A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
52 pág.
Análise do papel do centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça no processo de reintegração social das raparigas de 18 anos de idade às famílias em 2020 a 2021

Pré-visualização | Página 5 de 12

das crianças.” 
Com esta citação percebemos que o objectivo desta pesquisa era de identificar o nível de 
conhecimento do fenómeno de criança da rua entre os educadores e responsáveis dos centros e, 
desta forma, fornecer dados auxiliares para apoiar os programas desenvolvidos para a 
reintegração da criança e adolescente nas famílias de origem. 
Os educadores e responsáveis dos centros de acolhimento abertos e fechados não têm 
conhecimento geral da situação da criança da rua, estão centrados na necessidade de satisfações 
básicas das crianças e na formação profissional e vocacional, tanto que, cabe ao psicólogo avaliar 
as necessidades psicoafectivas das crianças. 
Segundo Mauluquela (2009:7), ao estudar sobre “Razões e Objectivos de Afluência das Crianças 
da Rua aos Centros de Acolhimento” advoga que: 
" Pobreza ou a violência não são condições sine qua non de fuga para a rua. A perda de 
referências resultante de um acontecimento repentino como o falecimento de um ou ambos 
progenitores que, inter-relacionado com outros, pode constituir motivo para a saída de casa, por 
exemplo, o que queremos dizer é que, factores como a pobreza ou fome, ou violência familiar, a 
degradação de valores morais, a instabilidade familiar ou outros não são, isoladamente, 
suficientes para explicar o fenómeno de criança da rua." Tomando em consideração esta 
exposição, percebemos que o autor acima referido não comunga a ideia de que a pobreza seja o 
 
9 
 
factor crucial e que incita os demais factores para a permanência da criança na rua. Para este 
autor os demais factores como a fome, a violência familiar, a degradação dos valores morais, a 
instabilidade familiar entre outros, contribuem de forma isolada. E sustenta a ideia de que 
depende do meio em que a criança esta inserida e, do sentido que a criança e o meio lhe 
concedam, para que as causas se tornem num caso e se transforme em uma suspensão. 
Assim sendo, notamos que os autores acima referidos apresentam em comum o mesmo objecto 
de estudo, a criança. E compartilham o desejo de estudar sob a mesma perspectiva de 
intervenção social e ponto de vista macro estrutural. Com o objectivo de analisar o que leva a 
criança a abandonar a família e se refugiar na rua. Para além dos aspectos convergentes 
apresentam também, aspectos divergentes. Na medida em que o primeiro (Sales e Maússe, 2000) 
aponta para a pobreza como o factor primordial e fecundante dos demais factores contribuintes 
do fenómeno desastroso. Mas, para (Mauluquela, 2009), as causa acima referidas contribuem de 
forma isolada. Cabendo a criança e meio social em que está inserida a causa da suspensão dos 
fenómenos. 
 Por outro lado, [Arci-Cultura (ARCS) e conjunto com a Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) 
e o Ministério da Mulher Coordenação da Acção Social (MICAS) (1997)], aponta para a 
ignorância geral dos dirigentes e educadores dos centros abertos e fechados sobre a permanência 
da criança na rua, afirma que estes preocupam-se apenas com as necessidades básicas. E frisa 
que cabe ao psicólogo trabalhar as necessidades psicoafectivas das crianças e adolescentes e, 
auxiliar no processo de reintegração das mesmas nas famílias de origem. 
Do nosso ponto de vista, as definições e concepções dos diferentes actores por nos trazidos 
abordam sobre as crianças e adolescentes e mostram os mecanismos que fundem dentro dos 
processos que enfrentam na reintegração seio familiar. Como exemplo temos a relação da criança 
com os familiares; o nível de afecto dos educadores e os coordenadores dos centros de 
acolhimento fechados e abertos; o papel do psicólogo nas necessidades psicoafectivas da criança 
e do adolescente. 
 
