularidades TIPOS PATOGÊNICOS: TIPO I: - Exposição ao estrogênio - ↓Grau - Menor invasão miometrial - Bom prognóstico TIPO II: - Sem exposição ao estrogênio - ↑Grau - Maior invasão miometrial - Endométrio atrófico - Pacientes mais velhas/magras - Mau prognóstico TIPOS HISTOLÓGICOS - Adenocarcinoma ENDOMETRIOIDE é o mais comum (84%) VIA DE DISSEMINAÇÃO - LINFÁTICA: mais comum - Invasão do miométrio e colo por contiguidade são comuns ESTADIAMENTO: - CIRÚRGICO! - A RESSONÂNCIA pode avaliar a INVASÃO MIOMETRIAL/CERVICAL, bem como LINFONODOS ACOMETIDOS e METÁSTASES RESUMÃO DO TRATAMENTO - LAPAROTOMIA = estadiamento e tratamento (HT abdominal + lavado peritoneal + anexectomia bilateral + linfadenectomia) OBS: linfadenectomia é dispensada no estádio IA ( 50% de invasão miometrial (> IB) - QUIMIOTERAPIA: se metástase (“ultrapassou o útero”) Imagem: clicazago.com.br Imagem: fernandoguastella.com.br 232323 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 2. LESÕES PRECURSORAS CERVICAIS E CA DE COLO UTERINO Conceitos Fundamentais: ASC-US/ASC-H Atipia escamosa de significado indeterminado/alto grau Células ESCAMOSAS LIE-BG Lesão intraepitelial de baixo grau LIE-AG/CA IN SITU Lesão intraepitelial de alto grau AGC Atipia glandular cervical Células GLANDULARES Sempre avaliar endométrio! ADENOCARCINOMA IN SITU Histologia do Colo Uterino: - Vulva, vagina e colo de útero*: predomina o epitélio ESCAMOSO - Canal cervical: predomina o epitélio COLUNAR (*) Detalhe em relação a histologia do colo uterino: - Endocérvice: predomínio do epitélio COLUNAR - JEC: junção escamo-colunar → aqui pode haver o processo de METAPLASIA ESCAMOSA (é fisiológico = epitélio escamoso “cobrindo” o epitélio colunar, gerando o aparecimento dos CISTOS DE NABOTH, que também são fisiológicos) - Ectocérvice: predomínio do epitélio ESCAMOSO Fatores de Risco: - INFECÇÃO PELO HPV - COITARCA PRECOCE - MÚLTIPLOS PARCEIROS - IST’S - Outros: ACO combinados orais (indiretamente relacionados pela redução no uso de preservativos), TABAGISMO, baixa imunidade, multiparidade, desnutrição, má higiene genital, baixo nível socioeconômico, radiação ionizante HPV: - Mais oncogênicos: 16 (!) e 18 - Condilomas genitais: 6 e 11 (baixo potencial oncogênico) Achados citológicos compatíveis com o efeito citopático do HPV: COILOCITOSE, DISCARIOSE e DISCERATOSE. Prevenção Primária: ▪ CONDOM + VACINA* (*) VACINA ANTI-HPV ▪ VLP’s (Vírus-Like Particles → partículas semelhantes a vírus) BIVALENTE QUADRIVALENTE HPV: 16/18 (por reação cruzada, também cobre alguns outros sorotipos. Ñ cobre exclusivamente 16 e 18) Recomendação do fabricante: 3 doses: 0, 1, 6 meses HPV: 6/11/16/18 Recomendação do fabricante: 3 doses: 0, 2, 6 meses Recomendação do MS: (!) Meninos e Meninas 9-14 anos: Dose única OBS: se passar dos 14 anos e não vacinar, basta tomar a vacina no particular (perde a gratuidade) Imunossuprimidos 9-45 anos: 3 doses: 0, 2, 6 meses - Usuários de PREP 15-45 anos: 3 DOSES (0-2-6 meses) - Vítimas de violência sexual: 2 DOSES (até 14 anos) ou 3 DOSES (15-45 anos) - Papilomatose respiratória recorrente: 3 DOSES (*) Se imunossuprimido: requer prescrição médica NONAVALENTE HPV: 6/11/16/18 + 31/33/45/52/58 → disponível somente na rede PARTICULAR! (*) Transplante de órgãos sólidos, transplantes MO, oncológicos, PVHIV IMPORTANTE! HÁ RECOMENDAÇÃO DE VACINAR MESMO SE JÁ HOUVER LESÃO ATIVA! COMO TRATAR O CONDILOMA ACUMINADO (HPV 6/11)? (1) ELETROCAUTÉRIO (LASER): se lesões EXTENSAS (2) ÁCIDO TRICOLOROACÉTICO: se lesões PEQUENAS. Boa alternativa em GESTANTES (não pode podofilina → questão clássica de prova) (3) IMUNOMODULADORES: alternativa para tratamento DOMICILIAR Prevenção Secundária: (1º) Anamnese + Exame Físico + COLPOCITOLOGIA (2º) COLPOSCOPIA ▪ (3º) BIÓPSIA DIRIGIDA + ESTUDO HISTOPATOLÓGICO CLÍNICA - LIE/iniciais: ASSINTOMÁTICOS/SINUSIORRAGIA - Estágios avançados: DOR, CORRIMENTO FÉTIDO, SUA (metrorragia) - EXAME ESPECULAR + TOQUES VAGINAL/RETAL* (*) Importante para avaliar paramétrio (foco de metástase) NORMAL CISTOS DE NABOTH Imagens: A.D.A.M Imagens: mdsaude.com 2424 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) (*) RISCO CRESCENTE DE MALIGNIDADE NA COLPOSCOPIA: - LESÃO ACETOBRANCA > PONTILHADO FINO > MOSAICO GROSSEIRO > VASOS ATÍPICOS PERCEBA OS TERMOS SUGESTIVOS DE MALIGNIDADE: “DENSO”, “GROSSEIRO”, “IODO NEGATIVO”, “VASOS ATÍPICOS”, “SUPERFÍCIE IRREGULAR”, “EROSÃO”, “ULCERAÇÃO” Estadiamento/Tratamento: Antes de prosseguir... TIPOS DE EXCISÃO EXCISÃO TIPO 1 - Doença ectocervical - Doença que não se estende mais de 1cm no canal cervical - Zona de Transformação do tipo 1 EXCISÃO TIPO 2 - Doença que ultrapassa a JEC (“mais dentro do canal, mas ainda visível”) - Exérese entre 1,5-2,0cm - Zona de Transformação do tipo 2 EXCISÃO TIPO 3 (“CONE”) - Maior profundidade de excisão (“não vê limite”) - Maioria das NIC até 1cm do canal cervical - Exérese entre 2,0-2,5cm de canal - Zona de Transformação do tipo 3 COLPOCITOLOGIA (1) QUANDO COLHER? - 1x/ano e após 2 negativos passa a colher a cada 3 anos - Entre 25-64 anos, após sexarca - Se 64 anos + 2 normais nos últimos 5 anos: não precisa mais colher 2024: MS INCORPOROU O TESTE MOLECULAR PARA HPV como parte do rastreamento para o CA de colo! - Situações especiais: ▪ Gestante: igual a não-grávida ▪ HIV+: logo após a sexarca, 6/6m no 1º anos e depois anual, mas se CD4 25 anos) ou 3 anos ( 30 anos) ou 12 meses (25-29 anos) ou 3 anos (tem trofismo pelo glicogênio! - ↓Glicogênio fica iodo negativo (Schiller +) ▪ Iodo positivo = Schiller negativo ▪ Iodo negativo = Schiller positivo = fazer biópsia CUIDADO! Gestante = biópsia só na suspeita de invasão* ▪ Achado mais suspeito de invasão: VASOS ATÍPICOS - Para melhorar a visualização da JEC (colposcopia “insatisfatória”): abrir mais o espéculo, utilizar espéculo endocervical, terapia com estrogênio 1-2 semanas (se pós-menopausa) - Se AGC: avaliar canal endocervical. Como? Escovado endocervical (preferencial pelo MS) ou curetagem endocervical ou histeroscopia. (3) ESTUDO HISTOPATOLÓGICO: - Possibilidades: LESÕES INTRAEPITELIAIS (NIC) OU CA CERVICAL ORDEM CRESCENTE DE RISCO ACETOBRANCA PONTILHADO M.GROSSEIRO V. ATÍPICOS Imagens: Dr. Francisco J. Candido dos Reis (USP) 252525 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) NÃO CONFUNDA! - A conização é um tipo de excisão tipo 3! - A conização pode ser feita tanto com alça (via CAF), como com cone a frio. O termo CAF (Cirurgia de Alta Frequência) serviu para popularizar o método de excisão da ZT (zona de transformação) com Junção Escamocolunar (JEC) visível e até o primeiro centímetro do canal. Todavia, o termo CAF passou a ser utilizado indistintamente para biópsias e, com a disseminação das técnicas de conização por eletrocirurgia, tornou-se muito difícil saber qual procedimento realizado quando havia relato de uma mulher ter sido submetida a uma CAD. Para disciplinar o uso desses termos, o MS definiu que O TRATAMENTO EXCISIONAL AMBULATORIAL DEVERIA SER CHAMADO DE EZT (EXÉRESE DA ZONA DE TRANSFORMAÇÃO). Qualquer outra abordagem que tenha por objetivo retirar a ZT endocervical era denominada conização, independente do método utilizado para sua realização (por eletrocirurgia, por laser ou bisturi convencional). Agora vamos tratar! Feita a biópsia e o estudo histopatológico, lembre que temos duas possibilidades de resultados: NIC ou câncer cervical! (1) Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NIC) - NIC 1: expectante - NIC 1 persistente (2 anos): destrutivo (CRIOTERAPIA OU CAUTERIZAÇÃO) - NIC 2, NIC 3, CA in situ: exérese → qual tipo de excisão escolher? EXCISÃO TIPO 3/CONIZAÇÃO, SE: Suspeita de invasão OU Sem limite da lesão OU JEC não visível (colposcopia insatisfatória). PROTOCOLO “VER E TRATAR” → “EZT PULANDO A BIÓPSIA” - A estratégia “ver e tratar” consiste na INSTITUIÇÃO DE TRATAMENTO COM BASE EM UM TESTE DE RASTREAMENTO POSITIVO, SEM OUTROS TESTES DE DIAGNÓSTICO. - Pode propiciar um TRATAMENTO AMBULATORIAL, que pode ser feito na primeira consulta, em um menor tempo e MENOR TAXA DE PERDAS no seguimento. Esse método foi considerado viável e com boa aceitabilidade, quando comparado à conduta com biópsia prévia. - É indicada em MULHERES COM CITOLOGIAS CERVICAIS OU ACHADOS COLPOSCÓPICOS QUE SUGIRAM LESÕES DE ALTO GRAU. CONSTITUEM CONDIÇÕES PARA SE ADOTAR A ESTRATÉGIA “VER E TRATAR”: - PRESENÇA DE ACHADOS ANORMAIS MAIORES (ALTO GRAU – HSIL/LIE-AG) A PARTIR DOS 25 ANOS - JUNÇÃO ESCAMOCOLUNAR (JEC) VISÍVEL: ZONA DE TRANSFORMAÇÃO (ZT) TIPOS 1 OU 2; - LESÃO RESTRITA AO COLO (LIMITES VISÍVEIS) - AUSÊNCIA DE SUSPEITA DE INVASÃO OU DOENÇA GLANDULAR (“A LESÃO NÃO PARECE CÂNCER”) A ESTRATÉGIA “VER E TRATAR” NÃO É RECOMENDADA: - Em mulheres com citologia de ASC-US E LSIL; - Em mulheres ATÉ 24 ANOS COM ACHADOS COLPOSCÓPICOS MAIORES: devem ser submetidas à biópsia e, se esta for compatível com NIC 2/3, deve-se seguir a recomendação específica. (2) Câncer Cervical: - O MAIS COMUM É O EPIDERMOIDE (+ relacionado com HPV 16) - EM SEGUNDO LUGAR: ADENOCARCINOMA (+ relacionado ao HPV 18) Vias de Disseminação: - Primeiro lugar: CONTIGUIDADE (vagina e corpo uterino) - Segundo lugar: LINFÁTICA ▪ Grupo primário de linfonodos: paracervicais, obturadores, ilíacos; ▪ Grupo secundário de linfonodos: ilíacos comuns, para-aórticos e inguinais. - Terceiro lugar: HEMATOGÊNICA (fígado, pulmões, ossos) Estadiamento – FIGO 2018: CLÍNICO COMPLEMENTADO COM EXAMES DE IMAGEM (RESSONÂNCIA) - Estádio 0: carcinoma in situ (CONE é diagnóstico e terapêutico) - Estádio 1: restrito ao colo uterino (tamanho normal: 3,5-4cm) ▪ 1A1: 3-5mm de profundidade ▪ 1B1: > 5mm e 2-4cm de profundidade ▪ 1B3: > 4cm de profundidade - Estádio 2: 2A: parte superior da vagina ✓ 2A1: 4cm 2B: invade paramétrio (a partir daqui, só QT) → visto pelo toque retal - Estádio 3: ▪ 3A: terço inferior da vagina ▪ 3B: parede pélvica/hidronefrose/exclusão renal ▪ 3C1: linfonodo pélvico ▪ 3C2: linfonodo para-aórtico - Estádio 4: ▪ 4A: bexiga e reto ▪ 4B: metástase à distância Imagem: doceru.com 262626 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Antes de prosseguir... TIPOS DE HISTERECTOMIA: Agora vamos tratar! - Estádio 0: EZT TIPO 3 (CONE) é diagnóstico e terapêutico - Estádio 1A1: padrão = HISTERECTOMIA TIPO 1 (se deseja gestação: cone ou traquelectomia) - Estádio 1A2: padrão = HISTERECTOMIA TIPO 2 (PIVER II) + LINFADENECTOMIA PÉLVICA - Estádio 1B1/1B2: padrão = HISTERECTOMIA TIPO 3 (WERTHEIM-MEIGS) - Estádio 1B3 ou 2A1: WERTHEIM-MEIGS ou QT/RT se ↑risco cirúrgico - Estádio > 2A2: QT/RT (*) Wertheim-Meigs: histerectomia total + retirada dos paramétrios e uterossacros + terço superior da vagina + linfadenectomia pélvica. Anexectomia não é obrigatória (individualizar). FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! AFECÇÕES BENIGNAS DAS MAMAS Principal causa de mastalgia AFBM Principal causa de derrame papilar Papiloma intraductal Nódulo mamário benigno mais comum Fibroadenoma Principal exame de imagem em jovens USG de mamas Rastreamento de CA de mama MMG Agente etiológico das mastites S. aureus AFECÇÕES MALIGNAS DAS MAMAS Principal fator de risco CA Sexo feminino Mutações genéticas na síndrome de CA de mama e ovário hereditária Lócus do gene BRCA1(17q21) Lócus do gene BRCA2 (13q12) Tipo histológico mais comum de CA Carcinoma ductal infiltrante Tipo de CA de mama bilateral Carcinoma lobular infiltrante Tipo de CA de mama de pior prognóstico Inflamatório Tendência à recorrência local Tumor filoides Escápula alada Lesão torácico longo QT no CA de mama? CA infiltrante RT no CA de mama Cirurgia conservadora BIRADS 4-5 Histopatológico BIRADS 1-2 Rotina AFECÇÕES MALIGNAS DOS OVÁRIOS Corpos psamomatosos Cistoadenocarcinoma seroso Corpúsculo de Shiller Duval Tumores do seio endodérmico Corpúsculos de Carl-Exner Tumores da teca-granulosa Pseudomixoma peritoneal Cistoadenocarcinoma mucinoso Células em anel de sinete Tumor de Krukenberg Síndrome de Meigs Fibroma e tumor de Brenner Principal fator de risco para CA História familiar Fatores de proteção Amamentação, ACO, ooforectomia, laqueadura tubária Forma + precoce de disseminação Transcelômica Tipo histológico de pior prognóstico entre os epiteliais Carcinoma de células claras Metástases à distância Fígado, pulmão e cérebro HE e CA DE ENDOMÉTRIO Tipo mais comum Endometrioide Fatores de risco Estrogênio (SOP, menarca precoce, menopausa tardia, TRH com estrogênio, nuliparidade), diabetes, HAS, raça branca, idade > 60 anos Principal fator de risco Obesidade Fatores protetores Multiparidade, ACO, SIU de Progesterona, tabagismo Lesão precursora Hiperplasia endometrial atípica Tratamento das Hiperplasias Sem atipia: progesterona (ou HTA) Com atipia: HTA (ou progesterona) Diagnóstico Histeroscopia com biósia Tratamento CA de endométrioEstadiamento: pan-histerectomia + RT se > IB + QT se metástase a distância LIE E CA DE COLO Principal fator de risco HPV Tipos oncogênicos 16 e 18 Tipos histológicos Epidermoide (80%) Adenocarcinoma (15%) Disseminação Contiguidade, linfática, hematogênica Rastreamento Colpocitologia Início de rastreio MS: 25 anos (atividade sexual) Periodicidade Após 2 resultados anuais normais, coleta de 3-3 anos Interrupção do rastreio 64 anos Imagem: Hic et Nunc 272727 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 3. NEOPLASIA INTRAEPITELIAL VULVAR (NIV) Conceitos Iniciais: - A CARCINOGÊNESE VULVAR pode partir de 2 lesões distintas: LÍQUEN ESCLEROSO ou INFECÇÃO PELO HPV 16/18. Ambas podem evoluir para uma neoplasia intraepitelial vulvar (NIV). Perceba que a NIV “diferenciada” nada tem a ver com a infecção por HPV! Quando se trata deste vírus, estamos nos referindo a NIV do tipo usual e carcinoma “indiferenciado”. Classificação das NIV: NIV ESCAMOSA NIV NÃO ESCAMOSA - Lesão de baixo grau de vulva (condiloma plano ou efeito citopático do HPV) - Lesão de alto grau de vulva (NIV usual) - NIV diferenciada - Doença de Paget - Melanoma in situ Não é o foco no momento! NIV ESCAMOSA Epidemiologia: NIV DIFERENCIADA NIV USUAL (LESÃO DE ALTO GRAU) - Rara - Pós-menopausa - Reconhecimento macroscópico mais difícil - Relacionada ao líquen escleroso - Sem relação com atividade sexual - Sem relação com tabagismo - Mais frequente - Menacme e pós-menopausa - Reconhecimento macroscópico mais fácil - Relacionada ao HPV - Relação com atividade sexual - Relação com tabagismo Histologia: NIV DIFERENCIADA NIV USUAL (LESÃO DE ALTO GRAU) - O termo “diferenciada” se refere justamente ao aspecto histológico - Atipia presente apenas na camada basal de epitélio com diferenciação mantida - Toda a espessura do epitélio está comprometida - Epitélio indiferenciado Características: NIV DIFERENCIADA NIV USUAL (LESÃO DE ALTO GRAU) - Rara - Tumores HPV-negativos - Pacientes IDOSAS - Associadas ao LÍQUEN ESCLEROSO - Lesão ECZEMATOSA - Lesão ERITROPLÁSICA - Lesão PAPULOSA ▪ Unifocal ▪ Hiperceratótica ▪ Branca ▪ Áreas negras ▪ Áreas eritroplásicas ▪ Aspecto verrucoso Conduta: - VULVECTOMIA SUPERFICIAL PARCIAL ▪ Excisão ampla da lesão ▪ Escolha para lesões pequenas unifocais ▪ Margem de segurança de 1cm em toda a extensão Curso Clínico: - A lesão de alto grau (NIV tipo usual) apresenta taxa de progressão de 5-87% e taxa de recorrência de 12-36% Fatores de Risco para Progressão/Recorrência: NIV DIFERENCIADA NIV USUAL (LESÃO DE ALTO GRAU) - Comprometimento de margens - Envolvimento de anexos cutâneos - Mutação do gene p53 - Origem virótica da lesão - Multifocalidade e multicentricidade da lesão - Comprometimento de margens - Envolvimento de anexos cutâneos 4. CÂNCER DE VULVA Conceitos Iniciais: - Representa 4% das neoplasias malignas do trato genital inferior - É a 4ª neoplasia ginecológica mais prevalente - A maioria acomete a pele dos lábios - O acometimento de clitóris e glândulas vestibulares é raro Tipos Histológicos: - Carcinoma ESCAMOSO: 90% - Melanoma: 2-4% Fatores de Risco: - Infecção por HPV, líquen escleroso, NIV, fumo, história prévia de CA de colo Quadro Clínico: - PRECOCE: PRURIDO VALVAR CRÔNICO - TARDIO: MASSA TUMORAL, SANGRAMENTO, ULCERAÇÃO Diagnóstico: - Vulvoscopia: em desuso, não tem correlação com histopatológico - O diagnóstico definitivo é com o BIÓPSIA VULVAR + ESTUDO HISTOPATOLÓGICO ▪ LOCAL DA BIÓPSIA: CENTRO da lesão ▪ SE LESÕES EXTENSAS: MÚLTIPLAS biópsias Prevenção Primária: - Vacina HPV quadrivalante: ↓prevalência de lesões pré-malignas não cervicais Prevenção Secundária: - Sem evidências de rastreamento! - Avaliação precoce de sinais e sintomas: LESÕES PIGMENTADAS E/OU ÚLCERAS IRREGULARES E PRURIDO VULVAR CRÔNICO Prevenção Terciária: - Envolve o manejo das lesões pré-malignas Vias de Disseminação: - 1ª: CONTIGUIDADE → vagina, uretra e ânus - 2ª: LINFÁTICA → inguinais e femorais - 3ª HEMATOGÊNICA → fígado, pulmões e ossos Estadiamento: - ESTÁDIO 0: carcinoma in situ - ESTÁDIO I: confinado a vulva e 1mm - ESTÁDIO II: confinado a vulva e > 2cm + linfonodos inguinais negativos - ESTÁDIO III: qualquer tamanho + invasão de uretra, vagina ou ânus + linfonodos inguinais positivos unilateralmente ▪ IIIA: invasão de 1 linfonodo > 5mm ou 1-2 linfonodos 5mm ou 3 ou + linfonodos 1cm - ESTÁDIO III/IV: QT/RT Líquen Escleroso HPV 16/18 NIV Diferenciada Lesão de Alto Grau (NIV Tipo Usual) Carcinoma Bem Diferenciado Carcinoma Indiferenciado 282828 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 1. CONCEITOS IMPORTANTES Os hormônios podem ser divididos em 3 categorias: - PEPTÍDEOS: derivados de aminoácidos (GnRH, FSH, LH, TSH); - ESTEROIDES: derivados do colesterol (estrogênio, progesterona, testosterona, cortisol e aldosterona); - AMINAS: derivados da tirosina (tiroxina, triiodotironina, noradrenalina). Os hormônios ESTEROIDES, foco do resumo, são aqueles DERIVADOS DO COLESTEROL (estrogênio, progesterona, testosterona, cortisol e aldosterona). São SINTETIZADOS NAS GÔNADAS, NAS GLÂNDULAS SUPRARRENAIS E NA PLACENTA. - Os hormônios ESTERÓIDES SEXUAIS são subdivididos em 3 grupos, com base no número de átomos de carbono que contém: ▪ PROGESTAGÊNIOS, GLICOCORTICOIDES E MINERALOCORTICOIDES: 21 carbonos; ▪ ANDROGÊNIOS: 19 carbonos; ▪ ESTROGÊNIOS: 18 carbonos. - METABOLIZAÇÃO: principalmente no FÍGADO, RINS E MUCOSA INTESTINAL. ▪ APLICABILIDADE DESTE CONCEITO: CONTRAINDICAÇÃO AO USO DE HORMÔNIOS ESTERÓIDES EM PORTADORES DE DOENÇA HEPÁTICA OU RENAL ATIVA. 