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O trabalho etnográfico de Boas e Malinowski na Antropologia

Resumo sobre etnografia na Antropologia: trabalhos de Franz Boas e Bronislaw Malinowski; observação participante e trabalho de campo; ruptura com a antropologia de gabinete; crítica ao evolucionismo; funcionalismo e princípios metodológicos expostos em Os Argonautas.

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O trabalho etnográfico de Boas e Malinowski na Antropologia
A etnografia é um método de pesquisa antropológica que tem como resultado o melhor
entendimento de uma determinada cultura. Ela se desenvolve, necessariamente, a partir do
trabalho de campo, no qual o pesquisador pratica uma observação participante de seu objeto,
isto é, se desloca geograficamente para o lugar no qual o grupo analisado se encontra e
participa da vida cotidiana do grupo pesquisado. O método etnográfico marca também uma
ruptura com a chamada Antropologia de gabinete, que dispensava o trabalho de campo junto
de seus objetos de pesquisa e baseava suas teorias em relatos de viagens.
Apesar de a pesquisa etnográfica ser em sua maioria atribuída ao nome de Bronislaw
Malinowski, é importante ressaltar que o antropólogo Franz Boas já havia realizado-a com os
esquimós da ilha de Baffin, no Canadá, e com os indígenas denominados Kwakiutl, nos
Estados Unidos, dezenas de anos antes de Malinowski de publicar o livro “Os Argonautas do
Pacífico Ocidental”, no qual fazia um manifesto de defesa da etnografia, ressaltando a
importância da observação participativa para a Antropologia.
Boas, em seu primeiro trabalho etnográfico com os Inuit (ou, como são popularmente
conhecidos, os esquimós), percebe a importância de um convívio direto e integrado com o
povo de uma etnia para uma melhor compreensão do organizações, relações de parentesco,
hábitos, costumes etc de sua cultura como um todo. O estudioso percebe que devemos
entender as particularidades de um povo olhando só para ele e para os processos históricos
enfrentados por ele, sem realizar comparações com características de outros povos,
configurando a etnografia como uma metodologia que ajuda, também, a rebater a teoria do
evolucionismo cultural da época e ideias etnocêntricas.
Também interessado em romper com os ideais evolucionistas, Malinowski é um dos
principais representantes da corrente da Antropologia Funcionalista. Ele explicava que cada
prática social poderia ser atribuída a uma função social diferente, ou seja, para cada
necessidade fisiológica no ser humano haveria uma manifestação dela na cultura, expondo a
função que cada expressão cultural carrega. Malinowski ressalta que, para compreender o
modo de viver de um determinado povo, o método etnográfico é imprescindível. Dessa forma,
ele inaugura as novas bases da Antropologia.
Em seu livro “Os Argonautas do Pacífico Ocidental”, Malinowski relata que os povos
Trobriandeses, seu objeto de estudo, possuem sim instituições e maneiras de se organizar que,
apesar de diferentes das europeias, são complexas, relevantes e válidas para o seu meio social.
O antropólogo dava ênfase na importância de compreender aquela determinada cultura a
partir do ponto de vista de quem vive nela, de quem está inserido dentro dela. Antes de
adentrar suas observações sobre os aspectos sociais da vida nas Ilhas Trobriand, Malinowski
destaca os princípios de sua metodologia na introdução de sua obra:
Os princípios metodológicos podem ser agrupados em três: em primeiro
lugar, é lógico, o pesquisador deve possuir objetivos genuinamente
científicos e conhecer os valores e critérios da etnografia moderna. Em
segundo lugar, deve o pesquisador assegurar boas condições de trabalho, o
que significa, basicamente viver mesmo entre os nativos, sem depender de
outros brancos. Finalmente, deve ele aplicar certos métodos especiais de
coleta, manipulação e registro de evidência. (MALINOWSKI, 1976, p. 22).
Apesar das críticas a método funcionalista, o trabalho de Malinowski marcou profundamente
a história da Antropologia e deixou um legado. A leitura de suas obras estimulam, até hoje,
pensamentos que, para o senso comum, são inovadores.
Referências bibliográficas:
● CASTRO, Celso. Textos Básicos de Antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor Ltda, 2016.
● BOAS, Franz. Antropologia cultural (Antropologia Social). Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Editor Ltda, 2004.
● MALINOWSKI, B. Argonautas do Pacífico Ocidental. Um relado do
empreendimento e da aventura dos nativos nos arquipélagos da Nova Guiné
Melanésia. São Paulo: Abril Cultural, 1976.

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