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COMO
USAR O
SOFTWARE
MEDINA
O guia prático para a 
utilização do SOFTWARE MEDINA 
de dimensionamento de 
pavimentos flexíveis.
RAMON MENDES KNABBEN
JOE ARNALDO VILLENA DEL CARPIO
MÉTODO MEDINA
SOBRE OS AUTORES: 
 
 
Eng. Civil Ramon Mendes Knabben, Dr. 
 
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de 
Santa Catarina (UFSC), mestre e doutor pela UFSC na área de 
Infraestrutura e Gerência Viária. 
 
Menção Honrosa pela Tese de Doutorado outorgada pela 
Associação Catarinense de Engenheiros no 10º Seminário 
Nacional de Modernas Técnicas Rodoviária em 2018. 
 
É sócio e proprietário da empresa KTOP Consultoria e 
Engenharia, atuando como projetista e fiscal de obra por mais de 
10 anos. Possui mais de 30 acervos técnicos de projeto e 
fiscalização de obras rodoviárias. 
 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4570018173933218 
 
 
 
Eng. Civil Joe Arnaldo Villena Del Carpio, Dr. 
 
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Nacional de 
San Agustin (Peru), mestre e doutor pela Universidade Federal 
de Santa Catarina (UFSC) na área de Infraestrutura e Gerência 
Viária. 
 
Prêmio a melhor Tese de Doutorado desenvolvida na área de 
infraestrutura viária no biênio 2012/2014 e prêmio ACE 80 anos 
de Inovação outorgado pela Associação Catarinense de 
Engenheiros no 10º Seminário Nacional de Modernas Técnicas 
Rodoviária em 2014. 
 
Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade 2015 pela Tese 
de Doutorado na Área Temática: Processos eficientes para 
redução do consumo de água e de energia. 
 
Professor do Departamento de Transportes da Universidade 
Federal do Paraná. 
 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1743895096934446 
 
 
 
 
 
2 
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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem 
autorização dos autores. 
PREFÁCIO 
Este documento apresenta três exemplos de dimensionamento de pavimentos flexíveis 
utilizando o software Medina desenvolvido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura 
de Transportes – DNIT. As estruturas foram dimensionadas considerando o critério 
mecanístico-empírico, que visa a obtenção das tensões, deformações e deslocamentos da 
estrutura com base nos resultados obtidos a partir de ensaios de laboratório. 
Quanto à estrutura do documento, esta consta dos seguintes capítulos: 
 Introdução – Abordada a origem e o objetivo do Medina; 
 Considerações iniciais – São mostrados os parâmetros utilizados nos modelos de 
comportamento dos materiais utilizados; 
 Cálculo do número N – Explica passo a passo como o número N pode ser 
calculado ou definido no software Medina; 
 Exemplo #1 – É realizado o dimensionamento, de forma detalhada, de uma 
estrutura de pavimento flexível para baixo volume de tráfego; 
 Exemplo #2 – O dimensionamento é realizado para a mesma estrutura só que com 
um volume de tráfego médio; 
 Exemplo #3 – O dimensionamento é realizado para um volume de tráfego alto e 
se considera o uso de materiais cimentados; 
 Considerações finais – São apresentadas as principais conclusões obtidas a partir 
do desenvolvimento dos exercícios; e, 
 Referências – São apresentadas as principais referências utilizadas para redigir o 
presente documento. 
Acredita-se que o presente E-book será um guia para orientar e apresentar o novo método 
de dimensionamento para os engenheiros rodoviários. Assim, as soluções aqui mostradas 
são sugestões didáticas e não constituem uma obrigatoriedade no momento do 
dimensionamento do pavimento. Desta forma é necessário lembrar que é de 
responsabilidade de cada profissional cuidar da tomada de decisão no momento de 
escolher as melhores alternativas de materiais e dimensões para seus projetos. 
 
3 
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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem 
autorização dos autores. 
ÍNDICE 
 
1 – INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 
2 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................... 5 
2.1 MODELO PARA MATERIAIS GRANULARES E SOLOS ................................ 5 
2.2 MODELO PARA MISTURAS ASFÁLTICAS ..................................................... 5 
2.3 MODELO PARA MATERIAIS ESTABILIZADOS ............................................ 6 
3 – CÁLCULO DO NÚMERO N .................................................................................. 7 
4 – EXEMPLO #1 – Baixo volume de tráfego (N < 1 x 106) ..................................... 13 
4.1 DADOS DO TRÁFEGO ...................................................................................... 13 
4.2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS .......................................................... 13 
4.3 ENTRADA DOS DADOS NO SOFTWARE ...................................................... 14 
4.3.1 Informações gerais ....................................................................................... 14 
4.3.2 Tráfego .......................................................................................................... 14 
4.3.3 Definindo a estrutura do pavimento ........................................................... 15 
4.4 DIMENSIONAMENTO DA ESTRUTURA PROPOSTA .................................. 23 
4.4.1 Dimensionamento das camadas .................................................................. 24 
4.4.2 Avaliação da estrutura proposta ................................................................. 26 
4.5 RESULTADOS .................................................................................................... 28 
5 – EXEMPLO #2 – Médio volume de tráfego (N = 5 x 106) .................................... 30 
5.1 DADOS DO TRÁFEGO ...................................................................................... 30 
5.2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS .......................................................... 30 
5.3 DIMENSIONAMENTO DA ESTRUTURA PROPOSTA .................................. 31 
6 – EXEMPLO #3 – Alto volume de tráfego (N = 5 x 107) ........................................ 34 
6.1 AUMENTO DA CAMADA DE REVESTIMENTO ASFÁLTICO .................... 34 
6.2 USO DE CAMADA ESTABILIZADA ............................................................... 35 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 39 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 40 
 