2. PRODUÇÃO DOS HORMÔNIOS ESTEROIDES - Como vimos, os hormônios esteróides sexuais são sintetizados nas gônadas, nas glândulas supra-renais e na placenta, sendo O COLESTEROL A MATÉRIA- PRIMA. A via de biossíntese dos esteróides sexuais é idêntica em todos os tecidos esteroidogênicos, mas A DISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS SINTETIZADOS POR CADA TECIDO VARIA DE ACORDO COM A PRESENÇA E AUSÊNCIA DE CERTAS ENZIMAS. Veja, por exemplo: ▪ O ovário é deficiente em 21-hidroxilase e em 11-beta-hidroxilase e, assim, é incapaz de produzir corticosteroides. ▪ Na adrenal não temos aromatase. SÍNTESE DE ESTERÓIDES NA GLÂNDULA SUPRARRENAL - A glândula supra-renal adulta é composta de 3 ZONAS. Cada uma destas zonas expressa um conjunto diferente de enzimas esteroidogênicas e, por isso, sintetiza produtos distintos. ▪ Zona GLOMERULAR: síntese de MINERALOCORTICOIDES ▪ Zona FASCICULAR: produção de GLICOCORTICOIDES ▪ Zona RETICULAR: produção de ANDROGÊNIOS (ex: androstenediona).ZONA RETICULAR DAS SUPRARRENAIS: responsável por 50% da produção diária de androstenediona e DHEA e, praticamente com toda a forma sulfatada de DHEA (SDHEA). SÍNTESE DE ESTERÓIDES NOS OVÁRIOS TEORIA DAS DUAS CÉLULAS-DUAS GONADOTROFINAS Ovários: - Células da TECA: androgênios - Células da GRANULOSA: estrogênio e inibina B na fase folicular; progesterona e inibina A na fase lútea Nas células da teca... - Pela ação do LH: colesterol > androstenediona e testosterona Nas células da granulosa... - Pela ação do FSH: androgênios > estrona/estradiol (aromatização) ESTEROIDOGÊNESE 292929 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) ESTEROIDOGÊNESE Perceba... - O ESTRADIOL é o principal estrogênio produzido pelos ovários. - A ANDROSTENEDIONA é o principal androgênio produzido pelos ovários, seguido por pequenas quantidades de DHEA e testosterona. Fixando... - Os folículos possuem dois tipos de células: células da teca – camada mais externa e células da granulosa – camada mais interna. - As células da TECA possuem receptores de LH, e a partir da ação deste, produzem androgênios. Esses androgênios migram para as células da granulosa, e sob ação do FSH são convertidos em estrogênios (com participação da enzima aromatase). SÍNTESE DE ESTERÓIDES PELA PLACENTA Um panorama geral... - A placenta produz PROGESTERONA E ESTRÓGENOS (estradiol, estrona e, principalmente, estriol). - A AUSÊNCIA DA ENZIMA 11-HIDROXILASE impossibilita a produção placentária de corticosteroides; da mesma forma, a AUSÊNCIA DE 17- HIDROXILASE E 17,20-LIASE no tecido trofoblástico impede a transformação das progesteronas em andrógenos. - A molécula de colesterol é obtida a partir da lipoproteína transportadora de colesterol de baixa densidade (LDL). A molécula de LDL é fornecida principalmente pela mãe e, em menores quantidades, pelo feto. No sinciciotrofoblasto, esse substrato sofre hidrólise e libera o colesterol. - A PRODUÇÃO ESTROGÊNICA PELA PLACENTA OCORRE A PARTIR DE PRECURSORES ANDROGÊNICOS, especialmente o DHEA-S (precursor do estradiol e da estrona) e o sulfato de 16-alfa-hidroxi-hidro-epiandrosterona (precursor do estriol). - Na gestação próxima do termo, 50% do DHEA-S é de origem materna e os 50% restantes têm origem fetal. Por sua vez, mais de 90% da 16-alfa- hidroxideidroepiandrosterona utilizada pela placenta tem origem na adrenal do feto. ORIGEM DOS ANDROGÊNIOS E ESTROGÊNIOS CIRCULANTES NO SEXO FEMININO ESTROGÊNIOS - São circulantes no sexo feminino durante a vida reprodutiva: estradiol, estrona e pequena quantidade de estriol. ▪ ESTRADIOL: principal estrogênio produzido pelos ovários (síntese através dos folículos ovarianos). Deriva também a partir da conversão da estrona. ▪ ESTRONA: secretada diretamente pelos ovários e pode ser convertida a partir da androstenediona na periferia. ANDROGÊNIOS - OS OVÁRIOS PRODUZEM PRINCIPALMENTE ANDROSTENEDIONA E DEHIDROEPIANDROSTERONA (DHEA) além de PEQUENA QUANTIDADE DE TESTOSTERONA. - O CÓRTEX SUPRARRENAL contribui com aproximadamente 50% da produção diária de androstenediona e DHEA e, praticamente, com toda a forma sulfatada de DHEA (SDHEA). 25% da testosterona circulante é secretada pelos OVÁRIOS, 25% pelas SUPRA-RENAIS e os restantes 50% são produzidos por CONVERSÃO PERIFÉRICA DE ANDROSTENEDIONA A TESTOSTERONA (principalmente a partir da atividade da aromatase na pele e tecido subcutâneo). TRANSPORTE DOS HORMÔNIOS ESTERÓIDES NA CIRCULAÇÃO - A maior parte dos esteróides circula ligado a PROTEÍNAS TRANSPORTADORAS (globulina de ligação ao hormônio sexual – SHBG, ligadoras de tiroxina, ligadoras de corticosteroides, ou albumina). - Apenas a 1-2% dos androgênios e estrogênios circulam livres ou sem ligação. - Somente a fração livre é biologicamente ativa. - A quantidade de hormônio livre está em equilíbrio com a quantidade ligada. - Pequenas alterações na expressão das proteínas transportadoras podem produzir modificações substanciais nos efeitos dos esteróides. Aplicação prática: os ACHO combinados podem aumentar os níveis de SHBG, o que reduz a fração ativa dos androgênios e a sua ação, tendo como um dos efeitos a redução da acne. 3. ESTEROIDOGÊNESE E DISTÚRBIOS CLÍNICOS HIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA - DEFICIÊNCIA DA ENZIMA 21-HIDROXILASE. - Doença AUTOSSÔMICA RECESSIVA. - Fisiopatologia: pela deficiência enzimática há NÍVEIS BAIXOS DE ALDOSTERONA E CORTISOL com ACÚMULO DO PRECURSOR 17- HIDROXIPROGESTERONA (17-OHP) e DESVIO DA CASCATA no sentido de PRODUÇÃO AUMENTADA DE ANDROGÊNIOS. ATENÇÃO! Existem uma ampla variedade de fenótipos, a depender do grau de deficiência enzimática. Em um extremo, conversões e grandes deleções gênicas resultam em deficiência enzimática extrema com quadro clínico de hiperplasia adrenal congênita clássica – depletora de sal no recém-nascido. Caso não se proceda à reposição de corticosteroide, pode haver óbito já no período neonatal. Consequências INSUFICIÊNCIA ADRENAL PERDA DE SAL HIPERANDROGENISMO HIPERPLASIA ADRENAL 303030 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) ESTEROIDOGÊNESE Manifestações Clínicas: - Na forma mais comum de hiperplasia adrenal congênita (bloqueio na etapa da 21-hidroxilase), por redução acentuada nos níveis de aldosterona e cortisol, os precursores em excesso levam a esteroidogênese para a via do androgênio, gerando MASCULINIZAÇÃO DE GENITÁLIA EM INDIVÍDUOS COM CARIÓTIPO FEMININO. - Outras manifestações: HIRSUTISMO, ACNE E CICLOS ANOVULATÓRIOS. Perceba: pode ser confundida com a síndrome dos ovários policísticos. - FORMA CLÁSSICA → manifestações ao NASCIMENTO - FORMA NÃO CLÁSSICA → de APRESENTAÇÃO TARDIA OU DO ADULTO (a hiperandrogenemia não ocorre até a puberdade) Na puberdade, a ativação do eixo supra-renal aumenta a esteroidogênese, revelando uma leve deficiência na atividade da 21-hidroxilase. Diagnóstico: - Dosagem da 17-HIDROXIPROGESTERONA (17-OHP) é um exame de rastreamento sensível. A dosagem deve ser realizada durante a fase folicular do ciclo a fim de evitar resultados falso-positivos causados por secreção de 17-OHP pelo corpo lúteo. DEFICIÊNCIA DE 17,20-LIASE Fisiopatologia: - Pela deficiência enzimática NÃO HÁ PRODUÇÃO DE ANDROGÊNIOS E NEM ESTROGÊNIOS com DESVIO para a PRODUÇÃO DE MINERALOCORTICOIDES e GLICOCORTICOIDES que resultam numa ELEVAÇÃO DA ALDOSTERONA. Quando desconfiar? - INFANTILISMO GENITAL + ELEVAÇÃO PRESSÓRICA - SEM DESENVOLVIMENTO CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS. Estradiol Hoffman, B., Schorge, J., Bradshaw, K., Halvorson, L., Schaffer, J. and Corton, M., 2016. Williams Gynecology. 3rd ed. McGraw-Hill Education. ESTEROIDOGÊNESE COMPLETA PARA NÃO SE ESQUECER! 313131 CICLO MENSTRUAL E SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 1. CICLO MENSTRUAL Fisiologia Menstrual: CICLO MENSTRUAL NORMAL - Duração: 21-35 dias (ou 24-38 dias) - Fluxo: 2-6 dias (ou 45 DIAS DE DURAÇÃO. OUTROS TERMOS PADRONIZADOS -“SANGRAMENTO INTERMENSTRUAL”: sangramento espontâneo que ocorre entre 2 ciclos menstruais normais. Pode ser: ▪ Aleatório (exemplo: sinusiorragia) ▪ Cíclico (exemplo: sangramento periovulatório) PADRÕES DE SANGRAMENTO NÃO PROGRAMADO EM VIGÊNCIA DE MÉTODOS HORMONAIS - “SANGRAMENTO”: fluxo vaginal com sangue que requer proteção sanitária (exemplo: absorvente) - “ESCAPE OU SPOTTING”: fluxo vaginal com sangue em pequena quantidade que não requer proteção sanitária. EVENTOS PRINCIPAIS DO CICLO MENSTRUAL ▪ Maturação folicular ▪ Ovulação ▪ Preparação do endométrio para nidação EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-OVÁRIO ▪ HIPOTÁLAMO: GNRH* ▪ HIPÓFISE: FSH/LH (gonadotrofinas) ▪ OVÁRIO: estrogênio/progesterona ▪ ÚTERO: proliferação, secreção e menstruação (*) A secreção de GnRH é PULSÁTIL (varia com frequência e amplitude) - Alta frequência e baixa amplitude: FSH (1ª fase/antes da ovulação) - Baixa frequência e alta amplitude: LH (2ª fase/depois da ovulação) PEPTÍDEOS GONADAIS E CICLO MENSTRUAL (1) INIBINAS: hormônios glicoproteicos que regulam a liberação do FSH (inibem seletivamente). São produzidas nas células da granulosa. - INIBINA B surge antes da ovulação. - INIBINA A surge depois da ovulação. (2) ATIVINA: produzida nas células da granulosa. Promovem elevação de FSH, inibição de prolactina, ACTH e GH. (3) FOLISTATINA: é produzida na hipófise. Inibe FSH através da modulação da ativina. Divisão do Ciclo: Ciclo Ovariano Eventos: FOLICULOGÊNESE + ESTEROIDOGÊNESE FOLICULOGÊNESE RECRUTAMENTO INICIAL RECRUTAMENTO CÍCLICO Independem das gonadotrofinas! Estímulo: ativinas, TGF-beta, BMPs, GDF-9, fator de célula tronco (SCF) Dependem das gonadotrofinas! Estímulo: FSH e LH - A foliculogênese (desenvolvimento do folículo ovariano) ocorre na região do córtex ovariano. - Células progenitoras formam folículos primordiais (camada de células que contém o oócito primário), os quais ficam em estado de repouso (em prófase I da meiose I) até serem ativados no início do ciclo menstrual. - Durante a puberdade, com o início dos ciclos menstruais, ocorre a retomada da meiose I até a metáfase II da meiose II. - Irá acontecer a seleção e dominância de um folículo, o qual se tornará o folículo dominante do ciclo, e prosseguirá seu desenvolvimento até o seu rompimento a partir do estímulo de LH, com liberação do oócito. Assim, durante cada ovulação, libera-se um oócito secundário que está estacionado na metáfase II da meiose II. - Se ocorrer a fertilização, o oócito secundário irá terminar sua divisão meiótica. ESTEROIDOGÊNESE TEORIA DAS 2 CÉLULAS-2 GONADOTROFINAS Imagem: lecturio.com 323232 CICLO MENSTRUAL E SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Ovários - Células da TECA: androgênios - Células da GRANULOSA: estrogênio e inibina B na fase folicular; progesterona e inibina A na fase lútea Nas células da teca... - Pela ação do LH: colesterol > androstenediona e testosterona Nas células da granulosa... - Pela ação do FSH: androgênios > estrona/estradiol (aromatização) FASES DO CICLO OVARIANO FASE FOLICULAR - Vai do recrutamento (1º DIA) à ovulação - ↑FSH ↑ESTROGÊNIO ↑INIBINA B - O aumento do FSH já ocorre no final do ciclo anterior com a regressão do corpo lúteo - Seleção do folículo dominante (mais receptores de FSH) - A elevação do estrogênio e inibina inibem O FSH FASE OVULATÓRIA (ou apenas “fenômeno ovulatório”) - Pico de estrogênio > pico de LH - Estradiol > 200pg/ml e por cerca de 50h - ↑LH ↑PROSTAGLANDINAS → “luteinização da granulosa” = receptores de LH nas células da granulosa (!) OVULAÇÃO OCORRE 32-36 HORAS APÓS O INÍCIO DO AUMENTO DE LH E 10- 12 HORAS APÓS O SEU PICO MÁXIMO (!) Ocorre AUMENTO DISCRETO DA PROGESTERONA 12-24H ANTES DA OVULAÇÃO FASE LÚTEA - Vai da ovulação até o início da menstruação - ↑PROGESTERONA ↑INIBINA A - Folículo roto > corpo lúteo hemorrágico > corpo lúteo maduro > corpo albicans (amarelo) - Duração FIXA de mais ou menos 14 dias - Regressão do corpo lúteo = queda de E, P e inibina A > elevação de FSH > tudo começa novamente. Ciclo Uterino Existem 3 camadas endometriais: (1) COMPACTA (superficial) (2) ESPONJOSA (média) (3) BASAL (profunda). As camadas que descamam são a compacta e parte da esponjosa, que correspondem a CAMADA FUNCIONAL. A basal não descama! FASES DO CICLO UTERINO FASE PROLIFERATIVA - Via ESTROGÊNIO ▪ Inicial: glândulas modestas, curtas e pequenas ▪ Tardia: glândulas mais alongadas/enrodilhadas FASE SECRETORA - Via PROGESTERONA ▪ Inicial: glândulas ainda mais alongadas, bem diferenciadas ▪ Tardia: glândulas mais longas, tortuosas, dilatadas, glicogênio na superfície FASE MENSTRUAL - Descamação do endométrio Efeitos em Outros Órgãos: MAMA - Fase folicular (via estrogênio): sem alterações aparentes - Fase lútea (via progesterona): HIPERTROFIA DOS LÓBULOS (pode haver mastalgia por congestão) COLO UTERINO/MUCO CERVICAL - Fase folicular (via estrogênio): FILANTE + CRISTALIZAÇÃO - Fase lútea (via progesterona): ESPESSO Muco Filante 333333 CICLO MENSTRUAL E SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) FIXANDO O CONTEÚDO - NOS PRIMEIROS DIAS DO CICLO, o endométrio ainda está descamando e ovários estão em repouso. - NA FASE FOLICULAR INICIAL, os hormônios esteroides ainda estão em níveis muito baixos. Se uma USG for feita nessa fase, terá imagem com vários folículos recrutados (pré-antrais) pequenos. Esses folículos estão esperando o “sinal” do FSH para começarem a se desenvolver. O endométrio, nessa fase, pelo baixo nível do estrogênio, estará fino (habitualmente na USG está com espessuraleva a uma cascata de eventos que culminará na menstruação. Como a inibina A também cai, não há mais bloqueio do eixo, e FSH volta a subir. FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! CICLO MENSTRUAL Fases do ciclo ovariano Folicular e lútea Fases do ciclo uterino Proliferativa e secretora Recrutamento e desenvolvimento folicular FSH Hormônio responsável pela ovulação LH Hormônio responsável pelo pico de LH Estrogênio Hormônios que inibem FSH Estrogênio e inibina Converte androgênios em estrogênios Aromatase Hormônio produzido pelo corpo lúteo Progesterona USG DE OVÁRIO NA FASE FOLICULAR Imagem: saúde.bemestar.pt USG COM FOLÍCULO PRÉ-OVULATÓRIO Imagem: saúde.bemestar.pt USG DE OVÁRIO E ENDOMÉTRIO NA FASE SECRETORA Imagem: medicinadiagnostica.com.br 343434 CICLO MENSTRUAL E SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 2. SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL E DISFÓRICA PRÉ-MENSTRUAL Várias mulheres apresentam sintoma físicos, psicológicos e cognitivos, caracteristicamente antes do ciclo pré-menstrual! Conceitos Iniciais: - SPM: 3-8% ▪ Sintomas LEVES-MODERADOS ▪ Poucos dias antes do fluxo menstrual (7-10 dias) ▪ Menor interferência na vida cotidiana - SDPM: 2% ▪ Sintomas MAIS INTENSOS ▪ Duram aproximadamente 14 dias ▪ Cessam a partir do primeiro dia do ciclo ▪ Extremo MAIS GRAVE E INCAPACITANTE dos transtornos menstruais Fisiopatologia: - ETIOLOGIA MULTIFATORIAL através da INTERAÇÃO entre: ▪ Estrogênio e progesterona ▪ Beta-endofrina ▪ Prostaglandinas ▪ Sistema nervoso autônomo ▪ Serotonina ▪ GABA Muita coisa ainda não foi desvendada pela literatura! Diagnóstico: SPM - UM SINTOMA AFETIVO: ansiedade, irritabilidade, labilidade emocional, explosão de raiva + - UM SINTOMA SOMÁTICO: mastalgia, cefaleia, edema abdominal ou em extremidades - Critério obrigatório: nos ÚLTIMOS 3 CICLOS CONSECUTIVOS, durante 5 DIAS QUE ANTECEDEM A MENSTRUAÇÃO OU FASE LÚTEA SPDM - PELO MENOS 1 CRITÉRIO MAIOR: labilidade ou irritabilidade/raiva ou humor deprimido ou ansiedade acentuada + - UM OU MAIS DOS SEGUINTES (para totalizar 5 sintomas, contando com os do critério maior): ↓interesse, fadiga, ↓concentração, ↑apetite, insônia ou sonolência, mastalgia, edema, ganho de peso - Critérios obrigatórios: ▪ DIÁRIO DE SINTOMAS POR VÁRIOS CICLOS (até 1 ANO) ▪ > 5 SINTOMAS NA SEMANA QUE ANTECEDE A MENSTRUAÇÃO, COM MELHORA APÓS O SEU INÍCIO. ▪ EXCLUIR DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS ASSOCIADOS! Tratamento: - ATIVIDADE FÍSICA: 3x/semana em torno de 30 minutos - DIETA: ▪ Hipossódica ▪ Substância diuréticas ▪ Alimentos ricos em triptofano ▪ Reduzir cafeína, carne vermelha, álcool - PSICOTERAPIA: para ambos (SPM e SPDM) Se refratariedade... EDEMA ▪ ACO ou Diurético/Espironolactona (a estabilidade hormonal e/ou a diureticoterapia melhoram o edema) CEFALEIA/ ENXAQUECA ▪ Analgésicos ▪ AINE ▪ Ergotamina (se refratariedade a analgésicos e AINES) ▪ Sumatriptano (para as crises agudas graves) MASTALGIA ▪ Agonista dopaminérgico ▪ Tamoxifeno (casos graves) SPM GRAVE e SDPM ▪ Inibidor da Recaptação de Serotonina contínuo ▪ Inibidor da Recaptação de Serotonina intermitente (administrado na fase lútea) Para o diagnóstico... Os sintomas devem aparecer e ser restritos na FASE LÚTEA do ciclo! Fonte: MedicinaNET + Steiner e Colaboradores 353535 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) INCONTINÊNCIA URINÁRIA E DISTOPIA GENITAL 1. INCONTINÊNCIA URINÁRIA Conceitos: - Perda INVOLUNTÁRIA de urina (não vale para crianças) - Mais comum em MULHERES - Falha na continência urinária RECEPTORES Vesicais: - ADRENÉRGICOS: alfa e beta - COLINÉRGICOS: muscarínicos ENCHIMENTO Vesical: - Simpático: ativo - Alfa: contração esfincteriana ▪ Beta: relaxamento do detrusor ▪ Parassimpático: inativo ESVAZIAMENTO Vesical: - Simpático: inativo - Parassimpático: ativo ▪ M2/M3: contração do detrusor Simpático = Segura urina Parassimpático = Perde urina Fatores de Risco: - ↑Idade - ↓Estrogênio - Obesidade - Doenças crônicas: DPOC, DM, AVC, trauma raquimedular - Cirurgias prévias: urológicas e oncológicas - História obstétrica: parto normal > cesariana - História ginecológica: status hormonal (pós-menopausa) Quadro Clínico: INCONTINÊNCIA DE ESFORÇO ▪ Tosse, espirro, ao levantar... ▪ Perda SINCRÔNICA aos esforços BEXIGA HIPERATIVA ▪ Urgência, polaciúria, nictúria ▪ Desejo incontrolável PERDA INSENSÍVEL → FÍSTULA (VESICO OU URETEROVAGINAL) ▪ “Corrimento que não melhora com nada” ▪ Perda contínua para vagina ▪ História de cirurgia pélvica (Wertheim-Meigs), radioterapia ▪ Cistoscopia (bexiga) ou urografia (ureter) TRANSBORDAMENTO ▪ Lesões neurológicas (parkinsonismo, trauma raquimedular, deficiência B12), DM ▪ Bexigoma, bexigas atônicas, fibrose pós radioterapia Diagnóstico: EXAME FÍSICO + EXAMES COMPLEMENTARES EXAME FÍSICO ▪ Avaliar IMC, PROLAPSOS e fazer TESTE DE ESFORÇO (ex: Valsalva) EXAMES COMPLEMENTARES ▪ URINA EAS: pesquisa de cálculos, neoplasias, corpo estranho ▪ UROCULTURA: pesquisa de infecções ▪ TESTE DO COTONETE (da uretra até JUV): > 30º entre repouso e esforço ▪ USGTV: avaliar resíduo pós-miccional e mobilidade do colo vesical (deslocamento > 10mm em relação a borda INFERIOR da sínfise púbica) ▪ CISTOSCOPIA: (pedir se > 50 anos, irritação súbita, hematúria = pensar em CA de bexiga) ▪ URODINÂMICA: quando pedir? ✓ IUE sem perda no exame físico ✓ Antes de cirurgia para resolução do quadro de incontinência ✓ Prolapso vaginal anterior grande ✓ IU mista ✓ Falha no tratamento clínico COMO FUNCIONA A URODINÂMICA? Existem 3 fases importantes (1) UROFLUXOMETRIA: avalia o fluxo livre/esvaziamento inicial (volume total, fluxo máximo e volume residual) (2) CISTOMETRIA: avalia a fase de enchimento (atividade do detrusor) ▪ NÃO PODE HAVER: ✓ Perda de urina ✓ Dor ✓ Contração do detrusor (3) ESTUDO MICCIONAL: avalia a fase de esvaziamento final (estudo de fluxo- pressão = obstrução x hipocontratilidade) P DETRUSOR = P VESICAL – P ABDOMINAL ATENÇÃO! A pressão do detrusor é igual a diferença entre a pressão vesical e a pressão abdominal! Na IUE, não há contração do detrusor! IU DE ESFORÇO Pode ocorrer por hipermobilidade do colo vesical ou por defeito esfincteriano! Conseguimos diferenciar através da urodinâmica através da PPE (pressão de perda ao esforço) Hipermobilidade vesical ou defeito esfincteriano? - HIPERMOBILIDADE VESICAL: PPE > 90CMH2O - DEFEITO ESFINCTERIANO: PPE▪ CONTRAINDICAÇÕES AOS ANTICOLINÉRGICOS: arritmias, glaucoma de ângulo fechado, gestação/lactação - Opções: mirabegrona (agonista beta-3-adrenérgico), imipramina ATENÇÃO! A cirurgia de Kelly-Kennedy NÃO É uma boa opção (cura: 40%) Passando a régua no tratamento... IU DE