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Emanuelly Leori Thichomonas Três espécies encontradas em humanos: Thichomonas vaginalis Trichomonas tenax Trichomonas hominis Thichomonas vaginalis Morfologia É uma célula polimorfa, tendo capacidade de formar pseudópodes os quais são usados para capturar os nutrientes e se fixar em paredes solidas. O parasita é elipsoide, pisiforme ou oval; não há forma de cisto. E o T. Vaginalis apresenta somente o estagio de trofozoíto. As condições físicas químicas afetam o aspecto dos tricomonas; Possui 4 flagelos anteriores desiguais em tamanho, membrana ondulante e a costa, que se origina no complexo citossomal. O axóstilo é uma estrutura rígida que se projeta através do centro do organismo, prolongando-se até a extremidade posterior e se conecta a pelta; já o Blefaroplasto é situado antes do axóstilo, onde se inserem os flagelos e coordena seus movimentos. O núcleo é elipsoide próximo à extremidade anterior, com uma dupla membrana nuclear e um pequeno nucléolo. O reticulo endoplasmático esta presente ao redor da membrana nuclear. É desprovido de mitocôndrias e apresenta grânulos densos paraxostilares denominados hidrogenossomos. Biologia Local de infecção: Habita o trato geniturinário, onde produzma infecção e não sobrevive fora do sistema urogenital. Reprodução: A multiplicação ocorre por divisão binaria longitudinal e divisão nuclear é do tipo criptopleuromitótica. Parasitologia: Emanuelly Leori Fisiologia O T. vaginalis é anaeróbio facultativo; consegue crescer sem a presença de o oxigênio, suas fontes de energia são: glicose, furtos, maltose, glicogênio e amido. Não possui mitocôndria e por isso possui grânulos densos portadores de piruvaoferredoxina-o-xidorredutase ( enzima capaz de transformar piruvato em acetato e liberar ATP.) Transmissão É uma doença sexualmente transmissível (DST) e as evidencias são: 1. Alta frequência de infecção da uretra e/ou próstata em parceiros de mulheres infecitadas. 2. A infecção é observada com mais frequência em mulheres assistidas em clinicas de DST’S e em prostitutas que em mulheres no período pós- menopausa e virgens. 3. O protozoário não sobrevive fora do corpo humano, a menos que seja protegido contra a dessecação. Patogênese O estabelecimento de T.vaginalis no sitio de infecção inicia com o aumento do PH. A elevação do PH vaginal na tricomoniase é evidente, com uma redução concomitante de lactobacillus acidophilus e um aumento na proporção de bactérias anaeróbicas. A interação entre t.vaginalis com seu hospedeiro estão envolvidos componentes associados à superfície celular do parasito e células epiteliais do hospedeiro e também componentes solúveis encontrados nas secreções vaginal e uretral. A citoaderência e a citotoxidade exercidas pelo parasito sobre as células dependem de fatores de virulência. As cisteina proteases são secretadas pelo parasito, exercem efeito citotóxicom hemolítico apresentam capacidade degradar a porção C3 do complemento e anticorpos igG, igM e igA presentes na vagina. Patologia Promove a transmissão do vírus da imunodeficiência humana; causa do baixo peso em bebes; predispõe mulheres a doença inflamatória pélvica, câncer cervical e infertilidade. Problemas com a gravidez: causa ruptura prematura da membrana, parto prematuro, baixo peso de recém-nascidos, endometrite pós parto, natimorto e morte neonatal. Problemas relacionados com a fertilidade: o risco de infertilidade é duas vezes maior em mulheres com historia de tricomoniase comparado com as que nunca tiveram tal infecção. Está relacionada a doença inflamatória pélvica, causando resposta inflamatória que danifica as células ciliadas da mucosa tubaria e inibe a passagem de espermatozoides ou óvulos através da tuba. Transmissão do HIV: a infecção por T. vaginalis faz surgir uma resposta imune agressiva com inflamação do epitélio vaginal e exocérvice (em mulheres) e da uretra (em homens). Essa resposta inflamatória Emanuelly Leori induz uma infiltração de leucócitos, incluindo células-alvo do HIV como linfócitos TCD4 e macrófagos, aos quais o HIV pode se ligar a ter acesso a pontos hemorrágicos na mucosa e tendo acesso direto a corrente sanguínea. Sintomas e Sinais Mulheres: Pode variar de assintomático para vaginite aguda; o período de incubação varias de 3 a 20 dias e infecta principalmente o epitélio do trato genital. Pode ser observada secreção cervical mucopurulenta em infecção genital; provoca uma vaginite caracterizada por um corrimento vaginal fluido e abundante de cor amarelo-esverdeada, bolhoso, de odor fétido, mais frequente no pós- menstrual. Apresentam dor e dificuldade para as relações sexuais, desconforto ou dor ao urinar e aumento da micção e cérvice com aspecto de morango. Os sintomas aparecem mais no período pós- menstrual ou gravidez. Homens: Comumente assintomáticos ou com uretrite com fluxo leitoso ou purulento e uma leve sensação de prurido na uretra. Pela a manha pode-se observar corrimento claro, viscoso e pouco abundante, com desconforto ao urinar. Já durante o dia, a secreção é escassa. Nos