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1 Michele Aita Chaves, Medicina 111 ELETROCARDIOGRAMA ✓ INTRODUÇÃO: • Papel do eletrocardiógrafo: o Velocidade de saída do papel é de 25mm/s; o Voltagem é N (10mm equivale a 1mV); o Cada milímetro no eixo x corresponde a 0,04s (40ms); o Um quadrado de 5mm x 5mm terá uma equivalência de 0,2s x 0,5mV. o A calibração é muito importante! O normal é 10mm = 1mV. Se o retangulo de calibração está com 5mm de altura isso quer dizer que em 1mV ele fez 5mm, tendo então uma calibração N/2. • Ondas, seguimentos e intervalos: 1. Onda P – despolarização atrial: O nó sinusal se localiza no átrio direito, próximo a veia cava superior. Dessa forma, ao haver uma despolarização sinusal, a primeira câmara a seguir com a despolarização é o AD (átrio direito) e depois o AE (átrio esquerdo). A onda P é a representação do vetor resultante da despolarização atrial. 2 Michele Aita Chaves, Medicina 111 2. Intervalo PR: momento em que o nó sinusal inicia seu estímulo até o instante anterior a despolarização ventricular. Segmento PR: final da onda P até o início do QRS. Na prática clínica, medimos o intervalo PR para avaliação do nó AV. Isso ocorre porque o segmento PR pode ser maior ou menor em decorrência de alterações ocorridas onda P. 3. QRS – despolarização ventricular a. Onda Q – vetor 1: despolarização septal, uma onda negativa e de pequena amplitude. Da esquerda para direita – ramo esquerdo despolariza mais rápido; maior massa do VE. Onda negativa – pequena amplitude. b. Onda R – vetor 2: despolarização das paredes livres ventriculares; uma onda positiva e de grande amplitude (o vetor resultante aponta para o VE, pois tem mais massa e mais dipolo). Onda positiva – grande amplitude. c. Onda S – vetor 3: despolarização basal. Pequena amplitude e negativa, representa a ativação das partes basais e seu vetor resultante aponta para cima. OBSERVAÇÃO: A nomenclatura da onda se correlaciona com sua polaridade – se positiva ou negativa, e não com o que representa. A despolarização septal numa derivação pode ser representada pela onda q (como D1) e por uma onda positiva em outra derivação (como a onda R, na derivação V1). 4. Segmento ST: se inicia no ponto J (ponto onde termina o QRS) e vai até o início da onda T. Segundo potencial de ação – O principal íon envolvido é o cálcio. 5. Onda T – Repolarização ventricular; 6. Onda U: É normal aparecer, mas incomum; 7. Intervalo QT – intervalo entre a despolarização e repolarização ventricular; Na clínica, esse intervalo pode ser afetado por uso de algumas drogas, hipotermia, distúrbios eletrolíticos ou mesmo síndromes congênitas e isso pode se relacionar com a gênese de arritmias graves. Um aumento no intervalo QT pode indicar uma taquiarritmia. 3 Michele Aita Chaves, Medicina 111 • DERIVAÇÕES: nada mais são do que registros da mesma atividade elétrica, mas por ângulos diferentes. Conhecer onde está posicionado a “câmera” /eletrodo explorador permite saber exatamente pra onde olhar quando se quer ver uma alteração em algum lugar específico do coração. As derivações D1, D2 e D3 são chamadas Derivações Bipolares pois são formadas por apenas um eletrodo EXPLORADOR (E) e, outro REFERÊNCIA. As derivações aVR, aVR e aVF são chamadas Derivações Unipolares Aumentadas – o eletrodo referência é formado por mais de um membro. Essas derivações, juntamente com as bipolares, formam o plano periférico. o Derivações precordiais: visualizam o coração de frente. Vai de V1 a V6. 4 Michele Aita Chaves, Medicina 111 • Frequência cardíaca: em caso de ritmo regular, as ondas QRS possuem intervalos equidistantes entre si. Assim, a frequência cardíaca é contada da seguinte maneira. FC: 1500/ nº de mm entre 2 ondas (ex: duas ondas R – número de quadradinhos). FC: 300/ nº de quadrados grandes entre duas ondas R. Em caso de ritmo irregular: 1. Basta contar quantos QRS há em 3s e multiplicar por 20; 2. Basta contar quantos QRS há em D2 longo e se multiplicar por 6. ANÁLISE DA ONDA P: utilizar as derivações D2 e V1. ✓ Em D2: a onda P deve ter DURAÇÃO inferior a 0,12s e amplitude menor que 0,25mV. ✓ Em V1: a onda P “pode” ter componente duplo (positivo e negativo), sendo o positivo a representação do AD. • Ondas: Eletrodos ligados a um aparelho que transforma esse registro em registro gráfico. Quando há a despolarização, o dipolo se aproxima com carga POSITIVA do eletrodo explorador fazendo com que o aparelho comece a registrar uma carga positiva (subindo a linha) até deixar de existir, o que faz o registro voltar a zero. A onda negativa aparece durante a repolarização do eletrodo até que o cardiomiócito fique em repouso. Isoelétrico: sem diferença de potencial 1. Eletrodo E no início da fibra = onda negativa. 