ESFORÇO CONSERVADOR Redução de peso Fisioterapia (Kegel, biofeedback) FARMACOLÓGICO Duloxetina (ISRS): não é 1ª linha Agonistas alfa-adrenérgicos: ↑risco de AVE CIRÚRGICO Hipermobilidade vesical: SLING Defeito esfincteriano: SLING (TVT/TOT) Preferência pela técnica RETROPÚBICA BEXIGA HIPERATIVA GERAIS Redução de peso, cafeína e fumo FISIOTERAPIA Cinesioterapia Eletroestimulação A fisioterapia não é tão eficaz aqui como é na IU de esforço! MEDICAMENTOSO ANTICOLINÉRGICOS - Representantes: oxibutinina, tolterodina, darifenacina e solifenacina - Contraindicações: arritmias, glaucoma de ângulo fechado, gestação/lactação AGONISTAS BETA-3 - Representante: mirabegrona - Mecanismo: ação direta no detrusor e indireta na redução de liberação de acetilcolina - Vantagem: mesma eficácia e menos efeitos adversos ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS - Representante: imipramina - Mecanismo: ação anticolinérgica e alfa- adrenérgica TOXINA BOTULÍNICA - Pode ser usada em casos refratários e que eventualmente possuem doenças neurológicas que também se beneficiam do seu uso Fístula Vesicovaginal Comunicação anormal entre a bexiga e a vagina - NÃO COMPLICADA (PÓS-CIRURGIA OU PÓS-TRAUMA): pós-histerectomia, correção de prolapso, correção de incontinência, biópsia vesical ou vaginal, trauma penetrante, fratura de bacia - COMPLEXA (PÓS-PARTO, PÓS-RT OU PÓS-CA AVANÇADO): cirurgia obstétrica isquêmica, CA pélvico avançado - CLÍNICA: DRENAGEM CONTÍNUA DE URINA PELA VAGINA (imediata ou até 3 semanas de pós-operatório). SE PÓS-RT: pode ocorrer meses ou anos pós-término. Perda contínua de urina, com maior fluxo, dificilmente a paciente consegue urinar por conta própria. - DIAGNÓSTICO: acúmulo de urina na vagina no exame especular, CISTOSCOPIA está sempre indicada (uso do corante de azul de metileno ou índigo carmim podem ser usados para auxiliar); urografia excretora para avaliação do trato urinário superior, visto que +/- 12% têm associação com lesão de ureter; TC ou RNM devem ser individualizadas. COMO DIFERENCIAR DA FÍSTULA URETEROVAGINAL? CATETER TRANSURETRAL COM CORANTE + EXAME ESPECULAR COM INSERÇÃO DE TAMPÃO VAGINAL E AVALIAÇÃO DA COLORAÇÃO DESSE TAMPÃO. SE COROU: FÍSTULA VESICOVAGINAL SE NÃO COROU: FÍSTULA URETEROVAGINAL TRATAMENTO: - INICIAL: CATETERISMO VESICAL por 3-4 semanas e observar FECHAMENTO ESPONTÂNEO (!!!). SE NÃO FECHAR... - FÍSTULA PEQUENA E NÃO COMPLICADA: FULGURAÇÃO ou ABORDAGEM CIRÚRGICA TARDIA POR VIA VAGINAL OU ABDOMINAL (3-6 meses) no intuito de reduzir edema e facilitar a identificação. - FÍSTULA > 2CM E COMPLICADA OU ALTA: ABORDAGEM CIRÚRGICA POR VIA ABDOMINAL Síndrome da Bexiga Dolorosa (ou Cistite Intersticial) - Urgência e polaciúria + DOR à distensão vesical que ALIVIA AO URINAR. Pode ser causa de DOR PÉLVICA CRÔNICA (> 6 meses). A MAIORIA DOS PACIENTES tem entre 40-60 ANOS. A FISIOPATOLOGIA é POUCO CONHECIDA, mas o DEFEITO NA CAMADA DE GLICOSAMINOGLICANOS é a teoria mais aceita. A CISTOSCOPIA é fundamental e pode evidenciar GLOMERAÇÕES OU ÚLCERA DE HUNNER após instilar soro. Em casos de maior gravidade, a manobra de HIDRODISTENSÃO na cistoscopia (enchimento 70 e 100cmH2O/2 mi) facilita a visualização de glomerações e úlceras. O diagnóstico é de EXCLUSÃO (sem ITU, sem hiperatividade do detrusor) e o TRATAMENTO envolve a sequência: dieta, MEV, treinamento vesical > AMITRIPTILINA 50mg/noite (cimetidina 400mg 2x/dia é opção) > MEDICAÇÕES INTRAVESICAIS (DMSO, HEPARINA, LIDOCAÍNA, ÁCIDO HIALURÔNICO, OXIBUTININA OU PENTOSANO POLISSULFATO INTRAVESICAL [PPO]) > TRATAMENTO CIRÚRGICO Imagem: smallscargyn.com Imagem: ccmurology.com 373737 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) INCONTINÊNCIA URINÁRIA E DISTOPIA GENITAL 2. DISTOPIA GENITAL Conceitos: DISTOPIA É DIFERENTE DE PROLAPSO! ▪ Distopia: deslocamento de um órgão de sua posição ou local habitual ▪ Prolapso: descenso da parede vaginal anterior e/ou posterior e/ou do ápice vaginal Anatomia: NÍVEIS DE DELANCEY NÍVEL I = SUSPENSÃO APICAL - Ligamentos uterossacros e cardinais - Relação com prolapsos uterinos, de cúpula e com as enteroceles NÍVEL II = FIXAÇÃO LATERAL - Fáscias pubocervical e retovaginal + suas inserções - Relação com CISTOCELES e RETOCELES NÍVEL III = FUSÃO (DISTAL) - Relação com INCONTINÊNCIA URINÁRIA e ROTURA PERINEAL (hipermobilidade uretral e perineal) APARELHO DE SUSPENSÃO → LIGAMENTOS - Anteriores: pubovesicouterinos - Laterais: cardinais ou paramétrios - Posteriores: uterossacros APARELHO DE SUSTENTAÇÃO → MÚSCULOS - DIAFRAGMA PÉLVICO: ELevador do ânus (ileococcígeo, pubococcígeo e puborretal) e coccígeo - DIAFRAGMA UROGENITAL: transverso superficial e profundo do períneo, esfíncter uretral, esfíncter anal, isquiocavernoso e bulbocavernoso - FÁSCIA ENDOPÉLVICA Obs: os músculos lesados numa episiotomia médio-lateral são o BULBOCAVERNOSO e o TRANSVERSO SUPERFICIAL DO PERÍNEO. Em alguns casos também pode haver secção do PUBORRETAL (depende da extensão da episio). Fisiopatologia: - DESEQUILÍBRIO entre a integridade das estruturas de suspensão e sustentação ▪ Suspensão: por situações que geram aumento da pressão intra- abdominal ▪ Sustentação: por alterações congênitas Fatores de Risco: - MULTIPARIDADE - ANTECEDENTES OBSTÉTRICOS: parto vaginal, fórcipe, período expulsivo prolongado... - IDADE > 60 ANOS - HISTÓRIA FAMILIAR - RAÇA BRANCA - ANOMALIAS CONGÊNITAS: espinha bífida e agenesia sacrococcígea - OBESIDADE - AUMENTO CRÔNICO DA PRESSÃO INTRA-ABDOMINAL: DPOC, constipação intestinal... - DEFEITOS QUALITATIVOS DO COLÁGENO: síndrome de Ehlers-Danlos, Marfan... - ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS: trauma raquimedular, neuropatia diabética, etc. - ROTURA PERINEAL - ENFRAQUECIMENTO DOS LIGAMENTOS CARDINAIS - RETROVERSÃO E MEDIOVERSÃO UTERINAS: elevação crônica da pressão intra-abdominal VAGINA SACRO PÚBIS RETINÁCULO PERIUTERINO DE MARTIN Imagens: Netter Imagens: Netter 383838 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) INCONTINÊNCIA URINÁRIA E DISTOPIA GENITAL Exame Físico: - Deve ser realizado com MANOBRA DE ESFORÇO (posição ginecológica e ortostática) - HISTERÔMETRO e ESPÉCULO para quantificar o prolapso - O DIAGNÓSTICO de prolapso é feito apenas se DESLOCAMENTO > 2CM DA PROJEÇÃO HABITUAL DO ÓRGÃO GENITAL (!) - A maioria dos defeitos são COMBINADOS (anterior x posterior) Classificação POP-Q: → Olhar sempre para as letras MINÚSCULAS! - Aa e Ba: parede anterior - Ap e Bp: parede posterior - C: colo ou cúpula (considerar cúpula se histerectomizada) - D: fundo de saco de Douglas (inexistente em histerectomizadas) Como interpretar? - Carúncula himenal: ponto 0 (zero) ▪ Negativo: internos à carúncula himenal (“dentro da vagina”) ▪ Positivo: externos à carúncula himenal (“além do hímen”) -3 Aa -3 Ba -8 C +3 Aa +8 Ba +8 C 2 HG 3 CP 10 CVT 4,5 HG 1,5 CP 8 CVT -3 Ap -3 Bp -9 D +3 Ap +8 Bp ---- D SEM PROLAPSO EVERSÃO VAGINAL COMPLETA CVT = comprimento vaginal total (mede 8-10cm) HG = hiato genital (só costuma cair em R3) CP = corpo perineal (só costuma cair em R3) MUITA ATENÇÃO AQUI! PARA O PROLAPSO UTERINO! VALOR ANATÔMICO DO C: -6, -7 E -8! Se o colo estiver em -5, temos um prolapso (de 1º grau, pois ainda está dentro da vagina). Se estiver no plano 0 (introito vaginal) ou até +5, o prolapso é de segundo grau. Se estiver positivo a partir de +6, significa que esse úteroestá todo para fora: é de 3º grau. PARA PROLAPSO DE PAREDE VAGINAL ANTERIOR OU POSTERIOR! BASTA ESTAR POSITIVO PARA DIZERMOS QUE HÁ PROLAPSO! ROTURA PERINEAL 1º grau = pele e mucosa 2º grau: músculo 3º grau: ânus 4º grau: reto Tratamento: Prolapso de Parede Vaginal Anterior → Cistocele - Em 80% dos casos é por DEFEITO PARAVAGINAL = ASSOCIAÇÃO COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO Tratamento: - Cirurgia: COLPORRAFIA (colpoperineoplastia) ANTERIOR COM RECONSTRUÇÃO DA FÁSCIA PUBOVESICOUTERINA (abertura da parede vaginal anterior + plicatura da fáscia pubovesicocervical na linha média) - Recidiva: considerar o uso de TELA Prolapso de Parede Vaginal Posterior → Retocele Tratamento: - Cirurgia: COLPORRAFIA POSTERIOR COM SUTURA DA FÁSCIA RETOVAGINAL (abertura da parede vaginal posterior + plicatura dos músculos elevadores do ânus na linha média) Prolapso de Parede Vaginal Posterior → Enterocele Tratamento: - Cirurgia: EXÉRESE DO SACO HERNIÁRIO E OBLITERAÇÃO DO FUNDO DE SACO ▪ Via vaginal: CULDOSPLATIA DE MCCALL ▪ Via abdominal: MOSCHOWITZ - Possui associação frequente com retocele. ESTADIAMENTO ICS ▪ Estádio 0: ausência de prolapso ▪ Estádio 1: prolapso acima de -1 ▪ Estádio 2: prolapso entre -1 e +1 ▪ Estágio 3: prolapso entre +1 e 2cm a menos que o CVT ▪ Estágio 4: eversão completa do trato genital inferior (> ao CVT - 2cm) CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO INTROITO VAGINAL 1ºGrau: antes do introito 2ºGrau: órgão prolapsado se exterioriza parcialmente depois do introito 3ºGrau: órgão prolapsado se exterioriza totalmente depois do introito Imagens: doulabrasil.com.br 393939 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) INCONTINÊNCIA URINÁRIA E DISTOPIA GENITAL Prolapso Apical → Uterino Para diferenciar de colo hipertrófico, realizamos a MEDIDA DO COLO ▪ Medir com histerômetro do canal endocervical ▪ Suspeitar se canal endocervical maior que 5cm - COLO HIPERTRÓFICO: colo longo sem prolapso do fundo de saco (“só um colo > 4cm”) - PROLAPSO: colo normal e com prolapso do fundo de saco Tratamento: Estádios I e II: cirurgia de MANCHESTER ou DONALD-FOTHERGILL “Manchester = manter o útero” ▪ Cirurgia: AMPUTAÇÃO DO COLO UTERINO + SUTURA DOS LIGAMENTOS CARDINAIS NO COTO CERVICAL ANTERIOR ▪ Indicações: alongamento hipertrófico do colo ou pretensões reprodutivas Estádios III e IV: HISTERECTOMIA VAGINAL ▪ Risco cirúrgico alto: COLPOCLEISE OU “CIRURGIA DE LEFORT” (obliteração da vagina → reservada para mulheres sem vida sexual ativa → impede penetração) ▪ Se alto risco cirúrgico + vida sexual ativa: EXERCÍCIOS DE KEGEL, PESSÁRIOS (resposta terapêutica costuma ser insatisfatória) Prolapso Apical → Cúpula Vaginal (Elitrocele) Sempre (!) é uma complicação PÓS-HISTERECTOMIA! Tratamento: - SACROCOLPOPEXIA: FIXAÇÃO DA CÚPULA VAGINAL AO PROMONTÓRIO/LIGAMENTO UTEROSSACRO (PROMONTOFIXAÇÃO) ou FIXAÇÃO DA CÚPULA VAGINAL NA APONEUROSE DO MÚSCULO RETO ABDOMINAL ou FIXAÇÃO DA CÚPULA VAGINAL NO LIGAMENTO SACROESPINHOSO ou COLPOCLEISE (cirurgia de Le Fort) para quem não mantém atividade sexual Considerações Finais: POP (prolapso de órgão pélvico) pode ser tratado com pessários, mas há pouca disponibilidade e baixa eficácia terapêutica Treinamento dos músculos do assoalho não regride prolapsos graves/acentuados Telas para prolapso de parede anterior somente em recidivas ou estádio > 3 No prolapso apical, cirurgias conservadoras possuem maior recorrência Não há vantagens para uso de telas nos prolapsos de compartimento posterior FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! INCONTINÊNCIA URINÁRIA Tipos mais comuns Esforço (+ comum) e bexiga hiperativa Exame padrão-ouro Estudo urodinâmico Tipos de IUE Hipermobilidade vesical (HV) Defeito esfincteriano (DE) Terapêutica inicial para IUE Fisioterapia Cirurgia de escolha para hipermobilidade vesical e defeito esfincteriano SLING PPE para diagnóstico de DE 90cm H2O Medicações para hiperatividade do detrusor Anticolinérgicos Agonistas beta-3 DISTOPIAS Estruturas de suspensão Ligamentos pubovesicouterinos, cardinais e uterossacros Estruturas de sustentação Diafragmas pélvico, urogenital e fáscia endopélvica Diafragma pélvico Músculos levantadores do ânus e músculo (isquio)coccígeo Porções dos levantadores do ânus Ileococcígeo, pubococcígeo e puborretal Diafragma urogenital Músculos transverso profundo, esfíncter anal, uretra externo, músculos isquiocavernosos, bulbocavernosos e transversos superficiais Correção cistocele Colporrafia anterior com plicatura na fáscia pubovesicouterina Correção retocele Colporrafia posterior com plicatura na fáscia retovaginal Prolapso uterino Estádio I e II: Manchester Estádio III e IV: histerectomia Prolapso de cúpula Fixação ao promontório do sacro ou músculo reto-abdominal; ou ligamento sacroespinhoso ou colpocleise (Le Fort) Imagem: fernandoguastella.com.br 404040 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE 1. AMENORREIA Conceitos: AUSÊNCIA DE MENSTRUAÇÃO NA MENACME! → Primária: - *14 ANOS sem menstruação e SEM o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários (telarca > pubarca > menarca) - *16 ANOS sem menstruação, mas COM o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários → Secundária: - Sem menstruação por 6 MESES ou por 3 CICLOS → Atraso Menstrual: - Não atinge o limite temporal citado acima Relevância Clínica: sinal de atraso ou falha no desenvolvimento feminino ou no funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-ovário; sintomas de várias entidades clínicas possíveis Compartimentos: IV Hipotálamo GnRH III Hipófise anterior FSH/LH II Ovários Estrogênio e progesterona I Uterovaginal - Amenorreia Primária Aspectos Principais: SEMPRE OBSERVAR - PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS (mamas desenvolvidas) - PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE ÚTERO - NÍVEIS DE FSH Investigação: 1º ANAMNESE + EXAME FÍSICO Anamnese: idade, história patológica pregressa (comorbidades, uso de medicações), relações sexuais (gravidez, dispareunia) Exame físico: altura, peso, hirsutismo, acne, fácies, caracteres sexuais secundários, vulva/vagina, colo/útero/anexos 2º DOSAGEM DE FSH OU AVALIAÇÃO UTEROVAGINAL CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS PRESENTES? Não: problema em ovário, hipotálamo ou hipófise. DOSAR FSH! ▪ Se elevado: disgenesia gonadal = pedir CARIÓTIPO! ▪ Se diminuído: RNM/TC ou TESTE DO GNRH para ver se é problema em hipófise ou hipotálamo (ex: síndrome de Kallman) ✓ Com resposta: causa HIPOTALÂMICA ✓ Sem resposta: causa HIPOFISÁRIA Sim: ovário, hipotálamo e hipófise normais = fazer AVALIAÇÃO UTEROVAGINAL! ▪ Vagina ausente ou curta: CARIÓTIPO + USG/RNM PELVE (ex: Morris e Rokitansky) ▪ Vagina normal: TESTES DIAGNÓSTICOS (ex: hímen imperfurado, septo vaginal transverso... Causas obstrutivas). A investigação se torna semelhante as causas 2ªs! (*) HÍMEN IMPERFURADO ▪ Persistência da porção da membrana urogenital → abaulamento da região himenal ao exame físico ▪ Caracteres sexuais secundários bem desenvolvidos ▪ Ovários normais e funcionantes ▪ Não menstrua, mas apresenta as cólicas menstruais ▪ Tratamento cirúrgico com a desobstrução ao fluxo CRIPTOMENORREIA = termo utilizado para falta de exteriorização do fluxo menstrual, causado por obstrução. Pode ser causa de amenorreia primária ou secundária. Amenorreia Secundária Investigação: 1º ANAMNESE + EXAME FÍSICO + DESCARTAR GESTAÇÃO (β-HCG) Anamnese: idade, história patológica pregressa e familiar, atraso menstrual, regularidade do ciclo, manipulação uterina,uso de medicamentos, sinais e sintomas (neurológicos, de hipoestrogenismo) Exame físico: altura, peso, IMC, hirsutismo, acne, fácies, galactorreia, caracteres sexuais secundários, vulva/vagina, colo/útero/anexos 2º TSH + PROLACTINA Descartar hipotireoidismo/hiperprolactinemia* (*) Hiperprolactinemia Causas: ▪ ADENOMAS: diagnóstico com RNM DE SELA TÚRCICA. O tratamento inicial (independente se macro ou microprolactinoma) é clínico (agonista dopaminérgico [CABERGOLINA OU BROMOCRIPTINA]). A cabergolina é mais usada pela comodidade posológica e menos efeitos colaterais. Bromocriptina gera muito efeito colateral gástrico. ▪ MEDICAMENTOSA: metoclopramida, neurolépticos, tricícilos, ranitidina, ACO... ▪ OUTRAS: gravidez, lactação, estimulação tátil, lesão torácica (queimadura extensa), insuficiência renal, Cushing, hipotireoidismo, cirrose, insuficiência renal, radioterapia, estresse... Imagens: Adobe Stock 414141 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE 3º TESTE DA PROGESTERONA (P4) Avalia os níveis de estrogênio e a patência do trato de saída - Fazer diidrogesterona 10mg ou medroxiprogesterona 10mg por 5-10 dias ▪ Se sangrar: ANOVULAÇÃO/SOP (falta progesterona) ▪ Se não sangrar: falta de estrogênio? Problema anatômico? Lesão de endométrio? Obstrução ao fluxo? PROSSEGUIR! 4º TESTES DO ESTROGÊNIO + PROGESTERONA Avalia endométrio e patência do trato de saída - Fazer estrogênio (EC 1,25mg/dia ou valerato de E2 2mg/dia) 21 dias + progesterona 5 dias ▪ Se sangrar: é FALTA DE ESTROGÊNIO (problema no ovário, hipófise ou hipotálamo = compartimento 2, 3 ou 4). As causas uterovaginais estão excluídas. Prosseguir! ▪ Se não sangrar: ALTERAÇÃO UTEROVAGINAL (compartimento 1). Pedir USG, histeroscopia, RNM... 5º DOSAGEM DE FSH Causa ovariana ou central? ▪ FSH > 20: CAUSA OVARIANA (compartimento 2) = hipogonadismo hipergonadotrófico ▪ FSH normal ou 20%): problema HIPOTALÂMICO (compartimento 1) ▪ Se LH e FSH não elevados: problema HIPOFISÁRIO (compartimento 2) Causas de Amenorreia: PRIMÁRIA ▪ Disgenesias gonadais (50%) ▪ Hipogonadismo de causa hipotalâmica (20%) ▪ Ausência de útero, cérvice ou vagina (15%) ▪ Septo vaginal ou hímen imperfurado (5%) ▪ Doença hipofisária (5%) SECUNDÁRIA ▪ Causas ovarianas (40%) ▪ Causas hipotalâmicas (35%) ▪ Causas hipofisárias (19%) ▪ Causas uterinas (5%) Hipotalâmicas - CRANIOFARINGIOMAS - DEFICIÊNCIA ISOLADA DE GNRH ▪ Defeito na produção de GNRH ou resistência à sua ação, gerando hipogonadismo hipogonadotrófico e amenorreia 1ª sem desenvolvimento de caracteres sexuais. Em 60% dos casos, ocorre associada a sintomas que compõem a síndrome de Kallman. - SÍNDROME DE KALLMAN ▪ Cariótipo 46XX ou 46XY. Durante o desenvolvimento embriológico, ocorre uma falha de migração de células neuronais olfatórias e células produtoras de GnRh da placa cribiforme do nariz até a área pré-óptica e hipotalâmica. ▪ AMENORREIA 1ª (hipogonadismo hipogonadotrófico) + INFANTILISMO SEXUAL + HIPOSMIA/ANOSMIA + CEGUEIRA P/CORES ▪ Pode haver associação com FENDA PALATINA, ATAXIA CEREBELAR E AGENESIA RENAL UNILATERAL ▪ Se ocorrer em pacientes do sexo masculino: imaturidade testicular e células de Leydig atrofiadas ▪ Tratamento: administração pulsátil de GNRH exógeno - ESTRESSE, ANOREXIA, EXERCÍCIOS FÍSICOS: levam a supressão da secreção pulsátil de GNRH, além de reversão da secreção pulsátil do LH para os padrões pré-púberes, com supressão da produção hipofisária de LH e FSH. - ATRASO CONSTITUCIONAL DA PUBERDADE (atraso constitucional na produção do GNRH = padrão autossômico dominante = diagnóstico de exclusão) Hipofisárias - PROLACTINOMA - SÍNDROME DE SHEEHAN ▪ NECROSE HIPOFISÁRIA PÓS-PARTO. Exemplo: DPP/atonia uterina ▪ Desconfiar se houve necessidade de transfusão. ▪ Se intenso, pode haver hipopituitarismo completo (sintomas de hipotireoidismo, insuficiência suprarrenal...) ▪ Dica principal de prova: AGALACTIA LOGO APÓS O PARTO. ▪ Outros achados: amenorreia, perda de pelos pubianos e axilares ▪ Tratamento: reposição hormonal Ovarianas - INSUFICIÊNCIA OVARIANA PREMATURA (ou falência ovariana precoce) ▪ Resumão: idade 25, persistindo esse valor aumentado em 2 dosagens com intervalo de 30 dias entre elas. Aprofundando... ▪ Etiologia: causas variadas, que variam desde motivos idiopáticos à defeitos cromossômicos e genéticos, deficiências