 
4 
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autorização dos autores. 
1 – INTRODUÇÃO 
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT, irá implantar, em 
breve, o novo Método de Dimensionamento Mecanístico-Empírico de Pavimentos 
Asfálticos, também chamado MeDiNa. O novo método leva o nome de Medina devido à 
junção das primeiras duas letras das três primeiras palavras, ou seja, Me, de Método, Di, 
de Dimensionamento, e Na, de Nacional. Tal nome foi escolhido em homenagem ao 
professor Jacques de Medina, grande precursor da Mecânica dos Pavimentos no Brasil, 
falecido em janeiro de 2019. 
O DNIT já disponibilizou, no seu site, um programa computacional, o software Medina, 
além de uma nova série de normas necessárias para o dimensionamento ou a verificação 
da estrutura dos pavimentos. A novidade do novo método, com relação aos adotados em 
anos anteriores pelo DNIT, é a obrigatoriedade da abordagem mecanística-empírica na 
análise da estrutura dos pavimentos. Nesse tipo de abordagem, a análise da estrutura é 
realizada a partir do cálculo das tensões, deformações e deslocamentos do sistema de 
camadas em relação ao carregamento aplicado, e de acordo com as características dos 
materiais empregados, que deverão ser obtidas de forma experimental mediante ensaiosde laboratório. 
Os resultados dessa análise são, então, utilizados para prever o comportamento da 
estrutura durante a sua vida útil e garantir o seu bom desempenho quanto aos dois 
principais problemas recorrentes nos pavimentos brasileiros, sendo o trincamento do 
revestimento por fadiga e a deformação permanente. A magnitude dessas duas 
manifestações patológicas são os dois principais critérios de aceitação no 
dimensionamento do pavimento através do novo método. 
No novo método, os cálculos das tensões, deformações e deslocamentos da estrutura 
devem ser realizados através do uso do software Medina, que utiliza como dados de 
entrada as dimensões das camadas, as propriedades mecânicas dos materiais (módulo de 
resiliência e coeficiente de Poisson) compondo as camadas e as cargas geradas pela 
passagem dos veículos. Uma vez calculadas as tensões, deformações e deslocamentos, o 
software verifica se o número de aplicações de carga levará ao trincamento excessivo do 
revestimento asfáltico ou das camadas cimentadas, ou ao afundamento na trilha de roda 
numa magnitude superior ao limite estabelecido. 
O novo método é fruto da colaboração realizada entre a Rede Temática de Asfalto da 
Petrobrás, a Agência Nacional do Petróleo, o DNIT, a COPPE-UFRJ e diversas 
universidades brasileiras, entre outras. Adicionalmente, o software Medina foi 
desenvolvido a partir da tese de doutorado de Felipe Franco em 2007 (Franco, 2007) junto 
à função transferência obtida na tese de doutorado de Marcos Fritzen em 2016 (Fritzen, 
2016). 
Desta forma, com o objetivo de ajudar os profissionais da pavimentação num primeiro 
contato ou no aperfeiçoamento dos conhecimentos relacionados com o novo método, este 
E-book apresenta três exemplos práticos de dimensionamento de pavimentos no software 
Medina. Os três exemplos são utópicos, mas os dados utilizados guardam coerência com 
as características dos materiais e condições de tráfego atual nas rodovias brasileiras. 
5 
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autorização dos autores. 
2 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Neste capítulo são apresentados os modelos de comportamento dos principais tipos de 
materiais utilizados na estrutura do pavimento. Estes parâmetros são necessários para o 
completo entendimento dos exemplos propostos no presente documento. 
 
2.1 MODELO PARA MATERIAIS GRANULARES E SOLOS 
Para a caracterização dos materiais granulares e solos devem ser realizados os ensaios, 
em laboratório, de módulo de resiliência (DNIT 134/2018-ME) e deformação permanente 
(DNIT 179/2018-IE); o modelo de deformação permanente utilizado pela norma do DNIT 
foi desenvolvido por Antonio Guimarães em sua tese de doutorado (Guimarães, 2009). A 
partir dos resultados desses ensaios será possível obter os modelos que serão utilizados 
pelo software Medina para determinar o módulo e a deformação permanente dos materiais 
analisados para qualquer valor de tensão. Os modelos de módulo de resiliência e de 
deformação permanente são apresentados pelas Equações 1 e 2, respectivamente. 
 
𝑀𝑅 = 𝑘1𝜎3
𝑘2𝜎𝑑
𝑘3 Eq. (1) 
Onde: 
- MR: módulo de resiliência em MPa; 
- k1, k2, k3: parâmetros obtidos experimentalmente a partir da regressão estatística dos 
resultados dos ensaios; 
- σ3: tensão confinante em MPa; 
- σd: tensão desvio em MPa. 
 
𝜀𝑝 = Ψ1(
𝜎3
𝜌0
)Ψ2(
𝜎𝑑
𝜌0
)Ψ3𝑁Ψ4 Eq. (2) 
Onde: 
- εp: deformação permanente específica (%); 
- Ψ1, Ψ2, Ψ3, Ψ4: parâmetros obtidos experimentalmente a partir da regressão estatística 
dos resultados dos ensaios; 
- σ3: tensão confinante em kgf/cm
2; 
- σd: tensão desvio em kgf/cm
2; 
- ρ0: tensão de referência (pressão atmosférica, 1 kgf/cm
2); 
- N: número de ciclos de aplicação de carga. 
 
2.2 MODELO PARA MISTURAS ASFÁLTICAS 
Na mistura asfáltica os ensaios requeridos pelo método Medina são: módulo de resiliência 
(DNIT 135/2018-ME), fadiga por compressão diametral (DNIT 183/2018-ME) e 
deformação permanente (DNIT 184/2018-ME). 
No caso do módulo de resiliência, o mesmo é considerado como tendo valor constante e 
não precisa de modelo. 
6 
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O modelo de vida de fadiga da mistura asfáltica é mostrado na Equação 3. 
𝑁 = 𝑘1(𝜀𝑟)
𝑘2 Eq. (3) 
Onde: 
- N: número de ciclos; 
- εr: deformação específica resiliente de tração (adimensional); 
- k1 e k2: parâmetros obtidos experimentalmente a partir da regressão estatística dos 
resultados dos ensaios. 
 
Para o revestimento asfáltico, a deformação permanente deverá ser avaliada de forma 
individual e seu valor não deverá ser considerado no cálculo da deformação total da 
estrutura. Para realizar essa avaliação, a mistura asfáltica deverá ser submetida ao ensaio 
de Número de Fluxo (Flow Number - FN) e o resultado deverá atender os critérios 
mostrados no Quadro 1, em função do número N. 
 
Quadro 1 – Critérios de aceitação da mistura asfáltica em função do FN. 
Classe Número de Fluxo (FN) 
Número N recomendado 
Condições normais Condições severas 
1 FN ≥ 100 ciclos N < 1x106 Não recomendado 
2 100 ciclos ≤ FN < 300 ciclos 1x106 ≤ N < 1x107 N < 1x106 
3 300 ciclos ≤ FN < 750 ciclos 1x107 ≤ N < 1x108 1x106 ≤ N < 1x107 
4 750 ciclos ≤ FN < 2000 ciclos N ≥ 1x108 1x107 ≤ N < 1x108 
5 FN ≥ 2000 ciclos - N ≥ 1x108 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
2.3 MODELO PARA MATERIAIS ESTABILIZADOS 
Para as camadas estabilizadas: Brita Graduada Tratada com Cimento (BGTC); Concreto 
Compactado com Rolo (CCR) e o Solo Cimento (SC), deve ser realizado o ensaio de 
módulo de resiliência utilizando a norma DNIT 181/2018-ME. Para essas camadas 
estabilizadas é considerado que o seu módulo de resiliência decai ao longo do tempo com 
um comportamento do tipo sigmoidal (função com forma de S) variando entre dois 
limites. O limite superior, ou inicial, é o módulo de resiliência obtido a partir do ensaio 
de laboratório, no qual se considera que o material ainda não sofreu nenhum dano; e o 
limite inferior, ou final, é aquele que a camada apresentaria no final da sua vida útil. Por 
isso, a necessidade de inserir no software Medina o valor do módulo de resiliência inicial 
e um valor de módulo final, sendo este último um valor semelhante ao módulo de 
resiliência do material sem estar estabilizado com o ligante hidráulico. 
Na análise à fadiga da camada estabilizada é considerado um modelo que leva em conta 
a relação entre a tensão de tração da fibra inferior da camada e a resistência à tração na 
flexão do material aos 28 dias; essa relação é expressa como %RF. Para a determinação 
desse modelo de vida de fadiga dos materiais estabilizados podem ser realizados ensaios 
7 
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autorização dos autores. 
com carregamento cíclico (dinâmico) em corpos de prova prismáticos. O modelo, para 
este caso, é apresentado na Equação 4. 
𝑁 = 10(𝑘1+𝑘2×%𝑅𝐹) Eq. (4) 
Onde: 
- N: número de repetições de carga para atingir a ruptura por fadiga; 
- %RF: relação entre st/fctm; 
- st: tensão de tração na fibra inferior da camada; 
- fctm: resistência à tração na flexão do material aos 28 dias; 
- k1 e k2: parâmetros obtidos experimentalmente a partir da regressão estatística dos 
resultados dos ensaios. 
 
