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AULA 4 COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 Mais uma vez, reforçamos a necessidade premente de, antes de iniciar o planejamento propriamente dito, devem ser revistos pelos profissionais da agência todos os históricos, detalhes e processos inerentes ao cliente a ser trabalhado. No trabalho de conhecer os históricos, as pesquisas (marca, produto e serviço), as possibilidades e soluções, tem que ser acordada a revisão desses dados para inclusão no planejamento a ser realizado. Só quando o cenário parecer claro para todos é que podemos andar uma casa no tabuleiro e partir – finalmente – para o plano propriamente dito. Vamos conhecer agora a verdadeira razão da estratégia, aprender sobre a principal arma do atendimento e do planejamento (o briefing), e avaliar orçamentos, custos e conhecer os agentes externos ou terceirizados especializados, que são a chave para a entrega completa do planejamento estratégico de comunicação integrada de marketing. TEMA 1 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA CIM Antes de falarmos de planejamento estratégico da CIM, devemos pensar primeiro em um ambiente micro. Afinal, qual é o plano estratégico da empresa? Precisamos de um ponto de partida, e pensar a empresa (ou a marca) de dentro para fora é um bom início. As primeiras perguntas que devemos formular estão diretamente relacionadas com a nossa forma de comunicar: a. O que pensaremos no planejamento de CIM? Qual o nosso objetivo? Vender a marca (institucional) ou vender o portfólio (promoção de produtos e serviços). Ou ainda, promover ambos? Essa primeira pergunta é muito importante porque teremos três caminhos diferentes a percorrer dependendo da resposta do nosso cliente. O primeiro está relacionado com vender a marca, por meio da promoção ou da propaganda institucional; o segundo caminha passa por pensar ações diretamente relacionados com os produtos e serviços dessa empresa; e o terceiro e geralmente o mais utilizado (não que seja o mais certo) é promover a instituição e seus produtos e serviços concomitantemente. Por isso, não raramente vimos campanhas sem pé, nem cabeça sendo veiculadas Brasil afora. 3 Ora, se a nossa empresa ainda não goza de uma reputação consolidada de mercado ou segmento de atuação, a primeira coisa que devemos planejar é como apresentar (ou posicionar) essa marca no mercado. É um caminho natural: primeiro torno a empresa conhecida, para em seguida promover seus produtos. O inverso é possível? Sim, é claro, acontece, mas principalmente se a empresa possui um portfólio numeroso de produtos, submarcas e serviços, pois o mais necessário é consolidar a organização e sua reputação, para em seguida vender sua produção. Não existe uma ordem ou um formato básico de promoção: primeiro veicula a marca e depois o produto e serviço. A verdade é que o cliente normalmente quer aproveitar a sua verba da melhor forma possível e muitas vezes impõe que a propaganda deva conter “tudo ao mesmo tempo agora”, citação que ilustra bem a situação e o álbum da banda de rock nacional Titãs. O tudo ao mesmo tempo agora significa muitas vezes, a gosto do cliente, incluir em uma mesma peça gráfica, por exemplo, a marca, o histórico da empresa, promoções de preços, características de produtos e a oferta de serviços. Sim. Não raro, os clientes das agências contratam verdadeiras obras de arte e seus anúncios denotam verdadeiros proclames da década de 50, em que, em detrimento do bom layout e visual, os anúncios parecem grandes depositórios de informações completamente aleatórias e desconexas. Cabe ao profissional de atendimento (que tem maior contato com o cliente) convencer que essa prática tem que ser gradativa, que deve seguir regras mínimas de formatos e formas e que as coisas se dão por etapas. Primeiro, veicula-se a marca (se a empresa não for conhecida) ou se precisamos de reforço, posicionamento ou inserção dessa empresa no mercado, para depois pensar em levar o seu portfólio ao encontro dos seus públicos. Tentar forçar a veiculação de informações que podem jogar contra a marca infelizmente é prática repetida de muitos profissionais de comunicação, que, com o tempo, perdem mercado, deixando marcas e máculas impossíveis de remediação em todos os segmentos e todas as áreas. TEMA 2 – O BRIEF E O BRIEFING Apenas por uma questão semântica e corretiva, diferenciemos brief de briefing. No Dicionário Oxford (Temple, 