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CURSO www.cursoadsumus.com.br – adsumus@cursoadsumus.com.br - ESTUDE COM QUEM APROVA! 
 
 
QOAA-AFN/2017 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 
MÓDULO – 3 – MARÇO 
 
PORTUGUÊS E REDAÇÃO Prof. Rafael Dias 
 Profª Bernadete Rocha 
MATEMÁTICA Prof. César Loyola 
GEOGRAFIA ECÔNOMICA Prof. Odilon Lugão 
HISTÓRIA MILITAR NAVAL Prof. Vagner Souza 
 
 
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MATERIAL INTERNO DE USO EXCLUSIVO DOS ALUNOS 
Proibida a reprodução total ou parcial 
http://www.cursoadsumus.com.br/
mailto:adsumus@cursoadsumus.com.br
 
P 
O 
R 
T 
U 
G 
U 
Ê 
S 
 
 
 
 
ÍNDICE DO MÓDULO 3 DE PORTUGUÊS 
 
REDAÇÃO 
Planejamento de Uma Redação ................................................................................................................ 01 
Planejamento Textual ............................................................................................................................... 02 
Introdução ................................................................................................................................................ 03 
Exercício de Introdução ........................................................................................................................... 07 
 
GRAMÁTICA 
Adjetivo ................................................................................................................................................... 08 
Exercício de Fixação ................................................................................................................................ 11 
 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
1 
REDAÇÃO 
PLANEJAMENTO DE UMA REDAÇÃO - Roteiro de uma redação 
 
1. Ler e interpretar o tema. 
2. Criação livre de ideias. 
3. Seleção e organização de ideias. 
4. Preenchimento do planejamento 
5. Escrita do rascunho. 
6. Revisão do rascunho. 
7. Passar a limpo. 
 
Exemplo de roteiro de planejamento 
1. Tema 
 
 
 
 
 
 
 
2. Introdução 
 
 
 
 
 
 
 
3. Desenvolvimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. Conclusão 
 
5. Título 
 
 
 
 
 
 
 
A persistência da violência contra a 
mulher na sociedade brasileira 
 
 
Técnicas de introdução: 
 
Tese: Nesse contexto, é possível afirmar que a herança patriarcal e a impunidade contribuem para 
a permanência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Compreender tais fatores é o 
primeiro passo para acabar com essa prática ainda constante. 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
2 
 
Planejamento Textual 
Tema 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. Desenvolvimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. Conclusão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título 
 
 
 
 
 
 
(Na prova da MB, o tema dado será 
usado como título.) 
 
 
 
 
Ideia 1: 
Ideia 2: 
Ideia 3: 
Técnica de Introdução: 
 
 
Tese: 
Parágrafo 1 = ideia 1 
 
 
 
 
Parágrafo 2 = ideia 2 
 
 
 
 
Parágrafo 3 = ideia 3 
Retomada da tese: 
 
 
Técnica de Conclusão: 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
3 
INTRODUÇÃO 
 
1) Funções: 
* Contextualizar: de onde o tema surgiu? Qual a relevância da questão proposta? Qual é a melhor 
estratégia para começar a falar desse tema? Essa estratégia “fere” a essência da introdução ou, ao 
contrário, consegue enriquecê-la? 
 * Direcionar a abordagem: como o tema será tratado? Que ponto de vista será defendido? 
 
2) Estrutura: 
 * 1º parágrafo do texto → cerca de cinco ou seis linhas 
 * Contextualização + Tese 
 
 2.1) Tese 
 * Conceito: eixo central / linha de raciocínio / 
Expressão do ponto de vista. 
 
a) Tese explícita por etapas: explicitação dos três 
argumentos 
 * Tese explícita por etapas: trata-se da apresentação 
clara dos argumentos que serão explorados nos 
parágrafos de desenvolvimento, resumidos em um 
período, na ordem em que eles aparecerão no texto. 
 
Exemplo 1: 
 Tema: Consumismo 
Tese: Embora necessário, o consumismo constitui uma 
violência simbólica, que pode levar, também, à 
criminalidade. 
 
Arg1: relevância econômica 
Arg2: imposição de “necessidades” / sedução 
publicitária 
Arg3: criminalidade para o consumo 
 
Exemplo 2: 
 Tema: Redução da maioridade penal 
Com o aumento da quantidade e da gravidade dos casos 
de delinquência juvenil, vem à tona o debate em torno 
de suas possíveis soluções. Dentre as propostas, 
destaca-se a redução da maioridade penal para dezesseis 
anos no Brasil. Embora seja necessário melhorar 
previamente o sistema carcerário, essa mudança no 
código penal confirma a precocidade dos jovens de hoje 
e ajuda a diminuir sua imunidade frente à lei. 
Arg1: 
Arg2: 
Arg3: 
 
Exemplo 3: 
Tema: a identidade da música brasileira 
Quem vai à História descobre logo que o samba não 
seria o mesmo sem os ritmos africanos e as danças 
latinas, o mesmo valendo para outros estilos 
tipicamente brasileiros. Por isso, vê-se como histeria o 
alarme diante da música americana nas rádios e lojas de 
CDs. Entretanto a velocidade das influências, hoje, é 
realmente motivo de preocupação. Afinal, embora as 
trocas estejam na base de qualquer cultura, os excessos 
da globalização econômica precisam ser filtrados, a fim 
de que a música brasileira mantenha o mosaico que 
sustenta sua identidade. 
 
Arg1: 
 
Arg2: 
 
Arg3: 
 
 b) Tese implícita por ideia geral ou palavra-chave: 
sugestão sutil de ponto de vista 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
4 
* Tese implícita por ideia geral ou palavra-chave: 
trata-se da sugestão genérica e/ou sutil da opinião que 
será defendida na argumentação. 
 
Exemplo 1: 
 Tema: Efeitos negativos da tecnologia: 
Tese: Existe um paradoxo tecnológico: quanto maior o 
progresso, maior a desumanização. 
Arg1: comunicação mediada 
Arg2: dependência da tecnologia 
Arg3: redução das identidades culturais 
 
Exemplo 2: 
Tema: Representações sociais da mulher no Brasil 
hoje 
O discurso politicamente correto parece ocupar todos os 
espaços sociais disponíveis. Não seria diferente no que 
diz respeito à mulher. Reconhecimento por parte de 
autoridades, mudanças na legislação eleitoral, teses e 
mais teses acadêmicas. Na hora do comercial, porém, lá 
está a mesma mulher-objeto de sempre, corpo 
escultural, boca calada. No Brasil, sem dúvida, vive-se 
uma espécie de esquizofrenia, pois a imagem feminina 
oficial nunca coincide com a real. 
 
Exemplo 3: 
Tema: Democracia e desigualdade social no Brasil. 
Sabe-se que o Brasil é, historicamente, marcado por 
absurdas desigualdades sociais e por nenhuma medida 
política eficaz para, pelo menos, amenizá-las. Nesse 
contexto de displicência governamental, o abismo entre 
as classes apenas aumentou e chegou, nos dias atuais, a 
uma assustadora realidade de divisão e segregação. O 
paradoxal, no entanto, é que mesmo em um país de 
gritantes diferenças, há quem acredite viver em uma 
plena democracia. 
 
 c) Tese implícita por pergunta: questionamento 
retórico e sugestivo 
 * Tese por pergunta retórica: trata-se da sugestão de 
sutil de um ponto de vista por meio de um 
questionamento que induz a uma resposta. 
 
Exemplo 1: 
Tema: Os avanços da consciência ecológica no 
mundo. 
Rio 92, Rio+10, Rio+20, Rio+? Não há, na história, 
registro de tantas reuniões e congressos para discutir os 
problemas ambientais que desafiam a todos. Tema 
obrigatório em sala de aula e em páginas de jornal, a 
ecologia entrou eficou na moda. O que era pura ciência 
alcança o cidadão comum, que, nos atos mais simples, 
aos poucos muda sua postura. Mantêm-se, no entanto, 
os problemas mais graves, causados pelas grandes 
empresas de sempre. Nesse contexto, cabe indagar: de 
que adianta a pura consciência individual se o sistema 
não vê obstáculos para sua expansão destruidora? 
 Tema: Redução da maioridade penal 
 Com o aumento da quantidade e da gravidade 
dos casos de delinquência juvenil, vem à tona o debate 
em torno de suas possíveis soluções. Dentre as 
propostas, destaca-se a redução da maioridade penal no 
Brasil. Uma análise menos emocionada da situação, no 
entanto, revela governos incapazes de oferecer 
educação de base; prisões lotadas, que não reintegram 
indivíduos à sociedade e bandidos dispostos a aliciar 
pessoas cada vez mais jovens para o tráfico. Nesse 
contexto, será mesmo que prender jovens de dezesseis e 
dezessete anos será benéfico para o país? 
 
Exemplo 3: 
Tema: Identidade da música brasileira 
Samba misturado à batida “funk”. Música eletrônica 
com pitadas de rock. Jazz com apelo brega. Se a 
essência da música contemporânea é a mistura, o Brasil 
desempenha com louvor seu papel. No país da 
miscigenação étnica, a produção musical herda a 
qualidade da reciclagem criativa, responsável pela 
diversidade da cultural da nação. Convém incomodar: 
mosaico ou colcha de retalhos? 
 
2.2) Estratégias de contextualização 
 
a) Tradicional 
 * Frases genéricas de ambientação 
 - “quando o assunto é (...), não são poucas as dúvidas 
presentes (...)” 
 - “muito se discute acerca de (...)” 
 
 * Evitar os lugares-comuns 
 - “Atualmente” (impreciso) 
 - “Desde os primórdios da humanidade” (não faz 
sentido) 
 - “A cada dia que passa” 
 
Exemplos: 
Tema: Descrença na política no mundo 
contemporâneo 
Muito se tem discutido acerca da desvalorização da 
política no mundo atual. De fato, o descaso com o voto 
parece constituir forte sintoma desse panorama. Para 
compreender tal fenômeno, cabe analisar a influência 
dos políticos, da sociedade e do próprio sistema. Só 
assim será possível perceber a complexidade da 
situação. 
 
a: Preservação ambiental 
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão 
acerca de preservação ambiental hoje. Basta ler com 
atenção os jornais ou observar a força dos Partidos 
Verdes em boa parte do mundo. Em meio a esse 
acalorado debate, ganha espaço a valorização da água, 
por razões científicas, econômicas e humanitárias. 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
5 
Compreender tais fatores é o primeiro passo para 
afastar uma ameaça grave ao próprio ser humano. 
 
Tema: Aquecimento global 
É cada vez mais frequente a discussão sobre o 
aquecimento global. Realmente, os cientistas alertam 
para os perigos da emissão de gases poluentes os quais 
estão afetando a temperatura da Terra. Diante disso, o 
homem começa a se preocupar um pouco mais com 
suas atitudes, enquanto governos preparam leis e 
acordos. Resta saber se ainda há tempo para mudar. 
 
b) Histórica 
 * Citação de época passada ou episódio histórico 
 * Objetivo: comparação com o presente 
→ semelhança 
 → diferença 
 * Necessidade de exatidão, sem detalhismo 
 * Interdisciplinaridade 
 
Exemplos: 
Tema: O fim das utopias 
Em 1917, uma revolução começou a concretizar uma 
das maiores utopias do ser humano – a criação de uma 
sociedade igualitária. Menos de um século depois, mais 
precisamente em 1989, esse ideal acabou com a 
destruição de um muro que, de certa forma, o 
simbolizava. A sociedade mundial chegou ao século 
XXI descrente e cínica, apostando tudo em uma única e 
triste certeza: o indivíduo. O problema – ou solução, 
nesse caso, – é que o homem nunca deixou de sonhar. 
 
Tema: Trote nas universidades 
Na Idade Média, quando surgiu, o trote constituía um 
ritual de passagem cuja violência apresentava 
significados filosóficos: os traumas físicos e psíquicos 
ajudavam os calouros a entender seu novo lugar. Hoje, 
porém, essa prática tornou-se vazia e se limita à 
expressão de uma violência cada vez mais banalizada. 
 
Tema: Problemas na política brasileira 
Quando o governo militar se aproveitou da vitória 
brasileira na Copa de 70 para fazer propaganda política, 
muitos denunciaram uma postura populista. Hoje, 
apesar da liberdade de imprensa, não são poucos os 
políticos que agem apenas pela simpatia do público e 
fogem de medidas impopulares. Das cotas nas 
universidades ao Bolsa Escola, passando pelos 
restaurantes populares, muito pouco é feito para mudar, 
de fato, as estruturas sociais do País. 
 
c) Conceitual 
 * Definição da palavra-chave 
 * Útil em temas reflexivos abstratos 
 
Exemplos: 
Tema: Educação brasileira hoje 
Em sua etimologia, educar significa elevar, conduzir a 
um patamar superior. Infelizmente, nem sempre a teoria 
se aproxima da prática. O sistema educacional 
brasileiro é um bom exemplo desse distanciamento. 
Infraestrutura decadente, baixa remuneração de 
profissionais e currículos antiquados não combinam 
com o discurso do ministério da Educação, pois o 
tornam etéreo. 
 
Tema: A ciência e o dinheiro 
Os dicionários registram que a ciência é o conjunto de 
conhecimentos de determinada área, obtidos segundo 
um método objetivo e demonstrável. Embora clara, essa 
definição deixa de lado um fator cada vez mais presente 
no mundo científico: o dinheiro. Sejam as verbas para 
universidades públicas, sejam os investimentos em 
laboratórios privados, o fato é que os cientistas 
tornaram-se reféns da lógica econômica. Nesse novo 
contexto, a humanidade só tem a perder. 
 
Tema: A transgressão às leis no contexto 
contemporâneo 
Segundo o filósofo grego Aristóteles, “a lei é a razão 
livre da paixão”. A julgar pelo panorama atual, esse 
precioso ensinamento tem sido constantemente 
desvirtuado. Para muitos, a paixão – como sinônimo de 
interesses e desejos pessoais – revela-se elemento 
inerente à observância de uma lei, e, o que é pior, pode 
ser o pretexto necessário para que esta não seja sequer 
cumprida. 
 
d) Fotográfica 
 * Citação de três imagens sucessivas que apresentem o 
tema 
 * Vantagem: dinamismo 
 * Depois é preciso fazer uma frase para explicar os 
flashes. 
 
Exemplos: 
Tema: Relações amorosas na atualidade 
Adolescentes “ficando”. Namoros via internet. 
Aumento do número de divórcios. Tais são alguns dos 
indícios de que as relações amorosas têm passado por 
transformações profundas. Sem dúvida, a economia, a 
tecnologia e a aceleração dos processos têm sido 
decisivas na caracterização do amor contemporâneo. 
Cabe compreender esse processo para julgá-lo — se for 
o caso. 
 
Tema: O brasileiro diante do medo da violência 
Olhos inquietos, bolsa levada à frente do corpo, andar 
apressado. Esses exemplos não tratam de um cidadão 
neurótico, mas de um típico brasileiro morador das 
grandes cidades. Seja nas estatísticas, seja nas ruas, a 
violência aparece em todas as suas dimensões e, dessa 
forma, altera o cotidiano das pessoas. Nessa realidade, 
todos garantem sua segurança como podem, uns 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
6 
compram armas, outros planejam roteiros, outros ainda 
evitam sair de casa. Afinal, ninguém quer ser vítima da 
violência. 
 
Tema: Identidade da música brasileira 
Samba misturado à batida “funk”. Música eletrônica 
com pitadas de rock. Jazz com apelo brega. Se a 
essência da música contemporânea é a mistura, o Brasil 
desempenha com louvor seu papel. No país da 
miscigenação étnica, a produção musical herda a 
qualidade da reciclagem criativa, responsável pela 
diversidade cultural da nação. Convém incomodar: 
mosaico ou colcha de retalhos? 
 
e) Jornalística 
 * Micronarrativa que ilustre o tema 
 * Uma espécie denarrativa 
 
Exemplos: 
Tema: Violência gratuita 
Em junho de 2011, cinco adolescentes de classe média 
espancaram uma empregada doméstica na Barra da 
Tijuca. De modo semelhante ao que ocorrera com o 
índio Galdino, incendiado em Brasília há dez anos, a 
vítima ainda não entendeu por que sofreu a agressão. 
Às gargalhadas, o grupo repetia um fenômeno que não 
é novo e só piora a cada ano: a violência gratuita 
praticada por jovens abastados. Embora injustificável, 
essa prática precisa ser compreendida para ser 
controlada. Eis o desafio. 
 
Tema: Trote nas universidades 
Há cerca de cinco anos, a USP foi palco de uma 
tragédia: a morte de um calouro de medicina durante o 
trote. Esse episódio trouxe à tona uma discussão que 
ficara escondida por muito tempo. Trata-se do debate 
em torno dos trotes universitários e sua violência 
descontrolada. Embora represente um sadismo 
compreensível, essa prática vai de encontro ao espírito 
universitário e pode ser substituída por atividades mais 
inteligentes. 
 
f) Cultural 
*Interdisciplinaridade com a cultura: música, artes, 
literatura, etc. 
 
Exemplos: 
Tema: O sentido do tempo para o homem 
contemporâneo 
Entre os poderes da arte, encontra-se a capacidade de 
traduzir certas percepções em palavras ou imagens 
especiais. Na música, por exemplo, canções como a 
“Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso, e “Tempo 
Rei”, de Gilberto Gil, falam de um mesmo assunto e o 
fazem da mesma maneira: personificam o tempo com 
letras maiúsculas. Essa opção faz sentido, sobretudo, 
quando se reflete acerca da importância dada ao tempo 
pelo homem contemporâneo, que o trata como uma 
espécie de religiosidade vazia. 
 
Tema: O sentido do tempo para o homem 
contemporâneo 
Há cem anos, Einstein mudou a cosmovisão ocidental 
ao propor a teoria da relatividade. Embora se trate de 
assunto complexo, a hipótese do físico alemão colocou 
o tempo em evidência, tornando-se a grande questão 
desta época. Em meio à preponderância da economia, 
nunca foi tão verdadeiro o clichê “tempo é dinheiro”. 
Em virtude dessa visão pragmática, a aceleração 
tecnológica reduz o tempo do homem, que tenta detê-lo 
em vão. 
 
Tema: O sentido do tempo para o homem 
contemporâneo 
Quando Santos Dumont inventou o relógio de pulso, 
talvez não tenha imaginado o quanto esse instrumento 
seria importante, até mesmo para evidenciar sua obra 
mais famosa. Sem dúvida, seja para embarcar num 
avião, seja para regular suas atividades vitais, o homem 
mede o tempo de tudo. Entretanto, quanto mais a 
humanidade imagina controlar a passagem dos 
ponteiros nos relógios, mais ela se torna refém desse 
controle. 
 
Outros Tipos de Contextualização 
 
g) Divisão 
Tema: Exclusão Social 
Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas 
sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve 
ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua 
superação envolve muitos recursos e esforços 
extraordinários. Experiências relatadas mostram que o 
combate à marginalidade social em Nova Iorque tem 
contado com intensivos esforços do poder público e 
ampla participação da iniciativa privada. 
 
a) Oposição 
Tema: Educação no Brasil 
De um lado, professores mal pagos, desestimulados, 
esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos 
com computadores, antenas Wi-Fi, aparelhos de DVD. 
É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil. 
h) Uma frase nominal seguida de explicação 
Tema: Educação no Brasil. 
Uma catástrofe. Essa é a conclusão da própria 
Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do 
Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho 
dos alunos do 3º ano do Ensino Médio submetidos ao 
Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que 
ainda avaliou estudantes em todas as regiões do 
território nacional. É preciso, então, que o governo 
busque alternativas para esse grave problema. 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
7 
i) Citação 
Tema: política demográfica 
"As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e 
os pais não chorarem mais". O comentário do fotógrafo 
Sebastião Salgado sobre o que viu em Ruanda é um 
estímulo no estado de letargia ética que domina 
algumas nações do Mundo Desenvolvido. Será que a 
humanidade está deixando de ser humana? 
 
 
j) Citação de forma indireta 
Tema: consumismo 
O teórico Joaquim Nabuco, em sua comiseração pelo 
escravo brasileiro, disse que este só tem a própria 
morte. O movimento brasileiro antiescravista, quando já 
fortalecido, deixou bem clara essa pungente acusação 
nas palavras dos abolicionistas. 
 
K) Comparação 
Tema: reforma agrária 
O tema da reforma agrária está presente há bastante 
tempo nas discussões sobre os problemas mais graves 
que afetam o Brasil. Numa comparação entre o 
movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no 
final do século passado, e o movimento atual pela 
reforma agrária, podem-se perceber algumas 
semelhanças. Como na época da abolição da escravidão 
existiam elementos favoráveis e contrários a ela, 
também hoje há os que são a favor e os que são contra a 
implantação da reforma agrária. 
 
 
 
 
 
EXERCÍCIO DE INTRODUÇÃO 
1. Leia com atenção o seguinte texto: 
Com base nas ideias presentes nos textos 
acima, redija 4 parágrafos diferentes de 
introdução sobre o tema: 
A redução da maioridade penal no 
Brasil 
 
OBS.: 
- Utilize as várias técnicas de 
contextualização e de tese; 
 
- Não se esqueça de indicar a técnica por 
você escolhida antes de cada parágrafo. 
 
- Faça 2 ou 3 frases em cada parágrafo; 
 
- Faça parágrafos de 4 a 6 linhas; 
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8 
 
GRAMÁTICA 
ADJETIVO 
 
Adjetivo é a palavra que expressa qualidade, característica ou estado dos seres em geral. É variável em gênero, 
número e grau. Pode ser classificado de quatro formas. 
 
Primitivo (não são formados por derivação de nenhuma outra palavra) – Ex.: azul, curto, feliz. 
Derivado (formado por derivação) – Ex.: azulado, infeliz, desconfortável. 
Simples (apresentam um radical) – Ex.: branco, claro, livre. 
Composto (apresenta dois ou mais radicais) – Ex.: luso-africano, político-institucional, sul-rio-grandense. 
 
Obs.: A locução adjetiva é uma expressão geralmente formada de preposição + substantivo, com valor de adjetivo. 
Ex.: A água da chuva destruiu a lavoura de café. Ele apresentou uma atitude sem qualquer cabimento. 
Emprego dos adjetivos e locuções adjetivas 
1. Qualificação: livro interessante, restaurante modesto. 
2. Caracterização: livro verde, livro grosso, livro de cima. 
3. Informação: livro de meu pai, roupa importada da Alemanha. 
4. Restrição: Secretaria de Educação, porta da sala, 
5. Frequentemente, usa-se o adjetivo depois do substantivo. Ex.: Os assuntos ecológicos ganharam destaque. 
6. Seu emprego antes do substantivo, em determinados contextos, confere-lhe destaque. Ex.: Suas belas músicas me 
encantam. 
7. Sua posição, em alguns casos, pode alterar-lhe o sentido. Ex.: A personagem central era uma pobre mulher. A 
personagem central era uma mulher pobre. 
 
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES 
1. FLEXÃO DE NÚMERO 
1.1. Plural dos adjetivos simples: seguem as mesmas regras dos substantivos. 
1.2. Plural dos adjetivos compostos 
 
1.2.1. Apenas o último elemento varia quando 
*palavra invariável + adjetivo: semi-internos 
*adjetivo + adjetivo: amizades luso-brasileiras; conflitos sino-soviéticos; folhas azul-claras. 
OBS.: Nos substantivos compostos que designam cores, ambos os elementos vão para o plural: os verdes-claros, os 
amarelos-esverdeados, os azuis-escuros. 
 
EXCEÇÕES : surdo-mudo - surdos-mudos; 
 
1.2.2. Adjetivos referentes a cores são invariáveis quando o segundo elemento da composição é um substantivo: 
canários amarelo-ouro, uniformes verde-oliva, blusas verde-garrafa,camisas vermelho-sangue 
OBS.: Nos substantivos compostos desse tipo, admitem-se dois plurais: 
 O verde-água - os verdes-águas ou os verdes-água 
 O verde-abacate - os verdes-abacates ou os verdes-abacate 
 
1.4. São adjetivos invariáveis: azul-marinho, azul-celeste. 
 
2. FLEXÃO DE GÊNERO (formação do feminino) 
 
2.1. Os adjetivos terminados em –o trocam essa terminação por –a. 
Ex.: ativo / ativa, branco / branca 
 
2.2. Os terminados em –es, -or e –u geralmente recebem a terminação –a. 
Ex.: freguês / freguesa, sedutor / sedutora, cru/ crua. 
 
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9 
Obs.: os adjetivos hindu, sensabor, cortês, incolor, multicor, bicolor, tricolor, maior, melhor, menor, pior, superior, 
anterior, posterior são usados dessa forma também para o feminino. Ex.: roupa hindu, atitude superior. 
 
2.3. Os terminados em –ão trocam essa terminação por –ã, -ona e, mais raramente, por –oa. 
Ex.: alemão / alemã, cristão / cristã, chorão / chorona, comilão / comilona, beirão / beiroa. 
 
2.4. Os terminados em –eu (com som fechado) trocam essa terminação por -eia/ os terminados em –eu (som aberto) 
trocam por –oa. 
Ex.: ateu / ateia, europeu / europeia, ilhéu / ilhoa, tabaréu / tabaroa. 
Exceções: judeu / judia, sandeu / sandia, réu/ré 
 
2.5. Feminino dos compostos: apenas o segundo elemento varia. Ex.: literatura hispano-americana 
Exceção: menino surdo-mudo / menina surda-muda 
Observação importante: Os adjetivos compostos cujo segundo elemento é um substantivo são invariáveis. Ex.: 
amarelo-ouro, verde-mar. 
2.6. Há muitos adjetivos uniformes (servem para masculino e feminino): agrícola, audaz, exemplar, frágil, ruim. 
 
3. GRAUS DO ADJETIVO 
 
COMPARATIVO (Indica uma relação de 1 ser para 2 adjetivos ou de 2 seres para 1 adjetivo.) 
 
 3.1. Grau comparativo de igualdade: Pedro é tão forte quanto eu./ Pedro é tão forte quanto inteligente. 
 3.2. Grau comparativo de superioridade: Pedro é mais forte (do) que eu./ Pedro é mais forte (do) que inteligente. 
 3.3. Grau comparativo de inferioridade: Pedro é menos forte (do) que eu. / Pedro é menos forte (do) que inteligente. 
 
OBS.: Ao se comparar 2 qualidades ou ações de sum ser, empregam-se “mais bom”, “mais mau”, “mais grande”, 
“mais pequeno” e, vez de melhor, pior, maior, menor: 
 Ele é mais bom do que mau. A escola é mais grande do que pequena. Ele é mais mau do que simpático. Ele é 
mais pequeno do que grande. 
 
SUPERLATIVO (Destaca um ser) 
 
3.4. Superlativo absoluto: Pedro é muito forte. (analítico) 
 Pedro é fortíssimo. (sintético) 
 
3.5. Superlativo relativo: Pedro é o mais forte da turma. (de superioridade) 
 Pedro é o menos forte da turma (de inferioridade) 
 
Obs.: na linguagem coloquial, pode-se empregar a repetição do mesmo adjetivo, sem pausa e sem vírgula. 
 O dia está belo belo. Ela era linda linda. 
 
 
 
 4. FORMAÇÃO DO SUPERLATIVO ABSOLUTO SINTÉTICO 
 
Forma-se pelo acréscimo de –íssimo: 
original - originalíssimo 
belo – belíssimo 
triste - tristíssimo 
 
 4.2. Adjetivos terminados em –vel têm o superlativo em –bilíssimo: 
 amável - ambilíssimo 
 terrível –terribilíssimo 
 móvel –mobilíssimo 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
10 
4. 3. Adjetivos terminados em –z fazem o superlativo em –císsimo : 
 capaz – capacíssimo 
 feliz – felicíssimo 
 atroz – atrocíssimo 
 
4. 4. Adjetivos terminados em -m e -ão recebem -níssimo : 
 comum – comuníssimo 
 são – saníssimo 
 
 4.5. Adjetivos que seguem a forma latina no superlativo : 
 amargo –amaríssimo 
 amigo – amicíssimo 
 antigo – antiquíssimo 
 benéfico – beneficentíssimo 
 cristão – cristianíssimo 
 cruel – crudelíssimo 
 doce – dulcíssimo 
 fiel – fidelíssimo 
 frio – frigidíssimo 
 geral – generalíssimo 
 inimigo – inimicíssimo 
 
4.6. Adjetivos em -imo e -rimo : 
 célebre – celebérrimo 
 humilde - humílimo 
 livre – libérrimo 
 magro – macérrimo 
 negro – nigérrimo 
 pobre – paupérrimo 
 
 4.7. Adjetivos terminados em -io : 
 sério – seriíssimo 
 cheio – cheiíssimo 
 necessário – necessariíssimo ( também com um só –i ) 
 
4.8. Comparativos e superlativos anômalos 
 adjetivos comparativo de superioridade superlativo 
 Absoluto Relativo 
 bom melhor ótimo o melhor 
 mau pior péssimo o pior 
 grande maior máximo o maior 
 pequeno menor mínimo o menor 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
11 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
1. “Talvez seja bom que o proprietário do imóvel possa 
desconfiar de que ele não é tão imóvel assim.” As 
palavras destacadas assumem, respectivamente, valor de 
a) substantivo e substantivo. 
b) substantivo e adjetivo. 
c) adjetivo e verbo. 
d) advérbio e adjetivo. 
e) adjetivo e advérbio. 
 
2. Assinale o período em que ocorre a mesma relação 
significativa indicada pelos termos destacados em "A 
atividade científica é tão natural quanto qualquer outra 
atividade econômica": 
a) Ele era tão aplicado, que em pouco tempo foi 
promovido. 
b) Quanto mais estuda, menos se aprende. 
c) Tenho tudo quanto quero 
d) Sabia a lição tão bem como eu. 
e) Todos estavam exaustos, tanto que se recolheram logo. 
 
3. “Os homens são os melhores fregueses do bairro" ... 
Os melhores encontra-se no grau: 
a) comparativos de superioridade. 
b) superlativo comparativo de superioridade. 
c) superlativo absoluto sintético. 
d) superlativo relativo sintético de superioridade. 
 
4. Assinale a alternativa em que o adjetivo está 
flexionado no grau superlativo absoluto sintético: 
a) O garoto é tão inteligente quanto sua irmã. 
b) O aluno é o mais inteligente da sala. 
c) A cerveja está geladíssima. 
d) O político é muito influente. 
e) O leite está melhor que o café. 
 
5. O desagradável da questão era vê-lo de mau humor 
depois da troca de turno. 
Na frase acima, as palavras em destaque comportam-se, 
respectivamente, como: 
a) substantivo, adjetivo, substantivo 
b) adjetivo, advérbio, verbo 
c) substantivo, adjetivo, verbo 
d) substantivo, advérbio, substantivo 
e) adjetivo, adjetivo, verbo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. Qual o significado das palavras destacadas nas frases? 
a) O príncipe era um homem grande. 
______________________________________________
___________________________________________ 
 
b) O príncipe era um grande homem. 
______________________________________________
___________________________________________ 
 
c) Se você tem-se decepcionado com amigos cachorros, 
arrume um cachorro amigo. 
______________________________________________
___________________________________________ 
 
d) Seja paciente no trânsito para não ser paciente (usuário 
do) no hospital. 
______________________________________________
___________________________________________ 
 
7. Assinale a alternativa em que o termo cego(s) é um 
adjetivo: 
a) "Os cegos, habitantes de um mundo esquemático, 
sabem aonde ir..." 
b)"O cegode Ipanema representava naquele momento 
todas as alegorias da noite escura da alma..." 
c)"Todos os cálculos do cego se desfaziam na turbulência 
do álcool." 
d)"Naquele instante era só um pobre cego." 
e)"... da Terra que é um globo cego girando ao caos." 
 
8. Se preenchermos os espaços com a expressão colocada 
entre parênteses, ficará gramaticalmente correta somente 
a frase da alternativa: 
a) Naquele ano, passariam pela ponte... de pessoas. 
(duas milhões) 
b) Quando chegaram ao local, ... estava dormindo. 
(o sentinela) 
c) Tivemos... deles, mas não pudemos fazer nada. 
(muita dó) 
d) Por causa do ferimento, ... não resistiu e morreu. 
(a sabiá) 
e) Falta apenas... para completarmos a quantidade 
exigida. (uma milhar) 
 
9. Assinale a alternativa que completa corretamente as 
lacunas da frase. 
Ficou com... quando soube que... caixa do banco 
entregara aos ladrões todo o dinheiro... clã. 
a) o moral abalado- o – do 
b) a moral abalada- o – da 
c) o moral abalado –o- da 
d) a moral abalado – a – do 
e) a moral abalada – a – da 
 
 MÓDULO 3 – Prof. Rafael Dias e Bernadete Rocha CURSO ADSUMUS 
 
 
12 
10. Classificam-se como substantivos as palavras destacadas, exceto em: 
a) "... o idiota com quem os moleques mexem...". 
b) "... visava a me acostumar à morna tirania...". 
c) "Adeus, volto para meus caminhos". 
d) "... conheço até alguns automóveis...". 
e)"... todas essas coisas se apagarão em lembranças...". 
 
 
 
11. Classifique o grau dos adjetivos nas frases abaixo. 
a) O cajueiro é mais alto que a roseira. 
_____________________________________________ 
 
b) A palmeira é a mais alta árvore desse lugar. 
_____________________________________________ 
 
c) Henrique está menos adiantado do que Paulo. 
_____________________________________________ 
 
d) Esta lição parece tão fácil como a precedente. 
_____________________________________________ 
 
e) Guardei as melhores recordações daqueles dias de férias. 
_____________________________________________ 
 
f) Sem o teu auxílio, o meu trabalho seria péssimo. 
_____________________________________________ 
 
g) fizemos uma viagem muito rápida. 
_____________________________________________ 
 
h) Moras em casa maior do que a minha. 
 
M 
A 
T 
E 
M 
Á 
T 
I 
C 
A 
 
ÍNDICE DO MÓDULO 3 DE MATEMÁTICA 
 
TEORIA DOS CONJUNTOS 
Símbolos ................................................................................................................................................... 01 
Relações entre Conjuntos ......................................................................................................................... 01 
Diagramas de Euler-Venn ........................................................................................................................ 01 
 Operações com Conjuntos .................................................................................................................... 02 
Conjunto das Partes ou Potências ............................................................................................................ 02 
Conjuntos Numéricos .............................................................................................................................. 02 
Questões de Concursos ........................................................................................................................... 03 
Gabaritos ................................................................................................................................................. 13 
 
 CURSO ADSUMUS 
 
Profº César Loyola 
 
Matemática – Prof. César Loyola 1/13curso adsumus 
Assunto: Matemática Módulo III – QOAM 
 
 
TEORIA DOS CONJUNTOS 
Símbolos 
: pertence : existe 
: não pertence : não existe 
: está contido : para todo (ou qualquer que seja) 
: não está contido : conjunto vazio 
: contém N: conjunto dos números naturais 
: não contém Z : conjunto dos números inteiros 
/ : tal que Q: conjunto dos números racionais 
: implica que Q'= I: conjunto dos números irracionais 
: se, e somente se R: conjunto dos números reais 
 
Símbolos das operações 
: A intersecção B 
: A união B 
A - B: diferença de A com B 
a < b: a menor que b 
: a menor ou igual a b 
a > b: a maior que b 
: a maior ou igual a b 
: a e b 
: a ou b 
 
Conjunto Universo : Em certos problemas da teoria dos 
conjuntos, é preciso que se defina um conjunto que contenha 
todos os conjuntos considerados. Assim, todos os conjuntos 
trabalhados no problema seriam subconjuntos de um conjunto 
maior, que é conhecido como conjunto universo , ou 
simplesmente universo. 
Por exemplo: em um problema envolvendo conjuntos de 
números inteiros, o conjunto dos números inteiros Z é o 
conjunto universo; em um problema envolvendo palavras 
(consideradas como conjuntos de letras), o universo é o 
alfabeto. 
Relações entre conjuntos 
Relação de Inclusão: Para relacionar um conjunto com 
outro conjunto (ou subconjunto) utilizamos a relação de 
inclusão. 
Exemplo: Se considerarmos o conjunto formado por todas 
as letras do alfabeto e o conjunto formado pelas vogais, 
podemos dizer que (A contém V) ou (V 
está contido em A) 
Relação de Pertinência: Se é um elemento de , nós 
podemos dizer que o elemento pertence ao conjunto e 
podemos escrever . Se não é um elemento de , 
nós podemos dizer que o elemento não pertence ao conjunto 
e podemos escrever . 
Exemplos: 
• 
• 
• 
• 
 
Conjunto vazio : é um conjunto que não possui elementos. 
O conjunto vazio é representado por { } ou . 
Conjunto unitário : é um conjunto que possui somente um 
elemento. 
 
Subconjuntos: quando todos os elementos de um 
conjunto A qualquer pertencem a um outro conjunto B, 
diz-se, então, que A é um subconjunto de B, ou seja 
A B. Observações: 
• Todo o conjunto A é subconjunto dele próprio, ou seja 
; 
• O conjunto vazio, por convenção, é subconjunto de 
qualquer conjunto, ou seja 
 
DIAGRAMAS DE EULER-VENN – Um bom modo de 
visualizarmos relações entre conjuntos é através dos diagramas 
de Euler-Venn. Os conjuntos são representados por regiões 
planas interiores a uma curva fechada e simples. 
 
Matemática – Prof. César Loyola 2/13curso adsumus 
 Operações com conjuntos 
União de Conjuntos: dados os conjuntos A e B, 
define-se como união dos conjuntos A e B ao conjunto 
representado por , formado por todos os 
elementos pertencentes a A ou B, ou seja: 
 
 
 
Intersecção de Conjuntos: dados os conjuntos 
A e B, define-se como intersecção dos conjuntos A e B 
ao conjunto representado por , formado por 
todos os elementos pertencentes a A e B, 
simultaneamente, ou seja: 
 
 
 
Diferença de Conjuntos: dados os conjuntos A e 
B, define-se como diferença entre A e B (nesta ordem) 
ao conjunto representado por A-B, formado por todos 
os elementos pertencentes a A, mas que não 
pertencem a B, ou seja 
 
 
 
Produto Cartesiano: dados os conjuntos A e B, 
chama-se peoduto cartesiano A com B, ao conjunto 
AxB, formado por todos os pares ordenados (x,y), 
onde x é elemento de A e y é elemento de B, ou seja 
 
Conjunto Complementar: Dado um universo U, 
diz-se complementar de um conjunto A, em relação ao 
universo U, o conjunto que contém todos os elementos 
presentes no universo e que não pertençam a A. 
Também define-se complementar para dois conjuntos, 
contanto que um deles seja subconjunto do outro. 
Nesse caso, diz-se, por exemplo, complementar de B 
em relação a A (sendo B um subconjunto de A) — é o 
complementar relativo — e usa-se o símbolo . 
Matematicamente: 
 
Exemplo: 
A = { 3,4,9,{10,12},{25,27} } 
D = { {10,12} } 
 
 
Conjunto das Partes ou Potência 
Dado um conjunto A, definimos o conjunto das partes de A, 
, como o conjunto que contém todos os subconjuntos 
de A (incluindo o conjunto vazio e o próprio conjunto A). 
Uma maneira prática de determinaré pensar em todos 
os subconjuntos com um elemento, depois todos os 
subconjuntos com dois elementos, e assim por diante. 
Exemplo : 
Se A = { 1, 2, 3 }, então = { ∅, {1}, {2}, {3}, {1, 
2}, {1, 3}, {2, 3}, {1, 2, 3} }. 
Número de subconjuntos de um conjunto: se um conjunto A 
possuir n elementos, então existirão 2n subconjuntos de A. 
Quantidade de subconjuntos não vazios: 2n - 1 
 
Relação Quantitativa com 2 conjuntos: 
( ) ( ) ( ) ( )n A B n A n B n A B∪ = + − ∩ 
 
 
 
CONJUNTOS NUMÉRICOS 
 
• Conjunto dos números naturais (IN) 
 
 
 
 
Um subconjunto importante de IN é o conjunto IN*: 
IN*={1, 2, 3, 4, 5,...} � o zero foi excluído do conjunto IN. 
Podemos considerar o conjunto dos números naturais 
ordenados sobre uma reta, como mostra o gráfico abaixo: 
 
 
• Conjunto dos números inteiros (Z) 
 
 
IN={0, 1, 2, 3, 4, 5,...} 
Z={..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3,...} 
 
Matemática – Prof. César Loyola 3/13curso adsumus 
O conjunto IN é subconjunto de Z. 
Temos também outros subconjuntos de Z: 
Z* = Z-{0} 
Z+ = conjunto dos inteiros não negativos = {0,1,2,3,4,5,...} 
Z_ = conjunto dos inteiros não positivos = {0,-1,-2,-3,-4,-
5,...} 
 
Observe que Z+=IN. 
Podemos considerar os números inteiros ordenados sobre 
uma reta, conforme mostra o gráfico abaixo: 
 
 
 
• Conjunto dos números racionais (Q) 
 
Os números racionais são todos aqueles que podem ser 
colocados na forma de fração (com o numerador e denominador 
∈ Z). Ou seja, o conjunto dos números racionais é a união do 
conjunto dos números inteiros com as frações positivas e 
negativas. 
 
 
Exemplos: 
 
Assim, podemos escrever: 
 
 
 
 
É interessante considerar a representação decimal de um 
número racional, que se obtém dividindo a por b. 
 
Exemplos referentes aos decimais exatos ou finitos: 
 
Exemplos referentes aos decimais periódicos ou infinitos: 
 
 
Todo decimal exato ou periódico pode ser 
representada na forma de número racional. 
 
 
• Conjunto dos números irracionais 
 
Os números irracionais são decimais infinitas não 
periódicas, ou seja, os números que não podem ser escrito na 
forma de fração (divisão de dois inteiros). Como exemplo de 
números irracionais, temos a raiz quadrada de 2 e a raiz 
quadrada de 3: 
 
Um número irracional bastante conhecido é o número 
π=3,1415926535... 
 
 
• Conjunto dos números reais (IR) 
 
Dados os conjuntos dos números racionais (Q) e dos 
irracionais, definimos o conjunto dos números reais como: 
 
 
 
 
 
 
O diagrama abaixo mostra a relação entre os conjuntos 
numéricos: 
 
 Portanto, os números naturais, inteiros, racionais e 
irracionais são todos números reais . Como subconjuntos 
importantes de IR temos: 
 IR* = IR-{0} 
 IR+ = conjunto dos números reais não negativos 
IR_ = conjunto dos números reais não positivos 
 
 Obs: entre dois números inteiros existem infinitos 
números reais. Por exemplo: 
• Entre os números 1 e 2 existem infinitos números reais: 
1,01 ; 1,001 ; 1,0001 ; 1,1 ; 1,2 ; 1,5 ; 1,99 ; 1,999 ; 
1,9999 ... 
• Entre os números 5 e 6 existem infinitos números reais: 
5,01 ; 5,02 ; 5,05 ; 5,1 ; 5,2 ; 5,5 ; 5,99 ; 5,999 ; 5,9999 ... 
 
