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Isadora Albuquerque – Medicina 7° periodo ● Conceito: são infecções cutâneas causadas por bactérias piogênicas, principalmente o estreptococo B-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes) ou Staphylococcus aureus. ● Subdivisão: → Impetigo; → Foliculite; → Furúnculo; → Ectima; → Erisipela; → Celulite; → Abscesso. ● É a piodermite mais comum, responsável por 60% dos casos. ● Acomete principalmente crianças em idade pré-escolar e escolar; ● Fatores predisponentes: falta de higiene, doença cutânea pré-existente (ex: dermatite atópica); ● Trata-se de uma doença que atinge apenas a epiderme, por isso não deixa cicatriz; ● É mais frequente em face (periorificial, principalmente próximo a boca e nariz) e extremidades; ● Pode haver autoinoculação, por isso é importante informar ao paciente que não pode coçar, já que isso pode promover a inoculação em outros locais e consequentemente a disseminação da doença; ● Quando o impetigo tem origem streptocócica, há a possibilidade de complicar em glomerulonefrite difusa aguda, mas é raro. ● Etiopatogenia: → Colonização da pele + solução de continuidade; → A colonização da pele por streptococcus precede o surgimento das lesões em 10 dias. Ou seja, o Streptococcus coloniza a pele e 10 dias depois, se houver solução de continuidade, surgirá o impetigo. → Quando causado por staphylococcus, os patógenos são procedentes do nariz. O Staphylococcus mora, naturalmente, no nariz. Todavia, quando encontra alguma solução de continuidade ou baixa da imunidade ou alguma quebra de barreira, surgirá o impetigo. ● Diagnóstico: anamnese + exame físico. ● Diagnóstico diferencial: herpes simples, herpes zoster, eczemas, varicela, escabiose e pênfigo. ● Subdivisão: 1. Não bolhoso: → É a forma mais comum, responsável por 70% dos casos; → O principal agente é o Streptococcus e/ou Staphylococcus; → Vesícula/pústula sobre base eritematosa. Quando essa lesão se rompe, surge exsudato purulento ou uma crosta amarelada (melicérica) 2. Bolhoso: → Só é causado por Staphylococcus; → Vesículas ou bolhas (toxinas) e, quando essas lesões se rompem, surgem descamação ou crostas no local. Isadora Albuquerque – Medicina 7° periodo → Na prática clínica, encontra-se mais a lesão exulcerada, uma vez que as bolhas rompem com muita facilidade. ● Tratamento: 1. Higiene; 2. Compressas com antisséptico 🡪 permanganato de potássio ou água boricada. Essa opção é indicada quando as lesões estão ÚMIDAS para ajudar a secá-las. O uso do permanganato de potássio é feito diluindo meio comprimido em 2L de água. Feito isso, lava o local com essa diluição ou umedece uma compressa e coloca no local. **Obs: só usar em lesões que estão exsudando, quando está com crosta sequinha, basta orientar com água e sabão de forma suave. 3. Antibiótico tópico 🡪 mupirocina, ácido fusídico, neomicina + bacitracina, gentamicina. Indicada quando tem poucas lesões, localizada, sem muito comprometimento da criança. Os antibióticos de escolha são mupirocina e ácido fusídico, principalmente o ácido fusídico por induzir menos respostas alérgicas. Posologia: 2x/dia por 7-10 dias, a depender da lesão e da higiene do paciente. 4. Antibiótico oral (7-10 dias) 🡪 Cefalexina, amoxicilina + clavulanato, cefadroxila, eritromicina, macrolídeos e penicilina. Indicado para quando há comprometimento ou disseminação das lesões ou quando há febre na criança. Nesse caso, são associados aos antibióticos tópicos. Os antibióticos mais usados são cefalexina e amoxicilina, quando há necessidade. ● É uma infecção do folículo piloso causada pelo S. aureus; ● Fatores predisponente: diabetes, roupas justas (jeans), depilação, obstrução folicular; ● Diagnóstico: anamnese + exame físico e, se houver dúvida, Gram e culturas da secreção. ● Achado típico: pústula sobre placa eritematosa numa área de folículo piloso. ● Tratamento: 1. Medidas locais: antissépticos e antibióticos locais (mupirocina e