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Problema 3
Visão
Radiação eletromagnética: É a energia na forma de ondas que é irradiada pelo sol, sendo composta por diversos tipos de onda, as quais estão inclusas no espectro eletromagnético. A distância entre dois picos consecutivos é chamada de comprimento da onda, podendo variar de 1nm, no caso de raios gama, até 1m, nas ondas de rádio.
 Os olhos são responsáveis pela detecção da luz visível, sendo essa luz composta pelo espectro entre 400 e 700nm de comprimento de onda. Cada comprimento representa uma cor em específico, de modo que os objetivos podem absorver e/ou refletir parte ou todas as cores. Um objeto é enxergado como verde porque reflete principalmente as ondas de comprimento da cor verde, branco por refletir todas os comprimentos e preto por absorver todas elas.
 Estruturas acessórias do olho: 
· Pálpebras: As pálpebras superior e inferior recobrem os olhos durante o sono, protegem da luz excessiva, dos corpos estranhos e espalham as secreções lubrificantes pelos bulbos dos olhos. A pálpebra superior é mais móvel que a inferior, contendo em sua região superior o músculo levantados da pálpebra superior. Algumas pessoas podem experimentar tremores involuntários na pálpebra superior, durante alguns segundos. Essas contrações geralmente são inofensivas e comumente são associadas a quadros de estresse e fadiga. O espaço entre as pálpebras que expõe o bulbo é chamado de fissura palpebral. Seus ângulos são conhecidos como comissura lateral, mais estreita e próxima do osso temporal, e a comissura medial, mais larga e mais próxima do osso nasal. Na comissura medial encontra-se uma região elevada e avermelhada chamada de carúncula lacrimal, que contém glândulas sebáceas e sudoríparas. O material esbranquiçado que as vezes se acumula na comissura medial (remela) tem origem nas glândulas da carúncula. Desde sua parte mais superficial até a mais profunda, a pálpebra consiste em epiderme, derme, tela subcutânea, fibras do musculo orbicular do olho, tarso, glândulas tarsais e túnica conjuntiva. O tarso é uma camada espessa que dá forma e sustentação às pálpebras. Em cada tarso encontra-se uma fileira de glândulas sebáceas modificadas conhecidas como glândulas tarsais, responsáveis por liberar uma secreção que ajuda a manter as pálpebras aderidas uma a outra. Uma infecção nas glândulas tarsais produz um tumor ou cisto nas pálpebras conhecido como calázio. A túnica conjuntiva é uma túnica fina protetora formada por tecido epitelial pavimentoso não-queratinizado sustentada por tecido conjuntivo areolar e com numerosas células caliciformes. A túnica conjuntiva da pálpebra recobre a face interna das pálpebras, enquanto a túnica conjuntiva do bulbo passa da pálpebra e recobre a esclera ocular, mas não a córnea, que é uma região transparente que recobre a face anterior externa do bulbo do olho. Acima da esclera o bulbo ocular é vascularizado, de modo que a irritação/infecção local é a causa da dilatação/contração é a causa da vermelhidão no globo ocular.
· Cílios e sobrancelhas: Têm a função de proteger o bulbo ocular de objetos estranhos, da incidência excessiva de raios solares e da transpiração. Na base dos folículos pilosos dos cílios encontram-se as glândulas ciliares sebáceas, responsáveis pela secreção de um liquido lubrificante para os cílios. Sua inflamação, normalmente causada por bactérias, forma um inchaço purulento denominado terçol. 
· Aparelho lacrimal: As glândulas lacrimais são as responsáveis por formar e secretar o liquido lacrimal, o qual é drenado em 6 a 12 ductos excretores, que removem as lagrimas para a superfície da conjuntiva da pálpebra superior. A partir daí, as lagrimas descem medialmente sobre a face anterior do bulbo e entram em duas aberturas chamadas de pontos lacrimais. As lagrimas então passam por dois ductos, os canalículos lacrimais superior e inferior que levam para o saco lacrimal, dentro da fossa lacrimal, descendo em sentido inferior para o ducto lacrimonasal, que conduz as lágrimas para a concha nasal inferior, onde as lagrimas se misturam com o muco. Uma infecção no saco lacrimal é chamada de dacriocistite, sendo sua etiologia geralmente bacteriana e resulta no bloqueio dos ductos lacrimais. 
