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Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. MÓDULO DE: LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO AUTOR: THIAGO RANGEL DE AQUINO 2 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Módulo de: Logística de Distribuição Autor: Thiago Rangel de Aquino Primeira edição: 2008 Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040 3 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. APRESENTAÇÃO Em 1960 o professor E. Jerome McCarthy, em seu livro “Basic Marketing: a managerial approach” considerou as quatro variáveis: produto, preço, promoção e praça, ponto de venda (os famosos 4 P’s) como as ferramentas controláveis mais importantes a serem usadas pelos gerentes de Marketing das empresas. Até hoje elas têm resistido ao tempo e se mantido como as principais e básicas ferramentas do profissional de Marketing. O Marketing Mix ou Composto de Marketing (como ficaram conhecidos os 4 P’s) foi amplamente discutido e estudado pelos gestores e mestres da mercadologia, e cada um dos P’s tornou-se uma especialização dentro da gestão mercadológica da empresa. Surgiram os especialistas em Produto (que ficaram responsáveis pela marca, design, pesquisas de mercado, etc.); em Promoção (desenvolvendo campanhas de comunicação, embalagens, promoções de vendas, etc.); em Preço (determinando mark-up’s, aferindo impostos, definindo estratégias de preço) e em Praça, que acumula diversas funções, sendo que a principal é a determinação de estratégias de distribuição condizentes com as demais estratégias da empresa. Neste Módulo, será focado o estudo da Logística de distribuição; suas estratégias, os principais canais de distribuição – canais de marketing – e suas aplicações (teóricas e práticas) na gestão da empresa. 4 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. OBJETIVO Proporcionar ao gestor logístico uma visão global de todo o canal de Marketing que envolve a empresa, tornando-o apto a tomar decisões sobre a distribuição dos produtos; identificando o papel dos canais de marketing na gestão estratégica de distribuição, além perceber as novas tendências e tecnologias ligadas à distribuição das empresas. EMENTA Canais de Marketing, Distribuição, Logística, Canais Eletrônicos, Desenho de Canais, Distribuição Física, Transporte, Armazenagem, Processamento de Pedidos, Manuseio de Materiais, Sistemas Logísticos. Sobre o Autor Pós-Graduação:Logística e Comércio Internacional. Pós-Graduação:Gestão de Comércio Exterior e Negócios Internacionais. Graduação:Administração de Empresas. Graduação:Marketing. 5 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. SUMÁRIO UNIDADE 1 ......................................................................................................................... 8 Canais de Marketing ........................................................................................................ 8 UNIDADE 2 ....................................................................................................................... 15 Estrutura do Canal ......................................................................................................... 15 UNIDADE 3 ....................................................................................................................... 19 Os Participantes do Canal ............................................................................................. 19 UNIDADE 4 ....................................................................................................................... 32 Intermediários de Varejo e Agentes Facilitadores .......................................................... 32 UNIDADE 5 ....................................................................................................................... 40 Ambiente dos Canais de Marketing ............................................................................... 40 UNIDADE 6 ....................................................................................................................... 48 Ambientes Tecnológicos e Legais................................................................................. 48 UNIDADE 7 ....................................................................................................................... 56 Processos Comportamentais no Canal de Marketing I .................................................. 56 UNIDADE 8 ....................................................................................................................... 65 Processos Comportamentais no Canal de Marketing II ................................................. 65 UNIDADE 9 ....................................................................................................................... 69 Estratégia em Canais de Marketing ............................................................................... 69 UNIDADE 10 ..................................................................................................................... 77 Desenhando o Canal de Marketing I .............................................................................. 77 UNIDADE 11 ..................................................................................................................... 86 Desenhando o Canal de Marketing II ............................................................................. 86 UNIDADE 12 ..................................................................................................................... 97 Selecionando os Membros do Canal ............................................................................. 97 UNIDADE 13 ................................................................................................................... 106 Motivando os Membros do Canal ................................................................................ 106 UNIDADE 14 ................................................................................................................... 113 6 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Avaliação de Desempenho dos Membros do Canal .................................................... 113 UNIDADE 15 ................................................................................................................... 122 Logística e Gestão do Canal ........................................................................................ 122 UNIDADE 16 ................................................................................................................... 127 Sistemas, Custos e ComponentesLogísticos ............................................................... 127 UNIDADE 17 ................................................................................................................... 132 Manuseio de ,Materiais ................................................................................................ 132 UNIDADE 18 ................................................................................................................... 145 Processamento de Pedidos ......................................................................................... 145 UNIDADE 19 ................................................................................................................... 149 Picking ......................................................................................................................... 149 UNIDADE 20 ................................................................................................................... 160 Depósitos e Armazéns .................................................................................................160 UNIDADE 21 ................................................................................................................... 167 Transporte .................................................................................................................... 167 UNIDADE 22 ................................................................................................................... 172 Serviço ao Cliente ........................................................................................................ 172 UNIDADE 23 ................................................................................................................... 176 Áreas Chaves entre a Logística e a Gestão do Canal ................................................. 176 UNIDADE 24 ................................................................................................................... 182 Distribuição Física de Produtos ................................................................................... 182 UNIDADE 25 ................................................................................................................... 187 Coleta e Distribuição .................................................................................................... 187 UNIDADE 26 ................................................................................................................... 192 Roteirização de Veículos ............................................................................................. 192 UNIDADE 27 ................................................................................................................... 198 Canais de Marketing Eletrônicos ................................................................................. 198 UNIDADE 28 ................................................................................................................... 206 Fatos eTendências nos Canais de Marketing Eletrônicos ........................................... 206 UNIDADE 29 ................................................................................................................... 219 Vantagens e Desvantagens dos Canais de Marketing Eletrônicos .............................. 219 7 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 30 ................................................................................................................... 225 Implicações para a Estratégia e a Gestão de Canais de Marketing Eletrônicos. ......... 225 GLOSSÁRIO .................................................................................................................. 230 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................. 231 8 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 1 Objetivo: Conhecer os canais de marketing e como eles podem ser usados para conseguir uma vantagem competitiva sustentável. Canais de Marketing Canal de marketing, por definição, é a organização contratual externa que administra e opera para alcançar seus objetivos de distribuição. O primeiro termo externa significa que o canal de marketing existe fora da empresa. Em outras palavras, não é parte da estrutura organizacional interna da empresa. Já o termo organização contratual, o segundo, refere-se às empresas ou partes envolvidas em funções de negociação à medida que um produto ou serviço move-se do produtor para seu usuário final. As funções de negociação consistem em comprar, vender e transferir a propriedade de bens ou serviços. Em consequência, apenas as empresas ou partes que se engajam nessas funções são consideradas membros do canal de marketing. Outras empresas (geralmente referidas como agências facilitadoras, como companhias de transporte, armazéns públicos, bancos, companhias de seguros ou agências de publicidade), que desempenham funções outras, que não as de negociação, estão excluídas. O terceiro termo sugere envolvimento da administração nos negócios do canal. Esse envolvimento pode variar desde todo o desenvolvimento inicial da estrutura do canal até o seu gerenciamento no dia a dia, pelo Gerente do Canal. Se a administração opera a organização contratual externa, ela tomou a decisão de não deixar tal organização funcionar simplesmente por conta própria. Isso não implica que a administração deva ter controle total ou mesmo substancial do canal. 9 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O último termo utilizado na definição de canal de marketing é: Objetivo de distribuição, que significa que a administração tem em mente certas metas de distribuição e o canal de marketing existe como meio para alcançá-las. A estrutura e a gestão do canal de marketing devem ser concebidas em função dos objetivos de distribuição de uma empresa. Os canais de marketing e as pessoas que dele participam envolvem sistemas complexos e dinâmicos. No entanto, muito do que fazem não é visto pelos consumidores finais. Eles veem apenas o resultado final de um conjunto de estratégias, planos e ações que criam novos tipos de lojas, centros de distribuição, serviços e tecnologias, e determinam a estrutura e a operação dos canais de marketing. Os canais, por sua vez, afetam a vida de milhões de clientes que dependem dele para deixar os produtos e serviços, de todo o mundo, disponíveis para eles. Por muitos anos, o campo dos canais de marketing recebeu pouca atenção em comparação com as outras três áreas estratégicas do composto mercadológico: produto, preço e promoção. Muitas empresas tratavam a estratégia de canal de marketing como algo secundário, perante as estratégias mais “importantes” de produto, preço e promoção. Nos últimos anos, porém, essa negligência relativa dos canais de marketing vem mudando – em muitos casos para um intenso interesse na área. Pelo menos cinco tendências conduziram a tal mudança de ênfase: Maior dificuldade em conquistar uma vantagem competitiva sustentável; Poder crescente dos distribuidores, especialmente os varejistas, nos canais de marketing; Necessidade de reduzir custos de distribuição; Revalorização do crescimento; 10 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Crescente papel da tecnologia. Maior dificuldade em conquistar vantagem competitiva sustentável Vantagem competitiva sustentável é um diferencial competitivo que não pode ser facilmente copiado pela concorrência, o que vem ficando cada vez mais difícil de alcançar mediante estratégias de produto, preço e promoção. Sobre a estratégia de produto, a rápida transferência de tecnologias entre as empresas e a competição global tornou muito mais fácil para as empresas, acompanhar seus concorrentes em projeto, atributos e qualidade dos produtos. Com isso, a habilidade da empresa em competir em longo prazo, confiando em produtos diferentes ou melhores que os dos outros, se tornou difícil de sustentar. Na atual economia globalizada, ganhar vantagem competitiva sustentável via estratégia de preços, é menos viável que via estratégia de produto. A habilidade de mais e mais empresas em operar instalações de produção em todo o mundo gerou uma competição acirrada em muitas categorias de produtos e até mesmo serviços. Consequentemente, uma empresa cuja estratégia enfatize preços mais baixos que os da concorrência não se mantêm como uma vantagem por muito tempo; outra empresa doméstica ou estrangeira, fabricando seus produtos em algum lugar do mundo, provavelmente, conseguirá vender a preços iguais ou menores. A terceira área do composto mercadológico, a promoção, também se tornou uma estratégia precária para ganhar vantagem competitiva sustentável. O grande volume de publicidade e outras formas de promoção às quais os consumidores são expostos diariamente criam tanta confusãoque reduzem drasticamente o impacto das mensagens promocionais. Dessa forma, mesmo as mensagens mais inteligentes e cuidadosamente concebidas têm efeito efêmero quando milhares de mensagens disputam a mente do público alvo. Portanto, prender-se a uma vantagem competitiva, ganha por meio de promoção, tornou-se quase impossível hoje. 11 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O Ponto de Distribuição - ou canal de marketing – de fato oferece maior potencial para obter vantagem competitiva, porque é mais difícil de ser copiada pelos concorrentes em curto prazo. Há três razões para esse fato: A estratégia de canal é de longo prazo: Configurar e manter canais de marketing superiores em tornar produtos e serviços disponíveis aos clientes geralmente envolve um período relativamente longo para planejar e implementar. A maioria dos concorrentes não está disposta a assumir o comprometimento em longo prazo; necessário para acompanhar a estratégia de canal, e dessa forma, a empresa adquire uma vantagem competitiva sustentável. A estratégia de canal geralmente exige uma estrutura: Por sua própria natureza, a estratégia de canal geralmente requer uma estrutura que consiste em organizações e pessoas para implementá-la. O esforço e o investimento investidos na formação dessa estrutura levam os concorrentes a refletir muito antes de aceitar o comprometimento necessário ao desenvolvimento de uma estrutura de canal rival. A estratégia de canal é baseada em relacionamentos e pessoas: O canal de marketing não é um objeto inanimado como um chip de silicone, mas um conjunto de pessoas interagindo em diferentes organizações. De fato, o sucesso da estratégia de canal e da estrutura que a apóia é diretamente dependente do quanto às pessoas, nas várias organizações, relacionam-se umas com as outras, no desempenho de suas atividades. Ao perceber que, por envolverem pessoas esses relacionamentos de canal não são fáceis de estabelecer e manter. Assim, os concorrentes preferem voltar sua atenção às estratégias de produto, preço e promoção. Poder crescente dos distribuidores Nas duas últimas décadas, observou-se uma mudança na força de influência dos produtores de bens para distribuidores. Essa transferência de poder econômico é especialmente notável em nível de varejo, dos canais de marketing, onde hipermercados 12 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. gigantes como o Wal-Mart e o Carrefour estão tornando-se protagonistas. Esses poderosos varejistas respondem por grandes parcelas das linhas de commodities das quais participam e, dessa forma, controlam o acesso ao mercado. Sob a perspectiva do fabricante, esses varejistas atuam como gatekeepers (literalmente “porteiros”, ou seja, exercem grande poder de controle sobre o acesso dos fabricantes aos consumidores finais) nos mercados de consumo, trabalhando mais do que agentes de venda para os fornecedores. Operando com margens e preços baixos, a maioria posiciona-se como mercados sofisticados que fazem duras exigências aos fabricantes que os abastecem. Como resultado desse desenvolvimento, a elaboração de estratégias efetivas de canais de marketing para lidar com esses grandes varejistas é, agora, mais importante do que nunca para produtores e fabricantes. Necessidade de reduzir custos de distribuição Os custos de distribuição muitas vezes respondem por uma parcela significativa do preço final dos produtos. De fato, os custos de distribuição são às vezes mais altos que os custos de fabricação ou os custos das matérias-primas e componentes. Na década passada, as empresas empreenderam grande esforço para reduzir os custos de fabricação e de operações internas. Programas de reestruturação, reengenharia e horizontalização das organizações sempre foram guiados pelo desafio de reduzir custos. Esse grande esforço para espremer os custos está sendo estendido para os canais de marketing; usado pelas empresas para alcançarem os clientes. No entanto, para conseguir reduzir os custos de distribuição mantendo disponibilidade igual ou superior aos clientes, as empresas precisarão dedicar mais atenção à estrutura e à gestão do canal de marketing. 13 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Revalorização do crescimento Durante a maior parte dos anos 90, o conceito da moda nas empresas brasileiras foi a reestruturação, que dominou as publicações de negócios ao lado de termos como downsizing, organizações horizontais e empresas enxutas. Essas ideias desafiavam a empresa a repensar-se e reconstituir-se em uma força mais eficiente para competir mais efetivamente no mercado global. Ao final da década de 90, um novo mantra, o crescimento, tornou-se o foco da atenção no lugar da reestruturação. Cada vez mais empresas acreditam ter chegado ao limite da redução de custos e downsizing como base para melhorar o lucro operacional. Seria necessário o crescimento, na forma de elevação mais rápida da receita, para ampliar os esforços da redução de custos. Em suma, é preciso o crescimento da receita de vendas para garantir o crescimento continuado do lucro operacional. Entretanto, não é fácil conseguir um crescimento rápido. O crescimento da economia brasileira é lento, portanto, o crescimento do mercado consumidor é lento. Como as empresas podem crescer rapidamente em economias de baixo crescimento? Conquistando o market share (fatia de mercado) dos concorrentes. Quais as consequências para os canais de marketing? A relação, na verdade, é direta: as estratégias de canal que concentram a atenção de distribuidores e revendedores nos produtos de uma empresa em particular são críticas para aumentar o market share e as vendas da empresa. Em suma, participação nas prateleiras = participação no mercado = crescimento. Crescente papel da tecnologia A tecnologia já impacta praticamente todas as áreas de negócios, entre elas a distribuição de bens e serviços nos canais de marketing. Contudo, há uma tecnologia em particular cujo efeito está apenas começando a ser sentido: a Internet. 14 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Literalmente, ligando o mundo inteiro, em uma gigantesca rede de informações, a Internet pode chegar a prover canais de marketing altamente eficientes. Por esses canais, virtualmente qualquer produtor de bens e serviços estaria conectado eletronicamente com centenas de milhões de clientes em potencial pelo mundo, os quais poderiam consumar transações comerciais com uns poucos toques no teclado. Tais canais de marketing eletrônico já existem em certo grau, mas muitos observadores acreditam que o nível atual é infinitesimal em comparação com o crescimento que eles esperam que ocorra em um futuro não muito distante. Talvez, no futuro, a distribuição eletrônica vai se tornar tão onipresente que muitos shoppings e superlojas, poderão ser fechados, pois a distribuição eletrônica vai desempenhar um papel muito mais limitado. O que já se pode afirmar com toda certeza é que a tecnologia com base na internet não pode ser ignorada na distribuição de bens e serviços. Para saber mais sobre a utilização dos componentes do marketing mix na formação de um diferencial competitivo sustentável. Acesse os sites abaixo: www.portaldaadministracao.org www.hsm.com.br http://www.isc.hbs.edu Alguns livros e artigos interessantes: Da vantagem competitiva à estratégia corporativa - de Michael Porter. Os benefícios estratégicos das Alianças Logísticas – Donald J. Bowersox. A vantagem competitiva das nações – Michael Porter. 15 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 2 Objetivo: Analisar as estruturas de um canal de marketing; os níveis possíveis e os tipos de intermediários. Estrutura do Canal O conceito de estruturado canal muitas vezes não é explicitamente definido na literatura de marketing ou de logística. Alguns autores tendem a enfatizar uma dimensão em particular da estrutura do canal e proceder a uma discussão detalhada sem definir a própria estrutura do canal. Tipicamente, a dimensão que talvez seja mais discutida é a extensão – o número de níveis de intermediários no canal. Quando é discutida a estrutura do canal, são frequentemente vistos diagramas tais como o mostrado abaixo ou, algumas vezes, são usadas notações simbólicas como a seguinte: F C (dois níveis) F V C (três níveis) F At V C (quatro níveis) F Ag At V C (cinco níveis) Legenda: Ag = Agente At = Atacadista C = Consumidor F = Fabricante V = Varejista 16 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Enquanto essas abordagens transmitem uma ideia geral dos tipos de participantes no canal de marketing e dos níveis em que eles estão, elas não definem explicitamente a estrutura do canal. Além disso, elas falham em sugerir a relação entre a estrutura do canal e a gestão do canal. A definição de estrutura do canal, aqui proposta, usa uma perspectiva gerencial, por entender estrutura do canal como: O grupo de membros do canal para o qual foi alocado um conjunto de tarefas de distribuição. Essa definição sugere que: No desenvolvimento da estrutura do canal, o gerente de canal deve defrontar-se com uma decisão de alocação, isto é, dado um conjunto de tarefas de distribuição que devem ser desempenhadas para alcançar os objetivos de distribuição de uma empresa, o gerente deve decidir como alocar ou estruturar as tarefas. Dessa forma, a estrutura do canal vai refletir o modo como o gerente tiver alocado as tarefas entre os membros do canal. Por exemplo, se depois de tomar a decisão de alocação a estrutura Fabricante Fabricante Fabricante Fabricante Consumidor Consumidor Consumidor Consumidor Varejista Varejista Atacadista Varejista Atacadista Atacadista 2 níveis 3 níveis 4 níveis 5 níveis 17 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. do canal ficar dessa forma: F At V C, significa que o gerente do canal escolheu alocar as tarefas de distribuição tanto para a sua própria empresa quanto para atacadistas, varejistas e consumidores. Os diagramas de notações simbólicas da estrutura de canal não são nada além de um “plano” que mostra a localização das tarefas de distribuição. As bases para tomar as decisões de alocação são a especialização e divisão do trabalho e a eficiência contratual (nível de esforço de negociação entre vendedores e compradores para atingir um objetivo de distribuição). Idealmente o gerente do canal gostaria de ter controle total da alocação das tarefas de distribuição para poder designá-las às empresas particulares ou partes que fossem mais adequadas a desempenhá-las. Entretanto, como os membros do canal são empresas independentes, e porque o canal é alvo de restrições ambientais, o gerente do canal na maioria das vezes não detém o controle total da alocação das tarefas de distribuição. Estrutura Auxiliar Na definição que apresentada, o canal de marketing inclui somente os participantes que desempenham as funções de negociação de compra, venda e transferência de direitos. Portanto, os que não desempenham essas funções não são membros da estrutura do canal. Considerando esses participantes como não membros ou agentes facilitadores como pertencentes à estrutura auxiliar do canal de marketing. Mais especificamente, defini-se estrutura auxiliar como: O grupo de instituições (agentes facilitadores) que atende aos membros do canal ao desempenhar tarefas de distribuição. Durante a iniciativa de desenvolver uma estrutura auxiliar, o gerente do canal depara-se com a mesma decisão básica do desenvolvimento da estrutura do canal: ele deve tentar alocar as tarefas de distribuição às partes mais adequadas para desempenhá-las. Todavia, como os participantes do canal com os quais o gerente do canal está lidando não são membros, os problemas encontrados para desenvolver e administrar a estrutura 18 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. auxiliar tendem a ser menos complexos que os encontrados ao se desenvolver e administrar as estruturas do canal. Isso acontece porque as empresas facilitadoras não tomam parte nas decisões do canal que, em última instância, controlam a distribuição de bens e serviços e seus mercados alvo. Em vez disso, o papel dos agentes facilitadores pertencentes à estrutura auxiliar é o de fornecer serviços aos membros do canal depois que as decisões básicas do canal já foram tomadas. Ao desenvolver a estrutura auxiliar para desempenhar essas tarefas, o gerente do canal lida com agentes facilitadores que estão excluídos do processo de tomada de decisão do canal e que geralmente não têm tanto compromisso com o canal quanto seus membros. 19 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 3 Objetivo: Conhecer os participantes do canal. Quem são eles, como se comportam e se fazem parte do canal ou são agentes facilitadores. Os Participantes do Canal A figura abaixo ilustra a dicotomia entre membros e não membros do canal com base no desempenho ou não de funções de negociação (compra, venda e transferência de direitos). 20 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. As três divisões básicas do canal de marketing descritas na figura são (1) produtores, (2) intermediários e (3) usuários finais Os dois últimos são desdobrados em intermediários de varejo e atacado, e em consumidores e usuários industriais, respectivamente. Os usuários finais, embora tecnicamente membros do canal de marketing por estarem Todos os participantes do canal Organização Contratual (canais de Mkt) Executam funções de negociação? Agentes facilitadores Sim Não Pr od ut or es e fa br ic an te s In te rm ed iá rio s U su ár io s Fi na is Em pr es as d e Tr an sp or te Em pr es as d e ar m az en ag em A gê nc ia s Pu bl ic itá ria s In st itu iç õe s fin an ce ira s Se gu ra do ra s Em pr es as d e Pe sq ui sa d e M K T In te rm ed iá rio s de A ta ca do In te rm ed iá rio s de V ar ej o C on su m id or es In dú st ria s Participantes Membros Participantes Não-membros 21 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. envolvidos em funções de negociação, não serão tratados como tal, daqui em diante. No contexto da perspectiva gerencial aqui adotada, é mais adequado tratar os usuários finais como mercados alvo servidos pelo subsistema comercial do canal. O canal comercial exclui, por definição, os usuários finais. Assim, quando o termo canal de marketing for mencionado, estará subentendido que se refere ao canal comercial. Como os agentes facilitadores não desempenham funções de negociação, eles não são membros do canal. Entretanto, participam da operação do canal ao desempenhar outras funções. Produtores e Fabricantes Produtores e fabricantes consistem em empresas envolvidas na extração, cultivo ou criação dos produtos. Essa classificação inclui empresas como agrícolas, silvícolas, pesqueiras, mineradoras, de construção e industriais, além de alguns setores de serviços. O leque de empresas de produção e fabricação é enorme, tanto em termos da diversidade de bens e serviços produzidos quanto de portes de empresas. Estão incluídas, empresas que fazem de tudo; de alfinetes a aviões, e que variam em porte; desdeempresas individuais até gigantescas corporações multinacionais com milhares de empregados e bilhões de dólares em vendas. Todavia, mesmo com toda essa diversidade, um ponto comum une essas empresas: todas existem para oferecer produtos que satisfaçam às necessidades dos mercados. E para isso, é preciso tornar os produtos disponíveis aos mercados. Assim, as empresas de produção e fabricação precisam que, de alguma forma, seus produtos sejam distribuídos aos mercados pretendidos. Entretanto, a maioria dos produtores e fabricantes, sejam grandes ou pequenos, não está em uma posição favorável para distribuir seus produtos diretamente a seus usuários finais. Com frequência, eles não têm a expertise nem as economias de escala (e/ou escopo) para desempenhar todas as atividades necessárias à distribuição eficiente e eficaz de seus produtos ao usuário final. 22 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Sobre a expertise, muitos produtores e fabricantes não alcançam na distribuição o nível que atingem na produção ou fabricação. Um fabricante de produtos eletrônicos pode trabalhar com tecnologia de última geração e ao mesmo tempo saber muito pouco sobre a melhor forma de distribuir seus sofisticados produtos a seus mercados. Um fabricante de brocas pode fazer os melhores produtos usando as ligas mais avançadas e ainda ser completamente leigo quanto ao desempenho das atividades necessárias à distribuição desses produtos. Uma fazenda que colhe as melhores safras, utilizando as últimas novidades da tecnologia rural pode não fazer ideia de como disponibilizar essa safra, em boas condições e a baixo custo, aos consumidores. Em suma, expertise nos processos de produção não implica, automaticamente, expertise na distribuição. No entanto, mesmo para produtores e fabricantes que tenham (ou capazes de ter) expertise na distribuição, as economias de escala que tornam a sua produção eficiente podem não ser suficientes para tornar a sua distribuição eficiente. O investimento em instalações de processamento de pedidos, armazéns, etc. não compensa que a distribuição de produtos seja feita de forma individual, sem os outros membros do canal, principalmente em se tratando de produtos com menor valor agregado. Com frequência, empresas de produção e fabricação se deparam com elevados custos médios para as tarefas de distribuição, quando tentam executá-las sozinhas. Nem mesmo grandes empresas como a General Motors, a IBM ou a Procter & Gamble tentam distribuir seus produtos diretamente ao consumidor final. As economias de escala, que permitem aos produtores e fabricantes operar com baixo custo médio para os processos de produção, geralmente não se repetem nas tarefas de distribuição. Em consequência, empresas de produção ou fabricação devem, frequentemente, procurar membros do canal para lhes passar, ou ao menos executar em conjunto, tarefas de distribuição. Os intermediários nos níveis do atacado e do varejo são os dois níveis básicos de instituição que podem ser chamados para participar. 23 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Intermediários Intermediárias são empresas independentes que dão suporte aos produtores e fabricantes (e usuários finais) no desempenho de funções de negociação e outras tarefas de distribuição. Eles operam basicamente em dois níveis: atacado e varejo. Intermediários de Atacado Os atacadistas consistem em empresas engajadas na venda de bens para a revenda ou uso industrial. Seus clientes são empresas varejistas, industriais, comerciais, institucionais, profissionais ou agrícolas, bem como outros atacadistas. Também incluem empresas que atuam como agentes ou corretores na compra e venda de produtos. A classificação mais comum e abrangente dos atacadistas é publicada a cada cinco anos pelo U.S. Departament of Commerce que os divide em três grandes tipos: Atacadistas tradicionais: são empresas que, basicamente, se dedicam a comprar, assumir a propriedade, armazenar (em geral) e manusear produtos em quantidades relativamente grandes, para em seguida revender esses produtos em quantidades menores para varejistas, empresas industriais ou comerciais, instituições e outros atacadistas. Eles adotam diferentes nomes, como atacadista, atravessador, distribuidor, distribuidor industrial, casa de suprimentos, intermediário, importador, exportador e outros. Agentes corretores e representantes comissionados: também são intermediários independentes que, na maioria de suas transações, não assumem os direitos sobre os produtos que negociam, mas estão ativamente envolvidos em funções de negociação (compra e venda) enquanto agem em nome de seus clientes. São geralmente remunerados com comissões sobre as vendas ou compras. Alguns dos tipos mais comuns são conhecidos em suas áreas como agentes dos fabricantes, representantes comissionados, corretores, agentes de vendas e agentes de importação e exportação. 24 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Filiais e escritórios de vendas dos fabricantes: pertencem aos fabricantes e são por eles operados, mas são separados fisicamente das fábricas. São usados principalmente com o propósito de distribuir aos atacadistas os produtos próprios do fabricante. Alguns têm instalações de armazenagem nas quais são mantidos os estoques, enquanto outros são meros escritórios de vendas. Tarefas de distribuição executadas pelos atacadistas tradicionais Os atacadistas tradicionais atendem tanto aos fabricantes quanto aos varejistas e outros clientes. Eles vêm sobrevivendo como intermediários no canal de marketing porque, como especialistas no desempenho das tarefas de distribuição, podem operar em maiores níveis de eficiência e eficácia. Muitas vezes, o custo médio para as tarefas de distribuição é menor para os atacadistas. Em outras, eles conseguem se aproximar-se mais da otimização dos custos do que os fornecedores. Atacadistas modernos e bem administrados são especialmente adequados para desempenhar os seguintes tipos de tarefas de distribuição para os fabricantes: Fornecer cobertura de mercado. Fazer contatos de vendas. Manter estoques. Processar pedidos. Reunir informações de mercado. Oferecer suporte ao cliente. Os atacadistas tradicionais fornecem cobertura de mercado aos fabricantes porque os mercados para os produtos da maioria dos fabricantes consistem em muitos clientes espalhados por grandes áreas geográficas. Para que seus produtos possam estar 25 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. prontamente disponíveis aos clientes quando forem necessários, os fabricantes vêm dependendo cada vez mais dos atacadistas tradicionais, visando garantir a cobertura de mercado necessária a um custo razoável. O contato de vendas é um valioso serviço fornecido pelos atacadistas tradicionais. Para os fabricantes, o custo de manter uma força de vendas externa é bastante elevado. Se o produto de um fabricante é vendido a muitos clientes em uma grande área geográfica, o custo de cobrir o território com sua força de vendas pode ser proibitivo. Usando atacadistas para alcançar uma porção significativa de seus clientes, os fabricantes podem conseguir reduzir substancialmente os custos dos contatos eternos de vendas porque sua força de vendas entrará em contato apenas com um número relativamente pequeno de atacadistas em lugar do número muito maior de clientes. O valor dos atacadistas em fornecer contatos de vendas fica ainda mais evidente para os fabricantes que entram em mercados estrangeiros. Muitos estudos preveem que o papel do atacadista de fornecer contato de vendas para os fabricantes irá crescer ainda mais, à medida que o custo dessa tarefa elevar-se drasticamente para os fabricantes. Enquanto os atacadistas estarão tornando-se mais competentese eficientes em alcançar os clientes do fabricante usando sua força de trabalho tanto externa quanto interna. Um estudo faz as seguintes observações a respeito do crescente papel dos atacadistas tradicionais em fornecer contato de vendas para os fabricantes: A força de vendas externa dos distribuidores se tornará mais orientada para o marketing. Em lugar de simplesmente contatar clientes e registrar pedidos, a força de vendas externa vai assumir maior responsabilidade por identificar clientes e determinar suas exigências, e por recomendar os tipos de produtos e serviços que o distribuidor deve oferecer. Considerando a força de vendas internas do distribuidor, os próximos anos lhe trarão maior status e profissionalismo. Além de lidar com contas pequenas e marginais, o vendedor interno se tornará o elo de comunicação regular e promocional da empresa com 26 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. os clientes, um coletor fundamental de inteligência de mercado e o fornecedor de pequenas assistências técnicas e de solução de problemas aos clientes. Outro estudo, da Mational Association os Wholesaler-Distributors, confirma a importância do contato de vendas ao destacar o que os atacadistas podem fazer para melhorar suas operações nessa área: Desenvolver um plano de marketing para a força de vendas; Redesenhar o plano de compensação da força de vendas; Desenvolver um efetivo programa de treinamento de carreira para força de vendas; Considerar o uso da tecnologia e de outras ferramentas afins para dar suporte ao trabalho e aumentar a produtividade da força de vendas. Manter estoques é outra atividade crucial prestada pelos atacadistas para os fabricantes. Os atacadistas tradicionais assumem os direitos sobre os produtos e, na maioria das vezes, também os estocam. Dessa forma, eles conseguem reduzir o fardo financeiro que pesa sobre os fabricantes, bem como alguns dos riscos associados à manutenção de grandes estoques. Além disso, os fabricantes podem planejar melhor seus cronogramas de produção quando os atacadistas já lhes fornecem um entreposto pronto para seus produtos. Como muitos clientes compram em pequenas quantidades, é bastante útil aos fabricantes o processamento de pedidos feito pelos atacadistas. Grandes ou pequenos, os fabricantes tendem a ser extremamente ineficientes quando tentam preencher vários pedidos pequenos de milhares de clientes. Os atacadistas, por sua vez, são especificamente adequados para isso. Ao trabalhar para muitos fabricantes, o atacadista tem seus custos de processamento absorvidos pela venda de uma gama mais ampla de produtos. A tarefa de reunir informações de mercado é de grande benefício para os fabricantes. Os atacadistas geralmente estão bastante próximos dos clientes, geograficamente, e em 27 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. muitos casos têm contínuo contato em razão de contatos de vendas frequentes. Portanto, eles estão bem posicionados para aprender acerca das exigências dos clientes quanto a produtos e serviços. Tais informações, se repassadas aos fabricantes, podem ser valiosas no planejamento de produtos, na determinação de preços e no desenvolvimento de uma estratégia de marketing competitiva. O suporte ao cliente é a tarefa final de distribuição que os atacadistas prestam para os fabricantes. Os produtos podem precisar ser trocados ou devolvidos, ou um cliente pode exigir ajustes, reparos ou assistência técnica. Pode ser muito dispendioso para os fabricantes fornecer esses serviços diretamente a um grande número de clientes. Em vez disso, eles podem usar atacadistas para ajudá-los a fornecer os serviços aos clientes. Esse suporte extra dos atacadistas, muitas vezes chamado de serviços de valor agregado, representa um papel crucial ao tornar os atacadistas membros vitais do canal de marketing, tanto do ponto de vista dos fabricantes que os abastecem quanto dos clientes para quem eles vendem. Além de desempenhar as seis tarefas de distribuição para os fabricantes, conforme citado, os atacadistas tradicionais são igualmente adequados para desempenhar as seguintes tarefas de distribuição para seus clientes: Garantir a disponibilidade dos produtos. Fornecer serviço ao cliente. Estender crédito e auxílio financeiro. Oferecer conveniência de sortimento. Fragmentar volumes. Ajudar os clientes com aconselhamento e suporte técnico. A disponibilidade dos produtos é provavelmente a mais básica das tarefas de distribuição desempenhadas pelos atacadistas para seus clientes. Devido à proximidade 28 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. com os clientes e/ou sua sensibilidade às necessidades destes, os atacadistas podem propiciar um grau de disponibilidade aos produtos que a maioria dos fabricantes dificilmente conseguiria. Outra valiosa tarefa de distribuição desempenhada pelos atacadistas é o serviço ao cliente. Os clientes, muitas vezes requerem serviços tais como: entrega; reparos ou revisões ligadas à garantia. Ao prestarem esses serviços a seus clientes os atacadistas poupam-lhes esforço e despesas. Os atacadistas fornecem crédito e auxílio financeiro de duas formas. Primeiro, ao fazer vendas a prazo, permitem aos clientes usar os produtos em seus negócios antes de ter de pagar por eles. Segundo, ao estocar e ao disponibilizar prontamente, muitos dos itens que os clientes necessitam, reduzem significativamente os gastos com armazenamento que os clientes teriam se eles mesmos mantivessem esses estoques. A conveniência de sortimento refere-se à habilidade do atacadista de reunir uma variedade de produtos de muitos fabricantes, simplificando as atividades de compras dos clientes. Em vez de ter de fazer pedidos separadamente para dezenas ou mesmo centenas de fabricantes, os clientes podem tratar com apenas um ou alguns poucos atacadistas especializados, que podem fornecer-lhes todos ou a maioria dos produtos que precisam. Outra importante tarefa de distribuição é fragmentar volumes. Muitos clientes não usam grandes quantidades dos produtos, ou podem preferir receber os produtos paulatinamente, um pouco de cada vez. Diversos fabricantes acham antieconômico preencher pequenos pedidos e estabelecem limites mínimos para desencorajá-los. Ao comprar grandes quantidades dos fabricantes e fragmentar esses volumosos lotes de produtos em quantidades menores, os atacadistas permitem que os clientes só comprem o que precisem. Finalmente, os atacadistas atendem aos clientes com aconselhamento e suporte técnico. Muitos produtos, mesmo que não sejam considerados técnicos, podem requerer 29 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. certo suporte técnico para serem usados adequadamente, além de aconselhamento sobre como devem ser vendidos. Os atacadistas, especialmente por meio de uma força de vendas externas bem treinadas, são capazes de fornecer esse tipo de assistência técnica e comercial aos clientes. Tarefas de distribuição executadas pelos Agentes Atacadistas. Conforme mencionado anteriormente, os agentes atacadistas não assumem os direitos sobre os produtos que vendem. Também é regra não executarem tantas tarefas de distribuição como um atacadista tradicional típico. Agente dos fabricantes (também denominados representantes dos fabricantes), por exemplo, especializam-se basicamente em executar para os fabricantes as tarefas de distribuição, de cobertura de mercado e contato de vendas. Com efeito, os agentes são muito importantes colocando- se no lugar da força de vendas externa de fabricantes que não podem manter uma equipe própria, ou suplementando os esforços de vendas dos fabricantes que têm vendedores próprios, mas acham antieconômico usá-los para certos territórios ou categorias de produtos. Os agentes geralmenterepresentam muitos fabricantes ao mesmo tempo e operam uma ampla faixa de categorias de produtos e serviços, tais como utilidades domésticas, ferragens, tintas, equipamentos de processamento, produtos químicos, componentes elétricos e eletrônicos, aço e embalagens. Serviços vendidos pelos agentes dos fabricantes incluem pintura, blindagem, reconstrução de maquinário, limpeza e uma variedade de serviços comerciais. Outro tipo de agente atacadista, o agente de vendas, geralmente executa mais tarefas de distribuição que o representante do fabricante. De fato, eles podem encarregar-se virtualmente de todo esforço de marketing e vendas para os fabricantes que representam. Assim, embora os agentes de vendas que não mantenham estoques fisicamente e nem assumam os direitos sobre os produtos, podem executar muitas, senão todas, das demais tarefas de distribuição, tais como proporcionar cobertura de mercado, contato de 30 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. vendas, processamento de pedidos, informações mercadológicas, disponibilidade dos produtos e serviços ao cliente. Os corretores oferecem outro exemplo de grande diferença entre as definições baseadas na execução das tarefas de distribuição apresentadas na literatura de marketing, o corretor é geralmente definido como um intermediário, ou uma parte que aproxima os compradores e vendedores para que a transação possa ser consumada. Segundo a definição mais rigorosa, portanto, um corretor só executaria uma tarefa de distribuição: fornecer informações de mercado. Ainda assim, na prática, alguns corretores podem executar muitas ou mesmo a maioria das tarefas de distribuição, de tal forma que, para todas as finalidades práticas, há pouco o que os distingue dos representantes dos fabricantes ou dos agentes de vendas. Finalmente o representante comissionado, que é importante principalmente nos mercados agrícolas. Os representantes comissionados executam de fato várias tarefas de distribuição, incluindo manutenção física de estoques (embora sem assumir a propriedade), cobertura de mercado, contato de vendas, fragmentação de volumes e processamento de pedidos. Essas tarefas de distribuição são executadas no decorrer da ação do representante comissionado em nome de seu contratante (produtores ou fabricantes). Essencialmente, ele recebe e armazena produtos, ajuda a localizar compradores, faz vendas, estende crédito pessoal, processa pedidos e pode organizar entregas. Depois de concluir a venda e cobrar o dinheiro dos compradores, remete-os aos contratantes (deduzida à comissão pelos serviços prestados) que, às vezes, permanecem anônimos aos compradores. Por fim, independentemente de o atacadista em questão ser um atacadista tradicional ou um agente, corretor ou representante comissionado, a participação do atacadista no canal de marketing está baseada na execução de tarefas de distribuição (serviços) que são necessárias aos fabricantes e clientes. Além disso, qualquer desses atacadistas deve ser capaz de executar essas tarefas de distribuição com mais eficiência do que os fabricantes e clientes. Com tantos fabricantes e clientes agressivamente buscando 31 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. formas de elevar sua produtividade e reduzir custos, eles estão prestando muita atenção ao papel do atacadista em seus canais de marketing. É provável que somente os fabricantes que fizerem um trabalho especialmente bom na execução das tarefas de distribuição, com um nível muito alto de eficiência, conseguirão talvez não melhorar, mas pelo menos manter suas posições como membros viáveis do canal de distribuição. 