 
 
 
 
QUESTÕES DE CONCURSOS 
 
 
1) Se um conjunto A possui 1024 subconjuntos, então o cardinal 
de A é igual a: 
a) 5 
b) 6 
c) 7 
d) 9 
e) 10 
 
 
 
 
 
 
2) Se A, B e A ∩ B são conjuntos com 90, 50 e 30 elementos, 
respectivamente, então o número de elementos do conjunto A 
∪ B é: 
a) 10 
b) 70 
c) 85 
d) 110 
e) 170 
 
 
 
 
 
 
 
racionais. números são exemplo,por ,
2
3
 ,1 ,
5
3
 ,1 ,
4
5
2 :Então −−, -
3
3
2
2
1
1
1 )
3
9
2
6
1
3
3)
===
−=−=−=−
b
a
}0 e , com , |{ ≠∈∈== bZbZa
b
a
xxQ 
...7320508,13
...4142135,12
=
=
IR=Q ∪∪∪∪ {irracionais} = {x|x é 
racional ou x é irracional} 
...1666,1
6
7
 ...428571428571,0
7
6
 ...333,0
3
1 ===
...1666,1
6
7
 ...428571428571,0
7
6
 ...333,0
3
1 ===
 
Matemática – Prof. César Loyola 4/13curso adsumus 
3) Se F é um conjunto com n + 1 elementos, então o número de 
elementos de P(F), ou seja, conjunto das partes do conjunto F, 
é: 
a) 2(n + 1) 
b) n + 1 
c) 2n 
d) 4n 
e) 2.2n 
 
 
 
 
 
 
 
4) Dois clubes X e Y possuem um total de 3.000 sócios. Sabe-
se que 1.850 são sócios de X e 2.500 são sócios de Y. O 
número de sócios de X que não são sócios de Y é: 
a) 350 
b) 500 
c) 1.150 
d) 1.350 
e) 1.500 
 
 
 
 
 
 
 
5) Sendo M(0) o conjunto dos múltiplos de zero e D(0) o 
conjunto dos divisores de zero, M(0) e D(0) são, 
respectivamente conjuntos: 
a) unitário e infinito 
b) unitário e vazio 
c) vazio e unitário 
d) vazio e infinito 
e) infinito e vazio 
 
 
 
 
 
 
6) Sejam A e B possuem um único elemento em comum. Se o 
número de subconjuntos de A é igual a metade do número de 
subconjuntos de B, o número de elementos do conjunto A 
união B é o: 
a) A metade do número de elementos de B 
b) A metade do número de elementos de A 
c) O dobro do número de elementos de B 
d) O dobro do número de elementos de A 
e) Igual ao número de elementos de B 
 
 
 
 
 
 
 
7) A e B são conjuntos disjuntos e subconjuntos do conjunto 
universo (U). Se A’ e B’ são conjuntos complementares em U 
(conjuntos universo) então (B’ – A) ∪ (A ∪ B) é: 
a) Conjunto vazio 
b) Conjunto Universo 
c) A união B’ 
d) (A – B)’ 
e) A’ – B 
 
 
 
 
 
 
 
8) Num grupo de estudantes, 80% estudam inglês, 40% 
estudam francês e 10% não estudam nenhuma dessas duas 
línguas. Nesse grupo, a porcentagem de alunos que estudam 
ambas as línguas é: 
a) 25% 
b) 50% 
c) 15% 
d) 33% 
e) 30% 
 
 
 
 
 
 
 
9) Se n é o número de subconjuntos não-vazios do conjunto 
formado pelos múltiplos estritamente positivos de 5, menores do 
que 40, então o valor de n é: 
a) 127 
b) 125 
c) 124 
d) 120 
e) 110 
 
 
 
 
 
 
10) Analisando as carteiras de vacinação das 84 crianças de 
uma creche, verificou-se que 68 receberam a vacina Sabin, 50 
receberam a vacina contra Sarampo e 12 não foram vacinadas. 
Quantas dessas crianças receberam as duas vacinas? 
a) 11 
b) 18 
c) 22 
d) 23 
e) 46 
 
 
 
 
 
 
11) Sejam R e S conjuntos que possuem três elementos em 
comum. Se o número de subconjuntos de R é a quarta parte do 
número de subconjuntos de S, o número mínimo de elementos 
do conjunto R ∪ S é o: 
a) 5 
b) 4 
c) 6 
d) 6 
e) impossível 
 
 
 
 
 
 
 
12) Em uma divisão do CPA são praticados dois esportes, vôlei 
e natação. Exatamente 75% dos militares praticam vôlei e 70% 
natação. Sabendo que todo militar é praticante de pelo menos 
um dos esportes, determine o percentual de militares que 
praticam somente um dos esportes. 
a) 40% 
b) 45% 
c) 50% 
d) 55% 
e) 60% 
 
 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 5/13curso adsumus 
13) Numa pesquisa com fuzileiros navais foram feitas as 
seguintes perguntas para que respondessem sim ou não: Gosta 
de tirar serviço? Gosta de realizar treinamento de guerra? 
Responderam sim somente à primeira pergunta 65 fuzileiro; 85 
responderam sim à segunda; 30 responderam sim a ambas; e 
35 responderam não a ambas. Quantos fuzileiros foram 
entrevistados. 
a) 185 
b) 155 
c) 150 
d) 195 
e) 200 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14) Numa pesquisa realizada entre 500 pessoas, 318 gostavam 
de uma mercadoria A, 264 de uma mercadoria B e 112 
gostavam das duas mercadorias. Quantos não gostavam da 
mercadoria Ae nem da B? 
a) 30 
b) 32 
c) 35 
d) 40 
e) 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15) Em uma prova de concurso público compareceram 500 
candidatos. 30% deles acertaram a questão A, enquanto que 
10% acertaram as questões A e B. Quantos candidatos 
acertaram apenas a questão B? 
a) 320 
b) 350 
c) 380 
d) 400 
e) 420 
 
 
 
 
 
 
 
 
16) Numa turma de 30 alunos, 6 escrevem com a mão esquerda 
e dois com as duas mãos. Quantos escrevem com a mão 
direita? 
a) 18 
b) 20 
c) 22 
d) 24 
e) 26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17) Numa turma de 35 alunos, 27 gostam de futebol, 16 de 
basquete e 13 gostam dos dois. Quantos não gostam nem de 
futebol e nem de basquete? 
a) 5 
b) 6 
c) 7 
d) 8 
e) 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
18) Uma pesquisa entre telespectadores mostrou que, em cada 
100 pessoas, 60 assistem a novela A, 50 assistem a novela B, 
50 assistem a novela C, 30 assistem as novelas A e B, 20 as 
novelas B e C, 30 as novelas A e C, e 10 as três novelas. 
Quantos não assistem a essas novelas? 
a) 8 
b) 10 
c) 12 
d) 14 
e) 16 
 
 
 
 
 
 
 
 
19) Numa cidade existem dois clubes A e B, que têm juntos 
6000 sócios. O clube A têm 4000 sócios e os dois clubes têm 
500 sócios comuns. Quantos sócios têm o clube B? 
a) 2300 
b) 2400 
c) 2500 
d) 2600 
e) 2740 
 
 
 
 
 
 
 
 
20) Numa pesquisa , verificou-se que, das pessoas consultadas, 
100 liam o jornal A, 150 liam o jornal B, 20 liam os dois jornais 
(A e B) e 110 não liam nenhum dos dois jornais. Quantas 
pessoas foram consultadas? 
a) 320 
b) 340 
c) 350 
d) 360 
e) 380 
 
 
 
 
 
 
 
 
21) Numa pesquisa de mercado, verificou-se que 2000 pessoas 
usam os produtos A ou B. O produto B é usado por 800 
pessoas, e 320 pessoas usam os dois produtos ao mesmo 
tempo. Quantas pessoas usam o produto A? 
a) 1480 
b) 1500 
c) 1520 
d) 1540 
e) 1560 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 6/13curso adsumus 
22) Sabe-se que o sangue das pessoas pode ser classificado 
em quatro tipos quanto a antígenos. Em uma pesquisa efetuada 
num grupo de 120 pacientes de um hospital, constatou-se que 
40 deles têm o antígeno A, 35 têm o antígeno B e 14 têm o 
antígeno AB. Nestas condições, pede-se o número de pacientes 
cujo sangue tem o antígeno O. 
a) 57 
b) 59 
c) 60 
d) 63 
e) 70 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23) Em uma O.M. Naval são praticados dois esportes, vôlei e 
basquetebol. Exatamente 80% dos fuzileiros praticam vôlei e 
60% basquetebol. Sabendo que todo fuzileiro é praticante de 
pelo menos um dos esportes, determine o percentual de 
fuzileiros que praticam ambos. 
a) 28% 
b) 32% 
c) 36% 
d) 38% 
e) 40% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24) Numa competição militar com 60 sargentos do CAP, 11 
jogam xadrez, 31 são homens ou jogam xadrez e 3 mulheres 
jogam xadrez. Calcule o número de homens que não jogam 
xadrez. 
a) 20 
b) 26 
c) 30 
d) 32 
e) 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25) Numa O.M. Naval há n sargentos. Sabe-se que 56 
sargentos praticam natação, 21 praticam natação e judô, 106 
praticam apenas um dos dois esportes e 66 não praticam judô. 
O valor de n é: 
a) 146 
b) 148 
c) 152 
d) 156 
e) 158 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26) Numa pesquisa com marujos, foram feitas as seguintes 
perguntas para que respondessem sim ou não: Gosta de 
navegar? Gosta de tirar serviço? Responderam sim à primeira 
pergunta 90 marujos; 70 responderam sim à segunda; 25 
responderam sim a ambas; e 40 responderam não a ambas. 
Quantos marujos foram entrevistados. 
a) 170 
b) 175 
c) 180 
d) 182 
e) 186 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27) Temos 400 militares numa corporação da Marinha, 
constatou-se que: 160 deles são oficiais, 130 são homens e 50 
são homens oficiais. O número de militares praças mulheres é: 
a) 150 
b) 155 
c) 160 
d) 168 
e) 170 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28) Consultados 500 militares sobre as manobras de guerra a 
que habitualmente participam obteve-se o seguinte resultado: 
280 militares participam da manobra A, 250 participam da 
manobra B e 70 participam de outras manobras distintas de A e 
B. O número de militares que participam da manobra A e não 
participam da manobra B é: 
a) 170 
b) 180 
c) 185 
d) 190 
e) 196 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29) Uma pesquisa de mercado sobre o consumo de três marcas 
A, B e C de um determinado produto apresentou os seguintes 
resultados: A 48%, B 45%, C 50%, A e B 18%, A e C 15%, B e 
C 25% e nenhuma das três marcas 5%. Qual a porcentagem 
dos entrevistados que consomem uma e apenas uma das três 
marcas? 
a) 57% 
b) 58% 
c) 60% 
d) 61% 
e) 62% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 7/13curso adsumus 
30) Numa O.M., 58% dos militares são do sexo masculino. 
Entre os homens, 22% estão na O.M. há mais de cinco anos; 
entre as mulheres, este percentual é de 27%. A porcentagem 
total de militares da O.M. que lá servem há mais de cinco anos 
é de: 
a) 21,8% 
b) 22,6% 
c) 23,7% 
d) 24,1% 
e) 25,4% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31) Um estudo de grupos sanguíneos humanos realizados com 
1000 pessoas (sendo 600 homens e 400 mulheres) constatou 
que 470 pessoas tinham o antígeno A, 230 pessoas tinham o 
antígeno B e 450 pessoas não tinham nenhum dos dois. 
Determine o número de pessoas que têm os antígenos A e B 
simultaneamente. 
a) 120 
b) 130 
c) 135 
d) 140 
e) 150 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32) A e B são conjuntos disjuntos. Se A’ e B’ são conjuntos 
complementares em U (conjunto universo), então o 
complementar de (B – A) ∪ (A – A’) em U é: 
a) A’ 
b) B’ 
c) (A ∪ B)’ 
d) (A ∩ B)’ 
e) A ∩ B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33) Sendo A e B dois conjuntos quaisquer, determine x para 
que n(A) = x + 1, n(B) = 3 – x e n(A x B) = 3. 
a) 0 ou 2 
b) 1 ou 3 
c) 2 ou 4 
d) 1 ou 4 
e) 2 ou 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
34) Um treinamento militar era constituído de dois exercícios. 
300 militares concluíram somente um dos exercícios, 260 
concluíram o segundo, 100 militares concluíram os dois e 210 
não concluíram o primeiro. Quantos militares fizeram o 
treinamento. 
a) 380 
b) 400 
c) 430 
d) 450 
e) 460 
 
 
 
 
 
 
 
 
35) Quantos elementos nós temos em: ( ) ( )A B B A− −U . 
 
a) 109 
b) 198 
c) 216 
d) 262 
e) 290 
 
 
 
 
 
 
 
 
36) Dados os conjuntos { }1,3,4,7,8A = , { }2,4,6,7B = 
e { }2,3,5,7,8C = , então o conjunto ( )A C B∩ − é: 
a) { }1,3,5,8 
b) { }2,3,4,6,8 
c) { }3 
d) { }3,8 
e) ∅ 
 
 
 
 
 
 
 
 
37) Dado o conjunto { } { }{ }1, , 1,2 ,3, 3,1A = ∅ podemos 
afirmar: 
a) { } A∅ ∈ 
b) { } { }1,2 3,1 A∩ ∈ 
c) { }1,2 A⊂ 
d) A∅ ∈ 
e) { } { }1,2 3,1 A∪ ∈ 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 8/13curso adsumus 
38) A e B são dois conjuntos tais que A – B tem 30 elementos, 
A B∩ tem 10 elementos e A B∪ tem 48 elementos. 
Então, o número de elementos de B – A é: 
a) 22 
b) 12 
c) 10 
d) 8 
e) 18 
 
 
 
 
 
 
 
 
39) Dados os conjuntos { }1,3,4,7,8A = , 
{ }2,4,6,7B = e { }2,3,5,7,8C = , então o conjunto 
( )B A C− ∩ é: 
a) { }1,3,5,8 
b) { }2,3,4,6,8 
c) { }3 
d) { }2,4,6 
e) ∅ 
 
 
 
 
 
 
40) A parte hachurada no gráfico, representa: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41) O diagrama representa o conjunto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42) Sejam A, B e C três conjuntos não disjuntos. Das figuras 
abaixo, aquela cuja região sombreada representa o conjunto 
( )A B C∩ − é: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43) Numa turma de 35 alunos, 27 gostam de futebol, 16 de 
basquete e 13 gostam dos dois. Quantos não gostam nem de 
futebol e nem de basquete? 
a) 5 
b) 6 
c) 7 
d) 8 
e) 9 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 9/13curso adsumus 
44) Um programa de proteção e preservação de tartarugas 
marinhas, observando dois tipos de contaminação dos animais, 
constatou em um de seus postos de pesquisa, que: 88 
tartarugas apresentavam sinais de contaminação por óleo 
mineral, 35 não apresentavam sinais de contaminação por 
radioatividade, 77 apresentavam sinais de contaminação tanto 
por óleo mineral como por radioatividade e 43 apresentavam 
sinais de apenas um dos dois tipos de contaminação. Quantas 
tartarugas foram observadas? 
a) 144 
b) 154 
c) 156d) 160 
e) 168 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45) Num grupo de 54 pessoas, 20 usam óculos, 25 são homens 
e 8 são mulheres que usam óculos. Calcule quantas mulheres 
não usam óculos. 
a) 20 
b) 21 
c) 22 
d) 23 
e) 24 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46) Consultados 500 militares sobre as manobras e guerra a 
que habitualmente participam obteve-se o seguinte resultado: 
280 militares participam da manobra A, 250 participam da 
manobra B e 70 participam de outras manobras distintas de A e 
B. O número de militares que participam da manobra A e não 
participam da manobra B é: 
a) 100 
b) 150 
c) 180 
d) 200 
e) 210 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47) Num seminário sobre as doenças relacionadas ao fumo 
reuniram-se 50 pessoas, 32 são fumantes, 10 são homens não 
fumantes e 20 são mulheres fumantes. Quantas mulheres não 
fumantes foram ao seminário. 
a) 6 
b) 8 
c) 9 
d) 10 
e) 12 
 
 
 
 
 
 
 
48) Num avião temos brasileiros, estrangeiros, fumantes e não 
fumantes. O total de passageiros é 50. 32 são brasileiros, 8 
homens estrangeiros não fumantes, 25 fumantes, 10 mulheres 
brasileiras não fumantes, 2 homens estrangeiros fumantes, 12 
mulheres brasileiras fumantes, 16 brasileiros fumantes. 
Determine quantos passageiros não fumantes tem no avião? 
a) 20 
b) 22 
c) 25 
d) 28 
e) 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49) Numa prova de 3 questões, 4 alunos erraram todas as 
questões; 5 acertaram só a primeira; 6 acertaram só a segunda; 
7 acertaram só a terceira; 9 acertaram a primeira e a segunda; 
10 acertaram a primeira e a terceira; 7 acertaram a segunda e a 
terceira e 6 acertaram todas as questões. Quantos alunos 
possui a turma? 
a) 36 
b) 38 
c) 40 
d) 42 
e) 45 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50) Após uma briga de n malucos em um hospício, verificou-se 
que: 
- 50 malucos perderam os olhos 
- 48 malucos perderam os braços 
- 40 malucos perderam as pernas 
- 28 malucos perderam os olhos e os braços 
- 22 malucos perderam os olhos e as pernas 
- 24 malucos perderam os braços e as pernas 
- 10 malucos perderam braços, olhos e pernas 
Pergunta-se: 
(1) Quantos malucos brigaram 
(2) Quantos malucos perderam somente as pernas 
(3) Quantos malucos tiveram pelo menos duas perdas 
a) 74; 12; 18 
b) 100; 4; 74 
c) 74; 4; 54 
d) 80; 54; 6 
e) 100; 2; 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51) Em uma pesquisa de mercado, foram entrevistadas várias 
pessoas acerca de suas preferências em relação a três 
produtos: A, B e C. Os resultados da pesquisa indicaram que: 
- 210 pessoas compram o produto A 
- 210 pessoas compram o produto B 
- 250 pessoas compram o produto C 
- 100 pessoas não compram nenhum dos três produtos 
- 60 pessoas compram os produtos A e B 
- 70 pessoas compram os produtos A e C 
 
Matemática – Prof. César Loyola 10/13curso adsumus 
- 50 pessoas compram os produtos B e C 
- 20 pessoas compram os três produtos 
Quantas pessoas foram entrevistadas? 
a) 670 
b) 970 
c) 870 
d) 610 
e) 510 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52) Em uma pequena cidade, todos os 200 habitantes 
masculinos gostam de praticar pelo menos um dos três 
esportes: xadrez, futebol e voleibol. Sabe-se que do total: 
- 100 gostam de xadrez 
- 100 gostam de futebol 
- 100 gostam de voleibol 
- 50 gostam de xadrez e futebol 
- 50 gostam de futebol e voleibol 
- 20 gostam de xadrez e voleibol 
Quantos habitantes masculinos gostam de praticar futebol e 
voleibol e não gostam de praticar xadrez? 
a) 22 
b) 24 
c) 26 
d) 28 
e) 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53) Considerando os conjuntos { }{ }1,2, 2A = , { }2B = , 
{ },3C = ∅ e { }1,2,3D = , assinale a opção INCORRETA. 
a) 2 A∈ 
b) { }2 A∈ ` 
c) C∅ ∈ 
d) C∅ ⊂ 
e) C D⊂ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54) O número de subconjuntos X que satisfazem à equação 
{ } { }1,3,5 1,2,3,4,5,6X⊂ ⊂ é: 
a) 8 
b) 10 
c) 12 
d) 16 
e) 64 
 
 
 
 
 
55) X e Y são dois conjuntos não vazios. O conjunto X possui 
64 subconjuntos. O conjunto Y, por sua vez, possui 256 
subconjuntos. Sabe-se, também, que o conjunto 
Z X Y= ∩ possui 2 elementos. Desse modo, conclui-se que 
o número de elementos do conjunto P Y X= − é igual a: 
a) 4 
b) 6 
c) 8 
d) 1 
e) vazio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56) (ESAL) Foi consultado um certo número de pessoas sobre 
as emissoras de TV que habitualmente assistem. Obteve-se o 
resultado seguinte: 300 pessoas assistem ao canal A, 270 
pessoas assistem o canal B, das quais 150 assistem ambos os 
canais A e B e 80 assistem outros canais distintos de A e B. O 
número de pessoas consultadas foi: 
a) 800 
b) 720 
c) 570 
d) 500 
e) 600 
 
 
 
 
 
 
 
 
57) (UF – Uberlândia) Num grupo de estudantes, 80% estudam 
Inglês, 40% estudam Francês e 10% não estudam nenhuma 
dessas duas línguas. Nesse grupo, a porcentagem de alunos 
que estudam ambas as línguas é: 
a) 25% 
b) 50% 
c) 15% 
d) 33% 
e) 30% 
 
 
 
 
 
 
 
58) (VUNESP) Uma população utiliza 3 marcas diferentes de 
detergente: A, B e C. Feita uma pesquisa de mercado colheram-
se os resultados tabelados abaixo: 
 
 
 
Pode-se concluir que o número de pessoas que consomem ao 
menos duas marcas é: 
a) 99 
b) 94 
c) 90 
d) 84 
e) 79 
 
 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 11/13curso adsumus 
59) (UNESP) Numa classe de 30 alunos, 16 alunos gostam de 
Matemática e 20 de História. O número de alunos desta classe 
que gostam de Matemática e de História é: 
a) exatamente 16 
b) exatamente 10 
c) no máximo 6 
d) no mínimo 6 
e) exatamente 18 
 
 
 
 
 
 
60) (AFA) Entrevistando 100 oficiais da AFA, descobriu-se que 
20 deles pilotam a aeronave TUCANO, 40 pilotam o helicóptero 
ESQUILO e 50 não são pilotos. Dos oficiais entrevistados, 
quantos pilotam o TUCANO e o ESQUILO? 
a) 5 
b) 10 
c) 15 
d) 20 
e) 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
61) Uma prova era constituída de dois problemas. 300 alunos 
acertaram somente um dos problemas, 260 acertaram o 
segundo. 100 alunos acertaram os dois e 210 erraram o 
primeiro. Quantos alunos fizeram a prova? 
a) 300 
b) 350 
c) 400 
d) 450 
e) 500 
 
 
 
 
 
 
 
 
62) (UF VIÇOSA) Dentre 100 leitores dos jornais A e B, 40 lêem 
o jornal A e 70 lêem o jornal B. O percentual dos leitores que 
leem os jornais A e B é: 
a) 10% 
b) 17% 
c) 28% 
d) 11% 
e) 30% 
 
 
 
 
 
 
 
 
63) (CESGRANRIO) Em uma universidade são lidos dois jornais 
A e B; exatamente 80% dos alunos leem o jornal A e 60% o 
jornal B. Sabendo-se que todo aluno é leitor de pelo menos um 
dos jornais, o percentual de alunos que leem ambos é: 
a) 48% 
b) 60% 
c) 40% 
d) 140% 
e) 80% 
 
 
 
64) Numa escola há n alunos. Sabe-se que 56 lêem o jornal A, 
21 lêem os jornais A e B, 106 lêem apenas um dos dois jornais 
e 66 não leem o jornal B. O valor de n é: 
a) 127 
b) 137 
c) 158 
d) 183 
e) 249 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65) (AFA) Em um grupo de n cadetes da Aeronáutica, 17 
nadam, 19 jogam basquetebol, 21 jogam voleibol, 5 nadam e 
jogam basquetebol, 2 nadam e jogam voleibol, 5 jogam 
basquetebol e voleibol e 2 fazem os três esportes. Qual o valor 
de n, sabendo-se que todos os cadetes desse grupo praticam 
pelo menos um desses esportes? 
a) 31 
b) 37 
c) 47 
d) 51 
e) 60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66) (UF Pará) Uma escola tem 20 professores, dos quais 10 
ensinam Matemática, 9 ensinam Física, 7 Química e 4 ensinam 
Matemática e Física. Nenhum deles ensina Matemática e 
Química. Quantos professores ensinam Química e Física e 
quantos ensinam somente Física? 
a) 3 e 2 
b) 2 e 5 
c) 2 e 3 
d) 5 e 2 
e) 3 e 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67) Numa sociedade, existem 35 homens (que usam óculos ou 
não), 18 pessoas que usam óculos, 15 mulheres que não usam 
óculos e 7 homens que usam óculos. O número de pessoas que 
são homens ou usam óculos é: 
a) 42 
b) 46 
c) 50 
d) 54 
e) 61 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Matemática – Prof. César Loyola 12/13curso adsumus 
68) (U.F. Ouro Preto) Numa sala de aula com 60 alunos, 11 
jogam xadrez, 31 são homens ou jogam xadrez e 3 mulheres 
jogam xadrez. Conclui-se portanto, que: 
a) 31 são mulheres 
b) 29 são homens 
c) 29 mulheres não jogam xadrez 
d) 23 homens não jogam xadrez 
e) 9 homens jogam xadrez 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69) Feito exame de sangue em um grupo de 200 pessoas, 
constatou-se que: 80 delas tem sangue com fator Rh negativo, 
65 tem sangue tipoO e 25 tem sangue tipo O com fator Rh 
negativo. O número de pessoas, com sangue de tipo diferente 
de O e com fator Rh positivo é: 
a) 40 
b) 65 
c) 80 
d) 120 
e) 135 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÕES DO CONCURSO QOAM 
 
 
1) (QOAM) Para cumprir pelo menos uma de duas missões, A e 
B, 80% das praças de uma determinada Base Naval se 
apresentaram como voluntários. Se 60% desses voluntários 
querem cumprir a missão A e 55% desses voluntários querem 
cumprir a missão B, qual é o percentual das praças da referida 
Base Naval que são voluntários para ambas as missões A e B? 
a) 15% 
b) 12% 
c) 10% 
d) 8% 
e) 6% 
 
 
 
 
 
 
 
 
2) (QOAM - 2006) De um certo grupo de 180 Oficiais da 
Marinha do Brasil, 122 pertencem ao conjunto T dos Tenentes, 
108 pertencem ao conjunto A de Oficiais da Armada e 75 
pertencem aos dois conjuntos. Quantos são os Oficiais desse 
grupo que não pertencem ao conjunto T nem ao conjunto A? 
a) 155 
b) 100 
c) 75 
d) 55 
e) 25 
 
 
 
 
 
 
3) (QOAM – 2007) Sejam P e Q conjuntos que possuem um 
único elemento em comum. Se o número de subconjuntos de P 
é igual ao dobro do número de subconjuntos de Q, o número de 
elementos do conjunto P Q∪ é o: 
a) Triplo do número de elementos de P 
b) Triplo do número de elementos de Q 
c) Quádruplo do número de elementos de P 
d) Dobro do número de elementos de P 
e) Dobro do número de elementos de Q 
 
 
 
 
 
 
 
4) (QOAM - 2008) A e B são subconjuntos de U. Se A’ e B’ são 
os seus respectivos complementares em U, então 
( ) ( )'A B A B∩ ∪ ∩ é igual a: 
a) A’ 
b) B’ 
c) A 
d) B 
e) A’ – B’ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5) (QOAM – 2009) Dados os conjuntos 
{ }1,2,3,4,5, ,6,7,8,9,10A B C∪ ∪ = , 
{ }2,3,8A B∩ = , { }2,7A C∩ = , { }2,5,6B C∩ = , 
{ }1,2,3,4,5,6,7,8A B∪ = . Qual é o conjunto C B− ? 
a) { }7,9,10 
b) { }7,8,10 
c) { }5,7,8 
d) { }5,7,9 
e) { }8,9,10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6) (QOAM - 2010) Um banco promoveu uma seleção de pessoal 
para o quadro de estagiários. Exigia-se que os candidatos 
fossem estudantes universitários. Concluída a seleção, foi feito 
um levantamento sobre as carreiras que os estagiários 
selecionados estavam cursando. O levantamento apontou que: 
 
I. 60% dos selecionados cursavam Economia ou Administração 
de Empresas; 
II. 30% dos selecionados cursavam Administração de 
Empresas; 
III. 25% dos selecionados que cursavam Economia também 
cursavam Administração de Empresas. 
 
De acordo com as informações apresentadas acima, é correto 
afirmar que a porcentagem de selecionados que cursavam 
 
Matemática – Prof. César Loyola 13/13curso adsumus 
Economia é igual a: 
a) 10% 
b) 30% 
c) 37,5% 
d) 40% 
e) 55% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7) (QOAM – 2011) No intuito de conhecer suas preferências 
alimentares, uma pesquisa foi feita junto à guarnição de um 
navio que estava prestes a iniciar viagem. A pesquisa apontou 
que os marinheiros que consomem carne de frango não 
consomem peixe. Apontou ainda que 40% consomem carne de 
frango, 30% consomem peixe, 15% consomem carne de frango 
e carne bovina, 20% consomem carne bovina e peixe e 60% 
consomem carne bovina. É correto concluir que a porcentagem 
de marinheiros que não consome nenhum dos três alimentos é 
igual a: 
a) 18% 
b) 15% 
c) 10% 
d) 8% 
e) 5% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8) (QOAM – 2012) Um homem programou um passeio de barco 
com seus netos, num domingo de verão, por ilhas secundárias 
da Baía de Guanabara. Ele selecionou, dentre as muitas 
existentes, algumas ilhas que foram listadas formando o 
seguinte conjunto: I = (Ilha das Enxadas, Ilha da Conceição, Ilha 
de Brocoió, Ilha do Sol, Ilha do Pinheiro). O objetivo do passeio 
era visitar o maior número de ilhas possível do conjunto I, 
porém, dependendo de fatores climáticos, isso podia não 
acontecer. O homem, então organizou um número de roteiros 
levando em conta a possibilidade de visitação a cinco ilhas, 
quatro ilhas, três ilhas, duas ilhas e apenas a uma ilha, pois 
decidiu que, mesmo com tempo ruim, ao menos a uma ilha, ele 
levaria os netos convidados. 
Considerando os dados e que a ordem de visitação às ilhas não 
diferencia os roteiros, quantos roteiros, foram organizados? 
a) 28 
b) 29 
c) 30 
d) 31 
e) 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9) (QOAM – 2014) Sejam A e B conjuntos não vazios tais que 
n(A – B) = 3 e n(A) = k , logo o total de subconjuntos não vazios 
de A B∩ é igual a: 
a) 
32k − 
b) 
32 1k − − 
c) 
12k − 
d) 
12 1k − − 
e) 2 1k − 
 
 
 
 
 
 
 
 
10) (QOAM – 2015) Seja N o número total de maneiras de 
escolher pelo menos um brinquedo, de um total de 7 distintos, 
existentes em um parque de diversões. Pode-se afirmar que N é 
um número natural: 
a) par, formado por dois algarismos. 
b) ímpar, formado por dois algarismos. 
c) ímpar, formado por três algarismos. 
d) par, formado por três algarismos. 
e) ímpar, formado por um algarismo. 
 
 
 
 
 
11) (QOAM – 2016) Dados os conjuntos 
 e , 
determine a soma de todos os inteiros pertencentes ao conjunto 
A – B . 
a) 3 
b) 5 
c) 6 
d) 8 
e) 9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GABARITO – QUESTÕES DE CONCURSOS 
 
 
1 – e; 2 – d; 3 – e 4 – b 5 – b 6 – d 7 – b 8 – e 
9 – a 10 – e 11 – a 12 – d 13 – a 14 – a 15 – b 
16 – e 17 – a 18 – b 19 – c 20 – b 21 – c 22 – b 
23 – e 24 – a 25 – e 26 – b 27 – c 28 – b 29 – a 
30 – d 31 – e 32 – c 33 – a 34 – d 35 – d 36 – d 
37 – d 38 – d 39 – d 40 – a 41 – c 42 – a 43 – a 
44 – a 45 – b 46 – c 47 – b 48 – c 49 – a 50 – c 
51 – d 52 – e 53 – e 54 – a 55 – b 56 – d 57 – e 
58 – d 59 – d 60 – b 61 – d 62 – a 63 – c 64 – c 
65 – c 66 – c 67 – b 68 – c 69 – c. 
 
 
 
GABARITO – QUESTÕES DO CONCURSO QOAM 
 
1 – b 2 – e 3 – e 4 – c 5 – a 6 – d 7 – e 8 – d 
9 – b 10 – c 11 – e. 
 
 
 
 
G 
E 
O 
G 
R 
A 
F 
I 
A 
 
 
 
 
ÍNDICE DO MÓDULO 3 DE GEOGRAFIA ECONÔMICA 
 
5. A LÓGICA DOS ESPAÇOS INDUSTRIAIS..................................................................................... 01 
5.1 - As transformações no espaço ....................................................................................................... 01 
5.1.1 - Evolução e classificação das Indústrias................................................................................... 02 
5.1.2 - Classificações da Indústria....................................................................................................... 03 
5.2 - Fatores de localização industrial: concentração e desconcentração............................................. 03 
5.2.1 - As transformações na indústria e nos espaços......................................................................... 03 
5.2.2 - Concentração Industrial........................................................................................................... 05 
5.2.3 - Desconcentração industrial..................................................................................................... 06 
5.3 - Ciclos tecnológicos da Revolução Industrial................................................................................. 07 
5.3.1 - A "destruição criadora"............................................................................................................ 08 
5.3.2 - Ondas de inovação tecnológica da economia industrial......................................................... 08 
5.3.3 - Tecnologia e geografia............................................................................................................. 08 
5.3.4 - O fordismo e o "século americano"......................................................................................... 11 
5.3.5 - Adeus ao fordismo.................................................................................................................. 11 
5.3.6 - A terceira Revolução Industrial..............................................................................................12 
5.3.7 - A indústria na era da globalização.......................................................................................... 14 
5.4 – Desemprego.................................................................................................................................. 15 
5.5 - Países pioneiros no processo de industrialização – Cenários Regionais...................................... 16 
5.5.1 - REINO UNIDO...................................................................................................................... 16 
5.5.2 - OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA............................................................................... 19 
5.5.3 - ALEMANHA.......................................................................................................................... 25 
5.5.4 - JAPÃO..................................................................................................................................... 28 
5.5.5 - UNIÃO EUROPEIA: rumo à integração industrial?............................................................... 34 
5.5.6 - CEI: da desconcentração estratégica ao modelo exportador.................................................... 34 
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................... 35 
 
 
1 
 
5. A LÓGICA DOS ESPAÇOS INDUSTRIAIS 
5.1 - As transformações no espaço 
A geografia das indústrias - A importância da indústria 
A atividade industrial é muito importante nas economias dos países desenvolvidos e de muitos países 
em desenvolvimento, principalmente dos emergentes. Entretanto, não é simples captar a real contribuição do 
setor industrial para a economia de um país. Por exemplo, nos países industrializados mais avançados, a 
maior contribuição para o PIB vem do setor de serviços, não do industrial, embora este continue muito im-
portante. Mesmo em muitos países em desenvolvimento, a maior contribuição para o PIB vem dos serviços. 
Nos países desenvolvidos os serviços contribuem em média com aproximadamente 75% do PIB, a indústria 
com mais ou menos 25% e a agropecuária com 1% ou 2%. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 2009, os 
serviços contribuíram com 78% do PIB, a mais alta taxa do mundo, a indústria com 21% e a agropecuária 
com 1%. Entretanto, sem a indústria não existiriam boa parte dos serviços e menos ainda a agricultura, que 
depende de insumos industriais para produzir alimentos e matérias-primas. 
Embora haja países extremamente pobres, como a Etiópia, em que o setor industrial tem uma partici-
pação muito reduzida no PIB, há outros, como a Argélia, onde essa participação é muito elevada, bem maior 
que em alguns países desenvolvidos. Entretanto, esse percentual não mostra se nesses países a atividade in-
dustrial é moderna ou arcaica, se é diversificada ou dependente de um único setor (como no caso da Argélia, 
muito dependente do petróleo), se as fábricas usam máquinas modernas e robôs, e a produtividade é alta, ou 
se usam muita mão de obra, e a produtividade é baixa. 
Em outras palavras, a contribuição da indústria para o PIB, considerada de forma isolada, não é sufici-
ente para mostrar a importância quantitativa e qualitativa da atividade industrial em um país. Por isso, a Or-
ganização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas (Unido) elaborou o Índice de Competitividade 
Industrial, um indicador que mede várias dimensões desse setor de atividade. Com base nele, é possível ava-
liar de forma mais abrangente a importância da indústria e seu grau de desenvolvimento tecnológico em di-
versos países. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Classificação das indústrias 
Segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) do IBGE, todas as atividades 
desenvolvidas na economia brasileira estão classificadas em 21 grandes categorias: A – Agricultura, pecuá-
ria, produção florestal, pesca e aquicultura; B – Indústrias extrativas; C – Indústrias de transformação, e por 
aí vai, até a letra U. Cada uma dessas atividades é dividida em setores e subsetores. A classificação da 
CNAE segue padrões internacionais utilizados em levantamentos estatísticos para permitir comparações 
entre o Brasil e outros países. 
A produção industrial brasileira está, então, classificada em duas grandes categorias: B – indústrias ex-
trativas, divididas em cinco setores: extração de petróleo e gás natural, extração de minerais metálicos, etc.; 
e C – indústrias de transformação, distribuídas em 24 setores: fabricação de produtos alimentícios, têxteis, 
químicos, de máquinas e equipamentos, etc. 
 
2 
 
O que é comumente chamado de indústria da construção civil, o IBGE chamou de construção (item F 
da lista da CNAE), categoria que abriga os setores de construção de edifícios e obras de infraestrutura. Há 
outra classificação, com base na qual o IBGE coleta dados e divulga os Indicadores da produção industrial 
por categorias de uso. Nessa classificação, mais sintética, o órgão do governo federal agrupa todos os setores 
e subsetores das indústrias de transformação da CNAE em três categorias, de acordo com os bens produzi-
dos. 
Existem ainda outras formas de classificação das indústrias, como sugere o texto a seguir. 
Tipos de indústrias 
Segundo a função: 
a) indústrias germinativas – são as que geram o aparecimento de outras indústrias. Exemplo: a petroquímica. 
b) indústrias de ponta – são as indústrias dinâmicas, que comandam a produção industrial. Exemplo: as in-
dústrias química e automobilística. 
Segundo a tecnologia: 
a) indústrias tradicionais – são as que estão ainda ligadas às vantagens oriundas da primeira “revolução” 
industrial. podem ser empresas familiares (empresas “clânicas”) e denunciam sua presença pelos seus as-
pectos internos e externos e por sua localização. Há empresas brasileiras que são ainda deste tipo. 
b) indústrias dinâmicas – são aquelas ligadas ao desenvolvimento recente da química, eletrônica e petroquí-
mica, principalmente. 
Utilizam muito capital e tecnologia e relativamente pouca força de trabalho. possuem uma flexibilidade 
maior de localização do que as anteriores e operam em economia de escala. 
Segundo a aplicação dos recursos ou fatores: 
a) indústrias capital-intensivas – as que aplicam os maiores recursos nos fatores capital e tecnologia. 
b) indústrias trabalho-intensivas – as que empregam os maiores recursos em força de trabalho. 
SILVA, Armando Correia da. O espaço fora do lugar. 2. ed. São paulo: Hucitec, 1988. p. 23-24. 
 
5.1.1 - Evolução e classificação das Indústrias 
Indústria é a atividade por meio da qual os seres humanos transformam matéria-prima em produtos 
semi-acabados (matérias-primas para outros produtos) ou em produtos acabados. Nos dias atuais essa ativi-
dade é muito importante, pois quase tudo o que consumimos e utilizamos é processado ou produzido por ela. 
Além de oferecer empregos, a indústria produz capital, desenvolve o comércio, os transportes e os ser-
viços, dinamizando a economia. Um país industrializado pode suprir muitas de suas necessidades de consu-
mo internas, reduzir as importações e aumentar as exportações. 
Quanto à evolução histórica da indústria, podemos reconhecer três estágios fundamentais: o artesana-
to, a manufatura e a maquinofatura. 
• Artesanato. Estágio em que o produtor (artesão) era responsável por todas as fases da produção e até 
mesmo pela comercialização (em geral, local) do produto. Quase não havia divisão social do trabalho e não 
se utilizavam máquinas, mas somente ferramentas simples. O artesanato prevaleceu até por volta do século 
XVII, porém ainda pode ser encontrado em todas as partes do mundo, sobretudo nos países e comunidades 
mais defasados tecnicamente. 
• Manufatura. Apesar de a expressão "manufaturado" ser frequentemente empregada para designar os pro-
dutos industrializados, a manufatura corresponde ao estágio intermediário entre o artesanatoe a maquino-
fatura. Nessa fase, já havia divisão do trabalho (cada operário realizava uma tarefa ou se responsabilizava 
por parte da produção), mas a produção ainda dependia fundamentalmente do trabalho manual, embora se 
empregassem algumas máquinas simples. De modo geral, nessa fase o artesão deixou de ser o responsável 
por todas as etapas da produção e se transformou em assalariado. O capital e os meios de produção já eram 
propriedade de um patrão. A manufatura caracterizou a fase inicial do capitalismo, sobretudo nos séculos 
XVII e XVIII. 
• Maquinofatura. É o estágio atual, iniciado no século XVIII, com a Revolução Industrial. Pode ser carac-
terizado pelo emprego maciço de máquinas e fontes de energia modernas (carvão mineral, petróleo etc.), 
produção em larga escala, grande divisão e especialização do trabalho. Em muitos casos, a divisão do tra-
balho é tão grande ou específica que o trabalhador perde a noção do todo ou do produto final. Em outros 
casos, o processo está tão modernizado que a mão-de-obra é quase inexistente, sendo a produção quase to-
talmente realizada por robôs. 
Há muitas diferenças na forma como cada país se integrou ou ainda se integra a esses estágios. 
3 
 
 
5.1.2 - Classificações da Indústria 
As indústrias podem ser classificadas de acordo com vários critérios, como a maneira de produzir, a 
quantidade de matéria-prima ou de tecnologia, empregadas na produção, entre outros. 
Levando em conta a maneira de produzir: temos as indústrias extrativas, que utilizam meios financeiros e 
técnicas modernas para extrair recursos naturais (como, por exemplo, minérios, madeira, pescado); as indús-
trias de beneficiamento ou de processamento, que beneficiam ou refinam produtos como o petróleo (petro-
química) e cereais, por exemplo; a indústria de construção (como a construção civil); e a indústria de trans-
formação (de calçados, de computadores, entre outros), que transforma ou reelabora a matéria-prima. 
Quanto à quantidade de matéria-prima e energia empregadas na produção: podemos falar de indústrias 
leves, (de bebidas, de produtos farmacêuticos etc.), que consomem menos energia e matérias-primas e de 
indústrias pesadas (de máquinas, navios, veículos), que, por exigirem vultosos investimentos, contaram ini-
cialmente com capital estatal ou pertencem a grandes grupos empresariais. 
Quanto à tecnologia empregada: temos as indústrias tradicionais, características da Primeira Revolução 
Industrial, que ainda requerem bastante mão-de-obra, em regime fordista, e utilizam tecnologia tradicional; e 
as indústrias dinâmicas, como a informática, a aeroespacial e outras, que dependem mais de tecnologia mo-
derna e de capital, requerendo menos mão-de-obra (porém mais qualificada). 
Quanto ao destino dos produtos, podemos dividir as indústrias em dois grandes grupos: 
• de bens de produção - São aquelas que produzem bens para outras indústrias. Podem ser de dois tipos: as 
indústrias de bens intermediários, que produzem matérias-primas que servirão de base para outras indús-
trias, como, por exemplo, a extrativa mineral, a petroquímica, a siderúrgica, a metalúrgica, a do cimento e 
a química de base; e as indústrias de bens de capital ou de equipamentos, que produzem equipamentos para 
outras indústrias, ou seja, são responsáveis em parte pelo funcionamento destas. São exemplos as indús-
trias que produzem máquinas, motores, outros equipamentos, material de transporte. 
• de bens de consumo - São as indústrias que produzem bens (mercadorias) para uso e consumo da popula-
ção, como a indústria têxtil, a alimentícia, a de móveis etc. Geralmente localizam-se nas proximidades dos 
centros consumidores. 
As indústrias de bens de consumo, por sua vez, podem ser divididas em indústrias de bens de consumo 
duráveis (automóveis e eletrodomésticos, por exemplo) e de bens de consumo não-duráveis (alimentos, cal-
çados, roupas e remédios, entre outros). 
 
5.2 - Fatores de localização industrial: concentração e desconcentração 
5.2.1 - As transformações na indústria e nos espaços 
Dentre outros assuntos, na apostila anterior tratamos das fases da Revolução Industrial, que gerou pro-
fundas transformações socioeconômicas, decorrentes do progresso da técnica aplicada à indústria. 
A partir da industrialização, o espaço geográfico também se modificou: cidades e regiões inteiras se 
formaram e se organizaram. A função comercial das cidades na Idade Média cedeu lugar à função industrial, 
o que fortaleceu a divisão territorial do trabalho não só entre o meio rural e o urbano, mas também entre as 
cidades. Em alguns lugares, a produção em larga escala deu origem à sociedade de consumo; em outros, a 
ampliou. 
Num primeiro momento, a industrialização restringiu-se aos países desenvolvidos. Da Inglaterra, onde 
se originou na segunda metade do século XVIII, ela se expandiu para os demais países europeus (século 
XIX), além dos Estados Unidos, do Japão e da Rússia. A etapa em que ocorreu a industrialização dos atuais 
países desenvolvidos é conhecida como industrialização clássica. Durante muito tempo a industrialização foi 
um privilégio das grandes potências, que fizeram dessa atividade uma forma de domínio, pois países e colô-
nias dependiam de seus fornecimentos. 
Os diagramas abaixo representam diferentes estratégias de localização da indústria siderúrgica, consi-
derando a localização das matérias-primas e dos mercados de consumo. 
A melhor localização é a que possibilita a maior rentabilidade - essa é a regra básica da teoria da loca-
lização industrial. 
Na etapa inicial da industrialização moderna - ocorrida no século XIX na Europa, Estados Unidos e 
Japão -, os custos de transporte eram extremamente elevados. 
Como o carvão mineral representava a fonte de energia básica tanto para as indústrias de base que 
produzem matéria-prima para outras indústrias como para as indústrias de bens de consumo que produzem 
4 
 
para o mercado consumidor, as bacias carboníferas tornaram-se áreas de concentração fabril (figura 26.1). 
Também ocorreu a concentração industrial em áreas produtoras de minério de ferro. 
Durante a primeira metade do século XX, entretanto, o carvão foi perdendo o domínio que exercia so-
bre o suprimento energético industrial. O petróleo, o gás natural e a eletricidade, cujos custos de transporte 
são muito menores, passaram a ser amplamente usados como fonte de força motriz ou de energia térmica. 
Além disso, os meios de transporte obtiveram desenvolvimento espantoso. 
Mesmo assim, as velhas regiões fabris que haviam nascido associadas a jazidas carboníferas ou a re-
servas minerais continuaram a responder pela maior parte da produção industrial do mundo. A introdução 
das linhas de montagens fabris e a emergência do sistema de produção em série, dirigido para o consumo de 
massas, reafirmaram as vantagens locacionais das grandes concentrações industriais. As novas empresas e 
os setores industriais em ascensão beneficiaram-se do ambiente industrial criado pelas indústrias já instala-
das, mercado consumidor, força de trabalho, das redes ferroviárias e rodoviárias e serviços. 
Essa dinâmica de crescimento é conhecida pela expressão economias de aglomeração. Como vimos, 
o meio geográfico típico do regime fordista é o das grandes aglomerações de fábricas, de mercados de con-
sumo e de trabalhadores. 
Nas últimas décadas do século XX, com o esgotamento do fordismo e a emergência da revolução tec-
nocientífica, os novos padrões locacionais passaram a apontar no sentido da desconcentração espacial das 
indústrias, ou seja, da busca de novas áreas de localização e da emergência de novos polos produtivos, afas-
tados das aglomerações tradicionais. 
 
Os fatores locacionais 
Os fatores locacionais são as diversas vantagens que determinado lugar pode oferecer para atrair a ins-
talação de indústrias. No momento de optar por uma localidade para instalar uma indústria, os empresários 
levam em consideraçãoquais fatores são mais importantes para aumentar a taxa de lucro de seu investimen-
to. Os principais fatores locacionais que atraem indústrias, de modo geral, são: 
• matérias-primas: minerais e agropecuárias; 
• energia: petróleo, gás, eletricidade, etc.; 
• mão de obra: pouco qualificada (baixa remuneração) ou muito qualificada (alta remuneração); 
• tecnologia: parques tecnológicos, incubadoras, universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento 
(P&D); 
• mercado consumidor: relacionado à quantidade de pessoas e disponibilidade de renda; 
• logística: disponibilidade e custos competitivos de transporte e armazenagem; 
• rede de telecomunicações: telefonia fixa e móvel, internet, etc.; 
• complementaridade: proximidade de indústrias afins; 
• incentivos fiscais: redução ou isenção de impostos concedida pelo Estado nas três esferas de poder. 
Durante a Primeira Revolução Industrial, do final do século XVIII até meados do século XIX, como o 
carvão era a fonte de energia usada para movimentar as máquinas, e a precariedade dos meios de transporte 
dificultava seu deslocamento por longas distâncias, as jazidas de carvão mineral eram um dos fatores mais 
importantes para a localização das fábricas. Daí ter ocorrido uma intensa industrialização em torno das prin-
cipais bacias carboníferas britânicas, alemãs, francesas e norte-americanas, para citar os exemplos mais rele-
vantes. Com a Segunda Revolução Industrial, na última metade do século XIX, e a utilização de outras fon-
tes de energia, como o petróleo e a eletricidade, houve modernização dos meios de transporte de cargas e 
passageiros, e a proximidade das jazidas de carvão foi cada vez mais perdendo importância como fator loca-
cional das fábricas. 
Os derivados de petróleo, além de serem fonte de energia, constituem matéria-prima essencial na fa-
bricação de diversos produtos, como plásticos, borrachas, tecidos sintéticos, fertilizantes, tintas, cosméticos, 
etc. Um dos setores que mais cresceu desde a descoberta dessa nova fonte de energia e matéria-prima foi a 
indústria petroquímica. Implantadas nas primeiras décadas do século XX, nessa época as petroquímicas se 
concentravam perto das reservas de petróleo, mas a construção de oleodutos e de grandes navios petroleiros 
levou à sua dispersão espacial. 
É importante destacar que os custos com transporte são um dos principais fatores locacionais para as 
indústrias pesadas. Por exemplo, a maioria das refinarias de petróleo se localiza próxima aos grandes centros 
consumidores de seus produtos, o que nem sempre coincide com as áreas de extração, porque é mais barato 
5 
 
transportar o petróleo bruto que seus derivados – gasolina, nafta, querosene e outros derivados ocupam vo-
lume maior que o petróleo bruto, demandando maior custo de transporte. 
Em contrapartida, a proximidade das jazidas de minérios, como ferro, manganês, etc., constituem um 
dos principais fatores para a localização das indústrias siderúrgicas, como as do Quadrilátero Ferrífero (Mi-
nas Gerais), porque é mais barato transportar as chapas de aço do que o minério bruto. 
Como vimos, nas últimas décadas, um fator determinante para a localização de qualquer tipo de indús-
tria é a existência de uma boa logística de transportes e armazenagem que possibilite o recebimento de maté-
rias-primas e o escoamento das mercadorias produzidas a custos competitivos. Por isso, muitos centros in-
dustriais importantes desenvolveram-se próximos a portos marítimos ou fluviais ou ainda em entroncamen-
tos rodoviários ou ferroviários. Centros industriais mais modernos – que produzem bens de alto valor agre-
gado, como os da área de informática – tendem a se localizar perto de aeroportos. Com a mobilidade do ca-
pital e das mercadorias pelo mundo, a logística ganha importância determinante na alocação dos investimen-
tos produtivos no espaço geográfico. 
Com o desenvolvimento tecnológico e o consequente barateamento dos transportes, as indústrias, 
mesmo as que utilizam muita matéria-prima, já não precisam se localizar perto das reservas. O Japão, por 
exemplo, grande produtor de aço, importa todo o minério de ferro e o carvão utilizados em suas indústrias; o 
Canadá, grande produtor de alumínio, importa toda a alumina (óxido de alumínio, resultante do primeiro 
processamento da bauxita) necessária à sua produção. Tanto as indústrias siderúrgicas japonesas como as 
metalúrgicas canadenses localizam-se em áreas onde os navios carregados de minérios podem atracar. O 
Japão, contudo, não é grande produtor de alumínio, porque o que mais conta no funcionamento dessa indús-
tria é a energia elétrica, da qual o Canadá, por sua vez, é grande produtor. A produção de alumínio a partir 
da alumina consome muita energia e tende a se localizar em países que têm grande disponibilidade de ener-
gia hidrelétrica, caso do Canadá e também do Brasil. 
Antigamente, a disponibilidade de mão de obra e a proximidade do mercado consumidor eram fatores 
fundamentais para a localização de muitas indústrias, sobretudo as de bens de consumo, como eletrodomés-
ticos, alimentos e roupas. É por isso que o fenômeno industrial esteve inicialmente ligado às concentrações 
urbanas, particularmente às grandes cidades, como Londres, Paris, Nova York, Tóquio, Munique, São Paulo, 
Cidade do México e Seul. 
Muitas vezes, a instalação de uma indústria ou de um distrito industrial promove o crescimento das ci-
dades em seu entorno, enquanto em outros casos as cidades atraem indústrias, que por sua vez promovem 
seu crescimento e as transformam em polos de atração de novos estabelecimentos industriais. Vê-se, portan-
to, que as cidades e as indústrias se influenciaram de maneira recíproca. Isso ocorreu principalmente até me-
ados do século XX, mas já faz tempo que as indústrias têm saído das grandes cidades.. 
Além desses fatores, há outro que, cada vez mais, vem ganhando importância na hora da decisão sobre 
onde implantar uma nova fábrica: os incentivos fiscais. Interessadas em atrair novas fábricas, diversas esfe-
ras de governo concedem isenções de impostos às empresas que pretendem se instalar em seus territórios. 
Em geral fazem essas concessões a indústrias que têm efeito multiplicador, isto é, que atraem outras fábricas 
que, por sua vez, não terão incentivos, o que em geral compensa a isenção concedida. Por exemplo, o gover-
no de um estado concede incentivos fiscais para atrair uma indústria automobilística – como fez o governo 
da Bahia com a Ford, cuja fábrica foi inaugurada em 2001, no município de Camaçari –, que atrai várias 
indústrias de autopeças para seu entorno. Porém, os incentivos fiscais têm de complementar outros fatores 
locacionais; isoladamente não conseguem atrair indústrias. 
É comum também a cessão de terrenos para a instalação de unidades produtivas, muitas vezes até 
mesmo com a infraestrutura básica já implantada. Em qualquer país, quando uma grande empresa anuncia o 
projeto de uma nova fábrica, começa uma “guerra” fiscal entre suas unidades políticas internas (estados, 
províncias, departamentos, etc.) e entre municípios com o objetivo de atraí-la, para aumentar a geração de 
empregos e a arrecadação de impostos, entre muitos outros benefícios. 
 
