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Maria Eduarda Pires Clínica Médica Exame físico Geral → Desenvolvimento físico Elementos básicos: altura e a estrutura somática. Deve se comparar a altura encontrada com a tabela de valores normais. Avaliação da estrutura somática – feita pela inspeção global, acrescida de informações a respeito do desenvolvimento osteomuscular. Os achados podem ser enquadrados nas seguintes alternativas: W desenvolvimento normal W hiperdesenvolvimento – sinônimo de gigantismo W hipodesenvolvimento (não é nanismo) W hábito grácil – constituição corporal frágil e delgada – ossatura fina, musculatura pouco desenvolvida, altura e peso abaixo dos níveis normais. Condição constitucional. W infantilismo – refere-se à persistência anormal das características infantis na idade adulta W gigantismo - Limites máximos de altura em adultos * Masculino: 1,90 m * Feminino: 1,80 m W a mínima é igual para ambos os sexos: 1,50 Obs: os limites máximos e mínimos aceitos como normais variam conforme a etnia e em função de outros fatores, como: condições nutricionais. → Desenvolvimento fase embrionária e fetal Regulado por fatores nutricionais e hereditários ou por alguns hormônios Hormônio tireoidiano: manutenção do cérebro e dos ossos fetais Androgênios: determina a diferenciação sexual masculina → Desenvolvimento físico após o nascimento Processo de crescimento e maturação Eventos patológicos que acontecem no indivíduo nessas etapas podem levar a deficiência no seu desenvolvimento global. - O crescimento do corpo em suas diferentes dimensões (estatura, segmento superior e inferior) depende do crescimento do esqueleto, determina o crescimento total e as proporções corporais. → Desenvolvimento sexual – 2 etapas • fase embrionária e fetal: diferenciação das gônadas, formação da genitália interna e externa Maria Eduarda Pires • Segunda etapa ocorre na puberdade: aparecimento dos caracteres sexuais secundários; Pode ocorrer: Sexo masculino: aparecimento de ginecomastia puberal. Sexo feminino: anormalidades do ciclo menstrual, com hiperprodução de androgênios e aparecimento de hirsutismo Para a avaliação da maturidade sexual- critérios de Tanner. → O desenvolvimento depende de fatores emocionais e sociais. Ex: síndrome de privação materna- interferindo no crescimento da criança → Pacientes portadores de gigantismo, hipogonadismo hipergonadotrófico (eunuco), apresentam envergadura ↑ que a altura... → Atitude e decúbito preferido no leito •Atitude: como a posição adotada pelo paciente no leito ou fora dele, por comodidade, hábito ou com o objetivo de conseguir alívio para algum padecimento. → Algumas posições são conscientemente procuradas pelo paciente (voluntárias), enquanto outras independem de sua vontade ou são resultantes de estímulos cerebrais (involuntárias). Se isso não for notado no paciente pode-se dizer que ele tem uma atitude especifica ou que ela é indiferente. •Atitude voluntárias: o paciente adota por sua vontade e compreendem a ortopneica, a genupeitoral, a posição de cócoras, a parkinsoniana e os diferentes decúbitos. -Ortopneico: o paciente adota essa posição para aliviar a falta de ar decorrente de insuficiência cardíaca, entre outros; paciente sentado à beira do leito, pés no chão ou em uma banqueta, mãos apoiadas no colchão para facilitar a respiração. • Paciente em estado grave: paciente deitado, pés estendidos ao longo da cama, mas recosta-se com ajuda de 2 ou + travesseiros, na tentativa de deixar o tórax + ereto possível. •Atitude genupeitoral: paciente posiciona-se de joelhos, tronco fletido sobre as coxas, face anterior do tórax (peito) põe-se em contato com o solo ou colchão, rosto descansa sobre as mãos- ficam apoiadas ou no solo ou colchão. Posição que facilita o enchimento do coração (derrame do pericárdio). Maria Eduarda Pires •Atitude de cócoras: posição observada em crianças com cardiopatia congênita cianótica, Os pacientes descobrem, instintivamente, que esta posição proporciona algum alívio da hipoxia generalizada. * diminuição do retorno venoso para o coração. •Atitude parkinsoniana: O paciente com doença de Parkinson, ao se pôr de pé, apresenta semiflexão da cabeça, tronco e membros inferiores e, ao caminhar, parece estar correndo atrás do seu próprio eixo de gravidade. → atitude