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embora tenha nuances e características bastante distintas.
 Diferente da Psicologia Social, da Sociologia e da Antropologia, citadas 
anteriormente e que compartilham o método científico (observação – hipótese – 
experimentação – generalização), a Filosofia coloca-se em um patamar diferente. 
Embora trabalhe com enunciados precisos e rigorosos, por ter como objeto de estudo 
coisas abstratas, ela busca encadeamentos lógicos a partir da utilização da razão. Mais 
importante do que as respostas alcançadas via experimentação, a Filosofia contenta-
se em suscitar perguntas e questionar aquilo que comumente se tem como natural. 
Dessa forma, em relação à Psicologia Social, a primeira diferença consiste 
exatamente na diferença entre objetividade por parte da Psicologia Social e 
especulação por parte da Filosofia. Vale ressaltar que nos referimos a métodos e a 
objetos de estudo diferentes, o que faz com que seja inconveniente a terminologia 
melhor/pior. Embora todo psicólogo ou mesmo toda pessoa tenha suas convicções 
filosóficas, como a melhor organização da sociedade, finalidade da vida em 
sociedade etc., a Psicologia Social acaba por se ater a questões mais superficiais, 
diferente da Filosofia, que busca e faz questão de ser radical (ir à raiz das coisas). A 
grande diferença reside, então, sobretudo, no grau de abstração de uma e de outra. 
Outra dúvida que aparece com frequência quando se entra em contato 
com a Psicologia Social é a da diferença entre ela e os demais setores ou áreas da 
Psicologia. Como será colocado a seguir, ao se discutir o significado do termo 
“social”, não há consenso em relação a isso. Por um lado, é possível dizer que 
em comum com as demais áreas da Psicologia (Psicologia Clínica, Psicologia 
Organizacional, Psicologia Escolar etc.), temos o fato de que todas se veem 
constantemente às voltas com o estudo das interações humanas. Por outro lado, 
a distinção entre as várias áreas da Psicologia parecem se dar pela ênfase posta 
no estudo de certos fenômenos psicológicos em detrimento de outros. No caso da 
Psicologia Social parece evidente o fato de que o que a caracteriza, como colocado 
no item 2 (definição e objeto de estudo), é a ênfase dada às relações sociais, ao 
estudo da influência dos fatores situacionais no comportamento humano. 
UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
12
5 O SIGNIFICADO DO TERMO “SOCIAL”: POSSIBILIDADES 
DE INTERPRETAÇÃO
Muitas poderiam ser as áreas nas quais as comparações teriam sentido e 
importância, no entanto, foram escolhidas algumas em que as dúvidas são mais 
comuns, com o intuito de exercitarmos as relações, a partir da compreensão da 
definição e objeto de estudo expostos no item 2 desse tópico. Feito isso, para 
encerrar esse primeiro contato com a Psicologia Social, buscaremos aprofundar o 
significado do termo “social” a seguir.
FIGURA 4 – ECONOMIA CRIATIVA
FONTE: Disponível em: <http://www.papocriativo.com.br/tag/economia-criativa/>. Acesso em: 
31 out. 2011.
Reflexão interessante é a trazida por Moreira (2007) a respeito da formação 
em Psicologia Social e as primeiras perguntas que os alunos fazem ao entrar em 
contato com a disciplina: “O que é Psicologia Social?”, “O que faz um psicólogo 
social?”. Aparentemente essas perguntas e as respectivas respostas deveriam 
ser trabalhadas como conteúdo obrigatório e como introdução da disciplina de 
Psicologia Social, no entanto, o autor revela que, na prática cotidiana, o que se 
percebe é que essas questões permanecem pouco claras.
Moreira (2007) expõe que, ao lecionar a disciplina de Psicologia Social, 
propôs aos alunos que expusessem o significado da palavra “social” para eles. 
