Prévia do material em texto
Fernanda Bastos Santos
Fases clínicas do parto
Parturição
O parto é caracterizado por contrações das fibras miometriais, cujas principais funções são a dilatação cervical e a expulsão do feto através do canal de parto.
*Tampão mucoso = há a perda desse também em até 15 dias antes.
O processo fisiológico que regula tais modificações não possui um marco bem definido como as fases clínicas do parto, contudo, pode ser dividido em quatro etapas:
· Quiescência (fase 1)
· Ativação (fase 2)
· Estimulação (fase 3)
· Involução (fase 4).
A quiescência é caracterizada por relativa ausência de resposta a agentes que determinam a contratilidade uterina. Ela se inicia com a implantação do zigoto e perdura por quase toda a gestação. Apesar de algumas poucas contrações serem observadas nesse período, elas não modificam a estrutura cervical nem causam dilatação do colo uterino.
A ativação prepara o útero e o canal cervical para o trabalho de parto e dura aproximadamente 6 a 8 semanas. Determina algumas modificações cervicais e caracteriza-se pela descida do fundo uterino.
A estimulação, que pode ser clinicamente dividida em três períodos (dilatação, expulsão e dequitação) e cujo fenômeno mais importante são as contrações uterinas efetivas.
· Paciente em postura confortável. Melhor posição é a Decúbito Lateral Esquerdo pois em decúbito dorsal pode comprimir a veia cava.
· Analgesia = Peridural do primeiro período -> dura mais tempo.
· Dieta líquida ou leve.
· Quantas contrações / Duração em segundos / 10 minutos
Para um adequado trabalho de parto, essas contrações devem apresentar uma frequência regular entre duas e cinco contrações a cada 10 minuto e intensidade de 20 a 60 mmHg (média de 40 mmHg) e duração entre 30 e 90 segundos (média de 60 segundos).
Finalmente a involução, destaca·se pelo retorno ao estado pré-gravídico (puerpério). Seu início ocorre após a dequitação e é caracterizado por uma contração persistente que promove a involução uterina.
DILATAÇÃO
A fase de dilatação, ou primeiro período, inicia-se com as primeiras contrações dolorosas, cuja principal ação é a modificação da cérvix. Assim, esse período começa com as primeiras modificações cervicais e termina com a dilatação completa do colo uterino (10 cm) de modo a permitir a passagem fetal. Essas modificações abrangem dois fenômenos distintos: o esvaecimento cervical e a dilatação propriamente dita.
Nas primÍparas, ocorrem nessa ordem, sucessivamente: primeiro o esvaecimento, de cima para baixo, e depois a dilatação do orifício externo; já nas multíparas, são simultâneos.
· O esvaecimento ou apagamento do canal cervical consiste na incorporação do colo à cavidade uterina terminando com a formação de um degrau ao centro da abóbada cervical.
· Próximo ao termo, ocorre aumento de infiltrado inflamatório no canal cervical decorrente de mudanças locais que promovem a maturação cervical e da lise de fibras de colágeno.
· A dilatação do orifício externo do colo tem como principal finalidade ampliar o canal de parto e completar a continuidade entre útero e vagina.
À medida que a dilatação cervical progride surge um espaço entre o polo cefálico e as membranas ovulares (âmnio e cório), no qual ficará coletado o líquido amniótico (bolsa das águas), cuja função é auxiliar as contrações uterinas no deslocamento do istmo. A bolsa das águas se forma no polo inferior do ovo no decorrer do trabalho de parto, e sua ruptura causa a saída parcial do seu conteúdo líquido, ocorrendo, via de regra, no período em que a dilatação cervical é maior que 6 cm.
Todavia, essa rotura pode ser precoce (no início do trabalho de parto). Quando a rotura ocorre contemporânea à expulsão do feto, é denominada nascimento de feto empelicado.
Faz-se mister ratificar que a rotura das membranas ovulares antes do trabalho de parto (RPMO, também chamada amniorrexe prematura) é erroneamente denominada por muitos ·bo1sa rota*, visto que esse termo deve ser utilizado apenas durante o trabalho de parto, quando a "bolsa das águas• se forma.
Amniorrexe espontânea - acontece durante o trabalho de parto.
Amniotomia - Você rompe a bolsa. Reduz a fase ativa do parto (acelera o trabalho de parto). Evitar em polidrâmnio ou quando apresentação muito alta -> Risco de prolapso.