No caso das camadas de materiais estabilizados com ligantes hidráulicos não é necessáriaa determinação do modelo de deformação permanente. O software Medina considera que, 
devido à sua rigidez, esses materiais não sofrem deformações verticais e não contribuem 
para a deformação permanente total da estrutura. 
 
3 – CÁLCULO DO NÚMERO N 
No software Medina, o cálculo ou definição do valor do número N pode ser realizado a 
partir da entrada da contagem do tráfego ou da modificação dos valores do volume médio 
diário - VMD, da porcentagem de veículos na faixa de projeto e da taxa de crescimento 
anual. Essas duas formas de entrada são apresentadas a seguir. 
 
a) Entrando com os dados da contagem de tráfego: 
● Supondo que você possui os dados de uma contagem de tráfego de acordo com o 
Quadro 2. 
Quadro 2 – Contagem de tráfego. 
Classe do Veículo 
Tráfego Médio Diário Anual - TMDA - Ano 2019 
2CC 2C 3C 3T4 Total 
Número de veículos 165 275 112 6 558 
Porcentagem de veículos 
na rodovia, em relação ao 
total, no primeiro ano de 
abertura ao tráfego 
30% 49% 20% 1% 100% 
 
● Para o cálculo do número N a partir da contagem do tráfego, na tela principal do 
software, faça um clique no botão com 3 pontos situados ao lado do parâmetro 
FV, localizado no quadrante esquerdo inferior, como mostra a Figura 1. 
 
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Figura 1 – Quadrante esquerdo inferior mostrando os dados do tráfego. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
● Uma tela similar à mostrada na Figura 2 será aberta e você poderá preencher os 
dados da contagem dos veículos. 
 
Figura 2 – Tabela para cálculo do fator de veículo (FV).
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
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● Para cada tipo de veículo, você deverá selecionar o tipo de eixo utilizado e 
adicionar o mesmo à tabela fazendo um clique no botão INSERIR >> ou clicando 
duas vezes no próprio eixo; 
● Seguindo, deverá ser modificado o valor do FATOR DE EIXO (% de veículos 
desse tipo na rodovia no 1° Ano); 
● O software preencherá automaticamente o valor da CARGA, FATOR DE 
CARGA (FC) e FATOR DE VEÍCULO (FV) para o eixo inserido; 
● Esses passos deverão ser realizados até preencher todos os eixos de todos os 
veículos que fazem parte da contagem. Para o exemplo apresentado (Quadro 2) a 
tabela preenchida terá a aparência mostrada na Figura 3. Na Figura, foi feita uma 
montagem que mostra o conjunto de eixos que correspondem a cada um dos 
veículos utilizados no exemplo. Assim, por exemplo, para o veículo de tipo 2CC, 
lhe corresponde um eixo simples dianteiro de duas rodas com carga de seis 
toneladas e um eixo simples posterior de duas rodas com carga de seis toneladas. 
 
Figura 3 – Tabela para cálculo FV após preenchimento. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
● Após o preenchimento dos dados, faça um clique em Transportar para voltar 
para a tela inicial da Figura 1; 
● Posteriormente, na tabela de DADOS DO TRÁFEGO, preencha o valor da VMD 
(que segundo o Quadro 2 foi de 558 veículos), a % Veículos na faixa de projeto 
(que no exemplo será considerada de 50%), a Taxa de crescimento (%) 
(considerada de 10% ao ano) e o Período de projeto (10 anos); 
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● Após preenchimento, o valor do N Total será calculado automaticamente pelo 
software e a tabela terá a aparência mostrada na Figura 4. 
 
Figura 4 – Dados do tráfego. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
b) Modificando os valores do VMD, da porcentagem de veículos na faixa de 
projeto, da taxa de crescimento anual e do período de projeto 
● Caso você já tenha realizado o cálculo do número N previamente, é possível fixar 
o valor da FV em 1 e alterar o valor dos campos da VMD (1º ano), da % de 
Veículos na faixa de projeto, da Taxa de crescimento (%) e do Período de projeto 
(anos) até que o valor do campo do N Total fique com o valor igual ao seu 
resultado calculado previamente. 
● Na Figura 5 é mostrado um exemplo para a definição do número N a partir da 
modificação da VMD (175 000) e % de veículos na faixa de projeto (1). Na Figura 
6 é mostrado um exemplo para a definição do número N a partir da modificação 
da VMD (674), da % Veículos na faixa de projeto (100), da Taxa de crescimento 
(20) e do Período de projeto (10 anos). 
 
 
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Figura 5 – Definição do número N a partir da modificação da VMD e da % de veículos 
na faixa de projeto. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Figura 6 – Definição do número N a partir da modificação da VMD, da % Veículos na 
faixa de projeto, da Taxa de crescimento (%) e do Período de projeto (anos). 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Dessa forma, qualquer um dos procedimentos mostrados permitirá o cálculo ou a 
definição do número N no valor requerido; o qual foi, neste caso, igual a 6,39x106 
solicitações de eixo simples de roda dupla (eixo padrão). 
Ainda, na tabela correspondente aos DADOS DO TRÁFEGO, é possível escolher o tipo 
de via que será dimensionada (Figura 7). Essa escolha afetará a confiabilidade do 
dimensionamento e não irá alterar o valor do número N. 
 
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Figura 7 – Escolha do tipo de Via. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
A confiabilidade do dimensionamento em função do tipo de via, utilizado pelo software 
Medina, é apresentada no Quadro 3. Para todos os exemplos mostrados no presente 
documento o tipo de via utilizado será o Sistema Arterial Primário. 
 
Quadro 3 – Confiabilidade de acordo com o tipo de via. 
TIPO DE VIA CONFIABILIDADE 
Sistema Arterial Principal 95% 
Sistema Arterial Primário 85% 
Sistema Arterial Secundário 75% 
Sistema Coletor Primário 85% 
Sistema Coletor Secundário 75% 
Sistema Local 65% 
 (Fonte: MeDiNa, 2019) 
 
 
 
 
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4 – EXEMPLO #1 – Baixo volume de tráfego (N < 1 x 106) 
Nesse item, é apresentado um exemplo de dimensionamento de uma estrutura de 
pavimento flexível para baixo volume de tráfego. Neste primeiro exemplo será realizada 
uma explicação detalhada de todos os passos necessários para fazer a entrada dos dados 
e o dimensionamento no software Medina. Recomenda-se seguir esses mesmos passos 
para a resolução dos Exemplos #2 e #3. 
 