enzimáticas, processos autoimunes, consequências de RT/QT sobre os ovários, infecções ou cirurgias. Todos esses fatores podem levar à depleção (mais comum) e/ou disfunção (+ raro) folicular. ▪ Clínica: alteração menstrual tipo OLIGO/AMENORREIA por PELO MENOS 4 MESES, não sendo obrigatório sintomas de hipoestrogenismo (exemplo: fogacho). ▪ Quando existem causas genéticas para IOP (insuficiência ovariana prematura), em geral a manifestação clínica é amenorreia primária. ATENÇÃO AOS CONCEITOS! Problema no HIPOTÁLAMO = HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO Problema na HIPÓFISE = HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO Problema no OVÁRIO = HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO 424242 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE ▪ Reforçando o diagnóstico: FSH > 25 em 2 dosagens com intervalo de 30 dias entre elas ▪ A investigação diagnóstica é obrigatória no surgimento de amenorreia anteriormente aos 30 anos de idade, com realização de cariótipo (pesquisa Turner, X frágil**, cromossomo Y) e dosagem de autoanticorpos (investigar ooforite autoimune). A produção de autoanticorpos contra os ovários pode ocorrer em situações como adrenalite autoimune e pós-caxumba. ▪ Tratamento com TRH para reverter os sintomas e reduzir as repercussões do hipoestrogenismo, preservando a saúde óssea e reduzindo o risco cardiovascular. (**) A síndrome do X frágil resulta de uma mutação em determinada região do gene FMR1, que se localiza no cromossomo X. Pode acometer ambos os sexos. Essa mutação é bastante peculiar e se caracteriza por aumento no número de repetições de trincas de bases (citosina-guanina-guanina). É uma importante causa de IOP em meninas. Tem como marcas DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, ORELHAS GRANDES, QUEIXO E TESTA PROEMINENTES. As articulações podem ser anormalmente flexíveis e pode haver cardiopatia associada. Características do AUTISMO podem se desenvolver. - SÍNDROME DE SAVAGE ▪ Cariótipo 46XX ▪ As gônadas são funcionantes, mas não há esteroidogênese por conta de uma mutação em nível de receptor ou pós-receptor das gonadotrofinas, não permitindo a ação desses hormônios. ▪ Folículo resistente às gonadotrofinas ▪ Ausência de caracteres sexuais secundários; ▪ Pode ser causa de amenorreia primária ou secundária ▪ Elevado níveis de gonadotrofinas, sem depleção folicular. ▪ Diagnóstico definitivo: biópsia ▪ Tratamento com reposição hormonal. Obs: a melhor forma de diferenciar falência ovariana precoce de síndrome de Savage é através da biópsia ovariana. Ambas são tratadas com reposição hormonal. - DISGENESIA GONADAL PURA: ▪ A maioria (80%) das pacientes com gônadas não funcionantes possuem cariótipo 46XX. Nos 20% restantes, pode ter cariótipo XY (síndrome de Swyer*) ▪ Gônadas não funcionantes = não ocorre produção de esteroides sexuais = INFANTILISMO SEXUAL (genitália interna e externa femininas e em estágio pré-púbere) e ↑FSH (hipogonadismo hipergonadotrófico) ▪ Causa AMENORREIA PRIMÁRIA ▪ Se no cariótipovier Y, tem que retirar a gônada! - SÍNDROME DE TURNER ▪ Disgenesia gonadal com cariótipo: 45X0 (“em mosaico”) ▪ Pescoço alado, tórax em escudo, baixa estatura... ▪ Distúrbios autoimunes: tireoidite, vitiligo, DM1... ▪ Anomalias cardíacas (constrição de aorta), renais (rim pélvico, agenesia renal...) ▪ Tratamento: reposição hormonal (*) SÍNDROME DE SWYER - Causa de DISGENESIA GONADAL PURA COM Y (cariótipo: 46XY) - O testículo é DISGENÉTICO/FIBROSADO Cariótipo masculino com fenótipo feminino, pois não há produção do hormônio anti- Mulleriano. Ou seja, há útero, trompa e 2/3 superiores da vagina. O 1/3 inferior também é feminino, pois não há a produção de androgênios por esse testículo. - GENITÁLIA EXTERNA E INTERNA FEMININA (PRÉ-PÚBERES) - AMENORREIA PRIMÁRIA SEM CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS - Conduta: TRH + RETIRAR A GÔNADA (risco de evolução cancerígena) Uterovaginais SÍNDROME DE MRKH (MAYER-ROKTANSKY). Mais detalhes a seguir! ▪ 46 XX ▪ Amenorreia primária + vagina curta e sem útero SÍNDROME DE ASHERMAN ▪ Lesão endometrial pós procedimento. ▪ Clínica: dor pélvica, disfunção menstrual, infertilidade, abortos de repetição ▪ Dosagens hormonais normais ▪ Tratar com histeroscopia para desfazer as sinéquias. HIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA ▪ Principal causa de genitália ambígua na mulher ▪ Masculinização da genitália (pseudo-hermafroditismo feminino). ▪ Principal causa: deficiência de 21-hidroxilase, cursando com ↑17-OH progesterona e ↑androgênios Clássico em prova... (*) SÍNDROME DE MAYER-ROKTANSKY-KUSTER-HAUSER (MRKH) - AGENESIA MULLERIANA. Cariótipo 46XX (feminino) - CLÍNICA: amenorreia primária COM CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS, sem útero, vagina curta (“vagina em fundo cego”) e PELOS NORMAIS - Tem ovários normais e funcionantes (não é necessário reposição hormonal) - É frequente a associação com anomalias renais e esqueléticas - TRATAMENTO POSSÍVEL: reconstrução da vagina (“neovagina”) (*) SÍNDROME DA INSENSIBILIDADE ANDROGÊNICA COMPLETA (MORRIS) - DEFEITO DE RECEPTORES ANDROGÊNICOS. Cariótipo: 46XY (masculino). Doença recessiva ligada ao cromossomo X → mutação que resulta em receptores androgênicos não funcionantes. As gônadas são os testículos, que produzem hormônio anti-mulleriano e consequente regressão dos ductos de Muller, resultando em vagina curta e ausência de útero. Também ocorre produção de testosterona, mas que não tem ação plena, por defeito em seus receptores. - CLÍNICA: amenorreia primária, MAMA PEQUENA, sem útero, vagina curta, mas SEM PELOS - Tem testículo (pode simular hérnia), mas a GENITÁLIA EXTERNA É FEMININA (se essa insensibilidade for parcial, a aparência genital pode ser variável, podendo haver micropênis e escroto bífido). - TRATAMENTO POSSÍVEL: reposição hormonal, reconstrução da vagina. Na presença de cromossomo Y, gonadectomia (risco de malignização). SÍNDROME DE MRKH SIAC (Morris) Agenesia Mulleriana Defeito no receptor androgênico 46, XX (feminino) 46, XY (masculino) Gônadas: ovários normais Gônadas: testículos Clínica: amenorreia primária, com caracteres sexuais secundários, sem útero, vagina curta e pelo normal Clínica: amenorreia primária, mama hipodesenvolvida, sem útero, vagina curta, mas sem pelos Tratamento: “neovagina” Tratamento: terapia hormonal, “neovagina”, gonadectomia cirurgiareproductiva/blog 434343 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE 2. SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS (SOP) Também chamada de anovulação crônica hiperandrogênica Introdução: - ENDOCRINOPATIA MAIS COMUM DA MULHER: 5-10% - PRINCIPAL CAUSA DE HIPERANDROGENISMO DAS MULHERES: 80% - 90% das pacientes que tem ciclos irregulares tem SOP - 30-40% das mulheres inférteis tem SOP - Associa-se com resistência insulínica em +/- 50% dos casos Fisiopatologia: HETEROGENEIDADE DE MECANISMOS! ▪ AUMENTO DA AMPLITUDE DOS PULSOS DE LH ▪ HIPERINSULINEMIA E RESISTÊNCIA INSULÍNICA ▪ DESREGULAÇÃO NO CITOCROMO P450C17: aumento de androstenediona e testosterona ▪ ↓SHBG E ↓IGFBP-I: aumento de testosterona livre, estrogênios e IGFI SHBG (proteína transportadora de hormônio sexual) está DIMINUÍDA, permitindo que a fração livre desses hormônios aja de forma exacerbada! ↑LH, HIPERINSULINEMIA, ↑ANDROGÊNIOS = ESTEROIDOGÊNESE ANÔMALA ▪ ↑Produção ovariana de androgênios ▪ Ambiente HIPERANDROGÊNICO ▪ Ausência de folículo dominante > atresia folicular > OVÁRIOS POLICÍSTICOS > ANOVULAÇÃO Quadro Clínico: - Pela resistência insulínica: ACANTOSE NIGRICANS, OBESIDADE - Pelo hiperandrogenismo: ACNE, ALOPECIA, HIRSUTISMO (“pelo grosso de distribuição masculina” diagnosticado com Ferriman > 8 ou > 4 em orientais e > em algumas outras etnias), PELE OLEOSA - Pela anovulação: PROLIFERAÇÃO ENDOMETRIAL, ALTERAÇÕES GONADOTRÓFICAS, IRREGULARIDADE MENSTRUAL E INFERTILIDADE Fenótipos: A: tem os 3 critérios B: sem alterações USG C: s/anovulação D: s/hiperandrogenismo Laboratório: - Diante de tantas causas de anovulação hiperandrogênica, é importante EXCLUIR OUTRAS DOENÇAS: TSH, PROLACTINA, SDHEA, 17-OH PROGESTERONA ( 200: avaliar tumor virilizante) ▪ ↑Androstenediona ▪ ↑S-DHEA (se > 700: avaliar tumor de adrenal) ▪ ↑Resistência insulínica ▪ ↑LH, estrogênio ▪ ↑Prolactina (às vezes) ▪ ↓SHBG e FSH ↓ ou normal “TUDO SOBE, EXCETO FSH E SHBG” E progesterona, se for fenótipo C (sem anovulação) Obs: SDHEA é um hormônio exclusivo da adrenal! Não é problema de ovário! Se estiver > 700, é importante pedir TC/RNM para descartar neoplasia de adrenal. Diagnóstico: → Critérios de Rotterdam (se 2 dos 3 seguintes: SOP) (1) OVÁRIOS POLICÍSTICOS À USG: ▪ > 12 folículos de 2-9mm ou ovário com volume > 10cm3 O diagnóstico ultrassonográfico é MATEMÁTICO! - Baseia-se em números e medidas! - O aspecto subjetivo do ovário NÃO é importante. Obs: existe taxa de 20% de falso positivo na USG. (2) OLIGO OU ANOVULAÇÃO (3) HIPERANDROGENISMO CLÍNICO OU BIOQUÍMICO CRÍTICAS AOS CRITÉRIOS: não leva em conta a resistência insulínica! GUIDELINE 2023 (INTERNATIONAL EVIDENCE-BASED GUIDELINE FOR THE ASSESSEMENT AND MANAGEMENT OF POLYCYSTIC OVARY SYNDROME (1) OLIGO OU ANOVULAÇÃO (2) HIPERANDROGENISMO (3) OVÁRIO POLICÍSTICO À USG (> 20 folículos 2-9mm por ovário ou > 10cm³ no ovário ou > 10 folículos 2-9mm por corte transversal) OU DOSAGEM DO HORMÔNIO ANTIMULLERIANO (!) Detalhes: - Não usar hormônio anti-mulleriano e nem USG em adolescentes - Solicitar sempre TOTG75g e perfil lipídico Fluxograma Diagnóstico: LEMBRE QUE É MUITO IMPORTANTE EXCLUIR OUTRAS CAUSAS! Repercussões Clínicas: - Pela resistência insulínica: DM (10%), HAS (40%), DISLIPIDEMIA, OBESIDADE, DOENÇA CARDIOVASCULAR (↑risco IAM 7x) - Pelo hiperandrogenismo: ANOVULAÇÃO, ESTÉTICA... - Pela anovulação e efeito estrogênico: INFERTILIDADE, HIPERPLASIA/CA DE ENDOMÉTRIO, CA DE OVÁRIO Imagem: FEBRASGO Imagens: Clínica Ultra D – Diagnósticos Médicos Diagnóstico Diferencial: CAUSAS ESPECÍFICAS DE ANOVULAÇÃO HIPERANDROGÊNICA: tireoidopatias, disfunção hipotalâmica, Cushing, HAC de início tardio, insuficiência ovariana prematura, tumores secretores, hiperprolactinemia, androgenioterapia SEM CAUSA ESPECÍFICA: SOP! 444444 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE Avaliação Clínica: Diante de tantas repercussões, é fundamental: ▪ Aferição da PA ▪ Medida da circunferência abdominal ▪ Glicemia de jejum ▪ TOTG ▪ Lipidograma Tratamento: É INDIVIDUALIZADO! - Todos os casos: ATIVIDADE FÍSICA + DIETA FRACIONADA + PERDER PESO. Se não perder peso com MEV,com medidas de higiene, modificação de vestuário, banhos de assento, tratamento das verminoses - Se corrimento vaginal de repetição na infância que não responde ao tratamento citado acima, pensar em CORPO ESTRANHO. Vaginite Descamativa - Corrimento purulento - pH alcalino - Predomínio de células profundas, basais e parabasais, - ↑PNM - Flora vaginal tipo 3 (cocos gram positivos). - Tratamento com clindamicina creme local a 2% 5g 7 dias. Vaginose Citolítica - Leucorreia - Prurido - pH 5 - Sem patógenos à microscopia - ↑PNM (!) e de células basais/parabasais. - Tratamento com estrogênio tópico. 2. CERVICITES ABAIXO DO ORIFÍCIO EXTERNO: CERVICITE ACIMA DO ORIFÍCIO INTERNO: DIP Agentes: - GONOCOCO E CLAMÍDIA Fatores de Risco: - Transmissão sexual (DST clássica) - Coitarca precoce - IST/DIP prévias - Parceiro com IST Clínica/Diagnóstico: - CORRIMENTO CERVICAL PURULENTO, COLO HIPEREMIADO, FRIÁVEL, SINUSORRAGIA E DISPAREUNIA. Tratamento: - CEFTRIAXONE 500MG IM DU + - AZITRO 500MG, 2CP VO DU OU - DOXICICLINA 100MG VO, 2X/DIA, 7 DIAS Complicação: - DIP Candidíase Tricomoníase Vaginose Imagem: sanarmed.com 666 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 3. CERVICITE E URETRITE “URETRITE É ‘TUDO’ IGUAL A CERVICITE!” Principais Agentes: - GONOCOCO E CLAMÍDIA - Outros: cândida albicans, trichomonas, mycoplasma genitualium, múltiplos agentes Pesquisa do Agente (Gonococo e Clamídia): - PACIENTES ASSINTOMÁTICOS COM VIDA SEXUAL ATIVA E FATORES DE RISCO: PCR 6/6 MESES. - PACIENTES SINTOMÁTICOS: PCR CLAMÍDIA E GONOCOCO + GRAM/CULTURA. Clínica: - CORRIMENTO URETRAL/CERVICAL PURULENTO - Colo hiperemiado, friável, sinusiorragia, dispareunia Tratamento: GRAM DISPONÍVEL? DIPLOCOCO GRAM NEGATIVO INTRACELULAR - Negativo: trata clamídia - Positivo: trata gonococo e clamídia GRAM NÃO DISPONÍVEL? TRATA GONOCOCO E CLAMÍDIA! CONDIÇÃO 1ª OPÇÃO COMENTÁRIO Uretrite sem identificação do agente etiológico Ceftriaxone 500mg IM MAIS Azitromicina 1g VO Opção para clamídia: Doxicilina 100mg VO 2d/d por 7 dias Uretrite gonocócica e demais infecções gonocócicas NÃO complicadas (uretra, colo do útero, reto e faringe) Ceftriaxone 500mg IM MAIS Azitromicina 1g VO Uretrite não gonocócica Azitromicina 1g VO A resolução dos sintomas pode levar até 7 dias após a conclusão da terapia Uretrite por clamídia Azitromicina 1g VO Retratamento de infecções gonocócicas Ceftriaxone 500mg IM MAIS Azitromicina 1g VO Para casos de falha de tratamento. Possíveis reinfecções devem ser tratadas com as doses habituais. Perceba que em casos de RETRATAMENTO, são 4 COMPRIMIDOS DE AZITROMICINA, totalizando 2000mg. Só não confunda retratamento (tratamento instituído por falha de tratamento). com reinfecção (tratamento instituído por nova infecção → para estes casos, as doses devem ser as habituais). Complicação: - DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA E A BARTOLINITE? Já foi questão da USP! Conceito: INFECÇÃO NA GLÂNDUA DE BARTOLIN Agentes: GONOCOCO, CLAMÍDIA E OUTROS Clínica: DOR IMPORTANTE Conduta: DRENAGEM (↑recorrência), MARSUPIALIZAÇÃO ou BARTOLINECTOMIA. 4. DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA (DIP) Qualquer espectro clínico que se manifeste acima do orifício interno, é considerado como DIP! Ex: endometrite, salpingite... Agentes: - GONOCOCO E CLAMÍDIA (agentes primários) e depois POLIMICROBIANA - Em usuárias de DIU: pensar em ACTINOMYCES ISRAELLI Fatores de Risco: - IST prévia, coitarca precoce, tampão, ducha, múltiplos parceiros Diagnóstico: 3 MAIORES + 1 MENOR OU 1 ELABORADO (3) Critérios Maiores → “as 3 dores” - Dor hipogástrica - Dor anexial - Dor à mobilização do colo (1) Critérios Menores → “sinal de infecção clínica ou laboratorial” - Febre, leucocitose, VHS/PCR↑, cervicite... - Comprovação de gonococo, clamídia ou micoplasma (1) Critérios Elaborados → “vejo a doença” - Endometrite na biópsia/histopatológico - Abscesso tubo-ovariano ou no fundo de saco (USGTV/RNM) - DIP na laparoscopia Tratamento: CLASSIFICAÇÃO DE MONIF: Estágio 1: sem peritonite Estágio 2: com peritonite Estágio 3: oclusão de trompa/abscesso tubo-ovariano Estágio 4: abscesso > 10cm ou roto Tratando... Ambulatorial: estágio 1 (sempre reavaliar em 48-72h) Hospitalar: estágios 2, 3 e 4. Hospitalar: gravidez, ausência de melhora após 72h, intolerância ou baixa adesão ao tratamento, estado geral grave (febre, vômitos), dificuldade na exclusão de emergência cirúrgica (apendicite, ectópica), imunocomprometidos ATENÇÃO! No estágio 4, o tratamento, além de hospitalar, é cirúrgico. Pacientes especiais → NÃO ESQUEÇA! - Gestantes - Imunocomprometidos - Sem melhora após 72h Esquemas: Tratamento Ambulatorial: - CEFTRIAXONE 500MG IM DU + - METRONIDAZOL 400-500MG 12/12H VO 14 DIAS + - DOXICICLINA 100MG VO 12/12H 14 DIAS Tratamento Hospitalar: - CEFTRIAXONE 1G IV 14 DIAS + - METRONIDAZOL 400MG IV 12/12H 14 DIAS + - DOXICICLINA 100MG 12/12H VO 14 DIAS OU - CLINDAMICINA 900MG 8/8H IV + - GENTAMICINA 2MG/KG IV (ataque) + 1,5MG/KG 8/8H (manutenção) NÃO SE ESQUECER DE CONVOCAR, TRATAR PARCEIRO E RASTREAR DST (!) Imagem: Netter SEMPRE HOSPITALAR! 777 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Tratamento Cirúrgico → Quando? - FALHA DO TRATAMENTO CLÍNICO - MASSA PÉLVICA QUE PERSISTE OU AUMENTA, APESAR DO TRATAMENTO - SUSPEITA DE ROTURA DE ABSCESSO TUBO-OVARIANO - ABSCESSO DE FUNDO DE SACO DE DOUGLAS - HEMOPERITÔNIO Tratamento/Situações Especiais: - Parceiros dos últimos 2 meses: TRATAR com CEFTRIAXONE 500mg IM + AZITROMICINA 1G VO DU - Adolescentes: NÃO REQUEREM INTERNAÇÃO DE ROTINA - Gestantes: INTERNAÇÃO COM ATBTERAPIA IV - Usuárias de DIU: NÃO HÁ NECESSIDADE DE REMOÇÃO IMEDIATA. Se ausência de melhora com o tratamento, retira, caso já tenham sido feitas 2 doses de ATB (para evitar translocação bacteriana na retirada). Complicações: PRECOCES - ABSCESSO TUBO-OVARIANO - FASE AGUDA DA SÍNDROME DE FITZ HUGH CURTIS: exsudato purulento na cápsula de Glisson (fígado) - MORTE TARDIAS - DISPAREUNIA - DOR PÉLVICA CRÔNICA - INFERTILIDADE - PRENHEZ ECTÓPICA - FASE CRÔNICA DA SFHC: aderências em corda de violino na cápsula de Glisson Considerações Finais: Valorizar a clínica e o exame físico Correlacionar com o B-HCG quantitativo Lembre que gravidez ectópica é diagnóstico diferencial! Se tratamento ambulatorial: SEMPRE REAVALIAR em 48-72h Se dúvida: internar e fazer avaliação evolutiva comparativa USGTV: é peça-chave no diagnóstico de complicações LAPAROSCOPIA: é diagnóstica e terapêutica nos casos de massa pélvica que permanecem ou aumentam de tamanho apesar de ATBterapia. 5. ÚLCERAS GENITAIS TRÊS PERGUNTAS PRÁTICAS PARA O DIAGNÓSTICO! Múltiplas? - Sim: herpes, cancro mole, donovanose - Não: sífilis, linfogranuloma Dolorosas? - Sim: herpes (base limpa), cancro mole (base suja) - Não: sífilis, linfogranuloma, donovanose Adenopatia com fistulização? - Sim: cancro mole (único orifício), linfogranuloma (múltiplos orifícios) - Não: herpes, sífilis, donovanose* (*) Não configura adenopatia, na verdade. São os corpúsculos de Donovan. Sífilis Agente: - TREPONEMA PALLIDUM Contágio: - Todo e qualquer CONTATO SEXUAL - VERTICAL (mãe → filho) - TRANSFUSÕES sanguíneas - A sífilis não se adquire com acidente por objetos perfuro-cortantes! Formas Clínicas:avaliar Metformina. - Controle de resistência insulínica: METFORMINA - Hiperandrogenismo: ACO, DROSPERINONA/CIPROTERONA (progesteronas com ação anti-androgênica/maior risco de trombose), TRATAMENTO ESTÉTICO (ex: laser, clareamento), ESPIRONOLACTONA (possui ação anti-androgênica) - Regularização + controle do ciclo e proteção endometrial: ACO ou PROGESTERONA ISOLADA (oral ou DIU de levonorgestrel) - Restauração da fertilidade: DIETA + ATIVIDADE FÍSICA > CLOMIFENO (literatura brasileira/associada ou não com metformina) ou LETROZOL (inibidor de aromatase também de 1ª linha atualmente) > CLOMIFENO + METFORMINA > GONADOTROFINA ou FIV. Tem que saber essa sequência para a prova! (*) INOSITOL: SENSIBILIZADOR DA AÇÃO INSULÍNICA (ainda carece de mais trabalhos como indutor de ovulação) 3. INFERTILIDADE Conceitos: - AUSÊNCIA DE GRAVIDEZ APÓS 1 ANO DE COITO DESPROTEGIDO - Não confunda com esterilidade (incapacidade permanente) Causas: - Fator masculino: 35% - Fator tuboperitoneal: 35% - Anovulação: 15% Investigação: → Idade da mulher: - 35 anos: imediatamente ou esperar 6 meses → Frequência das relações: 2-3x por semana → Não se esquecer de sempre convocar o parceiro! Cuidado: Filhos anteriores não excluem o (a) paciente da investigação! Avaliação Básica - HORMÔNIOS: ▪ FSH ▪ TSH ▪ Prolactina ▪ Hormônio anti-mulleriano - USGTV + HISTEROSSALPINGOGRAFIA* + ESPERMOGRAMA MELHOR MOMENTO PARA COLETA DOS EXAMES - 3º dia: FSH - 5º dia: USGTV - 7º dia: HSG - 22º dia: progesterona - Qualquer momento: TSH, prolactina, anti-mulleriano, espermograma Avaliação Avançada Pedir se a avaliação básica estiver alterada! - “VIDEO” ▪ VideoLAPAROSCOPIA: padrão-ouro para fator tuboperitoneal ▪ VideoHISTEROSCOPIA: padrão-ouro para cavidade endometrial e fator uterino Na infertilidade masculina... ESPERMOGRAMA ▪ Normal: não repetir. ▪ Anormal: repetir após 3 meses/12 semanas ▪ Se azoospermia: biópsia testicular (não produz ou não “sai”?) ✓ Pode ser não obstrutiva (+ comum) ou obstrutiva ✓ Além da biópsia, é importante solicitar cariótipo e FSH ✓ Avaliar tamanho do testículo ✓ Causas possíveis: falência testicular, hipogonadismo hipogonadotrófico, cromossomopatias... (*) Morfologia de Kruger: um dos parâmetros avaliados no espermograma = leva em consideração a qualidade e o formato dos gametas. Na infertilidade feminina... Para anovulação... DOSAGEM DE PROGESTERONA ▪ Na fase lútea (21º-24º dia): valores > 3ng/ml indicam que houve ovulação DOSAGEM DE FSH ▪ Na fase folicular precoce (idealmente 3º dia) ▪ FSH 15 no 3º dia do ciclo DOSAGEM DE HORMÔNIO ANTI-MULLERIANO ▪ Não sofre interferência com a fase do ciclo (pode ser dosada a qualquer momento). ▪ Avaliação mais quantitativa do folílculo. ▪ Tem relação com reserva ovariana ▪ É caro, não tem no SUS. CUIDADO COM PEGADINHA DE PROVA! O PRINCIPAL PREDITOR DE RESERVA OVARIANA É A IDADE! 