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@poli.canuto 
. 
 
 
 
 
 
 
 
Anamnese (do grego aná –trazer de novo 
+ mnesis –memória) significa trazer de 
volta à mente todos os fatos relacionados 
com a doença e o paciente; o que 
precisa saber para solucionar a 
problemática do paciente; 
 
De início, deve-se ressaltar que a 
anamnese é a parte mais importante da 
medicina: primeiro, porque é o núcleo em 
torno do qual se desenvolve a relação 
médico-paciente, que, por sua vez, é o 
principal pilar do trabalho do médico; 
segundo, porque é cada vez mais 
evidente que o progresso tecnológico 
somente é bem utilizado se o lado 
humano da medicina é preservado; 
 
A anamnese, se bem-feita, culmina em 
decisões diagnósticas e terapêuticas 
corretas; se malfeita, em contrapartida, 
desencadeia uma série de 
consequências negativas, as quais não 
podem ser compensadas com a 
realização de exames complementares, 
por mais sofisticados que sejam; tudo 
depende da anamnese; 
 
Já se pode afirmar que uma das principais 
causas da perda de qualidade do 
trabalho médico é justamente a redução 
do tempo dedicado à anamnese; 
 
A realização de muitos exames 
complementares não resolve o problema; 
pelo contrário, agrava-o ao aumentar os 
custos, sem crescimento paralelo da 
eficiência. Escolher o(s) 
Exame(s) adequado(s), entre tantos 
disponíveis, é fruto de um raciocínio 
crítico apoiado quase inteiramente na 
anamnese. A anamnese direciona para 
gerar os exames; 
 
Em essência, a anamnese é uma 
entrevista, e o instrumento de que nos 
valemos é a palavra falada, com 
exceções dos pacientes surdos ou com 
dificuldade de sonorização; 
 
A anamnese não é simplesmente uma 
conversa, haja vista que, esse diálogo 
obtém objetivo e finalidades 
preestabelecidos para reconstituição dos 
fatos e dos acontecimentos direta ou 
indiretamente relacionados com a 
situação anormal do paciente; 
 
Importância da anamnese: o 
conhecimento da anamnese permite o 
direcionamento dos exames físicos; 
 
Possibilidades e objetivos da 
anamnese: 
 Condições para uma boa relação 
médico-paciente; 
 Conhecer, por meio da 
identificação, os determinantes 
epidemiológicos que influenciam o 
processo saúde- doença; 
 História clínica, detalhada e 
cronologicamente; 
 Registrar e desenvolver práticas de 
promoção da saúde; 
 Avaliar o estado de saúde passado 
e presente do paciente, 
conhecendo os fatores pessoais, 
familiares e ambientais que 
influenciam na saúde-doença; 
Anamnese 
Aspectos gerais: 
 @poli.canuto 
 Conhecer hábitos de vida do 
paciente, condições 
socioeconômicas e culturais; 
 Avaliar os sintomas de cada 
sistema corporal; 
 
Paciente informado ou expert: com o 
grande advento tecnológico, o paciente 
adquire grandes informações, que 
normalmente, seriam transmitidos pelo 
médico, transformando a anamnese de 
relato para a anamnese dialogada; 
 
A história clínica, portanto, não é o 
simples registro de uma conversa. É mais 
do que isso: é o resultado de uma 
entrevista com objetivo explícito, 
conduzida pelo examinador e cujo 
conteúdo foi elaborado criticamente por 
ele; 
 
Muito mais fácil é aprender a manusear 
aparelhos, já que eles obedecem a 
esquemas rígidos, enquanto as pessoas 
apresentam individualidade, 
característica humana que exige do 
médico flexibilidade na conduta e 
capacidade de adaptação- a confiança 
passa a ser criada após dezenas de 
entrevistas; 
 
Para fazer uma entrevista de boa 
qualidade, antes de tudo o médico deve 
estar interessado no que o paciente tem a 
dizer (escuta ativa). Ao mesmo tempo, é 
necessário demonstrar compreensão e 
desejo de ser útil àquela pessoa, com a 
qual assume um compromisso tácito que 
não tem similar em nenhuma outra 
relação inter-humana; 
 
Não há tempo exato para dedicar-se a 
anamnese; o estudante gasta muito 
tempo, pois deve conhecer todo o 
percurso para depois criar atalhos 
dependendo da circunstâncias; 
 
Nas doenças agudas ou de início 
recente, em geral apresentando poucos 
sintomas, é perfeitamente possível 
conseguir uma história clínica de boa 
qualidade em 10 minutos, ao passo que 
nas doenças de longa duração, com 
sintomatologia variada, não se gastarão 
menos do que 30 a 60 minutos; 
A pressa é o defeito de técnica mais 
grosseiro que se pode cometer durante a 
obtenção da história- pode gerar 
consequências drásticas; 
 
Espírito preconcebido: erro técnico, que 
pode ser natural e inconsciente do 
examinador, originada de um especial 
interesse por determinada enfermidade 
ou por partes da medida; 
 
Anamneses perfeitas só podem ser 
realizadas por médicos experientes, que 
reconhece os sintomas, logo, o 
tratamento para tais; 
 
Todo paciente apresenta 
particularidades que escapam a 
qualquer esquematização rígida. 
Idiossincrasias ou intolerâncias que a 
anamnese traz à tona podem ser 
decisivas na escolha de um recurso 
terapêutico; 
 
Existem alguns pacientes que conduzem a 
anamnese, respondendo o que lhes 
interessam, questionando o médico, 
levantando questões e até sugerindo 
diagnósticos. Sendo assim, o médico 
deve retomar a entrevista de forma 
habilidosa; 
 
Recomendações para uma boa 
anamnese: 
 
 Primeiro contato que é a melhor 
oportunidade de relação médico-
paciente; 
 Cumprimente o paciente; 
 Demonstre atenção ao que está 
sendo dito pelo paciente e procure 
identificar alguma condição 
especial para saber conduzir a 
entrevista; 
 @poli.canuto 
 Compreender as condições 
socioculturais do paciente; 
 Perspicácia e tato são 
indispensáveis para os dados; 
 