32 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 4 Objetivo: Entender os conceitos de varejo e de agentes facilitadores e ainda, perceber o poder existente nas empresas de varejo. Intermediários de Varejo e Agentes Facilitadores Varejistas Os varejistas consistem em empresas engajadas basicamente na venda de mercadorias para consumo pessoal ou doméstico e na prestação de serviços ligados à venda de bens. Os varejistas envolvem uma aglomeração extremamente complexa e diversa. Eles variam desde a chamada loja familiar de vizinhança até as gigantescas cadeias de hipermercados como o Wal-Mart, cujo faturamento anual é de mais de 100 bilhões. Os métodos de operação vão, do serviço mínimo das lojas de desconto às elaboradas operações com magnífica arquitetura nos grandes shoppings Centers. A categoria inclui tanto o varejo com lojas quanto o varejo sem lojas, tais como empresas de pedidos pelo correio, varejistas de venda direta, vendas pela TV e comércio eletrônico pela Internet. Há lojas de especialidade, lojas de departamentos de linha ampla, supermercados gigantes, clubes de atacado e lojas de fábrica; há varejistas locais, regionais, nacionais e globais. A lista pode continuar indefinidamente. Do ponto de vista da concentração econômica, o varejo é cada vez mais dominado por grandes empresas. O poder e a influência dos varejistas nos canais de marketing são crescentes. Essa tendência envolve três grandes processos: Aumento no porte e poder de compra. Aplicação de avançadas tecnologias. Uso de modernos conceitos e técnicas de marketing. 33 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O porte de muitos varejistas está aumentando devido tanto ao crescimento quanto às fusões, aquisição e buyouts que ocorreram durante a década de 90. Como porte se traduz em poder, à medida que os varejistas se tornam maiores, sua capacidade de influenciar as ações dos outros membros do canal (atacadistas e fabricantes) também se torna maior. A maioria dos fabricantes que abastecem o Wal-Mart, por exemplo, são consideravelmente menores que ele e não estão em posição de exercer uma influência significativa sobre as políticas operacionais do Wal-Mart. Pelo contrário, devido ao enorme porte e poder de compra do Wal-Mart, é ele que está em posição de exercer considerável influência sobre os seus fornecedores. De fato, em muitos casos o Wal-Mart e outros varejistas podem literalmente ditar os termos que quiserem aos fabricantes. Com seu enorme poder de compra, grandes fatias de mercado e sofisticadas administrações, esses varejistas gigantes têm sido chamados de poderosos varejistas e category Killers, termos que passam a ideia das posições dominantes que desfrutam. Conforme foi visto, o crescimento do porte e da concentração dos varejistas é a razão fundamental para o maior poder dos varejistas no canal de marketing. Contudo, dois outros fatores, também, são importantes. O primeiro é a progressiva aplicação de tecnologia avançada pelos varejistas, e o segundo é a crescente ênfase dos varejistas no uso do conceito de marketing. No que diz respeito à tecnologia, as muitas inovações tecnológicas dos últimos anos não passaram despercebidas pelos varejistas. De fato, os varejistas estão se tornando astutos seguidores e, o que é mais importante, ardentes usuários de muitas das novas tecnologias, as quais têm feito deles membros mais sofisticados e exigentes do canal. Talvez o exemplo mais óbvio do uso da tecnologia pelos varejistas na última década seja a leitura eletrônica. Esta tecnologia consiste em dispositivos de laser que “leem” preços e outras informações nos rótulos dos produtos e os registram com mais rapidez e precisão do que as pessoas conseguiriam manualmente. Quando combinadas com o código de barras nas embalagens dos produtos, a velocidade e eficiência das leitoras eletrônicas são formidáveis no processamento das transações com os consumidores. 34 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Todavia, as leitoras eletrônicas agora estão indo além da simples leitura dos rótulos dos produtos. Associadas a modernos sistemas computadorizadosde controle de estoque, elas podem ser usadas para repor estoques eletronicamente, acabando com a dependência de pedidos de compras produzidos manualmente. Usando os dados de venda dos caixas enviados pelas leitoras, o computador pode relatar os itens vendidos e então subtraí-los automaticamente dos volumes registrados no estoque. Uma lista gerada por computador de pedido dos itens que caírem abaixo dos níveis mínimos de estoque pode então ser transmitida para os atacadistas e fabricantes. As leitoras eletrônicas estão, dessa forma, permitindo que os varejistas melhorem sua produtividade ao tornar possível para eles processar volumes maiores de transações com uma mão de obra menor. Mesmo assim, isso é apenas a ponta do iceberg das potenciais aplicações da leitura eletrônica. Cada vez mais varejistas estão usando essa tecnologia para decisões de promoção e merchandising, determinação de preços, análise de lucratividade direta do produto, gerenciamento de gôndola, previsão de itens e estudos de viagens de compras. Um desenvolvimento tecnológico relacionado e que vai além das capacidades da leitura eletrônica é o electronic data interchange (EDI), ou troca eletrônica de dados. Essa tecnologia está exercendo profundos efeitos sobre o papel dos varejistas no canal de marketing. O EDI, que combina avançadas tecnologias de computação e telecomunicações, permite aos varejistas compartilhar dados com os fabricantes em tempo real. Os computadores do fabricante são ligados aos computadores do varejista de tal forma que o comportamento das vendas no varejo dita o leque de produtos e os planejamentos de produção do fabricante. Obviamente, isso é apenas uma amostra das muitas tecnologias que estão sendo usadas pelos varejistas, mas elas são indicativas do papel da tecnologia em elevar suas capacidades e em virar a seu favor a estrutura de poder no canal de marketing. Quanto à crescente ênfase dos varejistas no marketing, uma mudança fundamental foi a evolução no pensamento dos principais varejistas sobre a aplicação do conceito de 35 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. marketing no cenário do varejo. O conceito de marketing, destacando a orientação ao cliente, pela qual a empresa deve tentar adaptar suas ofertas para atender com mais precisão às necessidades dos clientes, já existe desde os anos 50. Contudo, foi somente nos anos 90 que o conceito de marketing realmente se tornou popular no varejo. Tradicionalmente, os varejistas sempre foram mais orientados para o fornecedor (vendedor) do que para o mercado. Ao longo da década de 90, cada vez mais varejistas em muitos ramos de negócios descobriram o conceito de marketing e o poder dos modernos métodos de marketing para sobreviver e prosperar nos mercados de competição acirrada do varejo. De fato, alguns varejistas já rivalizam com os principais fabricantes de bens de consumo na aplicação de estratégias de marketing. Alguns varejistas do tipo category killer têm usado o marketing de relacionamento ao enfatizar o amplo serviço ao cliente para construir relacionamentos de longo prazo. Os varejistas estão em sintonia com as necessidades dos clientes e têm a experiência em marketing para atender com sucesso a essas necessidades. Fornecedores que buscam vender seus produtos por meio desses varejistas orientados para o marketing só conseguirão fazê-lo se passarem pela aprovação dos varejistas. Sob a perspectiva dos fornecedores, tanto produtores quanto atacadistas, as implicações da nova posição dos varejistas são potencialmente ameaçadoras. Cada vez mais, suas estratégias básicas de marketing nas áreas de planejamento e desenvolvimento de produtos, determinação de preço e promoção estarão sob restrições, e poderão até mesmo ser moldadas pelas exigências consideráveis de um poderoso varejista. Para os fornecedores que não souberem ajustar-se a essa nova realidade, ganhar acesso aos mercados de consumo será uma tarefa difícil, senão impossível. Tarefas de distribuição executadas pelos varejistas O papel do varejista no canal de distribuição, independentemente de seu tipo e porte, é interpretar as demandas de seus clientes e encontrar os bens que esses clientes 36 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. quiserem, quando quiserem e da forma que eles quiserem. Some-se ainda a isso, ter a variedade certa na hora que os clientes estão prontos para comprar. É possível especificar as tarefas de distribuição para as quais os varejistas são especialmente adequados, da seguinte forma: Oferecer mão de obra e instalações físicas que permitam aos produtores/fabricantes e atacadistas ter muitos pontos de contato com os consumidores perto de suas residências. Fornecer venda pessoal, publicidade e mostruário para ajudar a vender os produtos do fornecedor. Interpretar a demanda do consumidor e repassar essa informação ao longo do canal. Dividir grandes quantidades em lotes do tamanho do consumidor, propiciando economias aos fornecedores (ao aceitar carregamentos relativamente grandes) e conveniência aos consumidores. Oferecer armazenamento, para que os fornecedores possam ter estoques amplamente dispersos de seus produtos, a baixo custo, e permitir aos consumidores ter acesso próximo aos produtos dos produtores/fabricantes e atacadistas. Remover um risco substancial do produtor/fabricante (ou atacadista) ao pedir e aceitar entrega antecipadamente. O nível que os varejistas executam essas tarefas de distribuição varia enormemente ao longo do espectro do varejo, desde um esforço irrestrito para fazer de tudo até um nível indolente de fazer muito pouco. Em essência, cada membro varejista do canal toma suas próprias decisões sobre como abordar a execução das tarefas de distribuição. Entretanto, para permanecer um membro 37 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. viável do canal de marketing, cada um deve oferecer algo de valor para seus clientes, bem como para seus fornecedores. Se fracassar, os concorrentes varejistas atuais, outros membros do canal, ou novas formas de instituições de canal ficarão muito felizes de tomar seu lugar no canal de marketing. O porte crescente dos varejistas, também, afeta a alocação das tarefas de distribuição entre os membros do canal. Especificamente, as tarefas de distribuição, que antes eram território do atacadista ou fabricante, estão sendo progressivamente tomadas pelos varejistas de grande escala. Por exemplo, a maioria das grandes cadeias de lojas de departamentos tem suas próprias instalações modernas de armazenamento, permitindo- lhes executar as tarefas de armazenagem e processamento de pedidos com muita eficiência. Isso, por sua vez, reduziu o uso de intermediários como atacadistas a um nível muito marginal. Associações voluntárias de varejistas – tais como cooperativas de varejistas, cadeias de voluntários iniciadas por atacadistas e sistemas de franquia – também estão crescendo, permitindo a muitas dessas organizações rivalizarem com as economias de escala das cadeias corporativas. Na média, mesmo lojas de varejo independentes com uma só unidade ficaram maiores, passaram a utilizar instalações e equipamentos modernos e a executar tarefas de distribuição com mais eficiência. Isso coloca um dilema para o produtor ou fabricante. Por um lado, o potencial de intermediários de varejo de executar tarefas de distribuição com eficiência e eficácia aumentou. Contudo, por outro lado, a maior escala dos varejistas aumentou seu poder e independência, e, portanto ficou mais difícil para o produtor ou fabricante influenciá-los. Isso significa que o gerente do canal na empresa produtora u fabricante encontrará tanto oportunidades maiores quanto dificuldades maiores quando for usar varejistas no canal de distribuição. Isso colocará um prêmio especialmentealto pela gestão eficaz do canal. 38 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Agentes Facilitadores Os agentes facilitadores são empresas que dão suporte a tarefas de distribuição que não sejam a compra, venda e transferência de direitos. Do ponto de vista do gerente do canal, eles podem ser tratados como subcontratados para quem muitas tarefas de distribuição podem ser terceirizadas, com base novamente no princípio da especialização e divisão do trabalho. Ao alocar adequadamente tarefas de distribuição a agentes facilitadores, o gerente do canal terá uma estrutura auxiliar que é um mecanismo eficiente para conduzir os objetivos de distribuição da empresa. Aqui estão alguns dos tipos mais comuns de agentes facilitadores: Agentes de Transporte: incluem todas as empresas que oferecem serviço de transporte aberto ao público em geral, como a United Parcel Service (UPS), a Federal Express (FEDEX) e os correios. Devido às grandes economias de escala e escopo, essas e outras transportadoras comuns são capazes de executar os serviços de transporte com muito mais eficiência e eficácia de custo que os fabricantes, atacadistas ou varejistas. Agentes de Armazenagem: consistem principalmente em armazéns públicos que se especializam na armazenagem de bens cobrando uma taxa. Muitas dessas empresas fornecem grande flexibilidade na execução das tarefas de distribuição. Por exemplo, em alguns casos, os bens de um membro do canal (produtores/fabricantes, atacadistas ou varejistas) não são mantidos fisicamente nas instalações da empresa de armazenagem, mas nas instalações do próprio membro do canal. Sob esse, assim chamado, arranjo de armazenagem de campo, o agente de armazenagem guarda os bens e emite um recibo, que muitas vezes serve como colateral para um empréstimo contraído pelo membro do canal. Agentes de Processamento de Pedidos: são empresas que se especializam nas tarefas de preenchimento de pedidos. Eles poupam os fabricantes, atacadistas e varejistas de algumas dessas tarefas ligadas ao despacho para os clientes, ou mesmo todas elas. 39 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Agências de Publicidade: oferecem ao membro do canal experiência no desenvolvimento da estratégia de promoção. Essa estratégia pode variar desde o fornecimento de um pequeno suporte na redação de um anúncio até todo o projeto e execução da campanha publicitária. Agentes Financeiros: consistem em empresas como bancos, financeiras e agentes comerciais, as quais se especializam na compensação de contas a receber. Comum a todas essas empresas é o fato de possuírem os recursos financeiros e a expertise que muitas vezes faltam ao gerente do canal. Companhias de Seguros: fornecem ao gerente do canal os meios de proteger contra alguns dos riscos inerentes a qualquer empreendimento, como incêndio ou roubo, danos às mercadorias em trânsito, e até mesmo o tempo inclemente em alguns casos. Empresas de Pesquisa de Marketing: cresceram substancialmente nos últimos 20 anos. Hoje, a maioria das grandes cidades tem várias empresas de pesquisa de marketing que oferecem inúmeros serviços. O gerente do canal pode contar com essas empresas para o fornecimento de informações quando sua própria empresa não possui as habilidades necessárias para obter as informações mercadológicas relevantes à distribuição. Com o poder concentrado nas mãos do varejo, muitos produtores optaram por somente produzir bens de consumo para o próprio varejista colocar sua marca nele. Por um lado o fabricante se livra dos custos de promoção da marca e garante um bom posicionamento do produto na gôndola. Por outro, perde total controle do produto e das ações estratégicas do mesmo, passando a competir apenas por preço. 40 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 5 Objetivo: Compreender o ambiente que cerca o canal de marketing, principalmente os ambientes: econômico, competitivo e sociocultural. Ambiente dos canais de marketing No sentido mais amplo, o ambiente consiste em todos os fatores externos incontroláveis dentro do qual o canal de marketing existe. Assim, uma miríade de variáveis pode afetar o canal. Para dar alguma ordem a esse imenso conjunto de variáveis externas incontroláveis, elas devem ser classificadas em cinco categorias: Ambiente Econômico; Ambiente Competitivo; Ambiente Sociocultural; Ambiente Tecnológico; Ambiente Legal. Antes de discutir cada uma dessas categorias ambientais e sua influência sobre o canal de marketing, é preciso observar uma peculiaridade da influência do ambiente dentro do contexto de canais de marketing. Como o canal de marketing inclui empresas independentes, como varejistas e atacadistas, os gerentes de canal também devem se preocupar com o impacto do ambiente sobre esses membros do canal. Como a eficácia do canal também é influenciada pelo desempenho dos participantes não membros, tais como agentes facilitadores, os gerentes do canal devem igualmente levar em conta a maneira pela qual o ambiente afeta esses participantes não membros. Assim, os gerentes de canal precisam analisar o impacto do ambiente não apenas sobre suas próprias 41 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. empresas e seus mercadosalvos finais, mas também sobre todos os participantes do canal de marketing. A figura abaixo mostra o ambiente afetando todos os participantes e os mercadosalvos. A sede da gestão do canal (não necessariamente o controle) pode se situar em empresas de produção ou fabricação, ou em empresas intermediárias, como grandes organizações de atacado ou varejo capazes de administrar o canal. No entanto, a chave na parte de baixo da figura indica a análise que a gestão do canal faz dos efeitos ambientais precisa considerar todos os participantes do canal. Ambiente 1. Econômico 2. Sociocultural 3. Competitivo 4. Legal 5. Tecnológico Produtores e Fabricantes Intermediários Mercadosalvo Agentes Facilitadores Sede da Gestão do Canal A análise que o gerente do canal faz do impacto ambiental deve incluir todos os participantes do canal. 42 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Essa visão do impacto do ambiente no contexto dos canais de marketing representa uma distinção chave entre a administração do canal e a administração das outras variáveis principais do composto mercadológico de uma empresa (produto, preço e promoção). Em suma, quando o gerente do canal considera as influências do ambiente sobre a estratégia do canal, ele tem muito no que pensar. Essa perspectiva ampliada da análise ambiental para incluir todos dos participantes do canal, deve estar sempre em mente ao longo desta unidade e sempre que se tratar deste assunto. A partir daqui, passa-se à discussão de cada uma das principais categorias ambientais. A discussão enfocará algumas das questões críticas para cada categoria e como elas influenciam o canal de marketing. Ambiente Econômico Provavelmente, a economia é a mais óbvia e influente categoria de variáveis ambientais que afetam todos os membros do canal de marketing. Não se passa um dia sem que o estado da economia atraia o interesse de consumidores e executivos de empresas de fabricação, atacado e varejo. Todos esses envolvidos devem prestar muita atenção ao que acontece na economia. Desde um fabricante que levanta capital para um investimento de longo prazo até um consumidor que compra café no supermercado, todos são afetados pelas variáveis econômicas. Em um contexto de gestão de canal, os fatores econômicos são determinantes críticos do comportamento e do desempenho dos membros do canal. O gerente do canal deve, portanto, estar ciente da influência das variáveis econômicas sobre os participantesdos canais de distribuição. Alguns fatores que afetam o ambiente econômico são: Recessão; 43 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Inflação; Deflação; Taxas de Juros; Política Cambial etc. Ambiente Competitivo A concorrência é sempre fator crítico a ser considerado por todos os membros do canal de marketing. Isso passou a ser ainda mais verdadeiro quando a concorrência tornou-se global em escopo. Já não é mais realista para as empresas domésticas preocupar-se somente com os rivais dentro das fronteiras de seu país. Além dessa preocupação, elas precisam prestar muita atenção aos concorrentes existentes e emergentes de todo o mundo. Os termos “mercado global”, “arena global” e “concorrência global” não são apenas parte de um jargão de negócios internacional, mas também descrições realistas do ambiente competitivo como ele é hoje, em um número cada vez maior. Tipos de Concorrência. Junto com o escopo de competição ampliado, os gerentes de canal também devem considerar os principais tipos de concorrência que podem afetar a estratégia de canal. Particularmente, eles devem observar os quatro tipos seguintes: Concorrência horizontal. Concorrência intertipos. Concorrência Vertical. Concorrência entre sistemas de canal. 44 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Concorrência horizontal: é a concorrência entre empresas de um mesmo tipo; por exemplo, um fabricante de automóveis versus outro fabricante de automóveis, um atacadista de material hidráulico versus outro atacadista de material hidráulico, ou um supermercado versus outro. Essa é a forma de concorrência mais visível e mais frequentemente discutida. Concorrência intertipos: é a concorrência entre diferentes tipos de empresas no mesmo nível do canal; por exemplo, a loja de descontos x a loja de departamentos ou o atacadista tradicional x os agentes corretores. Concorrência vertical: refere-se à concorrência entre membros, em diferentes níveis do canal como: entre varejista e atacadista, entre atacadista e fabricante, ou entre fabricante e varejista. Concorrência entre sistemas de canal: refere-se a canais inteiros competindo com outros canais inteiros. Para que um canal possa competir como se fosse uma só unidade, ele F F A A V V F A V F A V F A V F A V F A V Competição horizontal Competição intertipos Competição vertical Competição entre sistemas de canal Os mesmos tipos de empresas no mesmo nível do canal competindo umas com as outras Diferentes tipos de empresas no mesmo nível do canal competindo umas com as outras Membros com diferentes níveis do canal competindo uns com os outros Sistemas inteiros de canal competindo uns com os outros como se fossem unidades 45 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. precisa ser uma organização coesa e ordenada. Tais canais vêm sendo chamados de sistemas verticais de marketing e são classificados em três tipos: (1) corporativo (2) contratual e (3) administrado. Nos canais corporativos, as instalações de produção e comercialização pertencem à mesma empresa. No canal contratual, membros do canal independentes entre si – produtores ou fabricantes, atacadistas e varejistas – são ligados por um acordo contratual formal. Cadeias voluntárias promovidas pelo atacadista, cooperativas de varejistas e sistemas de franquias são as três principais formas de sistemas verticais de marketing. Sistemas de canal administrados resultam de forte domínio de um dos membros do canal (frequentemente, um fabricante) sobre os demais membros. Essa posição privilegiada é função da alavancagem que o membro dominante consegue alcançar a partir de um monopólio de oferta, expertise especial, forte aceitação de seus produtos pelos consumidores ou outros fatores. Embora existam poucos dados precisos, em geral se reconhece que os sistemas verticais de marketing cresceram drasticamente na última década, com o maior crescimento ocorrendo entre sistemas contratuais, particularmente franquias. Á medida que esses sistemas verticais de marketing vão conquistando parcelas cada vez maiores do sistema total de distribuição é de se esperar que também cresça o grau de concorrência entre sistemas de canal. Ambiente Sociocultural O ambiente sociocultural influencia virtualmente todos os aspectos de uma sociedade. As características da comercialização (e particularmente a estrutura dos canais de marketing) também são, portanto, influenciadas pelo ambiente sociocultural dentro dos quais eles existem. De fato, alguns analistas de canais argumentam que esta é a principal força que afeta a estrutura do canal. Nas últimas décadas, vários estudos em diferentes países dão suporte a essa visão. Esses estudos mostram uma grande variação na estrutura dos canais de país para país, 46 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. devido aos diferentes “climas sociais, psicológicos, culturais e antropológicos”. Pegue, por exemplo, o caso da África tropical. Em alguns países, não é raro encontrar em torno de 10 níveis na estrutura do canal para bens de consumo importados. A maioria dos minúsculos intermediários de varejo (muitas vezes ambulantes) lida com quantidades muito pequenas de produtos, tais como um punhado de sal, meia barra de sabão, ou dois ou três cigarros. Observadores ocidentais, bem como executivos dos governos dos países da África tropical, ficam com frequência, estarrecidos com isso, acreditando ser uma estrutura de canal altamente irracional e ineficiente. Esses observadores, entretanto, cometem o erro de não considerar o contexto sociocultural dentro do qual se situa essa estrutura de canal. Na realidade, os canais aparentemente arcaicos, com várias camadas de pequenos intermediários, são bastante racionais quando se faz um esforço em compreender os fatores socioculturais envolvidos. Na África tropical, tais fatores incluem uma ampla dispersão geográfica da população, consumidores de mobilidade extremamente limitada e uma tradição de compra imediatista e nada previdente. Dadas essas condições, é o supermercado moderno em estilo ocidental que seria na verdade altamente irracional e ineficiente. Claramente, portanto, o gerente de canal deve estar sensível ao ambiente sociocultural no qual o canal de marketing está inserido, quando se estende para culturas estrangeiras. Todavia, não é preciso que ele estenda o canal de marketing para outros países para encontrar ambientes “estranhos”. O ritmo acelerado da mudança nas variáveis socioculturais dentro de casa pode fazer com o que se supunha ser um ambiente doméstico bem conhecido parecer quase tão estranho quanto um estrangeiro. Principais fatores que influenciam no ambiente sociocultural: Padrões etários da população; Etnias; Tendências educacionais e comportamentais (tribos – ex: skatistas, punks, “patricinhas”, etc.). 47 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Estrutura Familiar ou Domiciliar; Mudança no papel da mulher. 48 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 6 Objetivo: Compreender os ambientes, tecnológico e legal, que cercam o canal de marketing e analisar sua influência nos membros do canal. Ambientes tecnológico e legal. Ambiente Tecnológico. A tecnologia é o aspecto do ambiente que muda de forma mais rápida e contínua. Provavelmente, todas as pessoas poderiam recitar longas listas de avanços tecnológicos ocorridos ao longo de suas vidas ou mesmo apenas durante a última década. O amplo uso de computadores pessoais, CD’s, DVD’s, aparelhos de FAX, scanners, fibras óticas, telefones celulares e a Internet são alguns exemplos mais óbvios. Em vista dessa tecnologia em rápida mudança e emaceleração, o gerente de canal tem que escolher os avanços que sejam relevantes para sua empresa e para os participantes do canal de marketing e então determinar como essas mudanças provavelmente afetarão os participantes do canal. Não é tarefa fácil, nem pode ser programada com precisão. Embora contínuas, as mudanças tecnológicas não ocorrem de maneira uniforme ou previsível ao longo do tempo. Apesar de não ser possível apresentar uma lista abrangente dos avanços tecnológicos que incidem sobre o canal de marketing, muitos são indicativos dos tipos de desenvolvimentos tecnológicos que devem ser observados atentamente. 49 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A Internet e os Canais de Marketing Eletrônicos A Internet é uma rede mundial de pequenas redes de computadores que conectam milhões de usuários individuais. Ela fornece meio altamente eficiente para ganhar acesso, organizar e compartilhar volumes virtualmente ilimitados de informação. A Internet já existe há muitas décadas, mas era usada basicamente por cientistas e acadêmicos. Todavia, em meados dos anos 90, sua popularidade explodiu e ela tornou- se sem dúvida o fenômeno tecnológico mais celebrado da década. Várias razões podem ser apresentadas para justificar seu impressionante crescimento, mas provavelmente o principal fator foi a introdução da World Wide Web (WWW), serviço de Internet que habilita usuários a navegar usando um simples ponto e clicando uma interface similar à de um software Macintosh e Windows. Esse modo de interface entre o usuário e as vastas informações disponíveis é chamado de browser. Embora a Internet tenha sido concebida inicialmente como um mecanismo de troca de informações, ela é amplamente usada, hoje em dia, como um tipo de canal de marketing eletrônico no qual os consumidores e as organizações podem fazer compras. No nível do atacado, ou “business to business” (B to B, ou B2B), o volume de vendas é significativamente maior que no varejo, com estimativas de vendas muito elevadas. Não obstante, no futuro a Internet poderá representar um papel muito maior, tanto para o mercado de consumo quanto para o B2B. As assim chamadas lojas virtuais e shoppings virtuais já são dominantes na Internet, cobrindo grande série de produtos e serviços tais como vestuário, livros, computadores, vinho, viagens e uma miríade de outros produtos. Numerosas pequenas empresas estão representadas, mas há também muitas corporações gigantes bem conhecidas cujos nomes são familiares a quase todos. 50 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Scanners, Gestão Computadorizada de Estoques e Computadores Portáteis. Scanners eletrônicos (leitores ópticos) são dispositivos a laser que leem preços e outras informações dos rótulos dos produtos e registram-nos com muito mais rapidez e precisão do que as pessoas podem fazer manualmente. Quando combinados com o Código de Produtos Universal (UPC – Universal Product Code), que hoje aparece virtualmente em todos os produtos industrializados e popularizou-se como “código de barras”, a velocidade e eficiência dos scanners eletrônicos no processamento de transações de consumo são formidáveis. Todavia, os scanners eletrônicos já estão indo além da simples leitura de rótulos de produtos. Eles podem ser usados para a reposição eletrônica de estoques, dispensando os pedidos de compras preenchidos manualmente. Usando as informações dos scanners dos caixas, o computador pode processar os itens vendidos e então subtraí-los automaticamente dos registros em estoque. Uma lista de pedidos gerada por computador para os itens que caem abaixo dos níveis mínimos de estoque pode então ser transmitida para os atacadistas e fabricantes. Dessa forma, os scanners eletrônicos aumentam a produtividade dos varejistas por lhes permitirem processar maiores volumes de transações com menor utilização de mão de obra. Intimamente relacionado ao escaneamento eletrônico está o uso da gestão computadorizada de estoques. Sistemas computadorizados de estoque baseados nos dados recebidos dos terminais no ponto de venda provocaram uma revolução na gestão e controle de estoques no nível do varejo e, cada vez mais, no nível do atacado. E o uso crescente de computadores portáteis aumentou ainda mais a capacidade dessa tecnologia. Os computadores portáteis não estão apenas ficando menores; mais leves e mais poderosos; eles também estão se tornando progressivamente mais úteis no fornecimento do tipo de informação necessária à gestão dos fluxos de produtos e informações de marketing. Quando esses equipamentos são combinados à tecnologia da telefonia celular, que permite que o computador portátil seja conectado a CPU’s remotas, sua velocidade e eficiência são espantosas. 51 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Troca Eletrônica de Dados (EDI) A troca eletrônica de dados, chamada EDI (Electronic Data Interchange), trata da interligação dos sistemas de informação dos membros do canal para fornecerem respostas em tempo real à comunicação de uns com os outros. Por exemplo, um sistema de gestão computadorizada de estoques de um varejista está conectado com os computadores do fornecedor (fabricante ou atacadista) e é por eles monitorado. O pedido de mercadorias pode ser feito automaticamente quando o nível de estoque no varejista dos produtos desse fornecedor atingir o patamar mínimo de reposição. Assim, o computador do varejista pede os produtos para os computadores do fabricante ou atacadista sem intervenção humana nem qualquer impressão em papel. Os sistemas de EDI mais sofisticados também podem prever a demanda com base no histórico de vendas. Nesse caso, os computadores do fabricante ou atacadista vão iniciar o pedido para o varejista ao preverem qual o volume dos itens em questão que lhes será necessário durante um período em particular. Os sistemas de EDI podem ser ligados diretamente ao sistema de produção, permitindo que a produção da fábrica seja orientada pelo comportamento das vendas no varejo. Em outras palavras, as vendas de mercadorias em determinado dia em estabelecimentos de varejo de todo o país vão fornecer as informações que guiarão o processo de produção do fabricante desse mesmo dia. Não há grandes controvérsias sobre o fato de que a tecnologia EDI eleva a eficiência da distribuição, resultando em grandes vantagens a todos os membros do canal, bem como aos clientes finais. O fabricante beneficia-se por meio de um planejamento da produção mais acurado e no tempo adequado. O cliente final beneficia-se com os menores custos de distribuição em função do EDI e com a maior probabilidade de encontrar os itens em particular que ele estiver procurando nas prateleiras dos varejistas. O principal problema é que os membros do canal precisam compartilhar informações abertamente para que o sistema de EDI funcione. Dessa forma, o EDI pode perder muito de seu apelo, para os 52 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. membros do canal que achem necessário controlar algumas informações sobre as vendas de seus produtos por acreditarem que são sensíveis ou confidenciais. Telecompras: Compras por Computador e Compras em Casa Telecompra é a compra de produtos e serviços com o uso de um dispositivo eletrônico em conjunto com um aparelho de televisão. O dispositivo de telecompra permite que o consumidor compre simplesmente sintonizando uma estação de TV a cabo que ofereça o serviço de telecompra. Inúmeros produtos e serviços estão disponíveis, dispostos de forma atraente para tirar proveito integral da cor oferecida pela TV, e também são demonstrados de maneira eficaz. O pedido real é feito diretamente por meio de um cabo interativo ligado à estação de compra. O cliente só precisa apertar um botão no dispositivode telecompra e entrar com o número do cartão de crédito para pedir um produto. Embora ainda pouco difundido no Brasil, esse sistema tende a ser ampliado e melhorado com o advento da TV Digital. Alguns filmes em PPV nos sistemas de TV Digital já podem ser adquiridos dessa maneira. A compra por computador opera pelo mesmo princípio de telecompra no que diz respeito à habilidade interativa dos consumidores em fazer pedidos remotos. Entretanto, a habilidade de ver o produto em uma vívida reprodução fotográfica e de vê-lo demonstrado ainda não está tão disponível na compra por computador. Por outro lado, o computador pessoal pode ser ligado em rede via Internet a muito mais vendedores do que seria viável em sistemas de telecompra, o que dá aos consumidores maior variedade e flexibilidade. Com o crescimento explosivo da Internet, em meados dos anos 90, e com a introdução dos aparelhos de Net TV, que fornecem acesso à Internet usando uma TV especialmente projetada, em vez de um computador pessoal, as tecnologias de telecompra começaram a convergir. Ainda falta saber se, o uso da TV para ter acesso à Internet vai substituir o uso do PC em grande escala e se as estações ou redes de TV especiais; para compra irão proliferar. 53 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A telecompra e a compra por computador não devem ser confundidas com a compra em casa pela televisão, que emergiu durante os anos 80. A compra em casa consiste essencialmente de programas de TV a cabo que oferecem produtos para venda em lugar de outros tipos de entretenimento (por exemplo, o Shoptime). O consumidor, vendo algo que gosta, liga para um telefone gratuito e faz o pedido. Mão há habilidade interativa e o consumidor fica limitado aos produtos específicos (apresentados um de cada vez) que o programa decide oferecer. Esses programas de compra em casa não são baseados em alta tecnologia, ao contrário da telecompra e da compra por computador. Claro que os avanços tecnológicos aqui discutidos são apenas alguns, entre os muitos que estão continuamente emergindo. É difícil prever exatamente como esses e outros avanços tecnológicos vão afetar os canais de marketing, mas o potencial para que isso ocorra é gigantesco. O Ambiente Legal O ambiente legal refere-se ao conjunto de leis que têm impacto sobre os canais de marketing. A estrutura legal resultante dessas leis não é um código estático. Em vez disso, ela é uma estrutura em contínua evolução, afetada pelas mudanças nos valores, nas normas, na política e, é claro, nos precedentes estabelecidos nos casos pelos tribunais (jurisprudência). As variadas e numerosas interpretações das leis que atuam sobre os canais de marketing podem parecer um labirinto para o gerente do canal. Felizmente o gerente do canal não precisa ser um especialista nos aspectos legais dos canais de marketing. Dada a natureza técnica do assunto, ele nem deve almejar tal posição, pois isso, por si só, já equivaleria a trabalho em tempo integral. Apenas especialistas legais treinados estão em posição de lidar de forma competente com as complexidades legais relevantes ao canal de marketing. Em todo o caso, o gerente de canal ainda precisa de conhecimento geral da legislação relativa ao canal e de familiaridade com algumas das questões legais básicas relevantes à gestão de canal. Esse conhecimento e essa consciência gerais da parte legal da gestão do canal ajudarão 54 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. o gerente a comunicar-se melhor com os especialistas em legislação e talvez o ajude a evitar problemas legais potencialmente sérios e dispendiosos que possam surgir durante a gestão do canal. O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) é o órgão responsável por controlar a aplicação das principais leis relativas à economia no país. O princípio básico do comércio no Brasil é o da Livre Concorrência sendo que qualquer atitude das empresas que venha a ferir esse princípio tende a ser proibido pelo CADE. Formação de Cartéis, Trustes, Monopólios, Oligopólios e prática do Dumping1 são algumas das práticas condenadas pelos organismos de defesa da livre concorrência no Brasil, as quais o gestor do canal deve ter um conhecimento ainda que superficial. Para maiores detalhes consultem os sites do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (www.mdic.gov.br) e do CADE (www.cade.gov.br). Outro fator que o gerente do canal deve estar atento é no que se refere à legislação que versa sobre os contratos. Por ser o canal regido pelos contratos entre os seus membros, um mínimo de conhecimento sobre a legislação de contratos (principalmente o código civil) deve ser adquirido. Para tal, vale a pena na hora de formular os contratos entre os membros do canal, consultar um advogado especialista na área. Alguns aspectos que devem ser observados na elaboração do contrato com os membros do canal são: Acordos de exclusividade, imposição de linha completa (ao comprar um produto o varejista pode se ver obrigado a adquirir os demais produtos da linha do fabricante/produtos), acordos referentes a preço (tabelas, preços promocionais, etc.), restrições a revendas (se o produto pode ser ou não revendido), a responsabilidade de cada um no que diz respeito a posse da mercadoria, avarias, etc. Assim, concluí-se que a unidade referente ao Ambiente que cerca o canal de marketing, deve ser estudado e levado em consideração; quando da construção do canal e sua 1 Dumping: Considera-se que há prática de dumping quando uma empresa exporta para o Brasil, por exemplo, um produto a preço (preço de exportação) inferior àquele que pratica para produto similar nas vendas para o seu mercado interno (valor normal). Desta forma, a diferenciação de preços já é por si só considerada como prática desleal de comércio. 