10 
 
CAPÍTULO II: METODOLOGIA 
2.1.Descrição do local de estudo 
O Centro de Acolhimento Menino Jesus – Orfanato Manhiça que é um Centro fechado, que 
alberga crianças e adolescentes do sexo feminino, que deambulavam nas artérias da vila da 
Manhiça e as que vivem sob pressão constante provocada por situações sociais nas famílias. 
Entretanto, as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Maria Mãe de África comovidas pelas ideias 
de Jesus Cristo e, por um sentimento humanitário recolheram as primeiras crianças e, abrigaram 
na sua residência na Manhiça em 1992. 
Com o passar de tempo, a destruição da guerra civil, e o número elevado das famílias portadoras 
de doenças sexualmente transmissíveis, multiplicaram o número de crianças. Então, isso motivou 
a congregação religiosa. E com auxílio do Cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos, 
individualidades, e apoio de algumas Organizações construíramos lugar adequado para a 
integração e acolhimento das crianças. Desta forma nasceu “O Centro de Acolhimento Menino 
Jesus – Orfanato Manhiça” ocupando uma área de 1.800m2. albergando crianças, adolescentes e 
jovens dos 04 á 21 de idade do sexo feminino. E em 1999 atendeu os primeiros registos. 
Actualmente acolhe trinta e quatro (34) raparigas de vários pontos do país, também, da África do 
Sul, Malawi e da República Democrática do Congo. As maiorias órfãs afectadas por HIV/SIDA. 
O centro tem como objectivos: a educação da rapariga nos valores morais e culturais, 
combatendo a sua marginalização nos sectores sócias; educação técnico-profissional; luta pelo 
desenvolvimento Sustentável; educação em matérias de Saúde materno – infantil e combate ao 
HIV/SIDA/DTS entre outros aspectos. 
2.2.População do estudo 
Universo ou população: é o conjunto de seres animados ou inanimados que reperesentam pelo 
menos uma caracteristica em comum. O universo ou população depende do assunto a ser 
investigado.( Marcone e Lakatos, 2008). 
Assim sendo, a nossa população constituir-se-á por famílias das raparigas acolhidas pelo Centro, 
as próprias raparigas e as monitoras do centro de Acolhimento Menino Jesus – Orfanato Manhiça 
que é um cento fechado. Onde as raparigas recebem apoio educacional, moral, alimentar, 
 
11 
 
material, também praticam um leque de actividades de reabilitação psicossocial. Neste centro 
temos trinta e quatro raparigas. 
1.2.1. Critério de inclusão 
Define as principais características da população alva e acessível, envolvendo decisões sobre os 
objectivos práticos e científicos (Biklen, 1994). 
Assim, para complementar a nossa pesquisa, fazem parte: 
 Famílias com filhos no Centro de Acolhimento Menino Jesus – Orfanato Manhiça, 
 Famílias com raparigas de dezoito anos; 
 Família que sabem ler e escrever, 
 Famílias constituídas por raparigas órfãs, 
 Famílias disponíveis para a entrevistas 
 Saber ler e escrever, será fundamental para facilitar a comunicação, interpretação do 
questionário e, fará com que os participantes não se sintam manipulados. 
2.2.2. Critérios de exclusão 
Indica o subgrupo de indivíduos que embora preenche os critérios de inclusão, também apresenta 
características ou manifestações que podem interferir na qualidade dos dados, assim como na 
interpretação dos resultados (Biklen, 1994). 
Então para a nossa pesquisa não fizeram parte do trabalho: 
 Famílias que não tinham filhos no Centro de Acolhimento Menino Jesus – Orfanato 
Manhiça, 
 Famílias com crianças com menos de dezoito anos, 
 Família que não sabem ler e escrever, 
 Famílias que não constituídas por crianças órfãs, 
 Famílias que não estavam disponíveis param a entrevista. 
2.3. Amostragem e tamanho da amostra 
Segundo (Gil, 2008:90) amostra é o subconjunto do universo ou da população, por meio do qual 
se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou da população. 
 
12 
 
 Na mesma sequência ao classificarmos os tipos de amostragem, para o nosso estudo, 
trabalharemos com a amostragem estratificada, que segundo (Gil, 2008:90), caracteriza-se pela 
selecção de uma amostra de cada subgrupo de uma população considerada. O fundamento para 
delimitar o subgrupo ou estratos pode ser encontrado em propriedades como sexo, idade ou 
classe social. 
Das

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.