SEMIOTÉCNICA: 
Não basta pedir ao paciente que relate 
sua história e anotá-la. Muitos pacientes 
têm dificuldade para falar e precisam de 
incentivo; outros – e isto é mais frequente 
– têm mais interesse em narrar as 
circunstâncias e os acontecimentos 
paralelos do que relatar seus 
padecimentos; 
O médico tem de estar imbuído da 
vontade de ajudar o paciente a relatar 
seus padecimentos; 
APOIO: Afirmações de apoio despertam 
segurança no paciente. Dizer, por 
exemplo, “Eu compreendo” em 
momento de dúvida pode encorajá-lo a 
prosseguir no relato de alguma situação 
difícil; 
REFLEXÃO: repetição das palavras que o 
médico considerar as mais significativas 
durante o relato do paciente; 
ESCLARECIMENTO: o médico procura 
definir de maneira mais clara o que o 
paciente está relatando. Por exemplo, se 
o paciente se refere à tontura, o médico, 
por saber que esse termo tem vários 
significados, procura esclarecer a qual 
deles o paciente se refere (vertigem? 
Sensação desagradável na cabeça); 
CONFROTAÇÃO: consiste em mostrar ao 
paciente algo acerca de suas próprias 
palavras ou comportamento. 
INTERPRERTAÇÃO: o médico faz uma 
observação a partir do que vai notando 
no relato ou no comportamento do 
paciente. Por exemplo: “Você parece 
preocupado com os laudos das 
radiografias que me trouxe.” 
RESPOSTA EMPÁTICA: é a intervenção do 
médico mostrando “empatia”, ou seja, 
compreensão e aceitação sobre algo 
relatado pelo paciente. A resposta 
empática pode ser por palavras, gestos 
ou atitudes: colocar a mão sobre o braço 
do paciente, oferecer um lenço se ele 
estiver chorando ou apenas dizer a ele 
que compreende seu sofrimento; 
OBS: deve estar claro pra o médico as 
informações transmitida pelo paciente; 
SILÊNCIO: pode ser o mais adequado 
quando o paciente se emociona ou 
chora. Saber o tempo de duração do 
silêncio faz parte da técnica e da arte de 
entrevistar. 
ELEMENTOS DA ANAMNESE: 
 
 
A identificação é o perfil 
sociodemográfico do paciente que 
permite a interpretação de dados 
individuais e coletivos.Apresenta múltiplos 
interesses; o primeiro deles é de iniciar o 
relacionamento com o paciente; 
A data em que é feita a anamnese é 
sempre importante e, quando as 
condições clínicas modificam-se com 
rapidez, convém acrescentar a hora. 
NOME: Primeiro dado da identificação. 
Nunca é demais criticar o hábito de 
designar o paciente pelo número do leito 
ou pelo diagnóstico; 
IDADE: Cada grupo etário tem sua própria 
doença, e bastaria essa assertiva para 
tornar clara a importância da idade; 
SEXO; GÊNERO: há enfermidades que só 
ocorrem em determinado sexo. Exemplo 
clássico é a hemofilia, transmitida pelas 
mulheres, mas que só aparece nos 
homens. É óbvio que existem doenças 
Identificação 
 @poli.canuto 
específicas para cada sexo no que se 
refere aos órgãos sexuais; 
COR; ETNIA; A influência da etnia no 
processo do adoecimento conta com 
muitos exemplos; o mais conhecido é o 
da anemia falciforme, uma alteração 
sanguínea específica dos negros, mas 
que, em virtude da miscigenação, pode 
ocorrer em pessoas de outra cor. Outro 
exemplo é a hipertensão arterial, que 
mostra comportamento evolutivo 
diferente nos pacientes negros; pacientes 
brancos tem mais chance de 
desenvolverem câncer; 
ESTADO CIVIL; 
PROFISSÃO; 
LOCAL DE TRABALHO: Em certas ocasiões, 
existe uma relação direta entre o trabalho 
do indivíduo e a doença que lhe 
acometeu. Enquadram-se nessa 
categoria as chamadas doenças 
profissionais e os acidentes de trabalho. 
Por exemplo, indivíduos que trabalham 
em pedreiras ou minas podem sofrer uma 
doença pulmonar determinada por 
substâncias inaladas ao exercerem sua 
profissão; chama-se pneumoconiose, e é 
uma típica doença profissional. O 
indivíduo que sofre uma fratura ao cair de 
um andaime é vítima de um acidente de 
trabalho; 
NATURALIDADE; 
PROCEDÊNCIA: residência anterior do 
paciente; 
RESIDÊNCIA: endereço do paciente; As 
doenças infecciosas e parasitárias se 
distribuem pelo mundo em função de 
vários fatores, como climáticos, 
hidrográficos e de altitude; 
Citemos como exemplos a doença de 
Chagas, a esquistossomose, a malária e a 
hidatidose. A distribuição geográfica 
dessas endemias deve estar na mente de 
todos nós, pois a todo momento nos 
veremos diante de casos suspeitos. 
NOME DA MÃE; 
NOME DO RESPONSÁVEL; 
RELIGIÃO; A religião à qual o paciente se 
filia tem relevância no processo saúde-
doença. Alguns dados bastante 
objetivos, como a proibição à 
hemotransfusão em testemunhas de 
Jeová e o não uso de carnes pelos fiéis da 
Igreja Adventista, têm uma repercussão 
importante no planejamento terapêutico; 
FILIAÇÃO A ÓRGÃOS, INSTITUIÇÕES 
PREVIDENCIÁRIAS E PLANOS DE SAÚDE: Ter 
conhecimento desse fato possibilita o 
correto encaminhamento para exames 
complementares, outros especialistas ou 
mesmo a hospitais, nos casos de 
internação. O cuidado do médico em 
não onerar o paciente, buscando 
alternativas dentro do seu plano de 
saúde, é fator de suma importância na 
adesão ao tratamento proposto 
OBS: deve verificar a confiabilidade dos 
fatos dados; 
 
