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2014 Gestão de serviços e Projetos de ti Prof. Cesar Moises França Prof. Djone Kochanski Profª. Shirlei Magali Vendrami Copyright © UNIASSELVI 2014 Elaboração: Prof. Cesar Moises França Prof. Djone Kochanski Profª. Shirlei Magali Vendrami Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. F837g França, Cesar Moises Gestão de serviços e projetos de TI. / Cesar Moises França, Djone Kochanski, Shirlei Magali Vendrami – Indaial: UNIASSELVI, 2014. 285 p.; il. ISBN 978-85-515-0168-9 1.Gestão do conhecimento – Brasil. 2.Tecnologia da informação – Brasil. I. França, Cesar Moises. II. Kochanski, Djone. III. Vendrami, Shirlei Magali. IV. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 658.4038 III APresentAção Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Este é o Caderno de Estudos da disciplina de Gestão de Serviços e Projetos de TI. A sua decisão em ingressar no ambiente universitário representa uma opção de quem tem o objetivo de alcançar um futuro com realizações pessoais, buscando nos estudos o conhecimento necessário e refletindo sua disposição em aprender cada vez mais. Essa disciplina tem o objetivo de mostrar que é possível ter controle sobre um ambiente de tecnologia da informação, utilizando e implementando os conceitos teóricos de gestão de serviços e projetos de TI, observando os padrões e melhores práticas existentes no mercado mundial. Dessa forma, é possível desenvolver projetos, prestar serviços de TI e manter sua continuidade, conforme as necessidades dos usuários e em concordância com os objetivos estratégicos das organizações. A gestão dos serviços de TI é fundamental para a estabilidade da operação dos negócios e para viabilizar o crescimento sustentável das organizações. Hoje em dia, quase todas as empresas utilizam aplicativos de TI, em maior ou menor grau de quantidade e complexidade, e todos os usuários e a própria organização precisam de qualidade, funcionalidade e disponibilidade dos serviços. A gestão de projetos é definida como uma matéria de caráter multidisciplinar, cuja importância se revela diariamente. Sua relevância é percebida desde as ideias que surgem no chão de fábrica das empresas, passando pelas inovações tecnológicas, até o desenvolvimento do planejamento estratégico. A utilização de uma metodologia de Gestão de Projetos auxilia a uniformização dos processos facilitando o acompanhamento dos mesmos através de indicadores de gestão. Tendo em vista a importância que a Tecnologia da Informação assumiu nas organizações, é completamente justificada a procura por uma metodologia adequada para controlar os projetos desta área. Aproveitamos esse momento para destacar que os exercícios NÃO SÃO OPCIONAIS. O objetivo de cada exercício deste caderno é a fixação de determinado conceito através da prática. É aí que reside a importância da realização de todos. Sugerimos fortemente que em caso de dúvida em algum exercício você entre em contato com seu Tutor Externo ou com a tutoria da Uniasselvi e que não passe para o exercício seguinte enquanto o atual não estiver completamente compreendido. IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Você precisará de muita determinação e força de vontade, pois a Gestão de Serviços e Projetos de TI não é fácil e você levará mais do que um semestre para compreendê-la totalmente, entretanto, aqui forneceremos um início sólido e consistente. Desta forma, passe por esse período de estudos com muita dedicação, pois você que hoje é acadêmico(a), amanhã será um(a) profissional de Tecnologia da Informação com o compromisso de construir uma nação melhor. Bons estudos! V VI VII sumário UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI ................................................................................................. 1 TÓPICO 1 - FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS ..................................................... 3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3 2 O QUE É UM PROJETO? ................................................................................................................. 3 3 O QUE É GERENCIAMENTO DE PROJETOS? .......................................................................... 5 4 O GERENTE DE PROJETOS E SEU PAPEL ................................................................................. 6 5 QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DO GUIA PMBOK? ................................................................... 7 6 RELAÇÕES ENTRE GERENCIAMENTO DE PROJETOS, GERENCIAMENTO DE PROGRAMAS E GERENCIAMENTO DE PORTFÓLIOS ........... 9 7 DIFERENÇA ENTRE PROJETOS E OPERAÇÕES ..................................................................... 11 8 CICLO DE VIDA E ORGANIZAÇÃO DO PROJETO ............................................................... 13 9 PARTES INTERESSADAS NO PROJETO OU STAKEHOLDERS ........................................... 14 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 16 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 19 TÓPICO 2 - PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES .......................................................................... 21 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 21 2 EFEITOS DAS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS NOS PROJETOS ............................. 21 2.1 ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS ............................................................................. 21 2.2 FATORES AMBIENTAIS DAS ORGANIZAÇÕES ....................................................... 26 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 27 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 28 TÓPICO 3 - A NORMA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE UM PROJETO ........... 29 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 29 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE UM PROJETO .......................... 29 2.1 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS .............................................. 29 2.2 GRUPOS DE PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS ................... 30 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 33 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 34 TÓPICO 4 - VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI ...................................... 35 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 35 2 FUNDAMENTOS .............................................................................................................................. 36 3 HISTÓRICO ........................................................................................................................................ 38 4 CONCEITOS IMPORTANTES ....................................................................................................... 39 5 IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE TI .......................................... 48 RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 51 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 53 TÓPICO 5 - A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI ............................................................................ 55 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 55 VIII 2 OBJETIVO ........................................................................................................................................... 60 3 TIPOS DE CENTRAIS DE SERVIÇOS ......................................................................................... 61 RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 64 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 66 TÓPICO 6 - O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI ....................................................................... 67 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 67 2 OBJETIVO ........................................................................................................................................... 69 3 UTILIDADE ........................................................................................................................................ 71 4 MODELO DE CATÁLOGO DE SERVIÇOS ................................................................................ 73 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 75 RESUMO DO TÓPICO 6..................................................................................................................... 78 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 79 UNIDADE 2 - PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI ........................................................................... 81 TÓPICO 1 - INTEGRAÇÃO ............................................................................................................... 83 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 83 2 DESENVOLVIMENTO DO TERMO DE ABERTURA .............................................................. 85 3 REALIZAR REUNIÃO DE KICK-OFF ........................................................................................... 87 4 SELECIONAR FORNECEDORES .................................................................................................. 87 5 DESENVOLVIMENTO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS ................... 88 6 ORIENTAR E GERENCIAR A EXECUÇÃO DO PROJETO ..................................................... 93 7 MONITORAR E CONTROLAR A EXECUÇÃO DO PROJETO .............................................. 94 8 REALIZAR O CONTROLE INTEGRADO DE MUDANÇAS .................................................. 95 9 ENCERRAR O PROJETO OU FASE DO PROJETO ................................................................... 96 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 98 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 99 TÓPICO 2 - ESCOPO ........................................................................................................................... 101 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 101 2 COLETAR REQUISITOS ................................................................................................................. 103 3 DEFINIR O ESCOPO ........................................................................................................................ 104 4 CRIAR A EAP ..................................................................................................................................... 104 5 VERIFICAR O ESCOPO ................................................................................................................... 106 6 CONTROLAR O ESCOPO ............................................................................................................... 107 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 108 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 109 TÓPICO 3 - TEMPO ............................................................................................................................. 111 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 111 2 DEFINIR ATIVIDADES ................................................................................................................... 113 3 SEQUENCIAR ATIVIDADES ......................................................................................................... 114 4 ESTIMAR RECURSOS DA ATIVIDADE ..................................................................................... 115 5 ESTIMAR DURAÇÃO DA ATIVIDADE ...................................................................................... 116 6 DESENVOLVER O CRONOGRAMA ........................................................................................... 116 7 CONTROLAR CRONOGRAMA .................................................................................................... 117 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 119 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 120 IX TÓPICO 4 - CUSTO ..............................................................................................................................121 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 121 2 ESTIMAR CUSTOS ........................................................................................................................... 124 3 DETERMINAR O ORÇAMENTO .................................................................................................. 125 4 CONTROLAR CUSTOS ................................................................................................................... 126 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 126 RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 129 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 130 TÓPICO 5 - GERENCIAMENTO DE INCIDENTES ..................................................................... 131 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 131 2 OBJETIVOS DO GERENCIAMENTO DE INCIDENTE ........................................................... 135 RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 141 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 143 TÓPICO 6 - GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS .................................................................... 145 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 145 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE PROBLEMA .............................................................. 151 RESUMO DO TÓPICO 6..................................................................................................................... 156 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 158 TÓPICO 7 - GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS ..................................................................... 159 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 159 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS............................................................ 160 RESUMO DO TÓPICO 7..................................................................................................................... 164 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 166 TÓPICO 8 - GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO ...................................................................... 167 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 167 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO ............................................................ 169 RESUMO DO TÓPICO 8..................................................................................................................... 172 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 173 TÓPICO 9 - GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO ........................................................... 175 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 175 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO .................................................. 175 RESUMO DO TÓPICO 9..................................................................................................................... 179 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 181 TÓPICO 10 - GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇOS ................................................... 183 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 183 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇO .............................................. 185 RESUMO DO TÓPICO 10................................................................................................................... 188 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 190 UNIDADE 3 - ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA ......................................................... 191 TÓPICO 1 - GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO ......................................... 193 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 193 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO ............................ 194 2.1 PLANEJAR A QUALIDADE ....................................................................................................... 194 X 2.1.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 194 2.1.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 195 2.1.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 195 2.2 REALIZAR A GARANTIA DA QUALIDADE ......................................................................... 195 2.2.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 195 2.2.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 195 2.2.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 195 2.3 REALIZAR O CONTROLE DA QUALIDADE ........................................................................ 196 2.3.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 196 2.3.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 196 2.3.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 196 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 197 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 198 TÓPICO 2 - GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO ..................... 199 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 199 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO ........ 200 2.1 DESENVOLVER O PLANO DE RECURSOS HUMANOS ..................................................... 200 2.1.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 201 2.1.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 201 2.1.3 Saídas do processo ...............................................................................................................201 2.2 MOBILIZAR A EQUIPE DO PROJETO ..................................................................................... 201 2.2.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 201 2.2.2 Ferramentas e técnicas ....................................................................................................... 201 2.2.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 202 2.3 DESENVOLVER A EQUIPE DO PROJETO .............................................................................. 202 2.3.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 202 2.3.2 Ferramentas e técnicas ....................................................................................................... 202 2.3.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 202 2.4 GERENCIAR A EQUIPE DO PROJETO .................................................................................... 202 2.4.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 203 2.4.2 Ferramentas e técnicas ....................................................................................................... 203 2.4.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 203 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 204 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 205 TÓPICO 3 - GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES ........................................................ 207 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 207 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES DO PROJETO ............... 208 2.1 IDENTIFICAR AS PARTES INTERESSADAS .......................................................................... 208 2.1.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 209 2.1.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 209 2.1.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 209 2.2 PLANEJAR AS COMUNICAÇÕES ........................................................................................... 209 2.2.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 209 2.2.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 209 2.2.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 209 2.3 DISTRIBUIR AS INFORMAÇÕES .............................................................................................. 210 2.3.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 210 2.3.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 210 2.3.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 210 2.4 GERENCIAR AS EXPECTATIVAS DAS PARTES INTERESSADAS .................................... 210 XI 2.4.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 210 2.4.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 210 2.4.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 211 2.5 REPORTAR O DESEMPENHO .................................................................................................. 211 2.5.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 211 2.5.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 211 2.5.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 211 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 212 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 214 TÓPICO 4 - GERENCIAMENTO DE RISCOS ............................................................................... 215 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 215 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE RISCOS .................................................................. 216 2.1 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DOS RISCOS................................................................... 217 2.1.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 217 2.1.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 217 2.1.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 217 2.2 IDENTIFICAR OS RISCOS .......................................................................................................... 217 2.2.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 218 2.2.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 218 2.2.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 218 2.3 REALIZAR A ANÁLISE QUALITATIVA DOS RISCOS ......................................................... 218 2.3.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 218 2.3.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 218 2.3.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 218 2.4 REALIZAR A ANÁLISE QUANTITATIVA DOS RISCOS ...................................................... 219 2.4.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 219 2.4.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 219 2.4.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 219 2.5 PLANEJAR AS RESPOSTAS AOS RISCOS ............................................................................... 219 2.5.1 Entradas do processo .........................................................................................................219 2.5.2 Registro dos riscos, plano de gerenciamento dos riscos. ............................................... 219 2.5.3 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 219 2.5.4 Saídas do processo ............................................................................................................... 220 2.6 MONITORAR E CONTROLAR OS RISCOS ............................................................................ 220 2.6.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 220 2.6.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 220 2.6.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 220 RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 221 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 223 TÓPICO 5 - GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES ................................................................. 225 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 225 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES ..................................................... 226 2.1 PLANEJAR AS AQUISIÇÕES ..................................................................................................... 226 2.1.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 226 2.1.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 226 2.1.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 226 2.2 REALIZAR AS AQUISIÇÕES ..................................................................................................... 227 2.2.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 227 2.2.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 227 2.2.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 227 XII 2.3 ADMINISTRAR AS AQUISIÇÕES ............................................................................................. 227 2.3.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 227 2.3.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 228 2.3.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 228 2.4 ENCERRAR AS AQUISIÇÕES ............................................................................................. 228 2.4.1 Entradas do processo ......................................................................................................... 228 2.4.2 Ferramentas e técnicas ........................................................................................................ 228 2.4.3 Saídas do processo ............................................................................................................... 228 RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 229 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 230 TÓPICO 6 - RELATÓRIO E MEDIÇÃO DE SERVIÇO ................................................................ 231 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 231 2 OBJETIVOS ........................................................................................................................................ 232 3 PROCESSOS ....................................................................................................................................... 234 RESUMO DO TÓPICO 6..................................................................................................................... 239 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 241 TÓPICO 7 - FERRAMENTAS DA QUALIDADE ........................................................................... 243 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 243 2 DESCRIÇÃO DAS FERRAMENTAS DA QUALIDADE .......................................................... 245 2.1 O CICLO PDCA ............................................................................................................................ 245 2.2 AS FERRAMENTAS DA QUALIDADE .................................................................................... 249 RESUMO DO TÓPICO 7..................................................................................................................... 256 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 258 TÓPICO 8 - INDICADORES DE DESEMPENHO ......................................................................... 259 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 259 2 KPIS ...................................................................................................................................................... 260 2.1 KPIS QUE PODEM AUXILIAR NA MEDIÇÃO DOS SERVIÇOS......................................... 261 2.2 O DASHBOARD DE GESTÃO .................................................................................................... 266 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 269 RESUMO DO TÓPICO 8..................................................................................................................... 277 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 279 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 281 1 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Esta unidade tem por objetivos: • identificar conceitos relacionados à gestão de projetos de TI; • especificar e compreender a definição de projeto, de gerenciamento de projetos, bem como o gerente de projetos; • identificar e conhecer o Guia PMBOK, seu objetivo e estrutura; • conhecer as relações entre gerenciamento de projetos, gerenciamento de programas e gerenciamento de portfólios, bem como a diferença entre projetos e operações. • saber identificar o ciclo de vida e organização do projeto, conhecendo as partes interessadas no projeto, também conhecidas como stakeholders; • entender os efeitos das estruturas organizacionais nos projetos; • identificar os processos de gerenciamento de projetos, os grupos de pro- cessos degerenciamento de projetos, as interações entre processos, bem como o mapeamento do processo de gerenciamento de projetos; • destacar outros aspectos relevantes para o desenvolvimento da ativida- de do profissional de informática; • despertar no acadêmico o interesse pela gestão de projetos em TI, evi- denciando sua importância e as tendências inovadoras compatíveis com as transformações sociais no ramo da informática; • compreender os conceitos fundamentais da Gestão de Serviços de TI; • compreender a importância da Gestão de Serviços de TI; • conhecer e compreender a importância da Central de Serviços de TI; • conhecer a estrutura e a importância do Catálogo de Serviços de TI para as organizações. Esta unidade está dividida em seis tópicos, sendo que ao final de cada um deles você encontrará atividades que lhe auxiliarão na apropriação dos conhecimentos. TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS TÓPICO 2 – PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES TÓPICO 3 – A NORMA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS TÓPICO 4 – VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI TÓPICO 5 – A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI TÓPICO 6 – O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 1 INTRODUÇÃO Neste tópico serão estudados alguns fundamentos de gestão de projetos. Serão abordados conceitos referentes a projetos, o gerenciamento de projetos e a função do gerente. Quais são os objetivos do Guia PMBOK e qual é a sua estrutura. Ainda veremos as diferenças entre projetos e operações, o ciclo de vida e a organização do projeto. 2 O QUE É UM PROJETO? Para Heldman (2005), os projetos não são trabalhos cotidianos. Todas as tarefas são trabalhos cotidianos. Não têm começo nem fim; são contínuas. Para que o trabalho seja considerado um projeto, deve atender a certos critérios. Os projetos destinam-se a dar origem a um serviço ou produto único, que não foi produzido antes. Têm prazo limitado e sua natureza é temporária. Isto quer dizer que os projetos têm início e fim definidos. É possível decidir se o projeto está concluído ao compará-lo com os objetivos e as entregas definidas no plano do projeto. A autora ainda salienta que não devemos nos esquecer de que os projetos nascem para criar um produto ou serviço que não existia antes. PMBOK ® é marca registrada do PMI (Project Management Institute). UNI UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 4 Para o Guia PMBOK um projeto é um esforço temporário para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. Temporário no sentido de que todos os projetos possuem um início e um final definido. O final é alcançado quando os objetivos do projeto tiverem sido atingidos, quando se tornar claro que os objetivos do projeto não serão ou não poderão ser atingidos ou quando não existir mais a necessidade do projeto e ele for encerrado. Temporário não significa necessariamente de curta duração; muitos projetos duram vários anos. Independente do tempo do projeto, a sua duração é finita. Projetos não são esforços contínuos. (PMI, 2004). Produtos, serviços ou resultados exclusivos no sentido de que um projeto cria entregas exclusivas, que são produtos, serviços ou resultados. Os projetos podem criar (PMI, 2004): • Um produto ou objeto produzido, quantificável e que pode ser um item final ou um item componente. • Uma capacidade de realizar um serviço, como funções de negócios que dão suporte à produção ou à distribuição. • Um resultado, como resultados finais de documentos. Por exemplo, um projeto de pesquisa desenvolve um conhecimento que pode ser usado para determinar se uma tendência está presente ou não ou se um novo processo irá beneficiar a sociedade. A elaboração progressiva trata-se de outra característica de um projeto que integra os conceitos de temporário e exclusivo. Elaboração progressiva significa desenvolver por etapas e continuar por incrementos. Como exemplo, o Guia cita que o escopo do projeto será descrito de maneira geral no início do projeto e se tornará mais explícito e detalhado conforme a equipe do projeto desenvolve um entendimento mais completo dos objetivos e das entregas. Salienta-se que a elaboração progressiva não deve ser confundida com o aumento do escopo. (PMI, 2004). Os seguintes exemplos ilustram a elaboração progressiva em duas áreas de aplicação diferentes (PMI, 2004, p. 7-8): • O desenvolvimento de uma fábrica para processamento de produtos químicos começa com a engenharia de processos que define as características do processo. Essas características são usadas para projetar as principais unidades de processamento. Essas informações tornam-se a base do projeto de engenharia, que define tanto o layout detalhado da fábrica quanto as características mecânicas das unidades do processo e das instalações auxiliares. Tudo isso resulta em desenhos de projeto elaborados para produzir desenhos de fabricação e construção. Durante a construção, são feitas interpretações e adaptações conforme necessário, que Os projetos nascem para criar um produto ou serviço que não existia antes. IMPORTANT E TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 5 estão sujeitas à devida aprovação. Essa elaboração adicional das entregas é capturada na forma de desenhos “as built” (conforme construído) e são feitos ajustes operacionais finais durante os testes e a entrega. • O produto de um projeto de desenvolvimento econômico pode inicialmente ser definido como: “Melhorar a qualidade de vida dos residentes de menor renda da comunidade X.” Conforme o projeto continua, os produtos podem ser descritos de forma mais específica, como, por exemplo: “Oferecer acesso à alimentação e água a 500 residentes de baixa renda da comunidade X.” A próxima etapa da elaboração progressiva poderia enfocar exclusivamente o aumento da produção agrícola e da comercialização. O fornecimento de água é considerado prioridade secundária a ser iniciado quando o componente agrícola estivesse em estágio avançado. Projetos não são esforços contínuos. IMPORTANT E 3 O QUE É GERENCIAMENTO DE PROJETOS? Segundo o Guia PMBOK®, o gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender aos seus requisitos. É realizado através da aplicação e da integração dos seguintes processos de gerenciamento de projetos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. (PMI, 2004). Gerenciar um projeto inclui: • identificação das necessidades; • estabelecimento de objetivos claros e alcançáveis; • balanceamento das demandas conflitantes de qualidade, escopo, tempo e custo; • adaptação das especificações, dos planos e da abordagem às diferentes preocupações e expectativas das diversas partes interessadas. (PMI, 2004). A equipe de gerenciamento de projetos possui uma responsabilidade profissional com suas partes interessadas, inclusive clientes, a organização executora e o público. Os membros do PMI seguem um “Código de ética” e os que possuem a certificação profissional de gerenciamento de projetos (PMP®) seguem um “Código de Conduta Profissional”. Os membros da equipe do projeto que são membros do PMI e/ou PMPs são obrigados a seguir as versões atuais desses códigos. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfu1kAH/pmbok-portugues- -3-ed?part=4>. Acesso em: 11 out. 2013. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 6 O PMBOK define/descreve como gerenciamento de projetos e inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto, que incluem, mas não se limitam a(à) (PMI, 2008): • Escopo. • Qualidade. • Cronograma. • Orçamento. • Recursos. • Risco. A relação entre esses fatores faz com que, se algum deles mudar, pelo menos umdos outros provavelmente será alterado. 4 O GERENTE DE PROJETOS E SEU PAPEL O gerente de projetos é a pessoa responsável pela realização dos objetivos do projeto. Os gerentes de projetos frequentemente falam de uma “restrição tripla” – escopo, tempo e custo do projeto – no gerenciamento das necessidades conflitantes do projeto. A qualidade do projeto é afetada pelo balanceamento desses três fatores. Projetos de alta qualidade entregam o produto, serviço ou resultado solicitado dentro do escopo, no prazo e dentro do orçamento. A relação entre esses fatores ocorre de tal forma que se algum dos três fatores mudar, pelo menos outro fator provavelmente será afetado. Os gerentes de projetos também gerenciam projetos em resposta a incertezas. Um risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, terá um efeito positivo ou negativo em pelo menos um objetivo do projeto. Project Management Institute (PMI) é uma organização internacional dedicada à promoção e ao uso de técnicas padronizadas de gerência de projetos em todos os ramos de atividade. Segundo Heldman (2005), o gerenciamento de projetos é um método de atender aos requisitos do projeto para a satisfação do cliente por meio de planejamento, execução, monitoração e controle dos resultados do projeto. IMPORTANT E IMPORTANT E TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 7 Pela teoria da tripla restrição, Newell (2002 apud BORGES 2012) afirma que os gerentes de projetos, normalmente, balanceiam três fatores conflitantes: tempo, custo e um terceiro fator que pode ser escopo ou qualidade, dependendo da visão adotada. E, de acordo com a visão adotada, o fator restante é consequência desse balanceamento. Por exemplo, se definirmos tempo, custo e escopo, a consequência será a qualidade do projeto. Se definirmos tempo, custo e qualidade, a consequência será o escopo do projeto. Conjunto de conhecimentos em técnicas de gerenciamento de projetos: descreve o conhecimento específico dessa área e que se sobrepõe a outra área de gerenciamento. Conhecimentos, normas e regulamentos da área de aplicação: podemos definir como área de atuação diversos segmentos existentes no mercado. O gerente de projetos necessita ter o conhecimento básico da área onde está gerenciando o projeto. (PMI, 2004). Entendimento do ambiente do projeto: geralmente, os projetos são planejados e implementados em um conceito social, econômico e ambiental e têm impactos intencionais e não intencionais, positivos e negativos. Conhecimentos e habilidades de gerenciamento geral: o gerenciamento geral inclui o planejamento, a organização, a formação de pessoal, a execução e o controle de operações de uma empresa existente. Para Phillips (2003), um gerente de projetos deve equilibrar a equipe e a tecnologia. DICAS 5 QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DO GUIA PMBOK? O principal objetivo do Guia PMBOK® é identificar o subconjunto do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos que é amplamente reconhecido como boa prática. “Identificar” significa fornecer uma visão geral, e não uma descrição completa. “Amplamente reconhecido” significa que o conhecimento e as práticas descritas são aplicáveis à maioria dos projetos na maior parte do tempo, e que existe um consenso geral em relação ao seu valor e sua utilidade. “Boa prática” significa que existe acordo geral de que a aplicação correta dessas habilidades, ferramentas e técnicas pode aumentar as chances de sucesso em uma ampla série de projetos diferentes. Uma boa prática não significa que o conhecimento descrito deverá ser sempre aplicado uniformemente em todos os projetos; a UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 8 equipe de gerenciamento de projetos é responsável por determinar o que é adequado para um projeto específico. FONTE: Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.com.br/pesquisar/list_comenta- rios/62274>. Acesso em: 11 out. 2013. O Guia PMBOK® também fornece e promove um vocabulário comum para se discutir, escrever e aplicar o gerenciamento de projetos. Esse vocabulário padrão é um elemento essencial de uma profissão. O Project Management Institute utiliza este documento como base, mas não como a única referência de gerenciamento de projetos para seus programas de desenvolvimento profissional, que incluem: • Certificação de profissional de gerenciamento de projetos (PMP®). • Formação e treinamento em gerenciamento de projetos oferecidos pelos Registered Education Providers (R.E.P.s) do PMI. • Credenciamento de programas educacionais na área de gerenciamento de projetos. O Guia PMBOK se destina apenas a projetos individuais e aos processos de gerenciamento de projetos amplamente reconhecidos como boas práticas. Existem outras normas sobre maturidade de gerenciamento de projetos organizacional, competência do gerente de projetos, e outros tópicos que abordam o que é amplamente reconhecido como boa prática nessas áreas. As normas de gerenciamento de projetos não abordam todos os detalhes de todos os tópicos. Os tópicos não mencionados não devem ser considerados sem importância. Estas são diversas razões pelas quais um tópico pode não estar incluído em uma norma: ele pode estar incluído em alguma outra norma relacionada; talvez ele seja tão genérico que não contenha algo exclusivamente aplicável ao gerenciamento de projetos; ou não existe consenso suficiente sobre um tópico. Falta de consenso significa que existem variações na profissão em relação a como, quando e onde essa atividade específica de gerenciamento de projetos deve ser realizada, além de quem deve realizá-la, dentro da organização. A organização ou a equipe de gerenciamento de projetos deve decidir como essas atividades serão abordadas no contexto e nas circunstâncias do projeto para o qual o Guia PMBOK® está sendo usado. FONTE: PMI (2004, p. 4) A figura a seguir permite a visualização das áreas de conhecimento de gerenciamento de projetos e os processos de gerenciamento de projetos. TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 9 Segundo o Guia PMBOK, o gerenciamento de projetos existe em um contexto mais amplo que inclui o gerenciamento de programas, o gerenciamento de portfólios e o escritório de projetos. FIGURA 1 – VISÃO GERAL DAS ÁREAS DE CONHECIMENTO EM GERENCIAMENTO DE PROJE- TOS E OS PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfu1kAH/pmbok-portugues- -3-ed?part=5>. Acesso em: 11 out. 2013. 