4.1 DADOS DO TRÁFEGO 
● Número de solicitações do eixo simples de roda dupla, eixo padrão, de 8,2 
toneladas (N8,2t) = 9,96x10
5; 
● Período de projeto =10 anos; 
● Tipo de via = Sistema Arterial Primário. 
 
4.2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS 
● Revestimento: concreto asfáltico (CA); 
 - Módulo de resiliência: 5500 MPa 
 - Coeficiente de Poisson: 0,30 
 - Fadiga: 𝑁 = 5,396 × 10−11(𝜀𝑟)
−3,24 
● Base: brita graduada simples (BGS); 
 - Módulo de resiliência: 𝑀𝑅 = 908,5𝜎3
0,375𝜎𝑑
0 
No caso do módulo de resiliência da BGS, pelo fato de ser um material 
puramente granular, o mesmo não é influenciado pela tensão desvio e, 
portanto, o exponente associado ao σd foi igual a zero; 
 - Deformação permanente: 𝜀𝑝(%) = 0,108(𝜎3)
−0,851(𝜎𝑑)
0,017𝑁0,048 
 - Coeficiente de Poisson: 0,35 
● Sub-base: macadame seco (MS), seixo bruto ou pedra detonada (muito comum na 
região Sul do país); 
 - Módulo de resiliência: 380 MPa; 
O valor de módulo de resiliência foi arbitrado de acordo com a literatura, 
pois não é possível realizaro ensaio de módulo em materiais com tamanho 
máximo do agregado similar ao do macadame seco, seixo bruto ou pedra 
detonada. 
 - Coeficiente de Poisson: 0,40 
● Subleito: solo areno-argiloso. 
 - Módulo de resiliência: 𝑀𝑅 = 252,5𝜎3
0,354𝜎𝑑
−0,081 
 - Deformação permanente: 𝜀𝑝(%) = 0,201(𝜎3)
−0,22(𝜎𝑑)
1,33𝑁0,037 
 - Coeficiente de Poisson: 0,45 
 
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autorização dos autores. 
4.3 ENTRADA DOS DADOS NO SOFTWARE 
4.3.1 Informações gerais 
● Abra o software Medina e, na tela principal, preencha as caixas de: Responsável; 
Projeto e Empresa (Figura 8). 
 
 
Figura 8 – Informações gerais. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
4.3.2 Tráfego 
● Defina o valor do número N como sendo de 9,96x105; para isso, basta mudar o 
valor no campo da VMD até que o número N chegue ao valor desejado. Neste 
caso um valor de VMD = 273, FV = 1, % Veículos na faixa de projeto = 100 e 
Período de projeto (anos) =10, permite obter um N total de 9,96 x 105 (Figura 9). 
 
Figura 9 – Dados do tráfego. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
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4.3.3 Definindo a estrutura do pavimento 
Para definir a estrutura do pavimento devemos modificar os dados da tabela destacada 
em vermelho na Figura 10. 
 
Figura 10 – Estrutura do pavimento 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
● Ao fazer um clique na célula, da coluna TIPO, da camada que se deseja editar, a 
mesma ficará destacada na cor amarela. Em seguida, clicando na aba Alterar 
Estrutura é possível: Adicionar ou Remover uma camada; Selecionar camada 
para dimensionar; Alterar o material da camada; ou entrar nas Propriedades desse 
material (Figura 11). 
Figura 11 – Alterando a estrutura 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
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● Caso não se queira utilizar a aba Alterar Estrutura, é possível acessar a opção 
de Propriedades apenas clicando duas vezes na célula da tabela correspondente à 
coluna TIPO, da camada que se deseja editar. 
Para alterar o tipo de material que irá constituir a camada deve-se clicar três vezes 
na célula da coluna de DESCRIÇÃO DO MATERIAL (Figura 12) e escolher o 
material que deseja utilizar na camada. Este passo também pode ser realizado 
selecionando a camada e clicando em Alterar Estrutura e em Alterar Material. 
A Figura 12 mostra os tipos de materiais que o software Medina tem à disposição 
para a camada de revestimento (CAMADA 1). O software Medina oferece 
diversas opções de DESCRIÇÃO DO MATERIAL para todas as camadas do 
pavimento, com exceção do subleito, o qual não poderá ser modificado. 
 
Figura 12 – Descrição do material 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
● Depois de serem escolhidas as descrições de todos os materiais da estrutura, será 
necessário determinar o tipo desses materiais. Para isso, selecione a estrutura e 
clique em Alterar Estrutura e em Propriedades ou clique duas vezes na célula 
da tabela correspondente à coluna TIPO da camada que se deseja editar. Em 
seguida será aberta uma nova janela de Propriedades. 
● Na janela de Propriedades (Figura 13) você poderá alterar ou criar o tipo de 
material que será simulado na camada desejada. Nessa janela, adicionalmente, 
será possível inserir as características mecânicas de cada material de acordo com 
os ensaios já realizados em laboratório. 
 
 
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Figura 13 – Propriedades dos materiais 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
 
a) Criação e entrada das Propriedades do subleito: 
Neste item iremos proceder com a definição do material e as propriedades do subleito. 
Para isso, selecione o subleito na tela principal do software e entre na janela de 
Propriedades; nessa janela duas opções são possíveis: criar um novo tipo de material ou 
utilizar um material já existente. Para criar um novo tipo de material para o subleito siga 
os seguintes passos: 
 
1) No espaço correspondente à BASE DE DADOS, selecione a opção Projeto e em 
seguida, na tabela de SUBLEITO, escreva o nome do seu material. Nesse exemplo 
foi um Solo Areno-Argiloso de Criciúma-SC. 
2) Para o subleito o valor da espessura será de zero para que o software entenda que 
se trata de uma camada semi-infinita. Seguindo, é preenchido o valor do 
coeficiente de Poisson, que para solos finos de subleito é igual a 0,45. 
3) Para poder inserir os parâmetros do modelo de módulo de resiliência, faça um 
clique na célula à direita da frase Modelo Constituinte e, em seguida, selecione 
Resiliente Não Linear. Depois, preencha os valores de k1, k2 e k3 de acordo com 
o modelo apresentado no início do exercício. O valor de k4 está associado a 
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invariante de tensões, a qual, neste caso, não foi considerada para o modelo do 
solo do subleito. 
4) Ainda, é possível preencher os campos de Características; neste exemplo foi 
inserida a umidade ótima, energia de compactação e a massa específica seca do 
material; essa última é obrigatória para poder rodar o programa. 
5) Por fim, são inseridos os valores dos parâmetros de deformação permanente k1, 
k2, k3 e k4 de acordo com o modelo matemático do solo a ser simulado. 
6) Faça um clique em Salvar para salvar o solo criado. 
7) Clique em OK para voltar à tela principal do programa. 
 
A Figura 14 apresenta a janela de Propriedades, devidamente preenchida do material 
escolhido para o solo do subleito. 
 
