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Nas unidades anteriores, você estudou diversos aspectos da língua e da linguagem, da elaboração de textos às funções sociais e culturais que a mensagem exerce na sociedade. Entre os tópicos estudados, destacou-se a importância do leitor no processo de construção e análise do texto. Nesta unidade, serão discutidos dois elementos do texto fundamentais a uma boa leitura e interpretação: os signos, que podem ser verbais ou não verbais, e os tipos e gêneros textuais, que indicam, principalmente, qual a finalidade do texto e a que público leitor ele é dirigido. No contexto do mundo contemporâneo, no qual as tecnologias possibilitam que as informações atinjam um maior número de pessoas, é importante identificarmos as características dos textos recebidos e como eles representam a nossa cultura.
O signo: palavras e imagens
O processo de comunicação pode se tornar mais eficaz se a escolha do signo verbal ou não verbal atender à proposta da mensagem e ao contexto em que ela é transmitida. No entanto, para que os signos possam ser compreendidos, o leitor precisa saber o que eles representam no contexto da mensagem.
O signo verbal: denotação e conotação
Signos verbais (ou signos linguísticos) são os que utilizam palavras, escritas ou faladas, em sua composição. Nesse caso, utilizamos uma linguagem verbal.
Exemplos: “xícara” é um signo verbal composto de uma palavra; "asa de xícara” é um signo verbal composto de três palavras.
Atenção: “asa de xícara” é um signo verbal porque representa um só elemento, ou seja, a palavra asa compõe uma parte do utensílio xícara. No entanto, “asa de anjo” e “asa de passarinho” são expressões que não representam apenas um elemento, pois a palavra “asa” mantém a sua unidade, tendo sido complementada por “de anjo” e “de passarinho”.
Quando escrevemos ou pronunciamos o signo “asas”, logo nos vem à mente a imagem das asas de um pássaro, de um avião ou mesmo de um anjo. Nesse caso, o signo verbal corresponde à realidade. Assim, temos uma linguagem denotativa.
Quando lemos ou ouvimos a expressão “asas da imaginação”, associamos um signo verbal (“asas”) a uma realidade à qual ele não corresponde diretamente, o que se constitui como uma linguagem conotativa.
O signo não verbal: imagens, índices, ícones e símbolos
Muitas vezes, um texto prescinde de palavras, ou seja, um texto é elaborado e pode ser compreendido sem que o autor utilize signos verbais. Quando isso ocorre, temos um texto constituído por signos não verbais.
Os signos não verbais são representações (visuais ou sonoras) de uma realidade. São exemplos de signos não verbais: dança, mímica, expressões faciais, gestos, desenhos, fotografias etc.
Um texto elaborado em linguagem não verbal pode utilizar apenas uma imagem.
A imagem ao lado pode ser compreendida pelo signo verbal “sorriso” ou pela combinação de signos “sorriso de mulher”.
Entretanto, há signos não verbais que, pela repetição de seu uso ou pela reincidência de fenômenos, são associados a um determinado objeto, realidade ou ideia. Esses signos não verbais transformam-se em índices, ícones ou símbolos.
Denominam-se índices os signos não verbais que funcionam indicando outra coisa, que poderá vir na sequência, e que são compreendidos segundo a experiência do interpretador (aquele que interpreta o signo).
	Um céu com muitas nuvens escuras e relâmpagos são um indício de que poderá ocorrer uma tempestade. A reincidência desse fenômeno natural transformou a imagem em índice.
	
	Batidas repetidas em uma porta indicam que alguém deseja ser atendido pelo morador da residência. Assim, o som das batidas constitui-se em um índice.
Denominam-se ícones os signos não verbais, criados artificialmente, que representam um objeto por similaridade (semelhança), ou seja, que sejam coerentes com o objeto ou com a realidade a ser representada.
Os ícones de masculino e feminino, proibição e reciclagem são compreendidos universalmente.
Os emojis (ideogramas de origem japonesa) são ícones que transmitem a ideia de uma palavra ou de uma frase completa.
Denominam-se símbolos os signos não verbais que são associados a ideias abstratas, tendo ou não relação direta entre o signo e o conceito. Os símbolos existem por convenção social, ou seja, uma determinada comunidade compreende e aceita uma associação entre um signo não verbal e o que ele deverá representar.
Acima, temos os símbolos da justiça, do infinito e da paz.
A “balança” é o símbolo da justiça porque representa o equilíbrio entre a culpa e o castigo; o “oito deitado”, originalmente, é um símbolo matemático usado desde a Antiguidade pelos gregos e representa o que não tem fim e, no contexto místico, representa a eterna recriação e repetição do universo; o símbolo da paz foi criado em 1958 pelo britânico Gerald Herbert Holtom e representa a união das letras N e D, que significam desarmamento nuclear.
O peixe é um símbolo primitivo do cristianismo. As primeiras letras das palavras “Iesous Christos, Theou Yios Soter”, que significam “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”, correspondem à palavra grega Ichthys (“peixe”, em português). Esse símbolo mantinha os primeiros cristãos no anonimato, protegendo-os da perseguição dos romanos.
Antes de se tornar símbolo, um signo não verbal pode ser definido como índice ou ícone. A repetição e aceitação do índice ou ícone pela sociedade pode atribuir ao signo o valor de símbolo.
A escolha dos signos no processo comunicativo
Como vimos na Unidade 2 (Aula 2), precisamos adequar nossa linguagem à situação comunicativa.
Quando elaboramos um texto, seja oral, seja escrito, a escolha dos signos, verbais ou não verbais, deve estar de acordo com a situação comunicativa, a fim de que a mensagem seja compreendida pelo receptor.
Para isso, é necessário que saibamos:
a. A quem se destina o texto produzido?
b. Qual a finalidade da mensagem?
c. Que veículo será utilizado para transmitir a mensagem?
Como leitores, preocupamo-nos mais com o conteúdo da mensagem do que com a forma como ela é transmitida. No entanto, se os signos utilizados não forem selecionados adequadamente, haverá ruídos na mensagem, e ela talvez não cumpra seu objetivo.
Fonte: Portal do Professor
O outdoor acima apresenta um texto elaborado com signos verbais que estão de acordo com a proposta. No entanto, a escolha dos signos não verbais, que representam personagens de histórias infantis não parece adequada. Afinal, as crianças não têm muitos motivos para simpatizar com a figura da bruxa posicionada no centro da imagem. A escolha inadequada do signo não verbal causa um “ruído na comunicação”.
Uma prática desenvolvida culturalmente é a “cantada”, uma tentativa de aproximação de alguém que desperta o interesse do falante. No entanto, para que a mensagem seja bem recebida pelo interlocutor, o falante deve ter cuidado com a escolha dos signos.
Uma “cantada” conhecida é “O cachorrinho tem telefone?”. No entanto, na charge acima, o falante substituiu o signo “cachorrinho” por “cadelinha”, o que não foi uma boa escolha.
Vocábulos que possuem mais de um significado podem dificultar a compreensão da mensagem, provocando ambiguidade.
Fonte: Conversa de Português
O signo “muda” provocou uma ambiguidade, embora o leitor entenda a mensagem pelo contexto estabelecido pela expressão “vende tudo”.
Com esses exemplos, constatamos que a escolha dos signos é fundamental para que a mensagem elaborada seja bem compreendida.