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Artigo - A Intervenção Psicopedagógica no Processo Ensino Aprendizagem do Autista-convertido

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*Acadêmica do Curso de Pós Graduação Lato Senso para a obtenção do Título de Especialista em 
Psicopedagogia Institucional pela CESAP – Centro de Estudos Avançados e em Pós Graduação e 
Pesquisa. 
MAURA HERSBACH SANT`ANNA 
A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NO PROCESSO ENSINO 
APRENDIZAGEM DO AUTISTA 
 
Autora: MAURA HERSBACH SANT`ANNA 
Pós Graduação em Psicopedagogia Institucional 
Vitória – ES - 2019 
 
 
 
RESUMO 
 
O Transtorno do Espectro Autista -TEA, é um transtorno neurológico 
caracterizado por comprometimento da interação social, 
comunicação (verbal e não-verbal) e comportamento restrito e repetitivo. O 
presente artigo trata-se de uma pesquisa bibliográfica e vem abordar como a 
atuação do psicopedagogo pode contribuir com o processo de ensino-
aprendizagem dos educandos com autismo. Para isso, o desenvolvimento do 
trabalho apresentará os seguintes itens: conhecendo o autismo; principais 
características do transtorno; causas; diagnóstico; intervenções: abordagens 
múltiplas e intervenção psicopedagógica. Esse estudo pretende ampliar o 
conhecimento pelo assunto a fim de colaborar com profissionais que lidam em 
seu dia a dia com indivíduos autistas. 
 
Palavras-Chave: Psicopedagogo; Aprendizagem; Autismo. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O presente artigo trata-se de uma pesquisa bibliográfica e vem abordar como 
a atuação do psicopedagogo pode contribuir com o processo de ensino-
aprendizagem dos educandos com autismo. Para isso, o desenvolvimento do 
trabalho apresentará os seguintes itens: conhecendo o autismo; principais 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquisi%C3%A7%C3%A3o_da_linguagem
https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunica%C3%A7%C3%A3o_n%C3%A3o_verbal
 
 
características do transtorno; causas; diagnóstico; intervenções: abordagens 
múltiplas e intervenção psicopedagógica.
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A educação inclusiva, no mundo inteiro vem permitindo que estudantes com 
e sem deficiência percorram sua trajetória escolar lado a lado, na mesma sala 
de aula. A educação inclusiva é a prática indicada e reafirmada em diversas 
declarações internacionais, leis nacionais e políticas de educação. Essas 
políticas, somadas aos esforços dos defensores dos direitos das pessoas com 
deficiência, têm levado a um aumento substancial do número de alunos com 
deficiência que recebem educação escolar em escola regular. 
A educação inclusiva traz consigo uma mudança dos valores da educação 
tradicional, o que implica desenvolver novas políticas e reestruturação da 
educação. Para isso, é necessária uma transformação do sistema educacional, 
ainda exclusivo, direcionado para receber crianças dentro de um padrão de 
normalidade estabelecido historicamente. 
A inclusão ainda é uma realidade nova para os professores. A presença de 
alunos com necessidades educacionais especiais tem provocado nos 
educadores sentimento de impotência, frustração e angústia frente as limitações 
dos alunos e das próprias limitações, por não conseguirem oferecer atendimento 
individualizado a esses alunos (MATOS; MENDES, 2014). Portanto, as 
especificidades apresentadas pelas pessoas com diferentes características, 
como as síndromes e transtornos, aliado ao desenvolvimento de uma prática 
pedagógica não específica, dificulta o trabalho de intervenção adequado para 
esses alunos, causando assim, insegurança dos professores ao trabalharem 
com estas crianças. 
Transtorno do Espectro Autista é um termo que engloba um grupo de afecções 
do neurodesenvolvimento, cujas características envolvem alterações qualitativas 
e quantitativas da comunicação, seja linguagem verbal e/ou não verbal, da 
interação social e do comportamento caracteristicamente estereotipados, 
repetitivos e com gama restrita de interesses. 
A inclusão de crianças com autismo nas escolas de ensino regular é uma 
conquista assegurada por lei, e de fundamental importância, o ingresso na 
escola é um marco importante no desenvolvimento das crianças. Não apenas 
para o aprendizado em si, mas também pelo desenvolvimento social e pela 
formação do ser humano como um todo” (SILVA, 2012). 
 
