Prát V_Aula 13
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Prát V_Aula 13

Disciplina:Prática Simulada Iv (Cível)174 materiais855 seguidores
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III - AGRAVO

ESTRUTURA DO AGRAVO DE INSTRUMENTO

1ª PEÇA: PEÇA DE INTERPOSIÇÃO

- Endereçada ao TRIBUNAL (esta é uma das diferenças com a peça de interposição da apelação, que era dirigida ao juiz que proferiu a sentença a ser atacada)
- No caso do TJ/RJ, direciona-se o AI à 1ª Vice-Presidência do TJ/RJ (o art. 31, III, CODJERJ diz que devem ser distribuídos ao 1º Vice-Presidente todos os feitos de natureza cível, que abrange as ações indenizatórias, de família, etc).
 Obs: Os feitos de natureza penal são direcionados à 2ª Vice-Presidência
 Se estamos diante de uma REsp ou RExtr, direcionamos à 3ª Vice-Presidência
 Isso tudo é no TJ/RJ. Para os outros Estados, deve-se ler o Cód. Organização Judiciária
 E como fica na prova da OAB, que é uma prova nacional?
 Se a prova da OAB falasse em Estado “X”, como faríamos o endereçamento?
 Endereçaríamos ao PRESIDENTE DO TRIBUNAL (ficaria assim: “EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO”)
 A distribuição na 1ª Vice-Presidência deve ser por sorteio

- Qualificação da parte do agravante e agravado:
 Precisa ser completa? Sim. No agravo é obrigatória a QUALIFICAÇÃO COMPLETA DAS PARTES, ao contrário do que ocorre na apelação, onde tornou-se costume não fazer a qualificação completa das partes, em que pese a determinação legal.
- Como no agravo o endereçamento é feito ao Tribunal, é importante que no mesmo parágrafo em que descrevemos os nomes das partes e suas qualificações, mencionemos o JUÍZO NA QUAL FOI PROFERIDA A DECISÃO QUE ESTÁ SENDO ATACADA.
Ex: “inconformado com a respeitável decisão de folhas ___, da lavra do eminente Doutor Juiz de Direito da __ Vara _____ da Comarca de ___”

- Hoje, o AI é exceção. De acordo com o art. 522, hoje a regra é o AGRAVO NA FORMA RETIDA.
Ler art. 522: “será RETIDO o agravo das decisões proferidas na AIJ e das posteriores à sentença, SALVO nos casos de:
1) dano difícil e de incerta reparação
2) inadmissão da apelação e
3) Relativos aos efeitos em que a apelação é recebida”
 Por ex, a apelação era para ser recebida só no efeito devolutivo mas o juiz recebeu no duplo efeito
 No recurso de AI temos 4 pontos que não podem deixar de ser mencionados:
1) RAZÕES EM ANEXO: dizer que a 2ª peça segue em anexo

2) PREPARO ou JG: via de regra, o AI deve ser devidamente preparado. Tudo aquilo que foi mencionado acerca da possibilidade de se pleitear JG na apelação, aplica-se aqui também (juntada de documentos pertinentes, declaração de hipossuficiência)

3) EFEITOS:
Regra: O AI só é recebido no EFEITO DEVOLUTIVO >> Possibilita a REAPRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELO TRIBUNAL. Nâo há previsão legal de efeito devolutivo do Agravo pois é a regra
Exceção: Efeito suspensivo >> Hipóteses de concessão do efeito suspensivo: art. 527, III, 1ª parte c/c 558, caput, CPC >> Consequência: SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO
 O que tem ocorrido na prática? Como há uma lacuna na lei, que não definiu o que poderia ser “lesão grave e de difícil reparação”, a maior parte dos advogados opõem AI requerendo EFEITO SUSPENSIVO, tentando argumentar a possibilidade desse tipo de lesão ocorrer. Isso tem causado uma “chuva” de AI nos Tribunais. Ao menos, existe o art. 527, que dispõe que, “recebido o agravo de instrumento no tribunal, e distribuído incontinenti, o relator” (...) poderá converter o AI em agravo retido (inciso III do art. 527).
EFEITO ATIVO (ou EFEITO SUSPENSIVO ATIVO ou a ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA RECURSAL) (art. 527, III, 2ª parte c/c art. 558 caput): É a possibilidade da tutela antecipada ser deferida em sede de 2ª instância. Normalmente, utilizamos esse efeito ativo quando estamos recorrendo de DECISÕES NEGATIVAS (diz-se “normalmente” porque em situações excepcionalíssimas, em DECISÕES QUE NÃO SÃO NEGATIVAS, é possível requerer o efeito ativo do AI).

