Civil VI_Aceitação e renúncia
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Civil VI_Aceitação e renúncia

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CIVIL VI

Transmissão da herança. Benefício de inventário. Cessão de direitos hereditários. Vocação hereditária. Aceitação e renúncia: generalidades, restrições à renúncia, efeitos da renúncia quanto aos credores e demais herdeiros.

III - ACEITAÇÃO

1. CONCEITO
- É o ato pelo qual o herdeiro manifesta sua vontade de receber a herança

2. NATUREZA JURÍDICA
- É um ATO UNILATERAL PURO E SIMPLES
 Puro: Porque basta a mera manifestação de vontade
 Simples: Porque não admite condição ou encargo (art. 1.808). Ex: Só aceito a herança se meu irmão largar o emprego.
- Art. 1808 § 1°: “O herdeiro, a quem se testarem legados, pode aceitá-los, renunciando a herança; ou, aceitando-a, repudiá-los”.
 Assim, quem for herdeiro e legatário, pode optar entre a herança e o legado. Poderá:
- Suceder a 2 títulos o universal e singular
- Aceitar totalmente a herança, renunciando ao legado, ou
- Aceitar totalmente o legado, aceitando a herança
* O que não pode é aceitar parcialmente a herança

3. BENEFÍCIO DE INVENTÁRIO
- Benefício de inventário é um PRIVILÉGIO concedido pela lei ao herdeiro e que consiste em admiti-lo à herança do de cujus SEM OBRIGÁ-LOS AOS ENCARGOS ALÉM DAS FORÇAS DA MESMA HERANÇA.  
- INVENTÁRIO = apuração do ativo e do passivo
- Pela lei brasileira, de acordo com o art. 1.997, CC: “A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido; mas, feita a partilha, só respondem os herdeiros, cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube.
 Ou seja: O herdeiro só responde até as forças da herança
 O ônus de provar que o passivo supera o ativo é do HERDEIRO, salvo se do inventário resultar tal circunstância (art. 1792)
Art. 1.792: O herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança; incumbe-lhe, porém, a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demonstrando o valor dos bens herdados.

- Ninguém responde por dívidas do autor da herança Por isso se diz que a aceitação é sempre a BENEFÍCIO DE INVENTÁRIO ex vi legis
- Os herdeiros só aceitam a herança se houver o REAL BENEFÍCIO. Ex: Se as dívidas do de cujus superam o patrimônio, não há benefício e não há razão para se abrir o inventário. Então, se meu pai falece deixando uma dívida de 200.000,00 e 100.000,00 na c/c, não vou abrir o inventário (vou pagar custas e não ter benefício algum). O credor é que deverá requerer a abertura do inventário.
- A abertura do inventário é obrigatória mas se o herdeiro não tiver benefício algum, não irá requerer sua abertura. Qualquer pessoa pode requerer a abertura do inventário, até o juiz pode determinar abertura de inventário (ex: Comarca de Vara única e família não abre), há prazo para abrir (art. 989, CPC).

* Obs:
1) O credor do herdeiro só pode ficar no aguardo. Só poderá requerer a penhora quando o herdeiro receber o seu quinhão.
2) A meação do cônjuge é dele, nenhum credor pode pegar. A dívida vai sobre a herança, não sobre a meação.
3) Meu patrimônio é de 100.000,00. Deixo uma casa cujo valor é de 60.000,00 para meu legatário. O juiz deverá determinar a REDUÇÃO DA LIBERALIDADE pois há herdeiros necessários. Filhos e legatário ficarão como CONDÔMINOS. Quem tiver maior percentual terá direito de preferência para a compra.

4. ESPÉCIES
a) EXPRESSA (art. 1805, 1ª parte)
- Resultante de uma DECLARAÇÃO ESCRITA: O herdeiro explicitamente externa o propósito de adir a herança
- Caio Mário: Não vale como aceitação a mera declaração verbal, ainda que perante testemunhas

b) TÁCITA (art. 1805, 2ª parte)
- “Praticar atos de herdeiro”: decorre da PRÁTICA DE ATOS COMPATÍVEIS COM A CONDIÇÃO DE HERDEIRO. Ex.: A administração, alienação ou oneração de bens que integram a herança.
- Art. 1805 §1°: “Não exprimem aceitação de herança os atos oficiosos, como o funeral do finado, os meramente conservatórios, ou os de administração e guarda provisória.”