As glândulas lacrimais são inervadas por fibras parassimpáticas dos nervos faciais (VII). A lágrima é composta por uma solução aquosa de sais, muco e a lisozima, uma enzima bactericida protetora. Tem função de proteção, limpeza, lubrificar e umedecer o bulbo do olho. Após sua secreção, as lagrimas se espalham medialmente pela superfície do olho através do piscamento das pálpebras. Cada glândula produz cerca de 1ml de liquido lacrimal diariamente. 
Normalmente as lágrimas são removidas tão rapidamente quanto são produzidas, seja por evaporação ou condução para a cavidade nasal. Quando ocorre os olhos lacrimejantes, seja por inflamação ou presença de um corpo estranho, a inervação parassimpática estimula as glândulas a secretarem lagrimas excessivamente, de modo que ou há a formação do choro (seres humanos são os únicos a expressarem sentimentos através do choro) ou pela formação da coriza, quando a mucosa da cavidade nasal se inflama, obstruindo os ductos lacrimonasais.
· Músculos extrínsecos do bulbo do olho: Os olhos se encontram em depressões ósseas chamadas de órbitas. As órbitas ajudam na proteção e estabilização, além de ancorar os músculos que permitem os movimentos dos globos oculares. Os músculos se estendem da parede da órbita até a esclera ocular e são circundados na órbita por um volume significativo de gordura, o corpo adiposo da órbita. Seis músculos extrínsecos do olho movem cada olho: O reto superior, reto inferior, reto lateral, reto medial e os oblíquos superior e inferior. Eles são inervados pelos nervos oculomotor (III), troclear (IV) ou pelo abducente (VI). As unidades motoras são pequenas, com um neurônio inervando 2 ou 3 fibras musculares, visando a precisão dos movimentos.
Anatomia do bulbo do olho
O bulbo do olho mede 2,5 cm de diâmetro. De sua área superficial total, 1/6 fica exposta e o restante é coberto pela órbita, onde ele se encaixa. Anatomicamente, parede do bulbo do olho é formada por três camadas: (1) Túnica fibrosa, (2) túnica vascular e (3) retina/túnica interna.
Túnica fibrosa: É a camada mais superficial formada pela córnea, anteriormente, e pela esclera, posteriormente. A córnea é um revestimento transparente que recobre a íris colorida. Por ser curva, ela ajuda no processo de foco da luz na retina. Sua face externa é formada por epitélio pavimentoso estratificado não-queratinizado. A camada média por fibras colágenas e fibroblastos e a camada interna por epitélio simples pavimentoso. A córnea central recebe oxigênio através do ar atmosférico, desse forma, pessoas que utilizam lentes de contato devem retirá-las e as lentes devem ser permeáveis ao oxigênio para que se mantenha a ventilação dessa parte do olho. A esclera é uma camada de tecido conjuntivo denso, composto principalmente por fibras colágenas e fibroblastos, de modo que cobre todo o bulbo do olho, exceto a córnea, dando forma ao bulbo, protegendo-o, dando sustentação e servindo de ponto de fixação para os músculos extrínsecos do bulbo. Na junção entre a córnea e a esclera, encontra-se um abertura conhecida como seio venoso da esclera (ou canal de Schlemm). O humor aquoso é drenado para o seio venoso.
Túnica vascular: Também chamada de úvea, é a camada média do olho, sendo composta pelo corioide, pelo corpo ciliar (músculo + processo ciliar) e pela íris. A corioide, altamente vascularizada, recobre a parte posterior do globo ocular, de modo a recobrir maior parte da face interna da esclera. Seus vasos sanguíneos fornecem a nutrição para a face posterior da retina. O corioide contém melanina, por esse motivo apresenta coloração marrom. A melanina, devido à coloração mais escura, atua por absorver os raios dispersos no bulbo, aumentando a nitidez da luz que chega à retina através da lente. Albinos têm maior sensibilidade à luz por não produzirem melanina. Na parte anteriordo corioide, este forma o corpo ciliar, que se estende desde ora serrata, que é a margem anterior denteada na retina, até o ponto imediatamente posterior à junção da esclera com a córnea. Assim como o corioide, o corpo ciliar tem coloração marrom por apresentar melanócitos que produzem melanina. Além disso, o corpo ciliar é formado pelo músculo ciliar e pelo processo ciliar. Os processos ciliares são protrusões na parte interna do corpo ciliar, que contêm capilares que secretam o humor aquoso. A partir dos processos ciliares, estendem-se as fibras zonulares ou ligamentos suspensores, que se ligam à lente. A fibras zonulares consistem em fibrilas que lembram fibras de tecido conjuntivo elástico. O músculo ciliar é uma banda circular de musculo liso que atua por modificar a tensão nas fibras zonulares, modificando o formato da lente em adaptação à visão para perto e longe. 