2007, p. 279), brief está traduzido como algo breve, resumido – que envolve poucas palavras. Já briefing, no verbete do 4 mesmo dicionário, está traduzido como instruções e informações essenciais (Temple, 2007, p. 279). Podemos compreender então que brief é um grande resumo de todos os dados mais importantes de uma organização (ou de seus produtos e serviços) para subsidiar os diferentes profissionais de uma agência de comunicação integrada – por exemplo, para, com base nessas informações, desenvolver uma perfeita campanha de comunicação integrada. Como já é sabido, o atendimento é o profissional responsável pela conta (publicitária) do cliente e, por consequência, o indivíduo que, por meio de reuniões de briefing, irá coletar tais dados para posteriormente repassar e alimentar a criação, o planejamento, a pesquisa, a mídia, para que seja o ponto de partida (ou o norteador) do desenvolvimento da campanha dentro da agência. Já o briefing, por conceito, é a fase de seleção e organização do planejamento de comunicação integrada que envolve estratégia e táticas. Segundo a história da comunicação, o briefing teve origem na Segunda Guerra Mundial, quando os comandantes militares desenhavam as melhores estratégias e táticas e precisavam posteriormente ordenar (comandar) assertivamente os melhores ataques, instruindo os principais oficiais sobre quais as melhores estratégias para a guerra. Hoje, o briefing é utilizado em larga escala em corridas de carros e motos, em que o diretor de prova, momentos antes da corrida, instrui equipes e pilotos sobre as condições de pista, por exemplo. Grosseiramente traduzindo para a nossa língua tupiniquim, briefar resumidamente significa transmitir para os nossos pares (dentro da agência de comunicação) as informações mais importantes para os diferentes profissionais e departamentos sobre a marca e os produtos e serviços do cliente, para que possam servir de ponto de partida, de norte para a criação do planejamento e para as peças que serão usadas na promoção: situação atual de mercado e de segmento de atuação, dados sobre portfólio, players concorrentes, preços, características, políticas de distribuição e praças de vendas, para que juntos avaliem pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades para aquela campanha. A seguir, vamos conhecer algumas etapas da construção de um brief para formulação do briefing. Mas um apontamento importante: ainda que digamos que ambos são resumos, essa organização não deve ser simplificada, rasa, econômica em tópicos importantes e preponderantes para a formatação da campanha: 5 a. Avaliação do planejamento estratégico da organização: primeiro passo é avaliar o cenário que a organização se encontra, posicionamento, avaliação de reputação da marca, entre outros fatores que sejam importantes para a construção de um cenário. Precisamos, assim, saber quais são os reais intentos da empresa ao contratar uma agência para a promoção de sua marca e seus produtos e serviços; b. Criação de um histórico completo da empresa: dados como a criação da organização (quando, como e onde) e por que do seu surgimento. Dados como estrutura física e virtual, porte (quantidade de funcionários, número de fábricas – bem como sua localização –, de filiais, faturamento por segmento, faturamento global bruto e líquido). Nota importante: nem sempre as empresas (até por proteção de dadose informações estratégicas) fornecem informações que possam ferir a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) vigente na empresa; Assim, é tarefa do atendimento, pesquisa e planejamento (por meio de levantamentos reais e de estimativas de mercado), mensurar esses valores para subsidiar os demais departamentos com todas as informações mais importantes. Nesse trabalho, devem-se incluir informações gerais da concorrência também; c. Cenário atual: por meio de instrumentos como matriz Swot, BCG, entre outras, avaliar pontos fortes e pontos fracos, oportunidades e ameaças, missão, visão e valores, perspectivas próprias de futuro, posicionamento de mercado e o mais importante, quais os seus intentos relacionados com metas e objetivos futuras; d. Descrição do mercado ou segmento de atuação: a redação de um cenário do mercado (local e global), tamanho, segmentos (ou nichos possíveis), além de suas tendências e perspectivas; e. Consumidor e/ou cliente: descrição detalhada do perfil do seu cliente (que já consome a marca – produtos e serviços) e do consumidor (indivíduo que compra produtos e serviços) daquele segmento de mercado. Percebem aqui mais uma diferença semântica? Descrição ainda de informações de hábitos, cultura, perfil econômico, psicológico e demográficos desses clientes e consumidores. Comportamento, atitudes destes indivíduos: são usuários, compradores, decisores, influenciadores, iniciadores ou pessoas que experimentam uma única vez nossa marca? 