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Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Ectoscopia Objetivos Desenvolver o senso de observação do médico Aprender a obter pistas para o diagnóstico medico Obter uma primeira impressão do estado geral do paciente Configura a primeira etapa, seguindo certos princípios como: Não tocar no paciente Observar primeiro o que você vê e cultivar o poder de observação Deve-se ensinar o olho a ver, o dedo a sentir e o ouvido a ouvir Etapas Gerais Nível de consciência Alerta/Lúcido – estado de vigília, estando inteiramente consciente Comatoso – perda da capacidade de identificar seu mundo interior e os acontecimentos do meio externo Letárgico – necessidade de conversar com o paciente em tom de voz mais alto Parece sonolento, mas abre os olhos, responde e volta a dormir Obnubilado – sacuda gentilmente o paciente como se fosse acordá-lo O paciente abre os olhos, responde lentamente e parece confuso Nível de consciência pouco comprometido Exame Físico Geral Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Estupor/Torpor – resposta ao estímulo doloroso com movimentos desordenados sem propósito e sons guturais, respostar verbas lentas ou inexistentes Alteração de consciência mais pronunciada Coma – não há resposta a estímulos externos, como dolorosos, ou internos, como fome ou frio O coma é a expressão de falência das funções encefálicas, podendo ser determinado por lesões estruturais do parênquima encefálico, disfunções metabólicas e intoxicações exógenas com repercussão no sistema nervoso central. Escala de Coma de Glasgow Instrumento mais utilizado para determinar alterações de nível de consciência Essa nova escala, atualizada, varia de 1 a 15 pontos A pontuação da resposta pupilar é subtraída do total encontrado Avaliação pupilar Isocóricas – normais Mióticas – ocorre em casos de lesões no SNC e uso abusivo de drogas (toxinas) Midriáticas – ocorre em casos de anóxia, hipóxia severa, estado de choque, parada cardíaca, TCE Anisocóricas – ocorre em casos de AVC e TCE Pontuação Menos que 3 = coma – significa que a pessoa não abre os olhos, não fala, não se mexe e nem reage à estímulos Igual ou maior que 8 – considerado caso crítico nas alterações dos níveis de consciência, sendo indicada a intubação orotraqueal para proteção da via aérea Igual ou maior que 9 – não há necessidade de proteção da via aérea, porém, é necessária avaliação seriada para acompanhando da evolução do paciente Igual a 15 – é o máximo da escala, significando que a pessoa abre os olhos espontaneamente, fala coerentemente e obedece a comandos para se movimentar Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Estado Mental Orientação temporal – orientação quanto ao ano, mês, dia da semana e a hora Orientação espacial – orientação quanto ao estado, cidade, local especifico, bairro ou rua próxima em que ele está Avaliação da Atitude Atitude Ativa: Decúbito preferido Indica como o paciente prefere ficar no leito, desde que o faça conscientemente Seja por hábito, seja para obter alívio de algum sintoma Posição antálgica – posição assumida, de forma espontânea, pelo corpo ou uma das suas partes, de forma a atenuar a dor Decúbito lateral – deita sobre o lado da dor, como em casos de dor de origem pleurítica, reduzindo a movimentação dos folhetos pleurais do lado sobre o qual repousa Decúbito ventral – paciente deita-se de bruços e, às vezes, coloca um travesseiro debaixo do ventre, o que é comum em casos de portadores de cólica intestinal Decúbito dorsal com flexão das pernas e coxas sobre o quadril – presente nos processos inflamatórios pelviperitoneais Genupeitoral (prece Maometana) – o paciente posiciona-se de joelhos com o tronco fletido sobre as coxas, enquanto apoia a cabeça, ou face anterior do tórax, sobre o travesseiro, solo ou chão O rosto pode estar descansando sobre as mãos, que