55 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. gestão, pois sua observação fará com que o canal se torne mais coeso e competitivo, e as possibilidades de torná-lo um diferencial competitivo sustentável aumentarão consideravelmente. 56 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 7 Objetivo: Interpretar os processos comportamentais e sua influência nos membros do canal de marketing. Processos comportamentais no canal de marketing É necessária a compreensão das dimensões do comportamento dos canais de marketing porque o canal não é simplesmente um sistema econômico racionalmente ordenado desprovido de processos e interações sociais. Pelo contrário, o canal de marketing é muito mais um sistema social sujeito aos mesmos processos comportamentais, que são características de todos os sistemas sociais. Consequentemente, uma parte importante do trabalho é a necessidade de o gerente do canal conhecer os processos comportamentais que ocorrem nos canais de marketing e saber aplicar esse conhecimento no desenvolvimento e na administração do canal de marketing. Um sistema social pode ser definido como: (...) o sistema gerado por qualquer processo de interação no nível sociocultural, entre dois ou mais atores. Os atores podem ser tanto indivíduos humanos concretos (pessoas) quanto coletividade inteira. 2 Quando esses indivíduos ou coletividades (empresas ou agências) interagem como membros do canal de marketing, um sistema social interorganizacional passa a existir. O canal pode não ser mais visto simplesmente como um sistema econômico afetado apenas por variáveis econômicas. Em vez disso, as dimensões comportamentais fundamentais presentes em todos os sistemas sociais – tais como conflito, poder, papel e processos de comunicação – acabam entrando no jogo. 2 PARSONS, Talcott; SMELSER, Neil J. Economy and society: a studyin the integration of economic and social theory. New York: Free Press, 1956. p.8. 57 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Conflito no Canal de Marketing Dado que o canal de marketing é um sistema social, não há como escapar da dimensão comportamental fundamental inerente a todos os sistemas sociais – o conflito. Embora haja muitas definições de conflito, no contexto do canal de marketing diz-se que existe conflito quando um membro do canal percebe que as ações de outro membro estão impedindo a realização de suas metas. Em qualquer sistema social, quando um componente percebe que o comportamento de outro componente está impedindo a realização de suas metas ou o desempenho eficaz de seus padrões instrumentais de comportamento, prevalece uma atmosfera de frustração. Pode, portanto, existir um estado de conflito quando dois ou mais componentes de determinado sistema de ação, como um canal de distribuição, por exemplo, tornam-se objeto de frustração um do outro. O conflito no canal de marketing não deve ser confundido com competição, a qual também ocorre no canal. A competição é um comportamento centrado no propósito, indireto e impessoal. O conflito, por outro lado, é comportamento direto, pessoal e centrado no oponente. Assim, em situação de conflito, não são as forças do mercado impessoal que as empresas tentam superar, mas outras empresas no sistema com quem elas tão em conflito. Tanto no processo de competição quanto no do conflito, as metas (das várias unidades) são vistas como incompatíveis, e as unidades esforçam-se cada uma de seu lado para atingir essas metas. Nesse contexto, a competição ocorre quando, dadas às metas incompatíveis, uma unidade não consegue interferir na outra. A diferença essencial entre a competição e o conflito está na esfera das atividades de interferência ou bloqueio. Causas do conflito de canal Algumas causas de conflito no canal podem ser: 58 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Incongruência de papéis: um papel é um conjunto de prescrições que definem como deveria ser o comportamento de cada um dos membros em suas posições. Quando aplicado ao canal de marketing, qualquer membro do canal tem uma série de papéis que se espera que ele cumpra. Por exemplo, espera-se de um franqueador que ele forneça extensa assistência administrativa e apoio promocional aos franqueados. Em troca, espera-se que os franqueados operem de acordo com o padrão de procedimentos operacionais do franqueador. Se um dos dois, franqueador ou franqueado, divergir do papel que lhe foi determinado, (por exemplo, se o franqueado decide instituir algumas de suas próprias políticas), pode acontecer uma situação de conflito. Escassez de recursos: às vezes, o conflito origina-se de uma discordância entre membros do canal sobre a alocação de alguns valiosos recursos necessários para atingir suas respectivas metas. Exemplo comum disso é a distribuição dos varejistas a serem atendidos entre um fabricante e os atacadistas. Os varejistas são vistos por ambos, fabricantes e atacadistas, como recursos valiosos para alcançar seus objetivos de distribuição. Frequentemente, o fabricante decidirá manter alguns dos varejistas de volumes mais altos como house accounts (lojas para as quais o fabricante venderá diretamente). Isso conduz a objeções por parte atacadista sobre o que é considerado como uma alocação desfavorável desse recurso (os varejistas). Esse tipo de disputa frequentemente conduz ao conflito. Diferenças de percepção: A percepção refere-se ao modo como um indivíduo seleciona e interpreta estímulos ambientais. A maneira como são percebidos tais estímulos, porém, é frequentemente muito diferente da realidade objetiva. Em um contexto do canal de marketing, os vários membros do canal podem perceber os mesmos estímulos, mas podem interpretá-los de forma bastante diferentes. Exemplo comum disso está no uso de displays no ponto de venda (PDV). O fabricante que os fornece normalmente percebe o PDV como valiosa ferramenta promocional necessária para girar os produtos nas estantes dos varejistas. O varejista, por outro lado, frequentemente entende que o material de ponto de venda é uma parafernália que só serve pra ocupar valioso espaço no chão. 59 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Dificuldade de comunicação: A comunicação é o veículo para todas as interações entre os membros do canal, sejam tais interações cooperativas ou conflitantes. Estrago ou desarranjo nas comunicações pode rapidamente, virar uma relação cooperativa em uma conflitante. Administrando o conflito do canal Para administrar conflitos dentro de um canal, o gestor deve atuar em três pontos básicos. Detectando o conflito de canal: na prática, o conflito é normalmente identificado depois de já estar bem desenvolvido e evidente. Essa abordagem “depois do fato” para detectar conflito de canal é insatisfatória porque os potenciais efeitos negativos do conflito podem estar espalhando-se. Assim, é melhor que o gerente de canal tenha algum tipo de “sistema rápido de advertência”. Uma maneira eficiente de se antever os conflitos entre os membros de um canal é levantar as percepções de outros membros do canal quanto a seu desempenho, de forma regular e contínua. Esse levantamento com membros do canal para identificar áreas de conflito podem ser administrados por meio de empresas de pesquisas independentes. Além da empresa de pesquisa e do consultor externo poder ter maior experiência em desenhar e executar esse tipo de estudo, a independência da parte externa também pode ajudar a evitar que o levantamento seja enviesado. Outra maneira de descobrir um potencial conflito entre os membros do canal passa pela auditoria do canal de marketing, que consiste em uma avaliação periódica e regular das áreas fundamentais do relacionamento de determinado membro do canal outros membros. Avaliando o efeito do conflito: o passo seguinte à constatação do conflito é avaliar qual o seu tamanho e seus possíveis efeitos. O ideal, nesse momento é criar um sistema de pontuação que permita o gerente formar uma escala mensurando o potencial conflito. Essa escala deve ser baseada na experiência do gerente e no quanto o possível conflito pode interferir nos aspectos financeiros e interorganizacionais. A avaliação do efeito pode 60 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. até ser positiva, caso o gerente vislumbre que sua solução pode fazer com que o canal ganhe força e com que os membros estreitem seus relacionamentos. A avaliação do efeito do conflito é de suma importância para decidir qual metodologia utilizar na solução do conflito. Solucionando o conflito: Quando houver conflito no canal, o gerente do canal deve entrar em ação para solucioná-lo, caso acredite que terá efeitos nocivos à eficiência do canal. Uma abordagem utilizada para solucionar conflitos de canal é a criação de um comitê formado por representantes de todos os membros do canal que avaliasse periodicamente os problemas relacionados ao canal, funcionando como um organismo de administração de crises. O comitê, então, determinaria algumas metas conjuntas, que ajudariam a aliviar os efeitos do conflito. Mesmo que não consigam estabelecer metas conjuntas o próprio diálogo provocado por essa tentativa seria em si mesmo um benefício para a redução do conflito. Outra abordagem utilizada é submeter as partes envolvidas a uma arbitragem. A arbitragem é rápida, mantêm as informações capitais da empresa somente entre seus membros e é menos custosa e desgastante que um litígio. Outro fator favorável à arbitragem, é que nela, os conflitos são confrontados em sua fase inicial, o que facilita sua resolução e evita o efeito nocivo ao canal. O mais importante é que as peculiaridadesde cada uma das abordagens é o princípio básico comum a todas elas: A ação criativa de alguma das partes envolvidas no conflito é necessária para que o conflito seja solucionado com sucesso. Se, ao contrário, o conflito for simplesmente deixado sozinho, é provável que ele não seja bem solucionado e que se torne cada vez pior. 61 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Poder no Canal de Marketing Quando se usa o termo poder em um contexto do canal de marketing, está se referindo à capacidade de um membro particular do canal em controlar ou influenciar o comportamento de outros membros do canal. Por exemplo, em uma tentativa de reduzir custos de estoque, um varejista pode tentar limitar a variedade de produtos de um determinado fabricante que ele quer vender. O fabricante, entretanto, pode querer que o varejista trabalhe com toda sua linha de produtos. Os dois membros do canal podem tentar exercer poder para influenciar o comportamento do outro. A habilidade de ambas as partes para alcançar o resultado desejado dependerá da quantidade de poder que cada um puder impor. As bases de poder (fontes do poder que uma parte exerce sobre a outra) podem ser divididas em cinco: Poder de Recompensa: Fonte de poder que diz respeito à capacidade de um membro do canal de recompensar o outro se o segundo submeter-se à influência do primeiro. Essa base de poder está presente virtualmente em todos os sistemas de canal. As recompensas ficam normalmente evidentes nos ganhos financeiros obtidos pelos membros do canal quando são favorecidos os interesses de um deles. Os membros do canal – tanto produtores quanto atacadistas ou varejistas – só continuarão sendo membros viáveis em longo prazo se puderem ser financeiramente beneficiados com sua participação no canal. Poder Coercitivo: O poder coercitivo é essencialmente o oposto do poder de recompensa. Nesse caso, o poder de um membro do canal sobre o outro está baseado na expectativa de que o primeiro será capaz de punir o segundo, caso ele não se submeta às tentativas de influência do primeiro. O poder coercitivo acontece com muita frequência nos relacionamentos do canal. Poder Legítimo: Essa base de poder deriva de normas internalizadas em um membro do canal, que determinam que outro membro do canal tenha um direito legítimo de 62 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. influenciar o primeiro, e que existe a obrigação de aceitar essa influência. Em um sistema interorganizacional, como o canal de marketing, o poder legítimo não atua da mesma forma que nos sistemas intraorganizaconais (com níveis e subordinações bem definidos) e não constitui um fenômeno de longo alcance e, tampouco, bem aceito. Dado que muitos canais são compostos por empresas independentes, não há nenhum relacionamento superior/subordinado definido, e não há nenhuma linha de autoridade nem cadeias de comando. Somente em canais ligados contratualmente existe algo que se assemelha a uma estrutura organizacional baseada no poder legítimo. Portanto, o gerente que opera um canal pouco alinhado geralmente não pode depender de uma base de poder legítima para influenciar os outros membros do canal. Ele tem que recorrer a outras bases de poder ou tentativas de reestruturar o canal em direção a um sistema mais formal, como um sistema vertical unido contratualmente que visa aumentar uma base de poder legítima. Poder Referente: Quando um membro do canal percebe que suas metas são altamente correlacionadas com as metas de algum outro membro, é provável que exista uma base de poder referente. Em outras palavras, eles podem identificar-se como pertencentes ao mesmo grupo de referência. Consequentemente, quando prevalece essa situação, é muito provável que, se houver uma tentativa de um dos membros do canal para influenciar o comportamento do outro, este a veja como benéfica à realização de suas próprias metas. Por exemplo, varejistas ou atacadistas que queiram ser identificados como empresas “pioneiras”, de “alta qualidade” ou “de prestígio” usarão como seu grupo de referência os fabricantes cujos produtos foram consistentes com a imagem que eles estão tentando projetar. Isso, por sua vez, dá a esses fabricantes uma base de poder referente sobre os intermediários que buscam vender seus produtos. No caso de fabricantes com produtos muito desejados, a base de poder referente pode ser bastante alta, proporcionando assim, para os fabricantes, uma influência substancial sobre os membros do canal que vendem seus produtos. Poder de Especialista: Essa base de poder é derivada do conhecimento (ou percepção do conhecimento) que um membro do canal atribui a outro em determinada área. Em 63 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. outras palavras, as tentativas de um dos membros do canal de influenciar o comportamento de outro membro, têm como base sua expertise superior. O poder de especialista é muito comum no canal de marketing. Muitos fabricantes fornecem aos varejistas um suporte administrativo que é de grande valia para várias fases das operações no varejo. Em canais franqueados, a experiência é uma base de poder crucial para o franqueador influenciar os seus franqueados. Os franqueados esperam que o franqueador forneça sua expertise regular e continuamente. De fato, um dos principais valores da franquia para o franqueado é a experiência do franqueador nesse específico ramo de negócios. Do ponto de vista do gerente do canal de uma fábrica ou empresa industrial, o poder deve ser usado para influenciar o comportamento dos membros do canal para ajudar a empresa a alcançar seus objetivos de distribuição. Para isso o gerente do canal deve, em primeiro lugar, identificar as bases de poder disponíveis em relação aos demais membros do canal, tanto as que podem ser utilizadas para influenciar, quanto as que podem originar uma influência dos demais membros sobre sua empresa. Após a identificação das bases de poder o gerente do canal passa a escolher e utilizá-las da melhor maneira possível, sem, contudo, exagerar na utilização do poder, uma vez que isso pode desgastar o relacionamento com os outros membros do canal e consequentemente, enfraquecê-lo. O uso do poder coercitivo, por exemplo, pode gerar conflito ou promover o descontentamento. Porém, quando combinadas a uma administração sadia, a utilização do poder para influenciar os demais membros pode mostrar ser de real valor para o desenvolvimento e para a gestão do canal de marketing. 64 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Qual o papel do Gestor Logístico na construção do canal de marketing? Como desenvolver esse papel e fazer com que os diretores enxerguem a importância desse profissional? Como o canal de distribuição pode agregar valor para a empresa? 65 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 8 Objetivo: Interpretar os processos comportamentais e sua influência nos membros do canal de marketing. Processos Comportamentais no Canal de Marketing II Papel no Canal de Marketing Quando visto como um sistema social, o canal de marketing inclui uma série de posições reconhecíveis, e cada organização (fabricantes, atacadistas e varejistas) ocupa uma dessas posições no canal. Cada posição tem um conjunto de prescrições socialmente definidas (papéis) delineando o que se constitui como comportamento aceitável pelos ocupantes desses papéis. Por exemplo, uma prescrição básica de papel para o fabricante pode maximizar as vendas de sua marca de produto em particular. Espera-se que o fabricante concorra com seus “pares sociais” (os demais fabricantes) por fatias de mercado. Esse papel, também, prescreve que se promova agressivamente a própria marca para competir de forma eficaz. É provável que as prescriçõesdos papéis de atacadistas independentes, porém, sejam totalmente diferentes porque a posição ocupada pelo atacadista será associada a um conjunto diferente de prescrições. Por exemplo, para o atacadista, a marca desse fabricante particular pode ser somente uma entre tantas outras. As prescrições do papel do atacadista estão assim definidas por sua posição como concorrente de outros atacadistas. Esse papel pode determinar que se promovam as vendas de qualquer marca que os varejistas encomendem muito. Do ponto de vista do gerente do canal, o valor fundamental do conceito de papel está em ajudar a descrever e comparar o comportamento esperado dos membros do canal e em esclarecer as restrições sob as quais eles operam. Por exemplo, o gerente do canal pode usar o conceito de papel para formular as seguintes questões: 66 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Que papel eu espero que determinado membro (consolidado ou potencial) represente no canal? Que papel os pares desse membro (outras empresas de um tipo semelhante) esperam que ele represente? As expectativas que eu tenho para esse membro entram em conflito com as expectativas de seus pares? Que papel esse membro espera que eu represente? Formulando questões desse tipo sobre os papéis dos vários membros do canal, torna-se mais provável que se chegue a uma compreensão mais clara sobre a parte que se espera que cada um represente. Isso ajudará a minimizar as relações confusas e malfadadas que existem muito frequentemente entre membros do canal e a reduzir a possibilidade de conflitos de papel entre os membros. Processos de Comunicação no Canal de Marketing A comunicação pode ser descrita como a “cola que mantém unido um canal de distribuição”. A comunicação é a base para enviar e receber informações entre os membros do canal e entre o canal e seu ambiente. As atividades de comunicação empreendidas pelos membros criam um fluxo de informação dentro do canal, o qual é necessário para que haja fluxo eficiente de produtos ou serviços por meio deles. De fato é quase impossível visualizar um fluxo eficiente de produtos ou serviços sem um fluxo eficaz de informações. Consequentemente, o gerente do canal deve trabalhar a fim de criar e promover um fluxo efetivo dentro do canal. 67 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Problemas nas Comunicações do Canal Metas Divergentes: A administração coorporativa em grandes indústrias é caracterizada por uma psicologia de crescimento. Em sua estratégia de marketing, isso é traduzido em esforços agressivos para elevar o volume de vendas. É esperado que os integrantes do canal de marketing estejam realmente comprometidos com tal objetivo. Por outro lado, essa meta de crescimento não é compartilhada pelo negociante de varejo típico. Em vez disso, os pequenos e os médios varejistas independentes são caracterizados por uma psicologia essencialmente estática, isto é, ele está bastante satisfeito com o nível atual de seu negócio ou, no máximo, aceitaria uma expansão modesta e gradual. Essa diferença de metas explica em grande parte os problemas de comunicação no canal de marketing entre os fabricantes e os varejistas. Por exemplo, os incentivos de revendedores, que são extensamente usados por fabricantes de utilidades domésticas. Esses incentivos funcionam sob a forma de estímulos financeiros para que os varejistas aumentem seus volumes de vendas. O desconto de volume é um exemplo que, quanto maior for o volume, maiores serão os percentuais de descontos concedidos. Os fabricantes frequentemente ficam confusos por sua inabilidade em comunicar os benefícios desses descontos de forma eficaz, para entusiasmar os representantes a tentar aproveitar essa oportunidade. As divergências de metas ocorrem, substancialmente, entre membros do canal de grande e de pequeno porte. Pensando nisso, o gerente de canal das grandes empresas, sejam elas produtoras, fabricantes atacadistas ou franqueadoras de serviços, devem entender as metas dos pequenos integrantes do canal para saber se elas são muito diferentes das metas de sua própria empresa. Diferenças de Linguagem: Outro problema básico de comunicação entre o fabricante e o pequeno varejista é originado pela terminologia ou pelos jargões usados pela maioria das administrações profissionais de grandes corporações. Embora essa linguagem seja facilmente compreendida entre gerentes profissionais, ela é praticamente incompreensível pelo pequeno varejista. Vejamos um exemplo: Essencialmente, o típico dono de boteco não é um homem de negócios. Ele não está acostumado a pensar, nos mesmos termos que são familiares ao homem de negócios. Para ele, lucro é uma palavra 68 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. bombástica e esotérica, usada por sabichões que se acham melhores que ele. Como esse pequeno varejista acredita estar no negócio de “fazer dinheiro”, o gerente do canal tem muito mais chance de produzir algum resultado, afirmando que vai ajudá-lo nesse sentido, do que argumentando que vai lhe trazer “maiores lucros”. Da mesma forma, falar sobre merchandising ou promoção surtirá pouco ou nenhum efeito. Para conseguir com que ele aja, é preciso usar termos com os quais ele esteja familiarizado e nos quais ele identifique um significado, prometendo recompensas concretas que ele possa compreender. Portanto, é importante que o gerente do canal certifique-se de que a linguagem utilizada nas comunicações do canal seja facilmente compreendida por todos os integrantes. A comunicação pouco frequente pode fazer com que os membros do canal sintam-se abandonados, pode haver falta de informações necessárias aos integrantes da ponta do canal, que não poderão promover e comercializar de forma efetiva os produtos de determinado fabricante. Consequentemente, a comunicação pouco frequente é associada com uma percepção de baixa qualidade de comunicação. É válido, nesse momento, parar um pouco e ler algum material sobre comportamento do consumidor e até mesmo alguns artigos de Psicologia, sobre o comportamento do ser humano. Um site com bons artigos sobre Psicologia é o: www.pol.org.br ou o www.portaldomarketing.com.br. Um livro, muito bom, que versa sobre o assunto chama-se: Comportamento do Consumidor, dos autores Leon G. Schiffman e Leslie Lazar Kanuk. 69 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 9 Objetivo: Ser capaz de visualizar o canal como um todo, dentro da estratégia global e da estratégia de marketing da empresa. Estratégia Em Canais de Marketing Kotler3 define a estratégia de marketing como: “os princípios gerais por meio dos quais uma unidade de negócios espera alcançar seus objetivos de marketing em um mercado alvo”. A estratégia de marketing de canal pode ser vista como um caso especial da estratégia de marketing. Portanto, pode-se definir a estratégia de marketing de canal como: Os princípios gerais pelos quais uma empresa espera alcançar seus objetivos de distribuição em seu (s) mercado (s) alvo (s). Embora paralela à definição de estratégia de marketing de Kotler, essa definição é mais específica, pois enfoca os princípios e direções para alcançar os objetivos de distribuição da empresa em vez dos objetivos genéricos de marketing (que incluem produto, preço e objetivos de comunicação). Portanto, a estratégia de marketing de canal diz respeito ao aspecto de distribuição da estratégia de marketing, enquanto os outros três P’s do marketing mix tratam de estratégias de produto, preço e comunicação. Para alcançar seus objetivos de distribuição, virtualmente qualquer fabricante terá que se concentrar em seis decisões básicas de distribuição: Qual o papel que a distribuição deveria ter nos objetivos e estratégias gerais da empresa? Qualo papel que a distribuição deveria ter no marketing mix? 70 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Como os canais de marketing da empresa deveriam ser desenhados para que seus objetivos de marketing fossem atingidos? Quais os tipos de membros do canal deveriam ser selecionados para que seus objetivos de distribuição fossem atingidos? Como gerenciar a organização externa de contatos (canal de marketing) para implementar o desenho de canal da empresa de forma eficaz e eficiente numa base contínua? Como a performance do membro do canal pode ser avaliada? Essas decisões são o “coração e a alma” da distribuição, pelo ponto de vista do gerenciamento do canal de marketing. O tratamento dessas decisões é o que realmente compõe a função da gerência do canal de marketing. O Papel da Distribuição nos Objetivos e Estratégia Corporativa. A decisão mais importante a ser considerada por qualquer empresa ou organização é o papel atribuído à distribuição em seus objetivos e estratégias de longo prazo. Mais especificamente, a empresa tem que decidir se a realização de determinados objetivos de distribuição é crucial para seu sucesso no longo prazo. Se a resposta for afirmativa, então o papel da distribuição deveria ser tratado pelos mais altos níveis hierárquicos da organização, incluindo o presidente. A questão de quanta prioridade dar a distribuição somente pode ser respondida pela empresa especificamente envolvida. Peter Drucker4 diz o seguinte em relação à importância da distribuição: 3 KOTLER, Philip. Marketing management analysis, planning implementation and control. 6. ed. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice-Hall, 1988. p. 71. 4 DRUCKER, Peter. Manage by walking around outside. Wall Street Journal, 11 May 1990. p. A12. 71 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. “Mudanças nos canais de distribuição podem não ter tanta importância como o PIB e a macroeconomia. No entanto, elas deveriam ser de grande importância para todos os tipos de negócios e indústrias... Todos sabem o quão rápido a tecnologia está mudando. Todos sabem sobre a globalização dos mercados e sobre as mudanças na força de trabalho e na demografia. Todavia, poucas pessoas prestam atenção nas mudanças nos canais de distribuição.” Já Tom Peters5, (co)autor do livro de administração mais famoso da década de 1980, “Em busca da Excelência”, também faz uma observação similar sobre a importância da distribuição na empresa: Muitas empresas cometem o erro de prestar pouca atenção no reduzido número de membros do seu grupo de marketing (canal de marketing). As empresas (relativamente poucas) que se importam têm recompensas tangíveis em sua distribuição. Gigantes que negociam com produtos muito mais globais, como a Coca-Cola; têm colocado ainda mais prioridade na distribuição nos últimos anos. Em sua busca pelo domínio dos mercados ao redor do mundo, a Coca-Cola Company não tem deixado pedra sobre pedra quando se trata de distribuição. No Japão, a empresa não considera nenhum ponto de venda muito pequeno para vender Coca-Cola: ela sai de sua rota mesmo para conquistar o menor deles. Além disso, a empresa tem publicado revistas sobre comércio e ministrado seminários especiais para os proprietários de sakayas (lojas familiares), para que possam operar mais eficientemente com lojas mais modernas. Em Paris, uma lata inflável de Coca-Cola de quase dois metros de altura é usada para ajudar a Maison Bagoux, um dos pequenos gourmets de esquina. “Coca-Cola é bem conhecida”, diz Mahmoud Bagoux, o dono da loja, “e a propaganda (da lata inflável) dá maior destaque a minha loja”. Mr. Bagoux obteve o artifício promocional de um representante de vendas da Coca-Cola – o único representante de vendas de um fabricante que já se importou em visitá-lo. 5 PETERS, Tom. Ignore distribution channels at your own risk. San Jose Mercury News, 13 feb. 1986. p. 8G. 72 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A Estratégia de Canal de Marketing e o Marketing Mix. Independentemente de a empresa considerar a distribuição como uma questão de importância e da alçada da alta gerência no desenvolvimento dos objetivos e estratégias corporativas, ela ainda deve levar em conta a questão do papel da distribuição no marketing mix. Desenvolver um marketing mix com estratégias de produto, preço, comunicação e distribuição que atenda às demandas dos mercados alvo da empresa de uma forma melhor do que os concorrentes é a essência do gerenciamento de marketing moderno. Essa relação entre a satisfação do mercado alvo e o marketing mix da empresa pode ser representada da seguinte forma: ),,,( 4321 PPPPfTs Onde: sT = grau de satisfação do mercado alvo 1P = estratégia de produto 2P = estratégia de preço 3P = estratégia de comunicação 4P = estratégia de distribuição O trabalho do gerente de marketing é desenvolver a combinação correta dos quatro P’s, para proporcionar e manter o nível desejado de satisfação do mercado alvo ( sT ). Para isso, o gerente de marketing tem que considerar as possíveis contribuições de cada variável para a satisfação das demandas do mercado alvo. Contudo, mesmo se reconhecermos à ampla gama de variáveis no marketing mix que uma empresa pode escolher para enfatizar estrategicamente, um caso genérico para 73 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. salientar a estratégia de distribuição pode ser colocado, se alguma das seguintes condições prevalecer: A distribuição é a variável mais relevante para satisfazer às demandas do mercado alvo; Obviamente, a demanda do mercado alvo é a base para o desenvolvimento de um marketing mix apropriado. Portanto, se as demandas dos clientes do mercado alvo da empresa podem ser mais bem satisfeitas por meio da estratégia de distribuição, esta deveria ser salientada no marketing mix da empresa. Enfim, a distribuição torna-se relevante, pois o mercado alvo a quer dessa maneira. À medida que as empresas têm se orientado mais pelo mercado alvo, ouvindo mais atentamente a seus clientes, a relevância da distribuição tem se tornado aparente para um crescente número de empresas, pois representa um papel de destaque no fornecimento de serviço ao cliente. Existe uma paridade entre os concorrentes, nas outras três variáveis do marketing mix; Certamente, não é mais segredo que a concorrência está cada vez mais acirrada, especialmente desde que a competição global tornou-se o padrão na maioria das indústrias. Consequentemente, mais e mais empresas estão competindo com compostos mercadológicos que são comparados não somente aos de seus concorrentes domésticos, mas também aos dos estrangeiros. Nessa arena intensamente competitiva, torna-se cada vez mais difícil para uma empresa diferenciar seu marketing mix em relação a seus concorrentes. Na área de produto, a habilidade para manter a liderança em inovação ou qualidade é mais difícil, devido à rapidez da transferência de tecnologia entre empresas e países. Quanto a variável preço, a capacidade para manter uma vantagem competitiva é muito limitada, devido à relativa rapidez com que os concorrentes podem ajustar suas estruturas de custo, mudando suas instalações de produção para localidades com custo mais baixo, seja dentro de seu próprio país ou para países 74 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. estrangeiros. Vantagens de marketing mix baseadas em comunicação tendem a ser de curta duração, pois mensagens promocionais inesperadas ou inteligentes perdem rapidamente seus apelos, sendorepostas pelas promoções dos concorrentes, que aparentam ser mais novas. Entretanto, a distribuição – quarta variável do marketing mix – pode oferecer uma base mais favorável para o desenvolvimento de uma vantagem competitiva, pois vantagens alcançadas na distribuição não são facilmente copiadas pela concorrência, como nas outras três variáveis do marketing mix. Por que isso acontece? Vantagens de distribuição, se manifestadas em um canal de marketing superior (em vez de somente aspectos logísticos de distribuição), são baseadas em uma estratégia superior, organização e capacidades humanas. Esta é uma combinação que não é fácil ou rapidamente imitada pelos concorrentes. Existe um alto grau de vulnerabilidade, devido à negligência da distribuição pelos competidores; A negligência na estratégia de distribuição por parte dos concorrentes fornece uma excelente oportunidade para aqueles que estão dispostos a fazer o esforço de desenvolver a distribuição como variável estratégica chave do marketing mix. Para seguir essa abordagem, porém, o gerente de canal tem quem fazer um esforço consciente para analisar o mercado alvo e determinar se a distribuição tem sido negligenciada pelos concorrentes e se existem vulnerabilidades que possam ser exploradas. A distribuição pode fortalecer a empresa criando sinergia pelos canais de marketing. Uma das dificuldades principais do gerenciamento dos canais de marketing é o fato de que membros independentes estão envolvidos; negócios que têm seus próprios objetivos, políticas e estratégias. O relacionamento com esses membros, numa tentativa de ganhar cooperação, para que possam auxiliar o fabricante a atingir seus objetivos e estratégias, é o que torna o gerenciamento de canal interorganizacional um desafio. Juntamente com 75 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. esse desafio, podem surgir oportunidades para o fabricante, pois um canal de marketing bem desenvolvido, que abrange os membros mais apropriados, pode proporcionar sinergia entre o fabricante e os membros do canal, resultando em um programa de distribuição superior. Portanto, no processo de definição de qual variável do marketing mix enfatizar, o fabricante não deveria desconsiderar o potencial de sinergia na distribuição, que pode não ser possível com as outras variáveis. “Associando-se” com os membros mais apropriados do canal, o marketing mix pode ser substancialmente fortalecido a determinado grau não facilmente alcançado com as outras variáveis. O exemplo mais óbvio disso é quando a reputação ou prestígio de um membro do canal é mais forte do que o do fabricante. Realizando a distribuição de seus produtos por intermédio desses membros do canal, tanto no nível do atacado quanto no varejo, o fabricante melhora sua credibilidade imediatamente. Como resultado, os produtos do fabricante distribuídos por varejistas famosos ou atacadistas bem estabelecidos tornam- se “consagrados” como produtos de um nível superior; em um grau que não seria obtido por iniciativas isoladas do fabricante. Portanto, de um ponto de vista estratégico, a ênfase numa distribuição que permita ao fabricante vender seus produtos através de membros selecionados do canal pode resultar em melhores recompensas para aumentar seu porte, do que mudanças em qualidade de produto, preço ou comunicação. A estratégia vem sendo estudada desde a Idade Antiga, ainda com os gregos. Alguns livros mostram muito bem a estratégia do ponto de vista da empresa, de forma global, e como a estratégia de logística se encaixa nessa estratégia global. Além dos livros de Michael Porter eu destaco e sugiro: Estratégia de Marketing – O.C. Ferrell, Michael D. Hartline, George H. Lucas Jr. E dAvid Luck. Safári de Estratégia – Henry Mintzberg, Bruce Ahlstrad e Joseph Lampel. 76 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A construção do planejamento estratégico da empresa deve começar no alto escalão (diretoria) que é considerada o nível estratégico da empresa. Os planos de marketing devem ser elaborados pelo nível tático da empresa (gerentes e técnicos) e dentro desses planos deve ser desenvolvido um plano estratégico de Logística para ser executado pelo nível operacional. Se os três níveis da empresa não estiverem em consonância às chances do planejamento ficar engavetado, são enormes. 77 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 10 Objetivo: Saber desenhar o canal de marketing selecionando os membros de canal mais adequados e percebendo qual a melhor estrutura. Desenhando o canal de marketing O termo design ou desenho, quando aplicado ao canal de marketing, é usado de inúmeras formas. Alguns autores usam o termo como um substantivo para descrever a estrutura do canal. Outros o usam para indicar a formação de um novo canal a partir de um esboço. O fato é que o desenho do canal refere-se às decisões que envolvem o desenvolvimento de novos canais de marketing, onde não havia nenhum canal antes, ou à modificação de canais existentes. Produtores, fabricantes, atacadistas (em mercados de consumo e industriais) e varejistas, todos deparam com decisões de desenho de canal. Os varejistas, no entanto, veem o desenho de canal sob uma perspectiva oposta à dos produtores e fabricantes. Os varejistas olham “canal acima” em seu esforço de conseguir fornecedores, enquanto produtores e fabricantes olham “canal abaixo” em direção ao mercado. E os intermediários de atacado lidam com decisões de desenho de canal, sob ambas as perspectivas. A decisão de desenho do canal pode ser desdobrada em sete fases ou passos: Reconhecer a necessidade de uma decisão de desenho de canal. Definir e coordenar os objetivos de distribuição. Especificar as tarefas de distribuição. Desenvolver possíveis alternativas de estrutura de canal. 78 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Avaliar as variáveis que afetam a estrutura do canal. Escolher a “melhor” estrutura de canal. Selecionar os membros do canal. Reconhecer a necessidade de uma decisão de desenho do canal Definir e coordenar os objetivos de distribuição Especificar as tarefas de distribuição Desenvolver possíveis alternativas de estrutura de canal Avaliar as variáveis que afetam a estrutura de canal Escolher a “melhor” estrutura de canal Selecionar os membros do canal 79 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Fase 1 – Reconhecer a necessidade de uma decisão de desenho de canal Muitas situações podem indicar a necessidade de uma decisão de desenho de canal. Entre elas estão as seguintes: Desenvolver um novo produto ou linha de produtos. Se os canais existentes para outros produtos não são adequados para o novo produto ou linha de produtos, pode ser preciso criar um novo canal ou modificar de alguma forma os canais existentes. Levar um produto existente a um novo mercado alvo. Um exemplo comum dessa situação é a introdução de um produto no mercado de consumo depois de já estar sendo vendido no mercado industrial. Fazer uma grande mudança em algum outro componente do marketing mix. Por exemplo, uma nova política dando ênfase a preços mais baixos pode exigir a adoção de revendedores mais populares, como lojas de descontos. Estabelecer uma nova empresa, começando do zero ou como resultado de fusões ou aquisições. Adaptar-se a mudanças. Os intermediários existentes podem conduzir políticas que prejudiquem os objetivos de distribuição da empresa. Por exemplo, se os intermediários começarem a enfatizar suas próprias marcas particulares, o fabricante pode querer adicionar ao canal novos distribuidores que promoverão seus produtos com mais entusiasmo. Lidar com mudanças na disponibilidade de tipos particularesde intermediários. Por exemplo, os fabricantes de produtos de luxo; como as roupas Yves Saint Laurent, a porcelana Limoges e a prataria Christofle depararam com decisões de desenho de canal no mercado norte-americano, quando o número de lojas de departamento prestigiadas reduziu-se em função de uma onda de aquisições e fusões ocorridas no setor varejista. Abrir novas áreas geográficas de comercialização (territórios). 80 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Enfrentar a ocorrência de grandes mudanças ambientais. Essas mudanças podem estar nas esferas econômica, sociocultural, competitiva, tecnológica ou legal. Lidar com o desafio do conflito ou outros problemas comportamentais. Por exemplo, em alguns casos, o conflito pode tornar-se tão intenso, que deixa de ser possível resolvê-lo sem modificar o canal. a perda de poder do fabricante para seus distribuidores pode também provocar a necessidade de desenhar um canal completamente novo. Além disso, papéis diferentes e dificuldades de comunicação podem igualmente colocar o administrador diante de decisões de desenho de canal. Rever e avaliar. As revisões e avaliações regulares e periódicas empreendidas por uma empresa podem indicar a necessidade de mudanças nos canais existentes e possivelmente a necessidade de novos canais. Fase 2 – Definir e Coordenar os Objetivos de Distribuição Após reconhecer que é necessário tomar uma decisão de desenho do canal, o gerente de canal deve tentar desenvolver uma estrutura de canal totalmente nova ou modificar canais existentes, para ajudar a empresa a alcançar com eficiência seus objetivos de distribuição. Nessa fase da decisão de desenho do canal, é comum que os objetivos de distribuição da empresa não estejam explicitamente formulados, especialmente porque as diferentes condições que geraram a necessidade de decisões de desenho do canal também podem ter gerado a necessidade de objetivos de distribuição novos ou modificados. É importante que o gerente de canal examine cuidadosamente os objetivos de distribuição da empresa para verificar: se são necessários novos objetivos; se eles estão coordenados com os objetivos e estratégias das outras áreas do marketing mix e com os objetivos e estratégias gerais da empresa. Para definir os objetivos de distribuição bem coordenados com os outros objetivos e estratégias do marketing e da empresa, os gerentes de canal precisam executar três tarefas: 81 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Familiarizar-se com objetivos e estratégias das outras áreas do marketing mix e com quaisquer outros objetivos e estratégias da empresa que sejam relevantes. Quem quer que seja o responsável pela definição de objetivos de distribuição, também, deve fazer um esforço para aprender que os objetivos e estratégias existentes na empresa podem impor-se sobre os objetivos de distribuição a serem definidos. Na prática, muitas vezes o mesmo indivíduo que define objetivos para os outros componentes do marketing mix o fará para a distribuição. No entanto, mesmo nesse caso, é necessário “pensar através” das inter-relações entre os vários objetivos e políticas de marketing. Definir objetivos de distribuição e expressá-los com clareza. Objetivos de distribuição são essencialmente enunciados descrevendo a parte que se espera que a distribuição cumpra visando alcançar os objetivos gerais de marketing da empresa. Por exemplo, um fabricante de abrasivos industriais poderia enunciar esse objetivo: “Gostaríamos de assegurar uma distribuição adequada para garantir que 25% de todas as empresas que usam produtos abrasivos possam obter nossos produtos localmente e no mesmo dia em que fizeram o pedido”. Verificar se os objetivos de distribuição são coerentes com os objetivos e estratégias do marketing e da empresa em geral. No contexto do desenho de canal, a verificação da coerência envolve certificar-se de que os objetivos de distribuição não conflitam com os objetivos de outras áreas do marketing mix ou com os objetivos e estratégias gerais do marketing e da empresa. O ato de verificar tal congruência nesta fase é particularmente importante ao se ajustar objetivos de distribuição, pois estes podem provocar um impacto substancial na empresa em longo prazo, especialmente se esses objetivos de distribuição estiverem divergindo substancialmente dos objetivos e estratégias estabelecidos. 