5.2.2 - Concentração Industrial 
As indústrias tradicionais (as primeiras a se formar, pouco automatizadas e que empregavam muita 
mão-de-obra) procuravam se instalar em áreas que ofereciam o maior número ou a melhor combinação pos-
sível de fatores necessários à produção (fontes de energia, capitais, mão-de-obra abundante, transporte efici-
ente para fornecimento de matéria-prima e escoamento de mercadorias) e à comercialização dos produtos 
(mercado consumidor). Procuravam assim obter o menor custo de produção e distribuição possível, para ter 
6 
 
o máximo de lucro. Em geral, encontravam essas condições nas proximidades dos grandes centros urbanos. 
Durante a Primeira Revolução Industrial (meados do século XVIII e primeira metade do XIX), inúmeras 
cidadesindustriais surgiram nas proximidades de regiões carboníferas (fonte de energia mais utilizada na 
época) da Inglaterra (Yorkshire, Lancashire, Midlands), da Alemanha (Vale do Ruhr), da França (Alsácia, 
Lorena), da Rússia (Donetz) e da Polônia (Silésia). 
Durante a Segunda Revolução Industrial (segunda metade do século XIX), com o desenvolvimento 
de novos meios de transporte e o surgimento de novas fontes de energia, como o petróleo e a eletricidade, 
mais fáceis de transportar, o carvão foi perdendo importância na localização industrial. Surgiram, assim, 
novas áreas industriais. 
Na segunda metade do século XX, as concentrações de indústrias tradicionais eram importantes polos 
econômicos, constituindo verdadeiros complexos, tal sua quantidade e variedade. Alguns exemplos são o 
manufacturing belt (cinturão das indústrias) do NE dos EUA e as concentrações industriais da Europa Oci-
dental e do Japão. 
 
5.2.3 - Desconcentração industrial 
Muitas das tradicionais regiões industriais já não são os polos industriais mais importantes. Nos Esta-
dos Unidos, por exemplo, a indústria moderna situa-se nos estados do sul (Texas, Louisiana, Mississipi) e na 
Califórnia. Na região Sudeste brasileira, o setor de serviços já ultrapassa o setor industrial. A Europa ociden-
tal e o Japão têm exportado muitas indústrias para os chamados "países emergentes" da América Latina e da 
Ásia. 
No pós-guerra, empresas transnacionais estadunidenses, europeias e, posteriormente, japonesas estive-
ram à frente do processo de estabelecimento de modernas regiões industriais em países dos continentes afri-
cano, asiático e latino-americano. Aproveitando-se da variedade de recursos naturais, da mão-de-obra e 
energia baratas e abundantes, dos incentivos governamentais e da falta ou ineficiência de legislações de pro-
teção ao meio ambiente, as corporações multiplicaram o número de filiais, modificando as paisagens dessas 
regiões. 
Atualmente essa desconcentração industrial tem-se acentuado e as indústrias abandonam áreas tradici-
onais (com custos de produção elevados) em busca de localizações mais vantajosas, principalmente em áreas 
que ofereçam mão-de-obra barata, mercado consumidor expressivo, atuação sindical fraca ou inexistente, 
isenções de impostos, concessões, incentivos fiscais etc. A modernização dos meios de comunicação permite 
vender produtos e serviços com mais facilidade (via internet, por exemplo) para qualquer parte do mundo, 
sem estar fisicamente próximo dos grandes centros de consumo ou das fontes de matérias-primas. As redes 
de comunicação permitem administrar e controlar, simultaneamente, empresas em todo o mundo. 
A indústria têxtil, a siderúrgica e a de bebidas, por exemplo, têm transferido suas fábricas para os paí-
ses subdesenvolvidos, em busca de mão-de-obra mais barata. Mesmo as indústrias de base, tradicionalmente 
situadas em locais ricos em matéria-prima, de modo a reduzir gastos com transporte, nas últimas décadas 
afastaram-se desses locais e, em muitos países centrais, aproximaram-se do litoral. 
Atualmente, a China é o maior produtor têxtil mundial, mas também a Índia, o Paquistão e a Indonésia 
vêm incrementando a produção e as vendas no mercado externo. Por sua vez, as indústrias têxteis dos Esta-
dos Unidos e da União Europeia passaram a investir em novas tecnologias, tais como fibras químicas, tor-
nando-se cada vez mais intensivas em capital e especializando-se em produtos de maior valor agregado. 
Além disso, os países ricos e seus estilistas continuam a ditar os padrões da moda e da elegância, no mundo 
todo. 
Com a modernização das comunicações e dos transportes, matérias-primas provenientes do interior ou 
de outros países podem chegar rapidamente aos portos, nas proximidades dos quais se instalam siderúrgicas, 
petroquímicas etc. Dessa forma, é possível exportar mercadorias com a mesma facilidade. 
Assim, as indústrias já não precisam mais se localizar nos corredores das áreas produtoras, o que difi-
cultava muito o transporte até o mercado de consumo. Elas se espalham pelos continentes em busca de van-
tagens. 
Na escala global, a tendência de desconcentração é resultante da industrialização de vastas regiões do 
mundo subdesenvolvido, em especial no Sudeste Asiático e na América Latina, que ocupam fatias significa-
tivas da produção industrial mundial em muitos setores. 
Também no setor automobilístico, o peso das indústrias situadas em países subdesenvolvidos tem au-
mentado significativamente. Atraídas pelos menores custos de mão-de-obra, a Volkswagen, a Ford, a Chrys-
7 
 
ler, a Citröen e a Peugeot passaram a fabricar motores em suas filiais mexicanas. Além disso, várias fábricas 
de montagem final de automóveis para exportação foram implantadas na cidade de Monterrey, enquanto a 
Volkswagen se instalou em Puebla e a Nissan em Águas Calientes. Os Estados Unidos são o destino final de 
grande parte dessa produção mexicana. 
No contexto da América do Sul, o Brasil é considerado estratégico no mapa das grandes transnacionais 
do automóvel: nesse caso, elas são atraídas não só pelos baixos salários, mas também pela grande dimensão 
do mercado interno. 
A Coréia do Sul representa um caso singular: o país desenvolveu uma indústria automobilística pró-
pria, que concorre em muitos mercados com as montadoras sediadas nos países desenvolvidos. 
Mesmo setores considerados de alta tecnologia, como o de informática, passam por uma desconcentra-
ção, ainda que seletiva, no plano internacional. O setor de pesquisa e de concepção de novos produtos e 
equipamentos permanece fortemente concentrado nos Estados Unidos, no Japão e na União Europeia; po-
rém, parte da linha de produção dos chips e microprocessadores, da montagem final dos equipamentos e a 
produção de alguns tipos de software migraram para países industrializados semi-periféricos, em especial 
para a Índia. 
Na escala nacional, também ocorre uma tendência à desconcentração. As velhas concentrações indus-
triais dos países desenvolvidos vêm perdendo terreno para novas regiões produtivas, marcadas pelo uso de 
tecnologias modernas, pelo baixo consumo energético e pela forte integração com as universidades e os cen-
tros de pesquisa e desenvolvimento. 
A maior parte das antigas regiões industriais formadas em torno das bacias carboníferas da Europa e 
dos Estados Unidos, por exemplo, apresenta diminuição das atividades produtivas, perda de dinamismo e 
elevadas taxas de desemprego. 
 
5.3 - Ciclos tecnológicos da Revolução Industrial 
A Revolução Industrial divide a história das civilizações em duas épocas nitidamente diferentes. Antes 
dela, a economia repousava sobre uma base técnica que evoluía apenas muito lentamente. Depois dela, a 
transformação tecnológica transformou-se no fundamento da vida econômica. Do ponto de vista social e 
cultural, as civilizações pré-industriais norteavam-se pela tradição, enquanto a civilização industrial orienta-
se pela mudança. 
A economia industrial desenvolve-se, desde o nascimento das primeiras fábricas, através de ciclos 
longos que começam com uma fase de rápido crescimento e acumulação de capital, atravessam uma fase de 
estabilização e, em seguida, conhecem uma fase descendente caracterizada pela redução do crescimento e 
dos lucros empresariais. O economista russo Nikolai Krondatieff, pesquisando na década de 1920 as estatís-
ticas de produção industrial, consumo, preços, juros e salários da Grã-Bretanha, Estados Unidos e França, 
foi o primeiro a registrar esses ciclos longos. Mais tarde, o economista austríaco Joseph Schumpeter estu-
dou-os em profundidade, conseguindo associá-los à marcha da inovação tecnológica. 
 
5.3.1 - A "destruição criadora" 
A “Destruição Criadora” – segundo teoria elaborada pelo economista austríaco Joseph Schumpeter, 
nos anos 1930, a economia mundial se desenvolve por meios de ciclos ou ondasde inovações tecnológicas. 
(...) Schumpeter estabeleceu que a economia evoului por meio da “destruição criadora”. Quando um conjun-
to de novas tecnologias encontra aplicações produtivas, as tecnologias tradicionais são “destruídas”, deixan-
do de criar produtos capazes de competir no mercado econômico. Nesse momento as empresas que estão 
inserindo as inovações tecnológicas obtem lucros de monopólio. Isto porque não há concorrentes ou muito 
pouca concorrência, até o momento em que começa a ocorrer a inflexão no comportamento dos preços. A 
economia evolui com a introdução de produtos ou serviços que adotam tecnologias cada vez mais baratas e 
que atendem as finalidades das primeiras. A partir desse momento passa a ocorrer a diminuição da lucrativi-
dade devido ao aumento da oferta. A lucratividade diminui de tal forma que a concorrência tira dos merca-
dos as empresas que não conseguem trabalhar com margem tão pequena de lucros. Ou, então, as empresas 
financeiramente mais fortes adquirem (compram) as mais fracas, incorporando suas parcelas nos mercados. 
Esse momento é chamado de concentração de capitais e, normalmente, ocorrem na fase final das ondas de 
inovação e antecedem o, possível, início de uma nova onda. 
 
8 
 
5.3.2 - Ondas de inovação tecnológica da economia industrial 
A fase inicial de cada onda de inovação é a época de ouro dos empreendedores. Adaptando pioneira-
mente as novidades tecnológicas à produção, empreendedores ousados conquistam vastos mercados. Quase 
do nada, surgem empresas de grande porte, que se tornam símbolos do seu tempo. Enquanto isso, grandes 
empresas baseadas em padrões tecnológicos superados entram em crise e acabam se reformulando ou sim-
plesmente desaparecem. É na fase inicial que ocorre a "destruição criadora". Quando a onda de inovação 
atinge a fase de estabilização, as novidades tecnológicas consistem em aperfeiçoamentos do padrão tecnoló-
gico estabelecido. Essa é a época de ouro das grandes empresas, que dominam mercados já plenamente con-
figurados. Os pequenos empreendedores, que não dispõem de recursos financeiros vultosos, são incapazes 
de concorrer com as grandes empresas. Freqüentemente, seus empreendimentos e suas inovações são incor-
porados pelas empresas dominantes. Outras vezes, tecnologias melhores são rejeitadas, pois um padrão me-
nos eficiente adquiriu aceitação geral. 
Na fase descendente da onda de inovação, os mercados estão saturados. A economia registra super-
produção. Inúmeras empresas revelam-se incapazes de sustentar a concorrência, cada vez mais feroz, e são 
incorporadas por conglomerados mais poderosos. Essa é a época de ouro da centralização de capitais. Quan-
do, finalmente, uma nova onda se inicia, surgem mercadorias revolucionárias. Sob o impacto da "destruição 
criadora", a superprodução é eliminada pois os consumidores dirigem-se, ansiosamente, para os novos pro-
dutos disponíveis. Assim, o ciclo recomeça, em novas bases tecnológicas. 
 
5.3.3 - Tecnologia e geografia 
Os ciclos econômicos longos estão associados às formas de organização do espaço geográfico. A 
energia hidráulica, fundamento dos primórdios da industrialização, atraiu as fábricas para as margens dos 
cursos de água. A máquina a vapor, desde meados do século XIX, atraiu as fábricas para os depósitos carbo-
níferos. O advento das ferrovias possibilitou a exploração de novas terras pela agropecuária comercial. A 
energia elétrica libertou a indústria das localizações tradicionais e revolucionou a divisão técnica do trabalho 
no interior das fábricas. 
A Inglaterra deu a largada para a Revolução Industrial. Nas últimas décadas do século XVIII, uma sé-
rie de inovações na tecnologia de produção (como a máquina de fiar e o tear hidráulico) possibilitou a meca-
nização do setor têxtil. A produtividade das indústrias algodoeiras - as primeiras indústrias modernas - cres-
ceu exponencialmente a partir de então. Produzia-se muito mais e em muito menos tempo. 
Ao lado da indústria têxtil, a modernização das fundições de ferro impulsionou o ciclo inicial da indus-
trialização. Há séculos, o ferro era fundido em fornalhas a lenha. A utilização do carvão mineral em altos 
fornos capazes de gerar temperaturas elevadíssimas inaugurou a siderurgia moderna. 
O carvão se tornava cada vez mais importante. A sua utilização, como força motriz, foi iniciada com o 
aperfeiçoamento da máquina a vapor, em 1769. Mas apenas em meados do século XIX, na Inglaterra, a má-
quina a vapor substituiu, largamente, o tear hidráulico. Na França e nos EUA, a energia hidráulica sobrevi-
veu por mais tempo. 
A revolução do carvão expressou-se, fora das fábricas, no setor de transportes. As ferrovias e os barcos 
a vapor "encurtaram" as distâncias, reduzindo brutalmente os custos de deslocamento de matérias-primas e 
 
9 
 
alimentos. Na segunda onda de inovações da Revolução Industrial, as terras das planícies centrais dos Esta-
dos Unidos tornaram-se celeiros de alimentos para as cidades européias. 
Não por acaso, o século XIX ficou conhecido com a "era das ferrovias". Ao mesmo tempo em que 
serviam para escoar mais rapidamente os produtos e para unificar os mercados, as ferrovias foram uma exce-
lente opção para os investidores dos países industrializados. Assim, rapidamente, os trilhos ferroviários ga-
nharam o mundo, barateando os custos de transportes e aumentando os lucros do comércio. 
A segunda onda caracterizou-se, ainda, por um grande salto tecnológico na siderurgia. O forno Besse-
mer, inventado em 1855, utilizava rajadas de oxigênio no refino do ferro fundido, permitindo a obtenção de 
aços de alta qualidade. No oeste da Alemanha, junto às jazidas carboníferas do vale do rio Ruhr, desenvolve-
ram-se os conglomerados siderúrgicos da maior concentração industrial européia. 
As cidades industriais típicas do século XIX - tais como Manchester e Liverpool, na Inglaterra, e Co-
lônia, na Alemanha - eram de tamanho médio, localizadas junto às bacias carboníferas. Elas concentravam a 
produção siderúrgica e a produção de têxteis de algodão. O ritmo da produção fabril regulava a vida nesses 
centros urbanos, onde a maioria da população era composta de empregados assalariados das indústrias. 
A primeira onda da Revolução Industrial restringiu-se, praticamente, à Grã-Bretanha. Na segunda on-
da, se espraiou pela Europa, fincando raízes na Bélgica, França, Alemanha, Suécia e, um pouco depois, na 
Holanda, Itália, Áustria e Rússia. Do outro lado do Atlântico, a indústria estabelecia-se nas cidades do nor-
deste dos EUA. No final do século, sob o impulso da centralização do poder político, o Japão decolava para 
o industrialismo. 
Durante a maior parte do século XIX, a Grã-Bretanha conservou a liderança econômica. A sua frota 
mercante, a maior do mundo, havia conquistado o domínio dos mares. A supremacia comercial garantiu a 
disponibilidade dos capitais necessários para o investimento industrial e assegurou o controle sobre os mer-
cados fornecedores de matérias-primas. 
A Revolução Industrial abriu as portas para a formação da economia-mundo, ou seja, para a incorpo-
ração de todos os povos e continentes nos fluxos mercantis e circuitos de investimentos centralizados pelas 
potências industriais. Nas últimas décadas do século XIX, navios cargueiros singravam os oceanos transpor-
tando mercadorias industriais, matérias-primas minerais e produtos agrícolas. O imperialismo - anexando 
novas áreas coloniais na África e Ásia e esferas de influência na América Latina - criou um verdadeiro mer-
cado de dimensões planetárias. 
As potências industriais importavam basicamente dois tipos de mercadorias: matérias-primas e produ-
tos agrícolas tropicais. Para as colônias e áreas de influência, elas exportavam seus produtos industrializa-
dos, principalmente os têxteis e metalúrgicos. A estrutura comercial britânica revela com nitidez a divisão 
internacional do trabalho gerada pelas ondas iniciais da Revolução Industrial: no século XIX,alimentos e 
matérias-primas constituíam 75% das importações; 85% das exportações eram produtos fabricados. 
A borracha das florestas equatoriais da África e do Brasil, o estanho da Bolívia, o cobre do Chile, do 
Peru e do Congo, por exemplo, se tornaram matérias-primas fundamentais para as novas indústrias européias 
e norte-americanas. Os navios mercantes traziam das regiões tropicais enormes quantidades de cacau, açúcar 
e café, gêneros cujo consumo estava se popularizando nas cidades da Europa e dos Estados Unidos. 
O traçado das ferrovias ilumina uma das características essenciais da geografia produzida pelo imperi-
alismo. Na França e na Inglaterra, assim como nos demais países industrializados da Europa, foram constru-
ídos troncos principais complementados por uma densa rede de trilhos que se espalham em todas as dire-
ções, facilitando o transporte no interior do território e unificando o mercado interno. Nos Estados Unidos, 
os grandes ramais ferroviários cortaram transversalmente o território e ajudaram a integrar o oeste agrícola 
ao nordeste industrial. 
Entretanto, na África - como também na América Latina - as ferrovias nasceram para ligar as regiões 
produtoras de matérias-primas aos portos exportadores. Até hoje, o seu traçado serve de espelho da organi-
zação do espaço produzida pelo imperialismo. Nesse caso, o mercado externo funcionava como principal 
motor da economia. As redes de transporte, em vez de integrar, fragmentavam os espaços nacionais. Junto 
com o espaço geográfico de dimensões planetárias, emergia uma divisão internacional do trabalho que iria 
marcar de forma duradoura as populações de continentes inteiros. 
A divisão internacional do trabalho no capitalismo industrial envolvia também fluxos de investimentos 
diretos das potências econômicas para as suas esferas de influência. Tais investimentos de capital concentra-
vam-se, essencialmente, em setores de infra-estrutura (eletricidade, iluminação, telefonia) e transportes (fer-
rovias, portos). 
10 
 
Na última década do século XIX, a economia industrial britânica foi ultrapassada pelos Estados Uni-
dos. Na primeira década do século XX, era ultrapassada também pela Alemanha. Contudo, a sua duradoura 
liderança passada continuou, por algum tempo, a se refletir nos investimentos de capital no exterior. No iní-
cio da Primeira Guerra Mundial, os capitais britânicos estabelecidos no estrangeiro representavam mais que 
o dobro dos investimentos franceses e quase o triplo dos investimentos alemães 
A geografia dos movimentos de capitais refletia, com bastante fidelidade, a influência política das po-
tências. Os capitais britânicos fluíam para todos os continentes, alimentando negócios no Império, na Amé-
rica e no Oriente. França, Alemanha e Holanda tinham vultosos investimentos, direcionados para a Europa 
do leste e as colônias afro-asiáticas. Na época, os capitais norte-americanos apenas começavam a ganhar o 
estrangeiro, limitando-se praticamente aos países vizinhos da América do Norte. 
Os países-fábricas dominavam o mundo com os seus produtos e seu capital. As economias coloniais e 
semicoloniais se especializaram na produção de uns poucos produtos primários, e cada vez mais se tornavam 
dependentes dos mercados e investimentos externos. 
 
Os parques tecnológicos 
Atualmente, um fator fundamental para a escolha da localização industrial é a existência de mão de 
obra com alto nível de qualificação, principalmente para as indústrias de alta tecnologia. Não por acaso, as 
empresas de semicondutores (microchips), informática (equipamentos, programas e sistemas), telecomuni-
cações, novos materiais, biotecnologia, entre outras, se concentram nos parques tecnológicos ou parques 
científicos, também chamados de tecnopolos. Utilizaremos esses termos indistintamente ao longo dos pró-
ximos capítulos, embora no Brasil a expressão parque tecnológico seja mais utilizada. Leia a definição a 
seguir. 
 
O que é um parque Científico ou Tecnológico? 
De acordo com a Associação de parques Científicos do Reino Unido (UKSpA), um parque científico é 
um apoio a empresas e uma iniciativa de transferência de tecnologia que: 
• incentiva e apoia a criação e a incubação de empresas inovadoras, de alto crescimento e de base tecnológi-
ca. 
• oferece um ambiente em que grandes empresas transnacionais podem desenvolver interações estreitas e 
específicas com um centro local de produção de conhecimentos, trazendo benefícios mútuos. 
• possui ligações formais e operacionais com centros de produção de conhecimentos tais como universida-
des, institutos de ensino superior e centros de pesquisa. 
UNESCO – United nations Educational, Scientific and Cultural organization. Science policy and Capacity-Building. Con-
cept and definition. Disponível em: <www.unesco.org/new/en/natural-sciences/science-technology/universityindustry-
partnerships/unispar-programme/concept-anddefinition>. Acesso em: 15 nov. 2012. (traduzido pelos autores). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os parques tecnológicos são o exemplo mais acabado da geografia industrial do capitalismo informa-
cional. Esses novos centros industriais e de serviços têm relação com a Terceira Revolução Industrial, assim 
 
11 
 
como as bacias carboníferas tinham com a Primeira ou as jazidas petrolíferas com a Segunda. Os tecnopolos 
constituem os pontos de interconexão da rede mundial de produção de conhecimentos e os principais centros 
irradiadores das inovações que caracterizam a revolução tecnológica que se iniciou nas últimas décadas do 
século XX. Muitas das empresas inovadoras que existem hoje no mundo se desenvolveram numa incubado-
ra, no interior de um parque tecnológico. 
Os tecnopolos concentram-se especialmente nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão, em-
bora existam em outros países desenvolvidos e também em alguns países emergentes: no Brics, na Coreia do 
Sul, em Taiwan, no México, entre outros. 
 
5.3.4 - O fordismo e o "século americano" 
No alvorecer do século XX, um novo conjunto de tecnologias deflagrava a terceira onda da industria-
lização. O uso do petróleo como combustível e a invenção do motor a combustão interna originavam a in-
dústria automobilística. Nascia, ao mesmo tempo, a moderna indústria química. A eletricidade tornava-se a 
fonte de energia das fábricas. Os motores elétricos e, com eles, as linhas de montagem propiciavam um salto 
extraordinário na produtividade do trabalho. 
Simultaneamente, a difusão do telex e do telefone revolucionavam as comunicações. "Os últimos se-
rão os primeiros" - esse provérbio bíblico descreve, com alguma precisão, a evolução do mundo industrial 
durante a terceira onda. A maturidade industrial britânica foi atingida muito cedo, em meados do século 
XIX, cerca de 70 anos depois da decolagem industrialista. A Alemanha, a França e os Estados Unidos, que 
só então decolavam para o mundo industrial, não precisaram sequer de meio século para alcançar a maturi-
dade. Esses países retardatários aproveitaram-se dos avanços tecnológicos britânicos para queimar etapas e 
saltar degraus. Na Grã-Bretanha, pelo contrário, a força inercial dos velhos padrões tecnológicos sabotava o 
ritmo da inovação. 
Os Estados Unidos constituem o exemplo mais notável desse avanço por saltos que caracterizou a in-
dustrialização das potências retardatárias. As suas condições históricas e geográficas específicas - princi-
palmente, a ausência de um passado feudal e as enormes potencialidades agrícolas do seu território - possibi-
litaram um surto de desenvolvimento desconhecido nos demais países industriais. 
A etapa do consumo de massa, caracterizada pela incorporação da maior parte da população ao merca-
do consumidor de bens industriais, foi atingida pelos Estados Unidos já na década de 1920. Na Europa in-
dustrial, inclusive na pioneira Grã-Bretanha, essa etapa só veio a ser alcançada mais tarde, pouco antes ou 
logo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).A economia-mundo atravessou dois grandes ciclos no século XX. Até a Segunda Guerra Mundial vi-
veu a onda tecnológica baseada nos motores a combustão interna, no petróleo e na eletricidade. Essa onda 
propiciou a "idade de ouro" da década de 1920, caracterizada pelo intenso crescimento que se seguiu à Pri-
meira Guerra Mundial, abruptamente interrompida pelo crash da Bolsa de Nova York, em 1929. A Grande 
Depressão da década de 1930 assinalou, dolorosamente, a fase descendente do ciclo. 
Depois da Segunda Guerra Mundial o crescimento foi retomado sobre novas bases tecnológicas. A in-
dústria eletrônica criou centenas de novos produtos e conferiu mais um impulso à produção automobilística. 
O desenvolvimento da petroquímica gerou a indústria de plásticos e fibras sintéticas. A aeronáutica civil 
beneficiou-se dos avanços na aviação militar, produzindo mais uma revolução nos transportes. 
A quarta onda industrial reativou a produção e a circulação de mercadorias. Nas décadas do pós-
guerra, o crescimento industrial e a ampliação do comércio mundial atingiram índices maiores que os regis-
trados desde meados do século XIX. 
A hegemonia dos Estados Unidos atingiu o seu ápice pouco depois da Segunda Guerra Mundial, 
quando a vitalidade das suas indústrias contrastava com a desorganização geral dos sistemas produtivos dos 
países europeus e do Japão, arrasados pelo conflito. O Produto Nacional Bruto (PNB) das cinco potências 
econômicas européias e do Japão somados não atingiam o da potência hegemônica. A quarta onda de inova-
ção desenvolvia-se, em escala ainda mais pronunciada que a terceira, como uma "onda americana". As no-
vas tecnologias surgiam nas indústrias da América do Norte e os novos produtos estabeleciam-se, em pri-
meiro lugar, no mercado consumidor dos EUA. 
 
5.3.5 - Adeus ao fordismo 
A economia industrial do século XX desenvolveu-se sobre a base da aplicação da eletricidade à produ-
ção e da reorganização das fábricas em torno da linha de montagem. Essas inovações, introduzidas por Hen-
12 
 
ry Ford na sua fábrica de automóveis, disseminaram-se por todos os setores e permitiram a produção em 
série de mercadorias estandartizadas para mercados de massa. O aprofundamento da divisão técnica do tra-
balho, o emprego de mão-de-obra numerosa e semi-qualificada e a utilização intensiva de energia são carac-
terísticas associadas ao fordismo. 
A revolução tecnocientífica e as indústrias de ponta da onda atual de inovações anunciam o esgota-
mento do fordismo. O conceito de produção serializada para mercados homogêneos é substituída pela de 
produção flexível de mercadorias adaptadas a nichos de mercado com exigências específicas. A meta fordis-
ta da redução de preços através da constante ampliação da escala de produção dá lugar ao contínuo aperfei-
çoamento tecnológico dos produtos, com incorporação de valor a cada nova versão. Os computadores pesso-
ais, por exemplo, custam cada vez mais, mas a sua capacidade de processamento cresceu muito mais rapi-
damente que seus preços. 
As indústrias de ponta da revolução tecnocientífica não são vorazes consumidoras de energia. Elas se 
caracterizam pela intensa aplicação da ciência e do conhecimento na elaboração de novos produtos. As em-
presas que lideram a inovação investem pesadamente em pesquisa científica e tecnológica. As universidades 
e centros de pesquisa constituem elos da produção industrial e a mão-de-obra de alta qualificação é disputa-
da pelas corporações da informática, das telecomunicações, da robótica, da biotecnologia e da química fina. 
 
EMPRESA IBM Samsung Canon Sony Microsoft Panasonic Toshiba Hon Hai Qualcomm 
PATENTE 6.809 4.676 3.825 3.098 2.660 2.601 2.416 2.279 2.103 
 Fonte: http://epocanegocios.globo.com/inspiracao/Empresa/noticia/2014/01/ibm-lidera-ranking-de-patentes 
 
O meio geográfico típico do fordismo são as concentrações industriais associadas a jazidas carbonífe-
ras, reservas minerais ou metrópoles. Essas concentrações estruturam-se em torno de ferrovias, rodovias ou 
portos. No seu entorno, estendem-se cidades ou bairros operários. A atividade sindical é intensa e as rela-
ções sociais são marcadas pelos movimentos reivindicativos de tipo corporativo. 
O meio tecnocientífico-informacional é pós-fordista. As corporações estruturam redes de âmbito glo-
bal, integradas virtualmente pelas tecnologias da informação. Essas redes abrangem centros de pesquisa e 
laboratórios, plantas industriais e uma vasta gama de empresas fornecedoras de produtos e serviços. Muitas 
vezes, a administração empresarial foi inteiramente separada das plantas industriais, assim como os centros 
de pesquisa e laboratórios. A produção em larga escala realiza-se, freqüentemente, em fábricas estabelecidas 
em países que dispõem de força de trabalho barata. Os diversos componentes de um produto podem ser fa-
bricados em lugares diferentes do mundo, selecionados em função das vantagens comparativas de cada país. 
As operações produtivas repetitivas automatizam-se e a mão-de-obra semiqualificada é largamente substitu-
ída por robôs industriais. 
Texto de autoria de Demétrio Magnoli – Graduado em Jornalismo e Ciências Sociais pela USP e Doutor em Geografia 
Humana pela USP 
5.3.6 - A terceira Revolução Industrial 
Hoje, um fantasma ronda a vida dos trabalhadores: o desemprego. Para muitos estudiosos, trata-se de 
um desemprego estrutural, isto é, causado pelas transformações que vêm ocorrendo no padrão ou modelo de 
desenvolvimento produtivo e tecnológico que predomina nos países capitalistas avançados. Essas transfor-
mações apresentam diferenças nos países onde ocorrem, mas estão alterando a organização do processo pro-
dutivo e do trabalho em todos eles e no resto do mundo também. E tais mudanças afetam o conjunto do 
mundo do trabalho. 
À primeira vista, os robôs ou as novas tecnologias de produção parecem ser os únicos e mais cruéis 
causadores desse desemprego. No entanto, existem outras razões de ordem econômica, social, institucional e 
geopolítica que, associadas à tecnologia, formam um conjunto que explica melhor aquilo que, para alguns 
analistas, significaria até mesmo o fim de uma sociedade organizada com base no trabalho. 
O sistema capitalista sofreu transformações ao longo de sua história. As mudanças podem ser 
profundas, acumular tensões sociais e graves problemas econômicos, gerar crises, guerras e revoluções 
políticas, mas o sistema permanece basicamente o mesmo, isto é, trata-se de um sistema produtor de 
mercadorias cuja venda tem por objetivo o lucro. Por isso o chamamos, indistintamente, de economia de 
mercado ou economia capitalista. 
No entanto, para que as empresas capitalistas produzam mais e mais mercadorias - com maior eficiên-
cia e melhores níveis de produtividade, ganhando em competitividade em relação a outras empresas, e sem-
13 
 
pre que possível obtendo lucros crescentes - elas precisam criar e aplicar novas técnicas e novas formas de 
organização da produção e do trabalho, dividir funções com outras empresas, negociar salários, estipular 
taxas de lucros etc. 
Mas o capitalismo não se restringe apenas às unidades empresariais e suas dinâmicas internas. Na so-
ciedade como um todo, existem outros componentes extremamente importantes que precisam ser levados em 
consideração, pois interferem na vida das próprias empresas. Tais componentes podem ser as formas institu-
cionalizadas, como as regras do mercado, a legislação social, a moeda, as redes financeiras, em grande parte 
estabelecidas pelo Estado, ou ainda, as disputas pelo poder das nações, o comércio internacional, a renda e o 
consumo de cada família, a qualidade dos recursos humanos, as convenções coletivas, as idéias produzidas 
etc. 
Quando esse conjunto de elementos, e muitos outros, é razoavelmente ajustado e aceito pela sociedade 
(não se trata de um consenso pleno, pois sempre haverá oposições e tensões), estamos diante de um modelo 
de desenvolvimento capitalista dominante,com uma organização territorial correspondente. E esse modelo 
permanece até que uma nova crise ocorra e novos rearranjos sejam feitos na sociedade e no espaço. 
Após a crise de 1929, o modelo de desenvolvimento que aos poucos passou a dominar nos países de 
tecnologia avançada - Estados Unidos, Japão e em boa parte da Europa -, mantidas suas especificidades, 
levou o nome de fordismo, pois nesse modelo foram incluídas formas de produção e de trabalho postas em 
prática pioneiramente nos EUA, nas décadas de 1910 e 1920, nas fábricas de automóveis do empresário nor-
te-americano Henry Ford. 
O fordismo teve seu ápice no período posterior à Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 1950 e 
1960, que ficou conhecido na história do capitalismo como “Os Anos Dourados”. 
O modelo fordista pós-guerra, dependia da subida constante dos salários para manter o mercado ativo, 
ou seja, manter os níveis de produção e de consumo crescentes. Porém, os salários não podiam crescer a 
ponto de ameaçar os lucros empresariais; mantiveram-se os níveis salariais e os lucros aumentando os pre-
ços dos produtos, o que gerou uma crise inflacionária. 
Nos Estados Unidos, os gastos públicos se agigantaram, tanto interna como externamente - a guerra do 
Vietnã foi um exemplo. A moeda americana ficou debilitada. Esse país, que durante todo o período de do-
mínio do fordismo assegurava a estabilidade da economia mundial com base em sua moeda - o dólar -, viu 
esse sistema monetário declinar. A competitividade da Europa e do Japão superavam a dos Estados Unidos. 
Assistia-se a uma verdadeira guerra comercial, que nunca deixou de crescer. 
A partir da década de 1970, a saída foi investir num novo modelo que rompesse com aquilo que era 
considerado a rigidez do modelo fordista. A ordem era flexibilizar, ou seja, golpear a rigidez nos processos 
de produção, nas formas de ocupação da força de trabalho, nas garantias trabalhistas e nos mercados de mas-
sa, então saturados. 
As empresas multinacionais, para restabelecer sua rentabilidade, expandiram espacialmente sua pro-
dução por continentes inteiros. Surgiram novos países industrializados. Os mercados externos cresceram 
mais que os mercados internos. O capitalismo internacional reestruturou-se. 
Os países de economia avançada precisaram criar internamente condições de competitividade. A satu-
ração dos mercados acabou gerando uma produção diversificada para atender a consumidores diferenciados. 
Os contratos de trabalho passaram a ser mais flexíveis. Diminuiu o número de trabalhadores permanentes e 
cresceu o número de trabalhadores temporários. Flexibilizaram-se os salários - cresceram as desigualdades 
salariais, segundo a qualificação dos empregados e as especificidades da empresa. Em muitas empresas, 
juntou-se o que o taylorismo separou: o trabalhador pensa e executa. Os sindicatos viram reduzidos seu po-
der de representação e de reivindicação. Ampliou-se o desemprego. 
Os compromissos do Estado do bem-estar social foram sendo rompidos pouco a pouco. Eliminaram-
se, gradativamente, as regulamentações do Estado. 
As políticas keynesianas - que se revelaram inflacionárias, à medida que as despesas públicas aumen-
tavam e a capacidade fiscal estagnava - forçaram o enxugamento do Estado. 
A transformação do modelo produtivo começou a se apoiar nas tecnologias que já vinham surgindo 
nas décadas do pós-guerra (automação e robotização) e nos avanços das novas tecnologias da informação. O 
método de produção americano foi substituído pelo método japonês de produção enxuta, que combina má-
quinas cada vez mais sofisticadas com uma nova engenharia gerencial e administrativa de produção - a re-
engenharia, que elimina a organização hierarquizada. Agora, engenheiros de projetos, programadores de 
computadores e operários interagem face a face, compartilhando idéias e tomando decisões conjuntas. 
14 
 
O novo método, rotulado por muitos como toyotismo, numa referência à empresa japonesa Toyota, 
utiliza menos esforço humano, menos espaço físico, menos investimentos em ferramentas e menos tempo de 
engenharia para desenvolver um novo produto. A empresa que possui um inventário computadorizado, jun-
tamente com melhores comunicações e transportes mais rápidos, não precisa mais manter enormes estoques. 
É o just in time. 
O novo método permite variar a produção de uma hora para outra, atendendo às constantes exigências 
de mudança do mercado consumidor e das mudanças aceleradas nas formas e técnicas de produção e de tra-
balho. A ordem é manter estoques mínimos, produzindo apenas quando os clientes efetivam uma encomen-
da. 
As grandes empresas começaram a repassar para as pequenas e médias empresas subcontratadas um 
certo número de atividades, tais como concepção de produtos, pesquisa e desenvolvimento, produção de 
componentes, segurança, alimentação e limpeza. Isso passou a ser conhecido como terceirização. Com ela, 
as grandes empresas reduziram suas pesadas e onerosas rotinas burocráticas e suas despesas com encargos 
sociais, concentrando-se naquilo que é estratégico para seu funcionamento. 
A produção flexível vem transformando espaços e criando novas geografias, à medida que ocorrem 
redistribuições dos investimentos de capital produtivo e especulativo e, conseqüentemente, redistribuição 
espacial do trabalho. Numerosas empresas se transferiram das tradicionais concentrações urbanas e regiões 
industriais congestionadas, poluídas e sindicalizadas, para novas áreas nas quais a organização e o poder de 
luta dos trabalhadores é pouco significativa. Surgiram novos complexos de produção - os complexos cientí-
ficos-produtivos -, ligados a universidades e centros de pesquisa onde as inovações são constantes. 
Um caso exemplar desses complexos é o do Vale do Silício (Silicon Valley), na Califórnia, cujo mo-
delo se difundiu por vários países. Nesse complexo, a Universidade de Stanford, juntamente com empresas 
do ramo da microeletrônica, criou um parque tecnológico cuja fama cresceu com a produção de semicondu-
tores e o uso do silício como matéria-prima para sua fabricação. O Vale do Silício faz parte de uma área 
maior em torno da baía de São Francisco onde se estabeleceram numerosas indústrias de alta tecnologia. 
Esses tecnopolos também são encontrados no interior das tradicionais regiões industriais que vêm se 
modernizando, a exemplo da região industrial de Frankfurt, na Alemanha, ou ainda daquelas que procuram 
sair de uma situação de estagnação, como no caso da região de Turim, na Itália, ou de Lyon, na França. 
O sistema just in time exige também uma reorganização do território. As firmas subcontratadas pelas 
grandes empresas se aglomeram em torno da planta terminal de produção, criando um novo tipo de aglome-
ração produtiva. 
Esse é o caso da fábrica da Volkswagen, instalada em Resende (RJ), que vem atraindo outras empresas 
que produzirão, no próprio terreno da fábrica, componentes utilizados na montagem de ônibus e caminhões. 
Sem nenhuma dúvida, vivemos hoje mudanças profundas que se refletem no mundo do trabalho. Para 
os mais otimistas, a questão do desemprego tecnológico será resolvida pela própria tecnologia avançada que 
estimulará o surgimento de novos setores produtivos e de atividades humanas a ela ligados, exigindo, assim, 
novos trabalhadores. Para outros, o sonho dos empresários de fábricas sem operários está prestes a ser reali-
zado. 
Também nos setores agrícolas e de serviços, as máquinas substituem o trabalho humano. Corporações 
multinacionais fazem notar que estão cada vez mais competitivas, e ao mesmo tempo anunciam demissões 
em massa. A questão que se coloca neste final de século é a seguinte: para onde vão os trabalhadores? 
A resposta dependerá da posição assumida pelas sociedades como um todo. 
 
5.3.7 - A indústria na era da globalização 
No pós-guerra, os diversos avanços tecnológicos e a internacionalização da economia iniciaram a fase 
da Terceira Revolução Industrial, Tecnológica ou Informacional.Nas últimas décadas do século XX ocorreram também modificações na forma de produzir. O modelo 
fordista/taylorista foi substituído pelo modelo toyotista. A capacidade de adaptação ou de flexibilização na 
produção (modelo toyotista) passou a ser mais valorizada do que as divisões rígidas na produção (fordis-
mo/taylorismo). A produção e os produtos fabricados tornaram-se cada vez mais complexos, impondo a ne-
cessidade de integrar indústrias e laboratórios de pesquisa, o que levou a tecnologia a ocupar um lugar cada 
vez mais importante na produção industrial. 
15 
 
Outra transformação significativa foi a criação e a ampliação da indústria de ponta, com a utilização de 
máquinas de ajuste flexível, que permitem modificações rápidas no processo produtivo. Essas indústrias 
dependem de inovações constantes e, portanto, de investimentos em pesquisas científicas e tecnológicas. 
Beneficiando-se do progresso 
nos transportes e nas comunica-
ções, a produção industrial espa-
lhou-se por vários continentes, 
permitindo separar a concepção e a 
execução do produto. 
Com a globalização, a indús-
tria deixou de ter o espaço local e 
regional como base, ultrapassando 
as fronteiras nacionais. Componen-
tes de um produto podem ter ori-
gem em países diferentes, pois as 
corporações aproveitam as vanta-
gens comparativas das economias 
nacionais. Qualquer desvantagem 
pode acarretar a troca do fornece-
dor ou mesmo a transferência de 
unidades produtoras inteiras. 
Estabeleceu-se uma nova di-
visão de trabalho, a partir de uma 
divisão territorial de indústrias. As 
indústrias de ponta concentram-se 
nos países centrais ou desenvolvi-
dos. As economias de maior avanço 
tecnológico criam novos produtos e 
investem na comercialização mun-
dial por meio de estratégias de 
marketing (estudo dos mercados). Atuam no cotidiano das pessoas, articulando continentes inteiros com os 
mesmos produtos e as mesmas imagens. Atualmente, esse tipo de indústria é em parte responsável pela pre-
ponderância de um país sobre outro. 
 
5.4 - Desemprego 
Se, por um lado, as inovações tecnológicas introduzidas nas indústrias aumentaram a produtividade, 
por outro lado, reduziram os empregos, o que implica sérias questões sociais. 
Enquanto os empregos, juntamente com as fábricas, foram transferidos para os países subdesenvolvi-
dos, nos países centrais parte da mão-de-obra passou a ser ocupada pelo setor terciário. 
Lembre-se que as atividades econômicas geralmente são classificadas em três setores: 
• setor primário – compreende a agricultura, a pecuária, a caça e o extrativismo; 
• setor secundário – é composto pelas atividades industriais, em qualquer nível tecnológico; 
• setor terciário ou de prestação de serviços – abrange o comércio, setor financeiro, setor público, educa-
ção, transportes, em suma todas as atividades que normalmente ocorrem em áreas urbanas, com exceção das 
indústrias. Esse setor complementa os dois primeiros, pois permite ou induz ao consumo de produtos e exer-
ce papel fundamental na produtividade. 
Atualmente, com o atual estágio tecnocientífico, tende-se a redividir os setores de atividade econômica 
em quatro, incluindo o setor quaternário, que abrange a pesquisa de alto nível (biotecnologica, robótica, 
aeroespacial, etc). 
Assim, as inovações tecnológicas do passado acabaram com alguns postos de trabalho, mas deram ori-
gem a outros, em novos setores da economia. 
Atualmente, as inovações tecnológicas têm provocado não só aumento de produtividade, mas também 
desemprego em todos os grupos de países. Isso ocorre até mesmo no setor terciário, uma vez que a tecnolo-
gia da informação invade o setor de serviços, automatizando bancos, telecomunicações, escritórios, comér-
 
 
16 
 
cio etc. Os computadores, além de diminuir a participação humana, permitem produção programada e varia-
da; a robotização reduz os custos na produção e permite realizar atividades que envolvem riscos de seguran-
ça ou ocorrem em lugares de difícil acesso ao ser humano, como dutos ou o fundo do mar (instalação de 
equipamentos). 
Esse processo provoca o desemprego estrutural, que afasta do mercado de trabalho grande massa de 
população durante períodos mais ou menos prolongados, atingindo principalmente jovens (dificuldade de 
acesso ao primeiro emprego) e trabalhadores de pouca qualificação técnica. 
 
5.5 - Países pioneiros no processo de industrialização – Cenários Regionais 
Entre os países pioneiros no processo de industrialização encontram-se o Reino Unido, a França, a 
Bélgica e os Estados Unidos. Neste capítulo estudaremos o precursor de todos (Reino Unido) e a atual maior 
potência econômica mundial (Estados Unidos). 
O Reino Unido foi o primeiro país do mundo a se industrializar, entretanto, com o tempo seu PIB foi 
ultrapassado por países que iniciaram o processo de industrialização posteriormente. Por que, embora tenha 
sido o pioneiro, não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento econômico de seus concorrentes? 
Os Estados Unidos iniciaram seu processo de industrialização na primeira metade do século XIX, um 
pouco depois de sua ex-metrópole. Hoje o país é a maior potência do mundo, não só do ponto de vista eco-
nômico como também científico-tecnológico e geopolítico-militar. Vem perdendo poder relativo no mundo, 
que se consolida como multipolar. Como começou a supremacia norte-americana, que ainda se mantém no 
início deste século? 
 
5.5.1 - REINO UNIDO 
O processo de industrialização 
O Reino Unido, muitas vezes chamado de Grã-Bretanha (leia o texto abaixo para entender a diferen-
ça), foi o primeiro país a reunir as condições necessárias para o início do processo de industrialização porque 
foi um dos que mais acumulou capitais durante o período do capitalismo comercial. Mas disponibilidade de 
capitais para investir na produção não foi o único fator importante no processo de industrialização. Além dos 
econômicos, é preciso considerar também os fatores políticos, sociais, tecnológicos e naturais, que serão 
analisados na sequência. 
Foi na Inglaterra que ocorreu a primeira revolução burguesa da História, chamada Revolução Gloriosa. 
Ela terminou em 1688, com a deposição do rei absolutista Jaime II e a ascensão ao poder do príncipe holan-
dês Guilherme de Orange e sua esposa Maria Stuart (filha mais velha de Jaime II). Coroados rei Guilherme 
III e rainha Maria II, assinaram a Declaração dos Direitos (1689), que limitava o poder político da monar-
quia, transferindo-o para o parlamento – no qual a burguesia estava fortemente representada e podia, desse 
modo, participar das decisões políticas do país. A Inglaterra tornou-se, assim, a primeira monarquia parla-
mentar do mundo, fator político que foi essencial para a eclosão da Revolução Industrial, quase um século 
mais tarde. 
Antes mesmo da Revolução Gloriosa, para estimular as trocas comerciais, o Estado britânico já vinha 
tomando uma série de medidas, como os Atos de Navegação, que impunham a exclusividade do comércio 
externo do país a navios britânicos. Ancorado em medidas protecionistas e em poderosa frota naval, o Reino 
Unido tornou-se a maior potência mercantil do mundo na fase final do capitalismo comercial. Os capitais 
acumulados nesse período foram gradativamente investidos na ampliação da rede de ferrovias e hidrovias, 
na extração de carvão e na instalação de indústrias, fatores que, conjugados, permitiram grandes avanços 
técnicos nas indústrias têxteis, siderúrgicas e navais, ramos mais importantes da Primeira Revolução Indus-
trial. 
O Reino Unido ainda tinha a vantagem de dispor de grandes reservas de carvão mineral, fonte de 
energia que possibilitou a disseminação do uso das máquinas a vapor, inicialmente na indústria têxtil e mais 
tarde nos demais ramos industriais. 
As principais condições econômicas e políticas para a Revolução Industrial no Reino Unido foram 
sendo criadas ao longo da História: acúmulo de capitais, disponibilidade de matérias-primas e deenergia, 
avanços técnicos e o controle do Estado pela burguesia. Faltava, porém, a força de trabalho. 
Com as Leis dos Cercamentos, nas últimas décadas do século XVII, as terras – que em grande parte 
eram comunais, ou seja, apesar de pertencerem à nobreza eram cultivadas pelos camponeses – foram cerca-
das. Com isso, as atividades agrícolas, muitas delas de subsistência, foram em grande parte substituídas por 
17 
 
atividades pecuárias, particularmente a criação de carneiros, realizada por grandes proprietários, para forne-
cer lã à indústria têxtil que estava se desenvolvendo. Os camponeses, que foram gradualmente expulsos das 
terras, se deslocaram para as cidades à procura de trabalho. 
Essa massa de trabalhadores rurais converteu-se na mão de obra barata e superexplorada da nascente 
indústria britânica. A partir de então, começou de fato a se estabelecer uma relação capitalista de produção 
baseada no trabalho assalariado e na exploração dos operários, o que proporcionou lucros crescentes aos 
industriais. 
 
