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Material de Clínica Médica sobre exame físico geral e desenvolvimento físico. Cobre avaliação da altura e estrutura somática (normal, hiper/hipodesenvolvimento, hábito grácil, infantilismo), desenvolvimento pré/postnatal e puberal (Tanner), fatores nutricionais/psicossociais e posturas/decúbito.

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Maria Eduarda Pires 
 
 Clínica Médica 
 Exame físico 
 Geral 
 
→ Desenvolvimento físico 
Elementos básicos: altura e a estrutura 
somática. 
Deve se comparar a altura encontrada com a 
tabela de valores normais. 
Avaliação da estrutura somática – feita pela 
inspeção global, acrescida de informações a 
respeito do desenvolvimento osteomuscular. 
Os achados podem ser enquadrados nas 
seguintes alternativas: 
W desenvolvimento normal 
W hiperdesenvolvimento – sinônimo de 
gigantismo 
W hipodesenvolvimento (não é nanismo) 
W hábito grácil – constituição corporal frágil e 
delgada – ossatura fina, musculatura pouco 
desenvolvida, altura e peso abaixo dos níveis 
normais. Condição constitucional. 
W infantilismo – refere-se à persistência 
anormal das características infantis na idade 
adulta 
W gigantismo 
- Limites máximos de altura em adultos 
* Masculino: 1,90 m 
* Feminino: 1,80 m 
W a mínima é igual para ambos os sexos: 1,50 
Obs: os limites máximos e mínimos aceitos 
como normais variam conforme a etnia e em 
função de outros fatores, como: condições 
nutricionais. 
→ Desenvolvimento fase embrionária e fetal 
 Regulado por fatores nutricionais e 
hereditários ou por alguns hormônios 
 Hormônio tireoidiano: manutenção do 
cérebro e dos ossos fetais 
 Androgênios: determina a diferenciação 
sexual masculina 
→ Desenvolvimento físico após o nascimento 
 Processo de crescimento e maturação 
 Eventos patológicos que acontecem no 
indivíduo nessas etapas podem levar a 
deficiência no seu desenvolvimento 
global. 
- O crescimento do corpo em suas 
diferentes dimensões (estatura, segmento 
superior e inferior) depende do 
crescimento do esqueleto, determina o 
crescimento total e as proporções 
corporais. 
 
→ Desenvolvimento sexual – 2 etapas 
• fase embrionária e fetal: diferenciação das 
gônadas, formação da genitália interna e 
externa 
Maria Eduarda Pires 
 
• Segunda etapa ocorre na puberdade: 
aparecimento dos caracteres sexuais 
secundários; 
Pode ocorrer: 
Sexo masculino: aparecimento de ginecomastia 
puberal. 
Sexo feminino: anormalidades do ciclo menstrual, 
com hiperprodução de androgênios e 
aparecimento de hirsutismo 
Para a avaliação da maturidade sexual- critérios 
de Tanner. 
 
→ O desenvolvimento depende de fatores 
emocionais e sociais. 
Ex: síndrome de privação materna- interferindo 
no crescimento da criança 
→ Pacientes portadores de gigantismo, 
hipogonadismo hipergonadotrófico (eunuco), 
apresentam envergadura ↑ que a altura... 
 