82 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Fase 3 – Especificar as Tarefas de Distribuição Depois de definir e coordenar os objetivos de distribuição é preciso executar várias tarefas (funções) de distribuição para atingir os objetivos de distribuição. O gerente de canal deve, portanto, especificar explicitamente a natureza dessas tarefas. O trabalho do gerente de canal de definir funções ou tarefas de distribuição é específico e depende da situação. Os tipos de tarefas requeridos para atender os objetivos específicos de distribuição devem ser precisamente enunciados. Um fabricante de um produto de consumo, para tornar esse produto prontamente disponível aos clientes, teria que especificar tarefas de distribuição como às seguintes: Reunir informações sobre os padrões de compra do mercado alvo. Promover a disponibilidade do produto no mercado alvo. Manter estoques para garantir a disponibilidade no tempo certo. Compilar informações sobre as características do produto. Permitir a experimentação do produto. Vender bem mesmo na presença de produtos concorrentes. Processar e preencher pedidos específicos de clientes. Transportar o produto. Estruturar o fornecimento de crédito. Prestar serviços de garantia do produto. Prestar serviços de conserto e reparos. Estabelecer procedimentos para a devolução de produtos. 83 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A especificação de tarefas de distribuição para produtos vendidos em mercados industriais precisa, às vezes, ser enunciada de uma maneira ainda mais específica do que para bens de consumo. Eis alguns exemplos: Manter estoque prontamente disponível (especificado em termos de quantidade e tipo). Proporcionar entrega rápida (especificada em dias ou horas). Oferecer crédito. Prestar serviço de emergência. Oferecer funções de semifabricação, como cortar, laminar, furar, afilar, bobinar, rebobinar e nivelar. Incluir embalagem e manuseio especial. Prestar assistência técnica, como análise de problemas, seleção de produtos, aplicação e uso final do produto. Manter informações de mercado. Oferecer espaço para estocagem. Ter capacidade para absorver obsolescência. Processar pedidos e notas fiscais para muitas contas. Receber devoluções. Fase 4 – Desenvolver Alternativas Possíveis para a Estrutura de Canal. Após especificar em detalhes as tarefas particulares de distribuição que precisam ser executadas para que sejam atingidos os objetivos de distribuição, o gerente de canal 84 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. deve então considerar formas alternativas de alocar essas tarefas. As alternativas de alocação (possíveis estruturas de canal) devem seguir três dimensões: Número de Níveis O número de níveis em um canal pode variar de dois níveis – o mais direto (fabricante –> usuário) – até cinco níveis e, ocasionalmente, ainda mais. Sendo realista, o número de alternativas que o gerente de canal pode considerar para esta dimensão estrutural é muitas vezes limitado a não mais que duas ou três escolhas. Intensidade nos Vários Níveis A intensidade refere-se ao número de intermediários em cada nível do canal de marketing. Essa dimensão tem sido tradicionalmente dividida em três categorias: Intensiva, Seletiva e Exclusiva. Na distribuição intensiva (algumasvezes chamada de saturação), são usados tantos estabelecimentos quanto possível em cada nível do canal. Encaixam-se nessa categoria muitos bens de conveniência e suprimentos operacionais industriais. Na distribuição seletiva, como o nome sugere, nem todos os intermediários que seriam possíveis em determinado nível do canal são usados, e todos aqueles incluídos no canal são cuidadosamente escolhidos. Vários bens de consumo estão nessa categoria. Distribuição exclusiva é na verdade uma forma de referir-se a um padrão altamente seletivo de distribuição. Nesse caso, é usado apenas um intermediário em determinada área de mercado. Os bens de especialidade aparecem com frequência nessa categoria. Tipos de Intermediários A terceira dimensão da estrutura de canal trata dos tipos particulares de intermediários a serem usados nos vários tipos de canal. Nessa fase da decisão de desenho do canal, é provável que o gerente do canal tenha uma noção geral dos tipos de intermediários disponíveis para atender a seu setor, ou tenha uma forma prontamente disponível para descobrir. Dados de associações comerciais; empresas não concorrentes no setor, clientes ou consultores independentes também são boas fontes de informação. A ênfase 85 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. deve estar nos tipos básicos de tarefas de distribuição executadas por esses intermediários. Por exemplo, distribuidores de metais, um tipo de atacadista industrial, geralmente são capazes de executar todas as tarefas de distribuição necessárias aos produtores de metal para que eles possam lidar com pequenas contas. Dado que o gerente de canal deve considerar as três dimensões estruturais (níveis, intensidade e tipo de intermediários) no desenvolvimento de estruturas de canais alternativas, existem teoricamente muitas possibilidades. Deve se considerar o seguinte: três níveis de canal, três graus de intensidade, cinco diferentes tipos de intermediários. O número de possíveis estruturas de canal baseadas nestas três dimensões é: 3 x 3 x 5 = 45 estruturas possíveis. Na vida real, porém, nem todas essas estruturas de canal alternativas podem ser levadas em consideração. Felizmente, na prática, o número de alternativas viáveis para cada dimensão muitas vezes é limitado de tal forma que raramente é necessário ter mais de uma dúzia de alternativas de estrutura de canal entre as quais escolher. Geralmente o número é menor ainda. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula, no site da ESAB, faça a Atividade 1, no link “Atividades”. 86 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 11 Objetivo: Avaliar as estruturas que afetam a estrutura do canal e escolher a melhor. Desenhando o Canal de Marketing II Fase 5 – Avaliar as Variáveis que Afetam a Estrutura de Canal Tendo levado várias alternativas possíveis para a estrutura de canal, o gerente de canal deve então avaliar muitas das variáveis para determinar como deverão influenciar as estruturas de canal. Embora haja uma miríade dessas variáveis, seis categorias básicas podem ser formadas na análise de estruturas de canal alternativas: Variáveis de mercado. Variáveis de produto. Variáveis da empresa. Variáveis dos intermediários. Variáveis ambientais. Variáveis comportamentais. Quando se discute essas categorias de variáveis, é comum citar, com freqüência, as várias heurísticas (regras empíricas) que relacionam essas variáveis à estrutura de canal. Um exemplo dessas heurísticas é: “Se um produto tecnicamente complexo, o fabricante deve vendê-lo diretamente para o usuário em vez de passar por intermediários”. Assim uma variável de produto (complexidade técnica) aparentemente produz uma prescrição simples para a estrutura de canal. Seria bom se as coisas fossem tão simples, mas infelizmente não é este o caso. Essas heurísticas, mencionadas com frequência na 87 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. literatura de marketing, são apenas guias rudimentares para a tomada de decisão. Não devem ser vistas como prescrições exatas para a escolha de uma de uma estrutura de canal em particular. Elas são úteis por oferecerem alguma reflexão básica do que tipicamente seria esperado dada uma condição específica, e, portanto, é um ponto de partida para a análise de diferentes estruturas de canal. Variáveis de mercado Tudo na moderna administração mercadológica, incluindo a gestão de canais, está baseado na filosofia fundamental do conceito de marketing, que enfatiza a orientação para o cliente (mercado). Portanto, ao desenvolver e adaptar o marketing mix, os gerentes de marketing devem seguir as indicações dadas pelas necessidades e desejos dos mercados alvos a que eles visam. Dessa forma, assim como os produtos que a empresa oferece, os preços que cobra e as mensagens promocionais que emprega devem refletir bem as necessidades e desejos do mercado alvo, a estrutura de seus canais de marketing também deve fazê-lo. As variáveis de mercado são, portanto as mais fundamentais a serem consideradas durante o desenho do canal de marketing. Algumas variáveis de mercado são: Geografia de Mercado – A Geografia de Mercado refere-se ao tamanho geográfico do mercado, sua localização física e sua distância do produtor ou fabricante. Do ponto de vista do desenho de canal, a tarefa básica que surge, quando se trata da Geografia de Mercado, é o desenvolvimento de uma estrutura de canal que cubra adequadamente os mercados em questão e que permita um fluxo eficiente de produtos para esses mercados. Nesse ponto, pode-se enunciar uma heurística geral para relacionar a Geografia de Mercado ao desenho de canal: “Quanto maior for a distância entre o fabricante e seus mercados, maior será a probabilidade de o uso de intermediários ser menos custoso que a distribuição direta”. 88 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Tamanho do Mercado – O número de clientes que constituem um mercado (de consumo ou industrial) determina o tamanho do mercado. Do ponto de vista do desenho de canal, quanto maior o número de clientes individuais, maior o tamanho do mercado. As medidas operacionais usuais do tamanho do mercado são: o número efetivo de consumidores ou empresas em potencial, nos mercados de consumo e industrial, respectivamente. Em geral, o faturamento não é uma boa medida do tamanho do mercado por causa das grandes variações de um mercado para outro; isto é, é possível movimentar muito dinheiro com poucos clientes e vice-versa. Uma heurística bastante geral a respeito da relação entre o tamanho do mercado e a estrutura do canal é a seguinte: “Se o mercado é grande, é mais provável que seja necessário o uso de intermediários. Inversamente, se o mercado é pequeno, é mais provável que a empresa possa evitar o uso de intermediários.” Densidade do Mercado – O número de unidades compradoras (consumidores ou empresas industriais) por unidade de superfície determina a densidade do mercado. Um mercado com 1.000 clientes em uma área de 100 quilômetros quadrados é mais denso que outro que contém o mesmo número de clientes, mas em uma área de 500 quilômetros quadrados. Em geral, quanto menos denso o mercado, mais difícil e cara é a distribuição. Isso é especialmente verdadeiro no tocante ao fluxo de bens para o mercado, mas também se aplica ao fluxo de informação. Em consequência, criam-se comumente heurísticas como esta a respeito da densidade do mercado e da estrutura do canal: “Quanto menos denso for o mercado, mais provável será a utilização de intermediários. Ou, enunciado de forma inversa, quanto maior a densidade do mercado, maior a probabilidade de eliminar intermediários.” Comportamento do Mercado – O comportamento do mercado refere-se a estesquatro tipos de comportamento de compra: (1) como os clientes compram, (2) quando os clientes compram (3) onde os clientes compram e (4) quem faz a compra. Todos esses padrões de comportamento de compra podem ter efeitos significativos sobre a estrutura de canal. A tabela abaixo demonstra alguns exemplos de como esse comportamento 89 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. pode afetar a estrutura de canal. A tabela serve apenas como um exemplo ilustrativo, e não como a fonte de referência para a escolha de uma estrutura de canal. Hábitos de compra Heurísticas correspondentes para a estrutura de canal Como: Clientes que, tipicamente, compram em quantidades muito pequenas. Usar canais longos (talvez vários níveis de intermediários) para alcançar o mercado. Quando: A compra é altamente sazonal. Acrescentar intermediários ao canal, para executar a função de armazenamento, e assim reduzir os altos e baixos na produção. Onde: Cada vez mais os clientes tendem a comprar em casa. Eliminar intermediários de atacado e varejo e vender diretamente. Quem: Mercado de consumo: tanto o marido quanto a mulher estão geralmente envolvidos na compra. Mercado industrial: muitos indivíduos influenciam a decisão de compra. Distribuir por intermédio de varejistas que fornecem com sucesso a ambos os cônjuges. Distribuir diretamente para ter maior controle da força de vendas e alcançar com sucesso todas as partes responsáveis pela tomada de decisões de compra. Variáveis de Produto A variável de produto é outra categoria importante a considerar, na avaliação de estruturas de canal alternativas. Algumas das mais importantes variáveis de produto são 90 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. volume e peso, perecibilidade, valor unitário, grau de padronização (personalizado ou uniformizado), técnico vs. não técnico, e novidade. Volume e peso – Produtos pesados e volumosos têm custos de manuseio e transporte muito altos em relação a seu valor. Quem fabrica produtos desse tipo deve, portanto, tentar minimizar esses custos, transportando apenas em grandes lotes ao mínimo possível de pontos. Em consequência, a estrutura de canal para produtos pesados e volumosos deve, como regra geral, ser a menor possível – normalmente, distribuição direta do produtor para o usuário. A principal exceção ocorre quando os clientes compram em pequenas quantidades e precisam de entrega rápida. Nesse caso, pode ser necessário usar alguma forma de intermediário. Perecibilidade – Produtos sujeitos a rápida deterioração física, (como alimentos frescos) ou que sofrem rápida obsolescência pela moda são considerados como altamente perecíveis. A condição sine qua non para o desenho de canal neste caso é a movimentação rápida do produto desde a produção até o seu usuário final, para minimizar os riscos ligados à alta perecibilidade. A seguinte heurística é apropriada: “Quando os produtos são altamente perecíveis, as estruturas de canal devem ser desenhadas de forma que garanta uma entrega rápida dos produtores para os consumidores”. Quando produtores e consumidores estão próximos, essas estruturas de canal podem muitas vezes ser curtas. Quando estão envolvidas distâncias maiores, entretanto, a única maneira, prática e econômica, de garantir a velocidade de entrega necessária talvez seja usar vários intermediários na estrutura do canal. Valor unitário – Em geral, quanto mais baixo o valor unitário de um produto, maior deverá ser o canal. Isso porque o baixo valor unitário deixa uma margem pequena para os custos de distribuição. Produtos como bens de conveniência, no mercado de consumo, e suprimentos operacionais, no mercado industrial, usam tipicamente um ou mais intermediários para que os custos de distribuição possam ser divididos com muitos outros produtos vendidos pelos intermediários. Criam-se assim economias de escala e escopo. 91 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Grau de padronização – Em geral, a influência dessa variável de produto sobre a estrutura de canal é caracterizada pela relação mostrada no gráfico abaixo. O grau de padronização é mostrado no eixo horizontal como um contínuo, variando de produtos feitos sob medida até produtos que são idênticos. O comprimento do canal, no eixo vertical, é representado pelo número de intermediários, de nenhum a vários. Essencialmente, o gráfico mostra que produtos personalizados vão diretamente do produtor para o usuário, mas à medida que os produtos tornam-se mais padronizados, aumenta a probabilidade de alongamento do canal pela inclusão de intermediários. Produtos totalmente personalizados, como equipamentos industriais, por exemplo, são frequentemente vendidos diretamente do fabricante ao usuário. Produtos semipersonalizados, como acessórios industriais ou móveis domésticos, em geral incluem um intermediário no canal. Por outro lado, produtos altamente padronizados, como suprimentos operacionais, em mercados industriais, e bens de conveniência, em mercados de consumo, vão com frequência incluir mais de um intermediário. Técnico vs. Não Técnico – No mercado industrial, um produto altamente técnico geralmente será distribuído por meio de um canal direto. A razão mais importante é o fato Comprimento do canal Grau de padronização Vários Intermediários Nenhum Intermediário Produtos feitos sob medida Produtos idênticos 92 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. de que para as funções de vendas e assistência o fabricante precisa de pessoas para comunicar, aos potenciais clientes, as características técnicas do produto. Dessas pessoas, também se esperam continuidade, aconselhamento e serviço pós-venda. Em mercados de consumo, produtos relativamente técnicos, como computadores pessoais, geralmente são distribuídos por meio de canais curtos pelas mesmas razões. Novidade – Tento em mercados de consumo quanto em mercados industriais, muitos novos produtos requerem promoção extensiva e agressiva no estágio introdutório, para estimular a demanda primária. Geralmente, quanto maior o canal, mais difícil é conseguir esse tipo de esforço promocional de todos os membros do canal. Em consequência, um canal mais curto é geralmente visto como uma vantagem para ganhar a aceitação do produto no estágio introdutório. Mais do que isso, o grau de seletividade tende a ser maior para novos produtos. Porque um grupo de intermediários selecionado mais cuidadosamente tem mais chance de fazer uma promoção mais agressiva. Variáveis da Empresa As mais importantes variáveis da empresa, quanto ao efeito sobre o desenho do canal são: (1) tamanho; (2) capacidade financeira; (3) experiência gerencial e, (4) objetivos e estratégias. Tamanho – Em geral, o número de opções de estruturas de canal diferentes é uma função positiva do tamanho da empresa. As bases de poder de que dispõem as grandes empresas – em particular as ligadas à recompensa, coerção e experiência – permitem que elas exerçam uma pressão substancial sobre o canal. Isso lhes dá um grau relativamente alto de flexibilidade, na escolha de estruturas de canal, em comparação com empresas menores. Em consequência, para desenvolver canais que pelo menos se aproximem de uma alocação ótima das tarefas de distribuição, uma grande empresa tem tipicamente uma capacidade muito maior que uma pequena empresa. 93 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Capacidade financeira – Geralmente, quanto maior o capital disponível de uma empresa, menor é sua dependência de intermediários. Para vender diretamente a usuários finais, consumidores ou empresariais, uma empresa muitas vezes precisa ter sua própria força de vendas, serviços de apoio, lojas de varejo, armazéns e divisões deprocessamento de pedidos. Empresas maiores são mais capazes de arcar com o alto custo dessas instalações. É claro que há exceções a esse padrão, particularmente quando são usados canais diretos de pedidos pelos correios ou, mais recentemente, no caso de canais eletrônicos utilizando a Internet. Em ambos os casos, mesmo muito pequenas empresas com capacidade financeira muito limitada podem achar viável vender diretamente aos consumidores finais. Experiência gerencial – Algumas empresas não têm as aptidões gerenciais necessárias para executar tarefas de distribuição. Quando é este o caso, é indispensável que o desenho do canal contemple os serviços de intermediários, que podem incluir atacadistas, representantes de fabricantes, agentes de vendas, corretores, ou outros. Com o tempo, à medida que a administração da empresa ganha experiência, pode passar a ser viável mudar a estrutura para reduzir o grau de dependência de intermediários. Objetivos e Estratégias – Os objetivos e estratégias gerais e de marketing (como por exemplo, o desejo de exercer um alto grau de controle sobre o produto e o serviço) podem limitar o uso de intermediários. Além disso, estratégias como uma ênfase na promoção agressiva e na reação rápida a mudanças nas condições do mercado vai restringir os tipos de estruturas de canal disponíveis para a empresa. Variáveis dos Intermediários As variáveis críticas dos intermediários relacionadas à estrutura do canal são (1) a disponibilidade, (2) os custos, e (3) os serviços oferecidos. 94 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Disponibilidade – Em vários casos, a disponibilidade de intermediários influenciará a estrutura de canal. Por exemplo, a falta de disponibilidade de intermediários adequados pode levar uma empresa a desenhar um canal direto de pedidos pelo correio. Custo – O custo de usar intermediários é sempre uma consideração na escolha de uma estrutura de canal. Se o gerente de canal determina que o custo de usar intermediários é alto demais para os serviços executados, é provável que a estrutura de canal minimize o uso de intermediários. Serviços – A terceira variável, os serviços oferecidos pelos intermediários, estão intimamente relacionados ao problema da seleção. A escolha dos intermediários, passa essencialmente pela avaliação dos serviços oferecidos por intermediários particulares, para ver quais podem executá-los com mais eficácia e ao menor custo. Variáveis Ambientais As variáveis ambientais podem afetar todos os aspectos de desenvolvimento e gestão do canal. Forças econômicas, socioculturais, competitivas, tecnológicas e legais podem ter um impacto significativo sobre a estrutura do canal. Variáveis Comportamentais Ao escolher uma estrutura de canal, o gerente de canal deve rever as variáveis comportamentais discutidas anteriormente. Por exemplo, desenvolver papéis, mais coerentes para os membros do canal pode reduzir uma grande causa de conflito. O gerente que dá mais atenção à influência de problemas comportamentais que possam distorcer as comunicações adota uma estrutura de canal com um fluxo de comunicações mais eficaz. Tendo em mente as bases de poder disponíveis, o gerente de canal certifica- se de que a escolha final da estrutura de canal tem mais chance de refletir a realidade para influenciar os membros do canal. 95 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Fase 6 - Escolher a “Melhor” Estrutura de Canal Em teoria, o gerente de canal deve escolher a alternativa ótima de estrutura de canal. Essa estrutura ofereceria o nível desejado de eficácia na execução das tarefas de distribuição ao menor custo possível. Se a meta da empresa é maximizar seus lucros em longo prazo, uma estrutura ótima de canal seria completamente consistente com essa meta. Na realidade, não é possível escolher uma estrutura de canal ótima, no sentido mais estrito do termo. Isso exigiria que o gerente de canal tivesse considerado todas as alternativas possíveis para a estrutura de canal, e pudesse calcular os retornos exatos associados a cada estrutura alternativa, segundo algum critério (geralmente o lucro). O gerente de canal então escolheria a alternativa que oferecesse o maior retorno. Por que isso não é possível? Primeiro, a administração não é capaz de saber todas as alternativas possíveis. Seria proibitivo o volume de informações e de tempo necessário para desenvolver todas as alternativas possíveis para estruturas de canal visando atingir um objetivo de distribuição em particular. Além disso, mesmo se a administração estivesse disposta a gastar esse tempo e esforço, não haveria maneira de saber quando todas as alternativas possíveis tivessem sido realmente especificadas. Segundo, mesmo que fosse possível especificar todas as estruturas de canal cabíveis, não existiriam métodos precisos para calcular os retornos exatos associados com casa uma das estruturas alternativas. O numero de variáveis que afetam o canal é imenso e elas mudam continuamente. Qualquer método que pretendesse oferecer um meio de calcular retornos exatos para cada estrutura de canal alternativa teria que dar a seu usuário a habilidade de identificar todas as variáveis relevantes e dizer precisamente quais efeitos cada variável tem sobre a estrutura. Para escolher a “melhor“ estrutura de canal, o gerente deve, então selecionar as variáveis que mais afetariam o seu canal de marketing e baseado nas informações referentes a 96 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. essas variáveis e na sua experiência (aliado à observações do ambiente e dos concorrentes) para então desenhar a melhor opção de canal que vá ao encontro dos objetivos estabelecidos pela estratégia da empresa. 97 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 12 Objetivo: Identificar e selecionar, de forma correta, os membros que irão compor o canal de marketing. Selecionando os Membros do Canal A seleção real das empresas que se tornarão membros do canal de marketing é a última fase do projeto de canal. Entretanto, devemos destacar que as decisões de seleção, frequentemente, são necessárias mesmo quando mudanças na estrutura do canal não são realizadas; isto é, as decisões de seleção podem ou não ser resultado das decisões de projeto do canal. Por exemplo, no caso de uma empresa necessitar de maior cobertura nos territórios existentes. Muito embora sua estrutura de canal permaneça essencialmente a mesma em termos de extensão, intensidade e tipos de intermediários, ela pode necessitar de pontos de venda adicionais para permitir o crescimento. Processo de Seleção O processo de seleção dos membros do canal consiste nas três etapas básicas seguintes: Identificação dos membros potenciais do canal. Aplicação de critérios de seleção para determinar a adequabilidade dos membros potenciais do canal. Transformação dos membros potenciais do canal em membros reais. Identificação dos membros potenciais do canal 98 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Há uma ampla variedade de fontes disponível para ajudar o gerente de canal a encontrar os membros potenciais. As mais importantes são as seguintes, listadas em ordem de importância: Organização de Vendas de Campo: Para as empresas que possuem forças de vendas próprias para visitar intermediários, sejam atacadistas ou varejistas, os vendedores externos representam excelente fonte para a identificação de novos membros do canal. Os vendedores geralmente estão em posição privilegiada para conhecer os membros de canal potenciais em seus territórios, mais do que qualquer outra pessoa da empresa. Ao visitarem seus clientes, frequentemente, têm condições de obter informações sobre os prováveis intermediários disponíveis.É comum o vendedor conhecer a administração e os vendedores dos intermediários importantes de seu território que não representam sua empresa. Pode, ainda, ter membros de canal potenciais virtualmente interessados se a empresa decidir que os membros de canal atuais nesse território devem ser trocados ou suplementados. Claramente, quando os membros do canal devem ser trocados ou seu número ampliado, o gerente de canal deve tentar maximizar o uso dos vendedores da empresa para encontrar intermediários potenciais. Fontes Comerciais: Associações comerciais, publicações empresariais, diretórios, outras empresas que vendem produtos relacionados ou similares, feiras comerciais e “rumores” são fontes de informações valiosas sobre intermediários potenciais. 99 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Investigações de Revendedores: Muitas empresas conhecem membros de canal potenciais por meio de investigações diretas dos intermediários interessados em trabalhar com suas linhas de produtos. Como seria de esperar, essas empresas que recebem grande número de informações sobre membros de canal potenciais são as mais prestigiadas em seus respectivos setores. Clientes: Algumas empresas procuram os clientes, dos intermediários potenciais, como fonte de informações. Os fabricantes relatam que muitos clientes estão dispostos a dar opiniões francas sobre os intermediários que os visitam. Um dos melhores meios para o fabricante obter informações sobre intermediários potenciais, a partir dos clientes, é fazer um levantamento formal ou informal entre os vários distribuidores em suas áreas de mercado. Os usuários finais podem fornecer insights sobre as forças e fraquezas de membros de canal potenciais. São pontos de vista que o fabricante não pode obter, mesmo com a vantagem de ser um fornecedor. Propaganda: Anúncios em publicações técnicas oferecem outra abordagem para a identificação de membros de canal potenciais. Feiras Comerciais: Feiras comerciais ou convenções podem ser ricas fontes para a identificação de membros de canal potenciais. Muitas associações comerciais atacadistas e varejistas 100 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. fazem convenções anuais em que numerosas organizações desses canais são representadas. Ao visitar uma convenção, um fabricante tem acesso à ampla variedade de membros de canal potenciais, reunidos no mesmo local e na mesma hora. Tais feiras podem ser especialmente benéficas para pequenos fabricantes, principalmente de produtos de consumo como; brinquedos, presentes, ferragens e bens esportivos. Esses fabricantes, frequentemente desconhecidos em seus setores industriais, têm chance de encontrar muitos atacadistas e varejistas interessados em vender seus produtos. Outras Fontes: Finalmente, algumas empresas, também, encontram as seguintes fontes úteis, para localizar intermediários potenciais: Câmaras de comércio, bancos e corretores de imóveis locais. Listas telefônicas classificadas ou páginas amarelas. Solicitação de mala direta. Contatos de candidatos anteriores. Consultores independentes. Corretores que vendem listas de nomes de empresas. Bancos de dados empresariais. Internet. Aplicando Critérios de Seleção 101 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Após o desenvolvimento de uma lista de membros de canal potenciais, a etapa seguinte é avaliar esses candidatos à luz de critérios de seleção. A empresa deve desenvolver um conjunto de critérios para a seleção dos membros do canal. No início dos anos 50, uma das primeiras tentativas de especificação de um conjunto de critérios de seleção para a escolha de membros do canal, Brendel6 desenvolveu uma lista de 20 questões-chaves para as empresas industriais submeterem a seus membros de canal potenciais. Muitas dessas questões são relevantes para as empresas de produtos de consumo. São elas: O distribuidor deseja realmente nossa linha ou está interessado apenas em razão da escassez atual? Ele é bem estabelecido? Qual sua reputação entre seus clientes? Qual sua reputação entre os fabricantes? Ele é agressivo? Em quais outras linhas similares ele trabalha? Qual sua situação financeira? Ele tem condições de oferecer desconto em suas faturas? Qual o tamanho de suas instalações? Ele mantém um estoque adequado de peças para serviços? A quais clientes importantes ele vende? A quais clientes importantes ele não vende? Ele mantém preços estáveis? 6 BRENDEL, Louis H. Where to find and how to choose your industrial distributors. Sales Management, p. 128-132, 15 Sept. 1951. 102 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Ele fornece demonstrativos de vendas dos últimos cinco anos? Que território ele realmente cobre com seus revendedores? Seus vendedores são treinados? Quantas pessoas ele mantém em trabalho de campo? Quantos funcionários mantêm internamente? Acredita em cooperação ativa, treinamento e promoção de vendas? Que instalações possui para essas atividades? O organograma de critérios-chaves apresentado abaixo também pode ajudar o gerente de canal a selecionar os membros do canal. Condições financeiras e de crédito Força de vendas Linha de Produtos Cobertura de mercado Desempenho de vendas Sucessão gerencial Habilidade gerencial Tamanho Reputação Atitude Membro de canal potencial 103 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Conquistando os Membros do Canal É importante lembrar que o processo de seleção é uma via de mão dupla. Não é apenas o produtor ou o fabricante que faz a seleção, mas também os intermediários, nos níveis de atacado e de varejo. Os grandes e bem estabelecidos consideram que também podem ser seletivos sobre quem irão representar. Produtores e fabricantes, exceto os com reputação e prestígio verdadeiramente extraordinários, não podem esperar intermediários de qualidade enfileirados para se tornarem membros de canal. Ao contrário, a maioria desses produtores e fabricantes ainda precisa fazer um trabalho de venda eficaz para assegurar os serviços de bons intermediários. O gerente de canal das empresas produtoras pode usar vários incentivos para tentar contratar membros de canal. Entretanto, esses incentivos devem mostrar aos membros de canal potenciais o comprometimento da empresa em apoiá-los para serem bem- sucedidos com a linha. Em outras palavras, o fabricante ou produtor deve comunicar ao intermediário potencial que a parceria será mutuamente benéfica se cada uma das partes fizer o trabalho. Incentivos Específicos para Conquistar Membros de Canal Geralmente, é melhor que o fabricante seja mais específico ao definir que tipos de apoio e assistência serão oferecidos aos membros do canal. Os membros de canal potenciais desejam saber, de início, “o que deseja deles” para que se integrem ao canal de marketing do fabricante. Embora haja muitos incentivos possíveis que o fabricante possa oferecer, a maioria deles se ajustaria a uma das quatro áreas seguintes: Linha de produtos – No âmago do que o fabricante tem a oferecer está uma boa linha de produtos com forte potencial de vendas e de lucros. De fato, se os fabricantes puderem oferecer isso, pouco mais será necessário para a contratação de todos os membros de canal que desejam. Obviamente, os fabricantes com produtos bem conhecidos e altamente respeitados têm vantagem considerável sobre os menos 104 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. conhecidos. Assim, é especialmente importante que os fabricantes de produtos menos conhecidos façam um bom trabalho para comunicar os benefíciosde com eles, do ponto de vista do membro do canal. É bem mais fácil os fabricantes falarem sobre os benefícios de seus produtos do que reforçarem sua capacidade de gerar vendas e lucros para os membros do canal. Propaganda e promoção – Os intermediários potenciais também esperam apoio promocional dos fabricantes. No mercado de bens de consumo, um forte programa de propaganda nacional está entre os incentivos mais eficazes para conquistar intermediários de varejo. O fabricante que pode veicular esse programa obtém credibilidade quase imediata dos intermediários potenciais e da linha de produtos. No mercado industrial, um forte programa de propaganda em mídias técnicas oferece vantagem similar. Adicionalmente, em ambos os mercados, fatores como concessões de propaganda, campanhas de propaganda cooperativa, material de ponto de venda e displays indicam forte apoio aos membros do canal, além de funcionarem como bons incentivos para os intermediários potenciais unirem-se ao canal. Assistência gerencial – Os membros de canal potenciais desejam saber se o fabricante está comprometido em apoiá-los – não apenas na forma de propaganda e apoio promocional para a venda de seus produtos, mas também na de ir além, ao ajudá- los a fazer um trabalho melhor de gerenciamento de seus negócios. A assistência gerencial é boa evidência de tal comprometimento. Essa assistência pode envolver diversas áreas, incluindo programas de treinamento, análise e planejamento financeiro, análise de mercado, procedimentos de controle de estoque, métodos promocionais e outras. A extensão de tal assistência varia amplamente, dependendo do tipo de relacionamento de canal envolvido. Um relacionamento de canal contratual que envolva acordo de franquia abrangente entre o fabricante e os membros de canal geralmente deve fornecer um programa de orientação gerencial muito mais abrangente do que um relacionamento convencional e de baixo comprometimento. Mesmo nessa última situação, alguma forma de assistência gerencial ainda é bastante possível e desejável. 105 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Negociação justa e relacionamento cordial – Os relacionamentos no canal de marketing não são mecânicos ou totalmente econômicos, desvinculados do “elemento humano”. Ao contrário, um relacionamento de canal ocorre entre organizações de pessoas e, assim, é um sistema social sujeito às mesmas interações comportamentais e aos processos característicos de todos os sistemas sociais. Os membros do canal podem gostar ou desgostar, respeitar ou desdenhar, suspeitar ou temer uns aos outros. Podem ser cooperativos ou antagônicos, leais ou desleais entre si. Em resumo, um relacionamento do canal de marketing não é apenas um relacionamento comercial, mas também humano. Embora o relacionamento possa ser previsto em acordos bem elaborados ou formais, ou mesmo em contratos legais, as diferenças pessoais nunca são plenamente eliminadas. Esse fato não deve ser esquecido quando se tenta assegurar a conquista de membros do canal. Especificamente, o fabricante deve comunicar aos membros de canal potenciais que está genuinamente interessado em estabelecer um bom relacionamento, construído em base de confiança e preocupação com o seu bem- estar, não apenas como empresas, mas também como pessoas. De fato, alguns fabricantes há muito tempo referem-se aos membros do canal como sua “família” de distribuidores ou revendedores. Embora isso possa ser considerado exagero, expressa a crença do fabricante em construir um canal de marketing que esteja baseado em mais do que simplesmente dinheiro. 106 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 13 Objetivo: Identificar e motivar os membros do canal, oferecendo apoio e proporcionando liderança através da utilização do poder. Motivando os Membros do Canal No contexto do gerenciamento de canal, a motivação refere-se às ações tomadas pelos fabricantes para melhorar a cooperação dos membros do canal na implementação de seus objetivos de distribuição. São três as atividades básicas envolvidas na administração da motivação do canal: Identificar as necessidades e os problemas dos membros do canal. Oferecer apoio aos membros do canal que seja consistente com suas necessidades e problemas. Proporcionar liderança mediante o uso eficaz do poder. Descobrindo Necessidades e Problemas dos Membros do Canal Antes do gerente do canal ser bem sucedido na motivação de seus membros, é importante tentar saber o que eles desejam do relacionamento do canal. Podem perceber necessidades e enfrentar problemas bem diferentes do fabricante. As diferenças clássicas podem ser resumidas nas seguintes: O intermediário não se considera um “elo contratado na corrente forjada pelo fabricante”. 107 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O intermediário age, principalmente, como agente de compras para os fornecedores. Seu interesse está em vender quaisquer produtos que seus clientes desejam comprar. O intermediário vê os produtos que oferece como uma “família” de itens que vende em sortimento empacotado aos clientes individuais. Dirige seu esforço de vendas, principalmente, obtendo pedidos de sortimento, em vez de itens individuais. A menos que haja algum incentivo, o intermediário não manterá registros de vendas separados por marcas vendidas. As informações que podem ser úteis aos fabricantes para desenvolvimento de produto; preço, embalagem ou planejamento promocional; estão “enterradas” nos registros dos intermediários, às vezes propositadamente, não acessíveis aos fornecedores. Abordagens para aprender sobre as necessidades e problemas dos membros do canal. Todos os canais de marketing possuem um fluxo de informações que faz parte de um sistema de comunicação formal e informal. Idealmente, tal sistema de comunicações do canal daria ao fabricante todas as informações sobre necessidades e problemas dos membros do canal. Entretanto, na prática, isso não é verdadeiro. A maioria dos sistemas de comunicações dos canais de marketing não é formalmente planejada e cuidadosamente construída para fornecer um fluxo abrangente de informações atualizadas. Ao contrário, em muitas situações, eles são desenvolvidos por acaso, durante vários anos, sem qualquer preocupação com as imperfeições que devem ser corrigidas. Mesmo os sistemas de comunicações do canal cuidadosamente planejados e melhorados estão longe da perfeição. Consequentemente, o gerente de canal não deve confiar apenas no fluxo de informações de seu sistema de comunicações para obter dados precisos e atualizados sobre necessidades e problemas dos membros do canal. 