 
O motivo que levou o paciente a procurar 
o médico, repetindo, se possível, as 
expressões por ele utilizadas; 
É uma afirmação breve e espontânea, 
geralmente um sinal ou um sintoma, nas 
próprias palavras da pessoa que expressa 
o motivo da consulta. Pode ser uma 
anotação entre aspas para indicar que se 
trata das palavras exatas do paciente. 
Contudo, não aceitar, tanto quanto 
possível, “rótulos diagnósticos” referidos à 
guisa de queixa principal; algumas vezes 
é razoável o registro de um diagnóstico 
como motivo da consulta. 
Queixa principal: 
 @poli.canuto 
Cumpre ressaltar que é um risco tomar ao 
pé da letra os “diagnósticos” dos 
pacientes. Por comodidade, pressa ou 
ignorância, o médico pode ser induzido a 
aceitar, dando ares científicos a 
conclusões diagnósticas oferecidas pelos 
pacientes ou seus familiares. As 
consequências de tal procedimento 
podem ser muito desagradáveis; 
Quando o paciente chega ao médico 
encaminhado por outro colega ou outra 
instituição da área de saúde, no item 
correspondente à “queixa principal” 
registra-se de modo especial o motivo da 
consulta. 
OBS: Quando não há queixa, basta 
colocar o motivo da consulta; exemplo: 
consulta pré-natal; rotina; 
 
 
História da doença atual é um registro 
cronológico e detalhado do motivo que 
levou o paciente a procurar assistência 
médica, desde o início até a data atual; 
HDA boa consta: 
 Deixe o paciente abordar a 
doença; 
 Identifique o sintoma-guia; 
 Descreva o sintoma- guia com 
características e analise-o 
minuciosamente; 
 Verifique se a história obtém 
começo, meio e fim; 
 Não induza respostas; 
 Apure evoluções, exames e 
tratamento realizados em relação a 
doença atual; 
 Resuma a história para o paciente, 
para que este possa corrigir algum 
dado ou acrescentar; 
Sintoma guia: 
Designa-se como sintoma-guia o sintoma 
ou sinal que permite recompor a história 
da doença atual com mais facilidade e 
precisão; por exemplo: a febre na 
malária, a dor epigástrica na gastrite ou 
úlcera péptica, as convulsões na 
epilepsia, o edema na síndrome nefrótica, 
a diarreia na colite ulcerativa; 
Como orientação geral, o estudante 
deve escolher como sintoma-guia a 
queixa de mais longa duração, o sintoma 
mais salientado pelo paciente ou tomar 
como sintoma-guia a “queixa principal”. 
O passo seguinte é determinar a época 
em que teve início aquele sintoma; 
Nas doenças de início recente, os 
acontecimentos a elas relacionados 
ainda estão vivos na memória e será fácil 
recordá-los, ordenando-os 
cronologicamente. Em contrapartida, 
afecções de longa duração e de 
começo insidioso com múltiplas 
manifestações causam maior dificuldade. 
O terceiro passo consiste em investigar a 
maneira como evoluiu o sintoma. Muitas 
perguntas devem ser feitas, e cada 
sintoma tem características semiológicas 
próprias. Constrói-se uma história clínica 
com base no modo como evoluem os 
sintomas; 
 Análise de um sintoma: 
Interrogatório sintomatológico: 
1) Início: época do aparecimento; início 
súbito ou gradual; se houve fator de 
desencadeamento ou não; 
2) Características do sintoma; duração, 
localização, intensidade, frequência, 
tipo; 
3) Fatores de melhora ou piora; fatores 
ambientais, posição, atividade física 
ou repouso; alimentos e 
medicamentos; 
4) Relação com outras queixas: algo que 
acompanha o sintoma; 
 História da doença atual (HDA) 
 @poli.canuto 
5) Evolução; comportamento do sintoma 
ao longo do tempo; 
6) Situação atual; 
Anamnese especial ou revisão dos 
sistemas; 
Documenta a existência ou ausência de 
sintomas comuns relacionados com cada 
um dos principais sistemas corporais; 
Uma HDA bem feita deixa pouca coisa 
para o interrogatório sintomatológico; 
A principal utilidade prática do 
interrogatório sintomatológico reside no 
fato de permitir ao médico levantar 
possibilidades e reconhecer 
enfermidades que não guardam relação 
com o quadro sintomatológico registrado 
na HDA; 
Além disso, é comum o paciente não 
relatar um ou vários sintomas durante a 
elaboração da história da doença atual. 
Simples esquecimento ou medo 
inconsciente de determinados 
diagnósticos podem levar o paciente a 
não se referir a padecimentos de valor 
crucial para chegar a um diagnóstico; 
Enquanto se avalia o estado de saúde 
passado e presente de cada sistema 
corporal, aproveita-se para promover 
saúde, orientando e esclarecendo o 
paciente sobre maneiras de prevenir 
doenças eevitar riscos à saúde. 
 
 
Considera-se avaliação do estado de 
saúde passado e presente do paciente, 
conhecendo fatores pessoais e familiares 
que influenciam seu processo saúde-
doença; 
Às vezes, uma hipótese diagnóstica leva o 
examinador a uma indagação mais 
minuciosa de algum aspecto da vida 
pregressa. Por exemplo: ao se identificar 
uma cardiopatia congênita, investiga-se 
a possível ocorrência de rubéola na mãe 
durante o primeiro trimestre da gravidez; 
Antecedentes pessoais fisiológicos; 
1- Gestação e nascimento: 
Como ocorreu a gestação; uso de 
medicamento ou radiações sofrida pela 
genitora; viroses na gestação; condições 
de parto; estado da criança ao nascer; 
ordem de nascimento e número de 
irmãos; 
2- Desenvolvimento psicomotor e 
neural: 
Dentição; engatinhar; andar; fala; 
desenvolvimento físico; controle dos 
esfíncteres; aproveitamento escolar; 
3- Desenvolvimento sexual: 
Puberdade; menarca; sexarca; 
menopausa; orientação sexual; 
 Antecedentes pessoais patológicos; 
1- Doenças sofridas pelo paciente: 
Começando-se pelas mais comuns na 
infância (sarampo, varicela, coqueluche, 
caxumba, doença reumática, 
amigdalites) e passando às da vida 
adulta (pneumonia, hepatite, malária, 
pleurite, tuberculose, hipertensão arterial, 
diabetes, artrose, osteoporose, litíase 
renal, gota, entre outras); 
2- Alergia; 
 Quando se depara com um caso de 
doença alérgica, essa investigação passa 
a ter relevância especial, mas, 
independentemente disso, é possível e útil 
tomar conhecimento da existência de 
alergia a alimentos, medicamentos ou 
outras substâncias. Se o paciente já sofreu 
de afecções de fundo alérgico (eczema, 
urticária, asma), esse fato merece registro. 
3- Cirurgia e outras intervenções; 
 Antecedentes pessoais: 
 @poli.canuto 
Motivos que determinaram o 
procedimento; data, tipo; diagnósticos; 
hospital realizado; 
4- Traumatismo: sobre o acidente e 
consequências; 
5- Transfusões sanguíneas: 
6- História obstétrica: gestações; 
partos; abortos; prematuros; 
cesarianas; 
7- Vacinas; 
8- Medicamentos em uso; 
 