 A íris, a parte colorida do olho, está suspensa abaixo da córnea e acima da lente, sendo composta por melanócitos e por tecido muscular liso. Sua extremidade é ligada aos processos ciliares. A quantidade de melanina da íris determina a cor dos olhos. A coloração varia do azul ao preto dependendo da concentração de melanina na íris. Uma das funções principais da íris é controlar a entrada de luz nos olhos através da pupila, a abertura no centro da íris, por meio da contração das fibras circulares de musculo liso (parassimpático) ou pela dilatação da pupila pela contração dos músculos radiais (simpático), ambos os tipos de músculo inervados pelo nervo oculomotor (III). O musculo que compõe a íris é o musculo esfíncter da pupila. A pupila é preta por ocorrer absorção da luz no corioide e na retina, que contêm muita melanina, entretanto, durante uma fotografia com flash ocorre a reflexão da luz vermelha devido ao fato da região posterior do olho ser muito vascularizada. 
Retina: É a camada mais interna que reveste os ¾ posteriores do olho e é o inicio da via visual. Com o auxilio de um oftalmoscópio é possível analisar a anatomia da retina, bem como do nervo óptico. Por ser muito vascularizada, é o único local do corpo onde o sistema arterial pode ser analisado de forma a buscar afecções causadas pela hipertensão, diabetes melito, doenças maculares do envelhecimento. O disco óptico é o local onde o nervo óptico deixa o bulbo do olho, sendo acompanhado pelo artéria central da retina, ramo da artéria oftálmica e pela veia central da retina. Ramos da artéria central da retina nutrem parte da face anterior da retina e a veia central drena essa região através do disco óptico. Também é possível analisar pelo oftalmoscópio a mácula lútea e a fóvea central. 
 A retina é formada por um estrato pigmentoso e um nervoso. O pigmentoso é localizado desde o inicio da corioide até a parte nervosa da retina, sendo composto por células epiteliais contendo melanócitos, os quais desempenham, junto com a corioide, a função de absorver os raios dispersos. O estrato sensorial/nervoso da retina é parte do encéfalo formada por várias camadas responsável por processar substancial parte da imagem antes de fazer a transdução para os axônios que formam o nervo óptico. Três camadas distintas de neurônios retinais: A camada fotorreceptora, a celular bipolar e a camada celular ganglionar. Entre essas 3, existem 2 camadas: a sináptica interna e externa, que fazem a contato sináptico. Além disso, a camada celular bipolar contém dois tipos de células: as células horizontais e as amácrinas. 
 Os fotorreceptores são células especializadas na transdução da luz em impulso nervoso, estando localizadas na camada fotorreceptora. Existem dois tipos: Os cones e bastonetes, na razão de 6 milhões de cones e 12 milhões de bastonetes. Os bastonetes nos permitem enxergar em locais de pouca luz, e na escala de cinza, do preto, branco e os tons de cinza intermediários. Os cones nos fornecem a visão colorida. Os cones podem ser de três tipos: (1) cones azuis, (2) cones verdes e (3) cones vermelhos. A visão colorida é resultado do estimulo de varias combinações dessas 3 cores. A ausência de cones gera cegueira total, enquanto a deficiência nos bastonetes causa dificuldade de enxergar em ambientes com pouca luz.
 Após gerar a transdução, os axônios da camada ganglionar deixam o bulbo ocular a partir do disco óptico e seguem em sentido posterior na forma de nervo óptico (III). O disco do nervo óptico é também chamado de ponto cego, isso porque não contém cones e bastonetes, logo não é possível gerar transdução nessa região.
 A mácula lútea é o centro exato na parte posterior da retina, no eixo visual do olho (ponto onde o raio de luz incide na retina). A fóvea central é a uma depressão no meio da mácula lútea, sendo uma região composta apenas por cones, e não ocorrendo as camadas bipolares e ganglionar, com essas localizadas na periferia da fóvea. A consequência disso é que a fóvea central é a região de maior acuidade visual/resolução. A razão pela qual uma pessoa move a cabeça para enxergar algum objeto melhor é para colocar os raios em maior incidência na fóvea central, garantindo uma melhor resolução desse objeto. 