108 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Ao contrário, há a necessidade de ir além do sistema regular e de usar uma ou as quatro abordagens seguintes: Pesquisa sobre os membros do canal – Embora se tenha tornado muito comum os fabricantes realizarem pesquisas sobre seus consumidores finais – para saberem os tipos de produtos que desejam; quais suas marcas de preferência, tipos de comportamentos de compra e muitas outras informações –, as pesquisas sobre as necessidades e os desejos dos membros do canal são muito mais raras. De fato, a maioria dos fabricantes – mesmo os grandes e sofisticados – nunca fez esse tipo de pesquisa. As estimativas indicam que menos de 1% dos orçamentos das pesquisas, dos fabricantes, é gasto em pesquisa sobre os membros do canal. Isso é lamentável porque, às vezes, a pesquisa pode ser o único meio de descobrir necessidades ou problemas sutis e ocultos dos membros do canal. Pesquisas externas – A pesquisa preparada e executada por terceiros que não sejam membros do canal é, às vezes, necessária se dados completos e não enviesados sobre as necessidades e os problemasdos membros forem obtidos. Um importante fabricante de bebidas alcoólicas confiava apenas em sua força vendas para pesquisar a eficácia de seus distribuidores atacadistas. Todavia, os resultados eram inconsistentes com os dados de vendas e o feedback dos varejistas. Ao contratar uma empresa de pesquisa para fazer entrevistas em profundidade com os varejistas sobre suas percepções dos atacadistas, o fabricante ficou em condições de obter um quadro mais verdadeiro do desempenho dos atacadistas. Os resultados levaram a uma grande reorganização de seus canais de marketing. Auditorias no canal de marketing – Como ocorre com a auditoria contábil periódica, o gerente de canal pode conduzir uma auditoria de canal regularmente. A confiança básica dessa abordagem deve visar à obtenção de dados sobre como os membros do canal percebem o programa de marketing do fabricante e suas partes e componentes, em que relacionamentos são fortes e fracos, e o que é esperado do fabricante para tornar o relacionamento do canal viável e otimizado. ]A auditoria do canal 109 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. de marketing, para funcionar eficazmente, deve ser feita periódica e regularmente para identificar tendências e padrões. Apenas desse modo será possível rastrear as questões que permanecem constantes, as destoantes ou as que ampliam seu escopo. Também é provável que as questões emergentes sejam identificadas se a auditoria for realizada regularmente. Comitês de distribuição – Outra abordagem eficaz, para a aprendizagem sobre as necessidades e os problemas dos membros do canal, é constituir um comitê de distribuição. Esses comitês devem consistir em representantes da alta administração dos fabricantes e dos membros do canal. O vice-presidente de marketing, o gerente geral de vendas e outros membros do topo da administração de vendas podem representar o fabricante. Os distribuidores podem ser representados por 5 a 10% de seus membros. Entretanto, o número total deve ser limitado para permitir ampla participação e diálogo entre todas as partes presentes. Ao estabelecer um comitê de distribuição, o procedimento normal é eleger para sua direção um representante dos membros do canal e outro do fabricante. A formação do comitê resulta em três importantes benefícios para o canal: (1) reconhecimento dos membros do canal; (2) forma um veículo para identificar e discutir necessidades e problemas mútuos; e (3) resulta em melhoria global das comunicações do canal. Oferecendo Suporte aos membros do canal O suporte aos membros do canal refere-se aos esforços do fabricante para ajudar os membros do canal a atenderem suas necessidades e solucionarem seus problemas. Tal suporte, se adequadamente aplicado, deve ajudar a criar um grupo mais altamente motivado de membros do canal. Infelizmente, o suporte aos membros do canal é frequentemente oferecido de modo desordenado e improvisado. Quando os membros do canal parecem não ter motivação, 110 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. são energizados com incentivo de preço, concessão de propaganda, concurso ou mesmo com uma conversa de estímulo do fabricante. Muitos programas (desenvolvidos pelo fabricante) consistem em acordos comerciais improvisados, concursos sem qualquer inspiração e estruturas de descontos irreais. A obtenção de uma equipe altamente motivada de membros do canal é uma questão interorganizacional que requer programas cuidadosamente planejados. Os programas destinados a fornecer suporte aos membros do canal podem, geralmente, ser agrupados em uma das três seguintes categorias: Arranjos Cooperativos – Os arranjos cooperativos entre o fabricante e os membros do canal nos níveis de atacado e varejo são, tradicionalmente, usados como meios mais comuns de motivação em canais convencionais e frouxamente alinhados. Os tipos de arranjos cooperativos são bastante diversos e limitados apenas pela criatividade do fabricante. A razão básica de tais programas cooperativos, partindo-se do ponto de vista do fabricante, é fornecer incentivos para a obtenção de apoio extra dos membros do canal na promoção de seus produtos. Entretanto, os fabricantes nem sempre são bem- sucedidos. Muitas vezes, os programas cooperativos usados não atendem às necessidades dos membros do canal ou são mal preparados e executados. Parcerias e Alianças Estratégicas – Termos como: parcerias de distribuição; parcerias de canal; parcerias de distribuidores; parcerias de revendedores e alianças estratégicas estão aparecendo em anos recentes com crescente frequência na bibliografia sobre canais de marketing e na imprensa especializada. Esses termos referem-se a um tipo de relacionamento de canal que vai além da improvisação; são interações contínuas típicas de relacionamentos cooperativos entre o fabricante e seus membros do canal. Assim, as parcerias ou alianças estratégicas reforçam um relacionamento contínuo e de apoio mútuo entre o fabricante e seus membros do canal, em um esforço para proporcionar uma equipe, uma rede ou uma aliança de parceiros de canal mais altamente motivada. A tradicional mentalidade “nós contra eles” é substituída 111 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. por uma percepção nova e cooperativa do; “nós”, em uma parceria ou aliança estratégia eficaz. Programação de Distribuição – A abordagem mais abrangente para a obtenção de uma equipe de canal altamente motivada é a programação de distribuição. Essa abordagem vai bem além da parceria ou aliança estratégica típica, porque lida com, virtualmente, todos os aspectos de relacionamento do canal. é definida como um conjunto abrangente de políticas para a promoção de um produto por meio do canal. A essência dessa abordagem é o desenvolvimento de um canal profissionalmente planejado e gerenciado. O programa é desenvolvido em esforço conjunto entre o fabricante e os membros do canal, para incorporar às necessidades de ambas as partes. Quando bem feito, o programa deve oferecer a todos os membros do canal as vantagens de um canal verticalmente integrado que permite, ao mesmo tempo, manter seu status de empresas independentes. Liderança para motivar os membros do canal Mesmo quando o gerente do canal desenvolveu um sistema excelente para identificar as necessidades e os problemas dos membros do canal, e independentemente da abordagem usada para apoiá-los, o controle deve ainda ser exercido por liderança eficaz para comandar uma equipe de membros de canal bem motivada. Raramente é possível o gerente de canal assumir o controle total, não importa o grau de poder envolvido em suas tentativas de liderança. Isso seria possível apenas se ele tivesse condições de prever todos os eventos relacionados ao canal com perfeita exatidão e de atingir os resultados desejados todas às vezes. Na maioria das situações, isso não é possível na realidade de um sistema interorganizacional, como o canal de marketing. O cenário interorganizacional de marketing cria um conjunto de condições que dificulta a liderança. Esse é particularmente o caso dos canais que evoluíram como um grupo de 112 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. empresas frouxamente alinhadas. Entretanto, mesmo nos canais que foram desenhados para proporcionar maior grau de controle, como os baseados em contratos ou na programação da distribuição, as circunstâncias especiais presentes nos sistemas interorganizacionais não desaparecem completamente. Assim, muito embora a base de controle proporcionada pela forte liderança seja significativamente maior nos canais formalmente estruturados ou contratuais, como nas franquias, não é igual ao nível atingido em um cenário interorganizacional. Isso não significa que o gerente de canal não possa exercer alto nível de liderançaem um esforço para motivar os membros de canal independentes. Ao contrário, apenas indica-se que, ao tentar fazer isso, ele enfrentará um conjunto de problemas mais difíceis. Como saber o limiar entre o abuso de poder e a dose certa de poder para motivar um membro do canal? Uma estratégia de cooperação é sempre melhor do que uma estratégia de pressão ou pode-se dizer que algumas vezes a pressão por meio do poder é necessária? 113 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 14 Objetivo: Avaliar os membros do canal baseado em padrões pré-desenvolvidos. Avaliação de Desempenho dos Membros do Canal Nenhuma empresa bem gerenciada pode operar, com êxito em longo prazo, sem avaliar periodicamente o desempenho de seus empregados. O mesmo vale para os membros do canal, pois o sucesso da empresa em alcançar seus objetivos depende muito da qualidade do trabalho dos membros independentes. Portanto, a avaliação do desempenho dos membros do canal é tão importante quanto à avaliação dos empregados que trabalham dentro da firma, com apenas algumas diferenças. Na avaliação dos membros do canal, o gerente do canal lida com empresas independentes e não com empregados, e a composição do processo de avaliação é interorganizacional e não intraorganizacional. Há quatro fatores principais que afetam o alcance e a frequência das avaliações de membros do canal: Grau de Controle – O grau de controle de um fabricante sobre os membros de seu canal tem um papel muito importante na determinação do alcance e da frequência de suas avaliações. Se o controle é baseado em fortes acordos contratuais com os membros, o fabricante fica em uma posição na qual ele pode requerer grande quantidade de informação sobre o desempenho dos membros do canal em virtualmente todos os aspectos das operações deles. Além disso, os fabricantes que gozam de uma forte aceitação de seus produtos ou de uma posição dominante no mercado têm uma grande quantidade de poder sobre os membros do canal. Fica então muito mais fácil para o fabricante exigir – e conseguir – amplos dados sobre o desempenho dos membros do canal que lhe possibilitem conduzir uma avaliação mais abrangente. 114 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Por outro lado, um fabricante que não tenha uma forte aceitação de seu produto no mercado e um forte controle do canal baseado em compromissos contratuais pode exercer muito menos controle sobre os membros. Além disso, para muitos membros do canal, a marca desse fabricante, em particular, não é de grande importância, pois os produtos em questão podem responder por uma porcentagem muito pequena das vendas do membro do canal. Consequentemente, eles estão menos propensos a aceitar o tempo e os problemas necessários para fornecer ao fabricante dados abrangentes do desempenho para uma avaliação dos membros do canal em grande escala. Importância dos Membros do canal – Quando o fabricante vende tudo o que produz por meio de intermediários, sua avaliação dos membros do canal tende a ser bem mais abrangente do que a de fabricantes que dependem menos de intermediários. Isso acontece porque o sucesso da firma no mercado está diretamente ligado ao desempenho dos membros do canal. Um fabricante de eletrodomésticos, por exemplo, que vende toda a sua produção por meio de distribuidores e revendedores tende a empreender uma avaliação cuidadosa e completa desses membros, pois eles proporcionam o único acesso que a empresa tem aos mercados finais. Por outro lado, um fabricante de pneus que possui suas próprias lojas de varejo para vender a maior parte de seus produtos, e só precisa das revendas automotivas e lojas de autopeças independentes para uma pequena porcentagem de suas vendas, pode muito bem fazer apenas uma avaliação superficial desses revendedores. Natureza do Produto – Geralmente, quanto mais complexo for o produto, mais amplo será o alcance da avaliação, e vice-versa. Por exemplo, um fabricante de produtos de grande volume e baixo valor unitário que necessitem de pouco serviço pós-venda pode optar por usar dados rotineiros de venda, como base para uma avaliação de membros do canal. Por outro lado, um membro do canal que vende máquinas caras e complexas, e que necessitam de um alto nível de serviço pós-venda, tende a ser investigado pelo fabricante em uma variedade de critérios muito mais ampla relacionada à máxima satisfação do mercado alvo. Além disso, para produtos de valor unitário muito alto, a perda de um único pedido pode ser algo muito sério para o fabricante. Em casos 115 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. como esse, o fabricante tende a avaliar o desempenho dos membros do canal com muito cuidado, particularmente se um pedido tiver sido perdido. Número de Membros do Canal – Para o fabricante que usa distribuição intensiva, a avaliação dos membros do canal pode-se resumir em apenas uma “olhadinha” superficial nas informações corrente do faturamento. Alguns fabricantes acham necessário usar um processo de “avaliação por exceção”, no qual uma avaliação mais completa é reservada apenas para os membros do canal que apresentarem números de vendas estranhamente fora do normal. No outro extremo, fabricantes que usam uma distribuição altamente seletiva acreditam que seu íntimo relacionamento de trabalho com os membros do canal dá-lhes acesso a uma variedade maior de dados e permite conduzir avaliações de desempenho bastante abrangentes. Avaliação do desempenho x Monitoramento, dia a dia. Embora nem sempre estejam claramente separados na prática, dois tipos diferentes de avaliação de distribuidores estão em evidência nos procedimentos dos fabricantes: (a) avaliações concebidas para ajudar a administração a manter o atual controle operacional sobre os esforços dos distribuidores, à medida que houver preocupação com a venda dos produtos da empresa; e (b) inspeções globais de desempenho visando dar à administração uma análise completa e, de preferência, objetiva de cada operação do distribuidor. O primeiro tipo de avaliação é basicamente um monitoramento rotineiro, dia a dia, do desempenho dos membros do canal baseado quase exclusivamente em critérios de vendas. As informações básicas necessárias para esse tipo de avaliação podem ser obtidas com base nas notas emitidas a cada venda aos membros do canal, devidamente transpostas para relatórios padronizados de análise de vendas, como, por exemplo, mapas de faturamento. 116 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A segunda abordagem é um procedimento de avaliação muito mais amplo e abrangente, que geralmente envolve uma série de critérios além das vendas. É Com esse tipo de processo de avaliação que nos preocuparemos a partir de agora. Para diferenciar claramente essa abordagem do monitoramento diário do desempenho de vendas dos membros do canal, a segunda, e mais abrangente abordagem será tratada como uma auditoria de desempenho dos membros do canal. Auditoria de Desempenho dos Membros do Canal A auditoria de desempenho dos membros do canal é uma inspeção periódica e abrangente do desempenho dos membros. A auditoria pode ser feita para um; vários ou todos os membros do canal, nos níveis do atacado e/ou do varejo. A frequência da auditoria varia, mas raramente ela é feita mais de uma vez por ano por membro do canal. A auditoria de desempenho dos membros do canal consiste em três fases básicas: (1) Desenvolver critérios para a medição do desempenho dos membros do canal; (2) Aplicação dos critérios para avaliar periodicamente os membros do canal; e (3) recomendar ações corretivas para reduzir o número de desempenhos inadequados. Desenvolver critérios para medição de performance Avaliar os membros do canal com base nesses critérios Tomar açõescorretivas caso seja necessário 117 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Desenvolvendo critérios Existem muitos critérios para medir o desempenho dos membros do canal. Um estudo feito por Spriggs7 na indústria de caminhões pesados, por exemplo, usou 34 critérios para avaliar o desempenho do revendedor. Entretanto, a maioria dos fabricantes examina cada membro do canal por meio de uma combinação dos seguintes pontos: desempenho de vendas, estoque mantido, habilidades de vendas, atitudes, concorrência enfrentada, entre outros. Desempenho de vendas – O desempenho de vendas é, inquestionavelmente, o critério mais importante e mais comumente usado para avaliar o desempenho dos membros do canal. De fato, se o desempenho do membro do canal não for adequado, dificilmente algo mais importará. Ao examinar o desempenho de vendas do membro do canal, o gerente do canal deve estar atento para distinguir entre: (1) as vendas do fabricante ao membro do canal e (2) as vendas dos produtos do fabricante feitas pelos membros do canal a seus próprios clientes. Os dois tipos de vendas não são necessariamente iguais e, na verdade, podem ser substancialmente diferentes durante determinado período. Somente quando a renovação de estoque é muito rápida, como no caso dos perecíveis, as vendas do fabricante para o membro do canal proporcionam uma medida confiável do volume corrente das vendas do membro. Sempre que possível o gerente de canal deve tentar obter dados de vendas dos produtos do fabricante, feitas pelos membros do canal, a seus clientes. A habilidade do fabricante de conseguir essa informação, entretanto, é altamente dependente do grau de controle exercido sobre os membros do canal. Não importa quais desses dois tipos de dados de vendas seja usado, o gerente de canal deve avaliar dados de venda nos seguintes termos: (1) comparações de vendas atuais dos membros com o histórico de vendas, (2) comparações cruzadas das vendas de um membro do canal com as de outros membros do canal e (3) comparações das vendas do membro com metas predeterminadas (se tiverem sido estabelecidas metas). 7 SPRIGGS, Mark T. A framework for more valid measures of channel performance. Journal of Retailling 70, nº4, p.327-343, 1994. 118 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Manutenção de estoque – Manter um nível de estoque adequado é outro grande indicador de desempenho do membro do canal. Essencialmente, o fabricante deseja que o membro do canal cumpra os requisitos de estoque de materiais especificados no acordo original entre o fabricante e o membro. A falha no cumprimento do acordo por parte do membro geralmente é vista pelo fabricante como um sério problema. Mesmo que os acordos sobre estoque junto aos membros do canal não tenham sido originalmente formalizados em contrato, a manutenção do estoque continua sendo um critério importante para a avaliação. Entretanto, na ausência do contrato formal, o fabricante tem menos recursos para agir contra membros com um desempenho inadequado nessa área. Habilidade de venda – Enquanto o desempenho global de vendas do membro do canal fornece uma ideia geral de suas habilidades de venda, muitos fabricantes acreditam que também vale a pena medir essas habilidades de forma mais direta, avaliando a equipe de vendas do membro do canal. Supondo que os membros do canal estejam dispostos a fornecer as informações, o fabricante deve dedicar uma atenção particular a fatores como: (1) o tamanho da equipe de vendas que o membro designa para a linha de produtos do fabricante, (2) o conhecimento técnico e a competência dos vendedores do membro do canal e (3) o interesse da equipe de vendas nos produtos do fabricante. O tamanho da equipe de vendas eu o membro está disposto a designar para a linha do fabricante fornece uma percepção da exposição e cobertura de mercado que os produtos do fabricante estão conseguindo. O conhecimento técnico e a competência dos vendedores são geralmente avaliados com base no julgamento pessoal, que pode variar de excelente a ruim. No que diz respeito ao interesse da equipe de vendas, o fabricante pode usar medidas como: participação em escolas, seminários e clínicas patrocinadas pelo fabricante, relatos de clientes do membro do canal e opiniões fora da força de vendas. Concorrência – O gerente do canal deve considerar dois tipos de concorrência quando avaliar o desempenho dos membros do canal: (1) a concorrência de outros intermediários e (2) a concorrência de outras linhas de produto com as quais os próprios membros do fabricante trabalham. O Primeiro ajuda a colocar em perspectiva o desempenho do 119 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. membro, isto é, observando a maneira como determinado membro avança contra a concorrência. A principal questão para a avaliação do segundo tipo de concorrência é o suporte relativo proporcionado pelo membro do canal aos produtos do fabricante em comparação com o suporte dado à concorrência. Se o membro parece estar dando suporte demais aos concorrentes e muito pouco aos produtos do fabricante, esse fato deverá refletir-se em outros critérios de desempenho avaliados pelo fabricante – particularmente critérios de vendas. Aplicando critérios de desempenho Tendo desenvolvido um conjunto de critérios para a avaliação do desempenho dos membros do canal, o gerente de canal deve avaliar os membros em termos desses critérios. Avaliações separadas de desempenho – Avaliações de desempenho separadas medem o desempenho dos membros do canal em relação a um ou mais dos critérios discutidos anteriormente. Entretanto, não é feita nenhuma tentativa de combinar formal ou informalmente essas medições para chegar a uma medida global de desempenho. Critérios múltiplos de avaliação formal – Um sistema formal de classificação que utiliza critérios múltiplos torna o gerente do canal capaz de chegar a uma taxa de desempenho quantitativo global para cada membro. Os membros do canal podem então ser avaliados em termos dessa taxa de desempenho global. Essa abordagem consiste dos cinco passos seguintes: São decididos os critérios e as medidas operacionais a eles associadas. São estabelecidos pesos a cada um dos critérios para refletir sua importância relativa. Cada membro sob avaliação é então classificado em cada um dos critérios, em uma escala de 0 a 10. 120 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A pontuação em cada critério é multiplicada pelo peso desse critério. Isso gera índices ponderados para cada critério. Os índices ponderados em cada critério são somados para determinar o índice de desempenho global para cada membro do canal. Recomendando ações corretivas Em geral, os fabricantes devem tentar recomendar ações corretivas para melhorar o desempenho dos membros do canal que não estejam atingindo padrões mínimos de desempenho. A exclusão desses membros do canal deve ser usada apenas como último recurso. Se forem consideradas ações corretivas visando à reabilitação, em vez da exclusão, o gerente de canal deve tentar descobrir por que esses membros do canal tiveram resultados tão ruins. Para isso, entretanto, deve ser feito um esforço especial para aprender sobre as necessidades e os problemas dos membros de desempenho ruim para identificar com precisão as razões para a falha. Essas razões podem variar desde deficiências gerenciais básicas por parte do membro do canal até um suporte insuficiente aos membros por parte do fabricante. Na verdade, podem existir ambos os problemas. Para descobrir, o gerente do canal deve analisar cuidadosamente as necessidades e os problemas dos membros do canal. Primeiro, o gerente do canal não pode esperar obter informações adequadassobre as necessidades e os problemas dos membros se ele fica passivamente esperando receber as informações. Em vez disso, ele deve desenvolver abordagens concretas e práticas que visam uma busca ativa por informações sobre as necessidades e problemas dos membros. Segundo, programas de suporte ao membro do canal devem ser coerentes com as necessidades e os problemas dos membros. Por exemplo, o mal desempenho de um membro em particular pode ser explicado por uma força de vendas mal treinada. Se for esse o caso, a característica essencial de qualquer programa de reabilitação desenvolvido pelo fabricante deve ser a ênfase ao treinamento 121 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. da equipe de vendas do membro do canal. Terceiro, o fabricante deve exercer liderança por meio do uso hábil do poder. No contexto de um programa corretivo para melhorar a eficácia de um membro com desempenho ruim, o uso de poder coercivo pode ter que ser cuidadosamente evitado, mesmo que aparentemente proporcione resultados rápidos em curto prazo. Finalmente, as restrições impostas pelo cenário interorganizacional do canal de marketing devem ser bem compreendidas, se o gerente de canal espera conseguir uma resposta positiva do membro do canal ao programa de reabilitação. Se os princípios anteriores forem seguidos cuidadosamente, a probabilidade de ter um programa corretivo de sucesso para membros com desempenho ruim tende a ser significativamente maior. 122 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 15 Objetivo: Perceber o papel da Logística de distribuição, no canal de marketing, e sua integração com os demais P’s do composto mercadológico. Logística e Gestão do Canal Agora, a atenção se voltará ao grande elemento necessário à adoção de uma equipe cooperativa de membros do canal – um sistema logístico eficaz e eficiente. Frequentemente chamada de distribuição física (DF), a Logística tem muitas definições, mas, em geral, a maioria delas possui a mesma ideia básica expressada pela definição de Kotler8, para quem a logística é o “planejamento implementação e controle dos fluxos físicos de materiais e produtos finais, dos pontos de origem aos pontos de uso, para atender com lucro às necessidades dos clientes”. Nos últimos anos, com a crescente ênfase sobre os canais de marketing de empresas a expressão gestão da cadeia de suprimentos passou a ser comumente usada para descrever sistemas logísticos que enfatizam uma intensa cooperação e uma abrangente gestão interorganizacional. Embora uma discussão detalhada das diferenças entre o que pode ser chamado de abordagem “tradicional” da logística e a abordagem da gestão da cadeia de suprimentos estejam além do escopo desse estudo, a tabela abaixo faz um apanhado geral das principais distinções. 8 KOTLER, Philip. Marketing management: Analysis, planning, implementation and control. 9. ed. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice-Hall, 1997. p. 591. 123 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Elemento Tradicional Cadeia de suprimentos Gestão de estoques Esforços independentes Redução conjunta dos estoques no canal Objetivo de custo total Minimizar os custos da empresa Eficiências de custo em todo o canal Horizonte de tempo Curto Prazo Longo prazo Intensidade do compartilhamento e monitoramento das informações Limitado às necessidades da transação corrente Conforme for requerido para os processos de planejamento e monitoramento Intensidade da coordenação dos múltiplos níveis do canal Contato simples para a transação entre as partes do canal Contatos múltiplos entre os níveis nas empresas e os níveis no canal Planejamento conjunto Baseado na transação Contínuo Compatibilidade entre as filosofias corporativas Não é relevante Elas devem ser compatíveis ao menos nos relacionamentos mais imnportantes Tamanho da base de fornecedores Grande, para aumentar a competição e distribuir o risco Pequena, para aumentar a coordenação Liderança no canal Não é necessária Exigida pelo foco na coordenação Divisão de riscos e recompensas Cada um por si Riscos e recompensas compartilhados no longo prazo Velocidade dos fluxos de operações, informações e estoques "Orientação para o Armazém" (estoques de segurança) interrompida por barreiras aos fluxos e restrita aos pares no canal "Orientação para o Centro de Distribuição" (velocidade do estoque) interconectando fluxos; just in time e resposta rápida ao longo do canal Abordagem Em todo caso, qualquer que seja a expressão escolhida, distribuição física, logística ou gestão da cadeia de suprimentos, o princípio básico enfatizado aqui é a construção de uma forte cooperação entre os membros do canal por meio de uma gestão interorganizacional eficaz. Muitos livros-textos de marketing básico trazem visões gerais sobre a Logística. Enquanto os livros dedicados exclusivamente à Gestão Logística tratam o assunto de forma bastante abrangente. Aqui, a preocupação é, essencialmente, com as diversas interfaces para participar da formulação da estratégia logística do fabricante, para que fique mais propenso a adotar uma cooperação entre os membros do canal do que um conflito. Primeiro, porém, é importante rever, brevemente, alguns aspectos básicos da Logística. 124 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O papel da logística Mesmo o canal de marketing mais cuidadosamente desenhado e administrado, pode depender da Logística para, realmente, tornar os produtos disponíveis aos clientes. A criação das utilidades de tempo e espaço, essenciais para a satisfação do cliente, dependem muito da Logística. O movimento de quantidade certa; dos produtos certos aos lugares certos, na hora certa – uma descrição comumente ouvida do que a Logística deve fazer –, é mais do que uma frase de efeito. É na verdade, a essência do papel da Logística, no canal de marketing. Levar a quantidade certa dos produtos certos, ao lugar certo, na hora certa, não é um trabalho simples nem barato. Pelo contrário, os mercados de massa, com sua grande diversidade de segmentos de clientes espalhados por vastas áreas geográficas, podem tornar cara e dispendiosa a tarefa da logística. De fato, esse campo tornou-se tão complexo e sofisticado, que, durante os anos 90, surgiu uma indústria de muitos bilhões de dólares chamada de Provedores Terceirizados de Logística. Essas empresas especializam-se em executar a maioria ou todas as tarefas logísticas que, normalmente, os fabricantes ou outros membros do canal executariam eles mesmos. Como especialistas em logísticas, empresas como a americana Strategic Distribution, voltada à Manutenção, Reparos e Suprimentos Operacionais (MRS), podem prestar um serviço superior a um custo mais baixo que as empresas que os contratam. Mesmo que ainda respondam por uma pequena fatia dos gastos em Logística, por todas as empresas, os provedores de Logística, terceirizada, estão crescendo rapidamente para se tornar uma indústria de grande porte. Assim, a Logística é uma gigantesca indústria que penetre, virtualmente, em todas as empresas, das maiores às menores. Portanto, não é de espantar que esse importante componente do marketing venha recebendo uma atenção cada vez maior. Gene R. 125 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Tyndall 9, parceiro encarregado do grupo de Consultoria em Logística e Transportes, da Ernst & Young, observou isso entre os clientes de sua empresa: Como as funções e atividades logísticas são organizadas, como elas devem estar ligadas às estratégias de marketing e da empresa, e como seu desempenho é medido são questões que encontramos em todas as empresas. Tyndall faz outra observação que indica o crescente papel da Logística: Umexecutivo da Procter & Gamble disse que o tempo médio requerido para levar um produto típico “da fazenda à prateleira” é de quatro a cinco meses, mas para produzi-lo são necessários apenas 17 minutos. O resto do tempo é gasto em atividades logísticas – armazenamento, manuseio, transporte, empacotamento, etc. Essa revelação é um dos fatores-chaves da ascensão logística, como vantagem competitiva. A empresa que conseguir encontrar maneiras inovadoras de reduzir os tempos do fluxo de produtos, reduzindo assim os 20 a 30% dos custos externos ao processo de produção, poderá obter benefícios substanciais. Em um esforço para enfrentar esse desafio, a indústria alimentícia lançou um grande esforço para melhorar a Logística da distribuição de comida, da fazenda para o consumidor. A iniciativa, que no setor foi chamada de Resposta Eficiente ao Consumidor, ou Efficient Consumer Response (ECR), busca dar aos consumidores mais valor e um melhor serviço por meio da cooperação de todas as empresas na cadeia de suprimentos. Com esse processo, as empresas esperam poupar mais de US$ 30 bilhões por ano em custos logísticos, criando uma situação de ganho de preços mais baixos para os consumidores e lucros maiores para todos os membros do canal no setor. Já se fez um progresso substancial rumo à implementação da ECR na indústria alimentícia. 9 TYNDALL, Gene R. We must manage change before it manages us. Marketing News, p. 14, Feb. 5. 1990. 126 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Entretanto, talvez seja ainda mais impressionante que o conceito de ECR esteja estendendo-se a numerosas outras indústrias. Portanto, levar a quantidade certa; do produto certo, ao lugar certo, na hora certa, com o menor custo possível ao cliente (seja usando expressões novas e talvez mais interessantes como gestão da cadeia de suprimentos e resposta eficiente ao consumidor, seja usando o termo tradicional, Logística), desempenha inquestionavelmente um papel crucial na Gestão do Canal. Quais os principais desafios, no Brasil, para a construção de um canal de marketing que possa ser considerado um diferencial competitivo sustentável? 127 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 16 Objetivo: Compreender a Logística como um sistema integrado que possui sua espinha dorsal nos seis componentes básicos de um sistema logístico. Aprender, ainda, sobre dois desses componentes: embalagem e controle de estoque. Sistemas, Custos e Componentes Logísticos Antes da Segunda Guerra Mundial, a Logística significava, basicamente, transporte. Assim, o campo era definido de forma restrita, em termos das atividades envolvidas no envio e recepção de produtos e ganhava relativamente pouca atenção da administração. Contudo, durante a guerra, o desenvolvimento que foi exigido da Logística Militar para deslocar grandes quantidades de suprimentos, nos palcos bélicos da Europa e do Pacífico demonstrou a importância da Logística para se vencer o conflito. É particularmente notável a emergência do uso do conceito de sistemas para resolver problemas logísticos, isto é, foi dada mais atenção aos vários fatores envolvidos no processo logístico e às inter-relações entre eles. Em vez de serem tratados como separados e distintos uns dos outros, fatores como: transporte, manuseio de materiais, controle de estoque, armazenamento e embalagem de produtos passaram a ser vistos como componentes inter-relacionados de um sistema. Assim, decisões ou ações afetando um componente poderiam ter implicações sobre outros componentes do sistema logístico. Por exemplo, se houver um meio de transporte mais veloz para mover suprimentos do ponto A ao ponto B, o nível exigido de estoque no ponto B poderá ser mais baixo, o que por sua vez, pode fazer com que um armazém menor já seja suficiente. Ou inversamente, um meio de transporte mais lento para enviar produtos de A para B pode muito bem resultar na necessidade de maiores estoques e armazéns no ponto B devido à menor frequência de reabastecimento. Esse conceito da Logística como um sistema, serviu de base para a moderna Gestão Logística. Em essência, os encarregados de gerenciar a Logística tentam encontrar a 128 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. combinação ótima dos componentes básicos da Logística (transporte, manuseio de materiais, processamento de pedidos, controle de estoque, armazenamento e embalagem) para atender às exigências de serviço dos clientes. Em um contexto comercial ou com fins lucrativos, o qual certamente envolve a maioria das situações de negócios; o gerente logístico tenta alcançar o nível desejado de serviço ao cliente ao menor custo, aplicando o conceito da abordagem do custo total. Essa é uma extensão lógica do conceito de sistemas, porque trata todos os custos da Logística, em conjunto, em vez de pegar o custo de cada componente individual separadamente. Em consequência, quando desenhar um sistema logístico, uma empresa deve examinar o custo de cada componente e a maneira como ele afeta os demais. Aquele meio de transporte mais veloz para levar suprimentos do ponto A ao ponto B, por exemplo, pode aumentar os custos de transporte. No entanto, como os níveis de estoque e os armazéns necessários no ponto B serão menores (porque o meio de transporte mais veloz permite um reabastecimento mais rápido), os custos com a manutenção de estoque e com os armazéns reduzir-se-ão. Essas economias de custo podem ser mais do que suficientes para compensar os custos de transporte maiores. Portanto, do ponto de vista do custo total do sistema logístico, o aumento nos custos de transporte com o uso do meio mais veloz pode perfeitamente resultar em um menor custo total para a Logística. O uso do conceito de sistemas e da abordagem do custo total para administrar à Logística é mostrado na figura abaixo. A figura sugere que todos os componentes básicos do sistema são relacionados, e que o conceito de sistemas e a abordagem do custo total fornecem os princípios orientadores para combinar os componentes de forma a prestar os tipos e níveis de serviços desejados pelos clientes, ao mais baixo custo total. 129 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Embalagem As embalagens dos produtos e os custos a elas associados são componentes relevantes do sistema logístico, porque podem afetar os outros componentes do sistema e vice- versa. Um exemplo de como o tipo de transporte usado pode afetar os custos com acondicionamento é o caso do transporte aéreo em que, devido a riscos de danos menores que nos transportes ferroviários e rodoviários, os custos de embalagens tendem a ser reduzidos. Os procedimentos de manuseio de materiais e de processamento de A administração vê a logística como um sistema com componentes inter- relacionados Embalagem Controle de Estoque Manuseio de Materiais Processamento de Pedidos Depósito e Armazéns Transporte A administração tenta minimizar os custos do uso de todos os componentes. Conceito de Sistemas Abordagem de custo total Componentes básicos de um sistema logístico 130 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. pedidos, bem como os custos envolvidos, também podem ser afetados pela forma de acondicionamento, pois embalagens bem desenhadas podem ajudar a aumentar a eficiência desses componentes do sistema logístico. O acondicionamento eficaz pode igualmente ajudar a controlar os custos com manutenção de estoque ao reduzir os danos aos produtos. Alem disso, pode-se reduzir o espaço do armazém e, consequentemente, os custos, se as embalagens forem desenhadas para a eficiência de espaço. Aqui, uma discussão mais detalhada do assunto ficaria além do escopo desse curso.O desenho das embalagens é uma área altamente especializada no campo do desenho industrial. O que se pretende mostrar, é que a embalagem é muito mais do que uma ferramenta promocional para promover a diferenciação do produto e atrair a atenção do consumidor. A embalagem tem uma importante dimensão de logística, que pode fazer grande diferença na eficácia e na eficiência do sistema logístico. De fato, um produto em uma embalagem diferenciada e atraente terá ainda mais apelo se for fácil de carregar, puder ser empilhado sem problemas, e ocupar um mínimo de espaço nas prateleiras dos membros do canal. Controle de Estoque O controle de estoque refere-se à tentativa da empresa em manter o menor nível de estoque possível que atenda à demanda dos clientes. Essa é uma batalha sem fim enfrentada por todas as empresas, e também é criticamente importante. Os custos de manutenção de estoque – incluindo os custos com financiamento, seguros, estocagem, bens perdidos, danificados e roubados – podem chegar, em média, a cerca de 25% do valor do estoque por ano. Para alguns tipos de mercadorias, tais como bens perecíveis ou materiais de moda, os custos podem ainda ser consideravelmente mais altos. Mesmo assim, sem o estoque para atender à demanda dos clientes regularmente e na hora certa, uma empresa não poderia durar muito no negócio. 131 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O ideal para a empresa seria conseguir manter os mais baixos níveis possíveis de estoque e, ao mesmo tempo, fazer seus próprios pedidos em grandes quantidades, pois fazer o mínimo possível de encomendas permite à empresa minimizar os custos com pedidos. Infelizmente, esses dois objetivos são conflitantes. O custo de manutenção de estoques é diretamente proporcional ao nível de estoque, enquanto o custo médio com pedidos diminui com o tamanho dos pedidos. Assim, é preciso trabalhar com trade-off entre esses dois custos para encontrar o nível ótimo para ambos. Esse ponto ótimo, geralmente chamado de lote econômico de compra (LEC), ocorre quando o custo total (a soma dos custos: manutenção de estoque com o de fazer pedidos) é mínimo, conforme ilustrado na figura abaixo, que mostra que o administrador logístico precisa tentar constantemente atingir o menor custo total equilibrando os dois. Custo total Custo de manutenção de estoque Custo de fazer pedidos Tamanho do pedido Custo por unidade de estoque 132 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 17 Objetivo: Compreender a importância do manuseio correto de materiais, os equipamentos necessários e as formas de movimentação. Manuseio de Materiais O manuseio de materiais envolve todas as atividades e equipamentos ligados à acomodação e movimentação de produtos em áreas de armazenagem. Durante o desenho de sistemas de manuseio de materiais pode ser que surjam questões do tipo: como minimizar as distâncias de movimentação dos produtos dentro do armazém ao longo de sua recepção, estocagem e envio; quais os tipos de equipamento mecânico (como esteiras rolantes, gruas e empilhadeiras) devem ser usados; e como fazer o melhor uso do trabalho envolvido na recepção, estocagem e envio de produtos. O crescente uso do cross-docking (que às vezes, e chamado de distribuição em fluxo contínuo), por exemplo, melhorou significativamente a eficiência do manuseio de materiais. No cross-docking, quando um caminhão chega com produtos, ao em vez deles serem estocados no armazém, para depois serem retirados de acordo com os pedidos, a mercadoria é imediatamente movida, ao longo das docas de recepção até outros caminhões, para ser entregue diretamente às lojas. Isso elimina a necessidade de buscar mais tarde os produtos estocados. Em suma, os produtos são movidos direto da recepção ao envio. 133 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. No entanto, o projeto de processos de manuseio de materiais como o cross-docking pode envolver análises de engenharia técnicas e sofisticadas para desenvolver sistemas eficientes. É apropriado mencionar aqui que o manuseio de materiais pode ser uma parte criticamente importante de um sistema logístico. A Procter & Gamble, por exemplo, tem pesquisas que mostram que o cross-docking pode reduzir os custos dos distribuidores com o manuseio de caixas em até dois terços, cortando de 35 a 45 centavos de dólar do custo médio do distribuidor, que fica entre 60 e 70 centavos por caixa para entregar produtos às lojas. Parâmetros relacionados com o manuseio de materiais Um aspecto a ressaltar nas operações de carga, descarga e movimentação de materiais, refere-se ao grau e tipo de utilização. O objetivo da utilização é agrupar e arrumar o 134 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. material em unidades maiores, formando invólucros o mais próximo possível de um paralelepípedo, de maneira a agilizar a movimentação. Distingui-se aqui, os conceitos de invólucro e de embalagem. O termo embalagem está mais ligado ao marketing, envolvendo aspectos subjetivos e estéticos, embora também deva existir a preocupação com a movimentação e acomodação dos produtos para reduzir custos. Já o invólucro refere-se ao contexto puramente logístico e de transporte, visando a melhoria do nível de serviço do sistema e a redução de custos. Para cargas secas não generalizadas, incluindo aqui os produtos manufaturados, sacarias, bebidas e muitos outros, o transporte e a movimentação normalmente são feitos de acordo com três tipos principais de acondicionamento: (a) invólucros diversificados (caixas de madeira ou papelão, sacas, tambores); (b) pallets ou estrados; (c) contêineres. Os pallets são estrados de madeira ou de plástico sobre os quais se arruma a carga, dotados de aberturas na parte inferior para acesso dos garfos das empilhadeiras. Há muitos tipos de pallets, variando as dimensões, material com que é fabricado e forma. Pallet “leve ou deixe” 135 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. a - Pallet com duas entradas b - Pallet com quatro entradas Pallet de plástico Para certos tipos de mercadorias, manuseadas em caixas de tamanho médio ou grande, ou arrumadas sobre pranchas lisas, é possível utilizar pallets que possibilitam a separação mecanizada do conjunto carga/estrado. No caso do pallet do tipo “leve ou deixe” os garfos da empilhadeira ou prateleira penetram na abertura inferior, o conjunto carga/estrado é movimentado solidariamente. Colocando-se os garfos na abertura superior, a carga será levantada diretamente por eles, permanecendo o pallet no piso. Consegue-se assim a separação entre carga e pallet de forma mecanizada. A maioria dos pallets em uso é reutilizável. Para isso devem retornar à origem, ao término do processo, o que apresenta alguns inconvenientes. O primeiro problema é o custo de 136 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. transporte do estrado vazio, ao retornar ao ponto inicial da cadeia logística. Outro ponto negativo é a dificuldade de coordenar e controlar a devolução dos pallets vazios quando os mesmos estão entregues a terceiros (transportadoras, clientes) junto com a mercadoria. Esses aspectos fazem com que, no Brasil, o pallet seja utilizado, geralmente, dentro de uma mesma organização. Ao passar a carga para terceiros (transportadora ou cliente), o conjunto unitizado é desfeito, de forma que o estrado fica retido na empresa, sendo entregue apenas a mercadoria na forma solta. Devem-se considerar também as despesas de manutenção dos pallets, com a alocação de mão de obra, materiais e recursos financeiros, criando assim mais um centro de custos adicional. Uma forma alternativa, que procura eliminar ou reduzir esses tipos de problemas, é a utilização de pallets descartáveis.Trata-se de estrados leves, de custo baixo, mas com resistência adequada para serem utilizáveis numa única operação. Esse tipo de pallet é menos sofisticado e, obviamente, mais barato, sendo produzidos dentro do conceito de obsolescência programada. Por serem menos resistentes do que os pallets reutilizáveis, os estrados descartáveis devem ser arrumados nos veículos de forma que os caibros de apoio sejam orientados no sentido do movimento, e não ortogonalmente a ele. Isso evita que haja movimento de torção nos caibros, que tende a despregá-los do tabuado onde é assentada a carga. O conceito de pallet pode ser associado ao de contêiner ou contentor, que é uma caixa protetora onde a carga é arrumada e transportada. A figura abaixo mostra um pallet contentor aberto, que permite acondicionar mercadorias que não se sustentam quando empilhadas sozinhas. Há casos em que a caixa é totalmente fechada, inclusive na sua parte superior. 