também ficam apoiadas no solo ou colchão Ex.: presente em casos de pericardite e derrame de pericárdio; Atitude Passiva – o paciente não tem capacidade de escolher sua posição Outros tipos de posições típicas de alguma doença Posição de gatilho – caracteriza-se pela hiperextensão da cabeça, flexão das pernas sobre as coxas e encurvamento do tronco com concavidade para frente Ex.: irritação meníngea, sendo mais comum em crianças Opistótono – tensão para trás, atitude decorrente de contratura da musculatura lombar, o corpo passa a se apoiar na cabeça e nos calcanhares, emborcando-se como um arco Ex.: casos de tétano (toxina tetânica promove contração muscular) e meningite Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Ortopneica – paciente sentando no leito ou poltrona, tronco ereto, pernas pendentes usando musculatura acessória, como tiragem, fácies de angústia Ex.: asma, DPOC e insuficiência cardíaca Também pode ser encontrada em casos do paciente acamado que só consegue dormir com vários travesseiros, para se manter levemente ereto Avaliação da Fácies Conjunto da estrutura óssea-muscular exibidos na face do paciente Associado a expressão facial Pode ser típico, ou não, de alguma doença Tipos de Fácies Fácies hipocrática: olhos fundos, parados e inexpressivos, nariz afilado e os lábios se tornam adelgaçados. “Batimentos das asas do nariz”. Quase sempre o rosto está coberto de suor. Palidez cutânea e uma discreta cianose labial completam a fácies hipocrática. Esse tipo de fácies indica doença grave e quase nunca falta nos estados agônicos das afecções que evoluem de modo lento Fácies renal: o elemento característico é o edema que predomina ao redor dos olhos. Completa o quadro a palidez cutânea. É observada nas doenças renais, particularmente na síndrome nefrótica e na glomerulonefrite aguda Fácies leonina: as alterações que a compõem são produzidas pelas lesões da hanseníase. A pele, além de espessa, é sede de grande número de lepromas de tamanhos variados e confluentes, em maior número na fronte; Os supercílios caem; O nariz se espessa e se alarga Os lábios tornam-se mais grossos e proeminentes; As bochechas e o mento se deformam pelo aparecimento de nódulos. A barba escasseia ou desaparece. Essas alterações em conjunto conferem ao rosto do paciente um aspecto de cara de leão, origem de sua denominação Fácies adenoidiana: os elementos fundamentais são o nariz pequeno e afilado e a boca sempre entreaberta. Aparece nos indivíduos com hipertrofia das adenoides, as quais dificultam a respiração pelo nariz ao obstruírem os orifícios posteriores das fossas nasais Fácies parkinsoniana: a cabeça inclina-se um pouco para frente e permanece imóvel nesta posição. O olhar fixo, os supercílios elevados e a fronte enrugada conferem ao paciente uma expressão de espanto. A fisionomia é impassível e costuma-se dizer que esses pacientes se parecem com uma figura de máscara. Chama a atenção, também, a falta de expressividade facial. Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 A fácies parkinsoniana é observada na síndrome ou na doença de Parkinson Fácies basedowiana: seu traço mais característico são os olhos salientes (exoftalmia) e brilhantes, destacando-se sobremaneira no rosto magro e a expressão fisionômica indicando vivacidade, contudo, às vezes, tem um aspecto de espanto e ansiedade. Outro elemento que salienta as características da fácies basedowiana é o bócio, indicando um caso de hipertireoidismo Fácies mixedematosa: é constituída por um rosto arredondado, nariz e lábios grossos, pele seca, espessada e com acentuação de seus sulcos. As pálpebras tornam-seinfiltradas e enrugadas. Os supercílios são escassos e os cabelos secos e sem brilho. Além dessas características morfológicas, destaca-se uma expressão fisionômica indicativa de desânimo e apatia. Esse tipo de fácies aparece no hipotireoidismo ou mixedema