parkinsoniana •Atitude em decúbito: significa “posição de quem está deitado”. Decúbito preferido, indica como o paciente prefere ficar no leito, desde que o faça conscientemente, seja por hábito, seja para obter alívio de algum padecimento. W Decúbito lateral (direito ou esquerdo): quando há dor de origem pleurítica., o paciente reduz a movimentação dos folhetos pleurais do lado sobre o qual ele repousa. Se deita do lado da dor. W Decúbito dorsal: pernas fletidas sobre as as coxas e estas sobre a bacia- processos inflamatórios pelviperitoneais W Decúbito ventral: cólica intestinal.. Paciente deita-se de bruços, podendo também colocar um travesseiro debaixo do ventre •Atitudes Involuntárias: independem da vontade do paciente; atitude passiva, ortótono, opistótono, emprostótano, pleurostótono, posição em gatilho, torcicolo e mão pêndula da paralisia radial. Genupeitoral Maria Eduarda Pires •Atitude passiva: paciente fica na posição que é colocado no leito (pacientes comatosos e pacientes inconscientes) •Ortótono: todo tronco e todos membros estão rígidos, não se curvam para nenhum lado; •Opistótono: decorrente da contratura da musculatura lombar, observada em casos de tétano e meningite. O corpo se apoia na cabeça e nos calcanhares, emborcando-se como um arco. •Emprostótano: contrário do opistótano, ou seja, corpo do paciente forma uma concavidade voltada para diante. Observado nos casos de tétano, meningite e raiva. •Pleurostótono: raro, obervado em casos de raiva, meningite e tétano. Corpo se curva lateralmente. •Posição em gatilho: + comum em crianças e caracteriza-se pela hiperextensão da cabeça, flexão das pernas sobre as coxas e encurvamento do tronco com concavidade para diante. •Torcicolo e mão pêndula da paralisia radial: é involuntária, mas restritas a determinados segmentos do corpo. → Musculatura •É feito inspeção e palpação, para investigação semiológica → todos os grupos musculares devem ser examinados. W Inspeção: não exige técnica especial: olhar atentamente a superfície corporal com o paciente em repouso, observando o relevo das massas musculares. W Palpação: feita com as polpas digitais colocadas em forma de pinça, com o polegar em oponência aos demais dedos da mão. → De início, palpa-se o músculo ou o grupo muscular em estado de repouso e, em seguida, solicitasse ao paciente que faça uma leve contração do segmento que está em exame para se investigar o músculo em estado de contração. Com isso, conseguem-se informações quanto a: ■Troficidade: corresponde à massa do músculo ■Tonicidade: corresponde ao estado de semicontração própria do músculo. •A musculatura classifica-se da seguinte maneira: ■ Quanto à troficidade: • Normal Mão pêndula da paralisia radial Maria Eduarda Pires • Hipertrófica: aumento da massa muscular • Hipotrófica: diminuição da massa muscular ■ Quanto à tonicidade: • Tônus normal • Hipertonicidade, espasticidade, musculatura espástica ou rigidez: nota-se um estado de contração ou semicontração do músculo, mesmo em repouso, evidenciado pelo relevo muscular e aumento da consistênciaà palpação • Hipotonicidade ou flacidez: significa que o tônus está diminuído ou ausente, com perda do contorno da massa muscular e diminuição da consistência. →As alterações encontradas devem ser descritas topograficamente. Exemplos de alterações de musculatura •Poliomielite- grupos musculares hipotróficos e flácidos → nas hemiplegias, encontra-se espasticidade da musculatura correspondente; nas lesões extrapiramidais, é típico o aumento da tonicidade sem alterações da troficidade; os atletas e os trabalhadores braçais desenvolvem os grupos musculares mais diretamente relacionados com seu trabalho, que se tornam hipertróficos; os idosos e os pacientes acamados durante longo tempo ficam com a musculatura hipotrófica (sarcopenia) e flácida.. •Crianças e mulheres- há normalmente um certo grau de hipotonia. *em idosos é importante o reconhecimento de avaliação da massa muscular. → Movimentos involuntários • quando o paciente se ponha na presença do médico, logo o médico inicia-se a inspeção, incluindo a observação de movimentos involuntários, quando presentes. •Movimentos involuntários- contínuos, periodicamente ou acontece em crises → Fundamental para a avaliação clínica: definir de são voluntários ou involuntários →Classificados