137 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Contentor aberto Há também o pallet para carga aérea, fabricado em liga de alumínio, cujas dimensões mais comuns são 224 cm por 264 cm. É usado, frequentemente, em combinação com uma rede protetora ou, em alguns casos, com uma capa de material plástico. Certos tipos de mercadorias frágeis, embora possam ser arrumadas num pallet comum, não permitem empilhamento de vários estrados sobrepostos. Uma forma de contornar essa restrição é o enrijecimento do conjunto através de uma armação metálica vertical projetada para suportar a carga do(s) pallet(s) superior (es). Um tipo muito comum de pallet contentor metálico é o utilizado na unitização de pequenos itens, mercadorias ou materiais que não têm resistência suficiente para suportar amarração ou que tenham formato irregular que impeça o empilhamento. São caixas metálicas, possuindo pés que se ajustam em orifícios situados no contentor inferior. Versões maiores, com 2 metros de comprimento ou mais, servem para estocar materiais compridos tais como bobinas e objetos cilíndricos (tubos, pó exemplo). Existem modelos com laterais removíveis, em tela ou chapa de metal. 138 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Um aspecto importante no uso de pallets é a arrumação da carga no estrado. Uma preocupação básica é garantir a estabilidade do conjunto, procurando ao mesmo tempo aproveitar ao máximo a capacidade do estrado e facilitar a arrumação do mesmo. Outra forma para acomodação do produto, muito utilizada hoje, é o contêiner. Trata-se de uma caixa fechada, normalmente de aço ou alumínio, dentro da qual a carga é arrumada. Além das vantagens de manuseio, consegue-se um elevado grau de segurança com o uso dos contêineres (redução do nível de quebras, roubos e extravios). No entanto, as caixas são relativamente caras, o que tem levado as empresas a utilizá-las na exportação e importação de produtos de maior valor agregado. No transporte interno, em nível nacional, os contêineres são menos utilizados. Formas de movimentação 139 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Após o desembarque na doca, os produtos são transferidos até o ponto do depósito onde ficarão armazenados. Na saída, ocorre à operação inversa; o produto é tirado da célula onde está armazenado (prateleira, gaveta, pallet, etc.), sendo movimentado até a doca de despacho. As opções para movimentação de produtos envolvem combinações múltiplas em termos de equipamento, formas de operação, etc. No esquema acima é mostrado um diagrama das combinações mais utilizadas na prática, em termos de movimentação de materiais. A primeira grande divisão envolve um aspecto muito importante na concepção e operação de um armazém, que é a utilização ou não da dimensão vertical na estocagem de produtos. Considerando que há apenas movimento horizontal, quando as unidades deslocadas (pallets, caixas, sacas) são dispostas nos seus locais de destino por um homem, sem a ajuda de equipamentos de elevação. Ou seja, a colocação e retirada dos itens é feita diretamente pelo homem, o que implica em alturas de estocagem compatíveis com essa condição. As soluções que implicam em movimentação vertical, além da horizontal, pressupõem o uso de equipamentos apropriados, tais como empilhadeiras, transelevadores, pontes rolantes, etc. Outra grande divisão nos tipos de movimentação refere-se ao uso ou não de equipamentos motorizados. No deslocamento manual, o indivíduo transporta a carga nos braços, em carrinhos, prateleiras, etc., mas toda a movimentação é feita com suas próprias forças. O outro grupo, que corresponde à movimentação motorizada, pressupõe o emprego de equipamentos acionados por motores elétricos ou de combustão interna (gasolina, gás, etc.). Outra forma de encarar o processo de movimentação num armazém é a ocorrência ou não de automação. No Brasil, a maioria dos armazéns não é automatizada, isto é, a colocação ou busca de um item no local de estocagem é feita pelo homem, com o auxílio ou não de equipamentos mecânicos. Nos armazéns automatizados há uma central de 140 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. controle remoto, que comanda a movimentação de transelevadores (ou outro tipo de equipamento) sem a interveniência direta do homem. O equipamento mais simples de movimentação manual de volumes é o carrinho de mão. É usado na grande maioria dos armazéns para deslocamento horizontal de caixas, sacas, etc. Carrinho de mão para volumes Para mercadorias arranjadas em pallets, o deslocamento manual se faz com o auxílio de prateleiras. Uma alavanca permite abaixar a plataforma da prateleira de forma a encaixá- la debaixo do estrado. Acionando a alavanca, o estrado é levantado, podendo então o conjunto ser deslocado sobre os rodízios da prateleira. 141 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Prateleira Para acessar manualmente prateleiras mais altas, podem ser usadas escadas móveis sobre rodas (carrinho-escada) conforme mostrado na figura abaixo. Carrinho-escada Dos equipamentos mecânicos mais utilizados, cabe destaque à empilhadeira, que permite deslocar pallets e grandes volumes tanto horizontal como verticalmente. Os tipos de empilhadeiras variam muito. A mais comum é a empilhadeira frontal, em que a carga movimentada é balanceada por um contrapeso existente na parte traseira do 142 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. equipamento. A carga é apanhada na parte da frente, o que obriga a manobras nos corredores para acessar os pontos de estocagem em movimentos perpendiculares às estantes. As empilhadeiras laterais transportam a carga no lado, facilitando o deslocamento de produtos de comprimento grande (tubos, por exemplo), além de permitir melhor aproveitamento da superfície de armazenagem (corredores mais estreitos). Um tipo mais sofisticado é a empilhadeira trilateral, que permite a movimentação para frente e para trás, deslocamento lateral e movimentação vertical. Esse tipo de empilhadeira requer menos espaço de corredores, melhorando a densidade real de ocupação do armazém. Empilhadeira Antes de selecionar e adquirir uma empilhadeira, é muito importante analisar cuidadosamente suas especificações técnicas. Uma característica básica é o gráfico de capacidade, que fornece a carga máxima que pode ser levantada (em Kg) em função da distância do centro de carga dos garfos verticais. Outra característica importante está ligada às diversas alturas atingidas com os garfos. 143 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Altura total – abaixado - corresponde à distância do solo à parte superior do montante, com os garfos totalmente abaixados e o montante na posição vertical. Essa característica é importante para verificar as condiçõesde acesso da empilhadeira ao local de trabalho, devendo ser verificadas as alturas livres das portas e outras obstruções eventuais, de forma a garantir a passagem do equipamento. Altura máxima – elevado – corresponde à situação limite de elevação vertical dos garfos, com ou sem protetor de carga. Finalmente, é importante também analisar a altura máxima dos garfos, medida na sua na sua face superior, e que permite avaliar a altura máxima da superfície em que poderá ser colocado um pallet ou um volume com o auxílio do equipamento. Há ainda outras características das empilhadeiras que devem ser consideradas na sua seleção e posterior aquisição: estabilidade estática e dinâmica com máxima carga, velocidade de elevação e descida, habilidade de vencer rampas, raios de giro nas curvas, etc. Outra forma de movimentação de materiais muito utilizada para determinados tipos de produtos é constituída pelos equipamentos suspensos, tais como pontes rolantes, monovias, talhas, etc. Esse tipo de equipamento é normalmente utilizado para movimentar materiais pesados e volumosos. A ponte rolante é constituída por uma viga de aço que se movimenta sobre trilhos elevados ao longo do depósito. São normalmente dotadas de uma talha que permite elevar a carga e deslocá-la horizontalmente, tanto no sentido longitudinal como na transversal. Há também a ponte rolante empilhadeira que combina as características de ambos os equipamentos. Esse tipo de equipamento realiza quatro movimentos: longitudinal, transversal, ascendente/descendente e giratório. Uma forma alternativa é o transelevador, que é uma torre rolante dotada de uma plataforma (empilhadeira) que desliza no sentido vertical. Garfos telescópicos, quando 144 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. acionados, penetram lateralmente nas prateleiras para colocar ou retirar pallets. A grande vantagem do transelevador é a economia de espaço que se obtém através da redução da largura dos corredores. Além disso, permite ao operador um controle mais estreito das operações, porque a cabina de comando acompanha o movimento da carga, subindo com ela até o ponto de carga/descarga. Vale a pena fazer uma visita a um armazém e verificar como as cargas são movimentadas, qual o maquinário utilizado. Pode ser um estoque de matéria-prima de uma indústria, ou mesmo o estoque de produto acabado de uma empresa de bens de consumo. Uma boa maneira de observar essas movimentações é pedindo para visitar o setor de estoque de um supermercado, no período de entrega de mercadoria. 145 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 18 Objetivo: Conhecer a importância do processamento de pedidos na Logística e seu estreito relacionamento com o tempo do ciclo do produto. Processamento de Pedidos À primeira vista, a tarefa de preencher pedidos de clientes pode parecer uma parte pequena da logística, uma atividade rotineira que não exige muito raciocínio para ser bem-feita. Na verdade, porém, o processamento de pedidos é frequentemente um componente-chave da Logística, e o desenvolvimento de um sistema eficiente de processamento de pedidos, pode estar bem longe de ser uma rotina. A importância do processamento de pedidos na Logística vem de sua relação com o tempo de ciclo do pedido, que é o tempo percorrido entre o momento em que o pedido é feito e o momento em que o produto é recebido pelo cliente. Se o processamento de pedidos é complicado e ineficiente, ele pode retardar consideravelmente o tempo de ciclo do pedido e até mesmo aumentar os custos de transporte, se for preciso usar um meio de transporte mais rápido para compensar o tempo maior de processamento de pedidos. O processamento de pedidos pode, às vezes, ser o resultado de muito planejamento, investimento de capital e treinamento de pessoas. Quando são recebidos milhares de pedidos diariamente, o preenchimento rápido e preciso de pedidos pode ser uma tarefa desafiadora. O planejamento, projeto e gestão de sofisticados sistemas de processamento de pedidos não é uma rotina. Por exemplo, no setor de material hospitalar, no qual há cerca de 750.000 produtos diferentes de suprimentos médicos e cirúrgicos, é um pesadelo o desafio de desenvolver um sistema de processamento de pedidos, pois não há uma nomenclatura padronizada para todos esses produtos. Dessa forma, mal-entendidos caros provocam inúmeros erros e centenas de milhares de devoluções. Só agora o setor começa a combater os problemas de processamento de 146 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. pedidos, mas levará anos até atingir o nível de eficiência encontrado nos setores de bens de consumo. O ciclo do pedido da AVON O tempo do ciclo do pedido é mensurado desde a coleta do pedido até a entrega do produto ao cliente. O pedido é feito à revendedora que possui um dia determinado na semana para repassar o pedido para a gerente regional. Portanto, nesse primeiro momento, o tempo gasto varia de 1 a 7 dias. O gerente regional repassa imediatamente o pedido aos pontos de coleta que repassam o mesmo às fábricas. Estima-se que a preparação e a transferência dos produtos da fábrica para o CD demorem 4 dias. A preparação dos produtos e separação em caixas C L I E N T E Revendedora coleta os pedidos Gerente Regional consolida os pedidos 15 pontos de coleta recebem os pedidos Pedidos são enviados à fábrica e faturados Transferência de produtos da fábrica para o CD Preparação de produtos no CD e separação em caixas individuais Transporte para terminais de distribuição Transporte para as revendedoras Entrega às revendedoras 147 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. individuais no CD mais o transporte até os terminais de distribuição demoram por volta de 5 dias. Mais 3 dias para chegar até as revendedoras. Tempo do ciclo do pedido (estimado): entre 15 e 19 dias O processamento de pedidos é feito através de um formulário a ser preenchido pela revendedora, agora simplificado, contendo 4 páginas, cuja leitura, agora, é feita automaticamente por scanner. Os principais problemas logísticos encontrados e corrigidos pela AVON são: Pedidos incorretos: as revendedoras cometiam erros ao preencher os formulários, pois os mesmos eram extensos e confusos e sua leitura na Avon era realizada através de uma caneta óptica. Solução: O formulário foi simplificado e reduzido de 28 para 4 páginas e a leitura dos pedidos passou a ser feita automaticamente pós-scanner. Falta de Produto: Devido às abruptas oscilações de demanda muitas vezes o produto não se encontrava disponível para distribuição. Solução: Foi implementado um processo de melhoria contínua na fábrica (KAIZEN) que permitiu que a fábrica respondesse mais rapidamente a essas mudanças na demanda. Vazamentos: Por falta de ajustes corretos nas máquinas de fechamento das tampas, muitas bisnagas, vidros e potes saíam mal vedados. Para minimizar os vazamentos a Avon aumentou a frequência das vistorias nas linhas de produção. Erros na separação e arrumação dos produtos na caixa: No Centro de Distribuição (CD), os funcionários podem falhar ao selecionar os produtos que devem compor o pedido. Eles também podem acomodá-los de maneira inadequada nas caixas e, com isso, danificá-los. Para reduzir o índice de erros; como troca de produtos e estragos nas embalagens, os funcionários foram treinados de acordo com um novo processo de separação de produtos. Atraso na entrega: A Avon passou a exigir das empresas que fazem o transporte dos produtos para os CDs que os caminhões fossem 100% rastreados. Além disso, os 148 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. funcionários das transportadoras responsáveis pela entrega às revendedoras são treinados periodicamentee participam de programas de incentivo. Dessa forma a Avon conseguiu otimizar seu ciclo de pedidos e melhorar o serviço oferecido às revendedoras (intermediários do canal) e ao cliente final. Uma das formas de se medir a eficiência de um membro do canal é através do tempo do ciclo do produto. Vale à pena prestar atenção quando for fazer uma encomenda via catálogo ou internet contabilizar o tempo que demora desde que o pedido foi efetuado até a chegada do mesmo em suas mãos. As empresas brasileiras estão preparadas para manter um alto nível de serviços prestados? Seriam membros eficientes de um canal eletrônico (compras na Internet), por exemplo? 149 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 19 Objetivo: Conhecer as operações de picking existentes, suas características e sua importância na montagem correta do pedido. Picking Ainda dentro do processamento de pedidos, encontra-se uma atividade fundamental para a redução do tempo de preparação de pedidos e dos erros na composição dos mesmos. Para entendermos a atividade de picking (separação e preparação de pedidos) é importante apresentarmos sua inserção entre as principais atividades de armazenagem. De uma maneira simples, todos os tipos de armazéns possuem as seguintes funções: recebimento de produtos; armazenagem dos produtos até que seja necessário; coleta de produtos de acordo com pedidos dos clientes; preparação dos produtos para entrega no cliente. 150 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Atividades de Armazenagem A atividade de picking pode ser definida como a atividade responsável pela coleta do mix correto de produtos, em suas quantidades corretas da área de armazenagem para satisfazer as necessidades do consumidor. Dessa forma, estará focando a atividade de coleta do pedido, conhecido como order picking, ou simplesmente picking, como passará a ser chamado, daqui em diante. Tal atividade dentro de um armazém é considerada como uma das mais críticas. Dependendo do tipo de armazém, 35% do custo de mão de obra está associado à atividade de picking. Aliado ao custo, o tempo dessa atividade influi de maneira substancial no tempo de ciclo de pedido, ou seja, o tempo entre a recepção de um pedido do cliente e a entrega correta dos produtos. O aumento progressivo das necessidades (e exigências) dos consumidores e da competição trouxe diversas consequências para a atividade de armazenagem. Tais consequências podem ser traduzidas em tendências gerais que podem ser observadas em diversos setores: 151 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. -Proliferação do número de unidades estocadas (SKU’s): as maiores exigências dos clientes aumentaram os números de produtos que as empresas trabalham atualmente -Aumento do Número de Pedidos: os clientes passaram a trabalhar cada vez mais em filosofias de ressuprimento contínuo, com o objetivo de diminuir seus níveis de estoque. As menores quantidades de lote implicam em um aumento no número de pedidos ao longo do tempo -Concentração em Grandes Armazéns: o paradigma da presença local começa a deixar de existir. As empresas começam a adotar uma operação com menor número de depósitos e pontos de venda, concentrando estoques e obtendo reduções de custo com consolidação de carga. -Entrega para o dia seguinte: com uma exigência cada vez maior pela diminuição do tempo de ressuprimento para os clientes. Além dessas tendências, as empresas perceberam a importância da utilização do serviço como diferencial de valor agregado em seus produtos. A qualidade do produto passa a ser um pré-requisito e serviços como entrega em domicílio e vendas pela internet, aumentaram o nível de exigência e produtividade das atividades de armazenagem e transporte. Dessa forma, a atividade de picking deve ser flexível para assegurar uma operação dentro das necessidades determinadas pelo cliente, utilizando sistemas de controle e monitoramento que suportem os níveis de serviço e qualidade diagnosticados. Independente do tamanho, volume, tipos de estoque, necessidades do consumidor e tipos de sistemas de controle da operação do armazém, existem certos princípios que se aplicam bem em qualquer atividade de picking. São princípios que devem guiar o posicionamento de produtos dentro da área de armazenagem e o fluxo de informação e documentos. 152 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Priorizar produtos de maior giro O primeiro passo é a identificação dos produtos de maior giro. Na maioria dos casos será observado que um pequeno grupo de produtos corresponde à grande parte da movimentação em um armazém. É a conhecida Lei de Pareto, onde 20% dos produtos correspondem a 80% das movimentações. São considerados os produtos de alto volume. Cerca de 55% dos produtos correspondem a 95% do volume movimentado. Esses 35% dos produtos são considerados de médio volume. Os 45% dos produtos restantes são considerados produtos de baixo volume, correspondendo a cerca de 5% do volume total movimentado. Os produtos de maior giro devem ficar nas posições de mais fácil acesso para os operadores e de mais fácil ressuprimento. Essa ideia orienta fortemente a disposição física de produtos no armazém. O objetivo é priorizar a minimização da distância entre o operador, que efetua a coleta, e os produtos a serem coletados. Dessa forma, os produtos de maior giro devem ser colocados na região mais próxima da atividade de separação. As esteiras eliminam a movimentação na recepção da lista de produtos e no envio para o despacho. Interessante reservar uma área para a armazenagem e coleta de produtos de pequenas dimensões e alto volume. Deve ser planejada uma área para o recebimento de produtos que alimentarão as regiões de recebimento. De forma análoga, uma área de expedição deve ser dimensionada com linhas suficientes para evitar a acumulação ou fila na linha de picking. As esteiras que levam os pedidos completos da área de picking para a área de expedição devem possuir altura elevada para aproveitamento do espaço em chão. Utilização de documentações claras e de fácil operacionalização - Um documento de picking deve fornecer instruções específicas para o operador de modo a facilitar a atividade de separação de produtos. Deve conter apenas as informações relevantes: localização do produto, descrição e quantidade requerida. Além disso, tais informações devem ser destacadas no documento, de modo a facilitarem a leitura. Uma preocupação 153 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. maior com a preparação dessa documentação; diminui o tempo de leitura e de procura dos produtos, por parte do operador, diminuindo o tempo da atividade. Organizar os pedidos de acordo com as configurações físicas - É necessário que cada pedido enviado para a área de picking seja configurado de acordo com as restrições de localização dos produtos. Ou seja, na etapa de geração do documento de picking, as listagens devem ser "montadas" de forma a diminuir a movimentação do operador, além de observar a proximidade de produtos. Manter um sistema eficiente de localização de produtos - Um sistema eficiente de separação de pedidos necessita de um sistema de localização de produtos muito acurado. Com a padronização de endereços para a localização de produtos e utilização de tecnologias que acelerem a identificação de uma posição, é possível reduzir o tempo de procura de um produto para frações de segundos, acelerando a atividade de separação de pedidos. O operador deve ser avaliado pelos erros - Para que sejam evitados erros na separação de pedidos (produtos incorretos ou quantidades incorretas de produtos) o operador deve ser avaliado pela correta separação dos pedidos. Sua performance deve sermensurada e qualquer desvio em torno de uma meta aceitável deve ser analisado, identificando se a causa está no sistema ou no operador. Evitar contagem de produtos durante a coleta - A contagem de produtos aumenta substancialmente o tempo de separação de pedidos. Tal atividade pode ser evitada com soluções simples, como soluções de embalagens. Por exemplo, se operador necessitar separar 1000 unidades de um determinado produto, se tal produto estivesse agrupado em embalagens de 100 unidades, isso facilitaria seu trabalho. Além disso, ajudaria a eliminar erros na separação. Eliminação de documentos em papel - Qualquer documento em papel toma demasiado tempo na atividade de picking. A informação escrita deve ser lida, interpretada e algumas vezes comparada com algum sistema de controle, o que tipicamente resulta em erros. 154 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Existem tecnologias que estão se tornando cada vez mais acessíveis, reduzindo e até eliminando o fluxo de papéis, incluindo leitores de código de barras, sistemas de reconhecimento de voz e terminais de rádio frequência. Tais filosofias norteiam o planejamento da atividade de picking. No entanto, várias tecnologias e estratégias podem ser utilizadas, pois planejar uma atividade de picking não é uma tarefa simples. Existem 4 procedimentos básicos para organizar o picking. Esses 4 procedimentos são caracterizados como procedimentos "puros". Geralmente o que se observa é uma composição ou mistura de diferentes estratégias, gerando estratégias mistas de organização do picking. Basicamente, durante a definição de qual estratégia utilizar, é necessário responder as seguintes perguntas: Operadores por pedido: Quantos operadores devem ser designados para completar apenas um pedido? Cada pedido é trabalhado por apenas um operador, ou teremos vários operadores trabalhando em um mesmo pedido? Produtos por pedido: O operador deve coletar um produto de cada vez da lista de pedidos, ou pegar vários produtos em uma só coleta? Períodos para agendamento: Quantas janelas para a organização dos pedidos devem ser feitas em um turno? É necessário conciliar o picking com outras atividades como o recebimento de produtos e a expedição? A seguir, os 4 procedimentos básicos de atividade de picking: Picking Discreto - Nesse procedimento, cada operador é responsável por um pedido por vez e pega apenas um produto de cada vez. Existe apenas uma janela por turno. Esse tipo de organização possui uma série de vantagens, principalmente por ser a mais simples, adequando-se perfeitamente quando toda a documentação está em papel. O risco de erros na atividade é reduzido, por existir apenas um documento para cada ordem de separação de produtos. No entanto, é o procedimento menos produtivo, pois como o 155 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. operador deve completar toda a ordem de separação, o tempo de deslocamento é muito maior que nos outros procedimentos. Existe apenas um período para o agendamento da atividade de picking. Para compreender as diferentes estratégias de picking seguem exemplos simples. Acompanhando a figura seguinte, deve-se supor que a atividade de separação de pedidos esteja trabalhando com apenas 4 produtos (P1, P2, P3 e P4). A linha de picking possui 3 operadores alocados integralmente a essa atividade. Tem-se então, 3 pedidos, compostos por mix e quantidades de produtos diferentes. Picking Discreto Na estratégia de picking discreto, o primeiro operador pegaria o primeiro pedido (Pedido 1). Ele então seria responsável por iniciar e completar a separação de todos os produtos contidos nesse pedido. Selecionaria 10 quantidades do primeiro produto, 20 do segundo e 5 do terceiro, colocando na caixa para a próxima operação. Paralelamente, o segundo operador estaria responsável pelo segundo pedido, coletando os produtos 1, 3 e 4 nas suas respectivas quantidades (um por vez). De forma análoga o terceiro operador estaria responsável pelo terceiro pedido. 156 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Importante notar que cada pedido é iniciado e completo por apenas um operador e que apenas um produto é pego, por vez. O primeiro operador que acabar seu trabalho, que no exemplo seria o terceiro operador, pegaria o próximo pedido (Pedido 4, não exemplificado). Picking por zona - Nessa forma de organização, as áreas de armazenagem são divididas em zonas. Cada zona possui determinados produtos. Cada operador da atividade de picking está relacionado com uma dessas zonas. Quando uma ordem de pedido chega, o operador pega todas as linhas de produtos referidas a esse pedido que fazem parte da sua zona de trabalho. Se o pedido estiver completo, ele pode ser despachado. Caso contrário, ele irá para a próxima zona de picking e o próximo operador colocará os produtos necessários. Esse tipo de procedimento é mais utilizado quando existem diferenças de produtividade, entre os trabalhadores, ou diferenças de equipamentos/tecnologias utilizadas na área de picking. Com isso, as zonas de picking são determinadas até que se obtenha um balanceamento da carga de trabalho entre as zonas. Existe apenas um período para o agendamento da atividade de picking. Voltando para o exemplo acima, cada operador seria designado para determinada zona. O primeiro operador seria responsável pela coleta dos produtos 3 e 4. O operador 2 do produto 2, enquanto que o último operador teria a responsabilidade do produto 1. 157 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Picking por Zona Ao chegar o primeiro pedido na linha de picking, o operador 3 coletaria 10 unidades do produto 1. Em seguida, o operador 2 coletaria 20 unidades do produto 2. Finalmente, o primeiro operador coletaria 5 unidades do produto 3. O primeiro pedido estaria então completo e seria despachado para a próxima atividade. Nota-se que nesse caso, os 3 operadores trabalharam para completar um pedido. Além disso, após ter coletado as 10 unidades do produto 1, o terceiro operador já começaria a trabalhar no segundo pedido, enquanto em paralelo os outros dois operadores estariam completando o pedido 1. Como comentado anteriormente, é uma estratégia ideal quando se tem tecnologias diferentes ou quando a produtividade dos operadores não é homogênea. No exemplo exposto, o operador 1 é o mais produtivo, ficando com 2 produtos na sua zona de picking. Com isso, temos um aumento de produtividade com relação à estratégia anterior, porém a operação é um pouco mais complexa. Picking por Lote - No procedimento anterior, diferentes produtos são coletados para completar um pedido por vez. No picking por lote o procedimento ocorre de modo 158 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. diferente: o operador espera a acumulação de certo número de pedidos. Em seguida, são observados os produtos comuns a vários pedidos. Quando o operador faz a coleta, ele pega a soma das quantidades de cada produto, necessárias para atender todos os pedidos. Em seguida, ele distribui as quantidades coletadas por cada pedido. Por trabalhar com vários pedidos por coleta, esse tipo de procedimento possui um ganho de produtividade em relação aos outros. No entanto, é indicado apenas quando os produtos são coletados na maioria em quantidades fracionadas (não em caixas), e quando os pedidos possuem poucos produtos diferentes (1 a 4) e pequenos volumes. O ganho de produtividade ocorre pela redução de tempo em trânsito dos operadores. Um ponto negativo desse procedimento é sua maior complexidade e sua necessidade de utilizar severas mensurações para minimizar os riscos de erros. Tais mensurações podem ser feitas utilizando as soluções tecnológicas atuais. Novamente, se tem apenas um período para o scheduling da atividadede picking. Picking por Lote Nesse exemplo, os pedidos seriam agrupados em lote. Ou seja, os pedidos: 1 e 3 seriam agrupados em um lote. O primeiro operador cuidaria exclusivamente desses dois pedidos. Ele coletaria então 10 unidades do produto 1; 40 unidades do produto 2 e 20 159 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. unidades do produto 3. As somas das unidades dos produtos nos pedidos 1 e 3. Os outros dois operadores estariam responsáveis por outros lotes de pedidos. No picking por lote, um pedido é processado apenas por um operador, e diferentes produtos são coletados em cada pega. Isso acelera a produtividade, mas como comentado, é indicado apenas para configurações com poucos produtos. Picking por Onda - Esse método é similar ao picking discreto. Ou seja, cada operador é responsável por um tipo de produto por vez. A diferença está no agendamento de certo número de pedidos ao longo do turno. Geralmente esse tipo de procedimento é utilizado para coordenar as funções de separação de pedidos e despacho. Além das estratégias apresentadas anteriormente, tem-se as combinações entre estratégias puras. A estratégia de picking por zona-lote, por exemplo, é a estratégia de zona, onde cada operador é responsável por determinado número de produtos, e onde os pedidos são agrupados em lote. Podemos resumir na matriz seguinte, as diferentes estratégias de atividade de picking, as consideradas puras e as mistas. Estratégias de Picking 160 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 20 Objetivo: Caracterizar a importância dos armazéns e depósitos e sua incompatibilidade de custos, no que diz respeito a outros componentes. Depósitos e Armazéns Ao longo do processo logístico, aparecem fluxos de mercadorias entre pontos diversos da rede. Nas interfaces desse processo, isto é, nos pontos de transição de um fluxo para outro, entre manufatura e transferência, ou entre transferência e distribuição física, surge a necessidade de se manterem os produtos estocados por certo período de tempo. Esse tempo de permanência pode ser muito curto, necessário apenas para fazer a triagem da mercadoria recém chegada e reembarcá-la, como também, pode ser relativamente longo. Nesses pontos de interface da rede logística localizam-se os diversos tipos de instalação de armazenagem. Um tipo comum é o depósito voltado À armazenagem e despacho de mercadorias de uma indústria, de uma grande loja, de uma firma varejista, etc. O outro tipo bastante encontrado em grandes indústrias é o armazém de insumos ou de matérias- primas. Por exemplo, numa grande siderúrgica, é necessário receber e estocar matérias- primas diversas, tais como minério de ferro, carvão siderúrgico e sucata. Um porto marítimo ou fluvial, por outro lado, é uma instalação de armazenagem de interface típica: navios trazendo e levando cargas que vão sendo carregadas ou descarregadas, movimentadas dentro do porto, armazenadas enquanto aguardam despacho e outras providências e, finalmente, escoadas nos modos de transporte terrestre. Um centro de distribuição destinado a atender os clientes de uma determinada região constitui outro tipo de instalação de armazenagem e de interface. Funções de um depósito ou armazém 161 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O tempo de permanência da mercadoria num depósito ou armazém depende muito dos objetivos gerais da empresa. Em alguns casos, a estocagem de produtos está relacionada com a sazonalidade do consumo como, por exemplo, as mercadorias consumidas predominantemente no Natal (castanhas, nozes, panetone), sazonalidade da produção (óleo de soja, por exemplo, cuja produção depende da safra do grão) e outros tipos de defasagem temporal entre produção e consumo. Há, também, o efeito da variação de preços no mercado, que leva certos tipos de empresa a estocarem, à espera de melhores níveis de comercialização, para então venderem seus produtos. Por exemplo, a exportação de soja, em grão ou pallets, está sujeita a variações sensíveis de preço no mercado internacional de commodities. O exportador é levado, algumas vezes, a estocar o produto de forma a conseguir melhor nível de remuneração nas fases de alta do mercado externo. Sob o ponto de vista estritamente logístico, a armazenagem de produtos pode ter funções diversas, dependendo dos objetivos gerais da empresa e do papel desempenhado pela instalação (armazém, depósito, centro de distribuição) no sistema. As principais funções são as seguintes: Armazenagem propriamente dita – Esta é a função mais óbvia, com sua duração dependendo do papel logístico da instalação no sistema. Nos casos em que há necessidade ou conveniência de estocar os produtos por um tempo relativamente grande, o armazém ou depósito deve apresentar um layout e equipamentos de movimentação adequados a esse tipo de função. Nos casos em que a armazenagem é apenas de passagem, como ocorre nos depósitos de triagem e distribuição, a solução técnica (layout, equipamentos) é diferente. Há, também, situações mistas. De qualquer forma, seja por períodos maiores, seja por curtos espaços de tempo, aparece sempre à função armazenagem. Consolidação – As mercadorias chegam muitas vezes ao depósito em pequenas quantidades, vindas de diversos clientes ou de pontos geográficos variados. Uma vez no depósito, torna-se necessário preparar carregamentos completos para outros pontos da 162 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Rede Logística. Esse processo de juntar cargas parciais provenientes de origens diversas para formar carregamentos maiores é denominado de consolidação. Nem todos os depósitos/armazéns apresentam esse tipo de função. Em alguns, ocorre o inverso (desconsolidação). A consolidação ocorre porque é mais barato transportar lotações completas e maiores (caminhões de maior tonelagem) a médias e longas distâncias, do que enviar a carga em lotes pequenos, diretamente a partir das várias origens. Por exemplo, uma empresa especializada no transporte de pacotes (carga parcelada), para todo o território nacional, poderá efetuar as coletas numa determinada região (por exemplo: Porto Alegre), encaminhando a carga para o depósito local, onde será feita a consolidação por destino (lotações para São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, etc.). Desconsolidação – é o processo inverso da consolidação, em que carregamentos maiores são desmembrados em pequenos lotes para serem encaminhados a destinos diferentes. Por exemplo, uma indústria envia um carregamento de geladeira para um de seus depósitos regionais. Ali, a carga é desmembrada em lotes menores, para serem encaminhados às diversas lojas. Nem sempre um depósito ou armazém apresenta apenas uma das funções indicadas acima. Pode desempenhar todas ao mesmo tempo ou parte delas. Há também situações combinadas. Por exemplo, um depósito pode receber produtos de vários fabricantes em lotes relativamente pequenos, estocá-los e depois formar lotes mistos destinados a clientes diversos. Não se caracteriza assim uma consolidação já que se formam lotações completas, nem tão pouco ocorre a desconsolidação. Seria mais um processo de rearranjo da carga (ou mix). Essa situação pode ocorrer com uma empresa varejista, que opere com um grande número de produtos e um grande número de clientes. O depósito visto como um sistema 163 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O depósito ou armazém é um elemento importante na Rede Logística, pelas razões apontadas acima. Um elemento desse tipo deve ser encarado, então, como um componente do sistema logístico global. Agora, ao analisá-lo em maior detalhe, ele passa a ser visto como um sistema em si mesmo, obviamente não esquecendo que é uma parte do todo. É necessário desde logo, definirclaramente os objetivos desse subsistema, tendo em vista seu papel no sistema logístico global da empresa. Para isso, é importante analisar cuidadosamente as funções que deve desempenhar. Em segundo lugar, é necessário definir os componentes que formam o sistema analisado. São eles: Recebimento – As mercadorias chegam ao armazém ou depósito e devem ser descarregadas, conferidas e encaminhadas ao ponto de armazenagem. Este componente do armazém ou depósito é constituído geralmente por uma doca de descarga, onde a mercadoria é conferida e triada. Movimentação – Após o recebimento, a mercadoria é deslocada dentro do armazém até o ponto onde deverá ficar armazenada. Mais tarde, a mercadoria é deslocada novamente do ponto de armazenagem para outro local que pode ser: a doca de embarque ou uma parte do armazém destinada à consolidação dos pedidos (acondicionamento, despacho). Esse deslocamento interno é denominado genericamente de movimentação. Armazenagem – A armazenagem propriamente dita das mercadorias constitui um dos componentes deste sistema. Como já visto, pode durar pouco tempo, em alguns casos, e períodos relativamente longos, em outros. Preparação dos pedidos – Em certos tipos de armazém, os pedidos dos clientes, filiais, etc. são preparados num local específico do depósito. Os produtos são trazidos dos pontos onde estão armazenados e, a seguir, são acondicionados em caixas, pallets, contêineres ou outra forma adequada de invólucro. Os invólucros são então marcados 164 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. externamente com o nome e endereço do destinatário para, depois, serem encaminhados à doca de embarque. Embarque – Uma vez pronta para ser distribuída ou transportada, a mercadoria é embarcada no veículo designado, utilizando, para isso, uma doca apropriada. O processo de carregamento e despacho do veículo constitui, assim, outro componente do sistema em estudo. Circulação externa e estacionamento – Muito embora muitas empresas transportadoras, indústrias ou firmas comerciais, utilizem as vias públicas para estacionar veículos de carga e, em alguns casos, usam-nas até mesmo para carga/descarga; o certo é dispor de áreas próprias para isso, reservando parte do terreno para circulação e estacionamento. Aplicam-se igualmente a este sistema (armazenagem) os seguintes princípios e sistemática: Estabelecer um check-list dos parâmetros relevantes; Definir e quantificar a medida (ou medidas) de rendimento, através de um nível de serviço adequado; Definir alternativas para cada subsistema, caminhando da pior para a melhor; Quantificar os recursos necessários por alternativa; Calcular os custos para cada alternativa (investimento e custeio) e os respectivos níveis de serviço; Selecionar a melhor alternativa, tendo em vista o conjunto. Um ponto muito importante na análise sistêmica do armazém ou depósito é a inter- relação desse subsistema com o meio externo. De um lado, ele se relaciona com o 165 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. subsistema transporte e, através desse, com os clientes, num extremo, e com as fábricas e demais depósitos no outro. Em nível da própria empresa, o depósito/armazém se relaciona com a administração da companhia (diretoria, recursos humanos, contabilidade), com o CPD (software, equipamentos. Informações), com o setor de transporte (administração da frota, contratação de praça, etc.), com a área de controle, etc. O subsistema armazém e suas relações diretas com outros subsistemas 166 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula, no site da ESAB, faça a Atividade 2, no link “Atividades”. 167 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 21 Objetivo: Analisar o subsistema transporte percebendo qual o melhor modal que deve ser aplicado a cada situação. Transporte O transporte é o componente mais fundamental e obviamente necessário de qualquer sistema logístico, pois é claro que, em virtualmente todos os casos, os produtos precisam ser movidos fisicamente de um local ao outro para completar a transação. Frequentemente, o transporte, também, é o componente que responde pela maior porcentagem do custo total da Logística. Do ponto de vista da Gestão Logística, a questão mais importante para a empresa é escolher o meio de transporte ótimo para atender às demandas de serviço dos clientes. Essa pode ser uma tarefa bastante complexa e técnica, porque há diversas considerações. Por exemplo: A empresa deve usar transporte próprio ou contratar transportadoras comerciais? Quais são as diferentes taxas disponíveis? Quais serviços específicos de transporte são oferecidos? Quão confiáveis são as várias transportadoras comerciais? Quais meios de transporte os concorrentes estão usando? Além disso, se forem aplicados o conceito de sistemas e a abordagem de custo total, o administrador logístico deve pensar em termos de como o componente transporte interage e afeta o custo total de logística. Decisões como essas exigem conhecimento e experiência especializados não só sobre sistemas logísticos, como também sobre as necessidades peculiares ao setor envolvido e sobre as mais recentes tecnologias disponíveis. 