Lente (cristalino): Estrutura que fica posterior à pupila e íris. As células da lente são ricas em uma proteína chamada de cristalina, a qual permite a estruturação da lente em camadas concêntricas. A lente serve como um meio refratário para a luz, assegurando a convergência dos raios em direção à retina. A lente é envolta por uma camada de tecido conjuntivo que se fixa às fibras zonulares e estas ao processo ciliar do corpo ciliar. 
Interior do bulbo do olho: A lente separa o bulbo do olho em duas cavidades: a cavidade do segmento anterior e a câmara vítrea. A cavidade do segmento anterior é formada por duas câmaras: a câmara anterior, entre a córnea e a íris e a câmara posterior, entre a íris e as fibras zonulares. Ambas as câmaras da cavidade do segmento anterior são preenchidas por humor aquoso, um líquido transparente que tem a função de nutrir a lente e a córnea. O humor aquoso é filtrado continuamente dos capilares do processo ciliar, seguindo em direção à câmara posterior, lente, atravessando a pupila e entrando na câmara anterior e seguindo para o seio venoso da esclera, onde o humor aquoso entra na corrente sanguínea. Sua reposição é feita a cada 90 minutos, normalmente.
 A cavidade posterior do bulbo do olho é chamada de câmara postrema/vítrea, sendo maior que a anterior e estando entre a lente e a retina. Dentro da câmara vítrea encontra-se o humor vítreo, uma substancia transparente e gelatinosa que mantem a retina pressionada contra a corioide. Ela ocupa cerca de 80% do bulbo do olho. Ao contrario do humor aquoso, ele não é reposto, sendo formado durante a vida embrionária e sendo composto principalmente por água, fibras colágenas e ácido hialurônico. No humor vítreo também se encontram células fagocíticas, as quais atuam no sequestro de fragmentos para que não ocorram distúrbios na visão. Ocasionalmente ocorre o aparecimento desses fragmentos, os quais causam a formação de sombras na retina, principalmente em idosos, porém não são ofensivos e nem requerem tratamento. O canal hialoideo é um canal estreito que se estende por todo o humor vítreo, desde o disco óptico até a face posterior da lente, sendo formado na vida embrionária (ocupado pela artéria hialoidea) e sendo imperceptível no adulto.
 A pressão intraocular é mantida principalmente pelo humor aquoso e em parte pelo humor vítreo, devendo estar em torno de 16mmHg. Em caso de lesões perfurantes no bulbo do olho, pode ocorrer perda desses líquidos, o que pode resultar em descolamento da retina e até em cegueira. 
Formação de imagens
Para entender como o olho forma imagens claras de objetos na retina, é preciso entender o mecanismo que ocorre (1) refração da luz na córnea e na lente, (2) a acomodação da lente e (3) o estreitamento da pupila.
Refração dos raios de luz: Conforme os raios de luz atravessem as faces anterior e posterior da córnea e da lente, estes sofrem desvio no sentido convergenteem direção à retina. As imagens formadas na retina são invertidas, reais e menores, também ocorrendo uma inversão da direita para a esquerda, ou seja, a luz proveniente do lado esquerdo de um objeto alcança o lado direito da retina, e vice-versa. O encéfalo traduz as imagens invertidas e guarda as revertidas a partir do momento que o indivíduo toca e alcança os objetos, interpretando as imagens visuais corrigidas pela sua orientação espacial.
 75% da convergência dos raios é feita na córnea, com os 25% restantes ocorrendo na lente, em conjunto do processo de acomodação, o qual permite uma alteração na forma da lente para que a convergência aumente ou diminua, permitindo um maior foco na observação de objetos em distâncias diferentes. 
· Doença macular relacionada com a idade: É um processo degenerativo comum em indivíduos acima dos 50 anos e consiste na perda da percepção do centro do campo visual, sendo mantida a visão periférica. A sua etiologia se dá na degeneração do estrato pigmentoso da retina, ocorrendo sua atrofia, sendo essa a variação chamada de DMI “seca”. Pode ocorrer evolução para a DMI “molhada”, que é quando ocorre a neoformação de vasos na corioide e seu consequente extravasamento para a retina. A perda da visão pode ser retardada fazendo uso de cirurgia a laser para a destruição desses vasos neoformados.