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É na escola também que são trabalhadas as questões de grupo, de 
socialização, as quais são de grande importância para uma criança com autismo, 
para aprender a conviver com outras pessoas e não apenas aquelas que fazem 
parte da sua família. 
A Psicopedagogia se estrutura em torno do processo de aprendizagem 
humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos e a influência do meio 
(família, escola, sociedade) em seu desenvolvimento. 
A Psicopedagogia tem o papel de avaliar, investigar e detectar dificuldades e 
habilidades da criança com TEA, assim, é possível realizar a intervenção para 
desenvolver tais dificuldades e aumentar o repertório do indivíduo. 
Diante do exposto, o estudo pretende ampliar o conhecimento pelo assunto a fim 
de colaborar com profissionais que lidam em seu dia a dia com indivíduos 
autistas. 
 
2 CONHECENDO O AUTISMO 
 
A primeira pessoa a usar a palavra “autismo”, deriva do grego “autos”, que 
significa “voltar-se para sí mesmo”, foi o psiquiatra austríaco Eugen Bleuler para 
se referir a um dos critérios adotados em sua época para a realização de um 
diagnóstico de Esquizofrenia, a palavra referia-se a tendência do esquizofrênico 
de “ensimesmar-se”, tornando-se alheio ao mundo social – fechando-se em seu 
mundo, como até hoje se acredita sobre o comportamento autista. 
No entanto, a denominação do autismo toma uma proporção maior em 1943, 
por meio do psiquiatra Leo Kanner, que em suas primeiras pesquisas já 
abordava características do autismo de forma relevante (CUNHA, 2015). 
Para Lüdke (2011), foi o teórico Kanner que distinguiu dois quadros em 
relação ao autismo: Autismo da Infância Primitiva e Autismo grave, este último 
teria como características atraso no desenvolvimento da linguagem, repetições 
obsessivas de certas atividades por longo tempo, extremo isolamento social, 
dificuldade em estabelecer vínculos, presença de certas habilidades exercidas 
com mais destreza. 
 
https://www.grupoconduzir.com.br/2017/08/autismo-a-avaliacao-do-repertorio-inicial/
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Dificuldade na interação social, na comunicação e comportamento repetitivo 
e restritivo. Essas são as principais características de quem convive com o 
autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA). 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 70 milhões de pessoas em 
todo o mundo são autistas. 
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados 
Unidos publicou em abril (2018), um novo relatório sobre a prevalência de 
Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) a atualização dos números indica 1 
para cada 59 crianças. O número anterior era de 1 para cada 68 (referentes a 
dados 2012, divulgados em 2016) — um aumento de 15%. A proporção de 4 
meninos para cada menina é mantida, de acordo com estudos anteriores ou 
disponíveis em outros países. 
O autismo pode ser classificado em leve, moderado e severo, e é um 
transtorno ímpar onde os sintomas podem aparecer de maneira distintas nos 
indivíduos apresentando comprometimento diferente e em diversos graus. Pode 
ou não estar associado a atrasos no desenvolvimento cognitivo ou a outros 
transtornos. 
Seguindo as inovações com relação às deficiências e focando nos aspectos 
próprios do universo autista, o Manual de Saúde Mental – DSM-V, altera a 
nomenclatura dos distúrbios, dentre eles o transtorno autista, transtorno 
desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-
especificado e Síndrome de Asperger, que unidos passam em um único 
diagnóstico, a chamar-se Transtornos do Espectro Autista – TEA. 
A partir do DSM-V, todas as subdivisões deixaram de existir e passaram a 
ficar sob um mesmo diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo – TEA, 
que designa agora todas as formas de autismo (a Síndrome de Rett, contudo, foi 
separada, por já conhecermos