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DESIGN DE SALAS DE TERAPIA EM ESCOLAS INCLUSIVAS DOUTORAMENTO EM DESIGN JOANA PERRY DA CÂMARA DE CARVALHO SAES Orientadoras: Profª Doutora Maria João de Carvalho Durão dos Santos Profª Doutora Rita Assoreira Almendra Tese especialmente elaborada para obtenção do grau de Doutor Documento definitivo 2019 DESIGN DE SALAS DE TERAPIA EM ESCOLAS INCLUSIVAS DOUTORAMENTO EM DESIGN JOANA PERRY DA CÂMARA DE CARVALHO SAES Orientadoras: Profª Doutora Maria João de Carvalho Durão dos Santos Profª Doutora Rita Assoreira Almendra Constituição do júri Presidente: Doutor Amílcar de Gil e Pires, Professor Auxiliar da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Vogais: Doutora Rita Assoreira Almendra, Professora Associada com agregação da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, orientadora; Doutor Vítor Manuel Teixeira Manaças, Professor Associado Aposentado da Universidade Lusófona de Lisboa; Doutora Teresa Cláudia Magalhães Franqueira Baptista, Professora Associada, da Universidade de Aveiro; Doutor João Nuno Carvalho Pernão, Professor Auxiliar da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa; Doutora Lígia Maria Pinto Lopes, Professora Auxiliar Convidada da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tese especialmente elaborada para obtenção do grau de Doutor Documento definitivo 2019 ii 1 JOANA PERRY DA CÂMARA DE CARVALHO SAES DESIGN DE SALAS DE TERAPIA EM ESCOLAS INCLUSIVAS Tese apresentada na Faculdade de Arquitetura de Lisboa para obtenção do grau de Doutor Orientadoras: Profª Doutora Maria João de Carvalho Durão dos Santos Profª Doutora Rita Assoreira Almendra Faculdade de Arquitetura de Lisboa Departamento de Design Documento definitivo Lisboa 2019 2 EPÍGRAFE O design e a vida, a vida e o design, a vida do design e o design da vida, são expressões sensíveis, que podem sentir-se de modo perfeitamente conscientizado, e que nos transporta sempre para o sentir e testar aprofundadamente a experienciação de sensações e comprovadas reflexões. Bem sabemos que é impossível acessibilizar em pleno todo o tipo de conhecimento a todos e a cada um em especial, devido a problemas, por vezes inultrapassáveis, no que se refere a capacidades, principalmente de natureza sensoriocognitiva e sociocognitiva. Mas podemos investigar, estudar e desenvolver mais a diversidade e adequabilidade de alternativas para, na medida do possível, se hipotisarem soluções ajustadas e, assim, contribuir para a diminuição ou supressão dessas dificuldades. Augusto Deodato Guerreiro 3 DEDICATÓRIA Para a minha filhota Sara, por todos os abraços, miminhos e beijocas que a Mamã não te pôde dar no momento em que tu me pedias. Por tudo o que me ensinas e por fazeres de mim uma pessoa melhor todos os dias. Por seres a minha luz cintilante quando o desespero ataca. Por seres tu, tal como és. Para o meu marido, pela paciência e esforço feitos para que eu conseguisse terminar a minha investigação. Por quereres sempre o melhor para mim e para nós. Aos meus pais e aos meus irmãos, por me educarem para ser como sou e me ensinarem que não podemos desistir, nem mesmo quando o cansaço tenta levar a melhor, e que o conhecimento nunca é demais. Por todas as conversas, apoio e carinho. Ao Litos e à Nené, as duas estrelinhas mais brilhantes que me acompanham de perto e que olham por mim. Para todos aqueles que acreditaram em mim, quando eu mesma duvidei. Muito obrigada por tudo. 4 AGRADECIMENTOS À Professora Doutora Rita Almendra, pelo seu trabalho incansável e por acreditar no projeto ao longo de toda a investigação, mantendo-me sempre no caminho certo. À Professora Doutora Maria João Durão, por todo o apoio, preocupação e carinho. Por me fazer sair do meu mundo e perceber as maravilhas do que está para além do que posso ver. Um agradecimento especial à Professora Doutora Sofia Águas, pelo acompanhamento ao longo de dois ciclos de estudo, pelos ensinamentos, paciência e tempo que dedicou a ajudar na minha instrução. Ao estimado Professor Doutor Deodato Guerreiro pela disponibilidade e auxílio prestado, por me dar um ponto de vista diferente do que é a vida e me fazer compreender que os sentidos são muito mais do que aparentam ser. Aos meus colegas, pelo seu contributo e interesse nesta investigação e pela sua motivação geradas em promessas de trabalhos futuros que possam desenvolver e aplicar as conclusões encontradas neste trabalho. À Forbrain Snoezelen Room pela formação e possibilidade de realização de um caso de estudo. Sem Barreiras pela disponibilidade e partilha de informações acerca das salas, materiais e equipamentos Snoezelen. À terapeuta Maria João Carvalho e à APPDA pela partilha de conhecimento sobre o mundo autista. Ao Centro Helen Keller, à professora Joana Silvestre, terapeutas Lénia Ferreira e Maria Garcia Alves e a todos os alunos que participaram na investigação. À terapeuta e amiga Iara Rolim de Paula por todas as partilhas de informação, contactos e ajuda no decorrer da minha investigação. A Peter Colwell e à ACAPO por toda a informação e tempo que disponibilizaram no auxílio da pesquisa. Ao primo Nini (Victor Almada), por me mostrar que ser diferente não nos impede de fazer nada. Por me ter despertado desde cedo a importância da inclusividade. À minha família por todo o apoio que me deram ao longo de todo este percurso. Pela ajuda, noites em branco, carinho e paciência com que me trataram. A todos por acreditarem sempre em mim. Muito obrigada. 5 RESUMO A presente investigação aborda o design de salas de terapia em escolas inclusivas, uma análise sobre o que existe em escolas, associações e instituições e, apresenta ainda propostas de diretrizes para a construção destes espaços terapêuticos. Pretende o estudo compreender as opções tomadas em espaços existentes, análise a nível de materiais e soluções para pavimentos, tetos e paredes, tendo em conta as necessidades das pessoas que trabalham nestes espaços e para quem a terapia se destina. Para tal foram realizadas entrevistas, questionários e extensa revisão da literatura sobre os tópicos abordados. Como conclusão o estudo apresenta um guião de ‘anamnese’ (análise) dos espaços que se pretendem, bem como apresentação das soluções mais adequadas para estes espaços. O trabalho envolveu um grupo de foco específico nas áreas da deficiência visual total e parcial, desenvolvendo em conjunto com o Centro Helen Keller um caso de estudo, e também na área da neurodiversidade que procura fomentar a inclusão de todos na sociedade, mesmo quando as diferenças não são visíveis. Ao adaptarmos espaços às necessidades das pessoas, em vez de moldarmos as pessoas aos espaços existentes promovemos uma sociedade mais equilibrada, onde todos podemos desenvolver e expressar os nossos pontos fortes. Apresentamos ainda algumas propostas em formato digital para alteração de espaço na associação Amorama e criação de uma sala feita de raiz para o Centro Helen Keller, enquanto caso de estudo. Palavras-chave: Design inclusivo, Neurodiversidade, Escolas Inclusivas, Salas de terapia, Autismo, Cegueira. 6 ABSTRACT The present research deals with the design of therapy rooms in inclusive schools, an analysis of what exists in schools, associations and institutions, and proposes guidelines for the construction of these therapeutic spaces. The study intends to understand the options taken in existing spaces, material analysis and solutions for floors, ceilings and walls, considering theneeds of the people who work in these spaces and for whom the therapy is aimed. For that purpose, interviews, questionnaires and an extensive literary reviewed were carried out on the topics covered. As a conclusion the study presents an ‘anamnesis’ (analysis) of the spaces that are to be projected, as well as a presentation of the most adequate solutions for such spaces. The investigation involved a specific target group in areas such as total and partial visual impairment, developing a case study together with Centro Helen Keller, and also in Neurodiversity that seeks to foster the inclusion of all in society, even when differences are not visible. By adapting spaces to people’s needs, instead of shaping people into existing spaces, we promote a more balanced society where we can all develop and express our strengths. We also present some proposals in digital format for rooms alterations in Amorama association and room development for Centro Helen Keller. Key words: Inclusive Design, Neurodiversity, Therapy rooms, Autism, Blindness, Inclusive Schools 7 ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS ABA – Applied Behavioural Annalysis ABAADV – Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, com Escola de cães guia ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal ACPDA – Associação do Cidadão Portador de Deficiência e Amigos AMCIP – Associação Mantenedora do Centro Integrado de Prevenção AMORAMA – Associação de Pais e Amigos de Deficientes Profundos ANDDVIS – Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais APD – Associação Portuguesa de Deficientes APEC – Associação Promotora do Ensino dos Cegos APEDV – Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais APPDA – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo AVD – Atividades da vida diária BSI – The British Standards Institute CAO – Centro de Atividades Ocupacionais CFQ – Ciências e Físico-quimica CHK – Centro Helen Keller CIF-OMS – Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde; Organização Mundial de Saúde CNOD – Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes CRI – Centros de Recursos para a Inclusão DGEEC – Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência 8 DIR – Development Individual Difference Relationship Model (Floortime) DPI – Disabled Peoples’ International DTT – Discrete Trial Teaching DV – Deficiência visual EM – Educação Musical ET – Educação Tecnológica EV – Educação visual FDLP – Federação das Associações de Deficientes de Língua Portuguesa FPDD – Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência IDP – Instituto do Desporto de Portugal IHCD – Institute for the Human Centered Design ITIC – Introdução às Tecnologias da Informação e da Comunicação NEE – Necessidades Educativas Especiais ODDH - Observatório da Deficiência e Direitos Humanos PCD - Portal do Cidadão com Deficiência PEA – Perturbação do Espectro do Autismo PECS – Picture Exchange Communicator System PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção PRT – Pivotal Response Treatment TEACCH – Training and Education of Autistic and Related Communication Handicaped Children TF – Terapia da Fala TO – Terapia Ocupacional UCD – User-Centered Design VB – Verbal Behaviour 9 REFERENCIAÇÃO Opções de referenciação Para referenciação bibliográfica utiliza-se o estilo Harvard. As citações em texto estão identificadas com o nome do autor, o ano da obra e a página, sempre que existente. Quando se refere a citação indireta o autor e ano são mencionados dentro de parêntesis, sendo o número de página suprimido. As citações diretas, parciais ou totais de documentos são destacadas no texto, em citações inferiores a 40 palavras, são incluídas no texto, mas referenciadas com aspas, nome de ator, ano da obra e página. Todos os estrangeirismos utilizados no texto estão em itálico. As imagens (figuras), tabelas esquemas retiradas, ou citadas de alguma publicação estão devidamente referenciadas em nota de rodapé, ou em legenda. 10 ÍNDICE GERAL ÍNDICE DE TABELAS TABELA 1: NÚMERO DE ESTUDANTES COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NA ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA, POR ANO LECTIVO E TIPO DE ESTABELECIMENTO, (PORTUGAL CONTINENTAL; 2014/15 – 2017/18), IMAGEM RETIRADA DO RELATÓRIO ODDH, 2018, FONTE DGEEC (2018A). ............................................................................................................................................. 81 TABELA 2: NÚMERO DE ESTUDANTES COM NEE QUE RECEBEM APOIO DE UMA UNIDADE ESPECIALIZADA, POR ANO LETIVO E TIPO DE UNIDADE 2014/15-2017/18 (PORTUGAL CONTINENTAL), IMAGEM RETIRADA DO RELATÓRIO ODDH, 2018, FONTE DGEEC (2018A). ..... 82 TABELA 3 SALA TERAPIA - AMERICAN THERAPY HOUSE ................................................................ 160 TABELA 4 RECOMENDADO POR ESPECIALISTA ROMPA – SALAS SNOEZELEN ......................... 161 TABELA 5 ADAPTADO DE MILLER (1997), P.123, APUD FONTE: IESNA, HANDBOOK, 8TH ED. 1993. ........................................................................................................................................... 179 TABELA 6 SALA DE TERAPIA ........................................................................................................ 246 TABELA 7 SALA DE TERAPIA ........................................................................................................ 246 TABELA 8 SALA DE TERAPIA ........................................................................................................ 247 TABELA 9 MATERIAIS PRESENTES NA SALA SNOEZELEN DA EMPRESA FORBRAIN .......................... 253 TABELA 10 RELATIVA À PROPRIEDADE DOS MATERIAIS, CLASSIFICAÇÃO CONSOANTE AS SUAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS. .................................................................................................. 259 TABELA 11 RELATIVA À PROPRIEDADE DOS MATERIAIS, CLASSIFICAÇÃO CONSOANTE AS SUAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS. .................................................................................................. 260 TABELA 12 RELATIVA OS MATERIAIS RECOMENDADOS PELA CÂMARA MUNICIPAL E ALENQUER ..... 261 TABELA 13 RELATIVA OS MATERIAIS RECOMENDADOS PELA CÂMARA MUNICIPAL E FLADHOUSE ... 262 TABELA 14 RELATIVA OS MATERIAIS RECOMENDADOS PELA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM. ........................................................................................................................................... 263 TABELA 15 RELATIVA OS MATERIAIS RECOMENDADOS PELA ROMPA. ............................................ 266 TABELA 16 RELATIVA ÀS CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS MATERIAIS ANALISADOS. ........................ 267 TABELA 17 RELATIVA ÀS CARACTERÍSTICAS DE ISOLAMENTO DOS MATERIAIS ANALISADOS ............ 268 TABELA 18 RELATIVA ÀS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ANALISADOS PARA ABSORÇÃO ACÚSTICA269 TABELA 19 - RELATIVA ÀS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ANALISADOS PARA ABSORÇÃO ACÚSTICA ........................................................................................................................................... 270 TABELA 20 RELATIVA À TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA SONORA, DESEMPENHO EM FREQUÊNCIAS. 271 TABELA 21 RELATIVA AOS FATORES INFLUENTES NA ABSORÇÃO SONORA. ................................... 271 TABELA 22 RELATIVA À UTILIZAÇÃO DOS MATERIAIS ANALISADOS EM RELAÇÃO ÀS PAREDES. ........ 273 TABELA 23. RELATIVA À UTILIZAÇÃO DOS MATERIAIS ANALISADOS EM RELAÇÃO AO PAVIMENTO .... 274 TABELA 24 RELATIVA À UTILIZAÇÃO DOS MATERIAIS ANALISADOS EM RELAÇÃO AO TETO ............... 276 11 TABELA 25 RECOMENDAÇÃO DE ESPECIALISTA PARA CONSTRUÇÃO DE SALAS SNOEZELEN – ROMPA ...........................................................................................................................................277 TABELA 26 RECOMENDAÇÃO DE ESPECIALISTA PARA CONSTRUÇÃO DE SALAS SNOEZELEN - FORBRAIN ........................................................................................................................... 278 TABELA 27 PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA SALA FEITA DE RAIZ .................................................. 281 TABELA 28 PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA SALA ADAPTADA, TERAPIA SNOEZELEN, CENTRO HELEN KELLER ............................................................................................................................... 291 TABELA 29. MATERIAIS PRESENTES NA SALA DE TERAPIA SNOEZELEN, AMORAMA. ....................... 297 TABELA 30. PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA SALA ADAPTADA, TERAPIA SNOEZELEN, AMORAMA .. 298 ÍNDICE DE GRÁFICOS GRAF. 1 MUDANÇA NA POPULAÇÃO DENTRO DAS RESPETIVAS FAIXAS ETÁRIAS AO LONGO DOS ANOS. EXEMPLO DO REINO UNIDO, MAS QUE SE APLICA À POPULAÇÃO MUNDIAL. GRÁFICO RETIRADO DE: THE GOVERNMENT ACTUARY’S DEPARTMENT, APUD HOSKING, CLARKSON & COLEMAN (2007), IN HTTP://WWW.INCLUSIVEDESIGNTOOLKIT.COM/BETTERDESIGN2/WHY/WHY.HTML#../IMAGES/RSZ_C APVARTOP__130.GIF (LEGENDA ORIGINAL: CHANGE IN THE POPULATION WITHIN EACH AGE BAND OVER TIME.) CONSULTADO EM 18.10.2012 ............................................................................. 64 GRAF. 2 PERCENTAGEM % DE PESSOAS, DENTRO DA FAIXA ETÁRIA ASSINALADA QUE NÃO POSSUEM PLENA CAPACIDADE PARA REALIZAR DETERMINADA TAREFA, ESTEJA ESTA LIGADA COM OS SENTIDOS, COGNIÇÃO OU PERCEÇÃO. GRÁFICO RETIRADO DE: THE DISABILITY FOLLOW-UP SURVEY (GRUNDY ET AL. 1999), APUD HOSKING, CLARKSON & COLEMAN (2007), IN HTTP://WWW.INCLUSIVEDESIGNTOOLKIT.COM/BETTERDESIGN2/WHY/WHY.HTML#../IMAGES/RSZ_C APVARTOP__130.GIF (LEGENDA ORIGINAL: PERCENTAGE OF PEOPLE WITHIN EACH AGE BAND THAT HAVE LESS THAN FULL ABILITY) CONSULTADO EM 18.10.2012 ........................................ 64 GRAF. 3 GRÁFICOS ELABORADOS PELA AUTORA, COM O RESULTADO DAS ENTREVISTAS, CHK, LISBOA, PORTUGAL, 2016. .................................................................................................. 129 GRAF. 4 GRÁFICOS ELABORADOS PELA AUTORA, COM O RESULTADO DAS ENTREVISTAS, CHK, LISBOA, PORTUGAL, 2016. .................................................................................................. 133 GRAF. 5: EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ESTUDANTES COM NEE QUE BENEFICIARAM DE APOIOS TERAPÊUTICOS NO ENSINO REGULAR, POR ANO LETIVO E TIPO DE APOIO TERAPÊUTICO, 2014/15- 2017/18 (PORTUGAL CONTINENTAL), IMAGEM RETIRADA DO RELATÓRIO ODDH, 2018, FONTE DGEEC (2018A). ............................................................................................................... 147 GRAF. 6: PERCENTAGEM DE TEMPO QUE ESTUDANTES COM CURRÍCULO ESPECÍFICO INDIVIDUAL (CEI) OU QUE FREQUENTAM UMA UNIDADE ESPECIALIZADA PASSAM COM A TURMA, 2017/18 (PORTUGAL CONTINENTAL, %), IMAGEM RETIRADA DO RELATÓRIO ODDH, 2018, FONTE DGEEC (2018A). ............................................................................................................................. 148 file:///C:/Users/Perry/Desktop/joana_perry_saes_design_inclusivo_01_ALTEREADO_05142019.doc%23_Toc8770454 file:///C:/Users/Perry/Desktop/joana_perry_saes_design_inclusivo_01_ALTEREADO_05142019.doc%23_Toc8770454 12 GRAF. 7: EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE HORAS DE APOIO ESPECIALIZADO PRESTADO PELAS ESCOLAS E CENTROS DE RECURSOS PARA A INCLUSÃO (CRI) AOS ESTUDANTES COM NEE, POR ANO LETIVO, 2014/15- 2017/18 (PORTUGAL CONTINENTAL) .................................................................... 150 GRAF. 8: GRÁFICOS BASEADOS EM RESULTADOS DE ENTREVISTAS. .............................................. 201 GRAF. 9 GRÁFICOS BASEADOS EM RESULTADOS DE ENTREVISTAS................................................ 202 GRAF. 10: GRÁFICOS BASEADOS EM RESULTADOS DE ENTREVISTAS. ............................................ 210 GRAF. 11 GRÁFICOS BASEADOS EM RESULTADOS DAS ENTREVISTAS. ........................................... 212 GRAF. 12 GRÁFICOS BASEADOS EM RESULTADOS DAS ENTREVISTAS. ........................................... 213 ÍNDICE DE FIGURAS FIG. 1 QUATRO QUESTÕES FUNDAMENTAIS QUE SE DEVEM APLICAR AOS PROJETOS DE DESIGN. FIGURA RETIRADA E ADAPTADA DA SUA VERSÃO EM INGLÊS, DO WEBSITE HTTP://WWW.INCLUSIVEDESIGNTOOLKIT.COM/ CONSULTADO A 18.10.2012. ............................. 56 FIG. 2 EXPERIÊNCIA EM CABINE DE VOO SENSORIAL, FOTOGRAFIA DE ASSOCIAÇÃO SOL E TERRA, 2017, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................................... 61 FIG. 3 CABINE DE VOO SENSORIAL, FOTOGRAFIA DE FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................. 62 FIG. 4 EXPERIÊNCIA EM CABINE DE VOO SENSORIAL, FOTOGRAFIA DE FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................ 62 FIG. 5 EXPERIÊNCIA EM CABINE DE VOO SENSORIAL, FOTOGRAFIA DE FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................ 62 FIG. 6 CICLO DE CAPACIDADES UTILIZADAS PELO OBSERVADOR DE UM PRODUTO OU SERVIÇO QUANDO É CONFRONTADO COM UMA POSSÍVEL INTERAÇÃO COM O MESMO. ADAPTADO DA VERSÃO EM INGLÊS “PERCEIVING, THINKING, ACTING.”. IMAGEM DE: HTTP://WWW.INCLUSIVEDESIGNTOOLKIT.COM/USERCAPABILITIES/USERCAP.HTML CONSULTADO EM 18.10.2012) .................................................................................................................... 88 FIG. 7: SENTIDOS E RESPETIVOS CÓRTEX, IMAGEM DE FORBRAIN SNOEZELEN ROOM. ..................... 97 FIG. 8 IMAGEM À ESQUERDA – REPRESENTAÇÃO ILUSTRATIVA DE FUNCIONAMENTO DO EYEMUSIC, MOSTRA O UTILIZADOR A USAR UNS ÓCULOS COM CÂMARA MONTADA E FONES DE ESCALPE, QUE OUVE A MELODIA CORRESPONDENTE AOS OBJETOS E RESPETIVAS CORES QUE SE APRESENTAM À SUA FRENTE, CRIANDO UMA IMAGEM MENTAL DA MESMA CENA. O UTILIZADOR TENTA APANHAR UMA MAÇÃ VERMELHA NUM MONTE DE MAÇÃS VERDES. IMAGEM À DIREITA (TOPO) – PORMENOR REPRESENTATIVO DOS ÓCULOS E FONES. IMAGEM À DIREITA (BAIXO) – CÂMARA DE MÃO APONTADA PARA OBJETOS DE ESTUDO. IMAGEM RETIRADA DO WEBSITE HTTP://WWW.ALPHAGALILEO.ORG/VIEWITEM.ASPX?ITEMID=122199&CULTURECODE=EN CONSULTADO EM 12.04.2013 ............................................................................................. 116 file:///C:/Users/Perry/Desktop/joana_perry_saes_design_inclusivo_01_ALTEREADO_05142019.doc%23_Toc8770461 13 FIG. 9 E 10: ORGANIZAÇÃO EM FORMA DE U, À ESQUERDA SALA DE AULA CENTRO HELEN KELLER, FOTOGRAFIA DA AUTORA, LISBOA, 2014, À DIREITA ESQUEMA DE SALA, PELA AUTORA. ......... 151 FIG. 11 E 12: ORGANIZAÇÃO EM LINHAS RECTAS, (À ESQUERDA) SALA DE AULA CENTRO HELEN KELLER, FOTOGRAFIA DA AUTORA, LISBOA, 2014; (À DIREITA) ESQUEMA DE SALA, PELA AUTORA. ........................................................................................................................................... 152 FIG. 13: ORGANIZAÇÃO EM LINHAS RECTAS, SALA DE AULA CENTRO HELEN KELLER, FOTOGRAFIA DA AUTORA, LISBOA, 2014. ...................................................................................................... 152 FIG. 14: ORGANIZAÇÃO 4 ALUNOS POR LINHA NO CENTRO E GRUPOS DE 2 ALUNOS INCLINADOS POR FILEIRAS NA PERIFERIA. ....................................................................................................... 152 FIG. 15: ABILITY EXERCISE UNITY (GAIOLA) MONKEY E FIG. 16: ESPAÇO PARA FISIOTERAPIA E TERAPIA DA FALA SPIDER. IMAGEM DA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. IMAGEM DA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. 159 FIG. 17 E 18 ESPAÇO PARA FISIOTERAPIA E PSICOMOTRICIDADE. IMAGEM DA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 159 FIG. 19 ARRUMAÇÃODE EQUIPAMENTOS PARA USAR NA GAIOLA. IMAGEM DA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 160 FIG. 20 UTILIZAÇÃO DE ALCATIFA A FORRAR O CHÃO, BEM COMO O TAPETE VIA LÁCTEA (COM FIBRAS ÓTICAS EMBUTIDAS NO INTERIOR, A SUA APLICAÇÃO RECOMENDA-SE NAS PAREDES OU NO TETO, PARA QUE AS PESSOAS EM CADEIRAS DE RODAS NÃO AS DANIFIQUEM). A SUA COLOCAÇÃO NO CHÃO PODE AUXILIAR QUANDO O TERAPEUTA ESTÁ A TRABALHAR NO CHÃO COM O PACIENTE. OS COLCHÕES CORTINAS E TECIDOS NO TETO PROMOVEM UM AMBIENTE CALMO E SEGURO. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. ................................. 162 FIG. 21 PARA ALÉM DOS TECIDOS ONDE SÃO PROJETADAS AS IMAGENS, SÃO TAMBÉM COLOCADAS ALMOFADAS NO CHÃO, PERTO DAS FIBRAS ÓTICAS. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. ........................................................ 163 FIG. 22 DIFERENTES CORES APLICADAS NA SALA OU EM ELEMENTOS COMO TECIDOS, POR EXEMPLO, CRIAM NOVOS AMBIENTES E DINÂMICAS DISTINTAS NA MESMA SALA. A ILUMINAÇÃO TEM TAMBÉM UM PAPEL FUNDAMENTAL NA FORMA COMO A COR É REVELADA AO PARTICIPANTE NO DECORRER DA SESSÃO. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. . 163 FIG. 23 A OPÇÃO DE UM PAVIMENTO FLUTUANTE TORNA A SESSÃO MUITO AGRADÁVEL, UMA VEZ QUE O PARTICIPANTE ESTÁ DESCALÇO (OU DE MEIAS), PERMITINDO QUE O MESMO SINTA A VIBRAÇÃO DA MÚSICA QUE ESTÁ A TOCAR DURANTE A SESSÃO, SEM O DESCONFORTO DE UM PAVIMENTO DEMASIADO FRIO. OUTROS ELEMENTOS EXISTENTES NO ESPAÇO SÃO COLCHÕES, ALMOFADAS, TECIDOS VARIADOS E COM DIFERENTES TEXTURAS, FIBRAS ÓTICAS; TUDO PARA CRIAR SENSAÇÕES DIFERENTES AOS UTILIZADORES. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. ............................................................................................... 164 FIG. 24 AS SUPERFÍCIES ESPELHADAS AUXILIAM TAMBÉM NA PROPAGAÇÃO DA LUZ E COR, E TORNAM- SE FUNDAMENTAIS EM TERAPIAS TAIS COMO A TERAPIA DA FALA, ONDE MUITOS EXERCÍCIOS SÃO FEITOS EM FRENTE A UM ESPELHO. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. ............................................................................................... 164 14 FIG. 25 BALOIÇOS, CADEIRAS DE REPOUSO, PUFFS, ALMOFADAS, SOFÁS VIBRATÓRIOS, SÃO SÓ ALGUNS DOS ELEMENTOS QUE PODEMOS ENCONTRAR NUMA SALA SNOEZELEN. IMAGEM DA AUTORIA DE HTTP://WWW.ISNA.DE/EN, CONSULTADO EM 3.07.2015. ...................................... 165 FIG. 26 E FIG. 27 APRENDER / TRABALHAR, IMAGEM DE CARLA GIKOVATE CONSULTADO A 2.05.2017 IN: HTTP://WWW.CARLAGIKOVATE.COM.BR/INDEX_ARQUIVOS/PAGE790.HTM APUD HTTPS://INCLUIRAGIR.WORDPRESS.COM/PORQUE-VISITAR-NOS/O-QUE-E-O-MODELO-TEACH/ .. 167 FIG. 28 BRINCAR, IMAGEM DE CARLA GIKOVATE CONSULTADO A 2.05.2017 ................................. 168 FIG. 29 COMPUTADOR, IMAGEM DE CARLA GIKOVATE CONSULTADO A 2.05.2017 .......................... 168 FIG. 30 FIG. 31 TRABALHOS DE GRUPO / REUNIÃO, IMAGEM DE CARLA GIKOVATE CONSULTADO A 2.05.2017 ........................................................................................................................... 169 FIG. 32 ÁREA TRANSITÓRIA, IMAGEM DE CARLA GIKOVATE CONSULTADO A 2.05.2017 IN: HTTP://WWW.CARLAGIKOVATE.COM.BR/INDEX_ARQUIVOS/PAGE790.HTM APUD HTTPS://INCLUIRAGIR.WORDPRESS.COM/PORQUE-VISITAR-NOS/O-QUE-E-O-MODELO-TEACH/ .. 169 FIG. 33: REPRESENTAÇÃO DO ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO. FONTE: TILLEY, 2011, P.2 ............. 178 FIG. 34: TABELA REPRESENTATIVA DAS SENSAÇÕES PROVOCADAS POR EFEITO DA APLICAÇÃO DA COR NO ESPAÇO ARQUITETÓNICO (PAVIMENTO, PAREDES E TETO), APÓS ANOS DE EXPERIMENTAÇÃO DA SUA APLICAÇÃO, RETIRADA DE MAHNKE ET AL, 2007, P. 69. PODEM TAMBÉM SER OBESERVADAS OUTRAS ....................................................................................................... 181 FIG. 35 E 36: COR APLICADA NOS ESPAÇOS DE SALA DE AULA DE EDUCAÇÃO VISUAL, NO CHK. UMA PAREDE PINTADA DE LILÁS, BRANCO PINTADO NAS RESTANTES PAREDES E TECTO, VINIL AZUL A FORRAR QUADRO DE CORTIÇA, E PAVIMENTO EM LINÓLEO CINZENTO ESVERDEADO. FOTO DA AUTORA, 2016, CHK ........................................................................................................... 182 FIG. 37 E 38: COR APLICADA NOS ESPAÇOS DE SALA DE AULA, NO CHK. PORTA AZUL, QUADRO GRANDE DE CORTIÇA FORRADO COM VINIL AMARELO, APLICADO EM PAREDE PINTADA DE LILÁS, RESTANTES PAREDES E TECTO PINTADAS DE BRANCO, PAVIMENTO EM LINÓLEO CINZENTO ESVERDEADO. FOTO DA AUTORA, 2016, CHK ...................................................................... 183 FIG. 39 E 40: COR APLICADA NOS ESPAÇOS DE SALA DE AULA DE MÚSICA E DE ESPANHOL, NO CHK. ESTA SALA TEM UMA PALETA CROMÁTICA DISTINTA DAS RESTANTES PRESENTES NO CENTRO. PAREDES PINTADAS DE VERDE-LIMA E BRANCO, APONTAMENTOS DE AZUL EM TECIDO POR CIMA DOS INSTRUMENTOS E NO TOLDO, E PAVIMENTO EM TIJOLEIRA BEGE. FOTO DA AUTORA, 2016, CHK, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................................. 183 FIG. 41: SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA SALA DE AULA, MAHNKE ET AL 2007, P. 87. ... 184 FIG. 42: SEGUNDA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA SALA DE AULA, MAHNKE ET AL 2007, P. 87. ...................................................................................................................................... 185 FIG. 43: TERCEIRA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA SALA DE AULA (SALA DE CIÊNCIAS NATURAIS), MAHNKE ET AL 2007, P. 87. ............................................................................... 185 FIG. 44: TERCEIRA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO APLICADO A UMA SALA DE AULA, MAHNKE ET AL 2007, P. 89. ................................................................................................................... 186 15 FIG. 45 SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA QUARTOS EM INSTALAÇÕES TERAPÊUTICAS, ONDE OS PACIENTES NÃO TENHAM DE FICAR INTERNADOS DURANTE MUITO TEMPO. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.118. ............................................................................................................. 186 FIG. 46:APLICAÇÃO DA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA QUARTOS EM INSTALAÇÕES TERAPÊUTICAS (ST. GEORG HOSPITAL, LEIPZIG). IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.122 ... 187 FIG. 47 SEGUNDA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA QUARTOS EM INSTALAÇÕES TERAPÊUTICAS, ONDE OS PACIENTES NÃO TENHAM DE FICAR INTERNADOS DURANTE MUITO TEMPO. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.118. ................................................................. 187 FIG. 48: APLICAÇÃO DA SEGUNDA SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA QUARTOS EM INSTALAÇÕES TERAPÊUTICAS. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.120 ................................ 188 FIG. 49 SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA QUARTOS EM INSTALAÇÕES TERAPÊUTICAS PEDIÁTRICAS, ONDE OS PACIENTES NÃO TENHAM DE FICAR INTERNADOS DURANTE MUITO TEMPO. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.118. ............................................................................. 188 FIG. 50: SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA SALAS DE NASCIMENTO. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.123. ................................................................................................................. 189 FIG. 51 SUGESTÃO DE ESQUEMA CROMÁTICO PARA SALAS DE MATERNIDADE. EVITAR CORES MUITO FORTES, POIS A PELE DO RECÉM-NASCIDO REFLETE MUITO AS CORES DO QUE E ENCONTRA À SUA VOLTA, O QUE PODERIA INDICAR DIAGNÓSTICOS INCORRETOS. IMAGEM DE MAHNKE ET AL, 2007, P.123. ................................................................................................................................. 189 FIG. 52 E FIG. 53 QUADRO DE TAREFAS E DE ROTINAS DIÁRIAS, COM FOTO DO UTILIZADOR. AS SELEÇÕES DAS CORES A UTILIZAR FORAM ESCOLHIDAS PELOS PARTICIPANTES. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL ......................................................................191 FIG. 54 E FIG. 55 PORMENOR DAS IMAGENS DO QUADRO DE TAREFAS E DE ROTINAS DIÁRIAS, COM FOTO DO UTILIZADOR. QUADRO SEMANAL, ELABORADO PARA OS ALUNOS QUE TÊM MAIS CAPACIDADE DE INTERPRETAÇÃO. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL .. 191 FIG. 56 E FIG. 57: ESPAÇO DE TRABALHAR E COMPUTADOR. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL ............................................................................................................. 192 FIG. 58 E FIG. 59 ESPAÇO PARA BRINCAR E PORMENOR DE QUADRO DE TAREFAS. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL .................................................................................... 192 FIG. 60 E FIG. 61 ESPAÇO PARA TRABALHAR, PORMENOR DA ORGANIZAÇÃO. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL .................................................................................... 193 FIG. 62 E FIG. 63 ESPAÇO PARA TRABALHAR, PORMENOR DA ORGANIZAÇÃO. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL .................................................................................... 193 FIG. 64 ESPAÇO PARA TRABALHAR EM GRUPO E REUNIÃO. AS CADEIRAS SÃO IDENTIFICADAS PELAS CORES E FOTOGRAFIAS DOS ALUNOS. FOTOS DA AUTORA, APPDA, 2018, LISBOA, PORTUGAL ........................................................................................................................................... 194 FIG. 65 EXEMPLO DE ORGANIZAÇÃO DE UMA SALA DE ENSINO ESTRUTURADO – TEACCH. SALA TEACCH, NA ESCOLA EB1/JI SENHORA DAS OLIVEIRAS, DARQUE, PORTUGAL. ................... 195 FIG. 66 SALA BRANCA COM LUZ BRANCA LIGADA. NESTE EXEMPLO DOIS DOS EQUIPAMENTOS PRESENTES (CAMA DE ÁGUA E CUBO) TEM A COR CINZENTA E MULTICOLOR RESPETIVAMENTE 16 PARA CRIAR LIMITES VISUAIS NO ESPAÇO. IMAGEM REPRESENTA FRANCIS HOUSE CHILDREN’S HOSPICE EM DIDSBURY, MANCHESTER. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA SNOEZELEN® MULTI- SENSORY ENVIRONMENTS, DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.SNOEZELEN.INFO/CATEGORY/EUROPE/ CONSULTADO EM 03.01.2018 ................ 196 FIG. 67 SALA NEGRA COM LUZ NEGRA LIGADA. SALA TODA PINTADA DE PRETO, MAS EQUIPAMENTOS EM COR BRANCA PARA REAGIR COM LUZES NEGRAS. REPRESENTA WESTLEIGH RESOURCE CENTRE, EM COCKERMOUTH, REINO UNIDO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA SNOEZELEN® MULTI-SENSORY ENVIRONMENTS, DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.SNOEZELEN.INFO/CATEGORY/EUROPE/ CONSULTADA EM 03.01.2018 ................ 197 FIG. 68 SALA AVENTURA, PISCINA DE BOLAS, COM SUPERFÍCIE COLORIDA E LUZ COLORIDA LIGADA POR BAIXO DAS BOLAS. REPRESENTA KINGSWOOD CHILDREN’S CENTRE, EM WEST NORWOOD, LONDRES, REINO UNIDO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA SNOEZELEN® MULTI-SENSORY ENVIRONMENTS, DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.SNOEZELEN.INFO/CATEGORY/EUROPE/ CONSULTADO EM 03.01.2018 ................ 198 FIG. 69 SALA AVENTURA, PORMENOR PISCINA DE BOLAS E LUZ AZUL LIGADA. REPRESENTA KINGSWOOD CHILDREN’S CENTRE, EM WEST NORWOOD, LONDRES, REINO UNIDO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA SNOEZELEN® MULTI-SENSORY ENVIRONMENTS, DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.SNOEZELEN.INFO/CATEGORY/EUROPE/ CONSULTADO EM 03.01.2018 ........................................................................................................................................... 198 FIG. 70 E 71: COMANDO WI-FI PARA ALTERAÇÃO DE COR DOS EQUIPAMENTOS, EM SALA SNOEZELEN. AUTORIA DE SNOEZELEN MULTISENSORY ENVIRONMENTS. ................................................... 205 FIG. 72 ANTIGA SALA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM NA COR VIOLETA COMBINADA COM LUZ, LIGADA EM ALGUNS EQUIPAMENTOS (P. EX. PAINEL DE PAREDE, COLUNA DE ÁGUA ILUMINADA, FIBRAS ÓPTICAS E PROJECTOR DE PAREDE), PRODUZINDO UM AMBIENTE DE COR VIOLETA NA SALA. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, LISBOA, PORTUGAL. DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.FORBRAIN.PT/SALA- SNOEZELEN/GALERIA-DE-IMAGENS/ CONSULTADA EM 05.07.2017 . ....................................... 205 FIG. 73 ANTIGA SALA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM NA COR AZUL, COMBINADA COM LUZ, LIGADA EM ALGUNS EQUIPAMENTOS (P. EX. PAINEL DE PAREDE E FIBRAS ÓPTICAS), PRODUZINDO UM AMBIENTE DE COR AZUL ARROXEADO NA SALA. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, LISBOA, PORTUGAL. DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.FORBRAIN.PT/SALA-SNOEZELEN/GALERIA-DE-IMAGENS/ CONSULTADO EM 05.01.2017 ............................................................................................. 206 FIG. 74 EXERCÍCIO PARA TRABALHO COM CORES, FORMAS E IMAGENS. IMAGEM DE AUTORIA DA PSICOPEDAGOGA SILVANA LIMA, CONSULTADO A 27 DE MARÇO DE 2018 EM HTTP://SILVANAPSICOPEDAGOGA.BLOGSPOT.COM/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE- HABILIDADES-PARA.HTML#!/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE-HABILIDADES-PARA.HTML .... 217 FIG. 75 FAZER CORRESPONDER A ETIQUETA COM A COR ASSINALADA. IMAGEM DE AUTORIA DA PSICOPEDAGOGA SILVANA LIMA, CONSULTADO A 27 DE MARÇO DE 2018 EM 17 HTTP://SILVANAPSICOPEDAGOGA.BLOGSPOT.COM/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE- HABILIDADES-PARA.HTML#!/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE-HABILIDADES-PARA.HTML .... 217 FIG. 76 REPETIR A SEQUÊNCIA COMO NA IMAGEM APRESENTADA. IMAGEM DE AUTORIA DA PSICOPEDAGOGA SILVANA LIMA, CONSULTADO A 27 DE MARÇO DE 2018 EM HTTP://SILVANAPSICOPEDAGOGA.BLOGSPOT.COM/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE- HABILIDADES-PARA.HTML#!/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE-HABILIDADES-PARA.HTML .... 218 FIG. 77 FAZER PARES COM CORES. IMAGEM DE AUTORIA DA PSICOPEDAGOGA SILVANA LIMA, CONSULTADO A 27 DE MARÇO DE 2018 EM HTTP://SILVANAPSICOPEDAGOGA.BLOGSPOT.COM/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE- HABILIDADES-PARA.HTML#!/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE-HABILIDADES-PARA.HTML .... 218 FIG. 78 FAZER CORRESPONDER A FRUTA COM A IMAGEM, USANDO AUXÍLIO VISUAL. IMAGEM DE AUTORIA DA PSICOPEDAGOGA SILVANA LIMA, CONSULTADO A 27 DE MARÇO DE 2018 EM HTTP://SILVANAPSICOPEDAGOGA.BLOGSPOT.COM/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE- HABILIDADES-PARA.HTML#!/2012/03/DICAS-DE-ATIVIDADES-DE-HABILIDADES-PARA.HTML .... 219 FIG. 79 E FIG. 80 SALA TEÓRICA DO CENTRO HELEN KELLER, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 230 FIG. 81 E FIG. 82 SALA TEÓRICA DO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. .......... 230 FIG. 83 E FIG. 84 PORMENORES: PORTA E QUADRO DE CORTIÇA, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................... 231 FIG. 85 E FIG. 86 SALA TEÓRICA, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................................................................................... 231 FIG. 87 E FIG. 88 SALA TEÓRICA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......... 232 FIG. 89 E FIG. 90 SALA TEÓRICA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......... 232 FIG. 91 E FIG. 92 EQUIPAMENTO, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................................................................................... 232 FIG. 93 E FIG. 94 EQUIPAMENTO, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................................................................................... 233 FIG. 95 E FIG. 96 SALA TEÓRICA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......... 233 FIG. 97 PORMENOR: QUADRO DE CORTIÇA, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 234 FIG. 98 E FIG. 99 SALA TEÓRICA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......... 234 FIG. 100 E FIG. 101 SALA TEÓRICA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ..... 235 FIG. 102E FIG. 103 PORMENOR: CORTINADOS, EM SALA NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 235 FIG. 104 SALA TEÓRICA ESCURECIDA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. . 236 FIG. 105 E FIG. 106 SALA 1 – EQUIPAMENTO PARA FISIOTERAPIA, PSICOMOTRICIDADE E TERAPIA DA FALA (DISPOSIÇÃO DA SALA PARA TRABALHO DE TERAPIA DA FALA), NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................... 239 18 FIG. 107 E FIG. 108 SALA 1 – BALOIÇO, PISCINA DE BOLAS, EQUIPAMENTO E DISPOSIÇÃO NO ESPAÇO PARA FISIOTERAPIA E PSICOMOTRICIDADE, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 239 FIG. 109 SALA 1 – PISCINA DE BOLAS, COLCHÕES E SECRETÁRIA, PARA FISIOTERAPIA, PSICOMOTRICIDADE E TERAPIA DA FALA, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 239 FIG. 110 E FIG. 111 SALA 1 – DISPOSIÇÃO DO APARTAMENTO SIMULADO, PARA TERAPIA OCUPACIONAL, ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA E ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. .................................................................................... 240 FIG. 112 E FIG. 113 SALA 1 – PORMENOR DO APARTAMENTO SIMULADO, COM ESCRITA BRAILLE EM ETIQUETAS AZUIS, PARA TERAPIA OCUPACIONAL, ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA E ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ............................... 240 FIG. 114 E FIG. 115 SALA 2 – ESPAÇO PARA MULTIMÉDIA E TERAPIA OCUPACIONAL, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................... 241 FIG. 116 E FIG. 117 SALA 2 – ESPAÇO PARA MULTIMÉDIA E TERAPIA OCUPACIONAL, EQUIPAMENTO PARA FILMAGEM E IMPRESSÃO DE T-SHIRTS, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 241 FIG. 118 E FIG. 119 SALA 4 – SALA PARA TERAPIA SNOEZELEN, EM CONSTRUÇÃO, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................... 242 FIG. 120 E FIG. 121 SALA 4 – SALA PARA TERAPIA SNOEZELEN, EM CONSTRUÇÃO, NO CHK, FOTO PELA AUTORA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ........................................................................... 242 FIG. 122 E FIG. 123 SALA 4 – SALA PARA TERAPIA SNOEZELEN, EM CONSTRUÇÃO, EQUIPAMENTOS EXISTENTES. ........................................................................................................................ 243 FIG. 124 POSTURA PLUS CHAIR, IMAGEM PARA CONSULTA EM ...................................................... 243 FIG. 125 CADEIRA ESCOLAR, FONTE: HTTP://WWW.EQUIPEX.PT .................................................... 243 FIG. 126 MESA ESCOLAR, LINHA S, FONTE: HTTP://WWW.EQUIPEX.PT ............................................ 244 FIG. 127 MESA ESCOLAR, LINHA E, FONTE: HTTP://WWW.EQUIPEX.PT ............................................ 244 FIG. 128 QUADRO MAGNÉTICO DE PAREDE, .................................................................................. 244 FIG. 129 QUADRO DE CORTICITE, FOTOGRAFIA DA AUTORA. .......................................................... 244 FIG. 130 PORMENOR CABIDES. FOTO DA AUTORA, CHK, 2016, .................................................... 244 FIG. 131 PORMENOR DE BALOIÇO, FOTO DE AUTORA, CHK, 2016, LISBOA .................................... 245 FIG. 132 PORMENOR DE BALOIÇO, FOTO DE AUTORA, CHK, 2016, LISBOA .................................... 245 FIG. 133 PORMENOR DE BALOIÇO, FOTO DE AUTORA, CHK, 2016, LISBOA .................................... 245 FIG. 134 FOTO DE ROMPA. .......................................................................................................... 245 FIG. 135 EXEMPLOS RETIRADOS DO SITE PANTONE, IN WWW.PANTONE.COM/COLOR-FINDER .......... 250 FIG. 136 E FIG. 137 PORMENOR DE ESPELHOS, CAMA E NUVEM, ANTIGA SALA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, LISBOA, PORTUGAL. DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.FORBRAIN.PT/SALA-SNOEZELEN/GALERIA-DE-IMAGENS/ CONSULTADO EM 05.01.2017 ......................................................................................................................... 250 19 FIG. 138 ANTIGA SALA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM NA COR AZUL, COMBINADA COM LUZ, LIGADA EM ALGUNS EQUIPAMENTOS (P. EX. PROJETOR E FIBRAS ÓTICAS), PRODUZINDO UM AMBIENTE DE COR AZUL ARROXEADO NA SALA. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, LISBOA, PORTUGAL. DISPONÍVEL PARA CONSULTA EM: HTTP://WWW.FORBRAIN.PT/SALA-SNOEZELEN/GALERIA-DE-IMAGENS/ CONSULTADO EM 05.01.2017 ......................................................................................................................... 251 FIG. 139 E FIG. 140 SALA NOVA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, EM AMBIENTE DE FORMAÇÃO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. ............................................................................................................ 251 FIG. 141 E FIG. 142 SALA NOVA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, EM AMBIENTE DE FORMAÇÃO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. ............................................................................................................ 251 FIG. 143 E FIG. 144 SALA NOVA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, EM AMBIENTE DE FORMAÇÃO E EM UTILIZAÇÃO EM GRUPO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL. ............................................................. 252 FIG. 145 SALA NOVA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, EM UTILIZAÇÃO PARA ESPETÁCULO SENSORIAL, PORMENOR TETO PINTADO DE NEGRO. IMAGEM DA AUTORIA DA EMPRESA FORBRAIN SNOEZELEN ROOM, POR FRANCISCO ALVERNAZ, 2017, LISBOA, PORTUGAL ............................................ 252 FIG. 146 ELEMENTOS DA TABELA RETIRADOS DO SITE PANTONE, IN WWW.PANTONE.COM/COLOR- FINDER ................................................................................................................................ 283 FIG. 147 ELEMENTOS DA TABELA RETIRADOS DO CATÁLOGO: GUIA DAS CORES, TECIDOS E CORES, ROMPA, SEM BARREIRAS, IN WWW.SEMBARREIRAS.PT/CATALOGOS ...................................... 