Acomodação e o ponto próximo de visão: Na análise da lente, as suas duas faces são do tipo convexas, as quais permitem a formação de uma refração em sentido convergente, diretamente proporcional à curvatura da lente, logo, quanto mais próximo o objeto está dos olhos, maior a curvatura que a lente terá de ter para que esse objeto seja focado. Num adulto, a distância mínima para que o foco ocorra é de 10cm, sendo o ponto de acomodação máxima, ou de curvatura máxima da lente. O processo de acomodação ocorre devido à contração e relaxamento dos músculos ciliares, os quais promovem redução da tensão nas fibras zonulares, aumentando a convexidade da lente ou aumentando essa tensão, quando estão relaxados, tornando a lente mais ‘esticada’ e menos convexa, situação que permite o foco de objetos mais distantes. 
· Presbiopia: É uma doença comum do envelhecimento, sendo conhecida como vista cansada. Sua fisiopatologia consiste na perda da elasticidade da lente, a qual não consegue mais se curvar tanto para que ocorra a focalização de objetos próximos, tendo como consequência o aumento do ponto próximo de visão com o aumento da idade. Sua correção é feita a partir do uso de óculos de leitura que aumentem a convergência desses raios, compensando a deficiência da lente. 
Anomalias da refração: O olho normal é conhecido como emétrope, sendo capaz de focalizar objetos a 6m de distância sem demais problemas. Entre as anomalias, encontram-se a miopia, que ocorre quando a imagem se forma antes da retina, normalmente por um achatamento do globo ocular ou a hipermetropia, que ocorre quando a imagem se forma depois da retina, por razão de um globo mais curto que o necessário ou por ter uma lente mais fina, reduzindo o grau de convergência da luz. Indivíduos míopes têm facilidade em enxergar objetos próximos, enquanto os hipermetropes enxergam bem objetos distantes. Outra anomalia ocular é o astigmatismo, onde a córnea ou a lente possuem uma superfície irregular, causando a formação de partes da imagem fora de foco e a visão se apresenta distorcida ou borrada. 
 A maior parte dos problemas de visão podem ser corrigidos através do uso de óculos, lentes de contato ou de procedimentos cirúrgicos. A lente funciona de modo que a sua superfície anterior corrige o defeito na refração e a posterior além de flutuar pela superfície lacrimal da córnea, se ajusta a ela. A LASIK, ou cirurgia refrativa, utiliza o laser para modelar a córnea do indivíduo, de modo que é feito um retalho na córnea, esse retalho é rebatido e a superfície é modelada para que se ajuste ao defeito de visão da pessoa (miopia, hipermetropia ou astigmatismo), sendo recolocada no local que fora retirada. É colocado um curativo oclusivo sobre o olho de um dia para o outro e o retalho rapidamente adere ao restante da córnea. Na miopia é utilizada uma lente côncava para a correção, enquanto na hipermetropia a lente deve ser do tipo convexa. 
Fisiologia da visão
Fotorreceptores e fotopigmentos: A transdução da energia luminosa em sinapse ocorre no segmento externo tanto de cones quanto de bastonetes. Os fotopigmentos são proteínas integrais que estão no segmento externo dos dois tipos de célula. Nos cones, a membrana plasmática do segmento externo tem formato pregueado, enquanto nos bastonetes, as pregas se destacam formando discos. O segmento externo de cada bastonete contem centenas de pilhas empilhadas como moedas.
 O segmento interno contém o núcleo, o complexo de golgi e várias mitocôndrias. Em sua parte proximal, o fotorreceptor se expande em um terminal sináptico contendo vários botões e vesículas sinápticas. 
 O primeiro passo na transdução visual ocorre na absorção da luz pelos fotopigmentos, os quais são proteinas integrais localizadas na MP do semento externo dos fotorreceptores. Essas proteinas sofrem alterações estruturais quando ocorre a absorção da luz. Os bastonetes apresentam como fotopigmento apenas a rodopsina, enquanto os cones apresentam 3: verde, vermelho e azul, sendo a visão colorida resultado da atuação conjunta desses. Todos os fotopigmentos são formados por duas partes: uma glicoproteína conhecida como opsina e um derivado da vitamina A chamado de retinal. Os derivados da vitamina A são sintetizados a partir do caroteno/carotenoides, que são pigmentos de origem vegetal que dão cor aos vegetais laranja, como a cenoura. Uma boa visão depende da ingesta de alimentos ricos em carotenoides, como cenoura, espinafre e brócolis, ou de origem animal, como fígado. A deficiência de vitamina A causa uma doença chamada de xeroftalmia, ou cegueira noturna. 
 O retinal é a parte que absorve a luz de todos os fotopigmentos. Na retina humana existem 4 tipos de opsinas, 3 nos cones e 1 nos bastonetes. São diferenças na sequência de aminoácidos dessas opsinas que as propiciam absorver comprimentos de onda diferentes. 