 
Os antecedentes começam com a 
menção ao estado de saúde (quando 
vivos) dos pais e irmãos do paciente. Se 
for casado, inclui-se o cônjuge e, se tiver 
filhos, estes são referidos. Não se esquecer 
dos avós, tios e primos paternos e 
maternos do paciente. Se tiver algum 
doente na família, esclarecer a natureza 
da enfermidade. 
Em caso de falecimento, indagar a causa 
e a idade em que ocorreu; 
Pergunta-se sistematicamente sobre a 
existência de enxaqueca, diabetes, 
tuberculose, hipertensão arterial, câncer, 
doenças alérgicas, doença arterial 
coronariana (infarto agudo do miocárdio, 
angina de peito), acidente vascular 
cerebral, dislipidemias, úlcera péptica, 
colelitíase e varizes, que são as doenças 
com caráter familiar mais comuns; 
Quando o paciente é portador de uma 
doença de caráter hereditário (hemofilia, 
anemia falciforme, rins policísticos, erros 
metabólicos), torna-se imprescindível um 
levantamento genealógico mais rigoroso 
e, nesse caso, recorre-se às técnicas de 
investigação genética; 
 
 
Alimentação: 
Toma-se como referência o que seria a 
alimentação adequada para aquela 
pessoa em função da idade, do sexo e do 
trabalho desempenhado; 
Devemos questionar principalmente 
sobre o consumo de alimentos à base de 
carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, 
bem como de água e outros líquidos. 
Conclusões frequentes: 
- Reduzida ingesta de fibras; água; 
verdura; frutas 
- Alto consumo de carboidrato; gordura; 
Ocupação atual e anterior: 
Obtendo informações sobre a natureza 
do trabalho desempenhado, com que 
substâncias entra em contato, quais as 
características do meio ambiente e qual 
o grau de ajustamento ao trabalho. 
Atividades físicas: 
Torna-se cada dia mais clara a relação 
entre muitas enfermidades e o tipo de 
vida levado pela pessoa no que concerne 
à prática de exercícios físicos. Por 
exemplo: a ocorrência de lesões 
degenerativas da coluna vertebral nos 
trabalhadores braçais e a maior 
incidência de infarto do miocárdio entre 
as pessoas sedentárias. 
 Hábitos: 
Consumo de tabaco: 
Os efeitos nocivos do tabaco são 
indiscutíveis: câncer de boca, faringe, 
laringe, pulmão e bexiga, afecções 
broncopulmonares (asma, bronquite, 
enfisema, DPOC e bronquiectasias), 
afecções cardiovasculares (doença 
arterial coronariana, hipertensão arterial, 
tromboembolia), disfunções sexuais 
masculinas, baixo peso fetal (mãe 
tabagista), intoxicação do recém-
nascido em aleitamento materno (nutriz 
tabagista), entre outras. 
Antecedentes familiares: 
Hábitos e estilo de vida: 
 @poli.canuto 
Reconhecer o tipo do tabaco, 
quantidade, frequência, duração do vício 
e abstinência; 
Consumo de bebidas alcoólicas: ETILISMO 
Afeta o fígado, cérebro, nervos, pâncreas 
e coração; 
Reconhecer o tipo de bebida, 
quantidade, frequência, duração do vício 
e abstinência; 
Brindge drinking ou heavy drinking- beber 
exageradamente; Esse tipo de padrão de 
consumo de álcool expõe o bebedor a 
situações de risco, tais como danos à 
saúde física, sexo desprotegido, gravidez 
indesejada, superdosagem, quedas, 
violência, acidentes de trânsito, 
comportamento antissocial e dificuldades 
escolares, tanto em jovens como na 
população geral. 
Uso de anabolizantes e anfetaminas: 
Substâncias que levam à dependência e 
estão correlacionadas com doenças 
cardíacas, renais, hepáticas, endócrinas 
e neurológicas. A utilização de 
anfetaminas, de maneira indiscriminada, 
leva à dependência química e, 
comprovadamente, causa prejuízos à 
saúde. Alguns sedativos (barbitúricos, 
morfina, benzodiazepínicos) também 
causam dependência química e devem 
ser sempre investigados. 
Consumo de drogas ilícitas: 
Exemplos: maconha; cocaína; crack; 
Não deixar de questionar sobre tipo de 
droga, quantidade habitualmente 
ingerida, frequência, duração do vício e 
abstinência. 
A investigação clínica de um paciente 
que usa drogas ilícitas não é fácil. Há 
necessidade de tato e perspicácia. O 
médico deve integrar informações 
provenientes de todas as fontes 
disponíveis, principalmente de familiares. 
 