284 FIG. 148 TAPETE VIA LÁCTEA APLICADO NO CHÃO. IMAGEM DE HTTP://WWW.EDIPSICO.PT/_OLD/SNOEZELEN.HTM, CONSULTADO A 15.08,2018. .................. 285 FIG. 149 PERCURSO SENSORIAL TÁCTIL, COMPOSTO POR TAPETES COM DIFERENTES TEXTURAS. FOTO DE CATÁLOGO IN HTTP://WWW.MUNDOESCOLAR.PT/CATALOGO.ASPX?ID=3648&IDCAT=16&PAG=1&PESQUISA= , CONSULTADO A 10.07.2018. ............................................................................................... 286 FIG. 150 E FIG. 151 SALA SNOEZELEN PARA PROJETAR. FOTOGRAFIAS DA AUTORA, CHK, 2016, LISBOA, PORTUGAL ............................................................................................................. 290 FIG. 152 E FIG. 153 MAQUETE DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE DIFERENTES LUZES EMBUTIDAS NO TETO. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. ........................................................ 292 FIG. 154 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: TAPETE SENSORIAL, PIANO PARA PÉS (APLICADO NA PAREDE), CAMA MUSICAL COM APLICAÇÃO DE COLCHÕES DE REVESTIMENTO (PROTEÇÃO DOS UTILIZADORES), CORTINA DE FIBRAS ÓTICAS, BAÚ MESA/ASSENTO (ARMAZENAMENTO DE EQUIPAMENTOS MAIS PEQUENOS),BANCOS (CUBOS LUMINOSOS), BOLA DE ESPELHOS. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. ..................................... 292 FIG. 155 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: TAPETE SENSORIAL, TUBO DE ÁGUA COM LUZ E SUPERFÍCIE REFLETORA, BAÚ MESA/ASSENTO (ARMAZENAMENTO DE EQUIPAMENTOS MAIS PEQUENOS), BANCOS (CUBOS LUMINOSOS), BOLA DE 20 ESPELHOS, ARMÁRIOS DE PAREDE PARA EQUIPAMENTO ELETRÓNICO OU QUEBRÁVEL. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. ........................................................................................................... 293 FIG. 156 E FIG. 157 SALA CAO (CENTRO DE ATIVIDADES OCUPACIONAIS) COM SALA SNOEZELEN INCORPORADA. FOTOGRAFIAS DA AUTORA, AMORAMA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ............... 295 FIG. 158 E FIG. 159 PORMENOR DA CORTINA DIVISÓRIA DE ESPAÇO, DAS DUAS SALAS CAO, COM SALA SNOEZELEN ATRÁS DA CORTINA. FOTOGRAFIAS DA AUTORA, AMORAMA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ......................................................................................................................... 295 FIG. 160 E FIG. 161 PORMENOR PORTA DA CASA DE BANHO AO LADO DA SALA SNOEZELEN E PORTA DE ENTRADA E SAÍDA DA SALA CAO, COM EQUIPAMENTO NESTA PRESENTE (DUAS CADEIRAS). FOTOGRAFIAS DA AUTORA, AMORAMA, 2016, LISBOA, PORTUGAL. ....................................... 296 FIG. 162 SALA SNOEZELEN, PORMENOR DE EQUIPAMENTO, INCORPORADO NA SALA CAO. FOTOGRAFIA DA AUTORA, AMORAMA, 2016, LISBOA, PORTUGAL.......................................... 296 FIG. 163 E FIG. 164 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN DA ASSOCIAÇÃO AMORAMA, SEM O CORTINADO E COM O ESPAÇO DESIMPEDIDO PARA NOVA ORGANIZAÇÃO. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. ................................................................................................................... 299 FIG. 165 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: CAMA DE ÁGUA MUSICAL COM APLICAÇÃO DE COLCHÕES DE REVESTIMENTO (PROTEÇÃO DOS UTILIZADORES), BAÚ / ASSENTO (ARMAZENAMENTO DE EQUIPAMENTOS MAIS PEQUENOS), BANCOS (CUBOS LUMINOSOS), BOLA DE FISIOTERAPIA, TUBO DE ÁGUA COM ESTRUTURA ESPELHADA, ESTANTE E ARMÁRIO PARA ARRUMAÇÃO DE EQUIPAMENTOS, ARMÁRIO DE PAREDE COM PROJETOR. JANELAS COM PAINÉIS FECHADOS. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. ........... 300 FIG. 166 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: CORTINA DE FIBRAS ÓTICAS (REPRESENTADO A TRANSPARENTE) A DIVIDIR O ESPAÇO, CAMA DE ÁGUA MUSICAL COM APLICAÇÃO DE COLCHÕES DE REVESTIMENTO (PROTEÇÃO DOS UTILIZADORES), BAÚ ASSENTO (ARMAZENAMENTO DE EQUIPAMENTOS MAIS PEQUENOS), BANCOS (CUBOS LUMINOSOS), BOLA DE ESPELHOS, PUFF, ARMÁRIO DE PAREDE COM PROJETOR. JANELAS COM PAINÉIS FECHADOS. REALIZADO PELA AUTORA, 2017. .......................................................... 301 FIG. 167 MAQUETE VIRTUAL DE ESPAÇO SNOEZELEN, COM APLICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: CORTINA DE FIBRAS ÓTICAS (REPRESENTADO A TRANSPARENTE), JANELAS COM PAINÉIS ABERTOS. REALIZADO PELA AUTORA, 2017 .......................................................................................... 302 21 ÍNDICE GLOSSÁRIO ............................................................................................................................... 25 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 36 1. ENQUADRAMENTO DO DESIGN ..................................................................................... 46 1.1 DESIGN FOR ALL / DESIGN UNIVERSAL / DESIGN INCLUSIVO (CAP. 1.2.) ..................... 46 1.1.1 Design for All ......................................................................................................... 46 1.1.2 Design Universal ................................................................................................... 47 1.2 DESIGN INCLUSIVO ........................................................................................................ 49 1.2.1 Enquadramento histórico ..................................................................................... 50 1.2.2 O que trata o Design Inclusivo ............................................................................. 51 1.2.3 Projetar produtos, ambientes e serviços com sucesso .................................... 52 1.2.4 “Role Playing” ....................................................................................................... 58 1.2.5 User experience Design ........................................................................................ 59 1.3 PREOCUPAÇÕES SOCIAIS QUE O DESIGN DEVE TER.......................................................... 63 1.3.1 Design para o ‘bem-estar’. ................................................................................... 65 1.3.2 O design como fator integrador na sociedade ................................................... 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................... 69 REFERÊNCIAS WEBGRAFIA ................................................................................................ 70 2. DEFICIÊNCIA ...................................................................................................................... 72 2.1 CIDADÃO COM DEFICIÊNCIA ................................................................................... 72 2.2 DEFICIÊNCIA VISUAL ...................................................................................................... 77 2.3 NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS [NEE] .............................................................. 81 2.3.1 Neurodiversidade - Autismo / Hiperatividade / Multideficiência ...................... 83 2.3.1.1 Perturbação do Espectro do Autismo [PEA]: ............................................. 83 2.3.1.2 Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção [PHDA]: .................. 85 2.3.1.3 Multideficiência .............................................................................................. 85 2.3.2 Distúrbio de Integração Sensorial [DIS].............................................................. 86 2.4 ESTUDOS DE CAPACIDADES ........................................................................................... 87 2.4.1 Capacidades sensoriais ....................................................................................... 89 2.4.2 Capacidades cognitivas........................................................................................ 90 2.4.3 Capacidades motoras ........................................................................................... 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................... 92 REFERÊNCIA WEBGRAFIA .................................................................................................. 94 3. SENTIDOS .......................................................................................................................... 96 3.1 OS SENTIDOS DO SER HUMANO ....................................................................................... 96 3.2 SENTIDO VISUAL .......................................................................................................... 100 Olho humano ....................................................................................................... 101 22 3.3 SENTIDO AUDITIVO ...................................................................................................... 103 3.4 SENTIDO VESTIBULAR .................................................................................................. 105 3.5 SENTIDO TÁTIL ............................................................................................................ 106 3.6 SENTIDO PROPRIOCETIVO ............................................................................................ 109 3.7 SENTIDO GUSTATIVOE OLFATIVO ................................................................................ 110 3.8 SINESTESIA ................................................................................................................. 112 3.8.1 Sinestesia - aplicação no campo do design ..................................................... 114 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................... 118 REFERÊNCIAS DE WEBGRAFIA ........................................................................................ 120 4. ESPAÇO FÍSICO .............................................................................................................. 122 4.1 MORFOLOGIA DO ESPAÇO ............................................................................................ 122 4.1.1 O corpo enquanto espaço .................................................................................. 124 4.2 ORIENTAÇÃO NO ESPAÇO ............................................................................................ 126 4.3 ACÚSTICA NO ESPAÇO ................................................................................................. 131 4.3.1 Perceção espacial auditiva (por pessoas cegas) ............................................. 132 4.3.2 Perceção auditiva de diferentes materiais (por pessoas cegas) ................... 136 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................... 141 REFERÊNCIAS DE WEBGRAFIA ........................................................................................ 143 5. ENSINO INCLUSIVO / ESCOLAS INCLUSIVAS ............................................................. 145 5.1 ENSINO INCLUSIVO ...................................................................................................... 145 5.2 ESCOLAS INCLUSIVAS .................................................................................................. 146 5.2.1 Escolas inclusivas – Centro Helen Keller ......................................................... 149 5.3 ESPAÇO – SALA DE AULA ............................................................................................. 150 5.4 ESPAÇO – SALA DE TERAPIA (ESPAÇO DE INTERVENÇÃO) .............................................. 153 5.5 ESPAÇO MULTISSENSORIAL.......................................................................................... 154 5.6 ESPAÇO PARA TERAPIAS ..................................................................................... 155 5.6.1 Análise de terapias de intervenção, importância do espaço de trabalho. .... 155 5.6.2 Outros exemplos de espaços de terapias ........................................................ 157 5.7 SALAS COM MÉTODO TEACCH – EM ESCOLAS ............................................................. 165 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 171 REFERÊNCIAS WEBGRAFIA .............................................................................................. 174 6. COR ................................................................................................................................... 177 6.1 COR NO ESPAÇO .......................................................................................................... 177 6.1.1 Cor no espaço de terapia TEACCH ................................................................... 190 6.1.2 A cor no espaço de terapia Snoezelen.............................................................. 195 6.2 COR NA TERAPIA ......................................................................................................... 203 6.2.1 Na terapia Snoezelen – Exemplo Forbrain Snoezelen Room ......................... 203 6.2.2 Interação com o equipamento ........................................................................... 204 23 6.2.3 Estímulos ............................................................................................................. 207 6.2.4 Luz colorida em Snoezelen ................................................................................ 209 6.2.5 Como pode a cor influenciar a sessão. ............................................................. 211 6.3 ENSINO E APRENDIZAGEM – COR .................................................................................. 215 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 221 7. CASO DE ESTUDO – CENTRO HELEN KELLER .......................................................... 225 7.1 OBSERVAÇÃO ............................................................................................................. 225 7.1.1 A quem se destina ............................................................................................... 226 7.2 DESCRIÇÃO E REGISTO FOTOGRÁFICO DO ESPAÇO DE SALAS DE AULA - PESQUISA ........ 228 7.3 ANÁLISE DO ESPAÇO PARA SALAS DE TERAPIA – CASO DE ESTUDO ............................... 236 7.3.1 Descrição e Registo fotográfico do espaço de salas de terapia – caso de estudo 238 7.3.2 Sala a analisar – sala para terapia Snoezelen .................................................. 242 7.3.3 Equipamentos observados em sala de aula e de terapia................................ 243 7.3.4 Análise e relação de materiais presentes nas salas de terapia ..................... 245 7.4 CASO DE ESTUDO – FORBRAIN SNOEZELEN ROOM ......................................... 247 7.4.1 Observação .......................................................................................................... 248 7.4.1.1 A quem se destina ....................................................................................... 248 7.4.2 Descrição e recolha de registo fotográfico ...................................................... 249 7.4.3 Terapias praticadas em ambiente Snoezelen ................................................... 252 7.4.4 Relação de materiais presentes na sala ........................................................... 253 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................... 255 8. APRESENTAÇÃO DE GUIDELINES PARA SALAS DE TERAPIA ................................ 258 8.1 INFORMAÇÃO SOBRE MATERIAIS PRESENTES EM SALAS DE TERAPIA .............................. 258 8.1.1 Materiais aplicados em salas de terapia existentes – Pesquisa e entrevistas 261 8.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS MATERIAIS ................................................................... 266 8.3 CARACTERÍSTICAS DE ISOLAMENTO.............................................................................. 268 8.3.1 Características acústicas ................................................................................... 268 8.4 UTILIZAÇÃO DOS MATERIAIS ......................................................................................... 272 8.5 RECOMENDAÇÕES DOS ESPECIALISTAS ........................................................................ 276 8.5.1 SEM BARREIRAS (ROMPA) – especialistas na área ....................................... 276 8.5.2 Forbrain Snoezelen Room .................................................................................. 277 8.6 APRESENTAÇÃO DE PROPOSTA DE SALA CONSTRUÍDA DE RAIZ. ..................................... 278 8.6.1 Questionário sobre necessidades para sala a construir ................................ 279 8.6.2 Consideração sobre opções tomadas para o espaço. .................................... 279 9. PROPOSTAS PARA SALAS ........................................................................................... 289 24 9.1 SALA SNOEZELEN PARA CENTRO HELEN KELLER - ESPAÇO JÁ EXISTENTE, COM ÊNFASE PARA N.E.E., AMBLIOPIA E CEGUEIRA. .....................................................................................289 9.1.1 Exemplo de solução para sala Snoezelen – 3D ............................................... 291 9.2 SALA SNOEZELEN PARA AMORAMA – SALA ADAPTADA, COM ÊNFASE PARA ADULTOS COM DEFICIÊNCIA PROFUNDA E MULTIDEFICIÊNCIA. ........................................................................... 294 9.2.1 Exemplo de solução para sala Snoezelen – 3D ............................................... 298 10. CONCLUSÕES E PERSPETIVAS FUTURAS ............................................................. 304 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 311 REFERÊNCIAS WEBGRAFIA .............................................................................................. 315 BIBLIOGRAFIA..................................................................................................................... 316 APÊNDICES ................................................................................................................................... I APÊNDICE 1 ............................................................................................................................. V APÊNDICE 2 ............................................................................................................................. X APÊNDICE 3 ........................................................................................................................... XIII APÊNDICE 4 ........................................................................................................................... XV APÊNDICE 5 ........................................................................................................................... XIX APÊNDICE 6 ........................................................................................................................... XXI APÊNDICE 7 ......................................................................................................................... XXIV APÊNDICE 8 ......................................................................................................................... XXIX APÊNDICE 9 ............................................................................................................................. LI APÊNDICE 10 ....................................................................................................................... LXIX APÊNDICE 11 ....................................................................................................................... XCV APÊNDICE 12 ..........................................................................................................................CII APÊNDICE 13 ...................................................................................................................... CXVII ANEXOS ........................................................................................................................................ I 25 GLOSSÁRIO ABA – Applied Behavioral Analysis – apresentada por Skinner (1930) é uma terapia intensa que deve ser trabalhada diariamente. Trabalha o comportamento, aumentando capacidades e corrigindo comportamentos erráticos, através de reforço positivo, análise de dados, e planeamento de transição do espaço terapêutico para a vida ‘real’ em sociedade. Na escola – trabalha o estabelecer de conhecimentos e capacidades sociais. ABAADV – Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, com Escola de cães guia – teve início em 1995 com a candidatura da Escola Profissional Beira Aguieira a um programa comunitário no âmbito do Programa Horizon / Feder. Consegue-se a formação de 2 educadores com a parceria da Fed. Francesa de Escolas de Cães-guia (FFAC). No início de 2000, terminado o projeto comunitário, nasce a ABAADV, sem fins lucrativos, com o objetivo de formar Cães-guias para cegos. Consultado a 10.07.2012 in http://www.caesguia.org/escola_historia.html ABILITY EXERCISE UNIT – (gaiola) monkey e spider – “é usada para treinar a criança, possibilitando o aumento da capacidade de isolar os movimentos desejados e fortalecer os grupos musculares responsáveis por esse movimento, além de criar inúmeras possibilidades de exercícios e o uso de diversos materiais que potenciam o tratamento” (consultado a 20.02.2017 in: http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit). ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal – “Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada a 20 de outubro de1989 por fusão da Associação de Cegos Louis Braille, a Liga de Cegos João de Deus e a Associação de Cegos do Norte de Portugal. (…) Com características únicas no movimento associativo de deficientes em Portugal, tanto ao nível da sua estrutura organizacional, como nos fins e atividades desenvolvidas. A ACAPO é, reconhecidamente, a Instituição de referência na área da deficiência visual em Portugal, por: defenderem e representarem todos os cidadãos cegos e com baixa visão portugueses, pugnando e garantindo a sua plena expressão e exercício da cidadania; (…) intervirem e atuarem a nível nacional, numa lógica de proximidade às pessoas e aos seus contextos sociais, assumindo-nos como parceiros- chave das comunidades locais e dos seus agentes, em prol do desenvolvimento comunitário, da inclusão e justiça social; (…) Agirem continuamente para a promoção de uma sociedade digna, aberta e inclusiva, que valorize, aceite e respeite a diferença e torne a questão da inclusão social das pessoas com deficiência numa componente natural dos deveres de cidadania de todos os cidadãos.” in www.acapo.pt – consultado a 12.07.2012 ACPDA – Associação do Cidadão Portador de Deficiência e Amigos – esta Associação nasce com a necessidade crescente de uma organização que tentasse a resolução de problemáticas inerentes aos Cidadãos Deficientes, sobretudo relacionados com o mundo do trabalho, com a saúde e assistência social. Consultado a 10.07.2012 in http://acpda.blogs.sapo.pt/396.html ACÚSTICA - “Acústica, de origem grega de ‘akoustikos’ e significando que aquilo que pertence à audição, agora refere-se maioritariamente ao comportamento das ondas http://www.caesguia.org/escola_historia.html http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit http://www.acapo.pt/ http://acpda.blogs.sapo.pt/396.html 26 sonoras (vibrações) em sólidos, líquidos ou gases.” (Blesser, B. & Salter, L.R., 2007, p.4)1. ACUSTICIDADE – (referente a acústica) n.f 2. Conjunto dos fenómenos de reflexão e absorção sonoras que favorecem ou prejudicam a boa audição num lugar determinado (do gr. akoustiké, fem. de akoustikós, «relativo ao ouvido»). Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p.42). AKUSTAPLAN FWA GLASS – Material de compostos não orgânicos, constituído por granulado de vidro, aplicado com ou sem caixa-de-ar. AMBLÍOPIA – “A ambliopia, também conhecida por baixa-visão, significa uma reduzida capacidade visual - qualquer que seja a origem - e que não melhora através de correção ótica. No caso de a ambliopia se traduzir numa redução acuidade visual abaixo de 1/10, é costume classificá-la de ‘ambliopia profunda’.” (ACAPO, 2013) AMERICAN THERAPY HOUSE – Trata-se de um espaço de terapia intensiva que promove a reabilitação de pessoas com lesões, dores crónicas, deficiências nas áreas cognitiva, motora, fala, através de avaliação, diagnóstico e tratamento, contando com especialistas nas áreas da fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. O terapeuta trata todo o corpo do paciente, promovendo resultados positivos muito mais rapidamente que outras terapias do género em espaços semelhantes, devido à sua intensidade e duração. AMORAMA – Associação de Pais e Amigos de Deficientes Profundos, é uma instituição particular de solidariedade social vocacionada para o atendimento a cidadãos deficientes/dependentes. ANDDVIS – Associação Nacional deDesporto para Deficientes Visuais – é uma organização sem fins lucrativos, que surge em 2008, com o objetivo de promover e desenvolver a prática desportiva para atletas portadores de deficiência visual de todas as faixas etárias. Ligada à Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FPDD) e apoiados pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP). Consultado a 10.07.2012 in http://www.anddvis.org.pt/a-anddvis/historia/ APD – Associação Portuguesa de Deficientes – é uma organização constituída e dirigida por pessoas com deficiência que tem por objetivo a promoção e defesa dos interesses gerais, individuais e coletivos das pessoas com deficiência em Portugal. Para além da análise e apresentação de soluções para casos de descriminação de cidadãos com deficiência, promove a sensibilização e o envolvimento da sociedade portuguesa para estes casos. Membro fundador da DPI – Disabled Peoples’ International, da CNOD – Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes e da FDLP – Federação das Associações de Deficientes de Língua Portuguesa. Consultado a 10.07.2012 in http://www.apd.org.pt/ APEC – Associação Promotora do Ensino dos Cegos – esta associação foi a primeira escola para cegos, estabelecida em Portugal em 1888 que se transforma posteriormente no “Instituto António Feliciano de Castilho”. Tem como finalidade o apoio académico e cultural dos seus estudantes cegos, até à conclusão dos seus estudos. Consultado a 10.07.2012 in http://apec.org.pt/ 1 T.L. de: “Acoustics, from the Greek ‘akoustikos’ and meaning that which pertains to hearing, now refers mostly to the behavior of sound waves (vibrations) in solids, liquids, or gases.” http://www.anddvis.org.pt/a-anddvis/historia/ http://www.apd.org.pt/ http://apec.org.pt/ 27 APEDV – Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais – esta associação sem fins lucrativos surge com o intuito de ajudar os deficientes visuais em tudo o que for necessário, possível e desejável, promovendo a formação profissional e pré-profissional; a procura e criação de emprego; o apoio escolar; o fomento intelectual, cultural e desportivo; a prevenção da cegueira; o bem-estar global. Consultado a 10.07.2012 in http://www.apedv.org.pt/ ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA – exercícios realizados em contexto de terapia, com pessoas com deficiência para que se tornem mais autónomas nas atividades do dia-a- dia, exemplo exercícios realizados em apartamento simulado no Centro Helen Keller. AVC – Acidente Vascular Cerebral – resulta da lesão das células cerebrais, que morrem ou deixam de funcionar normalmente, pela ausência de oxigénio e de nutrientes na sequência de um bloqueio do fluxo de sangue (AVC isquémico) ou porque são inundadas pelo sangue a partir de uma artéria que se rompe (AVC hemorrágico), consultado a 15.08.2018, in https://www.saudecuf.pt/mais- saude/doencas-a-z/avc-acidente-vascular-cerebral BAFFLES (Absorsores Suspensos) – Placas flexíveis e pouco densas, protegidas com película de polietileno, até 1m², aplicação suspensos no teto na vertical aumenta a área disponível para absorção, utilização das duas faces. BASWAPHON – Painéis de lã mineral colocados sobre base barrados com massa mineral, para obter superfície contínua, aplicação no teto. BRAILLE – Sistema de escrita e leitura tátil utilizado por cegos. Trata-se de um código que pode ser aplicado às diferentes línguas, permitindo às pessoas com deficiência visual ler e escrever num determinado idioma. CALMING ROOM – quartos sensoriais onde as crianças se podem acalmar, eficaz na redução de comportamentos violentos em crianças com autismo. CAO – Centro de Atividades Ocupacionais – espaço destinado a atividades relacionadas com a terapia ocupacional, ou atividade de lazer. CAPACIDADES SENSORIAIS – (relacionada com funcionalidade ao nível dos sentidos, ver também incapacidade). Como capacidade entende-se o nível de autonomia apresentado pelo indivíduo em determinada situação, em interação com o meio ambiente e os seus objetos. A CIF refere-se à capacidade como funcionalidade definindo-a em conjunto com a incapacidade da seguinte forma: “A Funcionalidade é um termo que engloba todas as funções do corpo, atividades e participação; de maneira similar, Incapacidade é um termo que inclui deficiências, limitação de atividades ou restrição na participação.” (CIF_OMS, 2004, p.5). CEGUEIRA – “Podemos considerar uma pessoa cega como sendo aquela que não possui potencial visual, mas que pode, por vezes, ter uma perceção da luminosidade.” (ACAPO, 2013). CHK – Centro Helen Keller – é uma escola inclusiva situada em Lisboa, Portugal. Foi fundada em 1955 como a primeira escola Portuguesa a integrar alunos cegos. Nos dias de hoje acolhe não só alunos com problemas de visão, mas com uma variedade de condições, que passam por alunos com PEA, PHDA, deficiência profunda, deficiência mental, cognitiva, ou física, multideficiência, NEE, etc. Atualmente é vista como escola de referência em educação inclusiva pelo seu trabalho com alunos com e sem deficiência. http://www.apedv.org.pt/ https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/avc-acidente-vascular-cerebral https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/avc-acidente-vascular-cerebral 28 CIF_OMS – Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde; Organização Mundial de Saúde; Direcção-Geral de Saúde; Lisboa 2004. [documento online, páginas 15, 21, 22, 186, 187 e anexo 5, páginas 215, 216, consultado em 17 de julho de 2012]. Disponível em http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf CINESTÉSICO (definição de Cinestesia) – n.f. sentido pelo qual se tem a perceção dos membros e dos movimentos corporais. (do gr. Kine~in, «mover» +aísthesis, «sensibilidade» +-ia). Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p. 357. CONSCIÊNCIA ESPACIAL AUDITIVA – capacidade de ouvir e interpretar os sons que nos rodeiam e através dessa mesma interpretação deslocar-se no espaço. CORKOCO – Fibra de coco misturada ao aglomerado de cortiça expandido, matéria- prima natural e renovável, boas características de isolamento. DEFICIÊNCIA – “(…) é uma perda ou anormalidade do corpo ou de uma função fisiológica (incluindo funções mentais). Na CIF, o termo anormalidade refere-se estritamente a uma variação significativa das normas estatisticamente estabelecidas (i.e., como um desvio de uma média na população obtida usando normas padronizadas de medida) e deve ser utilizado apenas neste sentido.” (Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde - Organização Mundial de Saúde – [CIF_OMS], 2004, p.187). DESIGN ‘FOR ALL’ – “Design for All é a intervenção em ambientes, produtos e serviços com o objetivo que todos, incluindo futuras gerações, independentemente de idades, géneros, capacidades ou ‘backgrounds’ culturais, possam participar de forma aprazível na construção da nossa sociedade, com oportunidades iguais e desta forma sejam capazes de participar em atividades de foro social, económico, cultural e de lazer. O seu objetivo é também para que os utilizadores tenham acesso, usem e percebam qualquer parte do ambiente de uma forma autónoma.” (www.designforall.org/, consultado a 10.08.2012)2. DESIGN INCLUSIVO – “(…) desenvolvimento de produtos e de ambientes, que permitam a utilização por pessoas de todas as capacidades. Tem como principal objetivo contribuir, através da construção do meio, para a não discriminação e inclusão social de todas as pessoas.” (Simões e Bispo, 2006, p.8). DESIGN UNIVERSAL – “Design Universal é também referenciado como Design Inclusivo, Design-for-All e Lifespan Design. Não é um estilo de design, mas antes uma orientação para qualquer processo de design que tenha em conta a responsabilidade para com a experiência do utilizador.” (Human centered design [HCD], consultado a 10.08.2012 in http://humancentereddesign.org/)3.2 T.L. de: “Design for All is the intervention in environments, products and services with the aim that everybody, including future generations, regardless of age, gender, capacities or cultural background, can enjoy participating in the construction of our society, with equal opportunities and hence being able to participate in social, economic, cultural and leisure activities. Its objective is also for users to access, use and understand any part of the environment in an autonomous way.” 3 T.L. de: “Universal Design is also called Inclusive Design, Design-for-All and Lifespan Design. It is not a design style but an orientation to any design process that starts with a responsibility to the experience of the user.” http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf http://www.designforall.org/ http://humancentereddesign.org/ 29 DIR – Development Individual Difference Relationship Model – Floortime (colocar-se ao nível da criança), desenvolvido em 1980 por Dr. Stanley Greenspan e Serena Wieder. O adulto mimica a criança enquanto esta brinca no chão estabelecendo ligação emocional. A terapia é feita no chão ao ritmo da criança e assemelha-se a uma brincadeira. DIS – (ver definição de integração sensorial) As pessoas com Distúrbio de Integração Sensorial têm uma incapacidade de receber e/ou reagir a estímulos de forma ‘correta’, o que influencia a forma como interagem com as pessoas ao seu redor e com o meio envolvente. DTT – Discrete Trial Teaching – apresentada por Dr. Ivar Lovaas – ensina comportamento em três passos, faz parte do método ABA. Por exemplo: Estímulo Discriminativo (“olha para mim”), Resposta (a criança olha) e Estímulo de reforço positivo (“Muito bem” e aperto de mão). ECOLOCALIZAÇÃO - Modo de orientação próprio de certos animais (morcegos, baleias, golfinhos), através do qual determinam a posição e a forma dos obstáculos que os rodeiam emitindo ultrassons produtores de ecos. Em humanos serve como técnica de mobilidade, com a mesma função que a ecolocalização em animais. ‘EMPOWER’ – Relativo ao envolvimento e integração do utilizador. Consiste em dar poder e autonomia ao utilizador na criação de um projeto a desenvolver, e tomadas de decisão acerca de todas as fases do mesmo. O utilizador pode criar uma equipa de apoio que é consultada, sempre que necessário, sendo que as decisões finais passam todas pelo utilizador. ENSINO ESTRUTURADO – O ensino estruturado, presente nas salas TEACCH, divide-se em quatro componentes: Estruturação Física, Informação visual, Plano de trabalho, Pistas facilitadoras de desempenho (ver definições). ESCOLAS INCLUSIVAS – são estabelecimentos de ensino que promovem o ensino ‘inclusivo’ para todos os alunos, ou seja, incluem alunos com deficiência, necessidades educativas especiais e distúrbios de aprendizagem na sociedade. Estas escolas tentam criar espaços de aprendizagem e convívio inclusivo, que sejam para todos, não tendo só soluções para pessoas com limitações físicas, mentais ou cognitivas, ou só para pessoas que não têm essas mesmas limitações. A criação de um espaço inclusivo é um processo em constante adaptação, pois depende dos alunos e das suas necessidades, consoante crescem, (Senjit 2001). ESPAÇO MULTISENSORIAL – Trata-se de um espaço seguro, que promove o conforto e o bem-estar, sem iluminação por luz natural, ou com iluminação suave. Esta é muitas vezes feita através de projeção de imagens, ou equipamentos que emitem luz. É um espaço onde o utilizador e terapeuta funcionam em sintonia, numa abordagem não diretiva e onde a estimulação sensorial é feita em ciclos de relaxamento, estimulação e relaxamento. ESPUMA ELASTOMÉRICA – Espuma de poliuretano poliéster, apresenta-se em placas com diversas espessuras e dimensões, protegida contra mofos, fungos e bactérias. Aplicação para melhoria acústica em escritórios, auditórios e salas de som. ESTRUTURAÇÃO FÍSICA – (relativa ao Ensino Estruturado) diz respeito ao espaço físico que pode ter diferentes organizações consoante as crianças e a faixa etária que 30 está a ser trabalhada, mas por norma se divide em sete espaços distintos: Aprender, Trabalhar, Brincar, Computador, Trabalhos de grupo, Reunião e Área transitória. ‘EYEMUSIC’ – aparelho funciona através da manipulação de uma escala musical, com diferentes sons e tonalidades, convertendo as cores em notas musicais e composições, para auxiliar pessoas com deficiência visual a ‘verem’ as cores e objetos, imagens e assim se orientarem. FATORES AMBIENTAIS – “constituem um componente da CIF e referem-se a todos os aspetos do mundo externo ou intrínseco que formam o contexto da vida de um indivíduo e, como tal, têm um impacto sobre a funcionalidade dessa pessoa. Os fatores ambientais incluem o mundo físico e as suas características, o mundo físico criado pelo homem, as outras pessoas em diferentes relacionamentos e papéis, as atitudes e os valores, os serviços e os sistemas sociais, as políticas, as regras e as leis.” (CIF_OMS, 2004, p.187). FLAGHOUSE – empresa que vende equipamentos para espaços sensoriais. Oferece também o serviço de consulta, design e projeto de salas multissensoriais. FLOORTIME – (ver também DIR - Development Individual Difference Relationship Model) exercícios terapêuticos realizados no chão, geralmente com crianças assemelhando-se a uma brincadeira, em terapias como psicomotricidade. FORBRAIN SNOEZELEN ROOM – Sala Snoezelen aberta ao público que oferece sessões de terapia em ambiente Snoezelen para uma vasta faixa etária. Nos seus serviços encontram-se também formações a profissionais e consultoria, design e projeto de salas Snoezelen, ou salas multissensoriais. HIPERSENSIBILIDADE – receber e processar, através do organismo e dos sentidos, sensações e estímulos de forma demasiado intensa. A pessoa hiperssensível reage de forma exagerada a estímulos externos. HIPOSENSIBILIDADE – receber e processar, através do organismo e dos sentidos, sensações e estímulos de forma pouco intensa. A pessoa hipossensível tem pouca ou nenhuma reação a estímulos externos. INCAPACIDADE – “é um termo genérico (…) para deficiências, limitações da atividade e restrições na participação. Ele indica os aspetos negativos da interação entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais (ambientais e pessoais). (…) A CIF utiliza o termo ‘incapacidade’ para designar um fenómeno multidimensional que resulta da interação entre pessoas e o seu ambiente físico e social.” (CIF_OMS, 2004, pp.186-215). INFORMAÇÃO VISUAL – (relativa ao Ensino Estruturado) diz respeito à informação relativa ao espaço e ao aluno que neste se encontra, com as direcções a seguir em relação a uma determinada actividade e os horários em que esta deve ser feita. INTEGRAÇÃO SENSORIAL – Integração Sensorial – “é o processamento pelo qual o nosso cérebro organiza as informações que recebe do meio ambiente, de modo a dar uma resposta adaptada – eficiente.” (Forbrain, 2015). INVISUAL – pessoa com deficiência visual ou que não tem visão plena. “adj. indivíduo que não vê; cego n.m. pessoa privada do sentido da visão” (Dicionário da Língua Portuguesa, 2013, Porto Editora, p. 329 e p. 925). A nomenclatura (Invisual) foi 31 substituída por “Pessoa com deficiência visual” ou “Cego”, que serão utilizadas no decorrer da presente investigação. LÃ DE ROCHA – Composto de fibras de basalto aglomerado com resina sintética, apresenta-se em painéis ou mantas, revestidas ou não, com plástico auto extinguível. Aplicado em forros, divisórias ou dutos de ar condicionado. Não oferece risco para a saúde, ph neutro imputrescível, antiparasita, não corrosivo e não poluente. LÃ DE VIDRO – Formado a partir de sílica e sódio aglomerados por resinas sintéticas em alto-forno, ausência total de partículas não fibradas, leve e de fácil manipulação, apresenta-se em painéis, mantas (ensacada com polietileno, aluminizada, revestidacom feltro, fibro-cerâmica) e feltros. Aplicada em forros, confeção de paredes duplas, ou como substituto de paredes pesadas. Não deteriora, nem apodrece, não é atacada por roedores, insetos, ou fungos e bactérias. MECANICIDADE – (referente a mecânica) n.f.1. A parte da física que tem por objeto o estudo dos movimentos dos corpos, das forças que produzem esses movimentos e do equilíbrio das forças sobre um corpo em repouso. (Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p. 1038). MEMBRANAS RESSONANTES – Placa ou membrana flexível, aplicada em grande área de painéis com pequena espessura, usado em conjunto com lãs minerais aumenta a eficácia da absorção acústica em altas frequências, Colocadas afastadas de elemento de suporte, através de apoios, horizontal ou vertical, Dissipação da energia sonora com o movimento da membrana, promove a absorção sonora. MULTIDEFICIÊNCIA – “(…) Nielsen (1999) e Correia (1997) definem multideficiência como um conjunto de limitações associadas – cognitivas, motoras e/ou sensoriais – que em idade escolar podem ser uma barreira para a aprendizagem e podem requerer apoios específicos. O ministério da Educação (2003) acrescenta à definição anterior a possibilidade da pessoa com multideficiência poder acumular limitações no domínio da saúde física.” (Pereira & Sousa, 2016, p. 14). NEE – Necessidades educativas especiais contemplam todos os alunos com algum problema de saúde, de foro físico, mental, cognitivo, e / ou qualquer aluno que careça de apoio de professores especializados, ou terapeutas no decorrer do seu percurso académico. Aqui inserem-se alunos com deficiência, dificuldades de aprendizagem, e também alunos vindos de meios carenciados. NEURODIVERSIDADE – trata da aceitação do autismo e outras diferenças neurológicas (transtorno do défice de atenção e hiperatividade, dislexia, por exemplo) não como doenças, mas como diferenças humanas normais que devem ser respeitadas. NORMOVISUAL – indivíduo que vê, que tem visão plena, nomenclatura utilizada por associações como a ACAPO e a CIF-OMS. No âmbito deste estudo serão utilizadas as nomenclaturas ‘pessoa com deficiência visual total’, cego e normovisual, por serem as nomenclaturas utilizadas pela ACAPO, na designação de pessoas cegas, amblíopes ou com visão ‘plena’. ‘OUTSIDER’ – s. estranho, forasteiro; (Desp.) pessoa que não participa. Dicionário Universal Inglês- Português, 5ª edição, Porto Editora. PARQUET – (piso flutuante) Pavimento em madeira, com encaixe macho e fêmea, apoiada numa capa de material flexível (lã vidro ou rocha, esferovite, borracha, etc.). 