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Linfogranuloma venéreo

Capítulo de Urologia sobre linfogranuloma venéreo: etiologia por Chlamydia trachomatis (L1–L3), quadro clínico em três fases (lesão inicial, adenopatia inguinal/bubão, supuração e sequelas como elefantíase genital e proctite), diagnóstico (clínico, Giemsa, sorologia, cultura, PCR) e prevenção.

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Paula Melo

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Urologia 
Linfogranuloma venéreo 
Etiologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento 
 
INTRODUÇÃO 
• Trata-se de uma IST, com contágio exclusivo por essa via, 
de distribuição mundial e de etiologia bacteriana. 
• A doença é denominada ainda, mula, doença de Nicolas-
Favre-Durand, bubão climático, linfogranuloma inguinal. 
• É cerca de três vezes mais frequente em mulheres do que 
em homens. 
• Afeta, predominantemente, o sistema retículo-
histiocitário, preferencialmente os linfonodos inguinais e 
ilíacos. A disseminação ocorre primariamente pela via 
linfática. 
• Período de incubação: 3 a 30 dias. 
ETIOLOGIA 
↪ Tem como agente etiológico a Chlamydia trachomatis, 
(parasita intracelular obrigatório) espécie sorológica e 
biologicamente distinta das outras espécies de Chlamydia. 
Os sorotipos responsáveis são L1, L2 e L3. 
↪ A manifestação clínica mais comum é a linfadenopatia 
inguinal e/ou femoral, já que esses sorotipos são altamente 
invasivos aos tecidos linfáticos. 
 
ACHADOS CLÍNICOS 
A evolução da doença ocorre em três fases: inoculação, 
disseminação linfática regional e sequelas, que são descritas 
a seguir: 
› Fase de inoculação: 
- A lesão inicial é indolor e corresponde a uma pápula, 
vesícula, pústula ou ulceração isolada que desaparece 
sem sequela; 
- Muitas vezes, não é notada pelo paciente e raramente é 
observada pelo profissional de saúde; 
- Localiza-se, no homem, no sulco coronal, frênulo e 
prepúcio; na mulher, na parede vaginal posterior, colo 
uterino, fúrcula e outras partes da genitália externa. 
 
› Fase de disseminação linfática regional: 
- No homem, a linfadenopatia inguinal se desenvolve entre 
uma a seis semanas após a lesão inicial; 
- É geralmente unilateral (em 70% dos casos) e se 
constitui no principal motivo da consulta; 
- Na mulher, a localização da adenopatia depende do local 
da lesão de inoculação. 
- Os gânglios acometidos são firmes, dolorosos, móveis e 
rapidamente se aderem à pele, configurando o chamado 
bubão inguinal. A pele torna-se eritematoedematosa, 
descamativa, seguida por ruptura dos linfonodos em 1 
terço dos casos. 
 
› Fase de sequelas: 
- O comprometimento ganglionar evolui com supuração e 
fistulização por orifícios múltiplos (bico de regador), que 
correspondem a linfonodos individualizados, 
parcialmente fundidos em uma grande massa; 
- A lesão da região anal pode levar a proctite e proctocolite 
hemorrágica; 
- O contato orogenital pode causar glossite ulcerativa 
difusa, com linfadenopatia regional; 
- Podem ocorrer sintomas gerais, como febre, mal-estar, 
anorexia, emagrecimento, artralgia, sudorese noturna e 
meningismo; 
- A obstrução linfática crônica leva à elefantíase genital, 
que na mulher é denominada estiomene. Além disso, 
podem ocorrer fístulas retais, vaginais e vesicais, além de 
estenose retal. 
DIAGNÓSTICO 
↪ Na maioria dos casos, o diagnóstico do Linfogranuloma 
Venéreo (LGV) é realizado em bases clínicas, não sendo 
rotineira a comprovação laboratorial; 
↪ Esse diagnóstico deve ser considerado em todos os casos 
de adenite inguinal, elefantíase genital, estenose uretral ou 
retal. 
Recomenda-se a pesquisa de C. trachomatis em praticantes 
de sexo anal que apresentem úlceras anorretais. Mulheres 
com prática de coito anal ou HSH receptivos podem 
apresentar proctocolites como manifestação inicial. 
O uso de preservativos ou outros métodos de barreira para 
sexo oral, vaginal e anal previnem a infecção por C. 
Urologia 
trachomatis. Acessórios sexuais devem ser limpos antes de 
sua utilização, sendo necessariamente de uso individual. 
Os exames complementares incluem: 
- Bacterioscopia direta: exame direto do esfregaço, com 
coloração de Giemsa; corpúsculo de Gamma-Myiagawa. 
 
- Sorologia para Chlamydia trachomatis: 
• Teste de fixação do complemento ou Elisa: É o método 
mais usado na atualidade. Devem ser feitas duas dosagens 
com intervalo de duas semanas. O teste torna-se positivo 
após quatro semanas de infecção. Um aumento de quatro 
vezes nos títulos de anticorpos tem valor diagnóstico. Além 
disso, altos títulos (> 1:64) também são sugestivos de 
infecção atual. O título do teste de fixação do complemento 
não tem associação com o grau de comportamento clínico da 
doença. Este teste também se apresenta positivo em casos 
de uretrite, cervicite, conjuntivite e psitacose, causados por 
outros subtipos de clamídia. 
• Teste de microimunofluorescência: É considerado mais 
sensível e específico do que a fixação do complemento. A 
desvantagem é que ainda se encontra restrito a laboratórios 
de pesquisa. 
- Cultura em meios de McCoy e HeLa 229 com material 
obtido pela aspiração do linfonodo, sendo baixa a 
positividade. 
 
- Reação em cadeia polimerase (PCR): Amplifica as 
sequências de DNA de clamídia. Tem sido recentemente 
utilizada com resultados favoráveis. Apesar do alto custo 
operacional, é a técnica mais precisa no diagnóstico de 
infecção por clamídia. 
Diagnóstico diferencial 
Deve ser obtido com outras causas de úlceras genitais, com 
ou sem linfadenopatia inguinal, como: 
- Cancroide; 
- Sífilis primária; 
- Herpes genital; 
- Donovanose. 
Doença da arranhadura do gato e infecções bacterianas 
associadas à linfangite também devem ser ressaltadas no 
diagnóstico diferencial. 
TRATAMENTO 
↪ 1ª Escolha: Doxiciclina, 100mg 
VO, 12/12h, por 21 dias; 
↪ 1ª Escolha: Azitromicina 1g, 
VO, 1x/semana durante 21 dias. 
 
↪ O tratamento com azitromicina é considerado 
1ª opção em gestantes, visto que a doxiciclina é 
contraindicada nessa população. 
 
› Importante destacar que o tratamento pode ser prolongado 
caso a sintomatologia persista. 
› Os parceiros sexuais devem ser tratados. Se ele for 
sintomático, o tratamento deve ser realizado com os 
mesmos medicamentos do caso-índice. Se o parceiro for 
assintomático, recomenda-se azitromicina 1g, VO, dose 
única ou doxiciclina 100 mg,, VO, a cada 12 horas por 7 dias. 
› Os bubões que se tornarem flutuantes podem ser aspirados 
com agulha calibrosa, não devendo ser incisados 
cirurgicamente. 
Urologia 
 
REFERÊNCIAS 
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. DEPARTAMENTO DE DOENÇAS DE CONDIÇÕES 
CRÔNICAS E INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às 
pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). 2020.

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