(1) No escuro, o retinal apresenta um formato dobrado chamado de cis-retinal, que tem um bom encaixe na parte opsina do fotopigmento. Quando o cis-retinal absorve luz, ele muda sua conformação espacial para trans-retinal, num processo chamado de isomerização. Durante a isomerização, vários compostos intermediários instáveis são formados, de modo que seu desparecimento causa a formação de um potencial gerador. 
(2) Rapidamente o trans-retinal se separa da opsina, gerando um produto incolor. Essa fase é chamada de clareamento.
(3) A enzima retinal isomerase converte o trans-retinal em cis-retinal.
(4) Após a conversão, o cis-retinal consegue se ligar à opsina, na fase de regeneração, retornando ao estado de fotopigmento funcional.
O estrato pigmentoso da retina armazena muita vitamina A, a qual é importante no processo de regeneração da rodopsina dos bastonetes, processo que é muito mais demorado do que a regeneração das opsinas dos cones. Em caso de descolamento da retina do estrato pigmentoso, a regeneração da rodopsina cai bastante, visto que é dependente da vitamina A. 
Adaptação à luz e ao escuro: Quando o indivíduo sai de um ambiente escuro para um claro, ocorre uma rápida adaptação à luz, com redução da sensibilidade a esta. Já quando o indivíduo sai de um ambiente iluminado para o escuro, ocorre uma lenta absorção ao escuro, de modo que ocorre o aumento à sensibilidade da luz, ocorrendo alteração nas taxas de clareamento e reabsorção dos cones e bastonetes. 
Conforme a intensidade da luz aumenta, mais moléculas estão sendo clareadas e regeneradas. No caso dos bastonetes, estes não contribuem muito para a visão diurna, visto que seu processo regenerativo é lento, com essa contribuição vindo dos cones, os quais sempre terão cis-retinal disponível para o clareamento, mesmo em intensidades luminosas altas.Se os níveis de luz reduzem abruptamente, a sensibilidade também aumenta rápido e depois devagar. Os cones são os primeiros a se regenerarem, mas não conseguem identificar a pouca luz do ambiente, cabendo aos bastonetes a capacidade de clareamento até com um fóton.
Liberação de neurotransmissor por fotorreceptor: No escuro, os ions de sódio entram no segmento externo dos fotorreceptores através de canais de Na+ sensíveis ao ligante. O ligante que mantem esses canais abertos é o GMP cíclico. Como resultado, a entrada de sódio causa uma despolarização parcial que mantem o potencial de membrana em -30mV, valor muito mais próximo do zero que o potencial de repouso de um neurônio típico, o qual gira em torno de -70mV. Esse potencial próximo ao zero causa a liberação de neurotransmissores nas terminações sinápticas, sendo esse transmissor o acido glutâmico/glutamato, tanto nos cones quanto nos bastonetes. Entre sinapses entre bastonetes e células bipolares, o glutamato tem ação inibitória, causando hiperpolarização dessa célula e consequente cancelamento da passagem dos sinais para as células ganglionares. 
 Quando a luz chega à retina e causa a isomerização do cis-retinal, ocorre a formação de enzimas que clivam o GMPc. Como resultado, alguns canais de Na+ se fecham e a liberação de glutamato é reduzida, além do potencial de repouso cair até -70mV, sendo, então, uma ação hiperpolarizante. Luzes fracas causam um pequeno potencial de ação, enquanto luzes fortes causam maiores potenciais de ação. Isso porque quanto maior a clivagem do GMPc e o fechamento dos canais de sódio, menor é a liberação de glutamato e menor é a sua ação inibitória sobre as células bipolares, resultando em maior estimulo das células ganglionares a gerarem um potencial de ação nos seus axônios. 
· Daltonismo e cegueira noturna (nictalopatia): A maior parte dos daltonismos resulta em uma deficiência nas opsinas dos cones, sendo a mais comum a deficiência do tipo vermelho-verde. Nictalopatia ou cegueira noturna resulta da carência de vitamina A que causa uma redução nos níveis de rodopsina dos bastonetes, produzindo uma redução na capacidade de enxergar sobre baixa luminosidade. 
Via visual
Processamento das informações visuais na retina: No estrato nervoso da retina, certas informações visuais podem ser potencializadas enquanto outras, descartadas. Informações provenientes de várias células podem convergir para um neurônio pós-sináptico ou divergir para vários neurônios. A grosso modo, a convergência predomina, isso porque existem cerca de 1 milhão de células ganglionares enquanto existem 126 milhões de fotorreceptores (cones e bastonetes). 