Fácies acromegálica: caracteriza-se pela saliência das arcadas supraorbitárias, proeminência das maçãs do rosto e maior desenvolvimento do maxilar inferior, além do aumento do tamanho do nariz, lábios e orelhas. Nesse conjunto de estruturas hipertrofiadas, os olhos parecem pequenos Fácies cushingoide ou de lua cheia: como a própria denominação revela, chama a atenção de imediato o arredondamento do rosto, com atenuação dos traços faciais e, secundariamente, deve ser assinalado o aparecimento de acne. Este tipo de fácies é observado nos casos de síndrome de Cushing por hiperfunção do córtex suprarrenal. Pode ocorrer também nos pacientes que fazem uso prolongado de corticosteroides. Fácies mongoloide: há na fenda palpebral uma prega cutânea (epicanto) que torna os olhos oblíquos, bem distantes um do outro, lembrando o tipo de olhos dos chineses. Acessoriamente, nota-se um rosto redondo, boca quase sempre entreaberta e uma expressão fisionômica de pouca inteligência. É observada no mongolismo, trissomia do par 21 ou síndrome de Down Fácies de depressão: as principais características estão na expressividade do rosto cabisbaixo, com os olhos com pouco brilho e fixos em um ponto distante., sendo que muitas das vezes o olhar permanece voltado para o chão, o sulco nasolabial se acentua e o canto da boca se rebaixa. O conjunto fisionômico denota indiferença, tristeza e sofrimento emocional e é observada nos transtornos depressivos Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Fácies da paralisia facial periférica: chama a atenção a assimetria da face, com impossibilidade de fechar as pálpebras, além de repuxamento da boca para o lado são e apagamento do sulco nasolabial Avaliação da Marcha Distúrbios da Marcha Astasia – impossibilidade de permanecer em pé Abasia – impossibilidade de andar Disbasia – dificuldade de andar Ataxia – perda da coordenação dos movimentos Marcha par ética/escarvante/de galinha Dificuldade de realizar dorso-flexão plantar Há fraqueza muscular do grupo muscular tibial anterior Arrasta as pontas dos pés e, consequentemente, gasta as pontas dos sapatos Os pés caem em marcha, pela ação da gravidade, em razão da fraqueza do grupo muscular tibial anterior Característica das doenças que tem alterações dos nervos periféricos, ou seja, todas as neuropatias periféricas, como a polineuropatia periférica e radiculites Vai de distal para proximal, por isso acomete primeiramente os membros inferiores Marcha atáxia/tabética/calcanhar Marcha deselegante e grotesca Elevação excessiva dos pés, como fosse subir escada imaginária Costuma bater com os calcanhares no chão – marcha do calcanhar Ex.: lesão em cordão posterior da medeula; neurosífilis (tabes dorsalis); ataxias espinocerebelares (doenças herodegenerativas); Marcha espástica/tesoura Acometimento de todas as extremidades do corpo, porém, as principais são os membros inferiores Ocorre uma perda de força dos membros, fazendo com que o caminhar seja com as pernas endurecidas, quase sem fletir os joelhos Tendência de adução (aproximação) das coxas As pernas desenvolvem trajetória de fora para dentro, como uma tesoura Quando os membros superiores são afetados eles apresentam uma posição de “barra” Acometimento bilateral Resultado de doenças como paralisia cerebral, pacientes com lesão do sistema piramidal bilateral e doença de litte Marcha hemiplégica/ceifante Predominantemente unilateral Característica de pacientes que tiveram acidentes vasculares cerebrais (AVC) Espasticidade do membro inferior, o qual é projetado rigidamente, sem flexão do joelho e da junta tíbio-társica, de fora para dentro Movimento de báscula da bacia Membro superior permanece imóvel e em flexão e adução Marcha cerebelar/cerebelosa/do ébrio Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Paciente caminha com as pernas abertas para aumentar a base de sustentação Causada por