168 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Modalidades de transporte Modo Rodoviário – O modo rodoviário é o mais expressivo no transporte de cargas no Brasil. Com a implantação da indústria automobilística na década de 50 e com a pavimentação das principais rodovias, o modo rodoviário se expandiu de tal forma que hoje domina amplamente o transporte de mercadorias no país. Os dados estatísticos publicados em 1987 (Geipot) indicavam uma extensão total de rodovias pavimentadas de 123 mil quilômetros aproximadamente. A esse total se deve somar cerca de 1,3 milhões de estradas não pavimentadas. Hoje, a rede rodoviária nacional apresenta-se bastante deteriorada, com extensos trechos necessitando de recursos maciços para sua recuperação. Essa situação prejudica bastante o transporte rodoviário de mercadorias, aumentando os tempos de viagem e encarecendo os custos operacionais. Modo Ferroviário – Para escoar a produção agrícola brasileira e transportar os produtos importados para o interior do território nacional; foi implantado, em fins do século XIX e início do XX, um número razoável de ferrovias, com uma extensão total, também, expressiva (cerca de 30.000 quilômetros em 1986). A maioria das ferrovias implantadas nessa fase corria do interior para o litoral, com traçados quase ortogonais à costa. O povoamento do interior foi se processando primordialmente ao longo das ferrovias, à exceção da Amazônia, pois a estrada de ferro dava condições de escoamento das safras e trazia os produtos necessários ao desenvolvimento. Aos poucos, no entanto, as fronteiras agrícolas foram se deslocando para regiões mais remotas. O povoamento do território nacional passou a cobrir novas áreas, não servidas pelas ferrovias. A agricultura passou gradualmente de uma fase rudimentar, artesanal, para estágios de exploração mais extensiva, com grandes áreas destinadas ao cultivo ou à atividade pastoril. Ou seja, a vinculação estreita que antes existia entre os agricultores e os núcleos urbanos de um lado, e as ferrovias, de outro, foi deixando de existir com o tempo. 169 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. O transporte ferroviário passou a ser utilizado primordialmente no deslocamento de grandes massas de produtos homogêneos, ao longo de distâncias relativamente extensas. Minérios (de ferro, de manganês), carvão mineral, derivados de petróleo, cereais em grão (soja, milho),quando transportados a granel, cobrindo distâncias relativamente grandes, são produtos passíveis de serem deslocados por trem. As razões para isso podem ser resumidas no seguinte: as operações de carga / descarga, despacho, triagem de vagões nos pátios, controle de tráfego, conferência de carga, etc., são muito onerosas para produtos em pequenas quantidades. Quando se transportam grandes quantidades de um produto a granel, por outro lado, pode-se uniformizar o material rodante (vagões) e as operações, permitindo também a utilização de trens de maior tonelagem e diretos (trens unitários), facilitando assim as operações nos terminais. Os custos fixos incorridos nos terminais (carga/descarga, triagem de vagões, formação de trens, etc.) são, por outro lado, melhor diluídos no custo médio global para distâncias mais longas. Por tudo isso, hoje há um consenso de que as ferrovias, no Brasil, devem ser destinadas ao transporte dos tipos de carga apontados acima: grandes tonelagens de produtos homogêneos, preferencialmente a granel, ao longo de distâncias relativamente longas. Esse enfoque, entretanto, não é universal, pois não coincide com o observado na Europa, por exemplo, em que a ferrovia cobre um espectro muito mais amplo de fluxos. Mas, dentro da realidade brasileira de hoje, parece mais sensato especializar as ferrovias na forma apontada. A falta de recursos financeiros e as incertezas quanto à capacidade de gestão das ferrovias, não permitem, no momento, soluções mais ousadas em termos de reativação do modo ferroviário para outros tipos de fluxo. Modo Marítimo de Cabotagem – A costa brasileira é dotada de um número apreciável de portos marítimos, além de alguns portos fluviais que atendem a navios costeiros (Porto Alegre, Manaus, Belém, por exemplo). O transporte de cabotagem está fortemente atado, infelizmente, à operação portuária que, no Brasil, deixa muito a desejar. Adicionalmente, o transporte complementar entre as origens da carga e o porto e, no sentido inverso, do 170 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. porto aos destinos finais, está sujeito a restrições diversas, tais como congestionamentos, excesso de burocracia, atrasos nas chegadas e saídas de navios, greves frequentes, etc. O custo de transporte porta a porta, que é o que interessa ao usuário, não é completamente previsível na cabotagem, porque vários fatores dependem de condições fortuitas, que fogem ao controle e à previsão dos interessados em utilizá-lo. Por exemplo, se o embarque ou desembarque no porto se der em condições adversas de tempo (chuva), o valor cobrado pela estiva, conferentes, etc. será substancialmente maior, devido às paralisações das operações. Da mesma forma, se a carga é obrigada a esperar mais tempo no porto aguardando, por qualquer que seja o motivo. O custo de armazenagem pode atingir níveis inesperados. Ao fim, fazendo as contas dos custos realmente pagos, o usuário observará grandes oscilações nos valores totais porta a porta; situação que afasta muitos interessados potenciais. Outro aspecto que também foge ao controle e à previsão do usuário, ligado ao tempo total de viagem, desde a origem até o destino final da mercadoria. Atrasos nos portos ocorrem em função de muitos fatores, alguns de responsabilidade das diversas entidades que operam no porto, outros de responsabilidade dos armadores, além daqueles ocasionados pelos meios de transporte terrestres (falta de vagões, congestionamentos nas vias de aceso, etc.). As escalas que o navio faz ao longo da rota (portos visitados) nem sempre obedecem ao programado. Da mesma forma os tempos de permanência nos portos intermediários podem variar bastante. Assim, um embarque em Santos com destino Belém, com escalas em vários portos da rota, está sujeito a grandes variações no tempo total. Por essa razão, fica difícil programar as entregas dentro dos prazos, condição esta que tende a afastar os clientes com carga de maior valor unitário (manufaturados, produtos eletrônicos, etc.). Modo Aéreo – O frete para transporte de carga aérea é, significativamente, mais elevado que o correspondente rodoviário. Mas, em compensação, os tempos de deslocamento porta a porta podem ser bastante reduzidos, abrindo um mercado específico para essa modalidade. 171 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. De um lado, mercadorias de elevado valor unitário (artigos eletrônicos, relógios, alta moda, etc.) têm condições de pagar frete mais elevado, se forem levados em conta o custo do dinheiro (estoque, inclusive em trânsito); os riscos envolvidos no transporte terrestre (robôs, extravios, danos à carga) e os prazos de entrega exigidos pelo mercado. Outro tipo de mercadoria que busca muitas vezes o transporte aéreo é constituído pelas cargas perecíveis (flores, frutas nobres, medicamentos, etc.), que podem ser comercializadas em pontos distantes, em função da rapidez do avião. Cargas parceladas e encomendas, embaladas normalmente em pequenos volumes, usam também o transporte aéreo com frequência. Finalmente deve ser citado o transporte aéreo de correios e malotes. O maior apelo para esse tipo de carga reside na rapidez com que se consegue transferir, fisicamente, documentos de toda ordem a longas distâncias (cartas, contratos, cheques, conhecimentos, etc.). No processo clássico de transporte aéreo de mercadorias, são utilizados aviões cargueiros exclusivos. Há também versões combi, ou seja, aeronaves para transporte combinado de passageiros e de carga (parte da cabina utilizada normalmente para acomodar passageiros se transforma em compartimento de carga). Noutros casos, aviões de passageiros são convertidos à noite para o transporte de correio e malotes, voltando à configuração normal (passageiros) após o voo. No Brasil, o emprego de aviões wide body (fuselagem larga) nos voos domésticos, com maior volume útil nos porões e maior capacidade em peso, tem dado certo impulso ao desenvolvimento do transporte aéreo de carga. 172 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 22 Objetivo: Entender o serviço logístico e suas particularidades, bem como suas incompatibilidades com outros custos da empresa. Serviço ao cliente Embora um bom serviço ao cliente seja o resultado final dos esforços da empresa, a logística é uma parte muito importante desse esforço. Isso é especialmente verdadeiro no que se aplica aos tipos de serviço que são função direta do sistema logístico. Ao longo dos anos, pesquisadores e profissionais em Logística preocuparam-se muito com os tipos de serviços que podem ser prestados pelo sistema logístico. Foram feitas várias tentativas para definir e enumerar esses serviços e para medir o desempenho em termos do que os especialistas em logística chamam de padrões de serviço. Heskett, Galskowsy e Ivie10, por exemplo, destacam as nove categorias de padrões de serviço logístico, a seguir: Tempo desde o recebimento do pedido até o envio da mercadoria; Tamanho do pedido e restrições à variedade; Porcentagem dos itens em falta no estoque; Porcentagem de pedidos preenchidos corretamente; Porcentagem de pedidos preenchidos em até determinado número de dias após o recebimento do pedido; Porcentagem de pedidos preenchidos; 10 HESKETT, James L.; GALSKOLSKY, Nicholas A.; IVIE, Robert M. Business Logistics. 2. ed. New York: Ronald Press, 1973. p. 250-251. 173 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Porcentagem de pedidos de clientes que chegam em boas condições; Tempo de ciclo do pedido (tempo entre o momento em que o pedido é feito e o momento em que o produto é entregue); Facilidade e flexibilidade para fazer pedidos. Em geral, esses padrões de serviço logístico são quantificados segundoalgum critério, para, em seguida, serem usados na mensuração do desempenho concreto do fabricante. Por exemplo, se o primeiro padrão – tempo desde o recebimento do pedido até o envio da mercadoria – for definido como 24 horas, para 90% de todos os pedidos recebidos. Assim, a cada 100 pedidos recebidos, dentro de 24 horas o fabricante já deverá ter processado e enviado 90 deles para atender ao padrão. O segundo padrão de serviço da lista pode ser definido em termos de uma quantidade mínima de produtos: podem ser impostas algumas restrições às combinações dos vários produtos, enquanto não forem pedidas as quantidades mínimas especificadas para cada um. Um produtor de aço, por exemplo, poderia fixar em duas toneladas o pedido mínimo para chapas de metal de espessuras variadas; para encomendar várias espessuras diferentes em um único pedido, seria preciso atingir certa tonelagem mínima combinada. O terceiro padrão - porcentagem de itens em falta no estoque – é quase sempre definido em termos do percentual de itens pedidos durante dado período que não puderam ser fornecidos pelo estoque. Assim, se um fabricante quer fornecer 95% dos itens pedidos, sua porcentagem de itens em falta não pode ser superior a 5% para atender ao padrão. Os outros seis padrões de serviço da lista podem ser quantificados e usados de maneira similar. LaLonde11 descreve o serviço ao cliente em termos dos seis elementos-chaves mostrados na tabela 20.1, a seguir, enquanto Mentzer, Gomes e Krapfel12 listam 26 medidas diferentes de serviço ao cliente baseadas em uma extensa revisão da literatura, na tabela seguinte (20.2). 11 LaLONDE, Bernard. Customer Service. The Distribution Handbook. New York: Free Press, 1985, p. 244. Cap. 11. 174 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Elemento Breve Descrição Típicas Unidades de Medida Disponibilidade do produto É a medida mais comum de serviço ao cliente. Geralmente, definida como um percentual em estoque (nível de desempenho desejado) em alguma unidade básica (isto é, pedidos, produtos, dólares). Porcentagem de disponibilidade em unidades básicas. Tempo de ciclo do pedido Tempo decorrido entre o recebimento do pedido e o envio da mercadoria. Geralmente, medidoem unidades de tempo e em variação em relação ao padrão ou objetivo para o ciclo do pedido, Nota: freqüentemente, a disponibilidade do produto e o tempo de ciclo do pedidosão combinados em um só padrão. Por exemplo, 95% dos pedidos entregues em até 10 dias. Mensurações baseadas na velocidade e na consistência. Flexibilidade do sistema de distribuição Capacidade do sistema de responder a necessidades especiais e/ou inesperadas do cliente. Inclui capacidades de agilizar e de fazer substituições. Tempo de reposta a pedidos especiais. Informações no sistema de distribuição Capacidade do sistema de informações da empresa de responder com prontidão e precisão aos pedidos de informações dos clientes. Velocidade, precisão e detalhamento da resposta. Falhas no sistema de distribuição Eficiência dos procedimentos e tempo exigido para corrigir falhas no sistema de distribuição (isto é, erros nas notas, erros nos carregamentos, danos aos produtos, reclamações). Exigências de tempo de resposta e correção. Suporte pós- venda Eficiência em fornecer suporte ao produto após a entrega, incluindo informações técnicas, peças sobressalentes, modificações nos equipamentos etc. Tempo e qualidade da resposta. Tab. 20.1 1. Tempo de processamento de pedidos 14. Resposta a reclamações 2. Tempo de agrupamento de pedidos 15. Procedimentos de documentação 3. Tempo de entrega 16. Tempo médio de ciclo do pedido 4. Confiabilidade do estoque 17. Variabilidade do tempo de ciclo do pedido 12 MENTZER, John; GOMES, Roger; KRAPFEL, JR. Robert E. Physical distribution service: a fundamental marketing concept? Journal of the Academy of Marketing Science, p. 53-62, winter 1989. 175 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. 5. Restrições ao tamanho do pedido 18. Serviços de urgência 6. Consolidação permitida 19. Disponibilidade 7. Consistência 20. Representantes técnicos competentes 8. Frequência das visitas de vendas 21. Demonstrações de equipamentos 9. Conveniência da sequência de atendimento aos pedidos 22. Disponibilidade do material publicado 10. Informações sobre o progresso dos pedidos 23. Precisão no preenchimento dos pedidos 11. Estoque de segurança durante promoções 24. Termos da venda 12. Formato dos formulários 25. Embalagens de proteção 13. Condições físicas dos produtos 26. Cooperação Tab. 20.2 Existem muitas outras listagens de serviços ao cliente. Independentemente dos serviços específicos prestados pelo sistema logístico, a questão principal não é saber quantos ou quais serviços a empresa oferece, mas saber se eles visam às necessidades reais dos clientes. Se os resultados do sistema logístico da empresa são diversos serviços caros, nos quais os clientes não identificam um valor considerável, então o resultado real não é de forma alguma o serviço ao cliente; é somente um monte de esforço desperdiçado, que chama a atenção, mas não tem significado. Na distribuição física, o objetivo constante é o produto certo, no lugar certo, na hora certa e na condição certa. Nos últimos anos, observou-se que também é essencial alcançar os níveis certos de serviço, para os clientes certos, nos mercados certos. 176 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 23 Objetivo: Compreender as áreas chaves da Logística e as interfaces entre essas áreas e a gestão do canal. Áreas-chaves entre a Logística e a Gestão do Canal A Gestão Logística é uma subsidiária da área mais ampla da gestão de canal. Em outras palavras, a Gestão de Canal é um elemento mais abrangente da estratégia de distribuição do que a Gestão Logística. A Gestão do Canal está envolvida na administração de todos os grandes fluxos de canal (produto, negociação, propriedade, informação e promoção), enquanto a logística trata basicamente do fluxo de produto. No entanto, a Gestão Logística e a Gestão do Canal são intimamente ligadas e interdependentes; porque um canal de marketing bem desenhado e bem administrado não pode existir sem um fluxo eficiente de produtos para os membros do canal e os mercados alvo finais, nas quantidades certas, e nas horas e lugares certos. Em suma, a Gestão de Canal e a Gestão Logística andam juntas para proporcionar uma distribuição eficaz e eficiente. Entretanto, esse entrelaçamento requer uma boa coordenação. Isso se aplica especialmente a quatro grandes áreas da interface entre a Gestão de Canal e a Gestão Logística: Definir os tipos de padrões de serviço logístico que os membros do canal querem. Assegurar que a proposta de programa logístico desenhada pelo fabricante atenda aos padrões de serviço dos membros do canal. Vender o programa logístico aos membros do canal. Monitorar os resultados do programa logístico depois que ele for instituído. 177 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Definir os padrões de serviço logístico Em geral, quanto mais altos forem os padrões de serviço oferecidos pelo fabricante, maiores serão os custos. Mesmo que sistemas logísticos bem desenhados e uma moderna tecnologia possam manter esses custos sob controle, geralmente não é possível evitar completamente a decorrência de altos custos em função de altos padrões de serviço. Um fabricante precisa cobrir os custos tanto de forma indireta, por meio do preço que coloca nos produtos, quanto de forma direta,cobrando dos membros do canal por cada serviço prestado. Em ambos os casos, não faz muito sentido oferecer serviços logísticos que os membros do canal não querem, nem níveis de serviço mais altos do que eles desejam. Tipos ou níveis de serviço vão além das demandas reais dos membros do canal, simplesmente, elevam os custos para os membros sem acrescentar-lhes nenhum benefício desejado. Assim, a questão-chave que o gerente do canal enfrenta no que diz Interface 1 Definir quais tipos de padrões de serviços logísticos os membros do canal querem Interface 2 Assegurar que a proposta do programa logístico desenhada pelo fabricante atende aos padrões de serviço dos membros do canal Interface 3 Vender o programa logístico aos membros do canal Interface 4 Monitorar os resultados (em termos da obtenção da cooperação dos membros do canal) depois que o programa for instituído 178 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. respeito à definição de padrões de serviço logístico é determinar precisamente os tipos e níveis de serviço logístico desejados pelos membros do canal. Para lidar com essa questão, o gerente do canal precisa obter as visões dos membros do canal sobre os padrões de serviço que eles querem antes que o fabricante desenvolva um programa logístico. Avaliar o programa logístico Um programa logístico pode ser oferecido aos membros do canal como uma entidade separada ou pode ser incluído como componente principal da abordagem global do fabricante no apoio às necessidades dos membros do canal. No segundo caso, o programa logístico pode, por exemplo, ser a chave para uma parceria ou aliança estratégica de um canal, ou ele pode ter um papel importante num acordo de programação de distribuição abrangente. Vários trabalhos excelentes tratam do projeto de um programa como esse. Na prática, o projeto real seria feito por especialistas da área de logística sejam eles da folha de pagamento do fabricante ou consultores externos que têm o volume de experiência necessário para projetar complexos sistemas logísticos modernos. Todavia, o gerente do canal ainda deve participar e envolver-se até que consiga certificar-se de que o programa de fato atende às exigências de serviço dos membros do canal. Felizmente, isso não requer um alto nível de expertise nos aspectos técnicos de projetos logísticos. Requer, todavia, que o gerente do canal tenha um entendimento claro dos objetivos do programa logístico. Em suma, é trabalho do gerente de canal assegurar que o programa, que os especialistas estão preparando, seja realmente o que os membros do canal querem. É bem possível ter um programa logístico sofisticado incorporando os últimos avanços técnicos e, ainda assim, estar muito longe do alvo em termos de atender às necessidades dos membros do canal, uma situação que pouco promove apoio aos membros. 179 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Vender aos membros do canal o programa logístico Independente de quão bom um fabricante achar que seu programa logístico é, ele deve ainda convencer os membros do canal de seu valor. Alguns tipos de atrativos, se enfatizados pelo fabricante na tentativa de vender o programa logístico, podem ajudá-lo a ser mais convincente. Três deles são os seguintes: -Minimizando as ocorrências de produtos em falta – Minimizando ocorrências de produtos em falta por meio de um programa logístico melhorado, os membros do canal perderão menos vendas. Acordos de pedidos; via computador e EDI, são bons exemplos de sistemas que parecem atender às expectativas dos benefícios prometidos. Já amplamente usados, esses sistemas estão revolucionando as práticas de pedidos tradicionais e reduzindo drasticamente as ocorrências de produtos em falta. No lugar de fazer um pedido por escrito, ligar e esperar por uma confirmação; um membro do canal simplesmente faz a ordem de serviço em um terminal de computador e ela é eletronicamente transferida ao sistema de computadores do fabricante quase que instantaneamente. -Reduzindo as exigências de estoque dos membros do canal – Um programa logístico ágil e bem desenhado pode implicar a redução dos ciclos de pedidos para os membros do canal que, por sua vez, podem significar menores estoques mantidos pelos membros do canal. Se for mais fácil para um fabricante do que para seus concorrentes desenvolver um programa logístico como esse, haverá a possibilidade, para os membros do canal, de ganhar uma vantagem econômica, aproveitando mais de seus negócios com esse fabricante em particular. Talvez o kanban ou o sistema Just-in-Time de gestão de estoques seja o mais citado como exemplo de uma inovação logística, que pode ter efeitos espetaculares em termos de diminuição de exigências de estoque. -Fortalecendo o relacionamento fabricante-membro do canal – Um programa logístico cuidadosamente desenhado com o objetivo de melhorar o serviço para os membros do canal pode servir como um dos mais tangíveis sinais de preocupação e do compromisso do fabricante com o sucesso dos membros do canal. Ao apresentar uma proposta de 180 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. programa logístico aos membros do canal, o fabricante deve enfatizar que o programa foi concebido para ajudá-los a ter maior êxito. Quando apresentado sob esse foco, um programa logístico pode ser uma forte ferramenta de marketing para a obtenção do apoio dos membros do canal. Monitorar o sistema logístico Qualquer estratégia de distribuição física, mesmo que seja cuidadosamente pensada, aceita com comprometimento, honestamente implementada, completamente corrigida e escrupulosamente mantida, acabará inevitavelmente ficando inadequada cinco anos depois. Desta forma, fica claro que, uma vez estabelecidos, os sistemas logísticos não podem simplesmente ser deixados por conta própria na expectativa de que continuarão funcionando bem e atendendo às necessidades dos membros do canal indefinidamente. Em vez disso, os sistemas logísticos devem ser continuamente monitorados, tanto em termos do benefício que eles estão trazendo para o fabricante, quanto, na mesma importância, da qualidade do atendimento às necessidades do membro do canal. Portanto, como parte de uma tentativa global de aprender sobre as necessidades e os problemas de membros do canal, o gerente do canal deve monitorar continuamente as reações dos membros aos programas logísticos. Os principais objetivos desses monitoramentos são avaliar as respostas dos membros do canal ao programa e descobrir se são necessárias modificações. 181 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A sociedade atual está vivenciando um crescimento muito forte das empresas que trabalham como Operadoras de Transporte Multimodal. Essas operadoras consolidam as cargas, principalmente das pequenas empresas e unitizam-nas fazendo com que essas pequenas empresas reduzam seus custos, pois, junto às cargas das outras empresas, passam a ter um grande volume. Como essas empresas podem promover junto às pequenas empresas o trabalho que oferecem? Como estimular a exportação/importação por parte dessas pequenas empresas para que o volume transportado seja maior e os OTM’s não tenham dificuldade em completar os contêineres? Que outros nichos de mercado a multimodalidade de transporte pode alcançar? 182 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 24 Objetivo: Analisar a distribuição física do produto, dentro da Gestão Logística, calculando o número de zonas, periodicidade e frota necessária. Distribuição Física de Produtos Nos dias atuais, a distribuição física de produtos passou a ocupar um papel de destaque nos problemas logísticos das empresas. Isso se deve, de um lado, ao custo crescente do dinheiro (custo financeiro), queforça as empresas a reduzir os estoques e a agilizar o manuseio, transporte e distribuição de seus produtos. Mas há outros fatores importantes que não podem ser esquecidos. A concorrência entre as empresas tem exigido melhores níveis de serviço no atendimento aos clientes. Essa melhora na qualidade é traduzida na prática de formas diversas: entrega mais rápida, confiabilidade (pouco ou nenhum atraso em relação ao prazo estipulado), existência do tipo desejado de produto na hora da compra (tipo, cor, etc.), segurança (baixa ocorrência de extravios, produtos sem defeitos), etc. Por outro lado, o esquema produtivo no mundo moderno está tendendo cada vez mais para a diversificação da produção. No começo da indústria automobilística, no fim da década de 50, os automóveis de cada marca eram constituídos praticamente por um único tipo de produto. Os carros da Volkswagen, fabricados naquela época, vinham sem acessórios, às cores disponíveis eram poucas e o motor era de tipo único. Hoje, ao contrário, os veículos incorporam motores de potência diferente, transmissões diversas (4 ou 5 marchas, transmissão automática), acessórios variados de fábrica, etc., aumentando em muito o leque de componentes. Isso gera maiores custos de estoque, maior número de funcionários para controle e administração, etc. 183 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Nos EUA, esses problemas chegaram a tal ponto que muitas empresas passaram a adotar novas formas de comercialização e distribuição de um grande número de produtos, objetivando a redução dos custos logísticos. Uma forma de comercialização que se alastrou nos últimos anos, naquele país, foram as compras via telefone ou correio, e mais recentemente via Internet, sendo as entregas efetuadas por meio de empresas especializadas em carga parcelada (Federal Express, United Parcel Service, DHL, etc.). O comprador vê o anuncio do produto numa revista, num jornal ou na televisão. Disca um número de telefone de chamada gratuita e faz sua encomenda. O produto lhe é entregue dois ou três dias depois, em sua casa, por meio de uma das empresas transportadoras de cargas fracionadas. Com esse sistema, o fabricante ou comerciante, mantém um estoque centralizado bem menor; elimina os intermediários e outros problemas operacionais. É claro que um sistema desses pressupõe a existência de serviços de coleta/distribuição muito eficientes e cobrindo todo o território nacional. As maiores empresas de distribuição de carga fracionada nos Estados unidos possuem grandes frotas de caminhões, aeronaves próprias, centrais computadorizadas, etc. e faturam na faixa de bilhões de dólares anuais. Em 1988, foram registrados quase 300 milhões de despachos naquele país, ilustrando uma situação avançada e muito particular. As condições brasileiras, que ainda são relativamente modestas, tendem a evoluir rapidamente, o que obriga o país, a preparar o caminho para garantir futuramente o apoio logístico necessário. Problemas mais ou menos sérios de distribuição física de produtos são comuns no caso brasileiro, envolvendo desde o planejamento e projeto dos respectivos sistemas (frota, depósitos, coleta, transferência, distribuição, etc.), até sua operação e controle. São exemplos típicos de distribuição física: abastecimento de lojas com eletrodomésticos a partir da fábrica ou do depósito central; distribuição de produtos de consumo em pontos de varejo (cigarros, bebidas, massas e biscoitos, etc.); entrega domiciliar de gás engarrafado (GLP); entrega de jornais e revistas em bancas e residências; distribuição de remédios em farmácias e drogarias, etc. 184 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Número de zonas, periodicidade e frota necessária. Considerando o caso de uma empresa que distribui seus produtos a partir de um depósito, atendendo a uma determinada região. Normalmente, a região atendida é subdividida em zonas de entrega. Cada zona de entrega é atendida por um veículo, com uma periodicidade prefixada. Por exemplo, a zona 1 pode ser visitada toda segunda-feira, a zona 2, toda terça-feira, e assim por diante. A periodicidade da entrega pode ser: semanal, diária, quinzenal, mensal etc., dependendo das características específicas de cada caso. A escolha do período em que as visitas se repetem vai depender basicamente de dois fatores antagônicos: de um lado, o atendimento ao cliente, que se sente melhor atendido quando as entregas são mais frequentes; do outro, o custo do transporte para o distribuidor, que é levado a operar com carregamentos maiores para seus veículos, sendo obrigado a espaçar mais os intervalos entre visitas sucessivas. Há casos em que o veículo pode executar mais de um roteiro de entrega por dia. Nessa situação, ele volta ao depósito, é carregado novamente e vai atender outra zona. Nos problemas de distribuição física, é importante conceituar a relação existente entre o número necessário de veículos, a periodicidade das visitas, o número de zonas e o número de clientes atendidos por roteiro. Seja: m = número de zonas em que a região deve ser dividida; t = período de atendimento aos clientes, isto é, o intervalo de tempo entre visitas sucessivas. Por exemplo, para visitas diárias, t = 1; para visitas semanais, t = 7, etc. T = total de dias úteis na semana (usualmente, trabalha-se aos sábados, levando a T = 6 dias úteis/semana). 185 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Rn = número de roteiros que um veículo pode fazer por dia, visitando uma zona em cada viagem. vn = número de veículos em operação na frota de distribuição. q = número de paradas ou visitas por roteiro, podendo ser para coleta ou entrega de produtos. N = número total de pontos a serem visitados num período t. O número de zonas em que a região é dividida corresponde ao número de roteiros diversos executados no período t. Em cada roteiro, são atendidos q pontos de parada. m = N / q (1) Um veículo de distribuição trabalha T dias úteis por semana. Realizando Rn roteiros por dia, fará então Tnr roteiros por semana. Durante um período t, medido em semanas: 7 tTnr (2) Como cada zona está associada a um roteiro de entrega ou de coleta, o número de veículos necessários é dado então pela divisão de (1) por (2): 7 tTn mn r v Quando a frequência de atendimento aos clientes for diária, a expressão do número de veículos fica mais simples: r v n mn 186 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Por exemplo, se a região atendida possui um total de 3.600 pontos a serem visitados com frequência bissemanal (t = 14 dias). Cada roteiro compreende 20 pontos de parada, em média. O número de zonas é então: m = 3.600 / 20 = 180 zonas Supondo que cada veículo realize dois roteiros por dia, operando 6 dias por semana, tem- se: 5,7 7 1462 180 vn veículos O que obriga a arredondar para 8 veículos. Mas ao fazer isso, o número de zonas vai aumentar e o número de pontos de parada vai diminuir. 7 tTn mn r v ou 7 tTnnm rv Substituindo vn = 8 , Rn =2, T = 6 e t = 14, obtemos: 192 7 14628 m Tem-se então, 192 zonas em lugar de 180 anteriormente calculadas. Considerando-se agora a expressão (1), tiramos: m = N / q ou q = N / n = 3.600 / 192 = 18,7 Assim, em cada roteiro serão atendidos, em média, 18,7 clientes (número de paradas para entrega ou coleta). 187 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 25 Objetivo: Desenvolver os serviços de coleta e distribuição de mercadorias ou insumos bem como os prazos para que ocorram. Coleta e Distribuição O transportede carga parcelada nos moldes modernos exige atenção especial, no que diz respeito aos prazos de entrega. Nessas condições, as principais rotas atendidas devem operar com frequências diárias nas transferências entre depósitos. Esses depósitos funcionam como centralizadores da carga de diversos clientes, através da coleta ou da recepção das mercadorias. A consolidação da carga nesses armazéns permite que se formem carregamentos completos maiores, que são transferidos para outros centros de distribuição, para posterior entrega aos destinatários. Na figura abaixo, é mostrado, de forma esquemática, o processo de coleta, transferência e distribuição típico. Na cidade de origem (cidade A na figura), é realizada a apanha da carga, nos diversos clientes, por meio de roteiros diversos percorridos por veículos coletores. A mercadoria é recebida no depósito 1, sendo feita a triagem da mesma em função dos vários destinos (corredores) servidos pelo sistema. 188 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Da cidade A para a cidade B, a mercadoria é transferida, em veículos adequados para tráfego de longa distância (muitas vezes interestadual), sendo descarregada no depósito 2. Nova triagem é feita de acordo com os roteiros de entrega locais. Finalmente, a mercadoria é entregue aos seus destinatários finais na cidade B, por meio de um sistema de distribuição local. Nos processos de coleta e entrega, devem ser utilizados veículos adequados a esse tipo de operação, considerando aspectos tais como: capacidade física, potência, facilidades de manobra, acesso ao compartimento de carga, etc. Nas transferências, normalmente são utilizados veículos de maior capacidade. São usualmente empregados caminhões tipo Truck (com eixo traseiro adicional e 12.000 kg de capacidade) ou carretas, estas com capacidade na faixa de 18.000 a 25.000 kg. 189 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Prazos Pode ocorrer mais de uma transferência entre depósitos antes que a mercadoria seja efetivamente distribuída localmente. A carga é apanhada no cliente de origem pela filial mais próxima ao local em que esse está estabelecido. A mercadoria é então conduzida até o depósito da filial (processo de coleta). Desse depósito, ocorre uma transferência para outro depósito local. Nova triagem é realizada, sendo a mercadoria transferida para outro terminal, e assim por diante, até chegar à filial mais próxima à localidade de destino final. Nesse depósito, é feita a triagem segundo os roteiros de entrega, efetuando-se, então, a distribuição aos diversos pontos de destino (clientes). Dessa forma, o prazo total de entrega, porta a porta, é composto pela soma dos seguintes tempos: Tempo reservado para a coleta na localidade de origem. Tempo de transferência entre depósitos. Tempo reservado a descarga, triagem, espera e ao carregamento em cada depósito da rota. Tempo de distribuição local. A seguir, alguns exemplos típicos. Inicialmente será analisada uma rota bastante longa, ligando Porto Alegre a Manaus. Dois depósitos intermediários são utilizados: São Paulo e Belém. A coleta em Porto Alegre é normalmente executada pela manhã. Às 14 horas sai um caminhão carregado, transferindo a carga para o terminal de São Paulo. Essa transferência pode se realizar em aproximadamente 18 horas, com revezamento de motoristas e sem paradas intermediárias para pernoite ou descanso. No terminal de São Paulo, é gasto 1 dia para descarga, triagem e novo carregamento. De São Paulo à Belém são três dias de viagem, direta em outro veículo. No terminal de Belém, a carga permanece, em média, por três dias à espera de transferência, seguindo 190 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. o Rio Amazonas. Esse percurso consome 8 dias de viagem, Em Manaus, é gasto mais 1 dia para distribuição local. Temos então a seguinte composição de tempos: a) Coleta em Porto Alegre e transferência para São Paulo 1 dia b) Permanência no terminal de São Paulo 1 dia c) Transferência São Paulo – Belém 3 dias d) Permanência em Belém 3 dias e) Transferência Belém – Manaus 8 dias f) Distribuição em Manaus 1 dia Total: 17 dias Analisando o prazo de transferência e distribuição de mercadoria coletada em Curitiba e entregue em Fortaleza. A coleta e a transferência para o terminal de São Paulo consomem 1 dia. Em São Paulo, se gasta 1 dia para descarga, triagem, etc. De São Paulo a Fortaleza, a viagem consome 3 dias. Finalmente, é gasto 1 dia adicional para a distribuição local. Resumindo: a) Coleta em Curitiba e transferência para São Paulo 1 dia b) Permanência no terminal de São Paulo 1 dia c) Transferência São Paulo – Fortaleza 3 dias d) Distribuição local em Fortaleza 1 dia Total: 6 dias Se o destinatário estiver localizado no interior do Ceará, serão necessários mais três dias (num total de 9) para a entrega final ao destinatário. 191 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Outro caso típico é o de mercadorias originadas em Curitiba e destinadas a clientes localizados em Belo Horizonte: a) Coleta em Curitiba e transferência para São Paulo 1 dia b) Permanência no terminal de São Paulo e transferência (à noite) para Belo Horizonte 1 dia c) Distribuição local em Belo Horizonte 1 dia Total: 3 dias Caso o destinatário final não se localize em Belo Horizonte e sim numa cidade relativamente próxima atendida por aquela filial, deve-se acrescentar mais dois dias, elevando o prazo para 5 dias no total. Dos exemplos apresentados, pode-se notar a grande importância da conjugação operacional entre coleta, transferência, triagem e distribuição. Em geral, somente empresas grandes, com ampla estrutura de apoio e um bom esquema operacional, são as que conseguem atender a clientela dentro de níveis de serviço compatíveis com o padrão logístico moderno. Com os gargalos logísticos existentes no setor de transporte, é possível estabelecer prazos confiáveis para a entrega dos produtos nos pontos de destino? Qual o tipo de prejuízo, em termos de aumento no custo e de queda na qualidade do serviço, que esses gargalos podem acarretar? E o quanto isso abalaria a competitividade dos produtos brasileiros no exterior? 192 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 26 Objetivo: Estabelecer o melhor roteiro para a frota de coleta e distribuição de produtos, conforme modelos matemáticos. Roteirização de Veículos O processo de distribuição física de produtos incorpora, nas pontas, um roteiro de coleta ou entrega, onde o veículo visita certo número de clientes, localizadosnuma determinada zona. Alguns tipos de distribuição física apresentam pontos fixos a serem visitados. Por exemplo, a distribuição de cigarros, nos pontos de venda, segue roteiros fixos, em que os clientes (varejistas) já foram previamente cadastrados e são visitados periodicamente. No extremo oposto, estão às grandes lojas de departamento, em que os pontos de entrega (os domicílios dos clientes) variam diariamente. O processo tradicional de roteirização dos veículos de coleta e de entrega se baseia na experiência do encarregado do depósito. Com base na prática de muitos anos, e conhecendo as condições viárias e de tráfego da região atendida, o encarregado define os roteiros, indicado o número e a sequência de clientes a serem visitados em cada percurso. Ainda hoje, muitos depósitos e terminais de carga no Brasil se apóiam em funcionários com esse tipo de experiência para a elaboração dos roteiros de distribuição de produtos. O rápido desenvolvimento da informática, nos últimos anos, é responsável pelo surgimento de programas de computador voltados à solução desse tipo de problema. Pacotes específicos são comercializados, operando em micro ou minicomputadores. Os programas mais sofisticados levam em consideração as coletas e as entregas de cada rota, permitindo o uso de diferentes tipos de veículos, controlando o carregamento por peso, volume ou por número de paradas, e estabelecendo horários de partida e de chegada ao depósito. 193 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Como os problemas de roteirização são variados em sua natureza, com facetas diversas que afetam a forma de resolução do problema, nem sempre os pacotes disponíveis resolvem satisfatoriamente os problemas da empresa. Por exemplo, há casos em que os pontos de entrega estão muito concentrados, sendo atendidos muitos clientes por roteiro (a distribuição de jornais em domicílio é um exemplo). Muitos pacotes limitam o número de pontos por roteiro (cinquenta, por exemplo), obrigando o usuário a concentrar os pontos em pólos fictícios, prejudicando assim a precisão dos resultados. Outros casos, envolvendo restrições severas de horários para coleta ou entrega (janelas de tempo), dificuldade na identificação das coordenadas geográficas dos pontos (caso das grandes lojas, por exemplo, em que os clientes visitados variam diariamente), densidades elevadas de pontos por km², etc. podem dificultar a seleção de um pacote aplicativo adequado. A dificuldade básica dos problemas de roteirização é o aumento excessivo dos tempos de computação, quando o número de variáveis cresce além de certo limite. Assim, um problema de roteirização envolvendo 20, 30 e até, digamos, 50 ou 60 pontos, é resolvido com certa facilidade. Problemas de grande porte exigem que se faça ma redução prévia de suas dimensões, levando a resultados nem sempre mais adequados. Para resolver problemas de roteirização, os programas se apóiam em métodos heurísticos, que levam a soluções relativamente boas, mas sem a garantia de que tais resultados sejam realmente ótimos. São métodos engenhosos e muitas vezes eficientes, e que satisfazem, geralmente, as necessidades nas aplicações reais. Exemplo para esse tipo de problema: Imaginando uma zona de distribuição na qual estão localizados 18 pontos a serem visitados num roteiro de entrega. Na tabela abaixo são fornecidas as coordenadas x, y de cada ponto. A origem dos eixos x e y coincidem com a localização do depósito. Na tabela, também, são apresentadas às quantidades de mercadorias a serem entregues em cada cliente. 194 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. A zona apresenta área de 2,03 km² e dista 13,4 km do depósito. É necessário estimar a quilometragem percorrida pelo veículo e a sequência de clientes a ser seguida no roteiro. Para isso, é preciso utilizar um dos processos heurísticos mais conhecidos e empregados na solução desse tipo de problema; o método de Clarke e Wright. Esse método trabalha com os ganhos que podem ser obtidos ao se efetuar a agregação de um novo ponto a um roteiro parcialmente construído. 195 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Supondo que cada roteiro contenha apenas um cliente. O veículo sairia do depósito com a carga de um único cliente, faria a entrega e retornaria ao depósito para um novo carregamento e uma nova entrega e, assim, sucessivamente. Essa situação é, obviamente, a pior possível em termos de custos e quilometragem percorrida, pois não se tira vantagem do uso compartilhado do veículo para atender vários clientes em um único roteiro. Ligações alternativas entre depósito e dois pontos quaisquer. Sendo d(0, j) a distância desde o depósito até um ponto j qualquer, e d(0, k) a distância a outro ponto k, o veículo percorreria no primeiro roteiro (figura acima, letra a), uma distância dada por: Dj = 2 x d(0, j) e, na segunda visita: Dk = 2 x d(0, k) Somando as duas distâncias tem-se: D = Dj + Dk = 2 x D(0, j) + 2 x d(0, k) Admitindo que o veículo visite os dois pontos j e k, numa única viagem ou roteiro, fazendo um percurso triangular conforme a figura acima, letra b. A distância total percorrida é: D’ = d(0, j) + d(j, k) + d(o, k) 196 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Haverá então um ganho, representado pela redução da quilometragem percorrida, quando se passa, do caso a para o caso b. Esse ganho é dado pela diferença entre D e D’: g(j, k) = D – D’ = 2 x d(0, j) + 2 x d(0, k) – d(0, j) – d(j, k) O método de Clarke e Wright analisa inicialmente as combinações de pontos dois a dois, formando uma lista dos ganhos g(j, k) na ordem crescente de valores. A partir dessa lista hierarquizada, vão sendo agregados, passo a passo, os pontos, até se completar o roteiro. Aplicando-se o método de Clarke e Wright ao exemplo, chega-se ao seguinte roteiro (o depósito corresponde ao ponto 0): 0 – 2 – 13 – 14 – 5 – 9 – 10 – 6 – 4 – 3 – 11 – 12 – 8 – 18 – 7 – 16 – 15 – 1 – 17 – 0 A distância total percorrida pelo veículo nesse roteiro é 37,9 km. Analisando visualmente o roteiro gerado pelo método de Clarke e Wright, observa-se que o mesmo ainda pode ser melhorado. Utilizando um método heurístico denominado 3-opt, que combina três arcos quaisquer (arcos são as ligações entre dois pontos no roteiro), e alterando, de forma sistemática, a ordem dos pontos. Para usar esse processo parte-se da solução gerada pelo método de Clark e Wright. A aplicação do método 3-opt forneceu o seguinte roteiro final: 0 – 2 – 13 – 8 – 12 – 11 – 3 – 4 – 6 – 10 – 18 – 7 – 16 – 9 – 5 – 14 – 15 – 1 – 17 – 0 A distância total percorrida pelo veículo nesse roteiro é de 36,3 km, cerca de 4,3% mais curta que o resultado anteriormente obtido através do método de Clarke e Wright. O roteiro final é mostrado na figura a seguir. 