ácido fusídico); 2. Antibiótico sistêmico: drogas antiestafilocócicas (cefalexina, oxacilina) Cefalexina é um antibiótico administrado via oral e Oxacilina é IV. Por tal motivo, conclui-se que a segunda opção terapêutica (Oxa) fica reservado aos casos de internação ou refratários. ● Trata-se de uma infecção do folículo piloso e da glândula sebácea causada pelo Staphylococccus aureus. Ou seja, furúnculo é a infecção de toda a unidade pilosebácea. ● Pode ocorrer em qualquer lugar, sendo mais comum em pescoço, face, axilas e nádegas; ● Quadro clínico: nódulo endurecido, eritematoso, com calor e dor 🡪 evolui para flutuação (fica mais mole), surge o popular “carnegão”, a pele abre e, então, drena de secreção purulenta; ● Fatores predisponentes: obesidade, imunodepressão, DM, ou qualquer coisa que cause fricção ou oclusão no local. ● Tratamento: 1. Medidas gerais: antissépticos, antibióticos tópicos (mupirocina ou ácido fusídico) e compressa morna. A compressa morna é prescrita 3x ao dia, no intuito de fazer o pus que estava mais profundo, ficar superficial, ajudando a drenar/sair com mais facilidade. Isadora Albuquerque – Medicina 7° periodo 2. Antibioticoterapia sistêmica: drogas antiestafilocócicas. Opões terapêuticas: a) Cefalexina VO 500mg 6/6h ou bactrim VO (sulfa+ trimetropim) 800+ 160mg 12/12h; b) Oxacilina 1-2g 4/4h ou 6/6h, se o paciente estiver internado ou casos muitos extensos. 3. Drenagem Para drenar, é necessário esperar o pus se superficializar para que fique mole e possa abrir com o bisturi, não adianta tentar com o furúnculo duro. Mesmo quando não é possível drenar cirurgicamente, quando há a antibioticoterapia ou acaba drenando espontaneamente, ou o organismo limpa e infecção e inflamação. ● Descolonização do S. aureus: Indicada quadros de repetição: 1. Mupirocina nas narinas (onde o staphylococcus mora) 2x/dia 5 dias/mês por 3 meses: reduz recorrência em 50% (alguns autores falam para usar também atrás das orelhas, axilas, umbigo, etc). 2. Ácido fusídico nas narinas 2x/dia nos primeiros 5 dias do mês por 3 meses. ● Trata-se de uma infecção de vários folículos adjacentes, formando uma massa inflamatória coalescente e drenando o pus por múltiplos orifícios foliculares; ● É como se fossem vários furúnculos juntos; ● Aparecem mais na região cervical posterior; ● Mais comum em diabéticos. ● Tratamento: 1. Medidas gerais: antissépticos, antibióticos tópicos (mupirocina ou ácido fusídico) e compressa morna. A compressa morna é prescrita 3x ao dia, no intuito de fazer o pus que estava mais profundo, ficar superficial, ajudando a drenar/sair com mais facilidade. 2. Antibioticoterapia sistêmica: drogas antiestafilocócicas. Opões terapêuticas: a) Cefalexina VO 500mg 6/6h ou bactrim VO (sulfa+ trimetropim) 800+ 160mg 12/12h; b) Oxacilina 1-2g 4/4h ou 6/6h, se o paciente estiver internado ou casos muitos extensos. 3. Drenagem Drenar quando o pus já estiver superficial. ● Principais agentes: S. aureus, Streptococcus do grupo A e, em casos raros, a Pseudomonas aeruginosa pode estar associada; ● Mais comum em crianças, idosos, diabéticos e desnutridos (bem comum nesses últimos); ● Quadro clínico: vesícula ou pústula (semelhante ao impetigo), que rompe, se alarga e se aprofunda, formando úlcera de base necrótica, com halo eritematoso ou violáceo e recoberta por crosta de difícil retirada; ● Diagnóstico diferencial: leishmaniose tegumentar (borda de úlcera em moldura, faz biópsia pra diferenciar), úlcera venosa ou qualquer outra úlcera que possa aparecer na pele; ● Diagnóstico: clínico (suficiente na maioria das vezes), gram, culturas e biópsias (quandohouver dúvidas); ● Tratamento: Isadora Albuquerque – Medicina 7° periodo 1. Cuidados locais: limpeza com água e sabão, antibióticos tópicos (principalmente mupirocina, ácido fusídico) 2. Melhora do quadro nutricional; 3. Sempre associar antibióticos anti- estafilocócicos por 2 a 3 semanas (Cefalexicina e bactrim (VO) e oxacilina (pacientes