5. Gerenciamento do escopo do projeto 8. Gerenciamento da qualidade do projeto 11. Gerenciamento de riscos do projeto 6. Gerenciamento de tempo do projeto 9. Gerenciamento de recur- sos humanos do projeto 12. Gerenciamento de aquisições do projeto 4. Gerenciamento de integração do projeto 7. Gerenciamento de custos do projeto 10. Gerenciamento das comunicações do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 4.2 Desenvolver a declara- ção do escopo preliminar do projeto 4.3 Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto 4.4 Orientar e gerenciar a execução do projeto 4.5 Monitorar e controlar o trabalho do projeto 4.6 Controle integrado de mudanças 4.7 Encerrar o projeto 7.1 Estimativa de custos 7.2 Orçamentação 7.3 Controle de custos 10.1 Planejamento das co- municações 10.2 Distribuição das in- formações 10.3 Relatório de desem- penho 10.4 Gerenciar as partes interessadas 5.1 Planejamento do escopo 5.2 Definição do escopo 5.3 Criar EAP 5.4 Verificação do escopo 5.5 Controle do Escopo 8.1 Planejamento da qua- lidade 8.2 Realizar a garantia da qualidade 8.3 Realizar o controle da qualidade 11.1 Planejamento do ge- renciamento de riscos 11.2 Identificação de riscos 11.3 Análise quantitativas de riscos 11.4 Análisequantitativa de riscos 11.5 Planejamento de res- postas a riscos 11.6 Monitoramento e controle de riscos 6.1 Definição da atividade 6.2 Sequenciamento de ativi- dades 6.3 Estimativa de recursos da atividade 6.4 Estimativa de duração da atividade 6.5 Desenvolvimento do cronograma 6.6 Controle do cronograma 9.1 Planejamento de recursos humanos 9.2 Contratar ou mobilizar a equipe do projeto 9.3 Desenvolver a equipe do projeto 9.4 Gerenciar a equipe do projeto 12.1 Planejar compras e aqui- sições 12.2 Planejar contratações 12.3 Solicitar respostas de fornecedores 12.4 Selecionar fornecedores 12.5 Administração de contrato 12.6 Encerramento do contrato GERENCIAMENTO DE PROJETOS 6 RELAÇÕES ENTRE GERENCIAMENTO DE PROJETOS, GERENCIAMENTO DE PROGRAMAS E GERENCIAMENTO DE PORTFÓLIOS UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 10 Frequentemente, existe uma hierarquia de plano estratégico, portfólio, programa, projeto e subprojeto, na qual um programa constituído de diversos projetos associados contribuirá para o sucesso de um plano estratégico. Programas e gerenciamento de programas Um programa é um grupo de projetos relacionados, gerenciados de modo coordenado para a obtenção de benefícios e controle que não estariam disponíveis se eles fossem gerenciados individualmente. Programas podem incluir elementos de trabalho relacionados fora do escopo dos projetos distintos no programa. Por exemplo: • O programa de um novo modelo de carro pode ser subdividido em projetos para o design e as atualizações de cada componente principal (por exemplo, transmissão, motor, interior, exterior), enquanto a fabricação continua na linha de montagem. • Muitas empresas de produtos eletrônicos possuem gerentes de programas responsáveis tanto pelos lançamentos (projetos) de produtos específicos, quanto pela coordenação de vários lançamentos durante um período de tempo (uma operação contínua). Ao contrário do gerenciamento de projetos, o gerenciamento de programas é o gerenciamento centralizado e coordenado de um grupo de projetos para atingir os objetivos e benefícios estratégicos do programa. Portfólios e gerenciamento de portfólios Um portfólio é um conjunto de projetos ou programas e outros trabalhos agrupados para facilitar o gerenciamento eficaz desse trabalho a fim de atender aos objetivos de negócios estratégicos. Os projetos ou programas no portfólio podem não ser necessariamente interdependentes ou diretamente relacionados. É possível atribuir recursos financeiros e suporte com base em categorias de risco/premiação, linhas de negócios específicas ou tipos de projetos genéricos, como infraestrutura e melhoria dos processos internos. As organizações gerenciam seus portfólios com base em metas específicas. Uma meta do gerenciamento de portfólios é maximizar o valor do portfólio através do exame cuidadoso dos projetos e programas candidatos para inclusão no portfólio e da exclusão oportuna de projetos que não atendam aos objetivos estratégicos do portfólio. Outras metas são equilibrar o portfólio entre investimentos incrementais e radicais e para o uso eficiente dos recursos. Os diretores e equipes de gerenciamento da diretoria normalmente assumem a responsabilidade de gerenciar os portfólios para uma organização. Subprojetos Os projetos são frequentemente divididos em componentes mais facilmente gerenciáveis ou subprojetos, embora os subprojetos individuais TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 11 possam ser chamados de projetos e gerenciados como tal. Os subprojetos são normalmente contratados de uma empresa externa ou de outra unidade funcional na organização executora. Exemplos: • Subprojetos baseados no processo do projeto, como uma fase específica no ciclo de vida do projeto. • Subprojetos que atendem aos requisitos de habilidades de recursos humanos, como encanadores ou eletricistas necessários em um projeto de construção. • Subprojetos que envolvem tecnologia especializada, como testes automatizados de programas de computador em um projeto de desenvolvimento de software. FONTE: PMI (2004, p. 16-17) FIGURA 2 – PORTFÓLIOS, PROGRAMAS E PROJETOS – VISÃO MACRO FONTE: PMI (2008), adaptado por Negreiros (2010) Em projetos muito grandes, os subprojetos podem consistir em uma série de subprojetos ainda menores. DICAS Portfólio Portfólio Projetos Projetos Projetos ProjetosProjetos Programas Programas Outros trabalhosProgramas Programas 7 DIFERENÇA ENTRE PROJETOS E OPERAÇÕES Conforme já mencionado por Heldman (2005), todas as tarefas são trabalhos cotidianos. Não têm começo, nem fim definidos – são contínuas. Os UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 12 O trabalho cotidiano é contínuo. Os processos de produção, exemplifica a autora, são operações contínuas. Talvez você adore comer uns bombons de chocolate no meio da tarde. Produzir estes bombons de chocolate é um exemplo de operações contínuas. A empresa sabe quantos bombons produzir, quais serão as cores dos confeitos, quantos haverá em cada embalagem etc. Todos os dias, centenas de bombons entram nos saquinhos, vão para as prateleiras das lojas e, por fim, para o consumidor. Mas a produção desses doces não é um projeto. Agora digamos que a equipe de administração tenha decidido que está na hora de apresentar uma nova linha de confeitos. Você foi escalado para produzir o sabor e o formato do novo confeito. Reúne uma equipe de pesquisa para criar uma nova fórmula. A equipe de marketing recolhe alguns dados que demonstram que o novo confeito tem potencial entre os consumidores. O confeito é produzido segundo um plano, monitorado para não fugir à fórmula e ao formato original, e vai para as lojas. Isso é projeto ou operação contínua? A resposta é: esse é um projeto, embora a fabricação de confeitos consista em algo que a empresa faz todos os dias. A produção de bombons de chocolate é considerada uma operação contínua. O novo confeito, porém, é um produto único, pois a empresa jamais produziu esse sabor e formato de confeito. Não devemos nos esquecer de que os projetos nascem para criar um produto ou um serviço que não existia antes. O projeto do novo confeito foi iniciado, executado, monitorado e, então, terminou quando todos os requisitos foram atendidos. No entanto, a produção de confeitos não parou. No final desse projeto, ela foi entregue às operações contínuas e absorvida no trabalho do cotidiano da empresa. O projeto terminou, neste caso, assimilado às operações contínuas da empresa. Projetos não são esforços contínuos. IMPORTANT E projetos não são trabalhos contínuos. Para que um trabalho seja considerado projeto, deve atender a certos critérios. Na linha da mesma autora, projetos destinam-se a dar origem a um serviço ou produto único, que não foi produzido antes. Têm prazo limitado e sua natureza é temporária. Isto quer dizer que os projetos têm início e fim definidos. É possível decidir se o projeto está concluído ao compará-lo com os objetivos e as entregas definidas no plano do projeto. FONTE: Heldman (2005, p. 2) TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 13 De acordo com o Guia PMBOK, a organização ou os gerentes de projetos podem dividir projetos em fases para oferecer melhor controle gerencial com ligações adequadas com as operações em andamento da organização executora. Coletivamente, essas fases são conhecidas como o ciclo de vida do projeto. A transição de uma fase para a outra dentro do ciclo de vida de um projeto em geral envolve e normalmente é definida por alguma forma de transferência técnica ou entrega. As entregas de uma fase geralmente são revisadas, para garantir que estejam completas e exatas,e aprovadas antes que o trabalho seja iniciado na próxima fase. No entanto, não é incomum que uma fase seja iniciada antes da aprovação das entregas da fase anterior, quando os riscos envolvidos são considerados aceitáveis. Essa prática de sobreposição de fases, normalmente feita em sequência, é um exemplo da aplicação da técnica de compressão do cronograma denominado paralelismo. Os ciclos de vida do projeto geralmente definem: • Que trabalho técnico deve ser realizado em cada fase (por exemplo, em qual fase deve ser realizado o trabalho do arquiteto?). • Quando as entregas devem ser geradas em cada fase e como cada entrega é revisada, verificada e validada? • Quem está envolvido em cada fase (por exemplo, a engenharia simultânea exige que os implementadores estejam envolvidos com os requisitos e o projeto)? • Como controlar e aprovar cada fase? 8 CICLO DE VIDA E ORGANIZAÇÃO DO PROJETO FONTE: PMI (2004, p. 19-20) As características das fases do projeto são bem definidas, de acordo com o Guia PMBOK, pois, para o material, o término e a aprovação de um ou mais produtos caracterizam uma fase do projeto. Chamamos genericamente de produto o resultado mensurável e verificável do trabalho, como uma especificação, um relatório de estudo de viabilidade, um documento de projeto detalhado ou um protótipo. Os produtos e, portanto, as fases, fazem parte de um processo geralmente sequencial criado para garantir o controle adequado do projeto e para conseguir o produto ou serviço desejado, que é o objetivo do projeto. (PMI, 2004). UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 14 Uma fase do projeto em geral é concluída com uma revisão do trabalho realizado e dos produtos para definir a aceitação, se ainda é necessário algum trabalho adicional ou se a fase deve ser considerada encerrada. Uma revisão de gerenciamento, muitas vezes, é realizada para se chegar a uma decisão de iniciar as atividades da próxima fase sem encerrar a fase atual, por exemplo, quando o gerente de projetos escolhe o paralelismo como ação. Outro exemplo é quando uma empresa de tecnologia da informação escolhe um ciclo de vida iterativo em que mais de uma fase do projeto pode avançar simultaneamente. Os requisitos de um módulo podem ser coletados e analisados antes que ele seja projetado e construído. Enquanto está sendo feita a análise de um módulo, a coleta de requisitos de outro módulo também poderia ser iniciada em paralelo. Da mesma forma, uma fase pode ser encerrada sem a decisão de iniciar outras fases. Por exemplo, o projeto terminou ou o risco é considerado grande demais para que sua continuação seja permitida. FONTE: PMI (2004, p. 22-23) FIGURA 3 – SEQUÊNCIA TÍPICA DE FASES NO CICLO DE VIDA DE UM PROJETO FONTE: PMI (2004, p. 23) 9 PARTES INTERESSADAS NO PROJETO OU STAKEHOLDERS Valle et al. (2010) afirmam que os projetos são iniciados, planejados, executados, controlados e encerrados por pessoas, que são o elo fundamental do gerenciamento de projetos. O termo stake no mundo corporativo significa participação, interesse ou o financiador de algum empreendimento. As partes interessadas (pessoas ou organizações) são todas as envolvidas no projeto, que TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DE GESTÃO DE PROJETOS 15 possam ser afetadas ou exercer alguma influência, positiva ou negativa, nos seus objetivos e resultados finais. Os autores classificam os stakeholders em três tipos: • Patrocinadores (sponsor): investidores, diretores, superintendentes, clientes (externos e internos). • Participantes: gerente de projeto, equipe de projetos, agências reguladoras, fornecedores, empreiteiros, especialistas etc. • Externos: ambientalistas, líderes e grupos de comunidades, mídia, familiares dos integrantes do projeto etc. Uma das mais importantes partes interessadas é naturalmente o próprio gerente de projeto e, para a sua atuação eficiente, serão necessários alguns conhecimentos já descritos neste Caderno de Estudos, no item sobre o gerente de projeto propriamente dito. Cliente – usuário final ou destinatário do produto ou serviço do projeto. Os clientes podem ser internos ou externos à organização. IMPORTANT E 16 Neste tópico vimos que: • Para Heldman (2005), os projetos não são trabalhos cotidianos. • Os projetos destinam-se a dar origem a um serviço ou produto único, que não foi produzido antes. • Os projetos têm prazo limitado e sua natureza é temporária. Isto quer dizer que os projetos têm início e fim definidos. • Para o Guia PMBOK, um projeto é um esforço temporário para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. • A singularidade é uma característica importante das entregas do projeto. Por exemplo, muitos milhares de prédios de escritórios foram construídos, mas cada prédio em particular é único – tem proprietário diferente, projeto diferente, local diferente, construtora diferente etc. A presença de elementos repetitivos não muda a singularidade fundamental do trabalho do projeto. • A elaboração progressiva das especificações de um projeto deve ser cuidadosamente coordenada com a definição adequada do escopo do projeto, particularmente se o projeto for realizado sob contrato. • Segundo o Guia PMBOK®, o gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender aos seus requisitos. • Gerenciar um projeto inclui: • Identificação das necessidades. • Estabelecimento de objetivos claros e alcançáveis. • Balanceamento das demandas conflitantes de qualidade, escopo, tempo e custo. • Adaptação das especificações, dos planos e da abordagem às diferentes preocupações e expectativas das diversas partes interessadas. • O Guia PMBOK define/descreve como o gerenciamento de projetos inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto, que incluem, mas não se limitam a(à): • Escopo. • Qualidade. • Cronograma. • Orçamento. • Recursos. • Risco. RESUMO DO TÓPICO 1 17 • Segundo Phillips (2003), a gerência de projetos é a capacidade de administrar uma série de tarefas cronológicas que resultam em uma meta desejada. • O Guia PMBOK® também fornece e promove um vocabulário comum para se discutir, escrever e aplicar o gerenciamento de projetos. Esse vocabulário padrão é um elemento essencial de uma profissão. • O Guia PMBOK se destina apenas a projetos individuais e aos processos de gerenciamento de projetos amplamente reconhecidos como boas práticas. • O Guia PMBOK® está organizado em três seções: Seção I: a estrutura do gerenciamento de projetos; Seção II: a norma de gerenciamento de projetos de um projeto; Seção III: as áreas de conhecimento em gerenciamento de projetos. • Um portfólio é um conjunto de projetos ou programas e outros trabalhos agrupados para facilitar o gerenciamento eficaz desse trabalho a fim de atender aos objetivos de negócios estratégicos. • Os projetos ou programas no portfólio podem não ser necessariamente interdependentes ou diretamente relacionados. • As organizações gerenciam seus portfólios com base em metas específicas. • Os projetos são frequentemente divididos em componentes mais facilmente gerenciáveis ou subprojetos, embora os subprojetos individuais possam ser chamados de projetos e gerenciados como tal. • Não existe uma única melhor maneira para definir um ciclo de vida ideal do projeto. • Os ciclos de vida do projeto geralmente definem: • Que trabalho técnico deve ser realizado em cada fase (por exemplo, em qual fase deve ser realizado o trabalho do arquiteto?). • Quando as entregas devem ser geradas em cada fase e como cada entrega é revisada, verificada e validada? • Quem está envolvido em cada fase (por exemplo, a engenharia simultânea exige que os implementadores estejam envolvidoscom os requisitos e o projeto)? • Como controlar e aprovar cada fase? • O ciclo de vida de desenvolvimento de software de uma organização pode ter uma única fase de projeto, enquanto outro pode ter fases diferentes para projeto arquitetural e detalhado. • As motivações que criam o estímulo para um projeto são normalmente chamadas de problemas, oportunidades ou necessidades de negócios. O efeito dessas pressões é que o gerenciamento em geral deve priorizar essa solicitação no que se refere às necessidades e demandas de recursos de outros possíveis projetos. 18 • As partes interessadas (pessoas ou organizações) são todas as envolvidas no projeto, que possam ser afetadas ou exercer alguma influência, positiva ou negativa, nos seus objetivos e resultados finais. • Os autores classificam os stakeholders em três tipos: • Patrocinadores (sponsor) – investidores, diretores, superintendentes, clientes (externos e internos). • Participantes – gerente de projeto, equipe de projetos, agências reguladoras, fornecedores, empreiteiros, especialistas etc. • Externos – ambientalistas, líderes e grupos de comunidades, mídia, familiares dos integrantes do projeto etc. • Segundo o Guia PMBOK, as artes interessadas no projeto ou os stakeholders são pessoas e organizações ativamente envolvidas no projeto ou cujos interesses podem ser afetados como resultado da execução ou do término do projeto. 19 1 O que é gerência de projeto? a) ( ) A capacidade de completar uma tarefa dentro de um dado período de tempo. b) ( ) A capacidade de completar uma tarefa dentro de um dado orçamento. c) ( ) A capacidade de administrar uma série de tarefas cronológicas, resultando em uma meta desejada. d) ( ) A capacidade de administrar uma série de tarefas cronológicas dentro de um dado período de tempo e dentro de um orçamento. 2 Qual das alternativas a seguir determina o início de um projeto? a) ( ) Conhecimento do patrocinador do projeto. b) ( ) Conhecimento do orçamento do projeto. c) ( ) Conhecimento da data de conclusão do projeto. d) ( ) Conhecimento dos resultados do projeto. 3 Das alternativas a seguir, qual é o elemento mais importante de uma formação de projeto? a) ( ) Patrocinador. b) ( ) Membros da equipe. c) ( ) Visão. d) ( ) Gerente do projeto. 4 Por que um gerente de projeto deve questionar todos os aspectos de um novo projeto? Escolha duas respostas: a) ( ) Para determinar os resultados do projeto. b) ( ) Para determinar a validade do projeto. c) ( ) Para determinar o orçamento do projeto. d) ( ) Para determinar os recursos do projeto. AUTOATIVIDADE 20 21 TÓPICO 2 PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico vamos discutir os projetos nas organizações. Diversas estruturas organizacionais influenciam no gerenciamento de projetos de TI. Essa discussão nos dará embasamento para começarmos a entender como deverá ser o comportamento do gerente de projetos e toda a sua equipe para alcançar o resultado esperado ao final do trabalho. 2 EFEITOS DAS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS NOS PROJETOS 2.1 ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS Segundo o Guia PMBOK, o gerenciamento geral inclui o planejamento, a organização, a formação de pessoal, a execução e o controle de operações de uma empresa existente. Tal gerenciamento inclui várias disciplinas de apoio, entre as quais podemos citar o conhecimento nas estruturas organizacionais, comportamento organizacional, administração de pessoal, compensação, benefícios e planos de carreira. A organização funcional clássica, mostrada na figura a seguir, é uma hierarquia em que cada funcionário possui um superior bem definido. Os funcionários são agrupados por especialidade, como produção, marketing, engenharia e contabilidade, no nível superior. A engenharia pode ser também subdividida em organizações funcionais que dão suporte aos negócios da organização mais ampla, como mecânica e elétrica. As organizações funcionais ainda possuem projetos, mas o escopo do projeto geralmente é restrito aos limites da função. O departamento de engenharia em uma organização funcional fará o seu trabalho do projeto de modo independente dos departamentos de produção ou de marketing. Quando UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 22 é realizado o desenvolvimento de um novo produto em uma organização puramente funcional, a fase de projeto, geralmente chamada de projeto de design, inclui somente pessoal do departamento de engenharia. Em seguida, quando surgirem questões sobre produção, elas serão passadas para o chefe de departamento no nível hierárquico superior da organização, que irá consultar o chefe do Departamento de Produção. O chefe do Departamento de Engenharia então passará a resposta de volta para o gerente funcional de engenharia, no nível hierárquico inferior. Em uma organização por projeto, conforme exibida na figura a seguir, os membros da equipe geralmente são colocados juntos. A maior parte dos recursos da organização está envolvida no trabalho do projeto e os gerentes de projetos possuem grande independência e autoridade. As organizações por projeto em geral possuem unidades organizacionais denominadas departamentos, mas esses grupos se reportam diretamente ao gerente de projetos ou oferecem serviços de suporte para os diversos projetos. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgH6MAL/gestao-projetos-pm- bok-2004?part=6>. Acesso em: 11 out. 2013. FIGURA 4 – ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL FONTE: PMI (2004, p. 29) FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgH6MAL/gestao-projetos-pm- bok-2004?part=6>. Acesso em: 11 out. 2013. TÓPICO 2 | PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES 23 FIGURA 5 – ORGANIZAÇÃO POR PROJETO FONTE: PMI (2004, p. 29) FIGURA 6 – ORGANIZAÇÃO MATRICIAL FRACA FONTE: PMI (2004, p. 30) UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 24 FIGURA 7 – ORGANIZAÇÃO MATRICIAL BALANCEADA FONTE: PMI (2004, p. 30) FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgH6MAL/gestao-projetos-pm- bok-2004?part=6>. Acesso em: 11 out. 2013. As organizações matriciais, conforme mostrado nas Figuras 4 a 6, são uma combinação de características das organizações funcional e por projeto. As matrizes fracas mantêm muitas das características de uma organização funcional e a função do gerente de projetos é mais parecida com a de um coordenador ou facilitador que com a de um gerente. De modo semelhante, as matrizes fortes possuem muitas das características da organização por projeto, e podem ter gerentes de projetos em tempo integral com autoridade considerável e pessoal administrativo trabalhando para o projeto em tempo integral. Embora a organização matricial balanceada reconheça a necessidade de um gerente de projetos, ela não fornece ao gerente de projetos autoridade total sobre o projeto e os recursos financeiros do projeto. TÓPICO 2 | PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES 25 FIGURA 8 – ORGANIZAÇÃO MATRICIAL FORTE FONTE: PMI (2004, p. 31) FIGURA 9 – ORGANIZAÇÃO COMPOSTA FONTE: PMI (2004, p. 31) As caixas cinzas representam equipes envolvidas em atividades do projeto.) UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 26 A maioria das organizações modernas envolve todas essas estruturas em vários níveis, conforme mostrado na Figura 9 (Organização composta). Por exemplo, até mesmo uma organização fundamentalmente funcional pode criar uma equipe de projeto especial para cuidar de um projeto crítico. Essa equipe pode ter muitas das características de uma equipe de projeto em uma organização por projeto. A equipe pode incluir pessoal de diferentes departamentos funcionais trabalhando em tempo integral, pode desenvolverseu próprio conjunto de procedimentos operacionais e pode operar fora da estrutura hierárquica formal padrão. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgH6MAL/gestao-projetos-pm- bok-2004?part=6>. Acesso em: 11 out. 2013. 2.2 FATORES AMBIENTAIS DAS ORGANIZAÇÕES Segundo o Guia PMBOK, durante o desenvolvimento das fases do projeto devem ser considerados todos e quaisquer sistemas e fatores ambientais da empresa que cercam e influenciam o sucesso do projeto. Isso inclui, mas não se limita a itens como (PMI, 2008): • Cultura e estrutura organizacional ou da empresa. • Normas governamentais ou do setor (por exemplo, regulamentos de agências reguladoras, normas de produtos, padrões de qualidade e padrões de mão de obra). • Infraestrutura (por exemplo, equipamentos e instalações existentes). • Recursos humanos existentes (por exemplo, habilidades, disciplinas e conhecimento, como projeto, desenvolvimento, departamento jurídico, contratação e compras). • Administração de pessoal (por exemplo, diretrizes de contratação e demissão, análises de desempenho dos funcionários e registros de treinamento). • Sistema de autorização do trabalho da empresa. • Condições do mercado. • Tolerância a risco das partes interessadas. • Bancos de dados comerciais (por exemplo, dados padronizados de estimativa de custos, informações sobre estudos de risco do setor e bancos de dados de riscos). • Sistemas de informações do gerenciamento de projetos (por exemplo, um conjunto de ferramentas automatizadas, como uma ferramenta de software para elaboração de cronogramas, um sistema de gerenciamento de configuração, um sistema de coleta e distribuição de informações ou interfaces Web para outros sistemas on-line automatizados). 27 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico vimos que: • Segundo o Guia PMBOK, o gerenciamento geral inclui o planejamento, a organização, a formação de pessoal, a execução e o controle de operações de uma empresa existente. • A estrutura da organização executora geralmente limita a disponibilidade de recursos em um espectro de uma estrutura funcional a uma estrutura por projeto, com diversas estruturas matriciais intermediárias. • A organização funcional clássica é uma hierarquia em que cada funcionário possui um superior bem definido. Os funcionários são agrupados por especialidade, como produção, marketing, engenharia e contabilidade, no nível superior. • As organizações funcionais ainda possuem projetos, mas o escopo do projeto geralmente é restrito aos limites da função. • Em seguida, quando surgirem questões sobre produção, elas serão passadas para o chefe de departamento no nível hierárquico superior da organização, que irá consultar o chefe do departamento de produção. • Em uma organização por projeto os membros da equipe geralmente são colocados juntos. • As organizações por projeto em geral possuem unidades organizacionais denominadas departamentos, mas esses grupos se reportam diretamente ao gerente de projetos ou oferecem serviços de suporte para os diversos projetos. • As organizações matriciais são uma combinação de características das organizações funcional e por projeto. • As matrizes fracas mantêm muitas das características de uma organização funcional e a função do gerente de projetos é mais parecida com a de um coordenador ou facilitador que com a de um gerente. • A função de um PMO em uma organização pode variar de uma assessoria, limitada à recomendação de políticas e procedimentos específicos sobre projetos individuais, até uma concessão formal de autoridade pela gerência executiva. • O gerente de projetos terá apoio administrativo do PMO através de funcionários dedicados ou de um funcionário compartilhado. • Os membros da equipe do projeto se reportarão diretamente ao gerente de projetos ou, se forem compartilhados, ao PMO. • O gerente de projetos se reporta diretamente ao PMO. 28 1 O que está incluído no gerenciamento geral, segundo o Guia PMBOK? 2 Como funciona uma estrutura funcional clássica no que tange à hierarquia, funcionários, engenharia e projeto? 3 De acordo com o Guia PMBOK, como funciona uma organização por projeto? 4 Quais são as diferenças entre uma organização matricial fraca e uma organização matricial forte? AUTOATIVIDADE 29 TÓPICO 3 A NORMA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE UM PROJETO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico vamos discutir sobre a norma de gerenciamento de projetos de um projeto. Conforme o Guia PMBOK, especificaremos todos os processos de gerenciamento de projetos usados pela equipe do projeto para gerenciar um projeto. Os processos de gerenciamento de projetos de um projeto descrevem os cinco grupos de processos de gerenciamento de projetos necessários para qualquer projeto e os processos de gerenciamento de projetos que os compõem. Esse tópico descreverá a natureza multidimensional do gerenciamento de projetos. 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE UM PROJETO 2.1 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS Conforme afirma o Guia PMBOK, os processos de gerenciamento de projetos são apresentados como elementos distintos, com interfaces bem definidas. No entanto, na prática, eles se sobrepõem e interagem de maneiras não totalmente detalhadas aqui. Os profissionais mais experientes de gerenciamento de projetos reconhecem que existe mais de uma maneira de gerenciar um projeto. As especificações de um projeto são definidas como objetivos que precisam ser realizados com base na complexidade, no risco, no tamanho, no prazo, na experiência da equipe do projeto, no acesso aos recursos, na quantidade de informações históricas, na maturidade da organização em gerenciamento de projetos e no setor e na área de aplicação. Os grupos de processos necessários e seus processos constituintes são orientações para a aplicação do conhecimento e das habilidades de gerenciamento de projetos adequados durante o projeto. Além disso, a aplicação dos processos de gerenciamento de projetos a um 30 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI projeto é iterativa e muitos processos são repetidos e revisados durante o projeto. O gerente de projetos e a equipe do projeto são responsáveis pela determinação de que processos dos grupos de processos serão empregados e por quem, além do grau de rigor que será aplicado à execução desses processos para alcançar o objetivo desejado do projeto. O Guia PMBOK identifica e descreve os cinco grupos de processos de gerenciamento de projetos necessários para qualquer projeto. Esses cinco grupos de processos possuem dependências claras e são executados na mesma sequência em todos os projetos. Eles são independentes das áreas de aplicação ou do foco do setor. Os grupos de processos individuais e os processos constituintes individuais geralmente são iterados antes do término do projeto. Os processos constituintes também podem ter interações, tanto dentro de um grupo de processos como entre grupos de processos. Os símbolos dos fluxogramas de processo são mostrados na figura a seguir: • Grupos de processos. • Processos dentro dos grupos de processos. • Ativos de processos organizacionais e fatores ambientais da empresa, mostrados como entradas e saídas dos grupos de processos, mas externos aos processos. • Setas ou linhas com setas indicam o processo ou o fluxo de dados entre os grupos de processos ou dentro deles. FONTE: PMI (2004, p. 39) 2.2 GRUPOS DE PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS FONTE: PMI (2004, p. 40) Para facilitar a leitura dos diagramas, o Guia PMBOK não mostra todas as interações entre os processos. IMPORTANT E TÓPICO 3 | A NORMA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE UM PROJETO 31 Conforme o Guia PMBOK, o fluxograma de processo forneceum resumo geral do fluxo básico e das interações básicas entre os grupos de processos. Um processo individual pode definir e restringir o modo como as entradas são usadas para produzir saídas para esse grupo de processos. Um grupo de processos inclui os processos de gerenciamento de projetos constituintes que estão ligados pelas respectivas entradas e saídas, ou seja, o resultado ou o produto de um processo se torna a entrada de outro processo. O Grupo de processos de monitoramento e controle, por exemplo, além de monitorar e controlar o trabalho que está sendo realizado durante um grupo de processos, também monitora e controla todo o esforço do projeto. O Grupo de processos de monitoramento e controle também deve fornecer feedback a fim de implementar ações corretivas ou preventivas para assegurar a conformidade do projeto com o plano de gerenciamento do projeto ou para modificar adequadamente o plano de gerenciamento do projeto. É provável que ocorram muitas interações adicionais entre os grupos de processos. Os grupos de processos não são fases do projeto. Quando projetos grandes ou complexos podem ser separados em fases ou subprojetos distintos, como estudo de viabilidade, desenvolvimento de conceitos, projeto, elaboração de protótipo, construção, teste etc., todos os processos do grupo de processos seriam normalmente repetidos para cada fase ou subprojeto. Os cinco grupos de processos são: • Grupo de processos de iniciação. Define e autoriza o projeto ou uma fase do projeto. • Grupo de processos de planejamento. Define e refina os objetivos e planeja a ação necessária para alcançar os objetivos e o escopo para os quais o projeto foi realizado. • Grupo de processos de execução. Integra pessoas e outros recursos para realizar o plano de gerenciamento do projeto para o projeto. • Grupo de processos de monitoramento e controle. Mede e monitora regularmente o progresso para identificar variações em relação ao plano de gerenciamento do projeto, de forma que possam ser tomadas ações corretivas quando necessário para atender aos objetivos do projeto. FIGURA 10 – LEGENDA DO FLUXOGRAMA FONTE: PMI (2004, p. 41) 32 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI • Grupo de processos de encerramento. Formaliza a aceitação do produto, serviço ou resultado e conduz o projeto ou uma fase do projeto a um final ordenado. FONTE: PMI (2004, p. 41) FIGURA 11 – RESUMO DE ALTO NÍVEL DAS INTERAÇÕES ENTRE OS GRUPOS DE PROCESSOS FONTE: PMI (2004, p. 42) Cultura da organização Sistema de informações do gerenciamento de projetos “Pool” de recursos humanos Procedimento de encerramento administrativo Procedimento de encerramento de contratos Fatores ambientais da Empresa Ativos de processos organizacionais Políticas, procedimentos, normas, diretrizes Processos definidos Informações históricas Lições aprendidas Iniciador ou patrocinador do projeto Cliente Grupo de processos de iniciação Grupo de processos de planejamento Grupo de processos de execução Grupo de processos de monitoramento e controle Grupo de processos de encerramento Declaração do trabalho Contrato Termo de abertura do projeto Declaração do escopo preliminar do projeto Plano de gerenciamento do projeto Entregas Mudanças solicitadas Solicitações de mudança implementadas Ações corretivas implementadas Ações preventivas implementadas Reparo de defeito implementação Informações sobre o desempenho do trabalho Solicitações de mudanças aprovadas Solicitações de mudanças rejeitadas Ações corretivas aprovadas Ações preventivas aprovadas Reparo de defeito aprovado Plano de gerenciamento do projeto (atualizações) Declaração do escopo do projeto (atualizações) Ações corretivas recomendadas Ações preventivas recomendadas Relatórios de desempenho Reparo de defeito recomendado Previsões Reparo de defeito validade Entregas aprovadas Produto, serviço resultado final Ativos de processos organizacionais (atualizações) 33 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico vimos que: • Conforme afirma o Guia PMBOK, os processos de gerenciamento de projetos são apresentados como elementos distintos, com interfaces bem definidas. • As especificações de um projeto são definidas como objetivos que precisam ser realizados com base na complexidade, no risco, no tamanho, no prazo, na experiência da equipe do projeto, no acesso aos recursos, na quantidade de informações históricas, na maturidade da organização em gerenciamento de projetos e no setor e na área de aplicação. • O gerente de projetos e a equipe do projeto são responsáveis pela determinação de que processos dos grupos de processos serão empregados e por quem, além do grau de rigor que será aplicado à execução desses processos para alcançar o objetivo desejado do projeto. • O Guia PMBOK identifica e descreve os cinco grupos de processos de gerenciamento de projetos necessários para qualquer projeto. • Os cinco grupos de processos são: • Grupo de processos de iniciação. Define e autoriza o projeto ou uma fase do projeto. • Grupo de processos de planejamento. Define e refina os objetivos e planeja a ação necessária para alcançar os objetivos e o escopo para os quais o projeto foi realizado. • Grupo de processos de execução. Integra pessoas e outros recursos para realizar o plano de gerenciamento do projeto para o projeto. • Grupo de processos de monitoramento e controle. Mede e monitora regularmente o progresso para identificar variações em relação ao plano de gerenciamento do projeto, de forma que possam ser tomadas ações corretivas quando necessário para atender aos objetivos do projeto. • Grupo de processos de encerramento. Formaliza a aceitação do produto, serviço ou resultado e conduz o projeto ou uma fase do projeto a um final ordenado. • Um grupo de processos inclui os processos de gerenciamento de projetos constituintes que estão ligados pelas respectivas entradas e saídas, ou seja, o resultado ou o produto de um processo se torna a entrada de outro processo. • O Grupo de processos de monitoramento e controle, por exemplo, além de monitorar e controlar o trabalho que está sendo realizado durante um grupo de processos, também monitora e controla todo o esforço do projeto. • O Grupo de processos de monitoramento e controle também deve fornecer feedback a fim de implementar ações corretivas ou preventivas para assegurar a conformidade do projeto com o plano de gerenciamento do projeto ou para modificar adequadamente o plano de gerenciamento do projeto. 34 1 No que tange aos processos de gerenciamento de projetos, como são definidas as especificações de um projeto? 2 O Guia PMBOK identifica e descreve os cinco grupos de processos de gerenciamento de projetos necessários para qualquer projeto. A quais grupos o guia PMBOK se refere? Comente sobre cada um deles. AUTOATIVIDADE 35 TÓPICO 4 VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a)! Este tópico tem o objetivo de esclarecer importantes fundamentos e conceitos implícitos nas estruturas dos ambientes de TI, que são necessários para prover a gestão de seus serviços e, também, para que seja possível compreender os elementos envolvidos nestes processos, assim como permitir uma visão clara sobre este cenário tecnológico acerca de alguma atividade de negócio. Podemos começar afirmando que, por si só, a tecnologia da informação é considerada uma área complexa, e esta complexidade se dá através da grande abrangência e da diversidade de tecnologias aplicáveis nas mais diversas soluções das necessidades humanas e, principalmente, das organizações empresariais em geral. Todas estas tecnologias, para existirem e se manterem ativas, necessitamde atividades de apoio, que possibilitem a oferta permanente deste manancial. Nesse contexto, igualmente relevante é citar sobre a dependência das tecnologias da informação e comunicações de uma forma geral, e estabelecer a importância e a necessidade de uma estrutura que possa oferecer meios de contemplar a gestão dos serviços originados por essas tecnologias. Assim, todos os elementos das tecnologias da informação e comunicações estão associados a algum tipo de serviço. Isso se faz necessário porque estes serviços devem ser criados, e, depois de criados, devem ser inseridos para uso, e em sua vida útil devem ser mantidos, mas quando não houver mais necessidade de mantê-los ativos, eles devem ser retirados de uso. Fica, então, caracterizada a existência de um ciclo de vida dos serviços de TI em torno de algum ativo da TI. Neste tópico também daremos ênfase ao conhecimento de aspectos relacionados aos serviços, à forma como eles são criados e por que são criados. Abordaremos também o que representa um processo para a gestão de serviços de TI, e, fundamentalmente, citaremos a importância deste gerenciamento para as organizações. 36 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI Ao final deste tópico apresentamos as autoatividades para que você possa exercitar seus conhecimentos. Então, desejamos que você realize um bom estudo! 2 FUNDAMENTOS Quando falamos sobre tecnologia da informação ou sistemas de computação, nossos pensamentos, essencialmente em primeiro plano, se voltam para os computadores e programas que compõem o ambiente de processamento de uma corporação. Em uma visão mais macro do negócio, não está incorreto concluir e pensar desta forma. Entretanto, para os profissionais da área de TI, existem muitos outros aspectos e desafios que requerem muita atenção. A evolução das tecnologias da informação e comunicações trouxe um grande número de preocupações e necessidades de controles. Sabemos que não basta somente servir uma organização das mais variadas soluções tecnológicas e entregá-las à sorte de seus usuários. Esta ação representaria uma grande irresponsabilidade por parte dos agentes da TI. Não é preciso insistir na afirmação de que estes ambientes tecnológicos requerem muito gerenciamento. Estas necessidades estão diretamente relacionadas com aquilo que atualmente as organizações buscam incessantemente: a agilidade, a eficácia e a eficiência nos negócios. Conforme nos informam Magalhães e Pinheiro (2007, p. 59): O gerenciamento de serviços da tecnologia da informação é o instrumento pelo qual a área pode iniciar a adoção de uma postura proativa em relação ao atendimento das necessidades da organização, contribuindo para evidenciar a sua participação na geração de valor. São vários os motivos pelos quais são realizadas diversas ações em torno do gerenciamento dos serviços de TI. Um dos mais evidentes é que se objetiva garantir a continuidade dos negócios da organização, seja ela de qualquer ramo de atividade, e, sem dúvida, o custo da interrupção dos serviços de TI nas empresas é muito alto. Esta interrupção nos serviços de TI pode gerar sérios prejuízos, tanto financeiros quanto morais, ou seja, os desgastes e a perda de credibilidade por parte dos clientes desta organização. Entretanto, a Gestão da TI e dos seus serviços não está focada somente em realizar esforços para contenção do ambiente tecnológico, mas visa também organizar e garantir aspectos da qualidade e da segurança da informação. Estes ambientes tecnológicos a que nos referimos estão cada vez mais especializados. Queremos dizer com isso que são muitos os conhecimentos que estão envolvidos em cada elemento da tecnologia da informação. Desta forma, é de grande importância que os recursos humanos que irão implantar, controlar ou TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 37 utilizar os recursos tecnológicos tenham adequadamente, para cada momento, a capacitação necessária para realizar suas atividades de forma plena e que os levem a obter os resultados esperados. Na estrutura de um típico ambiente tecnológico – que é basicamente composto por três partes: as máquinas (hardware de informática), os softwares (sistemas de software diversos) e, por último, a parte inteligente, que são as pessoas – são grandes os desafios de fazer com que todos estes elementos funcionem de forma sincronizada para que possam gerar os resultados esperados. O conjunto de soluções propostas para uma determinada situação deve estar adequado basicamente aos requerimentos que o empreendimento empresarial necessita. Esta solução deve estar calibrada para suportar as reais necessidades operacionais e prover as facilidades que a tecnologia pode oferecer. Esta situação se tornará verdadeira desde que se tenha avaliado detidamente o caso e realizado o alinhamento estratégico da TI. Para Fernandes e Abreu (2008, p. 17), “o processo de alinhamento estratégico da tecnologia da informação procura determinar qual deve ser o alinhamento da TI em termos de arquitetura, infraestrutura, aplicações, processos e organização com as necessidades presentes e futuras do negócio”. Notadamente, citamos sobre TI e negócios, que estes devem estar alinhados. Então, afirmamos que, sem isso, não existe razão para existir a TI. Desta forma, toda e qualquer iniciativa ou projeto de TI deve estar baseada em uma real necessidade da organização, baseada em alguma parte do seu planejamento estratégico. Assim, não podemos criar serviços, viabilizando investimentos para eles, mobilizando equipes, entre outras ações, se estes não forem necessários e devidamente justificados. A visão que necessitamos ter sobre este cenário é a de que todas as tecnologias disponibilizadas para a organização, de alguma forma, são a base ou meio de sustentação para um importante e essencial elemento, chamado informação. Desta forma, as informações constituem-se em ativos de grande valor para as corporações e devem ser preservadas, assim como, devidamente armazenadas e com total controle de privilégios de acessos a elas. Então, além de tudo o que podemos observar sobre o ambiente tecnológico, esta base de sustentação que citamos deve, impreterivelmente, oferecer total disponibilidade nas realizações das atividades de negócio, oferecer flexibilidade de uso, segurança e facilidade de recuperação nos casos de ocorrências de eventos considerados maléficos. A manutenção e a salvaguarda deste ambiente tecnológico de sustentação somente serão alcançadas se houver o efetivo gerenciamento dos recursos de TI e dos serviços de TI associados a estas tecnologias. 38 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI 3 HISTÓRICO Não é possível falar de gerenciamento de serviços de TI sem citar os modelos ITIL e a ISO/IEC 20000, que são conjuntos de melhores práticas para gerenciamento da infraestrutura e serviços de TI. Estes modelos são muito mais abrangentes do que citamos neste caderno, pois contemplam todos os processos envolvendo os serviços de TI, em todo o seu ciclo de vida. Entretanto, não é nosso objetivo demonstrá-lo como um todo. Vamos nos restringir a alguns processos que se prestam somente ao gerenciamento de serviços, os quais estão inseridos em parte dos processos. Estes modelos são, atualmente, as maiores referências mundiais para Gestão de Infraestrutura e Serviços de TI e que, além de outras fontes de pesquisa, também nos forneceram a base para este trabalho. UNI O Modelo ITIL O modelo ITIL (Information Technology Infrastruture Library) foi inicialmente desenvolvido pela CCTA – (Central Computing and Telecomunications Agency), atualmente chamada de OGC – (Office of Government Commerce), órgão do governo britânico que atua como desenvolvedor de metodologias e padrões nointuito de buscar a melhoria dos processos internos. O modelo nasceu e evoluiu a partir de uma iniciativa do governo britânico que, em virtude dos seus problemas relacionados ao atendimento dos serviços de TI, solicitou a criação de um método que pudesse prover o completo gerenciamento destes serviços de TI e que suas entregas tivessem a qualidade desejada. Desta forma, no final da década de 1980 deu-se início ao projeto ITIL com a criação de alguns livros contendo uma série de melhores práticas. Já no ano de 1990 foi publicada uma versão completa, a ITIL V1. No ano seguinte, em 1991, ocorreu a criação do itSMF (Information Technology Service Management Forum), que é uma entidade com sede no Reino Unido com a responsabilidade pela elaboração de políticas e metas que levem a associação a atingir seus objetivos globais, cujos capítulos de cada país são subordinados. Posteriormente, nos anos 2000, foi o período em que ocorreram os fatos mais marcantes para o modelo, porque, além da publicação da versão ITIL V2 com uma coleção de nove livros, ocorreu a sua consolidação como um padrão de fato. No ano de 2005, a norma britânica BS- 15000, considerada o primeiro padrão mundial direcionado para gerenciamento de serviços de TI e em conformidade com o padrão ITIL, transforma-se na ISO 20000, após acordo entre o OGC e a ISO (International Organization for Standardization) em conjunto com a IEC (International Eletrotechnical Comission), que se constituiria em uma norma com visibilidade mundial e assim facilitaria sua TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 39 divulgação para todos os continentes sem o rótulo de uma norma essencialmente britânica. Na ocasião, não mais do que 50 empresas utilizavam esta norma e elas estavam concentradas na Europa e algumas na Ásia. No ano de 2006 ocorreu a consolidação da ITIL como um padrão internacional, e finalmente no ano de 2007 ocorreu a publicação da versão ITIL V3, que em 2011 sofreu nova revisão. 4 CONCEITOS IMPORTANTES Para facilitar sua compreensão, descrevemos a seguir alguns importantes conceitos e termos utilizados nas questões de Gerenciamento de Serviços de TI e que servirão de base para seus estudos. Os Serviços de TI Segundo definição da ITIL V3 (2013, p. 38), são um “meio de entregar valor aos clientes, facilitando o atingimento dos resultados que os clientes desejam, tirando deles a propriedade dos custos e riscos específicos”. Pela perspectiva do cliente, a criação do valor de um serviço é uma função de duas variáveis: • Utilidade (possui o desempenho desejado ou redução das restrições de desempenho). • Garantia (disponibilidade, capacidade, continuidade e segurança suficientes para o uso). Magalhães e Pinheiro (2007, p. 45) trazem ainda uma definição complementar da ITIL, afirmando que um serviço de TI é definido como “um ou mais sistemas de TI que habilitam um processo de negócio”, devendo-se levar em conta que um sistema de TI é uma combinação de hardware, software, facilidades, processos e pessoas. Além dos conceitos para serviço descritos na biblioteca ITIL, Magalhães e Pinheiro (2007, p. 45) citam outros conceitos definidos por outros autores, como: “Atividades, benefícios ou satisfações que são colocados à venda ou proporcionados em conexão com a venda de bens.” (AMERICAN MARKETING ASSOCIATION, 1960, apud MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007, p. 45). “Qualquer atividade ou benefício que uma parte possa oferecer a uma outra, que seja essencialmente intangível e que não resulte propriedade de alguma coisa. Sua produção pode ou não estar ligada a um produto físico.” (KOTLER, 1988 apud MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007, p. 45). 