Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária
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Caderno Legislação Trabalhista e PRevidenciária

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JULIO CESAR DE SOUZA
Cabo Frio, 24 de agosto de 2011.

CADERNO DE LEGISLAÇÃO
TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA

AULA 01 - INTRODUÇÃO AO DIREITO TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIO

Trabalho é todo esforço físico ou mental para obter um resultado, em benefício próprio ou de
terceiro.

Direito é o conjunto de princípios e normas e Instituição que regula alguma coisa no convívio
social. E o ser humano é um animal racional e gregário, que, por segurança e instinto de
preservação, vive em grupo ou em sociedade.

Assim, se o ser humano sempre trabalhou, esforçando-se ao menos para se alimentar, podemos
concluir que sempre existiu o Direito do Trabalho? A solução está no fato econômico, isto é, se
todos os insumos forem abundantes, se derem para contemplar todos do grupo, não haverá
conflito, não havendo necessidade de regulamentação através do Direito.

Todavia, se os fatores forem raros ou insuficientes para atender a todos, haverá necessidade de
regular o seu uso pela sociedade ou pelos grupos através do Direito.

Assim, temos os três elementos necessários ao Direito do Trabalho, isto é: existia a vida em
grupo, existia algum fator raro e existia a necessidade de um esforço para obtê-lo.

As Relações do Trabalho tiveram suas raízes em três etapas antecedentes.

Escravidão – Havendo abundância de fatores econômicos e compatibilidade social, não há
conflito e prevalece a paz social, o trabalho é comunitário e seus frutos são partilhados. No
entanto, havendo algum fator raro, incompatibilidade social ou noção de propriedade, surge o
conflito. Mental ou numericamente, os mais fortes e organizados tendem a dominar e subjugar os
mais fracos ou dispersos.
Em um primeiro momento, os vencedores sacrificavam os vencidos. Posteriormente, os
vencedores passaram a escravizar os vencidos para usufruir de seu trabalho em serviços
exaustivos e sem nenhum tipo de remuneração.
Assim, como estavam subjugados, os escravos passaram a ser tratados juridicamente como bens
de produção, sendo objeto de compra e venda, hipoteca, etc.
A escravidão era considerada justa e ética na Grécia, no Egito e em Roma. Na Idade Média, eram
escravizados os bárbaros e infiéis. Mais tarde, nas Américas, no período colonial, índios e
negros. Somente a Revolução Francesa proclamou a escravidão indigna, e em 1857 ela foi
banida dos territórios dominados pela Inglaterra.
Obs.: Escravos libertos alugavam seus serviços, surgindo assim os primeiros assalariados.

Servidão – Foi um tipo de Relação de Trabalho muito generalizado até a Idade Média, em que o
indivíduo, embora não tivesse a condição jurídica de escravo, não tinha liberdade, sendo uma
característica das sociedades feudais. Sua base legal estava na posse da terra pelos senhores, que
se tornavam possuidores de todos os direitos, inclusive sobre seus habitantes, numa economia
baseada na agricultura e pecuária.
Embora não fossem escravos, os servos estavam sujeitos a severas restrições, inclusive de

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deslocamento. A eles eram assegurados os direitos de herança de animais, objetos pessoais e o
uso de pastos, mas o imposto sobre a herança cobrado pelos senhores absorvia de forma abusiva
os bens dos herdeiros.

Corporações de Ofício – Iniciam a transição da economia doméstica para a economia de
consumo primário. A fuga do homem do campo, onde o poder dos nobres era quase absoluto,
concentrou as populações nas cidades, principalmente os que conseguiam se manter livres. A
identidade de profissão aproximou alguns homens, dando origem às Corporações de Ofício.

Revolução Industrial
Vários acontecimentos ou fatos tecnológicos, econômicos, jurídicos, políticos e sociais
ocorreram na Europa – principalmente na Inglaterra e na França - no espaço aproximado de cem
anos, entre o início dos séculos XVIII e XIX.