em: •Hipocinéticos: pobreza e lentidão de movimentos- Parkison •Hipercinéticos: há excesso de movimentos, não associados a fraqueza muscular e/ou espasticidades →Principais movimentos involuntários -Tremores -Movimentos coreicos (coreia) -Movimentos atetósticos (atetose) -Pseudoatetose -Distonia -Hemibalismo -Mioclonias -Mioquinias -Asterix -Tiques -Convulsões -Tetania -fasciculações -Bradicinesia -Discinesias orofaciais Maria Eduarda Pires →Tremores •Movimentos alternantes, +/- rápidos e regulares, de pequena ou média amplitude – afetam principalmente as partes distais dos membros •Utiliza-se duas manobras para pesquisa de tremores: - Paciente estende as mãos com as palmas voltadas para baixo e com os dedos separados. Pode-se colocar uma folha de papel sobre o dorso de uma das mãos. - Paciente deve levar um copo, com uma das mãos, da mesa a boca. Pode ser substituído pela execução de um movimento, ex: tocar o próprio nariz com a ponta do indicador. W Classificação ou diferenciação dos tremores ■ Tremor de repouso: surge durante o repouso e desaparece durante o sono; é um tremor oscilatório, em regra mais evidente nas mãos, simulando o gesto de “enrolar cigarro”. Ocorre no parkinsonismo ■ Tremor de atitude ou postura: surge quando o membro é colocado em uma determinada posição, não sendo muito evidente no repouso ou no movimento. Ocorre no pré-coma hepático, quando é designado flapping ou asterix, e na doença de Wilson. Contudo, o tremor de atitude mais frequente é o tremorfamiliar, que é regular, não muito grosseiro, acentuado pelas emoções e, como sua própria designação indica, acomete vários membros de uma família ■ Tremor de ação: é o que surge ou se agrava quando um movimento é executado. Aparece nas doenças cerebelares ■ Tremor vibratório: é fino e rápido como se fosse uma vibração. Pode surgir no hipertireoidismo, no alcoolismo e na neurossífilis, mas a grande maioria é de origem emocional. → Coreia (movimentos coreicos) •Movimentos involuntários, amplos, desordenados, de ocorrência inesperada e arrítmicos, multiformes e sem finalidade. Localizam-se na face, nos membros superiores e inferiores *Para melhor evidenciá-los, o paciente deve se deitar o + relaxado possível ou que fique sentado `a beira do leito com as pernas pendentes → Os movimentos coreicos são as manifestações principais da síndrome coreica, havendo dois tipos: ■ Coreia de Sydenham: também denominada coreia infantil ou dança de São Guido, relaciona-se estreitamente com a doença reumática ■ Coreia de Huntington: distúrbio neurológico hereditário raro que se caracteriza por movimentos corporais anormais e incoordenação, também afetando habilidades mentais e aspectos da personalidade. → Movimentos atetósicos (atetose) •São movimentos involuntários que ocorrem nas extremidades e apresentam características muito próprias: são lentos e estereotipados, podem ser uni ou bilaterais •Determinam a atetose as lesões dos núcleos da base. Frequentemente ocorrem Maria Eduarda Pires como sequela de impregnação cerebral por hiperbilirrubinemia do recém-nascido (kernicterus). →Pseudoatetose • Movimentos incoordenados, lentos e de grande amplitude, nas mãos, nos pés, na face. São relacionados à lesão do corpo estriado. →Balismo •São movimentos abruptos, violentos, de grande amplitude, rápidos e geralmente limitados a uma metade do corpo. São extremamente raros e decorrem de lesões extrapiramidais. Podem ser unilaterais (hemibalismo). → Mioclonias • Movimentos involuntários breves, rítmicos ou arrítmicos, localizados ou difusos, que acometem um músculo ou um grupo muscular. Geralmente são relatadas como “abalos”, “choques”, “sacudidas” e “trancos”. Devem-se a descargas de neurônios subcorticais. → Mioquinias • Contrações fibrilares de tipo ondulatório que surgem em músculos íntegros, principalmente no orbicular das pálpebras, quadríceps e gêmeos. Surge em pessoas normais, com maior frequência nos pacientes com transtornos emocionais e em pessoas fatigadas. → Asterix (flapping) • são movimentos rápidos, de amplitude variável, que ocorrem nos segmentos distais e apresentam certa semelhança com o bater de asas das aves. Para melhor notar o flapping, deve-se realizar a seguinte manobra: o paciente estende os braços e superestende as mãos de modo a formar um ângulo de quase 