2. Eletrodo E no meio da fibra = onda QRS. 5 Michele Aita Chaves, Medicina 111 3. Eletrodo E no final da fibra = onda positiva. ✓ POR QUE A ONDA T É POSITIVA SE É REPOLARIZAÇÃO? A despolarização ventricular começa do endocárdio para o epicárdio, e o vetor fica apontado para o mesmo sentido. Mas na hora da despolarização/contração o endocárdio tem um momento de colabamento dos capilares (isquemia transitória fisiológicas) fazendo com que o epicárdio fique com maior quantidade de sangue, assim, repolarizando antes do endocárdio. Desse modo o vetor vai do epicárdio para o endocárdio. Se a repolarização sempre tem vetor ao contrário, o vetor continua apontando para o eletrodo explorador, gerando onda T positiva. Se o QRS é para cima a onda T é pra cima. Se o QRS é pra baixo, a onda T é para baixo. • Eixo elétrico normal: -30º a +90º Ritmo sinusal significa que os átrios se despolarizaram, ou seja, que o estímulo da despolarização veio do nó sinoatrial. Para verificar o RITMO SINUSAL, é necessário observar algumas derivações específicas. O vetor resultante da despolarização atrial, que é advindo de um estímulo do nó sinusal, aponta da direita para a esquerda e de cima para baixo, deve ser positiva nas derivações inferiores e à esquerda do coração e negativa no vetor contrário. ▪ Onda P positiva em DI; ▪ Onda P positiva em DII; ▪ Onda P positiva em AVF; ▪ Onda P negativa em AVR. ✓ SEQUÊNCIA DE ANÁLISE DE UM ELETROCARDIOGRAMA (REFASA): 1. Ritmo sinusal 2. Eixo 3. Frequência 4. Amplitude/Duração 5. Segmentos ST/Intervalos 6. Área ativa 6 Michele Aita Chaves, Medicina 111 Como encontrar o eixo elético? 1. Encontrar a onda mais equifásica (negativo e positivo iguais) do eletro. 2. Ver qual é a derivação que forma 90º com ela, essa derivação é: a. Positiva? Então, o eixo se aproxima dela; b. Negativa? Então, o eixo se afasta dela; 3. Em casos de ondas não exatamente equifásicas: a. Se QRS “equifásico” mais negativo: o eixo se afasta dele; b. Se QRS “quifásico” mais positivo: o eixo se aproxima dele; c. Da mesma forma com o eixo 90º a esse! Se questionar no eixo elétrico: I. Ritmo sinusal – verificar onda P em DI, DII, AVF, AVR. II. Eixo – O vetor de 0º DI está com QRS positivo? Se sim, está normal – pra baixo III. O vetor de 90º AVF está com QRS positivo? Se sim, está normal – pra esquerda. IV. Se AVF negativo – positivo DII? Sim: NORMAL! V. Qual é o vetor resultante? (Olha D1 para ver se está para esquerda e AVF para ver se está para baixo. Se estiverem positivos, está nessa direção). VI. Todo QRS é precedido de onda P? VII. A onda P tem tamanho normal? VIII. Os intervalos são normais? IX. A onda R cresce de V1 a V5? X. O segmento ST está normal? (olhar a linha de base e o ponto J – final do QRS – têm que estarem iguais. Se estiver desnivelado pode estar em supra ou infra. OBS: Um vetor normal pode estar apontando para esquerda e para CIMA (AVF negativo), mas só se normal quando está entre 0º e -30º. Para ver isso, olha para derivaçãoDII. Se DII tiver positivo, é normal. Isso acontece em casos de OBS: NUNCA SE CONFORME COM ONDA T NEGATIVA EM V2. EIXO ELÉTRICO EM DOENÇAS: • Dextrocardia: D1, V5 E V6 – QRS negativo; V1 – QRS mais positivo. • Hipertrofia do Ventrículo Direito: o vetor fica mais apontado para o lugar de maior massa, portanto, para o VD. Dessa forma: o D1 fica negativo; o AVF fica positivo; • Morte de tecido: a resultante vai apontar para o lado que ainda está despolarizando. o Se a morte for de VE – D1 negativo. • Despolarização do VE antes do VD: V1 com onda mais positiva que o normal. Pois o vetor fica mais para frente (V1). 