 
→ Atitude e decúbito preferido no 
leito 
•Atitude: como a posição adotada pelo paciente 
no leito ou fora dele, por comodidade, hábito ou 
com o objetivo de conseguir alívio para algum 
padecimento. 
→ Algumas posições são conscientemente 
procuradas pelo paciente (voluntárias), 
enquanto outras independem de sua vontade 
ou são resultantes de estímulos cerebrais 
(involuntárias). Se isso não for notado no 
paciente pode-se dizer que ele tem uma 
atitude especifica ou que ela é indiferente. 
•Atitude voluntárias: o paciente adota por sua 
vontade e compreendem a ortopneica, 
a genupeitoral, a posição de cócoras, 
a parkinsoniana e os diferentes decúbitos. 
-Ortopneico: o paciente adota essa posição 
para aliviar a falta de ar decorrente de 
insuficiência cardíaca, entre outros; 
paciente sentado à beira do leito, 
pés no chão ou em uma banqueta, mãos 
apoiadas no colchão para facilitar a 
respiração. 
• Paciente em estado grave: paciente 
deitado, pés estendidos ao longo da cama, 
mas recosta-se com ajuda de 2 ou + 
travesseiros, na tentativa de deixar o tórax + 
ereto possível. 
•Atitude genupeitoral: paciente posiciona-se 
de joelhos, tronco fletido sobre as coxas, 
face anterior do tórax (peito) põe-se em 
contato com o solo ou colchão, rosto 
descansa sobre as mãos- ficam apoiadas ou 
no solo ou colchão. Posição que facilita o 
enchimento do coração (derrame do 
pericárdio). 
 
Maria Eduarda Pires 
 
 
 
 
 
 
 
•Atitude de cócoras: posição observada em 
crianças com cardiopatia congênita cianótica, 
Os pacientes descobrem, instintivamente, que 
esta posição proporciona algum alívio da 
hipoxia generalizada. 
* diminuição do retorno venoso para o 
coração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
•Atitude parkinsoniana: O paciente com 
doença de Parkinson, ao se pôr de pé, 
apresenta semiflexão da cabeça, tronco e 
membros inferiores e, ao caminhar, parece 
estar correndo atrás do seu próprio eixo de 
gravidade. 
 
→ atitude parkinsoniana 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
•Atitude em decúbito: significa “posição de 
quem está deitado”. Decúbito preferido, indica 
como o paciente prefere ficar no leito, desde 
que o faça conscientemente, seja por hábito, 
seja para obter alívio de algum padecimento. 
W Decúbito lateral (direito ou esquerdo): 
quando há dor de origem pleurítica., o 
paciente reduz a movimentação dos folhetos 
pleurais do lado sobre o qual ele repousa. Se 
deita do lado da dor. 
W Decúbito dorsal: pernas fletidas sobre as as 
coxas e estas sobre a bacia- processos 
inflamatórios pelviperitoneais 
W Decúbito ventral: cólica intestinal.. Paciente 
deita-se de bruços, podendo também colocar 
um travesseiro debaixo do ventre 
 
•Atitudes Involuntárias: independem da 
vontade do paciente; atitude passiva, ortótono, 
opistótono, emprostótano, pleurostótono, 
posição em gatilho, torcicolo e mão pêndula 
da paralisia radial. 
Genupeitoral 
 
 
 
Maria Eduarda Pires 
 
•Atitude passiva: paciente fica na posição que 
é colocado no leito (pacientes comatosos e 
pacientes inconscientes) 
•Ortótono: todo tronco e todos membros 
estão rígidos, não se curvam para nenhum 
lado; 
•Opistótono: decorrente da contratura da 
musculatura lombar, observada em casos de 
tétano e meningite. O corpo se apoia na 
cabeça e nos calcanhares, emborcando-se 
como um arco. 
•Emprostótano: contrário do opistótano, ou 
seja, corpo do paciente forma uma 
concavidade voltada para diante. Observado 
nos casos de tétano, meningite e raiva. 
•Pleurostótono: raro, obervado em casos de 
raiva, meningite e tétano. Corpo se curva 
lateralmente. 
•Posição em gatilho: + comum em crianças e 
caracteriza-se pela hiperextensão da cabeça, 
flexão das pernas sobre as coxas e 
encurvamento do tronco com concavidade 
para diante. 
•Torcicolo e mão pêndula da paralisia radial: é 
involuntária, mas restritas a determinados 
segmentos do corpo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
→ Musculatura 
•É feito inspeção e palpação, para investigação 
semiológica 
→ todos os grupos musculares devem ser 
examinados. 
W Inspeção: não exige técnica especial: olhar 
atentamente a superfície corporal com o 
paciente em repouso, observando o relevo 
das massas musculares. 
W Palpação: feita com as polpas digitais 
colocadas em forma de pinça, com o polegar 
em oponência aos demais dedos da mão. 
 