Recursos naturais e localização industrial 
A localização das primeiras indústrias ocorreu próximo aos portos e às jazidas de carvão, principal-
mente no centro da Grã-Bretanha, onde ficavam as maiores reservas desse combustível fóssil. Por esse mo-
tivo, houve grande industrialização nas proximidades de Yorkshire, Lancashire e Midlands (Inglaterra), 
Lowlands (Escócia) e no País de Gales, provocando drásticas transformações nas paisagens, que passaram a 
ser conhecidas como “regiões negras”. 
No centro da ilha foram construídas usinas siderúrgicas, o que viabilizou a produção de locomotivas e 
navios movidos a vapor. As indústrias de material ferroviário e naval localizavam-se em torno das siderúrgi-
cas, que, por sua vez, estavam perto do carvão, o qual também atraiu a indústria têxtil. Isso explica o grande 
dinamismo das regiões carboníferas britânicas durante a Primeira Revolução Industrial. Porém, as mudanças 
futuras no padrão tecnológico e energético levaram as “regiões negras” e suas indústrias pioneiras à deca-
dência. 
Outro fator essencial de atração das indústrias foi a existência de portos marítimos e fluviais. Muitas 
cidades portuárias desenvolveram um importante parque industrial, como Liverpool, Glasgow e principal-
mente a capital, Londres. O maior centro industrial no Reino Unido sempre foi a região metropolitana da 
capital, em razão de seu poder de polarização sobre o território britânico (nacional e colonial). Inicialmente, 
as indústrias menos dependentes de matérias-primas aí se localizaram por causa da disponibilidade de mão 
de obra, de mercado consumidor e de rede de transportes. Durante a Primeira Revolução Industrial, Londres, 
que já era o maior porto e centro comercial e financeiro britânico, tornou-se também o maior entroncamento 
ferroviário, aumentando sua capacidade de polarização. 
Posteriormente, na Segunda Revolução Industrial, muitas indústrias que não dependiam do carvão – 
automobilísticas, aeronáuticas, químicas, elétricas, mecânicas, farmacêuticas, etc. – foram se instalando em 
torno da metrópole, ampliando sua importância. A partir daí, essa região metropolitana se converteu no mai-
or entroncamento rodoviário do país e numa das maiores confluências de rotas aéreas do mundo. Esses fato-
res explicam o fato de Londres ter se transformado numa das mais importantes cidades globais da atualida-
de. 
Por sua posição estratégica, outra cidade que se beneficiou bastante dessa nova tendência foi Birmin-
gham, que, depois de Londres, era o principal centro industrial britânico, polarizando uma série de cidades e 
com um parque industrial bastante diversificado. 
No contexto da atual revolução tecnológica, a reorganização das indústrias britânicas atinge o país de 
forma bastante desigual: setorial e regionalmente. Há setores que entraram em decadência, como a indústria 
têxtil, a siderúrgica e a naval, outrora as maiores do mundo e associadas às antigas bacias carboníferas. Mas 
há setores bastante dinâmicos, como o de material bélico, o aeronáutico, o automobilístico, o químico-
farmacêutico, o petroquímico (graças ao petróleo explorado no mar do Norte) e o de biotecnologia. Essas 
novas e modernas indústrias em geral estão localizadas nas pequenas cidades do centro-sul da Inglaterra, 
onde se destaca o importante parque tecnológico de Cambridge, com suas empresas de alta tecnologia. 
Cambridge é uma antiga cidade universitária, localizada a cerca de 80 quilômetros a noroeste de Lon-
dres. Em torno da Universidade de Cambridge começou a ser implantado, na década de 1970, um parque 
tecnológico concentrando empresas de setores típicos da Terceira Revolução Industrial, como os de informá-
tica e biotecnologia, entre outros. 
A cidade contou com fatores muito semelhantes aos do Vale do Silício (Estados Unidos): centros de 
pesquisa de renome, mão de obra com alto nível de qualificação, disponibilidade de capitais de risco e de-
senvolvimento de empresas inovadoras. Há outros polos de alta tecnologia no Reino Unido, como na região 
oeste de Londres, conhecida como Corredor Oeste ou Corredor M4. Observe no mapa da página anterior a 
distribuição das principais indústrias no Reino Unido. A produção de carvão no Reino Unido caiu sensivel-
mente (a maioria das minas se esgotou) e seu consumo foi substituído por gás natural, petróleo e eletricida-
18 
 
de. Embora o país seja produtor de petróleo, sua produção (1,1 milhão de barris/dia em 2011, vigésimo pro-
dutor mundial) não é suficiente para abastecer o consumo interno, havendo necessidade de importação, so-
bretudo da Noruega. O país também é importador de gás natural, combustível cujo consumo foi o que mais 
aumentou no país, especialmente para a produção de eletricidade em termelétricas. Cresceu também a pro-
dução de energia em usinas termonucleares. 
Nas regiões carboníferas, são visíveis a desindustrialização, o desemprego e o empobrecimento, prin-
cipalmente no centro da Grã-Bretanha, em cidades como Liverpool, Manchester e Sheffield. Desde a década 
de 1970, com o fechamento de diversas fábricas, essa região converteu-se em zona de repulsão populacional. 
O empobrecimento de parte da população britânica aumentou nos anos 1980, época em que também ocorreu 
maior concentração de renda nas mãos de sua elite, em prejuízo do restante da sociedade. Essa situação re-
sultou da perda de competitividade do país diante do aumento da concorrência em uma economia globaliza-
da. 
O Reino Unido enfrentava, de um lado, a concorrência de economias mais competitivas, ancoradas em 
sistemas de produção flexível como a japonesa e a coreana, e, de outro, economias emergentes, ancoradas 
em mão de obra barata, como a China, a Índia e outros países asiáticos. A gestão da primeira-ministra Mar-
garet Tatcher (1979-1990), do Partido Conservador, foi marcada por políticas neoliberais que visavam redu-
zir o papel do Estado na economia e aumentar a competitividade das empresas britânicas. 
Nesse processo muitas empresas estatais foram privatizadas, entre as quais a BP – British Petroleum 
(petrolífera). Essas privatizações reduziram a contribuição das estatais para o PIB britânico de 9%, em 1979, 
para 3,5%, em 1990. A BP é a maior corporação do Reino Unido e a quarta do mundo (é a terceira no setor 
de petróleo), de acordo com a Fortune Global 500 2012. Entre as grandes corporações britânicas, ainda se 
destacam a Vodafone (telecomunicações), Rio Tinto (mineração), a BAE Systems (aeroespacial e material 
bélico), a GlaxoSmithKline e Astra Zeneca (farmacêuticas), todas entre as quinhentas maiores empresas do 
mundo. 
A implantação de políticas neoliberais teve como efeitos colaterais o enfraquecimento do estado de 
bem-estar e, durante o governo Thatcher, o aumento da concentração de renda. No fim dos anos 1990, como 
mostra a tabela a seguir, apesar de ter havido um pequeno aumento da participação dos estratos mais pobres 
na distribuição da renda, a participação dos 10%mais ricos continuou aumentando, em detrimento da classe 
média. 
A política econômica do governo Tatcher atingiu seus objetivos: reduziu o papel do Estado na econo-
mia, o deficit público e os custos de produção das empresas e aumentou a competitividade britânica no 
mundo globalizado, tanto que de modo geral foi mantida por seus sucessores, mesmo os do Partido Traba-
lhista. Entretanto, para isso houve um custo social e a consequente redução de conquistas trabalhistas, o que 
levou a enfrentamentos com os sindicatos de várias categorias, especialmente os do setor de mineração, cuja 
greve durou um ano. O governo venceu essa queda de braço e, com o tempo, diversas minas foram fechadas. 
A partir dessa greve emblemática, pois atingiu um setor outrora estratégico no país, os sindicatos em 
geral se enfraqueceram. O gráfico ao lado mostra que, alguns anos após o fim do governo conservador, o 
Reino Unido era, entre os principais países desenvolvidos, aquele no qual os trabalhadores tinham um dos 
menores salários diretos e os menores benefícios sociais e previdenciários. 
Em 2010, a situação não mudou; apesar da elevação salarial, os trabalhadores industriais do Reino 
Unido permanecem entre os de menor remuneração (salário + benefícios) entre os dos principais países de-
senvolvidos. 
 
A potência pioneira perde poder 
Embora o Reino Unido tenha crescido economicamente após a Segunda Guerra Mundial, não acom-
panhou o ritmo de crescimento de outras potências econômicas como Estados Unidos, Japão e Alemanha, se 
considerados os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade; consequentemente, foi perdendo posi-
ções no cenário internacional. 
Observe na tabela a seguir o crescimento do PIB do Reino Unido no pós-Segunda Guerra e o compare 
com o dos concorrentes. Perceba que até 1980 a economia britânica cresceu bem menos que as de seus com-
petidores. No período 1981-2010 o crescimento do PIB britânico acumulou uma taxa média de 2,7% ao ano, 
superando dois de seus principais concorrentes (o Japão cresceu em média 2,0%, e a Alemanha, 1,6%); ficou 
atrás apenas dos Estados Unidos, que cresceram 2,8% (no mesmo período, a China cresceu a taxas superio-
res a 10% ao ano). 
19 
 
Considerando o tamanho do PIB, a economia britânica foi ultrapassada pelo Japão e pela Alemanha 
após a Segunda Guerra; antes disso, já tinha sido superada pelos Estados Unidos (após a Primeira Guerra 
Mundial), e, mais recentemente, também pela China e França. Assim, o Reino Unido, que já foi a maior po-
tência industrial do planeta, em 2011 era o sétimo PIB mundial (quando foi ultrapassado também pelo Bra-
sil), bem atrás das três maiores potências econômicas, principalmente da maior delas, sua ex-colônia. 
Apesar de permanecer entre as sete maiores economias mundiais, o Reino Unido já não dispõe do po-
der que deteve no passado. Não está mais na liderança dos principais avanços tecnológicos e já não tem mais 
poder econômico e militar para exercer influência planetária de forma isolada, como fez desde o fim do sé-
culo XVIII até o começo do século XX. No entanto, o país ainda mantém certo status de potência mundial 
porque o governo britânico tem atrelado sua política externa à dos Estados Unidos, apoiando incondicional-
mente as decisõestomadas em Washington. Isso ficou evidente na guerra empreendida contra Saddam Hus-
sein em 2003, na qual o então primeiro-ministro britânico Tony Blair, contrariando a maioria da população 
britânica, apoiou política e militarmente (também enviou tropas) a invasão do Iraque pelas forças armadas 
dos Estados Unidos. 
 
5.5.2 - OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA 
O território que hoje pertence aos Estados Unidos da América foi colonizado por britânicos, franceses 
e espanhóis; no entanto, foram os britânicos que se tornaram hegemônicos e mais influenciaram a formação 
da sociedade norte-americana. A primeira colônia inglesa foi fundada em 1607 na Virgínia, na costa do oce-
ano Atlântico, e ao longo do século XVII várias outras foram fundadas, totalizando treze colônias, que cons-
tituíram o núcleo inicial do atual território. 
Em 4 de julho de 1776, representantes de todas as colônias originais promulgaram na Filadélfia a De-
claração de Independência dos Estados Unidos da América, documento fundador dessa nação. A separação 
só foi reconhecida pelos ingleses ao final da Guerra de Independência (1775-1783), com a assinatura do 
Tratado de Versalhes. Após a independência, iniciou-se um processo de expansão para o oeste, marcado por 
guerras contra os mexicanos e os povos indígenas, até então os habitantes dessa região, e o território norte-
americano passou a ter sua configuração atual (2012) – composto de cinquenta estados, além do Distrito de 
Colúmbia, onde se localiza Washington, a capital do país. 
 
Os fatores da industrialização 
Quando o território do que viria a ser os Estados Unidos ainda pertencia ao Reino Unido, recebeu um 
grande fluxo de imigrantes britânicos, principalmente nas colônias do Norte. Esses imigrantes, fugindo de 
perseguições políticas e religiosas ou em busca de melhores condições de vida do que as da Europa, foram 
se fixando na faixa litorânea, num trecho conhecido como Nova Inglaterra. Aí desenvolviam uma agricultura 
diversificada (policultura) em pequenas propriedades, nas quais predominava o trabalho familiar. 
Cidades como Nova York, Boston e Filadélfia começavam a surgir e crescer em ritmo acelerado, e te-
ve início uma atividade manufatureira, pois vários imigrantes que eram artesãos na Inglaterra, Escócia e 
Irlanda trouxeram consigo suas habilidades e ferramentas. Gradativamente, foi se estruturando um mercado 
interno, com o predomínio do trabalho familiar no campo e do trabalho assalariado nas cidades. Isso criou 
condições para a crescente expansão das manufaturas, das casas de comércio e dos bancos. 
Assim, nas colônias do Norte, organizou-se uma colonização de povoamento, enquanto nas do Sul im-
perava a colonização de exploração, estruturada sobre uma sociedade rigidamente estratificada e na explora-
ção do trabalho escravo. A economia sulista era baseada em plantations: grandes propriedades monocultoras 
nas quais se cultivava principalmente o algodão e se utilizava trabalho escravo de povos negros trazidos à 
força da África central. Praticamente toda a produção era exportada para o Reino Unido. A riqueza estava 
fortemente concentrada nas mãos dos fazendeiros escravagistas (a que permanecia no país) e dos comercian-
tes britânicos, de forma que o mercado interno prosperava muito lentamente. 
Já nas colônias do Norte os negócios se expandiam com rapidez e os capitais se concentravam nas 
mãos da burguesia nascente. Com o tempo, os capitalistas e outros setores da sociedade nortista desenvolve-
ram interesses próprios que passaram a se chocar com os dos britânicos. O resultado desse conflito de inte-
resses, como vimos, levou a uma guerra entre a colônia e a metrópole e à independência política, que fez dos 
Estados Unidos o primeiro país livre da América. 
Com isso surge uma dúvida: por que o Reino Unido não manteve um controle mais rígido sobre as tre-
ze colônias, já que foi justamente nessa região que nasceram o separatismo e a industrialização? Esses fatos 
20 
 
contrariavam os interesses britânicos: o separatismo significava a perda de colônias, além de criar um peri-
goso precedente, e a industrialização, uma incômoda concorrência. O jornalista uruguaio Eduardo Galeano 
deu uma boa resposta a essa questão: 
 
A importância de não nascer importante 
As treze colônias do Norte tiveram, pode-se bem dizer, a dita da desgraça. Sua experiência histórica 
mostrou a tremenda importância de não nascer importante. Porque no norte da América não tinha ouro, nem 
prata, nem civilizações indígenas com densas concentrações de população já organizada para o trabalho, 
nem solos tropicais de fertilidade fabulosa na faixa costeira que os peregrinos ingleses colonizaram. A natu-
reza tinha-se mostrado avara,e também a História: faltavam metais e mão de obra escrava para arrancá-los 
do ventre da terra. Foi uma sorte. No resto, desde Maryland até Nova Escócia, passando pela Nova Inglater-
ra, as colônias do Norte produziam, em virtude do clima e pelas características dos solos, exatamente o 
mesmo que a agricultura britânica, ou seja, não ofereciam à metrópole uma produção complementar. Muito 
diferente era a situação das Antilhas e das colônias ibéricas de terra firme. Das terras tropicais brotavam o 
açúcar, o algodão, o anil, a terebintina; uma pequena ilha do Caribe era mais importante para a Inglaterra, do 
ponto de vista econômico, do que as 13 colônias matrizes dos Estados Unidos. Essas circunstâncias expli-
cam a ascensão e a consolidação dos Estados Unidos como um sistema economicamente autônomo, que não 
drenava para fora a riqueza gerada em seu seio. Eram muito frouxos os laços que atavam a colônia à metró-
pole; em Barbados ou Jamaica, em compensação, só se reinvestiam os capitais indispensáveis para repor os 
escravos na medida em que se iam gastando. Não foram fatores raciais, como se vê, os que decidiram o de-
senvolvimento de uns e o subdesenvolvimento de outros; as ilhas britânicas das Antilhas não tinham nada de 
espanholas nem portuguesas. A verdade é que a insignificância econômica das 13 colônias permitiu a preco-
ce diversificação de suas manufaturas. A industrialização norte-americana contou, desde antes da indepen-
dência, com estímulos e proteções oficiais. A Inglaterra mostrava-se tolerante, ao mesmo tempo que proibia 
estritamente que suas ilhas antilhanas fabricassem até mesmo um alfinete. 
GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p. 146. 
 
A maioria dos primeiros imigrantes era britânica, seguidores de religiões cristãs protestantes, princi-
palmente puritanos (como eram chamados os calvinistas, os seguidores de João Calvino, na Grã-Bretanha), 
que haviam rompido com a Igreja católica a partir da Reforma Protestante empreendida por Calvino e outros 
teólogos no século XVI. As religiões protestantes favoreciam o desenvolvimento capitalista, uma vez que 
não condenavam moralmente a riqueza. Ao contrário, pregavam que a riqueza era bem-vinda porque era 
fruto do trabalho, de uma vida austera, que afastava o fiel do pecado e o aproximava da salvação divina. 
Embora o aspecto cultural não seja determinante, pois na Itália católica e no Japão xintoísta/budista o 
capitalismo também floresceu, é indiscutível que o protestantismo criou condições culturais extremamente 
favoráveis ao desenvolvimento de um espírito empreendedor e de uma ética do trabalho, importantíssimas 
para a acumulação de capitais (na seção Desenvolvendohabilidades será proposta uma atividade para explo-
rar esse aspecto do desenvolvimento capitalista norte-americano). 
Fatores de ordem natural também foram fundamentais no processo de industrialização dos Estados 
Unidos. O nordeste do território, além de estar próximo do oceano – o que há muito vem facilitando os 
transportes marítimos e o intercâmbio comercial –, possui grandes reservas de carvão nas bacias sedimenta-
res próximas aos Apalaches, nos estados da Pensilvânia e de Ohio, e importantes jazidas de minério de ferro 
nos escudos próximos ao lago Superior, nos estados de Minnesota e de Wisconsin. Além disso, o país dispõe 
de grandes e diversificadas reservas minerais e energéticas. Veja no mapa a seguir a distribuição das princi-
pais ocorrências minerais e a localização das principais refinarias de petróleo e usinas geradoras de energia 
nos Estados Unidos. 
A farta e bem distribuída rede hidrográfica foi outro fator natural que favoreceu o desenvolvimento 
dos Estados Unidos. A existência, no nordeste do país, de extensos lagos com desníveis consideráveis possi-
bilitou a construção de grandes barragens e usinas hidrelétricas para geração de energia. Ao lado das turbi-
nas hidráulicas foram edificadas eclusas, que permitiram às embarcações transpor os desníveis e ampliar 
significativamente a rede de hidrovias, garantindo a disponibilidade de infraestrutura de energia elétrica e de 
transportes para o desenvolvimento industrial. Os Grandes Lagos (como são chamados) favoreceram imen-
samente os transportes: pouco a pouco, foram interligados por canais artificiais e eclusas que possibilitaram 
a ligação do interior do continente com o oceano Atlântico pelo rio São Lourenço, no Canadá, e pelo Hud-
21 
 
son, nos Estados Unidos. Esse rio alcança o lago Erie, por meio de um canal artificial, e desemboca no 
Atlântico, onde fica o porto de Nova York. 
 
A arrancada industrial 
Após a independência, as diferenças econômicas, sociais e culturais entre a sociedade nortista, das co-
lônias de povoamento, e a sociedade sulista, das colônias de exploração, afloraram nitidamente e acabaram 
desencadeando um conflito armado, na segunda metade do século XIX. As elites aristocráticas que coman-
davam os estados escravagistas do Sul, em franca decadência política e econômica, na tentativa de manter o 
poder e a escravidão criaram os Estados Confederados da América. 
Com isso, esses estados declararam sua separação (secessão) da federação americana, dominada pelos 
capitalistas industriais e financeiros do Norte. Essa atitude provocou a Guerra de Secessão, ou Guerra Civil 
Americana. 
A vitória da burguesia nortista teve como resultado geopolítico mais importante a manutenção da uni-
dade territorial do país, que já se estendia do Atlântico ao Pacífico. Interessada em garantir a ocupação dos 
territórios tomados dos povos nativos (à custa de um grande genocídio) e aumentar o mercado consumidor 
para os bens produzidos por suas indústrias, a elite do Norte passou a estimular a imigração. Em 1862 foi 
elaborada a Lei Lincoln (Homestead Act), segundo a qual as famílias que migrassem para o oeste do país 
receberiam 65 hectares de terra para se fixar e, caso permanecessem cultivando-os por pelo menos cinco 
anos, ganhariam sua posse definitiva. Porém, embora essa lei tenha garantido a ocupação das terras do oeste, 
principalmente os férteis solos das planícies centrais, o que mais contribuiu para atrair imigrantes e ampliar 
o mercado interno do país foi a aceleração de seu processo de industrialização, sobretudo no final do século 
XIX e início do XX: entre 1890 e 1929, mais de 22 milhões de imigrantes, especialmente europeus, se fixa-
ram no país. 
A crise de 1929, a depressão dos anos 1930 decorrente dela e a Segunda Guerra Mundial reduziram 
drasticamente a entrada de pessoas no país nos anos 1930-1940, porém, o fluxo imigratório voltou a aumen-
tar após a guerra e atingiu seu pico nos anos 1990, década em que entrou no país quase o mesmo número de 
imigrantes que nos vinte anos anteriores. Entre 1850 e 2010 os Estados Unidos foram o país que mais rece-
beu imigrantes no mundo, com a fixação de mais de 74 milhões de pessoas em seu território. 
Outra medida que ampliou o mercado consumidor interno foi a decretação, em 1863, do fim da escra-
vidão nos Estados Unidos. A partir de então, foi-se disseminando o trabalho assalariado e, pouco a pouco, 
foi-se estruturando, pela primeira vez na História, uma ampla sociedade de consumo, que se consolidou após 
a Primeira Guerra Mundial. 
 
Nordeste: localização industrial e decadência recente 
Apesar da desconcentração recente, que estudaremos a seguir, o Nordeste dos Estados Unidos ainda é 
a maior região industrial do país e uma das maiores do mundo. 
Como vimos, a primeira região do país a se industrializar foi o Nordeste, onde, durante muito tempo, 
determinados setores se concentraram mais em algumas cidades que em outras, definindo as “capitais” do 
aço, do automóvel, etc. 
As grandes siderúrgicas, como a United States Steel Corporation, a maior do país, localizada em Pitts-
burgh, concentraram-se no estado da Pensilvânia po causa da disponibilidade de carvão, da facilidade de 
recepção do minério que provém de Minnesota por meiodos Grandes Lagos e da proximidade dos centros 
consumidores. Apesar do fechamento de fábricas e da transferência de usinas para outros lugares, Pittsburgh 
ainda é conhecida como a “capital do aço”. 
A região metropolitana de Detroit, no estado de Michigan, foi o grande centro da indústria automobi-
lística. Sua localização numa posição central facilitou a recepção de matérias-primas e peças, além do poste-
rior envio dos produtos acabados (localize-a no mapa). Abrigando fábricas das “três grandes” montadoras – 
General Motors (GM), Ford e Chrysler – e diversas fábricas de autopeças, a cidade tornou-se a “capital do 
automóvel”, mas atualmente sofre com a falência de algumas indústrias e a saída de outras, que migram para 
regiões diversas em busca de menores custos de produção. Em razão da elevação do custo da mão de obra, 
da má gestão praticada pelos seus administradores e da acirrada concorrência de carros de outras marcas, 
especialmente japonesas e coreanas, as grandes montadoras americanas estão perdendo competitividade, 
situação agravada pela crise financeira de 2008/2009. 
22 
 
A GM, que por décadas foi a maior montadora automobilística do mundo, pediu concordata em junho 
de 2009 e, para não falir, foi encampada pelo governo norte-americano, que injetou 50 bilhões de dólares na 
empresa e passou a controlar 61% de suas ações (o governo do Canadá ficou com 12%, o sindicato United 
Auto Workers, com 17%, e os credores, com 10%). Entretanto, o plano do governo é se desfazer de suas 
ações depois de sanear a empresa, o que em 2012 ainda não tinha ocorrido. Naquele mesmo ano, a Chrysler, 
para evitar a falência, teve parte de suas ações vendidas ao Grupo Fiat. A Ford, sediada em Dearborn (Mi-
chigan), não enfrentou os mesmos problemas de suas concorrentes nacionais. 
Em decorrência de seu enorme efeito multiplicador, a crise no setor automobilístico tem afetado diver-
sos outros setores da indústria norte-americana. Existe uma grande quantidade de indústrias complementares 
imprescindíveis ao funcionamento das montadoras de automóveis: autopeças, plásticos, borrachas, vidros, 
equipamentos eletrônicos, etc. Essas indústrias, por sua vez, necessitam de outros setores: siderúrgicas, me-
talúrgicas, petroquímicas, etc. Isso evidencia como a crise é grave. Detroit já não é mais a “capital do auto-
móvel” porque muitas de suas antigas fábricas de carros e autopeças fecharam as portas. A cidade e sua re-
gião metropolitana estão enfrentando o desemprego crescente, o empobrecimento da população e a deterio-
ração urbana. Muitos de seus moradores gostariam de se mudar, mas a profunda desvalorização imobiliária 
dificulta a venda de suas casas e a compra de uma nova em outro lugar. 
Diversos outros ramos industriais estão espalhados por inúmeras cidades do Nordeste dos Estados 
Unidos, a região de maior concentração urbano-industrial do planeta. Ali, a História mostrou ser verdadeira 
a frase: “Indústria atrai indústria”. Surgiu, assim, um grande cinturão industrial, o manufacturing belt, que se 
estende por várias cidades, como Chicago, Detroit, Cleveland e Buffalo, às margens dos Grandes Lagos; 
Pittsburgh e Columbus, na região dos Apalaches; Boston, Nova York, Filadélfia e Baltimore, na costa leste. 
Em virtude da crise de setores com forte presença na região, como o automobilístico e outros que dependem 
muito dele, como o siderúrgico, e do consequente fechamento de inúmeras fábricas, muitos têm afirmado 
que essa região deveria ser chamada de Rust Belt (cinturão da ferrugem) em razão da decadência industrial. 
 
A desconcentração industrial 
Como vimos no capítulo 6, está ocorrendo nos Estados Unidos, já há algumas décadas, um processo de 
desconcentração industrial. O cinturão industrial (manufacturing belt) do Nordeste já chegou a concentrar, 
no início do século XX, mais de 75% da produção industrial dos Estados Unidos. De lá para cá sua partici-
pação vem se reduzindo, e hoje ela é inferior a 50%. Como consequência do grande crescimento de cidades 
do Nordeste, que se agruparam em gigantescas megalópoles como a que se estende de Boston a Washington 
(conhecida como Boswash), passando por Nova York, tem havido uma tendência de elevação dos custos de 
produção na região. Novos centros industriais surgiram no sul e no oeste do país, e centros mais antigos nes-
sas mesmas regiões se expandiram, acarretando uma dispersão industrial. Algumas das cidades norte-
americanas que mais têm crescido estão nessas regiões novas, como Atlanta, Dallas, Houston, Seattle, São 
Francisco, etc. Reveja no mapa das indústrias dos Estados Unidos (página 166) as regiões de expansão in-
dustrial ao sul e a oeste do território, detalhadas no texto a seguir. 
 
Sul 
As primeiras fábricas do Sul dos Estados Unidos datam de 1880: produziam fios e tecidos e foram ins-
taladas por industriais da Nova Inglaterra, atraídos pela disponibilidade de matéria-prima, o algodão cultiva-
do na região. Contudo, a industrialização efetiva do Sul ganhou grande impulso mesmo no início do século 
XX, após a descoberta de enormes lençóis petrolíferos na região, principalmente no Texas. Após a Segunda 
Guerra o processo se intensificou, pois as necessidades de defesa e de desenvolvimento do programa espaci-
al estimularam a expansão industrial no Sul. Foi construída uma fábrica de aviões em Marietta (Geórgia), 
onde hoje se encontra uma das maiores unidades da Lockheed Martin, empresa do setor aeroespacial. Em 
Huntsville (Alabama), foi construído um dos centros da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e uma 
fábrica de aviões militares e mísseis da Boeing, a maior indústria aeronáutica do mundo. 
No Texas, localiza-se o importante Centro Espacial de Houston, sede da Nasa. Na Flórida, em Cabo 
Canaveral, encontra-se o Centro Espacial John F. Kennedy, base de lançamento de foguetes. No Texas há 
também importantes indústrias aeronáuticas, em Fort Worth e San Antonio, e grandes indústrias petrolíferas 
em Houston, onde se destaca a Exxon Mobil. Em 2012 essa empresa era a maior dos Estados Unidos e a 
segunda do mundo na lista das quinhentas maiores da revista Fortune, com um faturamento de 453 bilhões 
23 
 
de dólares, valor equivalente ao PIB da Argentina (a maior do mundo era a holandesa Royal Dutch Shell, 
cujo faturamento era de 484 bilhões de dólares). 
 
Oeste 
A última região dos Estados Unidos a se industrializar foi o Oeste. Entre os fatores que contribuíram 
para a instalação de indústrias nessa região, destacam-se: 
• disponibilidade de mão de obra, que foi se estabelecendo desde a época da Corrida do Ouro, em me-
ados do século XIX, quando a exploração desse metal na Serra Nevada (Califórnia) atraiu muita gente; 
• existência de outros minérios, como ferro e cobre, nas Montanhas Rochosas e na Serra Nevada, e de 
petróleo e gás natural na Bacia da Califórnia; 
• disponibilidade de elevado potencial hidrelétrico, principalmente nos rios Columbia e Colorado. 
Em Seattle (estado de Washington) há uma importante concentração da indústria aeronáutica (divisão 
de aviões comerciais da Boeing), e em Portland (Oregon) de indústrias siderúrgicas e metalúrgicas (alumí-
nio), entre outras. Mas o estado mais importante do Oeste é a Califórnia, com um parque industrial bastante 
diversificado, localizado principalmente no eixo São Francisco-Los Angeles-San Diego, a segunda megaló-
pole do país (conhecida como San-San), com indústrias petroquímicas, automobilísticas, aeronáuticas, na-
vais, alimentícias e outras. 
Há, assim, muitos setores tradicionais. No entanto, pelo fato de ser uma industrialização relativamente 
recente, bastante vinculada à indústria bélica (tendo recebido por isso fortes incentivos governamentais) e 
ligada a importantes universidades e centros de pesquisas, no Oeste se encontram as mais importantes con-
centrações de indústrias de alta tecnologia dos Estados Unidos, principalmente no tecnopolo do Vale do Si-
lício. 
 
Os principais parques tecnológicosVale do Silício 
O Vale do Silício (Silicon Valley), no norte da Califórnia, foi o primeiro parque tecnológico implanta-
do no mundo. Ainda é o mais importante e serve de modelo para muitos dos que surgiram posteriormente 
em diversos países. Abrange as cidades de Palo Alto, Santa Clara, San José e Cupertino, entre outras locali-
zadas em torno da Baía de São Francisco. Essa região é chamada de Vale do Silício porque sua formação foi 
baseada nas indústrias de semicondutores, que produzem microchips (ou microprocessadores), cuja matéria-
prima mais importante é o silício, e na indústria de informática, tanto de computadores e periféricos 
(hardware) como de sistemas e programas (software). 
Embora o início de sua industrialização remonte aos anos 1930, a expressão “Vale do Silício” surgiu 
em 1971, e o impulso para o desenvolvimento da região se deu sobretudo durante a Guerra Fria, devido à 
corrida armamentista e aeroespacial. Foram as indústrias eletrônicas do Vale do Silício que, por exemplo, 
forneceram transistores para mísseis e circuitos integrados para os computadores que guiaram as naves 
Apollo, cuja série 11 atingiu a Lua. Assim, o governo dos Estados Unidos, além de subsidiar as pesquisas 
nos laboratórios de universidades e empresas, garantia mercado para a produção regional, comprando parte 
do que era produzido. 
A criação, em 1951, do Stanford Industrial Park, no campus da universidade do mesmo nome, também 
teve importante papel no desenvolvimento desse parque tecnológico, pois atraiu indústrias de alta tecnolo-
gia, principalmente do setor de microeletrônica e informática. Outras universidades da região tiveram papel 
crucial na formação de mão de obra qualificada e na produção de pesquisa avançada, entre as quais a Uni-
versidade da Califórnia (campus de Berkeley e de São Francisco), e a Universidade Estadual de San José. 
Graças aos pesquisadores dessas universidades o Vale do Silício tornou-se o principal centro de alta 
tecnologia do mundo. Também contribuiu para isso a existência de um espírito empreendedor, de capitais de 
risco dispostos a bancar projetos inovadores e de um ambiente favorável aos investimentos e à gestação de 
novas empresas. Muitas empresas dos setores de microeletrônica e informática, que hoje estão entre as mai-
ores do mundo, foram gestadas na região. Por exemplo, em 1939 William Hewlett e David Packard, dois 
estudantes da Universidade Stanford, fundaram uma empresa de computadores e impressoras – a Hewlett-
Packard, mais conhecida como HP – que em 2012 era a maior produtora de hardware dos Estados Unidos e 
a segunda do mundo desse setor (a primeira era a Samsung Electronics; entre as 500 maiores empresas do 
mundo, a sul-coreana estava na 20a posição e a norte-americana, na 31a). Mas há diversas outras no Vale, 
entre as quais se destacam: Intel e AMD (semicondutores); Apple (computadores); Oracle e Adobe (progra-
24 
 
mas e sistemas), Cisco Systems (TI), entre outras menos conhecidas. Grandes empresas do setor de informá-
tica que têm sede em outros lugares dos Estados Unidos, como a Microsoft, em Redmond (estado de Wa-
shington), e a IBM, em Nova York (estado de Nova York), também têm filiais aí. Mesmo corporações japo-
nesas e europeias mantêm centros de pesquisa na região. 
Apesar da diversificação posterior, sobretudo com a biotecnologia (observe a foto da página anterior), 
ainda é predominante a participação desses setores pioneiros. Importantes empresas que se desenvolveram 
recentemente devido à expansão da internet, como a Google (fundada em 1998) e o Facebook (2004), tam-
bém têm sede no Vale do Silício. 
 
Boston 
No leste do país destaca-se outro importante tecnopolo, localizado na região metropolitana de Boston 
(Massachusetts) e que se desenvolveu a partir dos anos 1960 ao longo da Rota 128, uma autoestrada que 
contorna as cidades da metrópole. Esse tecnopolo também está vinculado à indústria bélica e ao setor de 
informática e abriga empresas como a Raytheon (material bélico) e a Lionbridge Tecnologies (TI), entre 
outras. Mais recentemente têm se desenvolvido novos setores de alta tecnologia na região, especialmente em 
Cambridge e arredores, sobressaindo-se as de biotecnologia (novos remédios e terapias) e de equipamentos 
médicos, com destaque para empresas como a Biogen Idec e a Genzyme. 
A região de Boston passou por um processo de reconversão industrial. Em torno dessa cidade surgiram 
os prédios inteligentes dos setores ligados à nova economia informacional, muitas vezes no lugar de antigas 
fábricas, como as têxteis ou navais, típicas da Primeira Revolução Industrial. Diferentemente de outras cida-
des do Nordeste que passaram a fazer parte do Rust Belt, a região de Boston transformou-se num tecnopolo 
porque dispõe do ativo mais importante da Revolução Técnico-Científica ou Informacional: conhecimento 
científico-tecnológico avançado. Isso ocorre graças aos professores e pesquisadores da Universidade de 
Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), duas das instituições de ensino e pesquisa mais 
conceituadas do mundo, além da Universidade de Boston e de cerca de cinquenta outras menos conhecidas. 
Além do Vale do Silício e da Rota 128, há diversos outros tecnopolos no território dos Estados Uni-
dos, entre os quais se destaca, logo abaixo dos dois mais importantes, o Research Triangle Park, na Carolina 
do Norte. Esse parque de pesquisas recebe esse nome porque congrega empresas de alta tecnologia numa 
região formada por um triângulo em cujos vértices estão três das mais importantes instituições de ensino e 
pesquisa do país: Duke University, North Carolina State University e University of North Carolina at Chapel 
Hill. 
Para finalizar, vale destacar que, como vimos anteriormente, em 2012 os Estados Unidos tinham cor-
porações na lista da revista Fortune, o que correspondia a 26,4% das quinhentas maiores do mundo. Entre-
tanto, em 2001 chegou a ter 197 empresas na lista, 39,4% do total, um recorde. De lá para cá, empresas 
de países emergentes, especialmente da China, têm ocupado esse espaço. Isso é mais uma evidência do 
enfraquecimento relativo dos Estados Unidos e, paralelamente, do crescente fortalecimento das economias 
emergentes no mundo atual. 
 
A Alemanha e o Japão, assim como a Itália e o Canadá, industrializaram-se na segunda metade 
do século XIX. São considerados países de industrialização tardia em comparação com os pioneiros 
que estudamos no capítulo anterior. Neste, vamos analisar os dois primeiros, os mais importantes de s-
te grupo. 
Por que a Alemanha se industrializou tardiamente em relação aos países pioneiros? 
Sua história é marcada pelo envolvimento em guerras, por destruições e reconstruções. Derrota-
da na Primeira e na Segunda Guerra, foi arrasada e dividida, mas nas últimas décadas recuperou-se e 
em pouco tempo emergiu novamente como potência econômica, com uma indústria moderna e compe-
titiva. O que explica essa rápida recuperação econômica? Que fatores mais contribuíram para isso? 
O Japão foi a primeira potência industrial a se desenvolver na Ásia. A industrialização tardia o 
levou, como a Alemanha, à expansão imperialista retardatária e a enfrentamentos com as potências já 
consolidadas. Durante a Segunda Guerra, o país foi arrasado do mesmo modo que a Alemanha, com 
quem se aliou. Em menos de três décadas emergiu dos destroços da guerra para o segundo posto na 
economia mundial. Entretanto, desde os anos 1990 reduziu drasticamente seu ritmo de crescimento 
econômico e acabou superado recentemente pela China. O que mudou para interromper o ciclo de 
25 
 
crescimento anterior? Para entender seu vertiginoso avanço econômico, e depois a crise pela qual o 
país passou, é fundamental estudar seu processo de industrialização. 
 
5.5.3 - ALEMANHA 
Unificação territorial e indUstrialização 
De 1815 a 1871 a Alemanha foi uma confederação composta de 39 unidades políticas independentes 
(Estados, reinos, ducados,principados e cidades-Estado). Em 1861, sob o comando de Otto von Bismarck, 
chanceler da Prússia, o Estado mais poderoso da confederação germânica, iniciou-se o processo de unifica-
ção político-territorial marcado por diversas guerras contra seus vizinhos. A Alemanha entrou em guerra 
contra a Dinamarca, a Áustria e a França (observe o mapa). Venceu todas, inclusive a que travou contra seu 
vizinho mais poderoso (a França), de quem tomou os territórios da Alsácia e Lorena ao final da Guerra 
Franco-Prussiana (1870-1871) 
Após esse período de guerras, o país completou sua unificação político-territorial. A partir daí houve 
uma aceleração do processo de industrialização e, em fins do século XIX, a Alemanha já tinha uma econo-
mia mais forte que a do Reino Unido e a da França e liderava, com os Estados Unidos, os avanços tecnoló-
gicos da Segunda Revolução Industrial. 
A unificação política de 1871 tornou a Alemanha não só um único Estado, mas também um único 
mercado. Entretanto, o processo de unificação econômica já havia começado com a criação do Zollverein 
(união aduaneira estabelecida em 1834 entre os Estados alemães), o que estimulou desde aquela época o 
comércio e, portanto, o desenvolvimento industrial. Com a unificação política, consolidou-se a integração 
econômica: instituição de uma moeda única, padronização das leis e constituição de um amplo mercado in-
terno, que ampliou as possibilidades de acumulação de capitais. Em consequência disso, a Alemanha tornou-
se uma potência econômica e militar, mas, como não tinha colônias, envolveu-se em outras guerras com o 
objetivo de conquistar novos territórios. 
Ao longo dos séculos XIX e XX, graças à disponibilidade de grandes jazidas de carvão mineral (a hu-
lha da bacia do Ruhr) e à facilidade de transporte hidroviário (observe a foto da página seguinte), muitas 
indústrias se concentraram na confluência dos rios Ruhr e Reno, quase na fronteira com os Países Baixos. 
Desde o final da Idade Média, o vale do Reno, que liga o norte da Itália aos Países Baixos, já era uma das 
principais rotas do comércio, o que explica a significativa concentração de capitais na região e os investi-
mentos cada vez maiores, por parte de grandes proprietários de terras e banqueiros, na indústria que ali se 
instalava. 
Gradativamente, a população que vivia no campo migrou para as cidades, empregou-se como mão de 
obra assalariada e contribuiu para a ampliação do mercado consumidor. Além desses fatores, a França, der-
rotada na Guerra Franco-Prussiana, terminada em 1871, foi obrigada a ceder à Alemanha as províncias da 
Alsácia e Lorena (localize-as no mapa acima), ricas em carvão e minério de ferro, e a pagar pesada indeni-
zação aos alemães. Isso significou mais recursos e acesso a novas fontes de energia e de matérias-primas. A 
soma desses fatores explica a intensa industrialização da Alemanha a partir de então, mas o país enfrentou 
problemas para sustentar seu crescimento econômico. 
 
Guerras, destruição e reconstrução 
Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Tríplice Aliança, formada inicialmente por Alemanha, 
Áustria-Hungria e Itália (os italianos saíram em 1915), saiu derrotada pela Tríplice Entente, composta de 
Reino Unido, França e Rússia. Com o desenrolar do conflito, diversos países aderiram à Tríplice Entente, 
entre os quais a Itália, o Japão e os Estados Unidos, ao passo que Alemanha e Áustria só obtiveram apoio do 
Império Otomano. Os vitoriosos impuseram uma série de sanções à Alemanha por meio do Tratado de Ver-
salhes: pesadas indenizações financeiras, grandes restrições militares e significativas perdas territoriais. 
Além de perder as poucas colônias ultramarinas que possuía, a Alemanha foi obrigada a devolver as provín-
cias da Alsácia e Lorena à França e perdeu territórios para a Polônia, que voltou a ter acesso ao mar por uma 
faixa de terra que passava no meio do então território da Alemanha (e que ficou conhecida como “corredor 
polonês”). Porém, a situação da Áustria-Hungria foi pior: o antigo império se fragmentou, dando origem a 
novos países na Europa central. 
Pelo fato de ter-se unificado tardiamente, a Alemanha perdeu a fase mais importante da corrida colo-
nial. Embora tenha se apropriado de algumas colônias na partilha da África durante o Congresso de Berlim 
(1884-1885), e também de algumas ilhas no Pacífico, não obteve muitas vantagens econômicas. Esses terri-
26 
 
tórios eram limitados em recursos naturais e o país se viu privado do acesso aos mercados consumidores, às 
reservas de matérias-primas e às fontes de energia, fatores que poderiam acelerar sua expansão industrial. 
Esse conjunto de fatores levou a Alemanha a um enfrentamento bélico com o Reino Unido e a França, as 
duas principais potências coloniais da época, que depois envolveu outros países e resultou na 1ª Guerra. 
As sanções impostas pelo Tratado de Versalhes e a crise de 1929 conduziram a Alemanha a profunda 
crise social e econômica, o que criou as condições políticas para a ascensão de Adolf Hitler ao poder. Assim 
que assumiu o posto de chanceler, em 1933, Hitler dissolveu o parlamento e convocou novas eleições, ven-
cidas esmagadoramente pelo Partido nazista. Com os nazistas no poder, o país transformou-se numa ditadura 
na qual Hitler era o Führer (‘líder’, em alemão), e iniciou-se o Terceiro Reich, que se estendeu até 1945. 
Assim como no século anterior, nesse período o Estado alemão lançou-se à conquista dos territórios 
considerados vitais para sua expansão econômica. O general Karl Haushofer, conselheiro geopolítico e ami-
go de Hitler, inspirou-se nas ideias do geógrafo Friedrich Ratzel (1844-1904) para justificar o novo expansi-
onismo alemão. Ratzel, cujas ideias já tinham servido para justificar o expansionismo alemão que resultou 
na Primeira Guerra, formalizou o conceito que chamou de espaço vital. 
Em 1938 a Alemanha anexou a Áustria com o argumento de que os dois países eram habitados por 
povos germânicos, e no ano seguinte, a Tchecoslováquia, onde havia minorias alemãs. Em setembro de 
1939, após a invasão da Polônia por tropas alemãs, Grã-Bretanha e França declararam guerra à Alemanha, 
dando início à Segunda Guerra Mundial. Em 1941 os Estados Unidos e a União Soviética saíram da neutra-
lidade e também entraram na guerra contra a Alemanha. Em 1945, ao final do conflito bélico, o país estava 
mais uma vez derrotado: além das perdas humanas e da destruição material, sofreu novas perdas territoriais 
e fragmentação política. Ao terminar a Segunda Guerra, a Alemanha teve seu território partilhado pelos paí-
ses vitoriosos em quatro zonas de ocupação, segundo tratado firmado na cidade de Potsdam, em 1945, e ain-
da perdeu territórios para a Polônia e a União Soviética. 
Posteriormente, em 1949, o país foi dividido em dois: as zonas de administração americana, britânica e 
francesa foram unificadas e constituíram a República Federal da Alemanha (RFA), com capital em Bonn 
(Berlim Ocidental também ficou sob controle daqueles três países); e como resposta, os soviéticos criaram, 
em sua zona de ocupação, a República Democrática Alemã (RDA), com capital em Berlim Oriental. 
Com a divisão, dois modelos sociais, políticos e econômicos foram implantados, um em cada lado da 
fronteira. Na Alemanha Ocidental, influenciada pelos Estados Unidos, passou a vigorar uma economia de 
mercado, assentada na propriedade privada, na livre iniciativa e na concorrência. Politicamente o país se 
organizou como uma democracia pluripartidária na forma republicana de governo e, gradativamente, estru-
turou o Estado de bem-estar. Aliada a uma elevação significativa da produtividade e, portanto, dos salários, 
houve melhora considerável da capacidade de consumo e das condições de vida da população. Vale lembrar 
que estavam em território da Alemanha Ocidental as regiões industriais mais importantes do país, entre as 
quais o vale do Rhur. 
Em contrapartida, sob a influência da União Soviética, na Alemanha Orientalpassou a vigorar uma 
economia planificada, na qual os meios de produção eram quase integralmente controlados pelo Estado. Es-
truturou-se uma ditadura de partido único, o Partido Socialista Unificado, criado em 1946, nos moldes do 
Partido Comunista da União Soviética. Havia, portanto, um monopólio político e econômico por parte do 
Estado. A produtividade crescia lentamente e o parque industrial aos poucos foi se defasando tecnologica-
mente. O padrão de vida e de consumo não acompanhou os níveis ocidentais, gerando um descontentamento 
popular que só não aflorava por causa da censura e da repressão política. 
A Alemanha Ocidental, capitalista, organizou-se sob um sistema econômico estruturalmente mais 
competitivo e dinâmico e beneficiou-se muito da Guerra Fria: recebeu 1,4 bilhão de dólares do Plano Mars-
hall. Esse fato, aliado à sua entrada em organizações supranacionais, como a Comunidade Econômica Euro-
peia (atual União Europeia), foi fundamental para sua rápida reconstrução econômica no pós-guerra, o que 
aprofundou as diferenças entre as duas Alemanhas. 
Ao ocorrer a reunificação política, em 1990, as diferenças sociais, econômicas, políticas e culturais en-
tre os dois sistemas afloraram nitidamente no novo país. O contraste de padrão de vida, comportamentos, 
ideias e costumes entre alemães do oeste e do leste revelavam um distanciamento muito maior do que o ini-
cialmente esperado. Entretanto, passados mais de vinte anos da reunificação, apesar de algumas diferenças 
socioeconômicas que ainda persistem – por exemplo, o desemprego e a pobreza no leste são maiores – a 
Alemanha voltou a ser um único Estado-nação. 
27 
 
A trajetória político-econômica da Alemanha após a Segunda Guerra nega as afirmações de Ratzel no 
final de seu texto. Apesar de suas perdas territoriais (mesmo com a reunificação não possui a mesma exten-
são que tinha antes do grande conflito bélico), o país não entrou em decadência; ao contrário, tornou-se uma 
das maiores potências econômicas do mundo, com um parque industrial muito moderno e competitivo. 
 
Distribuição das indústrias 
As indústrias alemãs foram reconstruídas, em sua maioria, nos mesmos lugares que ocupavam antes da 
Segunda Guerra. A região de maior concentração continuou sendo a confluência dos rios Ruhr e Reno, pelas 
mesmas razões do passado: reservas de carvão, facilidade de transporte, disponibilidade de mão de obra e 
amplo mercado consumidor. Porém, após a guerra houve uma rápida modernização do parque industrial e 
ganhos significativos de produtividade em relação ao parque industrial britânico e francês. Além disso, antes 
da guerra a Alemanha já possuía mão de obra qualificada, e maiores investimentos em educação contribuí-
ram para elevar ainda mais a produtividade dos trabalhadores. 
Como afirmado anteriormente, a logística alemã é uma das melhores do mundo. Uma densa e moderna 
rede de transportes (hidroviários, ferroviários e rodoviários), armazéns e centros de distribuição interliga os 
principais polos industriais aos maiores portos do país – Hamburgo e Bremen – e ao porto de Roterdã, nos 
Países Baixos. 
Apesar de também ter havido certa dispersão, o parque industrial ainda está fortemente concentrado no 
estado da Renânia do Norte-Vestfália. Conforme se pode observar, cidades renanas como Colônia, Essen, 
Düsseldorf e Dortmund, entre outras, formam uma das maiores concentrações urbano-industriais do mundo. 
Também é possível perceber que há praticamente todos os ramos industriais na região do Ruhr, mas 
alguns merecem destaque, como o siderúrgico, o químico, o eletroeletrônico e o de refino de petróleo. Per-
cebe-se claramente a predominância de indústrias pesadas e de ramos oriundos da Segunda Revolução In-
dustrial. A reconstrução e a diversificação dos trustes, constituídos desde o final do século XIX, possibilita-
ram a formação dos grandes conglomerados que atuam em vários setores. Por exemplo, o grupo Thys-
senKrupp, com sede em Düsseldorf, é um conglomerado que atua nos setores siderúrgico, metalúrgico, me-
cânico, naval, de construção civil, entre outros, produzindo aço, máquinas industriais, elevadores, autopeças, 
submarinos, etc. 
Embora haja forte concentração nas cidades do estado da Renânia do Norte-Vestfália, o parque indus-
trial alemão está bastante espalhado pelo território, e algumas cidades de outros estados merecem atenção 
especial. 
• Stuttgart (Baden-Wurtemberg): possui importante concentração de indústrias mecânicas, principalmente 
automobilística; nessa cidade está sediado o Grupo Daimler, terceira maior corporação da Alemanha; 
• Hamburgo (Hamburgo): localizada na foz do rio Elba, é o maior porto da Alemanha e concentra, entre ou-
tras, importantes indústrias navais – como a TyssenKrupp Marine Systems, e companhias de navegação, 
como a Hamburg Süd –, da mesma forma que a vizinha Bremen; 
• Wolfsburg (Baixa Saxônia): localizada próxima à antiga fronteira com a ex-Alemanha Oriental, abriga a 
sede do Grupo Volkswagen, a maior corporação alemã (12ª da lista da Fortune Global 500-2012) e a se-
gunda produtora mundial de automóveis (atrás da japonesa Toyota). 
 
