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COMO A ARTE E A ARQUITETURA PODEM INFLUÊNCIAR A SAÚDE NA TERCEIRA IDADE LETÍCIA CONSTANTI SIMMER Prof.Me: Nancy de Melo Batista Pereira Resumo A pesquisa apresenta fatos de que a arte tem influencia direta na melhora dos idosos através de atividades artísticas, além de ser uma ferramenta fundamental para amenizar os efeitos negativos da saúde mental, sendo um instrumento extremamente útil para o bem-estar no campo afetivo, interpessoal e de equilíbrio emocional. O artigo também dedica-se a apresentação de analises da arquitetura geriátrica e o quanto pode influenciar na saúde dos idosos. Palavras-chave: idosos, arteterapia, bem-estar, arquitetura, saúde. Abstract The research presents facts that art has a direct influence on the improvement of the elderly through artistic activities, besides being a fundamental tool to mitigate the negative effects of mental health, being an extremely useful instrument for the well-being in the affective, interpersonal field and emotional balance. The article is also dedicated to the presentation of analyzes of geriatric architecture and how it can influence the health of the elderly. Keywords: elderly, art therapy, well-being, architecture, health. Introdução O tema proposto tem por objetivo refletir sobre o benefício causado pela arteterapia à Terceira Idade, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Chegou-se a este tema através de observações feitas no circulo familiar acerca da desvalorização destes idosos e da falta de atividades propostas a eles, que cada vez mais são esquecidos pela sociedade e pelo governo. O objetivo da pesquisa é apresentar fatos de que a arte tem influê/.ncia direta na melhora dos idosos através de atividades artísticas, além de ser uma ferramenta fundamental para amenizar os efeitos negativos da saúde mental, sendo um instrumento extremamente útil para o bem-estar no campo afetivo, interpessoal e de equilíbrio emocional. Mais a frente temos a união entre a arteterapia, os idosos e o espaço da arte para observarmos quais são os benefícios desse conjunto além dos problemas que podemos ter com a análise do espaço das artes. 1. Como os idosos estão hoje? O que achamos que a velhice significa? Apenas ter cabelo brancos e a falta de ativez de antes? Podemos definir a velhice como um conjunto das condições biológica, social, econômica, cognitiva, funcional e cronológica. Dizemos que alguém está ficando velho quando começam a aparecer os primeiros sintomas de falhas no corpo, como problema de memorização, orientação e concentração. O que faz com que o idoso seja considerado idoso é não ser mais produtivo para a sociedade, para a economia e para o lazer. Sendo assim, vemos que o que o Brasil e outros países em desenvolvimento, têm mostrado interesse pela qualidade de vida na velhice. Mas, apesar desse interesse, a população idosa deve crescer juntamente com os cuidados médicos, que não são poucos, em longa duração e com elevado custo. Há também uma grande preocupação em torno da solidão e depressão dentre a população idosa, sendo ocasionada por vários motivos. Estima-se que 14 milhões de brasileiros vivem a velhice sob condições desfavoráveis. A velhice é uma fase de impedimentos e constrangimentos. Vivemos em uma sociedade que nos exige uma compreensão cada vez maior sobre o envelhecer, principalmente quando se convive com uma constante valorização do novo e do belo. Há também a dificuldade de os indivíduos de “idade normal” se imaginarem velhos e tratarem os velhos, seja com respeito, seja com empatia, o que complica a sintonia entre a compreensão do envelhecer e do morrer, quando seu físico conserva, ainda, o vigor da juventude. Sendo assim, a OMS adotou o termo “envelhecimento ativo”, que expressa o processo de conquista dessa visão, como busca de uma melhor qualidade de vida. Desse modo, foram criados três pilares do envelhecimento ativo, que são a saúde, segurança e participação, assegurando ao idoso a possibilidade de envelhecer com baixos riscos de adoecimento, participação ativa e segurança do indivíduo. É visto que, segundo a lei n° 