→ De início, palpa-se o músculo ou o grupo 
muscular em estado de repouso e, em 
seguida, solicitasse ao paciente que faça uma 
leve contração do segmento que está em 
exame para se investigar o músculo em 
estado de contração. 
Com isso, conseguem-se informações quanto 
a: 
■Troficidade: corresponde à massa do 
músculo 
■Tonicidade: corresponde ao estado de 
semicontração própria do músculo. 
•A musculatura classifica-se da seguinte 
maneira: 
■ Quanto à troficidade: 
• Normal 
 
Mão pêndula da paralisia radial 
 
Maria Eduarda Pires 
 
• Hipertrófica: aumento da massa muscular 
• Hipotrófica: diminuição da massa muscular 
■ Quanto à tonicidade: 
• Tônus normal 
• Hipertonicidade, espasticidade, musculatura 
espástica ou rigidez: nota-se um estado de 
contração ou semicontração do músculo, 
mesmo em repouso, evidenciado pelo relevo 
muscular e aumento da consistênciaà 
palpação 
• Hipotonicidade ou flacidez: significa que o 
tônus está diminuído ou ausente, com perda 
do contorno da massa muscular e diminuição 
da consistência. 
→As alterações encontradas devem ser 
descritas topograficamente. 
Exemplos de alterações de musculatura 
•Poliomielite- grupos musculares hipotróficos e 
flácidos 
→ nas hemiplegias, encontra-se espasticidade 
da musculatura correspondente; nas lesões 
extrapiramidais, é típico o aumento da 
tonicidade sem alterações da troficidade; os 
atletas e os trabalhadores braçais desenvolvem 
os grupos musculares mais diretamente 
relacionados com seu trabalho, que se tornam 
hipertróficos; os idosos e os pacientes 
acamados durante longo tempo ficam com a 
musculatura hipotrófica (sarcopenia) e flácida.. 
•Crianças e mulheres- há normalmente um 
certo grau de hipotonia. 
*em idosos é importante o reconhecimento de 
avaliação da massa muscular. 
 
 
→ Movimentos involuntários 
• quando o paciente se ponha na presença do 
médico, logo o médico inicia-se a inspeção, 
incluindo a observação de movimentos 
involuntários, quando presentes. 
•Movimentos involuntários- contínuos, 
periodicamente ou acontece em crises 
→ Fundamental para a avaliação clínica: definir 
de são voluntários ou involuntários 
→Classificados em: 
•Hipocinéticos: pobreza e lentidão de 
movimentos- Parkison 
•Hipercinéticos: há excesso de movimentos, 
não associados a fraqueza muscular e/ou 
espasticidades 
→Principais movimentos involuntários 
-Tremores 
-Movimentos coreicos (coreia) 
-Movimentos atetósticos (atetose) 
-Pseudoatetose -Distonia 
-Hemibalismo 
-Mioclonias 
-Mioquinias 
-Asterix 
-Tiques 
-Convulsões 
-Tetania 
-fasciculações 
-Bradicinesia 
-Discinesias orofaciais 
Maria Eduarda Pires 
 