32 PEA – “Um transtorno invasivo do desenvolvimento, definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometido que se manifesta antes da idade de 3 anos e pelo tipo característico de funcionamento anormal em todas as três áreas de: interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo. O transtorno ocorre três a quatro vezes mais frequentemente em indivíduos do sexo masculino do que do feminino.” (Classificação Internacional de Doenças, Organização Mundial de Saúde, 1993). PECS – Picture Exchange Communication System – terapia baseada na troca de cartas para obter aquilo que o indivíduo com PEA, por exemplo, pretende. Os cartões descrevem através de associações, aprendidas pela criança, aquilo que ela pretende. A criança usa a imagem para comunicar, associando-a ao que lhe é pedido. PEDIASUIT – “é uma roupa criada nos anos 70 por cientistas russos para uso por astronautas, dado que estes profissionais apresentavam dificuldades motoras, perda de movimentos, massa muscular e estrutura óssea debilitada após a realização de missões espaciais. O Suit consiste em colete, touca, calções, joelheiras, calçado e um sistema de elásticos ajustáveis, que desempenha um papel crucial na regulação do tónus muscular e na função sensorial vestibular.” (consultado a 20.02.2017 in: http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit). PERCEÇÃO AUDITIVA – “funções mentais envolvidas na discriminação de sons, tons, intensidade e outros estímulos acústicos.” (CIF_OMS, 2004, p.56). PERCEÇÕES SENSORIAIS INTENCIONAIS – “utilizar, intencionalmente os outros sentidos básicos do corpo para captar estímulos, tais como, tocar ou sentir texturas, saborear doces ou sentir o cheiro das flores.” (CIF_OMS, 2004, p.114) PHDA – “A PHDA refere-se a uma perturbação persistente de desatenção ou falta de concentração e/ ou impulsividade-hiperatividade, que se revela de modo mais intenso e grave que o habitual para indivíduos com o mesmo grau de desenvolvimento, interferindo significativamente no rendimento académico, social ou laboral.” (DSM-5, 2013, apud Neto et al, 2014, p.17,18). PISTAS FACILITADORAS DO DESEMPENHO – (relativas ao Ensino Estruturado) adaptadas à condição e à faixa etária de cada criança, auxiliam a seguir instruções e perceber aquilo que se pretende em cada espaço. PLANO DE TRABALHO – (relativo ao Ensino Estruturado) trata-se de uma lista de tarefas presente em cada área, para que o aluno possa seguir uma ordem ao executar a atividade proposta. ‘PLEXIGLAS’ – n.m. matéria acrílica dura e transparente, usada em vez do vidro, sobretudo nas indústrias aeronáutica e automobilística (do ing. Plexiglas®, «id.»). Dicionário da Língua Portuguesa, p.1252. PRT – Pivotal Response Treatment – usa a comunicação como algo lúdico, identificando elementos e conseguir reforço positivo. PSICOMOTRICIDADE – trata os distúrbios do corpo, analisando a forma como o corpo age e reage, a vivência do corpo e a forma como o utente o utiliza para estabelecer uma relação com o outro. Consultado a 12.08.2018, in http://www.apc- coimbra.org.pt/?page_id=673 http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit http://www.apc-coimbra.org.pt/?page_id=673 http://www.apc-coimbra.org.pt/?page_id=673 33 RESSOADORES DE CAVIDADE – Painéis perfurados, com diferentes tamanhos de orifício e espaçamento entre eles, usados em conjunto com lãs minerais aumentam a eficácia da absorção acústica em altas frequências. Colocados afastados de elemento de suporte, através de apoios, horizontal ou vertical, as vibrações no ressoador, por atrito, dissipam parte da energia sonora. REVERBERAÇÃO – “Reverberar origina do latim, significa ‘voltar para trás’; o som é relançado para o espaço, ao ser refletido nas superfícies dos interiores: paredes, teto, chão e objetos presentes no espaço.” (Blesser & Salter, 2007, p.133)4 ROLE PLAYING – simulação de situações de incapacidade como parte integrante de exercício de sensibilização que visa entender a problemática sentida pelos indivíduos que lidam com a incapacidade, as barreiras e as falhas de acessibilidade de uma forma diária. Pretende providenciar ao técnico a experiência de lidar com a situação de deficiência e suas limitações, procedendo à avaliação de determinado produto, espaço ou ambiente consoante as necessidades e acessibilidades dos futuros utilizadores. ROMPA – empresa responsável pela comercialização de equipamento de terapia Snoezelen, oferecem também nos seus serviços o design, projeto e execução de salas Snoezelen. SALA SNOEZELEN – é "uma sala equipada com material para estimulação sensorial. É um local feito de luz, sons, cores, texturas e aromas, onde os objetos são coloridos e disponibilizados para serem tocados e admirados. Os sentidos primários são estimulados dando sensação de prazer.” (Amcip, 2009). SALA TEACCH – é uma sala estruturada onde os espaços estão divididos, com regras claras afixadas em painéis para que os alunos possam seguir as rotinas da terapia. Preferencialmente devem ser construídas nas escolas para promover a integração dos alunos em turmas regulares, ausentando-se por curtos períodos. SEM BARREIRAS – (ver também definição de Rompa) Empresa representante da Rompa em Portugal, vende equipamentos e produtos da marca Rompa, marca de excelênciano que diz respeito a material Snoezelen. Também idealiza, projeta e desenvolve salas para terapia Snoezelen, sendo reconhecidos nacional e internacionalmente pelo seu trabalho. SENTIDO PROPRICEPTIVO – “Propriocepção consiste na perceção das informações sensoriais referentes aos nossos movimentos e posição corporal, integrando o tato e as informações de movimento. Assim, propriocepção é o sentido da posição do corpo em relação ao próprio corpo.” (n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/). SENTIDO VESTIBULAR – “O sentido vestibular é o sentido do equilíbrio. (…) As principais funções do sistema vestibular consistem em dizer a posição do corpo em relação à gravidade, fornecendo informação sensorial sobre os movimentos da cabeça e sua posição em relação à terra, controlar os movimentos oculares quando a cabeça é movida (reflexo vestíbulo-ocular), e sinalizar alterações de movimento, direção e velocidade.” (n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os- sentidos/sistema-vestibular/). 4 T.L. de: “Reverberate originating from Latin, means ‘to throw back’; sound is thrown back into the space by being reflected from the interior surfaces: walls, ceiling, floor, and objects within the space.” http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 34 SENSORY GYM – espaços indoor seguros, com equipamentos de estimulação sensorial tátil, vestibular e propriocetiva, para crianças com autismo. SINESTESIA – A palavra é de origem grega: Syn – união e Aesthesis – sensação e o seu significado é “união de sensações” (ou união de sentidos)5. Trata-se de uma junção invulgar de sentidos, ou sensações, que permite aos sinestésicos viverem experiências ‘fora do comum’. “Denota a rara capacidade de ouvir cores, saborear as formas, ou experienciar outras fusões sensoriais igualmente estranhas (…).” (Cytowic, 2002, p.2)6. SISTEMA SOMATOSSENSORIAL – O sistema somatossensorial possibilita ao ser humano receber e interpretar as sensações provenientes do que o rodeia. O sistema somatossensorial está a cargo do córtex somatossensorial: “aquele responsável por processar e tratar a informação de natureza sensorial recebida pela derme, pelos músculos e pelas articulações.” (Isabel Salvador, n.d., in http://psicologiaymente.com/neurociencias/corteza-somatosensorial)7. SISTEMA AVAC – aquecimento, ventilação e ar condicionado. Sistema de climatização para espaços indoor, promovendo o conforto do utilizador. SNOEZELEN – Terapia que funciona através da estimulação sensorial (visão, audição, olfato, paladar, tato, vestibular, propriocetivo), com uma abordagem não diretiva, ou seja, sem obrigar o utilizador a realizar determinado exercício se este não estiver disposto a fazê-lo, permite que o utilizador escolha o que quer fazer. O terapeuta deve ter um plano orientador da sessão, mas ser flexível o suficiente para reformular se a pessoa não cooperar. SONACOUSTIC – Placa com lã mineral de alta densidade, revestida por ligação de gesso, aplicado como revestimento de teto e paredes, para impedir que o som gerado se torne em ruído. ‘SONIC EVENTS’ – “Eventos sónicos (sonoros) – que resultam de atividades humanas inconsistentes, produzindo iluminação sónica (sonora) imprevisível.” (Blesser & Salter, 2007, p.17)8 STOSILENT A-TEL – Painéis acústicos leves, aplicados com ou sem caixa-de-ar, para impedir que o som gerado se torne em ruído. TEACCH – Training and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children – Este método foi apresentado nos anos 60 por Eric Schopler com o intuito de desenvolver técnicas comportamentais e métodos de educação especial, que auxiliassem na educação de crianças autistas, promovendo a aquisição de autonomia para a criança autista através de ambientes estruturados, reduzindo os níveis de ansiedade. 5 T.L. de: “joined sensation” 6 T.L. de: “It denotes the rare capacity to hear colors, taste shapes, or experience other equally strange sensory fusions (…).” 7 T.L.de: la corteza somatosensorial “es aquella responsable de processar y tratar la información de naturaleza sensorial que procede de la dermis, los músculos y las articulaciones.” 8 T.L. de: “which result from inconsistent human activities producing unpredictable sonic illumination.” http://psicologiaymente.com/neurociencias/corteza-somatosensorial 35 TERMICIDADE – (referente a sentido térmico) sentido que nos dá a sensação de quente e frio (do gr. thérme, «calor» +- ico). (Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p. 1541). Por exemplo a perceção da presença de alguém pela temperatura que o seu corpo emite. TIFLOPERCEPCIONAL – “A tifloperceptibilidade é a capacidade/competência sensorial e cognitiva, sensório-intelectual e neuromotora/perceptivomotora da pessoa cega, consubstanciada na funcionalidade e operacionalidade do conjunto das suas modalidades sensoriais e competências sociais, alicerçado em experiência acumulada, devidamente estimulado e desenvolvido, ao mesmo tempo integrante de um amplo e experienciado desenvolvimento sociocognitivo e interativo/relacional. Isto traduz-se no desenvolvimento biopsicossocial e humano e da suplência multissensorial, percetibilidade avançada de todos os sistemas sensoriais que restam, com excecional vantagem para a mobilidade e orientação, independência e autonomia, sociocomunicabilidade e interação, emprego, autoconceito e autoconfiança, autoimagem e autoestima, inclusão e qualidade de vida da pessoa cega.” (Guerreiro, 2018). User experience Design – “Experiência ou Experiência do Utilizador não tem a ver com bom design industrial, ‘multi-touch’, múltiplas funções, ou interfaces excêntricas. É sobre transcender o material. É sobre criar uma experiência através de um equipamento.” (Marc Hassenzahl, 2011)9 VB – Verbal Behavior – Aplicar ‘etiquetas’ a coisas para iniciar conversas com outras pessoas. VERMICULITA – Aluminosilicato hidratado de ferro e de magnésio, expande o volume original a altas temperaturas, ficando o interior vazado. Apresenta-se em placas e blocos de baixa densidade. Aplicado como enchimento de pisos, forros, lajes e paredes, recomendado para contra-piso. Insolúvel em água, não tóxico, não abrasivo, inodoro, não se decompõe, deteriora ou apodrece. WAYFINDING – conjunto de sinalética, informação e orientações presentes num espaço, para auxiliar a deslocação e orientação das pessoas em segurança, em ambientes complexos, tais como centros urbanos, hospitais, campus universitários. 9 T.L. de: “Experience or User Experience is not about good industrial design, multi-touch, or fancy interfaces. It is about transcending the material. It is about creating an experience through a device.” 36 INTRODUÇÃO A presente investigação recai sobre a proposta de guias orientadoras para o design de salas de terapia em escolas inclusivas, enquanto estratégia de Design Inclusivo10, sugerindo a criação de espaços “neutros” que permitam a realização de terapias em ambientes que promovam a atividade e o bem-estar. Propõe também soluções específicas e adaptadas para três espaços a projetar: um espaço construído de raiz, com as características mais adequadas para o maior número de terapias; um espaço adaptado para o Centro Helen Keller – sala Snoezelen11; e um espaço adaptado para a associação Amorama12 – sala Snoezelen / CAO13. Será, portanto, um contributo para o design de ambientes, espaços e soluções mais inclusivas, que possibilitem uma melhoria na utilização e por um maior número de utilizadores.A atenção do estudo incidiu na análise de pessoas com deficiência e na neurodiversidade14, mais particularmente sobre a deficiência visual, multideficiência, necessidades educativas especiais [NEE] e perturbação do espectro do autismo [PEA], grupos de foco abordados nos diferentes casos de estudo (Centro Helen Keller – salas de terapia, Amorama – CAO e sala Snoezelen, Forbrain Snoezelen Room – sala Snoezelen e American Therapy House15 – salas de terapia e sala Snoezelen), e ainda no estudo e análise de materiais utilizados em espaços interiores – salas de terapia em escolas inclusivas e associações e como estes permitem uma utilização por parte de várias terapias adaptando-se à necessidade dos seus utilizadores - alunos e terapeutas. O trabalho pretende também adicionar novos conhecimentos aos que até hoje foram adquiridos, apresentando-se como um contributo para a prática do Design Inclusivo em Portugal. 10 Design Inclusivo – “Desenvolvimento de produtos e de ambientes, que permitam a utilização por pessoas de todas as capacidades. Tem como principal objetivo contribuir, através da construção do meio, para a não discriminação e inclusão social de todas as pessoas.” (Simões e Bispo, 2006, p.8) 11 Sala Snoezelen - é "uma sala equipada com material para estimulação sensorial. É um local feito de luz, sons, cores, texturas e aromas, onde os objetos são coloridos e disponibilizados para serem tocados e admirados. Os sentidos primários são estimulados dando sensação de prazer.” (Amcip, 2009) 12 Amorama - Associação de Pais e Amigos de Deficientes Profundos 13 CAO – Centro de Atividades Ocupacionais, na Amorama contém espaço snoezelen incorporado. 14 Neurodiversidade – trata da aceitação do autismo e outras diferenças neurológicas (transtorno do défict de atenção e hiperatividade, dislexia, por exemplo) não como doenças, mas como diferenças humanas normais que devem ser respeitadas. 15 American Therapy House – espaço de terapia que promove a reabilitação de pessoas com lesões, dores crónicas, deficiências nas áreas cognitiva, motora, fala, através de avaliação, diagnóstico e tratamento, contando com especialistas nas áreas da fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. 37 Esta abordagem contempla uma contínua melhoria do design de ambientes, promovendo uma maior abrangência de utilizadores a longo prazo, tornando o mundo construído num espaço mais acessível e mais inclusivo. 38 QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO Questão principal: Como pode o projeto de Design Inclusivo de espaços para terapia mais equilibrados promover o bom desempenho das atividades, mas também o conforto e bem-estar dos seus utilizadores? Questões secundárias: Qual a diferença de um design adaptado e um projeto de design feito de raiz na construção de salas de terapia, espaços terapêuticos intermutáveis e permanentes em escolas? Que influência tem a utilização de diferentes formas, dimensões e texturas nos materiais utilizados neste tipo de ambientes e no processo de integração por parte do utilizador do espaço? Será que o mesmo estudo nos permite identificar materiais e cores que melhor se adequam para espaços que se propõem inclusivos, tais como os de uma sala de terapia para pacientes com diferentes características físicas e psicológicas? Em que difere o trabalho do terapeuta numa escola, com uma criança com necessidades educativas especiais, num espaço preparado para o efeito ou num espaço adaptado (ex. sala multiusos, ou gabinete)? 39 OBJETIVOS GERAIS Considerando a forma como a sociedade vê o mundo à sua volta apercebemo-nos da grande necessidade de entreajuda que temos de mostrar para com quem é “diferente”, tentando que haja uma integração na sociedade, tanto a nível funcional como social, cultural e económico. Como objetivo principal, a presente investigação, ambiciona efetuar um estudo sistemático sobre como o projeto de Design Inclusivo pode ajudar no design de ambientes, para terapia, mais equilibrados e que promovam a atividade, mas também o conforto e bem-estar dos seus utilizadores. Pretende então indagar como pode o Design através da proposta de linhas orientadoras para a criação de espaços terapêuticos intermutáveis e permanentes em escolas inclusivas, melhor colmatar as dificuldades sentidas por alguns profissionais, por terem de se adaptar a espaços inadequados para a terapia a realizar com alunos com deficiência. A procura por escolas mais inclusivas, capazes de integrar o maior número de alunos providenciando espaços adequados para o seu desenvolvimento não é recente, como aliás nos mostra o decreto/lei n.º 3 de 2008, porém a consideração deste assunto no âmbito das salas de terapia (inclusivas) está ainda por resolver. 40 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Deseja este estudo tentar perceber a real importância dos materiais presentes nos espaços de terapia e de que forma definem as suas características físicas, tendo em consideração as preocupações acústicas, térmicas, de higienização, entre outras, permitindo uma utilização destes pelo maior número de terapias e utilizadores. Almeja ainda determinar como os materiais empregues em salas de terapia podem, por exemplo, influenciar o decorrer da sessão terapêutica, limitando desta forma o trabalho do terapeuta e do utilizador de espaço. Concluir que materiais se tornam desadequados para situações neste contexto, substituindo-os por melhores opções. Para além disto propor espaços em projeto mostrando as características ideais para ambientes terapêuticos projetados de raiz e espaços adaptados (salas já existentes para outras funções) com desenvolvimento das soluções no campo do Design Inclusivo. E ainda investigar a cor em ambiente terapêutico, de que forma é utilizada, por que terapias e a sua importância no decorrer da sessão. Investigar também o desenvolvimento de projetos de produtos, espaços e serviços, assim como de materiais, acabamentos, texturas e formas que visem auxiliar a vida de todos, sem exceção, e que funcionem em casas, escolas, espaços privados e públicos. Pretende ainda abrir novos campos para a investigação científica nas áreas do Design Inclusivo, Escolas Inclusivas, Salas de terapia, Neurodiversidade, Deficiência, Cor e Sinestesia, promovendo um real contributo para a sociedade. 41 METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO A investigação recai sobre revisão da literatura existente acerca da temática do Design Inclusivo, Espaços de ensino inclusivos, bem como das salas de terapia em escola e associações, estudo de materiais integrantes destes espaços, preocupações acústicas, térmicas, entre outras. Metodologias utilizadas Revisão da literatura Observação em escolas inclusivas, espaços de terapia de diferentes áreas, espaços Snoezelen, particulares, em associações e escolas Registo fotográfico dos espaços de terapia Entrevistas exploratórias e questionários a terapeutas, especialistas, docentes, discentes das diversas áreas de estudo Análise de resultados obtidos e posterior possibilidade de desenvolvimento de guidelines, bem como apresentação de proposta em maquete 3D. OBSERVAÇÃO / REGISTO FOTOGRÁFICO Espaços já existentes: Centro Helen Keller Amorama Forbrain Snoezelen Room American Therapy House APPDA ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS/ QUESTIONÁRIOS Iara Rolim de Paula – salas de terapia - ver apêndice 3 Rompa – escolhas de materiais para salas – ver apêndice 4 Forbrain Snoezelen Room – escolhas de materiais para salas – ver apêndice 5 Terapeutas Centro Helen Keller – salas de terapia – ver apêndice 7 Coordenadores, alunos, docentes CentroHelen Keller – ver apêndices 6, 10 e 11 42 REVISÃO DA LITERATURA Foram investigadas as seguintes temáticas: Design inclusivo, deficiência, deficiência visual, necessidades educativas especiais, autismo, neurodiversidade, cor, sinestesia, espaços de ensino inclusivos, salas de terapia em escola, salas Snoezelen, salas TEACCH, estudo de materiais integrantes destes espaços, preocupações acústicas, térmicas, entre outras. ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS Sobre os materiais utilizados em salas de terapia, preocupações acústicas, térmicas, entre outras. ALTERAÇÃO DE TEMÁTICA No decorrer da investigação surgiu a necessidade de adaptar a temática abordada inicialmente, procedendo a uma alteração da mesma, acrescentando também mais grupos de foco. Esta alteração vem no seguimento da apresentação do 2º ponto de situação. Temática inicial: Design inclusivo de salas de aula para pessoas com deficiência visual total. Focando-se no estudo acústico dos materiais em salas de aula inclusivas e de que forma estes materiais influenciavam a perceção do espaço por parte dos alunos com deficiência visual. Grupo de foco: pessoas com deficiência visual total Temática atual: Design de salas de terapia em escolas inclusivas. Tendo como objetivo a proposta de guias orientadoras para o design de salas de terapia em escolas inclusivas, enquanto estratégia de Design Inclusivo. 43 Grupo de foco: pessoas com deficiência visual parcial e total, perturbações do espectro do autismo [PEA], hiperatividade ou défice de atenção (muitas vezes relacionado com PEA) e multideficiência. Esta alteração deve-se ao número de alunos elevado de alunos com Necessidades Educativas Espaciais [NEE], que têm mais do que uma condição, por exemplo, Cegueira e PEA, ou atraso cognitivo. Alargamos desta forma o grupo de estudo fomentando uma abordagem mais inclusiva. . 44 45 CAPÍTULO 1 Enquadramento do design 46 1. ENQUADRAMENTO DO DESIGN Este capítulo apresenta a abordagem estudada na área do design presente na investigação. Qual a sua relevância para a criação de espaços e ambientes promovendo uma sociedade mais inclusiva. A aplicação desta aos espaços de ensino será abordada mais adiante no mesmo estudo. 1.1 Design for All / Design Universal / DESIGN INCLUSIVO (cap. 1.2.) “These approaches are variably referred to as ‘design for all’ (Europe), ‘universal design’ (USA and Japan) and ‘inclusive design’ (UK) and are typically specific implementations or derivations of ‘user-centered design” (Newell & Gregor, 2002, apud Keates & Clarkson 2004, p.54) 16 Com pressupostos semelhantes entre elas, estas abordagens ao Design tratam da elaboração de produtos, ambientes e serviços para todos enquanto ‘iguais’, tendo em conta as diferenças físicas, psicológicas, sociais ou culturais presentes em cada um, projetando para o maior número de utilizadores possível. Segue-se breves referenciações acerca das mesmas. 1.1.1 Design for All “Design for All is the intervention in environments, products and services with the aim that everybody, including future generations, regardless of age, gender, capacities or cultural background, can enjoy participating in the construction of our society, with equal opportunities and hence being able to participate in social, economic, cultural and leisure activities. Its objective is also for users to access, use and understand any part of the environment in an autonomous way.” (www.designforall.org/, consultado a 10.08.2012) 17 16 Tradução Livre: “Estas abordagens são variavelmente referidas como ‘design for all – design para todos’ (Europa), ‘design universal’ (EUA e Japão) e ‘design inclusivo’ (Reino Unido) e são tipicamente implementações ou derivações específicas do design centrado no utilizador.” 17 T.L. “Design for All é a intervenção em ambientes, produtos e serviços com o objetivo que todos, incluindo futuras gerações, independentemente de idades, géneros, capacidades ou ‘backgrounds’ culturais, possam participar de forma aprazível na construção da nossa sociedade, com oportunidades iguais e desta forma sejam capazes de participar em atividades de foro social, económico, cultural e de lazer. O seu objetivo é também para que os utilizadores tenham acesso, usem e percebam qualquer parte do ambiente de uma forma autónoma.” http://www.designforall.org/ 47 1.1.2 Design Universal “Universal Design is also called Inclusive Design, Design-for-All and Lifespan Design. It is not a design style but an orientation to any design process that starts with a responsibility to the experience of the user.” (Human centered design [HCD], consultado a 10.08.2012 in http://humancentereddesign.org/) 18 Segundo nos indicam no website (http://humancentereddesign.org/) o design universal estrutura o trabalho do design de interiores, produto, comunicação, gráfico, entre outras abordagens, é uma ‘vertente’, se assim se pode chamar, do design centrado no homem (utilizador), mas com a preocupação de trabalhar para tudo e todos. As diferentes nomenclaturas acima representadas referem-se a sinónimos de abordagens apresentadas pelo design de forma a incluir mais indivíduos na utilização dos seus produtos, espaços e serviços. A história do design universal será, portanto, apresentada como o enquadramento histórico do design inclusivo, partilhando ambos dos Princípios do Design Universal, pelos quais os designers se devem reger com vista a obterem produtos, ambientes e serviços que possam ser utilizados pelo maior número de pessoas. O Design Universal, é a nomenclatura adotada em países como os Estados Unidos da América (Universal Design), quando se referem a um design feito para todos, seja qual for a sua condição física, mental ou sensorial e limitação ou incapacidade na sua interação com o meio adjacente, Keates & Clarkson (2004). Foram desenvolvidos os Sete Princípios do Design Universal pelo ‘Center for Universal Design (1997) [CUD], enumerados por Simões e Bispo (2006) e aplicáveis também ao Design Inclusivo, que na tentativa de melhorar o ‘mundo construído’ em que nos encontramos, promovem um design ‘tolerante’, ‘interdisciplinar’ e acima de tudo inclusivo. “Princípio 1 – Uso equitativo É útil e vendável a pessoas com diversas capacidades. Proporciona a mesma forma de utilização a todos os utilizadores: idêntica sempre que possível; equivalente se necessário. 18 T.L.: “Design Universal é também referenciado como Design Inclusivo, Design-for-All e Lifespan Design. Não é um estilo de design, mas antes uma orientação para qualquer processo de design que tenha em conta a responsabilidade para com a experiência do utilizador.” http://humancentereddesign.org/ http://humancentereddesign.org/ 48 Evita segregar ou estigmatizar quaisquer utilizadores. Coloca igualmente ao alcance de todos os utilizadores a privacidade, proteção e segurança. Torna o produto apelativo a todos os utilizadores. Princípio 2 – Flexibilidade no uso Acomoda um vasto leque de preferência e capacidades individuais. Permite escolher a forma de utilização. Acomoda o excesso e o uso destro ou canhoto. Facilita a exatidão e a precisão do utilizador. Garante adaptabilidade ao ritmo do utilizador. Princípio 3 – Uso simples e intuitivo O uso é de fácil compreensão, independentemente da experiência, do conhecimento, das capacidades linguísticas ou do atual nível de concentração do utilizador. Elimina complexidade desnecessária. É coerente com as expectativas e a intuição do utilizador.Acomoda um amplo leque de capacidades linguísticas e níveis de instrução. Organiza a informação de forma coerente com a sua importância. Garante prontidão e resposta efetivas durante e após a execução de tarefas. Princípio 4 – Informação percetível Comunica eficazmente, ao utilizador, a informação necessária, independentemente das suas capacidades sensoriais ou das condições ambientais. Usa diferentes modos (pictográfico, verbal, táctil) para apresentar de forma redundante informação essencial. Maximiza a ‘legibilidade’ de informação essencial. Diferencia os elementos em formas que possam ser descritas (i.e., fazer com que seja fácil dar instruções ou orientações). É compatível com a diversidade de técnicas ou equipamentos utilizados por pessoas com limitações sensoriais. Princípio 5 – Tolerância ao erro Minimiza riscos e consequências adversas de ações acidentais ou não intencionais. Ordena os elementos de forma a minimizar riscos e erros: os elementos mais usados são mais acessíveis, e os elementos perigosos são eliminados, isolados ou protegidos. Garante avisos de riscos e erros. Proporciona características de falha segura. Desencoraja a ação inconsciente em tarefas que requeiram vigilância. Princípio 6 – Baixo Esforço físico Pode ser usado de uma forma eficiente e confortável e com um mínimo de fadiga. Permite ao utilizador manter uma posição neutral ao corpo. Usa forças razoáveis para operar. Minimiza operações repetitivas. Minimiza esforço físico continuado. Princípio 7 – Tamanho e espaço para Aproximação e uso São providenciados tamanho e espaço apropriados para a aproximação, alcance, manipulação e uso, independentemente do tamanho do corpo, postura ou mobilidade do utilizador. Providencia um campo de visão desimpedido para elementos importantes para qualquer utilizador sentado ou em pé. Torna o alcance, a todos os componentes, confortável para qualquer utilizador sentado ou em pé. Acomoda variações no tamanho da mão ou da sua capacidade de agarrar. Providencia espaço adequado para o uso de ajudas técnicas ou de assistência pessoal.” (Simões & Bispo, 2006, p.42-43) Estes princípios que podem ser aplicados a todas as disciplinas que lidem com projeto e construção diretamente ligadas ao homem, como é o caso da 49 arquitetura, urbanismo e design, por exemplo, bem como a ‘todas as pessoas’, ou ao maior número possível de utilizadores, referem Simões e Bispo, (2006, p. 42-43). Ainda segundo os autores, tais princípios devem ser aplicados na avaliação de objetos e ambientes já existentes, com o intuito de conduzir o processo de design, elucidando designers e consumidores acerca dos aspetos que fazem de determinado objeto ou ambiente mais usáveis e por um maior número de utilizadores. Esta abordagem pretende uma continuação na melhoria da projetação de produtos, ambientes e formas de comunicação, maior abrangência de utilizadores a longo prazo, tornando o mundo construído num espaço mais acessível e, portanto, mais universal. A nomenclatura Universal deixa de ser a mais utilizada para descrever o design com carácter inclusivo, segundo Ronald Mace (Human Centered Design - HCD, consultado a 10.07.2012 in http://humancentereddesign.org/), por tornar o conceito do design demasiado ‘utópico’ e generalizado. É impossível fazer um design totalmente universal, podemos, no entanto, fazê-lo o mais inclusivo possível, sem com isto perder os princípios básicos do Design Universal. 1.2 Design Inclusivo A escolha do conceito de Design Inclusivo para o presente estudo em detrimento de outras, recai sobre o seu objetivo de projetar para o maior número de utilizadores, considerando os seus objetos e espaços não para um ‘Homem médio perfeito’, mas para todas as diferenças encontradas no ‘Homem comum’, bem como a inclusão de todos na sociedade, (Simões & Bispo, 2006). Projetando para ‘todos’, ‘sem pretensões’ de apresentar soluções meramente direcionadas para pessoas com deficiência, mas para todos os que pretendam utilizar qualquer produto, ambiente ou serviço. No decorrer deste estudo será adotada a nomenclatura Design Inclusivo, por ser a mais utilizada em Portugal, bem como por entidades como a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal [ACAPO].19 19 ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal – “Instituição Particular de Solidariedade Social, fundada a 20 de Outubro de1989 por fusão da Associação de Cegos Louis Braille, a Liga de http://humancentereddesign.org/ 50 1.2.1 Enquadramento histórico “Over the past 20 years there has emerged a growing awareness that good design – whether from buildings, interiors or products – should by nature be inclusive. Of course, it would be impossible to design any environment to the exact specifications of every minority group, each with its own individual demands. However, it is perfectly possible to create environments that embrace and invite the widest possible range of users.” (Barker, P., Barrick, J., Wilson, R., n.d., p.7) 20 As questões relacionadas com o Design Inclusivo, na altura designado como Design Universal, começaram a ser colocadas em questão e aplicadas ao design após a Segunda Guerra Mundial, tendo o seu desenvolvimento sido nos anos 50, e direcionado para pessoas com deficiência, HCD (2012) Tem a sua origem no ‘Design sem Barreiras’, na Europa, Japão e Estados Unidos, entendido como um design que promovia a eliminação de barreiras (físicas) para pessoas com deficiência ou incapacidade, acompanhando a passagem da instituição para uma vida em sociedade, sendo o seu foco maioritariamente em produtos e ambientes. Segundo o HCD (2012) a nomenclatura que o caracterizava até então é motivo de ‘exclusão social’, por se tratar de projetos unicamente direcionados para pessoas com deficiência, sendo adaptada para além de uma nova definição menos ‘incapacitante’ – Design Acessível – uma mudança que se começa a sentir a partir dos anos 70, na Europa e Estados Unidos, na sua forma de projetar que abrangia agora um público mais extenso, na tentativa de uma maior inclusão social. Segundo a mesma fonte, a legislação existente para o efeito da integração do cidadão com deficiência ainda se espelha nesta definição do que é o princípio do design inclusivo. É através de ações levadas a cabo nos Estados Unidos em meados Cegos João de Deus e a Associação de Cegos do Norte de Portugal. (…) Com características únicas no movimento associativo de deficientes em Portugal, tanto ao nível da sua estrutura organizacional, como nos fins e atividades desenvolvidas. A ACAPO é, reconhecidamente, a Instituição de referência na área da deficiência visual em Portugal, por: defenderem e representarem todos os cidadãos cegos e com baixa visão portugueses, pugnando e garantindo a sua plena expressão e exercício da cidadania; (…) intervirem e atuarem a nível nacional, numa lógica de proximidade às pessoas e aos seus contextos sociais, assumindo-nos como parceiros-chave das comunidades locais e dos seus agentes, em prol do desenvolvimento comunitário, da inclusão e justiça social; (…) Agirem continuamente para a promoção de uma sociedade digna, aberta e inclusiva, que valorize, aceite e respeite a diferença e torne a questão da inclusão social das pessoas com deficiência numa componente natural dos deveres de cidadania de todos os cidadãos.” in www.acapo.pt – consultado a 12.07.2011 20 T.L.: “Nos últimos 20 anos tem vindo a emergir uma constante consciencialização de que o bom design – seja este de edifícios, interiores ou produtos – deve ser de natureza inclusiva. Claro que seria impossível desenhar um qualquer ambiente para as especificações exatas de cada grupo minoritário, cada umcom as suas necessidades individuais. Contudo, é perfeitamente viável criar ambientes que acolham e convidem o maior número de utilizadores possível.” http://www.acapo.pt/ 51 de 70, pelo movimento de pessoas com deficiência, na sua maioria regendo-se pela “Americans with Disabilities Act of 1990” que o design é, pela primeira vez na história, “reconhecido como condição para alcançar direitos civis”, HCD, (2012, in https://humancentereddesign.org/universal-design/history-universal-design)21 Alcançam-se também metas no sentido de tornar obrigatórias regras que promovem não só uma sociedade sem barreiras, mas também uma sociedade igual para todos, bem como a introdução da ‘ideologia’ do Design Acessível como forma de trabalho do design. A partir dos anos 80 o conceito generaliza-se, surgindo várias formas de trabalhar o Design Acessível, porém ainda na sua maioria destinado para pessoas com deficiência ou incapacidade. Só em 1987, no contexto do ‘World Design Congress’ é sugerida por designers irlandeses como forma preferencial de trabalho, a consideração na ‘problemática da deficiência, incapacidade e envelhecimento da população mundial. O afastamento de um trabalho destinado apenas a pessoas com limitações e incapacidades e, a integração da pessoa idosa e do jovem dito ‘normal’ só vem a acontecer nos anos 90, com a introdução do conceito de Design Universal, apesar de não ser esta a nomenclatura ideal por atribuir ideais aos seus produtos que não consegue cumprir na totalidade, como explicado anteriormente, HCD (2012). “A plena participação das pessoas com deficiência na economia e na sociedade é vital para que a estratégia da EU ‘Europa 2020’ consiga gerar um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. A edificação de uma sociedade que inclua todas as pessoas resulta também em oportunidades para os mercados e fomenta a inovação. A acessibilidade de todas as pessoas a serviços e produtos apresenta fortes vantagens económicas, em virtude da procura resultante de um número cada vez maior de consumidores em envelhecimento” (Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020: Compromisso renovado a favor de uma Europa sem barreiras, 2010, p.4) 1.2.2 O que trata o Design Inclusivo “A perceção da diferença, quer seja de natureza física, mental ou cultural, associa-se habitualmente a um sentimento de incompreensão e, por vezes, de intolerância que se transforma frequentemente em fator de exclusão.” (Simões & Bispo, 2006, p.20) 21 T.L. de: “recognized as a condition for achieving civil rights.” https://humancentereddesign.org/universal-design/history-universal-design 52 A noção de design inclusivo surge-nos do conceito de design para todos, design que inclui, pensado para todo e qualquer indivíduo independentemente das suas características físicas, psicológicas, mentais, ou capacidades cognitivas, diferenças culturais, sociais, diferenças de género ou idade. Trata-se de uma prática com responsabilidade social pois promove a aceitação geral por parte do público, sem descriminação e facultando a todos as mesmas oportunidades, referem (Santos et al 2007 apud Pereira, 2009). Indicam ainda que os produtos e ambientes criados segundo este conceito devem promover a maior utilização e aceitação possível por parte do público, sem a necessidade de características específicas para pessoas com deficiência, ou qualquer limitação. “The design of mainstream products and/or services that are accessible to, and usable by, as many people as reasonably possible… without the need for special adaptation or specialized design.” (definição de design inclusivo in The British Standards Institute [BSI], 2005 apud Clarkson, J., Coleman, R., Hosking, I. & Waller, S., 2007)22 Mais defende, The British Standards Institute – BSI (2005 apud Clarkson et al. 2007) que a prática do design inclusivo indo ao encontro dos indivíduos com mais dificuldades e limitações, promove produtos, ambientes e serviços abrangentes a um maior número de utilizadores, melhor rentabilizando o produto, ambiente ou serviço bem como todo o seu processo de execução, venda e aceitação pelo público. 1.2.3 Projetar produtos, ambientes e serviços com sucesso Cada vez mais a indústria e o utilizador pedem produtos, ambientes e serviços acima de tudo funcionais, de fácil compreensão e utilização e que contemplem o maior número de pessoas e limitações que estas possam vir a ter. A preocupação com o projetar para um ‘future-self’23 é cada vez mais evidente, e os produtos que têm em consideração as limitações inerentes a uma idade avançada ganham mais notoriedade. Assim consideram também os investigadores do grupo ‘Helen Hamlyn Center’, que deixam à disposição do designer e utilizador uma série de adequações à 22 T.L..: “O design de produtos e / ou serviços principais que são acessíveis e utilizáveis por tantas pessoas quanto razoavelmente possível... sem a necessidade de adaptação especial ou design especializado.” 23 T.L.: “‘nós próprios no futuro’, implica uma consciencialização do envelhecimento da população e de como isto vai influenciar a nossa ‘relação’ com objetos, ambientes e serviços com que lidamos numa base diária.” 53 boa prática do design com vista a uma futura produção de produtos, ambientes e serviços apropriados a um maior número de utilizadores. Recomendam ainda a consulta de websites como por exemplo (http://designingwithpeople.rca.ac.uk/home/about), onde demonstram através da exibição de um vídeo, aquilo que trata o centro e como desenvolver um design mais inclusivo, ou (http://www.inclusivedesigntoolkit.com/) que nos remete a ferramentas teóricas para aplicação prática em projetos a desenvolver no âmbito do design inclusivo, estendendo-se a várias áreas de atuação, desde os vários tipos de deficiência, à idade avançada do utilizador, bem como o estudo de aplicações de investimento nas diferentes áreas. Dentro destas ferramentas de apoio à produção de design inclusivo, podemos salientar as seguintes medidas segundo as quais um produto pode ser considerado de sucesso: “Functional – The product must provide suitable features to satisfy the needs and desires of the intended users. A product with a large number of features in not guaranteed to be functional! Usable – Easy to operate products are pleasurable and satisfying to use, while those that place unnecessary high demands on the user will cause frustration for many people and exclude some altogether. Frustration with, or inability to use, a product can lead to a negative brand image. In the extreme, prolonged difficulties with poorly designed everyday products can even convince people that they are no longer able to lead an independent life. Desirable – A product may be desirable for many reasons, including being aesthetically striking or pleasant to touch, conferring social status, or providing a positive impact on quality of life. Viable – The business success of a product can be measured by its profitability. This typically results from having a product that is functional, usable and desirable, and which is delivered to the market at the right time and at the right cost.” (Clarkson, Coleman, Hosking & Waller, 2007, in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ consultado a 18.10.2012) 24 O Design Inclusivo contempla todo e qualquer trabalho, ação ou projeto criado com a intenção de incluir ou integrar todos os indivíduos, apesar de as suas 24 T.L.: “Funcional – O produto deve ter características adequadas a satisfazer as necessidades e desejos dos possíveis utilizadores. O facto de ter um grande número de características não é garantia da funcionalidade do produto! Utilizável – produtos fáceis de operar tornam-seprazeirosos e melhor aceites durante a sua utilização, enquanto aqueles que exigem altas capacidades de interação por parte do utilizador causarão frustração na maioria das pessoas excluindo inclusive algumas. Frustração e impossibilidade de utilização de um produto podem prejudicar uma marca denegrindo-a. Em casos extremos, dificuldades prolongadas causadas por produtos de uso diário, com mau design, podem convencer uma pessoa que já não têm capacidade para viver uma vida independente. Desejável – Um produto pode ser desejável por muitas razões, incluindo ser esteticamente atrativo ou agradável ao toque, por conferir status social ou providenciar um impacto positivo na qualidade de vida. Viável – O sucesso de um negócio de um produto pode ser medido pelos lucros que deste resultam. Isto normalmente resulta de ter um produto que é funcional, utilizável, e desejável e que fica disponível no mercado no tempo certo e com o valor certo.” http://designingwithpeople.rca.ac.uk/home/about http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ 54 limitações, deficiências ou dificuldades, sejam estas permanentes ou temporárias. Para Coleman (2006, apud Pereira, 2009) esta abordagem ao design não se trata de uma nova disciplina, mas apenas de um ‘completar’ uma lacuna existente na criação de design, promovendo produtos e ambientes mais acessíveis a um maior número de pessoas. Simões e Bispo (2006) referem também que o Design Inclusivo se preocupa com a inclusão de todo e qualquer cidadão e deve providenciar a solução mais acertada para todos em determinada situação, seja referente a um produto, ambiente ou serviço. “O Design Inclusivo pode ser assim definido como o desenvolvimento de produtos e de ambientes, que permitam a utilização por pessoas de todas as capacidades. Tem como principal objetivo contribuir, através da construção do meio, para a não discriminação e inclusão social de todas as pessoas.” (Simões & Bispo, 2006, p.8) Todo o indivíduo é único e difere quer em capacidades físicas, mentais e sensoriais, quer em conhecimentos e níveis de aprendizagem. Cabe, portanto, a quem pratica o Design Inclusivo abstrair-se do utópico homem médio, neste caso que poderá ser entendido como aquele de estatura média, saudável, jovem, que compreende todo e qualquer objeto que lhe seja apresentado e, projetar para pessoas reais, que de facto nem sempre têm capacidade física ou cognitiva para realizar determinada ação, ou entender o funcionamento mais simples de determinado objeto, equipamento ou espaço. “Em diversos momentos da nossa vida, todos nós experimentamos dificuldades nos espaços em que vivemos ou com produtos que usamos. Estas dificuldades resultam de situações de inadaptação das características do meio construído face às nossas necessidades. (…) É possível conceber e produzir produtos, serviços ou ambientes adequados a esta diversidade humana, incluindo crianças, adultos mais velhos, pessoas com deficiência, pessoas doentes ou feridas, ou, simplesmente, pessoas colocadas em desvantagem pelas circunstâncias. Esta abordagem é designada “Design Inclusivo”. (Simões & Bispo, 2006, p.8) Existe alguma confusão relativamente àquilo que trata o Design Inclusivo, acabando por ser na maioria das vezes identificado como ‘produtor’ de soluções especificamente criadas para pessoas com deficiência, não sendo essa a sua finalidade. As pessoas com deficiência podem e devem ser consultadas durante o processo de projetação e produção do produto, ambiente ou serviço, por exemplo, 55 como ‘garantia’ ou no intuito de tornar os equipamentos e espaços aptos para mais utilizadores, criando um maior leque de soluções possíveis. O Design Inclusivo e produtos daí resultantes destinam-se a todos os cidadãos e não apenas aqueles com deficiência ou alguma dificuldade física, motora, sensorial ou cognitiva. No entanto, é por este grupo de pessoas que os produtos são mais utilizados, e são estes que mais beneficiam dos mesmos. O Design Inclusivo cria assim uma maior igualdade de direitos e oportunidades, possibilitando a utilização dos produtos por um maior número de utilizadores. Sendo a maioria das soluções apresentadas pelo Homem e para o Homem, há que ter em atenção as várias e diferentes características inerentes ao ser humano enquanto se projeta, evitando a criação de novas barreiras ou limitações, considerando situações futuras, para que as soluções encontradas melhor se adaptem ao utilizador pelo maior período de tempo. Devemos, portanto, questionarmo-nos acerca da sua função, adequação e uso, considerando uma utilização plena por todos os cidadãos. O design deveria tratar estas questões como ‘regras gerais’ do bom design, um design inclusivo e para todos. Afinal são as características e capacidades, ou incapacidades inerentes a cada um, que ‘fazem’ a diversidade da raça humana. São estas, em conjunto com fatores sociais e culturais, que distinguem povos e nos fazem tão diferentes uns dos outros. Simões e Bispo (2006) relatam que é o reconhecimento destas diferenças que assiste como agente de minimização de preconceitos e exclusão social de determinados indivíduos. O designer deve então seguir uma série de passos aquando a conceção do seu produto, ambiente ou serviço, para melhor projetar com sucesso e para um maior número de consumidores. Hosking e Waller (2007) indicam os processos para o desenvolvimento de um projeto, no âmbito do design inclusivo, iniciando-os pelas questões fundamentais, como mostramos na figura 1. Estas representam, segundo os autores “um conjunto básico que deve ser considerado o requisito mínimo para 56 produzir design inclusivo”, (Hosking e Waller, 2007, in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/GS_overview/overview.html)25. Fig. 1 Quatro questões fundamentais que se devem aplicar aos projetos de design. Figura retirada e adaptada da sua versão em inglês, do website http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ consultado a 18.10.2012. A figura 1 mostra não só as quatro questões fundamentais, como também a forma como estas são solucionadas através de repetidos testes que envolvem conceitos como “exploration, creation, evaluation, guided by project management.” (Hosking e Waller, 2007, in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/GS_overview/overview.html). Quando todas estas questões estão tratadas então podemos avançar para o desenvolvimento do projeto aplicando os “Principles of inclusive concept generation”26, como explicados de seguida. 