454545 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) AMENORREIA, SOP E INFERTILIDADE USGTV SERIADA: ▪ Documentar a ovulação ▪ Programar coito ou intervenção (FIV) ▪ Contagem de folículos no 3º dia de ciclo (avalia sucesso/prognóstico da reprodução assistida) Para o fator tuboperitoneal... HISTEROSSALPINGOGRAFIA: ▪ Exame INICIAL para fator tuboperitoneal. ▪ Trompa pérvia = prova de Cotte positiva. ▪ Trombo obstruída = prova de Cotte negativa VIDEOLAPAROSCOPIA ▪ Exame PADRÃO-OURO para fator tuboperitoneal. ▪ Solicitar se prova de Cotte negativa. Para o fator uterino... HISTEROSCOPIA: ▪ Exame PADRÃO-OURO para cavidade endometrial. ▪ USGTV e histerossalpingografia já fazem uma avaliação inicial. Para o fator cervical... TESTE PÓS-COITO OU TESTE DE SIMS ▪ Em desuso ▪ Avalia a interação do espermatozoide com o muco Tratamento: RECOMENDAÇÕES GERAIS ▪ Cessar tabagismo ▪ Cessar etilismo ▪ Diminuir consumo de cafeína. ▪ Perder peso se IMC > 27 ▪ Ganhar peso se IMC 5 x 106/ml + morfologia e motilidade normais - FIV COM ICSI (micromanipulação de gametas): se concentração de espermatozoides 35 anos FATOR OVARIANO TRATAMENTO INDICAÇÕES CORREÇÃO DA ENDOCRINOPATIA CIRURGIA/DOL (Drilling Ovariano) SOP - Se falha na indução da ovulação: DOL (Drilling Ovariano) é uma alternativa em casos em que a laparoscopia será realizada por outro motivo INDUÇÃO DA OVULAÇÃO COM CLOMIFENO - Anovulação INDUÇÃO DA OVULAÇÃO COM GONADOTROFINAS - Se resistência ao clomifeno TERAPIA DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA Baixa reserva! - Concentração de FSH > 15 e/ou CFA (contagem de folículos) 37 anos: até 3 * Embriões euploides ao diagnóstico genético: até 2, independente de idade - Doação de gametas não pode ter caráter lucrativo - Idade limite de doação: 37 anos para mulher e 45 anos para homem - Mantido, obrigatoriamente, sigilo sobre a identidade dos doadores - Doadora de óvulos não pode ser a cedente temporária do útero - Cessão temporária do útero: não precisa mais obrigatoriamente ser parente do casal - Cessão temporária de útero: não pode ter caráter lucrativo - Sexagem: continua proibida (exceto para evitar doenças) - Descarte de embriões não precisa de autorização judicial FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! AMENORREIA Teste da progesterona Sangra: compartimento II Não sangra: teste E + P Teste do estrogênio + progesterona Não sangra: compartimento I Sangra: compartimento II, III e IV (dosagem FSH, neuroimagem ou teste GnRH Principal causa deamenorreia primária Disgenesia gonadal Principal causa de amenorreia secundária Gravidez Principal causa de disgenesia gonadal Turner (45, X) Amenorreia primária + 46, XX + caracteres secundários normais Agenesia mulleriana Principal tumor hipofisário causador de amenorreia Prolactinoma Principal causa ovariana de amenorreia SOP SOP Sinonímia Anovulação crônica hiperandrogênica Suspeita clínica Ciclos irregulares e hiperandrogenismo Sinal cutâneo de resistência insulínica Acantose nigricans O que diminui no perfil laboratorial SHBG/FSH Número de critérios de Rotterdam para diagnóstico de SOP 2 dos 3 critérios Primeira escolha para regularização dos ciclos menstruais ACO ou progestagenioterapia Primeira escolha para resistência insulínica Metformina Primeira escolha para indução de ovulação MEV > clomifeno ou letrozol INFERTILIDADE Avaliação Básica Hormônios, USGTV, HSG, progesterona (fim do ciclo), espermograma 4. INCONGRUÊNCIA DE GÊNERO (1) SEXO BIOLÓGICO - DESIGNADO AO NASCER: MENINA (XX)/MENINO (XY) (2) GÊNERO - Relação com PAPÉIS SOCIAIS: MASCULINO/FEMININO - NÃO BINÁRIO: não se sente pertencente a nenhum dos gêneros (“não se identifica com o papel social masculino ou feminino”) Interpretando a IDENTIDADE DE GÊNERO - CIS-GÊNERO: sexo biológico = gênero - TRANS-GÊNERO: sexo biológico ≠ gênero = a isso chamamos de “incongruência de gênero” Entendendo os termos... - MULHER-TRANS: GÊNERO FEMININO + SEXO MASCULINO AO NASCER (nasceu com sexo biológico masculino, mas se enxerga com papel social feminino) - HOMEM-TRANS: GÊNERO MASCULINO + SEXO FEMININO AO NASCER (nasceu com sexo biológico feminino, mas se enxerga com papel social masculino) - NOME SOCIAL: é o nome de escolha da pessoa trans (3) ORIENTAÇÃO SEXUAL - Relacionada a ATRAÇÃO SEXUAL/ROMÂNTICA - HETEROSSEXUAL, HOMOSSEXUAL, BISSEXUAL - Está relacionada ao GÊNERO do qual a pessoa se identifica Manifestações Clínicas: - Início típico: INFÂNCIA OU ADOLESCÊNCIA - Forte desejo de PERTENCER A OUTRO GÊNERO - Não se identifica com roupas e brincadeiras do gênero - Não se identifica com a sua anatomia sexual - DURAÇÃO MAIOR QUE 6 MESES Não confundir incongruência com DISFORIA DE GÊNERO, que está relacionada ao estresse psíquico, cultural e social gerado pela incongruência. Tratamento: - HORMÔNIOTERAPIA A PARTIR DOS 16 ANOS! ▪ MULHER TRANS: ESTRADIOL + ESPIRONOLACTONA (para redução dos feitos androgênicos) ▪ HOMEM TRANS: TESTOSTERONA - TRATAMENTO CIRÚRGICO A PARTIR DOS 18 ANOS! ▪ MULHER TRANS: VAGINOPLASTIA, AUMENTO DE MAMAS, REDUÇÃO CIRÚRGICA DA CARTILAGEM TIREOIDE ▪ HOMEM TRANS: MASTECTOMIA, HISTERECTOMIA, SALPINGO-OOFORECTOMIA, NEOFALOPLASTIA ▪ SÃO PROCEDIMENTOS IRREVERSÍVEIS! Rastreamentos: EXAME MULHER TRANS HOMEM TRANS CA Mama A partir dos 50 anos se fatores de risco adicionais (terapia hormonal > 5 anos, história familiar, IMC > 35) - Mamas intactas: igual mulher-cis - Pós-mastectomia: exame anual axilar e da parede torácica CA Colo Útero - - Colo intacto: igual mulheres-cis - Sem colo: sem rastreio CA Próstata Igual homem-cis - 474747 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS 1. SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL Definições: - MUDANÇA NO PADRÃO DE SANGRAMENTO MENSTRUAL com alteração nos ÚLTIMOS 6 MESES O que é normal? ▪ FREQUÊNCIA: 21-35 dias (média: 28 dias) ▪ DURAÇÃO: 2-6 dias ▪ VOLUME: 20-60ml Conceitos Importantes: - Prevalência de 3-30% em idade reprodutiva - Correspondem a 30% das consultas ambulatoriais - Maior prevalência nos extremos da vida reprodutiva Terminologia: MENORRAGIA Intervalos regulares Duração prolongada Fluxo excessivo METRORRAGIA Intervalos regulares Duração +/- prolongada Fluxo normal MENOMETRORRAGIA Intervalos regulares Duração prolongada Fluxo excessivo HIPER/HIPOMENORREIA Relação com fluxo/volume Hipermenorreia: fluxo excessivo e duração normal Hipomenorreia: fluxo reduzido e duração normal ou reduzida POLI/OLIGOMENORREIA Relação com frequência Polimenorreia: frequência 35 dias OPSOMENORREIA Sangramento que ocorre em intervalo de 35-45 dias ESPANIOMENORREIA Sangramento que ocorre em intervalo de 45-60 dias PROIOMENORREIA Sangramento que ocorre em intervalo de 18-25 dias ou encurtamento do ciclo de 3-5 dias ATENÇÃO! Esses termos variam MUITO na literatura! Classificação: SUA AGUDO ▪ Necessita intervenção imediata para cessar o sangramento SUA CRÔNICO ▪ Sangramento anormal em volume, duração ou frequência presente por pelo menos 6 meses Etiologia: “SUA É UM DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E NÃO CAUSAL” SISTEMA PALM-COEIN Disfuncional (SUD) ou “Não Estrutural por Disfunção Ovulatória” Conceitos: - Sangramento DIFERENTE DO HABITUAL (normal da paciente), com alteração na duração e/ou frequência e/ou volume → o termo “disfuncional” tem sido abandonado, mas ainda podemos ver questões de prova usando-o. - NENHUMA CAUSA ORGÂNICA É IDENTIFICADA - É diagnóstico de EXCLUSÃO Epidemiologia: - Geralmente mulheres no EXTREMO DE VIDA REPRODUTIVA - Aproximadamente 20% são ADOLESCENTES - Em 50% dos casos são mulheres de 40-50 anos Orgânico - Possui CAUSA ORGÂNICA ▪ Pólipos, adenomiose, mioma, câncer... Investigação Diagnóstica: (1) ANAMNESE + EXAME FÍSICO/EXAME ESPECULAR - ANAMNESE: história menstrual (atraso/ciclicidade), uso de medicações, doenças associadas (coagulopatias), última colpocitologia, idade (existem causas específicas por faixa etária → ver adiante), questionar se é sexualmente ativa (gestação, abortamento, IST); momento do sangramento → sangramento pós-coito sugere trauma, IST ou CA de colo. - EXAME FÍSICO: galactorreia, úlceras, lacerações vaginais, corpo estranho, lesões em colo de útero, lesões em ânus, toque bimanual para avaliar volume uterino e anexos, inspeção geral para avaliar obesidade, sinais de hiperandrogenismo, etc. - PESQUISAR/QUESTIONAR PRESENÇA DE DOENÇAS SISTÊMICAS: tireoidopatias, hiperprolactinemia, hepatopatia, insuficiência renal... EXAMES COMPLEMENTARES Individualizar cada caso e solicitar somente o necessário de acordo com os achados de anamnese e exame físico! - Hemograma, beta-HCG, USGTV*, colpocitologia, histeroscopia com biópsia (se fatores de risco), coagulograma, TSH, prolactina, função renal/hepática, etc. 484848 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS (*) RELEMBRANDO... ENDOMÉTRIO SUSPEITO NA PÓS-MENOPAUSA - Menor que 4-5mm, mas com fatores de risco ou SUA persistente - Maior que 4-5mm sem terapia hormonal - Maior que 8mm com terapia hormonal - Realizar avaliação endometrial + biópsia (histeroscopia é o padrão-ouro) ETIOLOGIA PROVÁVEL DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA → NEONATAL - Privação de estrogênio materno → INFÂNCIA - Corpo estranho/infecção inespecífica - Importante excluir: trama/abuso sexual (incomum lesão himenal) - Importante excluir câncer ▪ Vagina: sarcoma botrioide ▪ Ovário: puberdade precoce → ADOLESCÊNCIA - Disfuncional (2 primeiros anos após menarca → “imaturidade do eixo”) - Importante excluir: gravidez, infecção específica, SOP, coagulopatias (doença de Von Willebrand, PTI...) → ADULTA - Disfuncional por anovulação/anormalidades da gravidez - Importante excluir: infecção específica, neoplasias hormônio-dependentes benignas (mioma, adenomiose, pólipo), neoplasias malignas → PÓS-MENOPAUSA - Atrofia endometrial (30%)/terapia hormonal (30%) - Importante excluir: câncer de endométrio DICAS DA PROVÁVEL ETIOLOGIA - PÓS-COITO:pensar em cervicite, CA de colo, laceração vaginal - MENACME: se sexualmente ativa e sem contraceptivo eficaz, pedir beta-HCG para descartar gravidez - USO DE MEDICAMENTOS: escape pelo contraceptivo, terapia hormonal na pós- menopausa, sulpirida, metoclopramida, etc. Conduta e Manejo Terapêutico: - Se causa orgânica: TRATAR A CONDIÇÃO DE BASE! - Excluídas as causas orgânicas... Deve ser sangramento DISFUNCIONAL ✓ Causa: anovulatórios em 80-85% dos casos ✓ Ocorre especialmente nos extremos da vida reprodutiva ▪ Puberdade: pensar em IMATURIDADE DO EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-OVÁRIO ▪ Menacme: mecanismo de feedback inapropriado (pensar em SOP) ▪ Climatério: pensar em INSUFICIÊNCIA PROGRESSIVA DA FUNÇÃO OVARIANA Entendendo a participação de estrogênio e progesterona no controle do sangramento... ESTROGENIOTERAPIA - Promove a rápida reepitelização (fortalece a malha reticular do estroma de sustentação) e INTERROMPE O SANGRAMENTO, gerando maior crescimento/proliferação da espessura endometrial. PROGESTOGENIOTERAPIA - Interrompe o efeito proliferativo do estrogênio sobre o endométrio - Não promove a reepitelização do epitélio e NÃO PROMOVE A INTERRUPÇÃO DO SANGRAMENTO Como tratar? Existem diversos esquemas possíveis (segue tabela da FEBRASGO). Como sugestão, podemos usar: - HORMONAIS: ▪ ESTROGÊNIO CONJUGADO (EEC) 1,25mg VO 6/6h 3 semanas + AMP (PROGESTERONA) 10 dias ou ▪ ACO (30-35mcg EE) 8/8h até parar sangramento (mínimo de 48h) e após 1cp/dia por 3-6 meses. - NÃO HORMONAIS: AINES, ANTIFIBRINOLÍTICO - Se não houver resposta: métodos cirúrgicos, tais como ablação endometrial (por balão térmico ou histeroscopia) ou mesmo a histerectomia. 2. PÓLIPOS UTERINOS Definições: - PROJEÇÕES GLANDULARES E ESTROMAIS (lesões em relevo) na cavidade uterina - Características BENIGNAS e BAIXO POTENCIAL DE MALIGNIZAÇÃO (0,5-3%) Quadro Clínico: - SINUSIORRAGIA/SUA + DISMENORREIA SECUNDÁRIA LEVE Na verdade... - CERVICAL: ou não causa nada, ou causa SINUSIORRAGIA - ENDOMETRIAL: maioria ASSINTOMÁTICOS Diagnóstico: - Exame especular - Suspeita: USGTV (IMAGEM HIPERECOGÊNICA) - Confirmação: histeroscopia Conduta: - POLIPECTOMIA POR HISTEROSCOPIA Se menacme, sem fator de risco para câncer e menor que 1,5cm: CONDUTA EXPECTANTE É ACEITÁVEL FEBRASGO 494949 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS PÓLIPO NO USG: HIPERECOICO MIOMA NO USG: HIPOECOICO 3. LEIOMIOMATOSE UTERINA Conceitos: - Tumores BENIGNOS: fibras musculares lisas do útero + estroma do tecido conjuntivo em proporções variáveis. - Origem MONOCLONAL - Localização clássica: CORPO E CÉRVICE UTERINOS - PSEUDOCÁPSULA: estrutura muscular que circunda os miomas e facilita sua ressecção cirúrgica Fatores Associados: - HERANÇA GENÉTICA - RAÇA NEGRA > branca - Condições aterogênicas (HAS) - Possui RECEPTORES DE ESTROGÊNIO, PROGESTERONA E AROMATASE. Portanto: RISCO ▪ Menarca precoce ▪ Nuliparidade ▪ Obesidade PROTEÇÃO ▪ Tabagismo ▪ Primiparidade precoce ▪ ACO Quadro Clínico: ▪ MAIORIA É ASSINTOMÁTICO ▪ Subseroso: efeito compressivo/dor pélvica ▪ Intramural: SUA/dismenorreia ▪ Submucoso: SUA/infertilidade ✓ O submucoso pode ser pediculado (ñ pode embolização) ou séssil ATENÇÃO! Duas coisas podem sair pelo colo: MIOMA e PÓLIPO! O mioma parido gera muita cólica menstrual! Se não houver nada (ou apenas sangramento pós-coito), pensar em pólipo! Diagnóstico: SÃO SUFICIENTES: EXAME FÍSICO + USGTV EXAME FÍSICO ▪ Matriz uterina aumentada, irregularidade uterina no toque USGTV: ▪ NÓDULOS HIPOECOICOS RESSONÂNCIA ▪ Maior precisão ▪ Boa indicação quando mais de 4 miomas ▪ Boa indicação se miométrio até a serosa ▪ Complementa a classificação ▪ Controle de tratamento ▪ Auxilia na programação terapêutica Na prática... Quando pedir RNM? (1) Antes de algumas cirurgias (2) Antes de embolização: avalia distância da serosa (risco de perfuração) HISTEROSCOPIA ▪ Também auxilia na decisão terapêutica ▪ Permite visão direta do mioma submucoso ▪ Confirmação diagnóstica/Avalia doenças associadas ▪ Permite a classificação do mioma ▪ Permite o estudo histopatológico com biópsia ▪ Controle de tratamento e complicações Classificação (FIGO): 2-5: TRANSMURAL ▪ SUBMUCOSO: 0 (pediculado) > 1 > 2 ▪ INTRAMURAL: 3 > 4 (só intramural) ▪ SUBSEROSO: 5 > 6 > 7 (pediculado) Classificação (Sociedade Europeia de Endoscopia Ginecológica | ESGE): ▪ FIGO 0 = NÍVEL 0 ESGE ▪ FIGO 1 = NÍVEL 1 ESGE ▪ FIGO 2 = NÍVEL 2 ESGE Classificação de Lasmar/Step-W: Size: tamanho do nódulo em centímetros Topography: topografia do mioma Extension: extensão da base em relação à parede uterina Penetration: penetração do nódulo no miométrio Lateral Wall: acometimento da parede lateral 505050 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS Tratamento: SEMPRE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO: SINTOMA X DESEJO DE GESTAÇÃO - Assintomática: NÃO TRATAR - Sintomática com sangramento leve/moderado: EXPECTANTE/CLÍNICO (ACO para redução do sangramento, apesar do risco de crescer o mioma) - Sintomática com sangramento intenso e nulípara: MIOMECTOMIA (preferir vídeo à laparotomia) - Sintomática com sangramento intenso e multípara: HISTERECTOMIA ou HISTEROSCOPIA + MIOMECTOMIA se SUBMUCOSO nível 0 e 1 ESGE/FIGO ou 0- 4 LASMAR (miomectomia de baixa complexidade) e 5-6 LASMAR (miomectomia de alta complexidade com preparo e/ou em 2 tempos) Medicação no Preparo Cirúrgico: ANÁLOGO DO GNRH (geralmente 3 meses é suficiente) ▪ Reduz tumor e a anemia (por cessar o sangramento) ▪ Pode dificultar a retirada cirúrgica por reduzir a hidratação da pseudocápsula ▪ Evitar uso por mais de 6 meses (risco de osteoporose) IMPORTANTE! - Se poucos miomas submucosos em multíparas, pode realizar a miomectomia histeroscópica, poupando a retirada do útero. - REMÉDIO NÃO TRATA MIOMA! Quando usar EMBOLIZAÇÃO DE ARTÉRIA UTERINA? - Miomas múltiplos, não pediculados, com desejo de gestação - Esse conceito não vale para nulíparas! Um êmbolo pode soltar e ir para o ovário levando a insuficiência ovariana! É polêmico... MIÓLISE POR USG FOCALIZADO DE ALTA INTENSIDADE GUIADA POR RESSONÂNCIA - Raios de alta intensidade concentrados no mioma é uma alternativa terapêutica para evitar histerectomia. - Limitação no longo prazo (procedimento novo), pois não se sabe o quanto pode haver comprometimento na estrutura uterina e função reprodutora. Também há ressalvas com nulíparas. Quais os tipos de degeneração dos miomas? - Hialina: mais comum - Rubra/vermelha/carnosa/necrose asséptica: gestante - Causa dor na gestação: necrose asséptica 4. ADENOMIOSE Conceitos: - TECIDO ENDOMETRIAL NO MIOMÉTRIO → tecido heterotópico endometrial (glândula e estroma) na intimidade do miométrio - Sequência: hipertrofia > hiperplasia > INFLAMAÇÃO Classificação: FOCAL ▪ Conjunto focal circunscrito ▪ Adenomioma → diagnóstico diferencial importante com leiomioma. Aqui, não há cápsula circundando! DIFUSA ▪ Distribuição por todo o miométrio ▪ Mais comum ▪ Parede posterior é a mais acometida Clínica: - SUA (50%), DISMENORREIA SECUNDÁRIA E PROGRESSIVA (30%) e AUMENTO/AMOLECIMENTO GLOBAL UTERINO (“útero em bala de canhão”) - DISPAREUNIA e DOR PÉLVICA CRÔNICA podem ocorrer - Mais comum em MULTÍPARAS EM TORNO DE 40 ANOS Diagnóstico: USGTV: ▪ Evidencia MIOMÉTRIO HETEROGÊNEO (aspecto em “queijo suíço”, “raios solares”). ▪ Um USGTV normal não exclui o diagnóstico! Baixa sensibilidade. RESSONÂNCIA PÉLVICA: ▪ ZONA JUNCIONAL MIOENDOMETRIAL > 12MM É ALTAMENTE SUGESTIVOe já permite início do tratamento. BIÓPSIA: ▪ Padrão-ouro ▪ Diagnóstico de certeza Tratamento: - Definitivo: HISTERECTOMIA - Pré-menopausa: CLÍNICO (DIU progesterona, ablação endométrio*...) Sem desejo de gestação atual: ▪ DIU de progesterona Inférteis: ▪ Análogo do GNRH ou DIU de progesterona (uso por 6 meses) Na FIV: ▪ Protocolos longos com análogo do GNRH (por 6 meses antes do procedimento) Prole constituída: ▪ Histerectomia (*) Ablação: opção para quem quiser preservar o útero, mas não tem interesse em função reprodutiva. Não tem sido recomendado segundo as evidências mais atuais. 