Figura 14 – Propriedades do solo do subleito 
 
Fonte: MeDiNa (2019). 
 
b) Criação e entrada das Propriedades da Sub-base: 
Voltando para a tela inicial selecione a camada 3 e modifique a DESCRIÇÃO DO 
MATERIAL para MATERIAL GRANULAR. Entre na janela de Propriedades desta 
camada caso o software não tenha feito isso automaticamente. Para definir o tipo de 
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material e as propriedades dessa camada, que será a camada de sub-base, siga os seguintes 
passos: 
1) No espaço correspondente à BASE DE DADOS, selecione a opção Projeto e em 
seguida, na tabela de MATERIAL GRANULAR, preencha o nome do material 
que neste exemplo é Macadame Seco. 
2) Coloque a espessura teste (arbitrado 17,0 cm, sendo o limite inferior e superior de 
15,0 e 40,0 cm respectivamente). Em seguida insira o coeficiente de Poisson, que 
para camadas de sub-base granular é de 0,40. 
3) Infelizmente, como é quase impossível realizar ensaios de laboratório para 
determinar o módulo de resiliência do macadame seco, é necessário arbitrar um 
valor similar aos encontrados na literatura. Neste exemplo, foi arbitrado um valor 
de módulo de resiliência linear de 380 MPa. Para inserir este dado, clique no 
campo à direita da célula de Modelo Constituinte, selecione Resiliente Linear e 
insira o valor de 380 para o módulo (MPa). 
4) Ainda, é possível preencher os campos de características do material, nesse 
exemplo foi inserida a massa específica seca do material, dado que é obrigatório 
informar para poder rodar o software. 
5) No campo da deformação permanente preencha k1 com o valor de 0,0000000001, 
ou seja, 1 x 10-10, e k2=k3=k4=1. O uso desses valores nos coeficientes fará com 
que o valor da deformação permanente calculada pelo software para a camada seja 
insignificante; ou seja, fique quase igual a zero. Isto é necessário pois, não épossível determinar a contribuição da deformação permanente dessa camada 
devido ao tamanho do agregado utilizado para a mesma. 
6) Clique em Salvar para salvar o material granular criado. 
7) Faça um clique em OK para voltar à tela principal do programa. 
A Figura 15 apresenta a janela de Propriedades devidamente preenchida do material 
escolhido para a camada de sub-base. 
 
 
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Figura 15 – Propriedades da sub-base de macadame seco. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
c) Criação e entrada das Propriedades da Base: 
Continuando com o exemplo, agora deverão ser preenchidas as propriedades do material 
da camada 2, ou camada de base. Para tal, selecione a camada e selecione, na 
DESCRIÇÃO DO MATERIAL, a opção de MATERIAL GRANULAR. Em seguida, 
abra a janela de Propriedades e siga os seguintes passos: 
1) No espaço correspondente à BASE DE DADOS, selecione a opção Projeto. No 
espaço correspondente a MATERIAL GRANULAR, preencha o nome do 
material da camada, que nesse exemplo foi a Brita Graduada (Criciúma). 
2) Defina a espessura como sendo 15,0 cm; valor arbitrado. Lembrando, que para 
este material a espessura deverá ser um valor entre 15,0 e 40,0 cm. Preencha, em 
seguida, o coeficiente de Poisson, que para bases granulares é de 0,35. 
3) Em seguida, defina o Modelo Constituinte do Módulo como sendo Resiliente Não 
Linear e preencha os valores da regressão do modelo. 
Neste ponto, é necessário prestar atenção ao fato de que o modelo de módulo de 
resiliência da base foi representado apenas em função do σ3 devido a que, pela natureza 
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granular do material, o modelo com forma MR = k1 x (σ3 ^ k2) mostrou ser o mais 
adequado. Assim, é necessário lembrar que o módulo dos materiais granulares com pouco 
ou nenhum material fino, é muito dependente da tensão de confinamento e podem não 
apresentar dependência da tensão desvio. Por esses motivos é que, no presente exemplo, 
o coeficiente k3, associado a σd, foi definido como zero assim como o coeficiente k4, 
associado a invariante de tensões. Entretanto, é possível que se tenha materiais de 
comportamento composto também, ou seja, que são dependentes da tensão confinante e 
desvio. 
4) Continuando, preencha os campos de características do material, nesse exemplo 
foi inserida a umidade ótima e a massa específica seca do material, essa última 
sendo obrigatória informar ao software. 
5) No passo 5 são inseridos os valores dos parâmetros da equação de deformação 
permanente k1, k2, k3 e k4. 
6) Clique em Salvar para salvar o material criado. 
7) Clique em OK para voltar à tela principal do programa. 
 
A Figura 16 apresenta a janela de Propriedades, devidamente preenchida do material 
escolhido para a camada de base. 
 
Figura 16 – Propriedades da base de brita graduada. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
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d) Criação e entrada das Propriedades do Revestimento: 
Retornando para a tela principal, deveremos modificar as características do revestimento, 
camada 1. Para isto, selecione a opção CONCRETO ASFÁLTICO dentre as opções 
disponíveis na DESCRIÇÃO DO MATERIAL. Em seguida abra a janela de Propriedades 
da camada e siga os seguintes passos: 
1) Na BASE DE DADOS, escolha a opção Projeto e na tabela de CONCRETO 
ASFÁLTICO escreva o nome do seu material, que neste exemplo é a Mistura 
Asfáltica. 
2) Insira a espessura teste da camada, que deve ser de 5,0 cm a 15 cm; neste exemplo 
foi utilizada uma espessura de 10,0 cm. Em seguida, preencha o valor do 
coeficiente de Poisson, que para misturas asfálticas deverá ser de 0,30, caso não 
tenha sido determinado em laboratório. 
3) Continuando, preencha o valor do módulo de resiliência que nesse exemplo é de 
5.500 Mpa, sendo o Modelo Constituinte o Resiliente Linear. 
4) No campo de características dos materiais preencha pelo menos o campo da massa 
específica que é obrigatório. 
5) Insira os valores dos parâmetros da equação de fadiga k1 e k2. 
6) Clique em Salvar para salvar a mistura asfáltica criada. 
7) Clique em OK para voltar à tela principal do programa. 
 
Após a entrada dos parâmetros de fadiga do concreto asfáltico, o software realiza e 
mostra, uma classificação da mistura asfáltica que permite a diferenciação das misturas 
avaliadas em função da Classe de Fadiga. Para isto, o software calcula, de forma 
automática, um fator de fadiga da mistura (FFM) para cada modelo de fadiga inserido. 
Confrontando esse valor com o módulo da mistura, é calculada a Classe de Fadiga do 
material. Quanto maior a classe de fadiga (as classes vão de 1 até 4), melhor é o 
comportamento mecânico da mistura asfáltica. Para o exemplo proposto a mistura 
asfáltica foi definida, pelo software, como Classe de Fadiga 1 com valor FFM de 0,81. 
A Figura 17 apresenta a janela de Propriedades, devidamente preenchida, para o material 
escolhido para a camada de revestimento. 
 