25 T.L. de: “a basic set that should be considered the minimum required to design inclusively” 26 T.L.: “Princípios da geração do conceito de design” http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ http://www.inclusivedesigntoolkit.com/GS_overview/overview.html 57 “Princípios da geração do conceito de design: Repetir para refinar – sucessivos ciclos de exploração, criação e avaliação devem gerar uma compreensão clara das necessidades, melhores soluções para preencher estas necessidades, e provas evidentes que as necessidades estão sanadas. Testar no início do processo e testar frequentemente – executar testes rápidos com protótipos iniciais, sendo estes realizados suficientemente ‘cedo’ no processo para que mudanças significativas ainda sejam possíveis. Apontar para a simplicidade – a simplicidade é forte mas esquiva, requer uma visão clara e sucinta do que trata o produto. Perguntem-se: ‘Posso fazer com menos?’ É normal ser diferente – para além disso, é normal querer coisas diferentes e fazer coisas de forma diferente. Perceber a diversidade existente entre consumidores. Perceber a deficiência é apenas uma parte do que envolve perceber a diversidade. Considerar todo o processo do utilizador – objetivos satisfatórios envolvem projetar para todo o processode utilização que acontece em contexto de utilização diária. Detalhes interessam – tentar descobrir e focar nas características e necessidades daquilo que as pessoas fazem, querem e realmente precisam. Mais do que utilizadores – considerar as necessidades de pessoas como os fabricantes, retalhistas, compradores, instaladores, técnicos, etc. Questionar hipóteses – é fácil ficar preso a uma forma de trabalhar que parece ser a única. Aconselha-se a realizar uma lista de hipóteses e perguntar ‘Porquê’? Deixar as ideias ‘respirar’ – permitir que ideias consideradas ‘doidas’, se possam tornar grandes ideias. Provar – complementar opiniões com provas. Usar diferentes ‘chapéus’ – ser criativo, crítico e saber quando alterar de um para outro.” (http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/gettingstarted/gettingst arted.html#../newimages/rsz_outcomes__130.gif - consultado a 18.10.2012) 27 27 T.L. de: “Principles of inclusive concept generation: Repeat to refine – Successive cycles of exploration, creation and evaluation should generate a clearer understanding of the needs, better solutions to meet these needs, and stronger evidence that the needs are met. Test early and test often – Perform quick tests with rough prototypes, early enough in the process that meaningful change is still possible. Strive for simplicity – Simplicity is powerful but elusive it requires a clear and succinct vision of what the product is about. Ask ‘can you do it with less?’ It’s normal to be different – In addition, it’s normal to want different things and do things in different ways. Understand diversity amongst your customers. Understanding disability is only one part of understanding diversity. Consider the whole user journey – Satisfying goals involves designing for end-to-end journeys that takes place in real world context. Detail matters – Dig deeper to uncover and address the things that people really do, really want and really need. More than just users – Consider the needs of stakeholders such as regulators, shareholders, manufacturers, retailers, purchasers, installers, supporters and maintainers. Challenge assumptions – It’s easy to get stuck in thinking that the way things have been done is the only way they could be done. List your assumptions and ask ‘why?’ Let ideas breathe – Give wacky ideas the chance to become great ideas. Prove it – Complement opinions with evidence. Wear different hats – Be creative, be critical and know when to switch.” http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/gettingstarted/gettingstarted.html#../newimages/rsz_outcomes__130.gif http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/gettingstarted/gettingstarted.html#../newimages/rsz_outcomes__130.gif 58 Os processos que envolvem um projeto de design inclusivo devem ser continuamente testados, para comprovar a sua eficácia ao longo do seu desenvolvimento, podendo estes ter de voltar ao início em qualquer etapa do mesmo. 1.2.4 “Role Playing” No sentido de fomentar uma maior sensibilização para estas questões da inclusividade, Simões e Bispo (2006) realizaram também uma série de simulações de situações de incapacidade como parte integrante de exercício de sensibilização que visa entender a problemática sentida pelos indivíduos que lidam com a incapacidade, as barreiras e as falhas de acessibilidade de uma forma diária. A estes exercícios, realizados por técnicos da área e seus ‘voluntários’, é atribuída a nomenclatura “Role Playing”. Estes consistem em providenciar ao técnico e seu ajudante a experiência de lidar com a situação de deficiência e suas limitações, procedendo à avaliação de determinado produto, espaço ou ambiente consoante as necessidades e acessibilidades dos futuros utilizadores. Os exercícios de “Role Playing” apesar de muito eficazes para testarem alguns produtos, espaços e ambientes, e técnicas de manuseamento e deslocação nos mesmos, são limitados no sentido em que não executam a simulação a 100%. Nem tão pouco conseguiriam, pois é impossível simular o ‘ser’ paraplégico, ou cego, por mais cadeiras de rodas e vendas de olhos que testemos, como instrumentos de simulação dessas incapacidades. A limitação, deficiência ou incapacidade, dizem Simões e Bispo (2006) não é passível de ser percecionada na sua totalidade, pois não há forma de simular o sentimento de exclusão sentido na maioria das situações que envolvem as atividades diárias, nem a “confrontação com os preconceitos dos outros”, nem o facto de conviver com a situação durante longos períodos de tempo. E ainda porque o especialista (técnico) se adapta à técnica de apoio durante um curto espaço de tempo, não tendo possibilidade de com esta aprender a transpor barreiras e ajustar acessibilidades onde não as há, processo que requer tempo de aprendizagem e um conhecimento e utilização diária da mesma, explanam ainda os autores. Face a tais limitações as experiências só podem ser executadas até determinado ponto, no que toca à deficiência do utilizador, podendo, no entanto, 59 retratar algumas situações de impossibilidade de utilização de determinados produtos e ambientes. “Por estes motivos, a simulação da deficiência (Role Playing) deve ser encarada, essencialmente, como uma ferramenta de sensibilização ou de aproximação à problemática da acessibilidade, que não substitui a participação dos utentes, como metodologia por excelência para a deteção das suas necessidades.” (Simões & Bispo, 2006, p.20) Estes avanços a nível de design inclusivo, segundo CIF-OMS (2004), reforçados por Colwell (2012), e ainda por Simões e Bispo (2012), deveriam ser acompanhados por uma pessoa com deficiência, para que os projetos e ambientes fossem testados convenientemente, permitindo uma melhoria imediata e evitando desta forma acidentes desnecessários. Pois situações como pavimentos e rugosidades presentes no chão, expostas com demasiada altura, tornam-se um potencial ponto de acidente para todos, dependendo da sua idade, capacidade mental e atenção ao que o rodeia. Como acima referido e explanado por Simões e Bispo (2006) as situações de ‘Role-Play’ (pessoa que não tem a deficiência mas que simula a mesma para testar um determinado espaço ou produto) são precisas até certo ponto, mas não testam na sua integridade o dito espaço ou produto, pois existem fatores como por exemplo a adaptabilidade e período de aprendizagem de determinada técnica (ausência de visão – bengala, ou deficiência motora - cadeira de rodas) ou até o quotidiano de uma pessoa com deficiência e o sentimento de exclusão em determinadas situações que fazem deste o melhor sujeito para testar aquilo que se pretende produzir. 1.2.5 User experience Design “Experience or User Experience is not about good industrial design, multi-touch, or fancy interfaces. It is about transcending the material. It is about creating an experience through a device.” (Marc Hassenzahl, 2011, cap.3)28 A sensação de experienciar um evento na primeira pessoa, tal como assistir ao nascer do sol, saltar de paraquedas, apreciar um bom concerto, por exemplo, 28 T.L.: “Experiência ou Experiência do Utilizador não tem a ver com bom design industrial, ‘multi-touch’, múltiplas funções, ou interfaces excêntricos. É sobre transcender o material. É sobre criar uma experiência através de um equipamento.” 60 envolve os sentidos do participante, tornando aquele momento inesquecível. Numa sociedade cada vez mais consumista, a venda de experiências de vida aumenta, quando se comprova que estas têm maior influência nos níveis de satisfação dos consumidores, do que a ‘atividade’ de adquirir produtos, Hassenzahl (2011, apud Boven and Gilovich 2003; Carter and Gilovich 2010). Estas experiências não precisam de ser em locais remotos,onde o participante teria de gastar muito dinheiro, na verdade aumentam as ofertas de experiências simples, tais como: passeio a cavalo, viagem de barco para observação de golfinhos, picnic no jardim, algo que faça o participante sair da sua rotina habitual é o suficiente para esta se tornar desejável. E tão pouco requerem a utilização de gadgets, ou algo na sua forma material. Assistir ao pôr-do-sol numa praia não requer qualquer “ferramenta” ao participante, senão o seu próprio corpo. “(…) An experience is a story, emerging from the dialogue of a person with her or his world through action.” (Hassenzahl, 2010, p.8)29 “An experience is subjective, holistic, situated, dynamic, and worthwhile.” (Hassenzahl, 2011, cap.3)30 Existem, no entanto, experiências em ambientes que estimulam os sentidos, que são projetadas para criar determinadas reações nos participantes, e estas são tão válidas como as apresentadas anteriormente. A preocupação deve recair na experiência que o participante irá ter ou teve, e, de que forma é possível melhorar a mesma, para que mais participantes consigam viver sensações semelhantes. Numa sala de terapia Snoezelen (será abordada em capítulo posterior), toda a envolvente está desenhada e pensada para a estimulação dos sentidos dos participantes. Trata-se de uma experiência focada do utilizador, seja qual for a sua condição ou características, onde um terapeuta trabalha no espaço, com equipamentos próprios para atingir determinados resultados a nível de relaxamento e estimulação, por exemplo. Aqui a preocupação do designer que projeta a sala deverá passar pela utilização da mesma quer pelo participante da experiência quer pelo 29 T.L.: “(…) Uma experiência é uma história, que emerge do diálogo de uma pessoa com o seu mundo através de uma acção.” 30 T.L.: “ Uma experiência é subjectiva, holística, situada, dinâmica e que vale a pena.” 61 terapeuta, otimizando o espaço para que os resultados sejam o melhor possível de acordo com os critérios dos profissionais que neles operam. Existem ainda experiências que pretendem auxiliar o tratamento de determinadas limitações que a pessoa tem, por exemplo, a empresa Forbrain Snoezelen Room, acrescentou à sua oferta de sala de estimulação sensorial Snoezelen, um simulador de cabine de voo, para ajudar pessoas com fobia de viagens de avião através da estimulação sensorial. Nesta experiência os terapeutas conseguem controlar alguns fatores, tais como possibilitar o relaxamento dos utilizadores e diminuição de níveis de ansiedade, enquanto simulam uma viagem de avião. Apesar das condições não serem exatamente as mesmas do que numa cabine de avião, a experiência pretende dar as bases aos utilizadores da mesma, para que numa situação real consigam controlar os seus níveis de ansiedade e evitar momentos de pânico. Fig. 2 Experiência em cabine de voo sensorial, fotografia de Associação Sol e Terra, 2017, Lisboa, Portugal. 62 Fig. 3 Cabine de voo sensorial, fotografia de Forbrain Snoezelen Room, por Francisco Alvernaz, 2017, Lisboa, Portugal. Fig. 4 Experiência em cabine de voo sensorial, fotografia de Forbrain Snoezelen Room, por Francisco Alvernaz, 2017, Lisboa, Portugal. Fig. 5 Experiência em cabine de voo sensorial, fotografia de Forbrain Snoezelen Room, por Francisco Alvernaz, 2017, Lisboa, Portugal. 63 Porém, nem todos os utilizadores reagem da mesma forma, há pessoas que não gostam de o ‘típico’ pôr-do-sol, ou acham pouco confortável um almoço sentado no chão em contacto direto com a natureza. É importante destacar que cada utilizador perceciona a experiência de forma diferente (Eric Leiss, 2011). Se a experiência estiver programada por um designer este pode apenas controlá-la até certo ponto. Cabe ao utilizador a experimentação e resultados que daí possam advir. O designer pode, no entanto, tentar controlar o maior número de variáveis para providenciar uma experiência que decorra sem problemas de maior, pensando nos utilizadores que melhor poderão aproveitar tais experiências, mas não projetar a experiência por completo, pois não a poderá sentir como o utilizador. 1.3 Preocupações sociais que o design deve ter O ser humano é o único ser que consegue, de forma consciente, produzir objetos, ferramentas, produtos, ambientes e serviços que sirvam uma determinada necessidade, inerente a todo o ser humano desde o início da sua existência, tais como a alimentação, o abrigo, a segurança e o bem-estar geral. É esta consciência de cada um que nos faz tomar determinadas opções, fazer esta ou aquela escolha e compreender o porquê dessa decisão. O design deve, segundo Hosking, Clarkson e Coleman (2007), projetar a pensar nas gerações futuras e no envelhecimento normal da população, que por sua vez contribui com novas limitações e incapacidades nos utilizadores dos produtos, ambientes e serviços já existentes, tendo também em consideração as deficiências e limitações físicas, psicológicas, cognitivas e sensoriais existentes em alguns indivíduos da sociedade e projetar a pensar também neste ‘nicho’ de utilizadores. A redução de capacidades está na sua maioria inerente ao envelhecimento da população. A diminuição da força, destreza, visão, audição ou memória são algumas das queixas mais comuns, que são suficientes para tornar um produto obsoleto, ou um espaço inadequado para uma perfeita utilização. Estando a taxa de natalidade da população mundial a decrescer, é uma realidade que o envelhecimento das sociedades obrigará à criação de soluções, cada vez mais inclusivas, pois agravando-se à redução de capacidades própria do avançar da idade, é também nesta fase da vida que as limitações e incapacidades se tornam 64 mais evidentes, surgindo aqui uma oportunidade de trabalho para os designers que projetam a pensar não só nas futuras gerações como também na sociedade do futuro. Graf. 1 Mudança na população dentro das respetivas faixas etárias ao longo dos anos. Exemplo do Reino Unido, mas que se aplica à população mundial. Gráfico retirado de: The Government Actuary’s Department, apud Hosking, Clarkson & Coleman (2007), in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130. gif (Legenda original: Change in the population within each age band over time.) consultado em 18.10.2012 O design inclusivo responsabiliza o designer para uma projetação para o futuro distante, considerando estas dificuldades naturais que vão acrescendo com o avançar da idade, bem como todos os casos de limitação causados por deficiência no indivíduo, mas não só. Graf. 2 Percentagem % de pessoas, dentro da faixa etária assinalada que não possuem plena capacidade para realizar determinada tarefa, esteja esta ligada com os sentidos, cognição ou perceção. Gráfico retirado de: The Disability Follow-up Survey (Grundy et al. 1999), apud Hosking, Clarkson & Coleman (2007), in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130. http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130.gif http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130.gif http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130.gif 65 gif (Legenda original: Percentage of people within each age band that have less than full ability) consultado em 18.10.2012 Estas incapacidades ou dificuldades entram também no campo da perceção do mundo que os rodeia, onde são por vezes confrontados com elementos com que não sabem lidar, sendo a tecnologia um dos mais frequentes. Com o significativo aumento a nível tecnológico, cabe também ao design inclusivo, permitir que todos tenham acesso aomesmo nível de tecnologia e, por esse motivo, promover um design simples e intuitivo. Mantendo um nível de ‘capacidade intuitiva’ baixa, o funcionamento do dito produto, espaço ou serviço será muito mais evidente e apreendido por um maior número de pessoas. 1.3.1 Design para o ‘bem-estar’. “Muitos designers projetam ainda hoje apenas para o sentido da visão. Preocupam-se unicamente em produzir algo de belo para se ver (…)” (Munari, 1981, p. 383) Como nos refere Munari (1981), muitos designers preocupam-se mais com a característica estética de determinado produto ou ambiente, do que com a sua relação com os demais sentidos, tato, audição, olfato, ou a junção dos mesmos (sinestesia)31. É comum encontrarmos produtos que apesar de bastante aprazíveis ao olhar se demonstram desconfortáveis, ou mesmo ergonomicamente incorretos, peças mal estruturadas, com peso mal distribuído, salas demasiado barulhentas devido a má organização espacial, entre outros. É com todos os sentidos que apreendemos determinado produto, é também com os mesmos sentidos que vivenciamos espaços, ambientes e novas experiências e deve ser para estes mesmos sentidos que o projeto deve ser pensado. Ainda segundo Munari (1981) se a função de determinado produto tem a capacidade de desenvolver o órgão relacionado com um sentido, então a ‘não-função’ terá capacidade de atrofiá-lo. 31 Sinestesia – experiência que combina dois ou mais sentidos ou sensações, por exemplo, ver cores ao ouvir sons, sentir formas de objetos ao provar um alimento, explicado no capítulo 3, secção 3.8 com o título Sinestesia. 66 O design deve ser para todos, aqueles que têm ou que não têm determinados sentidos a funcionar plenamente, aqueles que querem ou preferem não se servirem deles. É papel do designer produzir e criar bem-estar, solucionar problemas e encontrar necessidades, através da estimulação dos diferentes sentidos do utilizador. Se for tida em conta a utilização e estimulação de outros sentidos que não unicamente o da visão, então também os utilizadores reaprenderão a valorizar os inúmeros recetores sensoriais que permitem um novo reconhecimento do mundo em que vivemos, expõe ainda Munari (1981). 1.3.2 O design como fator integrador na sociedade O design inclusivo deve incluir o utilizador na sociedade, promovendo uma inclusão social, muitas vezes inexistente pelo facto de alguns utilizadores não terem capacidade de interagir ou compreender determinado produto, ambiente ou serviço. Falam-nos Simões & Bispo (2006) de uma reflexão no sentido de educar quer os produtores quer os consumidores em conjunto com os designers, para que resultem produtos, serviços e ambientes que sejam eficientes e adaptados ao maior número de utilizadores, dentro de um contexto social inclusivo. Afinal o ‘bom design’ é um design pensado para todos, para o presente e também para o futuro. Outro exemplo exposto por Simões & Bispo (2006) é a educação do utilizador, através do seu envolvimento nos projetos em desenvolvimento, atribuindo autonomia aos cidadãos e resultando em soluções adaptadas para cada caso e região. Este envolvimento pode ser feito com vários níveis de integração, passando pelo mais simples, Informação do utilizador; Consulta do utilizador; Envolvimento do utilizador; e a mais completa o “Empower”32 do utilizador. Informar o utilizador - a equipa que realiza o projeto informa o utilizador dos seus planos e desenvolvimentos que daí surgirão, mantendo-o sempre informado no decorrer dos trabalhos. Este ponto é muito importante durante todo o processo de desenvolvimento, pois permite ao utilizador uma melhor compreensão do que se está a realizar, a razão pela qual se opta por uma ou outra solução e como isto vai alterar o resultado final tornando o produto, ambiente ou serviço melhor e mais inclusivo. 32 T.L.: “Dar poder e autonomia ao utilizador” 67 “Garante o crescimento de competências de participação por parte dos utilizadores e solidifica a relação de confiança entre estes e a equipa de projeto.” (Simões & Bispo, 2006, p.37) Consultar o utilizador – as decisões são tomadas pela equipa responsável pelo projeto, no entanto, o utilizador é consultado expressando a sua opinião, e propondo soluções. Estas podem ser, ou não, adaptadas para a melhoria do projeto, mas devem ser sempre tidas em conta e deve ser explicada a escolha, e suas razões, da obtenção de solução final ao utilizador. Envolver o utilizador – apesar das decisões finais serem tomadas pela equipa responsável pelo projeto, o utilizador é consultado em todas as fases do projeto e dá opinião sobre todas elas. Este tipo de envolvimento permite ao utilizador experienciar uma maior autonomia na realização do projeto, percebendo os critérios presentes nas escolhas feitas e ainda propor alterações no decorrer do desenvolvimento e tomada de decisões. ‘Empower’ o utilizador – neste tipo de envolvimento o utilizador é autónomo na criação de um projeto a desenvolver, e tomadas de decisão acerca de todas as fases do mesmo. O utilizador pode criar uma equipa de apoio que é consultada, sempre que necessário, sendo que as decisões finais passam todas pelo utilizador, Simões & Bispo (2006). Este envolvimento contempla também a criação de soluções mais adaptadas a cada caso, diferindo de comunidade para comunidade, promovendo um menor desperdício de recursos, almejando um design mais sustentável, como nos apresentam Simões & Bispo (2006). Faz parte do papel do designer reduzir este distanciamento existente entre os dois mundos, na tentativa de uma integração mais completa, não só do deficiente visual, mas de todos aqueles que tenham qualquer tipo de deficiência, incapacidade ou limitação. Esforçando-nos por entender a dificuldade e ajudar na sua superação diária. Afinal no nosso âmago somos todos iguais, apenas um pouco diferentes à superfície. “Produtos, serviços e ambientes inclusivos originam comunidades mais equilibradas, proporcionando mais suporte e qualidade de vida aos seus cidadãos (...). O design inclusivo responde de uma forma mais direta 68 às necessidades sentidas e expressas pelas populações, aproximando da comunidade a capacidade de decisão e reforçando o seu sentido de responsabilidade. (…) Uma comunidade assente nos princípios do Design Inclusivo (…) apresenta menos problemas sociais e facilita a implementação de estratégias de desenvolvimento sustentável.” (Simões & Bispo, 2006, p.46) Infelizmente a sociedade perfeitamente inclusiva e compreensiva das limitações diárias que cada um tem ainda não existe, mas os avanços neste campo são de notar. Este capítulo apresenta o estudo da abordagem do design inclusivo, sob o ponto de vista do designer, projetando para o utilizador, independentemente das suas características, promovendo soluções acessíveis, que se preocupem com o bem-estar e conforto do utilizador. Para tal foram analisados conceitos tais como o Design for All, Design Universal e o Design Inclusivo, através de um enquadramento teórico e histórico, focando o desenvolvimento no Design Inclusivo, do que trata, como projeta produtos, ambientes e serviços com sucesso, e quais as preocupações sociais que o design deve ter. O estudo abrange também o Design para o bem-estar, um design focado no utilizador e nas experiências que este tem, através da apresentação do conceito de User Experience Design. Apresenta ainda o design como fator integrador na sociedade, na tentativa de uma reeducação da mesma, incluindo para tal o utilizador no desenvolvimento de soluções, em particular se estas se destinarem a pessoas com deficiência, para melhor compreender as necessidades de todos, produzindo assim projetos mais inclusivos.69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Barker, P. Barrick, J. Wilson, R, (n.d.), Building Sight, A handbook of building and interior design solutions, to include the needs of visually impaired people, Royal National Institute for the Blind, London. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020: Compromisso renovado a favor de uma Europa sem barreiras, Bruxelas, 15.11.2010 Hassenzahl, M. (2010), Experience Design: Technology for All the Right Reasons. Morgan and Claypool Publishers, p. 8. Keates, S., Clarkson, J. (2004), Countering design exclusion, An introduction to inclusive design, Springer, London, p. 54. Munari, B. (1981); Das Coisas Nascem Coisas; Arte e Comunicação, Edições 70, Porto. pp. 383-384. Pereira, M.L., (2009), Design Inclusivo, Um estudo de caso: Tocar para ver – Brinquedos para crianças cega e de baixa visão, p. 37. Santos, R., Senna, C. & Vieira, S. (2007), Acessibilidade e Design Inclusivo – um estudo sobre a aplicação do design universal nos produtos industriais. Seminário de Produção Académica em Design, Florianópolis Simões, J. F., Bispo, R. (2006); Design inclusivo acessibilidade e usabilidade em produtos, serviços e ambientes. 2ª ed. Centro Português de Design), pp. 8-46. 70 REFERÊNCIAS WEBGRAFIA Coleman, R. (2006), About: Inclusive Design, in http://www.designcouncil.org.uk/About- Design/Design-Techniques/Inclusive-design/, consultado em 20.03.2012 Hassenzahl, M. (2011), The Encyclopedia of Human-Computer Interaction, 2nd Ed., Chapter 3, User Experience and Experience Design, in http://www.interaction- design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html, consultado em 10.8.2015 Helen Hamlyn Center’ in http://www.hhc.rca.ac.uk/193/all/1/About-Us.aspx - consultado a 10.07.2011 Hosking, I., Clarkson, J. & Coleman, R. (2007), in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capva rtop__130.gif consultado em 18.10.2012 Reiss, E. (2011), commentary on User Experience and Experience Design, by Marc Hassenzahl (2011), in http://www.interaction- design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html, consultado em 10.8.2015 The British Standards Institute [BSI], (2005) British Standard 7000-6:2005. Design management systems - Managing inclusive design – Guide apud Clarkson, J., Coleman, R., Hosking, I. & Waller, S.,(2007) Inclusive design toolkit BT web publication, in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/whatis/whatis.html apud http://www.hhc.rca.ac.uk/291/all/1/publications.aspx, consultado em 18.10.2012 http://www.designcouncil.org.uk/About-Design/Design-Techniques/Inclusive-design/ http://www.designcouncil.org.uk/About-Design/Design-Techniques/Inclusive-design/ http://www.interaction-design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html http://www.interaction-design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html http://www.hhc.rca.ac.uk/193/all/1/About-Us.aspx http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130.gif http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/why/why.html#../images/rsz_capvartop__130.gif http://www.interaction-design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html http://www.interaction-design.org/encyclopedia/user_experience_and_experience_design.html http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ http://www.inclusivedesigntoolkit.com/ http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/whatis/whatis.html http://www.hhc.rca.ac.uk/291/all/1/publications.aspx 71 CAPÍTULO 2 Deficiência 72 2. DEFICIÊNCIA O presente capítulo relata as barreiras sentidas por indivíduos portadores de deficiência, reforçando a importância que o Design Inclusivo tem na vida destas pessoas, ao capacitá-las com mais autonomia. É ainda dado um enfoque na perspetiva da deficiência visual parcial e total, autismo, hiperatividade e défice de atenção, Necessidades Educativas Especiais (NEE) e Multideficiência por serem grupos de foco que trataremos em particular no estudo de caso – Centro Helen Keller e noutros exemplos abordados – Amorama, APPDA. 2.1 CIDADÃO COM DEFICIÊNCIA “Um em cada seis cidadãos da União Europeia (EU) é portador de uma deficiência mais ou menos profunda, o que representa cerca de 80 milhões de pessoas que com frequência, se veem impedidas de participar plenamente na sociedade e na economia devido a barreiras físicas e comportamentais. (…) Mais de um terço das pessoas com mais de 75 anos tem deficiências mais ou menos limitativas, com mais de 20% a serem consideravelmente afetadas. Acresce que estes números deverão aumentar, à medida que a população da EU envelhece.” (Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020) Cidadão deficiente é todo e qualquer indivíduo que sofra ou tenha alguma incapacidade ou deficiência, de carácter temporário ou permanente. Neste grupo também se incluem utilizadores de cadeiras de rodas, pessoas com deficiência física ou mental, de carácter cognitivo, motor e sensorial. “Considera-se pessoa com deficiência aquela que, por motivo de perda ou anomalia, congénita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as funções psicológicas, apresente dificuldades específicas suscetíveis de, em conjugação com os fatores do meio, lhe limitar ou dificultar a atividade e a participação em condições de igualdade com as demais pessoas.” (DL-38/2004, Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005, p.5) “Nos termos da Convenção da ONU, as pessoas com deficiência são todas aquelas com incapacidade prolongadas de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, as quais, em conjugação com diversas barreiras, podem obstar à sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com os demais cidadãos.” (Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020, p.3) 73 Para melhor compreendermos os conceitos de deficiência e incapacidade apresentam-se as seguintes definições que refletem o grupo de estudo da presente investigação. Deficiência – “As deficiências correspondem a um desvio relativamente ao que geralmente é aceite como estado biomédico normal (padrão) do corpo e das suas funções.” (Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde - Organização Mundial de Saúde – [CIF_OMS, 2004], p.15) “(…) é uma perda ou anormalidade do corpo ou de uma função fisiológica (incluindo funções mentais). Na CIF, o termo anormalidade refere-se estritamente a uma variação significativa das normas estatisticamente estabelecidas (i.e., como um desvio de uma média na população obtida usando normas padronizadas de medida) e deve ser utilizado apenas neste sentido.” (CIF_OMS, 2004, p.187) Incapacidade – “(…) é um termo genérico para deficiências, limitações da atividade e restrições na participação. Ele indica os aspetos negativos da interação entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais (ambientais e pessoais)”. (CIF_OMS, 2004, p.186) “A CIF utiliza o termo ‘incapacidade’ para designar um fenómeno multidimensional que resulta da interação entre pessoas e o seu ambiente físico e social.” (CIF_OMS, 2004, p.215) Modelos de classificação de deficiência Existem, segundo Peter Colwell (2012)33, reforçado pela CIF_OMS (2004), vários modelos de classificação da deficiência, dependendo de onde vem o conhecimento dos mesmos. No âmbito do presente trabalho serãoapresentados quatro modelos (Modelo Moral ou Religioso; Modelo Médico; Modelo Social; Modelo Biopsicossocial, mas só os três últimos serão analisados como forma de classificar a deficiência. Modelo Moral ou Religioso – deveria ter o nome de modelo imoral, pois a afirmação que faz é de extrema crueldade. Este modelo em tempos utilizado para 33 Peter Colwell - Técnico de Acessibilidade da Direção Nacional da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal [ACAPO], (com mais de 20 anos na área e trabalhando diariamente com indivíduos portadores de deficiência visual) nas instalações da Delegação de Lisboa, a 20 de Janeiro de 2012. Consultar apêndice 1. 74 classificar a deficiência não só ‘castigava’ toda a família da pessoa com deficiência, como também ‘condenava’ o deficiente a uma vida sem sucesso, numa medida de exclusão extrema e sem qualquer hipótese de melhorias futuras. “Segundo este modelo, a deficiência seria consequência de um castigo divino. A pessoa ou a sua família teriam praticado atos que implicavam uma punição. As pessoas com deficiência eram consideradas impuras e deveriam ser afastadas da sociedade. Significava um estigma para toda a família (…) sentimentos de culpa da pessoa com deficiência. (…) como resultado isolamento e vergonha (…) atitudes de autoexclusão e uma baixa-estima. A exclusão social é evidente, com a agravante de ser socialmente aceite, ou mesmo considerada aconselhável, e não meramente tolerada como nos dias de hoje.” (Simões & Bispo, 2006, p.26) Modelo Médico – a pessoa é considerada pelo seu estado físico. É tratada consoante a doença ou limitação que tem e considerada deficiente para serviço público e ‘outsider’34 na sociedade. Tem um papel deveras limitado e deverá ser sempre acompanhado, não existindo a possibilidade de subsistência sem apoio de outrem. A CIF refere a este propósito: “O modelo médico considera a incapacidade como um problema da pessoa, causado diretamente pela doença, trauma ou outro problema de saúde, que requer assistência médica sob a forma de tratamento individual por profissionais. Os cuidados em relação à incapacidade têm por objetivo a cura ou a adaptação do indivíduo e mudança de comportamento. A assistência médica é considerada como a questão principal e, a nível político, a principal resposta é a modificação ou reforma da política de saúde.” (CIF-OMS, 2004, p.21) Como nos referem Simões e Bispo (2006) este modelo torna-se representativo da pessoa com deficiência, devido à sociedade da época e também às ‘descobertas’ que se faziam sentir no campo da medicina, no século XIX. Estando a deficiência diretamente ligada com este campo, todos os casos seriam da responsabilidade e supostamente resolvidos por médicos e pelos avanços na medicina. “Resumindo a questão da deficiência a um problema técnico da medicina” (Simões e Bispo, 2006, p.26). Acreditava-se, naquela época, que os problemas pertenciam ao indivíduo, que se fosse encontrada a ‘cura’ para a sua deficiência os problemas cessariam e a sociedade nada teria de fazer para incluir tais indivíduos. 34 Outsider – s. estranho, forasteiro; (Desp.) pessoa que não participa. 75 Este modelo “conclui que as soluções se encontram intervindo a nível individual.” (Simões e Bispo, 2006, p. 26) Com a crescente participação ativa por parte das pessoas com deficiência, ainda que através das suas organizações representativas, no estudo, planeamento e execução de novas normas e leis que visam defender e proteger a pessoa com deficiência, o conceito do modelo médico sofre grandes alterações, dando lugar a uma análise mais vasta contemplando os direitos humanos e impondo-se desta forma uma nova abordagem à deficiência. Modelo Social – este modelo não se fundamenta nas causas religiosas e científicas, como os modelos anteriores, mas assenta as suas bases nas causas sociais, defendendo a igualdade de direitos para os deficientes, numa sociedade. “Distinguindo deficiência, de incapacidade e de desvantagem, tal como veio a fazer a Organização Mundial de Saúde em 1980 (…) deu-se um primeiro passo para reconhecer a responsabilidade da sociedade nas dificuldades de interação da pessoa com deficiência, com o meio.” (Simões & Bispo, 2006, p.27) Parafraseando Colwell (2012) a sociedade, e sua organização, são dos maiores responsáveis pela lacuna existente na aprovação e aplicação dos direitos das pessoas com deficiência. Através da inibição de leis, análise de problemas e não contemplação dos direitos da pessoa com deficiência, as necessidades desta são ignoradas aquando da adoção de normas e medidas políticas empregues para o ‘bom’ funcionamento da sociedade. Parte desta omissão contempla situações como a educação, o emprego, a habitação, a saúde, a informação, entre outras. “Partindo do princípio de que as sociedades ao organizarem-se na base da assunção do que é ‘normal’, inviabilizam a participação dos que não correspondem a esse estereótipo, os defensores do modelo social concluem que a sociedade deverá reconhecer e celebrar as diferenças.” (Simões & Bispo, 2006, p.27) O modelo social da deficiência surge com a interiorização dos factos apresentados em conjunto com a integração das pessoas com deficiência na sociedade e aceitação das suas diferenças e capacidades. De forma mais atual surge com a preocupação inclusiva. O indivíduo com deficiência é incluído na sociedade através da introdução de técnicas, acessórios e modificações estruturais no espaço público e privado. Há uma maior resposta e tentativa de melhoria de condições para 76 as pessoas com deficiência. Surgem escolas, espaços e elementos auxiliares para facilitar a vida das pessoas com tal limitação. Segundo a CIF: “O modelo social de incapacidade, por sua vez, considera a questão principalmente como um problema criado pela sociedade e, basicamente, como uma questão de integração plena do indivíduo na sociedade. A incapacidade não é um atributo de um indivíduo, mas sim um conjunto complexo de condições, muitas das quais criadas pelo ambiente social. Assim a solução do problema requer uma ação social e é de a responsabilidade coletiva da sociedade fazer as modificações ambientais necessárias para a participação plena das pessoas com incapacidades em todas as áreas da vida social. Portanto, é uma questão atitudinal ou ideológica que requer mudanças sociais que a nível político, se transformam numa questão de direitos humanos. De acordo com este modelo, a incapacidade é uma questão política.” (CIF_OMS, 2004, p.22) O modelo social tal como referenciam Simões e Bispo (2006), vem atribuir responsabilidade à sociedade, às suas barreiras sociais e ambientais pela dificuldade sentida pelas pessoas com deficiência, no processo de intervenção com o meio. Considerando ainda que a CIF_OMS, em 2001, ‘apoiando-se’ no modelo social e ponderando os aspetos sociais da deficiência propõe “um mecanismo para definir o impacto do meio ambiente, físico e social no funcionamento das pessoas.” (CIF_OMS, 2004) “Com o modelo social surge o reconhecimento do direito à diferença e à participação social das pessoas com deficiência. É uma cultura de direitos e igualdade de oportunidades que se instala, em oposição ao assistencialismo e à caridade que resultavam dos modelos anteriores.” (Simões & Bispo, 2006, p.27-28) Modelo Biopsicossocial (modelo mais atual) – A CIF_OMS (2004) faz uma integração dos dois modelos anteriores (modelo médico e modelo social) na tentativa de obtenção das variadas perspetivas de funcionalidade, é utilizada a abordagem biopsicossocial, oferecendo uma visão das diferentes perspetivas de saúde: biológica, individual e social. “A classificação (…) fornece dados fiáveis e comparáveis quepermitem fundamentar uma mudança. A noção política de que a incapacidade resulta tanto das barreiras ambientais como das condições de saúde ou deficiências deve ser transformada primeiramente num programa 77 de investigação e depois em evidências válidas e fiáveis. Essas evidências podem desencadear uma verdadeira mudança social para as pessoas com incapacidades em todo o mundo. O apoio à incapacidade também pode ser intensificado através da utilização da CIF. Como o principal objetivo é identificar as intervenções que possam melhorar os níveis de participação das pessoas com incapacidades, a CIF pode ajudar a identificar onde está o principal ‘problema’ da incapacidade: no ambiente que cria uma barreira, na ausência de um facilitador, na capacidade do próprio indivíduo ou numa combinação de fatores. Este esclarecimento permitirá orientar adequadamente as intervenções e monitorizar e medir os seus efeitos sobre os níveis de participação. Deste modo, podem ser atingidos os objetivos concretos em evidências e ser alcançadas as metas globais de apoio à incapacidade.” (CIF_OMS, 2004, p.216) 2.2 Deficiência visual Invisual – pessoa com deficiência visual ou que não tem visão plena. “adj. indivíduo que não vê; cego n.m. pessoa privada do sentido da visão” (Dicionário da Língua Portuguesa, 2013, pp. 329, 925). A nomenclatura (Invisual) foi substituída por “Pessoa com deficiência visual” ou “Cego”, que serão assim utilizadas no decorrer da presente investigação. Cegueira – “Podemos considerar uma pessoa cega como sendo aquela que não possui potencial visual, mas que pode, por vezes, ter uma perceção da luminosidade.” (ACAPO, 2013) Normovisual – indivíduo que vê, que tem visão plena, nomenclatura utilizada por associações como a ACAPO e a CIF-OMS. No âmbito deste estudo serão utilizadas as nomenclaturas acima apresentadas, adotando-se o termo ‘pessoa com deficiência visual’ e normovisual, por ser a nomenclatura utilizada pela ACAPO, na designação de pessoas cegas, amblíopes ou com visão ‘plena’. Em entrevista a Colwell35 (2012) este afirma que: “É um erro comum referirmo-nos a uma pessoa que não vê como cego, ceguinho, invisual ou deficiente, mais ainda pensar que as pessoas com deficiência visual são ‘coitadinhos’, incapazes de realizar trabalho 35 Consultar apêndice 1. 