A dilatação cervical é representada por uma curva sigmóide dividida em fase latente e fase ativa, sendo esta última composta de três subdivisões:
• Aceleração: em que a velocidade de dilatação começa a modificar-se e a curva se eleva.
• Dilatação ou aceleração máxima: quando a dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm.
• Desaceleração: que precede a dilatação completa.
A fase latente apresenta como característica contrações não eficazes (em termos de coordenação e intensidade sem, contudo, determinar modificações significativas na dilatação cervical. A fase latente normalmente dura 8 horas, porém com variações conforme a paridade e mesmo entre gestantes de mesma paridade. A dilatação nessa fase é em tomo de 0,35 cm/h, e sua evolução e duração dependem das modificações que ocorrem nas duas semanas que precedem o parto. Todavia, a fase latente será considerada prolongada quando durar mais que 20 horas em primíparas e mais que 14 em multíparas.
A fase ativa (com contrações efetivas) normalmente se inicia com dilatação cervical de 4 cm e dura em média 6 horas nas primíparas, com velocidade de dilatação de cerca de 1,2 cm/h, e 3 horas nas multíparas, com velocidade de dilatação de 1,5 cm/h.
MONITORAÇÃO FETAL
Diagn6slico de trabalho de parto
O diagnóstico de trabalho de parto está condicionado à presença de contrações uterinas com riuno e características peculiares, combinadas a alterações progressivas no colo uterino (esvaecimento e dilatação) e à formação da bolsa das águas.
EXPULSÃO
Na segunda fase do parto, denominada expulsão ou segundo período, o feto é expelido do útero através do canal de pano por meio da ação conjugada das contrações uterinas e das contrações voluntárias dos músculos abdominais (puxos). Nesse período. ocorre a maioria dos fenômenos mecânicos do parto e o canal de parto é completamente formado, ou seja, o segmento inferior do útero, o canal cervical totalmente dilatado e a vagina formam uma única cavidade. Assim, o segundo período tem início com a dilatação completa e se encerra com a saída do feto. Aqui você pede para a grávida fazer força.
A descida do polo cefálico pelo canal de parto é representada por uma curva hiperbólica e compreende duas fases bem definidas: fase pélvica e fase perineal. A primeira caracteriza-se pela dilatação completa do colo uterino e pela apresentação acima do plano +3 de De Lee, enquanto a segunda apresenta a cabeça rodada e em um plano inferior a +3 de De Lee.
A duração do período de expulsão está condicionada à proporção cefalopélvica e à eficiência contrátil do útero e da musculatura abdominal. Assim, pode durar em média 30 minutos nas multíparas e 60 minutos nas primíparas.
Avaliam que diante de vitalidade fetal normal o período expulsivo pode se prolongar por um tempo maior e consideram período expulsivo prolongado quando ultrapassa, em primíparas, 3 horas sem analgesia e, em multíparas, 2 horas sem analgesia.
Episotomia
· Transversal
· Lateral
· Médio-lateral
· Mediana
Os músculos lesionados: Músculo bulbocavernoso, transverso superficial e fibras do elevador do ânus.
DEQUITAÇÃO
Nesse período, também chamado secundamento ou dequitadura, o útero expele a placenta e as membranas (após o nascimento do feto).
Há dois tipos clássicos de descolamento, o central {também chamado de descolamento de Baudelocque·Schultze) e o marginal ou periférico (também chamado de descolamento de Baudelocque-Duncan), definidos, respectivamente. quando começam no centro ou lateralmente (Figura 6). Classicamente. no descolamento central, a primeira face placentária visualizada na rima vulvar é a face fetal e no periférico visualiza.se na rima a face materna. O primeiro é: mais frequente e apresenta sangramento após a dequitação, com formação de hematomare<ro· placentário. O segundo, menos comum, tem escoamento de sangue antes da total expulsão da placenta. A dequitação ocorre entre 10 minutos e l hora após o pano. Fisiologicamente. sabe-se que ela deve ocorrer dentro de 20 a, no máximo, 30 minutos. Porém, em 80% dos panos a dequitação se dá nos primeiros 10 minutos.
PARTOGRAMA
É´uma representação gráfica do trabalho de parto (paciente tendo 3 contrações em 10 minutos e/ou pelo menos 3 cm de dilatação).
A linha de alerta vai ser aberta uma hora depois e um centímetro a mais.
A linha de ação será aberta quatro horas depois da de alerta.