internados) ● É uma infecção cutânea aguda de etiologia principalmente estreptocócica, por vezes recidivante; ● Staphylococcus aureus em 10 a 17%; ● Bacilos gram negativos – pseudomonas aeruginosa, acinetobacter calcoaceticus, Hemophillus influenzae, enterobacteriáceas (normalmente quando o paciente tem pé diabético e úlceras de decúbito); ● Epidemiologia: ● Sexo feminino; ● Adultos entre 40 e 60 anos; ● Membros inferiores (85%); ● Face (10%). ● Fatores de risco: ● Fatores locais: linfedema crônico, solução de continuidade, intertrigo interdigital (fungo), úlcera crônica e lesão traumática; ● Fatores gerais: obesidade. ● Quadro clínico: ● Placa eritematosa, edematosa, quente, dolorosa, de limites bem definidos, geralmente em membro inferior; ● Início súbito; ● Febre (38,5°C – 40°C) com calafrios; ● Adenopatia dolorosa; ● Erisipela bolhosa (quando tem bolha associada, pensar em etiologia do estafilococo). ● Linfedema tanto pode ser consequência do erisipela da consequência, quanto pode ser um fator predisponente para essa lesão aparecer. ● Tratamento: 1. Antibioticoterapia sistêmica (sempre): a maioria dos pacientes internam para fazer a medicação. Opções terapêuticas: a) Penicilina G Cristalina 16 a 24 milhões UI/dia de 4/4h ou 6/6 IV (pacientes internados) b) Ceftriaxone 1-2g/dia IV ou IM por 7 a 10 dias (IM se não for internado e IV se for em internamento). c) Oxacilina 1-2g 4/4hou 6/6h (nos casos de erisipela bolhosa, pois pega Staphylococco); d) Cefalexina (é a única opção feita via oral, usado em erisipelas pequenas e observa por 48h. Em casos de erisipelas de grande extensão, não adianta colocar essa medicação, tem que as outras opções IM ou IV) 2. Medidas gerais: Orientações: a) Repouso com elevação do membro afetado; b) Punção das bolhas c) Antimicrobianos tópicos – bolhas. ● Profilaxia: indicada para erisipela de repetição (>3x, paciente idoso, com comorbidades, acamado): Penicilina G Benzatina 1.200.000 uma vez a cada semana por 6 meses. ● É uma infecção aguda cutânea que se estende até o tecido celular subcutâneo; ● Os agentes mais comuns são Streptococcus do grupo A e Staphylococcus aureus; ● Fatores desencadeantes: traumas, furúnculos, micoses, úlceras cutâneas e ferida cirúrgica; ● Quadro clínico: Placa eritematosa, SEM LIMITES PRECISOS, com bordas não totalmente demarcadas ou elevadas. Além disso, há febre com calafrios, fadiga e dor local; ● Pode haver linfadenopatia regional e bacteremia, assim como na erisipela ● Tratamento: 1. Antibioticoterapia: Opções terapêuticas: Isadora Albuquerque – Medicina 7° periodo a) Oxacilina EV por 7-10 dias (tratamento empírico de escolha) b) Cefalexina VO – em casos de não necessidade de internação, ou seja, em celulites pequenas. c) Vancomicina Na maioria dos casos é necessário internar e usar Oxacilina EV; todavia, se for uma lesão pequena e o paciente estiver em bom estado geral, iniciamos com Cefalexina VO e observamos. Se não houver melhora ou mesmo se tiver piora, interna-se para iniciar Oxacilina EV. Se, mesmo com a Oxa não tiver melhora, escalona a medicação para a Vancomicina. ● Coleções de pus na derme que também pode acometer tecidos profundos, causada por polimicrobianos (vários agentes microbianos juntos causando); ● Parece com o furúnculo, mas não tem a história natural de ser um nódulo endurecido que amolece e drena. Nesse caso (abscesso) desde o início é da mesma forma; ● Tratamento: ● Drenagem do pus (sempre que possível); Explora a cavidade e depois recobre o ferimento com gaze e associa a antibioticoterapia sistêmica (se ambulatorial, usar cefalexina ou bactrim; se a nível hospitalar, usar oxacilina) ● Antibioticoterapia sistêmica Opções terapêuticas a) Cefalexina 500mg 6/6h por 7-10 dias; b) Amoxicilina-clavulanato; c) bactrim (sulfametoxazol + trimetropima); d) Oxacilina; e) Outros. ** Obs: o uso da Cefalexina em crianças é feita calculando o peso/4. Tem 250g por ml. Ex: pct com 12kg. Então ele vai tomar 3ml de 6/6h