78 integrado na sociedade ou de levar uma vida independente. A sociedade tende a ‘excluir ou marginalizar’ as pessoas com qualquer tipo de deficiência ou limitação, segundo parâmetros de normalização pré-definidos pela mesma. Assim e segundo estes ‘parâmetros normalizados’, uma pessoa com deficiência visual não sabe deslocar-se sozinha, pelo que não o deve fazer, deve ser limitado aos trabalhos de secretariado, adotando todo e qualquer acessório ou técnica que lhe permita uma ‘vida normal’, reduzindo também as limitações apresentadas diariamente”. Têm vindo a surgir ao longo dos tempos técnicas e acessórios que vieram possibilitar ao indivíduo com deficiência visual um maior controlo e independência no dia-a-dia das suas vidas, são estes, entre muitos outros, o Braille, os sensores de voz, a internet e a nível de mobilidade a bengala, o cão guia e alguns aparelhos que estimulam os sentidos da audição e tato, por exemplo. De acordo com a ACAPO e a legislação presente e em vigor em Portugal, decreto-lei 123/97, relativamente à acessibilidade, espaço físico, acesso ao ensino e função pública, é-nos relatado: “O imperativo da progressiva eliminação das barreiras, designadamente urbanísticas e arquitetónicas, que permita às pessoas com mobilidade reduzida o acesso a todos os sistemas e serviços da comunidade, criando condições para o exercício efetivo de uma cidadania plena, decorre de diversos preceitos da Constituição, quando proclama, designadamente, o princípio da igualdade, o direito à qualidade de vida, à educação, à cultura e ciência e à fruição e criação cultural e, em especial, quando consagra os direitos dos cidadãos com deficiência.” (Normas Técnicas sobre a Acessibilidade, DL 123/97, 22 de maio 1997, Lisboa) Existem também entidades, tais como associações e escolas, entre outras, que reconhecem os direitos dos indivíduos com deficiência, promovendo a integração dos mesmos no mercado de trabalho e escolas. Nas escolas são admitidos professores especializados para o ensino inclusivo ou é dado algum tipo de formação neste campo a professores colocados, de forma a melhor ‘guiarem’ os alunos no decorrer do ano letivo; são também disponibilizados alguns manuais em Braille como auxiliares no decorrer do percurso académico dos alunos com deficiência visual. Como forma de minimizar custos surgiram escolas de referência, com o foco do ensino especial numa só escola, aproveitando os apoios existentes. Ao limitar as escolas de referência a uma escola por conselho, obrigavam a criança e família a deslocações dispendiosas, o que promovia um nível de desistência bastante elevado e 79 obrigava os pais a recorrerem ao ensino domiciliário. As escolas com ensino integrado, segundo Colwell (2012), ou escolas inclusivas, mais recentes, são melhores para as crianças com deficiência visual, pois para além de manterem os níveis de exigência requeridos, ainda providenciam às crianças o contacto com pessoas ‘diferentes’, ensinando desta forma que não somos todos iguais e que a deficiência não deve ser um impedimento para a procura e aprendizagem da independência, socialização e valores que muito nos serão úteis no futuro. Possibilita ainda a integração social da criança ou individuo com deficiência. “(…) traduz-se pela redução da distância social existente entre um grupo de crianças deficientes e um grupo de crianças normais (normovisuais). A aproximação dos dois grupos traduz-se pela aceitação mútua e sentimento de pertença natural a um mesmo grupo. Para além desta integração social no espaço escolar, é também considerada a capacidade de integração na família e na comunidade.” (Söder, 1980 apud Dias, 1995, p. VIII) A informática apesar de inicialmente ser considerada um mundo à parte para as pessoas com deficiência visual, veio possibilitar soluções e abrir novas portas. Acessórios como leitores de ecrã, sensores de voz e impressão em Braille permitem uma leitura de jornais de notícias e livros que de outra forma não estariam tão disponíveis para este público específico. É frequente referirmo-nos à internet como uma janela para o mundo. Para as pessoas com deficiência visual é mais do que uma janela, torna-se a porta de luz que permite o conhecimento, troca de informações e valores, novas experiências, viagens e sonhos, que talvez nunca pensassem possível. Deverá então ser focada a atenção do público para uma maior inclusão na sociedade, preocupação com o bem-estar e segurança quer na rede pública quer em ambiente privado, promovendo uma melhor aceitação e compreensão do estatuto de uma pessoa com deficiência visual. Ainda relativo à experiência adquirida por Colwell (2012), enquanto Técnico de Acessibilidades da delegação de Lisboa da ACAPO, com uma experiência de mais de 20 anos na área e trabalhando diariamente com indivíduos com deficiência visual, surgem alguns ‘grupos de risco’, ou grupos mais afetados de entre as pessoas com deficiência visual. Apercebemo-nos que os idosos são os mais afetados no que se refere ao abandono e limitação ou decréscimo de qualidade de vida, quando a 80 cegueira os atinge já em idade avançada. As pessoas têm tendência a desistir daquilo que lhes cria transtorno na vida e para que seja possível tratar de uma pessoa que chega a um nível mais avançado na vida é preciso um rearranjar e repensar prioridades que anteriormente não estavam contempladas. Quando isto acontece e se torna difícil, ou a pessoaque está a nosso cuidado requer mais do que podemos dar, as soluções mais frequentes são: o lar, casas de acolhimento, centros de dia ou por vezes uma enfermeira particular. Esta situação torna-se praticamente insustentável, para a maioria, quando a pessoa em questão tem alguma limitação visual. Este é, na sua maior parte das vezes, o fator determinante para um final triste e solitário, onde a alegria e a vontade de viver por norma desaparecem. Esquecemo-nos que é quando surgem as limitações provocadas pela idade, acidente ou deficiência, quer temporárias ou permanentes, que as pessoas mais precisam de acompanhamento, especialmente se a perda de visão é fruto da idade avançada ou de alguma doença que impede o bom funcionamento de um antigo emprego, ou simplesmente as atividades diárias. Mais alarmante é o facto de esta situação ser presente nos dias de hoje, não só com pessoas com deficiência visual, mas com qualquer tipo de deficiência física ou mental. Enquanto sociedade, e cidadãos ativos na mesma, temos a responsabilidade de integrar todo e qualquer cidadão, apesar das suas dificuldades, limitações ou faixa etária. No entanto, esta situação de falta de acompanhamento para com o indivíduo deficiente é recorrente abrangendo o campo social, laboral e pessoal. Existem algumas associações de apoio ao indivíduo com deficiência visual, tais como: ABAADV (Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, com Escola de cães guia); ACAPO (Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal); ACPDA (Associação do Cidadão Portador de Deficiência e Amigos); ANDDVIS (Associação Nacional de Desporto para Deficientes Visuais); APD (Associação Portuguesa de Deficientes); APEC (Associação Promotora do Ensino dos Cegos); APEDV (Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais), entre muitas outras que se encontram espalhadas pelo país, que trabalham com o indivíduo com deficiência em idade adulta. Sendo a ACAPO uma das mais conhecidas e ativas junto de pessoas com deficiência visual, que fazem o acompanhamento e ensino de técnicas e capacidades que permitem a estas pessoas continuarem com a sua vida o 81 mais confortavelmente possível e cria ainda a ponte entre o design e a inclusão (design inclusivo), bem como trabalhos relacionados com o cidadão com deficiência. Estas associações queixam-se, no entanto, da falta de informação que passa para quem acompanha as pessoas nesta situação de transição delicada de vida ativa para incapacidade de executar determinadas tarefas, ou da falta de interesse e procura de meios mais fáceis e menos consumidores de tempo, que os faz escolher um qualquer lar, para aí depositar aquele que em tempos não lhe deu trabalho. Segundo nos relata Colwell (2012), um indivíduo que nasça com deficiência visual, tem “o trajeto de vida mais facilitado”, pois está à partida preparado para enfrentar a vida, a sociedade e todos os obstáculos que daí advenham, do que para alguém que perde a visão total ou parcialmente, ou se encontra em processo de cegueira e tem de adaptar toda a sua vida para a sua nova condição. Nestes casos, torna-se fundamental que a pessoa em questão não perca as atividades que costumava ter durante o tempo em que era normovisual, para que não se torne completamente dependente de alguém, o que por norma acaba por acontecer. 2.3 Necessidades Educativas Especiais [NEE] Necessidades educativas especiais contemplam todos os alunos com algum problema de saúde, de foro físico, mental, cognitivo, e / ou qualquer aluno que careça de apoio de professores especializados, ou terapeutas no decorrer do seu percurso académico. Aqui inserem-se alunos com deficiência, dificuldades de aprendizagem, e também alunos vindos de meios carenciados. Estes alunos podem ser incluídos em escolas específicas para o efeito (Instituições de educação especial), ou em escolas regulares, escolas públicas ou privadas preferencialmente em turmas reduzidas, como exemplificado na tabela 1, com ou sem apoio permanente de um professor específico. Tabela 1: Número de estudantes com necessidades educativas especiais na escolaridade obrigatória, por ano lectivo e tipo de estabelecimento, (Portugal continental; 2014/15 – 2017/18), imagem retirada do relatório ODDH, 2018, fonte DGEEC (2018a). 82 Os fatores ambientais têm um peso grande na formação do indivíduo, uma vez que interferem diretamente com a pessoa com NEE e a sua capacidade de socialização com outras crianças que tenham, ou não problemas semelhantes. Esta interferência pode-se revelar positiva ou negativa, consoante a experiência que a pessoa tenha, CIF_OMS (2004). Existem escolas com programas específicos, exemplificado na tabela 2, equipadas com salas de terapia e profissionais formados para acolher alunos com necessidades educativas especiais, permitindo um desenvolvimento saudável da criança em ambiente escolar, infelizmente o número destes estabelecimentos é insuficiente para colmatar as necessidades de todos os alunos. Sendo um requisito que deveria ser obrigatório em todos os estabelecimentos de ensino, para que todas as crianças pudessem usufruir das mesmas oportunidades. Tabela 2: Número de estudantes com NEE que recebem apoio de uma unidade especializada, por ano letivo e tipo de unidade 2014/15-2017/18 (Portugal continental), imagem retirada do relatório ODDH, 2018, fonte DGEEC (2018a). As escolas inserem-se na classificação (CIF_OMS, 2004) de Fatores Ambientais Individuais: “(…) no ambiente imediato do indivíduo, englobando espaços como o domicílio, o local de trabalho e a escola. Este nível inclui as características físicas e materiais do ambiente em que o indivíduo de encontra, bem como o contacto direto com outros indivíduos, tais como, família, conhecidos, colegas e estranhos.” (CIF_OMS, 2004, p.19) A sociedade através da criação de barreiras pode limitar o nível de funcionamento de um determinado indivíduo, em particular se este indivíduo tiver alguma deficiência, o que pode fazer com que o seu desempenho fique comprometido. Ao criar soluções adaptadas ao maior número de pessoas, as dificuldades tornam-se menores ou inexistentes, permitindo um melhor desempenho por parte do mesmo 83 indivíduo, interagindo desta forma “os Fatores Ambientais com os componentes das Funções e Estruturas do Corpo e as Atividades e a Participação.” (CIF_OMS, 2004, p.19) 2.3.1 Neurodiversidade - Autismo / Hiperatividade / Multideficiência As escolas inclusivas, incluindo o Centro Helen Keller que foi fundado para o ensino integrado de alunos com problemas de visão, têm vindo a receber alunos com outro tipo de NEE, nomeadamente crianças e adolescentes com Perturbação do Espectro do Autismo [PEA], crianças com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção [PHDA] e crianças com Multideficiência. Começamos então por definir cada uma delas na tentativa de melhor compreender as dificuldades sentidas por quem com elas vive, ou quem com estes indivíduos se relaciona. 2.3.1.1 Perturbação do Espectro do Autismo [PEA]: O que geralmente caracteriza uma pessoa com perturbação do espectro do autismo é a falta de capacidade de comunicar (que pode ter diferentes níveis de comprometimento); interação social, por exemplo, a criança não interagir com crianças da mesma faixa etária, ou não mostrar interesse em estabelecer qualquer interação social, nomeadamente estabelecer contacto visual; e ainda não ter um comportamento socialmente apropriado em múltiplos contextos, por exemplo, escola e casa, comportamentos repetitivos, obsessivos, etc. Parte destes comportamentos podem também passar pela reação inesperada a uma alteração na rotina diária, ou a um barulho mais elevado, o que pode desencadear uma crise de choro, ou gritos sem aparente razão para tal, sendo que estas característicasdevem estar presentes desde a infância para se considerar o diagnóstico. “Um transtorno invasivo do desenvolvimento, definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometido que se manifesta antes da idade de 3 anos e pelo tipo característico de funcionamento anormal em todas as três áreas de: interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo. O transtorno ocorre três a quatro vezes mais frequentemente em indivíduos do sexo masculino do que do feminino.” (Classificação Internacional de Doenças, Organização Mundial de Saúde, 1993) 84 O diagnóstico de Autismo tem vindo a crescer com o passar dos anos principalmente devido às mudanças efetuadas no processo de diagnóstico, como explica Stephan Hansen (Sifferlin, 2015), em estudos recentes realizados na Dinamarca. Outro tipo de distúrbios, psicológicos e mentais, tais como Síndrome de Asperger ou Distúrbio de Integração sensorial são agora caracterizados como perturbação do espectro do autismo, de acordo com a DSM-536, desde a última atualização em 2013, o que provocou um aumento do número de diagnósticos de autismo. O nível de severidade é também medido de acordo com as capacidades que a criança tem e de que forma executa, “baseadas em incapacidades de comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos (estes podem ser observados e comportamentos estereotipados ou movimentos repetitivos, por exemplo abanar as mãos, ecolalia, rotação de objetos, etc.).” (DSM-5, 2013) Esta incapacidade para comunicar, socializar em conjunto com um comportamento não típico em sociedade faz com que crianças com autismo sejam por norma postas de parte quando os colegas estão a formar grupos, estabelecer amizades ou até a competir na escola, Siegel (2008). Algumas destas perturbações podem ter um nível de severidade que comprometa a aquisição de conhecimento, complicando a sua tarefa de aprendizagem. Estas crianças devem ser acompanhadas por professores, terapeutas, médicos, familiares, colegas, (uma ‘equipa’ multidisciplinar) de forma a melhorar as suas competências, para que possam ter uma vida o mais ‘regular’ possível. Existem algumas terapias específicas para ajudar pessoas com PEA a melhorar as suas capacidades de comunicação, interação social e a controlar os comportamentos repetitivos, as quais aprofundaremos mais à frente no presente estudo, bem como os espaços necessários para algumas delas, quando abordarmos a temática das terapias em escolas, capítulo 5. 36 DSM-5 – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, published by the American Psychiatric Association, provides professionals with guidelines to identify and diagnose autism spectrum disorders in http://www.autismspeaks.org/what-autism/diagnosis/dsm-5-diagnostic-criteria consultado em 10.06.2017 http://www.autismspeaks.org/what-autism/diagnosis/dsm-5-diagnostic-criteria 85 2.3.1.2 Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção [PHDA]: As crianças com PHDA contemplam dificuldades a nível de concentração e de comportamento ‘adequado’ e sofrem geralmente de atraso de aquisição de conhecimentos. “A PHDA refere-se a uma perturbação persistente de desatenção ou falta de concentração e/ ou impulsividade-hiperatividade, que se revela de modo mais intenso e grave que o habitual para indivíduos com o mesmo grau de desenvolvimento, interferindo significativamente no rendimento académico, social ou laboral.” (DSM-5, 2013, apud Neto et al, 2014, p.17,18) Tratam-se geralmente de indivíduos que não conseguem grandes resultados académicos, pois a instrução que recebem dos professores não é a mais adequada para a sua condição. Os comportamentos impulsivos fazem com que os seus pares os ponham de parte, tornando-os mais solitários e causando na maioria dos casos baixa autoestima, que pode gerar crises de ansiedade e depressão. Em muitos casos é aplicada medicação própria para a hiperatividade, o que reduz de forma significativa os sintomas e permite que a criança se concentre de forma a aprender a matéria lecionada. Os resultados académicos tendem a melhorar, mas o acompanhamento psicológico deve manter-se pela suscetibilidade de surgirem sintomas depressivos, Neto et al (2014). 2.3.1.3 Multideficiência Nas escolas os casos mais comuns revelam-se casos de multideficiência, onde não existe apenas a cegueira, o autismo, a surdez, por exemplo, mas um conjunto de vários problemas o que faz do aluno um ser único, com necessidades específicas a serem trabalhadas. O grau de severidade das múltiplas deficiências pode ou não limitar a aquisição de conhecimento e aplicação dos mesmos por parte do indivíduo, ao longo da sua vida escolar e posterior vida adulta. “As NEE podem surgir de uma patologia ou de várias. Nielsen (1999) e Correia (1997) definem multideficiência como um conjunto de limitações associadas – cognitivas, motoras e/ou sensoriais – que em idade escolar podem ser uma barreira para a aprendizagem e podem requerer apoios específicos. O ministério da Educação (2003) acrescenta à definição anterior a possibilidade da pessoa com multideficiência poder acumular limitações no domínio da saúde física.” (Pereira & Sousa, 2016, p. 14) 86 As deficiências devem ser trabalhadas individualmente e como um todo, percebendo o que é mais impeditivo da aquisição de capacidades por parte do indivíduo. Exemplos: No caso de uma criança cega que mostra sinais de deficiência motora, causada por paralisia cerebral, o trabalho vai envolver uma equipa de fisioterapeutas que irão trabalhar a parte motora enquanto professores e terapeutas da fala e ocupacionais estimulam a área cognitiva para aumentar o grau de conhecimento adquirido; ou, no caso de uma criança autista com sinais de hiperatividade, em ambiente de aula, a hiperatividade terá de ser controlada para que as capacidades de aquisição da fala, interação social e comportamento sejam trabalhadas. 2.3.2 Distúrbio de Integração Sensorial [DIS] Integração Sensorial – “é o processamento pelo qual o nosso cérebro organiza as informações que recebe do meio ambiente, de modo a dar uma resposta adaptada – eficiente.” (Forbrain, 2015) Esta integração sensorial começa no ventre materno, e prolonga-se pela vida do indivíduo, atuando em áreas tais como a Atenção e Concentração, Interação Social e Desenvolvimento de Habilidades motoras. As crianças com Distúrbio de Integração Sensorial têm uma incapacidade de receber e/ou reagir a estímulos de forma ‘correta’, o que influencia a forma como interagem com as pessoas ao seu redor e com o meio envolvente. A maioria dos casos apresentados anteriormente PEA, PHDA e Multideficiência, têm também DIS o que agrava a sua condição e a aquisição de capacidades para lidar de forma autónoma em sociedade, dependendo do nível de severidade de cada condição. Uma terapia baseada numa ‘dieta sensorial’ adaptada, como é o caso da terapia Snoezelen, abordada no capítulo 5 pode surtir efeitos de melhoria consideráveis, facilitando a aquisição das capacidades por parte dos participantes, e melhorando a qualidade de vida dos mesmos. 87 2.4 Estudos de capacidades Para melhor compreender a relação e interação dos utilizadores, incluindo os portadores de deficiência, com o meio ambiente e os seus objetos é necessário perceber que estas dependem de vários fatores, nomeadamente das capacidades ou incapacidades de cada indivíduo. Como capacidade entende-se o nível de autonomia apresentado pelo indivíduo em determinada situação, em interação com o meio ambiente e os seus objetos. A CIF refere-se à capacidade como funcionalidade definindo-a em conjunto com a incapacidade da seguinte forma: “A Funcionalidade é um termo que engloba todas as funções do corpo, atividades e participação;de maneira similar, Incapacidade é um termo que inclui deficiências, limitação de atividades ou restrição na participação.” (CIF_OMS, 2004, p.5) O estudo da capacidade ou incapacidade dos consumidores em relação à interação que estes têm com produtos, ambientes e serviços permite um melhor entendimento acerca das características a integrar em cada um deles. Waller & Clarkson (2007) relatam como este estudo é relevante na interação com o ambiente e objetos que circundam a pessoa com deficiência. A incapacidade pode ser permanente (i.e., deficiência) ou temporária (i.e., acidente) comprometendo a interação do utilizador com o meio ambiente e produtos que o rodeiam a um ou mais níveis de funcionamento. Considerando um indivíduo com deficiência ou algum tipo de limitação, este pode vê-la agravada com o avançar da idade impossibilitando o bom funcionamento a áreas que até então executava sem complicações. Qualquer interação com um produto, ambiente ou serviço que se apresente diante de um utilizador depende de um conjunto de capacidades por parte do mesmo para melhor analisar o que está a ser apresentado. A figura 6 ilustra esta situação. 88 Fig. 6 Ciclo de capacidades utilizadas pelo observador de um produto ou serviço quando é confrontado com uma possível interação com o mesmo. Adaptado da versão em inglês “Perceiving, Thinking, Acting.”. Imagem de: http://www.inclusivedesigntoolkit.com/usercapabilities/usercap.html consultado em 18.10.2012) “Perceiving and acting both require sensory and motor capabilities. In addition, the body’s sensory and motor resources are controlled by the brain and therefore require cognitive capability.” (Waller & Clarkson, 2007, consultado em 18.10.2012 in http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framewor k.html, consultado em 2012) 37 Este trabalho a nível sensorial, motor e cognitivo na interpretação e interação com produtos, ambientes e serviços será abordado mais adiante no presente estudo, capítulo 3 Sentidos, relativo a deficiência visual total, NEE, PEA, PHDA, DIS e multideficiência, seguindo-se apenas uma nota introdutória acerca das diferentes categorias de capacidade inerentes ao cidadão com deficiência apresentados por Waller e Clarkson (2007). “(…) perceiving requires sensory capability, thinking requires cognitive capability, and acting requires motor capability. The interaction between a product and the user’s capabilities is also influenced by the environment in which the product is used. For example, low, or indeed high, ambient light levels can compromise a user’s ability (…) Sensory capability includes vision and hearing. Cognitive capability includes thinking and communication. Motor capability includes locomotion, reach & streatch and dexterity.” (Waller & Clarkson, 2007, consultado a 18.10.2012 in 37 T.L.: “Percecionar e agir requerem ambos capacidades sensoriais e motoras. Em adição, os recursos sensoriais e motores do corpo são controlados pelo cérebro e como tal requerem também a capacidade cognitiva.” http://www.inclusivedesigntoolkit.com/usercapabilities/usercap.html http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framework.html http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framework.html 89 http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framewor k.html) 38 Todas estas categorias, apesar de apelarem à capacidade sensorial, cognitiva ou motora completam-se num indivíduo, sendo suficientes para que a aptidão, perceção e manuseamento de um produto, ambiente ou serviço fiquem comprometidos na ausência de um deles. Em casos de ausência de mais de uma capacidade, seja por motivo de idade avançada, acidente ou decorrente da própria deficiência o indivíduo com deficiência torna-se exposto a uma situação de exclusão. De seguida, são-nos apresentadas por Waller e Clarkson (2007) as sete categorias de capacidade, como forma de medida da aptidão, ou nível de destreza exigidos à pessoa com deficiência, para lidar com determinada situação que explora os níveis sensorial, motor e cognitivo acima apresentados. 2.4.1 Capacidades sensoriais “Vision – is the ability to use the colour and brightness of light to detect objects, discriminate between different surfaces, or the detail on a surface. Hearing – is the ability to discriminate specific tones or speech from ambient noise and to tell where the sounds are coming from.” (Waller & Clarkson, 2007) 39 Consideram ainda Waller e Clarkson (2007) uma pessoa com capacidade sensorial (visão e audição) total quando esta é capaz de ver bem o suficiente para: “Reconhecer um amigo que esteja do outro lado da estrada sem dificuldade. Ler uma impressão comum sem dificuldade.” (Waller & Clarkson, 2007) 40 E quando esta é capaz de ouvir bem o suficiente para: “Estabelecer uma conversa com ruído de fundo sem grande dificuldade. Seguir um programa de TV com um volume que outros achem aceitável.” (Waller & Clarkson, 2007)41 38 T.L.: “(…) a perceção requer capacidade sensorial, pensar requer capacidade cognitiva e agir requer capacidade motora. A interação entre o produto e as capacidades do utilizador são também influenciadas pelo ambiente no qual o produto é usado. Por exemplo, luz ambiente demasiado baixa ou alta pode comprometer a capacidade do utilizador (…) A capacidade sensorial inclui a visão e a audição. A capacidade cognitiva inclui o pensar e o comunicar. A capacidade motora inclui a locomoção, o esticar e alcançar e a destreza.” 39 T.L. “Visão – é a capacidade de usar a cor e a intensidade da luz na deteção de objetos, distinção entre diferentes superfícies, ou o detalhe numa superfície. Audição – é a capacidade para distinguir tons específicos ou discurso de um ambiente ruidoso e saber localizar a origem desses sons.” 40 T.L. de: “Recognize a friend across the road without difficulty. Read ordinary newsprint without difficulty.” 41 T.L. de: “Follow a conversation during background noise without great difficulty. Follow a TV programme at a volume that others find acceptable.” http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framework.html http://www.inclusivedesigntoolkit.com/betterdesign2/UCframework/framework.html 90 2.4.2 Capacidades cognitivas “Thinking – is the ability to process information, hold attention, store and retrieve memories and select appropriate responses and actions. Communication – is the ability to understand other people, and express oneself to others (this inevitably overlaps with vision, hearing and thinking).” (Waller & Clarkson, 2007) 42 Consideram também, Waller e Clarkson (2007), uma pessoa com capacidade cognitiva (pensar e comunicar) total quando esta é capaz de comunicar bem o suficiente para estabelecer uma conversa ou comunicar com estranhos sem dificuldade, e é capaz de raciocinar o suficiente para: “Estabelecer uma conversa sem perder a noção do que está a ser dito. Escrever uma carta curta a outra pessoa, sem ajuda. Saber contar bem o suficiente para lidar com dinheiro. Fixar uma mensagem e conseguir transmiti-la a alguém. Conseguir memorizar os nomes dos amigos e família que vê com regularidade.” (Waller & Clarkson, 2007) 43 2.4.3 Capacidades motoras “Locomotion – is the ability to move around, bend down, climb steps, and shift the body between standing, sitting and kneeling. Reach & stretch – is the ability to put one or both arms out in front of the body, above the head, or behind the back. Dexterity – is the ability of one or both hands to perform fine finger manipulation, pick up and carry objects, or grasping and squeeze objects.” (Waller & Clarkson, 2007) 44 Consideram também Waller e Clarkson (2007), uma pessoa comcapacidade motora (locomoção, esticar e alcançar e destreza) total quando esta é capaz de locomover-se o suficiente para: “Andar 350 metros sem parar. Subir ou descer um 42 T.L.: “Pensar – é a capacidade de processar informação, estar atento, armazenar e recordar memórias e selecionar respostas e ações apropriadas. Comunicação – é a capacidade de entender outras pessoas e saber expressar-se na presença de outros (isto está inevitavelmente ligado com a visão, audição e capacidade de raciocínio).” 43 T.L. de: “Hold a conversation, without losing track of what is being said. Write a short letter to someone without help. Count well enough to handle money. Remember a message and pass it on. Remember the names of friends and family that are seen regularly.” 44 T.L.: “Locomoção – é a capacidade de se mover, agachar, subir degraus e mudar a posição do corpo entre estar em pé, sentar ou ajoelhar. Esticar e alcançar – é a capacidade de colocar um ou dois braços esticados à frente do corpo, acima da cabeça ou atrás das costas. Destreza – é a capacidade de executar, com as mãos, manipulação ao nível da motricidade fina, apanhar e carregar objetos, ou agarrar e apertar objetos. 91 lance de 12 degraus sem o apoio do corrimão e sem descansar. Dobrar-se (…) e endireitar-se.” (Waller & Clarkson, 2007)45 Quando esta é capaz de esticar-se e alcançar o suficiente para: “Levantar ambos os braços à frente do corpo, acima da cabeça ou atrás das costas.” (Waller & Clarkson, 2007)46 E quando esta é capaz de manusear com destreza o suficiente para: “Atar os atacadores sem dificuldade. Pegar e carregar com 1 saco de 2.5kg de batatas em cada mão. Espremer uma esponja com cada mão.” (Waller & Clarkson, 2007)47 Como podemos constatar, facilmente uma pessoa sem deficiência ou incapacidade aparente ‘adquire’ qualquer limitação, sendo um dos maiores motivadores desta situação o envelhecimento normal do ser humano. Todos estamos predispostos a desenvolver alguma limitação em qualquer estágio da vida, seja esta de carácter temporário (i.e., gravidez) ou permanente (i.e., pessoa idosa, deficiência). A deficiência é definida neste capítulo através da apresentação das características, capacidades e incapacidades do cidadão com deficiência, dando ênfase ao grupo de foco do presente estudo: a Deficiência Visual, as Necessidades Educativas Especiais, o Distúrbio de Integração Sensorial e à Neurodiversidade, que contempla, entre outras, a Perturbação do espectro do autismo, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção e a Multideficiência. É também apresentado um breve estudo das capacidades, ou funcionalidades dos indivíduos com deficiência, abordando as capacidades sensoriais, capacidades cognitivas e capacidades motoras. Apesar de se centrar no estudo do cidadão com deficiência concluímos que qualquer indivíduo, em qualquer altura da vida pode ver comprometidas as suas capacidades ou funcionalidades, seja de forma temporária, ou permanente, reforçando a importância do desenvolvimento de soluções de design para o maior número de utilizadores independentemente das suas capacidades. 45 T.L. de: “Walk 350 metres without stopping. Ascend/descend a flight of 12 steps without handrails and without resting. Bend down (and then) straighten up again.” 46 T.L. de: “Raise both arms out in front, up to the head, or behind the back.” 47 T.L. de: “Tie a bow in laces with no difficulty. Pick up and carry a 2.5kg bag of potatoes in each hand. Squeeze a sponge with each hand.” 92 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Barker, P., Barrick, J., Wilson, R. (n.d.), Building Sight, A handbook of building and interior design solutions, to include the needs of visually impaired people, Royal National Institute for the Blind, London. Classificação Internacional de Doenças, Organização Mundial de Saúde, 1993 Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020: Compromisso renovado a favor de uma Europa sem barreiras, Bruxelas, p.4, consultado em 15.11.2010. Davies, T. C. (2008), Audification of Ultrasound for Human Echolocation, Tese apresentada à Universidade de Waterloo, para aquisição do grau de Doutor em Filosofia em Systems Design Engeneering Waterloo, Ontario, Canada, p.2-207. 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Centro Português de Design), p. 26. 94 REFERÊNCIA WEBGRAFIA CIF_OMS - Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde; Organização Mundial de Saúde; Direcção-Geral de Saúde; Lisboa (2004). [documento online, páginas 21, 22 e anexo 5, p.216, consultado em 17 de julho de 2012]. Disponível em http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf DSM-5 (2013) Autism Spectrum Disorder, 299.00, F84.0, available online at http://www.autismspeaks.org/what-autism/diagnosis/dsm-5-diagnostic-criteria consultado em 10.06.2017 Siegel (2008), in “Definição da perturbação do espectro de autismo (PEA)”, disponível em: https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/7874/1/A%20import%C3%A2nia%20do%20 M%C3%A9todo%20TEACCH%20na%20inclus%C3%A3o%20de%20uma%20crian%C 3%A7a%20autista.pdf Sifferlin, A. 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SENTIDOS O presente capítulo aborda os sentidos e a sinestesia (junção de sentidos), tendo a pesquisa para o mesmo sido subordinada à terapia Snoezelen. Esta terapia trabalha diferentes áreas, tais como fisioterapia, psicomotricidade, terapia da fala, terapia ocupacional, entre outras, através da estimulação sensorial com auxílio de um terapeuta, em espaços multissensoriais controlados que propiciam a estimulação e o relaxamento, conforto e bem-estar de utilizadores e terapeutas. 3.1 Os sentidos do ser humano Os sentidos correspondem a cada um dos órgãos através dos quais é possível experimentar sensações, sendo os sentidos principais do corpo humano o sentido visual, o auditivo, o tátil, o gustativo e o olfativo. Na terapia Snoezelen são ainda trabalhados o sentido vestibular e o propriocetivo que tratam respetivamente do equilíbrio e da noção do corpo com o meio envolvente. São os sentidos e suas funções que propiciam ao corpo humano um relacionamento com o ambiente envolvente, contribuindo para a integração com os espaços em que vivemos. “Os fatores ambientais interagem com as funções do corpo, como por exemplo, a qualidade do ar e a respiração, a luz e a visão, os sons e a audição, estímulos que distraem e a atenção, textura do pavimento e o equilíbrio, a temperatura do ambiente e a regulação da temperatura do corpo.” (CIF_OMS, 2004, p. 16) É através dos sentidos que as informações são percecionadas, após o seu devido registo e interpretação das mesmas. O homem serve-se da estimulação dos seus órgãos recetores para obter informações sobre o meio envolvente, são esses estímulos: visuais, auditivos, táteis (através da pressão), gustativos, olfativos, todos eles fazendo parte dos sentidos, e ainda estímulos de calor e frio (temperatura), cinéticos (musculares), interiores, etc., Guerreiro48 (2012). A interação entre os estímulos e o homem e, a forma como estes incidem sobre os sentidos predispõem diferentes perceções ao utilizador, que este interpreta consoante aquilo que sente e assim age em função do que os sentidos lhe indicam. Esta conjugação e interação dos 48 Professor Doutor Augusto Deodato Guerreiro – Doutor em Ciências da Comunicação, Especialidade Comunicação e Cultura, pela Universidade Nova de Lisboa; Professor titular de «Teorias e Modelos da Comunicação», «Semiótica», «Organização e Sistemas de Informação» e «Teorias e Modelos de Análise da Comunicação» no Departamento de Ciências da Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias em Lisboa. Consultar Apêndice 2 97 sentidos são da responsabilidade do sistema nervoso e dos respectivos córtex, figura 7. Fig. 7: Sentidos e respetivos Córtex, imagem de Forbrain Snoezelen Room. Acerca do assunto, escreve Saerberg (2010) sobre a interpretação de Merleau-Ponty (1962: 222-5) de uma experiência de von Senden (1960) em que pessoas com deficiência visual de nascença eram submetidas a uma cirurgia corretiva que lhes devolvia a visão: “(…) there is never any question of a deficit in a particular bodily constitution of a sensed world. Not a single sense is missing when one sense is ‘missing’. It’s just that the whole is composed of a different mixture of senses. For the blind people, for example, touching is a different path to the world before the operation than it is after the operation. It’s not only that every sense has its world; every world has its sense and is constituted through a particular combination of senses.” (Saerberg, 2010, p. 369) 49 49 T.L.: “(…) nunca existe nenhum défice numa particular constituição corporal num mundo de sentidos. Nem um único sentido está em falta quando uma pessoa ‘não tem’ um dos sentidos. A única diferença é que a sua totalidade (constituição corporal sensorial) é composta por uma diferente mistura de sentidos. Para as pessoas cegas, por exemplo, o tocar é um ‘caminho’ diferente para o mundo antes da operação 98 Consideramos que a aprendizagem e valorização deste ‘código sensorial’ possa ser uma das respostas para melhor produzirmos um design inclusivo, que, pensado para todos, não crie barreiras nem distanciamento para pessoas com deficiência ou algum tipo de limitação. Ainda acerca da importância sensorial, Saerberg (2010) acrescenta: “The sociology and anthropology of the senses (…) point to the different sensory ways in which cultures form their stock of knowledge about the world and promoting an appreciation for these ways may help sighted people generally to become more open to tactile, acoustic, sensimotor, olfactory, and gustatory based knowledge to interpret their world and to express themselves towards their others.” (Saerberg, 2010, p.379) 50 Saerberg (2010) defende uma inclusão, pelo meio da aprendizagem dos dois mundos (visual e ‘não visual’) numa tentativa de melhor auxiliar os sujeitos que nele habitam diariamente. O autor defende não só a inclusão, mas também uma educação de sentidos, especialmente os sentidos não visuais, acreditando que este seja o caminho para um melhor entendimento entre cegos e normovisuais. Saerberg (2010) retrata também a forma como os cegos interpretam os diferentes sentidos e a sua importância na orientação e deslocação, por exemplo. Cytowic (2002), por seu lado, relata a experiência de Sacks (1995, apud Cytowic, 2002) ocorrida após a restituição do sentido da visão a um indivíduo que até então era portador de deficiência visual total, e como este ainda recorria ao tato para identificar os objetos que lhe eram mostrados. O seguinte excerto de um exercício de fenomenologia da perceção e orientação espacial, realizado por Saerberg (2010), foi realizado com o intuito de atribuir experiências-base à consciência daquilo que o rodeia. A descrição que se segue explana de forma clara como uma pessoa cega consegue absorver toda a informação que o circunda, criando desta forma um mapa mental de onde se encontra. Arriscamos dizer que após a sua leitura até nós, normovisuais, ficamos com uma do que depois da mesma (referindo-se ao estudo realizado por von Senden 1960, acerca de pessoas cegas de nascença que se submetiam a operação que lhes providenciava o sentido da visão). Não é só o facto que cada sentido tem o seu próprio mundo, mas que cadamundo tem o seu sentido e constituído por uma particular combinação de sentidos.” 50 T.L. “A sociologia e antropologia dos sentidos (…) apontam para os diferentes ‘métodos’ sensoriais nos quais as culturas formam o seu conhecimento acerca do mundo, e promovendo estes métodos pode ajudar as pessoas normovisuais no geral a tornarem-se mais abertas ao uso e conhecimento táctil, acústico, sensormotor, olfativo, e gustativo na interpretação do mundo e na sua própria expressão para com outros.” 99 ‘imagem mental’ daquilo que a pessoa com deficiência visual está a relatar como experiência de perceção espacial. “I’m standing in the house. Here it’s quite quiet. Windows and doors are closed. The refrigerator is buzzing to my left, a clock is ticking at the diagonal left behind me behind me and a fly is buzzing in front of me. I am in a room without echoes. The ceiling is close above me. I feel kind of enclosed, coddled? I move forward in direction of the outside. To the door of the balcony. I open it. Immediately I hear the sound of an aeroplane that buzzes in a very far distance. I hear birds twittering in front of me, from the diagonal left. Outside it is warmer… The sound of the landscape, it does not fill out the whole 360 degrees, only approximately 100 degrees. And it is not filled continuously with sounds, instead it has gaps. Behind me, the other half of the field of sound, the house, dumb, still with its warm absorbing wooden wall. I turn around, the soundscape moves with my motions, I touch the wall, careful, silk and splints. I turn around, start to walk holding the balustrade. It is painted, lacquered, warm from the sun.” (Saerberg, 2010, p. 366) 51 Esta ‘representação’ do mundo ‘visto’ por uma pessoa com deficiência visual transporta-nos para o local em que este se encontrava no momento em que a fez, como acontece quando lemos uma história com elementos descritivos, ou quando nos é descrito determinado local. A nossa perceção visual forma de imediato imagens mentais que nos guiam ao longo do percurso narrado. Para uma pessoa com deficiência visual o mundo está cheio de sinais, ou como nos diz o autor “orientation cues”52 para os cegos. Não tendo forma de ‘absorver’ a maioria destes indícios dos quais nós normovisuais dependemos para a nossa orientação, tais como sinais de trânsito, placas toponímicas, sinalética, entre outros: “Eu, como pessoa cega, tenho de depender de outros métodos de orientação baseados nas sensações.” (Saerberg, 2010, p.366)53 Os diferentes sentidos possibilitam experiências distintas aos seus utilizadores. Ao analisarmos um espaço usamos todas as informações sensoriais que 51 T.L.: “Eu estou de pé dentro da casa. Isto aqui é bastante calmo. As janelas e portas estão fechadas. O frigorífico faz um zumbido à minha esquerda, um relógio faz tique taque numa diagonal posterior à minha esquerda e uma mosca está a zumbir à minha frente. Estou num quarto sem ecos. O teto está perto acima de mim. Sinto-me um pouco enclausurado, acarinhado? Mexo-me em direção ao exterior. Para a porta da varanda. Abro-a. Imediatamente ouço o som de um avião que zumbe a uma grande distância. Ouço o piar de pássaros à minha frente, numa diagonal à minha esquerda. No exterior está mais quente… O som da paisagem, não preenche 360º à minha volta, apenas aproximadamente 100º. E não é preenchido continuamente por sons, em vez disso existem grandes falhas. Atrás de mim, a outra metade do campo de som, a casa, silenciosa, quieta com as suas paredes de madeira que absorvem o calor. Volto-me ao contrário, o campo sonoro mexe-se com os meus movimentos, toco na parede, cuidadosamente, seda e lascas. Volto-me novamente, e começo a andar apoiando-me na balaustrada. Está pintada, lacada, aquecida pelo sol.” 52 T.L.: “Pistas de orientação” 53 T.L. de: “I, as a blind person, have to rely on other sensually based methods of orientation.” 100 este nos providencia e quando as combinamos com as nossas memórias já adquiridas conseguimos interpretar o ambiente em que nos encontramos. Os sentidos apoiam-se na perceção cognitiva do que os rodeia, construindo mapas mentais e cognitivos, baseando-se para tal na informação sensorial e experiências vividas anteriormente. O mapa mental surge de diferentes formas não sendo construído apenas com a reação a diferentes estímulos dos sentidos, mas dependendo de livre interpretação dos mesmos, segundo experiências pré-adquiridas. Diferentes mapas cognitivos permitem uma apreensão do espaço de forma distinta, dependendo dos sentidos em que os utilizadores do espaço se baseiam para navegar neste. Estas diferenças são notórias inclusive na experimentação da volumetria do espaço. “The blind man’s world differs from the normal person’s not only through the quantity of material at his disposal, but also through the structure of the whole.” (Merleau-Ponty, 1962, p.224, apud Saerberg 2010, p. 369) 54 3.2 Sentido visual “Our sense of vision allows us to perceive the world in images, motion and colour. We use information from the visual sense in order to move around and interact with objects and environments. The effective design of any product or environment should take into account the range of human visual abilities.” (Umesh Persad & Pat Langdon, n.d., apud Clarkson, Coleman, Hosking & Waller, 2007) 55 A CIF_OMS (2004) descreve a função visual como: “funções sensoriais relacionadas com a perceção de luz e a forma, tamanho, formato e cor do estímulo visual.” (CIF_OMS, 2004, p.61) Segundo Guerreiro (2012) através do sentido da visão as pessoas normovisuais absorvem aproximadamente 80% da informação exterior (sob o ponto de vista geográfico, literário e cultural) que as rodeia. Saerberg (2010) corrobora, afirmando que as pessoas normovisuais dependem das suas capacidades visuais para estabelecerem quer orientação espacial, como interação social. Sem este sentido uma pessoa normovisual de nascença sente-se completamente perdida, os seus 54 T.L.: “O mundo do homem cego difere do mundo das pessoas ‘normais’ não só pela quantidade de materiais à sua disposição, mas também através da estrutura do seu todo.” 55 T.L.: “O nosso sentido da visão permite-nos perceber o mundo em imagens, movimento e cor. Usamos informação deste sentido visual de modo a movimentarmo-nos e interagirmos com objetos e meio envolvente. O design efetivo de qualquer produto ou ambiente deve ter em consideração o alcance das capacidades visuais do ser humano.” 