- Ex1: Juiz proferiu despacho saneador, determinando que as partes indicassem as provas que pretendiam produzir, justificadamente >> O Autor requereu prova testemunhal e depoimento pessoal da ré >> Juiz indeferiu a produção da prova testemunhal por entender desnecessária, apenas deferindo a tomada do depoimento pessoal da ré >> O juiz proferiu DECISÃO NEGATIVA quanto ao indeferimento da prova testemunhal >> Essa decisão pode ocasionar DANO GRAVE ao Autor se essa prova for imprescindível para demonstração de seu direito >> Por isso, o Autor opõe AGRAVO DE INSTRUMENTO >> Esse recurso terá obviamente, efeito devolutivo. Terá efeito suspensivo? Interessa ao Autor que o AI tenha efeito suspensivo? Não porque a audiência vai chegar e a testemunha não será ouvida. O Autor precisa de algo mais: precisa que seja deferido ao seu AI o EFEITO DEVOLUTIVO e ATIVO, requerendo ao Tribunal, através de uma tutela antecipada, que garanta a possibilidade de produzir a prova testemunhal >> O Tribunal, através do Desembargador-relator, concede ou não

* Obs: Veja que o juiz indeferiu o pedido de prova testemunhal ANTES da audiência e a parte Autora opôs AI. Se o juiz tivesse indeferido NA AUDIÊNCIA, seria caso de opor AGRAVO RETIDO: o advogado faz a sustentação oral, a qual será reduzida a termo, e o juiz decidirá na hora, até para se retratar, se for o caso. Se não for caso de retratação, o agravo fica retido nos autos >> O inconformismo fica retido nos autos e o processo continua >> Sendo a sentença desfavorável, a parte apela, alegando em preliminar na própria apelação que existe agravo retido que deve ser julgado pelo Tribunal).

- Ex2: Idoso com problemas ortopédicos consultou-se com 3 diferentes ortopedistas e todos foram unânimes em afirmar que a cirurgia a que ele precisava se submeter com urgência deveria ser feita com material importado >> Em razão da negativa do Plano de Saúde em autorizar a cirurgia com material importado (só autorizava com material nacional), esse idoso ajuizou AÇÃO DE OBRIGAÇÃO COM TUTELA ANTECIPADA em face do plano de saúde para que ele pudesse ser operado com a colocação de prótese importada >> Juiz “ficou em cima do muro”, nem deferindo e nem indeferindo a tutela. Manifestou-se no seguinte sentido: “por ora, deixo de me manifestar acerca da tutela antecipada pleiteada pela parte autora. Após a manifestação do réu, analisarei a mesma” (ou seja, o juiz empurrou com a barriga) >> Na prática, quando o juiz despacha dessa forma, esquivando-se de apreciar da tutela, não se posiciona nem mesmo após a manifestação do réu >> Alguns dizem que o Autor não teria interesse em recorrer nesse caso, haja vista o juiz não ter explicitamente indeferido a tutela antecipada >> Mesmo assim, a parte Autora opôs AI >> Esse AI terá EFEITO DEVOLUTIVO? Sim. Se pedir efeito suspensivo, a decisão fica suspensa, mas isso de nada adiantará ao Autor. Advogado do Autor despachou diretamente com o Desembargador, além do efeito devolutivo, o EFEITO ATIVO.

 * Obs: O advogado do Autor tentou em vão despachar com o juiz da causa o deferimento da tutela antecipada; por não ter conseguido é que opôs AI

4) Documentos (art. 525)
- Mencionar que, em homenagem ao art. 525, o agravante juntou as cópias do processo. No caso de não ter tirado cópia integral do processo, relacionar os documentos que seguem em anexo.

Art. 525. A petição de agravo de instrumento será instruída:
I - obrigatoriamente, com cópias (1) da decisão agravada, (2) da certidão da respectiva intimação (= cópia da publicação; serve para verificar a tempestividade) e (3) das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado
 Sabemos que, no curso do processo, além da procuração do advogado inicialmente constituído, poderá haver subestabelecimentos. É preciso que se junte toda essa sequência (seja subestabelecimento com, seja sem reserva de poderes)
II - facultativamente, com outras peças que o agravante entender úteis.
 Ex: Cópia da petição inicial, contestação, ata de audiência, depoimento testemunhal.
 Muitas vezes, os advogados tiram cópia integral do processo. Cuidado porque os Desembargadores podem não ficar satisfeitos com agravos de instrumento volumosos.

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