515151 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS 5. ENDOMETRIOSE Conceitos: - ENDOMÉTRIO (glândulas e estroma) FORA DO ÚTERO, o que induz uma reação INFLAMATÓRIA CRÔNICA. ▪ Se penetrar o espaço retroperitoneal ou órgãos pélvicos em > 5mm, é chamada de endometriose INFILTRATIVA PROFUNDA. - Acomete 5-10% das mulheres na menacme - Corresponde a 50% das causas de dor pélvica crônica - Costuma ser diagnosticada com atraso de 7-10 anos - Localização mais comum: OVÁRIO Fatores de Risco: - EXPOSIÇÃO AOS ESTRÓGENOS ▪ Menacme longo (menarca precoce/menopausa tardia) ▪ Nuliparidade ▪ Primigravidez tardia - REFLUXO MENSTRUAL ▪ Ciclos curtos ▪ Fluxo aumentado ▪ Malformações mullerianas ▪ Estenoses iatrogênicas - HISTÓRIA FAMILIAR POSITIVA Fatores de Proteção: - MULTIPARIDADE - INTERVALOS DE LACTAÇÃO PROLONGADA - MENARCA TARDIA Fisiopatologia: - Em 75-90% dos casos ocorre REGURGITAÇÃO TRANSTUBÁRIA (fisiológica na maioria das mulheres) - Mecanismo não é totalmente esclarecido, mas sabe-se que há envolvimento de efluente menstrual, sistema imune e liberação de toxinas. Clínica: - Dor pélvica crônica - Dismenorreia secundária - Dispareunia de profundidade - Disúria - Disquezia - Dor lombar - Dificuldade para gestar (possível causa de infertilidade) Marcadores Biológicos: - CA-125, TNF-alfa, IL-8, VEGF, Glicodelina A = não existe marcador específico! Marcador Clínico: - DISMENORREIA SECUNDÁRIA! Diagnóstico: - Clínico: HISTÓRIA CLÍNICA - Exame físico: NÓDULO AO TOQUE VAGINAL/RETAL, ÚTERO FIXO, DOLOROSO E MASSA ANEXIAL - USGTV com preparo: ENDOMETRIOMA (“cisto com pús/sangue dentro”, aspecto de vidro fosco) ▪ Mais útil para doença “mais central” (ex: intestino, bexiga) - Ressonância com preparo: ruim para implantes pequenos e peritoneais ▪ Mais útil para “doença mais lateral e em andar superior” USTVG E RNM COM PREPARO = atualmente os exames de escolha para mapeamento/estadiamento! A laparoscopia é reservada para situações mais específicas! - Laparoscopia + biópsia: padrão-ouro, mas não tem sido mais recomendada de rotina para o diagnóstico! Quando indicar? ▪ Exames normais e falha terapêutica ▪ Suspeita de estádios avançados ▪ Infertilidade ❖ Utilizar para fins diagnóstico E TERAPÊUTICO nesses casos! ✓ Atividade das lesões: VERMELHA > PRETA > BRANCA ✓ Não existe correlação direta entre a extensão das lesões e a dor CA-125: não define doença, pouco sensível e específico, mas pode ser usado para avaliar gravidade e acompanhar o pós-tratamento. Pode estar alterado em casos de gestação, adenomiose, DIP, tumor ovariano, etc. O melhor momento para coleta é entre o 1°-3º dia do ciclo. 525252 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS Tratamento: CONDUTA EXPECTANTE ▪ Sem sintomas ou sintomas mínimos ▪ Mulheres na perimenopausa TRATAMENTO MEDICAMENTOSO ▪ AINE: controle sintomático/evitar uso prolongado ▪ (1) PROGESTOGÊNIOS/ACO: primeira linha, uso contínuo, levam ao estado de “pseudogravidez” ▪ (2) DANAZOL, INIBIDORES DA AROMATASE E ANÁLOGOS DO GNRH: outras opções, mas com risco de efeitos adversos: “pseudomenopausa”, hiperandrogenismo, osteoporose... O análogo do GNRH geralmente só é utilizado em casos de preparo pré- operatório. Então... Dor: INICIALMENTE CLÍNICO ▪ ACO combinado, progesterona (ex: dienogeste), análogo de GnRH (por pouco tempo), inibidor de aromatase. ▪ Se não der certo: tratamento cirúrgico* ▪ Se endometrioma > 4-6cm, lesão em ureter, íleo, apêndice ou retossigmoide (sinais de suboclusão): tratamento cirúrgico* Endometrioma: - A melhor conduta é a CISTECTOMIA LAPAROSCÓPICA (retirar o tumor com toda a sua cápsula). Não é para tirar o ovário! Intestinal: - Técnicas possíveis para o tratamento cirúrgico: ▪ SHAVING: se lesão mais superficial ▪ RESSECÇÃO DISCOIDE (se penetração em todas as camadas e lesão 3cm ou múltiplas lesões) (*) Tratamento Cirúrgico - Preferencialmente por via minimamente invasiva: laparoscopia ou robótica - Preservar o útero e tecido ovariano sadios: cirurgia “tecido-redutora” - O sucesso terapêutico é cirurgião-dependente → Infertilidade: - O tratamento clínico não resolve! - Infertilidade sem dor: REPRODUÇÃO ASSISTIDA (baixa complexidade ou FIV) - Infertilidade + dor: LAPAROSCOPIA (se bom prognóstico) OU FIV (se mau prognóstico). (*) Prognóstico: idade, reserva ovariana, outros fatores de infertilidade Resumão para a prova... - MIOMA: SUA Obs: SUA ao coito: pensar em POLIPOSE - ADENOMIOSE: SUA + dismenorreia secundária - ENDOMETRIOSE: dismenorreia secundária + infertilidade 6. DISMENORREIA Conceitos Iniciais: - “MENSTRUAÇÃO DIFÍCIL” ou “DOR PÉLVICA” associada ao período menstrual. Realizado o diagnóstico clínico, é importante realizar a diferenciação entre a dismenorreia primária e secundária. - PRIMÁRIA: ▪ Também chamada de “intrínseca”, “funcional” ou “idiopática” ▪ Ausência de doença pélvica detectável - SECUNDÁRIA: ▪ Também chamada de “extrínseca”, “adquirida” ou “orgânica” ▪ Presença de ginecopatias ou outras causas (ex: endometriose, adenomiose) Fisiopatologia: - A dismenorreia secundária é decorrente da sua doença de base. A dismenorreia primária tem como ponto-chave o ↑ÁCIDO ARACDÔNICO, que resulta na liberação de mediadores inflamatórios (leucotrieno, prostaglandinas e tromboxano), resultando em vasoconstrição e contração miometrial, que causam DOR, MAL- ESTAR, NÁUSEA, LOMBALGIA, etc. Classificação: CARACTERÍSTICAS PRIMÁRIA SECUNDÁRIA INÍCIO 2 anos pós-menarca Independe da menarca MANIFESTAÇÃO Imediatamente antes ou no início do fluxo Antes e durante o fluxo + com piora dos sintomas ao longo do tempo CLÍNICA Dor em hipogastro Náusea ou vômito Cefaleia Dor lombar e em MMII Dor pélvica crônica + Dispareunia (na maioria das vezes “profunda”) EXAME CLÍNICO (TOQUE VAGINAL) Não há achados significativos Dor, nódulos, massas pélvicas EXAMES SUBSIDIÁRIOS Normais CA-125 USGTV RNM Causas Secundárias: INTRAUTERINAS EXTRAUTERINAS NÃO-GINECOLÓGICAS - Adenomiose - Leiomioma - DIU - Abortamento - Anom. mullerianas - Est. cervical - Endometriose - DIP - Aderências - Grav. ectópica - Psicossomáticas (depressão) - Sínd. do cólon irritável - Constipação crônica - DII - Dor miofascial - Infecção urinária - Litíase renal FEBRASGO 535353 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) SANGRAMENTOS GINECOLÓGICOS BENIGNOS Investigação e Tratamento: FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! SUA/SUD Definição SUD SUA sem causas orgânicas Diagnóstico de exclusão Maior prevalência SUD Extremos da vida reprodutiva SUD na adolescência Imaturidade do eixo H-H-O SUD na perimenopausa Insuficiência ovariana gradativa Tratamento do SUD Hormonioterapia Tratamento do SUD grave Estrogenioterapia Tratamento do SUA Tratar a condição de base Principal causa orgânica de SUA Leiomioma SUA/PALM Sinusiorragia +SUA + dismenorreia leve Pólipos Dismenorreia + sangramento Adenomiose SUA sem dismenorreia Miomatose Tratamento dos pólipos endocervicais ou endometriais Histeroscopia + polipectomia Tratamento da adenomiose Com desejo de gestação DIU progesterona Análogos GNRH Tratamento da adenomiose Com infertilidade DIU de progesterona Análogos GNRH + FIV ou ressecção Tratamento da adenomiose Com prole completa Histerectomia Tratamento da miomatose Sem sintomas Expectante Tratamento da miomatose Sem desejo de gravidez Histerectomia Tratamento da miomatose Com desejo de gravidez Miomectomia ENDOMETRIOSE Conceito Tecido endometrial fora do útero Clínica Dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica, infertilidade USGTV – Avaliação Endometrioma ovariano RM – Limitação Implantes diminutos e peritoneais Laparoscopia Não há correlação direta entre a extensão das lesões a intensidade da dor Diagnóstico definitivo Histopatológico Escolha no tratamento clínico ACO e progesterona Tratamento do endometrioma Cistectomia laparoscópica Tipo de abordagem cirúrgica Tecido-Redutora ou “tissue” redutora DISMENORREIA Clínica 1ª: dor em hipogastro, cefaleia, náusea, lombalgia 2ª: dor pélvica crônica + dispareunia FEBRASGO 545454 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) ANTICONCEPÇÃO Crédito: Dr. Alberto Freitas 1. ANTICONCEPÇÃO Conceito: - Maneira pela qual uma ou mais AÇÕES, DISPOSITIVOS OU MEDICAMENTOS são utilizados para EVITAR OU REDUZIR A CHANCE DE GRAVIDEZ. Escolha do Método: LEVAR EM CONSIDERAÇÃO Eficácia Inocuidade Aceitabilidade e preferência Facilidade de uso Reversibilidade Custo Risco, efeitos colaterais, efeitos benéficos adicionais Índice de Pearl: ▪ Quanto menor, mais efetivo ▪ Quanto maior, menos efetivo Ilustrando... Critérios de Elegibilidade dos Métodos: ▪ Categoria 1: pode usar ▪ Categoria 2: pode usar com cautela (benefício > risco) ▪ Categoria 3: contraindicação relativa (risco > benefício) ▪ Categoria 4: contraindicação absoluta Métodos Hormonais COMBINADOS SÓ PROGESTERONA ORAL ORAL INJETÁVEL MENSAL INJETÁVEL TRIMESTRAL ANEL IMPLANTE ADESIVO SIU MECANISMO DE AÇÃO: 1º Inibe ovulação 2º Espessamento do muco cervical 3º Altera motilidade da tuba 4º Torna o endométrio inóspito (descidualização) QUEM PROMOVE ANOVULAÇÃO? - Pílula: depende - Injetável trimestral: sim - Implante: sim - SIU: não PÍLULA - DESOGESTREL: ✓ Promove ANOVULAÇÃO + eficaz - LEVONORGESTREL e NORETISTERONA (minipílulas): ✓ Anovulação menos eficaz. - Todas indicadas no ALEITAMENTO e PERIMENOPAUSA INJETÁVEL TRIMESTRAL - ACETATO DE MEDROXIPROGESTERONA Repercussões: ✓ Amenorreia ✓ Androgenismo ✓ Aumento de peso ✓ Absorção de cálcio reduzida + osteopenia (reversível após a suspensão do uso) IMPLANTE SUBDÉRMICO - ETONORGESTREL Mecanismo: ✓ Inibe a ovulação por bloqueio de LH ✓ Altera o muco cervical ✓ Atrofia o endométrio - Causa AMENORREIA POR 3 ANOS - Causa REDUÇÃO DAS CÓLICAS MENSTRUAIS - Efeitos colaterais: irregularidade menstrual (spotting), retenção hídrica e ganho de peso, acne, cefaleia, mastalgia QUEM NÃO PODE USAR? - ALEITAMENTO 15 CIGARROS APÓS 35 ANOS, DM COM VASCULOPATIA, HAS GRAVE, ENXAQUECA COM AURA (!!!) QUEM NÃO PODE USAR? - TROMBOSE ATUAL - ALEITAMENTO 15 cigarros/dia) após 35 anos, IAM, TVP, TEP e AVE atual ou prévio, enxaqueca com aura - Progesterona mais trombogênica: ciproterona DIU LARC L LONG A ACTING R REVERSIBLE C CONTRACEPTION → DIU DE LEVONORGESTREL 52mg de levonorgestrel (20mcg/dia) - Dura 5-7 ANOS - Atrofia endométrio e torna o muco hostil - Função, motilidade e capacitação espermática são alterados - NÃO PROMOVE ANOVULAÇÃO - Vantagens: amenorreia, reduz cólicas - Efeitos colaterais: spotting, cefaleia, mastalgia, cistos funcionais → DIU DE COBRE OU PRATA - Dura 5 ANOS (prata) ou 10 ANOS (cobre) - Ação irritativa, inflamatória e espermicida - Reduz sobrevida do óvulo - Evitar se dismenorreia/sangramento - NÃO PROMOVE ANOVULAÇÃO - Vantagens: não interfere na libido, nas relações sexuais, não interage com outras medicações, útil nas contraindicações aos métodos hormonais - Efeitos colaterais: spotting, cólicas (DIU de cobre), ↑fluxo Contraindicações: “ALTERAÇÕES INTRAUTERINAS” ▪ SUSPEITA DE GRAVIDEZ ▪ DISTORÇÃO DA CAVIDADE ✓ Anomalias útero-cervicais ✓ Mioma ✓ Pós-parto entre 3-28 dias) ▪ SANGRAMENTO INEXPLICADO ▪ CA GINECOLÓGICO ✓ Colo uterino/Endométrio/Ovário/Mama ✓ Doença trofoblástica gestacional ▪ INFECÇÃO PÉLVICA ✓ AIDS sem TARV e/ou HIV avançado ✓ Risco elevado para IST/Pós-abortamento séptico ✓ Cervicite purulenta/Infeção por clamídia ou gonococo ✓ BK pélvica ✓ DIP atual (passado de DIP não é contraindicação!) ATENÇÃO! (1) DIU + DIP = ATB + avaliar em 48h. Se melhorar: deixa; se piorar: tira (2) pode QUALQUER DIU antes de 48h pós-parto (!), independente de amamentação. Caso contrário, esperar 4 semanas. Métodos Comportamentais TABELINHA, CURVA TÉRMICA, MUCO CERVICAL - Desaconselhar o uso isolado Métodos de Barreira CONDOM E DIAFRAGMA - Alta taxa de falha - Úteis para proteção para DST (parcial para HPV e herpes) - Condom feminino confere área maior de proteção que o masculino Métodos Cirúrgicos/Esterilização Definitiva PROJETO APROVADO 2022 - Critérios: idade > 21 anos ou > 2 filhos (mudou) - Cônjuge NÃO precisa assinar (mudou) - Pode fazer no parto (mudou) - > 60 dias entre a vontade e a cirurgia - Em prova prática: sempre oferecer outros métodos, mesmo que a paciente preencha os critérios. Contracepção de Emergência - Mecanismo de ação: ALTERA OVULAÇÃO E ATROFIA ENDOMÉTRIO = o mecanismo exato depende do momento em que é administrado!1ª Fase (antes do pico do LH) 2ª fase Altera o desenvolvimento dos folículos, impedindo ou retardando a ovulação. Se usado muito próximo a rotura folicular, pode haver falha. Modifica a viscosidade do muco cervical e impede ou dificulta a movimentação dos espermatozoides Alternativas: - LEVONORGESTREL 1cp 1,5mg DU (!) - Método Yuspe: maiores taxas de falha - DIU de cobre: risco aumentado de IST. Não é recomendado em vítimas de violência sexual. Considerações: - Eficaz até 5 dias (quanto mais precoce, mais eficaz) - O uso repetitivo ou frequente da anticoncepção de emergência compromete a eficácia! - Efeitos colaterais: *náusea e vômitos (40-50%), cefaleia, mastalgia, tontura (*) Se vomitar em até 2h da tomada = tomar novamente! Contraindicações: - A única contraindicação absoluta é a gravidez - Categoria 2 da OMS (usar com cautela): AVC, tromboembolismo, enxaqueca grave, diabetes com complicações vasculares. Não são contraindicações (nem relativas, nem absolutas)! Não há registro de efeitos teratogênicos FIXAÇÃO DO CONTEÚDO! ANTICONCEPÇÃO Tipos de orais Combinados (E + P) Só P Efeitos do ACO Anovulação, muco espesso, endométrio decidualizado, redução da motilidade tubária Progesterona com efeito anovulatório Desogestrel, injetável, implante Candidatas à laqueadura > 21 anos ou 2 filhos vivos Anticoncepção de emergência mais eficaz Levonorgestrel Anticoncepção de emergência contraindicada na violência DIU de cobre 565656 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) CLIMATÉRIO E OSTEOPOROSE RISCOS DA TRH CA de mama AVE Doença cardiovascular Tromboembolismo 1. CLIMATÉRIO Conceitos: - PRIMEIROS INDÍCIOS DE FALHA OVARIANA ATÉ 65 ANOS (senilidade) - PRÉ-MENOPAUSA: ↓Folículos e folículos envelhecidos: ↓Inibina > ↑FSH - MENOPAUSA E PÓS-MENOPAUSA: Ovário não produz E e P > E circulante (aromatização) > estrona Diagnóstico: - MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DO CLIMATÉRIO: ALTERAÇÃO MENSTRUAL (primeira), FOGACHOS, alteração de sono, síndrome genitourinária (ATROFIA), dispareunia, aumento do risco de OSTEOPOROSE - O DIAGNÓSTICO DE MENOPAUSA é CLÍNICO: > 1 ano da última menstruação Laboratório: - FSH > 40 e estradiol 50 ANOS - Maior incidência de fraturas onde há PREDOMÍNIO DE OSSO TRABECULAR ▪ CORPOS VERTEBRAIS ▪ COLO DO FÊMUR/FÊMUR PROXIMAL ▪ ANTEBRAÇO A massa óssea é composta por 80% de osso CORTICAL (mais “dura”) e 20% de osso TRABECULAR (“mais porosa, aspecto de favo de mel’), que é a parte metabolicamente mais ativa e também a mais suscetível a fraturas Fatores de Risco: - Atenção para IDADE (mais importante), HISTÓRIA FAMLIAR, RAÇA BRANCA E HIPOESTROGENISMO - OUTROS: uso de corticoide, tabagismo, quedas recentes, baixa ingesta de cálcio, alta ingesta de fósforo, diabetes, sedentarismo, heparina, hiperparatireoidismo, doença renal crônica, uso de acetato de medroxiprogesterona, déficit de visão, demência, etc. Imagem: alamy.com 575757 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) CLIMATÉRIO E OSTEOPOROSE Diagnóstico: (1) FRATURA DE FRAGILIDADE OU (2) DENSITOMETRIA ÓSSEA (DMO) COM T-SCORE - 1 OSTEOPENIA T-SCORE entre – 1 e – 2,5 OSTEOPOROSE T-SCORE 65 anos ou homens > 70 anos ▪ Mulheres pós-menopausa 65 anos - Homens: > 70 anos COM FATOR DE RISCO*: - Mulheres: pós-menopausa - Homens: 50-69 anos (*) FATORES DE RISCO: baixo peso corporal, doença crônica (AR, PAGET, DRC, outra doença óssea), uso de corticoide por > 3 meses) COM FRATURA: - > 50 anos É IMPORTANTE PESQUISAR CAUSAS SECUNDÁRIAS - Correspondem a 20% das causas - Solicitar calciúria 24h, cálcio sérico, PTH, vitamina D e TSH (se uso de tiroxina) Marcadores de Formação e Reabsorção Óssea: Utilização na prática para diagnóstico não é consagrada, mas têm sido utilizados para avaliar RESPOSTA TERAPÊUTICA. Tratamento Não-Medicamentoso: - EXERCÍCIOS FÍSICOS RESISTIDOS: treinamento de resistência apropriado para a idade e capacidade funcional → reforço do quadríceps e exercícios sob ação da gravidade são os mais indicados. - EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO: dança,tai-chi, fisioterapia - PREVENÇÃO DE QUEDAS: revisão de medicamentos psicoativos e outros associados ao risco de queda; avaliação de problemas neurológicos; correção de distúrbios visuais e auditivos e medidas de segurança ambiental. - ABANDONO DO TABAGISMO E INGESTA ETÍLICA EXCESSIVA - DIETA RICA EM CÁLCIO (leite e derivados, peixe e verduras: espinafre, brócolis e folhas escuras) COM INGESTA DIÁRIA DE 1000-1200mg - DIETA RICA EM VITAMINA D (salmão, sardinha, ovos, cogumelos) - EXPOSIÇÃO SOLAR ANTES DAS 10H OU APÓS AS 16H FRATURA POR FRAGILIDADE é definida pela OMS como "UMA FRATURA CAUSADA POR UM TRAUMA QUE SERIA INSUFICIENTE PARA FRATURAR UM OSSO NORMAL, RESULTADO DE UMA REDUÇÃO DA RESISTÊNCIA COMPRESSIVA OU TORSIONAL" 585858 Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) CLIMATÉRIO E OSTEOPOROSE E a SUPLEMENTAÇÃO DE CÁLCIO E VITAMINA D? - SUPLEMENTAÇÃO DE CÁLCIO: recomendada para pacientes com restrições alimentares que dificultem atingir a ingestão mínima diária de 1.200mg/dia para mulheres com mais de 50 anos - SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINA D: após determinação dos níveis séricos de 25-OH-vitamina D. ▪ MENOR QUE 20: 50.000UI 1X/SEMANA POR 8 SEMANAS + NOVA REAVALIAÇÃO ▪ MAIOR QUE 30: 600-2.000UI 1X/DIA (diverge em literatura) ▪ Doses mais elevadas poderão ser utilizadas em casos especiais: cirurgia bariátrica, doença inflamatória intestinal, doenças crônicas ou quando níveis de vitamina D não são mantidos com as doses habitualmente preconizadas. Tratamento Medicamentoso: INDICAÇÕES DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: ▪ Fratura VERTEBRAL (clínica ou assintomática) ▪ Fratura de QUADRIL (clínica ou assintomática) ▪ Densitometria óssea com T-SCORE 65 anos - Homens: > 70 anos Com fator de risco: - Mulheres: pós-menopausa - Homens: 50-69 anos Bifosfonatos Não se deitar por 30 minutos após a ingesta Contraindicações: esofagopatia, clcrPrimária: CANCRO DURO (ÚNICA, INDOLOR, QUE SOME SOZINHA) Alguns detalhes importantes a mais... - Período de incubação: 2 a 6 semanas. A lesão inicia no local de inoculação – podendo não ser visível, principalmente em mulheres. - São lesões de características ulceradas, bordas infiltradas (elevadas), fundo limpo e indolor. - Autolimitada: resolução em 1 - 8 semanas (média entre 2 – 3 semanas); - Linfadenite satélite, unilateral, sem supuração. - O diagnóstico é clínico! - Na sífilis primária, os testes diagnósticos não são positivos! - Sorologia (teste rápido) somente após 30 dias. - Microscopia de campo escuro: operacionalmente difícil e pouco disponível. Secundária: CONDILOMA PLANO (principalmente mãos/pés), ROSÉOLA, SÍFILIDES, MADAROSE Alguns