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Apostila Profª Nilma Bastos

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de reivindicação ou incidência de ônus anteriores.
 
Regra:
Propriedade - artigo 5º, XXII da Constituição Federal
Exceção:
Desapropriação com base no Princípio da Supremacia do Interesse Público, visando fazer com que a propriedade particular atenda a Função Social – artigo 5ºXXIII da Constituição Federal.
2. Fundamentos Constitucionais:
Necessidade Pública - Urgência: Única solução.
Utilidade Pública – Conveniência: Melhor opção. 
Interesse Social – Atende um grupo de pessoas necessitadas: reforma agrária.
Base Legal:
Artigo 590, § 1º do Antigo Código Civil (revogado) 
Hoje: artigo 1º do D. L 3365/41 e artigo 1ºda Lei 4132/62
 artigo 5º do D. L 3365/41 (unificação)
3.Competência:
 O artigo 22, inciso II da Constituição da República deu a União a possibilidade de legislar, enquanto a possibilidade de desapropriar cabe, em regra a todos os Entes Estatais, nos termos do artigo 2º do D. L 3365/41 – Pode desapropriar aquele que pode declarar a desapropriação (União /Estado/ Distrito Federal/ Município).
 
 Exceção:
 
Administração Indireta ou segundo setor não podem declarar a desapropriação, mas poderão a executar, nos termos do artigo 3º do D. L 3365/41. Aqui vale lembrar que, o decreto é ato exclusivo do Poder Executivo, por isso exige-se Lei de efeito concreto.
Exemplo:
Incra: artigo 4º da Lei 4132/62
Natureza Jurídica;
Autarquia;
Presidente declara e a pessoa administrativa continua o Processo expropriatório.
Aneel: artigo 10 da Lei 9074/95
Natureza Jurídica;
Autarquia Especial ou agência reguladora;
Pode declarar e promover a desapropriação, nos termos da Lei.
5. Características:
 Quanto ao objeto da desapropriação o Decreto- Lei nº 3365/41, em seu artigo 2º vislumbrou os bens com valoração Econômica (regra), ou seja, bens móveis ou imóveis. Havendo uma série de casos especiais:
Cadáver:
1ª Corrente: Não admite a desapropriação de cadáver, por ser considerado insuscetível de valoração econômica – Luiz Oliveira Castro;
2ª Corrente: Admite a desapropriação, desde que esse bem esteja sendo útil a uma Instituição Universitária, fins econômicos – Damásio de Jesus;
Bens Públicos:
Artigo 2º, § 2º do D.L nº 3365/41;
Ordem de Possibilidade ou hierarquia, mediante Interesse Público - União, Estado, Distrito Federal e Município;
União não pode ter seus bens desapropriados por outros Entes Estatais;
Os municípios só poderão desapropriar de seus munícipes.
 Bens de Uso Comum:
 1ª Corrente: Diogo de Figueiredo: Não admite a desapropriação, tendo em vista apresentar afetação máxima;
 2ª Corrente: Luiz Oliveira: Admite a desapropriação, desde que haja autorização Legislativa.
Bens Espaço Aéreo ou subsolo:
1ª Corrente: Diogo de Figueiredo/ Maria Sylvia Zanella di Pietro: Podem ser desapropriados, nos termos do artigo 2º, § 1º do D. L 3365/41;
2º Corrente: Luiz Oliveira: Não podem ser desapropriados, por serem bens da União. Entretanto, se ficar comprovado a necessidade do uso, poderia se estabelecida Servidão Administrativa. 
Bens das Embaixadas e consulados:
A maioria da doutrina admite, mediante acordo ou saída diplomática. Considera-se território nacional.
Bens imóveis com cláusula de Inalienabilidade:
É possível a desapropriação, pois a cláusula vale entre os testadores e beneficiários – artigo 1191, § único do Código Civil.
Bens de Família:
Poderá ocorrer a desapropriação, pois teoricamente a indenização é justa e prévia, não inviabilizando a moradia.
Bem gravado com hipoteca ou outras garantias:
Artigo 31 do D. L 3365/41.
Admite a desapropriação, pois qualquer ônus ou direito será sub-rogado no preço.
Fundo de comércio:
Indeniza o proprietário. O inquilino ou terceiro lesado deverá propor ação ordinária.
 
