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O ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL_ Caminho para Construção de uma Educação Cidadã

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seja, aplicam o raciocínio sobre a lógica do 
argumento. Na música, todos os seus elementos tomarão dimensão de completude 
neste estágio, considerando, entretanto, que já vinham adquirindo bases desde o 
primeiro estágio. A noção ampliada da reversibilidade dará possibilidades para a 
descoberta da disposição ordenada que conduzirá às formas musicais mais 
distintas, daí por diante, o leque se abre oferecendo novas oportunidades de 
conhecimentos nos aspectos musicais formais. 
 Compreende-se então, que os estágios são fixos, e que todo o indivíduo em 
processo de aquisição de conhecimento, necessariamente, passa por eles. No 
entanto, são ilimitadas as possibilidades de construção cognitivas em vários âmbitos 
do saber, pois trazem sempre novas abstrações. 
 
 
3.1.2 Aplicações da teoria de Piaget à Educação Mus ical 
 
 
 No contexto da teoria de Piaget, a inteligência musical é considerada por 
Zimmeman (1964), como uma estrutura organizada de conceitos musicais que têm 
bases na percepção, onde começa o aprendizado musical. Pois primeiro ocorrerá a 
discriminação de diferentes sons, depois canta-se melodias e, posteriormente, 
aprecia-se atentamente a forma musical mais complexa (como uma sonata, por 
 
10 Que parte de hipóteses explicativas, buscando deduzir as conseqüências e verificar sua realidade 
empírica (diz-se de método ou procedimentos nas ciências experimentais) (HOUAISS, 2004). 
 
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exemplo). Tendo seqüência nesta experiência a percepção musical ganhará 
dimensões de tempo, ou seja, uma consciência musical evoluirá gradativamente. 
Porém, a inteligência musical se desenvolve pela interação do indivíduo com 
a música onde ocorre um vínculo desta ação com o fator conceitual incorporando o 
sistema de símbolos. 
Para a educação básica, o plano de estudo elaborado se apoia em audições e 
execuções musicais de cunho recreativo. Assim, considerando a visão de Piaget, 
fica evidente que esses procedimentos são meras cópias de uma realidade musical 
existente. Para Piaget a criança adquire conhecimento musical atuando 
criativamente sobre o seu próprio ambiente sonoro. 
 É de grande importância que as experiências musicais na primeira infância 
ocorram de forma natural. O ritmo do crescimento musical passa da percepção para 
a imitação e desta para a improvisação. Por isso as crianças devem ser estimuladas 
a improvisarem fragmentos melódicos e rítmicos. Assim deveriam ser as atividades 
musicais direcionadas à aprendizagem. 
Pode-se pensar o crescimento musical como uma espiral que se expande de 
baixo para cima onde os problemas são atacados e sucessivamente nivelados, 
resultando melhor aprimoramento pela passagem de nível para nível. Conforme 
sugere o gráfico abaixo. 
 49 
 
 
Figura 2. Os estágios de desenvolvimento segundo Piaget. 
 
 
 O gráfico revela o caráter hierárquico, integrativo e inacabado dos estágios do 
desenvolvimento da inteligência. Com base nele, sugere-se uma linha gradativa de 
ação considerando, fundamentalmente, a teoria de Piaget. Recordando porém, que 
a imitação desenvolve um papel importante para a aquisição de símbolos, durante o 
período final da etapa sensório-motor à pré-operativa. Então, o uso da imitação deve 
ser aplicada para a aprendizagem, levando às crianças a explorarem a imitação. 
 
a)- imitar e repetir; 
b)- imitar e elaborar; 
c)- imitar e iniciar. 
 
 50 
 Para as crianças, no 3º e 4º ciclos, da educação fundamental, sugere-se um 
programa semelhante, porém, mais elaborado, onde terão a oportunidade de 
construírem sobre situações práticas, pois já possuem consciência dos sons 
musicais e de alguns outros elementos musicais. Aplica-se, então, conceitos 
musicais básicos através da experimentação concomitante. Assim, vão criando 
ciência daquilo que, posteriormente, será anotado por meio da notação musical, que 
é um recurso criado pelo homem para escrever os sons musicais: “Os sons vêm 
primeiro!” diz, Zimmerman (1964), pois acredita que uma seqüência bem delimitada 
de experiências musicais em um ambiente musical rico e estimulante, alimentará o 
desenvolvimento musical e este acompanhado de significado para as crianças. 
 