40 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI “Serviço ao cliente significa todos os aspectos, atitudes e informações que ampliem a capacidade do cliente de compreender o valor potencial de um bem ou serviço essencial.” (UTTAL; DAVIDOW, 1991 apud MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007, p. 45). O que se conclui é que os serviços de TI devem ter o peso estratégico para as empresas, com os objetivos de torná-las mais flexíveis, eficientes e eficazes em suas operações. A Terceirização dos Serviços de TI Historicamente, a maioria dos serviços de TI era provida internamente pelas equipes de TI das empresas. Estas tinham sob sua responsabilidade todos os ativos e recursos da TI, cuja tarefa principal sempre foi de mantê-los em perfeito funcionamento, mas, que de certa forma, não se traduzia em tarefa muito fácil. Sabendo-se que as tecnologias da informação e comunicações se atualizam rapidamente e a cada dia ficam mais especializadas, muitas vezes, realizar o gerenciamento de determinados serviços, obrigatoriamente, viria a requerer conhecimentos igualmente especializados, necessitando assim uma constante busca por aperfeiçoamento técnico de seus agentes. Estas capacitações e certificações obviamente têm seu custo, tanto o financeiro quanto o da curva de aprendizado. Este cenário apontava para um direcionamento e tendência, pois, implicitamente, sugeriu e fomentou que as responsabilidades de execução e gerenciamento destas tecnologias fossem atribuídas para outras empresas ou profissionais, que no caso são especializados na prestação de determinados serviços. São conhecidos como os prestadores de serviços de TI terceirizados. A tendência a que nos referimos tornou-se uma realidade, e o que se vem percebendo há algum tempo é um incremento cada vez maior na terceirização de determinados serviços de TI. Conforme nos informa Saad (2006, p. 45): Nos últimos 15 anos tem-se observado um crescimento explosivo no uso da terceirização. Ao longo do tempo surgiram três ondas distintas que caracterizam a evolução do uso da terceirização, coexistindo hoje todas elas no mercado desses serviços. São elas: 1ª onda – a partir de 1980 – Terceirização Operacional. 2ª onda – a partir de 1990 – Terceirização Estratégica. 3ª onda – a partir de 2000 – Terceirização Evolucionária. A 1ª onda, denominada Terceirização Operacional, tem seu benefício focado nas atividades operacionais da organização contratante, sendo observados impactos positivos sobre seus custos de operação, assim como a qualidade dos serviços de TI utilizados pelos usuários da organização. A 2ª onda, denominada Terceirização Estratégica, tem seu foco sobre os processos de negócio da organização contratante, com benefício TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 41 sobre os custos e receitas de negócio e sobre a qualidade dos serviços de TI percebida pelos clientes da organização. A 3ª onda, denominada Terceirização Evolucionária, foca o posicionamento atual e futuro da organização no mercado, observando- se reflexos positivos sobre o seu market share e sobre o time-to-market dos produtos e serviços que compõem seu portfólio. FONTE: Saad (2006, p. 46) Market share – corresponde à participação de mercado de uma empresa ou grupo dentro do seu segmento de atuação. Time-to-market – é o tempo da criação até a entrega do produto ou serviço. UNI As organizações, por vezes, optam por deixar a cargo de profissionais ou empresas terceiras a responsabilidade sobre a execução de determinados serviços, transferindo-lhes o ônus do risco, o ônus da capacitação e especialização. Os acordos de níveis de serviço são elementos essenciais para que os serviços sejam passados para uma empresa terceirizada. Estes acordos visam estabelecer determinadas diretrizes para a prestação dos serviços, no sentido de especificar o escopo e os limites do atendimento e responsabilidades sobre os serviços em questão. Para Saad (2006, p. 12), uma decisão segura relativa à terceirização de uma função deverá considerar alguns fatores, como: • A revisão das competências da organização. • A revisão da estratégiade identificação e tratamento de riscos da organização. • A identificação das áreas potencialmente terceirizáveis na organização. • A revisão da estratégia e do desempenho das áreas potencialmente terceirizáveis. • A avaliação do alinhamento estratégico entre os diversos setores de negócio da organização, especialmente entre aqueles que operam as áreas identificadas como potencialmente terceirizáveis. • A avaliação das práticas adotadas no mercado de serviços terceirizados nas áreas potenciais identificadas. Além dos fatores citados, outros aspectos fundamentais deverão ser obrigatoriamente estudados na identificação das áreas potencialmente terceirizáveis na organização, como: 42 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI • A identificação das competências diferenciais da organização. • As consequências de decisões do tipo “faz ou compra”. • A utilização das melhores práticas para a implementação do processo. Portanto, as decisões em torno das terceirizações devem obedecer aos critérios que venham a trazer vantagens competitivas e estratégicas para a organização, mas que de nenhuma forma podem representar entraves nos processos essenciais das empresas; muito pelo contrário, deverão trazer maior flexibilidade e facilidades nos fluxos dos negócios. O Valor do Serviço Como já vimos em outro momento, um serviço deve prover valor para seus clientes e usuários. As perspectivas da utilidade e da garantia são mais bem explicadas a seguir: Para que os clientes percebam o valor de um serviço é necessário que este traga facilidades, reduza processos ou elimine restrições, mas deve garantir a continuidade operacional do recurso de TI. Vamos analisar o exemplo da contratação de um link de internet. • Sob o ponto de vista da utilidade: através deste serviço, ou seja, do link, pode- se acessar quaisquer pontos da web, acessar sistemas de informação, realizar operações remotas etc. Assim, comprovadamente este serviço tem valor quanto à sua utilidade. • Sob o ponto de vista da garantia: deve-se ter a continuidade dos serviços prestados, que não venham a ocorrer interrupções e indisponibilidades deste serviço. Igualmente ao valor da utilidade, se o percentual de interrupções estiver dentro dos níveis acordados com o fornecedor, também podemos afirmar que este serviço tem valor na visão da garantia, porque o serviço pôde ser utilizado quando foi requisitado. Desta forma, conhecemos estes importantes conceitos de serviço e valor de serviço e, também, a visão e a plena certeza de que as organizações são amplamente dependentes da TI. Também, que a aplicação das melhores práticas na prestação dos serviços de TI é uma realidade e um caminho sem volta, pois deve-se entregar serviços com qualidade. Magalhães e Pinheiro (2007, p. 48) lembram que: No passado recente, a área de TI poderia dar-se ao luxo de focar internamente apenas técnicos dos diferentes serviços que entregava para a organização, pois era um setor extremamente especializado e de poucos iniciados. Atualmente as organizações têm elevadas expectativas em relação à qualidade dos serviços de TI e tais expectativas tornaram-se dinâmicas, mudando de forma acelerada com a passagem do tempo. Assim, a área de TI necessita viver além destas expectativas, concentrando-se na qualidade dos serviços e na abordagem orientada ao cliente. TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 43 À medida que a TI se torna indispensável para o crescimento e o futuro dos negócios, a adoção de práticas de gerenciamento aprovadas em todo o mundo traz à empresa benefícios reais em racionalização e qualidade, tanto dos serviços que contrata como dos que oferece, e que estes sejam providos com qualidade. Magalhães e Pinheiro (2007, p. 48) definem que, no âmbito do Gerenciamento de Serviços de TI, o valor de um serviço pode ser medido por quatro parâmetros: • Alinhamento estratégico com o negócio – grau em que o serviço de TI está alinhado com as atuais e as futuras necessidades do negócio. • Custo – valor monetário desembolsado pela disponibilização do serviço de TI e em cada interação. • Qualidade - nível de atendimento do serviço de TI em relação aos Acordos de Nível de Serviço (Service Level Agreement – SLA) e Acordos de Nível Operacional (Operational Level Agreement – OLA), estabelecidos externa e internamente à área de TI, respectivamente. • Independência em relação ao tempo – capacidade da área de TI em reagir a demandas de suporte e em atender às mudanças planejadas em relação ao serviço de TI disponibilizadas. A Entidade itSMF (Information Technology Service Management Forum) O assunto Gerenciamento de Serviços de TI tem ganhado relevante importância no cenário da tecnologia da informação, a ponto de influenciar a criação de grupos que fomentem discussões e que busquem estabelecer estudos sobre melhores práticas aplicadas aos serviços de TI, através de contribuições de seus associados. Assim, se constituiu o itSMF. Segundo descrição do próprio site da entidade (ITSMF, 2013) (capítulo brasileiro), itSMF é uma organização mundial independente e sem fins lucrativos, dedicada a promover as melhores práticas no gerenciamento de serviços em TI. Fundado em 1991, no Reino Unido, o itSMF tem mais de seis mil empresas associadas em 52 países. No Brasil, onde atua desde 2003, o itSMF já conta com mais de 300 associados, de profissionais e consultores independentes a empresas como Computer Associates, IBM, HP, Serasa, Serpro, Siemens, Unilever, Caterpillar, Procergs e Senai. (ITSMF, 2013). Acesse <www.itsmf.com.br> e confira as diversas informações contidas neste site, cujo conteúdo poderá ser de grande utilidade. Em todo o mundo, por determinação de seu próprio Estatuto, o itSMF é mantido e administrado pelos associados. Dentre os representantes oficiais de cada país, alguns são eleitos para compor o Conselho Deliberativo do itSMF internacional. 44 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI O Processo Segundo o que nos informa a biblioteca ITIL (2013), processo é um conjunto de atividades inter-relacionadas com um objetivo específico. Possui entrada de dados, informações e produtos para, através da identificação dos recursos necessários ao processo, transformar estas entradas nos objetivos previstos. Para Magalhães e Pinheiro (2007, p. 41), “Os processos são o mais alto nível de definição de atividades de uma organização. Os procedimentos (instruções de trabalho) são mais detalhados e descrevem exatamente o que deve ser executado em determinada atividade do processo”. Observe a Figura 12 a seguir, que nos oferece uma visão gráfica de um processo. FIGURA 12 – ABORDAGEM DE PROCESSO FONTE: Disponível em: <http://academiaplatonica.com.br/2011/gestao/definicao- -abordagem-de-processos/>. Acesso em: 25 jul. 2013. Ainda de acordo com Magalhães e Pinheiro (2007, p. 43), “um processo é formado por diversas atividades que interagem para o alcance do objetivo especificado e a geração do resultado desejado, e cada atividade pode ser composta por diversas tarefas”. Magalhães e Pinheiro (2007, p. 43) nos mostram que os processos podem ser ainda mais detalhados: TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 45 • Cada processo tem entradas e saídas, definindo o que necessita ser feito para atingir o(s) objetivo(s) e que outros processos necessitam dele para atingi-los. • Para cada processo deve existir um responsável, como, por exemplo, o gerente de capacidade, que responde pela definição do processo, assim como pelo sucesso das atividades do processo. • Cada processo pode ser dividido em uma série de tarefas. Cada uma será executada por um ator (participante do processo) específico. Poderá ser uma pessoafísica ou, até mesmo, uma etapa automatizada de processamento. • Para cada atividade são definidos papéis claros e as pessoas conhecem as suas responsabilidades, assim como é esperado delas. • Podem ser usadas referências de performance, a fim de encorajar e acompanhar o melhoramento das atividades processuais. • Atividades comuns com o mesmo resultado para diferentes departamentos podem ser controladas de melhor forma se houver sido identificado um processo global para elas. • Cada processo individualmente é mais bem gerido do que um processo global para todas as atividades de uma área de TI. • Os processos abrangem o que é necessário fazer, enquanto os procedimentos cobrem como deve ser feito. Muito se fala sobre processos nas empresas, pois, sabendo-se que sua estrutura é formada pelos fluxos de trabalho e, em alguns casos, quando ocorrem falhas nas organizações, estas são creditadas aos processos. Diz-se que, por eles estarem mal definidos, acabam por gerar resultados ineficientes e ineficazes. Desta forma, quando estas falhas ocorrem, e ficam comprovadas as suas carências e deficiências, ações de reavaliações devem ser empregadas. Neste caso, devem- se avaliar as fraquezas e os motivos do mau funcionamento de um processo, no qual as suas atividades deverão ser investigadas no detalhe, para assim conseguir visualizar os pontos de fraquezas e vulnerabilidades que necessitarão de ajustes e, desse modo, promover maior qualidade. Diante destas necessidades, devemos utilizar algum método para promover estas modificações. Podemos citar uma interessante ferramenta de qualidade que também pode ser aplicada na melhoria contínua dos processos empresariais. É o ciclo PDCA, que mostraremos com maior detalhamento a seguir: 46 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI FIGURA 13 – CICLO DO PDCA FONTE: Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/wp-content/uploads/2011/06/ ciclo-pdca.jpg>. Acesso em: 25 jul. 2013. Ciclo PDCA • Ação corretiva no insucesso • Padronizar e treinar no sucesso • Localizar problemas • Estabelecer planos de ação • Verificar atingimento de meta • Acompanhar indicadores • Execução do plano • Colocar plano em prática Action Agir Plan Planejar Che kc Checar Do Fazer Um ciclo desta ferramenta representa os seguintes passos: Iniciar pelo planejamento (PLAN), cuja atividade é localizar o problema e estabelecer um plano de ação para saná-lo. O passo seguinte compreende executar (DO) o plano estabelecido no primeiro passo, ou seja, aplicar efetivamente o planejado. O terceiro passo compreende a verificação (CHECK). Nesta etapa é verificado se as ações aplicadas geraram os efeitos desejados. Também devem ser avaliados os indicadores criados. O quarto e último passo representa aplicar ações (ACT) sobre o insucesso após a checagem. Estas ações visam corrigir a falha. Em caso de sucesso, torná-lo um padrão e também treinar no novo formato. Na terceira unidade deste caderno faremos uma completa abordagem sobre as Sete Ferramentas da Qualidade (Seven Tools), que podem igualmente ser empregadas nos diversos momentos e situações de avaliações de atividades e processos dentro do contexto empresarial. TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 47 O Gerenciamento dos Serviços de TI Definido pela ITIL V3 (2013) como um conjunto de habilidades da organização para fornecer valor para o cliente em forma de serviço, o Gerenciamento de Serviço de TI está relacionado aos processos que controlam as atividades de criação, manutenção e operação de serviços de TI. O gerenciamento contempla ações que venham a garantir as entregas dos serviços dentro dos prazos acordados. Magalhães e Pinheiro (2007, p. 59) definem Gerenciamento de Serviços de TI da seguinte forma: É, de forma reduzida, o gerenciamento da integração entre pessoas, processos e tecnologias, componentes de um serviço de TI, cujo objetivo é viabilizar a entrega e suporte de serviços de TI focados nas necessidades dos clientes e de modo alinhado à estratégia de negócio da organização, visando o alcance de objetivos de custo e desempenho pelo estabelecimento de acordos de nível de serviço entre a área de TI e as demais áreas de negócio da organização. De acordo com Magalhães e Pinheiro (2007), são três pilares que sustentam o Gerenciamento de Serviços de TI e compreendem alguns aspectos que devemos considerar: FIGURA 14 – PILARES DO GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE TI FONTE: Disponível em: <http://www.profissionaisti.com.br/wp-content/uplo ads/2011/05/GSTI.jpg>. Acesso em: 25 jul. 2013. Pessoas Processos Ferramentas 48 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI • Pessoas – são os recursos humanos envolvidos no processo dos serviços na qualidade dos clientes, usuários e agentes da TI. Estes recursos humanos são responsáveis pela execução dos serviços. Eles representam a parte inteligente do processo e podem determinar o sucesso das atividades. Entretanto, é necessário que todos estes recursos sejam bem capacitados para o exercício de suas atividades (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). • Processos – os processos são caracterizados por elementos de entrada, aplicação de regras, gerando uma saída. Os processos, como vimos anteriormente, são compostos por atividades, cuja execução completa seu ciclo. Cada atividade deve ser executada com propriedade e completude para a efetividade dos próprios processos. (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). • Ferramentas – são as tecnologias envolvidas no processo do gerenciamento de serviços de TI (software, hardware). O auxílio de ferramentas para execução dos processos de gerenciamento é de grande importância, pois estas visam aperfeiçoar cada serviço, seja através de um sistema de monitoramento, uma ferramenta de apoio para gerenciamento dos ativos de TI, um equipamento para automação da coleta de dados sobre o ambiente de TI, entre outros. Além de dar agilidade para o processo, seus resultados são efetivos e eficientes, oferecendo grande visibilidade do ambiente como um todo para os gestores e outros agentes da TI (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). 5 IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE TI Caro(a) acadêmico(a)! Você já imaginou como seria a TI de uma organização com todos os seus serviços associados, se este conjunto de elementos estivesse à deriva ou sem o devido gerenciamento? Se não existissem processos e recursos para efetivamente controlá-los? Ou mesmo para mantê-los ativos operacionalmente, com ações constantes das atividades de administração e monitoramento sobre os ativos de TI? Muito provável que estas empresas sofreriam com inúmeras paradas de suas operações e atividades que são fortemente apoiadas pela TI. Assim, as organizações que se encaixarem no perfil citado, certamente perderiam toda a sua flexibilidade de adaptação frente às inovações tecnológicas, sua rapidez de respostas informacionais, seu poder de visão do negócio, sua eficiência diante das operações com os clientes, sua competitividade no mercado frente aos seus concorrentes, assim como seu poder de recuperação de eventuais desastres em relação aos ativos de TI, e muitos outros problemas que poderíamos relatar. Para Magalhães e Pinheiro (2007, p. 59), TÓPICO 4 | VISÃO GERAL SOBRE GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 49 O Gerenciamento de Serviços de TI deve garantir que a equipe de TI, com a execução e gerenciamento dos diversos processos de TI, entregue os serviços de TI dentro do acordado, em termos de custo e de nível de desempenho, com as áreas de negócio da organização, não se esquecendo de atender paralelamente aos objetivos estratégicos definidos para ela. Para tanto, é necessário o estabelecimento do ponto na “Fronteira da Eficiência” onde se desejachegar (ponto A), diagnosticar o ponto atual (ponto B) e estabelecer o plano de ação que conduzirá a transformação do desempenho atual no desempenho desejado. Desta forma, são suficientes os subsídios que nos indicam que gerenciar os serviços de TI com excelência é imperativo para a continuidade das atividades das empresas e para a manutenção de sua estrutura tecnológica que está a serviço dos negócios da organização, assim como, sua perenidade na condição de organismo gerador de valor. Conforme descrito na biblioteca ITIL (2013), listamos a seguir algumas importantes vantagens obtidas com o gerenciamento de serviços de TI. • Melhoramento da qualidade dos serviços oferecidos, gerando maior confiabilidade no suporte e entrega de serviço. • Melhoramento nas questões da segurança e na confiabilidade sobre a continuidade dos serviços de TI que apoiam as atividades de negócio, gerando habilidades na restauração dos serviços necessários. • Fornecimento de informações gerenciais para acompanhamento de desempenho, possibilitando traçar melhorias. • Maior motivação por parte das equipes de trabalho, tanto dos clientes e usuários que se sentem mais confiantes na solicitação de serviços, como do pessoal de TI, que conseguem ter maior visão sobre as demandas geradas pela organização, possibilitando administrar melhor estas necessidades. • Poderão ser percebidos maiores níveis de qualidade e satisfação por parte dos clientes e usuários, pois os serviços solicitados terão maior fluidez e maior qualidade nas suas soluções e respostas. • Pelo fato de as melhores práticas para o gerenciamento de serviços TI proporem maior planejamento sobre quaisquer eventuais mudanças no ambiente, os usuários e a própria equipe de TI sentem-se mais tranquilos quanto à execução destas tarefas, que, se não forem controladas, poderão acarretar paradas indesejadas no ambiente operacional. Certamente, a natureza deste tipo de atividade requer maior rigor, tanto em seu planejamento quanto em sua execução, e é preciso ter a completa visão do projeto. 50 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI • Fornecer maior visão da capacidade atual e também poder verificar necessidades não atendidas. • Pelo fato da melhor organização dos processos de atendimento, poderá representar a diminuição de alguns custos inerentes à otimização e também do retrabalho. 51 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico vimos que: • A tecnologia da informação está muito presente e atuante nas organizações empresariais, sendo representada pelos diversos aparatos tecnológicos, como equipamentos e softwares em geral, que trouxeram muitas necessidades de controle sobre estes. • A TI está cada vez mais especializada, necessitando igualmente de apoio especializado na organização. • Os serviços de TI devem estar alinhados estrategicamente com os negócios da corporação. • Ao tratarmos sobre gerenciamento de serviços de TI, inevitavelmente associamos as melhores práticas do modelo ITIL e da ISO/IEC 20000, que são consideradas as referências mundiais na área. • Importantes conceitos foram citados sobre: • Serviços de TI – que são as ações que agregam valor para atividades de negócio das empresas. • Terceirização dos Serviços de TI – transferência da responsabilidade de execução e/ou gerenciamento sobre algum serviço de TI. • Valor do Serviço – que são os benefícios obtidos através dos serviços de TI para serviço de alguma atividade ou processo de negócio da empresa. • O itSMF é uma entidade de nível mundial, sem fins lucrativos, focada na melhoria da qualidade da Gestão de Serviços de TI. • A definição de processo é: um conjunto de atividades para atingimento de algum objetivo e, quando forem detectadas falhas nestes processos, pode- se utilizar a ferramenta PDCA para promover a melhoria. • O gerenciamento de serviços visa garantir as entregas dos serviços dentro dos prazos acordados e que estão baseados em três pilares, que são: pessoas, processos e ferramentas. 52 • É de grande importância o gerenciamento de serviços de TI, pois todos os ativos de TI devem se manter em plena operação para poder oferecer valor aos negócios da empresa. 53 AUTOATIVIDADE 1 Cite e explique as duas variáveis existentes em torno da criação de um serviço de TI. 2 O que é a entidade itSMF e qual sua finalidade? 3 Explique o Ciclo do PDCA. 4 Quais são os pilares do Gerenciamento de Serviços de TI? 5 Cite uma das vantagens obtidas com o gerenciamento de serviços. 54 55 TÓPICO 5 A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Como vimos no tópico anterior, todos os elementos da TI estão associados a algum tipo de serviço. Desta forma, clientes e usuários que utilizam as tecnologias da informação, sejam estas um equipamento de informática (hardware), sistemas de informação em geral, softwares de apoio, comunicações ou outros, podem vir a necessitar, solicitar determinados serviços em relação a estas tecnologias. Serviços esses que vão desde um auxílio para a utilização de uma determinada tecnologia, apoio na solução de problemas, solicitações de manutenções no hardware, implantações de algum item da infraestrutura tecnológica que se faça necessária, capacitações, ajustes nos sistemas de informação, entre outros. Mas, como estas solicitações devem ser feitas? Como o processo deve ser controlado? Quem pode e deve fazer estas solicitações? Em ambientes tecnológicos mais complexos, esta tarefa pode representar uma grande preocupação e também um desafio, a julgar que uma corporação é composta por inúmeros departamentos e cada qual com seus recursos alocados. Assim, quanto maiores forem as quantidades de usuários e as tecnologias instaladas nas organizações, maiores serão as demandas a serem atendidas pela TI, porque mais serviços serão necessários para gerenciar os ativos de TI que compõem este ambiente tecnológico. Entretanto, não é incomum encontrar ambientes de TI em organizações que ainda não possuem a cultura e a definição da Gestão dos Serviços de TI, tampouco da utilização de uma Central de Serviços de TI. Como consequência desta falta de gestão e controle, os usuários e clientes passam a tratar dos assuntos e necessidades de TI de qualquer forma. Nesse contexto, um dos problemas encontrados é que as pessoas são induzidas a fazer as solicitações de serviços e aberturas de chamados das mais diversas formas, e podemos classificá-las no método indefinido de trabalho, caracterizando um ambiente descontrolado, entregue à sorte da ocorrência de graves consequências. 56 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI FIGURA 15 – ATENDIMENTO DE CHAMADOS PELO SUPORTE FONTE: Disponível em: <http://www.artigonal.com/atendimento-ao-cliente-artigos/ qualidade-no-atendimento-para-os-profissionais-de-ti-4628920.html>. Acesso em: 26 jul. 2013. Podemos imaginar o seguinte estudo de caso: Uma área de suporte (service desk) destinada ao atendimento em uma organização com diversos usuários e recursos de TI. Embora o suporte faça os atendimentos, não existem quaisquer cadastros dos ativos e recursos de TI, tampouco, dados sobre os departamentos-chave da organização. O cotidiano deste setor de suporte compreende atender: a) Seguidas ligações telefônicas de usuários de departamentos solicitando auxílio para utilização dos sistemas de informação, comunicando problemas em equipamentos, dúvidas na utilização de sistemas de apoio, senha de acesso e outros. b) Usuários se deslocando até a sala do suporte para então solicitar verbalmente ajuda para solução de algum problema. (Esse fato ocorre quando o usuário não conseguiu realizar uma ligação telefônica, porque a linha estava ocupada). c) Usuários dos diversos departamentosda empresa solicitando os mais diversos serviços através do envio de e-mail para o pessoal do suporte. d) Os usuários também fazem contato para verificar se suas solicitações já foram concluídas. e) Usuários dos departamentos solicitam através de bilhetes deixados nas mesas dos atendentes do suporte, escrevendo sobre suas necessidades. Este cenário hipotético é bem interessante para fazermos algumas análises e assim proporcionarmos uma visão mais clara da gravidade deste caso. TÓPICO 5 | A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI 57 Começamos por fazer alguns questionamentos, como: • Qual a forma ideal para fazer as solicitações de serviços? • Por que os usuários não têm a cultura da gestão de serviços através da forma centralizada de solicitações? • Como deverão ser priorizadas as solicitações? • Os usuários que fizeram as solicitações estão autorizados a fazê-las? • Não existe uma solução de software para realizar estas solicitações ao suporte? • Existe acompanhamento dos ativos de TI? • Os usuários são categorizados conforme sua atividade e importância na empresa? • Os recursos de TI estão cadastrados? • Quem são os usuários-chave do negócio? • Por que os usuários têm pouca ou nenhuma visibilidade sobre suas solicitações? Poderíamos facilmente aumentar esta lista de perguntas, uma vez que o estudo de caso nos apresenta um cenário bastante desorganizado, e certamente ficaríamos sem respostas para a maioria das perguntas. Então, vamos às considerações? É certo que este caso necessitaria de uma grande dose de organização em seus processos. A começar pelas diversas formas como são solicitados os serviços para a TI. Para que haja um controle mais efetivo deste ambiente, devemos considerar, conforme a própria biblioteca ITIL nos prescreve, a adoção da Central de Serviços, cuja função é considerada essencial e, é claro, não aplicável somente ao nosso estudo de caso. A partir da implantação da Central de Serviços e da correta utilização deste mecanismo, muitos dos problemas relatados seriam sanados. Já o uso de um sistema informatizado para receber, controlar, monitorar e fornecer os resultados destes chamados de forma organizada e bem identificada promoveria uma correta visão da carga de trabalho da TI. Estas ferramentas também proporcionam maior visibilidade para todos os públicos envolvidos e, assim, a possibilidade de demonstrar aos usuários a situação em que se encontra cada uma de suas solicitações. Assim, é possível dizer que são bastante visíveis as vantagens obtidas pela correta aplicação das boas práticas de gestão a partir da implantação de uma Central de Serviços. Outras ações também deverão fazer parte da solução do problema proposto. Sendo assim, a efetiva aplicação das melhores práticas proporciona a excelência na prestação dos serviços de TI, porque, como já citado, estão baseadas em modelos comprovados pelo próprio mercado. No estudo de caso fica evidente que não existe a cultura de gestão de serviços, tanto na visão do suporte (service desk) como na visão dos usuários, e a disseminação desta cultura seria uma das primeiras medidas de contenção. Desta forma, deve-se orientar este público sobre as atitudes corretas a serem tomadas em relação a cada caso. Assim, quando for necessário abrir um chamado, este deverá seguir um processo definido, impreterivelmente, feito através da Central de Serviços, entrar em uma fila de atendimento e, conforme sua prioridade e SLA, receber seu atendimento. 58 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI Outro aspecto que nos chama a atenção no estudo de caso é que transparece a falta de conhecimento sobre o ambiente corporativo, seus recursos e ativos de TI. Este conhecimento é extremamente necessário para a perfeita prestação de serviços, e o suporte deve conhecer o ambiente tecnológico como um todo e também seus usuários. Vale lembrar que as aplicações das melhores práticas nos conduzem a agir desta forma, porque prescrevem métodos já reconhecidos de sucesso. Assim como a Central de Serviços é ponto fundamental para gerenciar a demanda das solicitações de serviços, desde a sua recepção até o retorno sobre os eventos de TI, igualmente importante é a base de conhecimento sobre este complexo ambiente, envolvendo as mais diversas soluções de hardware, software, em conjunto com os recursos humanos. Na verdade, podemos dizer que, sem a utilização de algum método apropriado para gerenciar os serviços de TI, o atendimento das demandas e necessidades de apoio dos clientes e usuários pode ficar sem solução. Sem o meio para estabelecer o gerenciamento dos chamados oriundos de cada área da empresa, obviamente não é possível ter a correta visão daquilo que está sendo atendido pela TI, também não é possível designar as prioridades sobre os atendimentos de serviços e usuários considerados chaves para a organização. Certamente, realizar o atendimento de um mau funcionamento de um sistema de informação focado em uma área vital da corporação é mais prioritário que dar atenção a um problema de um software de apoio em uma área secundária, cuja aplicabilidade não representa parar processos de negócios da empresa. São muitas as motivações que levam à adoção da Central de Serviços por uma empresa, e elas se justificam, pois geram elevado grau de controle sobre todos os serviços relacionados aos ativos da TI em toda a corporação. A figura a seguir nos mostra uma típica Central de Serviços do modelo ITIL, que estabelece um meio centralizado para que usuários e clientes possam fazer as suas solicitações de serviços de forma organizada. Uma Central de Serviços também é conhecida como Service-Desk. TÓPICO 5 | A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI 59 FIGURA 16 – ELEMENTOS DA ESTRUTURA DA CENTRAL DE SERVIÇOS ITIL FONTE: Disponível em: <http://www.devmedia.com.br/melhore-seus-servicos-com-a-bibliote- ca-itil/26155>. Acesso em: 22 jul. 2013. Conceito amplamente utilizado pela ITIL, a Central de Serviços de TI, que está representada pela figura anterior, apresenta uma estrutura genérica, e para melhor compreensão de sua utilidade, faremos o detalhamento de alguns dos seus elementos. IC – Item de Configuração – são quaisquer componentes que fazem parte do ambiente tecnológico e que façam parte do BDGC (explicado a seguir). Podemos citar como exemplos: um sistema de informação, documentações, processos, estações de trabalho, processadores, linhas de comunicação, servidores etc. Trataremos doravante por IC ao nos referenciarmos sobre algum elemento da TI. BDGC – é o Banco de Dados de Gerenciamento de Configuração: nele são armazenados os dados sobre os ICs (Itens de Configuração). Ferramentas de Monitoramento – são softwares especializados em monitorar os eventos nos ICs e registrar suas ocorrências. Estas ocorrências podem ser consideradas como incidentes ou problemas. 60 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI Os outros componentes da Central de Serviços de TI que se referem aos gerenciamentos serão bem explicados na Unidade 3 deste Caderno de Estudos. IMPORTANT E As melhores práticas prescrevem que as Centrais de Serviços de TI necessitam ser apoiadas por softwares. São ferramentas apropriadas para estabelecer o registro das diversas ocorrências relativas aos ICs. Seu maior objetivo é o de cadastrar cada ocorrência e o IC que está relacionado com o evento. Visa também registrar quem são os seus usuários, suas prioridades, ordem de chegada e de saída, conformidade com os SLAs, entre outros. Estes sistemas visam organizar este gerenciamento e vão ao encontro do conceito da própria Central de Serviços, que deve ser o ponto central e único de entrada e tratamento dos eventos de TI. 2 OBJETIVO A Central de Serviços de TI é o ponto de referência dos clientes e usuáriospara atendimento de eventos de TI, que compreendem desde o recebimento até a sua resposta/resolução. Como descrito na biblioteca ITIL, a Central de Serviços deve ser a única forma de contato entre cliente e provedor de serviços, pois ali ocorrem os controles de importantes etapas da gestão das atividades relacionadas aos serviços de TI, que podem ser eventos de naturezas diferentes, como os incidentes, problemas ou serviços necessários para suprir alguma solicitação de um usuário. Listamos alguns dos principais objetivos para implantação de uma Central de Serviços, conforme descrito na biblioteca ITIL (2013): • SPOC – Single Point of Contact – a Central de Serviços deve ser o ponto único de comunicação entre a TI e os usuários para solicitações de serviços e suporte. O uso de outras formas de contato com as equipes da TI dificulta a visibilidade do todo e até inviabiliza o gerenciamento dos serviços e os acordos de nível de serviço. • A Central de Serviços deve manter total comunicação com seus usuários a fim de prover o feedback e o status de cada chamado. • A Central de Serviços de TI deve promover maior qualidade de suporte. Esta qualidade também está relacionada em estar sempre pronta para os atendimentos, cujas soluções devem ser as mais breves possíveis. Esta ação aumenta a confiança e a satisfação de seus usuários. TÓPICO 5 | A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI 61 • A Central de Serviços tem a responsabilidade sobre os incidentes, desde o seu registro até o seu encerramento. Neste intervalo existe o tratamento destes eventos. A Central de Serviços deve oferecer mecanismos de controle sobre o SLA. Deve oferecer a facilidade de verificar se estes são cumpridos. • Um requerimento para a implantação de uma Central de Serviços é a capacitação das equipes de atendimento. Elas devem ter a exata dimensão sobre o ambiente tecnológico e os serviços associados e, sobretudo, ter a visão sobre as influências que as tecnologias têm sobre os negócios. As expertises das equipes são fator preponderante para a qualidade dos serviços prestados. • A Central de Serviços deve estar equipada com ferramentas e ter a capacidade para recuperar serviços essenciais e com rapidez. Quanto mais informações a equipe de suporte tiver a respeito do ambiente e dos erros conhecidos, melhor será a sua performance na resolução dos incidentes. • A Central de Serviços deve prover meios de manter a alta disponibilidade dos serviços de TI. • A Central de Serviços deve dar a visibilidade de todos os serviços que estão acontecendo, possibilitando o monitoramento e a verificação de seu status. 3 TIPOS DE CENTRAIS DE SERVIÇOS • A Central de Serviços de TI, conforme o modelo ITIL, é considerada uma função (Service Desk) que está envolvida em vários eventos de serviço, como, por exemplo, atender a chamadas e requisições. Seu principal foco é restabelecer o serviço normal o mais rápido possível, incluindo soluções de erros técnicos, cumprimento de requisição ou resposta a dúvidas. As Centrais de Serviços são divididas em quatro tipos, mostrados a seguir: • A Central de Serviços Local – que atende a uma unidade de negócio local. Conforme Magalhães e Pinheiro (2007), uma Central de Serviços é considerada local quando toda a sua infraestrutura estiver instalada e operando na mesma localização física dos usuários dos serviços de TI. Apesar deste formato de funcionamento, o suporte técnico que não de nível 1 poderá ser realizado por equipes situadas em diferentes lugares, concentradas de acordo com sua especialidade. • A Central de Serviços Centralizada – que atende a todos em um único local. Magalhães e Pinheiro (2007) nos mostram que uma Central de Serviços é considerada centralizada quando toda a sua infraestrutura de atendimento estiver em local físico diferente da localização dos usuários dos serviços de TI. É a arquitetura mais comumente encontrada nas organizações, quer seja de forma interna ou externa. Geralmente localiza-se junto ao ambiente de 62 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI processamento de dados centralizado (Data Center), tendo como vantagens a otimização da sua capacidade de atendimento e o alto grau de escalabilidade. Entretanto, apresenta como desvantagem um custo de comunicação mais elevado. • A Central de Serviços Virtual – dispostas em pontos geograficamente distantes. Magalhães e Pinheiro (2007) citam que uma Central de Serviços é considerada virtualizada quando sua estrutura estiver distribuída por diferentes locais físicos, seja no âmbito nacional ou internacional. • A Central de Serviços Follow the Sun – combinação de centrais dispersas geograficamente, oferecendo suporte 24 horas a custo relativamente baixo. Alguns atores da Central de Serviços são: o gerente e supervisor da Central de Serviços, além do analista de suporte (atendimento de primeiro nível). Podemos citar algumas importantes funções e atividades da Central de Serviços: Gerenciamento Técnico Seu objetivo é realizar o gerenciamento da infraestrutura de TI. Ajuda a planejar, implementar e manter uma infraestrutura técnica estável, assegurando que os recursos requeridos tenham os conhecimentos necessários que lhes permita desenhar, construir, fazer a transição, operar e melhorar os serviços de TI e a tecnologia que os suporta. (ITIL, 2013). Podem ser citados como exemplo a instalação de um novo equipamento de leitura de código de barras e o sistema de informação que o controlará, e seu objetivo é o de resolver os problemas de fluxo de despacho das mercadorias de uma empresa. Como forma de agregar valor ao processo empresarial, este dispositivo de leitura de código de barras e seu sistema de informação oferecerão melhor controle do processo de despacho de mercadorias, com reduzida possibilidade de erro e alta velocidade do fluxo de trabalho. O gerenciamento técnico tem o papel de estabelecer etapas para que estes itens de configuração sejam devidamente planejados e implantados para seu efetivo uso no processo. Gerenciamento de Aplicações O objetivo é de prover o gerenciamento dos aplicativos durante seu ciclo de vida. Sua função é realizada por qualquer departamento, grupo ou equipe envolvida na gestão e suporte de aplicativos operacionais. Nesse contexto, são equivalentes a aplicativos todos os sistemas de informação para auxiliar em algum processo da empresa. Tem função similar à anterior, mas com foco em aplicações de software. (ITIL, 2013). TÓPICO 5 | A CENTRAL DE SERVIÇOS DE TI 63 Trabalha próximo do desenvolvimento de software, mas é uma função distinta e com papel diferente. Um exemplo de gerenciamento de aplicações e que ajuda a ilustrar o caso é: a necessidade de um sistema de informação que visa demonstrar para seus gestores os produtos de vestuário no setor de malharia de uma empresa que têm maior aceitação no mercado. Como fazer com que este requisito do cliente possa ser satisfeito com a qualidade e exatidão desejadas? Como traduzir esta necessidade para os desenvolvedores do sistema? A resposta não é complexa, mas exige alguns cuidados por parte de quem está coletando os requisitos, que também são chamados de regras de negócio. Desta forma, é um trabalho que exige a aplicação de boas práticas para que se possam atingir os objetivos dos projetos de implementação. Muitos problemas dos sistemas de informação estão relacionados ao não cumprimento de seus requisitos de negócio. Portanto, quando se fala sobre ciclo de vida de aplicações, devemos nos atentar aos processos desde os levantamentos de dados sobre os requisitos até a implantação da versão da aplicação em questão. Todas as atividades devem ser gerenciadas. (ITIL, 2013). Gerenciamento de Operações de TI Esta função é responsável pela gestão contínua e manutenção de uma infraestruturade TI de uma organização, para assegurar a entrega do nível acordado entre TI e negócio. (ITIL, 2013). Tem duas subfunções: 1) O controle de operações, que tem equipe de operadores que garantem execução e monitoramento das atividades operacionais e eventos na infraestrutura – jobs, impressão, backup e restauração. 2) O gerenciamento de instalações, que gerencia a parte física do ambiente de TI – Data Center, sites de recovery, contratos de Data Center terceirizados etc. Podemos usar como exemplo uma necessidade da geração de backup dos sistemas de informação e que estes sejam realizados dentro dos horários e prazos previstos. O não cumprimento destes períodos pode significar alguma irregularidade no ambiente. Assim, a gestão de operações deve ter mecanismos capazes de detectar tais anormalidades no ambiente e ativar algum processo de recovery. 64 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico vimos que: A Central de Serviços de TI é fundamental para a efetiva Gestão dos Serviços de TI. É considerada uma função (service desk). Verificamos que sem este conceito implantado, os processos relacionados aos serviços de TI não têm a devida organização necessária para dar a sustentação das atividades de negócios das organizações. Seus principais objetivos são: • SPOC – Single Point of Contact – a Central de Serviços deve ser o ponto único de comunicação entre a TI e os usuários para solicitações de serviços e suporte. • A Central de Serviços deve manter total comunicação com seus usuários a fim de prover o feedback e o status de cada chamado. • A Central de Serviços de TI deve promover maior qualidade de suporte. • A Central de Serviços tem a responsabilidade sobre os incidentes, desde o seu registro até o seu encerramento. • Um requerimento para a implantação de uma Central de Serviços é a capacitação das equipes de atendimento. • A Central de Serviços deve estar equipada com ferramentas e ter a capacidade para recuperar serviços essenciais e com rapidez. • A Central de Serviços deve prover meios de manter a alta disponibilidade dos serviços de TI. • A Central de Serviços deve dar a visibilidade de todos os serviços que estão acontecendo, possibilitando o monitoramento e a verificação de seu status. Seus tipos são: • A Central de Serviços Local – que atende a uma unidade de negócio local. • A Central de Serviços Centralizada – que atende todos em um único local. • A Central de Serviços Virtual – dispostas em pontos geograficamente distantes. • A Central de Serviços Follow the Sun – combinação de centrais dispersas geograficamente. 65 Suas principais funções e atividades são: • Gerenciamento Técnico. • Gerenciamento de Aplicações. • Gerenciamento de Operações de TI. Suas duas subfunções são: • O controle de operações. • O gerenciamento de instalações. Vimos também sobre alguns elementos que fazem parte da estrutura de uma Central de Serviços de TI, como: os ICs, o BDGC e as ferramentas de monitoramento utilizadas. • IC – Item de Configuração – são quaisquer componentes que fazem parte do ambiente tecnológico e que façam parte do BDGC. Podemos citar como exemplos: um sistema de informação, documentações, processos, estações de trabalho, processadores, linhas de comunicação, servidores etc. Trataremos doravante por IC ao nos referenciarmos sobre algum elemento da TI. • BDGC – é o Banco de Dados de Gerenciamento de Configuração: nele são armazenados os dados sobre os ICs (Itens de Configuração). • Ferramentas de Monitoramento – são softwares especializados em monitorar os eventos nos ICs e registrar suas ocorrências. Estas ocorrências podem ser consideradas como incidentes ou problemas. 