 
→Tremores 
•Movimentos alternantes, +/- rápidos e 
regulares, de pequena ou média amplitude – 
afetam principalmente as partes distais dos 
membros 
•Utiliza-se duas manobras para pesquisa de 
tremores: 
- Paciente estende as mãos com as palmas 
voltadas para baixo e com os dedos 
separados. Pode-se colocar uma folha de 
papel sobre o dorso de uma das mãos. 
- Paciente deve levar um copo, com uma 
das mãos, da mesa a boca. Pode ser 
substituído pela execução de um 
movimento, ex: tocar o próprio nariz com a 
ponta do indicador. 
W Classificação ou diferenciação dos 
tremores 
■ Tremor de repouso: surge durante o 
repouso e desaparece durante o sono; é um 
tremor oscilatório, em regra mais evidente 
nas mãos, simulando o gesto de “enrolar 
cigarro”. Ocorre no parkinsonismo 
■ Tremor de atitude ou postura: surge 
quando o membro é colocado em uma 
determinada posição, não sendo muito 
evidente no repouso ou no movimento. 
Ocorre no pré-coma hepático, quando é 
designado flapping ou asterix, e na doença 
de Wilson. Contudo, o tremor de atitude mais 
frequente é o tremorfamiliar, que é regular, 
não muito grosseiro, acentuado pelas 
emoções e, como sua própria designação 
indica, acomete vários membros de uma 
família 
■ Tremor de ação: é o que surge ou se 
agrava quando um movimento é executado. 
Aparece nas doenças cerebelares 
■ Tremor vibratório: é fino e rápido como 
se fosse uma vibração. Pode surgir no 
hipertireoidismo, no alcoolismo e na 
neurossífilis, mas a grande maioria é de 
origem emocional. 
→ Coreia (movimentos coreicos) 
•Movimentos involuntários, amplos, 
desordenados, de ocorrência inesperada e 
arrítmicos, multiformes e sem finalidade. 
Localizam-se na face, nos membros 
superiores e inferiores 
*Para melhor evidenciá-los, o paciente deve 
se deitar o + relaxado possível ou que fique 
sentado `a beira do leito com as pernas 
pendentes 
→ Os movimentos coreicos são as 
manifestações principais da síndrome coreica, 
havendo dois tipos: 
■ Coreia de Sydenham: também 
denominada coreia infantil ou dança de São 
Guido, relaciona-se estreitamente com a 
doença reumática 
■ Coreia de Huntington: distúrbio neurológico 
hereditário raro que se caracteriza por 
movimentos corporais anormais e 
incoordenação, também afetando habilidades 
mentais e aspectos da personalidade. 
→ Movimentos atetósicos (atetose) 
•São movimentos involuntários que ocorrem 
nas extremidades e apresentam 
características muito próprias: são lentos e 
estereotipados, podem ser uni ou bilaterais 
•Determinam a atetose as lesões dos 
núcleos da base. Frequentemente ocorrem 
Maria Eduarda Pires 
 