 
Habitação: 
Na zona rural, pela sua precariedade, as 
casas comportam-se como abrigos ideais 
para numerosos reservatórios e 
transmissores de doenças infecciosas e 
parasitárias. Como exemplo, poder-se-ia 
citar a doença de Chagas, que se instala 
na casa de pau a pique; 
Na zona urbana, as favelas e as áreas de 
invasão propiciam o surgimento de 
doenças infectoparasitárias devido à 
ausência de saneamento básico, 
proximidade de rios poluídos, ineficácia 
na coleta de lixo e confinamento de 
várias pessoas em pequenos cômodos, já 
nos locais de luxos são mais possíveis a 
instalações nas piscinas e jardins de 
criadouros do Aedes aegypti, por 
exemplo; 
A poluição do ar, a poluição sonora e 
visual, os desmatamentos e as 
queimadas, as alterações climáticas, as 
inundações, os temporais e os terremotos, 
todos são fatores relevantes na análise do 
item habitação, podendo propiciar o 
surgimento de várias doenças; 
Condições socioeconômicas: 
Na própria identificação do paciente, 
mas pode-se perguntar sobre a renda 
mensal, situação profissional, 
dependência econômica de parentes ou 
instituição; 
Todo médico precisa conhecer as 
possibilidades econômicas de seu 
paciente, principalmente sua 
capacidade financeira para comprar 
medicamentos e realizar exames 
complementares; 
Condições socioeconômicas e culturais:@poli.canuto 
No Brasil, atualmente, há distribuição 
gratuita de medicamentos para 
pacientes crônicos e cabe ao médico 
conhecer a lista desses remédios para 
prescrevê-los, quando necessário; 
Uma das mais frequentes causas de 
abandono do tratamento é a 
incapacidade de adquirir remédios ou 
alimentos especiais; 
Condições culturais: 
É importante destacar que as condições 
culturais não se restringem ao grau de 
escolaridade, mas abrangem 
religiosidade, tradições, crenças, mitos, 
medicina popular, comportamentos e 
hábitos alimentares 
Vida conjugal e relacionamento familiar: 
 Investiga-se o relacionamento entre pais 
e filhos, entre irmãos e entre cônjuges. 
Em alguns casos, pode ser difícil, 
principalmente, para o estudante 
adentrar nesse assunto; 
 ANAMNESE EM PEDIATRIA: 
Informações obtidas pela mãe ou outro 
familiar; 
Os pais – ou os avós, principalmente – 
gostam de “interpretar” as manifestações 
infantis em vez de relatá-las 
objetivamente; 
O relacionamento com a mãe é parte 
integrante do exame clínico da criança 
 ANAMNESE EM PSIQUIATRIA: 
A anamnese dos pacientes com distúrbios 
mentais apresenta muitas 
particularidades que precisam ser 
conhecidas pelos médicos, mesmo os 
que não se dedicam a esse ramo da 
medicina; 
 
 
 
No caso de pacientes vistos pela primeira 
vez no consultório ou hospital, geralmente 
a opção adotada é conduzir uma 
avaliação abrangente, que inclui todos os 
componentes da anamnese e um 
completo exame físico; 
Em muitas situações, é indicada uma 
avaliação orientada para problemas ou 
focalizada mais flexível, principalmente 
no caso de pacientes que você conheça 
bem e estejam retornando para uma 
consulta de rotina ou de pacientes com 
preocupações específicas e “mais 
prementes”, como dor de garganta ou 
dor no joelho; 
A anamnese e o exame físico é 
adequado à situação vigente; 
 Magnitude e gravidade do 
problema; 
 A necessidade de ser minucioso; 
 Ambiente clínico; 
 Tempo disponível; 
Avaliação abrangente: 
Adequada para pacientes novos; 
Fornece dados fundamentais e 
personalizados sobre o paciente; 
Fortalece a relação médico-paciente; 
Ajuda a identificar ou descartar causas 
físicas relacionadas com as queixas do 
paciente; 
Linha de base para avaliações futuras; 
Avaliação focalizada: 
Adequadas para pacientes já 
conhecidos; 
Aborda queixa ou sintomas localizadas 
Avalia sintomas restritos a um sistema 
corporal específico; 
Aplica exames relevantes à avaliação; Avaliação do paciente; 
 @poli.canuto 
 
 
Não é uma relação interpessoal como 
outra qualquer, pois está inserida nela 
uma grande carga de angústia, medo, 
incerteza, amor, ódio, insegurança, 
confiança, que determina uma relação 
dialética entre o ser doente e aquele que 
lhe oferece ajuda; 
 Princípios bioéticos da relação: 
1- Beneficência: buscar fazer o bem; 
2- Não maleficência: não fazer nada 
de mal ao paciente; 
3- Justiça: fazer o que é justo ao 
paciente; 
4- Autonomia: possibilitar que o 
pacientes decida sobre seu 
tratamento; 
 
OBS: A justiça é o pilar da equidade, Por 
isso, a equidade deve ser conceituada 
como “tratar de forma desigual os 
desiguais”, na tentativa de oferecer 
oportunidades semelhantes a toda a 
sociedade; 
 Valores bioéticos: 
1- Sigilo: Respeitar o segredo sobre as 
informações do paciente; 
2- Alteridade: respeitar a diferença no 
outro; 
 
A alteridade é descrita como valor 
bioético fundamental, pois estudantes e 
médicos precisam respeitar o outro em 
sua diversidade. Assim como não se deve 
excluir ou discriminar o outro pela sua 
diferença, também não se pode igualar a 
todos, ignorando a diversidade humana 
que estabelece grande riqueza de 
possibilidades de estar no mundo real. 
Característica da relação médico-
paciente: 
A relação médico-paciente é assimétrica 
por natureza. Pressupõe-se que o 
profissional tenha conhecimento 
científico sobre os aspectos da doença e 
que o paciente domine apenas os 
conceitos do senso comum. Entretanto, a 
assimetria desta relação tem sido 
reduzida pela facilidade de acesso do 
paciente às informações científicas por 
intermédio das várias mídias. 
 Tipos de relação médico-paciente: 
 Modelo paternalista ou sacerdotal: 
o médico toma as decisões; 
relação autoritária; 
 Modelo tecnicista ou engenheiral: o 
médico informa tudo ao paciente, 
sendo neutro; 
 Modelo colegial ou igualitário: o 
médico desconsidera a simetria, 
existente na relação; 
 Modelo contratualista: 
participação ativa do paciente na 
execução; 
 Tipos de relacionamentos: 
 Médico ativo e paciente passivo; 
 Medico direciona e paciente 
colabora; 
 Médico age e paciente ativo; 
Médico cuidador, segundo Winnicott, 
diferencia-se de médico curador, 
exatamente pela capacidade humana 
de atender seu paciente, de modo global 
e holístico, ampliando o conceito do 
médico que se envolve somente com a 
cura da doença, o que frequentemente 
não é alcançado, originando profunda 
frustração. 
 