Parques tecnológicos alemães 
Como a Alemanha é um país que está na vanguarda tecnológica em diversos setores, há diversos tec-
nopolos em seu território. A seguir veremos os mais importantes. 
• Munique (Baviera) é um centro industrial antigo que, com o tempo, se transformou no mais importante 
parque tecnológico da Alemanha, onde se concentram empresas dos setores eletrônico, de tecnologia de 
informação (TI), automobilístico, de biotecnologia e aeroespacial. Implantado a partir dos anos 1970, 
abriga doze importantes universidades, como a Universidade Técnica de Munique, e renomados centros 
de pesquisa, entre os quais treze institutos dos oitenta controlados pela Sociedade Max Planck, principal 
instituição de investigação científica alemã. Aí também se localizam as principais indústrias alemãs do 
setor eletrônico, como a Siemens e a Robert Bosch, além de filiais de grandes empresas de outros países. 
• Outro importante tecnopolo alemão é o Chempark (parque químico) de Leverkusen (Renânia do Norte-
Vestfália). Nele se concentram mais de setenta empresas do setor químico-farmacêutico que atuam em 
pesquisa e desenvolvimento, produção industrial e prestação de serviços, destacando-se a Bayer, um dos 
maiores conglomerados mundiais desse ramo. 
28 
 
 
Indústrias do leste após a reunificação 
As indústrias da antiga Alemanha Oriental estão localizadas principalmente em torno das cidades de 
Leipzig, Dresden e da antiga Berlim Oriental. Elas viveram uma profunda crise após a reunificação política 
e muitas fecharam as portas porque eram defasadas tecnologicamente e não conseguiram concorrer com as 
indústrias ocidentais, que estão entre as mais modernas e produtivas do mundo. 
O símbolo mais emblemático da defasagem tecnológica e da baixa competitividade das indústrias do 
leste pode ser resumido numa palavra: Trabant. Mais conhecidos como Trabi, esses carros eram fabricados 
na antiga RDA. Com a abertura da fronteira, muitos alemães orientais passaram a viajar à RFA dirigindo 
esses carros antiquados – vagarosos, barulhentos e de baixo rendimento, além de poluidores – que “invadi-
ram” o território dos Mercedes-Benz, BMW, Audi e Volkswagen, entre os mais conceituados automóveis do 
mundo. Resultado: muitos Trabis eram abandonados por seus proprietários, que já não queriam os produtos 
tecnologicamente defasados que eles mesmos fabricavam, e acabavam virando sucata! 
Na economia planificada da Alemanha Oriental havia pleno emprego, porque o Estado era o único 
empregador e as empresas, estatais, não se orientavam pela concorrência. Após a reunificação, muitas delas 
foram compradas por empresas do oeste. Seus novos administradores, para enxugar o quadro de funcioná-
rios, demitiram trabalhadores, o que elevou os índices de desemprego e agravou os problemas sociais. 
Para impedir que se agravassemas desigualdades socioeconômicas, a partir da reunificação o governo 
despendeu vultosos recursos para modernizar a infraestrutura da ex-RDA. Esses gastos provocaram aumento 
do deficit público, obrigando o governo a emitir moeda, o que elevou a taxa de inflação. Tentando minimizar 
esses problemas, o Bundesbank (o banco central alemão) manteve, ao longo de 1992 e 1993, uma política de 
altas taxas de juros, medida que causou desaceleração do crescimento econômico e levou o país à recessão, 
em 1993, com o consequente aumento do desemprego. 
Na segunda metade da década de 1990, a gradativa redução da inflação, do deficit público e do de-
semprego permitiram que a economia alemã retomasse o crescimento, mas o país, um dos mais atingidos 
pela crise financeira de 2008/2009, enfrentou forte recessão em 2009. Apesar disso, a economia alemã já 
demonstrou sinais de recuperação em 2010. 
Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2008 a Alemanha exportou 1,462 trilhão de 
dólares, mas em 2010 o volume das exportações caiu para 1,269 trilhão de dólares (o principal mercado dos 
produtos alemães são os países da União Europeia, onde naquele momento a crise era mais grave). Com 
isso, o país perdeu para a China, cujas vendas externas somaram 1,578 trilhão naquele ano, a posição de 
maior exportador do mundo. Na pauta de exportações alemãs predominam produtos industriais de alto valor 
agregado, portanto, muito valorizados. De acordo com o Relatório de desenvolvimento industrial 2011, da 
Unido (Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas), em 2009 93,4% das exportações do 
país eram de bens industrializados, dos quais 71,3% são produtos de média e alta tecnologia. Quando ocor-
rer a retomada do crescimento na União Europeia, o país deverá ampliar suas exportações. 
Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2008 a Alemanha exportou 1,462 trilhão de 
dólares, mas em 2010 o volume das exportações caiu para 1,269 trilhão de dólares (o principal mercado dos 
produtos alemães são os países da União Europeia, onde naquele momento a crise era mais grave). Com 
isso, o país perdeu para a China, cujas vendas externas somaram 1,578 trilhão naquele ano, a posição de 
maior exportador do mundo. Na pauta de exportações alemãs predominam produtos industriais de alto valor 
agregado, portanto, muito valorizados. De acordo com o Relatório de desenvolvimento industrial 2011, da 
Unido (Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas), em 2009 93,4% das exportações do 
país eram de bens industrializados, dos quais 71,3% são produtos de média e alta tecnologia. Quando ocor-
rer a retomada do crescimento na União Europeia, o país deverá ampliar suas exportações. 
 
5.5.4 - JAPÃO 
O primeiro contato dos japoneses com os europeus se deu no início do século XVI, com a chegada dos 
comerciantes e evangelizadores portugueses, que lá permaneceram por cerca de cem anos. Entretanto, com a 
ascensão do xogunato Tokugawa, em 1603, os estrangeiros foram proibidos de entrar no país (inclusive os 
portugueses), e os japoneses, de sair. Com isso o Japão permaneceu bastante isolado do mundo exterior no 
período em que foi governado pelo clã Tokugawa. Havia apenas uma exceção: as trocas comerciais feitas 
com os holandeses, que mantinham um entreposto comercial em Nagasaqui. Por isso, quando uma esquadra 
29 
 
da marinha norte-americana aportou no Japão em 1853, fato que marcou o fim desse período de isolamento, 
encontrou um país ainda feudal e defasado economicamente em relação ao mundo ocidental. 
Tentando realizar seu projeto geopolítico de controle dos oceanos, os norte-americanos forçaram a 
abertura do Japão por meio do Tratado de Kanagawa, assinado em 1854. Essa abertura acelerou a desinte-
gração do sistema feudal japonês e, em 1868, encerrou-se o domínio do clã Tokugawa e do próprio regime 
do xogunato. Por que o Japão permaneceu isolado durante tanto tempo? Por que os europeus e, particular-
mente, os britânicos, que estenderam seu império à Índia e à China, não forçaram a entrada no país do Sol 
Nascente? 
O Japão é um país insular muito pequeno (sua área, de 377 mil quilômetros quadrados, corresponde 
aos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina), formado por montanhas e estreitas planícies, portan-
to, com pouquíssimas terras agricultáveis, a maioria na zona temperada do planeta, a qual não oferecia con-
dições para o cultivo dos cobiçados produtos tropicais, como a cana e o algodão, entre outros. Geologica-
mente, o Japão é formado por uma combinação de dobramentos e vulcanismo. Localiza-se numa zona de 
contato de três placas tectônicas, no Círculo de Fogo do Pacífico, o que explica sua grande instabilidade 
geológica, além de um subsolo extremamente pobre em minérios e combustíveis fósseis. 
Assim, o que o Japão poderia oferecer às potências colonialistas, tanto na fase do mercantilismo, co-
mo, mais tarde, na etapa do imperialismo? Como se percebe, muito pouco, por isso o país não despertou 
tanto interesse nos comerciantes e industriais europeus. 
Entretanto, no final do século XIX, quando os Estados Unidos emergiram como potência e se lança-
ram em busca de pontos estratégicos nos oceanos Pacífico e Atlântico, o Japão se tornou um país interessan-
te para os norte-americanos, porque está numa posição estratégica no Pacífico, próximo à costa do leste da 
Ásia. A partir de então, para não ficarem dependentes dos Estados Unidos, os japoneses empenharam-se de 
modo enérgico em viabilizar seu processo de industrialização, por meio da intervenção do Estado na econo-
mia e do militarismo. Assim como a Alemanha e a Itália, o Japão é um país de capitalismo tardio, de imperi-
alismo tardio, e uma aliança entre esses três países foi apenas uma questão de tempo. Isso aconteceu no con-
texto da Segunda Guerra, quando formaram o eixo Berlim-Roma-Tóquio numa tentativa de dominar o mun-
do. Aos japoneses era muito interessante o domínio de territórios na Ásia que pudessem viabilizar sua ex-
pansão econômica. Eles também buscavam seu “espaço vital”. 
 
Industrialização e imperialismo 
O processo de industrialização e de modernização do Japão começou a partir de 1868, ano que marcou 
o fim do xogunato Tokugawa e a restauração do império (os japoneses acreditam que seu primeiro impera-
dor foi entronado no século VII a.C.), com a ascensão do imperador Mitsuhito. Esse novo reinado, conheci-
do como Era Meiji (‘governo ilustrado’, em japonês), estendeu-se até 1912 e foi marcado por políticas mo-
dernizantes: investimentos para a criação de infraestrutura (ferrovias, portos, minas, etc.); maciços investi-
mentos em educação, que foi universalizada e voltada à qualificação de mão de obra; abertura à tecnologia e 
aos produtos estrangeiros. A Constituição de 1889 estabeleceu o imperador como chefe “sagrado e inviolá-
vel” do Estado e também a Dieta Nacional do Japão (Parlamento). O governo também estimulou o desen-
volvimento de grandes conglomerados, que no Japão ficaram conhecidos como zaibatsus (em japonês: zai, 
‘riqueza’; batsu, ‘grupo’). Esses grupos econômicos surgiram de tradicionais e poderosos clãs de comercian-
tes e proprietários de terras, como Mitsubishi, Mitsui, Sumitomo e Yasuda, entre outros menores. Com o 
tempo, esses grupos passaram a atuar em praticamente todos os ramos industriais, além do comércio e das 
finanças. Foram incorporando empresas menores e dominando cada vez mais a economia do país (os “quatro 
grandes” zaibatsus chegaram a controlar até metade de alguns setores industriais). 
Como consequência dessa política modernizante, o Japão viveu um acelerado processo de industriali-
zação. No entanto, o país enfrentava problemas estruturais graves: escassez crônica de matérias-primas e de 
energia e limitação do mercado interno, o que levou o império japonês a se aventurar em busca de territórios 
na Ásia e no Pacífico. Para atingir tal objetivo, investiu pesado em seu fortalecimento militar, o que foi faci-
litado pelarígida disciplina xintoísta (aspecto cultural), aliada à capacidade industrial (aspecto econômico). 
A expansão territorial iniciou-se com a vitória na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), que garantiu a 
ocupação de Taiwan, e em 1910 o Japão anexou a Coreia. Posteriormente, com a vitória na guerra contra a 
Rússia (1904-1905), os japoneses tomaram as ilhas Sacalinas ao norte e, em 1931, ocuparam a Manchúria, 
parte do território chinês, onde implantaram Manchukuo, um Estado fantoche sob o governo do último im-
perador chinês, Pu Yi. 
30 
 
Com o objetivo de conquistar novos territórios, em 1937 o Japão iniciou uma confrontação total com a 
China, que se estendeu até a Segunda Guerra. Como mostra o mapa, essa conflagração mundial marcou a 
fase de maior expansão territorial nipônica, quando o país ocupou parte do Sudeste Asiático e diversas ilhas 
do Pacífico. Tal política expansionista, porém, levou o país a ser derrotado na guerra e à sua quase total des-
truição. 
Em 1941 os japoneses realizaram um ataque-surpresa à base naval de Pearl Harbor, Havaí (Estados 
Unidos), numa evidência de que superestimaram seu poderio militar. Esse ato precipitou a entrada dos norte-
americanos na guerra, o que acabou levando os japoneses à derrota. Após os Estados Unidos lançarem bom-
bas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, o Japão não teve 
alternativa a não ser se render. A rendição – assinada em setembro de 1945 no porta-aviões Missouri, atra-
cado na baía de Tóquio – foi o principal símbolo da superioridade tecnológica e militar norte-americana e, 
ao mesmo tempo, o prenúncio do papel reservado ao Japão durante a Guerra Fria: fiel aliado político e 
aguerrido adversário econômico dos Estados Unidos. 
 
Reconstrução após a segunda guerra 
Durante a ocupação, que se estendeu até 1952, quando entrou em vigor um acordo de paz assinado um 
ano antes (Tratado de São Francisco), o Japão foi governado pelo Conselho Supremo das Potências Aliadas, 
presidido pelo general norte-americano Douglas MacArthur. Nesse período, profundas reformas foram im-
postas ao país com o objetivo de modernizá-lo do ponto de vista político e econômico. Em 1947 foi aprova-
da uma lei antitruste – a Lei de Proibição dos Monopólios –, o que levou os zaibatsus à dissolução. Com 
isso, os norte-americanos pretendiam enfraquecer o poder dos grandes grupos e estimular a concorrência na 
economia japonesa. No entanto, com o tempo os zaibatsus se rearticularam e se organizaram como keiretsus. 
A Constituição, redigida e imposta pelos ocupantes em 1947, encerrou sua fase militarista ao proibir a 
intervenção externa do exército japonês, que foi transformado em força de autodefesa. Na realidade, a prote-
ção do território nipônico, até mesmo de ataques nucleares, ficou a cargo dos Estados Unidos, com quem o 
Japão assinou um tratado de defesa mútua em 1954. A Constituição também garantiu a liberdade de culto e 
estabeleceu a separação entre Estado e religião: o xintoísmo deixou de ser a religião oficial e o ensino públi-
co passou a ser laico. A independência política e a soberania foram restabelecidas em 1952, mas o impera-
dor deixou de ser considerado uma divindade e passou a colaborar ativamente com as reformas. O impera-
dor Hiroito permaneceu no poder de 1926 até sua morte, em 1989 – período denominado Era Showa (‘paz 
brilhante’, em japonês) –, quando foi substituído por seu filho Akihito, atual imperador do Japão (em 2012). 
A recuperação econômica japonesa após a Segunda Guerra foi avassaladora. Na década de 1960, o pa-
ís já tinha conquistado o terceiro lugar na economia mundial e atingiu o segundo na década de 1980 (posição 
que só perdeu para a China em 2010). Até o final dos anos 1980 o Japão foi uma das economias que mais 
cresceu no mundo; entretanto, desde a década de 1990 vem apresentando um crescimento muito baixo. Que 
fatores explicam primeiro as altas taxas de crescimento e, depois, as baixas? 
Além das intervenções modernizadoras, os Estados Unidos elegeram o Japão como o principal ponto 
de apoio asiático na luta contra o comunismo sino-soviético, estratégia que se fortaleceu, sobretudo, após a 
Revolução Chinesa de 1949. Assim, o Japão passou a se beneficiar da ajuda financeira do Tesouro dos Esta-
dos Unidos, fundamental para a recuperação de sua economia. Ainda dentro da lógica da Guerra Fria, os 
industriais japoneses tiveram altos lucros fornecendo suprimentos às guerras da Coreia (1950-1953) e do 
Vietnã (1955-1975), que foram tentativas norte-americanas de conter a expansão comunista na Ásia. 
Diversos outros fatores foram importantes para a rápida recuperação econômica do país, conhecida 
como “milagre japonês”, e os crescentes ganhos de produtividade: 
• a grande disponibilidade de mão de obra relativamente barata, disciplinada e qualificada (assim como a 
Alemanha, o Japão já possuía trabalhadores qualificados antes da Segunda Guerra); 
• os maciços investimentos estatais em educação, que melhoraram ainda mais a qualificação da mão de obra 
e, junto à iniciativa privada, em pesquisa e desenvolvimento tecnológico; 
• a reconstrução da infraestrutura e dos conglomerados (os antigos zaibatsus) em bases mais modernas e a 
gradativa introdução de novos métodos organizacionais, como o toyotismo (orientado pelo lema kaizen), 
aumentando a competitividade das empresas; 
• a desmilitarização do país e de seu parque industrial, que permitiu investimentos maiores nas indústrias 
civis de bens intermediários e de capital, o que deu sustentação ao desenvolvimento de uma poderosa e 
competitiva indústria de bens de consumo. 
31 
 
Após a Segunda Guerra, em substituição aos zaibatsus, que tinham uma holding que controlava todas 
as empresas do grupo (ou seja, possuíam uma “cabeça”), as companhias japonesas reorganizaram-se for-
mando os keiretsus (‘união sem cabeça’, em japonês). Essa palavra é perfeita para definir as redes de empre-
sas integradas que dominam a economia japonesa atual. As empresas que as formam são independentes, 
embora muitas vezes uma possua parte minoritária das ações da outra e vice-versa. Um keiretsu geralmente 
se articula em torno de algum grande banco que dá suporte financeiro às empresas da rede, as quais atuam 
de forma integrada para atingir seus objetivos. Atualmente os grandes grupos japoneses – muitos deles anti-
gos zaibatsus, como Mitsubishi, Mitsui, Sumitomo – se organizam como keiretsu. 
É importante destacar que até os anos 1970 a principal vantagem apresentada pelo Japão sobre os con-
correntes da Europa ocidental e da América do Norte foi a mão de obra barata. Essa foi a outra face do “mi-
lagre”, ou seja, a competitividade até então esteve assentada em grande medida na superexploração da força 
de trabalho. Porém, com o passar do tempo, os salários foram aumentando como decorrência da elevação da 
produtividade resultante dos avanços tecnológicos (como a robotização) e organizacionais (como o toyotis-
mo) incorporados ao processo de produção. 
Na primeira metade da década de 1990 os trabalhadores japoneses alcançaram salários bastante eleva-
dos, entre os mais altos do mundo, o que sustentou um gigantesco mercado interno e lhes assegurou um dos 
mais altos padrões de vida do mundo. Entretanto, a persistência da estagnação econômica provocou o au-
mento do desemprego e, consequentemente, a estagnação do valor dos salários. Somente a partir de 2005 
houve uma recuperação salarial. 
 
Carência de recursos naturais 
Apesar de muito carente em matérias-primas e em fontes de energia, o Japão se transformou numa 
grande potência industrial. O país possui pouquíssimas jazidas de minérios e as reservas de combustíveis 
fósseis são irrelevantes em face das necessidades de sua indústria. Mesmo o potencial hidráulico, relativa-
mente grande por causa do relevo montanhoso e do clima úmido, já há muito tempo não é suficiente para 
garantir as necessidades de consumo de energia. Com isso, o país se tornou um dosmaiores importadores de 
recursos naturais do mundo, especialmente de combustíveis fósseis e minérios metálicos. 
De acordo com o BP Statistical Review of World Energy 2011, as reservas de carvão do país são de 
350 milhões de toneladas (menos de 0,05% do total mundial), o que daria somente para dois anos de consu-
mo, e sua produção anual é de apenas 900 mil toneladas. Com isso, o Japão importa praticamente 100% do 
carvão que consome. O território japonês também abriga reservas de petróleo muito reduzidas: segundo o 
World Factbook 2012, em 2011 o país produziu 17,5 mil barris de petróleo diários (74º produtor mundial) 
para um consumo de cerca de 4,5 milhões de barris/dia (terceiro consumidor mundial). Isso significa que sua 
produção equivale a apenas 0,4% do consumo interno, o que faz do país o terceiro maior importador de pe-
tróleo do mundo. 
Conforme o relatório Minerals Yearbook 2010, o Japão importa 100% do minério de ferro, 100% do 
minério de cobre e 93% do minério de zinco que consome. Ao mesmo tempo que é grande importador de 
minério de ferro, por exemplo, é importante produtor e exportA _ m de obter saldos comerciais para com-
pensar as despesas com importações de recursos naturais e a limitação relativa de seu mercado interno, o 
Japão passou a exportar volumes cada vez maiores de produtos industrializados. Assim, a economia japone-
sa foi gradativamente se convertendo numa grande importadora de produtos primários (metade de sua pauta 
de importações) e numa gigantesca exportadora de bens industrializados,ador de aço. A Nippon Steel é a 
maior indústria siderúrgica do país e a sexta do mundo: em 2011, segundo a World Steel Association, suas 
usinas produziram 33,4 milhões de toneladas de aço (a primeira era a indo-luxemburguesa ArcelorMittal, 
com 97,2 milhões de toneladas). 
 
Principais setores industriais e sua distribuição 
O Japão é um país fortemente industrializado, e de suas fábricas sai uma gama muito diversi_ cada de 
produtos. Os bens intermediários, de capital e especialmente os de consumo de maior valor agregado, como 
os que aparecem nas fotos a seguir, são predominantes em suas vendas ao exterior. De acordo com o Relató-
rio de desenvolvimento industrial 2011, em 2009, 96,7% de sua pauta de exportações era composta de bens 
industrializados, dos quais 78,7% eram produtos de média e alta tecnologia. Especialmente a partir dos anos 
1980, os produtos “made in Japan” ganharam o mundo devido ao seu preço competitivo, sua qualidade e 
confiabilidade. 
32 
 
Como vimos, as primeiras indústrias foram implantadas no Japão no início da Era Meiji, quando teve 
início seu processo de industrialização. Inicialmente, predominavam as fábricas de produtos têxteis, que 
utilizavam seda e algodão como matéria-prima. Contudo, desde o começo do século XX, por conta das ne-
cessidades militares, o Estado e a iniciativa privada passaram a investir em indústrias intermediárias e de 
bens de capital, como siderúrgicas, químicas e de máquinas e equipamentos. As indústrias de bens de con-
sumo, porém, nunca deixaram de se expandir. Com os avanços tecnológicos, passaram a ser produzidas _ 
bras sintéticas, como o náilon, e novos setores foram se desenvolvendo, como o eletrônico, o automobilísti-
co e o mecatrônico, entre outros. 
A distribuição das indústrias no território japonês foi condicionada, entre outros fatores, por uma forte 
dependência em relação ao exterior, tanto para exportar como para importar, somada ao fato de o país ser 
insular e montanhoso. 
A insularidade e a dependência de produtos primários importados condicionaram especialmente o de-
senvolvimento da indústria naval, uma das mais importantes do país. A frota naval japonesa foi quase toda 
destruída durante a Segunda Guerra, mas, para um país com as condições geográficas do Japão, era estraté-
gico possuir uma marinha mercante bem equipada. Por isso o governo incentivou o desenvolvimento dessa 
indústria: protegeu o mercado interno e assegurou encomendas para mantê-la funcionando. Com o tempo, os 
investimentos em tecnologia, a qualificação da mão de obra e a elevação da produtividade transformaram a 
indústria naval do país na maior e mais competitiva do mundo: em meados dos anos 1980, chegou a respon-
der por quase 60% das encomendas mundiais de navios. Com o crescimento da concorrência de países onde 
os custos de produção são menores, o Japão foi perdendo terreno. No início dos anos 2000 sua indústria na-
val foi superada pela coreana e, em meados daquela década, pela chinesa. Segundo a Associação Japonesa 
de Construtores Navais, em 2008 a Coreia do Sul foi responsável por 40,5% das encomendas mundiais de 
novos navios, a chinesa, por 33,4%, e a japonesa, por 16,8%. 
Assim, a maior parte do parque industrial japonês situa-se próximo aos grandes portos, nas estreitas 
planícies litorâneas, onde, além da facilidade de transporte, historicamente a população se concentrou em 
razão da possibilidade de praticar a agricultura do arroz, a mais importante do país. Com a industrialização, 
a população foi se instalando em torno dessas cidades portuárias, principalmente na costa voltada para o 
Pacífico, onde hoje se localizam as maiores concentrações urbano-industriais do país. 
No sudeste da ilha de Honshu (a maior do país em extensão) fica a segunda aglomeração urbano-
industrial do mundo, e no eixo Tóquio-Osaka encontra-se o trecho mais importante da megalópole japonesa. 
Extremamente diversificado, esse cinturão industrial concentra cerca de 80% da produção do país, e as regi-
ões de Tóquio e Osaka, sozinhas, são responsáveis por cerca da metade desse total. Nessas duas cidades es-
tão 81% das sedes administrativas das maiores corporações japonesas constantes da lista da revista Fortune 
Global 500 2012 (69% em Tóquio). As sedes administrativas das grandes corporações, assim como suas 
respectivas fábricas, são muito mais concentradas espacialmente no Japão (principalmente na região da capi-
tal) do que nos Estados Unidos e na Alemanha. 
 
Principais parques tecnológicos 
O Japão, ao lado dos Estados Unidos e da União Europeia, é o líder em novas tecnologias na atual Re-
volução Informacional. O país abriga diversos centros de pesquisa e inúmeras indústrias de alta tecnologia, 
concentrados principalmente em seus dois mais importantes tecnopolos, ou cidades da ciência, como os ja-
poneses denominam seus parques tecnológicos: Tsukuba e Kansai. 
A Cidade da Ciência de Tsukuba, no município de Ibaraki, a 60 quilômetros a nordeste de Tóquio, é o 
principal tecnopolo do país e um dos mais importantes do mundo (localize-a no mapa da página 191). Sua 
implantação começou na década de 1960, com investimentos estatais, e, ao longo dos anos 1970 e 1980, 
recebeu diversos centros de pesquisas governamentais. Em 2010 existiam 55 institutos públicos e privados 
de educação e pesquisa em funcionamento, entre eles a Universidade de Tsukuba, a Agência de Exploração 
Aeroespacial do Japão, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada, o Instituto Nacio-
nal de Estudos Ambientais. Desde meados dos anos 1980, com a consolidação desse parque tecnológico, 
ocorreu a instalação de muitas empresas privadas em seu interior. 
A Cidade da Ciência de Kansai abrange os municípios de Kyoto, Osaka e Nara; por isso esse tecnopo-
lo também é conhecido pelo acrônimo Keihanna (Kei = Kyoto, Han = Osaka, Na = Nara). Trata-se da se-
gunda região mais industrializada do Japão, e sua implantação começou em meados dos anos 1980. Porém, 
diferentemente deTsukuba, que é um empreendimento predominantemente estatal, em Kansai há uma forte 
33 
 
presença de laboratórios de empresas privadas, como a Panasonic e a Canon. Lá também há importantes 
universidades e centros de pesquisa públicos e privados geradores de tecnologias inovadoras: Universidade 
de Osaka, Instituto de Ciência e Tecnologia de Nara, Instituto Internacional de Pesquisas Avançadas em 
Telecomunicações em Kyoto, entre outros.Um dos mais importantes setores de alta tecnologia em que o 
Japão é líder mundial, e que pressupõe o domínio da microeletrônica e da mecânica, é a robótica. O país 
domina o desenvolvimento e a aplicação da robótica ao processo produtivo. A utilização de robôs, sobretudo 
na indústria automobilística, que é o setor mais automatizado da economia nipônica, foi um dos principais 
fatores que colaboraram para o grande aumento da produtividade e da competitividade de seu parque indus-
trial. Em 2012, havia no Japão dezenas de empresas produzindo robôs industriais, tanto para o mercado in-
terno como para exportação. A Fanuc, a maior delas, tem sede em Yamanashi e filiais em outras cidades do 
Japão e em outros países, como Estados Unidos, Alemanha, China, Coreia do Sul e Brasil. 
Apesar de o Japão manter a liderança da produção e utilização de robôs industriais, a crise de 
2008/2009 atingiu fortemente sua economia e levou a uma diminuição dos estoques em operação. Em 2008, 
34% dos robôs industriais em funcionamento no mundo operavam em fábricas japonesas, mas em 2009 esse 
percentual se reduziu para 33% e havia previsão de redução para 24% em 2012. 
 
Crises econômicas 
O grande sucesso econômico do Japão resultou de uma eficiente combinação de livre mercado com 
planejamento estatal. O influente Ministério da Indústria e do Comércio Internacional, criado em 1951, teve 
papel importante na elaboração de diretrizes macroeconômicas de longo prazo. Em 2001, após passar por 
um processo de reorganização, teve seu nome mudado para Ministério da Economia, Comércio e Indústria. 
Funcionando em sintonia com os grandes grupos econômicos, após a Segunda Guerra o Estado japonês deu 
sustentação e apoio à competição para a conquista de mercados no exterior. 
Entretanto, no início dos anos 1990 a economia japonesa perdeu fôlego e entrou em um período de es-
tagnação que de certa forma foi consequência do sucesso dos anos anteriores. O grande acúmulo de riquezas 
no país levou os agentes econômicos a uma crescente especulação com ações, o que provocou uma enorme 
alta na Bolsa de Valores de Tóquio e também dos imóveis, que atingiram valores estratosféricos. Os bancos 
japoneses, que na época chegaram a ocupar oito das dez primeiras posições entre os maiores grupos finan-
ceiros do mundo, segundo o relatório World Investiment Report 2012, da Unctad, emplacaram apenas dois 
entre os dez maiores, considerando o patrimônio: o Mitsubishi UFJ Financial Group e o Mizuho Financial 
Group. A concessão de grandes empréstimos sem critério, principalmente para o mercado imobiliário, gerou 
grande especulação nesse setor. Essa bolha especulativa – financeira e imobiliária – estourou no início dos 
anos 1990. Os valores das ações e dos imóveis despencaram, fazendo a crise se propagar pela economia real 
e provocar o fechamento de empresas e o aumento do desemprego. Os bancos, não tendo como receber dos 
devedores, deixaram de fazer novos empréstimos. Muitas empresas (industriais e comerciais) e instituições 
financeiras (bancos, seguradoras, corretoras de valores, etc.) foram à falência, levando o país à estagnação 
econômica. 
Agravando esse quadro, a população, receosa com a crise, passou a poupar mais, o que reduziu ainda 
mais os níveis de consumo. Esse fato, além de aumentar a historicamente alta taxa de poupança interna, difi-
cultou a retomada do crescimento econômico. Com isso, a economia japonesa cresceu nos anos 1990 apenas 
1% na média anual, e nos anos 2000 foi ainda pior: 0,9% (recordando: na década de 1980 o crescimento 
médio anual havia sido de 4,1%). 
Como mostram os dados do gráfico abaixo, a economia japonesa estava esboçando uma reação em 
meados dos anos 2000, mas com a crise mundial de 2008/2009 o país entrou novamente em recessão. 
Apesar da estagnação que viveu nos anos 1990 e 2000 e de ter sido um dos países mais atingidos pela 
crise de 2008/2009, o Japão permanece como terceiro PIB do mundo ( foi superado pela China em 2010) e é 
uma potência industrial de primeira linha: moderna e competitiva. O país sedia algumas das maiores corpo-
rações transnacionais do planeta, com destaque para Toyota, Nissan e Honda (automóveis); Hitachi, Panaso-
nic e Sony (eletrônicos em geral); Mitsubishi, Mitsui e Sumitomo (navios, automóveis, bancos, etc.); Fujitsu 
e NEC (computadores e softwares); Canon e Fujifilm (equipamentos fotográficos); Nippon Steel (aço), todas 
na lista das 500 maiores da revista Fortune. 
 
 
 
34 
 
5.5.5 - UNIÃO EUROPEIA: rumo à integração industrial? 
A Europa foi o berço das primeiras grandes aglomerações industriais do planeta, na maioria polariza-
das pela presença de complexos siderúrgicos. Na pioneira Grã-Bretanha, a siderurgia assentou-se sobre as 
reservas de hulha do Black Country (Birmingham), do País de Gales e do sul da Escócia. 
Na Alemanha, o Vale do Rio Ruhr tornou-se a maior região siderúrgica da Europa. A hulha do Ruhr e 
das reservas menores na Bélgica abastecia também as indústrias francesas, através do sistema fluvial do Rio 
Reno e de seus afluentes. Essa integração industrial franco-alemã transformou as ricas regiões da fronteira 
em foco de disputas geopolíticas e militares, que se estenderam do século XIX à Segunda Guerra Mundial. 
No pós-guerra, o tratado da Comunidade Européia do Carvão e do Aço (Ceca) transformou a disputa em 
colaboração ativa, unificando fretes e tarifas em toda a bacia do Rio Reno. 
Entretanto, apesar da integração precoce de parte da siderurgia, a lógica das economias nacionais é que 
presidiu a implantação da atividade industrial no continente. 
Cada país tinha seu mercado, delimitado e regulado por uma moeda nacional, no interior do qual as 
empresas traçavam suas estratégias de localização. 
Assim, diversos setores industriais europeus desenvolveram estruturas paralelas. Não existe, por 
exemplo, uma indústria automobilística europeia, mas sim indústrias automobilísticas francesas, alemãs e 
italianas. A localização das sedes e das unidades produtivas dessas empresas foi escolhida em função de 
fatores internos a cada um desses países. É por isso que é muito difícil comparar o espaço industrial da Uni-
ão Européia com o dos Estados Unidos, apesar de se tratar de economias de dimensões similares. A produ-
ção do espaço industrial estadunidense se deu no interior de um único mercado nacional, regulado por uma 
única moeda - o dólar. 
Na Alemanha, principal potência econômica da União Européia, o complexo industrial do Reno-Ruhr 
continua a ocupar lugar de destaque, mas existem muitos outros polos industriais importantes, comandados 
principalmente pelas indústrias mecânicas, químicas e eletrônicas. 
Na França, os principais centros industriais desses mesmos setores espalham-se no centro-norte do pa-
ís, destacando-se a região parisiense, a Alsácia-Lorena e a região da cidade de Lion. 
Na Grã-Bretanha, grande parte dos novos investimentos se direciona para a região de Londres, que 
concentra indústrias químicas e mecânicas. As velhas regiões industriais carboníferas, por sua vez, há déca-
das enfrentam um quadro de crise econômica e social generalizada. Na Itália, os centros industriais mais 
importantes, ligados principalmente à siderurgia e às indústrias mecânicas, situam-se em Turim, Milão e 
Gênova, no norte do país. 
O aprofundamento da integração econômica entre os países da União Européia, coroado em janeiro de 
1999 com a adoção de uma moeda única - o euro -, abriu o caminho para uma profunda reorganização espa-
cial da indústria européia. Contando com um espaço monetário unificado, as empresas e os setores industri-
ais tendem a traçar suas estratégias locacionais visando o conjunto do mercado europeu. Os processos de 
fusão entre empresas, de eliminação de unidades produtivas redundantes e de mudança de localização de 
fábricas refletem as necessidades geradas pela concorrência em escala européia. 
A integração também parece ser o caminho da indústria de alta tecnologia. Coma criação de grandes 
consórcios de pesquisa e desenvolvimento, as empresas européias buscam enfrentar a concorrência com o 
Japão e os Estados Unidos. A indústria aeronáutica ilustra esse fenômeno, tal como mostra o caso da Airbus. 
 
5.5.6 - CEI: da desconcentração estratégica ao modelo exportador 
Na antiga União Soviética, o processo de industrialização foi marcado pelo controle estatal sobre os 
meios de produção e pelo planejamento centralizado. Nesse caso, as estratégias de localização industrial não 
derivaram de fatores econômicos; elas resultaram de escolhas políticas. 
Dispondo de imensas reservas de carvão, petróleo e minérios nos Montes Urais, na Ásia Central e na 
Sibéria ocidental, o Estado investiu intensamente na criação de regiões industriais dispersas, associadas aos 
recursos naturais. Essa dispersão funcionava como uma medida de segurança, tornando a indústria soviética 
menos vulnerável na hipótese de uma guerra. 
Assim, a indústria de base do país desenvolveu-se em cinturões sucessivos, ao longo do traçado da 
Ferrovia Transiberiana. Cada um desses cinturões organiza-se em torno de um polo produtivo de grandes 
dimensões, nucleado por algumas usinas gigantescas. A indústria de bens de consumo, que jamais conheceu 
um grande desenvolvimento, apresenta maior difusão espacial e atende aos mercados locais. 
35 
 
Quando a União Soviética deixou de existir, a indústria pesada (que transforma produtos brutos em 
semi-elaborados) enfrentava problemas agudos de defasagem tecnológica. O vasto processo de privatização 
das empresas estatais implicou o fechamento de unidades produtivas obsoletas, com queda abrupta da pro-
dução, do emprego e do PIB. 
Mas, no contexto da implantação da economia de mercado na área da CEI, o setor industrial representa 
forte atrativo para as corporações transnacionais. A indústria pesada está assentada sobre ampla base de re-
cursos naturais, dispõe de mão-de-obra qualificada e opera com baixos custos de trabalho. Essas vantagens 
comparativas fundamentam o novo modelo exportador que se consolida na Rússia, principal herdeira da 
indústria pesada soviética, e mais lentamente em algumas outras repúblicas da CEI. 
O setor energético está no centro da reconversão da economia russa. Atualmente, a exportação de pro-
dutos primários - principalmente petróleo bruto e gás natural- representa mais de 40% do total, e as manufa-
turas básicas - o aço, o alumínio e os produtos da indústria mineral- equivalem a cerca de 30% das vendas 
externas totais. 
 
5.5.7 - CHINA: uma nova potência industrial 
A China se tornou uma potência industrial e exportadora nos últimos decênios. A política de liberali-
zação e abertura econômica lançada em 1978 abriu o país para os investimentos estrangeiros. 
As vantagens concedidas pelo governo às companhias transnacionais e a mão-de-obra barata abundan-
te transformaram o país em uma das mais importantes plataformas de exportação de bens de consumo do 
mundo, em especial nos setores intensivos em mão-de-obra, tais como têxteis e de brinquedos. A participa-
ção do país no comércio mundial passou de menos de 1 % em 1973 para perto de 8% em 2006. A concor-
rência com os produtos chineses vem provocando falências generalizadas em vastas regiões industriais do 
mundo subdesenvolvido. 
 A internacionalização da economia acelerou as transformações estruturais no espaço chinês, aprofun-
dando as diferenças de renda entre a cidade e o campo e entre a indústria e a agricultura. O ponto de partida 
das reformas industriais foi a criação das Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), em 1984, que funcionam 
como verdadeiros enclaves econômicos internacionalizados. As empresas instaladas em ZEEs beneficiam-se 
de legislação especial. A maioria desses enclaves situa-se em cidades do litoral sudeste ou em polos urbanos 
dos vales dos rios Yang-Tsé e Huang-Ho. 
O litoral, onde se concentram as principais cidades, configura-se como espaço econômico internacio-
nalizado. O dinamismo econômico dessa faixa, onde a renda per capita é mais elevada, difunde-se aos pou-
cos e através dos vales fluviais para o cinturão agrícola interior. Nessas províncias essencialmente rurais, a 
agricultura percorre uma trajetória desigual de modernização e libera numeroso contingente de trabalhadores 
para o litoral industrializado. As estimativas indicam que mais de 100 milhões de pessoas estão em perma-
nente migração na China, constituindo força de trabalho temporária nos polos urbanos e industriais. 
A indústria pesada, por sua vez, concentra-se na Manchúria, que dispõe de vastas reservas de carvão 
mineral e importantes jazidas de ferro. O complexo estatal de indústrias de base instalado nessa região ga-
rante ao país o primeiro lugar na produção mundial de aço. Contudo, essa área sofre de problemas estrutu-
rais de defasagem tecnológica. 
 
EXERCÍCIOS 
01. Uma mesma empresa pode ter sua sede administrativa onde os impostos são menores, as unidades de 
produção onde os salários são os mais baixos, os capitais onde os juros são os mais altos e seus executivos 
vivendo onde a qualidade de vida é mais elevada. 
SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001 (adaptado). 
No texto estão apresentadas estratégias empresariais no contexto da globalização. uma consequência social 
derivada dessas estratégias tem sido: 
A) o crescimento da carga tributária. 
B) o aumento da mobilidade ocupacional. 
C) a redução da competitividade entre as empresas. 
D) o direcionamento das vendas para os mercados regionais. 
E) a ampliação do poder de planejamento dos estados nacionais. 
 
36 
 
02. A evolução do processo de transformação de matérias-primas em produtos ac abados oc orreu em três 
estágios: artesanato, manufatura e maquinofatura. Um desses estágios foi o artesanato, em que se: 
A) trabalhava conforme o ritmo das máquinas e de maneira padronizada. 
B) trabalhava geralmente sem o uso de máquinas e de modo diferente do modelo de produção em série. 
C) empregavam fontes de energia abundantes para o funcionamento das máquinas. 
D) realizava parte da produção por cada operário, com uso de máquinas e trabalho assalariado. 
E) faziam interferências do processo produtivo por técnicos e gerentes com vistas a determinar o ritmo de 
produção. 
 
03. Considere o papel da técnica no desenvolvimento da constituição de sociedades e três invenções tecno-
lógicas que marcaram esse processo: invenção do arco e flecha nas civilizações primitivas, locomotiva nas 
civilizações do século XIX e televisão nas civilizações modernas. 
A respeito dessas invenções são feitas as seguintes afirmações: 
 I. a primeira ampliou a capacidade de ação dos braços, provocando mudanças na forma de organização 
social e na utilização de fontes de alimentação. 
 II. a segunda tornou mais eficiente o sistema de transporte, ampliando possibilidades de locomoção e pro-
vocando mudanças na visão de espaço e de tempo. 
III. a terceira possibilitou um novo tipo de lazer que, envolvendo apenas participação passiva do ser huma-
no, não provocou mudanças na sua forma de conceber o mundo. Está correto o que se afirma em: 
A) I, apenas. 
B) I e II, apenas. 
C) I e III, apenas. 
D) II e III, apenas. 
E) I, II e III. 
 
04. Os fatores locacionais da indústria passaram por grandes modificações, desde o século XVIII, alterando 
as decisões estratégicas das empresas acerca da escolha do local mais rentável para seu empreendimento. 
O esquema ao lado apresenta alguns modelos de localização 
da siderurgia, considerando os fatores locacionais mais im-
portantes para esse tipo de indústria: minério de ferro, carvão 
mineral, mercado e sucata. 
No caso dos modelos C e D, as mudanças socioeconômicas 
que justificam as escolhas de novos locais para 
instalação de usinas siderúrgicas nas últimas décadas são, 
respectivamente: 
A) dispersão dos mercados consumidores – revalorização das 
economias de aglomeração. 
B) eliminaçãodos encargos com a mão de obra – generaliza-
ção das redes de telecomunicação. 
C) diminuição dos preços das matérias-primas – substituição 
de fontes de energia tradicionais. 
D) redução dos custos com transporte – ampliação das práti-
cas de sustentabilidade ambiental. 
 
05. Sobre os diferentes tipos de indústrias e a sua dinâmica espacial, assinale o que for correto. 
A) as indústrias de bens de produção ou de base produzem bens para outras indústrias, gastam muita energia 
e transformam grandes quantidades de matérias-primas. são exemplos desse tipo de indústrias: petroquí-
micas, metalúrgicas, siderúrgicas, entre outras. 
B) as indústrias de bens de capital ou intermediárias produzem máquinas, equipamentos, ferramentas ou 
autopeças para outras indústrias, como, por exemplo, as indústrias dos componentes eletrônicos e a de 
motores para carros ou aviões. 
C) as indústrias de ponta estão ligadas ao emprego de alta tecnologia, elevado capital e de número grande de 
trabalhadores qualificados. elas dependem de inovações constantes para que sejam possíveis modifica-
ções rápidas no processo de produção. 
 
37 
 
D) a partir de 1990, intensificou-se no Brasil o processo de desconcentração industrial, ou seja, muitas in-
dústrias deixaram áreas tradicionais e instalaram unidades fabris em novos espaços na busca de vantagens 
econômicas, como incentivos fiscais, menores custos de produção, mão de obra mais barata, mercado 
consumidor significativo e atuação sindical fraca. 
E) as indústrias de bens de consumo estão divididas em duráveis e não duráveis. a primeira se refere à indús-
tria de automóveis, eletrodomésticos e móveis. Já as não duráveis estão ligadas ao setor de vestuário, ali-
mentos, remédios e calçados. 
 
06. A organização do espaço geográfico através de redes de comunicação eliminou a necessidade de fixar as 
atividades econômicas num determinado lugar. Isso vale para um gr ande número de serviços, que podem 
ser prestados a partir de qualquer lugar do mundo para qualquer outro, bastando que estes locais estejam 
conectados. 
Sobre essas redes de comunicação, é correto afirmar que: 
A) eliminaram as restrições produtivas dos diferentes espaços geográficos, criando condições de trabalho 
igualitárias em todos os países do mundo. 
B) contribuíram, pela velocidade da informação e diversidade de serviços, para a dispersão geográfica dos 
processos produtivos industriais, cujas etapas estão localizadas em diferentes países. 
C) possibilitaram a disseminação dos lucros das empresas multinacionais, pela interligação de sistemas in-
dustriais de produção. 
D) ampliaram as trocas no comércio internacional, mas não possibilitaram grandes transformações na orga-
nização do espaço geográfico mundial. 
E) diminuíram, por sua ampliação, as desigualdades sociais entre os países, tendência mundial da atualidade. 
 
07. Leia o texto a seguir. 
Seguindo uma tendência observada nas empresas européias e americanas, alguns investidores brasileiros 
estão migrando parte de seus negócios da China para o Vietnã. Os setores calçadista e têxtil são os que 
mais observaram esse tipo de mudança, com a instalação principalmente de fábricas americanas e europei-
as no Vietnã. Em estudo divulgado em março, a Câmara de Comércio Americana de Xangai, a AmCham, 
apontou que 88% das empresas estrangeiras sondadas optaram inicialmente por operar na China por cau-
sa dos baixos custos, porém, 63% dessas afirmaram que se mudariam ao Vietnã para cortar ainda mais o 
preço de produção. 
<www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080709_vietannegociosmw.shtml>. adaptado. 
Pode ser associada ao conteúdo da notícia a seguinte afirmação: 
A) atualmente, grande parte das empresas multinacionais é originária dos países subdesenvolvidos e aí estão 
instaladas. 
B) embora seja objeto de investimentos capitalistas, o sistema socialista chinês ainda afugenta as empresas 
multinacionais. 
C) a globalização facilitou a mobilidade de capitais e empresas, aumentando a competição entre países. 
D) nos países asiáticos, o alto custo da mão de obra é compensado pela abundância de matérias-primas mi-
nerais baratas. 
E) a abertura comercial propiciada pela globalização permitiu às empresas brasileiras concorrerem com as 
dos países europeus. 
 
08. Por referência a dinâmica e o desenvolvimento do modo de produção capitalista em relação à organiza-
ção do espaço geográfico e aos problemas ambientais, analise: 
 I. a internacionalização dos problemas ambientais durante a 2 a revolução Industrial foi uma consequência 
das disputas interimperialistas ocorridas a partir da unificação alemã e italiana, que se constituíram como 
novos países capitalistas. 
 II. o espaço geográfico mundial, após a crise de 1929, teve uma intensa reorganização produtiva, conside-
rando a aplicação da política de bem-estar social, o taylorismo/fordismo e o just in time, estruturas admi-
nistrativas que possibilitam a produção/reprodução ampliada do capital. 
III. os problemas da organização do espaço geográfico têm relação direta com as categorias de análise cen-
tral da geografia, como paisagem, região, espaço, território e lugar, sendo estes, em muitos momentos, 
adjetivados como meio ambiente. 
38 
 
IV. a produção em série e o consumo de massa, implantados com o New Deal, estão na base da crise pela 
qual passa a economia americana nos dias atuais. 
São corretas: 
A) I, II, III, IV 
B) II, III, IV 
C) II, IV 
D) II, III 
E) I, II, III 
 
09. São as principais características do Vale do silício, nos Estados Unidos: 
A) localizado no oeste dos Estados Unidos, próximo a importantes centros de pesquisa, forma um complexo 
industrial com destaque para os ramos típicos da terceira revolução Industrial. 
B) também conhecido por cinturão (belt), constitui-se na principal área produtora de cereais dos Estados 
Unidos, sobretudo de milho e trigo, além de pecuária intensiva. 
C) formado por erosão glacial, constitui-se numa área de preservação permanente, onde se destacam as faias, 
as sequoias e as bétulas, espécies típicas da floresta boreal. 
D) localizado no nordeste dos EUA, constitui-se numa área de antiga concentração industrial, destacando-se 
as indústrias de bens de produção pela abundância de matérias-primas, energia e mão de obra e pela fa-
cilidade de transporte. 
E) é uma das principais áreas de extração mineral, sobretudo de silício, cobre e ferro, altamente prejudicada 
pela degradação do meio ambiente. 
 
10. Os chineses não atrelam nenhuma condição para efetuar investimentos nos países africanos. Outro pon-
to interessante é a venda e compra de grandes somas de áreas, posteriormente cercadas. Por se tratar de 
países instáveis e com governos ainda não consolidados, teme-se que algumas nações da África tornem-se 
literalmente protetorados. 
BrancolI, F. China e os novos investimentos na África : neocolonialismo ou mudanças na arquitetura global? 
Disponível em: <http://opiniaoenoticia.com.br>. acesso em: 29 abr. 2010. (adaptado). 
 