como sequela de impregnação cerebral por 
hiperbilirrubinemia do recém-nascido 
(kernicterus). 
→Pseudoatetose 
• Movimentos incoordenados, lentos e de 
grande amplitude, nas mãos, nos pés, na 
face. São relacionados à lesão do corpo 
estriado. 
→Balismo 
•São movimentos abruptos, violentos, de 
grande amplitude, rápidos e geralmente 
limitados a uma metade do corpo. São 
extremamente raros e decorrem de lesões 
extrapiramidais. Podem ser unilaterais 
(hemibalismo). 
→ Mioclonias 
• Movimentos involuntários breves, rítmicos 
ou arrítmicos, localizados ou difusos, que 
acometem um músculo ou um grupo 
muscular. Geralmente são relatadas como 
“abalos”, “choques”, “sacudidas” e “trancos”. 
Devem-se a descargas de neurônios 
subcorticais. 
→ Mioquinias 
• Contrações fibrilares de tipo ondulatório 
que surgem em músculos íntegros, 
principalmente no orbicular das pálpebras, 
quadríceps e gêmeos. 
Surge em pessoas normais, com maior 
frequência nos pacientes com transtornos 
emocionais e em pessoas fatigadas. 
→ Asterix (flapping) 
• são movimentos rápidos, de amplitude 
variável, que ocorrem nos segmentos distais 
e apresentam certa semelhança com o bater 
de asas das aves. 
Para melhor notar o flapping, deve-se realizar 
a seguinte manobra: o paciente estende os 
braços e superestende as mãos de modo a 
formar um ângulo de quase 90° com o 
antebraço. 
A manobra é completada pelo médico, que, 
com suas mãos, força para trás as mãos do 
paciente. 
→ Tiques 
• São movimentos involuntários que 
aparecem em determinado grupo muscular, 
repetindo-se sucessivamente. São 
domináveis pela vontade, e podem ser 
funcionais ou orgânicos. 
Os tiques motores podem ser: 
■ Simples: envolvem grupos musculares 
isolados, resultando em piscamentos, 
abertura da boca, balanceio da cabeça e 
pescoço para os lados e para trás, elevação 
dos ombros ou fechamento dos punhos 
■ Complexos: caracterizam-se por padrões 
elaborados de movimento (contrações faciais 
bizarras, desvios oculares, dar pequenos 
pulos durante a marcha, tocar ou cheirar 
objetos, gesticulação obscena). 
Os tiques vocais podem ser: 
■ Simples: incluem ato de limpar a garganta, 
grunhidos, estalos com lábios ou língua 
■ Complexos: abrangem palavras ou 
fragmentos de palavras, frases curtas, 
elementos musicais, repetição da última 
palavra ouvida do interlocutor ou repetição 
da última palavra emitida pelo próprio 
paciente. 
→ Convulsões 
• são movimentos musculares súbitos e 
incoordenados, involuntários e paroxísticos, 
Maria Eduarda Pires 
 
que ocorrem de maneira generalizada ou 
apenas em segmentos do corpo. As 
convulsões podem ser: 
■ Tônicas: caracterizam-se por serem 
mantidas permanentes e imobilizarem as 
articulações 
■ Clônicas: são rítmicas, alternando-se 
contrações e relaxamentos musculares em 
ritmo mais ou menos rápido 
 ■ Tônico-clônicas: esse tipo soma as 
características de ambas. 
As convulsões surgem em muitas condições 
clínicas, mas todas têm um denominador 
comum: descargas bioelétricas originadas em 
alguma área cerebral com imediata 
estimulação motora.. 
*Podem aparecer: no tétano, estados 
hiperglicêmicos, tumores cerebrais, etc. 
→ Tetania 
• forma particular de movimentos 
involuntários e caracteriza-se por crises 
exclusivamente tônicas quase sempre 
localizadas nas mãos e pés, por isso 
denominados “espasmos carpopodais”. 
A tetania pode ocorrer independentemente 
de qualquermanobra; porém, às vezes, é 
necessário usar um artifício para 
desencadeá-la - compressão do braço com 
o manguito do esfigmomanômetro. 
*Se a pressão arterial do paciente é de 
140/90 mmHg, insufla-se o manguito até 110 
mmHg durante 10 min, ao fim dos quais 
poderá aparecer um movimento involuntário 
naquela extremidade, o qual nada mais é do 
que um “espasmo carpal”. 
A tetania ocorre nas hipocalcemias (p. ex., 
hipoparatireoidismo) e na alcalose respiratória 
por hiperventilação. 
→ fasciculações 
• Contrações breves, arrítmicas e limitadas a 
um feixe muscular 
→ Discinesias 
• São alterações dos movimentos voluntários 
que podem adquirir a forma coreiforme, 
atetoide ou movimentos rítmicos em 
determinadas regiões corporais que 
diminuem com os movimentos voluntários da 
parte afetada. 
*Bradicinesia refere-se à lentidão de 
movimentos apresentada pelos pacientes 
com doença de Parkinson, que pode ser 
detectada de diferentes maneiras. 
• Discinesias orofaciais 
São movimentos rítmicos, repetitivos e 
bizarros, que comprometem, principalmente, 
a face, a boca, a mandíbula e a língua, sendo 
expressos sob a forma de caretas, franzir 
dos lábios, protrusão da língua, abertura e 
fechamento da boca e desvios da mandíbula. 
→Distonias 
• São contrações musculares mantidas que 
levam a posturas anormais e movimentos 
repetitivos, quase sempre acompanhados de 
dor – torcicolo espasmódico 
 