Vale ressaltar que esses alunos não tinham qualquer contato anterior com a 
disciplina. Suas visões foram construídas a partir dos comentários de outros 
alunos que cursaram alguma disciplina afim ou mesmo pelo que já haviam lido 
ou escutado a respeito, nos mais diversos meios de informação. Moreira percebeu 
que algumas ideias estão frequentemente associadas à Psicologia Social e que as 
respostas podiam ser agrupadas em três categorias básicas, entre elas a de que 
“toda psicologia é social”, a de que “a psicologia social trabalha com os pobres” 
e, finalmente, que “a psicologia social é essencialmente crítica”. Buscaremos, a 
seguir, analisar as seguintes proposições, tentando esclarecer o que há de verdade 
e mito nessas afirmações.
TÓPICO 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: EM BUSCA DE UM CONCEITO
13
A primeira ideia presente e expressa por parte dos alunos se refere à 
opinião de que “toda psicologia é social”. Freud, em 1921, na sua obra “Psicologia 
de grupo e análise do ego”, aponta que toda a psicologia individual pode ser 
considerada uma psicologia social, pelo fato de que não é possível pensar o 
sujeito fora de suas relações com o outro. Em consonância com essa afirmação, 
Silvia Lane, em várias obras, faz exatamente essa afirmação: toda psicologia é 
social ou pelo menos deveria ser. “[...] esta afirmação não significa reduzir as 
áreas específicas da Psicologia à Psicologia Social, mas sim cada uma assumir 
dentro da sua especificidade a natureza histórico-social do ser humano”. (LANE, 
1984, p. 19). O que está implícita nessa afirmação é o fato de ela defender que não 
há a possibilidade de conhecer e compreender qualquer comportamento humano 
isolando-o ou fragmentando-o, como se existisse em si e por si. 
O sujeito com o qual a Psicologia trabalha é um ser relacional e histórico e, 
nesse sentido, as explicações que tomam como base a natureza, a herança genética 
e o comportamento inato acabam sendo colocadas em xeque nessa concepção. 
Diante do exposto, a afirmação de que “toda psicologia é social” parece ter sentido 
ao se compartilhar a premissa colocada até então. Como não existe uma única 
Psicologia e sim “psicologias”, temos dificuldade de colocar um ponto final nessa 
discussão, visto que algumas abordagens não compartilham esses pressupostos. 
Outra proposição recorrente é a de que “a psicologia social trabalha com 
os pobres”. Nesse caso o “social” acaba estando bastante atrelado à Assistência 
Social e na qual a Psicologia teria, nesse caso, a função de intervir no meio 
social, a fim de “ajudar” as classes menos favorecidas. É interessante o fato de 
que a universalidade da expressão “toda psicologia é social” se perde, pois é a 
Psicologia Social que se dedica e trabalha com os pobres. O “social”, nesse caso, 
acaba sendo quase um sinônimo de “carente”. 
É fato que a Psicologia Social produziu e produz constantemente 
metodologias para a intervenção em grupos e comunidades das periferias das 
grandes cidades e para a população em situação de vulnerabilidade social, 
sobretudo com o intuito de incluir esses grupos e comunidades, em defesa da 
cidadania. No entanto, o grande equívoco talvez esteja no ponto em que se reduz 
o campo de atuação da Psicologia Social a somente isso. 
A Psicologia Social debruça-se sobre todo e qualquer fenômeno coletivo da 
sociedade e às relações sociais existentes. Entretanto, a partir de uma perspectiva 
crítica, em uma sociedade desigual e produtora de desigualdades de toda ordem 
como no Brasil, ela acaba por se ater a esta problemática de forma significativa, 
com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida de grande 
parte da população que vive em condições precárias.
A última ideia presente no estudo relatado por Moreira (2007) é a de que 
a Psicologia Social tem natureza crítica. Nesse sentido, essa concepção parece 
ser equivocada, já que parte do princípio de que todas as outras psicologias e 
suas práticas seriam alienadas e alienantes. Não seriam se fizessem a almejada 
UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
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crítica social. Nessa ótica, a Psicologia Social seria o “certo”, enquanto as outras 
psicologias seriam “erradas”, dando à Psicologia

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