assintomáticos, o parasito permanece na uretra e talvez na próstata. Este protozoário pode se localizar ainda na bexiga e na vesícula seminal. Diagnostico Laboratorial ( coleta da amostra) Homens: deve ser feito pela a manha, sem ter urinado e sem ter tomado nenhum medicamento tricomicida há 15 dias. Mulheres: não devem realizar a higiene vaginal durante um período de 18 a 24 h e nem ter feito uso de tricomicida. Exame microscópio Exame direto a fresco Exame após cultivo Imunológico Epidemiológico É a DST não viral mais comum no mundo. A incidência de infecção depende de vários fatores incluindo idade, atividade sexual, numero de parceiros sexuais, outras DST’s, fase do ciclo menstrual, técnicas de diagnostico e condições socioeconômicas. A prevalência é alta entre os grupos de nível socioeconômicos baixo. É incomum em crianças porque o PH da vagina não favorece o desenvolvimento do parasito; na pré- adolescência e adolescência a tricomaníase tem maior possibilidade de transmissão sexual. No recém nascidos pode ocorrer durante a passagem pelo o canal de parto( no parto o epitélio escamoso da vagina da recém-nascida sofre ação de estrogênio materno e pode permitir colonização do parasito . Emanuelly Leori Profilaxia O controle da tricomaniase é constituído das mesmas medidas preventivas que são tomadas no combate ás outras DST’s sendo: pratica do sexo seguro, uso de preservativos, abstinência de contatos sexuais, limitação das complicações patológicas mediante a administração de um tratamento imediato e eficaz. Tratamento Metronidazol Tinidazol Em gestantes esses medicamentos não devem ser utilizados via oral, somente pela aplicação local de cremes, géis ou óvulos. Trichomonas tenax É um protozoário flagelado que habita a cavidade bucal do homem. O trofozooide é elipsoide, ovoide ou piriforme, apresentando 4 flagelos anteriores. O T.tenax não sobrevive no estomago e não pode ser estabelecido na vagina. A transmissão é direta, por meio da saliva, pode ocorrer transmissão por intermédio de escovas de dente e de alimentos quem foram previamente provados por indivíduos infectados. O diagnostico é realizado pela a pesquisa dos organismos no tártaro dos dentes ou nas criptas das tonsilas. Trichomonas hominis É um protozoário flagelado, considerado não patogênico. Tem maior prevalência nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Não apresenta a forma cística; e os trofozoitos habitam o intestino grosso ( ceco e cólon). O corpo é piriforme, possui 5 flagelos anteriores ( masalguns podem apresentar 3 ou 4). Provavelmente a transmissão ocorre pela ingestão de substancias como leite, contaminadas com os trofozoítos. Os organismos podem sobreviver à passagem pelo o estomago e alcançar o intestino delgado. Devido a transmissão pela a via fecal-oral as medidas preventivas são a melhora das condições sanitárias e de higiene. Emanuelly Leori Giárdia É um protozoário flagelado parasitário do intestino delgado, o agente da infecção é a Giardíase. Em países de desenvolvimento é uma das principais causas de diarreia infecciosa, também é a causa mais frequente de surtos epidêmicos de diarreia associados à água para consumo. Tem relação com a pobreza, com a falta de saneamento básico e com a qualidade da agua de consumo. Morfologia Apresenta duas formas evolutivas, o trofozoíto e o cisto. O trofozoíto é encontrado no intestino delgado, sendo a forma responsável pelas manifestações clinicas da infecção. Tem formato de pera (piriforme), simetria bilateral com quatro pares de flagelos. A face dorsal é lisa e convexa, enquanto a face ventral é côncava, apresentando uma estrutura semelhante a uma ventosa conhecida como: disco ventral, adesivo ou suctorial. As proteínas giardinas permitem a adesão do parasito à mucosa intestinal. No interior do trofozoíto são encontrados 2 núcleos idênticos. O cisto é a forma responsável pela transmissão do parasito é oval ou elipsoide e apresenta uma parede externa glicoproteica. A parede cística torna os cistos resistentes a certas variações de temperatura e umidade e também à ação de produtos químicos empregados. Ciclo biológico Giárdia é um parasito monóxeno de ciclo biológico direto. A via normal de infecção do homem é a ingestão de cistos. Após a ingestão, o cisto passa por um processo de desencistamrnto, que tem inicio no meio acido do estomago e completa-se no duodeno e no jejuno. O cisto maduro libera uma forma oval, tetranucleada e com 8 flagelos denominado Excitozoíto. Em cada excitozoíto ocorre 2 divisoes nucleares sem replicação d material genético e depois este organismo divide-se e origina 4 trofozoitos binucleados. Os trofozoítos multiplicam-se por divisão binaria longitudinal e, colonizam o intestino, onde permanece aderido à mucosa por meio do disco adesivo. Ao redor do trofozoíto é secretada pelo parasito uma membrana cística resistente que tem quitina na sua composição. Os cistos produzidos são excretados juntamente com as fezes do hospedeiro, podendo permanecer por vários meses no meio ambiente, desde que em condições favoráveis de temperatura e umidade. Emanuelly Leori Transmissão Ocorre por via fecal-oral, é adquirida a partir da ingestão de cistos presentes na água e nos alimentos. E a transmissão direta de pessoa a pessoa se da por meio das mãos contaminadas. Imunidade O desenvolvimento da resposta imune tem sido sugerido a partir de evidencias como: 1. A natureza autolimitante da infecção 2. A detecção de anticorpos específicos anti- Giardia nos soros de indivíduos infectados. 