A presença econômica da china em vastas áreas do globo é uma realidade do século XXI. a partir do texto, 
como é possível caracterizar a r elação econômica da china com o continente africano? 
A) Pela presença de órgãos econômicos internacionais como o Fundo monetário Internacional (FMI) e o 
Banco Mundial, que restringem os investimentos chineses, uma vez que estes não se preocupam com a 
preservação do meio ambiente. 
B) Pela ação de ONGs (Organizações não Governamentais) que limitam os investimentos estatais chineses, 
uma vez que estes se mostram desinteressados em relação aos problemas sociais africanos. 
C) Pela aliança com os capitais e investimentos diretos realizados pelos países ocidentais, promovendo o 
crescimento econômico de algumas regiões desse continente. 
D) Pela presença cada vez maior de investimentos diretos, o que pode representar uma ameaça à soberania 
dos países africanos ou manipulação das ações destes governos em favor dos grandesprojetos. 
E) Pela presença de um número cada vez maior de diplomatas, o que pode levar à formação de um mercado 
comum sino-africano, ameaçando os interesses ocidentais. 
 
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ÍNDICE DO MÓDULO 3 DE HISTÓRIA 
 
Continuação do Capítulo II 
13) As Grandes Invenções ....................................................................................................................... 01 
 
Capítulo III (A Idade Moderna) 
1) A Grande Crise dos Séculos XIV e XV ............................................................................................... 03 
2) A Revolução Comercial e o Mercantilismo ......................................................................................... 04 
3) A Transição para a Idade Moderna ......................................................................................... ............. 04 
4) Os Estados Modernos e o Mercantilismo ............................................................................................ 05 
5) A Expansão Comercial ........................................................................................................................ 06 
 
Capítulo IV (As Nações) 
1) Portugal ........................................................................................................................ ....................... 14 
1.1) A Descoberta do Caminho Marítimo para as Índias ........................................................................ 20 
1.2) Outras Navegações Portuguesas ...................................................................................................... 22 
1.3) O Apogeu de Portugal ...................................................................................................................... 22 
2) Espanha .................................................................................................................. ............................. 23 
3) França .................................................................................................................................................. 28 
4) Holanda .................................................................................................................. ............................. 36 
 
Exercícios ................................................................................................................................................. 41 
 
HISTÓRIA MILITAR-NAVAL Prof. Vagner Souza Curso ADSUMUS 
MÓDULO 3 1 QOAA-AFN 2017 
 
CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO II 
 
13) As Grandes Invenções: 
O fim da Idade Média é marcado por importantes invenções. Na arte da 
navegação, deu-se um acontecimento de grande importância no século XIII, que foi 
a introdução da bússola na Europa; esse instrumento já era conhecido pelos 
chineses, parecendo mesmo que os mongóis já se orientavam por ela em suas 
incursões pela Europa. Coube aos árabes servirem de ligação entre o Oriente e a 
Europa, apesar de suas contínuas lutas com os cristãos; na época das cruzadas, os 
europeus devem ter tomado conhecimento dessa invenção, que, a princípio, foi 
considerada coisa de feiticeiro. 
 
Nos fins do século XIII, no entanto, o uso da bússola já 
estava generalizado na Europa, para a navegação. Juntamente 
com outros instrumentos da época, o astrolábio e a balestilha 
davam ao navegador um seguro conhecimento de sua latitude. 
Quanto à longitude, porém, o único meio de conhecimento era 
pelo caminho percorrido, o que se obtinha, com grande margem 
de erro, navegando-se até o paralelo desejado e daí rumando para 
leste ou oeste até o ponto desejado. 
Coube aos portugueses o papel principal do 
grande espetáculo dos descobrimentos marítimos. 
Suas primeiras navegações foram feitas empregando-
se navios como a Barcha ou Barca e o Barinel. 
A partir de 1440, aproximadamente, os 
portugueses inventaram, ou melhor, aperfeiçoaram 
um novo tipo de navio, que viria a ser o mais 
característico dessa época: a caravela, navio mais 
alongado que seus antecessores a vela, de borda alta, 
empregando velas latinas (triangulares), o que o 
tornava apto a navegar quase contra o vento, a orçar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Caravela: 
 
De origem mourisca, de 
armação latina, com 
porte aproximadamente 
de 50 a 100 tonéis: 
“Navio capaz de afrontar 
mares tempestuosos e de 
lutar contra uma 
condição de tempo 
atmosférico difícil, a 
caravela portuguesa foi, 
até os fins do século XV, 
triunfalmente, o navio 
dos descobrimentos”. 
http://2.bp.blogspot.com/_sFCOHpBx_Lk/SfxptMLTQqI/AAAAAAAAAKc/BFFmoh-N4xo/s1600-h/barinel.jpg
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A Nau e o Galeão: 
 
Depois de explorada toda a costa africana do Atlântico, 
os portugueses adotaram novo tipo de navio, a nau, bem maior 
do que a caravela e capaz de navegar muito longe do litoral, 
mesmo com tempo hostil. Foi com esse tipo de navio que 
Vasco da Gama fez sua viagem às Índias. 
Quando Portugal atingiu as Índias, entrou em 
rivalidade com os comerciantes e as nações de origem árabes. 
Mesmo havendo rivalidades entre árabes e cristãos, inclusive 
do ponto de vista religioso, havia naquela época uma 
importante relação comercial entre estes povos, como vimos 
no módulo 2 (fevereiro) sobre as cidades marítimas italianas. 
Ao criar uma nova rota comercial entre o Ocidente e o 
Oriente, levando produtos diretamente das fontes produtoras 
às áreas consumidoras e sem a participação de árabes e 
italianos, Portugal criou inimigos tanto no oceano Índico 
quanto no Atlântico. 
A partir de então, Portugal teve que em inúmeras guerras manter sua posição ao longo das costas 
conquistadas e garantir suas comunicações marítimas frente a nações europeias, africanas e asiáticas, e, 
para tal, teve que adaptar as naus como navios de guerra, desenvolvendo o verdadeiro navio de guerra 
moderno, o Galeão, bem mais reforçado para a batalha, com costados mais grossos e maior número de 
canhões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO III 
 
IDADE MODERNA 
 
 
1) A Grande Crise dos Séculos XIV e XV : 
 
A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra marcou 
toda a Europa do século XIV. As rotas comerciais terrestres que 
cruzavam a França, importantes para a articulação do comercio 
continental, ficaram comprometidas pela guerra, tornando 
necessário o estabelecimento de caminhos alternativos. 
Ao mesmo tempo, a peste negra trazida nos porões dos 
navios que circulavam entre o Oriente e Ocidente, dentro da bacia 
do Mediterrâneo, devastou a população europeia em muitas áreas, 
levando à violenta retração dos mercados consumidores e, 
portanto, da atividade comercial. Cerca de um terço da população 
europeia foi vitimado pela Peste. 
Finalmente, a fome generalizada, provocada pela escassez 
de víveres no cenário de destruição da guerra e abandono das 
cidades afetadas pela doença, completou o contexto do que ficou 
conhecido como a crise do século XIV. 
A epidemia de peste negra começou a declinar por volta de 1350. As ocorrências de fome, porém, 
continuariam ocorrendo esporadicamente até o final do século e a paz entre França e Inglaterra só seria 
estabelecida em meados do século seguinte. Entretanto, a entrada do novo século significou o surgimento 
de novos problemas. 
A diminuição da população europeia criou uma situação na qual a retomada da atividade comercial 
se faria de forma lenta, na mesma medida da própria expansão demográfica. O desvio de metais preciosos 
para o Oriente, na compra das especiariase outros artigos de luxo, e o esgotamento das minas destes metais 
preciosos, principalmente ouro e prata, no continente europeu, tornavam limitada a oferta de moeda, 
estrangulando o comércio. 
E, finalmente, o monopólio da lucrativa rota mediterrânea das especiarias, exercido pelas cidades 
italianas, notadamente Gênova e Veneza, restringia a possibilidade de lucros de outras cidades europeias. 
 Foram esses fatores que acabaram por forçar a burguesia europeia a buscar novas alternativas para 
expandir o comércio, e a saída evidente era a navegação atlântica. Teve origem ai o processo de expansão 
marítima europeia. 
A empreitada de enfrentar a desconhecida navegação no oceano Atlântico exigia investimentos de 
vulto, que estavam muito além das possibilidades de qualquer cidade europeia isoladamente. Em outras 
palavras, era necessária a mobilização ampla de recursos, o que foi feito em escala nacional, tornando a 
centralização monárquica um verdadeiro pré-requisito para a expansão marítima. 
Pelo fervilhante porto de Gênova passavam mercadorias das regiões mais longínquas do Oriente. 
Como vimos, França e Inglaterra estiveram envolvidas na Guerra dos Cem Anos até o século XV, 
o que retardou o processo de centralização monárquica nos dois países. A Espanha ainda enfrentava os 
muçulmanos, somente expulsos completamente da península Ibérica em 1492. Outros territórios europeus 
também se apresentavam fragmentados, inclusive os vastos territórios que faziam parte do Sacro Império 
Romano-Germânico. Assim, a unificação precoce de Portugal (em relação às demais monarquias do 
continente) contribuiu decisivamente para as primeiras iniciativas na expansão marítima europeia. 
 
 
 
 
 
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2) A Revolução Comercial e o Mercantilismo: 
 
 O Antigo Regime dominante em quase toda a Europa durante a Idade Moderna caracterizava-se 
pela combinação de elementos tipicamente feudais com outros surgidos do desenvolvimento comercial. 
Assim, as seculares tradições políticas, sociais e econômicas remanescentes da velha ordem feudal foram-
se mesclando aos interesses de uma burguesia cada vez mais atuante e promovendo modificações nas 
antigas relações. 
 Nesse período, os reis tentaram preservar o “status” político da nobreza, ao mesmo tempo em que 
acomodavam, na estrutura de poder vigente, os interesses da burguesia comercial, cujas finanças se 
mostravam cada vez mais necessárias aos negócios do Estado. Em decorrência, essas mudanças, antes de 
significarem uma profunda ruptura com o passado, representaram a permanência das antigas hierarquias, 
que mantinham vastos setores da população europeia à margem do poder. 
 
 
3) A Transição para a Idade Moderna: 
 
 Assim como as cruzadas dinamizaram o renascimento das atividades comerciais na Europa, a 
expansão marítima provocou uma verdadeira revolução comercial, na medida em que a atividade mercantil 
passou a ser exercida em escala mundial. Em meio a esse processo, muitas instituições feudais já não 
atendiam às novas necessidades econômicas e à estruturação do poder centralizado, resultando, ao longo 
do tempo, em sua decadência enquanto se estruturava uma nova ordem socioeconômica, que alguns 
estudiosos denominam capitalismo comercial, chamado por outros de capitalismo mercantil. 
Contudo, tal ordem carregava ainda vários elementos sobreviventes do feudalismo, a exemplo do 
poder e prestígio advindos de questões hereditárias (títulos de nobreza e clericais) e não do sucesso 
econômico. De outro lado, os grupos sociais mais dinâmicos, como aqueles atrelados aos negócios 
comerciais e financeiros, aceleravam a acumulação progressiva de riquezas (acumulação primitiva de 
capitais), forjando as condições que desembocariam na industrialização dos séculos XVIII e XIX, quando 
a ordem capitalista burguesa atingiria sua maturidade e completaria sua formação como sistema 
hegemônico e poderoso. 
Entre os séculos XV e XVIII, período denominado Idade Moderna ou época do Antigo Regime, o 
capitalismo comercial foi se consolidando, abrindo espaços políticos para comerciantes e banqueiros. Entre 
as aspirações desses indivíduos constavam, contraditoriamente, os títulos e privilégios da nobreza, a fim de 
assegurarem sua supremacia, de resto já garantida pelo poder econômico. 
 Quanto aos nobres, os novos tempos desafiavam a manutenção dos seus privilégios, adquiridos há 
séculos, exigindo-lhes esforços para se adaptarem à nova ordem e garantirem alguns dos seus privilégios e 
poderes. Somente no final da Idade Moderna os burgueses romperiam definitivamente com as antigas 
tradições e resquícios estamentais, sendo já suficientemente fortes para criar uma estrutura econômica, 
social e política à sua própria imagem, de fato capitalista, eliminando os últimos vestígios feudais. Mas 
para chegar a isso, predominaram durante o período moderno o rompimento e a combinação de interesses 
dos herdeiros da velha ordem e dos nascidos do desenvolvimento comercial e urbano, consistindo na 
transição do capitalismo comercial. 
 A formação dos Estados Centralizados iniciada na Baixa Idade Média e a dinamização comercial e 
urbana, tiveram importância fundamental para a expansão mercantil. Em cidades onde já ocorriam as trocas 
monetárias e a produção manufatureira, passou a vigorar maior controle da arrecadação de tributos e da 
circulação de mercadorias e de dinheiro por parte do rei e seus auxiliares. A produção manufatureira que 
ganhava impulso era, então, realizada por trabalhadores assalariados, contratados pelo proprietário que 
também era patrão. Consolidavam-se novas relações sociais e produtivas, rompendo barreiras feudais 
tradicionais. 
No campo, muitas das antigas obrigações feudais que caracterizavam a servidão foram sendo 
abolidas ao longo dos séculos, concomitantemente à introdução do trabalho assalariado e à expropriação 
das terras comunais. 
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 Durante a Idade Moderna, a sociedade continuava dividida em ordens: clero, nobreza e povo. Tal 
divisão refletia ainda a persistência de valores medievais que separavam as pessoas entre "os que rezavam", 
"os que combatiam" e "os que trabalhavam". Porém, à medida que se acumulavam riquezas nas mãos de 
parcelas desiguais da população, esboçava-se uma sociedade mais dinâmica em que se destacavam classes 
de proprietários de terra (clero e nobreza), de burgueses (comerciantes e artesãos) e de trabalhadores 
(assalariados, camponeses livres e servos). 
 
 
4) Os Estados Modernos e o Mercantilismo: 
 
Os Estados modernos europeus surgiram, a princípio, do processo de aproximação entre monarquia 
e burguesia, em busca de crescentes quantidades de recursos monetários. Para tanto, muitos reis europeus 
protegeram e estimularam os negócios burgueses, quer desmontando as estruturas feudais que entravavam 
o comércio, promovendo e gerenciando a expansão comercial com as grandes navegações (Portugal, 
Espanha, França) ou, ainda, incentivando a criação e a manutenção de colônias na América (França, 
Inglaterra, Países Baixos). 
 A atenção dos reis aos negócios mercantis exigia-lhes o fortalecimento de seu poder, imprimindo 
um caráter absolutista às monarquias. Modificava-se, assim, o sistema político feudal em que cada vassalo 
reinava soberanamente sobre seu feudo. Estimulando a atividade mercantil, o monarca garantia seu próprio 
fortalecimento, na medida em que ampliava a base de arrecadação de impostos. Com tais recursos, 
sustentava uma poderosa administração estatal com vasta burocracia, verdadeira base de seu poder, 
constituída, essencialmente, por membros da nobreza. 
 Ao convocá-los para exercer novos papéis na sociedade, os reis possibilitavam aos nobres amanutenção de seus privilégios, contrabalançando a expansão burguesa. Dessa forma, tanto nobres como 
burgueses permaneciam dependentes do rei. Juntos e articulados na estrutura do Estado moderno, monarcas, 
burgueses e nobres combinavam poderes que garantiam a ordem, a sujeição popular, a dinâmica comercial 
e os privilégios, constituindo o chamado Antigo Regime. 
 Dentre as diversas medidas adotadas pelos reis absolutistas europeus para promover o 
fortalecimento financeiro do Estado, encontra-se a adoção de um conjunto de diferentes práticas 
econômicas conhecidas como mercantilismo. Embora não tivessem constituído uma teoria econômica, nem 
tenham sido aplicadas de maneira homogênea na Europa, as práticas mercantilistas possuíam alguns 
elementos comuns. 
 Elas partiam do ideal metalista1, ou seja, baseavam-se na concepção de que a riqueza de um Estado 
dependia da quantidade de metais preciosos existente dentro de suas fronteiras. O metal poderia ser obtido 
de forma direta, pela exploração de minas (aliás, como já dito, esgotadas na Europa desde o século XV), 
ou do comércio, que possibilitava atrair e acumular moedas. Assim, surgiu o princípio da balança comercial 
favorável, que associava a riqueza de uma nação à sua capacidade de exportar mais que importar. 
 Deste entendimento sobre a formação da riqueza nacional, muitos reis adotaram uma série de 
medidas favoráveis à ampliação das exportações. Por meio do estímulo à produção manufatureira e 
diminuição das importações, impunham barreiras tarifárias aos produtos estrangeiros, principalmente às 
manufaturas que pudessem ser fabricadas dentro das fronteiras de seu Estado (protecionismo). Tais 
orientações, revelando um alto grau de intromissão do Estado nas atividades produtivas, caracterizaram o 
mercantilismo como uma política econômica fortemente intervencionista. 
 A adoção das práticas mercantilistas pelos diversos Estados europeus acabou por gerar um impasse 
econômico: como realizar o comércio quando todos querem vender (exportar) e ninguém quer comprar 
(importar)? Em outras palavras: como tornar a balança comercial mais favorável aos interesses do reino? 
Muito desse impasse foi resolvido pelas armas, acreditando-se que o aumento da riqueza de um reino só 
seria possível no confronto direto com Estados vizinhos. 
 
1 No caso específico espanhol é utilizado o termo Bulhonismo, em referência ao nome da moeda espanhola. A Espanha foi a 
nação que mais empregou o metalismo em toda a história. 
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 A saída foi o estabelecimento de colônias nas terras descobertas na América, em meio à expansão 
marítima. Assim, cada nação europeia, na medida do possível, buscou tornar-se metrópole de uma ou mais 
colônias, disputando e desbancando Estados rivais no expansionismo. As colônias deveriam se converter 
em áreas com as quais as metrópoles iriam estabelecer um comércio desigual, isto é, desequilibrado em 
benefício de um dos lados, o que garantiria sua balança comercial favorável (Pacto Colonial). Ao mesmo 
tempo, seriam extraídos das colônias os metais preciosos que estavam esgotados na Europa, alcançando-se 
assim, por quaisquer vias, os objetivos mercantilistas e o fortalecimento do poder do Estado. 
 Devido às maiores possibilidades de acumulo de riqueza, a colonização passou a ser o principal 
meio pelo qual os Estados europeus tentaram atingir seus objetivos mercantilistas. Portugal e Espanha, 
precoces na expansão marítima e na partilha do mundo que se seguiu, usufruíram de significativos meios 
para se enriquecerem: Portugal pôde explorar o mercado de especiarias, ao ter estabelecido rotas 
alternativas para as Índias Orientais. A Espanha apoderou-se de imensa riqueza em ouro e prata ao iniciar 
o processo de exploração das minas americanas, na primeira metade do século XVI. 
 As demais nações europeias não reconheceram a partilha do mundo entre as nações ibéricas, e, ao 
longo do século XVI, cobiçaram ferozmente a riqueza acumulada pelos reinos ibéricos, dedicando-se 
frequentemente a ataques a suas colônias. Países como França e Inglaterra, retardatários no processo de 
expansão marítima, pobres em colônias, foram obrigados a enfatizar outros aspectos do mercantilismo, 
como o industrialismo. 
 De certa forma, é irônico observar que a base manufatureira da França e principalmente da Inglaterra 
seria fundamental para a futura expansão capitalista desses dois países. Por outro lado, Espanha e Portugal, 
com vastas colônias de onde eram capazes de extrair grande volume de metais preciosos, acabaram se 
estagnando economicamente, tornaram-se cada vez mais dependentes de suas possessões na América e, 
não raro, passaram por violentos surtos inflacionários provocados pelo excesso de metais preciosos. Além 
disso, a manutenção de estruturas políticas que beneficiavam a nobreza e o clero foi fundamental para que 
as nações ibéricas ficassem aquém do processo de desenvolvimento capitalista que se anunciava. 
 
 
5) A Expansão Comercial: 
 
 Até época relativamente recente a ausência de boas estradas, as vastas extensões desabitadas, as 
montanhas e demais acidentes geográficos constituíam empecilhos sérios ao desenvolvimento das trocas 
comerciais. O intercâmbio de artigo de pequeno volume e peso ainda era viável nas caravanas de muares 
ou camelos, ou em carroças, mas jamais as transações de vulto destinadas a abastecer de gêneros 
alimentícios populações numerosas, ou a suprir de matérias-primas indústrias avançadas. Dessa forma, a 
vantagem oferecida pela superfície ilimitada do mar para o transporte longínquo e o frete reduzido para os 
produtos do solo ou da indústria evidenciaram-se desde a remota Antiguidade. 
 Na realidade, não foi senão no dia em que a navegação permitiu a países distantes e diferentes entre 
si em civilização comunicarem-se, que o comércio propriamente dito nasceu. Por mar, o caminho está feito, 
ou antes, não há necessidade de estradas; o elemento líquido suporta indiferentemente qualquer peso e sua 
superfície permite o deslocamento livre em qualquer direção. A força motriz mais fraca, força gratuita, se 
é empregado o vento, é suficiente para pôr em movimento massas enormes. 
 Não é, portanto, de ser admirar que o mar tenha sido por todos os tempos o grande caminho do 
comércio e que povos separados por mil léguas de mar encontrem-se na realidade mais vizinhos que outros 
separados por cem léguas de terra firme. Mesmo agora, com os progressos do transporte por via terrestre, 
o transporte pelo mar é ainda menos oneroso, o que significa trabalho e custo menor. O preço do transporte 
da tonelada quilométrica não ultrapassa quase nunca de um quinto a um décimo do preço do transporte por 
via férrea. Em Marselha, o preço do carvão, que vem por mar da Inglaterra, passando pelo estreito de 
Gibraltar e que percorre 3.500 quilômetros, é menor do que o do carvão transportado por estrada de ferro 
procedente das minas de La Grande Combe, situadas a 177 quilômetros. Mares de livre navegação, lagos, 
rios ou canais navegáveis constituem dádivas da natureza a determinadas regiões. 
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 As vias aquáticas e a posição relativa das grandes regiões produtoras e consumidoras têm orientado 
os fluxos comerciais do mundo. Por muitos séculos o Mediterrâneo foi o centro de cruzamento, no Mundo 
Ocidental, das mais importantes linhas comercial-marítimas. Hoje é o Atlântico Norte. 
 Em outras épocas, alguns países beneficiaram-se da situação de proximidade das principais linhas 
de deslocamento de mercadorias e das facilidades de acesso ao mar, propiciadas pelos seus litorais, para 
assumirem a função lucrativa de intermediários do comérciomundial. A grande importância adquirida na 
História Econômica pelo comércio fenício, púnico, holandês, genovês, veneziano ou inglês originou-se 
justamente do fato de ter abarcado uma área extensíssima, servindo não apenas a algumas nações ou mesmo 
a algum império, mas a vários continentes. As mercadorias que os navios fenícios deixavam ou apanhavam 
nos portos desde a Espanha até o mar Negro, não eram, na sua maioria, nem destinadas às cidades sírias 
nem delas procedentes. Mais provavelmente os artigos egípcios e babilônicos constituíam maior parte da 
carga. Nas viagens de ida e nas viagens de volta, os artigos trazidos eram desembarcados nos portos de 
onde pudessem atingir, depois, os países mais povoados e adiantados da época, sobretudo o Egito, a Assíria 
ou a Babilônia. 
 Também na Idade Média não era o sal, nem as sedas, nem os espelhos produzidos na Cidade dos 
Doges que enchiam os milhares de navios venezianos nas viagens de ida para os extremos do Mediterrâneo, 
nem ao consumo dos habitantes da cidade, ou da indústria, se destinavam na sua maioria as mercadorias 
carregadas no regresso. Chegada a Veneza, parte substancial da carga tomava o caminho da França, da 
Alemanha ou da Holanda pelas estradas alpinas. Mais tarde, ainda não foram o queijo, o arenque seco ou 
os tecidos holandeses que bastaram para encher os porões dos navios batavos. Era necessário aí acrescentar 
os vinhos franceses, as manufaturas e o carvão da Inglaterra, as madeiras dos países do Báltico, as peles 
russas, as especiarias orientais e etc. 
 A prosperidade e a riqueza da Fenícia, de Gênova, de Veneza, da Holanda e mesmo de Portugal 
achavam-se de tal modo na dependência dos lucros provenientes dos fretes e da revenda de mercadorias 
levadas por seus navios de um ponto para outro das respectivas áreas de atividade mercantil, que aquelas 
nações entraram em decadência quando perderam a posição privilegiada de intermediárias comerciais. 
 Tão grandes e evidentes são as vantagens advindas da exploração das rotas marítimo-comerciais, 
que desde a antiguidade observa-se a tendência das nações procurarem obter a exclusividade de sua 
utilização sempre que as circunstâncias o permitiam. Se o monopólio dos caminhos marítimos por uma 
única potência, nos moldes almejados pelos fenícios e cartagineses ou mesmo pelos genoveses, 
venezianos e holandeses, não é hoje viável, nem por isso deixou de existir uma desenfreada competição 
internacional pela preponderância nas linhas de navegação mais lucrativas. 
 A superabundância de produtos agrícolas, manufaturados ou do subsolo, constitui uma segunda 
circunstância favorável à criação e ao desenvolvimento do comércio marítimo, pois o extravasamento dos 
excessos naturalmente se encaminha pela rota mais fácil, em busca dos mercados deles sequiosos 
(necessitados). Sem dúvida alguma, nos Estados Unidos, a prosperidade de grande número de cidades da 
costa do Atlântico, do Pacífico e do golfo do México, bem como o desenvolvimento da Marinha Mercante, 
têm sido devidos ao volumoso comércio exportador e importador do país. Outro tanto se pode afirmar do 
progresso de Hamburgo e de Bremen, cidades que a partir da segunda metade do século passado mais se 
têm beneficiado do extraordinário surto do comércio exterior alemão. Nesses dois centros, os estaleiros e 
as instalações portuárias e a tonelagem de navios mercantes neles registrados acompanharam o incremento 
das transações comerciais da Alemanha. De uma maneira geral, as cidades portuárias que servem de 
escoadouro a regiões produtivas, convertem-se em centros de intensa atividade comercial, tendendo ligar 
mesmo os países de características continentais aos empreendimentos marítimos. 
 Algumas cidades como Londres, Nova York e Rotterdam, na atualidade, e Alexandria, na 
Antiguidade, situadas sobre rios, no ponto de encontro das navegações marítimas e fluviais, beneficiaram-
se, mais do que quaisquer outras, do movimento mercantil nascido em consequência da situação vantajosa 
por elas ocupadas. Por um lado, toda a produção do interior desce pelo caminho natural das águas até 
encontrar o grande centro de distribuição representado pelas cidades da foz. Em contrapartida, também é 
nesses centros que os produtos importados desembarcam antes de ganhar em sentido inverso os mercados 
interiores. Foi assim que Alexandria, recebendo pelo Nilo os artigos agrícolas e industriais produzidos no 
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Egito, então um dos países mais ricos e adiantados, em contato pelo Mediterrâneo com a maior parte das 
nações bárbaras e civilizadas da época, converteu-se numa das principais cidades da Antiguidade. 
 Rotterdam, na foz do Reno e do Escalda, que permitem a livre passagem de barcaças até bem o 
interior da Europa, passando em zonas ricas da Bélgica, Alemanha e França, é o exemplo moderno, dos 
mais eloquentes, de um centro de comércio que se beneficia, sobretudo, da posição geográfica. Anualmente, 
muitas toneladas são movimentadas nos vinte e poucos quilômetros de cais daquela cidade. Não apenas o 
comércio exportador e importador dos Países Baixos, mas também o comércio das nações circunvizinhas 
encontra ali um ponto intermediário imprescindível. A fome de matérias-primas do Ruhr é saciada em 
grande parte por Rotterdam, mais próxima que os portos alemães do Norte. A gigantesca produção da parte 
mais industrial da Alemanha também se serve do seu porto quando destinada aos países do Sul da Europa, 
ou de outros continentes. 
 Na América do Norte, nenhum centro comercial beneficia-se tanto da situação geográfica quanto 
Nova York. Já um dos centros comerciais mais importantes desde os tempos coloniais, graças a seu porto 
na foz do rio Hudson, servindo a uma área rica, Nova York agigantou-se com a abertura do canal Eriê em 
1818, o qual permitiu a comunicação fácil com toda a vasta e rica região dos Grandes Lagos. Seu 
desenvolvimento foi depois acelerado pela prosperidade da indústria americana localizada, em grande parte, 
dentro do raio de absorção do seu porto. É hoje Nova York o porto de maior movimento no mundo, 
ultrapassando mesmo Londres. 
 Bem outra era a situação de Lisboa e Sevilha. Não sendo os rios Tejo e Guadalquivir navegáveis 
acima daquelas cidades, nem constituindo o interior de Portugal e Espanha importantes regiões produtoras 
ou consumidoras, permaneceram os dois portos ibéricos apenas como portos de escala para os produtos 
asiáticos e americanos, mas não como verdadeiros centros distribuidores. Coube à Marinha holandesa a 
tarefa, negligenciada pelos portugueses, de embarcar em Lisboa os produtos ali acumulados e encaminhá-
los para os mercados do norte da Europa, via Amsterdã ou Rotterdam. Com o fim do Império Colonial 
Português nas Índias, os navios batavos passaram a fazer o percurso direto sem mais irem a Lisboa. 
 Assim, a prosperidade comercial promove a formação de cidades portuárias, de características 
semelhantes, tanto nos países marítimos como nos continentais. Até um país eminentemente agrícola, como 
a China, viu crescer Xangai desmedidamente por força da intensa atividade comercial ali desenvolvida, no 
cruzamento de rotas marítimas e fluviais. Mesmo não levando o resto do país a se ligar aos 
empreendimentos oceânicos, não há dúvida de que o nascimento de cidades portuárias importantes, fruto 
da expansão comercial, marca um passo decisivo no sentido do desenvolvimento marítimo, pois nelas, 
paulatinamente, congregam-se os elementos materiais e humanos indispensáveis à conquista dos caminhos 
sobre as ondas e nelas passam a habitar as classes de prestígio com interesses permanentes e vultosos nas 
atividades náuticas. 
 Graças ao florescente comércio e graças às condições geográficas que possibilitaram o 
desenvolvimento de alguns de seus portos, nações eminentemente continentais, comoo Egito antigo, os 
Estados Unidos, a Alemanha e a Rússia foram levadas a participar da História Marítima. 
 É fato notório que o desenvolvimento econômico impõe, tacitamente, maior entrelaçamento 
mercantil entre as nações e, consequentemente, uma maior dependência as comunicações marítimas. Tal 
fato é observado desde a Antiguidade, adquirindo ainda maior realce com a Revolução Industrial. No caso 
dos Estados Unidos, por exemplo, as cifras são concludentes. Segundo o relatório apresentado em 1952 
pela Materiais Policy Comission, a produção americana em 1900 foi superior ao consumo em 15%. Em 
1950 o consumo ultrapassou em 9% a produção. A estimativa da época para 1975, considerando o aumento 
da população e do padrão de vida, previa um déficit de 20%. Em tais condições, na dependência crescente 
de fontes externas, a antiga política isolacionista do agrado dos primeiros estadistas americanos, como 
Washington e Jefferson, e ainda sustentada em certas regiões do país, tornou-se impossível. Uma lei de 
embargo ao comércio exterior, como a decretada pelo Presidente Jefferson, em 1807, seria hoje rejeitada 
como absurda antes de qualquer discussão. 
 A dependência progressiva da economia germânica às fontes externas é também facilmente 
constatada. Basta um rápido confronto entre as situações econômicas enfrentadas pela Alemanha durante 
as sucessivas guerras que enfrentou desde o fim do século XIX. Com efeito, durante os conflitos externos 
de envergadura, o esforço total exigido coloca à prova não só a estrutura social e política da nação, mas 
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também põe à mostra todas as suas possibilidades e limitações econômicas. Sem depender grandemente do 
exterior, a Alemanha venceu a França em 1870. O armamento de superior qualidade produzido pelo seu 
parque industrial em rápida ascensão não necessitava então de matérias-primas procedentes do ultramar ou 
mesmo de outros países europeus. Já na guerra de 1914-18, o esforço de guerra alemão foi seriamente 
afetado pela dificuldade em conseguir determinados artigos essenciais no exterior. No Segundo Conflito 
Mundial, mais uma vez privada das comunicações marítimas com a maior parte do mundo, a economia de 
guerra alemã exigiu decisões estratégicas de alta relevância. A Campanha da Noruega, em 1940, assegurou 
o suprimento de minério de ferro, cuja interrupção teria feito cair a produção siderúrgica germânica em 
50%. Entretanto, a falta de petróleo constituiu sempre um pesadelo para a Alemanha, que, em 1942, foi 
obrigada a orientar sua ofensiva de verão na Rússia em busca dos poços do Cáucaso, abandonando objetivos 
de elevada significação como Moscou e Leningrado. 
 Na verdade, os alemães, e muito menos os americanos, não se dedicam aos afazeres náuticos com 
o mesmo vigor e a mesma eficiência dos povos que procuram o mar compelidos pelo ambiente geográfico. 
A participação americana no transporte marítimo de suas próprias exportações e importações, por várias 
vezes no século XX desceu a percentagens bem baixas. Mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, a 
Marinha Mercante dos Estados Unidos não tem enfrentado vantajosamente a concorrência inglesa, 
norueguesa ou holandesa. Entretanto, o vulto do comércio americano, por si só, é capaz de absorver toda a 
capacidade de transporte da frota mercante do país. Mediante algumas poucas leis protecionistas, a frota de 
comércio dos Estados Unidos tem podido desenvolver-se, visto estar garantida a demanda de seus serviços. 
 A expansão comercial, mesmo sem incutir nos povos continentais a noção de dependência 
econômica do mar, cria um jogo de interesses que obriga os governos a travarem contato com uma série de 
problemas, entre os quais o do desenvolvimento marítimo é fundamental. Tanto na Alemanha como nos 
Estados Unidos, bem antes das duas guerras mundiais, a ação estatal se fez sentir na esfera marítima, 
visando à salvaguarda de interesses nacionais de primeira magnitude. Com o surto do comércio alemão, 
Bismarck, em 1885, iniciou as subvenções a companhias de navegação germânica e posteriormente veio a 
interessar-se por colônias. De forma semelhante à política exterior americana, coincidindo com a expansão 
mercantil do país, adquiriu caráter até então inédito, assumindo, inclusive, aspecto imperialista no fim do 
século XIX e começo do XX. Em ambos os países, essa mudança foi seguida de aumento considerável das 
respectivas marinhas de guerra. 
 A influência do comércio no desenvolvimento das atividades oceânicas implicitamente estabelece 
identidade entre os povos de espírito mercantilista e os de espírito marítimo. Essa identificação é flagrante 
entre as diversas nações de características marítimas. Com exceção dos vikings, que permaneceram mais 
ligados à pesca e à pirataria, os demais povos de acentuadas tendências marinheiras descambaram também 
com vigor para a exploração marítimo-comercial. Duas ordens de razões explicam o fato: primeiro, nos 
países de solo pobre ou limitado, como acontece na maioria das nações marítimas, uma fração importante 
dos habitantes é forçosamente desviada do trabalho da terra para as atividades comerciais e industriais, em 
busca de amparo econômico; o comércio assume assim uma relevância dificilmente atingível nas nações 
de economia agrária. Segundo, só pela importação podem ser obtidos certos produtos indispensáveis à 
alimentação do povo e ao funcionamento da indústria, o que implica, em contrapartida, um esforço para 
desenvolver o comércio exportador que equilibre o sistema de trocas. 
 Viu-se que na Grécia antiga a população de Atenas dependia do suprimento de trigo das regiões do 
mar Negro. O azeite, os artigos de cerâmica e os produtos espículas constituíam os elementos com que os 
gregos efetuavam as trocas indispensáveis. De forma idêntica, os venezianos, muitos séculos depois, foram 
encaminhados para o comércio, visto não haver possibilidade de encontrar no solo da República recursos 
suficientes ao abastecimento dos habitantes. O sal, primeiro, e depois os vidros e as sedas permitiram o 
desenvolvimento de um comércio capaz de contrabalançar as importações. Também o reconhecido espírito 
mercantil do povo holandês provavelmente nasceu da necessidade de comprar fora das fronteiras produtos 
agrícolas para a população adensada num território de escassa área. 
 Dos países do Báltico, da Alemanha e da França procediam grande parte dos alimentos com que, 
quotidianamente, cada holandês completava suas refeições de peixe, e da Grã-Bretanha chegava a lã 
indispensável ao funcionamento das indústrias têxteis. O arenque seco e o queijo serviram de base inicial à 
prosperidade mercantil dos Países Baixos, possibilitando a importação dos variados produtos de que 
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careciam. Tal vulto atingiu o comércio holandês depois que se converteu na principal preocupação do 
Estado. 
 Semelhantemente, a expansão comercial da Inglaterra, a partir do século XVIII, estabeleceu um 
sistema de troca, cuja preservação tem sido até os dias atuais o propósito número um dos estadistas 
britânicos. Não tanto para atender aos reclamos básicos da população de um país marítimo, mas 
principalmente visando consolidar a posse da fonte de seu poderio, o vasto Império ultramarino, o povo 
inglês tem-se dedicado com ardor inigualável aos empreendimentos oceânicos. 
 Chega-se aqui ao ponto em que a expansão comercial, o colonialismo e o desenvolvimento marítimo 
entrelaçam-se. De uma maneira geral, os povos marítimos são também os povos colonizadores. As mesmas 
causas que os fazem procurar o mar, os propelem também a emigrar em busca de amparo econômico noutras 
plagas. 
 O colonialismo, entretanto, nem sempre apresenta a mesma feição.Alguns movimentos 
colonizadores foram espontâneos, obedecendo a condições naturais, nascendo da ânsia de conseguir terras 
férteis ou as riquezas fáceis representadas pelos minérios nobres. A expansão grega nos séculos IX e X aC 
constitui um exemplo típico de uma obra colonial nascida da penúria das terras. As invasões vikings, parte 
da obra colonial portuguesa, inglesa, espanhola e mesmo holandesa constituem outros exemplos nos quais 
populações se transladaram em massa para outros continentes, levando o sangue, a língua e os costumes, 
fundando, em suma, novas pátrias em novos ambientes. Mais comumente, porém, o movimento colonial 
tem possuído raízes comerciais. É a ânsia de assegurar o controle das fontes de matéria-prima e de mercados 
consumidores que tem determinado a maioria delas. 
 O caráter comercial da colonização fenícia, cartaginesa, veneziana, genovesa, pisana e holandesa, e 
algumas vezes o da inglesa e da lusitana, já foi acentuado. Sobretudo na Ásia e na África, os povos europeus 
visaram, antes de tudo, o estabelecimento de pontos de apoio onde pudessem efetuar as trocas mercantis. 
Também na América as potências colonizadoras não viram prolongamentos da Mãe-Pátria, mas campos a 
serem explorados comercialmente, do que resultou, por fim, a revolta dos habitantes. Tanto a Inglaterra 
como a Espanha e Portugal, seguindo o espírito da época, cercearam, com as leis odiosas, o 
desenvolvimento econômico das colônias, desde que o mesmo pudesse por alguma forma ferir seus 
interesses. 
 O colonialismo, baseado na posse de mercados produtores de matérias-primas e consumidores de 
produtos manufaturados, levou mesmo alguns países continentais, como a França, a Alemanha e a Rússia, 
a dele participarem. A obra colonial foi aí mais resultante da ação estatal, tendo sido mínima a participação 
direta do povo, com pouca disposição para se deslocar em massa, em caráter definitivo, para ambientes 
geográficos inteiramente adversos. Todavia, qualquer que seja sua feição, os impérios coloniais têm 
dependido sempre da interligação marítima, impondo, consequentemente, o desenvolvimento dos 
empreendimentos oceânicos para sua preservação e para atender ao intenso sistema de trocas. 
 Com a expansão comercial nos mares e com o colonialismo, devemos considerar outro aspecto da 
história do desenvolvimento marítimo: o que se prende às contendas pela supremacia nas rotas oceânicas, 
lutas essas que têm condicionado os destinos de muitos povos. 
 Conforme se verificou, a maioria das evoluções marítimas processou-se sob o império da força. 
Raros países lograram atingir preponderância nos negócios marítimos sem terem apelado para a guerra. 
Quase nenhuma nação entrou em decadência nos mares que não fosse em consequência de luta armada. Na 
antiguidade os fenícios procuraram eliminar todos os possíveis concorrentes nas rotas oceânicas, não 
poupando meios para alcançar esse fim. Eles foram suplantados pelos gregos, na porção oriental do 
Mediterrâneo, depois de uma luta secular. Na parte ocidental do Mediterrâneo, os cartagineses, que também 
eram fenícios de origem, suplantaram os etruscos e rechaçaram as investidas gregas, mas foram, por sua 
vez, derrotados pelos romanos nas guerras surgidas em disputa das colônias na Sicília. Durante todo o fim 
da Idade Antiga, Roma exerceu um benevolente domínio sobre o Mediterrâneo, no qual foi possível, aos 
povos de suas praias comerciarem dentro dos limites que convinham. Ela era Senhora do Mundo Antigo. 
 Na Idade Média, as cidades marítimas da Itália, tendo provocado a ruína comercial de Bizâncio e 
vencedoras dos sarracenos no Mediterrâneo, entraram em luta entre si, quando seus interesses foram 
idênticos nas colônias do Oriente. No século XVI Portugal aniquilou a tiros de canhão o comércio egípcio 
e árabe na Índia, sendo depois espoliado de suas conquistas pelos ingleses e holandeses. Esses povos do 
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Norte da Europa já antes se dedicavam com afinco ao assalto do transporte espanhol e por fim se 
defrontaram em luta em disputa do bocado todo. No século XVII, a França procurou ascender à categoria 
de potência colonial e comercial, ganhando, em consequência, a inimizade da Holanda e, sobretudo, da 
Inglaterra, com quem guerreou desde os tempos de Richelieu até Napoleão. Ainda no fim do século XIX a 
Inglaterra e a França eram nações rivais, com interesses coloniais antagônicos bem acentuados. Surgiu, 
porém, ameaça maior obrigando os dirigentes da França e da Grã-Bretanha a fazerem uma revisão 
fundamental na política exterior. O desenvolvimento marítimo-comercial germânico preocupou não apenas 
a Inglaterra, mas também os Estados Unidos, que já haviam eliminado a Espanha como nação influente nas 
Antilhas. Duas guerras mundiais aniquilaram as pretensões alemãs nas rotas marítimas. 
 Os russos chegaram ao mar Báltico lutando contra os suecos e os germânicos, e ao mar Negro, 
guerreando contra os turcos. Suas ambições na Manchúria e na Coréia provocaram a agressão japonesa de 
1904. O Japão, convertendo-se em importante potência comercial marítima, passou a ser no Oriente o 
inimigo potencial da Inglaterra, da Holanda e dos Estados Unidos. A Segunda Guerra Mundial pôs fim às 
aspirações nipônicas de domínio naquela parte do mundo. 
 Não se pode atribuir apenas à rivalidade marítimo-comercial colonial a causa de desencadeamento 
de tantas guerras que tão decisivamente influíram nos destinos dos novos, mas, sem dúvida alguma, sua 
contribuição não foi pequena, e a repercussão dessas lutas na esfera marítima foi imensa. 
 Às margens dos conflitos internacionais, desde a remota Antiguidade até pelo menos o século 
passado, foram os mares teatro de lutas quase permanentes, pois populações numerosas viveram 
consagradas ao assalto das riquezas transportadas pelos navios. Todos os povos do Mediterrâneo, de uma 
forma ou de outra, mesmo os mais civilizados, dedicaram-se, com bastante intensidade, à prática do roubo 
em alto-mar. 
 Os habitantes das ilhas do mar Egeu, em particular, faziam da pirataria a indústria nacional por 
excelência. Eles já preocupavam os Atenienses na época de Temístocles, cinco séculos aC, sendo 
combatidos por César, Pompeu e Augusto, muitas gerações depois, e durante toda a Idade Média, italianos, 
bizantinos e sarracenos sofreram seus ataques de rapina. 
 Os comerciantes pisanos, genoveses e venezianos, por seu turno, também eram corsários quando a 
oportunidade surgia. Amálfi, Gênova, Pisa e Veneza eram centros de pirataria organizada. Elas deveram à 
pirataria uma boa parte de suas riquezas. Tão normal eram considerados os ataques aos navios de outras 
nacionalidades que o termo corsário, empregado nos atos genoveses, nada tinha de reprovável ou 
pejorativo. Numerosos foram os mercadores italianos que, tendo dívidas a cobrar de algum grego e não o 
podendo fazer, se tornaram corsários a fim de arrancar pela força o que não obteriam de outra forma. 
 Ainda nos séculos XVI e XVII as companhias inglesas e holandesas, destinadas à exploração 
comercial na América e no Oriente, usavam métodos de rapina que mais se assemelhavam aos utilizados 
por verdadeiros piratas. Algumas nações, a exemplo dos Estados berberes do Norte da África, tinham 
mesmo na pirataria a principal fonte de renda. Até meados do século XIX a concessão de cartas de corso 
foi de uso corrente em todos os países envolvidos em guerra, constituindo um meio para bandidos 
internacionais ou aventureiros sequiosos de riquezas se aproveitarem das hostilidades. Os corsários foram 
alguns dos melhores marinheiros da Grã-Bretanha, como Drake, Hawkin e Releigh, e da França, como Jean 
Bart, Duguay-Trouin e Surcout. 
 A necessidade de proteger o tráfego marítimo dos assaltos das potências inimigas ou dos piratas e a 
conveniência em privar o adversário dasvantagens das rotas sobre as águas, conduziram à formação, desde 
épocas bem remotas, das marinhas de guerra. A necessidade de marinha de guerra, no sentido restritivo da 
palavra, surge, portanto, da existência do transporte marítimo e desaparece com ele, exceto no caso de a 
nação ter tendências agressivas e manter a marinha mercante como um ramo da organização militar. A 
ligação da marinha de guerra ao transporte marítimo é tão íntima que por muito tempo não houve nítida 
distinção entre o navio de combate e o navio mercante. Principalmente na Antiguidade, os traficantes 
cuidavam, eles próprios, da proteção de suas frotas mercantes, armando os navios, e também dos ataques 
ao transporte dos rivais. O comerciante era ao mesmo tempo marinheiro e guerreiro, adotando o 
procedimento mais conveniente conforme as circunstancias. 
 Assim agiam os fenícios, os cartagineses, os gregos e os italianos cujas Maonas não eram mais do 
que expedições marítimo-comerciais apoiadas na força militar. Ainda nos séculos XVI e XVII, os 
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traficantes portugueses, ingleses, franceses e holandeses resolviam muitas de suas disputas a tiros de 
canhão, malgrado a paz reinante entre seus países. Foi da amálgama de corsários, aventureiros, 
comerciantes, navios de comércio, navios particulares ou armados pelo Estado, que nasceram as Marinhas 
de Guerra inglesa e holandesa. Desde que se constituíram definitivamente as marinhas de guerra sob a égide 
do Estado, o apoio das forças navais ao comércio passou a ser reflexo da política adotada pelo governo. Foi 
apoiado nos canhões das marinhas de guerra que as potências europeias, do século XVII ao século XIX, 
alargaram seus domínios coloniais e comerciais na Ásia, África e Oceania. Foi devido à presença da 
esquadra do Comodoro Perry que o Japão se viu constrangido a reatar relações com o resto do mundo. 
 Sem dúvida alguma, a interligação das histórias do comércio, da expansão colonial e do poderio 
marítimo remonta aos fenícios. Sem o apoio de marinha de guerra, própria ou de potência aliada, nenhuma 
nação logrou beneficiar-se por muito tempo do transporte oceânico. O lento trabalho do estabelecimento 
de uma rede comercial e a formação de uma frota mercante, devidamente apoiada em terra, servidora dessa 
rede mercantil, são obras de alento que exigem décadas de labor continuado em setores múltiplos, por parte 
de milhares de indivíduos. 
 Em caso de guerra, a falta de poder no mar tem representado o fim de toda essa obra em pouco 
tempo. Como a eventualidade de um conflito armado nunca pôde ser afastada do espírito de dirigentes 
responsáveis, pois a História mostra que os ciclos guerreiros se repetem num intervalo menor do que o 
tempo exigido pelo completo desenvolvimento marítimo-comercial de um país, resulta que, quase sempre, 
as marinhas militares expandem-se à medida que a esfera do comércio marítimo da nação se amplia. Muitas 
vezes, porém, a exiguidade de recursos materiais impede o desenvolvimento da Marinha de Guerra de 
acordo com suas responsabilidades, e o país é obrigado a confiar a proteção de seus interesses marítimos a 
potências estrangeiras, valendo-se de alianças. Foi para a proteção recíproca do comércio marítimo que as 
cidades gregas fundaram as chamadas Ligas Délicas. Foi procurando o apoio do poderio naval britânico, 
necessário à preservação de seu Império, que Portugal, enfraquecido no mar, renovou constantemente sua 
aliança com a Inglaterra. 
 Durante as duas guerras mundiais, sem a proteção da Royal Navy e da US Navy, as frotas mercantes, 
o comercio e a maior parte das colônias dos demais países aliados teriam sido destruídos ou capturados. 
Enquanto a marinha de comércio e as atividades mercantis de países poderosos como a Alemanha, a Itália 
e o Japão eram quase totalmente eliminadas dos mares, nações de pequeno poderio naval como a Noruega, 
a Holanda e a Grécia encontraram na aliança com as potências anglo-saxônicas a relativa segurança que 
preservou de catástrofe total seus interesses marítimos e coloniais. 
 A expansão do comércio marítimo de uma nação tem o efeito paradoxal de estimular o 
desenvolvimento das marinhas de guerra dos inimigos eventuais, pois no exercício do poder marítimo as 
potências não visam apenas utilizar a rota oceânica, mas também negar seu uso ao inimigo. Desde que se 
torna evidente a dependência de um país às rotas marítimas, é quase certo procurarem as potências rivais 
dispor dos meios para, em caso de guerra, atacarem esse elo vital. Foi por essa razão que no século XVII a 
Marinha Real inglesa se desenvolveu até ultrapassar a Marinha de Guerra batava, numa época em que os 
Países Baixos tinham uma frota mercante quatro vezes superior à britânica, dominando o comércio mundial. 
Com as derrotas de sua esquadra e consequente paralisação do comércio, a Holanda se viu obrigada a pedir 
a paz, embora nenhum exército inglês ameaçasse seu território metropolitano. 
 Substituindo a Holanda no tráfego mundial, daí em diante a situação se inverteu para a Grã-Bretanha 
e, em todos os conflitos seguintes de que participou, o seu comércio marítimo foi o alvo predileto dos 
ataques navais inimigos. Não podendo atacar o território da própria Inglaterra, protegida por poderosa 
Marinha de Guerra, os esforços navais das potências que contra ela guerreavam voltaram-se sempre com 
fúria para as ligações marítimas na esperança de obter o seu estrangulamento econômico. O assalto ao 
comércio marítimo inglês incentivou por quase três séculos os corsários franceses, holandeses e 
americanos. Empresas e estaleiros foram fundados com o único fim de proporcionarem recursos a tais 
ataques. 
 Na Primeira Guerra Mundial, a partir de 1917, grande parte do esforço bélico alemão foi orientado 
no sentido de eliminar o comércio marítimo aliado, principalmente britânico, última esperança de alcançar 
a vitória. Centenas de submarinos foram construídos em série, com a máxima rapidez, na tentativa 
desesperada de obter a solução. Antes da Segunda Guerra Mundial a Marinha de Guerra germânica foi 
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planejada, tendo ainda como fim principal o ataque ao sistema de transportes marítimos dos inimigos 
eventuais. Também é a dependência ao comércio marítimo por parte das potências anglo-saxônias que 
determinou a ascensão da Marinha de Guerra russa no século XX. 
 Pelas razões acima expostas, pode-se afirmar que a expansão comercial foi um estímulo dos mais 
decisivos para o desenvolvimento marítimo, pois hoje como nos últimos três mil anos o transporte sobre as 
águas é o mais barato e muitas vezes o único viável. Todavia, enquanto nas evoluções marítimas de 
determinados povos o desenvolvimento comercial apareceu como elemento derivado do ambiente 
geográfico ao qual ele se somou incrementando ainda mais os empreendimentos oceânicos, nas evoluções 
do Egito, Alemanha etc., foi a expansão comercial fator inicial e decisivo da marcha dessas nações para as 
aventuras sobre as superfícies líquidas. Não se pode dizer, com efeito, que foi o hábito da navegação que 
levou os egípcios antigos, os alemães ou os americanos a se transformarem em traficantes nos mares, mas 
sim a necessidade de comerciar que os compeliu a cuidarem das empresas marítimas. 
 Paralelamente, verifica-se constituir a capacidade de utilizar as vias marítimas em quaisquer 
circunstâncias, negando ao mesmo tempo sua utilização às potências inimigas, a expressão última e 
almejada do desenvolvimento de uma nação nos oceanos. 
 