 Uma vez que os potenciais geradores surgem nos segmentos externos dos cones e bastonetes, estes se espalham até as terminações sinápticas e liberam os neurotransmissores que propagarão o sinal tanto para as células bipolares quanto para as horizontais. Entre 6 e 600 bastonetes fazem sinapse com uma única célula bipolar, enquanto um cone faz sinapse com uma célula bipolar. Essa convergência de bastonetes promove maior sensibilidade a luz, mas gera uma imagem menos focada, diferente dos cones, que priorizam o foco. Como já fora supracitado, a presença de luz pode inibir os cones por gerar o fechamento dos canais de sódio.
 As células horizontais transmitem sinais inibitórios para as células bipolares nas áreas laterais aos cones e bastonetes excitados. Essa inibição lateral aumenta o contraste da cena visual entre áreas da retina que são estimuladas fortemente e áreas adjacentes que são estimuladas mais fracamente. As células horizontais também ajudam a diferenciar várias cores. As células amácrinas, que são excitadas pelas células bipolares, formam sinapses com células ganglionares e transmitem informações para elas, sinalizando uma modificação no nível de iluminação da retina. Quando células bipolares ou amácrinas transmitem sinais excitatórios para as células ganglionares, essas células ganglionares se despolarizam e disparam impulsos nervosos.
Via encefálica e campos visuais: Os axônios do nervo óptico (II) passam através do quiasma óptico, um cruzamento dos nervos ópticos. Alguns axônios trocam de lado enquanto outros se mantêm no mesmo. Após passarem pelo quiasma óptico, agora partindo do trato óptico, os axônios entram no encéfalo e a maior parte deles termina no núcleo do corpo geniculado lateral do tálamo. Ali, esses axônios formam sinapses com neurônios cujos axônios formam as radiações ópticas, que se projetam para as áreas visuais primárias nos lobos occipitais do córtex cerebral e começa a percepção visual. (Essa é a via sensorial da retina com função visual)
 Uma parte das fibras do trato óptico terminam no colículo superior, com função de controlar os músculos extrínsecos do bulbo do olho, e nos núcleos pré-tectais, que controlam os reflexos de acomodação e pupilar (Essas são as vias sensoriais sem função visual).
 Os axônios ganglionares do lado temporal da retina se estendem para o tálamo do mesmo lado, enquanto os axônios do lado nasal se estendem para o lado oposto do tálamo.
 Os raios de luz de um objeto localizado na metade temporal do campo visual estimulam a parte nasal da retina e vice-versa. 
 Tudo que pode ser visto por um olho compreende o campo visual daquele olho. Como dito anteriormente, como nossos olhos estão localizados anteriormente nas nossas cabeças, os campos visuais se sobrepõem consideravelmente. Nós possuímos visão binocular por causa da grande região em que os campos visuais dos dois olhos se sobrepõem – o campo de visão binocular. O campo visual de cada olho é dividido em duas regiões: a metade nasal ou central e a metade temporal ou periférica. Para cada olho, os raios de luz provenientes de um objeto na metade nasal do campo visual são direcionados para a metade temporal da retina e os raios de luz provenientes de um objeto na metade temporal do campo visual são direcionados para a metade nasal da retina. A informação visual proveniente da metade direita de cada campo visual é transmitida para o lado esquerdo do encéfalo e a informação visual proveniente da metade esquerda de cada campo visual é transmitida para o lado direito do encéfalo da seguinte maneira. Os axônios de todas as células ganglionares da retina em um olho deixam o bulbo do olho no disco do nervo óptico e formam o nervo óptico naquele lado. o quiasma óptico, os axônios da metade temporal de cada retina não cruzam e continuam diretamente para o núcleo do corpo geniculado lateral do tálamo naquele mesmo lado. Ao contrário, os axônios da metade nasal de cada retina cruzam o quiasma óptico e continuam para o tálamo do lado oposto. Cada trato óptico é formado por axônios cruzados e não cruzados que se projetam a partir do quiasma óptico para o tálamo de um dos lados. Axônios colaterais (ramos) das células ganglionares retinais se projetam para o mesencéfalo, onde contribuem para os circuitos neurais que governam a constrição das pupilas em resposta à luz e para a coordenação dos movimentos da cabeça e do olho. Os axônios colaterais também se estendem para o núcleo supraquiasmático do hipotálamo, que estabelece os padrões de sono e outras atividades que ocorrem de modo circadiano ou diário em resposta aos intervalos entre a claridade e a escuridão. Os axônios dos neurônios talâmicos formam as radiações ópticas conforme eles se projetam do tálamo para a área visual primária do córtex no mesmo lado. Embora nós tenhamos descrito a via visual como uma via única, acredita-se que os sinais visuais sejam processados por pelo menos três sistemas separados no córtex cerebral e cada um deles com sua função própria. Um sistema processa a informação relacionada com o formato dos objetos, outro sistema processa a informação a respeito da cor dos objetos e um terceiro sistema processa a informação a respeito do movimento, da localização e da organização espacial do objeto.