lesões de linha média do cerebelo (verme) Ex.: tumor cerebelar Marcha parkinsoniana Caminhada em pequenos passos como se fosse dar uma pequena corrida Aumento da cifose torácica conferindo uma flexão do corpo para frente Ausência de oscilação dos membros superiores Membros superiores semifletidos e com tremores nas mãos Joelhos semifletidos, a cabeça e o pescoço projetam-se para frente Grande dificuldade para mudar a direção da marcha, fazendo vários pequenos passos ao se virar Ao caminhar, parece estar correndo atrás do seu próprio eixo de gravidade Avaliação do Estado Nutricional A avaliação nutricional visa identificar, por meio de sinais e sintomas, alterações do estado nutricional que vão de desnutrição à obesidade. Medidas antropométricas: peso, altura e circunferência abdominal Estado nutricional – calcular o IMC Abaixo do peso < 18,5 Normal – entre 18,5 e 24,9 Sobrepeso – de 25 a 29,9 Obeso maior ou igual a 30 O estado de desnutrição ou hiponutrição pode ser classificado de acordo com o déficit de peso, em relação ao padrão normal para a idade e o sexo Desnutrição de 1o grau: déficit de peso superior a 10% Desnutrição de 2o grau: déficit de peso superior a 25% Desnutrição de 3o grau: déficit de peso superior a 40%. Medida da circunferência abdominal Circunferência abdominal = aumento da gordura visceral Ponto médio entre o rebordo costal e o ponto mais alto da crista ilíaca Biotipo Tem como base o ângulo de charpy, limitado pelo o gradil costal e o apêndice xifoide Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Classificação de viola Normolíneo Brevilíneo Longilíneo Avaliação de Pele e Mucosas Pele Tem-se que ver a coloração da pele e a hidratação No caso da coloração, deve-se notar icterícia, cianose ou palidez A hidratação da pele deve ser avaliada pelo turgor cutâneo fazer uma pinça com os dedos, principalmente na região anterior da coxa, e analisar se o recolhimento é rápido ou não, se for indica uma hidratação adequada sendo um turgor cutâneo preservado Avaliação da mucosa ocular Tracione a mucosa ocular, observe a coloração e observe sua hidratação A coloração normal é vermelho vivo, sendo sua mudança para tons róseos ou esbranquiçados relacionados com quadros de anemia Habitualmente traduzimos como mucosa hipocorada, classificada em graus de um sistema de cruzes, como ++/6+, sendo que quando estão brancas, são chamadas de descoradas Uma cruz são as mucosas pouco desidratadas/hipocoradas e 6 cruzes seria o grau máximo de desidratação e hipocorado A icterícia sempre começará a ser expressa nas mucosas Avaliação da mucosa oral Avalie a umidade da língua Paciente bem hidratado a língua tem sobra de saliva nas suas bordas, já nos desidratados a língua fica ressecada Avalie o freio da língua Observe se ele está com tom avermelhado, corado Em pacientes anêmicos, a coloração fica róseo para esbranquiçado Enchimento Capilar A velocidade que o sangue chega as periferias em pacientes com débito cardíaco adequado, normalmente, é menor que 3 segundos Caso seja maior que 3 segundos, o enchimento capilar desse indivíduo se encontra prejudicado Pode-se medir o enchimento capilar apertando a ponta dos dedos até ficarem esbranquiçados e soltá-los logo em seguida, caso ele fique rosado no tempo menor que 3 segundos, o enchimento capilar seencontra normal Em casos de crianças pequenas, pressiona-se o calcanhar/planta do pé para verificar se volta em menos de 3 segundos Ana Carolina Simões – MED 105 – Aula PAPM-2 27/08/2021 Estado Geral do Paciente Classificado em: Bom, Regular ou Ruim Serão, geralmente, caracterizados de acordo com o aspecto geral do paciente, alterações dos sinais vitais, evidências das grandes síndromes clínicas e alteração do nível de consciência A avaliação do estado geral tem utilidade prática, principalmente para se compreender até que ponto a doença atingiu o organismo, visto como um todo.