 
 
 
 
 
Maria Eduarda Pires 
 
 
→ Efisema subcutâneo 
•Presença de bolha de ar debaixo da pele 
W técnica: palpação – deslizando-se a mão 
sobre a região suspeita 
* O ar pode ser procedente do tórax – 
pneumotórax, bactérias produtoras de gás 
•Ocorre – nas gangrenas gasosas 
 
→ Circulação colateral 
• Presença de circuito venoso anormal visível 
ao exame da pele. 
• Indica dificuldade ou impedimento do fluxo 
venoso através dos troncos venosos principais 
- cava inferior, cava superior, tronco venoso 
braquicefálico, ilíacas primitivas, veia cava 
Por causa desse obstáculo, o sangue se desvia 
para as colaterais previamente existentes, 
tornando-se um caminho vicariante capaz de 
contornar o local ocluído, parcial ou totalmente. 
A circulação colateral deve ser analisada sob 
os seguintes aspectos: 
◗ Localização 
◗ Direção do fluxo sanguíneo 
◗ Presença de frêmito e/ou sopro. 
Localização - Tórax, abdome, raiz dos 
membros superiores, segmento cefálico 
Direção do fluxo sanguíneo 
• Técnica: com: comprime-se com as polpas 
digitais dos dois indicadores, colocados rentes 
um ao outro, um segmento da veia a ser 
analisada; em seguida, os dedos vão se 
afastando lentamente, mantida constante a 
pressão, de modo a deslocar a coluna 
sanguínea daquele segmento venoso. 
 Quando os indicadores estão separados 
cerca de 5 a 10 cm, são imobilizados e se 
assegura se realmente aquele trecho da veia 
está exangue. Estando vazia a veia, 
executa-se a outra parte da manobra, que 
consiste em retirar um dos dedos, 
permanecendo comprimida apenas uma das 
extremidades. Feito isso, procura-se observar 
o reenchimento daquele segmento venoso: 
(a) se ocorre o enchimento imediato da veia, 
significa que o sangue está fluindo no sentido 
do dedo que permanece fazendo a 
compressão; (b) permanecendo colapsado o 
segmento venoso, repete-se a manobra, 
agora descomprimindo-se a outra 
extremidade e verificando se houve 
enchimento do vaso. A manobra deve ser 
repetida 2 ou 3 vezes para não haver 
dúvida, e, ao terminá-la, o examinador terá 
condições de saber em que sentido corre o 
sangue. Este fenômeno se registra 
usando-se as seguintes expressões: 
■ Fluxo venoso abdome-tórax 
■ Fluxo venoso ombro-tórax 
■ Fluxo venoso pelve-abdome. 
 
Maria Eduarda Pires 
 
 
Presença de frêmitos e/ou sopro 
•como conseguir perceber: Frêmito – tato 
Sopro – ausculta 
*Somente se percebe quando há 
recanalização da veia umbilical. 
 