10.741, que estabelece o Estatuto do Idoso, no art° 3 é obrigação da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, entre outros. Com as doenças degenerativas, como doença de Parkinson, Alzheimer, câncer, e a depressão, o caminho do idoso a tão sonhada ativez se torna um pouco mais difícil. Apesar de algumas doenças não terem cura há métodos que auxiliam na melhora dos pacientes, não só com medicamentos, como: Saúde Segurança Participação Envelhecimento ativo - Arteterapia: processo terapêutico que se utiliza da arte e dos mais diversos recursos expressivos na promoção do bem estar, pode ser oferecida a quaisquer pessoas, pois os alunos se expressarem livremente. A arteterapia auxilia na reorganização interna do indivíduo, funcionando como uma terapia regeneradora; - Musicoterapia: usa música para atender as necessidades físicas, emocionais, cognitivas, sociais e espirituais dos indivíduos de todas as idades. A musicoterapia melhora a qualidade de vida, a memória, a comunicação, a socialização, alivia dores e expressando sentimentos; - Pilates: O método detém de muitos acessórios e exercícios que podem ser feitos com o objetivo de melhorar o equilíbrio dos idosos, perdido com o tempo. Os exercícios que trabalham o equilíbrio dos idosos dentro do Pilates ajudam na prevenção de quedas, fazendo com que haja uma melhor resposta do sistema musculoesquelético às variações de postura. Além de promover ganhos psicosociais, melhorando a auto estima do idoso, já que muitas vezes ele é surpreendido por um exercício que acha que não seria capaz de fazer e o faz com êxito. - Hidroginástica: A hidroginástica para idosos é uma excelente opção para quem quer envelhecer com saúde. Entre os benefícios da prática, estão condicionamento cardiovascular, cardiorrespiratório e muscular, obtidos por meio de exercícios de flexibilidade, relaxamento, coordenação motora e pressão hidrostática. A hidroginástica ajuda a enrijecer os músculos, aumentando a força muscular; trabalha o equilíbrio corporal; ajuda a manter a densidade mineral óssea; previne a osteoporose; controla a pressão arterial; desintoxica as vias respiratórias; tem alto gasto calórico; melhora a autoestima e diminui a ansiedade. É compreendido que os idosos possuem mais chances de desenvolverem quadros degenerativos e de demências, sendo importante que eles possuam a melhor qualidade de vida possível com a ajuda especializada. Há métodos bem mais simples que ajudam na memória e no corpo, como fazer palavras cruzadas, jogar baralho com os amigos e a família, fazer caminhada, trilhas e andar de bicicleta. 2. O que é arteterapia? A arte foi criada como forma de expressão e de transformação dos seres, fazendo com que os que conseguiam reproduzir algo fossem chamados de criativos, fortes e de natureza livre. No século 5 a.C., há registros que indicam que desde a época da Grécia se utilizava a Arte como tratamento e cura. É averiguado pelo autor que os gregos confiavam na área artística, especificamente na música, poesia, teatro e escultura, sendo vistas como verdadeiros remédios para a alma, tanto do artista quanto do espectador (VASQUES, 2009, p.27). No Brasil, por volta de 1920, vestígios da Arteterapia surgiram com o médico Osório César (João Pessoa, 1895 – 1979) que desenvolveu importantes estudos sobre o trabalho artístico dos internos do Hospital Psiquiátrico do Juquery, em São Paulo, o qual realizou inúmeras exposições, destacando-se como pioneiro na análise de sua expressão psicopatológica. Paralelamente,a psiquiatra Dra. Nise da Silveira (Maceió, 1905 – 1999) desenvolvia outro tipo de trabalho no Brasil. Ela não gostava de tratar seus pacientes como “doentes mentais” ou com tratamentos como choques elétricos. Assim, na década de 1940, Nise inaugura o Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, utilizando a arte como instrumento facilitador da comunicação entre terapeuta e paciente. Por meio desse trabalho, é visto que a Drª. Nise introduziu a psicologia junguiana no Brasil (VASQUES, 2009, p.28). Em meados de 1985, após a reconquista da liberdade de expressão e criação, observou-se o desenvolvimento das