6 f. Análise concorrencial: relato de todas as informações possíveis da concorrência e dos players do segmento (que podem ser complementadas com informações estratégicas levantadas pelo departamento de pesquisa, por exemplo). Quais são os diferenciais da marca em relação aos demais? Quais são as diferenças qualitativas e de performance? Quais são os investimentos (ainda que estimados) dos demais concorrentes em criação, promoção e veiculação? Share of market (participação de mercado) do ambiente e do segmento, share of mind (índice de lembrança da marca) e share of heart (marcas do coração, índice de relacionamento com a marca ou lovemarks) de cada concorrente direto, se houver e tivermos recursos de obtenção de tais índices; g. Pesquisas de marketing: anexar junto a esses documentos materiais disponibilizados pelo cliente ou pesquisas contratadas pela própria agência acerca da empresa (marca, produto ou serviço); h. Produtos e serviços: descrever o portfólio de produtos e serviços, bem como suas características, formatos, formas, preços, design, sua verdadeira razão (porque os consumidores optam pela nossa marca e não pela concorrência) atributos, benefícios etc.; i. Embalagem: descrever sua estética, a praticidade e as formas de apresentação e proteção dos produtos; j. Dados com relação a marca da empresa, para gerar um caráter de dimensionamento da conta a trabalhar. Agora devemos avaliar a fatia de mercado da organização usando os mesmos critérios de estudo dos concorrentes: a. share of market – participação (fatia) de mercado que a empresa possui; b. share of mind – como está a lembrança de marca da empresa; c. share of heart – índice de relacionamento da marca: nossos clientes defendem a nossa marca? k. Política de preços e de lucro: todas as informações possíveis sobre preços, precificação, preço base, custos, gastos, descontos prazos e formas de pagamento, políticas de crédito etc. l. Praça, pontos de vendas e distribuição: verificar quais as políticas vigentes de logística e distribuição para os produtos e/ou serviços que entrarão na campanha de promoção: quais os canais intermediários? Representantes, vendas diretas, telemarketing ativo, marketplaces, e-commerce da empresa, entre outros. Como funciona a parte de entrega? E o estoque? 7 Expedição, transporte e entregas são realizadas pela própria empresa ou é terceirizada? E o pós-vendas? É ativo? Como funcionam suporte técnico, assistência técnica e garantia? m. Quais os índices e métricas de desempenho de vendas? Os produtos que vendemos são sazonais? Vendem o ano inteiro? São de consumo regular mensal? É venda direta ou indireta? Quantos consumidores e/ou clientes têm contato com a nossa marca? E o quanto vende? Quais as ações mais recentes para aumentar as vendas? Aqui cabe uma pausa rápida: qualquer planejamento nada mais é do que a equação padrão + plano. Padrão é tudo aquilo que já realizamos e que deu certo (o que deu errado também é aprendizado) e plano que é tudo aquilo que pretendemos realizar. É pensar nas ações que trouxeram bons resultados e planificar ações que possam nos trazer ótimos frutos; n. Planos para o futuro: lançamento de novos produtos, conquistar novos consumidores e torná-los clientes regulares, aumentar a participação de mercado? E onde queremos chegar? Aumentar quantos % em relação aos objetivos anteriores? o. Budget (orçamento) e desempenho: qual orçamento a empresa pretende investir em promoção, marketing e comunicação? De onde virá a verba para as ações de marketing? (Vale lembrar que, além de ser um investimento, não existe uma regra mágica para o quanto deva ser aplicado em ações comunicacionais). Tudo dever ser avaliado, levando em conta orçamentos possíveis, balanços, lucro líquido, lucro bruto e, por fim, qual é o ponto de equilíbrio do portfólio para justificar a sua produção e por consequência, oferta; p. Comunicação: assim como na análise de desempenho de vendas, precisamos, junto ao departamento de marketing e comunicação, avaliar o que deu certo e o que deu errado até