detalhes importantes a mais... - Na sífilis secundária há uma disseminação hematogênica e alta treponemia, com maiores títulos de VDRL! - Rash maculopapular, descamativo nas bordas. - Atinge região palmar e plantar (atenção para farmacodermia, arboviroses e doenças monolikes = também atingem essas regiões) - Nas formas atípicas pode haver (1) condiloma lata (plano), conforme imagens abaixo: placas esbranquiçadas, por vezes algo verrucosas, confluentes, em áreas de umidade; (2) lues maligna (ulcerações com muitos sintomas sistêmicos (não se esquecer da comorbidade com HIV); (3) e até mesmo alopecia. - Toda erupção cutânea sem causa determinada deve ser investigada como teste para sífilis! - Pode, ainda, existir SINTOMAS SISTÊMICOS devido a treponemia por via hematogênica, como MIALGIA, CEFALEIA, LINFONODOMEGALIA GENERALIZADA (deve ser considerada a possibilidade de doenças monolike e HIV), TOSSE SECA E FARINGITE (com placas acinzentadas em mucosas). Síndrome de Fitz Hugh Curtis Imagem: extranet.hgf.ce.gov.br NUMA ABORDAGEM SINDRÔMICA... ÚLCERA GENITAL 4 SEMANAS: avaliar linfogranuloma e donovanose. Imagens: mdsaude.com e MSD Manuals | Google Imagem: Jan R. Mekkes 888 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Terciária: GOMAS, TABES DORSALIS, ANEURISMA AÓRTICO, ARTROPATIA DE CHARCOT Alguns detalhes importantes a mais... - O “estudo da sífilis não tratada de Tuskegee” mostrou que: 1/3 evolui “rápido”; 1/3 evolui “devagar” e 1/3 “nunca vai ter nada” - A sífilis terciária AFETA QUALQUER ÓRGÃO E SISTEMA! - Principais acometimentos: • Cardiovascular: ANEURISMA DE AORTA; • Pele e tecidos derivados do ectoderma: GOMA SIFILÍTICA; • Neurossífilis: SINAL NEUROLÓGICO FOCAL, TABES DORSALIS, DEMÊNCIA. - OS TESTES TREPONÊMICOS SÃO POSITIVOS EM ALTOS TÍTULOS - OS TESTES NÃO TREPONÊMICOS SÃO POSITIVOS EM BAIXOS TÍTULOS ( 1/4. - Em gestantes, idosos e pacientes reumatológicos o VDRL pode ser falso positivo (até 1/8). Por isso, confirmar com teste treponêmico sempre! - “O VD é o que o examinador vê” → é um teste examinador dependente. Por isso, sempre considerar valorizar/dar mais importância para o AUMENTO DE 2 DILUIÇÕES OU DE 4X TÍTULOS. História Natural: Curso dos Testes: E A SÍFILIS LATENTE? A forma latente (assintomática) divide-se em dois tipos: (1) PRECOCE ✓ Até 1 ano do contato ✓ VDRLs razoavelmente altos ✓ Recorrência de sintomas da sífilis secundária ✓ Tratar como forma precoce. (2) TARDIA ✓ Após 1 ano (ou quando não se sabe) ✓ VDRLs baixos ou negativos. ✓ Tratar como forma tardia! Imagem: WeMeds TREPONÊMICOS (FTA-ABS, TPHA, SOROLOGIA, TESTE RÁPIDO, CMIA) CICATRIZ SOROLÓGICA NÃO TREPONÊMICOS (VDRL, RPR) CONTROLE DE CURA 999 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Tratamento: Primária, Secundária, Latente Recente ( 1 ano): PB 3x 2,4M UI IM - Alternativa: Doxicilina 30 dias - Cura: ↓2 diluições em 12 meses - Respondem menos (podem não negativar → “serofast”) - Intervalo semanal entre as doses, com tolerância de até 9 dias (mudança MS 2023)! Se passar desse período, reiniciar o esquema! - TRATAR PARCEIRO E RASTREAR OUTRAS DST! Controle de Cura: - VDRL TRIMESTRAL 3, 6, 9 e 12 meses (GERAL E PVHIV) - VDRL MENSAL até 12 meses (GESTANTES) Critérios de Cura: (1) FORMAS PRECOCES - Maiores treponemias (reagem mais ao tratamento) - QUEDA DE 2 DILUIÇÕES EM 6 MESES (não importa o quanto fique o valor no final) - NEGATIVA EM 1-2 ANOS. (2) FORMAS TARDIAS - Menores treponemias. - QUEDA DE 2 DILUIÇÕES EM 12 MESES - PODEM NÃO NEGATIVAR (SEROFAST) - VDRL PERSISTENTEMENTE POSITIVO EM TÍTULOS BAIXOS. Tratamento Inadequado na Gestação: Quando? - Incompleto ou com outra medicação que não a penicilina - Iniciado há menos de 30 dias do parto Se gestante alérgica a penicilina? - DESSENSIBILIZAÇÃO! Falha Terapêutica: - NÃO EXISTE RESISTÊNCIA DO TREPONEMA À PENICILINA! - Suspeita de reinfecção: sempre considerar em todos os pacientes sexualmente ativos. Critérios para RETRATAMENTO: - AUSÊNCIA DE QUEDA DE VDRL EM 2 DILUIÇÕES EM 6-12 MESES. - ELEVAÇÃO DE DOIS TÍTULOS OU MAIS (1/4 > 1/16). - PERSISTÊNCIA OU RECORRÊNCIA DE SINAIS OU SINTOMAS SEM HISTÓRIA DE REEXPOSIÇÃO. - Fazer sempre com 3 DOSES DE PENICILINA G BENZATINA, independente do que tenha feito na primeira vez. - Sempre PESQUISAR NEUROSSÍFILIS (COLETA DE LCR) EM PACIENTE ASSINTOMÁTICO nas seguintes situações: ** População geral: sem critérios de cura (queda de 2 diluições) após retratamento e ausência de reexposição. **PVHIV: sem critérios de cura após retratamento ou se necessidade de retratamento, mesmo se houver reexposição (tem que ser mais atencioso/criterioso, visto que a Penicilina G Benzatina não atravessa a barreira hematoencefálica.Aprofundando o conhecimento em NEUROSSÍFILIS Conceitos Iniciais: - A neurossífilis se comporta de forma específica dentro da doença, inclusive com tratamentos diferentes. - Após a infecção inicial já ocorre invasão do SNC nas primeiras semanas. Particularidades sobre o LCR: - VDRL é uma molécula grande, que não ultrapassa barreira hemato- encefálica (BHE). Ou seja, se estiver presente no líquor, cabe deduzir que a cardiolipina foi produzida naquele local. Por isso, se torna MAIS ESPECÍFICO E MENOS SENSÍVEL. - Já o FTA-ABS é MAIS SENSÍVEL – em virtude de ser uma molécula menor, que ultrapassa BHE (contudo, é MENOS ESPECÍFICO). - Todavia, O LCR PODE SER NORMAL, PRINCIPALMENTE NA FORMA OCULAR. - Pacientes vivendo com HIV podem possuir LCR basalmente alterado por um efeito imunomodulador do HIV, mesmo com carga viral indetectável. QUAIS AS INDICAÇÕES DE COLETA DE LCR (PESQUISA DE NEUROSSÍFILIS) EM PVHIV? (1) Presença de sintomas neurológicos ou oftalmológicos. (2) Evidência de sífilis terciária ativa. (3) Falha ao tratamento clínico, independente da história sexual. Perceba... Para PVHIV, a punção lombar está indicada após falha do tratamento, independentemente da história sexual. Quadro Clínico: “Qualquer sintoma neurológico, frente a um diagnóstico sorológico de sífilis, deve ser investigado para neurossífilis!” PRECOCE ( 10 ANOS); - TABES DORSALLIS (perda da propriocepção profunda, levando a marcha alargada); - DEMÊNCIA (uma das causas tratáveis de demência); - EPILEPSIA. - PUPILA DE AGRYLL-ROBERTSON* (*) Pupilas de Argyll Robertson são pupilas bilateralmente pequenas que se contraem quando o paciente foca em um objeto próximo, mas não se contraem quando expostas ao brilho da luz (não reagindo à luz). Ou seja, a pupila perde o reflexo fotomotor, mas mantém o reflexo de acomodação. Diagnóstico: REAÇÃO DE JARISCH- HERXHEIMER - Ocorre em formas com alta carga de treponemas, podendo estar presente em até 50% das primárias e 90% das formas secundárias. São características: - Piora clínica geralmente 24-48HS APÓS A PENICILINA + FEBRE, RASH, MIALGIA, CEFALÉIA + PIORA DAS LESÕES + AUMENTO DE VDRL. Não é alergia! A piora é transitória e autolimitada e o tratamento é sintomático! Imagem: Márcio L. F. Balthazar 101010 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) (1) Pessoas SORONEGATIVAS: - PUNÇÃO LOMBAR – VDRL POSITIVO: tratar neurossífilis - PUNÇÃO LOMBAR – VDRL NEGATIVO: avaliar celularidade ** Celularidade > 5: tratar neurossífilis ** Celularidade 4,5: tratar neurossífilis ***Proteínas 5: tratar neurossífilis ** Celularidade 200 ou CV > 50 ou uso irregular de TARV: está indicado o tratamento para neurossífilis (o aumento da celularidade deve ser por neurossífilis). De qualquer forma... GUARDE DA SEGUINTE MANEIRA (questão USP 2024): - LCR + Celularidade > 5: TRATAR NEUROSSÍFILIS - LCR + Celularidade 4,5: TRATAR NEUROSSÍFILIS Tratamento: - PENICILINA G CRISTALINA ou CEFTRIAXONA, ambos por 14 DIAS. - Alergia à penicilina? Proceder com DESSENSIBILIZAÇÃO. - Cura: punção de LCR em 6 meses, com observação da melhora dos parâmetros de glicose, proteínas e celularidade. Herpes Agente: - HERPES SIMPLEX TIPO 2 (GENITAIS) - HERPES SIMPLEX TIPO 1 (ORAIS) Clínica/Diagnóstico: - VESÍCULAS (!) E ÚLCERAS DOLOROSAS E LIMPAS; ADENOPATIA DOLOROSA QUE NÃO FISTULIZA. - Geralmente lesões em MÚLTIPLOS ESTÁGIOS EVOLUTIVOS! - Se PRIMOINFECÇÃO: MIALGIA, ARTRALGIA, SINAIS SISTÊMICOS... Podem estar associados! Métodos Diagnósticos Possíveis: - Citologia: citodiagnóstico de TZANCK (multinucleação e balonização celular) - Papanicolau: inclusões virais - Sorologia: elevação dos títulos em 4 semanas - Imunofluorescência direta: anticorpos monoclonais Tratamento: PRIMOINFECÇÃO/RECORRÊNCIA: - ACICLOVIR 200MG 2CP 3X/DIA POR 7-10 DIAS + SINTOMÁTICOS - Se recorrência: 5 dias SUPRESSÃO (se > 6 episódios/ano): - ACICLOVIR 200MG 2CP 2X/DIA POR 6 MESES E NA GESTANTE? - IGUAL, mas avaliar aciclovir em tratamento supressivo a partir de IG > 36 semanas para reduzir o risco de lesão ativa próximo do parto LESÃO HERPÉTICA ATIVA CONTRAINDICA O PARTO NORMAL (indicação absoluta de cesariana). É questão clássica de prova! Cancro Mole ou Cancroide Agente: - HAEMOPHILUS DUCREYI Clínica/Diagnóstico: - MÚLTIPLAS ÚLCERAS DOLOROSAS, COM FUNDO SUJO; ADENOPATIA QUE FISTULIZA PARA UM ÚNICO ORIFÍCIO. Métodos Diagnósticos Possíveis: - Bacterioscopia (GRAM ou GIEMSA): cocobacilos gram-negativos em paliçada ou impressão digital ou disposição “em cardume de peixe” ou em cadeias isoladas. Tratamento: - AZITROMICINA 500mg 2CP VO DU OU CEFTRIAXONE 250MG IM DU - CONVOCAR, TRATAR PARCEIRO E RASTREAR OUTRAS DST! Linfogranuloma Venéreo Agente: - CHLAMYDIA TRACHOMATIS sorotipos L1, L2 E L3 Atenção: uretrite, cervicite e DIP = sorotipos D a K Clínica/Diagnóstico: - PÁPULA/ÚLCERA INDOLOR, ADENOPATIA DOLOROSA QUE FISTULIZA (MÚLTIPLOS ORIFÍCIOS/“BICO DE REGADOR”). Também pode cursar com PROCTITE/PROCTOCOLITE. Métodos Diagnósticos Possíveis: - Bacterioscopia (GRAM): inclusões intracelulares - Teste de Frei - Fixação de Complemento: reação cruzada com outras infecções por clamídia. Se altos títulos (> 1:64) ou elevação em 4x em 2 semanas = doença atual - Imunofluorescência: IgG > 1:64 ou IgM > 6 - Cultura: células McCoy ou HeLa Tratamento: - DOXICICLINA 100MG VO 12/12H 21 DIAS - 2ª opção: AZITROMICINA 500MG 2CP 1X/SEMANA 21 DIAS - TRATAR PARCEIRO SINTOMÁTICO COM O MESMO ESQUEMA! - Parceiro assintomático: AZITRO 500MG 2CP VO DU OU DOXICILINA 100MG VO 12/12H 7 DIAS E na gestação? - AZITROMICINA 500mg 2cp VO 1x/semana por 21 DIAS Imagem: Carlos Alberto Medeiros Neto e colaboradores Imagem: drakeillafreitas.com.br 111111 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Mnemônico para Clamídia C cervicite L linfogranuloma A adenite M múltiplas fistulizações I imunofluorescência Di doxiciclina A azitromicina Donovanose Agente: - KLEBSIELLA (CALYMMATOBACTERIUM) GRANULOMATIS Clínica/Diagnóstico: - ÚLCERA PROFUNDA, INDOLOR E CRÔNICA (geralmente > 4 semanas); BIÓPSIA COM CORPÚSCULOS DE DONOVAN. - “QUADRO ARRASTADO QUE PARECE CÂNCER” - LESÕES EM ESPELHO Métodos Diagnósticos Possíveis: - Esfregaço com coloração de Wright, Giemsa ou Leishman ou Histopatológico: corpúsculos de Donovan (corpos intracelulares com largas células mononucleares) Tratamento: - AZITROMICINA 500mg 2P VO 1X/SEMAMA 21 DIAS OU ATÉ CICATRIZAÇÃO - Segunda opção: DOXICICLINA 100MG VO 12/12H 21 DIAS OU ATÉ CICATRIZAÇÃO RESUMO PARA A PROVA... Sífilis → sem dor → sem fistulização → some Cancro mole → com dor na úlcera → com fistulização no linfonodo Linfogranuloma → linfonodo fistuliza (bico de regador)Herpes → úlcera dói, mas é limpa; tem vesícula Donovanose → úlcera crônica e indolor ABORDAGEM SINDRÔMICA PELO MS Em casos de escassez de métodos diagnósticos, podemos seguir o seguinte algoritmo de acordo com o MS: ÚLCERA > 4 SEMANAS? NÃO SIM VESÍCULAS? Tratar: - Linfogranuloma - Sífilis - Donovanose - Cancroide SIM! Tratar: - Herpes NÃO! Tratar: - Sífilis - Cancroide 6. VIOLÊNCIA SEXUAL CONDUTAS BUROCRÁTICAS - ACOLHIMENTO à vítima. NÃO EXIGIR BO OU PERÍCIA PARA ATENDER. - PACIENTE: tem o direito a lavrar um BO e de se submeter ao exame de corpo de delito - PROFISSIONAL DE SAÚDE: comunicar à autoridade policial em caso de indícios ou confirmação do crime de estupro (Portaria 2.561 de Setembro/2020 → REVOGADA). Atualmente, NÃO HÁ OBRIGAÇÃO DE COMUNICAR A AUTORIDADE POLICIAL! - NOTIFICAÇÃO compulsória IMEDIATA ao SINAN ( 15 anos (somente particular): 3 DOSES (0-2-6 meses) - Se PHIV/neoplasia/transplante/imunossuprimidos* 9-45 anos: 3 DOSES (0-2-6 meses) - Usuários de PREP 15-45 anos: 3 DOSES (0-2-6 meses) - Vítimas de violência sexual: 2 DOSES (até 14 anos) ou 3 DOSES (15-45 anos) - Papilomatose respiratória recorrente: 3 DOSES (*) Se imunossuprimido: requer prescrição médica (*) Transplante de órgãos sólidos, transplantes MO, oncológicos, PVHIV NONAVALENTE HPV: 6/11/16/18 + 31/33/45/52/58 → disponível somente na rede PARTICULAR! Meninos e Meninas 9-14 anos: 2 doses Meninos e Meninas > 15 anos: 3 doses Após os 45 anos: somente com prescrição médica Diagnóstico: CLÍNICO: lesões típicas (CONDILOMA ACUMINADO, lesões “EXOFÍTICAS”, semelhantes a “crista de galo”) BIÓPSIA. Quando? - Dúvida - Lesões atípicas - Sem resposta ao tratamento - Lesões suspeitas em paciente com imunodeficiência (PVHIV, CA, uso de imunossupressores...) - Suspeita de CA Como proceder em gestantes? PRÉ-NATAL Objetivo: - Remoção das lesões Opções: - ÁCIDO TRICLOACÉTICO (ATA) concentração 80-90% para pele ou 30-50% para mucosa - EXÉRESE CIRÚRGICA COM ELETROCAUTÉRIO OU TANGENCIAL (SHAVING): grande número de lesões e/ou extensa área acometida Contraindicados pela TERATOGENICIDADE: PODOFILINA, 5-FLURACIL e IMIQUIMODE PARTO - Via OBSTÉTRICA. Cesariana: em casos de OBSTRUÇÃO DO CANAL DE PARTO. A conduta em não gestantes veremos com mais detalhes no resumo de CA de colo uterino! 13 SÍNDROMES DE TRANSMISSÃO SEXUAL Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) FIXAÇÃO DO CONTEÚDO VULVOVAGINITES pHFistuliza em bico de regador Linfogranuloma venéreo Úlceras dolorosas com fistulização em orifício único Cancro mole Úlcera crônica, indolor, em espelho, sem fistulização, diagnóstico por biópsia Donovanose VIOLÊNCIA SEXUAL Primeira escolha nas ISTs não virais ABC + M Tempo ideal para profilaxia antiretroviral do HIV Primeiras 24h: ideal Até 72h: máximo Primeira escolha na profilaxia antiretroviral do HIV TDF + 3TC + DTG Tempo ideal para imunoprofilaxia contra a hepatite B em não imunizadas ou que desconhecem o status vacinal Vacina 0, 1, 6 Imunoglobulina 48h (ideal) até 14 dias (máximo) Método de escolha e tempo ideal para anticoncepção de emergência Levonorgestrel Ideal: até 72h Máximo: 5 dias Imagem: Adobe Stock 141414 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 1. AFECÇÕES BENIGNAS DAS MAMAS ✓ Mastalgia ✓ Adensamento e cisto ✓ Derrame Papilar ✓ Nódulo mamário ✓ Processos inflamatórios Derrame Papilar Saída de secreção pela papila CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICA PATOLÓGICA Descarga Provocada Espontânea Ductos Multiductal Uniductal Lateralidade Bilateral Unilateral Cor Multicolorida Aquosa/Sanguínea Frequência/Intensidade Esporádica Profusa/Persistente GALACTORREIA - Láctea, bilateral PSEUDODERRAMES - Papilas invertidas, erosões traumáticas, lesões eczematoides AFBM - Seroesverdeado (verde/amarelo/marrom) ECTASIA DUCTAL - Amarelo-esverdeado - Espesso PAPILOMA INTRADUCTAL - Sanguinolento (50%) - Serossanguinolento (50%) CARCINOMA - Água de rocha ou sanguinolento GRAVIDEZ - Sanguinolento/Láctea MASTITE - Purulento ATENÇÃO! Principal causa de derrame papilar sanguíneo/serossanguíneo: PAPILOMA INTRADUCTAL. Segunda principal causa: CARCINOMA Diagnóstico: ANAMNESE Uso de fármacos? (ex: plasil, ranitidina, neurolépticos, ACO, etc) Risco para CA de mama? EXAME FÍSICO É realmente um derrame? É espontâneo ou provocado? Qual a coloração? Pesquisar características Identificar o ponto de gatilho Há nódulo palpável? CITOPATOLOGIA Se negativa, NÃO EXCLUI CÂNCER MAMOGRAFIA Excluir nódulos e microcalcificações USG DAS MAMAS Complementar à MMG Indicada em jovens ( vertical ▪ REFORÇO acústico posterior ▪ Cápsula ecogênica ▪ Sombra lateral Mastite Puerperal Fibroadenoma Afec. Funcionais Benignas das Mamas (AFBM) Imagem: drpixel.fcm.unicamp.br 151515 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Tratamento: MASTALGIA CÍCLICA - ORIENTAR/TRANQUILIZAR: excluir câncer, medicar o mínimo, sustentação adequada ADENSAMENTO - ACOMPANHAR: excluir câncer (exame de imagem, normalmente USG), não requer tratamento CISTOS - EXPECTANTE! - PAAF TERAPÊUTICA: se dor associada, macrocistos - CIRURGIA: se > 2 recidivas, PAAF com saída de material sanguinolento, massa residual após PAAF, nódulo sólido Nódulos Mamários Definição/Classificação: - Lesões identificadas em 3 dimensões: C x L x P CARACTERÍSTICAS BENIGNIDADE MALIGNIDADE MOBILIDADE Móveis Aderidos CONSISTÊNCIA Firme e elástica Endurecida/pétrea CONTORNO/MARGENS Regulares Definidas Irregulares Indefinidas DERRAME PAPILAR - Sanguinolento ou água de rocha OUTROS - Retração da pele e/ou papilar Invasão de pele ou da parede torácica Diagnóstico: ANAMNESE Identificar fatores de risco EXAME FÍSICO É realmente um nódulo? Móvel ou aderido? Regular ou irregular? Fibroelástico ou pétreo? PAAF (pode ser diagnóstica ou terapêutica) Se DP + líquido amarelo-esverdeado e sem lesão residual → fazer USG/MMG de acordo com idade Se > 2 recidivas, derrame papilar sanguinolento, massa residual ou nódulo sólido → USG/MMG de acordo com idade + BIÓPSIA USG MAMAS DIFERENCIA nódulo sólido x cístico Útil nos casos de MMG INCONCLUSIVA (BIRADS 0) Avaliação em JOVEM e GESTANTE NÓDULO SUSPEITO ▪ Misto, heterogêneo, mal delimitado ▪ Ecos irregulares ▪ Contornos irregulares ▪ Vertical > lateral ▪ SOMBRA acústica posterior RESSONÂNCIA Indicações: complementar a investigação em pacientes com prótese mamária, múltiplas cirurgias prévias, BIRADS 0, jovens com alto risco de câncer... Possui alta sensibilidade! Desvantagens: não mostra lesõesCore biopsy é mais fácil de se realizar e mais disponível. A mamotomia é mais cara, menos disponível, tem risco de complicação de pneumotórax, mas tem a vantagem de obter um fragmento maior da lesão. CIRÚRGICA (padrão-ouro) Se ausência de Core Biopsy/Mamotomia ou biópsia ambulatorial negativa com alta suspeita de câncer... INCISIONAL: - Retira PARTE do tumor - Útil para lesões MAIORES EXCISIONAL: - Retira TODO o tumor - Útil para lesões MENORES - Também é o método de escolha para CISTO SUSPEITO E como funciona a biópsia de lesões não palpáveis na ausência de mamotomia? - Utiliza-se o FIO DE KOPANS para MARCAÇÃO PRÉ-CIRÚRGICA POR ESTEROTAXIA. Pode ser útil nos casos de microcalcificações em que a mamotomia não está disponível. RECAPITULANDO A CONDUTA NOS NÓDULOS MAMÁRIOS PRIMEIRO: EXAME CLÍNICO Sugere benignidade: móvel, regular, fibroelástico, sem retração Sugere malignidade: aderido, irregular, duro, com retração de pele Atenção: metade dos CA de mama são encontrados no QUADRANTE SUPERIOR EXTERNO (onde tem mais glândula). SEGUNDO: PAAF (diz se é sólido ou cístico) OU EXAME DE IMAGEM (direto, sem PAAF, para evitar “agulhada”, também é conduta possível) Se líquido amarelo-esverdeado: não deve ser CA (pode descartar, não precisa análise citológica) = MMG OU USG DE ACORDO COM A IDADE (se > 40 anos, optar por MMG). Se líquido sanguinolento, > 2 recidivas (mesmo se 2x multicolor), massa residual ou nódulo sólido: BIÓPSIA (antes da biópsia, tem que fazer exame de imagem) Nódulos Mamários Benignos FIBROADENOMA - ASSINTOMÁTICO (maioria) - FIBROELÁSTICO, BEM DELIMITADO, NÃO ADERIDO A PLANO PROFUNDO - JOVENS: 20-35 ANOS - EXÉRESE SE: > 35 anos, aumento de tamanho - Histopatológico: ESTROMA HIPOCELULAR TUMOR FILOIDES - Pacientes 30-50 anos - CRESCIMENTO RÁPIDO - RECORRÊNCIA LOCAL - Parece fibroadenoma que cresce rápido: tem que fazer biópsia para confirmar que é tumor filoides! - Conduta: RESSECÇÃO COM MARGEM CIRÚRGICA - Histopatológico: ESTREOMA HIPERCELULAR ESTEATONECROSE - Nódulo APÓS TRAUMA (trauma recente e em mulher jovem!). Desaparece sozinho - Mais comum em MAMAS VOLUMOSAS PAPILOMA INTRADUCTAL - Paciente 30-50 anos - Derrame papilar sanguinolento (50%) ou serossanguinolento (50%) - Nódulo ÚNICO - Incisão justa ou peri-areolar - Conduta: EXÉRESE DO DUCTO ACOMETIDO Imagem: American Câncer Society Imagem: UNIFESP Imagem: FEBRASGO Imagens: Dr. Renato | Ultrassom Lifeson 171717 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Mastalgia Tipos: CÍCLICA - VARIA COM O CICLO → fase lútea tardia - Bilateral → principalmente em quadrante superior lateral ACÍCLICA - SEM ASSOCIAÇÃO COM O CICLO EXTRA-MAMÁRIA - PAREDE TORÁCICA/OUTROS SÍTIOS (angina pectoris, zooster...) CARACTERÍSTICAS DOR CÍCLICA DOR ACÍCLICA INÍCIO 3ª década 4ª década VARIAÇÃO C/CICLO Sim Não LOCALIZAÇÃO Bilateral Difusa Unilateral Localizada Pode ser bilateral (ex: atletas) TIP Peso Hipersensibilidade Queimação Pontada EXAME FÍSICO Inespecífico Pobre Pode apresentar alterações Causas: CÍCLICA AFBM ACÍCLICA ECTASIA DUCTAL MASTITE ADENOSE ESCLEROSANTE EXTRAMAMÁRIA SÍNDROME DE TIETZE: inflamação da articulação costocondral DOENÇA DE MONDOR: tromboflebite de veias superficiais do tórax e da parte superior do abdome NEVRALGIA INTERCOSTAL CONTRATURA MUSCULAR Diagnóstico: - ANAMNESE + EXAME FÍSICO: avaliar a necessidade de exames complementares de acordo com os achados - RX DE TÓRAX: pode ser importante para excluir causas não-mamárias - MMG ou USG: podem ser importantes para excluir câncer Conduta: EXPECTANTE (!) - ORIENTAÇÃO: esclarecimento, sustentação mecânica da mama - AVALIAR TRATAMENTO SOMENTE SE: ▪ Sintomas > 6 meses ou ▪ Alterações das atividades diárias e/ou de qualidade de vida MEDICAMENTOSO - NÃO É CURATIVO! - TAMOXIFENO: mais eficaz (10mg/dia por 3-6 meses). Usar apenas em casos excepcionais para a mastalgia benigna! - DANAZOL: única droga liberada pelo FDA! Efeito colateral: hiperandrogenismo. - ANALGÉSICOS + AINE: se dor extramamária Mastite Puerperal Aguda 2ª a 5ª semana do puerpério Causas: - Pega incorreta, fissura mamária, estase láctea, má higiene Agente Etiológico: - S. AUREUS (principal pela maioria das referências) - S. EPIDERMIDIS Diagnóstico: - Clínico: SINAIS FLOGÍSTICOS + FEBRE Tratamento: - MANTER ALEITAMENTO - MELHORAR SUSTENTAÇÃO DA MAMA - ATB: CEFALEXINA Complicação: - ABSCESSO MAMÁRIO 181818 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 2. AFECÇÕES MALIGNAS DAS MAMAS Câncer de Mama Definição: - Proliferação maligna das células epiteliais que margeiam os ductos ou lóbulos mamários História Natural: - A MAIORIA obedece a seguinte sequência: ▪ Epitélio normal → Hiperplasia epitelial típica → Hiperplasia epitelial atípica → Carcinoma intraductal (ou ductal in situ) ou intralobular (ou lobular in situ) → Carcinoma invasor Segundo a maioria das fontes, a lesão PRECURSORA do câncer de mama é o carcinoma INTRADUCTAL/DUCTAL in situ. A lesão INTRALOBULAR/LOBULAR IN SITU, seria um MARCADOR DE RISCO. Entretanto, algumas fontes também consideram o intralobular como lesão precursora. Fatores de Risco: MUITO IMPORTANTE SABER EM ONCOLOGIA GINECOLÓGICA! SEXO FEMININO IDADE > 40 ANOS HISTÓRIA DE CA DE MAMA HISTÓRIA FAMILIAR POSITIVA EXPOSIÇÃO AOS ESTRÓGENOS ✓ Menarca precoce ✓ Menopausa tardia ✓ Nuliparidade ✓ Primiparidade idosa ✓ Dieta rica em gordura e obesidade ✓ Terapia hormonal/ACO (*polêmica na literatura) MUTAÇÕES BRCA1/2 LESÕES DE RISCO ✓ Hiperplasia ductal atípica ✓ Hiperplasia lobular atípica ✓ Carcinoma lobular in situ OBSERVAÇÃO Todos (exceto CA in situ, hiperplasia atípica e sexo feminino) também valem para CA de ovário! NÃO CONSTITUEM FATORES DE RISCO → PEGADINHAS DE PROVA! Ectasia ductal Hamartoma Fibroadenoma Adenoma não esclerosante AFBM/Cistos Metaplasia apócrina/escamosa Fibrose Mastite Tipos Histológicos: - Lesões precursoras: ductal e lobular in situ - Ductal infiltrante: tipo invasor + comum (prognóstico melhor). - Lobular infiltrante: bilateral e multicêntrico (prognóstico pior). - CA inflamatório: pior prognóstico, metastização precoce, localmente avançado (‘invade pele’ → ‘casca de laranja’). - Doença de Paget: unilateral, evolução lenta, destrói papila, ausência de prurido, não responde a CTC, evolução centrífuga. Diagnóstico com biópsia (glândula mamária + PELE). É importante diferenciar com eczema! Rastreamento: Antes de começar... POPULAÇÃO DE ALTO RISCO - Parente de 1º grau com história de CA de mama antes dos 50 anos - Parente de 1º grau com história de CA de ovário ou CA de mama bilateral - Parente masculino com história de CA de mama - Lesões atípicas ou CA lobular in situ - Mutações BRCA1 e BRCA2 - Radioterapia entre 10-30 anos de idade Ministério da Saúde - População de risco habitual: MMG BIENAL 50-69 ANOS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES - Desde 2015, o MS NÃO RECOMENDA O ENSINO DO AUTOEXAME DAS MAMAS e o PRÓPRIO EXAME CLÍNICO PELO MÉDICO como método de rastreamento. - População de alto risco: NÃO FOI ABORDADO pelo MS pelas Diretrizes de 2015. SBM/FEBRASGO - População de risco habitual: MMG ANUAL 40-74 ANOS** ** Se > 75 anos: pode prolongar o rastreamento, mas deve-se levar em consideração APENAS pacientes com expectativa de vida maior que 7 anos que podem ser submetidas a tratamentode câncer, considerando suas comorbidades. Para as pacientes com alto risco para câncer de mama, recomenda-se estratégia de rastreamento individualizada para cada uma em consulta com seu especialista. O benefício esperado deve sempre ser pesado contra os riscos envolvidos, lembrando que a mama jovem pode ser mais sensível ao efeito carcinogênico da radiação. Lembrar também que em mamas densas, mais comuns nessa faixa etária, não só a sensibilidade da mamografia está diminuída, como a dose de radiação dispensada pelo mamógrafo é maior. Panorama Geral Eczema Doença de Paget - Uni ou bilateral (geralmente bi) - Não destrói papila - Responde ao corticoide - Unilateral - Destrói papila - Ñ responde ao corticoide DOENÇA DE PAGET 191919 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) Tratamento: Tipos de Cirurgia Conservadora - Quando? IN SITU, idealmente com relação tumor/mama 20%, MULTICÊNTRICO OU CONTRAINDICAÇÃO A CG CONSERVADORA ▪ SIMPLES: sem esvaziamento axilar (só tira mama e pele) ▪ HALSTED: tira os 2 peitorais (“radical”) +/- esvaziamento axilar ▪ PATEY: tira o peitoral menor (“pai = tira o irmão caçula da briga”) +/- esvaziamento axilar ▪ MADDEN: deixa os 2 peitorais (“mãe = boazinha”) +/- esvaziamento axilar Se Tumor Infiltrante = AVALIAR AXILA! BIÓPSIA DE LINFONODO SENTINELA ▪ Primeiro linfonodo a drenar a região tumoral ▪ SE NEGATIVO: EVITA DISSECÇÃO AXILAR RADICAL ▪ NÃO PRECISA FAZER SE LINFONODO PALPÁVEL OU TUMOR LOCALMENTE AVANÇADO ATENÇÃO! SE LINFONODO SENTINELA POSITIVO, MAS SOMENTE COM 2 LINFONODOS, EXISTE UMA TENDÊNCIA A EVITAR O ESVAZIAMENTO CLÁSSICO. ESVAZIAMENTO AXILAR RADICAL - Complicação clássica: ESCÁPULA ALADA (lesão do NERVO TORÁCICO LONGO = INERVA O MÚSCULO SERRÁTIL ANTERIOR). - Outra complicação possível: ALTERAÇÕES SENSITIVAS NA FACE MEDIAL DO BRAÇO (lesão do NERVO INTERCOSTOBRAQUIAL) Pausa antes de prosseguir... TIPOS DE CÂNCER DE ACORDO COM A IMUNOHISTOQUÍMICA LUMINAL A LUMINAL B TRIPLO NEGATIVO HER-2 Receptor Estrogênio + + - Receptor Progesterona + + - Superexpressão HER-2 - - - + Ki67 14% Ter receptor hormonal é bom, pois favorece algumas modalidades terapêuticas! OBS: ATUALMENTE EXISTEM TESTES DE EXPRESSÃO GÊNICA (ONCOTYPE E MAMMAGENE) = avaliam PROGNÓSTICO para DECIDIR SOBRE QT! São caros e ainda não muito disponíveis! QT Adjuvante Quando? - TUMORES > 1CM - LINFONODO POSITIVO (> N1) - METÁSTASE HEMATOGÊNICA (M1) - SUPEREXPRESSÃO DO HER-2 - RECEPTOR HORMONAL NEGATIVO DETALHES! - Total de 6-8 ciclos - Iniciar em torno de 4-6 semanas após a cirurgia (ou em até 20 dias após, se receptor hormonal negativo) QT Neoadjuvante Quando? - FEITA ANTES DA CIRURGIA PARA REDUZIR O TUMOR (> 5-6CM) - TUMOR LOCALMENTE AVANÇADO - TUMOR COM PROGNÓSTICO RUIM (ex: receptor hormonal negativo) - SE FIZER, NÃO PRECISA QT ADJUVANTE DEPOIS. ATENÇÃO! NA NEOPLASIA DE MAMA, GERALMENTE NÃO SE FAZ QT NEOADJUVANTE + QT ADJUVANTE. OU É UMA, OU É OUTRA! RT Adjuvante Quando? - SE FIZER, FAZER APÓS A QT! - APÓS CIRURGIA CONSERVADORA - TUMORES > 4CM Hormonioterapia - SE FIZER, FAZER APÓS A QT! Se fizer antes, é deletério! - NÃO TER RECEPTOR HORMONAL = MAU PROGNÓSTICO! - SE RECEPTOR ESTROGÊNIO POSITIVO ✓ TAMOXIFENO NA PRÉ-MENOPAUSA (antagonista para mama, mas agonista para endométrio) OU ✓ INIBIDORES DE AROMATASE NA PÓS-MENOPAUSA ✓ POR 5 ANOS. Terapia Alvo Dirigida - TRASTUZUMABE SE SUPEREXPRESSÃO DE HER2 (relação com pior prognóstico e agressividade). - LAPATINIBE SE FALHA OU DOENÇA METASTÁTICA CA DE MAMA NA GESTAÇÃO - Considerada durante a gestação ou até 1 ano do parto. - Pesquisa de linfonodo sentinela pode ser feita, mas com TECNÉCIO. O QUE NÃO PODE É CORANTE! - Limitação para cirurgia conservadora, pois NÃO DEVEMOS EVITAR RADIOTERAPIA na gestação, principalmente no 1º trimestre! - PODE SER FEITA QUIMIOTERAPIA! Imagem: A.D.A.M 202020 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 3. CÂNCER DE OVÁRIO Fatores de Risco: HISTÓRIA FAMILIAR (↑3x) Menacme longa Idade (+/- 60 anos) Nuliparidade (↑30-60%) Mutação BRCA (síndrome CA mama-ovário hereditária) Indutores de ovulação Síndrome de Lynch II Tabagismo (subtipo mucinoso) Dieta rica em gordura Obesidade Fatores de Proteção: - AMAMENTAÇÃO: inibe a função ovariana - USO DE ANOVULATÓRIOS: quimioprevenção (reduz 50% do risco) - SALPINGO-OOFORECTOMIA PROFILÁTICA: considerar em casos de mutação BRCA - LAQUEADURA TUBÁRIA: ↓vascularização p/ o ovário (reduz 30% do isco) Rastreamento: - A MAIORIA DAS FONTES NÃO RECOMENDA PARA AS POPULAÇÕES DE BAIXO RISCO! Em síndromes genéticas, existem algumas recomendações! RASTREIO (não há consenso!) SÍNDROMES GENÉTICAS RISCO HABITUAL Semestral a Anual Dosar CA-125 USGTV - Anual Exame pélvico Dopplerfluxometria Exame pélvico USGTV Diagnóstico: CLÍNICA E USG = SUSPEITA! CARACTERÍSTICAS BENIGNO MALIGNO IDADE Menacme Pré e pós-menacme ASCITE Não Sim MOBILIDADE Móvel Fixo CONSISTÊNCIA Cístico Endurecido/Sólido SEPTOS Ausentes ou finos Espessos: > 3mm PAPILAS Ausentes Presentes: > 4 ACOMETIMENTO Unilateral Bilateral FUNDO DE SACO Liso Nodular DOPPLER – IR (índice de resistência) Alto 8-10cm A antes/após menacme (criança e mulher após menopausa) FIQUE DE OLHO NOS EXTREMOS! Se essa lesão apareceu em uma pré-púbere, a chance de ser maligna é de 50%. Tumor de ovário em criança: metade é câncer! Se mulher no menacme, geralmente é folículo, corpo lúteo que não involuiu... A conduta é expectante! Essa é a questão que mais cai de tumor de ovário. E a mulher menopausada? Volte a pensar em malignidade. E o CA 125? PRINCIPAL MARCADOR! PONTOS NEGATIVOS: ▪ PODE ESTAR NORMAL NAS FASES INICIAIS DO CÂNCER (por isso não serve como rastreio) ▪ É INESPECÍFICO (também aumenta em DIP, mioma, gravidez, adenomiose, etc) PONTOS POSITIVOS: ▪ COMPLEMENTA a avaliação tumoral ▪ Útil para o ACOMPANHAMENTO PÓS-TRATAMENTO Panorama Geral dos Marcadores: CA-125 Epitélio celômico Tumores epiteliais VRCORPO LÚTEO HEMORRÁGICO - É o 2º cisto funcional mais comum (o 1º é o folicular) - Pode haver DOR ABDOMINAL, MASSA ANEXIAL, ATRASO MENSTRUAL (diagnóstico diferencial com gravidez ectópica) - USG evidencia SANGUE DENTRO DO FOLÍCULO (aspecto HETEROGÊNEO/RETICULAR) - Doppler evidencia ANEL DE FOGO - A maioria REGRIDE ESPONTANEAMENTE → a conduta é analgesia e observar - Se hemorragia intensa e instabilidade hemodinâmica: cirurgia SÍNDROME DE MEIGS TU DE OVÁRIO BENIGNO (geralmente fibroma) + ASCITE + DERRAME PLEURAL A cirurgia nos tumores benignos é CONSERVADORA (ex: OOFOROPLASTIA) Imagens: Research Gate | drdanielpaulino.com.br CORPO LÚTEO HEMORRÁGICO + ANEL DE FOGO TERATOMA 212121 NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS I – MAMA E OVÁRIO Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) UMA COMPLICAÇÃO DOS CISTOS FUNCIONAIS É A TORÇÃO OVARIANA - Pode ocorrer com FOLÍCULOS DE GRANDES DIMENSÕES (> 8CM), que acabam gerando maior risco de torção, ruptura e hemorragia. - É causa de ABDOME AGUDO EM MULHERES (dor pélvica aguda, relacionada a posição, esforço e relação sexual + massa anexial palpável dolorosa ao toque vaginal + leucocitose). - A conduta é LAPAROSCOPIA (“tempo é parênquima ovariano”) - Se menacme = TENTAR PRESERVAR OVÁRIO - Se necrose intensa = OOFORECTOMIA 3.2. TUMORES MALIGNOS DOS OVÁRIOS EPITELIAIS - ADENOCARCINOMA SEROSO: mais comum - ADENOCARCINOMA MUCINOSO: pseudomixoma peritoneal - CÉLULAS CLARAS: pior prognóstico Pseudomixoma = adenocarcinoma mucinoso ou tumor de apêndice. GERMINATIVO - DISGERMINOMA: germinativo maligno + comum - TERATOMA IMATURO: pseudopuberdade precoce CORDÃO SEXUAL - ANDROBLASTOMA: secreta androgênio (questão USP 2016) TUMOR DE KRUKENBERG - METÁSTASE ADVINDA DO TGI: células em anel de sinete Não existe células em anel de sinete no ovário! Se encontrar, só pode ser metástase... Estadiamento/Tratamento dos Tumores de Ovários Estadiamento: ▪ IA: Apenas em um ovário ▪ IB: Bilateral ▪ IC: Cápsula rota ou Citologia positiva ▪ II: pelve ▪ III: abdome ▪ IV: metástase for a do abdome Já adiantando... Em casos de tumores bem diferenciados (IA/IB/G1/G2) e idade fértil, podemos avaliar salpingooforectomia unilateral, preservando outro o outro ovário para reprodução! Disseminação: - TRANSCELÔMICA (principal) e LINFÁTICA Disseminação em ginecologia é principalmente LINFÁTICA, exceto o ovário, que tem disseminação principalmente transcelômica! Tratamento: CISTO FUNCIONAL - A MAIORIA REGRIDE, COM OU SEM ANTICONCEPCIONAL. O ACO previne a formação de novos cistos funcionais, mas não promove a regressão do já existente. - Se persistir após 6-8 semanas, podemos optar por manter observação ou por fazer LAPAROSCOPIA + BIÓPSIA DE CONGELAÇÃO DA PEÇA EM SALA CIRÚRGICA. PROVAVELMENTE BENIGNA (TERATOMA/ADENOMA...) - Parte direto para LAPAROSCOPIA + BIÓPSIA DE CONGELAÇÃO. SE “SUSPEITA”/MALIGNO: ▪ LAPAROSCOPIA + BIÓPSIA DE CONGELAÇÃO + REFERENCIAR PARA ONCOGINECO E depois da biópsia de congelação? - SE NEGATIVA PARA MALIGNIDADE: TRATAMENTO LAPAROSCÓPICO (CISTECTOMIA, OOFOROPLASTIA) - SE POSITIVA PARA MALIGNIDADE: LAPAROTOMIA/LAPAROSCOPIA + completar estadiamento com BIÓPSIAS PERITONEAIS + HISTERECTOMIA TOTAL + SALPINGO-OOFORECTOMIA BILATERAL + OMENTECTOMIA INFRACÓLICA + RESSECAR IMPLANTES E LINFONODOS PÉLVICOS E PARA- AÓRTICOS Se jovem com tumor epitelial IA/ ou germinativos malignos estádio I (bem diferenciado) + desejo de gestação: avaliar salpingo-ooforectomia UNILATERAL para preservar função reprodutiva! E os tumores BODERLINE? - COM pretensão reprodutiva: CONSERVADOR (salpingooforectomia unilateral ou cistectomia em ovário único ou tumor bilateral) - SEM pretensão reprodutiva: RADICAL (histerectomia total e salpingooforectomia bilateral) - Fazer em AMBAS AS SITUAÇÕES: ▪ Lavado peritoneal ▪ Omentectomia ▪ Múltiplas biópsias ▪ Apendicectomia: a depender da histologia do tumor QT ADJUVANTE Quando? > IC ou tumor indiferenciado (G3) É para quase todo mundo... Geralmente descobrimos em fase mais tardia, visto que não há rastreamento para a população geral! Você só não faria para IA e IB; e G2 (moderadamente diferenciado) e G1 (bem diferenciado). Difícil acontecer! Organizando o tratamento... (1) CIRURGIA MINIMAMENTE INVASIVA (VLSC/ROBÓTICA) OU LAPAROTOMIA EXPLORADORA (2) CITOLOGIA PERITONEAL (de lavado ou líquido ascítico) (3) AVALIAÇÃO DA PELVE - Se radical: histerectomia total e salpingooforectomia bilateral - Se conservador: salpingooforectomia unilateral (4) AVALIAÇÃO DO ABDOME - Biópsias peritoneais e exérese de implantes - Omentectomia infracólica (5) AVALIAÇÃO DE LINFONODOS PÉLVICOS E PARA-AÓRTICOS - Linfadenectomia pélvica: rotina - Linfadenectomia paraórtica: somente se biópsia de congelação de linfonodos pélvicos for positiva. Alguns serviços, entretanto, também recomendam de rotina. Polêmico na literatura. (6) QT ADJUVANTE: - Se > IC ou tumor indiferenciado (G3) LEMBRE! Se jovem com tumor epitelial IA/ ou germinativos malignos estádio I (bem diferenciado) + desejo de gestação: avaliar salpingo-ooforectomia UNILATERAL para preservar função reprodutiva! institutobuenorj.com.br 222222 Resumos – Abordagem Sindrômica (2025) NEOPLASIAS GINECOLÓGICAS II – ENDOMÉTRIO, COLO E VULVA Resumos - Abordagem Sindrômica (2025) 1. HIPERPLASIA E CÂNCER DE ENDOMÉTRIO Fatores de Risco: - Obesidade (principal), idade > 60 anos, nuliparidade, raça branca, anovulação crônica, menacme longo (menarca precoce e menopausa tardia), DM, hiperplasia atípica, HAS (polêmica na literatura) Fatores de Proteção: - Multiparidade, tabagismo (cuidado) (!), ACO, qualquer AC com progesterona, DIU de progesterona “PROGESTERONA = PROTEÇÃO” PAUSA! Perceba que O TABAGISMO É FATOR PROTETOR EM VÁRIAS DOENÇAS HIPERESTROGÊNICAS: câncer de endométrio, miomatose uterina, endometriose... Para iniciar... Sangramento uterino anormal + mulher menopausada = pensar em? ▪ Atrofia (30%) ▪ Terapia hormonal (30%) ▪ CA de endométrio (15%) ▪ Hiperplasia de endométrio (5%) Suspeita Ultrassonográfica: - Menopausa + Endométrio: ▪ > 4-5mm sem TH ▪ > 8mm com TH Suspeita Colpocitológica: - CÉLULA ENDOMETRIAL APÓS MENOPAUSA Diagnóstico: - Se clínica (SUA persistente), fatores de risco (história familiar, etc) e/ou USG suspeitos (espessura > 4-5mm): realizar INVESTIGAÇÃO ENDOMETRIAL com BIÓPSIA PARA ESTUDO HISTOPATOLÓGICO. Como? ▪ Cureta de Novak ▪ Curetagem uterina ▪ Histeroscopia com biópsia dirigida (sob visualização direta) = padrão ouro Quais os possíveis achados? 1. PÓLIPOS Tipos: - Cervical (10%): ou não causa nada, ou causa SINUSIORRAGIA - Endometrial: maioria ASSINTOMÁTICOS Diagnóstico: - Suspeita: USG - Confirmação: histeroscopia Conduta: - Polipectomia por histeroscopia 2. LESÕES PRECURSORAS/CÂNCER - Hiperplasias (precedem 80% dos CA de endométrio) - Hiperplasia é laudo histopatológico! - Tipos de hiperplasia (OMS): SIMPLES SEM ATIPIA (1% vira câncer); COMPLEXA SEM ATIPIA (3%); simples com atipia (8%); COMPLEXA COM ATIPIA (29%). Pelo International Endometrial Group... “Dividiram apenas como “com ou sem atipia” 1. BENIGNA OU SEM ATIPIA 2. NEOPLASIA INTRAEPITELIAL ENDOMETRIAL (NIE) OU ATÍPICA Tratamento das Hiperplasias BENIGNA OU SEM ATIPIA - Abordar fatores de risco, terapia medicamentosa e observar - Biópsia endometrial a cada 6 meses - Padrão: PROGESTERONA - Histerectomia: se falha no tratamento clínico ou progressão para atipia (exceção) NIE OU COM ATIPIA - Biópsia endometrial a cada 3 meses - Padrão: HISTERECTOMIA TOTAL + SOB* + COLETA DE LAVADO PERITONEAL (*) salpingooforectomia