chamadas “Terapias Expressivas”, em seguida surgindo a Arteterapia. Os primeiros núcleos de trabalho no Brasil se concentravam no Rio de Janeiro e São Paulo, depois em Goiás e Minas Gerais, logo após do Norte ao Sul do país, onde se obteve uma ampla concentração dessa prática terapêutica. Em 1999, foi criada a primeira Associação de Arteterapeutas no Brasil, no Rio de Janeiro, onde atualmente existe a União Brasileira de Arteterapia, a qual engloba profissionais de vários estados brasileiros (VASQUES, 2009, p.28). A arteterapia não tem como objetivo o lado estético, mas sim o resultado do trabalho, e já não se preocupa com o lado estético, pois isso aboliria o desenvolvimento criativo. Ela tem como objetivo a expressão do indivíduo, e não a obra em si. Assim, as atividades de arteterapia cobrem um amplo espectro da experiência humana, como experiências perceptuais, motoras, simbólicas e afetivas. Dessa forma ela pode ser aplicada aos mais diversos problemas que afligem o ser humano e em todas as faixas etárias. Portanto, é de grande relevância para a assistência em Saúde Coletiva, especialmente na Saúde Mental. Logo, a Arteterapia é vista como um caminho de possibilidades e uma forma de descobrir meios de expressões, que podem figurar e reconfigurar as suas dificuldades de relacionamento com o outro e o mundo, através de técnicas e materiais artísticos. A arte, junto ao processo terapêutico, proporciona inúmeras possibilidades, transformando a arteterapia em uma técnica especial. Assim, através da expressão artística o indivíduo consegue colocar seu verdadeiro “eu” de forma mais pura e direta que possa existir. A arte tem finalidade criativa e a energia psíquica consegue transformar-se em imagens e através dos símbolos, colocar seus conteúdos mais internos e profundos. 3. Arquitetura geriátrica Envelhecer é novo na nossa cultura, com isso ainda existem questões que deveriam ser revisadas em relação à terceira idade, como idade de aposentadoria, idade produtiva, entre outros aspectos. Com o envelhecimento, os mecanismos adaptativos se tornam menos eficientes, e, assim, há necessidade de mais cuidados e adaptações. Na figura a seguir temos o novo conceito utilizado pelo publicitário Max Petrucci (2014) ao criar uma nova sinalização de assento ou vaga preferencial para a terceira idade, onde buscou uma representação da atual imagem do idoso. O intuito do profissional foi mobilizar uma campanha, buscando apoio popular, do governo e de empresários para a mudança do símbolo antigo, que apresenta de forma inadequada a atual imagem do idoso (JORNAL HOJE, 2014). Espaços projetados para idosos podem ter mudanças tanto objetivas, relacionadas à adaptações concretas nos ambientes e que proporcionam maior segurança e autonomia; quanto mudanças subjetivas, ligadas à estética e afeto, originando sensação de alegria e bem-estar ao usuário. Porém, ambientes que são adaptados podem causar resistência para a aceitação do idoso, por isso os espaços devem ser bem planejados pelos arquitetos, unindo a forma e a função, proporcionando ambientes com conforto, segurança, estética e acessibilidade (KAUFMAN, 2012). Assim, a Norma Brasileira NBR 9050 que trata da acessibilidade, estabelece critérios e parâmetros técnicos que devem ser observados na elaboração de projetos e nas adaptações das edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos (ABNT). Outro condicionante legal é a RDC 50, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que dispõe sobre o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde (ANVISA). A ergonomia é outro aspecto considerado importante na adaptação dos ambientes para idosos, esta tem o objetivo de propiciar a análise e a adaptação do ambiente às necessidades do idoso, contribuindo assim para a segurança, o conforto e a independência. Figura 01. Fonte: Santana (2014) As principais características dos espaços projetados para idosos são: - Características fundamentais: Sistema de controle de viva-voz ou intercomunicadores quando necessária ajuda durante a noite ou em locais onde não houver monitoramento; Interruptores de luz próximos à cama e de