então em termos de promoção. Quais mídias trouxeram mais retorno? Quais investimentos em campanha promoveram melhor a nossa marca? E o que deu errado? Onde houve investimentos de força e verba, porém, por algum motivo (apontar a razão), as ações trouxeram um baixo resultado? O que fora realizado nos últimos vinte e quatro meses? q. Posicionamento de mercado: quais são as metas da empresa? Há alguma oportunidade se desenhando ou uma lacuna (um vácuo) de segmento a 8 ser ocupado? Que tipo de consumidor podemos transformar e tornar cliente da(s) nossa(s) marca(s)? r. Por fim, a definição de verba. Qual é o valor a ser investido a médio e longo prazo para promoção da marca (institucional) e/ou comunicação dos produtos e serviços dos portfólios da organização? Nota importante: todos esses itens são um esboço, um rough (rascunho) de um possível brief que deverá ser preenchido, formulado e revisado pelo atendimento em conjunto com o cliente, para se tornar o roteiro principal a ser seguido pelos profissionais da agência. Obviamente serão realizadas pesquisas junto aos canais do cliente (sites, marketplaces, visitas a lojas físicas, degustação e/ou experiência com os produtos que serão promovidos etc.). Mas aqui cabe um apontamento: esse esboço serve de base para a construção de um brief e podem ser seguidos a pari passu, conforme descrevemos item a item, ou ser ainda mais decupado ou resumido para aplicação junto aos responsáveis da organização. A priori, estas são as informações mais importantes para a boa formatação de um planejamento completo de comunicação integrada de marketing. É claro que profissionais que aplicam esse questionário há muito tempo têm claros todos os itens que devem ser perguntados e pesquisados, estruturando (até mentalmente) outros formatos de plano e coleta de dados. Há quem se conforme e consiga desenvolver um plano completo, por meio do uso da pirâmide invertida do jornalismo, usada para a estruturação de uma notícia ou fato que tenha acabado de acontecer, lançando mão das perguntas básicas: quem, quando, onde, quanto, como, por que etc. Assim, o que pretendíamos e entregamos aqui é um roteiro completo de brief e cabe a cada um de nós desenvolver aquele que melhor responda às nossas perspectivase necessidades de mercado. TEMA 3 – ORÇAMENTO E CUSTOS Como já ressaltamos em outra oportunidade, não existe um guia, uma dica mágica, uma receita pronta de bolo para direcionar quais os investimentos devem ser previstos e realizados para investimento em marketing e comunicação, porém podemos discutir o que não deve ser feito nesse caso: há agências de promoção, marketing e publicidade que prometem resultados e retornos diretamente 9 atrelados ao investimento – se você investir X, terá de resultado 2X de lucro. Muita calma nessa hora... Como prometer um resultado (seja ele exato ou não), com base em um mercado muitas vezes desconhecido, em que o cenário macroambiente (política, economia, concorrência) pode ser desfavorável aquela marca, produto ou serviço naquele momento? Para o bem do marketing e da comunicação, por favor, não prometa aquilo que certamente não poderemos entregar, visando apenas a liberação de uma verba empírica e baseada em achismos e falsas promessas porque o mercado reconhece e criminaliza ações dessa forma, infelizmente maculando as boas agências e profissionais que realmente trabalham debruçados em cima de fatos reais, viáveis e plausíveis. São essas orientações que realmente tornam os nossos negócios ainda mais importantes, realmente formatados com base em fatos e evidências, com cunho realmente profissionalizado. Como em todo mercado, há muitos charlatões em marketing e comunicação que maculam toda uma categoria de serviços profissionais, afastando as boas empresas e clientes das agências de marketing e comunicação que realmente prestam bons serviços e que entregam resultados satisfatórios para os dois lados. Faz parte do contrato de atendimento da conta e do cliente buscar os melhores fornecedores, meios e veículos para os clientes, os melhores orçamentos e mídia. É preciso um esforço e uma atenção dobrada em relação às práticas que envolvam dinheiro alheio, verba do cliente. Novamente, reafirmamos o caráter de parceria, de relacionamento entre a agência de comunicação integrada e sua base, sua carteira de clientes. TEMA 4 – PRODUÇÃO As agências que trabalham com comunicação integrada de marketing produzem boa parte daquilo que é veiculado com