66 1 Por que as Centrais de Serviços de TI devem ser os pontos únicos e centrais para as solicitações e chamados de suporte nas atividades de TI? 2 Cite e descreva brevemente sobre os quatro tipos de Centrais de Serviços de TI estudados. 3 O que é o BDGC? 4 Cite as três principais funções das Centrais de Serviços de TI. 5 Conceitue ferramentas de monitoramento. AUTOATIVIDADE 67 TÓPICO 6 O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Para que os serviços de TI sejam devidamente controlados, os usuários devem fazer as suas solicitações de forma organizada. Também de forma organizada devem ser os tratamentos destas solicitações por parte das equipes de TI. Estes tratamentos envolvem as atividades de recepção, execução e entrega do serviço. Não é preciso dizer que a qualidade, a efetividade e a eficiência são fundamentais. Para isso, vimos que é ponto fundamental que estes serviços sejam solicitados por meio único e centralizado, ou seja, através da denominada Central de Serviços de TI. Como vimos, o objetivo de sua adoção é prover facilidades em todo o processo, que se inicia com a abertura de uma solicitação pelo usuário e que tem a continuidade quando este é executado pelo suporte de primeiro nível ou escalonado para um nível superior, para que este chamado possa ser resolvido. Em um nível de maior detalhamento, é de fundamental importância que as equipes de TI conheçam bem todos os ativos de TI existentes na corporação. Também é pertinente estabelecer os serviços associados a estas tecnologias, a fim de gerenciá-los em relação a todos os seus estados, assim como, conhecer os departamentos e usuários da corporação envolvidos com a TI. Vamos exemplificar com um cenário hipotético, no qual um determinado sistema de informação deverá ser instalado em um computador central (um servidor) da corporação, cuja utilização será destinada para um grupo restrito de usuários. Este sistema de informação irá gerar uma série de serviços em torno de sua existência. Vamos conferir alguns: • Um serviço de instalação da infraestrutura necessária para possibilitar a execução do sistema (estação de trabalho, conexões, comunicações). • Um serviço que tratará da instalação do sistema propriamente dito (executável do programa, banco de dados, conexões com o servidor a partir das estações de trabalho que irão usar o sistema e outras estruturas necessárias). • Um serviço que tratará da capacitação dos usuários do sistema. • Um serviço de liberação de acesso (privilégios de acesso) ao sistema e suas funcionalidades. • Um serviço para monitorar o fluxo de acessos ao SGBD etc. 68 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI É possível perceber com isso que em apenas um IC, neste caso um sistema de informação, relacionamos uma série de serviços associados a ele. No exemplo citado, poderíamos listar muitos outros tipos diferentes de serviços necessários. Nossa intenção com este exemplo é dar o foco nas quantificações e qualificações dos serviços associados a um recurso da tecnologia da informação. Para melhor compreensão, o exemplo serve para termos a exata ideia de que são muitos os serviços que cada ativo de TI poderá necessitar para seu gerenciamento. É possível perceber que surgirão diversos questionamentos a respeito do tratamento deste variado e complexo universo de informações, como: • Qual é a melhor forma de controlar essa grande quantidade e tipos diferentes de serviços de TI que estão à disposição dos usuários? • Quais serviços podem ser solicitados pelos usuários e clientes? • Qual é o impacto na execução de cada serviço? • Qual é a sua abrangência no cenário da corporação? • Quais são os usuários autorizados a fazer estas solicitações? • Quais são os custos envolvidos nesta prestação de serviços? • As respostas às necessidades são fornecidas dentro do período previsto? Como podemos observar, esta série de questionamentos nos leva a uma importante reflexão sobre a quantidade de dados e informações relacionados aos serviços de TI que devem ser conhecidos e manipulados, e nos faz concluirque necessitamos organizar de forma a cobrir todo este universo de informações, aplicando um método eficiente e seguro que permita oferecer total visibilidade, tanto para fornecedores como para os clientes. Mas, quais seriam as respostas para os questionamentos acima? As melhores práticas para Gestão de Serviços de TI, contidas na biblioteca ITIL, nos fornecem uma resposta única para todos estes questionamentos. A resposta está no uso do Catálogo de Serviços, pois devemos fazer referência às melhores práticas e elas prescrevem seu uso. Consta como sua principal finalidade manter os dados a respeito dos serviços de TI. De uma forma geral, para um rápido entendimento, podemos citar que é de responsabilidade do Catálogo de Serviços de TI descrever todos os serviços que a TI fornece, armazenando todos os aspectos, características e abrangência a respeito dos serviços, assim como das áreas nas quais eles estão presentes e também de seus usuários. Conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 290), O processo de Gerenciamento de Nível de Serviço é o encarregado de produzir o Catálogo de Serviços de TI. Este catálogo de serviços que a TI aprovisionará à organização tem por objetivos servir para a organização, refletindo o alinhamento de suas ações com a estratégia de negócio. Ainda conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 290-291), o Catálogo de Serviços pode ser dividido e organizado em categorias, como: TÓPICO 6 | O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 69 • Posto de Trabalho. • Infraestrutura de TI. • Manutenção de sistemas de TI. • Suporte Técnico. • Comunicação. • Produção. • Projetos. • Aquisição de software. Conforme a biblioteca ITIL (2013), o Catálogo de Serviços de TI pode ser dividido em dois tipos, a saber: • Catálogo de Serviço de Negócio – É uma relação de serviços oferecidos aos usuários. Estes serviços estão diretamente ligados às atividades de negócio. • Catálogo de Serviço Técnico – É uma relação de serviços técnicos. Deriva do Catálogo de Serviços de Negócio, mas não oferece visão para o usuário, devido à sua característica muito técnica. São serviços que estão associados aos aspectos não visíveis dos negócios, mas que devem ser realizados para apoio aos serviços de negócio. 2 OBJETIVO O principal objetivo do Catálogo de Serviços de TI é organizar os diversos serviços que a TI pode prestar para seus clientes e usuários. Serve como um cardápio de opções. Podemos considerar que o Catálogo de Serviços de TI é uma forma de descrever tudo o que está relacionado, com todos os serviços que a TI provê para as áreas servidas por tecnologias da informação. Conforme citam Magalhães e Pinheiro (2007, p. 294), um Catálogo de Serviços a ser disponibilizado para a organização deve conter, no mínimo, os seguintes itens: • Descrição. • Escopo. • Tipos. • Níveis de serviços. • Local de entrega. • Período de operação. • Pré-requisitos para ativação do procedimento de requisição. • Procedimento de devolução. • Preço. • Período de contratação. • Política de descontos. • Forma de pagamento. • Pontuação para equivalência. • Indicadores de provisionamento. 70 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI • Indicadores de suporte. • Responsabilidades do cliente. • Premissas. • Restrições/dependências. Entretanto, para a elaboração de um Catálogo de Serviços de TI, em alguns casos, não necessitaremos que todos estes itens elencados façam parte dele. Obviamente que se deve levar em consideração se este catálogo é interno, externo ou os dois casos. Assim, relacionar alguns itens pode representar uma ação inócua. Listamos a seguir algumas dicas que podem ser consideradas, como: • Utilizar no máximo uma página para cada serviço. • Deixar a especificação o mais simples possível, sempre lembrando que o público que irá manuseá-lo é heterogêneo. • Procurar oferecer e descrever diferentes opções de níveis de serviços, como, por exemplo, categorizando o serviço em: ouro, prata, bronze, conforme o nível de serviço oferecido. • Procurar ao máximo padronizar os serviços, evitando a proliferação de variações do mesmo serviço de acordo com a área do cliente. Acordo de nível de serviço Não é possível tratar de Serviços de TI e a organização dos seus processos, sem que se tenha o devido domínio sobre o conceito de Acordos de Nível de Serviços. Eles são considerados elementos essenciais para a qualidade da gestão dos serviços. O SLA é considerado um importante balizador do atendimento dos serviços de TI. Segundo Magalhães e Pinheiro (2007, p. 296), Um acordo de nível de serviço (ANS), ou, em inglês, Service Level Agreement (SLA), é um contrato ou acordo que formaliza uma relação comercial ou parte de uma relação comercial. Mais frequentemente, ele toma a forma de um contrato negociado feito entre um provedor de serviço e um cliente e define o preço a ser pago em troca do fornecimento de um produto ou serviço sob certos termos, determinadas condições e garantias financeiras. No caso de TI, um ANS pode ser estabelecido entre uma área de negócio e a área de TI e entre a área de TI e um fornecedor externo, como parte de um contrato de apoio (CA). Em muitas organizações, as medições sobre a qualidade dos serviços prestados pela TI são baseadas nas quantidades de serviços nos quais o tempo do SLA foi respeitado. TÓPICO 6 | O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 71 Podemos ainda definir SLA como a combinação ou acordo entre cliente e fornecedor sobre os aspectos relacionados à prestação de serviços. Nestes acordos figuram os tempos de atendimento, os níveis e limites de envolvimento do prestador de serviço e do próprio cliente, assim como os níveis de responsabilidade de cada um. 3 UTILIDADE Segundo a biblioteca ITIL, a estrutura do Sistema de Gerenciamento do Conhecimento é composta por alguns elementos, como mostra a figura a seguir. FIGURA 17 – ESTRUTURA DO SISTEMA DE GERENCIAMENTO DO CONHECIMENTO FONTE: Disponível em: <http://www.governancadeti.com/2012/02/catalogo-de-servicos-de-ti- -%E2%80%93-parte-ii/>. Acesso em: 28 jul. 2013. 72 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI Magalhães e Pinheiro (2007) nos informam que a Estrutura de Gerenciamento do Conhecimento é um conceito bastante amplo, conforme está demonstrado na figura acima. Podemos observar outros importantes conceitos, sobre os quais faremos algumas considerações a seguir: Portfólio de Serviços – constam do portfólio todos e quaisquer serviços de TI. O portfólio está dividido em três partes, conforme podemos verificar na figura acima. Funil de Serviços ou Service Pipeline – é a lista de todos os serviços que são propostos, ou estão em desenvolvimento, ou seja, não estão em operação. O funil de serviços é considerado o backlog de demandas a serem atendidas pela TI. Não quer dizer que estas demandas obrigatoriamente deverão ser atendidas. Pode-se dizer que estas demandas deverão ser avaliadas sob o enfoque estratégico. Catálogo de Serviços de TI (Service Catalog) – é o cardápio, ou a lista de todos os serviços que estão ativos, ou em operação, ou liberados para operação. É o que de fato o cliente tem acesso para solicitar. Serviços Aposentados (Retired Services) – é a lista de serviços que estão aposentados ou inativados. Os motivos podem ser os mais diversos pelos quais a TI desativa um determinado serviço. Um exemplo de desativação de um serviço que pode ser citado é a eliminação de um sistema de informação que não tem mais utilidade; assim, um serviço que controla a atualização de versão deste sistema de informação não tem mais razão de fazer parte do catálogo, portanto fará parte dos serviços aposentados. Podemos notar que a estrutura da Figura 17 demonstra que todos estes componentes são exatamenteiguais, seja o Portfolio de Serviços de TI, o Catálogo de Serviços de TI, o Funil e os Serviços Aposentados. Todos eles possuem os mesmos tipos de informações. O que muda, na verdade, é somente o conceito e a visão de cada um deles. A seguir apresentaremos um modelo de catálogo que pode ser utilizado pelas organizações. Devemos ter em mente que este catálogo não é estático e que, assim, não teremos um padrão para todas as organizações. Esta estrutura é bastante flexível, porque nos permite retirar ou inserir quaisquer itens que poderão ser julgados desnecessários ou imprescindíveis para cada caso. O que não pode faltar são alguns dos aspectos básicos, que são os requisitos para prover o gerenciamento e oferecer a visibilidade necessária sobre os serviços, como: a identificação dos serviços e usuários, identificação dos setores dos serviços, tempo de resposta, premissas, restrições e níveis de serviço. TÓPICO 6 | O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 73 QUADRO 1 – TEMPLATE DO CATÁLOGO DE SERVIÇOS 4 MODELO DE CATÁLOGO DE SERVIÇOS Nome do Serviço (Nome do serviço) Departamento (Departamento a que pertence o serviço) Categoria (Classificação do serviço) Identificação (Identificação do serviço) Descrição (Descrição do serviço) Situação (Situação – ativo ou inativo) Utilizadores (Quem utiliza este serviço) Tecnologias de suporte (Tecnologias envolvidas) Condições de acesso (Como solicitar este serviço) Disponibilidade do serviço (Período de atendimento disponível) Tempo para disponibilizar (Tempo de resposta) Apoio aos utilizadores (Onde os utilizadores podem buscar apoio) Preços (O valor do serviço) Níveis de serviço (Níveis de serviço) Premissas (Descrever premissas do serviço) Restrições (Restrições para execução do serviço) FONTE: Os autores 74 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI O template do Catálogo de Serviços de TI no quadro anterior é uma sugestão de modelo que pode ser utilizado. Vamos simular o preenchimento com um exemplo de serviço: Criação de uma conta de e-mail para os colaboradores da empresa. • Nome do Serviço – é o nome dado ao serviço, por exemplo: Criação de Conta de e-mail. • Departamento – é a área que pode solicitar o serviço. Neste caso completaríamos com – Todos. Pois todos os departamentos terão acesso a este serviço, embora nem todos os recursos humanos poderão fazer uso deste recurso. • Categoria – é a classificação do tipo de serviço. Poderíamos adotar um critério para a categoria, como: serviços triviais, serviços específicos, serviços especiais e serviços restritos. No caso do e-mail, poderíamos completar como trivial. • Identificação do Serviço – pode ser criado um código a critério de seus autores. Geralmente é um código com algumas letras seguidas de numeração crescente. • Descrição – é a descrição mais detalhada de como proceder para criar uma conta de e-mail. Uso de padrões de nomenclaturas também é válido. • Situação – é a informação que indica se o serviço está ativo ou inativo. Neste caso completaríamos com – Ativo. • Utilizadores – são as pessoas que utilizarão o serviço. Neste caso podemos completar com – todos os colaboradores das áreas administrativas. • Tecnologias envolvidas – relacionar as tecnologias envolvidas no serviço. Podemos completar com – webmail ou o uso de programas como o Outlook. • Condições de acesso – é o motivo pelo qual o serviço é solicitado. Neste caso poderíamos completar com a informação – A cada nova contratação de recursos humanos que necessitam utilizar comunicação através de e-mail. • Disponibilidade do serviço – é quando o serviço pode ser executado. Existem determinados serviços que não podem ser executados no meio do expediente comercial, em função do risco de paralisação das operações da empresa. Neste caso, poderíamos completar com – Sem restrições de horário. • Tempo para disponibilizar – é o tempo necessário para liberar o uso do recurso. Neste caso, poderíamos completar com a informação – Imediatamente após a conclusão do cadastramento da conta. TÓPICO 6 | O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 75 • Apoio aos utilizadores – a qual nível de suporte deverá recorrer. Neste caso poderemos completar com a informação – Suporte de 1º nível. • Preços – o valor monetário do serviço. Em alguns casos, serviços podem ser contratados através de terceiros. Não é o caso deste serviço. Devemos completar com – Sem custo. • Níveis de serviço – é o tempo em que o serviço deve ser acolhido pelo suporte. Neste caso poderíamos completar com – 12 horas. • Premissas – citar se existem premissas a serem observadas. Neste caso poderíamos informar – Contrato de trabalho assinado. • Restrições – se existe alguma restrição para executar o serviço. Pode ser uma restrição de tempo, uma restrição de época do mês ou alguma restrição técnica. Neste caso poderíamos informar – Sem restrições. Com isso, observamos que as atividades em torno da construção de um Catálogo de Serviços de TI não são consideradas complexas, entretanto, requerem perceber os níveis de detalhamento que estão implícitos em cada serviço. Chamamos a atenção de que o item Situação, neste caso, sempre constará como ATIVO, por ser um componente do Catálogo. LEITURA COMPLEMENTAR MERCADO BRASILEIRO DE SERVIÇOS DE TI MOVIMENTOU US$ 26,8 BILHÕES EM 2012 A IDC Brasil acaba de concluir seu relatório executivo sobre o mercado de serviços de TI no Brasil em 2012. Os dados consolidados do ano revelam um crescimento de 8,4% em relação a 2011, com uma receita total de R$ 26,8 bilhões. O segmento de serviços já corresponde a 26% do mercado de TI, posicionando o Brasil como o mercado mais maduro entre os países emergentes – na Índia, os serviços são 22% do mercado de TI, na Rússia, 19% e na China, 10%. “Historicamente, o mercado de serviços de TI apresenta índices anuais de crescimento que correspondem ao dobro ou triplo da variação do PIB no mesmo período. Em 2012 esse mercado descolou positivamente, crescendo nove vezes mais do que o PIB”, destaca Anderson Figueiredo, gerente de pesquisa e consultoria da IDC Brasil. Segundo ele, o bom desempenho da linha de negócios de Outsourcing, cujo market share chegou 76 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS DE GESTÃO DE PROJETOS E SERVIÇOS DE TI Entre os mercados verticais, quem mais comprou serviços foram os setores de Finanças (28,7% do total), Manufatura (19,3%), Telecom (16,3%), Governo (8,1%) e Serviços (7,9%). Este último cresceu 13,4% em 2012, atingindo praticamente o mesmo patamar do Governo. O setor de Comércio ainda tem uma participação menor no mercado, mas apresentou o maior crescimento em 2012 (16,9%). Embora as grandes empresas respondam por 64,1% do mercado, as pequenas e médias vêm comprando mais e apresentaram as taxas de crescimento mais altas em 2012 – 9,6% as pequenas, e 9,4%% as médias. “Os setores de serviço e comércio concentram as pequenas e médias empresas, e assim os dados que indicam as maiores taxas de crescimento em relação a mercados verticais e porte das empresas que compram serviços são convergentes”, analisa Figueiredo. “O mesmo movimento de mudança de classe social entre as pessoas físicas está acontecendo entre as empresas, e assim as microempresas viram pequenas empresas e passam a consumir serviços”, conclui. O estudo IDC Brazil IT Services Tracker é realizado com base em metodologias de pesquisa usadas mundialmente pela companhia e a 37,3%, com crescimento de 12,2% em relação a 2011, é outro indicador importante da maturidade do mercado brasileiro. Os segmentos de Integração e Desenvolvimento, com 27,1%, e Implementação e Suporte, com 22%, também continuam muito representativos, mas apresentaram crescimento menor – 7,3% e 4,5%, respectivamente. Já o segmento deConsultoria, com 10,9% de participação de mercado, também cresceu acima da média geral – 9,3%. TÓPICO 6 | O CATÁLOGO DE SERVIÇOS DE TI 77 informações levantadas junto a diversas fontes, entre elas executivos de aproximadamente 80 das maiores empresas prestadoras de serviços de TI no país, que respondem por mais de 75% da receita total deste mercado. FONTE: Disponível em: <http://adrenaline.uol.com.br/tecnologia/noticias/17163/mercado-brasi- leiro-de-servicos-de-ti-movimentou-us-268-bilhoes-em-2012.html>. Acesso em: 21 ago. 2013. 78 RESUMO DO TÓPICO 6 Neste tópico vimos que: • Um Catálogo de Serviços de TI é um importante elemento para a gestão dos serviços de TI. Ele abriga todas as informações referentes a todos os serviços que são prestados pelas equipes de TI, ou seja, um cardápio a respeito dos serviços disponíveis para serem solicitados pelos clientes e usuários. • É dividido em: • Catálogo de Serviço de Negócio • Catálogo de Serviço Técnico • O Portfólio de Serviços de TI é um conjunto maior que abriga todos os serviços de TI. • Portanto, o Portfólio contém: • Catálogo de serviços de TI. • Funil de serviços de TI. • Serviços aposentados. • Vimos também que o SLA é um importante balizador para a prestação de serviços com qualidade. Muitos indicadores de desempenho da TI estão baseados no cumprimento destes SLAs. • E, por último, exemplificamos com o preenchimento de um template de um Catálogo de Serviços de TI, inserindo os dados para simular a sua utilização. Fizemos também a consideração de que estes modelos apresentam uma boa flexibilidade e, assim, permitem que itens desejados sejam inseridos, e que os indesejados sejam retirados. Vimos que o importante é conter elementos que venham a contribuir para o pleno gerenciamento destes serviços de TI e os recursos tecnológicos em questão. 79 1 Qual é o principal objetivo do Catálogo de Serviços de TI? 2 Cite e explique sobre a divisão do Catálogo de Serviços de TI. 3 O que são os SLAs? AUTOATIVIDADE 80 81 UNIDADE 2 PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • compreender a abrangência da gestão de integração em projetos; • entender os processos da gestão de escopo em projetos; • entender o papel da gestão do tempo em projetos; • conhecer os principais aspectos da gestão de custos em projetos; • entender a aplicação e a importância das melhores práticas na Gestão de Serviços de TI; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Incidentes; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Problemas; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Mudanças; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Liberação; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Configuração; • conhecer os aspectos relacionados ao Gerenciamento de Nível de Serviço. Esta unidade está dividida em dez tópicos. No final de cada tópico, você encon- trará atividades que possibilitarão a apropriação de conhecimentos na área. TÓPICO 1 – INTEGRAÇÃO TÓPICO 2 – ESCOPO TÓPICO 3 – TEMPO TÓPICO 4 – CUSTO TÓPICO 5 – GERENCIAMENTO DE INCIDENTES TÓPICO 6 – GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS TÓPICO 7 – GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS TÓPICO 8 – GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO TÓPICO 9 – GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO TÓPICO 10 – GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇOS 82 83 TÓPICO 1 INTEGRAÇÃO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A área de Gestão de Projetos é fundamental para permitir o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Na área de TI, a gestão de projetos pode ser considerada ainda mais importante, pois em TI estamos constantemente lidando com projetos. Estes projetos tipicamente estão relacionados a atividades para melhorar as operações ou gerar inovações que definirão o grau de sucesso futuro do negócio. Para Drucker e Maciariello (2010), o grau de complexidade de uma organização está relacionado com a variedade de atividades que precisam ser realizadas com cooperação, sincronia e comunicação. Se analisarmos este conceito como sendo macro e o trouxermos para o mundo da gestão de projetos, poderemos concluir que ele é perfeitamente válido. Trazendo o conceito para a gestão de projetos, podemos dizer que o grau de complexidade de um projeto está relacionado à quantidade e variedade de atividades que precisam ser realizadas de maneira harmoniosa. Isso significa dizer que há necessidade de um elo entre as áreas de gestão de projetos que orquestre o trabalho de maneira que ele possa ser realizado de forma adequada e entregue os resultados definidos. Na gestão de projetos este elo pode ser entendido como a área de Integração. Como você estudou na unidade anterior, o PMBOK, na sua quarta edição de 2008, além de tratar de cinco áreas de processos, também divide o gerenciamento de projetos em nove áreas de conhecimento: Integração, Escopo, Tempo, Custo, Qualidade, Recursos Humanos, Comunicação, Riscos e Aquisições. A figura a seguir proporciona uma visão ampla destas áreas de conhecimento. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 84 FIGURA 18 – VISÃO GERAL DAS ÁREAS DE CONHECIMENTO EM GERENCIAMENTO DE PROJE- TOS E OS PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS FONTE: PMI (2004 5. Gerenciamento do escopo do projeto 8. Gerenciamento da qualidade do projeto 11. Gerenciamento de riscos do projeto 6. Gerenciamento de tempo do projeto 9. Gerenciamento de recur- sos humanos do projeto 12. Gerenciamento de aquisições do projeto 4. Gerenciamento de integração do projeto 7. Gerenciamento de custos do projeto 10. Gerenciamento das comunicações do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 4.2 Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto 4.3 Orientar e gerenciar a execução do projeto 4.4 Monitorar e controlar o trabalho do projeto 4.5 Realizar o controle in- tegrado de mudanças 4.6 Encerrar o projeto ou fase 7.1 Estimar os custos 7.2 Determinar o orçamento 7.3 Controlar os custos 10.1 Identificar as partes interessadas 10.2 Planejar as comunica- ções 10.3 Distribuir informações 10.4 Gerenciar expectativas das partes interessadas 10.5 Reportar o desempenho 5.1 Coletar os requisitos 5.2 Definição do escopo 5.3 Criar o EAP 5.4 Verificar o escopo 5.5 Controlar o escopo 8.1 Planejar a qualidade 8.2 Realizar a garantia da qualidade 8.3 Controlar a qualidade 11.1 Planejar o gerencia- mento dos riscos 11.2 Planejar os riscos 11.3 Realizar a análise qualitativa dos riscos 11.4 Realizar a análise quantitativa dos riscos 11.5 Planejar as respostas aos riscos 11.6 Monitorar e controlar os riscos 6.1 Definir as atividades 6.2 Sequenciar as atividades 6.3 Estimar recursos das atividades 6.4 Estimar a duração das atividades 6.5 Desenvolver o crono- grama 6.6 Controlar o cronograma 9.1 Desenvolver o Plano de recursos humanos 9.2 Mobilizar a equipe do projeto 9.3 Desenvolver a equipe do projeto 9.4 Gerenciar a equipe do projeto 12.1 Planejar as aquisições 12.2 Realizar as aquisições 12.3 Administrar as aqui- sições 12.4 Encerrar as aquisições GERENCIAMENTO DE PROJETOS A partir de agora, estudaremos cada uma dessas áreas de conhecimento na sequência em que elas são descritas no PMBOK. Neste capítulo concentraremos nossos estudos sobre a área de conhecimento Integração. A área de Integração abrange os processos e atividades para identificar, definir, combinar, unificar e sincronizar os trabalhos dos grupos de processos de gerenciamento de projetos. Ela também auxilia o gerenciamento das interdependências entre as áreas de gerenciamento de projetos (PMI, 2008). TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 85 Na áreade conhecimento Integração estão descritos os processos e atividades que servem de elementos integradores no gerenciamento de projetos. Os principais processos e atividades são (PMI, 2008): • Desenvolvimento do termo de abertura do projeto. • Desenvolvimento do plano de gerenciamento de projeto. • Orientar e gerenciar a execução do projeto. • Monitorar e controlar o trabalho do projeto. • Realizar o controle integrado de mudanças. • Encerrar o projeto ou fase do projeto. A área de Integração tem a finalidade de concentrar as atividades que tipicamente estejam relacionadas a mais de uma área de conhecimento. Por outra ótica, pode-se dizer que a área de Integração visa permitir a execução harmoniosa das atividades de um projeto. Quando se fala em áreas de conhecimento em gerenciamento de projetos, uma dúvida que tipicamente surge é: quais são as áreas de conhecimento mais importantes? Na realidade, para o adequado gerenciamento de um projeto é necessário considerar todas as áreas de conhecimento constantes no PMBOK. Porém, esta consideração deve ser mais intensificada ou menos intensificada de acordo com o tamanho e natureza do projeto em questão. 2 DESENVOLVIMENTO DO TERMO DE ABERTURA O Termo de Abertura do projeto, também tipicamente referenciado por sua denominação em inglês Project Charter, é um importante artefato que deve ser desenvolvido no início do ciclo de vida de um projeto. O Termo de Abertura é o documento que formaliza a existência do projeto. Ele deve possuir uma descrição clara dos objetivos do projeto e sua abrangência. Como tipicamente os objetivos de um projeto são definidos pelas áreas de negócios, é importante contar com a colaboração dela na elaboração do documento. A devida gestão de projetos de TI se dá através do trabalho conjunto das áreas de TI com as áreas de negócios envolvidas. A definição clara dos objetivos é importante para garantir que a equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto tenha o entendimento correto do que se pretende com o projeto. A definição da meta do projeto é o principal indicador, que geralmente é obtido a partir de um objetivo gerencial, um valor e um prazo de execução. Conforme demostrado na Figura 1, o Termo de Abertura possui as seguintes entradas (PMI, 2008): UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 86 • declaração do trabalho do projeto; • business case; • contratos; • fatores ambientais; • ativos de processos organizacionais. Para o desenvolvimento do Termo de Abertura, uma das principais ferramentas e técnicas é a avaliação de especialistas. A avaliação de especialistas é uma importante técnica que poderá ser utilizada em diversos processos de projetos. Os profissionais consultados não precisam necessariamente pertencer à equipe. Os especialistas podem compreender (PMI, 2008): • outras unidades da organização; • consultores; • intervenientes, inclusive clientes ou patrocinadores; • associações profissionais e técnicas; • grupos industriais; • especialistas no assunto; • escritório de projetos. A saída deste processo é o Termo de Abertura para formalizar a existência do projeto. A figura anterior apresenta um diagrama com o fluxo de atividades que tipicamente são realizadas para a elaboração do Termo de Abertura de um projeto. De acordo com o PMI (2008), o Termo de Abertura pode conter: • o propósito ou justificativa do projeto; • os objetivos mensuráveis e critérios de sucesso relacionados; • requisitos de alto nível; • descrição do projeto de alto nível; • riscos iniciais identificados; • cronograma macro; • orçamento macro. Há diversas propostas do que deve conter um Termo de Abertura, porém não há um padrão largamente aceito e utilizado. Cada gestor de projetos define e utiliza um modelo diferente de Termo de Abertura. A título de exemplo, um Termo de Abertura pode conter: • Identificação: na identificação deve ser informado o nome do projeto, o nome do gerente de projetos que responderá pelo mesmo e a data de formalização da abertura do projeto. • Pessoas: as pessoas envolvidas (stakeholders) devem ser relacionadas no termo de abertura. Além do nome, podem ser incluídas outras informações que sejam relevantes ao projeto. • Objetivos: deve descrever os critérios mensuráveis para medição do grau de sucesso do projeto. Esta descrição pode incluir objetivos técnicos ou objetivos de negócios. TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 87 • Descrição: deve explicitar as características do projeto. Estas características não necessitam de grande detalhamento, mas devem refletir o que é esperado em termos de resultados mensuráveis. Justificativas: deve descrever os benefícios esperados com o projeto. Estas justificativas podem incluir ainda alguma necessidade ou exigência que deve ser atendida pela organização. Dependendo da natureza do projeto, pode ser importante acrescentar outras informações ao Termo de Abertura. Porém, com as seções relacionadas no exemplo é possível ter uma visão geral do que se pretende desenvolver e dos atores diretamente envolvidos. Uma vez desenvolvido o Termo de Abertura, a atividade a ser realizada na sequência é a reunião de kick-off. 3 REALIZAR REUNIÃO DE KICK-OFF A reunião de kick-off é um importante evento que deve ser realizado logo depois de concluída a elaboração do Termo de Abertura. Esta reunião tem por objetivo publicar a existência do projeto, seus objetivos, pessoas envolvidas e suas responsabilidades. A ideia é apresentar o projeto através de uma visão clara, motivando e buscando o comprometimento dos envolvidos. É muito importante que o máximo de envolvidos possível participem da reunião de kick-off. Isso reduz a possibilidade de antecipação de problemas de comunicação. Se logo no início do projeto todos tiverem o entendimento claro de seu papel, reduz-se a possibilidade de perda de foco em função de dúvidas sobre a função de cada pessoa. Em projetos em que terceiros serão envolvidos, é recomendável que a atividade de seleção de fornecedores seja realizada com a máxima brevidade possível. Selecionar fornecedores com brevidade permite ter margem maior para o planejamento e orçamentação do projeto. 4 SELECIONAR FORNECEDORES A atividade de seleção de fornecedores compreende o estabelecimento de requisitos que devem ser atendidos pelos prováveis fornecedores e a identificação de possíveis candidatos e a submissão destes ao preenchimento dos requisitos. O principal objetivo é identificar fornecedores que possuam condições de fornecer os produtos e/ou serviços necessários, atendendo aos padrões de qualidade requeridos no tempo necessário e de forma econômica. Além disso, é fundamental que os fornecedores selecionados sejam confiáveis. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 88 Pode-se classificar um bom fornecedor através de diversos critérios. Pode-se considerar se é honesto e justo em seus relacionamentos com os clientes, tem estrutura e know-how (experiência) suficiente e tem condições de atender às especificações. Deve-se considerar a capacidade de cumprir os prazos necessários, saúde financeira, competitividade, constante desenvolvimento de seus produtos e serviços. A atividade de seleção de fornecedores não termina aqui, este trabalho prévio fornecerá os subsídios iniciais à área de conhecimento de Aquisições para realização dos demais processos necessários. 5 DESENVOLVIMENTO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS O plano de projeto compreende o planejamento executivo de todo o projeto. O detalhamento do plano de projeto, em geral, serve de referência para os demais planos de gerenciamento do projeto que tratam de cada assunto individualmente. No plano de projeto devem ser destacados os principais limites e marcos,os critérios de aceite que devem ser atendidos, um conjunto de premissas sobre as quais o projeto está apoiado, restrições que limitam as ações no projeto, além dos intervenientes relevantes e o planejamento das fases de gerenciamento. Conforme PMI (2008), o plano de gerenciamento de projeto pode possuir as seguintes entradas: • termo de abertura do projeto; • saídas dos processos de planejamento; • fatores ambientais da organização; • ativos de processos organizacionais. Da mesma forma como na elaboração do Termo de Abertura, na elaboração do Plano de Gerenciamento de Projeto é utilizada como ferramenta e técnica a avaliação de especialistas. A avaliação de especialistas é utilizada principalmente para (PMI, 2008): • adequar o processo para atender às necessidades do projeto; • desenvolver detalhes técnicos e de gerenciamento para serem incluídos no plano de gerenciamento do projeto; • determinar recursos e níveis de habilidades necessárias para executar o trabalho do projeto; • determinar o nível de gerenciamento de configuração a ser usado no projeto; e determinar quais documentos do projeto estarão sujeitos ao processo formal de controle de mudanças. TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 89 A saída do processo de desenvolvimento do Plano de Gerenciamento de Projeto é um documento que tipicamente possui informações de como se planeja gerenciar globalmente o projeto. Em geral, o Plano de Gerenciamento de Projeto possui um conjunto extenso de informações. Um exemplo de itens deste documento pode conter (PMI, 2008): • Objetivo: descrição do objetivo do plano de projeto, bem como a definição dos principais elementos do projeto que devem ser gerenciados. • Limites do Projeto: descrição dos limites de abrangência do projeto, de forma que o maior foco possível seja dado ao que realmente está no escopo do projeto. • Marcos do Projeto: identificação dos principais pontos de controle do progresso do projeto, bem como suas respectivas datas. • Critérios de Aceite: descrição dos critérios a serem medidos para definição do aceite dos entregáveis do projeto. • Premissas: descrição das premissas sobre as quais o desenvolvimento do projeto está apoiado. As premissas são questões assumidas como verdadeiras e a partir das quais são tomadas decisões de projeto. • Restrições: descrição das restrições impostas ao projeto e com as quais será necessário lidar. • Funções e Responsabilidades: relação das pessoas envolvidas no projeto com suas respectivas funções e responsabilidades. • Iniciação do Projeto: descrição de como deve ser conduzida a fase de iniciação do projeto. • Planejamento do Projeto: descrição de como devem ser conduzidas as atividades de planejamento do projeto. • Execução do Projeto: descrição de como devem ser conduzidas as atividades de execução do projeto. • Monitoramento do Projeto: descrição de como devem ser conduzidas as atividades de monitoramento e controle do projeto. • Encerramento do Projeto: descrição de como deve ser conduzida a fase de encerramento do projeto. • Planejamento do Escopo: descrição dos processos a serem realizados para que seja dado o tratamento adequado ao escopo do projeto. • Planejamento do Tempo: descrição das atividades que deverão ser realizadas para o adequado gerenciamento do cronograma do projeto. • Planejamento de Custos: descrição das regras a serem utilizadas no momento da realização das estimativas de custos do projeto. • Planejamento das Aquisições: descrição da abordagem a ser utilizada para o planejamento das aquisições para o projeto. • Planejamento de Riscos: descrição das atividades a serem realizadas para o adequado gerenciamento dos riscos do projeto. • Planejamento da Qualidade: descrição das regras a serem utilizadas no processo de planejamento da qualidade do projeto. • Planejamento de Recursos Humanos: descrição da abordagem a ser utilizada para o planejamento de recursos humanos do projeto. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 90 • Planejamento de Comunicação: descrição das regras a serem seguidas em relação às informações a serem comunicadas, o formato de documentos/ relatórios, a periodicidade, os responsáveis pela comunicação, os principais eventos que demandam comunicação, os destinatários das informações e o método para atualização das comunicações. Em relação ao planejamento da condução das atividades relacionadas às áreas de conhecimento, este deverá levar em consideração os conceitos descritos a seguir. Escopo O escopo do projeto é a combinação de todos os seus objetivos e tarefas, além do trabalho necessário para realizá-los. A parte de escopo do plano de projeto descreve como o escopo do projeto será gerenciado e como as alterações desse escopo serão integradas ao projeto. Esse plano é útil porque geralmente o gestor do projeto precisa realizar ajustes no escopo no decorrer do projeto. O planejamento de escopo no plano de projeto pode incluir uma avaliação da probabilidade, da frequência e da quantidade de mudanças do escopo, uma descrição do modo como as alterações do escopo serão identificadas e classificadas e procedimentos a serem realizados quando uma alteração de escopo for identificada. Tempo O gerenciamento do tempo do projeto inclui os processos necessários para realizar o término do projeto no prazo. Os processos de gerenciamento de tempo do projeto incluem a definição de atividades, o sequenciamento das atividades definidas, estimativa de recursos para realização das atividades, estimativa de duração das atividades e desenvolvimento do cronograma. Na definição de atividades é realizada a identificação das atividades específicas do cronograma que precisam ser realizadas para produzir as entregas do projeto. No sequenciamento das atividades são identificadas e documentadas as dependências entre as atividades do cronograma. Na estimativa de recursos para a atividade é realizada a estimativa do tipo e da quantidade de recursos necessários para realizar cada atividade do cronograma. Custo FONTE: Disponível em: <http://www3.fsa.br/localuser/gproj/2%20GPROJ%20Aulas/C07%20Ge- renciamento%20de%20Custos.pdf >. Acesso em: 8 out. 2013. O gerenciamento de custos inclui os processos envolvidos em planejamento, estimativa, orçamentação e controle de custos, de modo que seja possível terminar o projeto dentro do orçamento aprovado. TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 91 Os processos de gerenciamento de custos do projeto incluem as estimativas de custos, a orçamentação e o controle de custos. Na estimativa de custos é desenvolvida uma estimativa dos custos dos recursos necessários para terminar as atividades do projeto. Na orçamentação é realizada a agregação dos custos estimados de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos. No controle de custos é realizado o controle dos fatores que criam as variações de custos e controle das mudanças no orçamento do projeto. Aquisições O gerenciamento de aquisições inclui os processos para compra ou aquisição de produtos e/ou serviços necessários para realização do projeto. O gerenciamento de aquisições do projeto inclui os processos de gerenciamento de contratos e de controle de mudanças necessários para administrar os contratos ou pedidos de compra do projeto. Os processos de gerenciamento de aquisições do projeto incluem o planejamento de aquisições, o planejamento de contratações, a solicitação de respostas de fornecedores, a seleção de fornecedores, bem como a administração e encerramento de contratos. Riscos O gerenciamento de riscos inclui os processos que tratam da identificação, análise, respostas, monitoramento, controle e planejamento do gerenciamento de riscos existentes. A maioria desses processosé atualizada durante todo o projeto. FONTE: Adaptado de: <http://www.capacitarerh.com.br/index.php?sec=68&subsec=1108&itm=502>. Acesso em: 8 out. 2013. Os objetivos do gerenciamento de riscos são aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos (oportunidades) e diminuir a probabilidade e o impacto dos eventos negativos (ameaças) ao projeto. O risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, terá um efeito positivo ou negativo sobre pelo menos um objetivo do projeto, como tempo, custo, escopo ou qualidade. Se qualquer evento incerto ocorrer, poderá haver um impacto no custo, cronograma ou desempenho do projeto. FONTE: Disponível em: <http://www.planejamento.mp.pr.gov.br/arquivos/File/subplan/gempar/ manual.pdf>. Acesso em: 8 out. 2013. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 92 Qualidade Os processos de gerenciamento da qualidade incluem todas as atividades que determinam as responsabilidades, os objetivos e as políticas de qualidade, de modo que o projeto atenda às necessidades que motivaram sua realização. FONTE: Disponível em: <http://www.wirelessbrasil.org/wirelessbr/colaboradores/eder_silva_e_ erico_machado/qualidade_no_gerenciamento_03.html>. Acesso em: 9 out. 2013. Estes processos dão subsídio ao sistema de gerenciamento da qualidade através da política, dos procedimentos e dos processos de planejamento da qualidade, garantia da qualidade e controle da qualidade, com atividades de melhoria contínua dos processos conduzidas do início ao fim, conforme adequado. Recursos Humanos O gerenciamento de recursos humanos inclui os processos que organizam e gerenciam a equipe do projeto. A equipe do projeto é composta de pessoas com funções e responsabilidades atribuídas para o término do projeto. Embora seja comum se falar de funções e responsabilidades, os membros da equipe devem estar envolvidos em grande parte do planejamento e da tomada de decisões do projeto. O envolvimento dos membros da equipe desde o início acrescenta especialização durante o processo de planejamento e fortalece o compromisso com o projeto. O tipo e o número de membros da equipe do projeto muitas vezes podem mudar conforme o projeto evolui (PMI, 2008). Em projetos menores, as responsabilidades de gerenciamento de projetos podem ser compartilhadas por toda a equipe ou administradas unicamente pelo gestor de projetos. Os processos de gerenciamento de recursos humanos incluem o planejamento de recursos humanos, a contratação ou mobilização da equipe do projeto, o desenvolvimento e o gerenciamento da equipe. Comunicação O gerenciamento das comunicações do projeto emprega os processos necessários para garantir a geração, coleta, distribuição, armazenamento, recuperação e destinação final das informações sobre o projeto de forma oportuna e adequada. Os processos de gerenciamento das comunicações do projeto fornecem as ligações críticas entre pessoas e informações que são necessárias para comunicações bem-sucedidas. Os gestores de TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 93 projetos devem investir o tempo necessário na comunicação com a equipe, intervenientes, cliente e patrocinador. FONTE: Adaptado de: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/735>. Acesso em: 9 out. 2013. Todos os envolvidos no projeto devem entender como as comunicações afetam o projeto. Os processos de gerenciamento das comunicações do projeto incluem o planejamento das comunicações, distribuição das informações, relatório de desempenho e gerenciamento das partes interessadas (PMI, 2004). 