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Urologia Linfogranuloma venéreo Etiologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento INTRODUÇÃO • Trata-se de uma IST, com contágio exclusivo por essa via, de distribuição mundial e de etiologia bacteriana. • A doença é denominada ainda, mula, doença de Nicolas- Favre-Durand, bubão climático, linfogranuloma inguinal. • É cerca de três vezes mais frequente em mulheres do que em homens. • Afeta, predominantemente, o sistema retículo- histiocitário, preferencialmente os linfonodos inguinais e ilíacos. A disseminação ocorre primariamente pela via linfática. • Período de incubação: 3 a 30 dias. ETIOLOGIA ↪ Tem como agente etiológico a Chlamydia trachomatis, (parasita intracelular obrigatório) espécie sorológica e biologicamente distinta das outras espécies de Chlamydia. Os sorotipos responsáveis são L1, L2 e L3. ↪ A manifestação clínica mais comum é a linfadenopatia inguinal e/ou femoral, já que esses sorotipos são altamente invasivos aos tecidos linfáticos. ACHADOS CLÍNICOS A evolução da doença ocorre em três fases: inoculação, disseminação linfática regional e sequelas, que são descritas a seguir: › Fase de inoculação: - A lesão inicial é indolor e corresponde a uma pápula, vesícula, pústula ou ulceração isolada que desaparece sem sequela; - Muitas vezes, não é notada pelo paciente e raramente é observada pelo profissional de saúde; - Localiza-se, no homem, no sulco coronal, frênulo e prepúcio; na mulher, na parede vaginal posterior, colo uterino, fúrcula e outras partes da genitália externa. › Fase de disseminação linfática regional: - No homem, a linfadenopatia inguinal se desenvolve entre uma a seis semanas após a lesão inicial; - É geralmente unilateral (em 70% dos casos) e se constitui no principal motivo da consulta; - Na mulher, a localização da adenopatia depende do local da lesão de inoculação. - Os gânglios acometidos são firmes, dolorosos, móveis e rapidamente se aderem à pele, configurando o chamado bubão inguinal. A pele torna-se eritematoedematosa, descamativa, seguida por ruptura dos linfonodos em 1 terço dos casos. › Fase de sequelas: - O comprometimento ganglionar evolui com supuração e fistulização por orifícios múltiplos (bico de regador), que correspondem a linfonodos individualizados, parcialmente fundidos em uma grande massa; - A lesão da região anal pode levar a proctite e proctocolite hemorrágica; - O contato orogenital pode causar glossite ulcerativa difusa, com linfadenopatia regional; - Podem ocorrer sintomas gerais, como febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, artralgia, sudorese noturna e meningismo; - A obstrução linfática crônica leva à elefantíase genital, que na mulher é denominada estiomene. Além disso, podem ocorrer fístulas retais, vaginais e vesicais, além de estenose retal. DIAGNÓSTICO ↪ Na maioria dos casos, o diagnóstico do Linfogranuloma Venéreo (LGV) é realizado em bases clínicas, não sendo rotineira a comprovação laboratorial; ↪ Esse diagnóstico deve ser considerado em todos os casos de adenite inguinal, elefantíase genital, estenose uretral ou retal. Recomenda-se a pesquisa de C. trachomatis em praticantes de sexo anal que apresentem úlceras anorretais. Mulheres com prática de coito anal ou HSH receptivos podem apresentar proctocolites como manifestação inicial. O uso de preservativos ou outros métodos de barreira para sexo oral, vaginal e anal previnem a infecção por C. Urologia trachomatis. Acessórios sexuais devem ser limpos antes de sua utilização, sendo necessariamente de uso individual. Os exames complementares incluem: - Bacterioscopia direta: exame direto do esfregaço, com coloração de Giemsa; corpúsculo de Gamma-Myiagawa. - Sorologia para Chlamydia trachomatis: • Teste de fixação do complemento ou Elisa: É o método mais usado na atualidade. Devem ser feitas duas dosagens com intervalo de duas semanas. O teste torna-se positivo após quatro semanas de infecção. Um aumento de quatro vezes nos títulos de anticorpos tem valor diagnóstico. Além disso, altos títulos (> 1:64) também são sugestivos de infecção atual. O título do teste de fixação do complemento não tem associação com o grau de comportamento clínico da doença. Este teste também se apresenta positivo em casos de uretrite, cervicite, conjuntivite e psitacose, causados por outros subtipos de clamídia. • Teste de microimunofluorescência: É considerado mais sensível e específico do que a fixação do complemento. A desvantagem é que ainda se encontra restrito a laboratórios de pesquisa. - Cultura em meios de McCoy e HeLa 229 com material obtido pela aspiração do linfonodo, sendo baixa a positividade. - Reação em cadeia polimerase (PCR): Amplifica as sequências de DNA de clamídia. Tem sido recentemente utilizada com resultados favoráveis. Apesar do alto custo operacional, é a técnica mais precisa no diagnóstico de infecção por clamídia. Diagnóstico diferencial Deve ser obtido com outras causas de úlceras genitais, com ou sem linfadenopatia inguinal, como: - Cancroide; - Sífilis primária; - Herpes genital; - Donovanose. Doença da arranhadura do gato e infecções bacterianas associadas à linfangite também devem ser ressaltadas no diagnóstico diferencial. TRATAMENTO ↪ 1ª Escolha: Doxiciclina, 100mg VO, 12/12h, por 21 dias; ↪ 1ª Escolha: Azitromicina 1g, VO, 1x/semana durante 21 dias. ↪ O tratamento com azitromicina é considerado 1ª opção em gestantes, visto que a doxiciclina é contraindicada nessa população. › Importante destacar que o tratamento pode ser prolongado caso a sintomatologia persista. › Os parceiros sexuais devem ser tratados. Se ele for sintomático, o tratamento deve ser realizado com os mesmos medicamentos do caso-índice. Se o parceiro for assintomático, recomenda-se azitromicina 1g, VO, dose única ou doxiciclina 100 mg,, VO, a cada 12 horas por 7 dias. › Os bubões que se tornarem flutuantes podem ser aspirados com agulha calibrosa, não devendo ser incisados cirurgicamente. Urologia REFERÊNCIAS MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. DEPARTAMENTO DE DOENÇAS DE CONDIÇÕES CRÔNICAS E INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). 2020.