Fatos tecnológicos - Destacam-se as invenções ou o desenvolvimeto da máquina de fiar, a
fundição do ferro em aço, o tear mecânico, a máquina a vapor e dos navios. Primeiro houve a
retração dos empregos depois a expansão, porém com salários baixos, como ocorre na
robotização, nos dias de hoje.

Fatos Econômicos - Transformação da economia de consumo primário para a economia de
consumo de massa, com um vasto mercado necessitando de bens.

Fatos Jurídicos - Surgimento de contrato de trabalho subordinado: o homem livre do campo,
fugindo do absolutismo dos senhores feudais, só possuía para sobreviver e se alimentar a sua
força de trabalho; então, a vendia a quem se dispusesse a pagar por ela, que adquiria o direito de
determinar o que e como fazer. Esta condição, bem como a natureza alimentar do salário e o
poder de comando do empregador, foram fatos básicos na formação do Direito do Trabalho e das
Modernas Relações do Trabalho.

Fatos Políticos - A classe capitalista almeja o poder na sociedade e dentro da Doutrina Liberal,
se contrapondo ao absolutismo dos senhores feudais, prega que a liberdade com fraternidade
geraria a igualdade e que todos, através do voto, poderiam exercer o poder.

Fatos Sociais - Os trabalhadores vindos do campo se aglomeram em favelas em torno das
fábricas; o sistema liberal e a grande exploração dos trabalhadores em um capitalismo selvagem,
sem qualquer visão social, os levava a condições de vida sub-humanas.

Ocorrendo cada vez mais oferta de mão de obra do que de emprego, os salários diminuem e as
condições de trabalho se precarizam. Os trabalhadores, suas mulheres e filhos se dedicam a
jornadas de até 12 horas diárias, mas não conseguem condições dignas de sobrevivência. Neste
momento percebem que há algo injusto e iniciam a tomar.

A consciência e o espírito de classe surgindo, o capitalismo e proletariado como classes
antagônicas e rivais. A decadência do Sistema Liberal se inicia com a percepção de que o choque
entre o individual e o coletivo punha em perigo a estabilidade social, gerando uma compensação
jurídica com um sentido mais justo de equilíbrio, deixando o individualismo em plano
secundário e prevalecendo o interesse social.

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Como vimos, na Escravidão, em que os trabalhadores eram subjugados e tratados como objetos
ou bens de produção, e durante a Servidão, em que a liberdade oferece sérias restrições e nem os
direitos individuais como a propriedade eram respeitados, não havia condições para existir o
Direito do Trabalho.

Já nas Corporações de Ofício, originadas pelo instinto gregário do ser humano e do fato de que
todos os que exercem um mesmo ofício, instintivamente, não havendo concorrência, tendem a se
reunir, surge um novo espírito de classe e uma forte solidariedade do grupo.
Esta solidariedade do grupo para com seus integrantes são os fundamentos para o surgimento da
Previdência Social.

As Corporações de Ofício eram compostas por três classes:

✔ Os Mestres, que detinham todo o conhecimento.
✔ Os Companheiros, que faziam as obras, mas não tinham o conhecimento total.
✔ Os Aprendizes (ajudantes, hoje os estagiários).

Por trabalharem juntos, e pelo fato de que, em casos de acidentes ou doenças, quem não produzia
não recebia e não tinha como se manter e a seus familiares, os que produziam, solidários com os
que estavam doentes, separavam espontaneamente parte de seus rendimentos para ajudar no
socorros aos desvalidos, surgindo as caixas de socorro mútuo ou Mútuas, que foram o embrião
da futura Seguridade e Previdência Social.

Princípios ou Fundamentos do Direito do Trabalho e Previdenciário

Conceitualmente, princípios são as ideias fundamentais e estruturais que servem para informar,
normatizar e interpretar o Direito. Assim, os princípios do Direto