FENÔMENOS PSICODINÂMICOS DA 
RELAÇÃO: 
Relação médico-paciente; 
 @poli.canuto 
a) Transferência: fenômenos afetivos que 
o paciente transfere para o médico; 
 
b) Resistência: fatores que interferem na 
relação médico-paciente; 
 
 
c) Contratransferência: o médico 
transfere fenômenos afetivos para o 
paciente; 
 
 
 
 
Resgate da relação médico-paciente, 
como um meio essencial e 
complementar aos recursos tecnológicos; 
ultimamente, tem-se evidenciado que 
apesar do desenvolvimento tecnológico 
dar à medicina parâmetros valiosos, isso 
não garante a satisfação do paciente; 
A importância da relação médico-
paciente na evolução da medicina: 
Em sua origem, a medicina ocidental era 
uma ciência essencialmente 
humanística; Nesse sentido, para os 
médicos dessa época, as doenças não 
eram consideradas isoladamente como 
um problema especial, mas sim como 
uma consequência da interação entre o 
homem, vítima da enfermidade, e a 
natureza que o rodeava, as leis universais 
que o regiam e sua qualidade individual; 
- MODELO HIPOCRÁTICO exame físico + 
relação médico paciente; 
A partir da segunda metade do século 
XIX, importantes descobertas causaram 
uma verdadeira revolução na prática 
médica. O desenvolvimento de 
conhecimentos nos campos da 
patologia, das análises laboratoriais e de 
medicamentos mais eficazes possibilitou à 
ciência médica um controle maior das 
doenças e uma maior probabilidade de 
cura; crescente desenvolvimento 
tecnológico; 
Consequentemente, essa conquista de 
espaço levou a medicina a ser vista como 
uma ciência exata e biológica, perdendo 
pouco a pouco o seu caráter humanístico; 
Dessa forma, a necessidade antes 
primordial de desenvolver uma estreita 
relação com o paciente para tecer um 
diagnóstico correto e uma terapêutica 
adequada foi sendo gradativamente 
substituída pela solicitação e execução 
de exames mais acurados e utilização de 
medicamentos mais eficazes; MÉDICO 
CIENTIFICISTA; 
Os pacientes, antes vistos como indivíduos 
únicos com patologias próprias, passaram 
a ser vistos como máquinas que 
apresentavam defeitos; 
 Uma pesquisa realizada pela Associação 
Americana de Escolas Médicas expressou 
claramente que a população queixava-
se de que os médicos estavam sem 
compaixão e mais interessados pelos 
testes e métodos, do que pelos seres 
humanos; 
A partir daí, passou-se a pensar no que 
estaria a faltar ou no que se teria perdido 
dentro da prática médica que pudesse 
explicar todas essas insatisfações. Foi 
assim que a relação médico paciente, 
até então um tanto quanto desvalorizadae desprezada, passou a ser resgatada, 
recebendo gradativamente uma 
valorização crescente como sendo um 
meio essencial e complementar aos 
recursos tecnológicos; Modelo 
hipocrático e cientificista sendo 
complementares; 
Concordante a toda essa realidade, 
características do médico hipocrático 
passaram a ser consideradas como sendo 
princípios fundamentais e peculiares à 
Relação médico paciente e seus aspectos 
psicodinâmicos 
 @poli.canuto 
prática médica, pois de acordo com 
Fraga (7), “a audição que recolhe as 
queixas, a mão que toca, o gesto que 
afaga, o olhar que mantém a esperança, 
o sorriso que consola, a palavra que 
tranquiliza, a mente que elabora” são 
elementos que não podem ser criados por 
nenhum recurso tecnológico até o 
presente momento, uma vez que são 
propriedades exclusivas dos seres 
humanos; 
Aspectos psicodinâmicos: 
Uma relação médico-paciente 
satisfatória só se torna possível quando se 
está disponível para efetuá-la. Por outro 
lado, a disponibilidade por si só não é 
suficiente para desenvolvê-la de forma 
adequada, uma vez que nela é 
fundamental que se leve em 
consideração os processos mentais e 
emocionais subjacentes ao 
comportamento do homem e de sua 
motivação; 
 Doenças de curta duração: relação 
médico paciente de curta 
duração; 
 Doenças de longa duração: 
relação médico paciente de longa 
duração; mais afeto; influência do 
trabalho do médico; 
 Doenças de cura incerta ou 
improvável: Nessas situações, a 
maturidade emocional e não mais 
somente o preparo técnico torna-
se o fator preponderante para a 
melhor condução do caso, pois 
vários fenômenos inconscientes do 
médico e do paciente podem 
despertar e vir à tona, marcando 
de forma favorável ou negativa a 
conduta. 
 
 
 
