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Beatriz Galvão – odontologia UFRN 1 Lesões potencialmente malignas Leucoplasia: é uma placa ou mancha branca que não pode ser caracterizada clínica ou histopatologicamente como qualquer outra doença. - 85% das lesões orais potencialmente malignas; - Etiologia: 1. Tabaco: 80% dos pacientes, a eliminação do hábito diminui a lesão, o uso do tabaco sem fumaça ocasiona a ceratose da bolsa de tabaco; 2. Álcool: ação sinérgica com o tabaco; 3. Microrganismos (treponema pallidum, cândida albicans, HPV-16); 4. Radiação ultravioleta; 5. Sanguinária (sanguinaria canadenses); - 70% ocorrem no vermelhão dos lábios, mucosa jugal e gengiva; quando em língua, assoalho bucal e vermelhão dos lábios → 90% apresentam displasia ou carcinoma; - Classificação clínica: 1. Inicial, fina ou branda 2. Espessa ou homogênea 3. Nodular ou granular Beatriz Galvão – odontologia UFRN 2 4. Verrucosa 5. Verrucosa proliferativa 6. Mosqueada ou eritroleucoplasia - Diagnóstico diferencial: líquen plano, candidose, morsicatio, ceratose friccional, estomatite nicotínica, nevo branco esponjoso, queimadura por agentes químicos; - Diagnósticos histopatológicos: hiperceratose com ou sem acantose, displasia epitelial leve, moderada e grade, carcinoma “in situ” e carcinoma epidermóide; Beatriz Galvão – odontologia UFRN 3 - Displasia epitelial: 1. Alterações citológicas: células e núcleos com tamanhos aumentados, nucléolos grandes e proeminentes, núcleos hipercromáticos, pleomorfismo celular e nuclear, disceratose, atividade mitótica aumentada, figuras de mitoses anormais e aumento da razão núcleo/citoplasma; 2. Alterações arquiteturais: projeções epiteliais em forma de gota, perda de polaridade (estratificação irregular), coesão reduzida e pérolas de ceratina; - Potencial de malignidade: eritroleucoplasia (18% a 47%), granular ou verrucosa (4% a 15%), leucoplasias espessas (1% a 7%); - Fatores envolvidos com o risco de transformação maligna: 1. Aspecto clínico não homogêneo; 2. Áreas de coloração avermelhada; 3. Duração da lesão; 4. Localização em assoalho da boca, borda de língua; 5. Tamanho da lesão; 6. Displasia epitelial severa; 7. Gênero feminino e idade acima de 50 anos. - Tratamento das leucoplasias: 1. Eliminação de possíveis causas (acompanhamento de 2 a 4 semanas); 2. Se tiver boa resposta, a lesão foi identificada e terá tratamento específico; 3. Se não tiver boa resposta, será realizada a biópsia (que também é requerida caso não seja reconhecida a causa da lesão). Beatriz Galvão – odontologia UFRN 4 Eritoplasia: é uma mácula eritematosa de margens bem definidas, textura macia, consistência amolecida ou endurecida e coloração avermelhada, que não pode ser classificada como nenhuma outra patologia. - O uso do tabaco, consumo de álcool, deficiências nutricionais, infecções virais e fatores genéticos e hereditários são os fatores etiológicos; - São lesões incomuns que frequentemente exibem altos graus de displasia (cerca de 90% dessas lesões já exibem displasia severa, carcinoma in situ ou carcinoma invasivo); - Apresenta predileção por indivíduos com idades entre 50 e 70 anos de idade, e ambos os sexos são acometidos igualmente; - Localização: assoalho, língua e palato mole; - Diagnóstico diferencial: líquen plano, candidíase oral, lúpus eritematoso, pênfigo vulgar, penfigóide benigno das mucosas, hemangioma, sarcoma de Kaposi, mucosite, irritação local; - Diagnóstico histopatológico: displasia epitelial leve, moderada e grave, carcinoma “in situ” e carcinoma epidermóide; - Tratamento das eritroplasias: o paciente deve ser aconselhando quanto ao fim do hábito deletério (na grande maioria das vezes é o tabagismo), as lesões que exibirem displasia severa ou carcinoma in situ devem ser removidas cirurgicamente. Palato Beatriz Galvão – odontologia UFRN 5 Queilite actníca: é uma lesão potencialmente maligna bastante comum que está associada a exposição crônica ao sol (raios UV). - Comum em indivíduos que trabalham ao ar livre e sem nenhuma proteção aos raios solares; - Acredita-se que 95% dos casos de Carcinoma de células escamosas de lábio inferior tenham origem a partir de queilites actínicas; - Normalmente acomete pacientes de pele branca com menos de 45 anos de idade, tendo uma maior predileção pelo gênero masculino; - Ocorre no lábio inferior e, clinicamente, pode ser classificada em aguda ou crônica; - A forma aguda normalmente está relacionada com uma intensa exposição ao sol em um curto período. É caracterizada pela presença de fissuras, edema e ulcerações; - A forma crônica tem mais relevância clínica, pois nesses casos há uma exposição crônica aos raios solares, causando alterações celulares mais intensas e permanentes. Nessa forma, é comum observarmos ressecamento labial, perda do delineamento entre vermelhão do lábio e pele, lesões leucoplásicas e a presença de crosta em casos mais avançados; - A ceratose actínica é a contraparte cutânea da lesão, apresenta-se como uma placa esbranquiçada indolor de superfície áspera (semelhante à lixa), geralmente menor que 7mm de diâmetro. - Diagnóstico diferencial: O Carcinoma de células escamosas de lábio, leucoplasias, eritroplasias, líquen plano, herpes, queilite exfoliativa e o ressecamento labial. - Características histopatológicas: o tecido acometido apresenta atrofia epitelial, acentuada hiperceratose e displasia celular em graus variados. No tecido conjuntivo subjacente, podemos observar um infiltrado inflamatório crônico e uma alteração basofílica nas fibras colágenas e elásticas (degeneração) denominada de elastose solar, essas características também é encontrada nas ceratoses actínicas. - Tratamento: necessário realização de biópsia para possível detecção de displasias, a vermelhectomia (remoção do vermelhão do lábio) pode ser realizada em lesões mais extensas, advertir o paciente sobre o uso de proteção solar no lábio inferior. Beatriz Galvão – odontologia UFRN 6 Fibrose submucosa oral: é uma doença crônica potencialmente maligna, comumente associada ao hábito de mascar noz de areca. - A noz de areca – ou noz de betel – é rica em alcalóides que estimulam os fibroblastos orais, resultando em um aumento de até 150% na produção de colágeno; - Além da mucosa oral, o distúrbio fibrosante pode acometer outras partes da cavidade oral ou até mesmo a faringe; - Sintomas: sensação de queimadura, vesículas, branqueamento da mucosa, bandas fibrosas na parede da mucosa, trismos, estreitamento do orifício orofaríngeo, com disfunção da úvula; - Acomete indivíduos entre 20-60 anos de vida, sendo mais comum entre os 45-55 anos; - Pacientes com Fibrose Submucosa Oral são 19 vezes mais propensos a desenvolver Câncer oral; - O tratamento da fibrose é o abandono do hábito de mascar o agente causador. Xeroderma pigmentoso: - Genodermatose rara; - Padrão autossômico recessivo; - Defeito nos mecanismos de reparo de excisão e/ou pós-replicação do DNA; Beatriz Galvão – odontologia UFRN 7