Relacionar glaucoma, catarata e perda visual: 
· Glaucoma: É uma das principais afecções causadoras de perda da visãono mundo, sendo causada principalmente pelo aumento da pressão intraocular, especificamente na câmara anterior do globo ocular. Normalmente ocorre obstrução do seio venoso da esclera, o que acarreta aumento do volume de humor aquoso e consequente aumento da pressão intraocular. Estudos comprovam que não somente o aumento da pressão causa o glaucoma, de modo que, a liberação de oxido nítrico e de fatores indutores à apoptose também atuam como causadores da patologia, a qual se baseia na degeneração do nervo óptico. O tratamento é feito com o uso de fármacos que induzam à redução na produção do humor aquoso pelo processo ciliar, sendo necessário, também, o acompanhamento médico constante visando o controle da pressão intraocular.
· Catarata: A opacificação do cristalino e consequente diminuição da acuidade visual constitui o que se denomina CATARATA. Este diagnóstico, entretanto, deve ser feito com cuidado, por envolver aspectos emocionais do paciente, principalmente porque, muitas vezes, perdas de transparência do cristalino, mesmo de natureza cataratosa, não causam perda visual. O fato de praticamente todas as pessoas, em alguma fase da involução, apresentarem algum grau de opacificidade do cristalino, o desconhecimento da fisiopatologia, as associações com moléstias oculares e sistêmicas, a incapacitação que traz para o indivíduo1, e a diversidade de maneiras com que os oftalmologistas conduzem o tratamento, até que se chegue à cirurgia, fazem deste capítulo um dos mais importantes da Oftalmologia. O cristalino é envolvido por uma cápsula sob a qual, na sua face anterior, existe uma camada epitelial unicelular, que, ao nível do equador, se diferencia em fibras lenticulares que vão se dispondo, em forma concêntrica, ao redor do núcleo, assim formando a camada cortical. Com o avançar da idade, além da diminuição do poder de acomodação (presbiopia), ocorre uma perda de transparência do núcleo, que se torna amarelado (esclerose nuclear), passando a filtrar a luz, em especial, os menores comprimentos de onda (azul), mas isto não se reflete na acuidade visual. As opacificações podem ocorrer em qualquer camada do cristalino e serem congênitas ou adquiridas (secundárias e senis).
Fisiopatologia da retinopatia diabética: 
 É uma microangiopatia que afeta as arteríolas pré-capilares, capilares e as vênulas retinianas. O aspecto da microangiopatia é marcada pela oclusão desses microvasos, podendo também acometer vasos de maior calibre bem como extravasamentos. A patogênese decorre do espessamento da membrana basal dos vasos, da redução da efetividade das hemácias, do aumento da adesão e agregação das plaquetas. Essas alterações decorrem da hipóxia retiniana, do shunt arteriovenoso, conhecidos como alterações microvasculares intrarretinianas. 
 As chamadas manchas algodonosas/exsudatos moles correspondem à isquemia de camadas de fibras nervosas, podendo sobrepor os vasos sanguíneos da região, causando alterações significativas na visão. Portanto, as alterações isquêmicas da retinopatia diabética atuam na parede dos vasos, nas hemácias, plaquetas e, em estágios mais graves, na neoformação vascular que culmina na forma proliferativa da doença. 
 Essa neovascularização é obtida pelo fato de esses novos vasos serem formados por membranas conjuntivas que se inserem no humor vítreo. Porém, essa inserção pode gerar uma tração, “arrastando” a retina, logo, aumentando o risco de descolamento da retina. A hiperglicemia está diretamente relacionada ao quadro de microangiopatia. 
 Na oftalmoscopia, a presença de microaneurismas, principalmente na região da mácula, tem servido como padrão de diagnóstico de diabetes, principalmente em pacientes sem histórico de retinopatia diabética.

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