6 ORIENTAR E GERENCIAR A EXECUÇÃO DO PROJETO O gerenciamento da execução do projeto é uma das principais atividades de qualquer projeto. Ela compreende executar as atividades definidas no plano de gerenciamento do projeto para atingir os objetivos definidos. O gerenciamento da execução é a atividade central do projeto. Nesta atividade deve ser considerada a necessidade da utilização de uma série de informações de planejamento e definições do projeto. Um dos documentos que guiará boa parte das ações desta atividade é o plano do projeto. Conforme pode ser observado na figura a seguir, as entradas do processo de orientar e gerenciar a execução do projeto são: • plano de gerenciamento do projeto; • solicitações de mudanças aprovadas; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. FIGURA 19 – COLETAR OS REQUISITOS: ENTRADAS, FERRAMENTAS E TÉCNICAS E SAÍDAS FONTE: PMI (2008) UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 94 Ainda na figura anterior, pode ser observado que as ferramentas e técnicas do processo de orientar e gerenciar a execução do projeto são: • opinião especializada; • sistema de informações de gerenciamento de projetos. De acordo com o PMI (2008), algumas das atividades que devem ser realizadas durante a execução do projeto são: • executar as atividades necessárias para obter os requisitos do projeto; • criar as entregas do projeto; • apoiar, treinar e gerenciar a equipe dedicada ao projeto; • obter, gerenciar e utilizar os recursos humanos e materiais do projeto; • implementar os métodos e padrões planejados; • estabelecer e gerenciar os canais de comunicação do projeto; • gerar os dados do projeto; • tratar requisições de mudanças e replanejar o projeto; • gerenciar riscos e implementar atividades de resposta a riscos; • gerenciar fornecedores; • coletar e documentar lições aprendidas; • implementar atividades de melhoria de processo aprovadas. O processo de gerenciamento da execução é onde a maior parte do investimento é realizada, logo, deve ser muito bem planejada, pois qualquer desvio ou falha de planejamento pode representar grandes impactos no resultado final do projeto em termos de custos, tempo, qualidade e demais consequências. Este processo deve garantir a realização das atividades de forma que atenda aos objetivos do projeto tais como determinados na sua definição. A maior parte dos custos do projeto é utilizada durante esta fase, à medida que a equipe do projeto implementa o escopo definido. O foco principal da equipe durante esta fase é monitorar o progresso, controlar alterações e garantir a qualidade dos entregáveis. 7 MONITORAR E CONTROLAR A EXECUÇÃO DO PROJETO O monitoramento e controle de projetos tem forte enfoque na realização das atividades planejadas para o projeto. Uma das formas de garantir a adequada execução do projeto é estabelecer um rígido monitoramento e controle do escopo do projeto. O escopo é o que o projeto entregará como resultado, logo, se o escopo estiver devidamente monitorado e controlado, o resultado do projeto estará sendo assistido. O gerenciamento do escopo do projeto inclui os processos necessários para garantir que o projeto inclua todo o trabalho necessário para conclusão com TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 95 sucesso. O processo de monitoramento e controle da execução do projeto possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • relatórios de desempenho; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. A ferramenta e técnica desse processo é a opinião especializada. Já as saídas são (PMI, 2008): • solicitações de mudança; • atualizações do plano de gerenciamento do projeto; • atualizações dos documentos do projeto. 8 REALIZAR O CONTROLE INTEGRADO DE MUDANÇAS O que se pretende com um projeto nem sempre está tão claro quanto deveria. À medida que o projeto avança e novas e diferentes perguntas são feitas e novas possibilidades são vislumbradas, há a tendência de ocorrerem mudanças de escopo. Até a década de 1990 dizia-se que o escopo é imutável e que o projeto deveria seguir o planejamento original até sua conclusão.Porém, em alguns casos, há uma lacuna gigante entre teoria e prática. Logo, se prática e teoria não estão em sintonia, alguma delas deve ser mudada. Neste caso, mudou-se a teoria, pois na prática é natural que novas possibilidades sejam vislumbradas à medida que o escopo do projeto se torna mais claro e concreto. O escopo do projeto mudará e não há o que possa ser feito para evitar que isso ocorra. O que deve ser feito na gestão de projetos é gerir as mudanças propostas, eliminando alterações de escopo cujos benefícios sejam irrelevantes e tratando adequadamente os relevantes. O controle integrado de mudanças representa um dos grandes desafios da gestão de projetos de TI. As entradas do processo de controle integrado de mudanças são (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • informações sobre o desempenho do trabalho; • solicitações de mudança; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 96 9 ENCERRAR O PROJETO OU FASE DO PROJETO O processo de encerramento de projeto ou fase do projeto compreende uma série de procedimentos que visam garantir a finalização adequada de todas as atividades. Um dos principais procedimentos é a validação de entregáveis, que também pode ser chamada de homologação, dependendo da organização. A validação de entregáveis é o aceite da conclusão ou entrega de determinado artefato do projeto. O processo de validação de entregáveis deve ser realizado com muito critério, pois a entrega em questão deve atender aos critérios de aceite descritos no plano do projeto. O processo de encerramento do projeto ou fase do projeto possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • entregas aceitas; • ativos de processos organizacionais. Quanto a ferramentas e técnicas do processo de encerramento do projeto ou fase do projeto, a que é relacionada pelo PMI (2008) é a opinião especializada, também conhecida como avaliação de especialistas. Outro importante processo é o encerramento de contratos. Deve-se garantir que todos os contratos firmados durante o projeto tenham sido devidamente encerrados para não restarem heranças do projeto que poderão representar problemas para a organização. As saídas do processo de encerramento do projeto ou fase do projeto são (PMI, 2008): • transição de produto, serviço ou resultado final; • atualizações de ativos de processos organizacionais. De forma bastante simples, pode-se compreender o processo de encerramento do projeto ou fase do projeto como o conjunto de atividades que visam garantir que nenhum artefato ou atividade do projeto fique inacabado. É importante que as lições aprendidas sejam registradas logo após a ocorrência, pois importantes aprendizados podem ser perdidos por força do esquecimento. O registro de lições aprendidas deve ser realizado em um documento específico. Este documento pode ter, por exemplo, as seguintes seções: • Data: data em que a lição aprendida foi registrada. • Lição aprendida: descrição da lição aprendida com a situação relatada e que deverá ser considerada no futuro em situações similares. • Descrição da situação: descrição da situação ocorrida, a partir da qual pode ser aprendida uma lição de forma a potencializar as ações futuras em situações similares. TÓPICO 1 | INTEGRAÇÃO 97 A reunião de lições aprendidas deve ser realizada o mais cedo possível após a conclusão da fase de execução. Esta recomendação é feita devido à tendência de as pessoas esquecerem em pouco tempo muitas das situações ocorridas no projeto, motivado inclusive pelo sentimento natural que ocorre na conclusão de um grande desafio. 98 RESUMO DO TÓPICO 1 Nesse tópico você estudou que: • A Integração em gestão de projetos de TI compreende as atividades de identificar, definir, unificar, combinar e sincronizar o trabalho dos demais grupos de processos e suas interdependências. • Os principais processos e atividades da área de conhecimento Integração são (PMI, 2008): • desenvolvimento do termo de abertura do projeto; • desenvolvimento do plano de gerenciamento de projeto; • orientar e gerenciar a execução do projeto; • monitorar e controlar o trabalho do projeto; • realizar o controle integrado de mudanças; • encerrar o projeto ou fase do projeto. • Um projeto de sucesso não é simplesmente aquele que realizou o escopo planejado dentro do tempo e custos estimados, mas que realize entregas de valor para a organização. • O Termo de Abertura é o primeiro artefato de projeto que deve ser produzido. É ele quem formaliza a existência do projeto. • O Plano de Gerenciamento de Projeto é um documento com informações de como se planeja gerenciar globalmente o projeto. 99 AUTOATIVIDADE Como forma de fixar o conteúdo estudado, realize a autoatividade proposta a seguir: 1 Em qual documento é registrado o planejamento global do projeto? 2 O Business case é uma entrada para qual processo de projeto? 3 Liste duas finalidades para a utilização da avaliação de especialistas no desenvolvimento do plano de gerenciamento de projeto. 4 Liste duas atividades que devem ser realizadas no processo de orientar e gerenciar a execução do projeto. 100 101 TÓPICO 2 ESCOPO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A área de conhecimento de Escopo possui um conjunto de processos que visam garantir que o trabalho necessário para a realização bem-sucedida do projeto seja devidamente planejado. O gerenciamento do Escopo compreende a obtenção das necessidades para o projeto, refinamento e detalhamento das atividades que devem ser realizadas e os controles necessários para garantia de obtenção dos resultados desejados. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 102 8. Gerenciamento da qualidade do projeto 11. Gerenciamento de riscos do projeto 6. Gerenciamento de tempo do projeto 9. Gerenciamento de recur- sos humanos do projeto 12. Gerenciamento de aquisições do projeto 4. Gerenciamento de integração do projeto 7. Gerenciamento de custos do projeto 10. Gerenciamento das comunicações do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 4.2 Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto 4.3 Orientar e gerenciar a execução do projeto 4.4 Monitorar e controlar o trabalho do projeto 4.5 Realizar o controle in- tegrado de mudanças 4.6 Encerrar o projeto ou fase 7.1 Estimar os custos 7.2 Determinar o orçamento 7.3 Controlar os custos 10.1 Identificar as partes interessadas 10.2 Planejar as comunica- ções 10.3 Distribuir informações 10.4 Gerenciar expectativas das partes interessadas 10.5 Reportar o desempenho 8.1 Planejar a qualidade 8.2 Realizar a garantia da qualidade 8.3 Controlar a qualidade 11.1 Planejar o gerencia- mento dos riscos 11.2 Planejar os riscos 11.3 Realizar a análise qualitativa dos riscos 11.4 Realizar a análise quantitativa dos riscos 11.5 Planejar as respostas aos riscos 11.6 Monitorar e controlar os riscos 6.1 Definir as atividades 6.2 Sequenciar as atividades 6.3 Estimar recursos das atividades 6.4 Estimar a duração das atividades 6.5 Desenvolver o crono- grama 6.6 Controlar o cronograma 9.1 Desenvolver o Plano de recursos humanos 9.2 Mobilizar a equipe do projeto 9.3 Desenvolver a equipe do projeto 9.4 Gerenciar a equipe do projeto 12.1 Planejar as aquisições 12.2 Realizar as aquisições 12.3 Administrar as aqui- sições 12.4 Encerrar as aquisições FONTE: Adaptado de: PMI (2004) FIGURA 20 – ÁREA DE CONHECIMENTO DE ESCOPO 5. Gerenciamento do esco- po do projeto 5.1 Coletar os requisitos 5.2 Definição do escopo 5.3 Criar o EAP 5.4 Verificar o escopo 5.5 Controlar o escopo GERENCIAMENTODE PROJETOS O gerenciamento do escopo do projeto descreve os processos relativos à garantia de que o projeto inclua todo o trabalho necessário, e apenas o trabalho necessário, para que seja terminado com sucesso. Para que isso seja possível, os seguintes processos devem ser realizados (PMI, 2008): • coletar requisitos; • definir o escopo; • criar EAP; TÓPICO 2 | ESCOPO 103 • verificar o escopo; • controlar o escopo. O gerenciamento de escopo do projeto é uma atividade fundamental. É importante que o gestor do projeto compreenda que o escopo é a base para a aferição do sucesso do projeto. Sem entrar no mérito das áreas de conhecimento mais importantes, é necessário observar que a área de escopo tem grande grau de importância, pois lida com as especificações do que o projeto deverá produzir. Sem o devido gerenciamento do escopo, é bastante improvável que se obtenha resultados de sucesso. Não há como chegar onde se quer sem que se saiba o que se quer. Existem diversas máximas ou ditados populares que podem ser utilizados como uma espécie de metáfora para indicar que não há como realizar algo que não se sabe o que deverá ser. 2 COLETAR REQUISITOS O processo de coletar requisitos deve ser seriamente considerado quando o escopo de um projeto está sendo definido. A coleta de requisitos possui grande contribuição no sucesso do projeto em termos de entregar o que o usuário havia solicitado. Os requisitos são as necessidades que devem ser atendidas através do projeto. Tais como: • entrevistas; • dinâmicas de grupo; • oficinas; • técnicas de criatividade em grupo; • técnicas de tomada de decisão em grupo; • questionários e pesquisas; • observações; • protótipos. Um requisito pode ser entendido como alguma entrega que deve ser realizada pelo projeto. Os requisitos devem ser identificados, analisados e registrados de forma apropriada para serem devidamente implementados ao projeto. De acordo com Sommerville (2003), não há consenso sobre qual deve ser o nível de detalhamento de requisitos. Há quem argumente que requisitos são apenas descrições de alto nível e que indiquem o que se pretende. Por outro lado, há quem argumente que deve ser uma especificação com grande nível de detalhes, com um formalismo matemático. As saídas do processo de coletar requisitos são (PMI, 2008): UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 104 • documentação dos requisitos; • plano de gerenciamento dos requisitos; • matriz de rastreabilidade de requisitos. 3 DEFINIR O ESCOPO O desenvolvimento da definição do escopo do projeto relaciona e documenta as características e limites do projeto, bem como os produtos e serviços associados, além dos métodos de aceitação e controle do escopo. Este processo está mais focado na tomada de decisão do que fará e do que não fará parte do escopo do projeto. No processo de coleta de requisitos, tipicamente um grande conjunto de requisitos é obtido, porém nem todos os requisitos que fazem parte da relação são de fato relevantes ao projeto. Os requisitos relacionados são analisados e definidos aqueles que são relevantes e que devem fazer parte do escopo do projeto. As entradas para o processo definir o escopo são (PMI, 2008): • termo de abertura do projeto; • documentação dos requisitos; • ativos de processos organizacionais. Na definição do escopo deve-se levar em consideração os objetivos do projeto e as entregas que deverão ser realizadas para atender às necessidades dos stakeholders. É necessário considerar as características dos entregáveis, que podem ser produtos ou serviços. As seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas na definição do escopo (PMI, 2008): • opinião especializada; • análise do produto; • identificação de alternativas. 4 CRIAR A EAP Uma vez definidos os requisitos do projeto, deve-se desenvolver a estrutura analítica de projeto (EAP). A estrutura analítica de projeto também é comumente referenciada como WBS (Work Breakdown Structure), que é seu termo original na língua inglesa. A criação da EAP é o processo que facilita a decomposição das principais entregas do projeto e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis. A EAP é uma decomposição hierárquica orientada à TÓPICO 2 | ESCOPO 105 entrega do trabalho a ser executado pela equipe, para atingir os objetivos do projeto e criar as entregas necessárias. O processo de criação da EAP possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • declaração do escopo do projeto; • documentação dos requisitos; • ativos de processos organizacionais. A EAP organiza e define o escopo total do projeto. Ela subdivide o trabalho em partes menores e mais facilmente gerenciáveis, em que cada nível descendente representa uma definição cada vez mais detalhada do trabalho a ser realizado. A criação da EAP é um importante processo da área de conhecimento de escopo, pois fornece uma estrutura comum da qual Kerzner (2011) descreve: • o escopo total do projeto pode ser descrito como um somatório de elementos subdivididos; • o planejamento possa ser realizado; • os custos e orçamentos possam ser estabelecidos; • tempo, custos e desempenho possam ser monitorados; • os objetivos possam ser ligados logicamente a recursos da empresa; • possam ser estabelecidos procedimentos para os cronogramas e os relatórios de progresso; • seja possível iniciar a construção de rede e o planejamento de controle; • as designações de responsabilidades para cada elemento possam ser estabelecidas. A figura a seguir apresenta um exemplo de EAP para facilitar o entendimento da estrutura da mesma. A elaboração da EAP é uma atividade que pode envolver diversas pessoas do projeto, cada uma contribuindo com o refinamento de um ou mais grupos de atividades. UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 106 FIGURA 21 – EXEMPLO DE EAP FONTE: PMI (2008) Project Phase 1 Phase 2 Deliverable Subproject 4 Subproject n Deliverable 2.1 Deliverable 2.2 Deliverable 2.3 Deliverable 4.1 Deliverable 4.m Deliverable 2.2.1 Deliverable 2.2.2 Deliverable 4.1.1 Deliverable 4.1.2 Deliverable 4.1.x Work Package 2.2.1.1 Work Package 2.2.1.2 Work Package 2.2.1.3 Work Package 2.2.2.1 Subproject 2.2.2.2 Work Package 2.2.2.2.1 Work Package 2.2.2.2.2 Work Package 3.1 Work Package 3.2 Work Package 3.3 Work Package 3.4 Work Package 4.1.2.1 Work Package 4.1.2.2 Work Package 4.1.2.3 A EAP representa de forma hierárquica o trabalho especificado na declaração do escopo do projeto. Os componentes da EAP auxiliam as partes interessadas a visualizar os entregáveis do projeto. Além de ser uma poderosa ferramenta para facilitar o entendimento detalhado do escopo do projeto, a EAP pode ser utilizada também como meio para entendimento da dimensão do escopo do projeto pelos stakeholders. 5 VERIFICAR O ESCOPO O processo de verificar o escopo tem a finalidade de aumentar a garantia de que as entregas do projeto atendam aos critérios inicialmente definidos. Este é um importante trabalho de acompanhamento que não pode ser desconsiderado ou deixado em segundo plano dentre as atividades de gestão de um projeto. O processo de verificar o escopo possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • documentação dos requisitos; • matriz de rastreabilidade de requisitos; • entregas validadas. TÓPICO 2 | ESCOPO 107 Conforme o PMI (2008), a verificação do escopo é o processo de formalização da aceitação das entregas do projeto. A verificação do escopo implica a revisão dos entregáveis com o cliente/usuário ou patrocinador do projeto para garantir que as entregas do projeto foram realizadas satisfatoriamente. O objetivofundamental do processo de verificação do escopo é obter do cliente/usuário ou patrocinador do projeto o aceite formal dos entregáveis. Para garantia de que o resultado do projeto será aceito é utilizada a ferramenta e técnica de inspeção (PMI, 2008). 6 CONTROLAR O ESCOPO O controle do escopo representa um conjunto de atividades que visam maximizar a entrega do escopo que realmente foi definido e que atenda as necessidades de quem o solicitou. O PMI (2008) descreve que o controle do escopo é o processo de monitoramento da situação do produto do projeto e de mudanças na linha de base do escopo. O processo de controlar o escopo possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • informações sobre o desempenho do trabalho; • documentação dos requisitos; • matriz de rastreabilidade de requisitos; • ativos de processos organizacionais. O controle do escopo do projeto deve garantir que todas as solicitações de mudança e ações corretivas e preventivas sigam o processo de controle integrado de mudanças (PMI, 2008). Conforme você já estudou anteriormente, o controle de mudanças é um processo de grande importância, pois reduz a possibilidade de mudanças de escopo cujos benefícios não sejam relevantes ao projeto. A principal ferramenta e técnica utilizada para este processo é a análise da variação (PMI, 2008). Já as saídas do processo de controle do escopo são (PMI, 2008): • medição do desempenho do trabalho; • atualizações de ativos de processos organizacionais; • solicitações de mudança; • atualizações do plano de gerenciamento do projeto; • Atualizações dos documentos do projeto. 108 RESUMO DO TÓPICO 2 Nesse tópico você estudou que: A área de conhecimento de escopo possui uma série de processos que visam garantir que o trabalho do projeto seja realizado e que apenas o trabalho necessário seja realizado. A coleta de requisitos pode ser realizada com apoio de: • Entrevistas. • Dinâmicas de grupo. • Oficinas. • Técnicas de criatividade em grupo. • Técnicas de tomada de decisão em grupo. • Questionários e pesquisas. • Observações. • Protótipos. Na definição do escopo deve-se ter em mente o objetivo do projeto, para que as entregas que estão em planejamento atendam às necessidades dos stakeholders. A EAP é uma ferramenta simples e poderosa para decomposição do escopo de um projeto. Kerzner (2011) recomenda que o escopo do projeto deve ser estruturado em pequenos elementos, que sejam: • Gerenciáveis de modo que possam ser designadas autoridade e responsabilidade específicas. • Independentes ou com o mínimo de interface e dependência de outros elementos em curso. • Integráveis para que o pacote completo possa ser visualizado. • Mensuráveis em termos de progresso. O processo de verificar o escopo visa à obtenção do aceite formal de que as entregas dos projetos estejam de acordo com o planejamento do projeto. 109 AUTOATIVIDADE Como forma de fixar o conteúdo estudado, realize a autoatividade proposta a seguir: 1 Quais são os processos da área de conhecimentos de escopo? 2 Quais são as entradas do processo de coleta de requisitos? 3 A documentação de requisitos é entrada para qual processo? 4 Qual é a ferramenta e técnica utilizada no processo de verificação do escopo? 110 111 TÓPICO 3 TEMPO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O gerenciamento do tempo do projeto inclui os processos necessários para realizar o término do projeto no prazo definido ou imposto pela situação do projeto (PMI, 2008). O gerenciamento do tempo em projetos de TI é uma atividade de grande importância, fazendo parte das áreas de conhecimento que compreendem a tríplice restrição em projetos. 112 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI FONTE: Adaptado de: PMI (2004) FIGURA 20 – ÁREA DE CONHECIMENTO DE ESCOPO 8. Gerenciamento da qualidade do projeto 11. Gerenciamento de riscos do projeto 9. Gerenciamento de recur- sos humanos do projeto 12. Gerenciamento de aquisições do projeto 4. Gerenciamento de integração do projeto 7. Gerenciamento de custos do projeto 10. Gerenciamento das comunicações do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 4.2 Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto 4.3 Orientar e gerenciar a execução do projeto 4.4 Monitorar e controlar o trabalho do projeto 4.5 Realizar o controle in- tegrado de mudanças 4.6 Encerrar o projeto ou fase 7.1 Estimar os custos 7.2 Determinar o orçamento 7.3 Controlar os custos 10.1 Identificar as partes interessadas 10.2 Planejar as comunica- ções 10.3 Distribuir informações 10.4 Gerenciar expectativas das partes interessadas 10.5 Reportar o desempenho 8.1 Planejar a qualidade 8.2 Realizar a garantia da qualidade 8.3 Controlar a qualidade 11.1 Planejar o gerencia- mento dos riscos 11.2 Planejar os riscos 11.3 Realizar a análise qualitativa dos riscos 11.4 Realizar a análise quantitativa dos riscos 11.5 Planejar as respostas aos riscos 11.6 Monitorar e controlar os riscos 9.1 Desenvolver o Plano de recursos humanos 9.2 Mobilizar a equipe do projeto 9.3 Desenvolver a equipe do projeto 9.4 Gerenciar a equipe do projeto 12.1 Planejar as aquisições 12.2 Realizar as aquisições 12.3 Administrar as aqui- sições 12.4 Encerrar as aquisições 5. Gerenciamento do escopo do projeto 5.1 Coletar os requisitos 5.2 Definição do escopo 5.3 Criar o EAP 5.4 Verificar o escopo 5.5 Controlar o escopo GERENCIAMENTO DE PROJETOS 6. Gerenciamento de tempo do projeto 6.1 Definir as atividades 6.2 Sequenciar as atividades 6.3 Estimar recursos das atividades 6.4 Estimar a duração das atividades 6.5 Desenvolver o crono- grama 6.6 Controlar o cronograma Boa parte dos projetos de TI inicia com uma restrição de prazo de entrega. Logo, se a data de término do projeto tem um limite imposto por necessidades de negócio, é função do gestor de projetos lidar com tal restrição com a devida atenção, fazendo uso de ferramentas e técnicas adequadas. Os processos de gerenciamento de tempo do projeto incluem a definição de atividades, o sequenciamento das atividades definidas, estimativa de recursos para realização das atividades, estimativa de duração das atividades e desenvolvimento do cronograma. Para que isso seja possível, os seguintes processos devem ser realizados (PMI, 2008): TÓPICO 3 | TEMPO 113 • definir atividades; • sequenciar atividades; • estimar recursos da atividade; • estimar durações da atividade; • desenvolver o cronograma; • controlar cronograma. 2 DEFINIR ATIVIDADES Na definição de atividades é realizada a identificação das atividades específicas do cronograma que precisam ser realizadas para produzir as várias entregas do projeto. A ferramenta mais poderosa que pode ser utilizada na definição das atividades é a decomposição, criando uma estrutura analítica de projeto. A figura a seguir apresenta as entradas, ferramentas e técnicas e saídas do processo de definição de atividades. As entradas do processo de definição de atividades são (PMI, 2008): • linha de base do escopo; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. FIGURA 23 – ENTRADAS, FERRAMENTAS E TÉCNICAS E SAÍDAS DE DEFINIÇÃO DE ATIVIDADES FONTE: PMI (2008) A definição de atividades da área de conhecimento de tempo, na realidade, tem uma função mais voltada à definição da duração do projeto. Em se tratando de utilizar a estrutura analítica de projeto como ferramenta, é recomendável que se chegue a pacotes de trabalho com tamanho administrável. Pacotes de trabalho muito pequenos são muito caros para serem acompanhados, e com tamanho muito grande podem tornar difícil a atividade de acompanhamento do progresso do projeto. Asferramentas e técnicas do processo de definição das atividades são (PMI, 2008): • decomposição; • planejamento em ondas sucessivas; 114 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • modelos; • opinião especializada. Uma vez aplicadas as ferramentas e técnicas para definição das atividades, espera-se que sejam obtidas as seguintes saídas (PMI, 2008): • lista das atividades; • atributos das atividades; • lista dos marcos. 3 SEQUENCIAR ATIVIDADES No sequenciamento das atividades são identificadas e documentadas as dependências entre as atividades do cronograma. Embora possa parecer uma atividade simples, ela pode ser decisiva para o processo de controle do projeto. Caso as atividades do projeto não sejam devidamente estruturadas, o processo de acompanhamento do progresso do projeto será prejudicado. O processo de sequenciamento das atividades possui as seguintes entradas (PMI, 2008): • lista das atividades; • atributos das atividades; • lista dos marcos; • declaração do escopo do projeto; • ativos de processos organizacionais. Uma das melhores formas que podem ser utilizadas para determinar o adequado sequenciamento das atividades de um cronograma é o método do diagrama de precedência (MDP). Este método também é conhecido como atividade no nó (ANN). (PMI, 2008). O processo de sequenciamento das atividades possui as seguintes ferramentas e técnicas (PMI, 2008): • método do diagrama de precedência (MDP); • determinação de dependência; • aplicação de antecipações e esperas; • modelos de diagrama de rede de cronograma. No final da atividade de sequenciamento das atividades dos projetos, as saídas esperadas são (PMI, 2008): TÓPICO 3 | TEMPO 115 • diagramas de rede do cronograma do projeto; • atualizações dos documentos do projeto. 4 ESTIMAR RECURSOS DA ATIVIDADE Na estimativa de recursos para a atividade é realizada a estimativa do tipo e das quantidades de recursos necessários para realizar cada atividade do cronograma do projeto. Para realização das estimativas de recursos das atividades, as seguintes entradas são tipicamente fornecidas (PMI, 2008): • lista das atividades; • atributos das atividades; • calendários de recursos; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. O processo de estimativa de recursos para as atividades é relativamente mais subjetivo que outros processos, pois deve levar em consideração diversos aspectos de características para estimar os recursos para uma atividade do projeto. Para facilitar a determinação de recursos para as atividades, as seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas (PMI, 2008): • opinião especializada; • análise de alternativas; • dados publicados para auxílio a estimativas; • estimativa bottom-up; • software de gerenciamento de projetos. Uma vez realizada a atividade de determinação dos recursos para as atividades, geralmente são geradas as seguintes saídas (PMI, 2008): • requisitos do recurso da atividade; • estrutura analítica dos recursos; • atualizações dos documentos do projeto. 116 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 5 ESTIMAR DURAÇÃO DA ATIVIDADE Na estimativa de duração das atividades é estimado o número de períodos de trabalho que serão necessários para terminar as atividades individuais do cronograma. Esta estimativa é realizada sobre cada atividade cujo somatório nos dará a duração total do projeto. Tipicamente as seguintes entradas são fornecidas (PMI, 2008): • lista das atividades; • atributos das atividades; • requisitos dos recursos da atividade; • calendários dos recursos; • declaração do escopo do projeto; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. A estimativa de duração de atividades pode representar um desafio, dependendo da natureza do projeto em questão. Ela é especialmente subjetiva em projetos ou atividades que não possuam parâmetros de medidas ou bases de comparação. Para facilitar o trabalho do gestor de projetos, as seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas (PMI, 2008): • opinião especializada; • estimativa análoga; • estimativa paramétrica; • estimativas de três pontos; • análise das reservas. Concluído o processo de estimativas, as seguintes saídas são obtidas (PMI, 2008): • estimativas da duração da atividade; • atualizações dos documentos do projeto. 6 DESENVOLVER O CRONOGRAMA No desenvolvimento do cronograma é realizada uma análise dos recursos necessários, restrições do cronograma, durações e sequências de atividades para criar o cronograma do projeto. Tomando por base o melhor entendimento do escopo do projeto e a realização de orçamentos, é possível realizar o refinamento do cronograma do projeto. Até este momento do projeto havia apenas uma referência do tempo TÓPICO 3 | TEMPO 117 disponível/viável para o desenvolvimento do projeto. As seguintes entradas são fornecidas (PMI, 2008): • lista das atividades; • atributos das atividades; • diagramas de rede do cronograma do projeto; • requisitos dos recursos da atividade; • calendários dos recursos; • estimativas da duração da atividade; • declaração do escopo do projeto; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. A partir deste momento é necessário fazer o refinamento, em termos de cronograma, nas atividades da fase de execução do projeto. Uma importante fonte para a montagem deste cronograma é a EAP, que possui todo o conjunto de atividades a serem desenvolvidas até o nível desejado. Para o desenvolvimento do cronograma, as seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas (PMI, 2008): • análise da rede do cronograma; • método do caminho crítico; • método da cadeia crítica; • nivelamento de recursos; • análise do cenário “E- se”; • aplicação de antecipações e esperas; • compressão do cronograma; • ferramenta para desenvolvimento do cronograma. Outra importante fonte de informações para a montagem do cronograma são os cronogramas detalhados dos entregáveis que podem ser disponibilizados pelos fornecedores, caso o projeto compreenda terceirização de atividades. A partir do processo de desenvolvimento do cronograma, as seguintes saídas são obtidas (PMI, 2008): • cronograma do projeto; • linha de base do cronograma; • dados do cronograma; • atualizações dos documentos do projeto. 7 CONTROLAR CRONOGRAMA Na atividade de controle do cronograma é registrado o progresso do projeto e controladas as mudanças ocorridas no cronograma. Este processo possui as seguintes entradas (PMI, 2008): 118 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • plano de gerenciamento do projeto; • cronograma do projeto; • informações sobre o desempenho do trabalho; • ativos de processos organizacionais. A atividade de controle do cronograma é fundamental para o estabelecimento de planos de ação no caso de identificação de desvios. Para esta atividade, as seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas (PMI, 2008): • análise de desempenho; • análise da variação; • software de gerenciamento de projetos; • nivelamento de recursos; • análise do cenário “E – se”; • ajuste de antecipações e esperas; • compressão do cronograma; • ferramenta para desenvolvimento do cronograma. Com a realização da atividade de controle do cronograma, espera-se que as seguintes saídas sejam obtidas (PMI, 2008): • medição do desempenho do trabalho; • atualizações de ativos de processos organizacionais; • solicitações de mudança; • atualizações do plano de gerenciamento do projeto; • atualizações dos documentos do projeto. 119 RESUMO DO TÓPICO 3 Nesse tópico você estudou que: • A definição de atividades é um importante passo para a produção das entregasintermediárias, bem como do cronograma do projeto. As atividades, tipicamente, são definidas a partir do uso da decomposição dos objetivos do projeto. • A estimativa de recursos para a atividade considera o tipo de recurso necessário e também as quantidades necessárias para realizar o conjunto de atividades elencadas no cronograma do projeto. • A duração das atividades é estimada a partir de bases de projetos similares ou através da avaliação de especialistas que determinam a quantidade de períodos de trabalho necessários para a realização da entrega daquela atividade do projeto. • O desenvolvimento do cronograma do projeto é baseado na análise dos recursos necessários, o conjunto de restrições existentes no projeto, a duração de cada atividade e a sequência em que tais atividades são realizadas. • O controle do cronograma do projeto é realizado a partir do registro do progresso obtido no espaço de tempo definido contra o planejamento realizado. Devem-se adicionar a isso as mudanças ocorridas para que se tenha uma visão precisa das eventuais variações de cronograma ocorridas no período de análise. 120 Como forma de fixar o conteúdo estudado, realize a autoatividade proposta a seguir: 1 Quais são os processos de gerenciamento do tempo em projetos, de acordo com o PMBOK? 2 A principal causa de fracasso de projetos é de natureza técnica ou comportamental? 3 Quais são as entradas do processo de sequenciamento de atividades? 4 A análise de desempenho é uma ferramenta de qual processo de gerenciamento do tempo em projetos? AUTOATIVIDADE 121 TÓPICO 4 CUSTO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O gerenciamento de custos do projeto trata principalmente do custo dos recursos necessários para terminar as atividades do cronograma. No entanto, o gerenciamento de custos do projeto também deve considerar o efeito das decisões do projeto sobre o custo de utilização, manutenção e suporte do produto do projeto 122 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI FIGURA 24 – ÁREA DE CONHECIMENTO DE INTEGRAÇÃO FONTE: Adaptado de: PMI (2004) A limitação do número de revisões de projeto pode reduzir o custo do projeto, mas poderia aumentar os custos de longo prazo. Essa visão mais ampla do gerenciamento de custos do projeto, muitas vezes, é chamada de estimativa de custos do ciclo de vida. A figura a seguir demonstra os processos de gerenciamento do custo em projetos. A estimativa de custos do ciclo de vida, juntamente com técnicas de engenharia de valor, pode aprimorar a tomada de decisões e é usada para reduzir o custo e o tempo de execução e para melhorar a qualidade e o desempenho da entrega do projeto. 8. Gerenciamento da qualidade do projeto 11. Gerenciamento de riscos do projeto 9. Gerenciamento de recur- sos humanos do projeto 12. Gerenciamento de aquisições do projeto 7. Gerenciamento de custos do projeto 10. Gerenciamento das comunicações do projeto 7.1 Estimar os custos 7.2 Determinar o orçamento 7.3 Controlar os custos 10.1 Identificar as partes interessadas 10.2 Planejar as comunica- ções 10.3 Distribuir informações 10.4 Gerenciar expectativas das partes interessadas 10.5 Reportar o desempenho 8.1 Planejar a qualidade 8.2 Realizar a garantia da qualidade 8.3 Controlar a qualidade 11.1 Planejar o gerencia- mento dos riscos 11.2 Planejar os riscos 11.3 Realizar a análise qualitativa dos riscos 11.4 Realizar a análise quantitativa dos riscos 11.5 Planejar as respostas aos riscos 11.6 Monitorar e controlar os riscos 9.1 Desenvolver o Plano de recursos humanos 9.2 Mobilizar a equipe do projeto 9.3 Desenvolver a equipe do projeto 9.4 Gerenciar a equipe do projeto 12.1 Planejar as aquisições 12.2 Realizar as aquisições 12.3 Administrar as aqui- sições 12.4 Encerrar as aquisições 6. Gerenciamento de tempo do projeto 6.1 Definir as atividades 6.2 Sequenciar as atividades 6.3 Estimar recursos das atividades 6.4 Estimar a duração das atividades 6.5 Desenvolver o crono- grama 6.6 Controlar o cronograma 4. Gerenciamento de integração do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 4.2 Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto 4.3 Orientar e gerenciar a execução do projeto 4.4 Monitorar e controlar o trabalho do projeto 4.5 Realizar o controle in- tegrado de mudanças 4.6 Encerrar o projeto ou fase 5. Gerenciamento do escopo do projeto 5.1 Coletar os requisitos 5.2 Definição do escopo 5.3 Criar o EAP 5.4 Verificar o escopo 5.5 Controlar o escopo GERENCIAMENTO DE PROJETOS 7. Gerenciamento de custos do projeto 7.1 Estimar os custos 7.2 Determinar o orçamento 7.3 Controlar os custos TÓPICO 4 | CUSTO 123 FIGURA 25 – PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE CUSTO FONTE: PMI (2008) Para o registro das informações relativas ao planejamento do gerenciamento de custos deve ser utilizado o plano de projeto. O gerenciamento de custos do projeto inclui os processos envolvidos em planejamento, estimativa, orçamentação e controle de custos, de modo que seja possível terminar o projeto dentro do orçamento definido. Os processos de gerenciamento de custos do projeto incluem (PMI, 2008): • estimar custos; • determinar o orçamento; • controlar custos. O gerenciamento de custos do projeto inclui os processos envolvidos em planejamento, estimativa, orçamentação e controle de custos, de modo que seja possível terminar o projeto dentro do orçamento aprovado (PMI, 2008). 124 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 2 ESTIMAR CUSTOS Na estimativa de custos é desenvolvida uma estimativa dos custos dos recursos necessários para terminar as atividades do projeto. A estimativa do custo total consiste de uma estimativa básica e uma margem de contingência. A estimativa básica consiste de itens cujo custo real, comprometimentos de recursos e gastos serão controlados, isto é, medidos e determinados com base no progresso do projeto. Neste processo, tanto o escopo do item, ou seja, o pacote de trabalho, quanto o custo, ou custo estimado, podem ser especificamente identificados. A estimativa básica não deve incluir contingências ou aumentos excessivos para entidades gerais desconhecidas. As entradas para o processo de estimativa de custos são (PMI, 2008): • linha de base do escopo; • cronograma do projeto; • plano de recursos humanos; • registro dos riscos; • fatores ambientais da empresa; • ativos de processos organizacionais. O custo básico, contudo, deve incluir contingências que estão associadas a um item específico de trabalho, e que se espera, sejam gastas naquele item específico. Exemplos de tais contingências são desenhos de artefatos, que cobrem reajustes devido a revisões esperadas para incluir características, e que podem não ser bem definidos nas especificações iniciais. As ferramentas e técnicas utilizadas no processo de estimativa de custos são (PMI, 2008): • opinião especializada; • estimativa análoga; • estimativa paramétrica; • estimativa “bottom-up”; • estimativas de três pontos; • análise das reservas; • custo da qualidade (CDQ); • software para estimativas em gerenciamento de projetos; • análise de proposta de fornecedor. Após a realização deste processo, é esperado que se tenham as seguintes saídas (PMI, 2008): TÓPICO 4 | CUSTO 125 • estimativas de custos da atividade; • bases de estimativas; • atualizações nos documentos do projeto. 3 DETERMINAR O ORÇAMENTO Na determinação do orçamento é realizada a agregação dos custos estimados de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos. É esta linha de base de custos que será utilizada para o acompanhamento do progresso financeirodo projeto. Um cronograma do projeto pode ser elaborado a partir das informações existentes até este instante de projeto. A ideia básica deste cronograma é dar uma visão na linha do tempo em relação à época em que a conclusão do projeto está estimada. Para o preenchimento do cronograma, as seguintes entradas estão disponíveis (PMI, 2008): • estimativas de custos da atividade; • bases de estimativas; • linha de base do escopo; • cronograma do projeto; • calendários de recursos; • contratos; • ativos de processos organizacionais. A partir do preenchimento da duração das atividades pode-se obter do cronograma uma visão resumida da duração de cada fase do projeto, bem como uma data aproximada de conclusão do mesmo. Neste processo, as seguintes ferramentas e técnicas são utilizadas (PMI, 2008): • agregação de custos; • análise das reservas; • opinião especializada; • relações históricas; • reconciliação do limite de recursos financeiros. As saídas resultantes desse processo são (PMI, 2008): • linha de base do desempenho de custos; • requisitos dos recursos financeiros do projeto. 126 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI 4 CONTROLAR CUSTOS No controle de custos é realizado o controle dos fatores que criam as variações de custos e controle das mudanças no orçamento do projeto. Uma forma macro para entender o controle dos custos é trabalhar com orçamento por período de realização do projeto e comparar os saldos reais com os saldos planejados para o período. São controles diferentes, pois na gestão de projetos tipicamente controla- se apenas o progresso de custos contra os custos planejados. Esta é a comparação que se faz na análise da curva S do projeto. Comparando valor real contra o valor planejado para aquele momento no tempo do projeto. As entradas para o processo de controle de custos são (PMI, 2008): • plano de gerenciamento do projeto; • requisitos dos recursos financeiros do projeto; • informações sobre o desempenho do trabalho; • ativos de processos organizacionais. As ferramentas e técnicas utilizadas no controle dos custos do projeto são (PMI, 2008): • gerenciamento do valor agregado; • previsão; • índice de desempenho para término (IDPT); • análise de desempenho; • análise da variação; • software de gerenciamento de projetos. As saídas desse processo são (PMI, 2008): • medições de desempenho do trabalho; • previsões de orçamentos; • atualizações em ativos de processos organizacionais; • solicitações de mudanças; • atualizações no plano de gerenciamento do projeto; • atualizações nos documentos do projeto. LEITURA COMPLEMENTAR CONTROLE DE CUSTOS O segredo para um controle de custos eficaz é analisar o desempenho de custos de forma regular e pontual. É crucial que as ineficiências e variações de custo sejam identificadas a tempo, de modo que uma ação corretiva possa ser tomada antes que a situação piore. Uma vez que os TÓPICO 4 | CUSTO 127 custos do projeto estejam fora do controle, pode ser muito difícil concluir o projeto dentro do orçamento. O controle de custo envolve as seguintes etapas: 1. Análises do desempenho de custo para determinar quais pacotes de trabalho possam exigir uma ação corretiva. 2. Decisão de qual ação corretiva específica deve ser tomada. 3. Revisão do plano do projeto, incluindo as estimativas de custo e tempo, para incorporar a ação corretiva planejada. A análise de desempenho de custo deve incluir a identificação dos pacotes de trabalho que tenham uma variação de custo VC negativa ou índice de desempenho de custos IDC menos que 1,0. Além disso, devem ser identificados os pacotes de trabalho para os quais a VC e o IDC tenham piorado desde o período de relatório anterior. Um esforço concentrado deve ser aplicado aos pacotes de trabalhos de variações negativas, a fim de reduzir ou melhorar a eficiência do desempenho de trabalho. O valor da VC tem de determinar a prioridade para aplicação desses esforços concentrados, ou seja, deve ser dada a prioridade absoluta ao pacote de trabalho com menor VC negativa. Ao avaliar os pacotes de trabalho que tenham uma variação de custo negativa, você deve se concentrar na tomada de ações corretivas para reduzir os custos de dois tipos de atividades: 1. Atividades que serão realizadas próximas. Não planeje reduzir os custos das atividades agendadas para um futuro distante. Você terá um feedback mais adequado do efeito das ações corretivas se elas forem feitas em curto prazo. Se você posterga ações corretivas para um futuro distante, a variação de custo negativa pode piorar ainda mais, antes que as ações corretivas sejam implementadas. Conforme o projeto avança, sobra cada vez menos tempo para que as ações corretivas possam ser tornadas. 