3. A participação de monócitos citototóxicos na modulação da resposta imune 4. A maior suscetibilidade de indivíduos imunocomprometidos à infecção, especialmente aqueles que apresentam hipogamaglobulinemia. 5. A menor suscetibilidade dos indivíduos de áreas endêmicas à infecção, quando comparados com os visitantes. 6. A ocorrência de infecção crônica em modelos animais atímicos ou tratados com drogas que deprimem a resposta humoral. A resposta imune especifica, mecanismos humorais e celulares atum diretamente no controle da infecção como os anticorpos igG, igM e igA anti- Giardia tem sido destacados no soro de indivíduos com giardíase. A participação igA secretora na resposta imune, sugerem que este anticorpo é capaz de reconhecer proteínas presentes no disco adesivo dos trofozoítos e assim, interferir na capacidade de adesão do parasito à superfície das células do epitélio intestinal. Mecanismos inatos de defesa participam do controle da infecção, dentre as barreiras naturais presentes no intestino delgado, a camada de muco que protege o epitélio contra a ação das enzimas digestivas dificulta a adesão dos trofozoítos à mucosa, e assim interfere no estabelecimento da infecção. Sintomatologia Apresenta espectro clinico diverso que inclui desde indivíduos assintomáticos até pacientes sintomáticos que podem apresentar um quadro de diarreia aguda e autolimitante, ou um quadro de diarreia persistente, com evidencia de má absorção e perda de peso, que muitas vezes não responde ao tratamento especifico, mesmo em indivíduos imunocompetentes. O individuo pode eliminar cistos nas fezes por um período de até 6 meses. A ingestão de um elevado numero de cistos é capaz de provocar diarreia do tipo aquosa, explosiva, de odor fétido, acompanhada de gases com distensão e dores abdominais. Essa forma aguda dura poucos dias e seus sintomas iniciais podem ser confundidos com os quadros associados ás diarreias virais e bacterianas. Nas infecções crônicas, os sintomas podem persistir por muitos anos, manifestando-se com episódios de diarreia contínuos, intermitentes ou esporádicos. As principais complicações estão associadas à má absorção de gordura e de nutrientes, como vitaminas lipossolúveis, vitamina B12, ferro, xilose e lactose. Emanuelly Leori Na infância podem ter efeitos grave e comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Patogenia A colonização do intestino pelo o parasito pode alterar a arquitetura da mucosa intestinal, especialmente no que diz respeito a organização das microvilosidades. Em muitas infecções verifica-se uma correlação positiva entre o grau de infiltração linfocitária e a intensidade da má absorção. Os trofozoitos de giárdia apresentam uma variedade de substancias potencialmente toxicas, entre as quais se destacam as proteínas com atividade proteolítica. Diagnostico Clinico: Em crianças de 8 meses a 10-12anos a sintomatologia é diarreia com esteatorreia, irritabilidade, insônia, náuseas e vômitos, perda de apetite e dor abdominal. Laboratorial: Parasitológico: exame microscópico de fezes e baseia-se na identificação das formas evolutivas do parasito (trofozoítos e/ou cistos). Imunológico: são empregados a imunofluorescênciam indireta e o método de ELISA. Epidemiologia Os índices de prevalência variam nas diferentes regiões do mundo, podendo ser de 2 a 5% nos países desenvolvidos e de 20 e 30% em países em desenvolvimento. De todos os registros de surtos associados à veiculação hídrica e causados por parasitos intestinais, em aproximadamente 40% dos casos, Giardia foi reconhecido como agente contaminante. Além da resistência ás condições ambientais, os cistos resistem á ação de desinfetantes químicos; levantamentos parasitológicos recentes revelam que giárdia é um dos parasitos intestinais mais comuns em animais domésticos. Profilaxia São recomendados medidas de higiene pessoal, destino correto de fezes, proteção dos alimentos e tratamento da água.. Embora existem evidencias de que os cistos resistem à cloração da água, eles são destruídos em agua fervente. Tratamento Compostos derivados dos 5-nitroimidazois ( metronidazol, tinidazol, ornidazol, secnidazol) Nitrofuranos ( furazolidona) Corantes de acridina Benzimidazóis ( albendazol) 5-nitrotiazóis O tratamento exibe inconvenientes associados á alta incidência de efeitos colaterais, sobretudo em crianças que com frequência devido ás reinfecções, necessitam ser tratadas varias vezes. Considerando a alta toxicidade sistêmica da maioria dos medicamentos adotados, atualmente, a paromomicina apresenta-se como uma alternativamais segura para tratamento de infecções durante a gestação.