Comunicar más notícias a pacientes e seus 
familiares em Hospitais é uma das mais 
difíceis e importantes tarefas com que se 
deparam as equipes de saúde e 
principalmente os médicos. A despeito de 
sua importância, muitos profissionais 
ainda carecem de informação e 
preparação suficientes para lidar com 
essas situações; 
Apesar dos avanços tecnológicos, a 
comunicação continua sendo a ferramenta 
primária e indispensável com a qual médico 
e paciente trocam informações; 
Elementos como a empatia, 
compreensão, interesse, desejo de 
ajuda e bom humor são indispensáveis 
para conseguir um ambiente de conforto 
emocional, no qual o paciente terá um 
conhecimento de sua doença e diagnóstico, 
e o médico agirá segundo seus 
conhecimentos; 
Neste sentido, o intercambio de informações 
engloba não apenas aquilo que o paciente 
necessita saber como também informá-lo 
apropriadamente e reassegurar de que 
ele tenha compreendido a informação. 
Assim, é necessário que se trabalhe em dois 
pólos: verificar que a informação seja 
compreendida corretamente e se necessário 
corrigi-la e preocupar-se com a reação 
afetiva envolvida na passagem da 
informação. Esta última implica em 
considerar os sentimentos e expectativas 
que o paciente tem em relação ao 
profissional de saúde (transferência), bem 
como com os sentimentos e expectativas 
que o profissional de saúde tem do paciente 
(contratransferência); 
A dificuldade e frequência com que ocorre 
este evento contrastam, contudo, com a 
deficiente preparação das equipes de 
saúde em termos de habilidades gerais 
de comunicação, principalmente na forma 
de comunicar informação de resultados 
negativos no curso da evolução de uma 
doença; 
O QUE SÃO MÁS NOTÍCIAS: 
Má notícia pode ser compreendida como 
aquela que altera drástica e 
Como comunicar más notícias: 
 @poli.canuto 
negativamente a perspectiva do 
paciente em relação ao seu futuro; 
Essa definição implica que a resposta do 
paciente dependerá, entre outras coisas, d e 
sua perspectiva de futuro, sendo esta 
única, individual e influenciada pelo 
contexto psicossocial do mesmo; 
Podem ser, portanto, não somente um 
diagnóstico terminal, mas também o 
diagnóstico de uma doença crônica (por 
exemplo, do diabetes mellitus) 
Por outro lado uma má noticia pode ser 
simplesmente um diagnóstico que é dado 
em uma hora inoportuna, como uma 
angina instável que requer uma angioplastia 
durante a semana do casamento da filha, 
por exemplo; 
DIFICULDADES AO COMUNICAR MÁS 
NOTÍCIAS: 
Uma preocupação comum é a de como a má 
notícia irá afetar o paciente, sendo esta uma 
justificativa para o fato de escondê-la; 
 O código de ética médica, desde 1847 já 
declarava: A vida de uma pessoa doente 
pode ser diminuída não apenas pelos atos, 
mas também pelas palavras ou maneiras do 
médico, ou seja, evitar palavras que possa 
desencorajar o paciente e deprimir seu 
espírito; 
Os fatores mais importantes para pacientes 
quando recebem más notícias são a 
competência do médico, sua 
honestidade e atenção, o tempo para 
permitir as perguntas, um diagnóstico 
direto e compreensível e o uso de um 
linguajar claro 
Já os familiares buscam privacidade, uma 
atitude positiva do médico, sua 
competência, clareza e tempo para 
perguntas; 
Nesse sentido, muitos autores concordam 
que os medos dos próprios médicos 
podem interferir no momento de comunicar 
as más notícias. Estes estariam relacionados 
ao receio de causar dor ao paciente, de 
sentir incômodo no momento de 
comunicar uma má notícia, de ser 
culpado pelo paciente e familiares), de 
falha terapêutica, de problema judicial, 
do desconhecido, de dizer não sei, de 
expressar as emoções e, por fim, da 
própria morte; 
Nas últimas décadas, no entanto, o modelo 
paternalista do cuidado ao paciente vem 
sendo substituído por um que enfatiza 
a autonomia do paciente e a revelação 
completa, partindo-se do pressuposto que a 
mesma permite aos pacientes a tomada de 
decisões baseadas em melhores 
informações, reconhecendo não somente 
o diagnóstico, mas o prognóstico e 
tratamento; 
Uma revisão de estudo sobre as preferências 
dos pacientes no que diz respeito a 
revelação de um diagnóstico terminal 
revelou que 50 a 90 por cento dos pacientes 
desejavam obter a revelação total. Pelo fato 
de uma minoria de pacientes ainda não 
querer saber a revelação total, os médicos 
precisam determinar como o paciente 
gostaria de receber a má notícia; 
Os pacientes geralmente desejam uma 
revelação franca e empática de um 
diagnóstico terminal ou outras más notícias; 
COMO COMUNICAR MÁS NOTÍCIAS: 
1) ESTABELECER UMA RELAÇÃO MÉDICO, 
EQUIPE E PACIENTE ADEQUADA: Uma boa 
relação implica colocar em prática a 
capacidade de empatia, 
compreensão e desejo de ajuda. 
Este tipo de abordagem na 
comunicação da má notícia pode 
melhorar o relacionamento do médico 
(equipe de saúde) -paciente e 
reduzir a ansiedade deste último. 
Desta forma, é importante 
demonstrar interesse e respeito. 
A conduta e o comportamento 
profissional são essenciais para o 
paciente sentir-se bem; 
 
2) CONHECER CUIDADOSAMENTE A HISTÓRIA 
MÉDICA: Isto dará consistência às 
decisões clinicas e permitirá uma 
comunicação mais clara e fluída. 
Neste sentido, quem irá revelar as 
 @poli.canuto 
más notícias deverá ser 
preferencialmente o médico 
responsável pelo caso. 
 
3) VER O PACIENTE COMO PESSOA: Assim, é 
importante que se tenha alguma idéia 
das circunstâncias sociais do 
paciente antes de comunicar notícia 
má, de modo que o médico poderá 
apropriar-se da situação 
e comunicar o apoio necessário. 
 
4) PREPARAR O SETTING: Deve se buscar 
um lugar com privacidade e 
conforto, onde não haja 
possibilidade de interrupção - e 
evitar comunicar uma má notícia no 
corredor. Uma outrainformação 
importante é saber se o paciente 
deseja a presença de outras pessoas 
durante a entrevista; 
 
5) ORGANIZAR O TEMPO: é necessário que 
se garanta um tempo razoável para 
preparar o paciente, comunicar a 
informação, permitir um breve 
espaço para reflexão e possibilitar um 
intercâmbio entre perguntas e 
respostas programando, 
apropriadamente, o seguimento e 
abordando os procedimentos 
terapêuticos por fazer, antes de 
concluir a entrevista; 
 
6) ASPECTOS ESPECÍFICOS DA 
COMUNICAÇÃO: é muito importante 
compreender o paciente, ter uma 
expressão neutra e, em seguida, 
informar as más notícias de maneira 
clara e direta. Usar um tom de voz 
suave, pausado e usar uma 
linguagem sincera. O profissional 
deverá assegurar-se que o paciente 
tenha compreendido a mensagem 
com clareza, sem muitos termos 
médicos; 
 
7) RECONHECER O QUE E QUANTO O PACIENTA 
QUER SABER: Existe discordância entre 
o que o profissional quer dizer e o que 
o paciente quer saber. Perguntar ao 
paciente o que ele quer saber 
dará a oportunidade deste colocar 
sua vontade. Se o paciente mostrar 
que não quer falar sobre a 
informação, devemos deixar a porta 
aberta para falar em outra hora. 
 