197 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Existem métodos mais sofisticados para resolver problemas de roteirização com restrições diversas (de tempo, de capacidade, etc.). É um assunto bastante vasto, que exige conhecimentos matemáticos avançados. A utilização de softwares para o cálculo dos roteiros de distribuição é o método mais confiável, se o objetivo é minimizar o desperdício de tempo e de energia. Apenas se a empresa não tiver condições de arcar com um software de roteirização ou a distribuição não for um aspecto importante da empresa, ela deve confiar apenas na experiência e conhecimento de seus funcionários. 198 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 27 Objetivo: Tomar conhecimento dos canais de marketing eletrônicos, principalmente a Internet, e da grande revolução que provoca na maneira de consumir dos usuários. Canais de Marketing Eletrônicos Com frequência, quando uma novatecnologia está surgindo, muitos termos novos também aparecem e, de fato, uma gama completamente nova de jargões é geralmente desenvolvida. Além disso, os vários termos usados podem não ter significados muito precisos e, em qualquer caso, os significados são frequentemente interpretados de formas diferentes pelos vários grupos de consumidores. Isso também acontece em se tratando da expressão “canais de marketing eletrônicos”. Entre as expressões similares que aparecem na literatura de marketing, na grande imprensa de negócios e na prática da atividade podemos apontar: fazer negócios na World Wide Web, comércio eletrônico, comércio na internet ou compras na internet, compras on-line, compras no ciberespaço, compras na Web, compras virtuais em lojas e shopping Centers virtuais, varejo virtual, distribuição eletrônica, ou simplesmente as velhas compras interativas que, antes da popularização da Internet, referiam-se Às compras pela televisão. Essa lista, embora longa, não pode ser considerada exaustiva. Muitos termos adicionais, variações ou combinações dos termos acima, poderiam ser acrescentados. É desnecessário dizer que tantos termos e usos levam à confusão. Consequentemente aqui, os canais de marketing eletrônico, serão definidos de forma mais clara possível, embora, devido à natureza da “criatura”, não é pretensão utilizar uma definição extremamente precisa ou exata. A expressão “canais de marketing eletrônicos”, usada nesse estudo, pode ser definida como o uso da Internet para tornar produtos e serviços disponíveis de tal forma que, o mercado alvo com acesso a computadores 199 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. ou outras tecnologias capacitadoras possam comprar e completar a transação de compra por meios eletrônicos interativos. Muitos pontos precisam ser explicados para esclarecer essa definição: Primeiro, o termo disponíveis não implica disponibilidade física do produto pela Internet. Embora seja verdade que alguns produtos e serviços como materiais impressos e músicas possam ser digitalizados para “entrega” pela internet, a maioria dos produtos não pode ser transportada pela Internet. Esse fato óbvio, porém frequentemente esquecido sobre a Internet tem implicações muito importante sobre o papel da Internet como canal de marketing, portanto será abordado aqui. Segundo, a expressão outras tecnologias capacitadoras é usada para transmitir a ideia de “ultrapassar a linha” do uso da Internet apenas como um tipo de catálogo eletrônico de pedidos pelo correio. Assim, se os vendedores simplesmente listarem seus produtos na Internet e os clientes que localizarem esses produtos usarem o telefone para pedir, isso removerá apenas um passo do canal de marketing eletrônico. Se os vendedores não oferecerem capacidades de pedidos on-line para as mercadorias que eles oferecem e/ou os clientes não puderem ou não forem fazer uso desse tipo de pedido, poucas mudanças significativas terão ocorrido. Tudo o que realmente terá mudado dos canais tradicionais é que, o produto do vendedor aparecerá em uma tela de computador em vez de impresso. Os clientes irão rolar a tela pelo site do vendedor no lugar de virar as páginas do catálogo, revista ou jornal antes de usar o telefone para fazer o pedido. Estrutura dos Canais de Marketing Eletrônicos Os canais de marketing eletrônicos são retratados em numerosos artigos sobre o tema como: um paradigma inteiramente novo para os canais de distribuição, uma espécie de “animal” bem diferente que irá reformar profundamente a estrutura do canal de marketing. Alguns especialistas veem os canais de marketing eletrônicos como a sentença de morte para o “intermediário”. Afinal de contas quem precisará de todos esses varejistas, 200 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. atacadistas, corretores e por aí vai, quando os produtores e os consumidores do mundo inteiro poderão estar conectados diretamente uns aos outros via Internet? Qual parte dessa transformação radical prevista da estrutura do canal é fantasia e qual é baseada na realidade? Para entender melhor essa questão, é preciso olhar mais profundamente para a estrutura do canal, em termos de três fenômenos essenciais: Desintermediação versus reintermediação. Fluxo de Informação versus fluxo do produto. Estrutura virtual de canal versus estrutura física de canal. Desintermediação versus Reintermediação Nos capítulos anteriores, a estrutura do canal foi definida como “o grupo de membros do canal para qual foi alocado um conjunto de tarefas de distribuição”. Frequentemente, essa alocação das tarefas de distribuição inclui varejistas e/ou atacadistas, bem como outros intermediários no canal de marketing, os quais ajudam os produtores e clientes finais a executar todas as tarefas de distribuição necessárias para tornar os produtos e serviços convenientemente disponíveis. Como afirmado anteriormente, sobre a Internet e sua capacidade de conectar diretamente produtores e clientes finais uns aos outros eletronicamente, tem havido muita discussão sobre a extinção dos intermediários no canal. Na verdade, emergiu até uma peça de jargão fantasiosa para descrever esse processo – desintermediação. De acordo com o conceito de desintermediação, os intermediários tornam-se supérfluos, pois até o menor dos produtores consegue ganhar exposição em vastas quantidades de clientes no ciberespaço. Tudo que eles precisam é de uma web site que possa ser tão bem feita quanto o trabalho de uma gigantesca corporação multinacional. Em seguida, milhões de clientes com acesso à Internet poderão procurar e contatar qualquer desses produtores diretamente para comprar por meio eletrônico. Em um cenário como este quem precisa 201 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. de intermediários? Portanto, o processo inexorável de desintermediação está fadado a ocorrer. Todavia, a realidade não tem confirmado a teoria da desintermediação. Na verdade, alguns dos exemplos mais populares e mencionados de empresas da Internet que supostamente apresentam o processo de desintermediação em ação constituem de fato, exemplos de reintermediação – a inclusão de intermediários na estrutura do canal – exatamente o contrário da desintermediação. A seguir um exemplo em termos de como afetou a estrutura de canal. A Amazon.com e a estrutura do canal A Amazon.com é a maior e mais conhecida livraria on-line. Ela fala de si mesma como a “maior livraria da terra” por listar milhões de títulos diferentes. A companhia não tem uma loja de varejo sequer, mas apenas um pequeno armazém que estoca somente alguns milhares de livros (muito menos que o acervo médio da livraria “Barnes & Noble”, que é de mais de 400 mil). A Amazon conseguiu vender cerca de 44 milhões de dólares na primeira metade de 1997, mas teve um prejuízo de quase US$ 10 milhões com essas vendas. Amantes de livros por toda parte deliram com a maravilhosa conveniência de poder “comprar livros diretamente da Internet”, pela Amazon.com, sem ter que ir a uma loja. No entanto, do ponto de vista da estrutura do canal, quão direto e eficiente era o canal de marketing da Amazon.com? Na verdade, ele era um canal mais longo, mais indireto e muito menos eficiente que as grandes livrarias convencionais, porque comprava a maior parte de seus livros de atacadistas, o que acrescenta uma etapa adicional ao canal. Consequentemente, a Amazon.com, em vez de representar um exemplo de desintermediação na estrutura do canal, é um exemplo de reintermediação. 202 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Como pode ser visto na figura acima, a Amazon.com comprava seus livros de atacadistas em vez de fazê-los diretamente das editoras. Na verdade, a empresa usava mais de uma dúzia de atacadistas. Então, o que realmenteacontecia quando um consumidor comprava um livro pelo canal de marketing eletrônico representado pela Amazon.com era que: O consumidor visitava o site da Amazon e pedia o livro on-line pela Internet. A Amazon.com passava esse pedido e muitos outros para atacadistas. Os atacadistas processavam os pedidos e os enviavam ao armazém da Amazon.com. aí os pedidos vindos dos atacadistas eram desempacotados, depois reimpacotados e, finalmente, mandados individualmente aos consumidores pela UPS, ou alguma outra transportadora comum. Esse era um caminho longo e incômodo que contrastava profundamente com a imagem da Amazon.com de vendedores high-tech de livros pela Internet. Também era um jeito muito caro de vender livros, como é evidenciado pelos grandes prejuízos da empresa na época. Por trás da aparência eletrônica estava uma grande quantidade de métodos ultrapassados de processamento e manuseio de pedidos que deteriora quaisquer ganhos de eficiência por meio de pedidos on-line via Internet. Estrutura Tradicional de Canal da Barnes & Noble Editora Superloja de Varejo Bernes & Noble Consumidor Estrutura Eletrônica de Canal da Amazon.com Editora Distribuidor de Livros no Mercado Varejista Virtual Amazon.com Consumidor 203 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Embora o exemplo da Amazon.com tenha ilustrado reintermediação em vez de desintermediação isto não significa que a reintermediação tenha vencido ou que os canais de marketing eletrônicos irão promover predominantemente a reintermediação em vez da desintermediação. Afinal, exemplos críticos de desintermediação podem ser citados, como a Dell Computer Corp, que vende, por dia, mais de 2 milhões de dólares em equipamentos para computadores, diretamente pela Internet aos clientes, e ela mesma processa e transporta os pedidos. Pode-se, então, afirmar que, não importa o grau de sofisticação tecnológica que a sociedade possa atingir; a Internet não revoga as leis da economia no que se refere à estrutura do canal: a eficiência no desempenho das tarefas de distribuição é o que essencialmente determina qual a forma que a estrutura do canal irá tomar. Fluxo de informação versus Fluxo do produto De forma específica, a Internet pode ser incrivelmente eficiente ao lidar com os fluxos de informação, mas ela é totalmente incapaz de lidar com o fluxo de produto. Por quê? Porque a informação, nesse caso, consiste em elétrons que podem ser rapidamente digitalizados e então movidos pela Internet na velocidade da luz. Contudo, o fluxo do produto (o qual inclui também muitos serviços, como, por exemplo, o conserto de automóveis) não pode ser digitalizado e, portanto, é processado muito mais lentamente, em geral por humanos. E ainda, mesmo no melhor caso, move-se do vendedor para o comprador em uma velocidade não superior à de um avião a jato. Isto talvez seja uma das limitações da Internet mais comumente esquecidas, quando ela é usada como canal de marketing eletrônico: o fluxo de produto não pode ser feito, em sua maioria, pela Internet. Com bastante frequência esses meios incluem pessoas, armazéns, carrinhos de mão, pallets, trens ou aviões. Resumindo, não obstante a velocidade e o fluxo de informações impressionantes na Internet, a real concretização das transações entre compradores e vendedores ainda acontece, na maioria das vezes, da mesma forma que antigamente. Por exemplo, no caso da Amazon.com, a Internet transmite eficientemente 204 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. a informação e a promoção sobre os milhões de livros vendidos pela empresa. A negociação, pelo menos em seu sentido mais simples, que é o de consumidores que concordam com o preço listado, pode ser conduzida pela Internet, e a transferência de propriedade ocorre pela Internet quando os consumidores fazem seus pedidos, pois os direitos sobre os livros são transferidos eletronicamente. Entretanto, para fazer esses livros chegarem às mãos dos clientes, através do fluxo do produto, é muito importante haver: armazenamento, manuseio, carregamento e transporte, tarefas de distribuição que, na maior parte, a Amazon.com tem que delegar ao atacadista; o qual consegue melhor do que ela alcançar as economias de escala e escopo para fazer essas tarefas. A estrutura do canal resultante reflete essa alocação das tarefas de distribuição. O que pode ser concluído é que os canais de marketing eletrônicos, baseados na Internet, não são canais de marketing completos, pois não conseguem lidar com o crucial fluxo do produto. Além disso, é no fluxo do produto que todos os demais fluxos são baseados. É bastante claro que, na ausência do fluxo de produto, há pouca necessidade dos outros fluxos. Estrutura virtual de canal versus Estrutura convencional de canal Quais são os limites dos canais de marketing eletrônicos ao fornecer o tipo de estrutura do canal necessário para satisfazer às demandas do cliente? Especificamente, pode a estrutura do canal virtual criada na Internet fornecer algo para substituir a estrutura física, como lojas e shopping Centers, que são partes da estrutura do canal convencional? Ninguém sabe ao certo as respostas a essas questões. Talvez seja sim para certos segmentos de clientes e não para outros. Ou possa ser sim ou não, dentro dos mesmos segmentos, para diferentes produtos e serviços. Por exemplo, muitas revendas de automóveis que usam fornecedores virtuais acreditam que a maioria dos clientes ainda irá querer visitar as revendedoras de automóveis para fazer um test-drive com o carro e “sentir o cheiro do couro” do estofamento. Muitos consumidores, mesmo alguns daqueles 205 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. que compram os livros on-line da Amazon.com, ainda gostam de visitar grandes livrarias como a Barnes & Noble para procurar entre as prateleiras, entretendo-se com o ambiente e com um cappuccino. Então, é seguro dizer que, para o futuro previsível, as demandas dos clientes por lojas, galerias e estabelecimentos de serviços reais e não virtuais assegurarão que grande parte da estrutura do canal ainda será composta de tijolos e cimento em lugar de apenas web sites no ciberespaço. Como reduzir o poder de barganha dos varejistas? Como restringir as exigências sem perder espaço no ponto de venda, sendo um fabricante de pequeno porte? Quais são os canais de marketing, alternativos aos grandes varejistas? 206 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 28 Objetivo: Analisar e conhecer os dados referentes ao e-commerce no Brasil, interpretá-los e transformá-los em informações importantes no processo decisório do gerente de marketing. Fatos e Tendências nos Canais de Marketing Eletrônicos A estrutura dos canais de marketing eletrônicos e seu papel global na distribuição de bens e serviços irão mudar e desenvolver-se não apenas como resultado de novas tecnologias, mas, provavelmente, devido às ações dos participantes desses canais: clientes, intermediários e produtores. Alguns estudos realizados no Brasil e no exterior apontam características importantes relacionadas ao perfil dos compradores on-line e do comércio eletrônico. Países com maior número de internautas # Pais Usuários da Internet (milhões) População ( milhões) Adoção da Internet Fonte 1 Estados Unidos 209 299 70 % Nielsen//NR 2 China 123 1.306 9 % CNNIC 3 Japão 86 128 67 % eTForecasts 4 Alemanha 51 83 61 % C.I.Almanac 5 Índia 40 1.112 4 % C.I.Almanac 207 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. 6 Reino Unido 38 60 63 % ITU 7 Coreia do Sul 34 51 67 % eTForecast 8 Itália 31 59 52 % ITU 9 França 30 61 48 % Nielsen//NR 10 Brasil 30 188 16 % eTForecasts TOP 20 Países 836 4.064 19.9 % IWS Total Mundo- Usuários 1,076 6,499 15.7 % IWS http://www.e-commerce.org.br/ Fonte: http://www.internetworldstats.com/stats.htm e institutos diversos Quantidade de pessoas conectadas a web no Brasil Série Histórica 1997 -2007 Data da Pesquisa População total IBGE Internautas (milhões) % da População Brasileira Nº. de Meses (base=jan./96) Crescimento Acumulado (base=jul./97) Fontes de pesquisa Internautas 2006 /dez 188,6 30,01 16% 106 2.508% InternetWorldStats 2005 /jan. 185,6 25,90 13,9% 106 2.152% InternetWorldStats 2004 /jan. 178,4 20,05 11,5% 95 1.686% Nielsen NetRatings 2003 /jan. 176,0 14,32 8,1% 83 1.143% Nielsen NetRatings 208 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. 2002/ago. 175,0 13,98 7.9% 78 1.115% Nielsen NetRatings 2001/set 172,3 12,04 7.0% 67 947% Nielsen NetRatings 2000/nov. 169,7 9,84 5.8% 59 756% Nielsen NetRatings 1999/dez 166,4 6,79 7.1% 48 490% Computer Ind. Almanac 1998/dez 163,2 2,35 1.4% 36 104% IDC 1997/dez 160,1 1,30 0.8% 24 13% Brazilian ISC 1997/jul 160,1 1,15 0.7% 18 - Brazilian ISC Compilado por www.e-commerce.org.br / fonte: pesquisas diversas / população: variações anuais estimadas. / Internautas refere-se a quantidade de pessoas que tem acesso à Internet nas residências, no trabalho ou locais públicos. Conforme se pode perceber, através das pesquisas que datam do início de 2007, o Brasil encontra-se na 10ª posição entre os países que mais acessam a Internet. Porém ao analisar a evolução da participação dos brasileiros no ciberespaço, constata-se um aumento de 2.508% em 10 anos, o que demonstra uma inclusão digital crescente. Abaixo, algumas características do internauta brasileiro. Dezembro - 2006 Brasil Internautas c/ acesso doméstico - (milhões) 22,1 209 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Usuários Ativos (milhões) 14,4 Número médio de sessões na Internet por mês 32 Número de sites visitados por mês 57 Tempo de navegação no mês (hs) 21:38 Tempo médio gasto em cada página visualizada (seg) 00:47 Fonte NielsenNetratings / Compilação http://www.e-commerce.org.br/ Internautas refere-se a quantidade de pessoas que tem acesso à Internet nas residências. Usuários ativos: que tiveram pelo menos um acesso à Internet no mês anterior O comércio eletrônico no Brasil segue a mesma trajetória dos usuários de Internet. O varejo eletrônico no Brasil vem evoluindo a passos largos e cifras gigantescas. Evolução varejo on-line Pesquisa e-Bit Fonte eBit Compilação http://www.e-commerce.org.br/ I Não considera as vendas de automóveis, passagens aéreas e leilões on-line. 210 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. ANO FATURAMENTO Variação previsto 2007 R$ 6.40 bilhões 45% 2006 R$ 4,40 bilhões 76% 2005 R$ 2.50 bilhões 43% 2004 R$ 1.75 bilhão 48% 2003 R$ 1.18 bilhão 39% 2002 R$ 0,85 bilhão 55% 2001 R$ 0,54 bilhão - Os produtos mais vendidos no Brasil; via Internet, continuam sendo os Cd’s, DVDs, livros e revistas. Porém outros segmentos avançam; tais como o setor de passagens aéreas. Produtos mais vendidos no varejo on-line no Brasil Pesquisa e Bit Participação da venda por Produtos no comércio eletrônico Produto 2003 2004 2005 CD´s e DVD´s 32% 26% 21% Livros e Revistas 26% 24% 18% 211 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Eletrônicos 9% Saúde e Beleza 3,3% 7,2% 8% Informática 4,7% 6,0% 7% Outros 37% Fonte: Levantamento mensal realizado pela empresa e-Bit http://www.ebitempresa.com.br/ / Compilação: http://www.e-commerce.org.br/ As tabelas que seguem demonstram um pouco do perfil do consumidor eletrônico no país e confirmam a evolução do e-commerce no Brasil. Quantidade de e-consumidores no Brasil – e-Bit (em milhões) 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 consumidores na Internet 1.1 2.0 2.6 3.4 4.8 7.0 9.5 cresc. % - 81% 30% 31% 41% 46% 36% Perfil do consumidor - pesquisa e-Bit 212 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Renda Familiar – Quantidade de Transações: Idade - Quantidade de Transações: 213 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Escolaridade – Quantidade de Transações: Fonte: Grupo de pesquisas e-bit (www.ebit.com.br/empresa) Tendências no consumo on-line - Ernst Young ( 12 países - 7200 pessoas - pub. Janeiro de 2001- dados consolidados) 1. DADOS DEMOGRÁFICOS DOS COMPRADORES BRASIL USA MUNDO Média de idade 34 42 37 Renda Anual Média (US$) 40.000 52.300 45.000 Sexo - % Masculino 75% 40% 67% 214 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. % Feminino 25% 60% 33% Estado Civil: Casados 40% 59% 46% Curso Superior Completo 67% 35% 47% 1. NÚMERO DE COMPRAS ON-LINE - TENDÊNCIAS BRASIL USA MUNDO # de compras últ.12 meses 1-2 17% 13% 18% 3-4 29% 21% 26% 5-9 27% 23% 26% +10 22% 38% 26% Número médio de compras 9 13 10 aumentou a frequência de compras 79% 77% 79% manteve a frequência de compras 14% 19% 18% diminuiu a frequência de compras 7% 4% 14% * exclui serviços financeiros, reservas de passagem, assinatura de revistas 3. GASTOS - TENDÊNCIAS BRASIL USA MUNDO 215 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Gasto médio últimos12 meses $ 493 $ 896 $ 653 aumentou os gastos 80% 74% 78% manteve os gastos 13% 21% 18% diminuiu os gastos 7% 5% 4% 4. CATEGORIAS DE PRODUTOS MAIS COMPRADOS BRASIL USA MUNDO 1 CDs Livros Livros 2 Livros Comput. CDs 3 Comput. CD s Comput. 4 Eletrônicos Vestuário Passagens 5 Vídeos Passagens Vídeos 5. EFEITO DAS COMPRAS ON-LINE SOBRE AS COMPRAS BRASIL USA MUNDO Compra + nas lojas 65% 57% 54% Compra - nas lojas 7% 4% 7% Fez compras on-line que teriam sido feitas em lojas tradicionais 50% 59% 56% 216 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. 6. PREVISÃO DE COMPRAS ON-LINE Para os próximos 12 meses BRASIL USA MUNDO % de compradores que pretendem comprar 98% 98% 97% % de NÃO compradores que pretendem comprar 80% 57% 64% Perfil do internauta - Brasil Idade 217 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Escolaridade Homens x Mulheres por país em % 218 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Com a melhora da segurança dos sites; certificações digitais e a evolução tecnológica das compras; via Internet, muito mais pessoas e cada vez mais cedo, realizam transações comerciais através da Internet. O profissional de Logística deve ficar muito atento a essa migração de consumidores e se preparar para ciclos de pedidos bem mais curtos e exigências de prazos bem menores. 219 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 29 Objetivo: Entender as vantagens e desvantagens dos canais de marketing eletrônico. Exaltando as vantagens, mas sem esquecer que as desvantagens podem significar uma decisão mal tomada. Vantagens e Desvantagens dos Canais de Marketing Eletrônicos Vantagens dos Canais de Marketing Eletrônicos: Cinco vantagens são frequentemente mencionadas sobre os canais de marketing, baseados na Internet: Escopo e alcance global. Conveniência / processamento rápido das transações Eficiência e flexibilidade no processamento de informações Gestão baseada em dados (data-based management) e capacidade de relacionamento. Menores custos com vendas e distribuição. Escopo e alcance global – É bastante conveniente referir-se aos canais de marketing eletrônicos, baseados na internet; como compras na Web, pois, de fato, essa estrutura de canal de alta tecnologia oferece aos consumidores,em muitos países do mundo, a capacidade de visitar o site de qualquer vendedor e pedir as mercadorias ou serviços oferecidos. Do ponto de vista do vendedor, também é fornecido o mesmo escopo e alcance geográfico. Na verdade, até a menor das empresas pode criar um site e buscar clientes por todo o globo. 220 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Então, nos dois lados do mercado, tanto para a demanda quanto para a oferta, os canais de marketing eletrônicos proporcionam o potencial para o comércio global com um nível de conveniência e oportunidade que não existe em canais alternativos. Pelo menos quanto ao fluxo de informações entre compradores e vendedores. Conveniência / Processamento rápido das transações – Quando as compras eletrônicas são comparadas com o fato de ter que ir a lojas de varejo. O que normalmente requer dirigir-se até uma loja ou Shopping Center, estacionar, andar, procurar ajuda de vendedores e esperar em filas de caixa para completar a transação, provavelmente é razoável presumir que os canais de marketing eletrônicos oferecem maior conveniência que as compras pelos canais convencionais. Saber se essa vantagem continua valendo ou não em relação a um pedido pelo correio, uma compra por catálogo, ou uma venda direta na casa do consumidor ainda é uma questão aberta. É mais fácil encomendar um produto navegando pela tela do computador com o mouse e pressionando um botão para comprá-lo, ou ter que folhear um catálogo e ligar para um número 0800? As preferências do consumidor, expressas em sua escolha entre os canais, irão, com o tempo, fornecer a resposta definitiva para essa questão. Eficiência e flexibilidade no processamento de informações – Tanto da perspectiva do cliente quanto do vendedor, os canais de marketing eletrônicos possuem potencial para grande eficiência e flexibilidade. Entre as vantagens da informação que os vendedores proporcionam aos clientes, a mais óbvia é a grande quantidade de conteúdo na Internet. Centenas de milhares de sites podem ser visitados; o que frequentemente fornece quantidades substanciais de informação em um formato atraente e útil. O potencial que os vendedores têm para criar, e que os clientes têm para usar, um conteúdo sofisticado de classificação e seleção gera uma grande flexibilidade no uso da informação do produto. Por exemplo, os clientes interessados em comprar sopas dietéticas ou pneus com determinadas características de desempenho, ou passagens aéreas para Paris por menos de 500 dólares, podem conseguir tais informações 221 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. imediatamente, desde que os vendedores ou prestadores de serviço on-line tenham preparado essas informações. Em um nível mais avançado, torna-se possível um alto grau de classificação e seleção, bem como um alto grau de interatividade, pelos canais de marketing eletrônicos. Mais uma vez é preciso enfatizar que esse tipo de conteúdo sofisticado de classificação e seleção para o processamento de informações está distante de ser amplamente oferecido pela web site. A maioria das informações reais fornecidas pelos vendedores e disponibilizadas aos compradores pela Internet ainda é relativamente crua e difícil de ser manipulada. Gestão baseada em dados (data-based management) e a intensificação dos relacionamentos – A tecnologia que sustenta os canais de marketing eletrônicos torna as empresas capazes de buscar clientes em larga escala de forma eficiente, assim como pequenos nichos ou até microssegmentos de um grupo muito pequeno de clientes com preferências similares. Além disso, a Internet permite às empresas interagir com os clientes e desenvolver ofertas personalizadas que focalizem predominantemente as necessidades específicas do cliente. Ainda, outra vantagem potencial da Internet é a habilidade de rastrear as visitas do cliente ao site da empresa e desenvolver um diálogo e relacionamento contínuo ao longo do tempo. É claro que as tarefas de escolher clientes e construir relacionamentos precisam ser feitas de forma bastante seletiva para evitar o equivalente ao junk mail ou spam (mala direta em grande volume e de baixa qualidade de pertinência, conteúdo e estética) na Internet, bombardeando os consumidores com e- mails não solicitados. Menores custos com vendas e distribuição - Em tese, o uso de canais de marketing eletrônicos pode reduzir os custos de venda e distribuição, tornando possível executar as tarefas de distribuição de forma mais eficiente do que por meio dos canais convencionais. Então, por exemplo, se a Internet puder fornecer a informação necessária aos clientes com maior eficiência de custo do que a televisão, ou as propagandas de revistas, ou a comunicação direta e pessoal com os vendedores; os custos de vendas poderão ser 222 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. reduzidos. Se o uso da Internet, como canal de marketing, capacitar uma empresa a centralizar seu estoque em uma só localização. De onde ela possa processar e enviar pedidos a custos menores do que espalhando seu estoque em várias lojas de varejo, então de fato os canais de marketing eletrônicos poderão reduzir os custos de distribuição. Desvantagens dos canais de marketing eletrônicos Seguem cinco desvantagens dos canais de marketing eletrônicos: Falta de contato com o produto real e a posse não é imediata. O atendimento dos pedidos e a logística não acontecem na velocidade nem na eficiência da Internet. Há desordem, confusão e incômodo na Internet. Não são abordados os motivos para fazer compras que vão além da aquisição de produtos. Os clientes têm preocupações com a segurança. Falta de contato com o produto e demora na posse – Em teoria, quase todos os produtos, e também muitos serviços, podem ser vendidos pela Internet. No entanto, na realidade, essa ainda é uma questão aberta. Apesar da natureza da alta tecnologia dos canais de marketing eletrônicos, eles sofrem as mesmas limitações experimentadas pelos canais de pedidos pelo correio, de baixa tecnologia. Isto é, os consumidores não têm contato direto com os produtos – eles não podem ver; tocar, sentir, cheirar ou experimentar os produtos vendidos na Internet. Além disso, os produtos não podem ser testados ou demonstrados, o que é muito importante no caso de: automóveis, equipamentos de áudio, material esportivo e muitas outras categorias de produtos que exigem nível relativamente alto de contato do consumidor. 223 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Demora no atendimento dos pedidos e na logística – A Internet processa e transporta elétrons, não produtos físicos. Assim, ainda resta executar o preenchimento dos pedidos e a logística. Armazéns, estoques, seleções no estoque, processamentos de pedidos, embalagens e transportes não desaparecem simplesmente porque os consumidores usam a Internet para comprar um produto, no lugar de um telefone ou de uma carta- resposta. Além disso, o processamento e o transporte de muitos pedidos pequenos, muitas vezes unitários são dispendiosos, tanto do ponto de vista do processamento de pedidos quanto do transporte. No caso de produtos de baixo valor unitário, tais custos podem representar uma porção elevada do preço de varejo do produto. Portanto, com exceção dos produtos que podem ser “entregues” eletronicamente – principalmente música, material escrito, passagens e reservas aéreas, e investimentos financeiros -, a maioria dos produtos e serviços requer capacidade logística de execução de pedidos que a Internet não pode fornecer. Desordem, confusão e incômodo na rede – Com literalmente centenas de milhares de vendedores em todos os níveis do canal, de fabricantes a varejistas, que já estabeleceram web sites na Internet, e com mais de centenas, a cada dia, fazendo issona Internet, a desordem tornou-se um problema real no ciberespaço. Os consumidores deparam-se com uma desconcertante variedade de escolhas, enquanto os vendedores da Internet enfrentam a difícil tarefa de não ficarem perdidos nesse caos. De fato, o problema tornou-se tão difícil que até algumas das mais bem conhecidas empresas da Internet estão pagando enormes comissões de vendas e taxas de propaganda para conseguir espaço em sites de alto tráfego ou mecanismos de busca e portais. Em adição à desordem na Internet, a busca ou “navegação na rede” nem sempre é um processo tranquilo, como se diz ser. Os consumidores frequentemente se perdem, ficam confusos e frustrados, mesmo após terem encontrado o site que estavam procurando. Muitos desses sites fornecem informações limitadas, escolhas complexas ou confusas e material obsoleto. Motivos pessoais e sociais para ir às compras – Em um artigo clássico que foi publicado três décadas atrás com o título “Por que as pessoas fazem compras?”, Edward 224 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. M. Tauber13 forneceu algumas observações bastante esclarecedoras. Ele descobriu que as pessoas não fazem compras simplesmente para adquirir produtos. Em vez disso, o desejo de adquirir produtos é apenas uma parte de um conjunto complexo de motivos pessoais e sociais para ir às compras. Motivos pessoais para fazer compras incluem a necessidade de representar o papel de comprador, a fuga da rotina da vida cotidiana, autogratificação, aprendizagem sobre novas tendências, atividade física e estímulo sensorial. Motivos sociais incluem: ganho de experiência social fora de casa, comunicação com outras pessoas que tenham interesses similares, atração por um grupo de semelhantes, status e autoridade, e, para alguns compradores, o puro prazer de barganhar. Preocupação com a segurança – As preocupações com a segurança das compras na Internet assumem duas formas básicas. A primeira envolve comprar produtos de empresas desconhecidas que só existem no ciberespaço, Essa preocupação pode ser largamente remediada à medida que os consumidores familiarizam-se com mais empresas on-line e sentem-se mais capazes de identificar aquelas com as quais eles ficam à vontade. Outros consumidores podem superar essa preocupação, lidando somente com empresas de renome, “de marca”, na Internet. A segunda é mais séria preocupação com a segurança é o desconforto do consumidor em mandar o número do cartão de crédito pela Internet. Estudos têm mostrado que quase 70% das pessoas que ainda não fizeram uma aquisição on-line expressam essa preocupação. 13 TAUBER, Edward M. Why do people shop? Journal of Marketing, p.46-49, Oct. 1972. 225 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. UNIDADE 30 Objetivo: Como adequar às estratégias de logística da empresa ao canal de marketing eletrônico, compreendendo uma ferramenta fortíssima na busca por um diferencial competitivo sustentável. Implicações para a Estratégia e a Gestão de Canais de Marketing Eletrônicos. No que concerne à decisão sobre qual será o papel da distribuição nos objetivos e estratégias globais da empresa, os canais de marketing eletrônicos, sem dúvida, aumentaram a faixa de opções de canais disponíveis à empresa. Contudo, essa nova opção de canal também tornou o processo de planejamento e tomada de decisões mais complexas, pois agora se tornou disponível uma “caixa de truques” completamente nova. Provavelmente, a questão mais básica, que o gerente de canal precisará considerar, é saber se os canais baseados na Internet afetam de maneira fundamental as decisões da empresa quanto à prioridade que ela dará à estratégia de distribuição. Por exemplo, se uma empresa acredita que pode ter sucesso tornando-se um vendedor puramente virtual ao usar a Internet como seu único canal para alcançar os clientes, ela obviamente vai precisar dar prioridade extremamente alta à estratégia de distribuição. A Amazon.com, já mencionada, é um exemplo claro disso, porque a base primária de sua missão de ganhar uma vantagem competitiva sustentável é pelo uso exclusivo da Internet como um canal para alcançar os clientes. A Dell Computer construiu sua vantagem diferencial baseada na estratégia de distribuição, vendendo direto aos clientes e, quando a Internet tornou-se disponível, aproveitou a oportunidade que essa nova tecnologia proporcionava. Se a estratégia de distribuição em geral, e os canais de marketing eletrônicos em particular, devem ter papel central na estratégia e nos objetivos globais, essa é, sem dúvida, uma questão que só pode ser respondida pela administração da empresa. Em muitas empresas, o papel da estratégia de distribuição e dos canais de marketing 226 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. eletrônico pode ser vistos como não muito importante. Entretanto, é virtualmente certo que poucas empresas serão capazes de ignorar essa questão, à medida que os anos passam e que o comércio eletrônico evolui. Papel dos canais de marketing eletrônicos no marketing mix A necessidade de combinar os quatro compostos do marketing mix – produto, preço, comunicação e distribuição. Satisfazer às demandas do mercado alvo, ainda é o paradigma fundamental do gerenciamento de marketing moderno, com ou sem a Internet. Os canais de marketing eletrônicos que a Internet tornou possíveis, entretanto, podem mudar a combinação do marketing mix. Especificamente, o quarto composto; distribuição pode assumir papel maior em relação às outras três variáveis, para um número cada vez maior de empresas. Por quê? Porque a Internet, com sua vasta capacidade de transmitir informações, pode reduzir o peso dos três primeiros compostos como base para ganhar uma vantagem competitiva sustentável. Se a Internet pode fornecer o nível de fluxo de informações que se aproxime do ideal teórico, que os economistas chamam de “informação perfeita” será mais difícil para as empresas diferenciarem produtos, baseadas na ignorância dos clientes sobre os atributos dos produtos. Se a informação quanto ao preço ficar amplamente disponível na Internet, nenhuma empresa vai ter vantagem de preço, pois os clientes vão conhecer todos os preços em vigor. E se um grande número de consumidores usarem a Internet para aprender sobre os produtos e serviços, as semelhanças dos sites vão nivelar o ambiente da competição, e as grandes empresas não vão ter a significativa vantagem promocional, da qual elas gozam, em outros meios de comunicação. Portanto, as empresas que forem habilidosas, em usar o quarto composto mercadológico (distribuição), para: cuidadosamente buscar, analisar e construir relacionamentos com os clientes por meio de canais de marketing superiores; podem ganhar, com isso, uma vantagem competitiva substancial e sustentável. 227 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Desenho do canal e canais de marketing eletrônicos. O paradigma de sete fases do desenho do canal, que foi apresentado como uma estrutura para configurar novos canais ou modificar canais existentes não muda em nenhum sentido fundamental com a emergência dos canais de marketing eletrônicos. Essa nova tecnologia deve, entretanto, alertar o gerente de canal para as opções de estrutura do canal adicionais disponíveis baseadas na Internet. Isto é especialmente relevante nas fases de “reconhecer a necessidade de tomar decisões de desenho do canal”; “desenvolver possíveis alternativas de canal” e “escolher a melhor estrutura de canal”. Seja uma corporação gigante como a IBM, que decidiu rivalizar o sucesso estratégico da Dell Computer’s no uso da Internet para vender equipamentos de computador, ou uma nova empresa como a Sonora, do portal Terra, que começou a vender faixas de músicacom qualidade de CD pela Internet. As decisões de desenho do canal agora devem levar em conta a Internet como um canal de marketing. Seleção de membros do canal e canais de marketing eletrônicos A principal implicação para a decisão de seleção de membros do canal é reconhecer que, mesmo com a Internet, a seleção continuará como uma área de decisão importante para a maioria dos produtores e fabricantes. Primeiro, porque, ainda, poucos fabricantes usam, atualmente, a Internet como um canal de marketing eletrônico. Então, pelo menos em um futuro previsível, a maioria dos fabricantes continuará a utilizar estruturas de canal existentes que se apóiam intensamente em intermediários. Mesmo para aqueles produtores e fabricantes que fazem uso de canais de marketing eletrônicos. A discussão já realizada sobre desintermediação e reintermediação mostra que os canais de marketing eletrônicos não provocam necessariamente redução no número de intermediários no canal e, na verdade, o oposto frequentemente é verdadeiro – aparecem mais intermediários nos canais de marketing eletrônicos. Consequentemente, a 228 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. necessidade de selecionar cuidadosamente possíveis membros do canal continuará sendo uma parte importante da escolha de decisões do canal. Gestão do canal e canais de marketing eletrônicos. O que é importante manter em mente, sobre as implicações dos canais de marketing eletrônicos para as decisões de gerenciamento do canal é que, como resultado dessa tecnologia, a gestão do canal tende a ser mais desafiadora e complexa e não menos desafiadora. O fato de que a tecnologia da Internet sustenta os canais de marketing eletrônicos não significa que a gestão do canal pode ligar o “piloto automático”. As questões fundamentais de motivar os membros do canal, construir uma cooperação, administrar conflitos e coordenar elementos do marketing mix para atender aos objetivos de distribuição da empresa ainda requerem atenção integral do gerente do canal. Na verdade, será necessária atenção ainda maior porque, na maioria dos casos, o canal de marketing eletrônico será apenas uma entre várias estruturas do canal de marketing, e não a única. Consequentemente, o gerente de canal terá que lidar não apenas com os canais de marketing convencionais, nos quais o território familiar pode criar um nível de conforto relativamente alto, mas também com os novos e menos familiares canais de marketing eletrônicos. Onde é provável que o nível de conforto seja muito menor. Avaliação e canais de marketing eletrônicos Nada da “substância” da avaliação do desempenho do membro do canal tende a mudar como resultado dos canais de marketing eletrônicos. As expectativas de desempenho, os critérios e as mensurações de quão bem os objetivos estão sendo alcançados pelos membros do canal continuarão praticamente os mesmos de antes do advento dos canais baseados em Internet. 229 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. Entretanto, alguns dos critérios específicos, usados nas avaliações de desempenho e alguns dos meios tecnológicos para executá-las, poderiam mudar. Por exemplo, o critério de tráfego em loja, que pode ser usado por um fabricante para avaliar o fluxo de clientes em lojas de varejo convencionais pelas quais seus produtos estão sendo vendidos, pode ser substituído pelo número de entradas (page viewers) nos sites dos varejistas do ciberespaço que estejam vendendo seus produtos. Além disso, a Internet pode permitir ao fabricante coletar grande parte ou toda a informação sobre medidas de desempenho de que ele precisar, em vez dos esforços de coleta de dados baseados em pessoas e em documentos de papel. Sucesso nos estudos! Para finalizar seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula, no site da ESAB, faça a Atividade 3, no link “Atividades”. 230 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. GLOSSÁRIO Caso haja dúvida sobre alguma sigla ou termo utilizado consulte o a biblioteca virtual Wikipédia (www.wikipedia.org). 231 Copyright © 2007, ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil. BIBLIOGRAFIA Principais: ALVARENGA, Carlos Antonio, NOVAES, Antonio Galvão N. Logística Aplicada: Suprimento e Distribuição Física. 3. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2000. ROSENBLOOM, Bert. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo: Atlas, 2002. Secundária: BRENDEL, Louis H. Where to find and how to choose your industrial distributors. Sales Management, 15 Sept. 1951. DRUCKER, Peter. Manage by walking around outside. Wall Street Journal, 11 May 1990. HESKETT, James L.; GALSKOLSKY, Nicholas A.; IVIE, Robert M. Business Logistics. 2. ed. New York: Ronald Press, 1973. KOTLER, Philip. Marketing management analysis, planning implementation and control. 6. ed. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice-Hall, 1988. LaLONDE, Bernard. Customer Service. The Distribution Handbook. 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