fácil acesso em geral; Luz de emergência noturna no corredor, nos banheiros e na cozinha; Piso antiderrapante no banheiro ou áreas molhadas e áreas externas; Maçanetas do tipo alavanca; Quinas arredondadas nos móveis, bancadas e passagens; Evitar vidros e materiais cortantes nos mobiliários; Cuidado com as instalações em geral, sem deixar fios soltos; Portas com 80 cm ou mais; Ambientes bem iluminados; Utilizar, prioritariamente, rampas sempre que houver desnível. - Mobiliário em dormitórios: Camas com altura ajustável, para facilitar a transição entre a cadeira de rodas e o lugar de dormir; Acessórios: abajur fixo na mesa ou na parede, relógio digital com números grandes, controle remoto de TV na mesa de cabeceira, telefone com número de auxílio; Armários devem ter portas leves, gavetas com trava de segurança quando deslizantes e puxadores do tipo alça; Janelas com sistema de abertura para dentro ou de correr. - Salas de estar, entretenimento e refeitórios: Paredes internas com cores claras; Uso de cores e texturas diferentes para estimular o idoso; Lâmpadas antiofuscantes como a leitosa, ou indiretas; Ambiente livre de obstáculos, principalmente objetos e móveis baixos; Poltronas e sofás com altura média de 50cm e profundidade entre 70 e 80 centímetros, com braços e densidade moderada; Mesa de jantar de altura média de 75 centímetros e bordas arredondadas, com cadeiras sem braços. - Banheiros: Paredes com resistência suficiente para instalação de barras de segurança; Box com largura mínima de 80 centímetros e desnível de no máximo 1,5 cm em relação ao piso do banheiro; Assento para banho fixo, com largura mínima de 45 centímetros e altura de 50 centímetros; Porta toalhas com altura média de 130 centímetros e próximos ao box; Chuveiro do tipo telefone; Barras de apoio nas paredes ao lado do vaso sanitário e dentro do box com alturas variáveis; Vaso sanitário com altura média de 50 centímetros. - Escadas e áreas de circulação: Corrimão ao longo dos degraus e rampas com altura média de 80 centímetros; Uso de fitas antiderrapantes nos degraus e rampas. - Cozinha: Fogão que só é acionado ao entrar em contato com metal, para dificultar queimaduras ou mesmo focos de incêndio; Armários com prateleiras que sobem e descem, para facilitar o manuseio de copos e pratos; Pia com altura ajustável por controle remoto. - Sala: Se houver tapetes, que sejam de cores fortes e antiderrapantes; Mesa para refeições com altura ajustável eletronicamente; Televisor atrelado ao tablete para reproduzir receitas e filmes. - Quarto: Alarme conectado à central de assistência domiciliar; Andador com sistema de elevador para suspender o idoso caso ele caia. - Banheiro: Pia e vaso sanitário com altura ajustável por controle remoto; Tampo do vaso e interruptores de cores fortes, parafacilitar a localização; Chuveiro controlado por botões que determinam temperatura e potência do jato. A maioria das cidades brasileiras apresenta carência de infraestrutura, de equipamentos e de planejamento dos espaços para a população idosa. Assim, é possível fornecer alternativas de vida ativa e saudável aos idosos e que o adequado planejamento dos espaços físicos deve contribui para isso. Ambientes planejados são importantes para qualquer ser humano, e essa é a tarefa profissional e responsabilidade social do arquiteto. A pesquisa realizada permitiu adquirir conhecimentos sobre a terceira idade e identificar as principais características que devem ser contempladas em projetos geriátricos. Com a pesquisa percebe-se que planejar o ambiente geriátrico precisa de muito mais atenção do que planejar ambientes destinados ao público jovens, que não tem tantas limitações. Também permitiu observar que a funcionalidade desses ambientes pode ajudar na melhoria da qualidade de vida dos idosos, necessidade básica e relevante na sociedade atual. Dentro da arquitetura geriátrica e o centro de artes, deve-se ter em mente que o público alvo é bem específico, ou seja, os materiais utilizados devem atender suas necessidades, como mesas e cadeiras de tamanhos formatos ideias, além, claro, da luz e da ventilação que entram nos cômodos. A luz deve ser agradável e a ventilação ideal é que seja cruzada, já que idosos podem ou sentir muito calor ou sentir muito frio. Esse processo de planejamento da arquitetura geriátrica exige conhecimento teórico e prático, de forma que o resultado final dê soluções conceituais e de acessibilidade que tenham harmonia. 