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Norma Penal

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O Direito Penal é definido como um conjunto de 
normas jurídicas cuja função consiste na proteção 
subsidiária de bens jurídicos. A lei é a fonte da norma 
penal. Quando a doutrina se refere à norma penal, 
menciona a distinção entre norma primária e norma 
secundária. 
Norma Primária: se dirigem aos cidadãos 
estabelecendo a proibição de cometer delitos; 
Norma Secundária: dirigidas aos juízes, 
determinando-lhes a imposição de sanções penais 
para aqueles que os cometem. 
Quanto ao seu conteúdo, a lei penal contém uma 
norma que pode ter característica proibitiva ou 
mandamental, permissiva, explicativa ou 
complementar. Ou seja, elas não são exclusivamente 
incriminadoras (finalidade de punir). 
 
Classificação 
A classificação mais adequada é aquela que começa 
por estabelecer a distinção entre normas penais 
incriminadoras e não incriminadoras. 
Normas imperativas: contêm o preceito sancionado 
pela pena; 
Normas finais: disciplinam as condições de 
determinado fim relativo à aplicação da norma 
imperativa; 
Normas Incriminadoras: elas definem as infrações 
penais, proibindo ou impondo a prática de condutas, 
sob a ameaça expressa e específica de pena. Por isso, 
são consideradas normas penais em sentido estrito. 
Compõem-se de dois preceitos: 
1. Preceito primário: encerra a norma proibitiva 
ou mandamental, ou, em outros termos, que 
descreve, com objetividade, clareza e 
precisão, a infração penal, comissiva ou 
omissiva; 
2. Preceito secundário: representa a cominação 
abstrata, mas individualizada, da respectiva 
sanção penal. 
Através dessas, o Direito Penal descreve as condutas 
que considera ilícitas, atribuindo-lhes as sanções 
respectivas. Não diz de forma expressa “é proibido 
matar etc”, ou seja, não há um imperativo expresso, 
mas prescrevem a punição com determinada sanção. 
Modus faciendi = a norma imperativa fica oculta no 
texto legal. 
 
Normas não-Incriminadoras 
Elas estabelecem regras gerais de interpretação e 
aplicação das normas penais em sentido estrito, 
repercutindo tanto na delimitação da infração penal 
como na determinação da sanção penal 
correspondente. Representam autênticas garantias de 
atribuição de responsabilidade penal. Estabelecem 
pautas e limites para o exercício do jus puniendi 
estatal. Podem ser permissivas, complementares ou 
explicativas. 
Normas permissivas: se opõem ao preceito primário 
da norma incriminadora, autorizando a realização de 
uma conduta em abstrato proibida. Não constituem a 
revogação do preceito primário de uma norma 
incriminadora, mas sim autênticas regras de exceção 
para os casos em que, apesar da adequação entre a 
conduta realizada e a infração penal, não existe uma 
contraposição valorativa entre aquela conduta e o 
ordenamento jurídico; 
Normas explicativas e complementares: proposições 
jurídicas que esclarecem, limitam ou complementam 
as normas penais incriminadoras. 
Fontes do Direito Penal 
Deve-se entender por fonte do Direito a origem 
primária das normas jurídicas. Em outros termos, 
poderia ser todo e qualquer fato/acontecimento que 
propicie o surgimento da norma jurídica. Kelsen, no 
entanto, atribuiu outro sentido à expressão fonte do 
direito, concebendo-a como fundamento de validade 
jurídico-positiva das normas de direito. Enfim, são 
todas as formas e modalidades por meio das quais são 
criadas, modificadas ou aperfeiçoadas as normas de 
um ordenamento jurídico. 
❶ Fontes materiais (fontes de produção): O Estado 
é a única fonte de produção do Direito Penal. O 
instrumento para materializar sua vontade é a lei. A 
fonte de produção legítima de Direito Penal, em nosso 
ordenamento, é o legislador federal através das 
regras do sistema político democrático. 
 
 
❷ Fontes formais (fontes de conhecimento): Podem 
ser mediatas ou imediatas. 
Imediata: leis; 
Mediatas: costumes, jurisprudência, doutrina e 
princípios gerais de direito. 
 