8) ENCORAJAR E VALIDAR AS EMOÇÕES: é 
importante que o profissional 
verifique continuamente com o 
paciente como ele se sente, não 
antecipando a reação emocional do 
mesmo. Oferecer períodos de 
silêncio permite que os pacientes 
processem a má notícia e ventilem 
emoções. È importante também 
questionar sobre as necessidades 
emocionais e espirituais do paciente e 
quais os sistemas de suporte que ele 
tem. Se precisar, oferecer 
referências se utilizando dos 
serviços interdisciplinares para 
aumentar o cuidado ao paciente. 
 
9) ATENÇÃO E CUIDADO COM A FAMÍLIA: Face 
à comunicação de uma má noticia o 
profissional deverá ficar atento à 
situação familiar do paciente e levar 
em conta as necessidades 
particulares da família em função 
de seus antecedentes culturais e 
religiosos. A presença de um 
membro da família geralmente 
serve de apoio e suporte para o 
paciente. No caso de más notícias 
previstas (antecipadas), pergunte 
antes quem ele quer que esteja 
presente e o quanto ele gostaria que 
os outros fossem envolvidos 
 
10) PLANEJAR O FUTURO E O SEGUIMENTO: O 
profissional pode minimizar a 
ansiedade do paciente resumindo 
as áreas discutidas, verificando se 
houve a compreensão e formulando 
um planejamento ou próximos passos 
com o paciente; 
 
11) TRABALHAR OS PRÓPRIOS SENTIMENTOS: 
Por essa razão é recomendável que 
depois da comunicação de uma má 
notícia, o profissional reserve um 
tempo para revisar as próprias 
 @poli.canuto 
reações - reconhecê-las permitirá 
uma sensibilidade maior e melhor 
habilidade clínica de comunicação; 
 
 
 
 
CAPÍTULO I – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
II – O alvo de toda a atenção do médico 
é a saúde do ser humano, em benefício 
da qual deverá agir com o máximo de 
zelo e o melhor de sua capacidade 
profissional. 
 XI – O médico guardará sigilo a respeito 
das informações de que detenha 
conhecimento no desempenho de suas 
funções, com exceção dos casos 
previstos em lei. 
XIX – O médico se responsabilizará, em 
caráter pessoal e nunca presumido, pelos 
seus atos profissionais, resultantes de 
relação particular de confiança e 
executados com diligência, 
competência e prudência; 
 
CAPÍTULO II– RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL 
É vedado ao médico: 
 Art. 1º Causar dano ao paciente, por 
ação ou omissão, caracterizável como 
imperícia, imprudência ou negligência. 
. Art. 2º Delegar a outros profissionais atos 
ou atribuições exclusivas da profissão 
médica. 
Art. 8º Afastar-se de suas atividades 
profissionais, mesmo temporariamente, 
sem deixar outro médico encarregado do 
atendimento de seus pacientes 
internados ou em estado grave. 
CAPÍTULO IV – DIREITOS HUMANOS 
É vedado ao médico: 
Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade 
ou consideração, desrespeitar sua 
dignidade ou discriminá-lo de qualquer 
forma ou sob qualquer pretexto. 
CAPÍTULO V – RELAÇÃO COM PACIENTES E 
FAMILIARES 
É vedado ao médico: 
 Art. 33. Deixar de atender paciente que 
procure seus cuidados profissionais em casos 
de urgência ou emergência quando não 
houver outro médico ou serviço médico em 
condições de fazê-lo. 
 Art. 34. Deixar de informar ao paciente o 
diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os 
objetivos do tratamento, salvo quando a 
comunicação direta possa lhe provocar 
dano, devendo, nesse caso, fazer a 
comunicação a seu representante legal; 
 
 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
 II - O alvo de toda a atenção do 
estudante de medicina é a saúde do ser 
humano, em benefício da qual deverá 
agir com o máximo de zelo e o melhor de 
sua capacidade intelectual; 
IX - O estudante guardará sigilo a respeito 
das informações obtidas a partir da 
relação com os pacientes e com os 
serviços de saúde; 
EIXO 3 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS DO 
ESTUDANTE 
Art. 24: É vedado ao acadêmico de 
medicina identificar se como médico, 
podendo qualquer ato por ele praticado 
nessa situação ser caracterizado como 
exercício ilegal da medicina. 
 Art. 26: A realização de atendimento por 
acadêmico deverá obrigatoriamente ter 
supervisão médica. 
Código de ética médica: 
Código de ética do estudante de medicina: 
 @poli.canuto 
Art. 29: A quebra de sigilo médico é de 
responsabilidade do médico assistente, 
sendo esse ato vedado ao acadêmico 
de medicina. 
Art. 32: O estudante de medicina deve 
manusear e manter sigilo sobre 
informações contidas em prontuários, 
papeletas, exames e demais folhas de 
observações médicas, assim como limitar 
o manuseio e o conhecimento dos 
prontuários por pessoas não obrigadas a 
sigilo profissional; 
REFERÊNCIAS: 
BICKLEY, L. S. Bates: Propedêutica Médica. 12. 
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018 
PINHO, F. M. O. et al. Exame Físico Geral. In: 
PORTO, C. C. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2019 
VICTORINO, AB et al . Como comunicar más 
noticias: revisão bibliográfica. Rev. SBPH, Rio 
de Janeiro , v. 10, n. 1, p. 53-63, jun. 2007; 
CAPRARA andrea, RODRIGUES, Josiane A 
relação assimétrica médico-paciente: 
repensando o vínculo terapêutico; 2003
 @poli.canuto

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