2. Atividades que tenham uma grande estimativa de custo. Adotar medidas corretivas que reduzam o custo de uma atividade de US$ 20.000 em 10% terá maior impacto do que eliminar uma atividade de R$ 300. Normalmente, quanto maior o custo estimado para atividade, maior a oportunidade para grande redução de custo. Existem várias maneiras de reduzir os custos das atividades. Uma delas é preferir materiais menos caros, mas que cumpram com as especificações exigidas. Talvez possa ser encontrado em outro fornecedor que tenha o mesmo material por preço mais baixo. Outra alternativa é designar uma pessoa com maior habilidade ou experiência para realizar a atividade ou ajudar para que esta seja feita com mais eficiência. 128 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI Reduzir o escopo ou os requisitos para o pacote de trabalho ou atividades específicas é outra maneira de reduzir os custos. Por exemplo, um empreiteiro pode decidir passar somente uma camada de tinta em um cômodo em vez de duas, como planejado, originalmente. Aumentar a produtividade por meio de melhores métodos de tecnologia é também outra alternativa para reduzir os custos. Por exemplo, ao alugar um equipamento pulverizador de tinta automática, o empreiteiro pode reduzir substancialmente o custo e o tempo de pintura de um cômodo a um valor mais baixo do que se os pintores utilizassem rolos e pincéis. Em muitos casos, haverá uma compensação entre tempo e custo – reduzir as variações de custos envolverá a redução do escopo do projeto ou o atraso do cronograma. Se a variação de custo negativa é muito grande, pode-se exigir uma redução substancial da quantidade ou escopo do trabalho para ajustar o projeto de volta ao orçamento. O escopo, o orçamento, o cronograma e a qualidade de todo o projeto poderiam correr riscos. Em alguns casos, o cliente e o fornecedor ou a equipe do projeto podem ter de reconhecer que um ou mais desses elementos não podem ser alcançados. Isso poderia resultar em capital adicional providenciado pelo cliente para cobrir orçamento ultrapassado previsto ou também resultar em uma discussão contratual sobre quem causou o excesso de custos e quem deve pagar por ele – o cliente ou o fornecedor. O segredo para um controle de custos eficaz é tratar agressivamente as variações de custos negativas e as ineficiências de custo tão logo sejam identificadas, em vez de esperar que as coisas melhorem à medida que o projeto avança. Problemas de custos resolvidos rapidamente terão menos impacto sobre o escopo e o cronograma. Uma vez que os custos estejam fora do controle, para voltar ao orçamento é provável que seja necessária a redução de escopo do projeto ou a prorrogação do cronograma do projeto. Até mesmo quando os projetos têm somente variações de custos positivas é importante não deixar que saiam do controle. Se o desempenho de custo de um projeto é positivo, deve ser feito um esforço concentrado para mantê-lo dessa forma. Quando um projetoapresenta problemas com o desempenho de custos, fica difícil ajudá-lo novamente. FONTE: GIDO, Jack; CLEMENTS, James P. Gestão de projetos. São Paulo: Cengage Learning, 2011, p. 257- 259. 129 RESUMO DO TÓPICO 4 Nesse tópico você estudou que: • O gerenciamento de custos do projeto visa à obtenção do valor a ser investido no projeto com detalhamento de quando estes valores precisarão estar disponíveis. Este valor investido, tipicamente, está distribuído de maneira uniforme com o progresso ou força de trabalho empenhada no projeto. • O processo de estimativa de custos pode ser uma atividade complexa caso os valores não possam ser determinados a partir de dados objetivos. A subjetividade pode comprometer a alocação de custos acima ou abaixo do necessário para o projeto. • O cronograma do projeto representa uma importante entrada para o processo de determinação do orçamento. • O controle de custos é realizado a partir dos valores efetivamente pagos a partir do caixa do projeto, bem como a partir da linha de valor planejado da curva S. 130 Como forma de fixar o conteúdo estudado, realize a autoatividade proposta a seguir: 1 Em qual documento de projeto devem ser registradas informações relativas ao planejamento do gerenciamento de custos do projeto? 2 Quais são os processos de gerenciamento de custos de projetos? 3 Relacione duas recomendações para o adequado controle dos custos do projeto. 4 Quais são as ferramentas e técnicas utilizadas para o controle dos custos? AUTOATIVIDADE 131 TÓPICO 5 GERENCIAMENTO DE INCIDENTES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Conforme descrito na Unidade 1 deste Caderno de Estudos, realizar a Gestão dos Serviços de TI é uma tarefa que exige muita organização, preparo e empenho por parte dos gestores, equipes de TI e usuários. Entretanto, é sabido que somente estes esforços não são suficientes para realizar uma plena gestão dos recursos e serviços da TI, pois eles devem ser fortemente apoiados por métodos de gerenciamento considerados vencedores. Estes métodos, mais conhecidos como “melhores práticas” (ITIL, 2011), servem para dar esta sustentação a que nos referimos em relação aos conhecimentos, procedimentos e ideias aplicáveis, para assim realizar as ações cabíveis nos mais diversos casos em torno da gestão dos serviços de TI. Conforme Magalhães e Pinheiro (2007), os clientes, que são o principal foco nesta prestação de serviços, esperam receber destes serviços determinados níveis de retornos e que estes venham a se caracterizar como fatores-chave para satisfação, a saber: • Serviços e produtos superiores. • Equipe de venda e entrega de serviços e produtos altamente capacitada. • Processos de suporte rápidos, baratos e eficazes. Desta forma, o cliente de TI necessita de: • Especificação – saber de antemão o que irá receber. • Conformidade – a solução deve atender à especificação. • Consistência – a cada interação o comportamento deve ser idêntico. • Mais valor pelo seu dinheiro – o preço pago deve ser justo pelo produto ou serviço recebido. Conforme descrito na ITIL (2011), o escopo do gerenciamento de incidentes é muito amplo e pode incluir aspectos que afetem os serviços ao cliente, tais como: • Falha de hardware • Erro de software • Solicitações de informações • Solicitação de mudança de equipamento • Troca de senha 132 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Novos funcionários • Solicitação de suprimentos • Problemas de desempenho A figura a seguir apresenta em sua estrutura os elementos de entrada e saída do processo de Gerenciamento de Incidentes: FIGURA 26 – PROCESSO DE GESTÃO DE INCIDENTES FONTE: Disponível em: <http://www.impulsewear.com.br/consultoriaitil/gerproblema.html>. Acesso em: 18 ago. 2013. Na ocorrência de um incidente, os serviços destinados para o seu gerenciamento devem estar direcionados a produzir as respostas de forma eficiente e eficaz, ou seja, os níveis de serviços que os negócios demandam. O monitoramento destes recursos de TI deve ser constante e, se necessário, deverá ser escalonado em um nível superior para prover sua resolução. O gerenciamento deste processo deve ser apoiado por ferramentas que façam a detecção das eventuais ocorrências e, assim, possam possibilitar a rápida administração das soluções. Este é considerado um processo reativo, pois as ações somente serão iniciadas a partir do momento em que um incidente for registrado por uma pessoa. Apresentamos a seguir alguns importantes termos e conceitos implícitos que são utilizados nos diversificados processos de gerenciamento de serviços de TI, conforme descrição da ITIL (2011). Estas definições facilitarão a compreensão TÓPICO 5 | GERENCIAMENTO DE INCIDENTES 133 sobre o ambiente da tecnologia da informação e as nomenclaturas dos elementos que a compõem. O que é um ciclo de vida de um serviço de TI? Segundo Magalhães e Pinheiro (2007), representam as diversas fases em que um serviço pode se encontrar e que podem ser explicadas da seguinte forma: • Requerimento – o cliente demanda à área de Tecnologia da Informação a criação de um serviço, que será apoiado por componentes da infraestrutura de TI. • Política – a área possui políticas a serem observadas para o atendimento à demanda do cliente, repercutindo em uma estratégia para a realização do atendimento à demanda do cliente. • Estratégia – a área de TI elabora a estratégia para atendimento à demanda do cliente, definindo os fatores críticos de sucesso e os indicadores a serem utilizados para monitoramento do serviço a ser aprovisionado, a qual servirá de base para a elaboração do plano de entendimento à demanda do cliente. • Plano – descreve como será feito o atendimento à demanda do cliente, detalhando os componentes da infraestrutura de TI a serem envolvidos. • Validação – é realizada uma validação do plano de atendimento à demanda do cliente, verificando o perfeito atendimento às necessidades deste e à composição de componentes da infraestrutura de TI a ser utilizada para disponibilizar o serviço requerido. • Implementação – é realizada a instalação e a configuração dos componentes de infraestrutura de TI que irão suportar o atendimento à demanda do cliente, sendo, ao final, validada pelo usuário do serviço disponibilizado. • Operação – o serviço é disponibilizado e os usuários passam a interagir com ele. É o dia a dia do serviço disponibilizado, durante toda a sua vida útil, ou seja, até que ele não seja mais necessário ao negócio. Os problemas que surgem são direcionados e resolvidos, procurando-se manter o nível de desempenho do serviço acordado com o cliente. • Obsolescência – o fim da vida útil do serviço indica que o serviço já não é mais necessário para o negócio ou o custo de manutenção não mais compensa a manutenção em operação, justificando a sua retirada ou renovação. FONTE: Disponível em: <http://desmontacia.wordpress.com/2011/03/24/ciclo-de-vida-do-ser- vio-de-ti/>. Acesso em: 10 set. 2013. 134 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI O que é uma requisição de serviço? É um pedido de informações sobre a TI ou alguma solicitação em que não seja necessário o uso da RDM. Representam as questões mais simples, como a troca ou reset de uma senha. O que é uma RDM? Conforme a ITIL (2011), uma requisição de mudança é uma solicitação de mudança em algum IC e que tem por principal característica controlar todo o processo devido à sua complexidade e riscos envolvidos. A RDM pode ser feita através de documento eletrônico ou papel, mas deve prezar pelo detalhamento das atividades a serem desenvolvidas em torno da mudança solicitada. Deve prever inclusive, em caso de insucesso, o retorno à situaçãooriginal em que se encontrava antes da aplicação da mudança, isso para não afetar os serviços da organização. O que é BDEC? Segundo Magalhães e Pinheiro (2007, p. 612), “BDEC é uma base de dados que contém os detalhes relevantes de cada IC (Item de Configuração) da infraestrutura de TI e das mais importantes relações entre eles”. O que é um evento? É um aviso emitido por uma ferramenta de monitoração, um serviço ou item de configuração para determinar que ocorreu algo fora da normalidade e que requer uma ação do pessoal de infraestrutura. O que é um erro conhecido? Erro conhecido (know error) é a causa de um problema já conhecido, resultante da análise realizada anteriormente. Os erros conhecidos são armazenados no BDEC (Banco de Dados de Erros Conhecidos) e utilizados para agilizar o atendimento aos incidentes que apresentam os mesmos sintomas dos que levaram à definição e ao registro do erro conhecido. (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007 apud MARTINS, 2012, p. 20). O que é um alerta? É uma notificação ou advertência gerada por uma ferramenta que faz o monitoramento de algum IC para avisar sobre o seu estado, que está próximo de atingir o seu limite aceitável. Podemos exemplificar com a ocupação de espaço em disco, quando uma ferramenta de monitoramento detectar que esta atingiu TÓPICO 5 | GERENCIAMENTO DE INCIDENTES 135 os 80%, então envia uma notificação de alerta sobre este ocorrido. Alertas não são considerados incidentes. O que é um incidente? É toda interrupção não programada nos serviços e/ou itens de configuração da organização. Também é considerado incidente o fornecimento inadequado de serviços ou produtos de TI que perderam ou reduziram sua qualidade em função de alterações no ambiente operacional. Assim, podemos usar um exemplo do link de internet que vai perdendo sua performance devido ao acréscimo de vários usuários na mesma rede e que a capacidade instalada não suporta a demanda. O que é um problema? É a causa raiz dos incidentes. No exemplo sobre o incidente, “link de internet lento”, verificou-se que a causa que motivou o incidente foi o aumento da demanda por este serviço, então, diz-se que este é o problema. O que é workaround (solução de contorno)? É prover uma solução temporária para resolução das dificuldades ou situações que se apresentam no dia a dia. Soluções de contorno devem ser documentadas. Para Magalhães e Pinheiro (2007, p. 135), “situação de contorno é um método de evitar os efeitos para o usuário de um incidente ou um problema em um serviço de TI, por meio da implantação de uma solução temporária, previamente definida pelo processo de Gerenciamento de Problema”. 2 OBJETIVOS DO GERENCIAMENTO DE INCIDENTE A principal meta do processo de Gerenciamento de Incidentes é prover a garantia da rápida restauração dos serviços para que estes não gerem impactos negativos nas atividades de negócio da empresa, levando em consideração dois importantes aspectos, que são a qualidade e a disponibilidade dos serviços de TI. Os avisos sobre estes incidentes podem ter origem através de chamados registrados pelos usuários na central de serviços ou pelas ferramentas que fazem o monitoramento dos itens de configuração. 136 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI Conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 132), O processo de Gerenciamento de Incidentes tem por objetivo assegurar que, depois da ocorrência de um incidente, o serviço de TI afetado tenha restaurada a sua condição original de funcionamento o mais breve possível, minimizando os impactos decorrentes do efeito sobre o nível de serviço ou, até mesmo, da indisponibilidade total. Ainda conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 133), os objetivos do processo de Gerenciamento de Incidente são: • Resolver o incidente do modo mais rápido possível, ao menos dentro do tempo estabelecido pelo Acordo de Nível de Serviço celebrado com a área-cliente do serviço de TI. • Minimizar a adversidade do impacto ocasionado pelo incidente sobre as operações de negócio. • Manter a comunicação entre a área de TI e suas áreas usuárias sobre o estado do incidente (escalonamento, tempo estimado para a resolução, solução de contorno etc.). • Avaliar um incidente para determinar se é possível que volte a ocorrer ou se é um sintoma de um problema crônico. Se for isto, informar à equipe de Gerenciamento de Problemas a respeito. A ITIL (2011) descreve alguns elementos que devem ser tratados no gerenciamento de incidentes, como: • Limites de tempo – é um acordo que determina o tempo em que o serviço deve ser restaurado. • Modelos de incidentes – é um passo a passo da resolução do incidente, garantindo apresentar a solução dentro do limite de tempo. • Incidentes graves – determina procedimentos separados para a resolução de incidentes graves, cuja urgência é maior. É prevista uma sequência de passos para prover o gerenciamento de incidentes, como mostrado na figura e descrita a seguir: TÓPICO 5 | GERENCIAMENTO DE INCIDENTES 137 FIGURA 27 – EXEMPLO DE PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE INCIDENTE FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 137) • Identificação – é a partir da identificação que se inicia o atendimento do incidente. • Registro – todos os incidentes devem ser registrados de alguma forma, normalmente são providos sistemas especializados para as entradas dos dados, como: data, hora, solicitante, tipo de incidente, entre outros. • Classificação – é necessário separar os tipos de ocorrências para que seja mais fácil contabilizar as estatísticas, para prover o melhor gerenciamento. • Priorização – deve-se atribuir maior ou menor prioridade conforme o impacto e a urgência do serviço em relação às necessidades do cliente. Assim, os incidentes de maior impacto e maior urgência deverão ser atendidos por primeiro, mesmo que eles tenham chegado à fila de espera depois de outros incidentes. • Diagnóstico – é a primeira análise feita pela central de serviços na tentativa de verificar os sintomas que estão afetando o serviço. 138 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Escalonamento – é repassar o incidente para um nível superior quando não for possível resolvê-lo na instância alocada. Lembrando que este movimento de escalação também deverá obedecer a um tempo estipulado. FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 137). Conforme podemos observar na figura a seguir, o escalonamento segue uma hierarquia que deve obedecer aos acordos realizados entre as equipes de TI e com os clientes e usuários. Após análise do incidente, caso não seja da competência de seu nível, as equipes de TI devem passar para o próximo nível. FIGURA 28 – ESCALONAMENTO PARA RESOLUÇÃO DE INCIDENTES FONTE: Disponível em: <http://www.devmedia.com.br/gerenciamento-de-incidentes-itil/7174>. Acesso em: 18 ago. 2013. • Investigação e diagnóstico – é um nível de investigação das equipes de suporte para determinação das causas que geraram erro para gerar um diagnóstico. • Resolução e recuperação – aplicar uma solução e verificar os resultados. • Fechamento – deve-se fazer toda a documentação relacionada com o incidente, apontando a solução, data e horário de encerramento e, um dos pontos mais importantes, coletar informações sobre a opinião do cliente a respeito do atendimento. TÓPICO 5 | GERENCIAMENTO DE INCIDENTES 139 QUADRO 2 – CICLO DE VIDA DE UM INCIDENTE ESTADO DESCRIÇÃO Novo Ao ser registrado, o incidente assume o estado de “NOVO”. Aceito Após uma primeira análise e a classificação em relação à sua prioridade, o incidente passa ao estado de “ACEITO”. Programado O incidente aceito já está “PROGRAMADO” para atendimento, ou seja, encontra-se na fila de atendimento, esperandoa definição de um analista para execução do atendimento técnico. Atribuído O incidente já foi atribuído a um técnico responsável. Em andamento O trabalho de investigação e diagnóstico da causa do incidente já foi iniciado. Em espera O trabalho de investigação e diagnóstico da causa de um incidente foi interrompido. Resolvido A solução permanente ou de contorno foi implementada e o serviço de TI afetado, restabelecido. Encerrado A equipe da Central de Serviços contatou o usuário que comunicou o incidente e obteve a confirmação da restauração do serviço de TI. FONTE: Adaptado de: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 139) Conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 139), “um incidente, ao ser tratado pelo processo de Gerenciamento de Incidentes, pode assumir diversos estados ao longo de sua vida”. O quadro a seguir apresenta uma proposta de ciclo de vida para um incidente. Magalhães e Pinheiro (2007) colocam como pontos de grande importância para o registro de incidentes: • Localizar o incidente ao longo do seu ciclo de vida. • Adicionar informação útil que possa auxiliar, informar ou assistir a equipe de suporte técnico, objetivando encontrar a solução permanente ou uma solução de contorno. • Registrar informações para formação de histórico para uso futuro. • Colecionar informação sobre a quantidade de incidentes, eficiência na resolução, disponibilidade dos serviços de TI e análise de tendências para utilização pelos outros processos definidos na ITIL. A seguir são mostradas as responsabilidades do gerente de incidentes: Papéis do gerente de incidentes 140 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI São consideradas responsabilidades do gerente de incidentes o gerenciamento das equipes de suporte de primeiro e segundo níveis, a geração dos relatórios sobre os atendimentos nos níveis e, principalmente, o gerenciamento dos casos graves. Segundo a ITIL (2011), o Gerenciamento de Incidentes tem relacionamento com outros processos de gerenciamento, mas principalmente com: • Gerenciamento de Configuração – pois lida diretamente com os ICs e as configurações dos recursos de TI. • Gerenciamento de Problemas – pois todos os incidentes com causa desconhecida são roteados para o Gerenciamento de Problemas. • Gerenciamento de Mudanças – é preciso saber quais mudanças estão sendo processadas, pois este processo pode ser o causador dos incidentes se uma mudança não foi executada corretamente. 141 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico vimos que: • A Gestão dos Serviços de TI é uma tarefa que exige muita organização, preparo e empenho por parte dos gestores, equipes de TI e usuários. Devem ser fortemente apoiados por métodos considerados vencedores, conhecidos como “melhores práticas”. Com isso, se evitam alguns problemas com usuários e os prejuízos financeiros. São esperados das equipes de suporte: • Serviços e produtos superiores. • Equipes de venda e entrega de serviços e produtos altamente capacitadas. • Processos de suporte rápidos, baratos e eficazes. • Ciclo de vida de um serviço de TI, que representam as diversas fases em que um serviço pode se encontrar e que podem ser explicadas através do “Requerimento”, “Política”, “Estratégia”, “Plano”, “Validação”, Implementação”, “Operação” e “Obsolescência”. • Importantes conceitos de “Evento”, “Erro Conhecido”, “Alerta”, “Incidente”, “Problema” e “Workaround”. • A principal meta do processo de Gerenciamento de Incidentes é prover a garantia da rápida restauração dos serviços para que estes não gerem impactos negativos nas atividades de negócio da empresa, levando em consideração dois importantes aspectos, que são a qualidade e a disponibilidade dos serviços de TI. Assim, o Gerenciamento de Incidente deve: • Resolver o incidente do modo mais rápido possível. • Minimizar a adversidade do impacto nas operações de negócio. • Manter a comunicação sobre o estado do incidente. • Avaliar se o incidente é um problema crônico. • O processo do Gerenciamento de Incidentes começa pela identificação, registro, classificação, priorização, diagnóstico, escalonamento, investigação e diagnóstico, resolução e recuperação, fechamento. • Os pontos de grande importância para o registro de incidentes são: • Localizar o incidente ao longo do seu ciclo de vida. • Adição de informação útil. 142 • Registrar informações para formação de histórico para uso futuro. • Informação sobre a quantidade de incidentes, eficiência na resolução, disponibilidade dos serviços de TI. • As responsabilidades do Gerente de Incidentes é o gerenciamento das equipes de suporte de primeiro e segundo níveis, a geração dos relatórios sobre os atendimentos dos casos graves. 143 1 Qual é o principal objetivo do Gerenciamento de Incidentes? 2 Diferencie incidente de problema. 3 Quais são as etapas do processo de Gerenciamento de Incidentes? 4 Explique o que é workaround. 5 Explique o processo de escalonamento. AUTOATIVIDADE 144 145 TÓPICO 6 GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO De acordo com Fernandes e Abreu (2008, p. 292), “o Gerenciamento de Problemas visa minimizar os impactos adversos de incidentes e problemas para o negócio, quando são causados por falhas na infraestrutura de TI, assim como prevenir que incidentes relacionados a estas falhas ocorram novamente”. Pode ter uma atuação reativa ou proativa. Todos os problemas devem ser registrados no BDEC (Banco de Dados de Erros Conhecidos), para que um efetivo controle sobre ele possa ser realizado. Esta base faz parte do SGCS (Sistema de Gerenciamento do Conhecimento de Serviço). A estrutura demonstrada na Figura 29, a seguir, apresenta os elementos de entrada e saída envolvidos na gestão de problemas. 146 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI FIGURA 29 – PROCESSO DE GESTÃO DE PROBLEMAS FONTE: Disponível em: <http://www.impulsewear.com.br/consultoriaitil/gerproblema.html>. Acesso em: 18 ago. 2013. Segundo a ITIL (2011), o processo de Gerenciamento de Problemas requer as seguintes entradas: • Registros de incidentes e detalhes sobre eles. • Erros conhecidos. • Informação sobre os ICs a partir do BDGC. • Informação de outros processos (por exemplo: Gerenciamento do Nível de Serviço provê informação sobre os prazos a serem cumpridos, o Gerenciamento de Mudanças provê informação sobre as mudanças recentes que podem ser parte do erro conhecido). As saídas do processo conforme ITIL (2011) são: • RDMs (Requisições de Mudança) para começar o processo de mudança para resolver os erros conhecidos. • Informação gerencial. • Soluções de contorno. • Erros conhecidos. • Atualização dos registros de problemas e registro de problemas resolvidos quando o erro conhecido for resolvido. TÓPICO 6 | GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS 147 O Gerenciamento de Problemas, segundo a biblioteca ITIL (2011), tem quatro atividades primárias: • Controle de problemas. • Controle de erros. • Gerenciamento proativo de problemas. • Finalização da revisão dos problemas graves. Basicamente, as duas atividades principais, Controle de Problemas e Controle de Erros, têm duas finalidades: a primeira é identificar a causa raiz e a solução definitiva, a segunda é acompanhar a remoção do erro passando por uma gestão de mudanças. Controle de problemas Este subprocesso é responsável pela identificação da causa raiz dos problemas, identificando uma solução definitiva. As principais atividades do Controle de Problemas são: • Identificação e registro de problemas - Alguns problemas podem ser identificados por processos que não sejam o Gerenciamento de Problemas (exemplo: Gerenciamento da Capacidade).• Classificação dos problemas - Esta atividade centra em entender o impacto sobre os níveis acordados de serviços relacionados ao problema. A classificação do problema é similar ao Incidente (impacto, urgência, prioridade). • Investigação e diagnóstico de problemas - Este é o passo onde entendemos qual é a causa do problema. Este passo é diferente do Gerenciamento de Incidentes, onde lá o foco é na restauração rápida do serviço. • Requisição de mudança, solução e fechamento dos problemas. A figura a seguir apresenta o fluxo de atividades dentro do controle de problemas. 148 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI FIGURA 30 – CONTROLE DE PROBLEMAS FONTE: Disponível em: <http://dc122.4shared.com/doc/jTcIH22x/preview.html>. Acesso em: 18 ago. 2013. Controle de erros O controle de erros é um processo pelo qual os erros conhecidos são pesquisados e corrigidos. A requisição de mudança vem como uma subatividade e é submetida ao Gerenciamento de Mudanças onde a aprovação da mudança é acionada. FONTE: Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/informatica/artigos/46979/contro- le-de-erros-no-processo-de-gerenciamento-de-problemas>. Acesso em: 10 set. 2013. TÓPICO 6 | GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS 149 FIGURA 31 – CONTROLE DE ERROS FONTE: Disponível em: <http://dc122.4shared.com/doc/jTcIH22x/preview.html>. Acesso em: 18 ago. 2013. Uma solução estruturada para a remoção de um erro da infraestrutura deverá passar pelas seguintes etapas: FIGURA 32 – ETAPAS DE SOLUÇÃO DE ERROS FONTE: O autor Erro na infraestrutura Solução estruturada Incidentes Problema Erro conhecido RFC Conforme já mencionamos anteriormente, a partir do momento em que é registrado o erro conhecido, deve ser aberta uma requisição de mudança para filtrar, analisar e acompanhar a mudança na infraestrutura, com menor impacto e risco para o ambiente de produção. Gerenciamento proativo de problemas O Gerenciamento Proativo de Problemas foca na análise de dados coletados de outros processos e seu objetivo é definir quais são os possíveis “problemas”. Estes problemas são passados para o Controle de Problemas e Erros, se eles já aconteceram. 150 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI As atividades incluem: Análise das tendências Alguns exemplos: • Ocorrência de problemas específicos após determinada mudança. • Pequenas falhas de um mesmo tipo. • Falhas recorrentes com determinado equipamento. • Necessidade de melhor treinamento dos usuários e documentação. Ações preventivas Alguns exemplos: • Utilizar o “pain factor” (fator da dor) dos incidentes para direcionar recursos. • Realização das revisões dos maiores problemas. O foco principal do Gerenciamento de Problemas Proativo é redirecionar os esforços que estão atuando sempre em ações reativas, para prevenção proativa de incidentes que poderão ocorrer. O ideal é que a equipe tenha condições de trabalhar 80% em atividades reativas e pelo menos 20% em atividades proativas. Caso haja muita carga de trabalho, não será possível conseguir as vantagens da proatividade, para isto é muito importante que se faça o dimensionamento da carga, pois, caso contrário, não serão obtidas todas as vantagens deste processo. FONTE: Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/Artigo/Imprimir/47119>. Acesso em: 10 set. 2013. A figura a seguir apresenta as atividades da fase reativa para a fase proativa. TÓPICO 6 | GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS 151 FIGURA 33 – ATIVIDADES DA FASE REATIVA PARA A FASE PROATIVA FONTE: O autor Revisão dos problemas graves Ao final do ciclo de um problema grave, deve haver uma revisão para poder aprender: • O que deu certo? • O que fizemos de forma diferente? • Que lições podem ser tiradas da resolução deste problema? 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE PROBLEMA São alguns dos objetivos do Gerenciamento de Problema: • Reduzir o número de ocorrências de incidentes de uma forma geral. • Controlar e reduzir os impactos aos negócios em função da ocorrência de problemas. • Empreender ações de proatividade nas questões de incidentes e problemas. Para Magalhães e Pinheiro (2007, p. 148), o processo de Gerenciamento de Problema busca eliminar, de forma permanente, os problemas e os incidentes repetitivos que afetam a infraestrutura de TI e, consequentemente, a prestação dos serviços de TI 152 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI à organização dentro dos níveis de serviços acordados, com a finalidade de oferecer serviços de TI mais estáveis e reduzir o impacto sobre a produtividade das áreas cliente e do negócio de uma forma ampla. Ainda conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 148), um processo sólido de Gerenciamento de Problema é focado tanto na solução de problemas decorrentes de um ou mais incidentes, atuação reativa, quanto na identificação e na resolução de problemas e erros conhecidos antes que os incidentes ocorram, forma proativa. Há um grande relacionamento entre os processos de Gerenciamento de Problema e o de Gerenciamento de Incidente. Observe o fluxo a seguir que ilustra esta integração: FIGURA 34 – INTEGRAÇÃO COM O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE INCIDENTE FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 150) Conforme Magalhães e Pinheiro (2007), o Gerenciamento de Problema difere do processo de Gerenciamento de Incidente, pelo fato de sua principal meta ser a descoberta das causas subjacentes de um incidente e a solução subsequente delas, assim como ações de prevenção da repetição de sua ocorrência. A preocupação do processo de Gerenciamento de Problema é o de gerenciar de maneira rápida, eficiente e econômica os problemas. Uma solução de Detecção do Incidente Registro do Incidente Classificação do Insidente Diagnóstico do Insidente Resolução do Insidente Recuperação do Serviço de TI Encerramento do Insidente Gerenciamento de Problema TÓPICO 6 | GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS 153 contorno pode ser informada para que a central de serviços possa proporcionar uma solução mesmo que temporária. A figura a seguir apresenta as etapas do Processo de Gerenciamento de Problemas: FIGURA 35 – PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE PROBLEMA FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 154) Início De acordo com Magalhães e Pinheiro (2007, p. 154), se um problema é identificado para um incidente ou um grupo de incidentes, verifica-se a disponibilidade de uma solução de contorno, com o devido registro das soluções de contorno do problema pelo processo de Gerenciamento de Problema, conforme itens a seguir: • Identificador – deve ser associado ao problema um identificador único. • Categoria – para identificar o local onde o problema foi encontrado, informa-se a categoria; por exemplo: problemas de servidor, rede, memória, sistema etc. • Severidade – impacto do problema, normalmente a severidade é descrita como alta, média ou baixa. • Prioridade – ordem em que os problemas serão resolvidos. • Resumo do Problema – descrição breve e pontual sobre qual o problema encontrado. 154 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Descrição – descrição detalhada do problema e como foi encontrado, garantindo a reprodução mais rápida do problema na hora da correção. • Comunicado por – identificação de quem registrou o problema. • Responsável – para quem o problema será encaminhado para ter a solução. • Estado – situação em que o problema se encontra (aberto, resolvido, rejeitado, fechado, cancelado, excluído). Consiste na máquina de estados do registro do problema. • Solução de contorno – descrição da solução de contorno. • Resolução – descrição da soluçãodefinitiva para o problema. • Número da solicitação de mudança – código da solicitação de mudança. • Estado da solicitação de mudança – estado da solicitação de mudança no processo de Gerenciamento de Mudança. A figura a seguir apresenta o ciclo de vida de um problema. FIGURA 36 – CICLO DE VIDA DE UM PROBLEMA FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 157) TÓPICO 6 | GERENCIAMENTO DE PROBLEMAS 155 A seguir são mostradas as responsabilidades do gerente de problema. Papel do gerente de problema O gerente de problemas deve acompanhar as equipes de resolução de problemas para assegurar que elas cumpram a resolução dos problemas dentro do ANS. Garantir a integridade de teor de informação do BDEC. Deve garantir que os registros de todos os erros conhecidos sejam feitos. 156 RESUMO DO TÓPICO 6 Neste tópico vimos que: • O Gerenciamento de Problemas visa minimizar os impactos adversos de incidentes e problemas para o negócio, quando são causados por falhas na infraestrutura de TI, assim como prevenir que incidentes relacionados a estas falhas ocorram novamente. Pode ter uma atuação reativa ou proativa. • Todos os problemas devem ser registrados no BDEC (Banco de Dados de Erros Conhecidos). • O processo de Gerenciamento de Problemas requer as seguintes entradas: • Registros de incidentes e detalhes sobre eles. • Erros conhecidos. • Informação sobre os ICs a partir do BDGC. • Informação de outros processos (por exemplo: Gerenciamento do Nível de Serviço), • Gerenciamento de Mudanças. E as saídas são: RDMs (Requisições de Mudança) para começar o processo de mudança para resolver os erros conhecidos. • Informação gerencial. • Soluções de contorno. • Erros conhecidos. • Atualização dos registros de problemas e registro de problemas resolvidos quando o erro conhecido for resolvido. • O Gerenciamento de Problemas tem quatro atividades primárias: • Controle de problemas. • Controle de erros. • Gerenciamento proativo de problemas. • Finalização da revisão dos problemas graves. • O Controle de problemas é um subprocesso responsável pela identificação da causa raiz dos problemas, identificando uma solução definitiva. • As principais atividades do controle de problemas são: • Identificação e registro de problemas. • Classificação dos problemas. • Esta atividade centra em entender o impacto sobre os níveis acordados de serviços relacionados ao problema. • Investigação e diagnóstico de problemas. 157 • Este é o passo onde entendemos qual é a causa do problema. • Requisição de mudança, solução e fechamento dos problemas. • O controle de erros é um processo pelo qual os erros conhecidos são pesquisados e corrigidos. • Uma solução estruturada para a remoção de um erro da infraestrutura deverá passar pelas etapas de: incidentes, problema, erro conhecido e RFC, até chegar na solução estruturada. • A partir do momento em que é registrado o erro conhecido, deve ser aberta uma requisição de mudança para filtrar, analisar e acompanhar a mudança na infraestrutura, com menor impacto e risco para o ambiente de produção. • O Gerenciamento Proativo de Problemas foca na análise de dados coletados de outros processos e seu objetivo é definir quais são os possíveis “problemas”, e incluem as atividades de “Análise de Tendências” e “Ações Preventivas”. • O foco principal do Gerenciamento de Problemas Proativo é redirecionar os esforços que estão atuando sempre em ações reativas, para prevenção proativa de incidentes que poderão ocorrer. O ideal é que a equipe tenha condições de trabalhar 80% em atividades reativas e pelo menos 20% em atividades proativas. • Ao final do ciclo de um problema grave, deve haver uma revisão para poder aprender: 1) O que deu certo? 2) O que fizemos de forma diferente? 3) Que lições podem ser tiradas da resolução deste problema? • O processo de Gerenciamento de Problema busca eliminar, de forma permanente, os problemas e os incidentes repetitivos que afetam a prestação dos serviços de TI à organização dentro dos níveis de serviços acordados. • A preocupação do processo de Gerenciamento de Problema é o de gerenciar de maneira rápida, eficiente e econômica os problemas. Seu principal objetivo é identificar a causa raiz e identificar o IC que não está gerando os resultados esperados em função desta causa raiz. Uma solução de contorno pode ser informada para uma solução temporária. • Os registros das soluções dos problemas devem possuir os itens: identificador, categoria, severidade, prioridade, resumo do problema, descrição, comunicado por responsável, estado, solução de contorno, resolução, número da solicitação de mudança, estado da solicitação de mudança. O papel do gerente de problemas é acompanhar as equipes de resolução de problemas para assegurar que elas cumpram a resolução dos problemas dentro do ANS. 158 AUTOATIVIDADE 1 Cite três entradas que o Processo de Gerenciamento de Problemas requer. 2 Segundo a biblioteca ITIL, o Gerenciamento de Problemas tem quatro atividades primárias. Cite-as. 3 Cite pelo menos cinco itens que os registros das soluções de contorno do problema pelo processo de Gerenciamento de Problema devem possuir. 4 Quais são as etapas do ciclo de vida de um problema? 5 Cite quais são os papéis do gerente de problemas. 159 TÓPICO 7 GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Segundo citam Fernandes e Abreu (2008, p. 287), O Gerenciamento de Mudança visa assegurar o tratamento sistemático e padronizado de todas as mudanças ocorridas no ambiente operacional, minimizando assim os impactos decorrentes de incidentes/problemas, relacionados a estas mudanças na qualidade do serviço, e melhorando, consequentemente, a rotina operacional da organização. Seus propósitos são: • Planejar e controlar as mudanças. • Agendar mudanças e liberações. • Mensurar e controlar o processo. • Aperfeiçoar este processo (melhoria contínua). O Gerenciamento de Mudança irá trazer uma série de benefícios para a organização nos mais diversos aspectos. Os impactos dos incidentes serão reduzidos em função do tempo de resolução, pois haverá um ANS (Acordo de Nível de Serviço) a ser cumprido. Os reflexos ocorrerão também na equipe de suporte, que será utilizada com maior eficiência. Com o gerenciamento, o banco de dados será mais eficiente, porque a cada ocorrência de incidente, novas atualizações serão feitas nesta base. Também poderá ser percebida maior satisfação do usuário. Chama-se a atenção para um importante fator, que é o impacto causado por este processo, pois se ele não ocorrer de forma correta, ao invés de promover uma mudança, que é o seu propósito, o processo pode se tornar o vilão da história e transformar-se em incidente. Desta forma, o processo de Gerenciamento de Incidentes deve estar a par sobre as mudanças desejadas, para que um processo de retrocesso seja ativado. A adoção das boas práticas nos serviços de TI nos remete ao uso de determinadas formalidades nestes processos, especificamente neste caso, o uso do formulário RDM – Requisição de Mudança, que é ponto-chave para o sucesso do processo de transição de serviço e que nos ajuda, através do seu passo a passo, a evitar impactos negativos no ambiente de produção. Este documento (físico ou 160 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI digital) oficializa através dos seus mecanismos as diversas ações necessárias para executar uma mudança, com as devidas orientações e autorizações de pessoal capacitado. Toda e qualquer ação da TI, se não for bem planejada e gerenciada, pode transformar-se em um capítulo de terror para as empresas, pois, ao tentar estabelecer a implantação de um novo serviço, poderá causar indisponibilidade em outros serviçosque são dependentes deste. Então, chamamos para especial atenção de que a responsabilidade deste processo é consideravelmente grande, por isso, os passos devem ser detalhadamente analisados e planejados. A RDM deve estabelecer o processo de início até sua finalização e validação, com o mapeamento e respostas aos riscos, prevendo, no caso da ocorrência de qualquer incidente durante o processo, ações para o recovery. Este processo de retrocesso determina voltar ao estado do ambiente exatamente como estava antes da tentativa da implantação do serviço. 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS Segundo a descrição da biblioteca ITIL (2011), o processo de Gerenciamento de Mudanças tem como objetivo gerenciar todas as mudanças que possam causar impacto na habilidade da área de TI em entregar serviços, através de um processo único e centralizado de aprovação, programação e controle de mudança, correndo o menor risco possível, para assegurar que a infraestrutura de TI permaneça operacional e alinhada às necessidades e requisitos que o negócio exige. São listados como os principais objetivos deste processo: • Assegurar que os métodos padronizados estão sendo usados para o tratamento eficiente de todas as mudanças, reduzindo seus riscos e impactos. • Minimizar incidentes relacionados com mudanças. • Balanço entre necessidade e impacto. FONTE: Disponível em: <http://www.impulsewear.com.br/consultoriaitil/germudanca.html>. Acesso em: 10 set. 2013. TÓPICO 7 | GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS 161 FIGURA 37 – PROCESSO DE TRATAMENTO DE SOLICITAÇÃO DE MUDANÇA FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 225) A figura a seguir apresenta o processo de solicitação de mudança. Tratar Mudança Normal O processo de Gerenciamento de Mudanças tem seu principal foco nas mudanças que possam afetar: 162 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Hardware, software, equipamentos e software de comunicação. • Aplicações em produção. • Toda a documentação e procedimentos associados com a operação, suporte e manutenção da Infraestrutura de TI. Não estão neste escopo, mas estão relacionadas: • As mudanças em projetos, por exemplo, um projeto de implantação de um sistema de informação qualquer que possa exigir melhorias nas capacidades da infraestrutura. • A identificação de componentes afetados na mudança ou atualização de registro. • A liberação de novos componentes. FONTE: Disponível em: <http://www.impulsewear.com.br/consultoriaitil/germudanca.html>. Acesso em: 10 set. 2013. É através do processo de Gerenciamento de Mudanças que todas as implementações e alterações relacionadas à infraestrutura de TI serão analisadas e planejadas a fim de que não venham causar impactos ao funcionamento normal da operação diária da organização. Além dos impactos, têm que ser avaliados os riscos, para que estes também sejam tratados. Considerado pela TI como um processo burocrático, visto a necessidade de grande controle sobre os erros encontrados nos procedimentos de mudanças, para que estes venham a ser tratados até a sua correção, para depois serem aplicados no ambiente de produção. É importante lembrar que nem todas as mudanças necessitarão de uma gestão através da formalidade deste processo, em virtude de que seus impactos são considerados muito localizados e baixos. É uma decisão particular de cada organização, em que haverá aquelas que decidirão fazer gestão de mudanças para qualquer modificação no ambiente de TI. De qualquer forma, listamos a seguir o escopo básico do processo de Gerenciamento de Mudanças: • Hardware. • Softwares aplicativos e sistemas operacionais. • Sistemas de negócio. • Pacotes comerciais, banco de dados e softwares “de prateleira”. • Bancos de dados físicos. • Ambientes. • Relacionamento entre bancos de dados, aplicações e links entre sistemas. • Versões de software. • Documentação de configuração (especificações, licenças, acordos de manutenção etc.). • Usuários e fornecedores de TI. TÓPICO 7 | GERENCIAMENTO DE MUDANÇAS 163 • Documentação de processos e fluxos de trabalho. • Planos de capacidade e planos de continuidade. Qual é o papel do gerente de mudança? Descrevemos a seguir as principais responsabilidades do gerente de mudança: • Priorizar as RDMs e rejeitar as impraticáveis. • Definir quais pessoas devem se reunir no comitê conforme situação. • Liderar as reuniões deste comitê. • Verificar se os resultados atingiram seus objetivos. • Fazer o fechamento das RDMs. • Fazer estatísticas do processo. • Atualizar lista de verificação. • Comunicar a Central de Serviços sobre o cronograma das mudanças. Também tem papel fundamental para este processo o CCM – Comitê Consultivo de Mudança, que se reúne para deliberar sobre estas questões. O que é o comitê de mudança? Os comitês de mudança são equipes multidisciplinares que se reúnem em torno dos interesses da organização em função das mudanças no ambiente. Segundo Magalhães e Pinheiro (2007, p. 217), “o comitê é constituído por um grupo de pessoas disponíveis para apresentar conselhos à equipe e à gerência do processo de Gerenciamento de Mudança”. Esta equipe pode ser composta por representantes de todas as áreas envolvidas e/ou representantes do negócio envolvido. Existe uma recomendação, que consta das práticas da ITIL, de que este comitê seja composto pelos seguintes integrantes: • Gerente de Mudanças (ele é o responsável pelo processo de Gerenciamento de Mudança). • Representante da diretoria da empresa. • Representante das áreas-cliente dos serviços de TI. • Representante do grupo de usuários dos serviços de TI. • Representantes da equipe de desenvolvimento e manutenção de sistemas. • Especialistas nas tecnologias utilizadas nas áreas de TI. • Consultores técnicos. • Representantes dos demais processos definidos na ITIL. • Representante da equipe de operação dos serviços de TI. • Representante dos contratados e/ou fornecedores da área de TI. 164 RESUMO DO TÓPICO 7 Neste tópico vimos que: • O Gerenciamento de Mudança visa assegurar o tratamento sistemático e padronizado de todas as mudanças ocorridas no ambiente operacional, minimizando assim os impactos decorrentes de incidentes/problemas relacionados a estas mudanças na qualidade do serviço, e melhorando, consequentemente, a rotina operacional da organização. Seus propósitos são: • Planejar e controlar as mudanças. • Agendar mudanças e liberações. • Mensurar e controlar o processo. • Aperfeiçoar este processo (melhoria contínua). • O Gerenciamento de Mudança trará uma série de benefícios para a organização nos mais diversos aspectos, principalmente nas questões de satisfação do usuário. • A adoção das boas práticas nos serviços de TI nos remete ao uso de determinadas formalidades nestes processos, especificamente neste caso, o uso do formulário RDM – Requisição de Mudança. • O objetivo do processo de Gerenciamento de Mudanças é gerenciar todas as mudanças que possam causar impacto na habilidade da área de TI em entregar serviços, através de um processo único e centralizado de aprovação, programação e controle de mudança, correndo o menor risco possível, para assegurar que a infraestrutura de TI permaneça operacional e alinhada às necessidades e requisitos que o negócio exige. • Assegurar que os métodos padronizados estão sendo usados para o tratamento eficiente de todas as mudanças, reduzindo seus riscos e impactos. • Minimizar incidentes relacionados com mudanças. • Balanço entre necessidade e impacto. ● O processo de Gerenciamento de Mudanças tem seu principal foco nas mudanças que possam afetar: ● Hardware, software, equipamentos e software de comunicação. ● Aplicações em produção. ● Toda a documentação e procedimentos associados com a operação, suporte emanutenção da Infraestrutura de TI. 165 ● É através do processo de Gerenciamento de Mudanças que todas as implementações e alterações relacionadas à infraestrutura de TI serão analisadas e planejadas a fim de que não venham a causar impactos ao funcionamento normal da operação diária da organização. De qualquer forma, listamos o escopo básico do processo de Gerenciamento de Mudanças: ● Hardware. ● Softwares aplicativos e sistemas operacionais. ● Sistemas de negócio. ● Pacotes comerciais, banco de dados e softwares “de prateleira”. ● Bancos de dados físicos. ● Ambientes. ● Relacionamento entre bancos de dados, aplicações e links entre sistemas. ● Versões de software. ● Documentação de configuração (especificações, licenças, acordos de manutenção etc.). ● Usuários e fornecedores de TI. ● Documentação de processos e fluxos de trabalho. ● Planos de capacidade e planos de continuidade. ● O papel do gerente de mudanças é: ● Priorizar as RDMs e rejeitar as impraticáveis. ● Definir quais pessoas devem se reunir no comitê conforme situação. ● Liderar as reuniões deste comitê. ● Verificar se os resultados atingiram seus objetivos. ● Fazer o fechamento das RDMs. ● Fazer estatísticas do processo. ● Atualizar lista de verificação. ● Comunicar a Central de Serviços sobre o cronograma das mudanças. ● Também tem papel fundamental para este processo o CCM – Comitê Consultivo de Mudança, que se reúne para deliberar sobre estas questões. ● Existe uma recomendação, constante das práticas da ITIL, de que este comitê seja composto pelos seguintes integrantes: ● Representante da diretoria da empresa. ● Representante das áreas-cliente dos serviços de TI. ● Representante do grupo de usuários dos serviços de TI. ● Representantes da equipe de desenvolvimento e manutenção de sistemas. ● Especialistas nas tecnologias utilizadas nas áreas de TI. ● Consultores técnicos. ● Representantes dos demais processos definidos na ITIL. ● Representante da equipe de operação dos serviços de TI. ● Representante dos contratados e/ou fornecedores da área de TI. 166 AUTOATIVIDADE 1 O processo de Gerenciamento de Mudança visa assegurar que as mudanças no ambiente de produção não interfiram em sua operação. Seus propósitos são? 2 O que é RDM e para que serve? 