Ações:
STF 476
Paga-se o valor devido, com preço, verba honorárias.
6. Processo:
Há no procedimento desapropriatório duas fases:
A fase declaratória poderá ocorrer por meio de decreto ou ato legislativo.
Decreto – artigo 6º do D.L 3365/41 Deve descrever o bem expropriado.
Lei ou ato normativo
Efeitos do decreto:
1º Direito de Entrada: Poderá entrar no imóvel, inclusive mediante Mandado Judicial e força policial.
2º Prazo: Artigo 10 do D.L 3365/41 o prazo será de 5 anos para desapropriar, sob pena de caducidade. Após esse prazo terá que aguardar 1 ano pra renovação do decreto. Há divergência de quando se começa a contar o prazo, para a Caducidade do decreto:
1ª Corrente: Da Declaração ou acordo (corrente majoritária)
2ª Corrente: Da citação (Luiz Oliveira)
3ªCorrente: Da propositura (Wilney Magno)
3º Benfeitoria: Paga-se somente quando realizadas antes da declaração, nos termos do art. 3º, § 1º do D.L 3365/41. Após a declaração só seriam pagas as benfeitorias necessárias e úteis quando autorizadas.
Licença:
1ª Corrente: STF 23: Após a declaração não se paga nova obra realizada, ainda que sob licença.
2ª Corrente: Hely Lopes Meireles: Vê a súmula como inconstitucional, pois o não pagamento do preço de mercado, verba honorárias frustra a justa indenização em dinheiro.
A fase executória:
 Acordo ou Processo Judicial: Inicial; perito; imissão provisória ou prévia; citação; contestação e sentença declaratória.
 
Observações:
Imissão provisória ou prévia – Inconstitucional pela falta de citação (ampla defesa e contraditório). Segundo o entendimento do STF o valor definitivo do bem, só será pago ao final do procedimento desapropriatório – garantia da Justa e Prévia indenização.
1ª Corrente: Não foi recepcionada pela Constituição Federal, pois feri o Princípio da ampla defesa, e o da Justa indenização;
 2ª Corrente: Houve a recepção, sob o fundamento de que aqui não ocorre a transferência de propriedade, e sim a da posse (artigo 33, § 2º do D.L 3365/41).
Contestação limitada a preço (que poderá ser atualizado, inclusive mediante nova perícia, buscando justa indenização, nos termos constitucionais TJ/RJ), vícios e direito de extensão. Outros assuntos, só através de ação ordinária ou própria.
Exige orçamento prévio artigo 16, § 4º, III da Lei Complementar 101/00.
Efeitos da sentença: autoriza a imissão definitiva na posse do bem em favor do expropriante e constitu-se como o título necessário para o registro do bem. 
7. Tipos de desapropriação:
Desapropriação geral ou ordinária – art. 5º, XXIV da CR: Visa substituir, compulsoriamente, um direito de propriedade por uma indenização justa e prévia e em dinheiro. Tendo como órgãos competentes para tanto: União, Estados, Distrito Federal e os Municípios, em casos de expropriação em razão de finalidades rodoviárias, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DENIT).
 Desapropriação urbanística – art.182, § 4º, III da CR: Ocorre quando o particular não promove o adequado aproveitamento de sua propriedade, conforme o Plano Diretor do Município (art.182, § 4º, III, da CR) ou a desapropriação para implantação de distritos industriais (art. 5º, alínea i do DL 3365/41).
Desapropriação confiscatória – art.21, da CR e na lei 8257/91: Incide em bens que realizam cultivo ilegal, assim, não há de se falar em indenização. Todavia, há necessidade de ser realizada mediante processo judicial, para que seja reconhecido o ato ilícito e se configura a referida penalização, isto é, a perda da propriedade.
Desapropriação rural – art. 184 e 186 da CR: Seu fundamento é a reforma agrária, sendo atingidos, para tanto, os imóveis rurais improdutivos de grande extensão (art.186 da CR), desde que não cumpram sua função social, já que os de pequena extensão não são atingidos, ainda que improdutivos. 
Desapropriação por zona: É aquela realizada acima da área necessária à realização de uma obra ou serviço, por abranger a zona contígua a ela, pois se pretende proporcionar se posterior desenvolvimento ou aliená-la, com a devida valorização da execução do projeto.
Desapropriação Indireta: Este tipo de desapropriação é realizado sem a observância das formalidades e cautelas do procedimento expropriatório, configurando um ato abusivo e irregular. Terá natureza jurídica de apossamento administrativo ou esbulho possessório – artigo 15A,