4. Como a arte e a arquitetura podem ajudar os idosos? A arteterapia tem como função ajudar os idosos a se expressarem, ajudando a reconciliar conflitos emocionais, além de auxiliar na auto-percepção e no desenvolvimento do indivíduo. Os recursos que podem ser utilizados acerca são: - Artes Plásticas: Pintura, Desenho, Modelagem; - Artes corporais: Dança e Teatro; - Música: com instrumentos musicais, voz/ canto ou audição musical, entre outros. Pode-se entender a arte como um processo de reconstrução da vida, seja através do desenho, da pintura, da escultura e de tantos outros. a arteterapia trabalha com as imagens simbólicas brotadas pelo inconsciente, assim, o arteterapeuta utiliza-se de divergentes técnicas e materiais, tais como a argila, tintas diversas, colagem, desenhos, sucata, papel machê etc. O objetivo é fornecer meios para proporcionar ao indivíduo outras maneiras para que ele possa se comunicar, expressar seus sentimentos, emoções, criar uma relação entre a sua realidade interna e a externa. Visto que é através de atividades artísticas/ criativas e integradoras de personalidade, que auxiliam no resgate de imagens simbólicas, trazendo-as para a consciência, como finalidade de propiciar enriquecimento e qualidade na vida do indivíduo. Esses processos de criação e interação tanto com os materiais, com os colegas, quanto com o “arteterapeuta” permitem ao indivíduo conhecer a si mesmo e, em sequência, evoluir, já que o idoso se sente capaz de transformar suas aflições e suas angústias em cor e movimento, ou seja, em arte. Observa- se que o tratamento e o tempo de duração são de acordo com a necessidade do indivíduo, podendo ocorrer individualmente ou em grupo. A arteterapia pode e deve usar uma variada gama de ferramentas artísticas, como papéis, tintas, lápis de cor, tesoura, tecidos, fios, madeira, plásticos, argila, massa, entre outros, porem, deve ser o manuseamento deve ser supervisionado. Também pode utilizar técnicas como desenhos, pinturas, colagem e modelagem etc. Assim, os “pacientes” não ficam estagnados em apenas uma técnica, podendo se expressar e se descobrir com outros materiais, dando confiança e maior aprendizado, além de ajudar na memorização de como deve-se usar cada técnica. Evidencia-se que determinadas técnicas de atividades artísticas têm a possibilidade de influenciar o indivíduo de formas diferentes. Cada uma dessas atividades tem sua própria característica de beneficio. Temos como exemplo as seguintes atividades: - A pintura é uma técnica também utilizada na arteterapia, beneficiando os indivíduos a olhar para si e ao seu redor, expandindo o seu olhar. Este exercício é um processo para organizar e transformar sentimentos, cujo “olhar ao que produzimos livremente sobre o suporte oferecido é, muitas vezes, a possibilidade de olhar para dentro de nós mesmos, para algo que até então estava difuso ou oculto de nossa consciência”; - O desenho é utilizado no processo terapêutico como ferramenta de bem- estar; - Aborda-se também a técnica da colagem, cuja modalidade plástica oferece formas de integrar aspectos distintos do eu, proporcionando ao indivíduo trocas de papéis e a possibilidade de percepção da multiplicidade em nossa existência, por exemplo, os diferentes papéis que desempenhamos. A partir do grande leque de possibilidades terapêuticas é preciso estudar cada paciente da terceira idade para entender o que precisam e buscar o melhor tratamento. A arteterapia oferece subsídios que ajudam no tratamento do bem-estar e da qualidade de vida na Terceira Idade, fazendo-a ir além do estado físico, atingindo o conteúdo interno de cada um e trabalhando alguns sintomas como de depressão, doenças degenerativas, Síndrome de Alzheimer, angústias e todos os males que afetam as pessoas nesse estágio de suas vidas. A arte