 
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autorização dos autores. 
Figura 17 – Propriedades do revestimento de concreto asfáltico. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
4.4 DIMENSIONAMENTO DA ESTRUTURA PROPOSTA 
Voltando para a tela inicial, está tudo pronto para fazer a avaliação da estrutura e verificar 
se a mesma atende aos critérios de Área Trincada máxima devido à fadiga e ao 
Afundamento de Trilha de Roda devido à deformação permanente das subcamadas; 
lembrando que para este último parâmetro, o software não calcula a contribuição do 
revestimento para a deformação permanente. 
Os critérios de aceitação da estrutura irão depender dos órgãos competentes, sendo que o 
DNIT ainda não estabeleceu uma norma oficial quanto a esse quesito. Entretanto, o 
software Medina utiliza os limites de aceitação para a estrutura do pavimento de acordo 
com os dados mostrados no Quadro 4. 
 
 
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Quadro 4 – Critérios de aceitação para a estrutura do pavimento em função da área 
trincada por fadiga e do afundamento na trilha de roda devido à deformação 
permanente. 
Tipo de Via 
Área Trincada 
(máx.) 
Afundamento de Trilha 
de Roda (máx.) 
Sistema Arterial Principal 30% 10 mm 
Sistema Arterial Primário 30% 13 mm 
Sistema Arterial Secundário 30% 20 mm 
Sistema Coletor Primário 30% 13 mm 
Sistema Coletor Secundário 30% 20 mm 
Sistema Local 30% 20 mm 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
4.4.1 Dimensionamento das camadas 
Para realizar o dimensionamento da estrutura, você deverá escolher uma a uma as 
camadas que deseja dimensionar; dessa forma, o software irá dimensionar unicamente 
uma camada por vez. Isto permitirá a existência de diversas soluções, ou diversas 
estruturas, que podem atender o projeto. Para proceder com o dimensionamento da 
camada do revestimento siga os seguintes passos: 
● Na tela inicial selecione o revestimento clicando duas vezes na camada que deseja 
escolher; a camada ficará com fundo amarelo e o número da camada ficará entre 
os símbolos >> <<. É possível, também, selecionar a camada entrando em Alterar 
Estrutura e em Selecionar Camada para Dimensionar (Figura 18). 
 
Figura 18 – Seleção da camada a ser dimensionada. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
● Em seguida basta fazer um clique no botão de Análise e selecionar Dimensionar 
(Figura 19) para que o software realize a otimização da espessura da camada 
(Figura 20). 
 
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Figura 19 – Início do dimensionamento da camada. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Figura 20 – Dimensão otimizada do revestimento asfáltico. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Após o dimensionamento da camada do revestimento, que no presente exemplo passou 
de uma espessura inicial de 10,0 cm para 5,0 cm, pela otimização feita pelo software, será 
mostrado um quadro resumo com algumas informações importante. Essas informações 
serão mostradas no quadrante direito inferior da tela principal do software, 
DIMENSIONAMENTO DO PAVIMENTO NOVO, e irão incluir dados como o Nível 
de confiabilidade da análise, a porcentagem de Área Trincada Estimada do pavimento no 
fim do período e o Afundamento de Trilha de Roda. 
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No dimensionamento, o software irá variar a espessura da camada até que os valores de 
Área Trincada Estimada e Afundamento de Trilha de Roda se mantenham inferiores aos 
valores admissíveis mostrados no Quadro 4. Caso o software otimize a dimensão da 
camada até o valor mínimo, a mensagem, “Análise encerrou por haver atingido a 
espessura mínima da camada”, será mostrada no espaço de DIMENSIONAMENTO DO 
PAVIMENTO NOVO (Figura 20). 
Caso a espessura máxima da camada seja definida pelo software, será mostrado um 
quadro de alerta na tela principal (Figura 21). Nesse caso, o projetista deverá mudar a 
estrutura a ser avaliada. Para isto, poderá: trocar os materiais das camadas por materiais 
mais resistentes; adicionar novas camadas; aumentar as espessuras das outras camadas; 
etc. 
 
Figura 21 – Quadro de alerta pedindo para rever a estrutura. 
 
 
4.4.2 Avaliação da estrutura proposta 
Caso queira apenas verificar se as dimensões da estrutura que você inseriu irão atingir 
uma vida útil compatível com o período de projeto, basta fazer um clique no botão de 
Análise e selecionar a opção Avaliar a estrutura (Figura 22). 
 
Figura 22 – Avaliação da estrutura proposta. 
 
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Para este caso, o software forneceu as informações mostradas na Figura 23. 
 
Figura 23 – Análise realizado pelo software para a estrutura proposta. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Na Figura 23 observa-se que a Área Trincada Estimada do pavimento no fim do período 
de projeto calculado pelo software foi de apenas 6,3%, o qual é um valor muito abaixo 
do máximo permitido para este tipo de via, que seria de 30% (Quadro 4). Da mesma 
forma, para a estrutura avaliada, o Afundamento de Trilha de Roda foi de 3,2 mm, o qual, 
também, é um valor abaixo dos 13 mm permitidos para esse tipo de via (Quadro 4). 
Com base nesses dados, seria possível diminuir a espessura de alguma das camadas da 
estrutura para deixar o projeto mais econômico. Para o presente exemplo, optou-se por 
utilizar uma camada de revestimento de tratamento superficial, de 2,0 cm de espessura, 
ao invés do revestimento asfáltico de 10,0 cm de espessura, já que ainda utilizando o 
mínimo de espessura da mistura asfáltica (5,0 cm) a porcentagem de área trincada seria 
muito baixa. Lembrando, que para a camada de tratamento superficial o programa não irá 
analisar a vida à fadiga. 
 Para realizar a análise dessa nova estrutura, considerando a substituição do 
revestimento asfáltico pelo tratamento superficial, modifique a DESCRIÇÃO DO 
MATERIAL, o TIPO, e as Propriedades do material. Posteriormente, repita a 
análise da estrutura. A Figura 24 apresenta as modificações realizadas junto com 
os valores de ESPESSURA, MÓDULO e COEFICIENTE DE POISSON 
adotados. 
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 Após a análise, o software indicou que o Afundamento de Trilha de Roda continua 
sendo de 3,4 mm e que a Análise realizada não considerou o dano relativo à fadiga. 
Assim, se conclui que é possível utilizar um revestimento de tratamento 
superficial para atender as especificações do projeto. Lembrando, que tratamentos 
superficiais só são aceitos para baixo volumes de tráfego (N<106). 
 
Figura 24 – Estrutura avaliada com revestimento asfáltico feito com tratamento 
superficial. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
 
4.5 RESULTADOS 
As soluções mostradas até aqui são algumas das possíveis a serem adotadas para o 
exemplo mostrado. No entanto, é importante lembrar que embora o software tenha 
capacidade de dimensionar ou avaliar qualquer tipo de estrutura, a mesma nem sempre 
poderá ser implantada na região do projeto. Por esse motivo, o projetista deve sempre 
lançar mão da sua experiência e dos exemplos positivos que vem sendo adotados na 
região do projeto, verificando os materiais disponíveis e comparando os custos para cada 
estrutura adotada. 
Finalizando o dimensionamento e análise da estrutura, é possível acessar a aba de 
RESULTADOS (Figura 25) onde será mostrado o resumo do dimensionamento realizado. 
O projetista poderá verificar as deflexões de cada camada para o controle de obra e 
analisar se os resultados condizem com a realidade. 
 