90° com o antebraço. A manobra é completada pelo médico, que, com suas mãos, força para trás as mãos do paciente. → Tiques • São movimentos involuntários que aparecem em determinado grupo muscular, repetindo-se sucessivamente. São domináveis pela vontade, e podem ser funcionais ou orgânicos. Os tiques motores podem ser: ■ Simples: envolvem grupos musculares isolados, resultando em piscamentos, abertura da boca, balanceio da cabeça e pescoço para os lados e para trás, elevação dos ombros ou fechamento dos punhos ■ Complexos: caracterizam-se por padrões elaborados de movimento (contrações faciais bizarras, desvios oculares, dar pequenos pulos durante a marcha, tocar ou cheirar objetos, gesticulação obscena). Os tiques vocais podem ser: ■ Simples: incluem ato de limpar a garganta, grunhidos, estalos com lábios ou língua ■ Complexos: abrangem palavras ou fragmentos de palavras, frases curtas, elementos musicais, repetição da última palavra ouvida do interlocutor ou repetição da última palavra emitida pelo próprio paciente. → Convulsões • são movimentos musculares súbitos e incoordenados, involuntários e paroxísticos, Maria Eduarda Pires que ocorrem de maneira generalizada ou apenas em segmentos do corpo. As convulsões podem ser: ■ Tônicas: caracterizam-se por serem mantidas permanentes e imobilizarem as articulações ■ Clônicas: são rítmicas, alternando-se contrações e relaxamentos musculares em ritmo mais ou menos rápido ■ Tônico-clônicas: esse tipo soma as características de ambas. As convulsões surgem em muitas condições clínicas, mas todas têm um denominador comum: descargas bioelétricas originadas em alguma área cerebral com imediata estimulação motora.. *Podem aparecer: no tétano, estados hiperglicêmicos, tumores cerebrais, etc. → Tetania • forma particular de movimentos involuntários e caracteriza-se por crises exclusivamente tônicas quase sempre localizadas nas mãos e pés, por isso denominados “espasmos carpopodais”. A tetania pode ocorrer independentemente de qualquermanobra; porém, às vezes, é necessário usar um artifício para desencadeá-la - compressão do braço com o manguito do esfigmomanômetro. *Se a pressão arterial do paciente é de 140/90 mmHg, insufla-se o manguito até 110 mmHg durante 10 min, ao fim dos quais poderá aparecer um movimento involuntário naquela extremidade, o qual nada mais é do que um “espasmo carpal”. A tetania ocorre nas hipocalcemias (p. ex., hipoparatireoidismo) e na alcalose respiratória por hiperventilação. → fasciculações • Contrações breves, arrítmicas e limitadas a um feixe muscular → Discinesias • São alterações dos movimentos voluntários que podem adquirir a forma coreiforme, atetoide ou movimentos rítmicos em determinadas regiões corporais que diminuem com os movimentos voluntários da parte afetada. *Bradicinesia refere-se à lentidão de movimentos apresentada pelos pacientes com doença de Parkinson, que pode ser detectada de diferentes maneiras. • Discinesias orofaciais São movimentos rítmicos, repetitivos e bizarros, que comprometem, principalmente, a face, a boca, a mandíbula e a língua, sendo expressos sob a forma de caretas, franzir dos lábios, protrusão da língua, abertura e fechamento da boca e desvios da mandíbula. →Distonias • São contrações musculares mantidas que levam a posturas anormais e movimentos repetitivos, quase sempre acompanhados de dor – torcicolo espasmódico Maria Eduarda Pires → Efisema subcutâneo •Presença de bolha de ar debaixo da pele W técnica: palpação – deslizando-se a mão sobre a região suspeita * O ar pode ser procedente do tórax – pneumotórax, bactérias produtoras de gás •Ocorre – nas gangrenas gasosas → Circulação colateral • Presença de circuito venoso anormal visível ao exame da pele. • Indica dificuldade ou impedimento do fluxo venoso através dos troncos venosos principais - cava inferior, cava superior, tronco venoso braquicefálico, ilíacas primitivas, veia cava Por causa desse obstáculo, o sangue se desvia para as colaterais previamente existentes, tornando-se um caminho vicariante capaz de contornar o local ocluído, parcial ou totalmente. A circulação colateral deve ser analisada sob os seguintes aspectos: ◗ Localização ◗ Direção do fluxo sanguíneo ◗ Presença de frêmito e/ou sopro. Localização - Tórax, abdome, raiz dos membros superiores, segmento cefálico