101 pontos de orientação desaparecem e a pessoa fica vulnerável ao primeiro estímulo sensorial, cognitivo ou motor com que se deparar. Por norma, quando o sentido da visão falha a locomoção pára, na tentativa de uma orientação segundo outros sentidos, de outra forma desvalorizados. Se uma pessoa normovisual vê o mundo através do sentido da visão ‘menosprezando’ todos os outros sentidos, a pessoa com deficiência visual deles depende para sua orientação e mobilidade em segurança, a isto Saerberg (2010) chama de diferentes estilos de perceção. O autor refere-nos ainda a importância da reaquisição dos restantes sentidos, como forma de experienciar melhor o mundo que nos rodeia, e quem sabe melhor compreender o ‘mundo’ em que vivem aqueles que se encontram sem o sentido da visão na sua plenitude. Olho humano O Instituto da Retina (2012) descreve a função do olho como um captador de luz, capaz de converter a mesma em sinais elétricos, que após serem transmitidos para o cérebro são processados e interpretados, permitindo-nos perceber a informação visual que se encontra em nosso redor. Clarkson et al (2007) expõem, a respeito da temática relativa à visão desenvolvida por Persad & Langdon (n.d), e da função de cada elemento presente no olhohumano. “The retina consists of two types of receptor cells known as rods and cones. Rods allow us to differentiate between shades of black and white while cones allow us to see colour. Most cones are concentrated in a particularly sensitive region of the retina called the fovea. This region enables us to see the greatest detail. The receptor cells use the optic nerve to transmit signals to the brain, which interprets the signals from both eyes to construct the image we see. The combined image from both eyes assists depth perception.” (Persad & Langdon (n.d) apud Clarkson et al 2007) 56 56 T.L.: “A retina consiste em dois tipos de células recetoras conhecidas como ‘rods’ (Bastonetes) e Cones. Os Bastonetes permitem-nos diferenciar tonalidades de preto e branco, enquanto os Cones nos permitem ver a cor. A maioria dos cones está concentrada numa região particularmente sensível da retina chamada ‘Fóvea’. Esta região permite-nos ver com grande detalhe. As células recetoras usam o nervo ótico para transmitir sinais ao cérebro, que interpretam os sinais de ambos os olhos de forma a construir a imagem que nós vemos. A imagem combinada de ambos os olhos ajuda a percecionar a profundidade.” 102 É sem dúvida um dos sentidos mais importantes e presente no nosso dia-a- dia. É também o sentido que por norma menosprezamos, sendo na sua maioria tomado como garantido. No entanto, na ausência deste, seja temporária ou permanente, ‘vemos’ o nosso mundo de outra forma, alteramos a nossa orientação, perceção espacial e ‘acirramos’ os nossos outros sentidos. A ausência do sentido da visão provoca um aumento de sensibilidade dos restantes sentidos, o que por vezes pode ser confundido com a intuição ou sexto sentido. De acordo com Guerreiro (2012), todos os sentidos ficam ‘alerta’ quando nos falha um deles, à semelhança do que acontece quando nos apagam a luz repentinamente e a nossa audição e tato são de imediato ‘ativados’, também em situação de cegueira os restantes sentidos se tornam mais eficazes, sendo percecionados e utilizados de forma diferente. Alguns estudos relatam a possibilidade de um aumento de capacidade sensorial, no caso da perda de um dos sentidos (i.e., afirmando que as capacidades auditiva ou táctil melhoram com a perda do sentido da visão). São exemplos as teorias Lessard et al. (1998) que tentavam provar que a capacidade auditiva de uma pessoa cega estava mais desenvolvida que a de uma pessoa normovisual, sendo mais tarde refutada por Roder et al. (1999); Zwiers et al. (2001); e Lewald (2002), que chegam por fim à conclusão que isto não se confirma em nenhum dos casos estudados. No entanto, Stevens (2002) apresenta um estudo onde pretende comprovar que os restantes sentidos não ficam subdesenvolvidos, mas antes que ocorre uma reaprendizagem dos mesmos no sentido de melhor orientação, localização e mobilidade de uma pessoa com deficiência visual comparativamente com uma pessoa normovisual. Segundo Davies (2008) uma pessoa com deficiência visual total apesar de não conseguir tão perfeita referenciação no sentido vertical (ascendente), como alguém com o sentido da visão, consegue localizar, referenciar e destacar obstáculos no sentido horizontal (que se encontrem à sua altura), pois podem fazê-lo com o sentido auditivo, de forma semelhante a uma pessoa normovisual. “Recent studies have begun to reveal the considerable abilities of the ear to acquire, retain, and retrieve knowledge about the physical attributes of sound-producing objects and the forces that set them in motion. (…) In sum, this research program should shed important light on behavioral and functional changes in auditory processing as a result of visual impairment. Not only can this improve our understanding of normal auditory processing in sighted individuals, but also can suggest new ways in which 103 the blind may compensate for their visual impairment by optimizing their use of expanded auditory capabilities.” (Stevens, A. A., 2002, apud Parker, J. & Parker, P., 2003) 57 Colwell (2012) argumenta que ao longo dos anos as pessoas com deficiência visual foram adquirindo técnicas para a locomoção e orientação espacial que ainda hoje são ensinadas pelos respetivos técnicos de acessibilidade. Um indivíduo com deficiência visual total não se pode guiar pelo sentido da visão, ou pela indicação visual de pontos de referência criados pela luz, pois não a deteta. Segundo Patla et al., (2004, apud Davies 2008) quando o ruído presente no ambiente que rodeia um indivíduo aumenta e se torna mais complexo, os meios de deteção de obstáculos, sejam estes de carácter sensorial, motor ou cognitivo, tornam- se obsoletos, não existindo nenhum tão preciso quanto a visão. No entanto, um indivíduo com deficiência visual total consegue através da utilização de técnicas e auxiliares de orientação, deslocar-se no espaço e evitar a maioria dos objetos que neste se encontram. 3.3 Sentido Auditivo “Blind individuals rely on sound to perceive the distal environment much as sighted individuals rely on vision.” Stevens, A. A. (2002, apud Parker, J. & Parker, P., 2003)58 A audição é, segundo Persad e Langdon (n.d, apud Clarkson, Coleman, Hosking & Waller, 2007) a capacidade de interpretar vibrações sonoras, tratando-se estas de sons simples como ‘beeps’ e tons ou sons complexos como por exemplo a diferenciação entre um discurso ou música num ambiente ruidoso. 57 T.L.: “Estudos recentes começaram a revelar as capacidades consideráveis do ouvido para adquirir, reter e recuperar conhecimento sobre os atributos físicos dos objectos que produzem som e as forças que os colocam em movimento. (…) Em suma, este programa de pesquisa deve demonstrar a importância sobre alterações comportamentais e funcionais no processo auditivo, como resultado de deficiência visual. Isso não só pode melhorar a nossa compreensão sobre o processo auditivo normal em indivíduos normovisuais, mas também pode sugerir novas maneiras pelas quais os cegos podem compensar a sua incapacidade visual, optimizando o seu uso de capacidades auditivas expandidas.” 58 T.L.: “Os indivíduos cegos dependem do som para compreender o ambiente distal, tanto quanto os indivíduos normovisuais dependem da visão.” 104 A CIF_OMS (2004) identifica as funções auditivas como: “funções sensoriais que permitem sentir a presença de sons e discriminar a localização, timbre, intensidade e qualidade dos sons.” (CIF_OMS, 2004, p. 63) À semelhança do que acontece com o sentido da visão, também a audição é afetada através de doenças, deficiência ou com o envelhecimento natural do ser humano. Isto resulta não só na perda de audição, mas também em problemas relacionados com o equilíbrio e perceção espacial, quando atingem o nervo coclear e o nervo estato-acústico, responsáveis pela transmissão dos impulsos para o cérebro, ou os vestíbulos responsáveis pelo equilíbrio, Persad e Langdon (n.d). As suas funções mais relevantes para a abordagem do design são a deteção e localização do som e a distinção de discurso. Estas contemplam a capacidade de detetar sons ‘soltos’ resultantes de um qualquer objeto, a capacidade de percecionar a direção do som, bem como a capacidade de distinguir e compreender um discurso proferido em ambientes sem ruído ou com ruído de fundo, Persad e Langdon (n.d.). É através desta capacidade auditiva que a pessoa tem noção da sua orientação espacial num determinado espaço, aprende a reconhecer sons que ajudam na localização e orientação espacial e no caso de pessoas com deficiência visual serve de guia para uma deslocação mais eficaz, ajudando a criar um mapa mental do espaço em que se encontra. A capacidade de localização da origem do som que nos rodeia torna-se menos precisaquando a capacidade auditiva de um dos ouvidos, ou de ambos é reduzida, seja esta por motivos de doença, deficiência ou envelhecimento. Esta capacidade pode ser melhorada se combinada com a perceção visual ou motora (i.e. luz, movimento ou vibração), Persad e Langdon (n.d.). Outro fator que pode dificultar a orientação de uma pessoa que depende apenas da audição é o ruído, como nos indicam Persad e Langdon (n.d.). O ruído ambiente presente no espaço interior ou exterior, apesar de ajudar na localização e orientação, (i.e., passar à porta de um refeitório cheio de pessoas a falar, cria um ruído distinto), pode tornar-se prejudicial quando a pessoa em questão não consegue ouvir determinado elemento importante para a sua deslocação em segurança (i.e. a chegada de um autocarro). 105 “Spaces that introduce large amounts of reflections and reverberation of sound can cause problems with hearing.” (Persad & Langdon n.d, apud Clarkson, Coleman, Hosking & Waller, 2007)59 A audição torna-se assim um elemento indispensável na orientação e locomoção num determinado espaço, e é também um excelente auxiliar de perceção espacial para pessoas com deficiência visual, como nos indica igualmente Guerreiro (2012). 3.4 Sentido Vestibular Apesar de estar ligado ao sentido do tato devido à noção de equilíbrio, está também infimamente ligado ao ouvido, uma vez que é no ouvido, mais precisamente nos vestíbulos, que se encontram os recetores do sistema vestibular, responsáveis, entre outras coisas, pelo equilíbrio do ser humano, Forbrain (2016). A CIF_OMS acrescenta acerca do assunto que o sentido vestibular trata: “funções sensoriais do ouvido interno relacionadas com a posição, equilíbrio e movimento.” (CIF_OMS, 2004, p. 64) “O sentido vestibular é o sentido do equilíbrio. (…) As principais funções do sistema vestibular consistem em dizer a posição do corpo em relação à gravidade, fornecendo informação sensorial sobre os movimentos da cabeça e sua posição em relação à terra, controlar os movimentos oculares quando a cabeça é movida (reflexo vestíbulo-ocular), e sinalizar alterações de movimento, direção e velocidade.” (n.a., n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/) É também este sentido que nos fornece a informação da velocidade a que nos deslocamos, se estamos em movimento ou imóveis e qual a relação entre a velocidade do nosso corpo e os objetos que o circundam, bem como gerir o tónus muscular necessário para efetuar determinada ação com eficácia. Alterações na posição da cabeça, podem causar: “Alteração do controlo postural Ajuste na orientação da cabeça Movimentos oculares reflexos 59 T.L.: “Espaços que introduzem grandes quantidades de reflexão e reverberação de sons podem causar problemas de audição.” http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 106 Alterações autonómicas (náuseas e vómitos) Alterações da consciência (estado de torpor) dormência” (n.a., n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema- vestibular/) 3.5 Sentido Tátil É o primeiro dos sentidos a ser ‘acionado’ quando nos falha um dos outros, em particular o da visão, no caso de pessoas normovisuais a quem subitamente apagam a luz, ou que por outro qualquer motivo deixam de ver. Por instinto de sobrevivência é inato a qualquer um de nós colocar as mãos à frente do corpo na tentativa de obter uma perceção sensorial através do tato para melhor nos orientarmos, evitando quedas e embates em objetos que possam estar ao nosso redor. Winston M.H. (1991) alerta para a predominância na escolha do sentido da visão, como o sentido mais importante, mais até do que o sentido do tato. Este último é considerado por alguns autores como um sentido menos preciso, mais lento e de carácter mais restrito que o sentido da visão, apesar de historicamente ter vindo a ser considerado como predominante. Afinal é através deste sentido que as crianças começam a apreender o mundo que as rodeia, sendo o sentido da visão desenvolvido mais tardiamente. O sentido do tato acompanha-nos por toda a vida, quer sejamos cegos ou normovisuais, acontece que nem sempre lhe atribuímos a importância devida. Gibson (1962, 1966 apud Winston, 1991) apresenta dois conceitos inerentes ao tato que nos explica a importância deste sentido. Tato passivo – apreensão de informações sem a ação do observador, sendo a informação “imposta sobre a pele”, sem intenção de receber qualquer informação. Tato ativo – o observador seleciona a informação que pretende receber e estabelece contato com o mundo físico para a apreensão da mesma, é intencional e desenvolve a comunicação entre os dois mundos - observador e objeto (mundo interior /mundo exterior) Griffin H. & Gerber P. (1996) referem sobre este assunto que o desenvolvimento do sentido tátil é feito através da experimentação e reconhecimento das qualidades táteis dos objetos e espaço que nos rodeiam. Qualidades como por exemplo, “textura, temperatura, superfícies de diferentes consistências e vibráteis”, http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 107 entre outras. Este reconhecimento do ‘mundo tátil’ é feito através da apalpação de objetos, espaços e pessoas que nos rodeiam, de forma a melhor conhecermos as suas características. Para uma pessoa com deficiência visual, é por vezes a primeira forma de localização no espaço, por exemplo, através da perceção dos objetos que compõem o dito espaço. O sentido do tato pode ser estimulado com o manuseamento de diferentes texturas, e composições de objetos, mas pode ser também treinado por exemplo com o uso da bengala, uma forma de tatear o chão, aspeto a que recorremos mais adiante. A CIF_OMS refere as funções do sentido tátil como: “funções sensoriais que permitem sentir superfícies e a sua textura ou qualidade.” (CIF_OMS, 2004, p. 65) Uma das partes do corpo que mais usamos para ‘ver’ com o tato, quase sem nos apercebermos pois são bastante mais usados que as mãos, são os nossos pés. Para quem tem o uso dos pés, consegue através do ‘tatear’ uma determinada superfície desvendar em que divisória da casa se encontra, por exemplo, ou se o terreno que tem à sua frente é acidentado. Para as pessoas com deficiência visual a bengala branca vem aumentar o seu campo tátil, quer a nível do solo, pois conseguem mais facilmente desviar-se de objetos caídos no chão, quer ao nível da cintura, quando combinado com o uso da mão para tatear determinada superfície. Também bastante importante é o uso das mãos para o reconhecimento tátil do espaço onde se encontram e uma melhor orientação e deslocação espacial, ou para reconhecimentos faciais, leituras de texto e os demais cumprimentos e gestos que fazem parte da vida em sociedade. O sistema somatossensorial possibilita ao ser humano receber e interpretar as sensações provenientes do que o rodeia. O sistema somatossensorial está a cargo do córtex somatossensorial: “aquele responsável por processar e tratar a informação de natureza sensorial recebida pela derme, pelos músculos e pelas articulações.” (Isabel Salvador, n.d., in http://psicologiaymente.com/neurociencias/corteza- somatosensorial)60 O córtex somatossensorial é também responsável pela interpretação de toda informação tátil que a pessoa recebe, seja sob a forma de identificação de objetos, texturas, perceção de formas, temperaturas, dor ou pressão, bem como da 60 T.L.de: la corteza somatosensorial “es aquella responsable de processar y tratar la información de naturaleza sensorial que procede de la dermis, los músculos y las articulaciones.”http://psicologiaymente.com/neurociencias/corteza-somatosensorial http://psicologiaymente.com/neurociencias/corteza-somatosensorial 108 movimentação voluntária das mãos e musculatura oro facial e deglutição. A informação que recebemos através do sistema tátil é assim reportada e interpretada por este córtex. De forma semelhante é também este córtex que se encarrega de informar o corpo da sua posição perante o espaço que o rodeia, Salvador (n.d.). E finalmente o uso do restante corpo quer a nível de controlo do espaço envolvente através da temperatura sentida na pele, que nos indica pontos de permanência e pontos de saída, quer pela presença de outros em espaços interiores que mais uma vez acionam os nossos meios de deteção. Neste caso em particular não apenas com o tato e temperatura corporal, mas também através de cheiros, movimentos, aqui todos os outros sentidos acionados para melhor percebermos o que temos em nosso redor. Siegfried Saerberg (2010) diz a este respeito o seguinte: “I gained a first sense of position by feeling and hearing what is under my feet: a stone platform, metal escalator steps, or asphalt. All these things I perceive through schemes of interpretation that are very sense based. They are tactile images (…). It is the nearest part of the world around me, very close indeed to my body. It is the world within my tactile reach. This (…) is then amplified via my elongated touch with the cane.” 61 (SAERBERG, Siegfried, 2010, p. 370) A pele é o órgão mais extenso do corpo humano, é aqui que se encontram os mais variados pontos sensoriais e através desta que percecionamos o mundo desde a infância. Os pés, munidos destes pontos sensoriais, são o nosso meio de contacto com o ambiente em que nos encontramos, os principais responsáveis pela deslocação e perceção do mesmo e os primeiros indicadores de diferenciação de espaços, através da perceção de diferentes materiais, por exemplo. O tato está sempre presente na nossa deslocação num espaço, seja através dos pés, das mãos, ou do corpo que se desloca ao longo do mesmo, delimitando o seu percurso no contacto direto com objetos aí presentes, Guerreiro (2012). 61 T.L.: “Tive a primeira sensação de posicionamento sentindo e ouvindo o que estava debaixo dos meus pés: uma plataforma de pedra, degraus de um escadote de metal, ou asfalto. Todas estas coisas que percecionei através de esquemas de interpretação, são muito baseados nos sentidos. São imagens tácteis (…). É a parte do mundo mais próxima de mim, de facto muito perto do meu corpo. É o mundo através do meu alcance tátil. Isto (…) é depois amplificado pelo meu toque alongado com a bengala.” 109 3.6 Sentido Propriocetivo O sentido propriocetivo está ligado diretamente ao sentido do tato, uma vez que corresponde à forma como o corpo interage com o meio envolvente. É através deste sentido que a pessoa entende a força necessária para executar determinada função do corpo (por exemplo, levantar-se ou empurrar algo), Forbrain (2016). “Propriocepção consiste na perceção das informações sensoriais referentes aos nossos movimentos e posição corporal, integrando o tato e as informações de movimento. Assim, propriocepção é o sentido da posição do corpo em relação ao próprio corpo. Os recetores propriocetivos estão localizados nos músculos, articulações, tendões e ligamentos, sendo estimulados pelo movimento e pela força da gravidade. Ao pegarmos um objeto sem a ajuda da visão, é o sentido propriocetivo que fornece as informações de movimento, força e destreza.” (n.a., n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os- sentidos/sistema-vestibular/) A CIF_OMS descreve a função propriocetiva como: “funções sensoriais que permitem sentir a posição relativa das partes do corpo. (…) Incluí: funções de estatestesia62 e a cinestesia.” (CIF_OMS, 2004, p. 65) Os sentidos tátil, propriocetivo e vestibular trabalham todos em conjunto, possibilitando ao ser humano, entre outras coisas, uma deslocação segura, executar ações com movimentos controlados e calcular a força necessária para a movimentação de objetos, ou do próprio corpo. Esta ligação e utilização simultânea de sentidos adquire outras nomenclaturas, como por exemplo, processamento tátil-propriocetivo, ou somatossensorial, como já referido anteriormente, e também processamento vestíbulo-propriocetivo. Tal como os nomes indicam estes tratam, respetivamente, a união entre os sentidos tátil e propriocetivo ao pegar em objetos; e a união entre o sentido vestibular e propriocetivo, ao subir e descer escadas, por exemplo. 62 “Estatestesia – n.f. sensibilidade estática, postural, ou das atitudes, que dá indicação sobre a direção da gravidade (sensações de rotação, de verticalidade, de equilíbrio, de postura corporal). (Do gr. Statós, «que está; estacionário» +aístesis, «sensação» +ia).” (Dicionário da Língua Portuguesa, 2013, p. 669) http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 110 3.7 Sentido Gustativo e Olfativo São sentidos aos quais não costumamos dar importância, mas que nos influenciam mais do que temos consciência, segundo Sofia Costa, em formação Forbrain (2016), o sentido olfativo tem a capacidade de nos ‘transportar’ (mentalmente) para determinadas memórias do passado, sendo um dos sentidos que trabalham em terapia Snoezelen com pessoas demenciadas para fazê-las recordar determinadas situações. Paladar “Gustação ou paladar consiste na perceção das moléculas que se dissolvem na saliva e entram em contacto com os receptores gustatórios. O sabor é determinado pelas diferentes qualidades dessas moléculas. Ou seja, cada sabor relaciona-se a algo que se dissolveu na boca.” (n.a., n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/) O sentido gustativo consegue captar quatro sabores básicos: ácido, amargo, doce e salgado, através das suas funções sensoriais, CIF_OMS (2004). Os recetores gustativos para cada sabor encontram-se espalhados pela língua e em conjunto com o aroma, auxiliados pelo sentido olfativo, identificam os sabores dos alimentos. Tal como acontece com todos os outros sentidos, também a sensibilidade do sentido gustativo varia entre indivíduos, possibilitando a alguns identificar mais ou menos sabores presentes num determinado prato. A ausência do sentido olfativo durante o processo de mastigação e deglutição tem bastante influência na interpretação dos estímulos recebidos, motivo pelo qual os alimentos ficam sem sabor diferenciado quando um indivíduo se encontra constipado. O paladar está ligado também a sensores do prazer e ao sentido olfativo, sem o qual o paladar não existe. Permite à pessoa apreciar diferentes alimentos, ou determinar se estes não estão próprios para consumo, por exemplo. A consistência e textura dos alimentos auxiliam na interpretação dos mesmos pelo sentido gustativo. Assim é a interpretação dos estímulos recebidos pelos sentidos, enquanto conjunto sensorial que nos permite experienciar alimentos e bebidas de forma diferenciada. Enquanto crianças exploramos o mundo com as mãos, pés e boca, ainda antes do sentido visual estar completamente desenvolvido. http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 111 Olfato “O olfato consiste na perceção do cheiro, ou seja, é a perceção das moléculas que vêm do ar e são recebidas pelo sistema olfatório, sendo um sinal indicativo de que há uma pessoa, substância ou objeto odorante por perto. O órgão recetor do olfato é o nariz, em cuja mucosa interna estão incrustados os nerónios quimiorrecetores da olfação, distribuídos uniformemente esimetricamente, As moléculas odorantes se dissolvem no muco antes de fazerem contacto com os recetores, que são cerca de 20mil células sensoriais altamente sensíveis. O sentido olfativo dos humanos é muito menos desenvolvido do que nos outros mamíferos, ainda assim é de grande importância ao providenciar informações acerca de odores de alimentos, ambientes e produtos, na tentativa de manter o ser humano em segurança, CIF_OMS, (2004). É também através do sentido olfativo que as pessoas com deficiência visual conseguem completar o seu mapa mental, criado através da interpretação dos estímulos recebidos pelos seus sentidos. Os aromas devem ser explorados e apresentados aos alunos cegos, em aulas de orientação e mobilidade, Guerreiro (2008), para que aprendam a identificar locais, por exemplo um refeitório, uma perfumaria, ou até para que consigam determinar se há pessoas presentes num determinado espaço. Todos os sentidos devem ser explorados, para conseguir retirar o melhor deles. O sentido olfativo tem a particularidade de adaptar-se ao meio em que se encontra ‘eliminando’ odores que estão presentes, consoante o tempo a que estamos expostos ao mesmo. Um exemplo disso é cheiro do shampoo, ao adquirirmos verificamos se o odor do mesmo nos agrada, sentimos o mesmo perfume enquanto o estamos a usar e até por vezes algum tempo depois do cabelo secar, mas o cheiro vai desaparecendo e ao fim de uns minutos não conseguimos identifica-lo. “Outra característica interessante do olfato é que um odor, mesmo sem ser sentido por vários anos, pode provocar lembranças. (…) O que ocorre é que, apesar da maioria dos neurónios olfatórios terem dificuldade para se regenerar, os neurónios olfatórios são gerados constantemente por células tronco, e os neurónios que abrigam os mesmos receptores se dirigem sempre às mesmas áreas no sistema nervoso central, facilitando o acesso às memórias ali armazenadas.” (n.d. terapia sensorial in: http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/) http://terapiasensorial.wordpress.com/os-sentidos/sistema-vestibular/ 112 Estes sentidos estão interligados e vão naturalmente ficando menos apurados com o avançar da idade, tal como todos os outros sentidos. No que diz respeito a estes dois sentidos em relação às terapias sensoriais, se em Snoezelen o trabalho com o sentido olfativo tem bons resultados, o sentido gustativo não é muito explorado, por questões de higiene no espaço terapêutico. Como pudemos observar em outras terapias o alimento serve muitas vezes como recompensa, como por exemplo no método ABA e TEACCH, métodos utilizados com indivíduos com PEA, ou para estimulação de apetite no caso de pessoas com problemas de alimentação. Também nas terapias aplicadas na American Therapy House, segundo Iara de Paula (2016) os sentidos olfativo e gustativo são explorados, principalmente em casos onde a alimentação do indivíduo é problemática. Assim, tentam em ambiente seguro e relaxado uma abordagem diferente, estimulando apetites, promovendo uma melhoria geral no bem-estar do participante. 3.8 Sinestesia A palavra é de origem grega: Syn – união e Aesthesis – sensação e o seu significado é “união de sensações” (ou união de sentidos)63. Acerca do assunto Cytowic (2002) descreve a rara capacidade ou o número reduzido de pessoas que tem esta inata aptidão. Trata-se de uma junção invulgar de sentidos, ou sensações, que permite aos sinestésicos viverem experiências ‘fora do comum’. “It denotes the rare capacity to hear colors, taste shapes, or experience other equally strange sensory fusions (…).” (Cytowic, 2002, p.2)64 No entanto, a ligação entre diferentes sentidos é algo muito comum, mas é algo a que não damos relevância até nos vermos privados de um deles. Para uma pessoa normovisual, a privação do sentido da visão faz com que o sentido do tato e da audição sejam ‘acionados’. Apesar de usados ao longo do dia, os restantes sentidos não são tidos em consideração, pois a informação que é recebida é processada maioritariamente pelo sentido da visão. 63 T.L. de: “joined sensation” 64 T.L.: “Denota a rara capacidade de ouvir cores, saborear as formas, ou experienciar outras fusões sensoriais igualmente estranhas (…)” 113 No caso de uma pessoa com deficiência visual, todos os sentidos são usados no processo de deslocação e orientação, uns mais do que outros (i.e., o tato é muitas vezes sobreposto à audição, com o uso da bengala por exemplo, mas em ambientes conhecidos o sentido da audição é muitas vezes o eleito, deslocando-se sem o uso da bengala, Guerreiro (2012)). “Durante todo o tempo que estivermos vivos, estaremos a receber uma infinidade de estímulos através dos nossos cinco sentidos… A variação permanente de cada um destes estímulos assegura o equilíbrio do nosso sistema nervoso e as respostas adequadas a essa variação. Nas cercanias naturais, à sombra de uma árvore ou ‘do lado de dentro de casa’ através da janela, a variação de intensidade e do ângulo de incidência do sol (descoberto ou oculto), as variações de temperatura e a diversidade dos sons permitem avaliar – instintivamente o tempo que passa. Cada folha que treme no ramo de uma árvore, cada rumor, cada oscilação de temperatura, cada variação de luz que ocorre durante o tempo do nosso trabalho, permite renovar a capacidade de concentração nas tarefas árduas, repetitivas ou aparentemente absurdas.” (Barata, M., da Silva, P. e Sena da Silva, n.d., p.210) É através da procura de sensações, cheiros, sons e temperaturas, da experimentação dos restantes sentidos e da combinação destes, que as pessoas com deficiência visual conhecem ou reconhecem o ambiente que as circunda, quem se encontra presente e como se orientar no espaço. Não passa apenas pela utilização se um sentido, mas pela conjugação de todos eles. “Just as time and space are not perceived by the vast majority of human societies as a regular continuum and grid, so the [sensorium] is rarely thought of in strictly biological terms…. The five senses are given different emphasis and different meanings in different societies. A certain sense may be privileged as a sensory mode.” (Anthony Seeger, 1981, apud Blesser & Salter 2007) 65 Gregory, R. (n.d., apud Cytowic, 2002) sugere ainda a importância das ligações entre diferentes sentidos, principalmente no início de vida de uma criança, em que o mundo é conhecido através do tato, do cheiro, do sabor e só depois através da visão, “a visão é informada pelo tato.”66 65 T.L.: “Tal como o tempo e o espaço não são entendidos pela vasta maioria das sociedades humanas como uma continuidade uniforme e grelha, também o [sensorial] raramente é pensado em termos estritamente biológicos…. São dados diferentes ênfases e significados aos cinco sentidos consoante as diferentes sociedades. Um determinado sentido pode ser privilegiado como modo sensor.” 66 T.L. de: “vision is informed by touch” 114 “(…) sounds mingle with smells, with perceptions of body movement and with skin sensations – with tactile, olfactory, sensorimotor, and even gustatory schemes of interpretation.” (Saerberg 2010, p. 371) 67 3.8.1 Sinestesia - aplicação no campo do design Existem hoje em dia um sem número de aparelhos capazes de reproduzir estímulos sensoriais, que ligam imagens a aromas e que nos fazem desejar ou recordar determinada situação (por exemplo, sentido da visão e do olfato a trabalhar em conjunto). Entre estes temos o exemplo de aparelhos que transformam as cores que nos rodeiam em música (sons de instrumentos ou notas musicais específicas, consoante a cor para que está apontado) potenciando a sinestesia, o reconhecimento de cores e objetos, entre muitos outros. Apresentaremos então um exemplode aparelho, reforçando que existem variadíssimos disponíveis atualmente, que vêm permitir ao utilizador experimentar a sinestesia de uma forma mais intensa. Estes aparelhos requerem uma aprendizagem na identificação do estímulo (nota musical) e a sua correspondência à cor certa, capacitando o seu utilizador de identificar diferentes formas e materiais. EyeMusic é um aparelho desenvolvido por uma equipa de investigadores liderados pelo Professor Amir Amedi, da Hebrew University of Jerusalem, com o objetivo de tornar cores visíveis para pessoas com deficiência visual. Este aparelho funciona através da manipulação de uma escala musical, com diferentes sons e tonalidades, convertendo imagens em notas musicais e composições, para auxiliar pessoas com deficiência visual a ‘verem’ as cores e assim se orientarem. Requer uma aprendizagem da relação entre as cores e os sons que lhe foram atribuídos, para um melhor entendimento do mundo que nos rodeia. “The EyeMusic scans an image and represents pixels at high vertical locations as high-pitched musical notes and low vertical locations as low-pitched notes according to a musical scale that will sound pleasant in many possible combinations. The image is scanned continuously, from left 67 T.L.: “(…) sons misturam-se com cheiros, com perceções e movimentos corporais e com as sensações da pele – com sensações táteis, olfativas, sensoriomotoras e até com esquemas de interpretação gustativos.” 115 to right, and an auditory cue is used to mark the start of the scan. The horizontal location of a pixel is indicated by the timing of the musical notes relative to the cue (the later it is sounded after the cue, the farther it is to the right), and the brightness is encoded by the loudness of the sound.” (IOS, Press, BV. n.d., consultado in http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=e n em 12.08.2012) 68 A escolha de instrumentos musicais também tem influência na interpretação das imagens, estando estes associados a diferentes cores, respetivamente: Sons vocais – cor branca Som de trompete – cor azul Som de órgão reggae – cor vermelha Som de instrumento de sopro com palheta sintetizada (i.e., clarinete, oboé) – cor verde Som de violino – cor amarela Silêncio – cor preta. O dispositivo não se destina a pessoas com deficiência visual total, para este segmento mais estudos estão em desenvolvimento, mas pode ser utilizado por pessoas daltónicas (que não conseguem ver determinadas cores) permitindo que o seu vocabulário de cores se expanda através da utilização de outros sentidos e outros conceitos, substituindo a cor pelo som. 68 T.L.: “O EyeMusic, scana a imagem e representa os pixeis a localizações verticais altas como notas musicais de alto tom, ou pixeis a localizações verticais baixas como notas musicais de baixo tom de acordo com a escala musical escolhida e que seja o mais agradável para o ouvinte na maioria das combinações musicais. A imagem é scanada continuamente, da esquerda para a direita, sendo o início do scaneamento marcado por um aviso auditivo. A localização horizontal de um pixel é indicada pelo tempo em que ocorre a nota musical relativamente ao aviso (quanto mais tarde soar depois do aviso auditivo de início, mais para a direita se encontra), e a luminosidade é dada através do volume do som.” http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=en http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=en 116 Fig. 8 Imagem à esquerda – representação ilustrativa de funcionamento do EyeMusic, mostra o utilizador a usar uns óculos com câmara montada e fones de escalpe, que ouve a melodia correspondente aos objetos e respetivas cores que se apresentam à sua frente, criando uma imagem mental da mesma cena. O utilizador tenta apanhar uma maçã vermelha num monte de maçãs verdes. Imagem à direita (topo) – pormenor representativo dos óculos e fones. Imagem à direita (baixo) – câmara de mão apontada para objetos de estudo. Imagem retirada do website http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=en consultado em 12.04.2013 69 A nossa interação com o mundo exterior depende da forma como o percecionamos, para isto usamos o nosso sistema sensorial, pois é através dos diversos sentidos que conhecemos aquilo que nos rodeia. O estudo dos sentidos, apresentado neste capítulo, considera as características e importância de cada sentido para o ser humano, na sua relação com o mundo, explicando de que forma cada sentido trabalha na aquisição de experiências sensoriais e como estas têm a capacidade de alterar a noção que temos de nós próprios e do que se encontra à nossa volta. As características de cada sentido são assim descritas, ponderando sobre os sentidos Visual, Auditivo, Vestibular, Tátil, Propriocetivo, Olfativo e Gustativo. A perspetiva teórica foi inicialmente subordinada à terapia Snoezelen, que trabalha a 69 Imagem de: Maxim Dupliy, Amir Amedi and Shelly Levy-Tzedek, (Legenda original: “Left: An illustration of the EyeMusic SSD, showing a user with a camera mounted on the glasses, and scalp headphones, hearing musical notes that create a mental image of the visual scene in front of him. He is reaching for the red apple in a pile of green ones. Top right: close-up of the glasses-mounted camera and headphones; bottom right: hand-held camera pointed at the object of interest. [Image credit Maxim Dupliy, Amir Amedi and Shelly Levy-Tzedek]”). http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=en 117 estimulação dos sentidos em ambientes controlados, espaços multissensoriais, promovendo o relaxamento, bem-estar e o conforto do utilizador. A sinestesia, junção de vários sentidos com o objetivo de melhorar a experiência do utilizador, é também apresentada neste capítulo. A sua aplicação no campo do design é feita através da exposição do aparelho EyeMusic, que faz a ligação entre cores e sons, permitindo ao utilizador uma identificação das cores que se encontram ao seu redor, mesmo não sendo capaz de as percecionar através do sentido da visual. A sinestesia é também trabalhada em ambiente terapêutico, o que será explanado nos próximos capítulos. 118 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Barata, M., da Silva, P. & Sena da Silva, (n.d.), Design em Aberto, uma antologia, centro Português do Design, p. 210 Barker, P., Barrick, J., Wilson, R. (n.d.), Building Sight, A handbook of building and interior design solutions, to include the needs of visually impaired people, Royal National Institute for the Blind, London, pp. 14-131. Blesser & Salter (2007), “Spaces speak, are you listening? Experiencing aural architecture”, Massachusetts Institute of Techonology, The MIT Press, Cambridge, Massachusetts, London, England, pp. 3-63 Cytowic, R. 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(2007) Color – Communication in Architectural Space, Birkhäuser Verlag AG, Basel, Boston, Berlin. 119 Rodrigues, M. S. (n.d.), Transcrição do Manual Informativo sobre Inclusão (modelo brasileiro), da autoria da psicóloga, psicopedagoga e pedagoga Marina S. Rodrigues (n.d.) Ruas, M. (2013), Why not Design for the Ears? – Conceção de uma linha de mobiliário com características acústicas; Dissertação apresentada na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco e à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa para obtenção do grau de Mestre em Design de Interiores; Lisboa. Saerberg, S. (2010) “Just go straight ahead”, How Blind and Sighted Pedestrians Negotiate Space, pp. 366-379 Santos, R., Senna, C. & Vieira, S. (2007), Acessibilidade e Design Inclusivo – um estudo sobre a aplicação do design universal nos produtos industriais. 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ESPAÇO FÍSICO Este capítulo propõe uma definição do que é o espaço físico, em que contexto será utilizado e qual a natureza dos seus utilizadores. Pretende também explicar a importância de espaços inclusivos, principalmente quando pertencentes a um estabelecimento de ensino. Relativamente ao presente trabalho, será abordado o espaço interior (sala de terapia, espaço que deve albergar um número de indivíduos com diferentes caraterísticas físicas e cognitivas, bem como terapeutas com necessidades específicas de trabalho), pretendendo compreender se a sua dinâmica, ou forma como se encontra projetado e organizado, e respetivas escolhas de materiais neste integrante, se adequam à utilização por vários terapeutas de diferentes terapias, por exemplo terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia, etc. O design inclusivo focado na sua abordagem ao estudo do equipamento e do espaço torna-se fundamental na orientação e determinação de espaço para qualquer utilizador. 4.1 Morfologia do espaço “In many cases, the sensory, physical or mental impairment of an individual is not the primary handicap. Rather it is the assault course represented by the built environment that poses the most serious threat to independence and full social integration.” (Barker et al, n.d.) 70 Entende-se por morfologia do espaço o estudo do ‘objeto’, das suas caraterísticas ‘físicas’ interiores e exteriores, da sua forma, organização e interação com o ser humano bem como a sua evolução do mesmo com o passar do tempo. Estes espaços podem ser de cariz natural, presentes na natureza, ou fabricados pelo homem, construções, habitações, prédios, cidades, etc. 70 T.L: “Em muitos casos a deficiência sensorial, física ou mental de um indivíduo, não é a sua principal incapacidade. São as barreiras impostas pelo ambiente construído à sua volta que na maioria das vezes representa a ameaça mais séria para a independência e completa integração do indivíduo na sociedade.” 123 Mandanipour (1996) caracteriza o espaço como físico, social, cognitivo, empírico e racional. A sua definição passa por uma ligação com o tempo e o ser humano. O tempo que ‘define’ uma dimensão espacial e o ser humano que o interpreta consoante as suas experiências passadas e contexto em que esta interpretação ocorre. “The conception of space (…) is dynamic: space at all its possible scales, from global space to the micro space of daily routines, are all constantly changing yet embedded in their social context, allowing multiple but interrelated identities. It is this dynamic conception of space that would allow design with change and for change while embedded in concrete social and physical contexts.” (Mandanipour, 1996, p.30) 71 Outra definição que nos é apresentada na obra de Mandanipour (1996) é a diferença entre espaço mental e espaço real. Estes variam consoante o observador do espaço, pois se é através dos sentidos que o espaço real é entendido, é a livre interpretação que cada um faz do mundo que define a forma como o apreendemos. Esta interpretação dá então lugar a uma construção mental do espaço. Acrescentando ainda que a única forma de interpretarmos o espaço que nos rodeia é através da experiência direta no mesmo, valendo-nos dos nossos sentidos. “The meanings of space are different because our perception and description of the spatial relationships among things are different in different situations.” (Sack 1980, apud Mandanipour, 1996, p.15)72 Somos, no entanto, alertados por Tschumi (1990) para o facto de não conseguirmos analisar a natureza de um espaço enquanto experienciamos um ‘espaço real’, tal como não conseguimos processar uma experiência (pensar que estamos a ter uma experiência) no exato momento em que a vivemos. Exemplificando então a experiência que um observador tem de um determinado espaço, com um excertode um filme. O observador vive a experiência como se estivesse a ‘ver um 71 T.L.: “A conceção do espaço (…) é dinâmica: o espaço com todas as suas possíveis escalas, do espaço global para o micro espaço das rotinas diárias, estão em constante mudança ainda assim fixas no seu contexto social, permitindo identidades múltiplas, mas interligadas. É esta conceção dinâmica do espaço que permite um design com mudanças e para as mudanças, enquanto fixo nos contextos sociais e físicos concretos”. 72 T.L. “O espaço adquire diferentes significados, porque a nossa perceção e descrição das relações espaciais entre as coisas são diferentes, em diferentes situações.” 124 filme’, está presente, mas não o considera enquanto a experiência decorre. Esta perspetiva é, no entanto, bastante redutora, analisando apenas o sentido da visão, como forma de apreensão de um espaço. “The aural, visual, and tactile experiences of space contain different perceptual units for size, which are then fused into a single spatial map. Conversely, a single map can be converted into different units of sensory size: the object is at arm’s length, it takes ten strides to reach, or it returns an echo in 100 milliseconds. We should think of spatial cognition as the process of fusing and reconciling overlapping contributions from all sensory modalities.” (Blesser & Salter, 2007, p.49) 73 O espaço humano é definido por estas interações com carácter social presentes nos humanos que habitaram em tempos o espaço, que em contacto com o espaço natural deixam características humanas no mesmo, Mandanipour (1996). 