3 Qual é o objetivo do processo de Gerenciamento de Mudanças? 4 Qual é o principal foco do processo de Gerenciamento de Mudanças? 5 Cite e explique o que são os CCM 167 TÓPICO 8 GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Este processo abrange o gerenciamento do tratamento de um conjunto de mudanças em um serviço de TI, devidamente autorizadas (incluindo atividades de planejamento, desenho, construção, configuração e teste de itens de software e hardware), visando criar um conjunto de componentes finais e implantá-los em bloco em um ambiente de produção, de forma a adicionar valor ao cliente, em conformidade com os requisitos estabelecidos na estratégia e no desenho do serviço. Existem algumas formas de realizar a liberação de serviços, como vemos a seguir: • BIG BANG – é quando um serviço é liberado para todos ao mesmo tempo. • Fase – é quando um serviço é liberado para alguns usuários por fase. • Empurrada (Push) – é quando o componente do serviço é implantado a partir da área central para usuários em localizações remotas. • Puxada (Pull) – é quando os usuários devem trazer para si as atualizações, através de downloads ou requisições. • Automatizada – é quando scripts de atualização são executados em cada máquina na rede, através de um comando central. • Manual – é quando as liberações requerem intervenção de um executor. Desta forma, independentemente da forma como será executada a implantação, é importante descrevermos algumas das mais importantes atividades neste processo que visam estabelecer uma lista de ações sequenciadas, como vemos a seguir: 1) Planejamento 2) Preparação para construção, teste e implantação 3) Construção e teste 4) Teste de serviço e pilotos 5) Planejamento e preparação para implantação 6) Transferência, implantação e retirada 7) Verificação 8) Suporte Conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 246), “este processo inicia com a identificação dos requisitos de liberação a ser realizada. É feita uma análise dos requisitos da liberação e então se procede à tomada de decisão sobre sua autorização ou não. Estando a liberação autorizada, a sua construção é iniciada”. 168 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI FIGURA 38 – PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 246) TÓPICO 8 | GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO 169 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO Conforme Magalhães e Pinheiro (2007), o Gerenciamento de Liberação é o processo responsável pela proteção do ambiente de produção. Tal proteção é feita no modo de procedimentos formais e de rotinas de testes extensivas que procuram considerar todos os aspectos envolvidos nas mudanças propostas de software ou hardware dentro do ambiente de produção, visando assegurar consistência, estabilidade, disponibilidade e continuidade dos serviços de TI. Os objetivos do processo de Gerenciamento de Liberação, segundo Magalhães e Pinheiro (2007), incluem: • Gerenciar, distribuir e implementar ICs dos tipos hardware e software aprovados. • Gerenciar as expectativas dos clientes e usuários dos serviços de TI. • Negociar o conteúdo e o plano de implantação de liberações. • Prover armazenamento físico e seguro para os ICs aprovados na BSD e no DHD. • Assegurar que somente ICs aprovados e sob controle de qualidade serão utilizados nos ambientes de teste e produção. Para fixação deste conteúdo, leia os conceitos de gerenciamento de projetos contidos no PMBOK (guia de melhores práticas para gerenciamento de projetos do PMI), cujos conceitos podem ser aplicados na implantação de produtos e serviços de TI. NOTA Segundo Magalhães e Pinheiro (2007, p. 240-241), existem alguns relacionamentos-chave, conforme mostrado a seguir: • Gerenciamento de Liberação e Gerenciamento de Mudança. Há uma relação muito próxima entre os processos de Gerenciamento de Liberação e de Gerenciamento de Mudança. Os procedimentos dentro do processo de Gerenciamento de Mudança estipulam que planos de retorno (backouts) à situação original devem ser especificados antes da implantação de uma mudança. Sem esses planos, o processo de Gerenciamento de Mudança não vai permitir que a solicitação de mudança continue a ser processada. Conteúdos e prazos das liberações, junto com adendos aos planos e procedimentos de liberações, necessitam passar pelo processo de Gerenciamento de Mudanças para autorização. 170 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Gerenciamento de Liberação e Gerenciamento de Configuração. Outra relação muito importante do processo de Gerenciamento de Liberação é com o processo de Gerenciamento de Configuração. Por exemplo, o processo de Gerenciamento de Configuração mantém um caminho rastreável das liberações para auditoria, os registros dos ICs impactados pelas liberações planejadas e passadas e o controle do que está armazenado na Biblioteca de Software Definitiva (BSD) e no Depósito de Hardware Definitivo (DHD), por meio dos dados armazenados na BDGC (Banco de Dados de Gerenciamento de Configuração). • Gerenciamento de Liberação e Gerenciamento Financeiro Normalmente, o processo de Gerenciamento de Liberação recebe fundos de grandes projetos, em vez de ser incluído no custo dos serviços de TI prestado normalmente para os clientes. Embora existam custos com a implantação de liberações, estes são muito menores que os custos potenciais advindos de liberações realizadas sem o devido gerenciamento. Obs.:O Gerenciamento Financeiro também faz parte do escopo do gerenciamento sobre serviços de TI, entretanto, não é detalhado, pois o objetivo deste Caderno de Estudos é mostrar a visão mais técnica destes gerenciamentos. Somente é citado porque existe o relacionamento com o Gerenciamento de Liberação. O que é DHD? Depósito de Hardware Definitivo é uma área separada para o armazenamento seguro dos equipamentos e peças (hardware) de reservas definitivas. Detalhes desses componentes e seus respectivos desenvolvimentos e conteúdos devem ser minuciosamente registrados na BDGC e classificados como peças de reposição (sobressalentes), assim como sua localização na DHD. O que é BSD? A BSD – Biblioteca de Software Definitivo inclui cópias definitivas de software adquirido (junto com os documentos de licença) e/ou software desenvolvido internamente, além de cópias eletrônicas da respectiva documentação técnica. Todos os dados referentes à BSD deverão ser registrados na BDGC, indicando-se a localização física. O que é BDGC? Banco de dados de Gerenciamento de Configuração é uma base de dados que contém os detalhes relevantes de cada item de configuração da infraestrutura de TI e das mais importantes relações entre elas. TÓPICO 8 | GERENCIAMENTO DE LIBERAÇÃO 171 O papel do gerente de liberação e implantação O gerente de liberação e implantação é responsável por: planejar, desenhar, construir, configurar e testar os novos softwares e hardwares para criar o pacote de liberação para a entrega de mudanças nos serviços. Outros papéis também são relevantes, como o gerente de empacotamento e construção de liberação, que é responsável por: estabelecer a configuração final da liberação. E a equipe de implantação é responsável pela entrega física do serviço. Podemos afirmar que com este conjunto de ações e processos de Gerenciamento de Liberação, em conjunto com os processos de Gerenciamento de Configuração e Gerenciamento de Mudança, bem como com a execução dos testes operacionais, o processo de Gerenciamento de Liberação traz alguns benefícios, a saber: ● Redução de taxa de erros no hardware e software liberados. ● Minimização das interrupções (downtime). ● Ambientes de testes e produção estáveis. ● Melhor uso dos recursos de TI. ● Maior controle sobre os softwares instalados. ● Maior capacidade de atendimento a TI, entre outros. Como dica para iniciar o processo de Gerenciamento de Liberações: ● Deve-se iniciar de forma simples, focando as liberações consideradas mais críticas para o negócio. ● As equipes de TI devem estar capacitadas sobre as atividades de gestão de projetos e outras ferramentas para construção e implantação das liberações. ● Estabelecer rígido controle sobre os componentes do DHD e BSD. ● Disseminar a cultura do BDGC para prover o controle dos ICs. 172 RESUMO DO TÓPICO 8 Nesse tópico vimos que: • O processo de Gerenciamento de Liberações faz o tratamento de um conjunto de mudanças num serviço de TI, devidamente autorizadas, visando criar um conjunto de componentes finais e implantá-los em bloco num ambiente de produção. Algumas formas de realizar a liberação são Big Bang, Fase, Empurrada, Puxada, Automatizada e Manual. • Independentemente da forma como será executada a implantação, é importante a existência de algumas ações, como “Planejamento”, “Preparação”, “Implantação”, “Construção”, “Testes de Serviços e Pilotos”, “Transferência, Implantação e Retirada”, “Verificação” e “Suporte”. • Sugerido um processo simplificado de Gerenciamento de Liberação. Este processo inicia com a identificação dos requisitos de liberação a ser realizada. É feita uma análise dos requisitos da liberação e então se procede à tomada de decisão sobre sua autorização ou não. Estando a liberação autorizada, a sua construção é iniciada. • O Gerenciamento de Liberação é o processo responsável pela proteção do ambiente de produção. Tal proteção é feita no modo de procedimentos formais e de rotinas de testes extensivas que procuram considerar todos os aspectos envolvidos nas mudanças propostas de software ou hardware dentro do ambiente de produção, visando assegurar consistência, estabilidade, disponibilidade e continuidade dos serviços de TI. • Para realizar um eficiente processo de implantação, sugere-se o uso das melhores práticas para gerenciamento de projetos do PMI. • Existem alguns relacionamentos-chave entre Gerenciamento de Liberação e Gerenciamentos de Mudança, de Configuração e Financeiro. • É importante a utilização dos conceitos de DHD, BSD e BDGC. • São vários os responsáveis que executam tarefas no Gerenciamento de Liberações, como: • Gerente de liberação e implantação. • Gerente de empacotamento e Construção de Liberação. • Equipe de implantação. • O Gerenciamento de Liberação traz alguns benefícios, a saber: • Redução de taxa de erros no hardware e software liberados. • Minimização das interrupções (downtime). • Ambientes de testes e produção estáveis. • Melhor uso dos recursos de TI. • Maior controle sobre os softwares instalados. Maior capacidade de atendimento a TI, entre outros. 173 AUTOATIVIDADE 1 Cite e explique três formas de realizar a liberação de serviços. 2 Cite três objetivos do processo de Gerenciamento de Liberação. 3 O que significa BSD e qual a sua utilidade? 4 Qual é o papel do gerente de liberação e implantação? 5 Cite alguns benefícios que poderão ser alcançados com o Gerenciamento de Liberações. 174 175 TÓPICO 9 GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Conforme citam Fernandes e Abreu (2008, p. 285), O Gerenciamento de Ativo e Configuração do Serviço abrange a identificação, o registro, o controle e a verificação de ativos de serviço e itens de configuração (componentes de TI tais como hardware, software e documentação relacionada), incluindo suas versões, componentes e interfaces, dentro de um repositório centralizado. Fazem parte também do escopo deste processo a proteção da integridade dos ativos e itens de configuração ao longo do ciclo de vida do serviço contra mudanças não autorizadas e o estabelecimento e manutenção de um sistema de Gerenciamento da Configuração completo e preciso. O Gerenciamento de Configuração é o processo descrito na ITIL responsável por identificar e definir os componentes que fazem parte de um serviço de TI, registrar e informar o estado destes componentes e das solicitações de mudanças a eles associadas e verificar se os dados relacionados foram todos fornecidos e se estão proporcionando o suporte necessário para a boa consecução dos objetivos dos demais processos da ITIL (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). O processo de Gerenciamento de Configuração permite à equipe de TI controlar efetivamente os inúmeros componentes da infraestrutura de TI sob sua responsabilidade, os quais constituem os ativos da área, que, deste ponto em diante, serão denominados Itens de Configuração, ou simplesmente IC (FERNANDES; ABREU, 2008). 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO Conforme Magalhães e Pinheiro (2007, p. 87), “as organizações demandam serviços de TI com qualidade e economia, ou seja, com a melhor relação custo- benefício. Para ser eficiente e eficaz, a área de TI necessita exercer controle total sobre a infraestrutura e os serviços de TI”. Entre os diversos objetivos a que se propõe o processo de Gerenciamento de Configuração, segundo Magalhães e Pinheiro (2007), destacam-se os seguintes: 176 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI • Proporcionar informações completas e atualizadas das configurações dos ativos de TI, englobando suas especificações físicas e funcionais, as equipes e gestores de TI responsáveis pela entrega ou suporte aos serviços de TI. • Garantir que apenascomponentes autorizados, ou seja, Itens de Configuração autorizados, estejam presentes no ambiente de TI. • Acompanhar e registrar todo o ciclo de vida dos Itens de Configuração existentes na infraestrutura de TI, desde o momento em que sua aquisição começa a ser planejada, até o descarte final. • Identificar os relacionamentos entre os Itens de Configuração para que, no momento de análise de impacto de possíveis mudanças, paradas de serviço, ou janelas de manutenção, tenha-se a visão da totalidade dos serviços de TI impactados. • Assegurar que todas as modificações sofridas pelos Itens de Configuração sejam registradas na BDGC. • Auditar e informar exceções às recomendações e padrões de infraestrutura de TI e aos procedimentos do processo de Gerenciamento de Configuração. • Informar o estado atual e histórico dos itens de configuração. • Definir e documentar o processo de trabalho a ser seguido. • Educar e formar a área de TI no processo de controle da infraestrutura. • Informar indicadores de acompanhamento da evolução da BDGC e do desempenho do processo de Gerenciamento de Configuração. Conforme Magalhães e Pinheiro (2007), são muitos os benefícios alcançados pela TI ao estabelecer um BDGC: • Fornecimento de informações precisas sobre os ICs e respectiva documentação para apoiar todos os demais processos descritos na ITIL. • Especificação da versão, da propriedade e da informação relativa ao estado para os ICs. • Descrição dos relacionamentos existentes entre os diferentes ICs. • Manutenção do histórico atualizado sobre os ICs. • Facilitação do atendimento e do alinhamento com as obrigações legais e contratuais relacionados com a infraestrutura de TI e com os itens de configuração. TÓPICO 9 | GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO 177 • Ajuda no planejamento financeiro pela identificação clara de todos os ativos de TI e associações existentes entre eles para dar suporte aos serviços disponibilizados pela área de TI. • Auxílio para tornar transparentes as alterações de versão do hardware e software, além de apoiar e melhorar o processo de Gerenciamento de Liberação. • Melhoria na segurança pelo controle das versões dos ICs em uso, permitindo à organização reduzir a utilização de cópias de software não autorizadas. • Auditoria da infraestrutura de TI para assegurar a existência apenas de ICs autorizados. • Facilitação da análise do impacto e das tendências por parte dos processos de Gerenciamento de Mudança e de Problemas. FONTE: Disponível em: <http://siaibib01.univali.br/pdf/Gustavo%20Oliveira%20de%20Oliveira%20 TCC.pdf>. Acesso em: 10 set. 2013. Como já citado anteriormente, um BDGC é uma base de dados que contém os detalhes relevantes de cada IC definido e as relações existentes entre eles. O quadro a seguir é um exemplo de como podemos controlar os ICs de uma infraestrutura: QUADRO 3 – EXEMPLO DE TABELA DE ATRIBUTOS DE UM IC Código de Identificação Código de Inventário Número de Série UKMILFIN068 345678-9 23456789-0 Descrição Data da Última Atualização Data da Última Auditoria Notebook 01/01/2006 30/12/2005 Categoria Tipo Modelo Microcomputador Portátil Notebook 256/80 AC 887 Validade da Garantia Número da Versão Local de Instalação 31/12/2007 3.20.50.47 Prédio Financeiro I Proprietário Fornecedor Tipo da Licença João da Silva ACER Permanente Data da Aquisição Data de Aceite Estado Atual 15/05/2005 30/05/2005 Em operação 178 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI Próximo Estado Item de Configuração (Pai) Itens de Configuração (filhos) Armazenado Não aplicável Pente de Memória 128 MBytes Relações (exceto Pai/ Filho) RFCs Atuais Histórico de RFCs Sistema Operacional Windows XP Nenhuma RFC 2345/03 Quantidade de Problemas Quantidade de Incidentes Comentários 1 4 Nenhum É possível observar que as diversas informações a respeito de um IC proporcionam maior visão e gerenciamento sobre ele, assim como o acompanhamento em toda a sua vida útil. Os papéis de Gerenciamento de Configuração Papéis – São muitos os agentes que desempenham os papéis neste processo, como é mostrado a seguir: • Gerente de Ativo de Serviço • Gerente de Configuração • Analista de Configuração • Administrador de ferramentas SGC São atividades relacionadas ao processo, controle e manutenção sobre os itens de configuração, no sentido de garantir que os dados sobre estes ativos estejam atualizados e cadastrados corretamente, pois outros processos no ciclo dependerão destas informações armazenadas no BDGC. FONTE: Magalhães e Pinheiro (2007, p. 90) 179 RESUMO DO TÓPICO 9 Neste tópico vimos que: • Gerenciamento de Ativo e Configuração do Serviço abrangem a identificação, o registro, o controle e a verificação de ativos de serviço e itens de configuração (componentes de TI tais como hardware, software e documentação relacionada), incluindo suas versões. • Gerenciamento de Configuração é o processo descrito na ITIL responsável por identificar e definir os componentes que fazem parte de um serviço de TI, registrar e informar o estado destes componentes e das solicitações de mudanças a eles associadas. • O processo de Gerenciamento de Configuração permite à equipe de TI controlar efetivamente os inúmeros componentes da infraestrutura de TI sob sua responsabilidade. • O processo de Gerenciamento de Configuração oferece um modelo lógico de dados. Este é implementado em uma base de dados denominada BDGC, que permite identificar, controlar, manter e verificar todos os dados relativos aos itens de configuração. Alguns benefícios são alcançados pela TI ao estabelecer um BDGC, como: • Fornecimento de informações precisas sobre os ICs e respectiva documentação para apoiar todos os demais processos descritos na ITIL. • Especificação da versão, da propriedade e da informação relativa ao estado para os ICs. • Descrição dos relacionamentos existentes entre os diferentes ICs. • Manutenção do histórico atualizado sobre os ICs. • Facilitação do atendimento e do alinhamento com as obrigações legais e contratuais relacionados com a infraestrutura de TI. • Ajuda no planejamento financeiro. • Auxílio para tornar transparentes as alterações de versão do hardware e software. • Melhoria na segurança pelo controle das versões dos ICs em uso, permitindo à organização reduzir a utilização de cópias de software não autorizadas. 180 • Auditoria da infraestrutura de TI. • Facilitação da análise do impacto e das tendências por parte dos processos de Gerenciamento de Mudança e de Problemas. • Um BDGC é uma base de dados que contém os detalhes de cada IC. Os papéis sobre o Gerenciamento de Configuração envolvem muitos agentes, como: • Gerente de ativo de serviço. • Gerente de configuração. • Analista de configuração. • Administrador de ferramentas SGC. 181 AUTOATIVIDADE 1 Quais aspectos abrangem o Gerenciamento de Ativo e Configuração do Serviço? 2 Conforme visto neste tópico, existe um quadro que trata dos ICs de uma empresa. Como forma de exercitar, crie um quadro em seu ambiente de trabalho, preenchendo os dados de alguns itens de sua escolha. 3 Cite cinco objetivos que se destacam no processo de Gerenciamento de Configuração. 4 Cite três benefícios alcançados pela TI ao estabelecer um BDGC. 5 Em sua visão, por que é importante aplicar os processos de Gerenciamento de Configuração? 182 183 TÓPICO 10 GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Segundo Magalhães e Pinheiro (2007, p. 260), No final do século XX e início deste, uma revolução entre organizações e clientes vem acontecendo. Ao contrário do passado recente – quando muitas vezes não se tinha a quem recorrer para reclamar –,hoje a preocupação com informações, qualidade de serviços e prazos de entrega é cada vez maior, pois a confiança na marca talvez tenha se tornado a principal moeda de compra para grande parte dos clientes. A crescente onda da terceirização na área de TI, associada à própria maturidade conquistada por este mercado, vem provando uma nova e benéfica alteração no relacionamento entre os compradores de tecnologia – no caso, as organizações das diferentes indústrias e os vendedores de serviços baseados em TI – organizações fornecedoras de software e serviços de TI. Isso vem ocorrendo por meio da aplicação em contratos e acordos comerciais do conceito de Acordo de Nível de Serviço (ANS) ou, em inglês, Service Level Agreement (SLA). Na realidade, pode-se simplificar o ANS como sendo os direitos dos clientes aplicados às relações entre organizações. Isto é, com o ANS, as organizações têm garantias legais dos níveis de desempenho dos serviços de TI oferecidos e de infraestrutura por parte de seus fornecedores, o que, na prática, significa um grande avanço nas relações entre organizações, clientes e fornecedores no mercado de TI (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). A celebração de bons ANSs, como é possível perceber, traz inúmeras vantagens para os dois lados, tanto para os clientes como para os fornecedores. Do lado do cliente, a garantia de que as suas necessidades em torno dos produtos e/ou serviços de TI serão plenamente satisfeitas conforme previsto no acordo e que trazem a tranquilidade de que os itens contemplados nos acordos serão gerenciados a contento. Do lado dos fornecedores, os acordos determinam os níveis e os limites das suas responsabilidades. Com o ANS o cliente saberá o que exigir de seu fornecedor e, este, o que deverá entregar ao seu cliente. No desenho do serviço é muito importante que o nível de serviço seja corretamente desenhado, para que não ocorra o caso de o serviço entrar na produção com níveis abaixo do requisitado. 184 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI Segundo a biblioteca ITIL (2011), no processo de Gerenciamento do Nível de Serviço são utilizados alguns termos e conceitos básicos que serão explicados a seguir e que são de grande importância para a compreensão do todo deste processo. O que são Requisitos de Nível de Serviços (RNS) É um documento que contém todos os requisitos do cliente relacionados aos Serviços de TI. Define a disponibilidade e desempenho que os clientes precisam para estes serviços. É o ponto inicial para traçar os Acordos de Nível de Serviço. Os requisitos são as necessidades básicas do cliente, geralmente explicadas como condição de negócio no contrato com o fornecedor. São características tais como: funcionalidades, especificações técnicas, prazo de entrega, garantia que o cliente requer do produto. Uma condição ou capacidade necessitada por um usuário para resolver um problema ou alcançar um objetivo. São necessidades ou expectativas que são expressas, geralmente, de forma implícita ou obrigatória (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). O que são especificações de serviço? Conforme a ITIL (2011), a organização de TI planeja as especificações dos serviços baseada no RNS. É uma transcrição dos requisitos do cliente e “como” a organização de TI irá fornecer estes serviços, no qual devem estar contidas as necessidades técnicas. Deverá mostrar também os relacionamentos entre os ANSs, fornecedores e a própria organização de TI. O que é Acordo de Nível de Serviço (ANS) O ANS é um acordo celebrado entre cliente e fornecedor ou provedor de serviços de TI, que define os níveis de serviços que deverão ser prestados. Os enfoques dados nestes acordos podem ser os mais variados, mas, geralmente, giram em torno de tempos de respostas em relação aos serviços e às responsabilidades sobre eles. O mais importante é que seus usuários conheçam como o fluxo do processo ocorre e em que condições. Segundo a ITIL (2011), os Acordos de Nível de Serviço permitem que o departamento de TI e o cliente decidam juntos sobre quais serviços devem ser fornecidos, a disponibilidade necessária e seus custos. Estes níveis devem ser mensuráveis para ambos os lados poderem verificar se estão sendo atendidos. TÓPICO 10 | GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇOS 185 O Gerenciamento de Nível de Serviços é o processo que forma o vínculo entre o departamento de TI e os clientes. Para implantar este processo com sucesso é necessário que os outros processos da ITIL já tenham sido implantados. O foco principal deste processo é assegurar a qualidade dos Serviços de TI que são fornecidos, a um custo aceitável ao negócio. O que são Contratos de Apoio (CA) São contratos realizados com um fornecedor externo ou terceiro que está sendo envolvido na entrega de Serviços de TI. Neste caso, haverá um contrato que garanta que ele fornecerá o serviço dentro de um prazo, custo e nível desejados. A organização de TI passa os requisitos do negócio para os fornecedores externos. Este documento será reflexo dos níveis de serviços definidos nos ANSs. Desta forma, se o ANS prevê um tempo de resposta para um serviço, o Contrato de Apoio (CA) deverá viabilizar a garantia desta redução do tempo de resposta para que não chegue aos limites máximos de entrega, gerando maior qualidade para o resultado do serviço. O que é um Acordo de Nível Operacional (ANO)? Conforme a ITIL (2011), determinados serviços de TI dependem de outros serviços providos dentro da própria organização de TI. Por exemplo, para viabilizar a execução de um sistema de informação em uma estação de trabalho, diz-se que este sistema depende diretamente da total disponibilidade desta estação de trabalho. Assim, os acordos sobre a disponibilidade da estação de trabalho serão contemplados em um Acordo de Nível Operacional (ANO). Comparados ao CA, estes ANOs darão apoio aos ANSs da mesma maneira. A diferença é que o foco do ANO está voltado para dentro da organização de TI. 2 OBJETIVO DO GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇO Segundo Fernandes e Abreu (2008, p. 283), O objetivo do gerenciamento de nível de serviço é manter e melhorar a qualidade dos serviços de TI, através de um ciclo contínuo de atividades envolvendo o planejamento, coordenação, elaboração, estabelecimento de acordo de metas de desempenho e responsabilidades mútuas, monitoramento e divulgação de níveis de serviço (com relação aos clientes), de níveis operacionais (em relação a fornecedores internos ou externos). 186 UNIDADE 2 | PROCESSOS DE GESTÃO DE PROJETOS E MELHORES PRÁTICAS NA GESTÃO DE SERVIÇOS DE TI Caro(a) acadêmico(a)! E então, diante do exposto, podemos afirmar que o principal elemento que deve ser levado em consideração para o Gerenciamento de Nível de Serviço é o SLA – (ANS – Acordo de Nível de Serviço). Observaremos que são inúmeras as responsabilidades inerentes ao Gerenciamento de Nível de Serviço, mas garantir o SLA é primordial. NOTA Um processo de Gerenciamento de Nível de Serviço possui quatro objetivos fundamentais, que citamos a seguir: • Melhorar a qualidade percebida pelos usuários e clientes dos serviços de TI. • Reduzir a indisponibilidade dos serviços de TI. • Manter o foco na estratégia de negócio. • Garantir o alinhamento entre o negócio e a área de TI. FONTE: Disponível em: <http://www.impulsewear.com.br/consultoriaitil/gernivelserv.html>. Acesso em: 10 set. 2013. Uma boa forma de avaliar estes níveis de serviço é através dos indicadores. Citamos alguns que podem auxiliar na gestão destes acordos, como: • Satisfação do usuário/cliente. • Desempenho dos serviços em comparação com os acordos. • Percentual de indisponibilidade do serviço e outros. • Desempenho da qualidade dos produtos e serviços. • Percentual de redução dos investimentos. • Desempenho dalucratividade. • Percentual de aumento de receita. • Percentual de redução dos custos operacionais. O processo do Gerenciamento de Nível de Serviço deve ser iniciado pelo reconhecimento dos objetivos e estratégias de negócio, visando priorizar as ações da equipe de Gerenciamento de Nível de Serviço, definição dos serviços de TI e a escolha dos indicadores para monitoramento do desempenho dos serviços de TI. Desta forma, todas as iniciativas e projetos de produtos e serviços de TI devem ser medidos quanto aos resultados alcançados. Igualmente, saber se TÓPICO 10 | GERENCIAMENTO DE NÍVEL DE SERVIÇOS 187 os níveis de serviços foram devidamente atingidos torna-se fundamental para o processo. Então, uma vez definidas as necessidades, deve ser estabelecido o indicador a ser aplicado no caso. Deve ser planejado também como os dados para estes indicadores serão coletados, a apuração de resultados destes indicadores, as devidas validações, assim como a divulgação dos resultados, e assim, se necessário, promover melhorias (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). As etapas são as seguintes: • Identificar e priorizar os objetivos de negócio (Estratégicos/Operacionais). • Selecionar os indicadores. • Detalhe de indicadores: • Modo de Captura. • Validade. • Periodicidade. • Responsabilidade. • Capturar, validar e registro de dados. • Informe e comunicação. • Analisar o comportamento do processo. • Processo encontra-se estável? • Processo melhorável? • Tomada de decisão e ações. • Eliminar causas da instabilidade. • Incorporar mudanças nos processos. • Redefinir valores objetivos. • Processos em melhoria contínua. O papel do Gerente de Nível de Serviço Conforme a ITIL (2011), além da responsabilidade de garantir o cumprimento dos níveis de serviço, o Gerente de Nível de Serviço tem que: • Garantir a busca da melhoria contínua dos serviços. • Garantir a geração e manutenção dos catálogos de serviços. • Informar aos superiores (diretoria). • Implantar novos serviços. • Realizar auditoria dos serviços. 188 RESUMO DO TÓPICO 10 Neste tópico vimos que: • Vem acontecendo uma revolução na relação entre organizações e clientes na busca da qualidade e prazos de entrega. Isto é cada vez maior em serviços de TI, pois a confiança na marca talvez tenha se tornado a principal moeda de compra para grande parte dos clientes. • A crescente onda da terceirização na área de TI influencia a criação dos contratos e acordos comerciais, se utilizando do conceito de Acordo de Nível de Serviço (ANS) ou, em inglês, Service Level Agreement (SLA). Na realidade, pode-se simplificar o ANS como os direitos dos clientes aplicados às relações entre organizações. • A celebração de bons ANSs, como é possível perceber, traz inúmeras vantagens para os dois lados, tanto para os clientes como para os fornecedores. • Os ANS são tão importantes atualmente que, segundo pesquisas realizadas pelo Yankee Group, eles são decisivos para os fechamentos de contratos envolvendo a TI. Alguns termos e conceitos básicos usados no processo, como: • RNS – é um documento que contém todos os requisitos do cliente relacionados aos Serviços de TI. • Especificações de Serviço – é uma transcrição dos requisitos do cliente e “como” a organização de TI irá fornecer estes serviços –devem estar contidas as necessidades técnicas. • Acordo de Nível de Serviço (ANS) – é um acordo celebrado entre cliente e fornecedor ou provedor de serviços de TI. • Contratos de Apoio (CA) – são contratos realizados com um fornecedor externo ou terceiro que está envolvido na entrega de serviços de TI. • Acordo de Nível Operacional (ANO) – visa gerenciar os serviços que dão apoio a outros serviços. O objetivo do gerenciamento de nível de serviço é manter e melhorar a qualidade dos serviços de TI, através de um ciclo contínuo de atividades, envolvendo o planejamento, coordenação, elaboração, estabelecimento de acordo de metas de desempenho e responsabilidades mútuas. 189 • Um processo de Gerenciamento de Nível de Serviço possui quatro objetivos fundamentais, que citamos a seguir: • Melhorar a qualidade percebida pelos usuários/clientes dos serviços de TI. • Reduzir a indisponibilidade dos serviços de TI. • Manter o foco na estratégia de negócio. • Garantir o alinhamento entre o negócio e a área de TI. • O processo de Gerenciamento de Nível de Serviço deve compreender o que é entendido e esperado em termos de qualidade em produtos e serviços de TI pelas organizações. Alguns indicadores: Satisfação do usuário/cliente. • Desempenho dos serviços em comparação com os acordos. • Percentual de indisponibilidade do serviço e outros. • Desempenho da qualidade dos produtos e serviços. • Percentual de redução dos investimentos. • Desempenho da lucratividade. • Percentual de aumento de receita. • Percentual de redução dos custos operacionais. • O processo do Gerenciamento de Nível de Serviço deve ser iniciado pelo reconhecimento dos objetivos e estratégias de negócio, visando priorizar as ações da equipe de Gerenciamento de Nível de Serviço, definição dos serviços de TI e a escolha dos indicadores para monitoramento do desempenho dos serviços de TI. A responsabilidade do Gerente de Nível de Serviço é: • Garantir a busca da melhoria contínua dos serviços. • Garantir a geração e manutenção dos catálogos de serviços. • Informar aos superiores (diretoria). • Implantar novos serviços. • Realizar auditoria dos serviços. 190 AUTOATIVIDADE 1 O que são Requisitos de Nível de Serviços (RNS)? 2 Quais são os quatro objetivos fundamentais do processo de Gerenciamento de Nível de Serviço? 3 Qual é o principal elemento do processo do Gerenciamento de Nível de Serviço? 4 Cite três indicadores que podem auxiliar na gestão dos acordos. 5 Cite três responsabilidades do Gerente de Nível de Serviço. 191 UNIDADE 3 ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • compreender a importância do gerenciamento dos projetos como elemen- to essencial e de competitividade para as organizações; • conhecer a estrutura do PMBOK, cujo conteúdo contempla: as entradas, ferramentas, técnicas e as saídas que orientam cada processo; • conhecer as áreas de gerenciamento de projetos nos aspectos de qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições; • conhecer os processos de cada área de conhecimento e sua utilidade na gestão dos projetos; • compreender os conceitos fundamentais do processo de Melhoria de Ser- viço Continuada; • compreender a importância da Medição de Serviços para o contexto da gestão; • conhecer a importância das Ferramentas da Qualidade; • conhecer a importância e a utilidade dos Indicadores de Desempenho da TI. Esta unidade está dividida em oito tópicos. No final de cada um deles você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado. TÓPICO 1 – GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO TÓPICO 2 – GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO TÓPICO 3 – GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES DO PROJETO TÓPICO 4 – GERENCIAMENTO DE RISCO DO PROJETO TÓPICO 5 – GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES DO PROJETO TÓPICO 6 – RELATÓRIO E MEDIÇÃO DE SERVIÇO TÓPICO 7 – FERRAMENTAS DA QUALIDADE TÓPICO 8 – INDICADORES DE DESEMPENHO 192 193 TÓPICO 1 GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Qualidade é um assunto muito discutido e difundido nas organizações. Este conceito foi inicialmente utilizado na era industrial e ficou caracterizado e atrelado aos bens e produtos produzidos pelas diversas indústrias de transformação, cujos resultados esperados da cadeia produtiva seriam a isenção de defeitos na manufatura, que viessem a descontentaros seus consumidores. Posteriormente, este conceito se ramificou por todas as áreas das organizações, até chegar à recente área da tecnologia da informação, cujos entregáveis são representados pelos produtos (softwares e hardwares) e serviços (atividades que proporcionam a plena utilização de alguma tecnologia), que geram valor para os negócios das corporações. Na sua essência, o emprego do gerenciamento em projetos já é uma ação em direção da busca da qualidade, pois são esforços empreendidos para que os objetivos e as metas do projeto possam ser alcançados. Neste caso, qualidade traduz-se em gerar os resultados em conformidade com aquilo que foi requisitado, em suma, produzir bens e/ou serviços com o intuito de satisfazer as necessidades do cliente. Há algumas décadas, os movimentos em torno do gerenciamento dos projetos não tinham o peso e a importância de hoje, talvez em função do grau de complexidade e exigência dos projetos à época em relação ao que eles representam para as organizações em nossos dias. Mesmo levando-se em consideração as diferenças das épocas, provavelmente, nos projetos realizados no passado foram vividas situações de conflito ao final de sua execução e que, certamente, contabilizaram perdas com retrabalhos e desgastes para seus interessados e, principalmente, chegando à conclusão de que os referidos projetos não geraram os valores projetados ao negócio e, portanto, não cumpriram com suas metas. Desta forma, deduzimos que é essencial gerenciar projetos, mas devemos fazê-lo com a visão da excelência, qualidade e melhoria contínua. O gerenciamento da qualidade deve ser percebido nas diversas fases do projeto, ou seja, no momento em que é realizado o planejamento, a execução e o controle do projeto. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 194 Como já citamos, os conceitos de qualidade têm recebido uma atenção diferenciada no gerenciamento de projetos nos últimos anos. A necessidade de melhorias foi impulsionada por vários fatores, entre eles: • exigência de alto desempenho; • ciclo de vida de desenvolvimento de produtos reduzido; • níveis tecnológicos elevados; • processos e equipamentos levados constantemente a condições limítrofes. De acordo com a definição do PMI (2008), o gerenciamento da qualidade do projeto inclui os processos e as atividades da organização executora que determinam as políticas de qualidade, os objetivos e as responsabilidades, de modo que o projeto satisfaça as necessidades para as quais foi empreendido. 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de gerenciamento da qualidade do projeto está dividida em alguns processos, a saber: • planejar a qualidade; • realizar a garantia da qualidade; • realizar o controle da qualidade. Na sequência, detalharemos cada um dos processos desta área de conhecimento. 2.1 PLANEJAR A QUALIDADE É o processo de identificação dos requisitos e/ou padrões de qualidade do projeto e do produto, além da documentação de como o projeto demonstrará a conformidade. O planejamento da qualidade deve ser realizado em paralelo ou com outros processos de planejamento do projeto. 2.1.1 Entradas do processo As entradas do processo são: linha de base do escopo, registro das partes interessadas, linha de base do desempenho de custo, linha de base do cronograma, registro dos riscos, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. TÓPICO 1 | GERENCIAMENTO DA QUALIDADE DO PROJETO 195 2.1.2 Ferramentas e técnicas São utilizadas as seguintes ferramentas e técnicas: análise custo-benefício, custo da qualidade, gráficos de controle, benchmarking, projeto de experimentos, amostragem estatística, fluxogramas, metodologia proprietária de gerenciamento da qualidade, ferramentas adicionais de planejamento da qualidade. 2.1.3 Saídas do processo Vejamos agora as saídas do processo, que são: plano de gerenciamento da qualidade, métricas da qualidade, listas de verificação da qualidade, plano de melhorias no processo, atualizações dos documentos do projeto. 2.2 REALIZAR A GARANTIA DA QUALIDADE É o processo de auditoria dos requisitos de qualidade e dos resultados das medições de controle da qualidade para garantir que sejam usados os padrões de qualidade e definições operacionais apropriados. 2.2.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, métricas da qualidade, informações sobre o desempenho do trabalho, medições do controle da qualidade. 2.2.2 Ferramentas e técnicas As ferramentas e técnicas utilizadas para planejar a qualidade e realizar o controle da qualidade são: auditorias de qualidade e análise de processos. 2.2.3 Saídas do processo Atualizações dos ativos de processos organizacionais, solicitações de mudanças, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 196 2.3 REALIZAR O CONTROLE DA QUALIDADE É o processo de monitoramento e registro dos resultados da execução das atividades de qualidade para avaliar o desempenho e recomendar as mudanças necessárias. 2.3.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, métricas da qualidade, listas de verificação da qualidade, medições de desempenho do trabalho, solicitações de mudanças aprovadas, entregas, ativos de processos organizacionais. 2.3.2 Ferramentas e técnicas Diagrama de causa e efeito, gráficos de controle, fluxograma, histograma, gráfico de execução, diagrama de dispersão, amostragem estatística, inspeção, revisão de solicitações de mudança aprovada. 2.3.3 Saídas do processo Medições do controle da qualidade, mudanças validadas, entregas validadas, atualizações dos ativos de processos organizacionais, solicitações de mudanças, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. Conforme Vargas (2009), o plano de gerenciamento da qualidade é também um documento auxiliar do plano de gerenciamento de projetos, que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os aspectos da qualidade do projeto. 