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Figura 25 – Resumo do dimensionamento. 
 
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5 – EXEMPLO #2 – Médio volume de tráfego (N = 5 x 106) 
O segundo exemplo consiste no dimensionamento de uma estrutura de pavimento para 
um volume de tráfego médio. Para tal, da mesma forma como foi desenvolvido o exemplo 
anterior, serão inseridos os dados referentes às características para cada camada do 
pavimento. Depois será realizado o dimensionamento e verificado se a estrutura atende 
aos critérios de aceitação pré-determinados. Para este exemplo, utilizaremos a mesma 
estrutura e os mesmos materiais utilizados no exemplo anterior. 
 
5.1 DADOS DO TRÁFEGO 
● Número de solicitações do eixo simples de roda dupla, eixo padrão, de 8,2 
toneladas (N8,2t) = 5,0x10
6; 
● Período de projeto =10 anos; 
● Tipo de via = Sistema Arterial Primário. 
 
5.2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS 
● Revestimento: concreto asfáltico (CA); 
 - Módulo de resiliência: 5500 MPa 
 - Coeficiente de Poisson: 0,30 
 - Fadiga: 𝑁 = 5,396 × 10−11(𝜀𝑟)
−3,24 
● Base: brita graduada simples (BGS); 
 - Módulo de resiliência: 𝑀𝑅 = 908,5𝜎3
0,375𝜎𝑑
0 
No caso do módulo de resiliência da BGS, pelo fato de ser um material 
puramente granular, o mesmo não é influenciado pela tensão desvio e, 
portanto, o exponente associado ao σd é igual a zero; 
 - Deformação permanente: 𝜀𝑝(%) = 0,108(𝜎3)
−0,851(𝜎𝑑)
0,017𝑁0,048 
 - Coeficiente de Poisson: 0,35 
● Sub-base: macadame seco (MS), seixo bruto ou pedra detonada (muito comum na 
região Sul do país); 
 - Módulo de resiliência: 380 MPa; 
O valor de módulo de resiliência foi arbitrado de acordo com a literatura, 
pois não é possível realizar o ensaio de módulo em materiais com tamanho 
máximo do agregado similar ao do macadame seco. 
 - Coeficiente de Poisson: 0,40 
● Subleito: solo areno-argiloso. 
 - Módulo de resiliência: 𝑀𝑅 = 252,5𝜎3
0,354𝜎𝑑
−0,081 
 - Deformação permanente: 𝜀𝑝(%) = 0,201(𝜎3)
−0,22(𝜎𝑑)
1,33𝑁0,037 
 - Coeficiente de Poisson: 0,45 
 
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5.3 DIMENSIONAMENTO DA ESTRUTURA PROPOSTA 
Crie uma estrutura similar à desenvolvidano Exemplo #1, modifique os DADOS DO 
TRÁFEGO até que o N Total seja de 5,0x106 e dimensione a camada de revestimento. A 
Figura 26 apresenta o resultado do dimensionamento. 
 
Figura 26 – Dimensionamento (Exemplo #2). 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Observa-se que para atingir um valor de 28%, próximo do limite de área trincada (30%), 
o software precisou modificar a espessura do revestimento para 12,5 cm. Entretanto, é 
possível, por exemplo, utilizar uma mistura asfáltica com classe maior, pois a utilizada 
no exemplo é de Classe 1. Neste caso, iremos optar por selecionar uma das tantas misturas 
já disponíveis no banco de dados do software. Para tal, selecione a camada de 
revestimento e entre na janela de Propriedades; uma vez na janela, escolha a mistura com 
o nome Classe 3 (Figura 27). Caso a sua versão do software não possua essa mistura, crie 
um novo material com essas características. Voltando para a tela principal do software, 
dimensione a camada de revestimento (Figura 28). 
 
 
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Figura 27 – Propriedades da mistura asfáltica Classe 3. 
 
 
 
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Figura 28 – Dimensionamento da estrutura com mistura de classe 3. 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
A Figura 28 mostra que utilizando uma mistura asfáltica de Classe 3, a espessura do 
revestimento poderia ser diminuída até um valor de 8,8 cm. Para esta espessura, os 
critérios de aceitação da estrutura de pavimento dimensionada estarão próximos dos 
recomendados pelo software Medina. 
Na estrutura avaliada neste exemplo, a qual é uma das tantas que podem ser consideradas 
pelo projetista, é possível, ainda, mudar a qualidade ou espessura dos materiais das outras 
camadas, base ou sub-base, para permitir que o valor do Afundamento de Trilha de Roda 
e de Área Trincada Estimada do pavimento no fim do período estejam o mais próximo 
dos limites recomendados pelo software. Isto permitirá que materiais com menor 
resistência e, ao mesmo tempo, mais econômicos, possam ser utilizados na obra para 
atender as especificações do projeto. 
 
 
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6 – EXEMPLO #3 – Alto volume de tráfego (N = 5 x 107) 
Utilizando a mesma estrutura dos exemplos anteriores, procederemos agora ao 
dimensionamento de uma estrutura de pavimento para um tráfego com N de 5x107, 
considerado de alto volume de tráfego. 
Para este exemplo, a estrutura do pavimento com revestimento de mistura asfáltica Classe 
3, mostrado no Exemplo #2, não atende mais aos critérios estabelecidos. O tráfego é tão 
alto que mesmo incrementando a espessura das camadas até seus valores limites de 15,0 
cm, 40,0 cm e 40,0 cm para o revestimento, base e sub-base, a Área Trincada Estimada 
do pavimento no fim do período é de 99% (Figura 29). 
 
Figura 29 – Dimensionamento inicial da estrutura para o Exemplo #3. 
 
 
6.1 AUMENTO DA CAMADA DE REVESTIMENTO ASFÁLTICO 
Para solucionar o impasse e poder atender o alto volume de tráfego, uma das possíveis 
soluções é o uso de uma camada de mistura asfáltica mais espessa. O limite superior da 
espessura da camada asfáltica, a ser inserida no software, é de 15 cm. No entanto, para 
poder utilizar uma camada mais espessa, é necessário dividir o revestimento em duas 
camadas; a inferior com 15 cm e a superior com espessura a ser dimensionada pelo 
próprio software. 
Neste exemplo, foram utilizadas duas camadas de concreto asfáltico do tipo Mistura 
Asfáltica (criados no Exemplo #1) e, após dimensionamento, a primeira camada de 
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revestimento atingiu 14,4 cm, o que deixaria a espessura total do revestimento como 
sendo 29,4 cm. A Figura 30 mostra o dimensionamento da estrutura de pavimento. Nessa 
estrutura, o material e as características do subleito, base e sub-base são os mesmos que 
foram especificados no Exemplo #1. 
 
Figura 30 – Dimensionamento da estrutura com uma camada espessa de mistura 
asfáltica. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Essa solução pode representar um problema quanto à economia da estrutura do 
pavimento. Desta forma, caso houverem outras alternativas de usos de materiais mais 
resistentes, as mesmas deverão ser consideradas. 
 