 
 
 
 
As Caravelas Portuguesas, um dos marcos do avanço da engenharia náutica realizado pela Escola 
de Sagres, foram responsáveis pelas grandes conquistas oceânicas portuguesas dos séculos XVe 
XVI, e pelo início da Revolução Comercial-Marítima realizada pelas nações europeias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO IV 
 
AS NAÇÕES 
 
1) Portugal: 
Projetada sobre o Oceano Atlântico, a Península Ibérica é a região 
mais ocidental da Europa. 
 Desde épocas pré-históricas, povos lígures e iberos, talvez 
provenientes do norte da África, se estabeleceram na região, seguidos dos 
celtas, oriundos do centro da Europa, nos fins do século VII aC. 
misturaram-se, formando uma população que se convencionou chamar 
de celtibero. Fenícios, gregos e cartagineses, povos marítimos e 
comerciantes, frequentaram a costa mediterrânea da península, 
localizando-se, eventualmente, em trechos dessa costa, fundando 
feitorias ao mesmo tempo em que impregnavam os seus costumes nos 
habitantes. 
 A disputa entre Roma e Cartago pela supremacia no Mar Mediterrâneo 
salientou a importância estratégica da região. A vitória de Roma abriu as 
portas da Ibéria ao seu domínio. Tornou-se célebre a resistência de 
Viriato, chefe destemido dos Lusitanos, que enfrentou as legiões romanas 
a partir de 147aC, conseguindo um acordo de paz em 141aC. A luta 
prosseguiu, terminando com o assassinato de Viriato 139aC por três 
traidores. A destruição de Numância 133aC consolidou a conquista 
romana. A elevada cultura romana exerceu, então, sobre os povos 
mesclados da região, uma forte influência, em especial nos costumes, na 
língua (latim vulgar, que era falado pelos comerciantes e soldados) e na 
religião, com a assimilação do cristianismo. 
Com o enfraquecimento do Império Romano, no século V, povos 
bárbaros penetraram em seus domínios, apoderando-se das terras que 
lhes apraziam. Em 409, álanos, vândalos e suevos conquistaram a 
Península Ibérica sobrepondo-se à população existente e, em parte, 
cristianizada. 
Nada construíram, antes, guerrearam entre si e não puderam resistir à penetração dos visigodos em 
414, chefiados por Ataulfo. Em pouco tempo, os visigodos estenderam o seu poder sobre a península e, 
quando, em 586, morreu o Rei Leovigildo, formavam um poderoso reino. Seu filho Recaredo adotou o 
cristianismo como religião oficial (587). 
 Ao mesmo tempo em que a religião cristã impregnava os habitantes da Península Ibérica, outra 
religião, recentemente formada por Mafoma (Maomé), espalhava-se entre os povos do norte da África. 
Atrair mais elementos, mesmo empregando a Guerra Santa, passou a ser a meta prioritária dos recém-
convertidos. 
 O Rei visigodo Rodrigo não se mostrou com capacidade para detê-los. Derrotado na batalha 
próximo do lago Janda, em julho de 711, reorganizou as forças em Segoyuela, mas, neste local, perdeu o 
reino e a vida (713). Rapidamente, os invasores muçulmanos, em sua maioria berberes, ocuparam a região, 
impondo seus hábitos à população amedrontada. 
 Alguns visigodos cristãos não aceitaram a nova soberania. Refugiaram-se nas montanhas das 
Astúrias e, dirigidos pelo nobre Pelagio, iniciaram a reconquista, Ao mesmo tempo, os invasores exerciam 
na população (chamada moçárabe2) forte influência, dando início à cultura do arroz e da cana-de-açúcar, 
 
2 Moçárabe: população cristã em territórios dominados pelos islâmicos. Apesar de manterem sua fé cristã, adotaram a língua e 
outros costumes árabes durante o período de controle desse povo sobre territórios na península ibérica. Com a retomada do 
controle do território pelos cristãos, os islâmicos que ficaram na mesma condição foram chamados de mudéjare. 
 
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criando a manufatura da seda e da lã, produzindo uma arquitetura de rara beleza, restando muitos exemplos 
na região sul da atual Espanha. 
 Pouco a pouco, os cristãos, espremidos ao norte, organizaram-se e recuperaram territórios aos 
mouros (isto é, aqueles que não professavam a fé católica), transformando-os em mudéjares. 
 Depois da vitória alcançada na batalha de Covadonga, em 718, os cristãos formaram o reino das 
Astúrias. Sucessivamente, constituíram os reinos de Leão, Navarra, Aragão e Castela. A luta contra os 
mouros excitava os nobres, alguns provenientes de outras terras, ávidos de glórias militares e que nela 
divisavam uma verdadeira cruzada. Raimundo, filho do Conde da Borgonha, e seu primo Henrique 
ofereceram-se ao Rei de Leão e Castela, Afonso VI, para participarem das lutas. 
 Os dois jovens francos tão bem se houveram que o rei lhes premiou largamente. Raimundo recebeu 
o governo da Galiza e a filha do rei, Urraca, em casamento. D. Henrique ganhou um pequeno condado, 
chamado Portucalense, cujo nome deriva de uma antiga povoação romana na foz do Rio Douro e a mão de 
outra filha de Afonso VI, Taraja. 
 O Conde Henrique de Borgonha combateu os mouros com vigor. Seu filho, D. Afonso Henriques, 
obteve, em 25 de julho de 1139, uma notável vitória contra os mouros (talvez na região de Beja ou nas 
planuras de Ourique), intitulando-se REX nesse mesmo ano, atitude legitimada graças ao amparo dos papas 
Lúcio II e Alexandre III em troca da vassalagem oferecida. Em 1143, o Rei Afonso VII confirmou, ao 
Conde de Portucale o título de REX (Tratado de Zamora). Estava fundado o Reino de Portugal. 
 A dinastia de Borgonha começa com D. Afonso Henriques. 
Seguiram-se Sancho I, primogênito de D. Afonso Henriques, Afonso 
II, Sancho II, deposto pelo Papa Inocêncio IV, com isso acarretando 
luta civil em Portugal, terminada com a subida, ao trono, de Afonso 
III, D. Dinis, seu filho, em cujo reinado foram criadas as 
Universidades (1290), a princípio em Lisboa e depois (1308) sediada 
em Coimbra, e a Ordem de Cristo (Bula de João XXII de 15 de março 
de 1319), D. Afonso IV, D. Pedro I, que coroou Inês de Castro rainha 
depois de morta, e, finalmente, D. Fernando, falecido em 1383. 
Entretanto, foi ele quem aumentou o espaço geográfico do reino, 
tomando-o, palmo a palmo aos mouros, conquistando também o 
reino do Algarve, ao sul. 
 
Esta fase da história portuguesa é caracteristicamente 
militar, como consequência da Guerra de Reconquista. A 
principal atividade econômica é a agricultura. O rei governava 
seus súditos com firmeza, convocando, quando lhe aprazia, uma 
assembleia, intitulada Cortes, composta por representantes dos 
nobres, clero e povo, Portugal não experimentou um sistema 
feudal como ocorria em outras regiões europeias, em 
decorrência do poder exercido pela realeza. 
Essa política centralizadora só foi possível graças à 
criação de vários funcionários incumbidos do sistema fiscal e 
judiciário, capazes de transitar no emaranhado de leis que se 
encontravam em vigor. A primeira tentativa de ordenar a 
legislação ocorreu no reinado de Afonso III; chamou-se Livro 
das Leis e Posturas. 
Com a morte de D. Fernando, pretendeu o trono D. João, 
rei de Castela, casado com D. Beatriz, filha do rei falecido. O povo e pequena parte da nobreza apoiaram a 
D. João, mestre da Ordem de Cavalaria de Avis, filho bastardo de D. Pedro I. Na batalha de Aljubarrota 
(1385), o Mestre de Avis, ajudado pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira, venceu as pretensões dos 
castelhanos e deu início à Dinastia de Avis. D. João I instalou-se firmemente no trono, caminhando para o 
absolutismo monárquico. Ligado à burguesia, reduziu os direitos dos nobres e do clero, ao mesmo tempo 
em que se voltou para o alargamento dos horizontes comerciais, exigidos por essa mesma burguesia, que 
 
 
Observatório de Sagres, no Cabo São 
Vicente, ao Sul do Algarve 
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cobiçava as riquezas das distantes Índias. Diversas cidadeslitorâneas transformaram-se em entrepostos 
comerciais; a pesca se desenvolveu. 
 D. João I faleceu em 1433, substituído por seu filho D. Duarte, que instituiu a Lei Mental 
(08/04/1434) que assim se chamou porque já se achava estruturada na mente de D. João I, possivelmente 
com a ajuda do doutor João das Regras. Em síntese, ela proibia que os não primogênitos, mulheres, 
ascendentes e colaterais pudessem herdar bens doados pela Coroa. Foi, assim, um duro golpe na nobreza. 
 No reinado seguinte, de D. Afonso V, as leis de Portugal foram reunidas nas Ordenações Afonsinas 
que receberam publicação em 1446. 
 Depois dos vikings, os portugueses foram os primeiros que lançaram as vistas para a imensidão do 
oceano Atlântico. Diversas causas concorreram para dar a esse pequeno povo uma hegemonia mercantil de 
caráter colonial. Portugal só aparentemente está ligado ao planalto castelhano, pois o curso alto dos rios 
peninsulares não é navegável por causa da estiagem e da irregularidade do fundo do leito. Em compensação, 
a navegabilidade do curso baixo dos rios, juntamente com os grandes portos do litoral, deu conexão 
econômica às regiões ocidentais, de maneira que Portugal constitui um Estado costeiro com interesses 
marítimos perfeitamente definidos. As aspirações nacionais orientaram-se assim necessariamente para o 
mar. 
 Por outro lado, no Portugal primitivo, a produção industrial, excluindo-se a da marinha de sal, mal 
bastava às mais elementares necessidades da vida cotidiana. Por escassas que fossem, e de fato o eram, as 
aspirações de conforto ou de luxo então existentes, só pelo comércio de importação poderiam ser satisfeitas. 
Em contrapartida, havia excedentes quanto a certos produtos agrícolas, pecuários e apícolas e neles se 
encontraria natural fundamento de equilibradas trocas comerciais. 
Porém só com os progressos da constituição 
territorial do País essas trocas se estabeleceram em 
acentuado ritmo, criando-se então condições 
adequadas e, como, ao tomarem vulto, elas 
impunham o uso da via marítima, também só então 
verdadeiramente se estabeleceu o contato entre o 
Homem e o Mar na orla do ocidente peninsular em 
que se instituíra o Estado português. 
 A conquista de Lisboa (1147), transferindo 
para os portugueses a posse de um porto natural de 
excepcional valor, abria à expansão comercial 
portuguesa por via marítima as mais lisonjeiras 
perspectivas; e a posse de Silves, temporária 
primeiro (1189-1191), definitiva desde os meados 
do século XIII, privando os muçulmanos do último 
dos seus grandes portos ocidentais, bases de ação 
naval depredadora dos litorais cristãos - consolidou 
as condições de segurança necessárias àquela 
expansão. 
 Pode dizer-se que até o fim do século XII não houve marinha da Espanha Ocidental. As lutas de 
reconquista eram exclusivamente por terra, e a imperícia marítima dos cristãos, juntamente com os relativos 
progressos dos árabes, concorria para tornar difícil a conservação das praças litorâneas conquistadas. Os 
primeiros dispunham apenas de pequenas lanchas costeiras, enquanto os outros, tinham navios 
regularmente armados e equipados, com que percorriam toda a costa ocidental, refrescando nos seus portos, 
abastecendo-os de munições e gente quando estavam cercados e desembarcando amiúde com o fim de 
atacar os campos dos cristãos e cativar os indefesos. Mas, desde meados do século XII o exame das armas 
de cruzados, com cujo auxílio Lisboa e depois Alcácer foram tomadas, tinha vindo acrescentar os 
conhecimentos, demonstrando ao mesmo tempo que sem o império no mar, jamais poderia levar-se a cabo 
a conquista do sul do reino. 
A conquista de Constantinopla pelos turcos em 29 de maio de 1453, seguida pouco depois pela da 
Ásia Menor e da Península dos Bálcãs, acarretou o dano e, por fim, a supressão do tráfego que as cidades 
 
Antigo mapa de Lisboa, cerca de 1812, 
feito pelo inglês Sir Arthur, conde de Wellington, 
durante as Guerras Napoleônicas. 
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comerciais da Itália, especialmente Gênova, mantinham com os Portos do Bósforo, do mar Negro e do 
Cáspio. A conquista de Constantinopla marcou o início de um crescente movimento de destruição das 
vantagens e regalias comerciais que Veneza e Gênova usufruíam há muito tempo. Tornaram-se dia a dia 
mais difíceis as relações das colônias italianas estabelecidas no antigo Império Bizantino com as cidades 
pátrias, não só pelas dificuldades do intercâmbio, como pelas depredações, confiscos e perdas de foros que 
elas próprias sofriam. Por fim, os descobrimentos portugueses no Atlântico deslocaram as correntes 
mercantis que cruzavam o Mediterrâneo da Ásia para a Europa. Quando Pedro Pasqualigo, embaixador de 
Veneza em Lisboa, comunicou que os portugueses tinham achado uma nova rota para as Índias e oferecido 
especiarias mais baratas que os venezianos, esse acontecimento foi considerado um desastre público. Em 
consequência, os venezianos fizeram saber ao sultão do Egito que seu país e sua religião estavam em perigo 
e ofereceram-lhe armas e braços para exterminar os recém-vindos. A ajuda veneziana aos camorins hindus 
não impediu, contudo, o estabelecimento dos portugueses na Índia e noutros pontos do Oriente. Assim, 
outra das principais fontes da prosperidade da República mudou de explorador. 
Veneza, provida de uma marinha grandiosa, superior a de qualquer outro Estado, pôde conservar 
ainda no século XVI um prestígio invejável e uma importância política e comercial incomum. As fontes de 
sua prosperidade e de seu poderio se achavam, entretanto, já cortadas, e a decadência processou-se 
inexoravelmente daí por diante, até o final do século XVIII, quando Napoleão extinguiu o Estado 
Veneziano. 
 A empresa de Silves, no tempo de Sancho I, já tinha navios portugueses. Essa marinha existiu nos 
reinados de Sancho II e de Afonso III, como o provam as expedições marítimas que terminaram pela 
conquista definitiva do Algarves e as façanhas do lendário Fuás Roupinho. Havia então já um corpo de 
tropas especiais de embarque e nas terceiras navais se construía, sob direção de mestres estrangeiros, navios 
de alto bordo para as frotas militares do rei. A frota de navios grossos que ajudara a tomada de Faro, as 
fustas, as barcas, as caravelas, as pinaças e as bojudas naus do tempo deviam, em caso de guerra, defender 
eficazmente o magnífico estuário do Tejo. No tempo de Afonso III, já o poder marítimo português é de tal 
ordem que os navios vão em socorro à Castela, e o Papa convida os lusitanos a acompanhar as gentes do 
Norte às cruzadas. 
 Livre da ameaça árabe, graças à conquista das principais cidades costeiras e sendo propelido para o 
mar em virtude de razões já citadas, o comércio português pôde iniciar seus primeiros passos. Já em 1194 
há notícias de ter naufragado um navio português que se destinava a Bruges, e os portugueses são 
encontrados nos meados do século XII na feira anual de São Demétrio em Tessalônica. Em 1202, João Sem 
Terra tomava sob sua proteção os mercadores portugueses que fossem residir nos seus domínios. Em 1290, 
as relações comerciais com a França eram já tão importantes que Filipe, o Belo, concedeu aos mercadores 
portugueses que frequentavam o porto de Honfleur, importantes privilégios, confirmados depois por vários 
monarcas franceses que àquele sucederam. Inversamente, os comerciantes estrangeiros começaram a 
interessar-se por Portugal. Os armadores da Normandia, do Flandres e da Inglaterra já no fim do século 
XIII demandavam o Tejo para mercadejar. 
 Com o desenvolvimento do comércio, o da marinha, sua servidora, impulsionou por sua vez a 
indústria de construção naval nas margens do Tejo. Em 1237 e 1260, fazem-se referências muito claras ao 
arsenal régio e à carreira de construção em Lisboa. 
 O reinado de D. Diniz marca uma segundaera na história da Marinha nacional. Sendo a Marinha 
Mercante e a Militar reciprocamente indispensável, os cuidados do rei administrador dirigiram-se 
principalmente a fomentar a primeira, cuja importância o tratado de comércio feito em 1308 com a 
Inglaterra acusa D. Diniz na sua eficiente missão organizadora, tendo criado o serviço de recrutamento nas 
povoações marítimas. 
 As condições de navegação nessa época de pirataria infrene impunham caráter militar à Marinha 
Mercante, confundindo-se assim as duas marinhas nacionais, cujo incremento levou D. Diniz a criar, em 
1307, para sua superintendência, o cargo de Almirante Maior. 
 A obra de D. Diniz foi continuada por D. Fernando, que assistiu ao pleno desenvolvimento de uma 
potência comercial e marítima. O rei em pessoa era armador e negociante de certos gêneros exclusivos. 
Criou o rei bolsas de seguros marítimos mútuos, em Lisboa e no Porto, com o produto de uma taxa especial 
lançada sobre o comércio, instituindo o cadastro ou estatística naval. Reduziu à metade os direitos de 
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importação dos gêneros trazidos por navios nacionais, estabelecendo assim um direito diferencial de 
bandeira, a cuja sombra se multiplicou o número dos navios mercantes portugueses. Deu, aos que 
desejassem construí-los, a faculdade de cortar as madeiras nas matas reais. Os cuidados do rei em favor da 
Marinha Mercante abraçavam também a Marinha de Guerra. A armada que foi bloquear Sevilha (1372) era 
no dizer do cronista – formosa campanha de ver – e contava trinta e duas galés e trinta naus redondas. Vinte 
e três meses teve bloqueado o Guadalquivir e retirou-se o bloqueio com o decreto de paz. Outra frota quase 
tão poderosa como essa foi ainda ao Mediterrâneo, na seguinte guerra de Castela, para sofrer o desastre de 
Saltes (1381). 
A Marinha foi uma criação da monarquia e um produto da nação. Desde a reunião das esquadras 
cruzadas no Tejo para a conquista de Lisboa, desde a introdução dos genoveses, que vieram ensinar a 
navegar, vê-se começar a se formar essa nação cosmopolita, destinada à vida comercial, marítima e 
colonizadora. Toda a atenção administrativa se aplica para o desenvolvimento da navegação e do comércio 
pelo magnífico porto aonde todos os navios, em viagem dos mares do Norte para o Mediterrâneo, vinham 
refrescar, desde que Lisboa era cristã. 
O desenvolvimento do comércio, da navegação e de outras atividades correlatas, como não podia 
deixar de ser, promoveu em Portugal a ascensão da burguesia que até então pouca importância tivera no 
quadro social da nação. Esta burguesia comercial, rica, ativa, inteligente, não podia deixar de sentir as 
mesmas aspirações das suas congêneres das restantes nações marítimas da Europa. E a sua influência na 
gênese da expansão marítima portuguesa não se pode negar. Influência bem poderosa, porquanto é certo 
que desde meados do século XIV a sua ação política era progressiva. No século seguinte, os reis portugueses 
já dispunham do instrumento marítimo indispensável a obras mais vastas. 
Sobre a abertura do mar, o primeiro lugar cabe indiscutivelmente aos portugueses. Foram eles que 
durante mais de 200 anos abriram novos caminhos, exploraram novas fontes de riquezas e descobriram 
novas terras. A descoberta da América por Colombo, a serviço da Espanha, é um episódio isolado, ao passo 
que as navegações portuguesas se desenrolaram com caráter de continuidade e, muitas vezes, com planos 
preestabelecidos. 
Portugal inicia em 1415, conquistando Ceuta, uma 
obra de expansão com um horizonte tão vasto que em menos 
de um século realizou todos os objetivos econômicos da 
Europa, duplicou os conhecimentos geográficos e feriu de 
morte o poder muçulmano no Oriente. Duas ordens de razões 
explicam a primazia de Portugal, desde que a expansão 
ultramarina perdeu a feição de mero tentame, característico 
dos séculos XIII e XIV: por um lado, a incapacidade das 
demais nações marítimas; por outro, o grau de aptidão que 
Portugal atingira. 
 Veneza, Gênova e Aragão, sobre não disporem de 
recursos financeiros e militares exigidos por uma nação 
completa e demorada, eram potências mediterrâneas, 
portanto com uma situação geográfica que as colocava em 
nível de inferioridade relativamente à expansão por via 
atlântica. 
Castela e França estavam a braços com alarmantes 
problemas políticos e militares de que dependia a sua 
definitiva constituição territorial. Em Portugal, pelo 
contrário, tudo se congregava no sentido de tornar viável a 
obra de expansão com que sonhavam todos os grandes 
espíritos europeus. 
A extensão territorial e a independência nacional eram problemas definitivamente resolvidos; 
Portugal podia consagrar todos os seus esforços a outro qualquer empreendimento. Estreita faixa de terra 
debruçada sobre o Atlântico, a situação geográfica e uma remota atividade marítima dos habitantes já de 
 
 
Ceuta, hoje território 
espanhol no Marrocos. 
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antemão estabeleciam o sentido atlântico da expansão portuguesa. Inicialmente, o objetivo do príncipe D. 
Henrique era modesto: explorar as costas da África além do cabo Não3. 
 Em meio ao primeiro quartel do século XV, a virtual 
capacidade portuguesa para a tarefa do descobrimento marítimo foi 
valorizada pela clarividente e firme intervenção de um homem o 
infante D. Henrique, comumente conhecido pelo epíteto de 
Navegador, não porque largamente tivesse navegado, pois não 
excederam Marrocos os seus maiores percursos marítimos, mas por 
se reconhecer que à sua ação decisiva se deveram o início e os 
primeiros êxitos da expansão ultramarina portuguesa. Fundando a 
Escola de Navegação e o Observatório, em Sagres, o infante D. 
Henrique não só proporcionou aos marinheiros portugueses 
elementos para mais arrojadas investidas contra o oceano, como 
também sistematizou as expedições marítimas que passaram a serem 
organizadas em obediência a diretrizes seguras. A bússola, o 
astrolábio e o quadrante já guiavam as expedições marítimas 
enviadas anualmente de Sagres pelo Infante a sondar o oceano, ou a 
descer a costa para o sul. As ilhas de Porto Santo, Madeira e os 
Açores foram por esta forma descobertas. 
Com o ano de 1434, abriu-se na história de Portugal um período de sistemáticas explorações 
marítimas que, lançadas cadencialmente como vagas contra a costa de todo o sul da África, em sessenta e 
quatro anos rasgara o caminho pelo oceano até a Índia. A primeira que se registra é a de Afonso Gonçalves 
Balda e de Gil Eanes que, com uma barca e um barinel4, foram para além do Bojador cerca de cinquenta 
léguas. Nos anos seguintes, outros exploradores avançaram cada vez mais, para o sul, tendo Nuno Tristão 
ultrapassado o cabo Branco. A mais baixa latitude geográfica (10ºN) logrou-a em 1446 Álvaro Fernandes, 
sobrinho do Capitão Zarar, que foi para o sul do cabo Verde cento e dez léguas. 
Na data da morte do Infante (1460) estavam, por conseguinte, descobertos, reconhecidos, estudados 
e explorados cerca de dois mil quilômetros de costa para além do cabo Bojador. 
 No reinado de Afonso V, as expedições foram em pequeno número. As campanhas marroquinas 
desviavam a atenção da conquista do oceano. Todavia, o golfo da Guiné foi reconhecido graças às viagens 
empreendidas por iniciativa de Fernão Gomes, cidadão de Lisboa. Destacaram-se as expedições de 
Fernando Pó, Lopo Gonçalves, Rui Sequeira, Diogo Cão e Pero de Sintra, que em 1471, segundo consta, 
foi o primeiro navegante português a atingir o hemisfério sul. 
 A empresa iniciada pelo infante D. Henrique prosseguiu nas mãos do rei D. João II que tomou a 
peito descobrir os mundos remotos. O seu poder naval era já tão grande, que o Tejovia com pasmo o 
famoso galeão de mil tonéis, monstro boiando n'água, eriçado de canhões. Nunca os estaleiros tinham 
produzido navio tão grande. Mandou o rei aperfeiçoar as bússolas, desenhar cartas marítimas para 
orientação das rotas, cometendo esses estudos a uma junta que fez as primeiras tábuas de declinação do 
Sol. 
 As expedições marítimas foram reiniciadas com maiores recursos. Em 1486 Bartolomeu Dias recebe 
a missão de descobrir a passagem sul do continente africano, e, em 1488, após ter sido jogado mar afora 
por uma violenta tempestade, voltou para leste para retomar o acompanhamento do litoral como vinha 
fazendo e teve a surpresa de verificar que não o encontrava mais; voltou então para o norte e reencontrou 
o litoral à sua frente (W-E); após prosseguir para leste algum tempo voltou e só então descobriu o extremo 
sul da África, que, muito acertadamente, chamou de cabo das Tormentas, rebatizado mais tarde de cabo da 
Boa Esperança. 
 
 
3 O Cabo Não ou Cabo do Não, actual Cabo Chaunar, é um cabo situado na costa atlântica da África, no sul do Marrocos, 
entre Tarfaya e Sidi Ifni. Até ao século XV era considerado intransponível por europeus e muçulmanos, de onde se originou o 
seu nome. 
4 Barca era um navio pequeno de madeira, com uma só coberta e com velas latinas e que podia levar ou não cesto de gávea. 
Barinel é uma embarcação pequena que possui vela quadrangular podendo também ser movido utilzando remos. 
 
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/68/Morocco_CIA_WFB_map-pt.png
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1.1) A Descoberta do Caminho Marítimo para as Índias: 
 
Portugal não se garantiu apenas por meio de instrumento diplomático na questão da propriedade das 
terras descobertas e por descobrir. Usou também o velho e eficiente recurso da união familiar: D. Manuel, 
rei de Portugal, pediu a mão de D. Isabel, filha dos Reis católicos Fernando e Isabel, para sua rainha, 
realizando-se o casamento em 1497. Somente depois de garantidas para si as terras africanas já 
descobertas e afastada durante muito tempo a possibilidade de conflito com a Espanha é que Portugal 
reiniciou a sua jornada para as Índias pelo oriente. 
No entanto, quando Vasco da Gama parte em 1497, ele segue a rota de todos os navegantes que 
demandavam a costa da África até a altura de Serra Leoa e daí, surpreendentemente, guina para alto mar, 
afastando-se do golfo da Guiné, região onde as calmarias eram frequentes e onde começava o trecho do 
litoral africano em que a corrente de Benguela e os ventos dominantes são contrários ao sentido de 
navegação. A corrente Sul-Equatorial e os ventos dominantes o levam para além do meio do Atlântico, a 
ponto de ver sinais de terra, do que daria notícia a Cabral, quando este partiu para sua viagem em 1499, 
da qual resultaria a descoberta do Brasil. Durante três meses só vê céu e água. Navegando decididamente 
no rumo aproximado sul, vai encontrar, na altura do Prata e do sul da África, correntes e ventos favoráveis 
que o levam diretamente ao extremo sul da África. 
Nos dez anos que 
mediaram entre essas duas 
viagens e enquanto tantas 
coisas importantes aconte-
ciam, como já vimos, é obvio 
que alguém andou esquadri-
nhando todo o Atlântico Sul. 
Observando o regime dos 
ventos, não nos surpreende-
remos tanto com a viagem de 
Vasco da Gama, pois na 
navegação para o golfo da 
Guiné a ida e a volta não se 
faziam pelo mesmo caminho, 
o que demonstrava perfeito 
conhecimento do regime e do 
sentido das correntes 
marinhas no Atlântico Norte. 
 
Passado o cabo da Boa Esperança, sobe ele o litoral africano do Índico até encontrar povos que lhe 
dão seguras notícias das Índias, pois mantinham com essas regiões um comércio regular; esse comércio era 
feito pelos árabes, que desde o século VIII possuíam o domínio do mar no oceano Índico. Contratando, por 
bom dinheiro, um excelente piloto árabe, Vasco da Gama segue diretamente para as tão desejadas Índias, 
aonde chega às proximidades de Calicute, em 20 de maio de 1498. 
Os navios lusitanos, de grande porte em comparação com os dos árabes, não tinham a liberdade de 
ação dos navios de guerra inimigos, mas tinham maior poder de fogo. E o mundo estava entrando numa 
época de predomínio do fogo sobre movimento e choque. Foi nessa disputa que os portugueses, apesar das 
distâncias mas fortemente amparados por um governo resoluto, em poucos anos tomaram dos orientais o 
domínio dos mares índicos e passaram a exercer, com exclusividade, o comércio das especiarias e demais 
mercadorias do Oriente para a Europa. 
 Com a chegada de Vasco da Gama a Calicute na Índia, a ligação marítima imediata entre a Europa 
e as Índias tinha sido conseguida. O encontro dessa rota marítima foi somente o primeiro passo para o 
verdadeiro fim. A questão mais difícil estava ainda de pé: estabelecer nas costas índicas mediante pacíficas 
negociações com os chefes indígenas ou por imposição da força, pontos de apoio para o comércio e adquirir 
depois, em face dos árabes, uma posição dominante. Os árabes tinham em seu poder, há vários séculos, 
toda a navegação comercial pelo mar Vermelho e do golfo Pérsico até Málaca, depósito principal dos 
produtos da Ásia Oriental. Era preciso arrebatar aos árabes essa situação de predomínio. 
 Mal Vasco da Gama regressou com as provas do resultado feliz de sua viagem, treze navios se 
fizeram à vela sob o comando de Pedro Álvares Cabral, levando mil e duzentos soldados para vencer os 
hindus. Ao demandar o cabo da Boa Esperança, a frota aportou ao litoral brasileiro, acrescendo dessa forma 
os domínios do rei de Portugal, tomando posse das terras demarcadas pelo Tratado de Tordesilhas. Na Índia, 
Cabral recebeu por toda parte votos de amizade e voltou para Portugal carregando riquezas nos poucos 
navios que haviam escapado às desventuras da expedição. O rei, encorajado por esse primeiro ensaio, 
 
Representação de Calecute no atlas 
"Civitates orbis terrarum" 
(Georg Braun e Franz Hogenber, 1572 
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Calicut_1572.jpg
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equipou quinze navios de alto bordo, sendo confiado o comando a Vasco da Gama. O almirante português 
reduziu vários estados à condição de tributários, destroçou a frota do samorim de Calicute, e a presa enorme 
que encontrou nesses navios valeu-lhe uma acolhida entusiástica no regresso. 
 Em viagem posterior, Francisco de Albuquerque obteve consentimento do rei de Cochin para 
construir o Forte de Santiago e a Igreja de São Bartolomeu. Assim foi colocada a primeira pedra do domínio 
espiritual e temporal de Portugal no país, domínio que iria durar até 1961. A heróica resistência no Forte 
Santiago, com Eduardo Pacheco à frente de um punhado de bravos, contra a investida de dezenas de 
milhares de soldados do samorim consolidou a posição portuguesa na Índia. A partir desse momento, 
Portugal se considerou senhor dessas paragens. Não satisfeito de retirar ricas mercadorias, enviou Francisco 
de Almeida na qualidade de Vice-Rei. A prudência e o valor de Almeida foram coroados do mais feliz 
sucesso. Ele submeteu as tribos dos reis de Quiloa, de Mombaça e de outros Estados, construindo também 
muitos fortes. Lourenço, seu filho, abordou a ilha de Ceilão. A posição e os portos dessa ilha fazem com 
que ele seja o centro do comércio da África e da China. Nenhum porto é comparável, nesses mares, ao de 
Trinquernale. 
O Plano de domínio português acha-se esboçado na carta que o primeiro Vice-Rei, Francisco de 
Almeida, enviou a D. Manuel I. É esse um dos documentos mais importantes da história portuguesa no 
Oriente: "Toda a nossa força seja no mar, desistamosde nos apropriar da terra. As tradições antigas de 
conquista, o império sobre reinos tão distantes não convém. Destruamos estas gentes novas [árabes, 
afegãos, etíopes, turcomanos] e assentemos as velhas e naturais desta terra e costa e depois iremos mais 
longe. Com as nossas esquadras teremos seguro o mar e protegidos os indígenas em cujo nome reinaremos 
de fato sobre a Índia, e se o que queremos são os produtos dela, o nosso império marítimo assegurará o 
monopólio português contra o turco e o veneziano”. 
 Perante a ameaça portuguesa e instigado por Veneza, o 
sultão do Egito enviou para a Índia, mar Vermelho abaixo, uma 
numerosa frota de guerra. Porém em Diu, a 3 de fevereiro de 
1509, Francisco de Almeida a destroçou, apesar de os egípcios 
contarem com o concurso de artilheiros italianos. 
 Nos anos seguintes, os portugueses iniciaram uma 
política de conquista que, graças aos eminentes dotes militares 
de Afonso de Albuquerque, se traduziu numa série de 
extraordinários êxitos. Assaltou Goa, na costa de Malabar; 
depois ocupou as Molucas e após uma desesperada luta 
apoderou-se da rica cidade de Malaca. A notícia das invencíveis 
esquadras estrangeiras, estendendo-se ao longo dos países 
litorâneos do oceano Índico e de todas as partes, acudiram 
embaixadores de reis indígenas para fazer alianças e tratados de 
comércio. 
Esses acordos permitiram o estabelecimento de feitorias e a 
construção de firmes fortalezas para protegerem os comerciantes 
portugueses. Desse modo, ficou o Extremo Oriente submetido à 
esfera de interesse da Lusitânia. Mas Albuquerque percebeu, com 
extraordinária perspicácia que, para aniquilar totalmente a 
hegemonia mercantil dos árabes (mouros, como diziam os 
portugueses), era preciso obturar a rota de importância mundial até 
então, que atravessava o mar Vermelho e o Golfo Pérsico. Todos 
os seus recursos militares fracassaram diante dos muros de Aden, 
mas no ano de 1515 conseguiu forçar a cidade de Ormuz e, 
levantando nela uma grande fortaleza, cortou ao comércio arábico 
a ligação com o Mediterrâneo. Ormuz, Goa e Malaca, os três 
pontos cardeais do império fundado por Albuquerque no breve 
período de cinco anos, valiam o domínio em todo o mar das Índias 
 
 
 
Península Arábica 
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/03/Lagekarte_Daman_und_Diu.svg.png
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e a vassalagem de todas as costas, desde Sofala, em África, ao cabo de Jar-Hafum; desde Khor Fakhan, na 
Arábia, até o golfo Pérsico; desde o Indo até ao cabo Kumari; daí às bocas do Ganges e, descendo pelo 
Arakan e pelo Pegu, até Malaca com as ilhas dispersas de Madagascar e Sokotra, Anjediva, os arquipélagos 
de Lakha (Laquedivas) e de Malaca (Maldivas), Sinala (Ceilão) e Sumatra e Java, Bornéu e as Molucas até 
os pontos extremos de Banda e Ambon. 
 Decaídos os árabes de sua privilegiada posição de intermediários entre o Oriente e o Ocidente, a 
corrente de produtos orientais, que da Ásia anteriormente ia para a Europa através do Mediterrâneo, foi 
encaminhada diretamente para Portugal, seguindo a via marítima. 
 A expansão portuguesa na Ásia continuou no decorrer de quase todo o século XVI, exigindo 
frequentemente o recurso às armas, o que absorvia grande parte dos recursos do reino. Durante esse tempo, 
os portugueses mantinham suas pretensões no Marrocos, sustentando diversas guerras, embora de pequena 
envergadura. Ao mesmo tempo, seus navegantes descobriram várias ilhas no Atlântico Sul, chegaram às 
costas do Canadá e exploraram quase todo o litoral da América do Sul. A partir da terceira década desse 
século também foi iniciada a colonização do Brasil, e Portugal soube defender com indomável energia a 
posse das novas terras, enfrentando a crescente agressividade de marinheiros ingleses, franceses e 
holandeses. Num extremo do mundo, seus marinheiros, comerciantes e religiosos chegaram ao Japão e se 
estabeleceram em Macau, na China; no outro, seus pescadores, ao largo da Terra Nova começaram a retirar 
dos mares o bacalhau ali encontrado em cardumes imensos e, segundo consta, auxiliaram o navegante 
francês Jacques Cartier nas suas primeiras explorações no Canadá. Assim, os portugueses, que não tinham 
quarenta mil homens sob armas, faziam tremer o Império de Marrocos, os Berberes da África, os 
mamelucos, os árabes e todo o Oriente de Ormuz à China, do cabo da Boa Esperança até Cantão, exercendo 
seu domínio sobre mais de quatro mil léguas, por meio de uma cadeia de empórios e fortalezas. 
 
1.2) Outras Navegações Portuguesas: 
 
Os lusos andaram mesmo, como diz o poema famoso Os Lusíadas, “por mares nunca dantes 
navegados”, pelo menos por europeus. 
Mesmo antes da descoberta da América por Colombo, já nela teriam estado os portugueses: em 
1491, João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem estiveram na Terra Nova e, no mesmo ano da viagem 
de Colombo, João Fernandes Labrador e Pedro de Barcelos descobriram a península que teria até hoje o 
nome do primeiro. 
Em 1501, Gaspar Corte Real descobriu o estreito de Davis, entre a Groenlândia e o continente norte-
americano e esteve naquela grande ilha. 
As navegações lusitanas no Índico levaram à conquista de quase toda a costa da África e à descoberta 
de inúmeras ilhas (Ceilão, Maurício, Reunião, Madagascar, Maldivas, Sonda, Sumatra, etc.). 
Em 1516, Duarte Coelho atinge a Cochinchina (atual Vietnã) e, em 1525, Luiz Vaz Torres descobre a 
Austrália. A Nova Guiné, em 1538, com João Fogaça, e o Japão, em 1541, com Fernão Mendes Pinto e 
Antônio da Mota, mostram quão longe chegaram os portugueses para as bandas do Oriente. 
Mas, o ponto alto das navegações lusitanas viria com as viagens de João Martins que, em 1588, 
descobriu a passagem do noroeste, passando pelo estreito de Davis, mar de Baffin, ilhas Árticas, norte do 
Alasca e estreito de Bering, vindo a sair no Pacífico, e de David Melgueiro que, em 1660, descobriu a 
passagem do nordeste, partindo do Japão, passando pelo norte da Sibéria e das ilhas Spitzberg e chegando 
a Portugal pelo norte do Atlântico. 
Desse imenso império colonial pouco restou a Portugal; a decadência começou em 1580 com a 
entrega da coroa ao Rei espanhol Felipe II, o que fez com que os holandeses, que estavam em luta com os 
espanhóis, passassem a atacar os navios portugueses. 
 
1.3) O Apogeu de Portugal: 
 
Apesar dos sintomas de decomposição, o império comercial português atingiu, no fim do século 
XVI, o seu apogeu. As frotas singravam carregadas de preciosidades até os mares do Japão e da China, 
requerendo o serviço de mais de quatrocentos navios de alto bordo, além de duas mil caravelas e vasos 
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menores. Considerada a obra toda do pequeno reino, convém reconhecer a sua grandeza excepcional em 
relação às limitações de recursos. Portugal era um pequeno Estado com escassa população e condições 
econômicas limitadas. Fundando sua expansão política e econômica no comércio marítimo e no império 
colonial viu-se face a face com as grandes potências marítimas que ambicionavam por igual a implantação 
de colônias e linhas de comércio oceânicas. Exangue em homens, sem recursos, principalmente devido às 
funestas campanhas no Marrocos, e tendo perdido a independência para a Espanha após o desastre de 
Alcácer-Kibir5, Portugal não pôde manter a maior parte de seu grandioso império ante a investida cada vez 
mais pertinaz das novas potências marítimas surgidas na Europa. Enquanto os Países Baixos solapavam o 
poder lusitano nas Índias Orientais, seja por ações diretas, seja fomentando a rebelião dos indígenas já 
submetidos, a Inglaterra colaborava na ruína do império português, ajudando em 1622 a Pérsia a 
reconquistar Ormuz. A Espanha,que se esforçava para proteger suas colônias na América, deixou em pleno 
abandono as possessões portuguesas. No Brasil, onde já havia uma população de origem portuguesa 
relativamente numerosa, as investidas holandesas fracassaram, mas na África e no Oriente os empórios e 
fortalezas lusitanas, que dispunham de limitadas guarnições e com as comunicações precariamente 
mantidas com a metrópole, foram sendo tomadas uma a uma. 
 Em 1640, Portugal conseguiu sacudir o domínio espanhol. D. 
João IV, elevado ao trono pelo voto popular, encontrou o reino 
arruinado por 61 anos de servidão (União Ibérica), sem exército, sem 
navios, sem artilharia. Seguiram-se quase vinte anos de guerras antes 
que a independência portuguesa fosse formal e definitivamente 
reconhecida pelas demais potências europeias. Os portugueses 
recobraram o Brasil, mas perderam as Molucas, Cochim, Ceilão, o cabo 
da Boa Esperança e tudo mais de que os holandeses se haviam 
apoderado nas Índias Orientais. Por outro lado, já não havia condições 
nos séculos XV e XVI para serem recomeçadas as aventuras oceânicas. 
O tempo do valor pessoal havia passado. No lugar das navegações 
aventurosas estavam estabelecidas linhas de comércio regular 
controladas por rivais poderosos. Dessa forma, a Holanda e a Inglaterra 
foram as herdeiras do império econômico construído por Portugal. 
 
2) Espanha: 
 
A Espanha, com seu planalto extenso cercado de ásperas 
cordilheiras, é um país nitidamente continental. Os rios 
caudalosos na época das chuvas e secos no verão, fechados quase 
sempre por bancos em sua desembocadura, prestam-se pouco à 
navegação. Também não tem a Espanha bons portos, e mesmo o 
tráfego pela costa é difícil. Em oposição a Portugal, a Espanha é 
um país interior, no qual, ao lado da agricultura, da viticultura e 
da criação do bicho-da-seda, teve grande importância a indústria 
pastoril. Além disso, o país era bastante extenso para alimentar 
devidamente a população, de maneira 
que esta não sentia necessidade alguma de arriscar-se em empresas ultramarinas para aquisição de novas 
terras. 
 
5 O desastre de Alcácer-Kibir corresponde ao falecimento do rei de Portugal D. Sebastião, que combatendo no norte da África 
os mulçumanos, ainda como parte das guerras de reconquista e das cruzadas, desaparece em batalha. Sua morte gera duas 
situações históricas: a primeira é que ele tinha 23 anos de idade à época e ainda não tinha herdeiros. Após sua morte, assumiu o 
trono seu tio que era cardeal da Igreja Romana e que ao morrer também não tinha herdeiros, permitindo a tomada do trono de 
Portugal pelos espanhóis, correspondendo este período à União Ibérica. A segunda situação é que seu desaparecimento fomentou 
histórias de que ele havia sido arrebatado ao reino dos céus e de lá retornaria comandando hordas celestiais para combater os 
infiéis mulçumanos. Deste fato surgem os movimentos religiosos conhecidos como sebastianistas, com ações principalmente na 
colônia portuguesa do Brasil. 
 