Direção do fluxo sanguíneo • Técnica: com: comprime-se com as polpas digitais dos dois indicadores, colocados rentes um ao outro, um segmento da veia a ser analisada; em seguida, os dedos vão se afastando lentamente, mantida constante a pressão, de modo a deslocar a coluna sanguínea daquele segmento venoso. Quando os indicadores estão separados cerca de 5 a 10 cm, são imobilizados e se assegura se realmente aquele trecho da veia está exangue. Estando vazia a veia, executa-se a outra parte da manobra, que consiste em retirar um dos dedos, permanecendo comprimida apenas uma das extremidades. Feito isso, procura-se observar o reenchimento daquele segmento venoso: (a) se ocorre o enchimento imediato da veia, significa que o sangue está fluindo no sentido do dedo que permanece fazendo a compressão; (b) permanecendo colapsado o segmento venoso, repete-se a manobra, agora descomprimindo-se a outra extremidade e verificando se houve enchimento do vaso. A manobra deve ser repetida 2 ou 3 vezes para não haver dúvida, e, ao terminá-la, o examinador terá condições de saber em que sentido corre o sangue. Este fenômeno se registra usando-se as seguintes expressões: ■ Fluxo venoso abdome-tórax ■ Fluxo venoso ombro-tórax ■ Fluxo venoso pelve-abdome. Maria Eduarda Pires Presença de frêmitos e/ou sopro •como conseguir perceber: Frêmito – tato Sopro – ausculta *Somente se percebe quando há recanalização da veia umbilical. → Postura ou atitude na posição de pé •Observar no paciente no leito e quando ele se põe de pé •Queixas mais comuns – lombalgia e dorsalgia W Classificação ■ Boa postura • Cabeça ereta ou ligeiramente inclinada para diante • Peito erguido, fazendo adiantar ao máximo essa parte do corpo • Abdome inferior achatado ou levemente retraído • Curvas posteriores nos limites normais ■ Postura sofrível • Cabeça levemente inclinada para diante • Peito achatado • Abdome algo protruso, passando a ser a parte mais saliente do corpo • Curvas posteriores exageradas ■ Má postura • Cabeça acentuadamente inclinada para diante • Peito deprimido • Abdome saliente e relaxado • Curvas posteriores exageradas. Curiosidades: Essas posturas guardam certa relação com o biotipo da pessoa. Assim, os longilíneos frequentemente reúnem as características de má postura. Uma atitude muito típica pode ser vista nos parkinsonianos e é determinada pela rigidez muscular generalizada. O paciente permanece com o tronco ligeiramente fletido para frente, os membros superiores igualmente fletidos, enquanto as mãos e os dedos se movem continuamente, tomados de um tremor lento e de amplitude sempre igual. Cifose, lordose e escoliose As afecções da coluna costumam acompanhar-se de alterações da posição, cabendo referências a: ◗ Cifose: é uma alteração da forma da coluna dorsal com concavidade anterior, vulgarmente designada “corcunda”. A causa mais comum é o vício de postura. Pode ser consequência de tuberculose da coluna (mal de Pott), osteomielite, neoplasias, ou ser de origem congênita ◗ Lordose (cervical ou lombar): é o encurvamento da coluna vertebral, formando concavidade para trás. Decorre de alterações de vértebras ou de discos intervertebrais. ◗ Escoliose: é o desvio lateral da coluna em qualquer segmento vertebral, sendo mais frequente na coluna lombar ou lombodorsal. Pode ser de origem congênita ou secundária a alterações nas vértebras ou dos músculos paravertebrais . Instabilidade postural Maria Eduarda Pires O equilíbrio postural é a capacidade do ser humano de manter-se ereto e executar movimentos do corpo sem apresentar oscilações ou quedas. A instabilidade postural é manifestação importante da doença de Parkinson e pode ser avaliada - Pull test ou teste de retropulsão → Biótipo ou tipo morfológico •É o conjunto de características morfológicas apresentadas pelo indivíduo. Não confundir biótipo com altura. -Classificação ■ Brevilíneo: comparado a Sancho Pança, apresenta as seguintes características: • Pescoço curto e grosso • Tórax alargado e volumoso • Membros curtos em relação ao tronco • Ângulo de Charpy maior que 90° (junção das rebordas costais com o apêndice xifoide) • Musculatura desenvolvida e panículo adiposo espesso • Tendência para baixa estatura ■ Mediolíneo: é o tipo intermediário e caracteriza-se pelos seguintes elementos: • Equilíbrio entre os