Prévia do material em texto
Esquizofrenia A esquizofrenia não é uma “dupla personalidade”, como muitas pessoas imaginam por causa de seu nome. A doença é chamada esquizo (fragmentada) frenia (mente) porque faz com que suas vítimas sofram profundas deficiências na capacidade de pensar com clareza e sentir emoções normais. Ela atinge as pessoas no exato momento de preparação para entrar na fase de suas vidas em que podem alcançar seu maior crescimento e produtividade (na adolescência ou no início da segunda década de vida), deixando a maioria delas incapaz de retornar à vida adulta normal: estudar, trabalhar, casar e ter filhos. Um estudo multicêntrico realizado pela OMS em diversos países encontrou a prevalência de 1%. Em geral, a doença tem seu início no fim da adolescência e no começo da idade adulta, mas pode começar mais tardiamente, principalmente nas mulheres. Os homens apresentam um risco 1,4 a 2,3 vezes maior do que as mulheres de desenvolver esquizofrenia, com idade média de cinco anos menor, sendo o pico de incidência aos 15-25 anos nos homens e 25-35 anos nas mulheres. História Natural: A história natural da esquizofrenia pode ser dividida em quatro fases: pré- mórbida, prodrômica, progressão e estabilização. Fase pré-morbida: A baixa sociabilidade, com predileção por atividades solitárias ou ansiedade social, e as alterações cognitivas (principalmente déficits de memória verbal, atenção e funções executivas), identificadas já em filhos de indivíduos portadores de esquizofrenia, podem ser consideradas alterações pré-mórbidas. Essas alterações no comportamento, observáveis desde a infância, podem progredir e estar associadas ao desenvolvimento da esquizofrenia. Fase prodrômica: A fase prodrômica é caracterizada por um período variável de tempo, geralmente de meses, antecedendo a eclosão da psicose, em que o indivíduo pode apresentar um estado de apreensão e perplexidade sem um foco aparente, sendo comum o sentimento de que “algo está para acontecer”. Geralmente se nota uma mudança no comportamento da pessoa, que passa a ficar mais isolada e a demonstrar atitudes peculiares e excêntricas, podendo ocorrer sintomas psicóticos breves e transitórios. Progressão O período prodrômico culmina muitas vezes com o primeiro episódio de psicose e, nesse ponto, inicia-se a chamada fase progressiva da esquizofrenia, podendo ocorrer deterioração. Estabilização: Evolui para fase estável, sujeita a recaídas. Os sintomas negativos muitas vezes são detectáveis desde o princípio, ao passo que os sintomas positivos ocorrem durante o período de exacerbação. Teorias da fisiopatologia: teoria glutamatérgica e teoria dopaminérgica Teoria Glutamatérgica: O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do SNC e está implicado em funções cognitivas como memória e aprendizado. Duas hipóteses assinalam seu papel na esquizofrenia: hipótese da hipofunção glutamatérgica; hipótese da hiperfunção glutamatérgica. Teoria Dopaminérgica: A visão atual sobre a hipótese dopaminérgica é de que: há um excesso de dopamina em via mesolímbica associado a sintomas positivos, enquanto sintomas negativos e cognitivos estão associados, em parte, a déficit de dopamina no córtex frontal. Quadro Clínico: Os sintomas característicos incluem alterações em quase todas as funções da esfera psíquica, ou seja, percepção, pensamento, linguagem, memória e funções executivas. Os sintomas podem ser divididos em dois grupos: sintomas positivos e negativos. Os sintomas positivos são caracterizados pela presença de manifestações psíquicas que deveriam estar ausentes, enquanto os negativos se caracterizam pela ausência de manifestações psíquicas que deveriam estar presentes. Eduarda Faganello