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AULA 4
bell hooks
“O BAGULHO É DOIDO, MAS O PROCESSO É 
LENTO!”
A frase coloquial e marginal ganha um novo
contorno. O que significa dizer que o
bagulho é doido?
Bagulho se refere a qualquer coisa, um
evento, uma virtude, uma relação, uma
política, etc. Doido significa a
problematização, desbanalização, exame,
análise, entrevista ou incorporação de algo.
A afirmação de que “o processo é lento”
indica que a resolução precisa de esforço,
trabalho, investimento, treinamento,
estratégias ou marcação de posições bem
definidas.
Na cultura popular negra contemporânea, o RAP se tornou um dos espaços onde o vernáculo negro é
usado de maneira a convidar a cultura dominante a ouvir — a escutar – e, em certa medida, a ser
transformada. Entretanto, um dos riscos dessa tentativa de tradução cultural é que ela venha a banalizar o
vernáculo negro. Quando jovens brancos imitam essa fala dando a entender que ela é característica dos
ignorantes ou daqueles que só se interessam por divertir os outros ou parecer engraçados, o poder
subversivo da fala é ameaçado. Nos círculos acadêmicos, tanto na esfera do ensino quanto na da produção
de textos, pouco esforço foi feito para utilizar o vernáculo dos negros – ou, aliás, qualquer outra língua que
não o inglês padrão.
Percebi que corria o risco de perder minha relação com o vernáculo dos negros porque também eu
raramente o uso nos ambientes predominantemente brancos onde geralmente me encontro, tanto como
professora quanto na vida. Por isso, comecei a trabalhar para integrar em vários contextos o vernáculo
negro específico do Sul que eu ouvia e falava na infância. O mais difícil foi integrar o vernáculo negro na
escrita, particularmente para periódcos acadêmicos. Quando comecei a incorporar o vernáculo negro em
ensaios críticos, os editores me devolviam o artigo reescrito em inglés padráo. O uso do vernáculo
significa que a tradução para o inglés padráo pode ser necessária caso se queira atingir um público mais
amplo.
“a marca do hip-hop como cultura de rua revela que, 
para além de se caracterizar como um modo de 
intervenção artística, o movimento impõe um modo 
de viver e de se expressar, usando os lugares 
públicos como espaços de práticas sociais e 
culturais. Na rua, a ordem era ocupar os espaços 
para dançar, divertir-se, criar e competir” (p. 72).
“No universo hip-hop, uma das questões centrais diz 
respeito à necessidade de conhecimentos e saberes 
socialmente construídos e, nesse sentido, os usos da 
linguagem ganham importância fundamental. Os 
grupos têm buscados modos de visibilizar as novas 
maneiras de relacionar-se com práticas culturais, 
cuja centralidade está na linguagem escrita, gestual, 
imagética, musical” (p. 80).
VANDAL
Link para a música TIRASUAPAZH
https://www.youtube.com/watch?v=PDY4wJj-au4
Link para a música: 
https://www.youtube.com/watch?v=_t
dmKl_3joA
 Na sala de aula, encorajo os alunos a usar sua primeira língua e depois traduzi-la, para
não sentirem que a educação superior vai necessariamente afasta-los da língua e da
cultura que conhecem mais de perto. Não surpreende que, quando os alunos do meu
curso de Escritoras Negras começam a usar uma língua e uma fala diferentes, os
alunos brancos frequentemente reclamam. Isso ocorre particularmente quando se
usa o vernáculo negro. Ele perturba os alunos brancos sobretudo porque estes
podem ouvir as palavras, mas não compreendem seu significado.
 Pedagogicamente, estimulo-os a conceber como um espaço para aprender o
momento em que não compreendem o que alguém diz. Esse espaço proporciona nao
somente a oportunidade de ouvir sem “dominar”, sem ter a propriedade da fala nem
tomar posse dela pela interpretação, mas também a experiência de ouvir palavras não
inglesas. Essas liçóes parecem particularmente cruciais numa sociedade multicultural
onde ainda vigora a supremacia branca, que usa o inglês padrão como arma para
silenciar e censurar.
“Apresentando uma alegoria para representar tanto o objetivo da
escolarização como a política da diferença racial em uma
intersecção no espaço contestado das escolas públicas
urbanas, Mentes Perigosas habilmente mobiliza a raça como um
princípio organizador para promover sua estrutura narrativa e
mensagem ideológica”.
“De forma mítica, Mentes Perigosas reescreve o declínio da
escolarização pública e o ataque aos estudantes pobres, negros e
hispânicos dentro de um projeto mais amplo que rearticula a
branquidade como um modelo de autoridade, racionalidade e
comportamento civilizado”.
Por uma pedagogia e política da branquidade.
Henry Giroux
Proponho que possamos aprender não só com os
espaços de fala, mas também com os espaços de
silêncio; que, no ato de ouvir pacientemente outra
língua possamos subverter a cultura do frenesi e do
consumo capitalistas que exigem que todos os desejos
sejam satisfeitos imediatamente; que possamos
perturbar o imperialismo cultural segundo o qual só
merece ser ouvido aquele que fala em inglês padrão.
 Reconhecer que através da língua nós tocamos uns nos outros parece particularmente difícil
numa sociedade que gostaria de nos fazer crer que não há dignidade na experiência da paixão,
que sentir profundamente é marca de inferioridade; pois, dentro do dualismo do pensamento
metafísico ocidental, as ideias são sempre mais importantes que a língua.
 Para curar a cisão entre mente e corpo, nós, povos marginalizados e oprimidos, tentamos resgatar
a nós mesmos e as nossas experiências através da língua. Procuramos criar um espaço para a
intimidade. Incapazes de encontrar esse espaço no inglês padrão, criamos uma fala vernácula
fragmentária, despedaçada, sem regras.
 Quando preciso dizer palavras que não se limitam a simplesmente espelhar a realidade
dominante ou se referir a ela, falo o vernáculo negro. Aí, nesse lugar, obrigamos o inglês a fazer o
que queremos que ele faça. Tomamos a linguagem do opressor e voltamo-la contra si mesma.
Fazemos das nossas palavras uma fala contra-hegemonica, libertando-nos por meio da língua.

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