197 Neste tópico vimos que: • Qualidade é um assunto muito discutido e difundido nas organizações, conceito utilizado inicialmente na indústria para controle da produção, mas que, posteriormente, se ramificou também para a área da tecnologia da informação com seus produtos e serviços. • O próprio gerenciamento de projetos é uma ação em direção da busca da qualidade, pois visa estabelecer processos para atingir os objetivos e acordos firmados com os clientes. • O controle da qualidade é fundamental para que o sucesso nos resultados dos projetos seja atingido. Este gerenciamento se faz necessário devido à grande complexidade e exigência em torno dos projetos. • O objetivo mais importante desta área é garantir que o projeto seja concluído dentro da qualidade desejada, garantindo a satisfação das necessidades de todos os envolvidos. • O gerente de projeto é o principal responsável pelo gerenciamento da qualidade no projeto. • Alguns fatores que influenciam a necessidade de melhoria de processos do projeto: • exigência de alto desempenho; • ciclo de vida de desenvolvimento de produtos reduzido; • níveis tecnológicos elevados; • processos e equipamentos levados constantemente a condições limítrofes. Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de gerenciamento da qualidade do projeto é composta dos seguintes processos: • planejar a qualidade; • realizar a garantia da qualidade; • realizar o controle da qualidade. • Cada processo descrito possui as entradas, as ferramentas, as técnicas e as saídas. • O planode gerenciamento da qualidade é também um documento auxiliar do plano de gerenciamento de projetos que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os aspectos da qualidade do projeto. RESUMO DO TÓPICO 1 198 1 Qual é o objetivo da área de conhecimento de gerenciamento da qualidade do projeto? 2 Cite cinco ferramentas e/ou técnicas do processo Planejar a Qualidade. 3 Quais são os fatores estudados que impulsionam as necessidades de melhorias nos processos da qualidade? 4 Cite os processos que compõem a área de conhecimento de gerenciamento da qualidade do projeto. 5 Qual é o principal produto dos processos da área de gerenciamento da qualidade? AUTOATIVIDADE 199 TÓPICO 2 GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O gerenciamento de projetos não é algo novo, tampouco é novo dizer que projetos são altamente dependentes dos recursos associados à sua execução. Mas, essencialmente, podemos afirmar que há grande dependência destes em relação às pessoas, cuja importância é capital e que pode fazer uma considerável diferença entre o sucesso ou o insucesso de um projeto. Os diversos tipos de recursos dos projetos devem ser planejados e devidamente alocados para que o sucesso de um projeto seja possível. De uma forma geral, os projetos envolvem recursos financeiros, equipamentos, softwares e mão de obra para executá-los. Então, se levarmos em consideração que gerenciar projetos é buscar realizar projetos de forma a alcançar seus objetivos de qualidade e entregar seu produto dentro do prazo, com os custos estipulados e escopo atendidos, o planejamento destes recursos deve atender às variadas premissas e restrições que determinados projetos podem exigir. Em relação aos recursos humanos, podemos dizer que é uma das partes mais sensíveis dos projetos. Para lidar com aspectos de pessoal é necessário o domínio de conhecimentos e habilidades para tratar com a subjetividade da mente humana, entender a forma de interpretação que habita os pensamentos, assim como a compreensão da visão que as pessoas têm das coisas do mundo. Além disso, e o mais importante, as questões do relacionamento interpessoal são conhecimentos que estão muito distantes das expertises e técnicas computacionais. Diante de tal importância, as melhores práticas para gerenciamento de projetos destinam parte de seus esforços para a correta administração destes importantes recursos. Produto do PMI (2008), reserva uma área de conhecimento, o gerenciamento de recursos humanos do projeto. A referida área de conhecimento trata dos diversos aspectos relacionados às questões de pessoal inseridas nos projetos. Segundo o PMI (2008), o gerenciamento de recursos humanos do projeto inclui os processos que organizam e gerenciam a equipe do projeto. A equipe do projeto consiste nas pessoas com papéis e responsabilidades designadas para a conclusão do projeto. A quantidade e o tipo de pessoal que compõem as equipes de trabalho dos projetos podem variar de acordo com o tipo do projeto, desta forma, podem variar bastante em sua configuração. Diz-se que o total 200 UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA envolvimento, a entrega e o comprometimento dos componentes das equipes, tanto no planejamento como no processo de decisão e execução, trazem grandes vantagens e benefícios para o sucesso do empreendimento. 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de gerenciamento de recursos humanos do projeto está dividida em alguns processos, a saber: a) desenvolver o plano de recursos humanos; b) mobilizar a equipe do projeto; c) desenvolver a equipe do projeto; d) gerenciar a equipe do projeto. Na sequência, detalharemos cada um dos processos desta área de conhecimento. 2.1 DESENVOLVER O PLANO DE RECURSOS HUMANOS Este processo compreende criar um plano dos recursos humanos, no qual serão identificados e documentados os papéis, responsabilidades, as habilidades necessárias e relações hierárquicas do projeto, e criar um plano de gerenciamento de pessoal. Este processo tem a finalidade de elencar os recursos humanos que devem fazer parte dos projetos, e, neste contexto, deverão ser relacionados os potenciais recursos para que o projeto tenha o êxito desejado. Existirão casos em que as capacitações se farão necessárias, para que determinadas expertises sejam dominadas para a consecução do projeto. Neste planejamento também podem ser criados os mecanismos de reconhecimento e recompensas, assim como as determinações do que é considerado “em conformidade”. Também é de grande importância que os recursos escolhidos para composição da equipe de trabalho tenham a disponibilidade desejada em função das necessidades apontadas no projeto. Não é incomum, em algumas organizações, que nos casos de escassez ou limitações dos recursos humanos sejam travadas disputas por suas alocações. Neste caso, quando da disputa por recursos, se não houver entendimento e consenso entre os gestores de projetos, uma instância superior deverá decidir. Em algumas empresas pode ser o gerente de portfólio ou mesmo o gerente de TI que decidirá, com a visão mais estratégica, qual projeto deverá ter prioridade sobre o outro. TÓPICO 2 | GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO 201 2.1.1 Entradas do processo Requisitos de recursos das atividades, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.1.2 Ferramentas e técnicas Organogramas e descrições de cargos, rede de relacionamentos, MR – Matriz de Responsabilidade, teoria organizacional. 2.1.3 Saídas do processo Plano de Recursos Humanos. 2.2 MOBILIZAR A EQUIPE DO PROJETO Mobilizar a equipe do projeto é o processo de confirmação da disponibilidade dos recursos humanos e obtenção da equipe necessária para concluir as designações do projeto. São aspectos importantes: • os gestores de projeto devem influenciar positivamente a negociação dos recursos necessários; • a falta da mobilização pode influenciar negativamente o projeto; • na indisponibilidade dos recursos elencados, o gerente do projeto precisa designar recursos alternativos para a consecução do projeto. 2.2.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.2.2 Ferramentas e técnicas Pré-designação, negociação, contratação, equipes virtuais. 202 UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 2.2.3 Saídas do processo Designações do pessoal do projeto, calendários dos recursos, atualizações do plano de gerenciamento do projeto. 2.3 DESENVOLVER A EQUIPE DO PROJETO Desenvolver a equipe do projeto é o processo de melhoria de competências, interação e ambiente global da equipe para aprimorar o desempenho do projeto. Deve: • aprimorar os conhecimentos e habilidades dos membros das equipes; • aprimorar os sentimentos de motivação, autoconfiança e redução de conflitos; • disseminar a cultura da equipe dinâmica. 2.3.1 Entradas do processo Designações do pessoal do projeto, plano de gerenciamento do projeto, calendários dos recursos. 2.3.2 Ferramentas e técnicas Habilidades interpessoais, treinamento, atividades de construção da equipe, Rregras básicas, agrupamento, reconhecimento e recompensas. 2.3.3 Saídas do processo Avaliações de desempenho da equipe, atualizações dos fatores ambientais da empresa. 2.4 GERENCIAR A EQUIPE DO PROJETO Gerenciar a equipe do projeto é o processo de acompanhar o desempenho de membros da equipe, fornecer feedback, resolver questões e gerenciar mudanças para otimizar o desempenho do projeto. Gerenciar a equipe do projeto requerdiversas habilidades de gerenciamento para estimular o trabalho em equipe e integrar os esforços dos membros da equipe para criar equipe de alto desempenho. TÓPICO 2 | GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS DO PROJETO 203 O gerenciamento da equipe envolve uma combinação de habilidades, com ênfase especial em comunicação, gerenciamento de conflitos, negociação e liderança. 2.4.1 Entradas do processo Designações do pessoal do projeto, plano de gerenciamento do projeto, avaliação do desempenho da equipe, relatório de desempenho, ativos de processos organizacionais. 2.4.2 Ferramentas e técnicas Observação e conversas, avaliações de desempenho do projeto, gerenciamento de conflitos, registro das questões, habilidades interpessoais. 2.4.3 Saídas do processo Atualizações dos fatores ambientais da empresa, atualizações dos ativos dos processos, solicitações de mudança, atualizações do plano de gerenciamento do projeto. O plano de gerenciamento de recursos humanos é o documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os recursos humanos do projeto. 204 Neste tópico vimos que: • Os projetos são altamente dependentes dos recursos associados à sua execução, principalmente em relação aos recursos humanos. • Assim como os outros tipos de recursos dos projetos, os recursos humanos devem ser planejados e devidamente alocados para que o sucesso de um projeto seja possível. • Em relação aos recursos humanos, podemos dizer que é uma das partes mais sensíveis dos projetos, pois lida com aspectos do relacionamento interpessoal e, para isso, é necessário possuir conhecimentos e habilidades para estes tratamentos. • O gerenciamento de recursos humanos do projeto inclui os processos que organizam e gerenciam a equipe do projeto. A equipe do projeto consiste nas pessoas com papéis e responsabilidades designadas para a conclusão do projeto. • Tem como objetivo central fazer o melhor uso dos indivíduos envolvidos no projeto. As pessoas são o elo central dos projetos e seu recurso mais importante. Definem as metas, os planos, organizam o trabalho, produzem os resultados, direcionam, coordenam e controlam as atividades do projeto. • A área de conhecimento de gerenciamento de recursos humanos do projeto está dividida em quatro processos: • desenvolver o plano de recursos humanos; • mobilizar a equipe do projeto; • desenvolver a equipe do projeto; • gerenciar a equipe do projeto. • No gerenciamento de recursos humanos é importante atentar para: • o trabalho em time é vital para o sucesso do projeto; • o espírito de corpo contribui para o sucesso; • conflitos podem ocorrer entre o projeto e a organização; • qualquer promessa feita durante o recrutamento deve ser documentada; • os níveis de equipes são muito mais variáveis em um ambiente de projeto que em um ambiente funcional; • treinamento e desenvolvimento são mais complexos e críticos durante o projeto, se comparados com o trabalho tradicional da organização. • O plano de gerenciamento de recursos humanos é o documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os recursos humanos do projeto. RESUMO DO TÓPICO 2 205 AUTOATIVIDADE 1 Qual é o objetivo central da área de conhecimento de gerenciamento de recursos humanos? 2 Quais são as principais atribuições dos recursos humanos nos projetos? 3 Cite os processos para o gerenciamento da área de conhecimento dos recursos humanos do projeto. 4 Cite os objetivos do processo de Desenvolver a Equipe do Projeto. 5 Qual é o principal produto dos processos da área de conhecimento do gerenciamento dos recursos humanos do projeto? 206 207 TÓPICO 3 GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Os capítulos da história da humanidade sempre foram marcados, de alguma forma, pela comunicação entre os membros de suas sociedades, cujos métodos adotados continham algum tipo de simbologia que provesse a forma de transmissão e recepção de uma mensagem e a consequente compreensão do objeto e objetivo da comunicação. Nesse caminho de evolução, geração após geração, ficou caracterizado que o ato da comunicação de uma sociedade é algo imperativo e de caráter de sobrevivência. A comunicação é o elemento que visa eliminar o antagonismo das visões e percepções sobre algo. FIGURA 39 – FORMAS DE COMUNICAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://blog.qualidadesimples.com.br/wpcontent/uploads/2013/06/co- municacao.png>. Acesso em: 1 out. 2013. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 208 Ao tratarmos de comunicação, é implícito associarmos outro importantíssimo elemento que é a informação, ou seja, os conteúdos das mensagens, que há muito são considerados elementos essenciais para as organizações. Desta forma, podemos concluir que, tão importante quanto realizar a comunicação, é veicular as mensagens com qualidade. Mas, o que pode ser considerado como uma mensagem com qualidade? Bem, para respondermos a essa pergunta, já estamos fazendo uso deste conceito, pois, ao explicarmos este questionamento, em nossa resposta (também uma mensagem), ela deverá conter as informações que atendam às expectativas e às necessidades de informação para a compreensão, sem nenhuma sombra de dúvida, de formas diferentes de interpretação sobre o assunto em questão. Portanto, o envio e a recepção da mensagem devem prezar pelo pleno entendimento da mensagem, a fim de torná- lo conclusivo e evitar os ruídos, que supostamente, se existirem, irão comprometer os resultados das atividades e processos envolvidos. Também é válido mencionar que as comunicações têm o seu tempo certo para acontecer. Comunicações podem referenciar algo do presente, passado e futuro. Conforme o PMI (2008), o gerenciamento das comunicações do projeto inclui os processos necessários para assegurar que as informações do projeto sejam geradas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e organizadas de maneira oportuna e apropriada. 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES DO PROJETO Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de Gerenciamento de Comunicações do Projeto está dividida em alguns processos, a saber: • identificar as partes interessadas; • planejar as comunicações; • distribuir as informações; • gerenciar as expectativas das partes interessadas; • reportar o desempenho. Na sequência, detalharemos cada um dos processos desta área de conhecimento. 2.1 IDENTIFICAR AS PARTES INTERESSADAS É o processo de identificar todas as pessoas ou organizações que podem ser afetadas pelo projeto e de documentar as informações relevantes relacionadas aos seus interesses, envolvimento e impacto no sucesso do projeto. TÓPICO 3 | GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES 209 2.1.1 Entradas do processo Termo de abertura do projeto, documentos de aquisição, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.1.2 Ferramentas e técnicas Análise de partes interessadas, opinião especializada. 2.1.3 Saídas do processo Registro das partes interessadas, estratégia para gerenciamento das partes interessadas. 2.2 PLANEJAR AS COMUNICAÇÕES É o processo de determinar as necessidades de informação das partes interessadas no projeto e definir uma abordagem de comunicação. 2.2.1 Entradas do processo Registro das partes interessadas, estratégia para gerenciamento das partes interessadas, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.2.2 Ferramentas e técnicas Análise de requisitos da comunicação, tecnologia das comunicações, modelos de comunicação, métodos de comunicação. 2.2.3 Saídas do processo Plano de gerenciamento das comunicações, atualizações dos documentos do projeto. UNIDADE3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 210 2.3 DISTRIBUIR AS INFORMAÇÕES É o processo de colocar as informações necessárias à disposição das partes interessadas no projeto, conforme planejado. 2.3.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, relatórios de desempenho, ativos de processos organizacionais. 2.3.2 Ferramentas e técnicas Métodos de comunicação, ferramentas de distribuição das informações. 2.3.3 Saídas do processo Atualizações dos ativos de processos organizacionais. 2.4 GERENCIAR AS EXPECTATIVAS DAS PARTES INTERESSADAS É o processo de comunicação e interação com as partes interessadas para atender as suas necessidades e solucionar as questões à medida que ocorrerem. 2.4.1 Entradas do processo Registro das partes interessadas, estratégia para gerenciamento das partes interessadas, plano de gerenciamento do projeto, registro das questões, registro das mudanças, ativos de processos organizacionais. 2.4.2 Ferramentas e técnicas Métodos de comunicação, habilidades interpessoais, habilidades de gerenciamento. TÓPICO 3 | GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES 211 2.4.3 Saídas do processo Atualizações dos ativos de processos organizacionais, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. 2.5 REPORTAR O DESEMPENHO É o processo de coleta e distribuição de informações sobre o desempenho, inclusive relatórios de andamento, medições do progresso e previsões. 2.5.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, informações sobre o desempenho do trabalho, medições sobre o desempenho do trabalho, previsões do orçamento, ativos de processos organizacionais. 2.5.2 Ferramentas e técnicas Análise de variação, métodos de previsão, métodos de comunicação, sistemas de distribuição de informações. 2.5.3 Saídas do processo Relatórios de desempenho, atualizações dos ativos de processos organizacionais, solicitações de mudanças. Na área de conhecimento de gerenciamento de comunicações é gerado o Plano de Gerenciamento de Comunicações, que é o documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todo o processo de comunicação no projeto. 212 Neste tópico vimos que: • A comunicação é um elemento essencial, imperativo e de caráter de sobrevivência para toda a sociedade desde os tempos mais remotos. • Outro elemento importantíssimo é a informação, que há muito é considerada elemento essencial para as organizações. • Tão importante quanto realizar a comunicação, é veicular as mensagens com qualidade. • Uma mensagem de qualidade é aquela que atende às expectativas e às necessidades de informação de emissor e receptor. • As comunicações têm o seu tempo certo para acontecer. Comunicações podem referenciar algo do presente, passado e futuro. • Este gerenciamento inclui os processos necessários para assegurar que as informações do projeto sejam geradas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e organizadas de maneira oportuna e apropriada. • A área de conhecimento de gerenciamento de comunicações do projeto está dividida em cinco processos, a saber: • identificar as partes interessadas; • planejar as comunicações; • distribuir as informações; • gerenciar as expectativas das partes interessadas; • reportar o desempenho. • No gerenciamento de comunicações deve-se atentar para os seguintes aspectos: as pessoas dão o melhor de si quando compreendem completamente as decisões que as afetam e suas razões. Se a base do gerenciamento de projetos é a formalização de processos para alcançar melhor desempenho, a informação e a comunicação não podem ser relegadas ao improviso e à intuição; • deve-se planejar sobre o que comunicar, para quem e como; • são usados diferentes veículos de comunicação; • gerar credibilidade através de procedimentos regulares e honestos; RESUMO DO TÓPICO 3 213 • nas situações de crise, seja ágil. Informe a posição atual, ainda que não seja a definitiva; • as pessoas devem compreender como e por que uma decisão foi tomada. É gerado o Plano de Gerenciamento de Comunicações, documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todo o processo de comunicação no projeto. 214 AUTOATIVIDADE 1 Segundo nossos estudos, qual é o elemento essencial da comunicação, cuja importância é capital para as organizações? 2 Quais são os principais aspectos que indicam que uma mensagem é de qualidade? 3 Quais são os processos que compõem a área de conhecimento de gerenciamento de comunicações do projeto? 4 O que deve assegurar a área do gerenciamento das comunicações do projeto e seus processos? 5 Qual é o principal produto dos processos da área de gerenciamento de comunicações? 215 TÓPICO 4 GERENCIAMENTO DE RISCOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Se analisarmos o contexto em que vivemos no mundo, as coisas com as quais nos relacionamos e os aspectos físicos e ambientais de nosso hábitat ou nossos deslocamentos através das vias urbanas, notadamente, estamos convivendo com algum tipo de risco. Eles são inerentes à existência da vida humana. Muitos afirmam que, em tudo o que realizamos, existe algum risco envolvido. Na verdade, sim! Obviamente que, em nosso cotidiano pessoal, não devemos levar o fato aos extremos e deixar um pouco de lado a neurose de que é imperativo encontrar uma solução de mitigação ou eliminação de todo e qualquer risco a que estamos expostos, para conseguirmos nos salvaguardar de tudo o que nos cerca. Se assim procedêssemos, não conseguiríamos viver em paz, porque estaríamos gastando grande parte de nosso tempo com estas preocupações. Entretanto, é preciso saber distinguir alguns riscos daqueles que são eminentemente perigosos e, digamos, que a solução para alguns casos talvez seja não nos expormos tanto aos cenários de determinados riscos. Já no mundo dos projetos de TI, as coisas não são bem assim. Neste caso, precisamos manter a visão muito mais crítica sobre riscos que envolvem os projetos. Igualmente aos aspectos pessoais, os riscos são também inerentes aos projetos. Ao contrário de nossa vida pessoal, na qual em alguns casos podemos nos esquivar de determinadas situações que envolvem riscos, os projetos, na maioria das vezes, não nos permitem que se busquem os caminhos menos “perigosos” e de riscos reduzidos. As naturezas dos projetos de TI, essencialmente, estão associadas com riscos consideráveis, isso em função, basicamente, da dependência que as organizações têm em relação à própria TI. Os riscos de projetos de TI não estão somente relacionados às questões do grau de dependência de TI ou do que a TI representa para as empresas, mas, no tocante à execução dos projetos em si, com as suas complexidades tecnológicas, os possíveis impactos, assim como todo o pessoal envolvido, a começar pela TI, responsável por sua execução. Em boa parte dos casos, também estão relacionadas as empresas fornecedoras que podem fazer parte desta execução, os clientes e/ou usuários, gestores, executivos e os reflexos que estes empreendimentos poderão gerar no contexto corporativo. Portanto, é bem visível percebermos algumas fontes geradoras de riscos e que podemos distinguir como riscos tecnológicos, que envolvem todos os elementos associados às premissas, restrições e necessidades tecnológicas, os riscos administrativos, que envolvem todos os elementos associados às premissas, restrições e necessidades UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 216 impostas pelas partes administrativas e contratuais, e também os riscos associados aos elementos externos, como da economia, da sociedade, público consumidor e alguns considerados incontroláveis, por exemplo, os eventosda natureza. Conforme Vargas (2009, p. 88), “o gerenciamento de riscos possibilita a chance de melhor compreender a natureza do projeto, envolvendo os membros do time de modo a identificar as potenciais forças e riscos do projeto e responder a eles, geralmente associados a tempo, qualidade e custos.” Portanto, a sobrevivência do empreendimento, atualmente, está intimamente vinculada ao conceito de aproveitar uma oportunidade, dentro de um espectro de incertezas. O que torna a gestão dos riscos tão importante são fatores diversos, como o aumento da competitividade, o avanço tecnológico e as condições econômicas, que fazem com que os riscos assumam proporções muitas vezes incontroláveis. Conforme o PMI (2008), ainda como objetivos do Gerenciamento de Riscos temos: aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos e reduzir a probabilidade e o impacto dos eventos negativos do projeto. O risco do projeto é sempre futuro. O risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, tem um efeito em pelo menos um objetivo do projeto. Os objetivos podem incluir escopo, cronograma, custo e qualidade. Um risco pode ter uma ou mais causas e, se ocorrer, pode ter um ou mais impactos. Diz-se que os riscos têm sua origem nas incertezas e subjetividades existentes nos projetos, e, para combatê-los, são necessárias as ações de identificação, análise e o planejamento das respostas para estes riscos. 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE RISCOS Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de Gerenciamento de Riscos está dividida em alguns processos, a saber: • Planejar o gerenciamento dos riscos. • Identificar os riscos. • Realizar a análise qualitativa dos riscos. • Realizar a análise quantitativa dos riscos. • Planejar as respostas aos riscos. • Monitorar e controlar os riscos. Na sequência, detalharemos cada um dos processos desta área de conhecimento. TÓPICO 4 | GERENCIAMENTO DE RISCOS 217 2.1 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DOS RISCOS É o processo de definição de como conduzir as atividades de gerenciamento dos riscos do projeto. 2.1.1 Entradas do processo Declaração do escopo do projeto – fornece uma percepção clara de possibilidades associadas com o projeto e suas entregas. Plano de gerenciamento dos custos – define o uso dos orçamentos, contingências e as reservas de gerenciamento de riscos. Plano do gerenciamento do cronograma – define como as contingências do cronograma serão reportadas e utilizadas. Plano do gerenciamento das comunicações – define as interações que vão ocorrer no projeto e determina quem estará disponível para compartilhar informações dos riscos do projeto. Fatores ambientais da empresa – fatores que podem influenciar o planejamento do gerenciamento dos riscos. São as tolerâncias e atitudes sobre riscos. Ativos de processos organizacionais – ativos que podem influenciar o planejamento do gerenciamento dos riscos. 2.1.2 Ferramentas e técnicas Reuniões e análises de planejamento – reuniões para desenvolver o plano de gerenciamento de riscos. 2.1.3 Saídas do processo Plano de gerenciamento dos riscos – descrição de como o gerenciamento dos riscos será estruturado e executado. 2.2 IDENTIFICAR OS RISCOS É o processo de determinação dos riscos que podem afetar o projeto e de documentação de suas características. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 218 2.2.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento de riscos, estimativa de custos das atividades, estimativa de duração das atividades, linha de base do escopo, registro das partes interessadas, plano de gerenciamento dos custos, plano de gerenciamento do cronograma, plano de gerenciamento da qualidade, documentos do projeto, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.2.2 Ferramentas e técnicas Revisões de documentação, técnicas de coleta de informações, análise de listas de verificação, análise de premissas, técnicas de diagramas, análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças (SWOT), opinião especializada. 2.2.3 Saídas do processo Registro dos riscos. 2.3 REALIZAR A ANÁLISE QUALITATIVA DOS RISCOS É o processo de priorização de riscos para análise ou ação adicional através da avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. 2.3.1 Entradas do processo Registro dos riscos, plano de gerenciamento dos riscos, declaração do escopo do projeto, ativos de processos organizacionais. 2.3.2 Ferramentas e técnicas Avaliação de probabilidade e impacto dos riscos, matriz de probabilidade e impacto, avaliação de qualidade dos dados sobre riscos, categorização dos riscos, avaliação de urgência dos riscos, opinião especializada. 2.3.3 Saídas do processo Atualização do registro dos riscos. TÓPICO 4 | GERENCIAMENTO DE RISCOS 219 2.4 REALIZAR A ANÁLISE QUANTITATIVA DOS RISCOS É o processo de analisar numericamente o efeito dos riscos identificados nos objetivos gerais do projeto. 2.4.1 Entradas do processo Registro dos riscos, plano de gerenciamento dos riscos, plano de gerenciamento dos custos, plano de gerenciamento do cronograma, ativo de processos organizacionais. 2.4.2 Ferramentas e técnicas Técnicas de coleta e apresentação de dados, técnicas de modelagem e análise quantitativa de riscos, opinião especializada. 2.4.3 Saídas do processo Atualizações do registro dos riscos. 2.5 PLANEJAR AS RESPOSTAS AOS RISCOS É o processo de desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. 2.5.1 Entradas do processo 2.5.2 Registro dos riscos, plano de gerenciamento dos riscos. 2.5.3 Ferramentas e técnicas Estratégias para riscos negativos ou ameaças, estratégias para riscos positivos ou oportunidades, estratégias de respostas de contingência, opinião especializada. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 220 2.5.4 Saídas do processo Atualização do registro dos riscos, decisões relacionadas a riscos, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. 2.6 MONITORAR E CONTROLAR OS RISCOS É o processo de implementação dos planos de respostas a riscos, acompanhamento dos riscos identificados, monitoramento dos riscos residuais, identificação de novos riscos e avaliação da eficácia do processo de riscos durante todo o projeto. 2.6.1 Entradas do processo Registro dos riscos, plano de gerenciamento do projeto, informações sobre o desempenho do trabalho, relatórios de desempenho. 2.6.2 Ferramentas e técnicas Reavaliação de riscos, auditorias de riscos, análise da variação e tendências, medição de desempenho técnico, análise de reservas, reuniões de andamento. 2.6.3 Saídas do processo Atualizações do registro dos riscos, atualizações dos ativos de processos organizacionais, solicitações de mudança, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. Na área de conhecimento de gerenciamento de riscos é gerado o Plano de Gerenciamento de Riscos, que é o documento que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar riscos através do projeto. É considerado um dos planos secundários do plano geral do projeto. 221 Neste tópico vimos que: • Riscos são inerentes a projetos, portanto devemos manter a visão crítica sobre riscos que envolvem os projetos. • Ao contrário dos riscos associados à nossa vida pessoal, os riscos em projetos, na maioria das vezes, não nos permitem que se busquem os caminhos menos “perigosos” e de riscos reduzidos. • As naturezas dos projetos de TI, essencialmente, estão associadas com riscos consideráveis, isso em função, basicamente, da dependência que as organizaçõestêm em relação à própria TI. • Existem riscos nas questões da execução e suas complexidades tecnológicas, os possíveis impactos, assim como todo o pessoal envolvido, a começar pela TI, responsável por sua execução, fornecedores, clientes e/ou usuários, gestores, executivos. • Algumas fontes geradoras de riscos e que podemos distinguir como: • de ordem tecnológica; • de ordem administrativa; • de ordem dos elementos externos. • Possibilita a chance de melhor compreender a natureza do projeto envolvendo os membros do time de modo a identificar as potenciais forças e riscos do projeto e responder a eles, geralmente associados a tempo, qualidade e custos. • O objetivo do gerenciamento dos riscos do projeto é garantir que acontecimentos indesejáveis ao projeto não venham a interferir em sua consecução. • Outros objetivos: aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos e reduzir a probabilidade e o impacto dos eventos negativos do projeto. • O risco do projeto é sempre futuro. O risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, tem um efeito em pelo menos um objetivo do projeto. • Diz-se que os riscos têm sua origem nas incertezas e subjetividades existentes nos projetos. RESUMO DO TÓPICO 4 222 • A área de conhecimento de Gerenciamento de Riscos está dividida em seis processos: • planejar o gerenciamento dos riscos; • identificar os riscos; • realizar a análise qualitativa dos riscos; • realizar a análise quantitativa dos riscos; • planejar as respostas aos riscos; • monitorar e controlar os riscos. • É importante que se atente para os seguintes aspectos: • compreenda o projeto, produto ou processo a ser empreendido; • identifique os elementos do projeto sujeito a riscos; • desenvolva uma lista de ameaças e fraquezas para cada elemento; • priorize as ameaças e as fraquezas; • identifique impactos; • identifique os controles a serem adotados para evitar, ou minimizar, os impactos; • crie controles alternativos para quando os controles principais não forem efetivos ou não puderem ser acionados; • gere sempre documentação para servir de base a futuros projetos. • É gerado o Plano de Gerenciamento de Riscos, que é o documento que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar riscos através do projeto. 223 AUTOATIVIDADE 1 Quais são os processos que compõem a área de gerenciamento de riscos do projeto? 2 Conforme nossos estudos, são apontadas algumas fontes geradoras de riscos, cite e explique cada uma delas. 3 Cite o objetivo do gerenciamento dos riscos do projeto. 4 Qual é o principal produto dos processos da área de Gerenciamento de Riscos? 5 Diante da afirmação de que os riscos têm sua origem nas incertezas e subjetividades dos projetos, cite quais são as ações necessárias para seu gerenciamento. 224 225 TÓPICO 5 GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Os projetos, em sua grande maioria, são compostos de diversos elementos, e sua aplicação deve ter um fundamento importante para a organização e sua execução plenamente viável. Sendo assim, o contexto do escopo dos projetos pode envolver diversas necessidades de recursos, de origem técnica ou administrativa, em termos de bens e serviços para a consecução do projeto. Notadamente, tais recursos e expertises muitas vezes inexistem no cenário e nos membros da equipe do projeto, assim como o domínio de determinados conhecimentos e técnicas pelas equipes de TI ou por equipes relacionadas. Estas necessidades podem ser muito específicas. Estes e outros motivos justificam a busca das incorporações por recursos que viabilizem a execução destes projetos. Para tanto, as melhores práticas em gerenciamento de projetos, através da área de conhecimento do Gerenciamento das Aquisições, incluem ações que visam ao controle sobre estas atividades, que vão desde o planejamento, a escolha da melhor opção, a contratação (formalização através dos contratos) até a liberação de recursos contratados, quando da finalização da execução da etapa, com os procedimentos do encerramento deste contrato com o fornecedor. Conforme o PMI (2008), o gerenciamento das aquisições do projeto inclui os processos necessários para comprar ou adquirir produtos, serviços ou resultados externos à equipe do projeto. A organização pode ser tanto o comprador como o vendedor dos produtos, serviços ou resultados do projeto. O gerenciamento das aquisições do projeto abrange os processos de gerenciamento dos contratos e controle de mudanças que são necessários para desenvolver e administrar contratos ou pedidos de compra, emitidos por membros autorizados da equipe do projeto. O gerenciamento de aquisições prevê o controle dos contratos formais celebrados entre clientes e fornecedores e que devem refletir os acordos firmados entre as partes com a especificação dos direitos e obrigações, assim como as formas de execução, as entregas, prazos e custos decorrentes. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 226 2 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES Conforme a estrutura do PMI (2008), a área de conhecimento de gerenciamento de aquisições está dividida em alguns processos, a saber: • Planejar as aquisições. • Conduzir as aquisições. • Administrar as aquisições. • Encerrar as aquisições. Na sequência, detalharemos cada um dos processos desta área de conhecimento. 2.1 PLANEJAR AS AQUISIÇÕES É o processo de documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando fornecedores em potencial. 2.1.1 Entradas do processo Linha de base do escopo, documentação dos requisitos, acordos de cooperação, registro dos riscos, decisões contratuais relacionadas a riscos, requisitos de recursos das atividades, cronograma do projeto, estimativas de custos das atividades, linha de base do desempenho de custos, fatores ambientais da empresa, ativos de processos organizacionais. 2.1.2 Ferramentas e técnicas Análise do fazer ou comprar, opinião especializada, tipos de contratos. 2.1.3 Saídas do processo Plano de gerenciamento das aquisições, declaração dos trabalhos das aquisições, decisões de fazer ou comprar, documentos de aquisição, critério de seleção de fontes, solicitações de mudanças. TÓPICO 5 | GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES 227 2.2 REALIZAR AS AQUISIÇÕES É o processo de obtenção de respostas de fornecedores, seleção de um fornecedor e adjudicação de um contrato. 2.2.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, documentos de aquisição, critérios para seleção de fontes, lista de fornecedores qualificados, proposta dos fornecedores, documentos do projeto, decisões de fazer ou comprar, acordos de cooperação, ativos de processos organizacionais. 2.2.2 Ferramentas e técnicas Reuniões com licitantes, técnicas de avaliação de propostas, estimativas independentes, opinião especializada, publicidade, pesquisa na internet, negociações das aquisições. 2.2.3 Saídas do processo Fornecedores selecionados, adjudicação do contrato de aquisição, calendários dos recursos, solicitações de mudanças, atualizações do plano de gerenciamento do projeto, atualizações dos documentos do projeto. 2.3 ADMINISTRAR AS AQUISIÇÕES É o processo de gerenciar as relações de aquisição, monitorar o desempenho do contrato e fazer mudanças e correções conforme necessário. 2.3.1 Entradas do processo Documentos de aquisição, plano de gerenciamento do projeto, contrato, relatórios de desempenho, solicitações de mudanças aprovadas, informações sobre o desempenho do trabalho. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 228 2.3.2 Ferramentas e técnicas Sistema de controle de mudança no contrato, análise de desempenho dasaquisições, inspeções e auditorias, relatórios de desempenho, sistemas de pagamento, administração de reivindicações, sistema de gerenciamento de registros. 2.3.3 Saídas do processo Documentação da aquisição, atualizações dos ativos de processos organizacionais, solicitações de mudanças, atualizações do plano de gerenciamento do projeto. 2.4 ENCERRAR AS AQUISIÇÕES É o processo de finalização de cada aquisição do projeto. Como envolve verificar se todo o trabalho e as entregas são aceitáveis, serve de apoio ao processo de encerramento do projeto ou da fase. 2.4.1 Entradas do processo Plano de gerenciamento do projeto, documentos de aquisição. 2.4.2 Ferramentas e técnicas Auditorias de aquisições, acordos negociados, sistema de gerenciamento de registros. 2.4.3 Saídas do processo Aquisições encerradas, atualizações dos ativos de processos organizacionais. Na área de conhecimento de Gerenciamento de Aquisições é gerado o Plano de Gerenciamento de Aquisições, que é o documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os contratos do projeto. 229 Neste tópico vimos que: • Os projetos no contexto do escopo podem envolver diversas necessidades de recursos, de origem técnica ou administrativa, em termos de bens e serviços para a consecução do projeto. • Devido às necessidades muito específicas, muitas vezes é necessário adquirir bens ou serviços que viabilizem a execução destes projetos. • A área de conhecimento do gerenciamento das aquisições inclui ações que visam ao controle sobre estas atividades que planejam e contratam recursos para a consecução do projeto. • O gerenciamento das aquisições do projeto inclui os processos necessários para comprar ou adquirir produtos, serviços ou resultados externos à equipe do projeto. • O gerenciamento das aquisições do projeto abrange os processos de gerenciamento dos contratos e controle de mudanças que são necessários para desenvolver e administrar contratos ou pedidos de compra, emitidos por membros autorizados da equipe do projeto. • A área de conhecimento de gerenciamento de aquisições está dividida em quatro processos, a saber: • planejar as aquisições; • conduzir as aquisições; • administrar as aquisições; • encerrar as aquisições. • Deve-se atentar para os seguintes aspectos: • utilize um checklist para a preparação de propostas e contratos; • avalie os riscos antes de escolher um determinado tipo de contrato; • sempre reveja, com o departamento jurídico, o contrato a ser assinado; • garanta, através de contrato ou seguro, os riscos não cobertos. • É gerado o Plano de Gerenciamento de Aquisições, documento formal que descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todos os contratos do projeto. RESUMO DO TÓPICO 5 230 AUTOATIVIDADE 1 Notadamente, os projetos necessitam invariavelmente de recursos que devem ser incorporados para viabilizar as suas execuções. Para gerenciar esta área de conhecimento, são aplicadas as melhores práticas. Elas prescrevem quais ações básicas? 2 Cite os processos que compõem a área de conhecimento de gerenciamento de aquisições do projeto. 3 Os processos do gerenciamento das aquisições do projeto devem incluir ações de: 4 Segundo nossos estudos, para o gerenciamento das aquisições, devemos atentar para quais aspectos em relação às aquisições? 5 Qual é o principal produto dos processos da área de gerenciamento de aquisições do projeto? 231 TÓPICO 6 RELATÓRIO E MEDIÇÃO DE SERVIÇO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Conforme Fernandes e Abreu (2008, p. 294), “os serviços de TI devem continuamente ser alinhados e, principalmente, integrados às necessidades do negócio (que são dinâmicas por natureza), através da identificação e da implementação de ações de melhoria para o suporte aos processos de negócio”. A ITIL, na sua versão 3, traz em seu escopo atividades que suportam o planejamento contínuo da melhoria de processos, tais como análise das informações gerenciais e das tendências quanto ao atingimento dos níveis de serviço e dos resultados desejados pelos serviços, avaliações de maturidade e auditorias internas periódicas, pesquisas de satisfação junto aos clientes e gerenciamento do Plano de Melhoria de Serviços (FERNANDES; ABREU, 2008). “Talvez um dos maiores desafios das empresas seja visualizar o nível de profundidade que deve ser adotado pelos mecanismos de controle e medições de desempenho. Em primeiro lugar, o que deve ser medido, como e onde obter os dados e em que perspectiva os resultados devem ser agregados”. (FERNANDES; ABREU, 2008, p. 182). As empresas devem medir a situação atual, principalmente nos aspectos em que alguma ação de melhoria é necessária, e monitorar estas ações de forma sistemática. Finalmente, para decidir qual é o ponto certo, deve-se analisar a relação custo-benefício do controle (FERNANDES; ABREU, 2008). UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 232 2 OBJETIVOS Os objetivos dos processos de Melhoria de Serviço Continuada (MSC), conforme o modelo ITIL, são: Prover melhorias contínuas. Proporcionar um guia prático para avaliar e melhorar a qualidade de serviços e melhoria geral do ciclo de Gerenciamento de Serviços de TI e seus processos subjacentes em três níveis dentro da organização. Visam: O bom funcionamento do gerenciamento de serviço de TI como um todo. O contínuo alinhamento do portfólio de serviços de TI com as necessidades atuais e futuras do negócio. A maturidade do processo de TI requerida para dar suporte aos processos do negócio em um modelo de ciclo de vida de serviço contínuo. Aumentar a eficiência, minimizar a efetividade e otimizar os custos dos serviços e processos subjacentes. MSC Melhoria de Serviço Continuada. Este processo faz melhorias em cada fase e no ciclo de vida inteiro. É ela que faz com que todo o ciclo de vida esteja integrado. Aperfeiçoar a qualidade do serviço, a eficiência e a eficácia dos processos. Buscar o custo efetivo na entrega de serviços de TI. Verificar se os níveis de serviços são alcançados. Assegurar que os métodos de gerenciamento da qualidade suportem as atividades de melhoria contínua. FONTE: CARVALHO, P. F. Analista de sistemas. Melhoria de serviço continuada – ITIL Foundation V3. Disponível em: <http://www.pedrofcarvalho.com.br/PDF/ITIL_MELHORIA_DE_SERVICO_ CONTINUADA.pdf>. Acesso em: 25 set. 2013. A figura a seguir apresenta o modelo de MSC: TÓPICO 6 | RELATÓRIO E MEDIÇÃO DE SERVIÇO 233 FIGURA 40 – MODELO DE MSC FONTE: Disponível em: <http://tecnologiaegestao.files.wordpress.com/2010/09/17.png>. Acesso em: 22 set. 2013. Seguindo o modelo MSC é possível criar um posicionamento para melhor atuação nas questões da qualidade e dos objetivos e metas para serem atingidos. Por que é importante realizar as medições nos produtos e serviços: FIGURA 41 – MEDIÇÕES FONTE: Disponível em: <http://www.chadecerebro.com.br/wp-content/uploads/2013/03/O -q ue-faz-o-profissional-analista-de-métricas.png>. Acesso em: 24 set 2013. UNIDADE 3 | ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA GESTÃO DE PROJETOS E MELHORIA DE SERVIÇO CONTINUADA 234 As métricas nos auxiliam a validar decisões estratégicas, para verificar se o definido foi cumprido. Para auxiliar o atingimento das atividades e as metas. Devem existir evidências para justificar as métricas e assim implantar ações para correção. Para saber qual é o momento em que devem ser feitas as mudanças ou ações corretivas. É fundamental aplicar mecanismos de mensuração e melhoria, porque desta forma é possível verificar quais serviços poderão trazer vantagens para a empresa. A implantação de serviços e dos processos deve ter objetivos bem definidos e as suas formas de medição.