membros e o tronco • Desenvolvimento harmônico da musculatura e do panículo adiposo • Ângulo de Charpy em torno de 90° ■ Longilíneo: comparado a Dom Quixote, apresenta as seguintes características: • Pescoço longo e delgado • Tórax afilado e chato • Membros alongados com franco predomínio sobre o tronco • Ângulo de Charpy menor que 90° • Musculatura delgada e panículo adiposo pouco desenvolvido • Tendência para estatura elevada. →Útil - para a correta interpretação das variações anatômicas que acompanham cada tipo morfológico, pois há uma relação entre a forma exterior do corpo e a posição das vísceras. Assim, a forma do coração e a localização do ictus cordis serão diferentes nos três tipos. * A forma do estômago, por sua vez, está estreitamente relacionada com a morfologia externa do indivíduo. → Marcha •A identificação do modo de andar do paciente – afecções neurológicas •Analisada - solicita-se ao paciente que caminhe certadistância (acima de 5 m), descalço, de preferência com calção, com olhos abertos e fechados, indo e voltando sob a observação do examinador. *A marcha normal pode sofrer variações em relação a particularidades individuais →Tipos de marcha anormal Marcha de pequenos passos. A característica principal é a diminuição do comprimento da passada, com deslocamento anterior do corpo e diminuição da potência no final do apoio. Traduz perda da plasticidade das estruturas cerebrais que comandam a deambulação. Maria Eduarda Pires Observa-se neste tipo de marcha uma tendência a quedas ■ Causas. Senilidade, doença de Alzheimer. Marcha ceifante ou hemiplégica. Caracteriza-se pela incapacidade de aumentar a velocidade de locomoção ou de adaptar-se às irregularidades do solo, além da dificuldade de elevar o pé durante a caminhada. Ao andar o paciente levanta o membro afetado, inicialmente para fora, depois para frente, executando um movimento ao redor da coxa, como se ceifasse algo no chão. A oscilação dos braços está comprometida. ■ Causa. Acidente vascular encefálico (AVE). Marcha atáxica. Há três tipos: ataxia sensorial, labiríntica (vestibular) e cerebelar. Estão afetados o controle postural e a coordenação dos movimentos. Ao andar observa-se falta de equilíbrio, o paciente caminha cambaleando, como se fosse cair. Anda batendo o pé, alargando a base e mantendo os olhos fixos no chão. ■ Causas. Esclerose múltipla, ataxia de Friedreich, polineuropatia periférica (diabética e alcoólica), lesões cerebelares. Marcha propulsiva. Ao caminhar o paciente adota uma postura rígida com a cabeça e o pescoço encurvados para a frente, enquanto os braços permanecem estendidos e imobilizados, rentes ao corpo, e os quadris e os joelhos ficam semiencurvados. Ao andar, o centro de gravidade do corpo desloca-se para frente, prejudicando o equilíbrio, o que obriga o paciente a dar passos curtos, cada vez mais rápidos, com aceleração involuntária da deambulação. Deve ser diferenciada da marcha de pequenos passos. ■ Causas. Doença de Parkinson, esclerose múltipla. Marcha tabética ou talonante. A marcha é realizada com a base alargada e o olhar fixo no chão, em função da perda da noção de proximidade do solo em relação aos pés. Os pés são arremessados para diante e batem com força no chão. Os calcanhares tocam o solo pesadamente. Decorrem de lesão do cordão posterior da medula ou da inervação periférica. ■ Causas. Neurossífilis (tabes dorsalis), polineuropatia periférica. Marcha espástica ou em tesoura. Uma das pernas fica esticada com flexão plantar do pé enquanto um dos braços permanece imóvel e próximo ao corpo (hemiparesia espástica). Quando bilateral, os dois membros inferiores, enrijecidos e espásticos, permanecem semifletidos. Ao caminhar os pés se arrastam e as pernas se cruzam, em um movimento que lembra o funcionamento de uma tesoura. ■ Causas. Esclerose múltipla, encefalopatia crônica da infância. Marcha anserina. Quando o paciente dá o passo o quadril oposto cai, em virtude de fraqueza dos músculos da cintura pélvica. ■ Causa. Distrofia muscular. Marcha claudicante. Para aliviar o peso sobre um dos membros inferiores, o paciente modifica a marcha, ficando uma perna com movimentação normal, enquanto a outra toca com menos força no chão. ■ Causas. Afecções articulares, musculares ou ósseas que se acompanham de dor. Maria Eduarda Pires