4.1.1 O corpo enquanto espaço “O corpo é um espaço; quando valorizamos a ação individual estamos respeitando o espaço corporal. A construção espacial é simbólica, e é no corpo que a sua noção é registrada. Por isso ele é o espaço fundador, das referências dentro e fora sair e entrar, engolir e expelir, projetar e incorporar.” (Admilson Santos, 2004, acedido em 02 de setembro de 2012 in http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt- cego_espaco_corpo_movimento-Admilson_Santos.htm) De acordo com Santos (2004), o corpo humano é um espaço, o ponto central, uma medida de todas coisas e principalmente o nosso ponto de referência. Saerberg (2010) corrobora com esta visão, ao mencionar a importância que o corpo humano tem como medida de referência, quer para orientação quer para a localização do sujeito cego, por exemplo, num determinado espaço. A capacidade de perceção espacial enriquece ao acrescentarmos a uma descrição verbal, referências relativas ao corpo humano, por exemplo: após 3 passos na direção em que te encontras neste momento está uma mesa; ou se deres 3 passos, rodares sobre a tua esquerda e estenderes o braço, encontras um armário. Tais referências ajudam a criar uma 73 T.L. “As experiências aurais (auditivas), visuais e tácteis de um determinado espaço contêm diferentes unidades de dimensão percetuais, que são depois ‘fundidas’ num único mapa espacial. Inversamente, um único mapa pode ser convertido em diferentes unidades de medida sensorial: o objeto está à distância de um braço, leva dez passos largos a atingir, ou o eco retorna em 100 milissegundos. Devemos considerar a cognição espacial como um processo e reconciliar contribuições sobrepostas de todas as modalidades sensoriais.” http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt-cego_espaco_corpo_movimento-Admilson_Santos.htm http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt-cego_espaco_corpo_movimento-Admilson_Santos.htm 125 ‘imagem mental’ da configuração do espaço em que nos encontramos, tornando a orientação e deslocação de uma pessoa com deficiência visual total, mais segura e facilitada. Assim: “(…) a consciência de si mesmo ou a experiência de si mesmo é evidentemente o conjunto de retroações originadas das interações indivíduo-mundo, mais precisamente a sua interpretação e memorização pelo sistema nervoso sob a forma de conjuntos estruturados de informação e de programas.” (Vayer, 1985: 93, apud Santos, 2004) Mantendo-nos nesta linha de pensamento também Bourdieu (1989, apud Santos, 2004) considera o espaço humano como um espaço de relações, que para além de possibilitar um contacto físico e social entre humanos, promove também a extensão do indivíduo. Isto é importante especialmente em casos de indivíduos com deficiência visual, uma vez que é através do seu ‘espaço corporal’ que ‘absorvem’ o que está em seu redor, mas também por facultar maior interação com a sociedade, durante a deslocação através dos restantes espaços, criando uma imagem mental e localização espácio-temporal. Considera ainda Fonseca (1995, apud Santos, 2004) “(…) o conhecimento do corpo é transformado em conhecimento do espaço, através da intuição e da conceptualização lógica, já que (…) a organização espácio-temporal está integrada com a motricidade, e a relação com os objetos que ocupam determinado espaço se dá a partir do próprio corpo.” (Fonseca, 1995, apud Santos, 2004) A consciência corporal é o primeiro passo para a orientação espacial, quer por pessoas cegas, quer por normovisuais. A compreensão de que ‘eu estou aqui’ e vou deslocar-me para ‘ali’, faz com que todo o espaço possa ser reconhecido através de ‘medições automáticas’ usando o corpo humano como referência, como ponto de partida. O sentido da visão torna esta referenciação praticamente instantânea ao promover uma deslocação segura, contornando os obstáculos que se encontrem à frente do observador. Para uma pessoa com deficiência visual esta referenciação espacial passa pela elaboração de um mapa mental do espaço com que interage, normalmente precedido por um reconhecimento do dito espaço com os restantes sentidos, sendo a audição e o tato os mais usados, apreendendo a sua dimensão, orientação e espaço de mobilidade. Para isto é utilizado na maioria das vezes o corpo humano como medida de referência, por exemplo: 3 passos para a esquerda; ou a distância é equivalente ao comprimento do teu braço, etc. 126 O posicionamento do corpo relativamente à disposição dos objetos funciona também como forma de orientação, e possibilita a locomoção por parte de uma pessoa com deficiência visual. A identificação de janelas, portas, paredes e estantes, entre outros, podem servir como pontos de referência para entradas e saídas, espaços de permanência e até para identificação do espaço em que nos encontramos. Segundo a perspetiva de Santos (2004) a consciência corporal é tão importante quanto a consciência da existência de objetos no espaço. Pois se através da consciência dos objetos aprendemos a estabelecer um percurso seguro para a orientação e deslocação, é a consciência corporal que funciona como nossa medida de referência para a análise do espaço em questão e orientação no mesmo. Acerca do assunto Santos (n.d.) cita Merleau-Ponty (1994, p. 341) ao referir: “a orientação no espaço não é um carácter contingente do objeto, é o meio pelo qual eu o reconheço e tenho consciência dele como de um objeto”. A consciência corporal ao permitir a uma pessoa cega a orientação e mobilidade, através da utilização dos restantes sentidos de forma a inteirar-se da sua posição em relação aos espaços em que circula, fomenta também a sua independência (Santos, 2004). 4.2 Orientação no espaço Pessoas Normovisuais De acordo com Santos (2004) e Davies (2008) a perceção espacial é feita através dos sentidos, que nos criam uma ‘visão’ geral do espaço antes de o percorrermos. Refere como exemplo os estudos de Gibson (1979) acerca da perceção direta e Marr (1976) que defende a perceção indireta. Ao debruçarmo-nos sobre esta temática podemos constatar, que a perceção direta diz respeito à locomoção em resposta a padrões visuais, ou seja, dependeda luz para que esta se realize. Gibson (1958, apud Davies 2008) defende que a informação obtida através da visão é suficiente para um reconhecimento do enquadramento espacial em que o observador se encontra. A reflexão da luz nos objetos circundantes torna os mesmos visíveis ao observador que se encontra em movimento, e é a diferenciação dos objetos estacionários, para os que movem com o observador, que fazem com que o mapa ‘visual’, ou a perceção direta do espaço onde se encontra se torne possível. Explana 127 ainda na sua teoria da perceção direta que existe uma ‘seleção ótica’ (optic array) que permite ao observador deslocar-se percebendo a localização dos objetos, mesmo quando estes não se encontram diretamente no seu campo de visão. “The perception of motion is thus a result of discrete perceptions of static positions. Patterns and changes of patterns in the projection of light, known as an optic array, are stimuli for the control of locomotion relative to the objects of the environment.” (Davies, 2008, p.9) 74 Segundo Davies (2008) esta abordagem sugere não existir um processo cognitivo ou a elaboração de mapas mentais antes da deslocação, defendendo que, segundo Gibson (1958, apud Davies 2008) a informação que permite uma deslocação e perceção espacial por parte de uma pessoa normovisual é fornecida pelos dados espaciais e temporais do mesmo espaço e no instante em que a pessoa aí se encontra e ainda processada e interpretada enquanto a pessoa neste se desloca. A perceção indireta, por seu lado, refere-se ao uso dos processos cognitivos para a análise do espaço em questão, ajudando o observador a criar antecipadamente um mapa espacial do ambiente em que se encontra, para então dar início à locomoção. Esta teoria defende que o observador vê o objeto, processa o mesmo realizando do que se trata, e só depois se dá o reconhecimento do objeto que encontrou, este processo requer um ‘background’ de experiências visuais, que permitem um reconhecimento do ambiente que circunda o observador. Davies (2008) transmite-nos ainda a ideia de que estes dois ‘tipos’ de perceção podem ser usados quer individualmente, quer em conjunto, na formação de um mapa cognitivo, tendo como referência Marr (1976) e a sua explicação de como o cérebro se baseia em experiências passadas criando desta forma imagens na retina reconhecíveis pelo observador. Davies (2008) sugere também que a perceção do que rodeia a pessoa é processada pelo cérebro de forma semelhante, seja esta de carácter visual ou auditivo. Para as pessoas normovisuais o processo de reconhecimento de espaço está à partida facilitado pela visão, sentido que nos permite uma orientação quase imediata, 74 T.L.: “A perceção de movimento é um resultado de perceções discretas de posições estáticas. Padrões e mudanças nestes padrões de projeção de luz, conhecida como ‘seleção ótica’, são os estímulos que controlam a locomoção relativamente aos objetos que se encontram no ambiente.” 128 uma localização de objetos e barreiras ao longo do nosso percurso e mais importante as distâncias a que nos encontramos destes. “Sighted people control the moving flow from their world within potential reach into their world within actual reach visually. As this strategy does not work in the darkness, they try to compensate for this by keeping as close as possible to the world of actual reach that is apprehensible. (…) Sighted people depend especially on visual skills in both spatial orientation and social interaction.” (Saerberg 2010, p.373) 75 É também através do sentido da visão que é possível ‘gravar’ determinados espaços, ou padrões de movimento, na memória, que permitem uma deslocação no escuro, em ambientes familiares (i.e., casa e trabalho) sem colidir com qualquer obstáculo. Pessoas com Deficiência Visual – orientação no espaço “Just as a sighted person explores the environments with the sensory apparatus available, so does a blind person, but (…) primarily through tactile, auditory, olfactory and kinesthetic information gathering (…).” (Metler, R. 1987, p.10 apud Barker et al, n.d., p14) 76 Ao longo dos anos as pessoas com deficiência visual foram adquirindo técnicas para a locomoção e orientação espacial, que ainda hoje são ensinadas pelos respetivos técnicos de acessibilidade, Colwell (2012). Um indivíduo com deficiência visual total não se pode guiar pelo sentido da visão, ou pela indicação visual de pontos de referência criados pela luz, pois não a deteta. Segundo Patla et al., (2004, apud Davies 2008) quando o ruído presente no ambiente que rodeia um indivíduo aumenta e se torna mais complexo, os meios de deteção de obstáculos, sejam estes de carácter sensorial, motor ou cognitivo, tornam- se obsoletos, não existindo nenhum tão preciso quanto a visão. No entanto, um indivíduo com deficiência visual total consegue através da utilização de técnicas e 75 T.L.: “As pessoas normovisuais controlam visualmente a movimentação do seu mundo de alcance potencial (aquilo que conseguem ver e poderão alcançar) para o seu mundo de alcance atual (aquilo que conseguem ver e conseguem alcançar). Como esta estratégia não funciona no escuro, tentam compensar mantendo-se o mais próximo possível do seu mundo de alcance atual. (…) Pessoas normovisuais dependem especialmente das suas capacidades visuais para a orientação espacial e interação social.” 76 T.L.: “Assim como as pessoas normovisuais exploram o ambiente que as rodeia com todo o aparato sensorial disponível, também a pessoa invisual assim reage, mas (…) primeiramente recolhem informação através dos sentidos do tato, audição, olfato e cinestético.” 129 auxiliares de orientação, deslocar-se no espaço e evitar a maioria dos objetos que neste se encontram. Davies (2008) corrobora com a opinião ao considerar que a capacidade de distinguir ‘diferenças auditivas’, ou sons característicos, no ambiente que rodeia o ‘ouvinte’ pode potenciar uma deslocação mais segura. Durante o processo de investigação, abordámos, através de entrevistas exploratórias, a questão da orientação espacial com alunos cegos e com baixa visão, que estudam no Centro Helen Keller. Questões tais como: com que facilidade se orienta no espaço, porque sente dificuldade na orientação, que sentidos usa para navegar o espaço, ou se utiliza algum auxílio na deslocação; vêm corroborar com alguns autores citados no presente capítulo. Os resultados são apresentados no conjunto de gráficos 3. 15% 8% 31% 23% 23% Orienta-se no espaço com facilidade? Colegas ajudam Dificuldade nos corredores - barulho Sim Sim, se conhecer o espaço Sim, se não tiver obstáculos 25% 34%8% 33% Porque sente dificuldade na orientação? Barulho nos corredores Mudança de espaços Sala demasiado iluminada 26% 9% 39% 17% 9% Que sentidos usa para navegar o espaço. Audição Olfato Tacto Visão Ecolocalizaçã o (audição) 17% 39%17% 11% 11% 5% Utiliza algum auxílio na deslocação? Bengala Colega ou professor Mãos e pés Mapa mental Não Som Graf. 3 Gráficos elaborados pela autora, com o resultado das entrevistas, CHK, Lisboa, Portugal, 2016. 130 “When people move around within the built environment, they continually use a combination of senses to orientate themselves and to negotiate obstacles. When one of the senses is removed, or its effectiveness reduced, there is greater dependence on the others.” (Barker et al., n.d., p.131) 77 O crescimento da cidade e desenvolvimento industrial vieram também providenciar informações importantes para a melhor orientação e localização de um cego através da criação de padrões, como nos indica Strelow, (1985 apud Davies 2008). Sejam estas informações fornecidas através dos constantesespaçamentos existentes entre elementos construídos e espaços vazios de uma cidade, ou pelo ruído característico que encontramos ao percorrer uma rua com trânsito, e ainda pela orientação dada pelo alinhamento de carros estacionados, postes de iluminação, passeios, etc., que ajudam a criar um ‘caminho’, como nos menciona Davies (2008). O sentido auditivo é também requisitado para a perceção espacial de um espaço desconhecido, ao fazer um reconhecimento do ‘tipo’ de espaço em que o cego se encontra, seja este aberto, ou fechado, interior ou exterior, rodeado de prédios ou apenas com alguns elementos pontuais de construção, tudo isto pode ser detetado através da audição. “Spatial localization in a given environment requires both directional and distance parameters. With these, the sound can be used to create a spatial map and thus be used for locomotion and orientation.” (Davies, 2008, p.14) 78 Segundo Guerreiro (2012) tendo todos os seus sentidos ‘alerta’ a pessoa com deficiência visual sente pois que pode intuir e interagir com o ambiente, apercebendo- se por exemplo que se encontra alguém no mesmo espaço. Encontramos também o sentido do olfato como auxiliar de perceção do espaço que nos rodeia, bem como presenças nele contido. Dá-se então, com o exercitar do conjunto de sentidos, uma nova perceção exata do espaço em que nos encontramos. Este desenvolvimento tiflopercecional79 permite à pessoa com deficiência visual uma mobilidade facilitada, bem como uma orientação mais precisa. 77 T.L.: “Quando as pessoas se movimentam num espaço construído, utilizam uma combinação de sentidos para se orientarem e evitarem obstáculos. Quando um destes sentidos é removido, ou a sua eficácia é reduzida, dá-se uma maior dependência nos outros sentidos.” 78 T.L.: “A localização espacial num determinado ambiente requer parâmetros quer direcionais, quer distanciais. Com estes, o som pode ser utilizado para criar um mapa espacial e assim ser usado para locomoção e orientação.” 79 Tiflopercepcional – (referente a tiflo-) elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cego (do gr.typhlós, «cego»). Por exemplo, perceção espacial por parte de uma pessoa cega. 131 Todos os sentidos presentes numa pessoa com deficiência visual são fundamentais durante a perceção e deslocação num determinado espaço. Os sentidos do tato e audição tornam-se os ‘olhos’ de uma pessoa com deficiência visual, pois só assim esta se desloca num espaço interior, conhecendo o que a rodeia e apercebendo-se das distâncias que pode percorrer sem qualquer dificuldade. Os fatores de acusticidade80, mecanicidade81 e termicidade82 tornam-se também pontos fulcrais para a orientação, perceção e locomoção de uma pessoa nesta condição. “(…) Skin sensations also provide guidance. The movement of cold air on my face, for example, can indicate that I’m coming close to a stairway leading up to a platform or to the exit of a mall or pub. I call the complex of ways of sensing (…) ‘blind style perception’. It contains sensory based schemes of interpretation that become relevant in a spatial and embodied process of interpreting the material environment and social situations with alter egos.” (Saerberg, 2010, pp.371-372) 83 4.3 Acústica no espaço Sabemos que uma sala demasiado iluminada (com ação de luz) pode tornar- se ‘nociva’ para o bom funcionamento de uma atividade. Poder-se-á afirmar que uma sala de aula ou terapia ‘demasiado refletora ou absorvente’ de som se torna também prejudicial para os alunos que nela convivem, podendo alterar o ambiente para algo demasiado ruidoso impedindo que a atividade se realize. A escolha de materiais acústicos tem também a sua contribuição para a criação de espaços com conforto acústico e adaptados às atividades a realizar. 80 Acusticidade – (referente a acústica) n.f 2. Conjunto dos fenómenos de reflexão e absorção sonoras que favorecem ou prejudicam a boa audição num lugar determinado (do gr. akoustiké, fem. de akoustikós, «relativo ao ouvido»). 81 Mecanicidade – (referente a mecânica) n.f.1. A parte da física que tem por objeto o estudo dos movimentos dos corpos, das forças que produzem esses movimentos e do equilíbrio das forças sobre um corpo em repouso. Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p. 1038. 82 Termicidade – (referente a sentido térmico) sentido que nos dá a sensação de quente e frio (do gr. thérme, «calor» +- ico). Dicionário da Língua Portuguesa 2013, Porto Editora, Porto, p. 1541. Por exemplo a perceção da presença de alguém pela temperatura que o seu corpo emite. 83 T.L.: “ (…) As sensações da pele servem também de guia. O movimento do ar frio no meu rosto, por exemplo, pode indicar que me encontro perto de uma escadas que dão acesso ao piso da saída num centro comercial ou num bar. Eu chamo ao conjunto de formas de sentir (…) ‘estilo de perceção para invisuais’. Este contém esquemas com base na interpretação sensorial, que se tornam relevantes num processo de interpretação espacial e dos ambientes materiais e situações sociais (…).” 132 “Acoustics, from the Greek ‘akoustikos’ and meaning that which pertains to hearing, now refers mostly to the behavior of sound waves (vibrations) in solids, liquids, or gases.” (Blesser, B. & Salter, L.R., 2007, p.4) 84 “All sounds are the result of dynamic action, periodic vibrations, sudden impacts, or oscillatory resonances.” (Blesser & Salter, 2007, p.15) 85 4.3.1 Perceção espacial auditiva (por pessoas cegas) No livro “Spaces Speak, are you listening?”, Blesser & Salter (2007) diferenciam os espaços como espaço acústico e espaço auditivo, sendo o primeiro projetado considerando o efeito que o espaço terá na distribuição do som, sua reflexão e como este (som) atuará no espaço; e o segundo dirigindo-se à experiência vivida pelos utilizadores do mesmo espaço, e como o som os irá influenciar, baseando-se entre outros fatores, nas experiências culturais dos ‘ouvintes’. Existe ainda, segundo os mesmos autores, experiência emocional e comportamental do espaço que se reflete no utilizador do mesmo, a sua experiência pessoal, alteração de estado de espírito e o seu comportamento com o meio envolvente. A CIF_OMS descreve a perceção auditiva como um conjunto de “funções mentais envolvidas na discriminação de sons, tons, intensidade e outros estímulos acústicos.” (CIF_OMS, 2004, p.56). As experiências pré-adquiridas, ‘background’ cultural e memória auditiva tornam-se bastante relevantes no decorrer da experiência de ouvir um espaço. Sendo a ‘iluminação’ deste feita através de ‘sonic events’86 determinados pelas ações da pessoa (ouvinte) que habita o espaço (i.e., o bater dos pés no chão, estalar de dedos, assobiar, ou o próprio diálogo), permitem uma maior reverberação do som, ‘iluminando auditivamente’ desta forma o espaço que rodeia o seu utilizador. 84 T.L.: “Acústica, de origem grega de ‘akoustikos’ e significando que aquilo que pertence à audição, agora refere-se maioritariamente ao comportamento das ondas sonoras (vibrações) em sólidos, líquidos, ou gases.” 85 T.L. “Todos os sons são o resultado de ação dinâmica, vibrações periódicas, impactos súbitos, ou oscilações de ressonância.” 86 “Sonic Events – which result from inconsistent human activities producing unpredictable sonic illumination.” (Blesser & Salter, 2007, p.17) T.L.: “Eventos sónicos (sonoros) – que resultam de actividades humanas inconsistentes, produzindo iluminação sónica (sonora) imprevisível.” 133 Consultámos também os alunos com deficiência visual, do CHK, acerca da perceção acústica dos espaços (sala de aula) e de que forma a audição e o ruído de espaços interiorese exteriores influenciavam nessa mesma perceção. Apesar de a maioria referir o barulho dos colegas como foco de distração e ‘interferência’, por causar confusão no processo de deslocação, outros indicam o mesmo barulho como ponto de referência, ao identificar entradas e saídas de sala, espaços habitados ou vazios, ou até como forma de identificar a sua sala, por reconhecerem as vozes dos colegas. Referenciam também o aumento do ruído que se sente ao longo do dia e apresentam algumas soluções para eliminar, ou diminuir o ruído. Os resultados são apresentados no conjunto de gráficos 4. Graf. 4 Gráficos elaborados pela autora, com o resultado das entrevistas, CHK, Lisboa, Portugal, 2016. 8% 15% 31% 23% 8% 15% Soluções para diminuir o ruído Alterar o recreio Borrachas nos pés da cadeira Colegas fazerem menos barulho Painéis de cortiça nas paredes Preocupação acústica na construção 23% 16% 23% 15% 23% Ruído aumenta ou diminui ao longo do dia? Aumenta ao almoço Aumenta na saída Aumenta de tarde Constante Depende dos dias 11% 31% 8%8% 23% 8% 11% Ruído no exterior que incomoda? Arrastar de cadeiras Barulho nos corredores Ginásio Pavões Recreio Sala de EM 15% 15% 62% 8% Sente dificuldade em ouvir na sala de aula? Arrastar de cadeiras Barulho ar condicionado Barulho dos colegas Máquina de Braille 8% 38% 15% 8% 31% Audição interfere na deslocação? Barulho nos corredores confunde Não Sim - ecolocalização Ruído no exterior que incomoda? 134 “The center of space is my own body. From this center, the world is divided into ‘here’ and ‘there’, ‘near’ and ‘far’, and, according to a body- related system of orientation, ‘left’ and ‘right’, ‘above’ and ‘below’, and ‘front’ and ‘back’. The center contains what G.H. Mead (1934) has called ‘the manipulatory sphere’. Around it we can find layers of reach tied to particular sensory fields, such as ‘the world within my visual reach’, ‘the world within my acoustic reach’, or ‘the world within my olfactory reach’, etc.” (Saerberg, 2010, p. 367) 87 É através desta capacidade auditiva que a pessoa tem noção da sua orientação espacial num determinado espaço, aprendendo a reconhecer sons que ajudam na localização e orientação espacial e, no caso de pessoas com deficiência visual, servindo de guia para uma deslocação mais eficaz, ajudando a criar um mapa mental do espaço em que se encontram. Se o espaço acústico potencia muita reflexão e reverberação de som, o discurso e perceção espacial e auditiva podem tornar-se quase nulos. No seu estudo, Saerberg (2010) fala-nos da procura do seu alcance acústico, algo que para um cego, como o autor, se torna fundamental no processo de orientação e mobilidade em segurança. “Sounds amplify the world within my potential reach. All sounds serve as concrete schemes of interpretation, acoustic images you might call them.” (Saerberg, 2010, p.370) 88 Ainda Saerberg (2010), no seu artigo “Just go straight ahead”, explana aquilo que considera o ‘blind space’, um exercício que lhe permite ‘testar’ a sua orientação percecional e movimentação em determinado espaço. Descreve então o ‘blind space’ da seguinte forma: “My own body is my center of spatial orientation. As I move from ‘here’ to ‘there’, its boundary is shifting in space and time; the world within my actual reach. Via a sense of my own body, I divide the world into a close and distant, left and right, above and below, and in front and in back. My body is linked pragmatically to the environment via its actions. As a blind person, I obtain orientation and generate movement by creating a multimodal space of related sensory perception in a sensed unity of the 87 T.L.: “O centro do espaço é o meu próprio corpo. A partir deste centro, o mundo está dividido em ‘aqui’ e ‘ali’, ‘perto’ e ‘longe’, e de acordo com o sistema de orientação diretamente relacionado com o corpo, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, ‘acima’ e ‘abaixo’, e à ‘frente’ e ‘atrás’. O centro contém o que G.H. Mead (1934) chamou de ‘esfera manipulatória’. À sua volta podemos encontrar camadas de alcance ligadas a um particular campo sensorial, tal como ‘o mundo de entre o meu alcance visual’, o mundo dentro do meu alcance acústico’, ou ‘ o mundo dentro do meu alcance olfativo’, etc.” 88 T.L.: “Os sons amplificam o mundo dentro do meu potencial de alcance. Todos os sons servem de esquemas de interpretação concretos, imagens acústicas se assim as quiserem chamar”. 135 world within my felt, tactile, acoustic, and olfactory reach.” (Saerberg, 2010, p.369-370) 89 Todos os espaços quer de cariz natural quer ‘fabricados’ pelo homem para neste realizar qualquer atividade possuem uma acústica própria que completa a definição das suas características físicas, o que permite ao arquiteto, engenheiro, designer, etc. que projeta o espaço, independentemente deste se tratar de um espaço interior ou exterior, criar uma ‘ambiência’ que se altera de espaço para espaço. Mais comummente se ouve falar do estudo acústico do espaço em situações como auditórios, salas de concerto ou espaços destinados à projeção, propagação e reflexão do som, embora este estudo deva ser aplicado em todos os espaços que projetamos, pois só assim conseguiremos um espaço equilibrado e confortável para os eventuais utilizadores do mesmo. O trabalho a nível acústico é ainda uma forma de orientar as pessoas durante a circulação e permanência num espaço, podendo permitir, entre outras coisas, uma compreensão mais célere dos pontos de trajeto, permanência ou saídas do mesmo. A acústica pode ser trabalhada quer a nível de materiais que refletem ou abafam os sons produzidos pelos utilizadores do espaço, quer a nível de posicionamento de paredes ou objetos que auxiliam o processo de ‘apreensão’ de um determinado espaço, tanto para utilizadores normovisuais como para utilizadores com deficiência visual. O som ou a ausência deste pode também ser utilizado como guia de orientação. O silêncio passa a ser visto como uma escolha intencional para um determinado espaço, deixando de existir assim que o espaço é habitado, (Blesser & Salter, 2007). “Auditory spatial awareness is more than just the ability to detect that space has changed sounds; it includes as well the emotional and behavioral experience of space.” (Blesser & Salter, 2007, p.11) 90 89 T.L.: “O meu próprio corpo é o meu centro de orientação espacial. Enquanto me movo ‘daqui’ para ‘ali’, a sua fronteira é alterada no espaço e no tempo; o mundo no meu real alcance. Via a sensação do meu próprio corpo, eu divido o mundo em perto e distante, esquerda e direita, acima e abaixo e à frente e atrás. O meu corpo está pragmaticamente ligado ao ambiente envolvente e às suas ações. Enquanto pessoa cega, obtenho a orientação e gero movimento criando o espaço multimodal a partir de perceção sensorial numa unidade sensorial do mundo ‘dentro’ da minha capacidade sensitiva, tática, acústica e olfativa.” 90 T.L.: “Consciência espacial auditiva é mais do que apenas a habilidade para determinar que o espaço tem sons que se alteram; inclui também a experiência emocional e comportamental do espaço.” 136 “By our original definition, auditory spatial awareness is the internal experience of an external environment. A physical space exists in the world, and the experience of that space exists in the listener’s consciousness.” (Blesser & Salter, 2007, p.131) 91 4.3.2 Perceção auditiva de diferentes materiais (por pessoas cegas) “Sound will reflect to the location at which it is transmitted. Surface characteristics affect the quality of the return signal. If the material is soft, most of the sound will be absorbed rather than echoed.”(Kish, 1995, apud Davies 2008, p.33) 92 Pormenores como, por exemplo, o horário em que nos encontramos no espaço ou o número de pessoas presentes no mesmo tem influência na sua perceção acústica, podendo mesmo alterar a acústica espacial, ‘recriando’ elementos absorventes do som, Blesser & Salter (2007). Referem também os autores, que a acústica pode ainda influenciar o nosso estado de espírito e com isto causar alguma alteração no nosso comportamento, quer como indivíduos, quer quando em grupos. Os materiais possuem também características que nos reportam a diferentes estados de espírito, tendo inclusive a capacidade de nos ‘enclausurar’ num determinado espaço ou de torná-lo maior, através da reverberação ou absorção do som, por exemplo. Blesser & Salter (2007) sugerem que por mais inflexível e estática que seja a natureza da construção arquitetónica do espaço em questão, as características auditivas inerentes à sua arquitetura podem ser alteradas pelos utilizadores do dito espaço, criando diferentes ambientes, podendo a intensidade de som produzido dentro do espaço auxiliar na sua caracterização, definindo-o como espaço privado e pequeno, ou público e grande, interior ou exterior. O ser humano tem a capacidade de se adaptar aos diferentes ambientes, reproduzindo determinado comportamento, consoante a acústica presente no espaço. 91 T.L. “Segundo a nossa definição original, a consciência auditiva espacial é a experiência interna de um ambiente externo. Um espaço físico existe no mundo, e a experiência desse mesmo espaço existe na consciência do ouvinte.” 92 T.L.: “O som é refletido para a localização de onde é transmitido. A característica da superfície afecta a qualidade do sinal que retorna. Se o material é macio, a maior parte do som vai ser absorvido em vez de ‘ecoado’.” 137 No entanto, a organização e construção acústica do espaço varia consoante a cultura de origem do utilizador do mesmo. Blesser & Salter (2007) dão-nos como exemplo a cultura Japonesa, Americana e Europeia, onde as duas primeiras organizam o espaço com elementos que permitem ao som viajar entre diferentes divisões da casa. Na cultura japonesa os painéis de papel delimitam o espaço e servem de parede; nas construções das casas americanas são muito utilizadas portas ocas e paredes de contraplacado; que em nada se comparam ao impacto acústico de uma casa europeia feita com paredes de cimento e tijolo (por exemplo em países Germânicos). A escolha de materiais de ‘revestimento’, ou presentes num determinado espaço interior tem a ‘capacidade’ de alterar por completo a sua estrutura e linguagem acústica, podendo inclusive indicar ao utilizador do mesmo espaço, se este se trata de um espaço de permanência (i.e., uma sala, um quarto), ou um espaço de passagem (i.e. uma entrada, ou um corredor). As diferenças de absorção e refração de sons que encontramos em materiais tão distintos como por exemplo a madeira, a cortiça, e o tecido, ou por outro lado o cimento, a pedra e o metal servem não só para o equilíbrio acústico do espaço onde estão aplicadas, mas também para solucionar problemas de carácter prático no referido espaço, tal como torná-lo mais habitável, por exemplo. Esta preocupação com os materiais circundantes é-nos também apresentada por Shenkman & Jansson (1986) e Davies (2008), apud Walraven (1982), ao estudarem os estímulos auditivos criados pelo bater das bengalas (usadas por pessoas com deficiência visual total, na sua deslocação num determinado espaço) no chão e objetos circundantes, percebendo que apesar de não conseguirem uma perceção precisa do objeto em questão, existia uma variação no espectro de estímulos auditivos, consoante os diferentes materiais em que batiam, sendo os mais promissores e consequentemente diferentes o cimento, a areia, o linóleo e o asfalto. Estes testes permitiram perceber que nem todas as bengalas se comportam da mesma forma em relação aos diferentes materiais, dependendo do material em que são feitas as bengalas e do número de secções em que se dividem, dando preferência para as maiores e com menos secções, pelo resultado acústico; e que o som emitido por estes materiais ao serem tocados pode providenciar informação vital para o utilizador de um determinado espaço. “(…) the bare marble floors and walls of an office lobby loudly announce the arrival of visitors by the resounding echoes of their footsteps. In contrast, thick carpeting, upholstered furniture, and heavy draperies, all of 138 which suppress incident or reflected sounds, would mute that announcement. (…) acoustic attributes convey a different sense: cold, hard, and barren, as contrasted with warm, soft, and intimate.” (Blesser & Salter, 2007, p.3) 93 “Objects that are soft and malleable, such as wood or fiber, produce weaker high frequencies when bent, hammered, or otherwise manipulated. Hard materials, such as glass, steel or porcelain, produce stronger high frequencies. The two categories of objects absorb sound in the same way that they create sound. A room with a deep-pile rug is heard as warm and soft; a barren room with hard plaster walls is heard as cold and hard.” (Blesser & Salter, 2007, p.63) 94 Como já referido, o sentido da visão faculta uma descrição detalhada do que nos circunda, medidas, dimensões, distâncias, que nos permitem uma avaliação bastante precisa da localização de obstáculos e objetos a evitar; com a audição percebemos o volume do espaço, dos objetos que o habitam, através da ‘análise’ dos ecos presentes no mesmo. Os limites físicos são absorvidos de forma diferente consoante se utilize o sentido da visão ou da audição. Blesser & Salter (2007) exemplificam estes diferentes limites ou fronteiras físicas através da experiência com vidro e uma cortina preta. Sendo o vidro uma superfície refletora de som, mas ‘invisível’ para o sentido da visão, este não tem a mesma apreensão por pessoas normovisuais ou invisuais; de forma semelhante, uma cortina preta é um elemento visual, mas como barreira física auditiva não existe pois absorve o som. Também a ausência de luz, escuridão total, ou um ruído de fundo muito elevado podem comprometer ambos os sentidos, delimitando erroneamente o espaço. Apresentam também como característica, que influi grandemente no espaço a utilização de superfícies curvadas, por permitirem uma alteração de distâncias, tamanho e forma do espaço, criando ilusões aos utilizadores do mesmo. Focam o som de tal forma que podem simular proximidade ou afastamento de um objeto, alterações de tamanho e até criar ‘zonas sem som’, dando a sensação de vazio. 93 T.L.: “(…) os pisos e paredes em mármore da entrada de um escritório anunciam de forma ‘barulhenta’ a chegada de visitantes pelo ressoar dos ecos dos seus passos. Em contraste, carpetes densas, mobiliário acolchoado, e cortinados pesados, todos eles suprimem sons incidentes ou refletidos, tornariam mudo esse aviso de chegada. (…) os atributos acústicos conferem diferentes sensações: frio, duro e deserto, contrastando com quente, macio e íntimo.” 94 T.L.: “Objetos que são macios e maleáveis, tais como madeira ou fibra, produzem fracas altas frequências (relativo ao som) quando dobrados, martelados ou de qualquer outra forma manipulados. Materiais duros como o vidro, aço ou porcelana, produzem fortes altas frequências (relativo ao som). As duas categorias de objetos absorvem o som da mesma forma que criam som. Um quarto revestido com tapeçaria é ouvido (percecionado) como quente e suave; um quarto deserto com paredes de estuque rijo é ouvido (percecionado) como frio e duro.” 139 Acrescentam ainda que a junção de diferentes superfícies, materiais e objetos originam uma ‘arquitetura auditiva’. Para existir um espaçoequilibrado este deve conter superfícies refletoras de som, superfícies que absorvam o som e fontes sonoras. A conjugação destas e a sua disposição vão definir auditivamente as dimensões do mesmo, podendo inclusive criar ilusões de um espaço maior, com a utilização de superfícies que absorvem o som, por exemplo no revestimento de uma parede; ou espaço menor, com a utilização de superfícies refletoras de som que delimitam o espaço auditivo. Uma reverberação de som em excesso tornaria o espaço extremamente ruidoso, já uma absorção de som inapropriada causaria um espaço sem vida. Estes elementos devem ser considerados no processo de design de um espaço, sendo também estes que caracterizam o espaço tal como este é: privado, público, social, intimidante, etc. Blesser & Salter (2007) mencionam também a utilização de texturas auditivas como forma de personalizar um espaço tornando-o auditivamente reconhecível a um ouvinte experiente. Para tal sugerem a introdução de elementos de diferentes tamanhos e materiais, que permitem uma superfície com variantes das frequências de ressonância. Padrões como conchas, por exemplo, ou paredes curvadas, painéis que absorvam o som, combinados com outros dispersores do mesmo. Estas pequenas adições numa determinada superfície passariam a sugerir uma textura, ou diferentes ‘cores’ (estímulo auditivo), semelhante às utilizadas nos papéis de parede (textura com estímulo visual). A sua aplicação não é só limitada às superfícies das paredes, podendo também ser aplicadas no teto de uma sala, por exemplo, amplificando o som de alguém que entra no espaço, no entanto, terá de ser testada para evitar situações de desconforto quer a utilizadores do espaço que se guiem pela audição, quer para quem dependa da visão, evitando espaços que enclausurem os seus utilizadores. Os espaços podem ser caracterizados pelos elementos que aí se incluam, pois, uma diferente abordagem com materiais e formas presentes num espaço criam diferentes acústicas que são reconhecidas por alunos portadores de deficiência visual. Esta abordagem, segundo Blesser & Salter (2007) assemelha-se, por exemplo, à aplicação de diferentes tonalidades de cor ou elementos visuais nas paredes. Nos casos específicos de uma sala de aula ou uma sala de terapia, por exemplo, a aplicação destes elementos deve ser ponderada para que os mesmos não se tornem pontos de distração ou ‘barreiras acústicas’, uma vez que a principal função dos espaços é promover o ensino e a comunicação entre docente e discentes, e a 140 comunicação e interação entre paciente e terapeuta, em espaços que promovam o conforto e o bem-estar enquanto decorrem as atividades. “A sound-reflecting surface is the aural equivalent of an opaque wall – a spatial boundary, a spatial reducer. (…) Sound absorption is an aural space expander. Complete sound absorption would simulate a virtual window into an infinite, unbounded space, a space without the ability to respond to sonic illumination, and with no sound sources of its own. Thus, a thick panel of dense, completely sound-absorbing materials, one that could absorb all sound waves that arrive, would aurally replicate a window into an absolutely open space. (…) an infinite void.” (Blesser & Salter, 2007, p. 56) 95 Quase todos os elementos visuais presentes no espaço alteram a acústica do mesmo, pela sua forma, dimensão, material ou disposição no dito espaço. Blesser & Salter (2007) dão-nos como exemplo uma superfície grande e espelhada, que reflete o som tão ‘claramente’ como reflete a luz, um tapete que pelas suas características físicas absorve o som e uma estátua de mármore que serve como difusor do mesmo som. A aplicação destes exemplos num mesmo espaço, mas em ocasiões diferentes, criam três espaços distintos, conseguindo desta forma iludir um ouvinte que aí permaneça nas diferentes ocasiões. O espaço foi analisado, no presente capítulo, segundo as suas características físicas através do estudo da morfologia do espaço, noções de referências espaciais abordando o corpo enquanto espaço e explorando a orientação no espaço, quer por pessoas normovisuais, quer por pessoas com deficiência visual. Foram examinadas ainda as questões da acústica no espaço, a perceção espacial auditiva e a perceção auditiva de diferentes materiais (por pessoas cegas), recorrendo a entrevistas exploratórias a alunos do CHK. No decorrer da investigação houve uma constante procura das características de espaços que promovam o desenrolar de atividades em segurança, que melhorem a eficácia da sua utilização ao eliminar barreiras e fomentem o conforto e o bem-estar dos seus utilizadores, seja qual for a finalidade para que seja projetado. 95 T.L. “Uma superfície refletora de som é o equivalente auditivo a uma parede opaca – uma fronteira espacial, um redutor espacial. (…) A absorção do som é um expansor espacial auditivo. A total absorção de som iria simular uma janela virtual para o infinito, espaço ilimitado, um espaço sem a capacidade de responder à iluminação sónica, e sem fontes sonoras próprias. Deste modo, um espesso painel de material denso e completamente absorsor de som, com capacidade de absorver todas as ondas sonoras que lhe chegam, iria replicar auditivamente uma janela para um espaço aberto. (…) um vazio infinito.” 141 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Barata, M., da Silva, P. & Sena da Silva, (n.d.), Design em Aberto, uma antologia, centro Português do Design, p. 210 Barker, P., Barrick, J., Wilson, R. (n.d.), Building Sight, A handbook of building and interior design solutions, to include the needs of visually impaired people, Royal National Institute for the Blind, London, pp. 14-131. Blesser & Salter (2007), “Spaces speak, are you listening? Experiencing aural architecture”, Massachusetts Institute of Techonology, The MIT Press, Cambridge, Massachusetts, London, England, pp. 3-63 Cytowic, R. E., (2002), “Synesthesia: A union of senses”, 2nd edition, MIT, p. 2. Davies, T. C. 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Henrique para obtenção do grau de Mestre em Educação Especial Porto, pp. 30-31. 143 REFERÊNCIAS DE WEBGRAFIA CIF_OMS, (2004), Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde; Organização Mundial de Saúde; Direcção-Geral de Saúde; Lisboa 2004. [documento online, p.16, consultado em 17 de julho de 2012]. Disponível em http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf IOS, Press, BV. n.d., consultado in http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=122199&CultureCode=en em 12.08.2012) Noronha, N. (2016), Uma em cada 3 turmas com alunos com Necessidades Educativas Especiais viola a lei, notícias Lusa, 23.09.2016, acesso online in http://lifestyle.sapo.pt/familia/noticias_familia/artigos consultado em 03.01.17 Santos, A. (2004), O Cego o Espaço, o Corpo e o Movimento: Uma Questão de Orientação e Mobilidade, in http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt- cego_espaco_corpo_movimento-Admilson_Santos.htm, consultado a 02.09.2012. 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Pretende também explicar a importância de espaços inclusivos, principalmente quando pertencentes a um estabelecimento de ensino. Foram analisados dados referentes a espaços inclusivos, escolas inclusivas e ensino inclusivo, bem como o número de alunos nestes estabelecimentos, tempo de uso de salas e terapias disponíveis, retirados do relatório: Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos (2018), elaborado pelo Observatório da Deficiência e Direitos Humanos [ODDH], apresentados de seguida em gráficos. São também referenciadas, como exemplos, salas de aula e salas de terapia, entre elas, sala Snoezelen, sala multissensorial e sala TEACCH. 5.1 Ensino Inclusivo “Inclusão, o direito de todas as crianças e alunos ao acesso e participação, de modo pleno e efetivo, aos mesmos contextos educativos.” (Decreto-Lei n.º 54/2018 de 6 de julho, p.2920) O ensino inclusivo contempla a inclusão de todos os alunos, independentemente do seu grau de escolaridade, situação pessoal e social, ou capacidades intelectuais e cognitivas, no acesso ao ensino regular, bem como aos meios para adquirirem formação com vista à sua inclusão social. Esta inclusão deve ser feita de forma responsável, analisando os casos individualmente e escolhendo a melhor opção tendo em conta o bem-estar do aluno. Os programas de ensino podem ser alterados para ir de encontro às necessidades do indivíduo. Em casos de impossibilidade de inclusão em turmas regulares, por exemplo casos de deficiência profunda, ou com muitas limitações de aprendizagem, o aluno pode ser colocado numa turma de ensino especial, ou numa instituição/escola específica, Rodrigues (n.d.)96. 96 Consultar a transcrição do Manual informativo sobre a Inclusão no anexo 1. 