o apoio de terceiros. São fornecedores naturais e inerentes ao negócio da comunicação, como gráficas, editoras, estúdios e produtoras de som, de audiovisual, empresas de comunicação visual, estúdios fotográficos, empresas de webdesign, entre outras. São fornecedores especializados: Produtoras de filmes, jingles e spots comerciais; 10 Estúdios de artes e animação; Estúdios fotográficos; Empresas de promoção de vendas, merchandising e relacionamento; Empresas de eventos; Empresas de comunicação visual – banners, displays, totens, entre outros. Empresas especializadas no envio de malas-diretas. Online ou off-line. Empresas de telemarketing; Fornecedores de brindes; Empresas de webdesign que produzam materiais mais complexos relacionados a produtos digitais: sites, hot sites, landing pages, criação de banco de dados, envios automáticos etc.; Empresas de assessoria de imprensa; Agências de pesquisas; Gráficas e editoras. É uma parceria natural porque a agência, ainda que detenha todos os processos de planejamento, criação, redação, produção gráfica entre outros, não imprime (por exemplo) materiais gráficos e impressos. Assim, existe uma parceria com fornecedores (que se tornam parceiros especializados de negócios), que é importante para o bom andamento dos projetos e produtos criados na agência. Estabelecer boas parcerias, que respeitem prazos de produção e entrega, facilita sobremaneira o fluxo de trabalhos a cargo da agência. Nem sempre os nossos clientes seguem uma programação perfeita ou um planejamento prévio, deixando muitos jobs para em cima da hora, exigindo um esforço dobrado da agência e desta, uma relação muito saudável com os parceiros, garantindo a entrega dos materiais sempre em tempo hábil. Nossos clientes, como nós, são profissionais falíveis que – não raro – deixam tudo para a última hora, fazendo com que tenhamos que usar da bora relação para solicitar em prazo exíguo, o cumprimento das entregas. A Lei n. 4.680/1965 normatizou um parâmetro negocial entre a agência de publicidade e propaganda e anunciantes, fornecedores especializados e os diferentes veículos de comunicação. Essa Lei vigora até hoje, porém o que dita o mercado é algo chamado de bom senso. No caso da parceria da agência com fornecedores especializados, essa prática se dá a reboque do que acontece com os veículos de comunicação, uma 11 vez que a Lei é bem mais clara nesse sentido, privilegiando a relação entre agência e veículos. O art. 3º da Lei n. 4.680/1965 ampara a negociação entre agência e fornecedores: as atividades previstas no art. 1º deste Regulamento serão exercidas nas agências de propaganda, nos veículos de divulgação ou em qualquer empresa nas quais se produz a propaganda (Brasil, 1965). Dependendo do volume de mídia contratada, no caso de veículos de divulgação, a agência, por meio do mecanismo de BV (bônus de veiculação), recebe uma parcela variável do negociado (com teto até 20% de comissão) ou recebe sob a forma de descontos, espaços comerciais etc. Já no caso de fornecedores especializados, a comissão se dá pela contratação da gráfica (por exemplo) para o serviço. Essa negociação também é prevista em diferentes áreas que envolvam fornecedores da propaganda. Como se trata de uma relação de troca, a agência de comunicação entra, por exemplo, com a criação e com a contratação da impressão, e uma gráfica disponibiliza pessoal especializado, papel, tinta e máquinas impressoras, estabelecendo-se, assim, um vínculo comercial e, nesse caso, gerando uma remuneração entre essas partes. Até hoje, existem negociações que podem gerar variáveis de até 20% de comissão para o contratante sobre cada trabalho produzido. Porém, é preciso bom senso e uma negociação saudável entre a agência e o fornecedor. Há gráficas que aceitam pagar até 10% do valor total da produção. Cabe ao contratante definir se essa bonificação é justa ou não, autorizando ou cancelando a produção naquele fornecedor. Mais uma vez, essa negociação tem que ser acordada previamente entre as partes. Essa negociação (facultativa) pode estender-se aos demais fornecedores especializados, desde que, para tanto, exista, além de uma boa e saudável negociação, algo importante nesses casos, denominado bom senso das duas partes. TEMA 5 – VEICULAÇÃO COMERCIAL Como dito anteriormente, se para negociações que envolvam fornecedores especializados é necessária uma boa relação entre as partes, quando envolve meios eletrônicos e veículos, essa negociação é ainda mais importante e cuidadosa, exigindo uma boa prática da agência de publicidade e propaganda, por atualmente existirem diferentes órgãos que regulam essa atividade. 