aliada à arquitetura pode melhorar ainda mais a saúde dos idosos, seja mudando as cores das paredes ou instalando quadros e peças de arte, tudo isso tem a intenção de fazer com que o idoso se sinta mais confortável com o local que está, abandonando aquela aparência monótona que prédios destinados a idosos possuem, e crie uma ligação afetiva e de memória com os objetos. É cientificamente comprovado que ambientes destinados à idosos que sejam monotônicos tem maior probabilidade de causar depressão do que aqueles que tem mais cores. Em contrapartida, ter excesso de cores e de informações causa cansaço e estresse. Pode ser de interesse dos idosos também pintar as paredes interiores do edifício e deixa-las com a ambientação que mais lhes agrade e, ao fim, completar a composição com as artes feitas nas oficinas de arteterapia aliando, assim, idoso-arte-arquitetura. Quando falamos de idosos lembramos que devem ter monitores e cada idosos possui sua particularidade, a quantidade de monitores deve ajudar os idosos, não tentar tirar deles as possibilidades de fazer coisas e se movimentar. O dever aqui é ajudar a viver. Então os monitores e arteterapeutas devem ter ciência das limitações e trabalhar dessa forma. Dependendo da faixa etária e das limitações de cada idoso, pode-se ter um monitor para cada idoso ou um monitor para cada dois idosos. E durante as aulas, deverão permanecer do lado de fora dos ambientes, em lugares que os idosos não consigam vê-los para não gerar desconforto. Assim como sua companhia junto a eles, deve ser sutil e alegre, confortando o idoso. O dever dos monitores é zelar pela saúde de cada um, mas também deve acompanha-los, dar-lhes os remédios certos, nas horas certas, ser uma companhia agradável, que não deixe sempre claro que é um enfermeiro, mas sim um amigo, companheiro e ajudante. Dessa forma, os idosos ficam mais confortáveis em se abrir, contar histórias sobre suas vidas, tomar os remédios e ir às consultas médicas. Considerações finais Esta pesquisa teve como objetivos apresentar o aumento da população idosa, visto que a sociedade contemporânea não está preparada para isso, além de mostrar o quanto estão isolados da sociedade e da família, trazendo neste contexto a importância da arteterapia na vida das pessoas com mais de 60 anos, mostrando os benefíciosdaqueles que utilizam deste bem e daqueles que tem suas limitações retardadas a base de medicamentos. A intenção de apresentar os benefícios da arteterapia é mostrar que não só os idosos devem usufruir desta nova maneira de retardar doenças, mas os jovens também. Muitos estudos comprovam que a arte auxilia na melhora de muitas doenças, incluindo a depressão, além que aliviar do estresse e da tristeza. A arquitetura para a terceira idade também não é simples e deve caminhar juntamente com as limitações da cada idoso, seja de mobilidade ou de memória. Ajudar o idoso deve ser a principal tarefa na arquitetura geriátrica, ajudando-o a aceitar suas condições atuais que gradativamente podem tomar conta do corpo de cada um deles. Aliar o idoso à arte e á arquitetura teve importância vital para este trabalho. Não somente pela parte arquitetônica, mas por poder ajudar os idosos a verem a arquitetura unida a arte com a intenção de ajuda-los, melhorar suas vidas. É importante enxergarmos que por mais difícil que possa parecer, é possível auxiliar os idosos mesmo nos tempos mais sombrios. Referências CASSOL, Bruno Morari. Arquitetura para ambientes geriátricos (tese). UNIFRA, 2014. Acesso em 20/03/2017 MASCHIO, Adriana. O benefício da arte na Terceira Idade (tese). UNESP, 2012. Acesso no dia 13/02/2017. KAUFMAN, Fani G. (Org.). Novo velho: envelhecimento, olhares e perspectivas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012. COLI, Jorge. O que é Arte, 3 ed. São Paulo:Brasiliense,1981. Manual de pessoas idosas. Disponível: Acesso no dia 13/02/2017. Jornal Hoje. Publicitário de São Paulo cria nova sinalização para indicar idosos. 2014. Disponível em: . Acesso em: 10/05/2017. Site “Vivo Mais Saudável” - Conheça 4 exercícios para estimular a memória do idoso. Disponível: Acesso no dia 13/02/2017.