7 Michele Aita Chaves, Medicina 111 ALTERAÇÕES NO ELETROCARDIOGRAMA ✓ TAQUIARRITMIAS Frequência cardíaca normal: 50-100bpm (48-98bpm) Taquicardia/taquiarritmia: desordem do ritmo, com frequência acima de 100. • Taquiarritmias: ➢ SUPRAVENTRICULAR o Origem acima do feixe de His; o Possuem QRS estreito. o Pode ter QRS largo (10% dos casos – conduzido com padrão de bloqueio de ramo). ➢ VENTRICULAR o Origem abaixo do feixe de His; o Possuem QRS largo. 1. Instabilidade hemodinâmica: Presença de instabilidade é necessário UM dos critérios abaixo: 4 D’s. OBS: deve ser causado pela arritmia! • Dor torácica (angina) • Dispneia (insuficiência respiratória) • Diminuição da PA (choque) • Diminuição da consciência (RNC) 2. Estabilidade hemodinâmica: ausência de todos os critérios. 3. Regularidade e Tamanho: Se é Regular ou Irregular/ Estreito ou largo (>120ms). 8 Michele Aita Chaves, Medicina 111 ➢ SUPRA DE ST o IAM parede inferior: Supra de ST em DIII e AVF, imagem em espelho em V2 e V3. Imagem em espelho: fenômenos que ocorrem na parede posterior que podem ser visualizados de forma invertida na parede anterior (geralmente de V1 a V3). ➢ SÍNDROME CORONARIANA AGUDA: diagnóstico clínico! Obs: Isquemia global: infra em mais de 6 derivações com supra em AVR. NÃO É INFARTO! ➢ Lesão isquêmica subendocárdica: INFRA de seguimento ST. Pois ainda passa sangue para a área isquêmica, mas pouco sangue. Pode estar com IAM sem supra se tiver elevação das enzimas de necrose. ➢ Lesão transmural epicárdica: SUPRA do seguimento ST. Se acompanhado da clínica pode indicar IAM com supra. • Fases do IAM: o Hiperaguda: poucos minutos após o acontecimento. ▪ Onda T pode estar apiculada e concordante com o QRS. ▪ Onda T pode ficar invertida com uma maior isquemia do epicárdio, fazendo com que o vetor inverta. o Aguda: obstruiu completamente a coronária: poucos minutos – 6/7 horas. ▪ Elevação do ponto J ▪ Supra do segmento ST. ▪ Morte tecidual: onda Q profunda e larga, onda R menor. ELETROCARDIOGRAMA COM SUPRA SEM SUPRA Característico de infarto Começa o tratamento Outras causas IAM sem supra Angina estável Eletrocardiograma seriado Marcadores de necrose (troponina) Não aumentou? Aumentou? IAM 9 Michele Aita Chaves, Medicina 111 o Subaguda: poucas horas – 48 horas ▪ Onda Q profunda e larga (morte tecidual), diminuição da onda R. ▪ Supra do segmento ST começa a retornar a linha de base. o Crônica: primeiros dias. ▪ Onda Q patológica, onda R menor ainda. ▪ Onda T pode retornar ao normal. • Para diagnosticar infarto o supra de ST deve estar em duas derivações de mesma parede. Se for em apenas uma ou em duas de paredes di ferentes, não é infarto. ✓ PAREDES MIOCÁRDICAS: ✓ Eletro com supre de ST ASCENDENTE (Carinha feliz) pode não ser infarto e sim doenças benignas: pericardite ou repolarização precoce. ✓ Eletro com supre de ST DESCENDENTE (Carinha triste) tendência que seja infarto. ❖ BLOQUEIOS ATRIOVENTRICULARES o Bradicardia; o Normalmente acomentem o nó atrioventricular e o feixe de His. 10 Michele Aita Chaves, Medicina 111 • Bloqueio AV 1º grau: todo impulso elétrico atrial passa para o ventrículo, ou seja, toda onda P é seguida de um QRS. o Intervalo PR>200 ms/5mm o Lesão a nível atrioventricular • Bloqueio AV 2º grau: nem todo impulso elétrico atrial passa para o ventrículo, ou seja, nem toda onda P é seguida de QRS. o TIPO I – Mobitz I/ Wenckebach: aumento progressivo do intervalo PR até o aparecimento de uma onda P bloqueada. Com ciclo de onda P constante. ▪ Identifica a onda P bloqueada; ▪ Checa o intervalo PR do batimento pré e pós bloqueio ▪ Intervalo PR do batimento PRÉ>PÓS – BAV 2º grau tipo 1. o TIPO II – Mobitz II: Batimentos com intervalos PR fixos com bloqueio subto de um batimento atrial. Sem alteração no intervalo. ▪ Tipo II – 2.1: Uma onda P conduzida e uma onda P bloqueada sucessivamente. Com intervalo PR fixo. ▪ Tipo II – Avançado: condução em menos da metade dos batimentos atriais. (ex: 3:1, 4:1). 11 Michele Aita Chaves, Medicina 111 • Bloqueio AV 3º grau ou BAVT: Estímulos atriais não passam para os ventrículos, assim, focos abaixo do nível do bloqueio assumem a despolarização ventricular. Veremos ondas P dissociadas do QRS. o Nível da lesão intra ou infra hinsiana com indicação de marcapasso.