6.2 USO DE CAMADA ESTABILIZADA 
Uma alternativa a ser considerada, que permitiria a diminuição da espessura total do 
pavimento, e do revestimento, pode ser o uso de camadas estabilizadas, seja na base e/ou 
na sub-base. Esses materiais deverão ser estudados em laboratório para poder definir as 
características mecânicas e os modelos de comportamento; principalmente o módulo de 
resiliência e o modelo de fadiga. 
Neste exemplo será explorado o uso de uma camada de BGTC (Brita Graduada Tratada 
com Cimento) na base. Para tal, a estrutura a ser analisada consta das camadas de: 
revestimento, base e sub-base. Quanto aos materiais utilizados: a camada de revestimento 
será de Mistura Asfáltica definida no Exemplo #1 com espessura total 16,5 cm; para isto, 
deverão ser criadas duas camadas de concreto asfáltico, a inferior com 10 cm de espessura 
e a superior com 6,5 cm de espessura. O material da base será a BGTC estudada por Balbo 
em 1993, que faz parte do banco de dados do software, com espessura de 25,0 cm. A 
camada de sub-base será similar à apresentada no Exemplo #1, com 17,0 cm de espessura; 
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e, finalmente, o subleito será o mesmo utilizado no Exemplo #1. A Figura 31 mostra os 
resultados da Avaliação da Estrutura para as condições apresentadas. 
Figura 31 – Avaliação da estrutura com uso de base em BGTC. 
 
(Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Os resultados do dimensionamento, mostram que é possível atender aos critérios de Área 
Trincada Estimada do Pavimento no fim do período e Afundamento de Trilha de Roda a 
partir da estrutura avaliada com uma camada de rolamento de 16,5 cm de espessura. 
Entretanto, o programa alerta que a deflexão na camada do suporte do material 
estabilizado está acima do permitido de 70 x 10-2 mm. Portanto, o projetista deverá 
considerar uma intervenção nas camadas inferiores para poder atender essa condição, 
nesse exemplo foi escolhido interferir no subleito e verificar novamente a estrutura. 
Para isso, poderá ser considerada a substituição do material do subleito por um com 
melhor comportamento resiliente; esta operação poderia ser realizada na camada final de 
terraplenagem, por exemplo. 
No presente exemplo, supomos que temos disponibilidade de utilizar um outro solo no 
subleito com as seguintes características: 
 
Módulo de resiliência: 𝑀𝑅 = 452,5𝜎3
0,254𝜎𝑑
−0,11 Eq. (8) 
Deformação permanente: 𝜀𝑝(%) = 0,312(𝜎3)
−0,29(𝜎𝑑)
1,31𝑁0,032 Eq. (9) 
 
As propriedades do novo solo são mostradas na Figura 32. Após a modificação do 
material do subleito, poderá ser realizado o Dimensionamento da camada de rolamento; 
os resultados do Dimensionamento são mostrados na Figura 33. 
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Figura 32 – Propriedades do novo material do subleito. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
Figura 33 – Estrutura avaliada com substituição do subleito. 
 
 (Fonte: MeDiNa, 2019). 
 
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Na Figura 33 é possível verificar que a camada de rolamento foi dimensionada até sua 
espessura mínima. Desta forma, seria possível definir uma outra estrutura, mais 
econômica, que permitisse atender aos critérios do software. No presente exemplo, foi 
definida a estrutura da Figura 34 como um dos pavimentos que poderia atender a todos 
os critérios estabelecidos. 
Figura 34 – Estrutura final avaliada. 
 
 
Para a estrutura mostrada na Figura 34, todos os critérios foram atendidos. Chama a 
atenção que com a substituição do material do subleito foi possível, além de atender o 
critério da deflexão, diminuir drasticamente as espessuras de revestimento asfáltico (5,0 
cm) e de camada BGTC (19,6 cm). Ressalta-se que existem diversas soluções possíveis 
e que toda a decisão deve estar a cargo do projetista que deverá escolher a melhor solução 
possível de acordo com os materiais disponíveis, sempre prezando pela qualidade e 
economia. 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 O novo método consiste em determinar as espessuras das camadas que irão 
compor a estrutura do pavimento a partir da escolha de materiais adequados para 
cada uma das camadas e de critérios de ruptura estabelecidos nos modelos de 
análise. Desta forma, é necessário ter, sempre à disposição, os resultados dos 
ensaios dos materiais a serem utilizados na estrutura. 
 O projetista deve estar atento para selecionar as espessuras mais econômicas de 
cada camada do pavimento e a melhor composição que vai fornecer um nível 
satisfatório de serviço para o tráfego esperado durante a vida de projeto. 
 Deve-se ter em mente que várias soluções de estrutura de pavimento podem 
satisfazer os critérios de desempenho estabelecidos. Portanto, esse método não se 
trata de uma receita de bolo; para o uso do software é exigido que o profissional 
tenha um conhecimento profundo da Mecânica do Pavimento e tenha a 
sensibilidade e a experiência necessária para escolher os materiais que melhor 
possam atender os critérios especificados para cada situação, assim como para 
saber interpretar corretamente os resultados que o software Medina fornece. 
 
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REFERÊNCIAS 
 
DNIT 134/2018-ME - Pavimentação - Solos - Determinação do módulo de resiliência 
- Método de ensaio. Instituto de Pesquisas Rodoviárias-IPR. 
DNIT 135/2018-ME - Pavimentação asfáltica - Misturas asfálticas - Determinação do 
módulo de resiliência - Método de ensaio. Instituto de Pesquisas Rodoviárias-IPR. 
DNIT 179/2018-IE - Pavimentação - Solos - Determinação da deformação permanente 
- Instrução de ensaio. Instituto de Pesquisas Rodoviárias-IPR. 
DNIT 181/2018-ME - Pavimentação - Material Estabilizado Quimicamente - 
Determinação do módulo de resiliência - Método de ensaio. Instituto de Pesquisas 
Rodoviárias-IPR. 
DNIT 183/2018-ME - Pavimentação asfáltica - Ensaio de fadiga por compressão 
diametral à tensão controlada - Método de ensaio. Instituto de Pesquisas Rodoviárias-
IPR. 
DNIT 184/2018-ME - Pavimentação - Misturas Asfálticas - Ensaio uniaxial de carga 
repetida para determinação da resistência à deformação permanente - Método de 
ensaio. Instituto de Pesquisas Rodoviárias-IPR. 
FRANCO, A. C. P. Método de Dimensionamento Mecanístico-Empírico de 
Pavimentos Asfálticos - SISPAV. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio de 
Janeiro - COPPE, 2007. 
FRITZEN, M. A. Desenvolvimento e Validação de Função de Transferência para 
Previsão do Dano por Fadiga em Pavimentos Asfálticos. Tese de Doutorado. 
Universidade Federal do Rio de Janeiro - COPPE, 2016. 
GUIMARÃES, A. C. R. Um Método Mecanístico-Empírico para a Previsão da 
Deformação Permanente em Solos Tropicais Constituintes de Pavimentos. Tese de 
Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro - COPPE, 2009. 
MEDINA, versão 1.1.2.0. 2019. 
 
 
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