→ Postura ou atitude na posição de 
pé 
•Observar no paciente no leito e quando ele 
se põe de pé 
•Queixas mais comuns – lombalgia e dorsalgia 
W Classificação 
■ Boa postura 
• Cabeça ereta ou ligeiramente inclinada para 
diante 
• Peito erguido, fazendo adiantar ao máximo 
essa parte do corpo • Abdome inferior 
achatado ou levemente retraído 
• Curvas posteriores nos limites normais 
■ Postura sofrível 
• Cabeça levemente inclinada para diante 
• Peito achatado 
• Abdome algo protruso, passando a ser a 
parte mais saliente do corpo • Curvas 
posteriores exageradas 
■ Má postura 
• Cabeça acentuadamente inclinada para 
diante 
• Peito deprimido 
• Abdome saliente e relaxado 
• Curvas posteriores exageradas. 
Curiosidades: Essas posturas guardam certa 
relação com o biotipo da pessoa. Assim, os 
longilíneos frequentemente reúnem as 
características de má postura. 
Uma atitude muito típica pode ser vista nos 
parkinsonianos e é determinada pela rigidez 
muscular generalizada. O paciente permanece 
com o tronco ligeiramente fletido para frente, 
os membros superiores igualmente fletidos, 
enquanto as mãos e os dedos se movem 
continuamente, tomados de um tremor lento 
e de amplitude sempre igual. 
Cifose, lordose e escoliose 
As afecções da coluna costumam 
acompanhar-se de alterações da posição, 
cabendo referências a: 
◗ Cifose: é uma alteração da forma da 
coluna dorsal com concavidade anterior, 
vulgarmente designada “corcunda”. A causa 
mais comum é o vício de postura. Pode ser 
consequência de tuberculose da coluna (mal 
de Pott), osteomielite, neoplasias, ou ser de 
origem congênita 
◗ Lordose (cervical ou lombar): é o 
encurvamento da coluna vertebral, formando 
concavidade para trás. Decorre de alterações 
de vértebras ou de discos intervertebrais. 
◗ Escoliose: é o desvio lateral da coluna em 
qualquer segmento vertebral, sendo mais 
frequente na coluna lombar ou lombodorsal. 
Pode ser de origem congênita ou secundária 
a alterações nas vértebras ou dos músculos 
paravertebrais 
. Instabilidade postural 
Maria Eduarda Pires 
 
O equilíbrio postural é a capacidade do ser 
humano de manter-se ereto e executar 
movimentos do corpo sem apresentar 
oscilações ou quedas. 
A instabilidade postural é manifestação 
importante da doença de Parkinson e pode 
ser avaliada - Pull test ou teste de retropulsão 
 
→ Biótipo ou tipo morfológico 
•É o conjunto de características morfológicas 
apresentadas pelo indivíduo. Não confundir 
biótipo com altura. 
-Classificação 
■ Brevilíneo: comparado a Sancho Pança, 
apresenta as seguintes características: 
• Pescoço curto e grosso 
• Tórax alargado e volumoso 
• Membros curtos em relação ao tronco 
• Ângulo de Charpy maior que 90° (junção 
das rebordas costais com o apêndice xifoide) 
• Musculatura desenvolvida e panículo adiposo 
espesso 
• Tendência para baixa estatura 
■ Mediolíneo: é o tipo intermediário e 
caracteriza-se pelos seguintes elementos: 
 • Equilíbrio entre os membros e o tronco 
• Desenvolvimento harmônico da musculatura 
e do panículo adiposo 
• Ângulo de Charpy em torno de 90° 
■ Longilíneo: comparado a Dom Quixote, 
apresenta as seguintes características: 
• Pescoço longo e delgado 
• Tórax afilado e chato 
• Membros alongados com franco predomínio 
sobre o tronco 
• Ângulo de Charpy menor que 90° 
• Musculatura delgada e panículo adiposo 
pouco desenvolvido 
• Tendência para estatura elevada. 
 →Útil - para a correta interpretação das 
variações anatômicas que acompanham cada 
tipo morfológico, pois há uma relação entre a 
forma exterior do corpo e a posição das 
vísceras. Assim, a forma do coração e a 
localização do ictus cordis serão diferentes 
nos três tipos. 
* A forma do estômago, por sua vez, está 
estreitamente relacionada com a morfologia 
externa do indivíduo. 
 