 
3.2 A COGNIÇÃO MUSICAL SEGUNDO KEITH SWANWICK 
 
 
 
 
O educador musical, Keith Swanwick baseou-se nas idéias de Piaget, sobre 
sua Teoria da Construção do Conhecimento, para criar a Teoria Espiral do 
Desenvolvimento Musical que explica como ocorre o desenvolvimento do 
aprendizado musical. 
 Para Swanwick (2003), tal aprendizado acontece da mesma forma como 
qualquer outro tipo de conhecimento, ou seja, todos passam por sucessivas etapas 
que estarão, por sua vez, submetidas ao grau de maturidade psicológica 
apresentada por cada indivíduo. Sua teoria foi realizada após uma pesquisa de 
campo realizada com um grupo de crianças, de diferentes idades e etnias, através 
de oficinas de música. Portanto, um trabalho de caráter qualitativo e quantitativo, 
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logo, cientificamente validado. Com bases nesta pesquisa, surge a Teoria Espiral de 
Desenvolvimento Musical. 
 Para fazê-la compreendida Swanwick construiu um gráfico em forma de 
espiral onde apresenta os níveis de desenvolvimento estabelecidos por faixas 
etárias, semelhantes às classificadas por Piaget. 
 
Figura 3. Desenvolvimento musical segundo Swanwick. 
(o gráfico deve ser observado de baixo para cima). 
 
Cada nível do gráfico representa um território específico da experiência 
musical, onde o autor distingue modos específicos de envolvimento da criança com 
o conhecimento musical, e cada modo, subdivide-se em dois campos de atuação. 
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As expressões impressas ao lado esquerdo do gráfico referem-se a conceitos 
psicológicos atribuídos a cada nível. 
 
a) 1º NÍVEL (0 a 4 anos) – Materiais : Sensório e Manipulativo. 
 
Neste nível a preocupação deve ser com o lúdico valorizando, sempre que 
possível, a utilização do corpo. 
 
SENSÓRIO – Ocorre nos primeiros dois anos deste nível (0 – 2 anos) onde as 
crianças demonstram fortes evidências de prazer pelos diferentes tipos de sons. 
Elas exploram o som sem nenhuma organização prévia, pois não há maturidade 
para isto. Não há, nesta fase, nenhum indício de expressividade. 
MANIPULATIVO – As crianças (3 – 4 anos) conseguem algum controle e algumas 
repetições. A pulsação pode ser observada de forma mais regular com o auxílio de 
instrumentos musicais próprios para esta faixa etária. 
 
b) 2º NÍVEL (4 a 9 anos) – Expressão : Expressão Pessoal e Vernacular. 
 
Neste nível as palavras já possuem sentido, ou seja, há o entendimento de 
um idioma. As crianças reproduzem algo que, para elas, fazem sentido. 
 
EXPRESSÃO PESSOAL – Começa a aparecer nas variações de andamentos e 
níveis de dinâmicas. Os primeiros fraseados musicais (ensaios) começam a ser 
evidentes, mas sem a garantia de que poderá ser feitas repetições. 
 53 
VERNACULAR – Os padrões começam a despontar. Já podem ser repetidas as 
figuras melódicas e rítmicas. Embora as peças sejam ainda curtas, já obedecem as 
convenções musicais estabelecidas. 
 
c) 3º NÍVEL (10 a 15 anos) – Forma : Especulativo e Idiomático. 
 
Neste nível as crianças possuem determinado grau de abstração. 
Musicalmente, conseguem pegar o fragmento de uma música e brincar com ela, ou 
seja, começa a mexer com sua estrutura de forma compreensiva. 
 
ESPECULATIVO – Ultrapassa a simples repetição. As crianças vão além com suas 
composições, permitindo surpresas. Porém, tal expressividade fica submetida a 
experimentações, onde vão explorando novas formas de estrutura. Este momento 
impõe a prática musical. 
IDIOMÁTICO – Há maior controle técnico, expressivo e estrutural nas composições. 
As crianças praticam contraste e variação através de imitação de modelos e 
práticas claras. Há importância na autenticidade harmônica e instrumental. 
 
d) 4º NÍVEL (15 anos em diante) –