 
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 Embora houvesse ao longo do litoral uma população de arrojados marinheiros, como os de 
Barcelona e Valência, os quais enfrentaram na Idade Média lutas porfiadas contra as frotas das cidades 
marítimas italianas, os espanhóis não teriam empreendido, possivelmente, o caminho dos descobrimentos, 
se um estrangeiro, o genovês Cristóvão Colombo, não lhes tivesse mostrado as rotas do oceano. Além de 
apresentar seus planos por duas vezes ao governo espanhol, Colombo tentou conseguir o apoio de Gênova, 
Inglaterra, França e Portugal. 
Pouco antes de a expansão marítima portuguesa atingir o objetivo de chegar às Índias, a Espanha 
acabou por organizar expedições atlânticas, tornando-se a segunda monarquia europeia a fazê-lo. A 
primeira viagem espanhola, bastante modesta, foi concebida em 1492 por Cristóvão Colombo. Partiu em 
agosto daquele ano, em três pequenas caravelas, com o projeto de atingir as Índias contornando o globo 
terrestre, navegando sempre em direção ao Ocidente. Assim, buscava-se uma rota alternativa àquela 
controlada pelos portugueses no sul, em torno da África. 
A ideia de Colombo era relativamente simples: partindo do pressuposto de que a Terra era redonda, 
as Índias poderiam ser atingidas navegando-se para o ocidente em vez do oriente. Como, porém, 
a base de sua argumentação (a redondeza da Terra) fosse assunto mais do que discutido, até inaceitável para 
a época, Colombo foi muitas vezes ridicularizado; se não tivesse chegado a fazer a viagem que o 
imortalizou, seu mérito seria enorme somente pela fé inabalável que tinha na sua teoria; anos de persistência 
foram necessários para conseguir convencer alguém que pudesse efetivamente auxiliá-lo. E esse alguém 
foi a Rainha da Espanha Isabel. 
Mas, antes de ver a sua ideia aceita na Espanha, Colombo havia estado em Lisboa onde sua ideia 
também não fora aceita, mas não pelos mesmos motivos que na Espanha, isto é, descrença na ideia daquele 
visionário. Não, ao que tudo indica, os sábios portugueses não acharam a ideia absurda e tanto isso é 
verdade, que a levaram ao rei. Mas não interessava a Portugal abandonar uma norma que vinha seguindo 
havia meio século, isto é, chegar às Índias passando pelo sul da África, para adotar uma nova conduta que 
poderia ser correta, mas também poderia resultar em nada; essa viagem que Colombo imaginava era uma 
aventura, sem dúvida, e os portugueses já estavam muito mais adiantados na maneira de encarar o problema. 
De qualquer modo, porém, após longas peregrinações e dissabores, Colombo pôde armar a sua 
pequena frota de três navios: a Santa Maria, a Pinta e a Niña. A Santa Maria, a maior das três caravelas, 
tinha apenas 27 metros de comprimento e deslocava 100 toneladas; a Niña, a menor, deslocava apenas 40 
toneladas. 
Colombo desconhecia a existência de um vasto continente entre a Europa e as Índias; imaginava a 
distância entre a Europa e a Ásia pelo ocidente muito menor do que realmente é. Durante a viagem, teve 
que mentir para as guarnições rebeladas, dizendo que ainda não haviam percorrido o caminho previsto. 
 Colombo chegou ao continente americano, acreditando ter 
alcançado as Índias, e morreu acreditando nisso. A descoberta da ilha 
de Guanahani, hoje Watling island, uma das Bahamas, e, logo a 
seguir, Cuba e Hispaniola, hoje Haiti, convenceu Colombo de ter 
chegado às Índias, ideia essa tanto mais reforçada quando soube 
vagamente da existência de um grande império, mais a oeste, onde 
havia muitos metais preciosos; os indígenas se referiam ao Império 
Asteca, mas para Colombo eram as tão ambicionadas Índias. 
Somente em 1504 desfez-se o engano, quando o navegador Américo 
Vespúcio confirmou tratar-se de um novo continente. 
 A essa altura, portugueses e espanhóis, espalhados pelo 
Atlântico, detinham o monopólio das expedições oceânicas, sendo 
seguidos por outras nações a partir do início do século XVI, 
especialmente França e Inglaterra. 
Entretanto, os dois reinos ibéricos já haviam decidido a partilha do mundo antes mesmo que outras 
nações começassem a se aventurar nos novos territórios: em 1493, as bênçãos do papa Alexandre VI a esse 
acordo levou à edição da Bula Intercoetera, substituída no ano seguinte pelo tratado de Tordesilhas. Este 
estipulava que todas as terras situadas a oeste do meridiano de Tordesilhas (por sua vez situado 370 léguas 
a oeste do arquipélago de Cabo Verde) pertenceriam à Espanha, enquanto as terras situadas a leste seriam 
 
 
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portuguesas. O Acordo anterior previa apenas 100 léguas, mas a insistência por parte dos portugueses se 
deu não apenas para garantir as possesde terras já parcialmente conhecidas no litoral da América do Sul, 
mas principalmente as terras ocupadas nas Índias, já que a linha imaginária dividia o globo terrestre ao 
meio. 
A divisão, embora hábil do ponto de vista político, porque tentava evitar um conflito entre duas 
importantes nações da cristandade, era frontalmente contrária aos prováveis interesses dos demais estados 
(França, Inglaterra, Veneza, Gênova, etc.), que eram sumariamente excluídos da repartição do mundo. Para 
Portugal era injusto, porque equiparava todo o longo e paciente trabalho de 70 anos com uma única viagem 
dos espanhóis. 
Fosse como fosse, a decisão papal era impossível de ser aplicada pelas seguintes razões: 
a) não estabelecia qual o meridiano que serviria de ponto de partida para a contagem da longitude; 
b) o meridiano de Açores não é o mesmo do arquipélago de Cabo Verde; 
c) qualquer que fosse o grupo de ilhas considerado, haveria necessidade de se estabelecer exatamente qual 
a ilha e qual o ponto nessa ilha para servir de ponto de partida, pois mesmo uma pequena diferença pode 
acarretar longas discussões diplomáticas; e 
d) a légua portuguesa não era igual à espanhola e a bula não dizia qual delas deveria ser usada como medida. 
Desse modo, iniciou a Espanha uma política que não correspondia ao seu caráter continental, na 
qual, a princípio, o povo não participou de maneira alguma. Não obstante, o recém-fundado Império 
Colonial Espanhol conseguiu adquirir um imenso poder, graças à sua favorável situação geral em relação 
às novas rotas marítimas. Além disso, os fabulosos êxitos dos primeiros aventureiros excitaram o afã dos 
demais, fazendo com que fossem realizadas verdadeiras façanhas. Sob o comando de chefes da têmpera de 
Pinzon, Vespúcio, Cortez, Pizarro, Del Cano, Magalhães, Narvaez, Ayolas, De Soto, Balboa e muitos 
outros, os espanhóis, a partir dos primeiros anos do século XVI, transformaram grande parte do mundo em 
palco de suas arrojadas expedições de conquista. Embora em pequeno número, esses aventureiros 
edificaram o maior império colonial do século, conquistando regiões imensas em meio a dificuldades e 
perigos incontáveis. 
Sucediam-se as conquistas com tal rapidez, que durante o meio século seguinte quase não passava 
um ano sem que o Império Colonial Espanhol ganhasse um grande território. Durante esse período, a 
Espanha foi a potência mais importante do mundo. Abarcavam seus territórios o sul da Itália, a Holanda, 
a Bélgica, a Espanha, Portugal e partes consideráveis da Franca, toda a América Central e Meridional, a 
maior parte dos territórios ocidentais e meridionais dos Estados Unidos, as ilhas Filipinas, Madeira, Açores, 
Cabo Verde, a Guiné, o Congo, Angola, Ceilão, Bornéu, Sumatra, Molucas, com numerosos 
estabelecimentos em outras terras similares e continentais da Ásia. Nessa época, o exército espanhol era 
reputado o melhor da Europa. No mar, o prestígio das armas espanholas foi assegurado pela vitória sobre 
os turcos em Lepanto (1571). 
Entretanto, a dispersão geográfica dos países submetidos à lei dos Habsburgos foi uma causa de 
enfraquecimento para a Espanha, considerando que, para realizar a coesão política de suas possessões 
disseminadas pelo mundo inteiro, ela tinha que ser toda poderosa no mar, o que não foi conseguido, se bem 
que tentado constantemente. As numerosas guerras que a Espanha sustentou na Europa esgotaram os 
tesouros tirados do México e do Peru. Por outro lado, essas guerras impediram-na de consagrar suas 
energias e suas riquezas na manutenção do poderio marítimo que lhe asseguraria o controle dos territórios 
mais preciosos: os da América e os dos Países Baixos. 
 A Espanha, depois de anexar Portugal (União Ibérica de 1580 a 1640), estava quase tão em contato 
com o mar como a Inglaterra e dispunha, além disso, de uma frota de guerra com tradição naval, mas era 
frota de galés, com escravos por remadores, e as suas tradições eram as do Mediterrâneo. A esquadra que 
triunfou sobre os turcos em Lepanto, com a tática de Salamina e Actium, não poderia resistir à descarga 
simultânea de Drake, não poderia atravessar o Atlântico e de pequena utilidade seria na baía de Biscaia e 
no canal da Mancha. 
A Espanha possuía, é fato, os seus navios para a navegação oceânica que velejavam ao longo da 
costa americana ou atravessavam o Atlântico de Cádiz ao Novo Mundo, serviam para levar imigrantes e 
trazer a prata e o ouro, mas, não sendo navios de guerra, caíram como presa fácil nas garras dos piratas 
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ingleses. Na realidade, a Espanha só começou a construir navios capazes de combater a Inglaterra nas 
vésperas da deflagração da guerra regular. 
Havida a Reforma na Inglaterra, fundou-se ali a igreja anglicana; reinava lá a Rainha Isabel I, filha 
de Henrique VIII, que mantinha presa sua prima Maria Stuart, Rainha da Escócia, que era católica. A 
pretexto de vingar a morte de Maria Stuart, finalmente condenada pela soberana inglesa, e reclamando 
direitos ao trono inglês, Felipe II, na verdade pressionado pelos problemas econômicos da Espanha e 
ansioso para pôr as mãos na Inglaterra pré-industrial, lançou-se à guerra a fim de derrubar Isabel I. 
Na verdade, Felipe II tinha grandes motivos para lançar-se numa luta contra os ingleses. Isabel I 
encorajara as atividades de corso contra o comércio espanhol. Corsários renomados trafegaram pelos mares 
a serviço da economia inglesa na segunda metade do século XVI. Um dos mais famosos, Francis Drake, 
atravessou o estreito de Magalhães em 1578 e fustigou intensamente as cidades e povoações espanholas da 
costa ocidental da América. Depois de dar a volta ao mundo, retornou à Inglaterra pelo cabo da Boa 
Esperança levando ouro, prata e jóias estimadas em meio milhão de libras esterlinas. A Rainha Isabel I 
aceitou e aprovou plenamente a empresa de Drake, recebendo boa parte do tesouro trazido e fazendo-o 
cavaleiro no convés de seu próprio navio. 
 O momento mais crítico de toda a história da Espanha chegou quando a 
Armada que enviara contra as costas da Inglaterra sofreu irreparável derrota em 
1588; cento e sessenta navios, dois mil e seiscentos canhões, oito mil 
marinheiros e vinte e dois mil homens de tropas, tal foi a força. Veio o desastre 
e atrás dele as extraordinárias aventuras que afligiram o resto da frota: 
tempestades, fome, enfermidades. Menos da metade dos navios conseguiu 
retornar à Espanha. 
Manobrando com superioridade e evitando toda forma a abordagem, em 
que levariam desvantagem, empregando ainda canhões de maior alcance, os 
ingleses impediram o êxito dos espanhóis. 
Não houve nenhuma grande batalha. Houve diversos encontros, todos 
taticamente indecisos, mas que alcançaram um grande resultado estratégico: os 
espanhóis não desembarcaram na Inglaterra. Dando a volta nas ilhas britânicas, 
já de regresso ao reino, a Grande Armada perdeu cerca de metade de seus navios, 
dispersos por tempestades, afundando no Atlântico ou caindo sobre rochedos 
costeiros. Historiadores de tempos posteriores reconheceram que o catastrófico 
fracasso da Armada marcou o início do declínio da Espanha. 
Se bem que fosse ainda preciso deixar passar três séculos para ver consumar-se a perda de suas 
últimas colônias, o domínio do seu vasto império colonial achou-se imediatamente abalado por aquele 
primeiro golpe na hegemonia marítima. Se bem que a Espanha houvesse ainda podido manter grandes frotas 
até as guerras de Napoleão, nunca mais foi potência verdadeiramente temível. 
 Assim, por falta de um comércio próprio para cimentar o poder marítimo espanhol, apesar de toda 
a força política e militar de Felipe e do seu império sobre milhões de indivíduos dispersos por metade do 
globo, parte do Império ruiu ante o ataque de um pequeno Estado insular e de algumas cidades rebeldes das 
planícieslamacentas e das dunas da Holanda. 
A Espanha possuía o melhor exército da Europa no fim do século XVIII (1588). Felipe II tratou de 
embarcar esse exército em navios que mandou preparar, a fim de desembarcar nas ilhas britânicas. A 
empresa seria relativamente fácil, se não houvesse o mar pela frente! Os espanhóis tinham magníficos 
soldados, mas para o recrutamento indispensável de marinheiros não dispunham da classe numerosa e 
enérgica de mercadores e homens do mar particulares, tais como os que eram a riqueza e o orgulho da 
Inglaterra. 
Manobrando com superioridade e evitando toda forma a abordagem, em que levariam desvantagem, 
empregando ainda canhões de maior alcance, os ingleses impediram o êxito dos espanhóis. 
Não houve nenhuma grande batalha. Houve diversos encontros, todos taticamente indecisos, mas que 
alcançaram um grande resultado estratégico: os espanhóis não desembarcaram na Inglaterra. Dando a volta 
nas ilhas britânicas, já de regresso ao reino, a Grande Armada perdeu cerca de metade de seus navios, 
dispersos por tempestades, afundando no Atlântico ou caindo sobre rochedos costeiros. Historiadores de 
 
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tempos posteriores reconheceram que o catastrófico fracasso da Armada marcou o início do declínio da 
Espanha. 
Em consequência, permanecendo grande potência em terra, não mais foi possível à Espanha 
competir no mar com a Holanda e a Inglaterra. Enfraquecida no mar, que serviu de ligação entre as várias 
partes do Império durante dois séculos, tornou-se a Espanha inimiga natural de grande número de potências 
que se esforçavam em arrancar o pavilhão de Castela das terras conquistadas ou das riquezas extraídas dos 
novos territórios. Em todas as colônias de alguma importância, foram os espanhóis obrigados a levantar 
fortificações custosas, a fim de garantir uma proteção relativa contra os ataques de piratas e das frotas das 
potências inimigas. Embora decadente, a Marinha de Castela não estava, porém, ausente dos mares e soube 
por mais de uma vez impor-se a seus contendores, como sucedeu ao largo dos Abrolhos por ocasião das 
invasões batavas no Brasil (Jornada dos Vassalos). 
 A ameaça contra as rotas marítimas, cada vez maior com o 
decorrer dos anos, obrigou a Espanha a tomar medidas extremas. 
Todo o tráfego era regulado de maneira a encher as máximas 
condições possíveis de segurança contra os navios corsários das 
nações rivais. Uma vez por ano, dos portos de Cádiz, Sevilha e S. 
Lucas partiam dois comboios de navios mercantes escoltados por 
navios de guerra. Um desses comboios, chamado Frota, fazia vela 
para o México, e o outro chamado Galeão, se dirigia para a América 
do Sul. A Frota levava a Vera Cruz as mercadorias destinadas à 
Nova Espanha. 
Os galeões destinados ao abastecimento de Caracas, da Nova Granada, do Peru, do Chile, 
desembarcavam suas mercadorias em Cartagena e em Porto Bello. Galeão e Frota reuniam-se em Havana 
carregados de metais preciosos e dos produtos do México e da América do Sul, e entravam juntos em Cádiz. 
Os comboios não seguiam cada ano a mesma rota, a fim de evitar o ataque dos navios corsários e o itinerário 
era rigorosamente fixado pelo governo central. Todos os mercadores que quisessem exportar mercadorias 
para as colônias ou importar na Espanha produtos coloniais tinham que se servir das duas frotas armadas 
pelo Estado. 
 Paralelamente ao declínio da Marinha espanhola, se processou o esfacelamento do outrora 
majestoso Império de Felipe II. Ainda nos séculos XVI e XVII, após o desastre da "Invencível Armada”, a 
Espanha perdeu, na Europa, quase todo o território extra-peninsular e algumas ilhas nas Antilhas. No século 
XVIII, em consequência da Guerra de Sucessão de Espanha, na qual a frota de Castela sofreu sérias 
derrotas, Málaga, Gibraltar e a ilha de Minorca, no próprio território metropolitano, caíram sob os golpes 
da Marinha britânica. A ilha de Minorca voltou, anos após, ao poder da Espanha, graças ao apoio da 
Marinha francesa, mas Gibraltar até hoje está sob o pavilhão inglês. 
Espanha, depois de Portugal, indicara o caminho a seguir, mas os holandeses, na Batalha de Dunes, 
em 1639, deram o golpe de misericórdia no poderio naval dos espanhóis e, daí em diante, a luta pela 
hegemonia marítima degenerou numa disputa confusa entre as grandes potências da Europa. 
 O progressivo esfacelamento do Império, de onde provinham os principais recursos para o tesouro 
de Madri, as guerras incontáveis e desastrosas aliadas à infeliz situação social e econômica do próprio 
território metropolitano, colocaram a Espanha no caminho da decadência. A agricultura ibérica, que na 
Idade Média fora a mais adiantada da Europa, entrou em colapso e por volta de 1700 já mal podia alimentar 
a população do país. Também as principais indústrias, como a da lã e da seda, minguaram. 
 O período napoleônico trouxe novas desgraças ao vacilante reino. Com indomável energia e 
ferocidade, o povo espanhol enfrentou a invasão francesa, mas enquanto sustentava a luta heróica, a maior 
e melhor parte do seu vasto Império Colonial alcançava a liberdade. Em consequência, a população 
declinou, e a miséria espalhou-se. 
 Até a segunda década do século XIX, quase todas as colônias da América Central e do Sul se haviam 
separado do Governo de Madri. No decorrer do século XIX, a Espanha deixou de vez de ser uma grande 
potência. Sua população pouco havia crescido em confronto com a dos demais países europeus. Desprovida 
de recursos naturais, não pôde a nação ibérica acompanhar o ritmo acelerado da revolução industrial 
processado noutros países da Europa. Não dispondo de colônias ricas, sem indústria de vulto, sem outros 
 
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recursos internos que permitissem o desenvolvimento comercial, dilacerada por graves dissensões internas, 
a Espanha era uma sombra do que fora. Em 1898, depois das derrotas navais de Manilha e Santiago, a 
Espanha foi obrigada a concluir a infeliz guerra contra os Estados Unidos, perdendo Cuba, Porto Rico e as 
Filipinas. 
 
3) França: 
 
 A história marítima da França não apresenta, como ocorre com 
a da Inglaterra, interesse especial antes do século XVI. Até aquela 
época, principalmente durante a Guerra dos Cem Anos, o canal 
da Mancha foi teatro de grandes contendas navais entre ingleses, 
flamengos, frísios e franceses, sem que dessas pugnas surgisse 
uma potência de características eminentemente marítimas, 
dominando as rotas oceânicas com suas frotas de guerra e 
mercante, como faziam então, no Mediterrâneo, as repúblicas 
italianas. As próprias batalhas navais da Guerra dos Cem Anos 
foram mais entrechoques de exércitos embarcados que 
procuravam cruzar um largo fosso de água salgada. 
 No século XVI, contudo, nas cidades marítimas da Normandia e da Bretanha, por espírito de 
aventura e desejo de lucro, começou-se a armar navios para ousadas expedições que seguiam nas esteiras 
das frotas portuguesas e espanholas, as senhoras dos mares da época. Não faltavam nas cidades marítimas 
francesas marinheiros arrojados e hábeis navegantes desde muitos séculos afeitos às aventuras pesqueiras 
nas perigosas paragens da Bretanha e do mar do Norte. Certos cronistas franceses mencionam viagens 
realizadas por esses intrépidos navegantes ao longo da costa da África, anos antes das expedições 
portuguesas terem explorado aquelas regiões. Não há, porém, provas concretas dessas aventuras marítimas. 
Se não se pode estabelecer sobre muitos sólidos fundamentos que os franceses precederam aos portugueses 
ao longo das costas ocidentais do continente africano, ao menos se sabe, sem dúvida, que eles os seguiram 
de bem perto. Suas excursões foram mesmo, desde o começo, um motivoda reclamação dos reis de 
Portugal. 
 Desde 1488, um comandante de nome Cousin frequentava as costas da Guiné, e seis anos, apenas, 
após Vasco da Gama ter dobrado o cabo da Boa Esperança para se lançar à conquista das Índias Orientais, 
um navegador normando, Birot Paulmier de Gouneville, partiu de Honfleur, no começo de junho de 1503, 
para seguir a rota do célebre português. A partir de 1510, a Terra Nova se tornou a meta dos pescadores 
bretões e bem depressa a costa da França pululou de corsários que espreitavam a navegação espanhola e 
portuguesa no Novo Mundo, procurando deitar mão no ouro e nos produtos americanos. 
 O primeiro monarca francês que se interessou pelas aventuras ultramarinas foi Francisco I. Ele 
determinou em 1523 as viagens à América de Verazzani, florentino a serviço da França. Nos anos seguintes, 
os irmãos Parmantier chegaram ao mar das Índias e à Sumatra, e Jacques Cartier e Roberval iniciaram a 
exploração do litoral canadense. Ao mesmo tempo, os armadores franceses iniciaram um vigoroso 
contrabando de pau-brasil no Atlântico Sul, sendo tenazmente perseguidos pelos lusitanos. Em seguida, por 
questões religiosas, os franceses procuraram fundar uma colônia na baía de Guanabara, mas também aí 
foram repelidos pelos portugueses. 
 Nos sessenta anos seguintes, os franceses tentaram ainda fixar-se no Brasil e na América do Norte. 
Conseguiram descobrir e colonizar algumas ilhas das Antilhas, (Martinica, São Domingos, Santa Lúcia) e 
estabeleceram-se firmemente na Guiana e no Canadá. Quase todos esses empreendimentos foram, porém, 
realizados por iniciativa privada dos armadores das cidades do Atlântico, principalmente Saint Malô, 
Dieppe, Honfleur e La Rochelle, pois, após Francisco I, por uma razão ou outra, os reis de França 
abandonaram de vista as realizações no além-mar. 
 Com Henri IV, o Estado francês voltou a ocupar-se das atividades marítimas, sendo aplicados 
grandes esforços para o ressurgimento da Marinha Mercante e a retomada da política colonial de Francisco 
I. Pela convenção de 1606, confirmou o Estado francês a situação privilegiada que disputavam desde muito 
tempo os navios franceses no Levante e nos Estados Barbarescos, e assegurou à França a posse da maior 
 
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parte do tráfego do Canadá. Paralelamente, a Marinha francesa com sanguinolenta determinação procurou 
cercar as correrias dos corsários argelinos e tunisianos. 
 A atividade desenvolvida por Henri IV no domínio econômico foi continuada, seguindo um 
princípio mais centralizado por Richelieu, pois ele representava um incomparável elemento de prestígio, 
força e prosperidade. “Aquele que é mestre do mar tem grande poder na terra” disse Richelieu (1558-
1642), quando ministro de Luiz XIII, foi o primeiro a compreender a importância do poder marítimo para 
garantir a influência internacional da França. 
O regulamento marítimo é o mais característico das diferentes 
medidas tomadas por Richelieu, para estimular e proteger eficazmente o 
comércio francês. Foi interditada a exportação de mercadorias francesas, 
exceção feita do sal, em navios de outras nacionalidades, ficando 
estabelecido que a cabotagem deveria ser feita em navios nacionais e sendo 
proibido aos franceses se servirem dos navios dos estrangeiros. Além do 
mais, foram criados institutos de hidrografia e escolas para pilotos e 
carpinteiros. Richelieu favoreceu em seguida a criação das companhias de 
comércio, conferindo mesmo títulos de nobreza aos armadores e negociantes 
mais eminentes, tudo no sentido de desenvolver poderosamente a Marinha e 
o domínio colonial francês por ele considerados essenciais à grandeza da 
nação. Em suma, Richelieu antecipou-se mesmo em suas medidas, às que 
seriam adotadas na Grã-Bretanha, poucos anos depois, no “Ato de 
Navegação”. 
 
 A fim de garantir a expansão da grande obra, Richelieu tomou medidas enérgicas para expandir a 
Marinha de Guerra. Para comandá-la e guarnecê-la apelou para os melhores marinheiros da costa, atraindo-
os com soldos elevados. Todo o vasto complexo industrial que serve de base ao desenvolvimento marítimo 
foi criado ou desenvolvido. No Havre e em Bronage, fundiam-se os canhões necessários ao armamento dos 
navios. Importantes estaleiros de construção foram instalados em Indret, no Loire, ao abrigo dos assaltos 
de surpresa. No Levante (Mediterrâneo), o porto principal das galeras ficou sendo Marselha, como era da 
tradição, e Toulon, cuja importância começou a crescer, servia de base aos navios a vela. Mas todo esse 
progresso foi de qualquer forma artificial, pois não chegou a criar interesses duradouros que afetassem as 
camadas numerosas e importantes da população francesa. 
 A Marinha de Guerra, reaparelhada por Richelieu, distinguiu-se em lutas porfiadas contra ingleses 
e espanhóis, no Atlântico e no Mediterrâneo (La Rochelle e Guaretaria), mas o Cardeal morreu em 1642, 
deixando inacabado o gigantesco empreendimento. A Marinha de Guerra havia começado a viver, mas sua 
estrutura era ainda frágil e poderia desmoronar se não fosse cercada de cuidados inteligentes ou se fosse 
negligenciada. A única parte sólida da obra de Richelieu era, aliás, a Marinha de Guerra, mais fácil, mais 
rápida e mais necessária, na época, de ser colocada em primeiro plano. As partes referentes ao 
desenvolvimento colonial e à Marinha Mercante foram incomparavelmente mais frágeis. 
 Nos anos seguintes à morte de Richelieu, não sendo mais a Marinha sustentada por uma vontade 
possante, corroída pelo terrível flagelo das discórdias internas, declinou lentamente. A Marinha, que é 
essencialmente um instrumento de política exterior, deveria mais do que nenhuma outra instituição sofrer 
dos conflitos interiores. Daí em diante, ela não recebeu mais dinheiro. 
 Em 1659, a paz dos Pirineus pôs fim à interminável guerra com a Espanha. A França triunfara em 
terra, mas nos mares ela havia caído do lugar brilhante a que fora alçada pela lúcida vontade do grande 
Cardeal. Os espanhóis haviam tomado Tortuga em 1653 e os ingleses a Arcádia em 1656. Fato mais grave 
e pesado de consequências foi o fato de que a Companhia das Ilhas da América e depois a Companhia da 
Nova França haviam sido constrangidas, para escaparem à ruína, a renunciar a seus direitos. Assim, 
enquanto as companhias inglesas e holandesas auferiam lucros fantásticos de suas atividades nos oceanos, 
integrando cada vez mais um número elevado de habitantes na vida marítimo-comercial, na França ocorria 
o inverso. 
 A depressão econômica e política que a França sofreu durante dezoito anos sob o ministério de 
Mazarino, sucedeu um período de grande prosperidade e de novo poderio, consequência da hábil política 
 
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econômica de Colbert que ficou no poder de 1661 a 1683. Sua aparição marca o ponto culminante do 
mercantilismo e da época mais próspera, mais gloriosa do comércio e do movimento colonial francês. Um 
dos atos mais importantes de Colbert foi a publicação em 1673 das "Ordenanças do Comércio". A fim de 
que as exportações fossem constantemente superiores às importações, Colbert colocou a indústria e o 
comércio em condições favoráveis para o desenvolvimento e os tornaram capazes de resistir vitoriosamente 
à concorrência estrangeira. Interditou a exportação das matérias-primas necessárias à indústria, reservou 
mais uma vez o comércio de cabotagem aos navios franceses, encorajou a pesca em alto-mar e, enfim, 
estimulou, por prêmios, a exportação de produtos manufaturados franceses. Essa política, entretanto, era 
entravada pela falta de navios, pois em 1664 os ingleses possuíam quatro mil navios de comércio, os 
holandeses dezesseis mil e a França dispunha de apenasduzentos. 
 Ante essa situação, Colbert ocupou-se particularmente do desenvolvimento e do aumento da 
Marinha Mercante, com o fito de centralizar em mãos francesas o comércio dos transportes. Criou arsenais 
e estaleiros em Brest, Rochefort: e no Havre, protegeu as florestas de madeiras de lei para obter a matéria 
necessária à construção naval, encorajou por meio de prêmios e subvenções o armamento de navios 
mercantes, favoreceu a compra de navios construídos e armados no estrangeiro. Ao mesmo tempo, os 
navios mercantes pertencentes a outras nações foram submetidos, nos portos franceses, a uma taxa de 
cinquenta sous por tonelada, na entrada e na saída. Pela Ordenança Marítima de 1681, criou escolas de 
aprendizes, destinadas a formar um corpo numeroso de marinheiros hábeis e de pilotos experimentados. 
Por conseguinte, Colbert procurou seguir com maior vigor a política anteriormente adotada por Richelieu, 
a mesma, aliás, que a Inglaterra então procurava aplicar. 
 Paralelamente à expansão da Marinha Mercante e do comércio exterior, Colbert atacou o problema 
da reorganização da Marinha de Guerra francesa, pois ele bem compreendia o papel capital da Marinha no 
processo global do desenvolvimento marítimo. Na perseguição de seu grande ideal e na realização de seu 
sonho grandioso, Colbert não foi bem entendido, nem bem secundado. Desaparecido ele, ninguém saberia 
continuar sua obra, mas, enquanto viveu, soube imprimir um desenvolvimento econômico à França, nunca 
antes igualado. Estaleiros, depósitos, hospitais surgiram da terra e se abrigaram atrás de fortificações. O 
trabalho desses arsenais foi organizado e regulamentado. Na Holanda, foram procurados os engenheiros 
que deveriam servir de iniciadores. Em breve, das carreiras dos arsenais, começaram a sair numerosos 
navios de guerra, todos semelhantes nas proporções. Em 1671, eram já 120 os navios de guerra de linha e 
70 os brulotes, fragatas e galeras nas costas do Atlântico e de Provença. Em 1677, duzentos navios militares 
estavam à disposição do governo. Um amplo recrutamento de marinheiros assegurava 52 mil homens de 
guarnição. A Marinha Mercante, enquanto isso sob a administração do grande ministro, superava a cifra de 
mil unidades. 
 Faltou tempo a Colbert para orientar o povo para o mar, ligando-o pecuniariamente à prosperidade 
do comércio marítimo. Essa tarefa também ultrapassava as forças de um homem. Só o tempo poderia agir, 
mas faltaram continuadores. A Marinha de guerra não se fundou sobre uma frota de comércio poderosa que 
por simples jogo de interesse lhe teria assegurado a longevidade. Criação artificial, toda de prestígio, ela 
não sobreviveria à vontade que a havia feito ressurgir. Seignelay, plasmado por seu pai, encontraria ainda 
esse caráter artificial da Marinha de Guerra que, depois dele, cairia de toda a sua altura. Mas, sob o impulso 
fecundo dos dois Colbert, ela iria conhecer um esplendor que não deveria jamais alcançar no decorrer da 
sua longa história. 
 Nas primeiras ações bélicas a que foi chamada a participar, a magnífica frota construída por Colbert 
cobriu-se de glórias, derrotando, sob o comando de Tourville e Duquesne, espanhóis, holandeses e ingleses 
nas batalhas de Stromboli, Palermo e Beachy Head. 
 Em aparência, Seignelay, ao morrer, deixou a Marinha poderosa, vitoriosa, florescente. Na 
realidade, essa Marinha era um colosso com pés de argila. Ela era o fruto de uma vontade, a de Colbert, 
prolongada, mas desvirtuada por seu filho. 
 
 
 
 
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 Quando pela política ambiciosa de Luiz XIV foram desencadeadas 
diversas guerras terrestres, pesaram sobre o Estado francês encargos tão 
grandes que para a frota de guerra só houve disponíveis parcos recursos. Por 
outro lado, a Inglaterra, Estado puramente naval, pôde aplicar, em 
consequência da sua posição insular, todas as suas energias ao cuidado da 
frota, relativamente segura contra um ataque por terra. Valendo-se de seus 
aliados continentais, a Inglaterra pôde manter, ao mesmo tempo, as forças 
terrestres da França empenhadas, impedindo a frota francesa de se 
desenvolver. Se, com suas rivais, Inglaterra e Holanda, a frota da França 
tivesse, para proteger numerosos e importantes interesses comerciais, o 
espírito de nação, não se teria jamais afastado dela. Mas tudo estava para ser 
feito nesse sentido, e era necessário mais do que a vontade e a vida de um 
homem para obter resultados bem assentes. As deficiências básicas do 
desenvolvimento marítimo francês em breve manifestaram-se. Já Tourville 
não pôde deixar Brest suficientemente cedo em 1690, devido à falta de 
marinheiros. As guerras em terra absorviam todos os recursos humanos e 
materiais da nação. 
 Mal tinha morrido Seignelay, e um memorial foi apresentado ao rei, propondo suprimir a Marinha, 
que custava muito caro e que só servia para guardar as costas, função que, segundo ainda esse documento, 
poderia muito bem ser desempenhada por recrutas do exército. 
 A partir da segunda fase da Guerra do Augsburgo, a Marinha francesa sofreu uma série de reveses, 
culminando com o desastre de La Hague. Foi o fim da grandiosa Marinha de Guerra construída por Colbert. 
 O declínio da Marinha francesa acentuou-se em decorrência da Guerra de Sucessão da Espanha. 
Para que ela pudesse renascer, seria preciso dinheiro e vontade. Não havia, porém, nem uma nem outra 
coisa. Desencorajados pelas experiências infelizes de quase um século, os comerciantes franceses estavam 
menos do que nunca dispostos a arriscar no mar interesses cuja proteção exigia uma forte Marinha. A 
extraordinária vitalidade não tardaria a recolocar a França em plena saúde. Seu comércio conheceu novos 
dias de esplendor, mas daí por diante ele se fez, na maior parte, sob pavilhão estrangeiro, mais 
especialmente o inglês. 
 Por conseguinte, nem interesses políticos, nem interesses particulares exigiram a manutenção de 
uma frota de guerra. Foi tacitamente admitido que a França devia abandonar definitivamente toda pretensão 
ao tridente de Netuno. A Marinha desdenhada e considerada inútil davam-se apenas os créditos necessários 
para impedi-Ia de morrer de vez. 
 Nas décadas seguintes, nada foi feito de notável para alçar novamente a França à categoria de 
potência naval capaz de disputar a hegemonia britânica. No conflito seguinte entre as duas grandes nações 
rivais, a Guerra de Sucessão da Áustria, não houve encontros navais de importância. A guerra revestiu-se 
do caráter das guerras às comunicações. Os franco-espanhóis perderam 3.400 navios mercantes e os 
ingleses 3.200. Se os números foram sensivelmente iguais em valor absoluto, foram incomparavelmente 
mais desastrosos em valor relativo para as Marinhas da França e da Espanha, considerando suas fraquezas 
numéricas em relação à frota mercante do Reino Unido. 
 A Guerra dos Sete Anos pouco depois teve características diferentes. A França tentou enfrentar a 
Inglaterra nos mares com uma frota inferior em número e qualidade, sofrendo, em consequência, uma série 
de derrotas que a privaram das ligações com os territórios ultramarinos. Uma a uma, suas principais 
colônias, na Índia e no Canadá, foram ocupadas pelo inimigo. Custou essa guerra à Marinha francesa 37 
naus e 56 fragatas. Em 1763, ao ser assinado o Tratado de Paris, pondo fim ao conflito, praticamente não 
existia Marinha francesa, e a Marinha Mercante estava reduzida a poucos navios. 
 O orgulho nacional ferido e a certeza agora dominante nos círculos governamentais de que a perda 
das melhores colônias fora fruto da ausência de marinha poderosa levaram a França, a partir de 1770, a 
empreender um grande esforço no sentido de reequipar a frota de guerra. Sob a brilhante administração de 
Choiseul, os estaleiros franceses do Atlântico e do Mediterrâneo voltaram à atividade. Um grandenúmero 
de municipalidades financiou a construção de navios. Os comerciantes e o povo em geral contribuíram, nas 
 
Luiz XIV 
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várias províncias, para a construção de uma nova frota de guerra, desejosos de tirarem a desforra dos 
ingleses. 
 Toda uma esquadra renasceu assim da generosidade pública, do patriotismo de uma nação. Mas essa 
oferta generosa era também marcada pelo caráter artificial que conservava a Marinha inteira. Ela era fruto 
de um elã sentimental, tanto mais efêmero quanto mais violento e não o resultado durável de uma sólida 
discussão de interesses comprometidos. Richelieu e Colbert: tinham pelo menos tentado fundar sobre a 
rocha sólida de uma Marinha mercante próspera a torre orgulhosa da Marinha de Guerra. A de Choiseul 
não iria repousar senão sobre a areia, malgrado a bela aparência que deveria adquirir. Ela estava destinada 
a desmoronar, desde que soprasse o vento de uma borrasca. 
 A guerra recomeçou em 1778, a propósito da independência das colônias inglesas da América do 
Norte, estendendo-se rapidamente às Índias, como sucedera durante a Guerra dos Sete Anos. 
 A nova Armada francesa, sob o comando de Guichen, De Grasse e sobretudo de Suffren, conheceu 
novamente dias de glória, desempenhando papel decisivo no desenrolar da guerra. A rendição de Cornwallis 
marcou o fim da guerra ativa no continente americano. O desenrolar da luta estava na verdade assegurado 
desde o dia em que a França devotou seu poderio marítimo à causa das colônias. 
 A paz foi assinada em 1783. A França tinha enfim uma bela Marinha, adquirida ao preço de terríveis 
provas, mas a paz ia ter uma duração bem curta, e a Marinha, sustentáculo de tantas esperanças, iria 
retroceder, ficando reduzida a quase nada. Sua decadência faria com que, malgrado uma colheita de vitórias 
terrestres como o mundo jamais havia presenciado, malgrado o gênio do maior chefe militar dos tempos 
modernos, a França sucumbiria finalmente diante do antigo adversário, forte numa só arma que se mostraria 
decisiva: uma frota, senhora dos mares. 
 Com a Revolução Francesa, recomeçaram os dias negros da Marinha 
gaulesa. Esse corpo tão robusto ainda em 1789 iria bem cedo entrar em 
decomposição. Pela chaga da emigração, seu sangue mais puro se perdeu. 
Mais da metade dos oficiais foram para o estrangeiro. A Marinha não era mais 
do que um corpo exangue. A centelha vivificante que havia feito da França a 
Grande Nação não havia tocado sua Marinha. Essa Revolução não trouxe 
senão sua ruína, sua desorganização, sua indisciplina, sem lhe comunicar seu 
entusiasmo, sua fé criadora. A grande agitação acusava, mais nitidamente que 
nunca, o divórcio de fato existente entre a Marinha e o país. As razões desse 
divórcio eram as mesmas do século XVIII. As longínquas previsões de 
Colbert confirmaram-se. 
 
Sem Marinha Mercante, sem interesses pecuniários no mar, a França não se poderia interessar senão 
superficialmente, passageiramente, pela Marinha. Ela não era carne de sua carne como a Marinha inglesa 
o era da Grã-Bretanha. 
 Mas uma vez caiu a Marinha francesa, agora vítima das dissensões internas e, consequência 
desastrosa, levou na sua queda a Marinha do comércio. Quando foi assinada a paz de Amiens (Em1802, 
pondo fim as hostilidades entre a França e a Inglaterra causadas pela Revolução Francesa), havia já muitos 
anos que nenhum pavilhão de comércio francês tremulava nos mares do globo. Sem elementos para 
enfrentar a Marinha inglesa, mais uma vez a França recorreu à guerra de corso. O decreto de 23 thermidor, 
do ano III, definiu o fim a atingir: devastar o comércio do inimigo, destruir, aniquilar suas colônias, forçá-
lo a uma bancarrota vergonhosa. Bem cedo, dos portos do Atlântico saíram para o oceano, armados em 
corsários, quase todos os navios capazes de navegar e iniciaram o ataque às rotas marítimas britânicas. Face 
à devastação crescente exercida no seu comércio, os ingleses se viram obrigados a recorrer ao sistema de 
comboios. Frotas imensas (de 500 e mesmo de 1.000 navios) atravessavam as regiões particularmente 
perigosas, sob escolta de navios de guerra. Em 1801, os resultados, ao todo, desde o começo da guerra, 
eram os seguintes: 5.557 navios mercantes haviam sido capturados; 593 corsários tomados; 41.500 
marinheiros franceses feitos prisioneiros. 
 
 
 
 
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Ao ser assinada a paz de Amiens, a perda anual média da Marinha 
Mercante inglesa era de 500 navios, mas ela contara com 16.728 navios, em 
1795 e 17.885, em 1800. A guerra de corso havia, por conseguinte, fracassado 
na sua fase inicial. 
 Paralelamente à guerra de corso, Napoleão procurou aparelhar a 
Marinha de Guerra francesa de maneira a, pelo menos, obter uma supremacia 
temporária no canal da Mancha, mas a batalha de Trafalgar marcou o fim de 
tal intenção. A batalha de Trafalgar, esmagando totalmente a remanescente 
Marinha francesa e comprometendo por longo tempo seu futuro, resolveu de 
maneira definitiva o grande problema da rivalidade pela hegemonia marítima, 
nascida sob Luiz XIV. Como único recurso, a França continuou a guerra de 
corso. No total de 11 anos de guerra (1803-14), 5.314 navios mercantes 
ingleses foram capturados, mas os britânicos por seu turno destruíram ou 
colocaram fora de estado de os atacar, 440 corsários guarnecidos por 27.600 
marinheiros. No fim dessa longa guerra, a França não tinha mais que 100 
corsários armados. 
Na mesma época, perto de 25.000 navios mercantes faziam tremular o pavilhão britânico em todos 
os mares do globo. Dos 1.500 navios franceses de longo curso existentes na abertura das hostilidades não 
restavam mais de 200 em 1814. A Marinha Mercante da França estava morta ao lado da Marinha de Guerra. 
Depois do esboroamento do Império e da última convulsão dos Cem Dias, a França renunciou à marinha. 
Com a paz, a Marinha Mercante francesa recuperou-se, graças ao vigor do comércio interno e à existência 
de estaleiros eficientes no país. Mais lento foi o renascimento da frota de guerra. Cerca de quarenta anos 
durou a convalescença da Marinha de Guerra francesa. Malgrado a ação por ela desenvolvida em várias 
demonstrações de força contra o Brasil (1828), Algéria (1830), Portugal (1831), México (1837) e Argentina 
(1845), só voltou a ser poderosa de fato durante o Segundo Império, por ocasião da guerra da Criméia. 
 A política imperialista de Napoleão III e a revolução industrial processada pouco mais ou menos no 
mesmo período favoreceram o desenvolvimento da Marinha francesa. Com efeito, depois da Grã-Bretanha, 
era a França a maior potência industrial da época, seguida de perto pela Alemanha e pelos Estados Unidos. 
Em 1864, contavam-se 430 altos-fornos em 55 departamentos que produziam 1.213.000 toneladas de ferro. 
A França compreendeu que se apresentava uma oportunidade única para alcançar a supremacia marítima, 
já que as antigas esquadras de madeira não poderiam subsistir na era do ferro e do vapor. Sob a orientação 
de hábeis técnicos, como Depuy de Lome, foi a França em muitos aspectos a vanguardeira da evolução 
marítima. De seus estaleiros saiu o primeiro navio encouraçado, o Gloire. Todavia a Grã-Bretanha, nação 
também tecnicamente evoluída, enfrentou a corrida armamentista, conseguindo manter a sua supremacia, 
malgrado a ameaça francesa, construindo o HMS Warrior, também encouraçado. 
 A corrida armamentista anglo-francesa sofreu um hiato com a Guerra Franco-Prussiana em 1870-
71. Poucos serviços relativamente prestou a Marinha francesa nessa guerra, apesar de seu imenso aparato 
bélico. A Prússia, nação continental por excelência, dispondo de pequena Marinha, não disputou o domínio 
dos mares à sua inimiga. Aguerra se decidiu totalmente em terra, e, ante a ameaça cada vez maior dos 
exércitos invasores prussianos, os marinheiros franceses muitas vezes desembarcaram de seus magníficos 
navios, para lutar em trincheiras na defesa do solo pátrio. 
 Depois do conflito, uma só questão dominava todas as outras: retomar as províncias perdidas a 
revanche. Não se tinha em absoluto necessidade da Marinha para isso e convinha reduzi-la para não 
desperdiçar créditos que eram necessários noutros lugares. Como a França não tinha interesses no mar para 
justificar a existência da Marinha, uma vez ainda, conforme a frase de seu ministro, o Almirante Pothuan, 
a Marinha deveria sacrificar-se no altar da pátria. De novo desabava a grandeza da Marinha, grandeza toda 
artificial, criada por um regime de prestígio e ligada à sorte deste. O programa de 1872 fixou os destinos 
da Marinha Republicana. Dos 400 navios do Império, foram conservados apenas 217. A Marinha foi, 
portanto, sacrificada no altar da pátria. Thiers reduziu brutalmente seu orçamento, qualificando-a de arma 
de luxo. O próprio Ministro da Marinha, Almirante Pothuan, declarou do alto da tribuna: “Todos os esforços 
devem ser feitos do lado da terra. De que nos serviria agora uma marinha?". 
 
Napoleão Bonaparte 
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 A partir da oitava década do século XIX, a França começou a perder a sua posição privilegiada de 
grande potência econômica. Foi ultrapassada em produção industrial e desenvolvimento comercial, pela 
Alemanha e pelos Estados Unidos. As causas desse fenômeno eram a paralisação, acusada desde vários 
anos, do processo demográfico, assim como da falta de suficientes reservas carboníferas, circunstâncias 
que dificultavam o crescimento da grande indústria. O tráfego ultramarino francês mostrou crescente 
empenho em se servir das companhias de navegação de outros países, mas baratas e rápidas, em vez de 
navegar sob o pavilhão nacional. Foi essa a causa da navegação na França não participar do florescimento 
da frota mundial. De 1866 a 1900, ela permaneceu quase estacionária em um milhão de toneladas, e a 
construção naval chegou quase à paralisação durante o último decênio anterior à Primeira Grande Guerra.
 Em oposição, a França retornou aos empreendimentos coloniais paralisados desde a conquista da 
Algéria e da aventura no México. A primeira das grandes operações coloniais foi à conquista da Tunísia 
em 1881. Seguiu-se a da Indochina em 1884-85 e a de Madagascar em 1893, sem falar noutras menores 
levadas a cabo em vários pontos da África e da Oceania. Em todos esses empreendimentos, a Marinha de 
Guerra francesa teve atuação de primeira plana, ou destruindo as forças navais inimigas, ou reduzindo as 
fortificações terrestres, ou, enfim, apoiando as tropas de desembarque. 
Data também do final do século XIX o movimento chamado de “Jovem Escola” o qual causou não 
pequenos prejuízos ao desenvolvimento da Marinha de Guerra francesa. A Jovem Escola defendia a 
construção de uma esquadra numerosa de pequenos navios, sobretudo torpedeiros. A aparição do torpedo 
e da mina perturbou os espíritos e o debate veio a público. Bem menos que por uma reforma administrativa 
das instituições, uma opinião incompetente mal esclarecida apaixonou-se por uma reforma de concepções 
da guerra naval. Uma grave crise de idéias se declarou e em consequência a Marinha francesa viu sua força 
profundamente abalada. Agradava ao espírito francês mal avisado das realidades navais desprezar uma 
força que achava brutal, substituindo-a pelos recursos de um espírito inovador e fecundo. A França que 
nunca antes se tinha interessado pela Marinha ficou com febre. Dessa falta de uniformidade de vistas e das 
contínuas mudanças de governo resultou uma armada numerosa, mas heterogênea. Malgrado os sacrifícios 
consentidos pelo país, a Marinha francesa, nas vésperas da Primeira Grande Guerra, havia caído para o 
quinto lugar, se bem que seu Império Colonial fosse o segundo do mundo. A razão básica dessa queda devia 
de novo ser procurada na fraqueza da Marinha Mercante que, malgrado todos os esforços frequentemente 
grandes do Governo, não conseguiu acordar de seu longo sono. 
 Tivesse tido a França uma Marinha Mercante florescente, rica e poderosa, com numerosos interesses 
no mar, não haveria lugar para discussões bizantinas como a da Jovem Escola. A voz dos interesses 
ameaçados faria prevalecer a verdadeira doutrina de que, numa questão de força como a guerra, deve-se ter 
poder. Mas a Marinha Mercante francesa em 1914 era menos da metade da alemã e apenas um décimo da 
britânica. Tendo perdido cerca de 920 mil toneladas durante a guerra, graças ao tratado de paz, a Marinha 
Mercante francesa recuperou a tonelagem afundada, alcançando, em 1921, a 2 milhões e trezentas mil 
toneladas. Entre os dois conflitos mundiais, pouco progresso realizou. Enquanto a Inglaterra voltava a ter 
nos mares mais de 20 milhões de toneladas de navios mercantes e a Alemanha, partindo novamente do zero, 
ultrapassava os cinco milhões, a França, em vinte anos, aumentava sua Marinha de comércio de 2 milhões 
e trezentas mil para dois milhões e setecentas mil toneladas. 
 A Marinha de Guerra, em contraste, tendo adotado linhas seguras para sua evolução, e se 
beneficiando da longa continuidade ministerial de Georges Leygues, passou a ocupar o quarto lugar na 
tonelagem. As forças navais francesas perderam seu antigo aspecto heterogêneo, e a qualidade do material 
ganhou reputação. Todavia, quase toda sua magnífica obra de mais de vinte anos desapareceu com a 
Segunda Guerra Mundial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MÓDULO 3 35 QOAA-AFN 2017 
No início da Segunda Grande Guerra o domínio alemão na 
Europa fica patente com a expulsão dos ingleses de Dunquerque 
e os armistícios assinados pela França com a Itália e Alemanha, 
em junho de 1940, que dividem o território francês em duas 
partes. Os alemães visavam contornar as poderosas fortificações 
francesas da Linha Maginot, construídas anos antes na fronteira 
da França com a Alemanha. Com os britânicos e franceses 
julgando que se repetiria a guerra de trincheiras da 1ª GM, e 
graças à combinação de ofensivas de pára-quedistas com rápidas 
manobras de blindados em combinação com rápidos 
deslocamentos de infantaria motorizada (a chamada "guerra-
relâmpago" - Blitzkrieg, em alemão), os alemães derrotaram sem 
grande dificuldade as forças franco-britânicas, destacadas para a 
defesa da França. Nesse momento, a Alemanha nazista controla a 
Áustria, Tchecoslováquia, Dinamarca, Noruega e a maior parte 
da França. Toda a costa ocidental da Europa pertence ao III Reich 
e não resta nenhuma tropa inglesa no continente. Os ingleses, 
violentamente bombardeados, dia e noite, resistem aos nazistas. 
Na Batalha da Inglaterra, no verão de 1940, a aviação inglesa, 
RAF (Royal Air Force), consegue rechaçar os ataques da 
Luftwaffe (aviação alemã). 
Com a divisão da França, o primeiro-ministro francês, marechal Henri Phillipe Pétain, assume poderes 
ditatoriais em 1940 e transfere a capital para Vichy, uma vez que Paris está ocupada pelas tropas alemãs. 
O governo de Vichy é antirrepublicano, conservador, e colabora estreitamente com os nazistas, sobretudo 
de janeiro de 1941 até a ocupação alemã, em novembro de 1942. 
Enquanto isso, um grupo de franceses, sob a liderança de Charles De Gaulle, retira-se para Londres e 
apresenta-se como governo alternativo a Vichy. O movimento, chamado "França Livre", entra em contato 
com as organizações de resistência aos alemães na França ocupada, a "Resistência", em busca de apoio nas 
colônias francesas da África. 
No Mediterrâneo Oriental a situação era melhor. A Turquia, ao contrário do que acontecera

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