146 “A prática da inclusão vem da década de 80, porém consolidada nos anos 90, segue o modelo social da deficiência, segundo o qual a nossa tarefa consiste em modificar a sociedade (escolas, empresas, programas, serviços, ambientes físicos, etc.) para torná-la capaz de acolher todas as pessoas que apresente alguma diversidade, portanto estamos falando de uma sociedade de direitos para todos.” (Rodrigues, n.d.) 5.2 Escolas Inclusivas “O QUE SÃO CLASSES ESPECIAIS? A Classe Especial é uma sala de aula preferencialmente distribuída na educação infantil e ensino fundamental, organizada de forma a se constituir em ambiente próprio e adequado ao processo ensino/aprendizagem do educando portador de necessidades educacionais especiais. O QUE É ESCOLA INCLUSIVA? Na Escola Inclusiva o processo educativo deve ser entendido como um processo social, onde todas as crianças portadoras de necessidades especiais e de distúrbios de aprendizagem têm o direito à escolarização o mais próximo possível do normal. O alvo a ser alcançado é a integração da criança portadora de deficiência na comunidade. Uma Escola Inclusiva deve ser uma escola líder em relação às demais. Ela se apresenta como a vanguarda do processo educacional. O seu objetivo principal é fazer com que a escola atue através de todos os seus escalões para possibilitar a integração das crianças que dela fazem parte.” (Rodrigues, n.d.) 97 Escolas inclusivas são estabelecimentos de ensino que promovem o ensino ‘inclusivo’ para todos os alunos, ou seja, incluem alunos com deficiência na sociedade. Estas escolas tentam criar espaços de aprendizagem e convívio inclusivo, que sejam para todos, não tendo só soluções para pessoas com limitações físicas, mentais ou cognitivas, ou só para pessoas que não têm essas mesmas limitações. A criação de um espaço inclusivo é um processo em constante adaptação, pois depende dos alunos e das suas necessidades, consoante crescem, (Senjit 2001). Esta adaptação é também feita ao método de ensino que varia consoante as capacidades ou incapacidades dos alunos, que podem necessitar de um ensino mais especializado, ou do auxílio de um terapeuta /professor de NEE na escola a tempo parcial, ou integral. 97 Transcrição do Manual Informativo sobre Inclusão (modelo brasileiro), da autoria da psicóloga, psicopedagoga e pedagoga Marina S. Rodrigues (n.d.) 147 “Inclusive education demands that schools create and provide whatever is necessary to ensure demands that all students have access to meaningful learning. It does not require students to possess any particular set of skills or abilities as a prerequisite to belonging.” (Richard, A., Villa, Ed., Jacqueline, S., 2005, p.3) 98 Nuno Noronha (2016) chama a atenção para uma medida da Fenprof que prevê a redução para 20 alunos por turma desde que estas contemplem alunos com NEE que permaneçam pelo menos 60% do tempo letivoem atividade na turma. Ainda que o número de estudantes com NEE que beneficiaram de apoios terapêuticos no ensino regular, estando nestes apoios enquadradas terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia, entre outras, gráfico 5, a percentagem de tempo recomendada, para permanência em atividade na turma não se observa, gráfico 6. A inexistência de apoios suficientes que auxiliem os professores em ambiente de sala de aula, a falta de salas e equipamentos adequados à atividade, são alguns motivos para que parte destes alunos tenham de se ausentar da escola para frequentar terapias complementares. A presente investigação pretende ajudar na redução desta taxa de ausência da sala de aula, implementando salas de terapia em escolas para que todos os alunos possam ter as mesmas oportunidades junto dos seus pares, permanecendo a maior percentagem de tempo em ambiente escolar. Graf. 5: Evolução do número de estudantes com NEE que beneficiaram de apoios terapêuticos no ensino regular, por ano letivo e tipo de apoio terapêutico, 2014/15-2017/18 (Portugal continental), imagem retirada do relatório ODDH, 2018, fonte DGEEC (2018a). 98 T.L.: “A educação inclusiva exige que as escolas criem e providenciem o que quer que seja necessário para garantir as exigências para que todos os alunos tenham acesso a uma aprendizagem significativa. Não requer que os alunos possuam nenhumas aptidões, ou capacidades particulares, como pré-requisito para pertercerem.” 148 Graf. 6: Percentagem de tempo que estudantes com Currículo Específico Individual (CEI) ou que frequentam uma Unidade Especializada passam com a turma, 2017/18 (Portugal Continental, %), imagem retirada do relatório ODDH, 2018, fonte DGEEC (2018a). Os espaços de ensino devem estar preparados para sofrer alterações consoante as necessidades dos alunos, criando soluções práticas que permitam ao aluno uma deslocação segura e intuitiva. Como soluções para escolas que albergam alunos com deficiência visual Senjit (2001) apresenta a utilização de espaços amplos e sem obstáculos, utilização de cores contrastantes para que possam ser reconhecidas, espaços bem iluminados e cuidado na escolha de materiais a figurar no espaço. Há que ter ainda particular atenção à acústica do espaço, nível de barulho, tempo de reverberação de som (sofre influência dos materiais de revestimento), utilização de materiais que funcionem como absorsores do som, evitando demasiada reflexão do mesmo. Deverá existir especial ponderação na escolha dos materiais para as paredes, pavimento e teto para que o ruído seja reduzido, para que os alunos consigam tirar o maior proveito da aula, mas não inexistente, para que sejam identificados possíveis ‘obstáculos’ para alunos com deficiência visual. Outros aspetos também referidos são a temperatura, a ventilação da sala e sistemas de ‘Wayfinding’99 para que a orientação dos alunos seja clara. Por se tratar de um espaço inclusivo as suas características deverão ser adaptadas tendo em conta todos os alunos, independentemente das suas limitações. 99 Wayfinding, é um conjunto de sinalética, informação e orientações presentes num espaço, para auxiliar a deslocação e orientação das pessoas em segurança, em ambientes complexos, tais como centros urbanos, hospitais, campus universitários. 149 “Inclusive design tries to break down unnecessary barriers and exclusions. In doing so, it will often achieve surprising and superior design solutions that benefit everyone.” (SENJIT, 2001, Building Bulletin 94, p.7)100 5.2.1 Escolas inclusivas – Centro Helen Keller O Centro Hellen Keller [CHK] é uma escola inclusiva situada em Lisboa, Portugal. Foi fundada em 1955 como a primeira escola Portuguesa a incluir alunos cegos. Nos dias de hoje acolhe não só alunos com problemas de visão, mas com uma variedade de condições, que passam por alunos com PEA, PHDA, deficiência profunda, deficiência mental, cognitiva, ou física, multideficiência, NEE, etc. Atualmente é vista como escola de referência em educação inclusiva pelo seu trabalho com alunos com e sem deficiência. Nos espaços em que coabitam, os alunos respeitam as diferentes características uns dos outros ajudando os colegas que tenham mais dificuldade, promovendo uma inclusão que se sente da sala de aula aos recreios e refeitório. Todos são tratados como iguais, todos ajudam com as suas melhores competências e os alunos aprendem desde cedo que a diferença faz parte do ser humano. Esta é a pedagogia promovida pelo CHK e que se vive diariamente nesta escola. Os alunos com deficiência necessitam por vezes de acompanhamento especializado por parte de terapeutas ou professores de apoio. Este acompanhamento pode passar pela inclusão dos professores ou terapeutas no espaço de sala de aula durante o decorrer da mesma, e/ou a deslocação do aluno para a sala de terapia para um trabalho mais especializado, ou para reforçar níveis de concentração. Este apoio especializado não é exclusivo do CHK, mas tem mostrado um decréscimo ao longo dos anos, no número de horas de apoio especializado prestado pelas escolas e Centros de Recursos para a Inclusão (CRI), gráfico 7. 100 T.L.: “O Design Inclusivo tenta deitar abaixo barreiras desnecessárias e situações de exclusão. Ao fazê-lo conseguirá por vezes alcançar soluções de design surpreendentes e superiores que irão beneficiar todos.” 150 Graf. 7: Evolução do número de horas de apoio especializado prestado pelas escolas e Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) aos estudantes com NEE, por ano letivo, 2014/15- 2017/18 (Portugal Continental) A construção de uma escola inclusiva não passa apenas por uma alteração a nível estrutural do edifício promovendo melhores acessibilidades, nem só a introdução de novos equipamentos adaptados às necessidades de alunos com deficiência. A escola inclusiva é muito mais do que isso, é uma escola pensada de raiz para alunos com qualquer tipo de necessidade, é uma alteração estrutural e programática para incluir esses mesmos alunos, promovendo as mesmas oportunidades que os restantes alunos têm. É um trabalho em conjunto com professores, formadores, terapeutas, famílias e alunos, para que as crianças com NEE possam ter as melhores hipóteses de sucesso na vida. Só assim se consegue uma escola que trata de forma igual todos os seus alunos que inclui. A escola CHK será abordada de forma mais aprofundada no capítulo 7- CASOS DE ESTUDOS. 5.3 Espaço – sala de aula “A gestão e a organização da sala de aula são um conjunto de medidas que visam estabelecer formas de lidar com os comportamentos desajustados, prevenir a indisciplina, bem como permitir ao professor repor a disciplina quando ela for quebrada.” (Neto et al., 2014, p. 69) Sendo um espaço partilhado por alunos com diferentes características, o espaço sala de aula deve ser o mais estruturado e simples possível, sem grandes 151 focos de distração e com a possibilidade de controlar elementos exteriores, por exemplo intensidade de luz, ou nível de ruído e diferenças de temperatura que se fazem sentir a determinadas horas. Quanto à organização do espaço, este é de máxima importância para a produtividade dos alunos, pelo que deve uma característica fundamental da sala. Em relação à disposição dos alunos na sala de aula deve promover-se as organizações recomendadas: “em forma de U, em linhas retas ou em grupos de quatro alunos por linha no centro e grupos de dois alunos inclinados por fileiras, na periferia” (Neto et al., 2014, p.70), como representado nas figuras de 9 a 14. No caso de alunos com PHDA a organização em grupos deve ser evitada pois o nível dedistração é superior ao dos colegas o que pode prejudicar a aquisição de conhecimentos. Recomendam ainda os especialistas que os alunos com PEA e PHDA se sentem perto dos professores e ladeados por colegas com bom comportamento, para que o possam utilizar como meio de comparação. Fig. 9 e 10: organização em forma de U, à esquerda sala de aula Centro Helen Keller, fotografia da autora, Lisboa, 2014, à direita esquema de sala, pela autora. 152 Fig. 11 e 12: organização em linhas rectas, (à esquerda) sala de aula Centro Helen Keller, fotografia da autora, Lisboa, 2014; (à direita) esquema de sala, pela autora. Fig. 13: organização em linhas rectas, sala de aula Centro Helen Keller, fotografia da autora, Lisboa, 2014. Fig. 14: organização 4 alunos por linha no centro e grupos de 2 alunos inclinados por fileiras na periferia. 153 Pretende-se então uma sala com poucos elementos de distração, espaço para exibir trabalhos realizados e uma organização clara e concisa que ajude os alunos a manter as suas rotinas diárias em segurança e com a capacidade de melhor aproveitamento no decorrer da aula. 5.4 Espaço – sala de terapia (espaço de intervenção) Os espaços de terapia em escolas inclusivas, à semelhança das salas de aula, devem propor um ambiente seguro, sem distrações e que mantenha o utilizador do espaço interessado na atividade a decorrer. Porém, muitas vezes as escolas não possuem espaços adequadas à realização das terapias necessárias à especificidade de cada aluno. Os espaços atribuídos às atividades terapêuticas são espaços partilhados, em diferentes horários, em salas ou gabinetes adaptados para o efeito, o que causa alguns problemas tais como: iluminação inadequada, falta de arrumação para equipamentos, má organização espacial o que obriga a uma reestruturação da sala de sessão para sessão, contribuindo para a criação de elementos de distração que podem ser prejudiciais para o bom funcionamento da terapia. Em algumas ocasiões os terapeutas utilizam gabinetes médicos para a realização das suas sessões, o que se revela contraproducente pois a maioria dos utilizadores dos referidos espaços reage mal ao ambiente hospitalar, Sofia Costa (formadora Forbrain, 2015). De forma semelhante a terapia em sala de aula, junto dos restantes alunos da turma é dificilmente bem-sucedida, pois os focos de distração são inúmeros. A escola deve providenciar preferencialmente um ou mais espaços próprios para as terapias que oferece no seu programa educativo. As terapias em escolas inclusivas variam de acordo com a escola e com as necessidades dos alunos, mas de forma geral existem apoios às NEE, terapia da fala, terapia ocupacional, psicoterapia, psicomotricidade ou fisioterapia, e em exemplos mais específicos (como por exemplo o CHK) apoio ao Braille, orientação e mobilidade e atividades da vida diária, entre outras. Algumas destas terapias não necessitam de 154 espaços específicos, outras têm características muito próprias, por exemplo salas com método TEACCH muito utilizadas por escolas no trabalho desenvolvido com crianças autistas. O design destes espaços deve ser feito tendo em consideração o objetivo que a sala servirá. Ao estabelecer estes parâmetros, podemos definir quais os elementos mais relevantes para a projetação de tal sala. Exemplo: fisioterapia e psicomotricidade, podem sugerir espaço livre no chão para a realização de trabalho específico (i.e., Floor time, com ou sem a presença de colchões); terapia da fala necessita por norma de uma secretária com cadeiras, espelhos e cartazes ou material de identificação de imagens, que não têm necessariamente de estar fixos à parede, podendo desta forma adaptar-se a espaços já existentes. Outras terapias como, por exemplo, a terapia Snoezelen e a terapia TEACCH necessitam de espaços com características específicas que abordaremos mais à frente na presente investigação. 5.5 Espaço multissensorial A existência de espaços multissensoriais em escolas é rara, mas o seu desenvolvimento bem como a compreensão da importância da estimulação sensorial desde tenra idade tem vindo a aumentar o interesse por parte de profissionais que sugerem terapias que se desenrolam nestes espaços. Trata-se de um espaço seguro, sem iluminação por luz natural, a iluminação é feita através de projeção de imagens, ou equipamentos que emitem luz. É um espaço onde o utilizador e terapeuta funcionam em sintonia, numa abordagem não diretiva e onde a estimulação sensorial é feita em ciclos de relaxamento, estimulação e relaxamento. O terapeuta tem a capacidade de alterar o ambiente, controlar os estímulos e promover o relaxamento do utilizador, devendo adaptar a abordagem às necessidades da pessoa, tendo sempre em conta as preferências da pessoa e como esta reage à introdução de novos estímulos, Sofia Costa - Forbrain (2015). Uma das terapias que utiliza este tipo de espaços é a terapia Snoezelen, podendo ser adaptadas várias terapias ao mesmo espaço, enquanto se estimulam sentidos e aprendem conceitos. A terapia pode ser feita em grupo ou individualmente, 155 mas deve-se ter em consideração as características de cada aluno que neste espaço coabita, evitando conflitos ou comportamentos indesejados. Espaços semelhantes podem ser montados em casa, promovendo um ambiente tranquilo e seguro, onde a criança consegue desenvolver as suas capacidades, sem a pressão de uma sala de aula e o medo de errar à frente dos seus pares. 5.6 ESPAÇO PARA TERAPIAS Existem inúmeras terapias que se realizam em ambiente escola, mas nem todas elas têm a necessidade de espaço específico. Segue uma listagem de algumas aplicadas a indivíduos com PEA, algumas destas podem ser realizadas em casa, salas de aula ou gabinetes. Porém, a ausência de um ambiente apropriado pode ter consequências negativas no decorrer da sessão com o aluno, por exemplo focos de distração, falta de concentração, inabilidade de concluir o exercício pedido, medo do espaço (se este se assemelhar a um gabinete médico), interrupções a meio da sessão, etc. 5.6.1 Análise de terapias de intervenção, importância do espaço de trabalho. Examinámos, no decorrer da investigação, uma série de terapias, geralmente utilizadas com alunos autistas, mas cuja base pode servir também no auxílio da estruturação de salas, para corrigir comportamentos ou até ser aplicadas a alunos que não tenham PEA ou PHDA. Dentro desta listagem existem terapias que necessitam de salas específicas e outras que podem ser realizadas em qualquer espaço, incluindo a sala de aula. A maioria destas pode também ser aplicada por professores, pais ou profissionais na área da educação e saúde. Terapias que necessitam de sala específica: TEACCH – Training and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children – a sala TEACCH é uma sala estruturada onde os espaços 156 estão divididos, com regras claras afixadas em painéis para que os alunos possam seguir as rotinas da terapia. SNOEZELEN – Terapia que funciona através da estimulação sensorial (visão, audição, olfato, paladar, tato, vestibular, propriocetivo), com uma abordagem não diretiva, ou seja, sem obrigar a criança a realizar determinado exercício se esta não estiver disposta a fazê-lo, permite que o utilizador escolha o que quer fazer. O terapeuta deve ter um plano orientador da sessão, mas ser flexível o suficiente para reformular se a pessoa não cooperar. Terapias que não necessitam de espaços específicos: ABA – Applied Behavioral Analysis – apresentada por Skinner (1930) é uma terapia intensa que deve ser trabalhada diariamente. Trabalha o comportamento, aumentando capacidades e corrigindo comportamentos erráticos, através de reforço positivo, análise de dados, e planeamentode transição do espaço terapêutico para a vida ‘real’ em sociedade. Por norma necessita de uma mesa e cadeiras para ensinar determinados comportamentos, aplicar estímulos e reforçar a concentração, apesar de também poder ser aplicada no chão. Na escola – trabalha o estabelecer de conhecimentos e capacidades sociais. DTT – Discrete Trial Teaching – apresentada por Dr. Ivar Lovaas – ensina comportamento em três passos, faz parte do método ABA. Por exemplo: Estímulo Discriminativo (“olha para mim”), Resposta (a criança olha) e Estímulo de reforço positivo (“Muito bem” e aperto de mão). PECS – Picture Exchange Communication System – terapia baseada na troca de cartas para obter aquilo que o indivíduo com PEA, por exemplo, pretende. Os cartões descrevem através de associações, aprendidas pela criança, aquilo que ela pretende. A criança usa a imagem para comunicar, associando-a ao que lhe é pedido. VB – Verbal Behavior – Aplicar ‘etiquetas’ a coisas para iniciar conversas com outras pessoas. PRT – Pivotal Response Treatment – usar a comunicação como algo lúdico, identificando elementos e conseguir reforço positivo. 157 DIR – Development Individual Difference Relationship Model – Floortime (colocar-se ao nível da criança), desenvolvido em 1980 por Dr. Stanley Greenspan e Serena Wieder. O adulto mimica a criança enquanto esta brinca no chão estabelecendo ligação emocional. A terapia é feita no chão ao ritmo da criança e assemelha-se a uma brincadeira. “Many children benefit from receiving multiple therapies provided in the same learning format. The National Research Council recommends that, during the preschool period, children with autism should receive approximately 25 hours of structured intervention per week. Intervention can include time spent in a development program, speech-language therapy, occupational therapy, one-on-one or small group intervention, and parent delivered intervention. (…) for school-age children the therapy provided during the school day and if necessary, there may be provided outside of the school day. The type of services (i.e. Speech and Language Therapy), the duration of the service (i.e. 45 minutes), the frequency of the service (i.e. 3 days/week), as well as the location (in school) will be provided as part of your child’s Individual Education Program.” (Autism Speaks, n.d.) 101 5.6.2 Outros exemplos de espaços de terapias AMERICAN THERAPY HOUSE / SEM BARREIRAS (ROMPA) Dos vários exemplos de salas, executadas por especialistas que promovem a utilização de soluções diferenciadas e inclusivas, selecionámos dois espaços terapêuticos que passamos a apresentar, American Therapy House e Sem Barreiras. Metodologia: Observação, entrevistas e registo fotográfico do espaço da American Therapy House e realização de entrevistas e questionários à empresa Sem Barreiras (representante Portuguesa da Rompa, empresa detentora do registo da patente dos 101 “Muitas crianças beneficiam por receber múltiplas terapias no mesmo formato de aprendizagem. O National Research Council recomenda que, durante o período pré-escolar a criança com autismo receba aproximadamente 25h de intervenção estruturada por semana. Intervenção pode incluir tempo num programa de desenvolvimento, terapia da fala, terapia ocupacional, terapia interventiva individual ou em grupos pequenos, e intervenção com os pais. (…) Para crianças em idade escolar a terapia é dada durante o dia na escola e se necessário pode ser dada também fora da escola. O tipo de serviços (i.e. terapia da fala), a duração do serviço (i.e. 45 min), a frequência do serviço (i.e. 3 dias/semana), bem como a localização (na escola) deverão ser providenciados como parte do Programa Individual Educacional para crianças.” 158 materiais Snoezelen, que executam também projetos de salas Snoezelen), acerca de materiais utilizados na construção e elaboração de salas Snoezelen. OBSERVAÇÃO Observação e recolha fotográfica realizada em março de 2016. AMERICAN THERAPY HOUSE Trata-se de um espaço de terapia intensiva que promove a reabilitação de pessoas com lesões, dores crónicas, deficiências nas áreas cognitiva, motora, fala, através de avaliação, diagnóstico e tratamento, contando com especialistas nas áreas da fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. O terapeuta trata todo o corpo do paciente, promovendo resultados positivos muito mais rapidamente que outras terapias do género em espaços semelhantes, devido à sua intensidade e duração. Grupo de foco: Pessoas com distúrbios neurológicos, como paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento, lesões traumáticas cerebrais, autismo e outras condições que afetam o desenvolvimento motor e/ou as funções cognitivas. Seleção de faixa etária: Utilizadores dos 0 aos 100. INFORMAÇÃO SOBRE ESPAÇOS DE TERAPIA Análise do espaço – salas de terapia Registo fotográfico dos espaços para terapia e dos seus equipamentos. Entrevista exploratória à terapeuta ocupacional Iara Rolim de Paula, que exerce funções no mesmo espaço. Descrição e registo fotográfico Espaços com paredes e tetos pintados de branco, pavimento em azulejo com aplicação parcial de tapetes em relva, ou linóleo em locais de trabalho no chão, 159 diferem consoante a terapia que aí é trabalhada: Pediasuit102, que estimula o trabalho com todo o corpo, a pessoa trabalha dentro da Ability Exercise Unity (gaiola) monkey e spider103, psicomotricidade, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, etc. Fig. 15: Ability Exercise Unity (gaiola) monkey e Fig. 16: Espaço para fisioterapia e terapia da fala spider. Imagem da autora, 2016, Lisboa, Portugal. Imagem da autora, 2016, Lisboa, Portugal. Fig. 17 e 18 Espaço para fisioterapia e psicomotricidade. Imagem da autora, 2016, Lisboa, Portugal. 102 Pediasuit – “é uma roupa criada nos anos 70 por cientistas russos para uso por astronautas, dado que estes profissionais apresentavam dificuldades motoras, perda de movimentos, massa muscular e estrutura óssea debilitada após a realização de missões espaciais. O Suit consiste em colete, touca, calções, joelheiras, calçado e um sistema de elásticos ajustáveis, que desempenha um papel crucial na regulação do tónus muscular e na função sensorial vestibular.” (consultado a 20.02.2017 in: http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit) 103 Ability Exercise Unity (gaiola) monkey e spider – “é usada para treinar a criança, possibilitando o aumento da capacidade de isolar os movimentos desejados e fortalecer os grupos musculares responsáveis por esse movimento, além de criar inúmeras possibilidades de exercícios e o uso de diversos materiais que potenciam o tratamento” (consultado a 20.02.2017 in: http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit) http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit http://www.rarissimas.pt/pt/conteudo/protocolo-pediasuit 160 Fig. 19 Arrumação de equipamentos para usar na gaiola. Imagem da autora, 2016, Lisboa, Portugal. RELAÇÃO DE MATERIAIS PRESENTES NA SALA MATERIAIS PRESENTES NA SALA – AMERICAN THERAPY HOUSE MATERIAIS PRESENTES NA SALA - AMERICAN THERAPY HOUSE Local de aplicação A lv en ar ia P la d u r R es so ad o re s d e ca vi d ad e P ar q u et A zu le jo Li n ó le o Te ci d o / al ca ti fa C o lc h õ e s To m ad as Lâ m p ad a fl u o re sc en te Lâ m p ad a le d Paredes Sim Sim Não ___ Não Não Não Sim Sim Não Não Teto Sim Sim Sim ___ Não Não Não ___ Não Não Sim Pavimento Não Não ____ Não Não Sim Sim Sim Não Não Não Janelas ____ ___ ____ ___ ___ ___ ______ ___ ____ ___ Tabela 3 sala terapia - American Therapy House 161 SEM BARREIRAS (ROMPA) Observação e entrevista Após extensa pesquisa sobre as salas de terapia Snoezelen existentes, tivemos a oportunidade de entrevistar um dos responsáveis pela marca Rompa em Portugal, Sr. Guido van Vroenhoven, sendo a sua empresa reconhecida em Portugal pelo nome ‘Sem Barreiras’. Esta empresa vende equipamentos e produtos da marca Rompa, marca de excelência no que diz respeito a material multisensorial para terapia Snoezelen. A empresa ‘Sem Barreiras’ também idealiza, projeta e desenvolve salas para terapia Snoezelen, sendo reconhecidos nacional e internacionalmente pelo seu trabalho. Por esse motivo foram recolhidos dados relativos aos materiais mais adequados para incluir numa sala de terapia, dados apresentados na tabela 4: MATERIAIS RECOMENDADOS Local de aplicação A lv en ar ia P la d u r R es so ad o re s d e ca vi d ad e P ar q u et A zu le jo Li n ó le o Te ci d o / al ca ti fa C o lc h õ e s To m ad as Lâ m p ad a fl u o re sc en te lâ m p ad a le d Paredes Sim Sim Sim ___ Não Não Não Sim Sim Não Sim Teto Sim Sim Sim ___ Não Não Não ___ Sim Não Sim Pavimento Não Não ___ Sim Não Sim Sim Sim Não Não Sim Janelas Não Sim ___ ___ ___ ___ Sim ___ ___ ____ ___ Tabela 4 Recomendado por especialista ROMPA – SALAS SNOEZELEN Alguns materiais ou opções podem parecer estranhas como nos exemplos apresentados de seguida, onde vemos incluir tecidos no teto e paredes, ou forrar o chão e paredes com colchões, porém estas variadíssimas salas multissensoriais têm o 162 propósito de criar ambientes onde o utilizador consiga relaxar, trabalhar com estímulos os diferentes sentidos e também promover uma sensação de confiança e segurança. EXEMPLOS DE SALAS INTERNACIONAIS Algumas das seguintes fotografias ilustram as diferentes utilizações desses mesmos materiais, criando salas de terapia e relaxamento, com diferentes estímulos sensoriais. Fig. 20 Utilização de alcatifa a forrar o chão, bem como o tapete via láctea (com fibras óticas embutidas no interior, a sua aplicação recomenda-se nas paredes ou no teto, para que as pessoas em cadeiras de rodas não as danifiquem). A sua colocação no chão pode auxiliar quando o terapeuta está a trabalhar no chão com o paciente. Os colchões cortinas e tecidos no teto promovem um ambiente calmo e seguro. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. http://www.isna.de/en 163 Fig. 21 Para além dos tecidos onde são projetadas as imagens, são também colocadas almofadas no chão, perto das fibras óticas. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. Fig. 22 Diferentes cores aplicadas na sala ou em elementos como tecidos, por exemplo, criam novos ambientes e dinâmicas distintas na mesma sala. A iluminação tem também um papel fundamental na forma como a cor é revelada ao participante no decorrer da sessão. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. http://www.isna.de/en 164 Fig. 23 A opção de um pavimento flutuante torna a sessão muito agradável, uma vez que o participante está descalço (ou de meias), permitindo que o mesmo sinta a vibração da música que está a tocar durante a sessão, sem o desconforto de um pavimento demasiado frio. Outros elementos existentes no espaço são colchões, almofadas, tecidos variados e com diferentes texturas, fibras óticas; tudo para criar sensações diferentes aos utilizadores. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. Fig. 24 As superfícies espelhadas auxiliam também na propagação da luz e cor, e tornam-se fundamentais em terapias tais como a terapia da fala, onde muitos exercícios são feitos em frente a um espelho. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. http://www.isna.de/en http://www.isna.de/en 165 Fig. 25 Baloiços, cadeiras de repouso, puffs, almofadas, sofás vibratórios, são só alguns dos elementos que podemos encontrar numa sala Snoezelen. Imagem da autoria de http://www.isna.de/en, consultado em 3.07.2015. As opções tomadas recaem muitas vezes no grupo de foco que irá utilizar a sala, a que faixa etária pertence, quais as suas limitações, deficiências ou dificuldades; ou no trabalho que o terapeuta ou a pessoa que está a comandar a sessão na sala pretende realizar de forma a melhor otimizar a mesma. Os espaços destinados à Terapia Snoezelen não pretendem estimular todos os sentidos ao mesmo tempo, mas criar ambientes adaptados às necessidades de cada utilizador. Estimular um ou dois sentidos, permitindo um relaxamento, ou ativação de diferentes áreas de perceção do utilizador. Promovendo acima de tudo o bem-estar e sensações de conforto e segurança. Estes espaços são adaptados e adaptáveis a utilizadores de qualquer idade, desde a infância até à velhice. 5.7 Salas com método TEACCH – em escolas Muitas salas partilham dos mesmos materiais ou espaços, sendo adaptados os equipamentos necessários para o decorrer da sessão, no entanto, existem também algumas salas com características específicas, como por exemplo as que utilizam o método TEACCH, para alunos com perturbação do espectro do autismo. Estas são http://www.isna.de/en 166 espaços estruturados com diferentes áreas bem divididas que criam rotina e ordem, fatores muito importantes para a pessoa com autismo. Este método foi apresentado nos anos 60, na Universidade da Carolina do Norte, por Eric Schopler e a sua equipa, com o intuito de desenvolver técnicas comportamentais e métodos de educação especial, que auxiliassem na educação de crianças autistas, promovendo a aquisição de autonomia para a criança autista através de ambientes estruturados, reduzindo os níveis de ansiedade. O autismo compreende dificuldades em três áreas específicas: relacionamento e interação social; comportamento inadequado, repetitivo e obsessivo; e dificuldade no desenvolvimento da linguagem Os estudos de Schopler demonstram que estes comportamentos poderiam melhorar através de intervenção. Mostram também que a aprendizagem pela criança autista é mais célere se os estímulos forem visuais em vez de estímulos auditivos e que um ambiente estruturado promove melhor comportamento, em comparação com ambientes mais livres (Lima, 2012, apud https://incluiragir.wordpress.com/porque- visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/). Este método foi introduzido em Portugal em 1996 em escolas do ensino regular e jardins-de-infância, tendo-se revelado muito eficaz, (DGIDC - Direção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, 2008, apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/).104 As salas seguindo o método TEACCH devem ser construídas dentro da escola, recomendam-se escolas de ensino regular, para que o aluno possa estar integrado numa turma regular, ausentando-se apenas por curtos períodos ao longo do dia, para ali realizar atividades específicas. Ensino estruturado O ensino estruturado divide-se habitualmente em quatro componentes: Estruturação Física, Informação visual, Plano de trabalho, Pistas facilitadoras de desempenho. 104 Consultado a 2.5.2017 in: https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ 167A Estruturação física diz respeito ao espaço físico que pode ter diferentes organizações consoante as crianças e a faixa etária que está a ser trabalhada, mas por norma se divide em sete espaços distintos: Aprender, Trabalhar, Brincar, Computador, Trabalhos de grupo, Reunião e Área transitória. Em cada uma destas áreas a criança desenvolve trabalho diferente adquirindo competências para ‘funcionar autonomamente’ na sociedade. Todos estes espaços estão dotados de regras e imagens/quadros/listas, expostos para que a criança saiba o que fazer e possa seguir um determinado horário, ou rotina, algo que resulta muito bem com autistas (rotinas no dia-a-dia). O espaço de trabalhos de grupo, por exemplo, desenvolve a relação e interação social com o próximo, em todos os espaços é trabalhada a comunicação e a componente comportamental. A Informação visual diz respeito à informação relativa ao espaço e ao aluno que neste se encontra, com as direcções a seguir em relação a uma determinada actividade e os horários em que esta deve ser feita. O Plano de trabalho, tal como o nome indica trata-se de uma lista de tarefas presente em cada área, para que o aluno possa seguir uma ordem ao executar a atividade proposta. As Pistas facilitadoras do desempenho, adaptadas à condição e à faixa etária de cada criança, auxiliam a seguir instruções e perceber aquilo que se pretende em cada espaço. Exemplos de espaços TEACCH Fig. 26 E Fig. 27 Aprender / Trabalhar, imagem de Carla Gikovate consultado a 2.05.2017 in: http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ 168 Fig. 28 Brincar, imagem de Carla Gikovate consultado a 2.05.2017 in: http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ Fig. 29 Computador, imagem de Carla Gikovate consultado a 2.05.2017 in: http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ 169 Fig. 30 Fig. 31 Trabalhos de grupo / Reunião, imagem de Carla Gikovate consultado a 2.05.2017 in: http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ Fig. 32 Área transitória, imagem de Carla Gikovate consultado a 2.05.2017 in: http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm apud https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ Estas salas não se destinam só a alunos com PEA, qualquer aluno as pode utilizar, tendo apenas atenção para não execeder o número de 6 alunos ao mesmo tempo no mesmo espaço, para evitar demasiado barulho ou focos de distração. Assim como em outras salas de terapia, também as salas com método TEACCH devem http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ http://www.carlagikovate.com.br/index_arquivos/Page790.htm https://incluiragir.wordpress.com/porque-visitar-nos/o-que-e-o-modelo-teach/ 170 promover um espaço seguro e adaptado às necessidades de todos os alunos que neste realizem atividades de qualquer natureza. O ensino e as escolas inclusivas / escolas de referência, como os exemplos apresentados neste capítulo, pretendem a inclusão de todos os alunos em turmas regulares, sempre que possível, promovendo a diversidade física, mental, social e cultural com o intuito de uma reeducação da sociedade e aceitação das diferenças. O Centro Helen Keller destaca-se como escola de referência no domínio da visão, tendo, no entanto, hoje em dia, uma vasto número de alunos com outras patologias não ligadas ao sentido da visão, mas que encontram nesta escola uma inclusão na sociedade. Foram feitas breves descrições do espaço sala de aula, sala de terapia (espaço de intervenção), espaço multissensorial, bem como dos espaços para terapias Snoezelen e TEACCH. Foram apresentados exemplos de observação, com registo fotográfico a salas de terapia: American Therapy House e Sem Barreiras, e ainda a relação de materiais presentes na sala. Por fim foi explorado o espaço de ensino estruturado, sala TEACCH, em que consiste, as suas características e a quem se destina, apresentando registos fotográficos da APPDA como exemplo. 171 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amorim, A. (2007), Formas geométricas e qualidade acústica de salas de aula: estudo de caso em Campinas, SP. 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Propõe ainda algumas escolhas de esquemas cromáticos já analisados e apresentados por autores como Durão (2002), Durão (2011), Meerwein, Rodeck, Mahnke (2007), Miller (1997), Mahnke (1996), e também Mahnke & Mahnke (1993) para espaços idênticos. Investiga também a importância da cor em conjunto com os sentidos, fazendo referência à sinestesia, cor em terapia, cor no espaço terapêutico, relação da cor com terapeutas e utilizadores do espaço e ainda ensino da cor. Para esta análise foram entrevistados terapeutas e especialistas em áreas tão distintas quanto: 2 terapeutas da fala, 2 terapeuta ocupacional, 1 musicoterapeuta, 1 psicomotricista, 1 cromoterapeuta, 2 psicólogos clínicos, 1 diretor de enfermagem na área da saúde mental e psiquiatria e 3 professores do ensino especial. Todos os técnicos entrevistados têm experiência de trabalho com o grupo de foco da presente investigação: cegueira, neurodiversidade e necessidades educativas especiais. Foram também consultados três especialistas na área de construção de espaços de terapia Snoezelen: da Forbrain Snoezelen Room – Francisco Alvernaz, da Sem Barreiras – Guido Van Vroenhoven (responsáveis pela empresa Rompa em Portugal) e um dos fundadores da terapia Snoezelen - Ad Verheul. 6.1 Cor no espaço “Colors are fundamental elements of our visual perception and environment experience; they are the substance of how we experience the environment. We encounter and are surrounded by color whenever we open our eyes. It accompanies us in diverse visual ways and is always connected with and influenced by light in the natural or human-design environment.” (Mahnke et al, 2007, p.16) 105 As cores permitem a comunicação entre humanos e espaços circundantes, podendo também modificar a perceção da forma arquitetónica dos mesmos, tais como a alteração aparente de dimensões de volume e altura, bem como das noções de 105 T.L.: “As cores são elementos fundamentais da nossa perceção visual e experiência com a envolvente; elas sãoa substância de como experienciamos o meio ambiente. Nós encontramos e estamos cercados de cor sempre que abrimos os nossos olhos. Esta acompanha-nos de diversas formas visuais e está sempre conectada e influenciada pela luz no ambiente natural ou de design humano.” 178 profundidade e distância a que nos encontramos dos limites físicos destes espaços, ou objetos neles presentes. (Durão, 2002) Mais ainda, a cor e a luz afetam as funções corporais, produzindo alterações a nível físico e emocional, mesmo que não o façamos de forma consciente (Mahnke et al, 2007). A nossa perceção e ‘interação’ com a cor é algo individual, não havendo reações iguais por dois indivíduos: estas respostas à cor têm influências na nossa educação, nas nossas experiências passadas, sociais e culturais, e também no ambiente em que nos encontramos. Desta forma, acrescentam Mahnke et al, 2007, “Por esta razão, não é possível generalizar a experiência da cor, o efeito da cor, ou a resposta humana à cor.”106 (Mahnke et al, 2007, p.19) Fig. 33: Representação do espectro eletromagnético. Fonte: Tilley, 2011, p.2 Para um melhor resultado na aplicação de cores num interior devemos ter em consideração a luz, mas também as superfícies e texturas dos materiais em que a mesma irá refletir. Segundo Durão: “A perceção da cor varia consoante o contexto em que se encontra e não é sujeita a nenhuma regra universal, pois ela é dinâmica, isto é, constantemente modificada pelas outras cores, pelas caracsterísticas das superfícies, pela tipologia da luz e pela distância.” (Durão, 2011, p.36) Deste modo e para criar ambientes mais confortáveis ao utilizador, propomos uma tabela de percentagens de refletância de superfície, para vários locais com características diferentes. REFLETÂNCIA DE SUPERFÍCIE RECOMENDADA ALCANCE DE PERCENTAGEM ÁREA SUPERFÍCIE DE REFLETÂNCIA Geral Tetos 70-90 Paredes 40-60 Pavimentos 0-50 Escritórios Tetos 80-90 Divisórias 40-70 Paredes 50-70 Mobiliário 25-45 Equipamento escritório 25-45 Pavimentos 20-40 106 T.L. de: “For this reason, it is not possible to generalize color experience, color effect, or the human response to color.” 179 Escolas Tetos 70-90 Paredes 40-60 Quadro de giz até 20 Pavimentos 30-50 Tabela 5: Adaptado de Miller (1997), p.123, apud Fonte: IESNA, Handbook, 8th ed. 1993. “A orientação e o alinhamento de estruturas permitem articular a incidência da luz e as zonas de sombra resultantes; a superfície reflete a luz consoante as suas características de configuração e dimensão; a textura e a tipologia de pigmentação dependem das vistas e da relativa distância a que o observador se encontra do objeto. Ao contrário das superfícies lisas, as superfícies texturadas refletem a luz difusamente, segundo a distância e a escala, pelo que a cor da superfície varia de acordo com o efeito atmosférico resultante da distância e de misturas óticas, em que se incluem as sombras.” (Durão, 2011, 36) Também a iluminação tem a capacidade de alterar a perceção que temos de determinada cor. A luz branca varia consoante a temperatura das lâmpadas, criando diferentes envolvências no espaço (Mahnke, 1997): Branco Frio (luz natural) – 5400-6500 Kelvin Branco Neutro – (aprox.) 4000 Kelvin Branco Quente – 2700-3000 Kelvin As lâmpadas de uso mais comum são tungsténio incandescente, tungsténio halogénio, e fluorescentes (Miller, 1997), a estas acrescentam-se também as lâmpadas LED. Tungsténio incandescente – temperatura de 3000K ou menos, produzem uma luz branca quente (enfatizando os laranjas e os vermelhos). Muito utilizada em habitações, restaurantes e locais que pretendam uma atmosfera intimista. Tungsténio halogénio – temperatura acima de 3000K, produzem uma luz branca mais aproximada da luz natural. Muito utilizadas em lojas pois intensifica a cor e o brilho dos seus produtos. Fluorescente – Apesar de já existirem no mercado as duas variantes de luz fluorescente (branco quente e branco frio), com temperaturas entre os 3000K e os 6300K a sua capacidade de renderização da cor varia muito consoante o fabricante. Têm alta eficiência e baixo consumo de energia. 180 LED – Existem com várias temperaturas de cor, nas variantes: branco quente, branco neutro e branco frio. Têm alta eficiência e baixíssimo consumo de energia. Aconselháveis para qualquer ambiente. O seu custo pode ser superior ao das outras lâmpadas apresentadas, mas o seu tempo de duração é muito superior. Alertamos também para a cintilação (flickering), característica que as lâmpadas podem ter, que pode causar mal-estar a utilizadores do espaço que permeneçam neste por longos períodos de tempo. Dando preferência para lâmpadas que tenham pouca percentagem de flickering. Nas salas Snoezelen visitadas a iluminação recai sobre a utilização de luz LED, com uma temperatura de cor entre 2700 e 3000, utilizando Branco Quente para criar um ambiente acolhedor, confortável e ‘seguro’. É importante referir que esta luz, e a luz natural, não são utilizadas no decorrer da sessão, sendo substituídas pela luz colorida, dos vários equipamentos presentes na sala. A luz colorida, muito utilizada na terapia Snoezelen, transforma a perceção das cores circundantes. Também o tom de pele dos participantes é alterado com a utilização da luz colorida, devendo o paciente ser avaliado com luz natural antes de entrar no espaço de terapia. A cor é apreendida por cada indivíduo de forma única. Ao produzir um espaço, podemos propor uma seleção de cores que melhor se adaptem à funcionalidade do mesmo, mas devemos ter sempre em conta para quem o espaço se destina (pacientes e terapeutas) e qual a sua preferência, em termos de cor, para um espaço de trabalho. Mahnke et al (2007), apresentam uma tabela exemplificativa de reações às diferentes cores, consoante estas eram utilizadas no teto, parede ou pavimento. No decorrer da investigação, tivemos a tabela em consideração, como exemplo. No entanto cabe a quem projeta o espaço terapêutico analisar para quem se destina, percebendo que cores podem ser utilizadas. No capítulo 8 (proposta de Guidelines) são apresentadas algumas cores com referências Pantone, a título exemplificativo, do que seria adequado para os espaços projetados propostos. 181 Fig. 34: Tabela representativa das sensações provocadas por efeito da aplicação da cor no espaço arquitetónico (pavimento, paredes e teto), após anos de experimentação da sua aplicação, retirada de Mahnke et al, 2007, p. 69. Podem também ser observadas outras