12 Para tanto, vamos conhecer o que diz a Lei n. 4.680/1965 e o Decreto n. 57.690/1966, que vigoram até hoje, muito embora, ao longo dos anos, tenham sofrido diferentes modificações, com novas redações e revogações recentes: Art. 1º São Publicitários aqueles que, em caráter regular e permanente, exerçam funções de natureza técnica da especialidade, nas Agências de Propaganda, nos veículos de divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se produza propaganda. Art. 2º Consideram-se Agenciadores de Propaganda os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda por conta de terceiros. Art. 3º A Agência de Propaganda é pessoa jurídica, especializada na arte e técnica publicitária, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promovera venda de produtos e serviços, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4º São veículos de divulgação, para os efeitos desta Lei, quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos de classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda bem como os sindicatos de publicitários. Art. 5º Compreende-se por propaganda qualquer forma remunerada de difusão de ideias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado. (Brasil, 1965) Faz parte ainda do capítulo IV da Lei n. 4.680/65: Das Comissões e Descontos devidos aos Agenciadores e às Agências de Propaganda Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos veículos de divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sobre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. (Brasil, 1965) Aqui fica claro que, para gozar dos benefícios da Lei, as agências, além de cumprir todas as obrigações inerentes a uma empresa regular e comercialmente estabelecida, devem ser afiliadas a associações da classe, bem como prestar contas em órgãos como o CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão), que regula as atividades das agências de publicidade e propaganda, as quais, por sua vez, se não forem coligadas a alguns desses órgãos, por exemplo, não poderão veicular comerciais ou propagandas de seus clientes, em vários veículos de divulgação, por serem afiliadas a esses reguladores. O CENP, por exemplo, é mantido pela ABAP – Associação Brasileira de Agências de Propaganda, ABERT – Associação Brasileira de Empresas de Rádio 13 e Televisão, ABOOH – Associação Brasileira de Out-of-Home, ABTA – Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, ANJ – Associação Nacional de Jornais, Central de Outdoor, Fenapro – Federação Nacional das Agências de Propaganda, entre outras. Além disso, tem convênio com as principais associações de classe e regionais como APP – Associação dos Profissionais de Propaganda, ABP – Associação Brasileira de Propaganda e os principais grupos de mídia e planejamento do Brasil. Como em todos os negócios comerciais, estabelecer as melhores práticas, filiar-se às principais associações da área e ser parceira dos melhores veículos de divulgação é papel das melhores agências de propaganda e publicidade do país. FINALIZANDO Está claro que a natural evolução do mercado de comunicação fez com que agências, parceiros, meios e veículos também modernizassem e atualizassem suas práticas, fazendo com que, nesse meio tempo, surgissem órgãos que passaram a acompanhar, aprimorar, reconhecer, ajustar e regular os interesses de anunciantes (nossos clientes), agências e veículos. Como toda boa empresa, trabalhar como agência de publicidade e propaganda ou agência de comunicação integrada nos obriga a ter como prática as melhores ações, além de escolher os melhores parceiros e fornecedores, para garantir o bom andamento dos trabalhos, consolidando uma relação comercial, mas de extrema confiança entre os agentes: cliente e agência. 14 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto n. 57.690, de 1 de fevereiro de 1966. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 10 fev. 1966. _____. Lei n. 4.680, de 18 de junho de 1965. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 21 jun. 1965. KOTLER, P. Marketing. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1980. KUNSCH, M. M. K. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus, 2003. (Novas Buscas em Comunicação, v. 17). TEMPLE, M. Dicionário Oxford Escolar. Oxford: Oxford University Press, 2007.