c) PRESUMIDA (art. 1807, in fine)
- Ocorre quando O HERDEIRO É INTIMADO a aceitar ou não a herança E NÃO SE MANIFESTA, PRESUMINDO-SE COM O SEU SILÊNCIO, A ACEITAÇÃO.
 Ou seja: No caso de algum interessado requerer ao juiz, depois de passados 20 dias da abertura da sucessão, que assine ao herdeiro prazo razoável não maior de 30 dias para, dentro nele, pronunciar-se: decorrido o prazo, o silêncio haver-se-á, como aceitação.
 Vê-se, assim, que o instituto REVELIA não se aplica ao direito material fundamental (família, sucessões). Então, mesmo que o herdeiro não se habilite no processo (mesmo que inerte), a presunção é a de que ele aceitou a herança (o contrário do que ocorre no Processo Civil). No decorrer do inventário, o juiz separa o quinhão desse herdeiro e esse quinhão fica à sua espera ad eternum. Não há nenhum tipo de decadência (e, portanto, não há prescrição).

- Ex: Pai (viúvo) falece e deixa 1 terreno (50.000,00) e 2 aptos (500.000,00) para os 3 filhos Um dos irmãos queda-se inerte e não se habilita no processo Os outros 2 irmãos, em conluio, super-avaliam o terreno para 500.000,00 e manipulam a distribuição dos bens para que o 3º irmão fique com o terreno Aplicação do art. 1.009 (“Entregue o laudo de avaliação, o juiz mandará que sobre ele se manifestem as partes no prazo de 10 dias, que correrá em cartório”) Se o 3° irmão reaparecer, ele nada poderá contestar por terá havido PERDA DO PRAZO PROCESSUAL PARA CONTESTAR A AVALIAÇÃO E A DIVISÃO DO PATRIMÔNIO
 Se o irmão que quedou-se inerte tivesse um credor, este credor só poderia ficar no aguardo, só poderia requerer a penhora quando o herdeiro recebesse o seu quinhão.

5. QUEM PODE ACEITAR
a) O próprio herdeiro
b) Os sucessores do herdeiro que falece após a abertura da sucessão e antes de declarar se aceita a herança
- No caso de falecimento do herdeiro antes da aceitação, passa o direito de aceitação aos seus sucessores, exceto no caso de condição suspensiva:
Art. 1.809. Falecendo o herdeiro antes de declarar se aceita a herança, o poder de aceitar passa-lhe aos herdeiros, a menos que se trate de vocação adstrita a uma condição suspensiva, ainda não verificada.

c) Os credores prejudicados
- Podem aceitar em nome do herdeiro, com AUTORIZAÇÃO DO JUIZ, em caso de renúncia

6. RETRATAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.

IV - RENÚNCIA

1. CONCEITO
- É um ATO SOLENE pelo qual o herdeiro é chamado a SUCEDER, contudo, REPUDIA esse direito.
 Ato solene = SEMPRE EXPRESSO
 Tem que ser pura e simples, não admite modalidades
- Uma vez realizada, retroage à abertura da sucessão, no sentido de que o renunciante é tratado COMO SE NUNCA FOSSE A ELA CHAMADO.

2. FORMA DA RENÚNCIA
- Forma prescrita em lei. Só se aperfeiçoa por ESCRITURA PÚBLICA ou POR TERMO NOS AUTOS (art. 1806)

3. LIBERDADE DE RENUNCIAR
- Funda-se na liberdade para praticar todos os atos da vida civil. Contudo, não se pode se valer dessa liberdade para fraudar credores.
- Requisitos:
a) Pessoa CAPAZ
b) Pessoa CAPAZ e CASADA
- No caso da pessoa capaz ser casada, com exceção do regime da separação total de bens (art. 1647, I), é necessária a OUTORGA UXÓRIA, posto que importa em disposição de um bem, considerado IMÓVEL.

4. LIMITES DA RENÚNCIA (FRAUDE A CREDORES)
- Quando prejudicar os credores, estes poderão ACEITAR A HERANÇA COM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (art. 1813).

a) FRAUDE À EXECUÇÃO: Quando já há, em curso, processo de execução. Entende-se que, mesmo na fase de conhecimento, a alienação de bens já caracteriza fraude à execução.

b) FRAUDE A CREDORES: Quando uma pessoa já tem um crédito contra outra, porém ainda não exerceu esse direito (não intentou ação de execução ou de cobrança).

				A (viúvo) falece e deixa patrimônio de 90.000,00
						(cada herdeiro receberá 1/3 da herança)

			B	C D

		Débito no BB
		De 20.000,00

X renuncia à herança para fraudar credores Não pode. Fundamento: art. 1813
Art. 1813, CC: Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante.

 O credor aceita em nome do renunciante os 20.000,00. O que sobrar (10.000,00) volta para o monte e é subdividido entre os demais herdeiros (art. 1813