❖ Costumes: Consiste na reiteração constante e 
uniforme de uma regra de conduta. No entanto, para 
qualificá-lo como princípio consuetudinário, não basta 
a repetição mecânica de tais atos, é necessário que 
sejam orientados por um aspecto subjetivo, como a 
convicção de sua necessidade jurídica. Sem isso, é 
reduzido a um simples uso social, sem caráter de 
exigibilidade. Tem apenas uma função subsidiária. 
Pode apresentar 3 aspectos distintos: a) 
secundum legem – é o costume que encontra suporte 
legal; b) praeter legem – é o costume supletivo ou 
integrativo, destinado a suprir eventuais lacunas da 
lei; c) contra legem – é o costume formado em 
sentido contrário ao da lei; levaria à não aplicação da 
lei em razão de seu descompasso com a realidade 
histórico-cultural. Este último, não possui nenhuma 
eficácia, pois apenas uma lei pode revogar outra lei. 
Trata-se, na verdade, de algum equívoco do passado, 
que já foi superado pela própria evolução político-
criminal. 
Os costumes secundum legem e praeter legem 
poderão ter validade para o Direito Penal, pois não 
pretendem criar ou agravar normas incriminadoras, 
mas buscam tão somente ajustar as demais normas às 
concepções sociais dominantes. O costume contra 
legem poderá, no máximo, contribuir para a 
interpretação da norma, e nesse sentido, inserir-se no 
princípio da adequação social. 
❖ Jurisprudência: Entendida como a repetição 
de decisões num mesmo sentido, tem grande 
importância na consolidação e pacificação das 
decisões dos tribunais. As decisões judiciais, em 
qualquer nível de jurisdição, não criam direitos, 
declaram-nos. O juiz deve julgar, não pelas sentenças, 
mas pelas leis. É a jurisprudência que,em última 
análise, diz o que é direito. 
❖ Doutrina: É o resultado da atividade 
intelectual dos doutrinadores, ou seja, o resultado da 
produção científica de cunho jurídico-penal na 
elaboração da chamada dogmática penal, que 
objetivam sistematizar as normas jurídicas, 
construindo conceitos, princípios, critérios que 
facilitem a interpretação e aplicação das leis vigentes. 
Ela elabora e emite juízos de valor, apresenta 
sugestões procurando iluminar e facilitar o trabalho 
dos aplicadores da lei. 
Concluindo, somente a lei formal é fonte imediata das 
normas penas incriminadoras. Contudo, deve-se 
admitir a existência das chamadas fontes mediatas, 
que, indiretamente, penetram no Direito Penal 
através de novas leis – os legisladores não ignoram as 
contribuições dos costumes, da jurisprudência, etc. 
O processo interpretativo deve expressar com clareza 
e objetividade, o verdadeiro sentido e o alcance mais 
preciso da norma legal, considerando todas as suas 
relações e conexões dentro de um contexto jurídico e 
político-social. Incontáveis situações fatalmente 
surgirão, sem que haja uma previsão legal específica e 
que reclame sua adequação à ordem jurídica pelo 
aplicador da lei. E essa adequação o magistrado 
deverá fazer por meio da interpretação. 
A interpretação não pode em hipótese alguma 
desvincular-se do ordenamento jurídico e do contexto 
histórico-cultural no qual está inserido. 
 
Interpretação quanto às fontes: 
● Autêntica: é fornecida pelo próprio Poder 
Legislativo, por isso também pode ser denominada 
legislativa. O legislador edita nova lei para esclarecer 
o conteúdo e o significado de outra já existente, Ela é, 
em princípio, obrigatória, especialmente quando 
proveniente de outra lei, que é a dita norma 
interpretativa, e nesse particular, distingue-se da 
interpretação judicial e doutrinária. O interpretador 
insere essa interpretação no próprio texto legal, como 
ocorre, por exemplo, na concepção de casa para a 
tutela penal no crime de violação de domicílio (art. 
150, §§ 4º e 5º, do CP), nesta hipótese, diz-se que a 
interpretação autêntica é contextual. 
● Jurisprudencial: é produzida pelos tribunais 
por meio da reiteração de suas decisões. Em outros 
termos, é a declaração do direito, em

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