→ Marcha 
•A identificação do modo de andar do 
paciente – afecções neurológicas 
•Analisada - solicita-se ao paciente que 
caminhe certadistância (acima de 5 m), 
descalço, de preferência com calção, com 
olhos abertos e fechados, indo e voltando 
sob a observação do examinador. 
*A marcha normal pode sofrer variações em 
relação a particularidades individuais 
→Tipos de marcha anormal 
Marcha de pequenos passos. A característica 
principal é a diminuição do comprimento da 
passada, com deslocamento anterior do 
corpo e diminuição da potência no final do 
apoio. 
Traduz perda da plasticidade das estruturas 
cerebrais que comandam a deambulação. 
Maria Eduarda Pires 
 
Observa-se neste tipo de marcha uma 
tendência a quedas 
■ Causas. Senilidade, doença de Alzheimer. 
Marcha ceifante ou hemiplégica. 
Caracteriza-se pela incapacidade de 
aumentar a velocidade de locomoção ou de 
adaptar-se às irregularidades do solo, além da 
dificuldade de elevar o pé durante a 
caminhada. Ao andar o paciente levanta o 
membro afetado, inicialmente para fora, 
depois para frente, executando um 
movimento ao redor da coxa, como se 
ceifasse algo no chão. A oscilação dos braços 
está comprometida. 
■ Causa. Acidente vascular encefálico (AVE). 
Marcha atáxica. Há três tipos: ataxia sensorial, 
labiríntica (vestibular) e cerebelar. Estão 
afetados o controle postural e a 
coordenação dos movimentos. Ao andar 
observa-se falta de equilíbrio, o paciente 
caminha cambaleando, como se fosse cair. 
Anda batendo o pé, alargando a base e 
mantendo os olhos fixos no chão. 
■ Causas. Esclerose múltipla, ataxia de 
Friedreich, polineuropatia periférica (diabética 
e alcoólica), lesões cerebelares. 
Marcha propulsiva. Ao caminhar o paciente 
adota uma postura rígida com a cabeça e o 
pescoço encurvados para a frente, enquanto 
os braços permanecem estendidos e 
imobilizados, rentes ao corpo, e os quadris e 
os joelhos ficam semiencurvados. Ao andar, o 
centro de gravidade do corpo desloca-se 
para frente, prejudicando o equilíbrio, o que 
obriga o paciente a dar passos curtos, cada 
vez mais rápidos, com aceleração 
involuntária da deambulação. Deve ser 
diferenciada da marcha de pequenos passos. 
■ Causas. Doença de Parkinson, esclerose 
múltipla. 
Marcha tabética ou talonante. A marcha é 
realizada com a base alargada e o olhar fixo 
no chão, em função da perda da noção de 
proximidade do solo em relação aos pés. Os 
pés são arremessados para diante e batem 
com força no chão. Os calcanhares tocam o 
solo pesadamente. Decorrem de lesão do 
cordão posterior da medula ou da inervação 
periférica. 
■ Causas. Neurossífilis (tabes dorsalis), 
polineuropatia periférica. 
Marcha espástica ou em tesoura. Uma das 
pernas fica esticada com flexão plantar do pé 
enquanto um dos braços permanece imóvel 
e próximo ao corpo (hemiparesia espástica). 
Quando bilateral, os dois membros inferiores, 
enrijecidos e espásticos, permanecem 
semifletidos. Ao caminhar os pés se arrastam 
e as pernas se cruzam, em um movimento 
que lembra o funcionamento de uma 
tesoura. 
■ Causas. Esclerose múltipla, encefalopatia 
crônica da infância. 
Marcha anserina. Quando o paciente dá o 
passo o quadril oposto cai, em virtude de 
fraqueza dos músculos da cintura pélvica. 
 ■ Causa. Distrofia muscular. 
Marcha claudicante. Para aliviar o peso sobre 
um dos membros inferiores, o paciente 
modifica a marcha, ficando uma perna com 
movimentação normal, enquanto a outra 
toca com menos força no chão. 
■ Causas. Afecções articulares, musculares 
ou ósseas que se acompanham de dor. 
 
Maria Eduarda Pires

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