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RESENHA UM SONHO INTENSO

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Resenha sobre o filme-documentário: Um sonho intenso de 2015.
Nesta resenha será analisado o documentário “Um sonho intenso” dirigido por José Mariani do ano de 2015, que tem como seu tema a história da economia brasileira, desde a república velha, república populista e a nova república. No documentário tem-se a participação de economistas e historiadores, que demonstram sua visão e relatam como ocorreu os mandatos dos presidentes desde a república velha. A história econômica é demonstrada, com os seus problemas sociais, e os avanços que foram alcançados. Desta forma, o documentário traz uma análise do processo de desenvolvimento político, econômico e social no Brasil.
A primeira fase da economia que é abordada no documentário seria a república velha, com as Oligarquias rurais, esta foi onde se inicia a organização republicana nacional. Neste período econômico, o poder era centralizado, os representantes realizam políticas para colaborar com os interesses das elites, sendo assim favorecendo o crescimento econômico desta parte da sociedade. As políticas econômicas, era para auxiliar o crescimento da produção rural, focando na vocação agrária do país, que ficou conhecida como a política do café com leite. Deste modo, a economia girava em torno dessas elites e dos grandes proprietários de terras que acabam se favorecendo e crescendo, enquanto a grande parte da sociedade ficava sem o auxílio do Estado, necessitando de políticas sociais.
Com o fim da república velha, surge a Era Vargas, no qual o presidente do Brasil é Getúlio Vargas. Nos seus mandatos, ele foi um ditador, controlando o poder em suas mãos. Este foi um governo controverso, há pessoas que concordam com o seu modo de agir, e outras que não, mas foi muito relevante para a história econômica do país. No início de seu governo, Vargas tinha a produção de café, como uma forma de enfrentar a crise financeira que estava instaurada, e após incentivou a industrialização para alcançar o desenvolvimento. O presidente Vargas realizou políticas trabalhistas que foram um marco nos seus mandatos, ampliando benefícios aos trabalhadores.
No final da Era Vargas como demonstra no documentário, surgia a república populista com presidentes que colaboraram para o desenvolvimento econômico do país, e outros nem tanto. Um dos principais presidentes, que é citado no documentário, é o Juscelino Kubitscheck que buscou um crescimento econômico através da industrialização, trazendo inovação para o país, com muitas indústrias e ampliando empregos. Na república populista democrática, teve presidentes de direita e esquerda, assim como avanços econômicos e sociais, entretando o desenvolvimento humano, não era o foco dos governos. Porém, com a república populista em vigor, houve o golpe militar e foi instaurada a Ditadura Militar no Brasil, com os militares comando	do governo. Este período foi de grandes incertezas, restrições de liberdade social, sem democracia, o poder era monopolizado por esses militares.
Surge a necessidade da volta da democracia, a sociedade foi às ruas, exigindo votação para presidente, as conhecidas “Diretas já”, e conseguiu eleger seus representantes e terminar com a Ditadura militar. Na nova república de uma forma democrática, foi escolhido seus representantes, e está é a fase atual do Estado. Um dos presidentes mais conhecidos da nova
república foi Fernando Collor, que com crise financeira e o aumento da inflação, decidiu por planos de governo restritivos. Um de seus planos de governo, que ficou muito conhecido, foi o de confiscar os recursos em poupanças e depósitos a prazo, para o governo. Outro governo importante para a economia brasileira, foi o de Fernando Henrique Cardoso (FHC), no seu mandato houve um grande avanço econômico e industrial, com uma grande ascensão dos negócios com o exterior, e um crescimento nas privatizações. No governo de FHC, teve o início do foco maior em políticas públicas, que auxiliarão na diminuição das desigualdades sociais. E o último governo abordado no documentário seria o de Luís Inácio Lula da Silva, que foi um presidente de esquerda, que focou no seu governo em realizar políticas públicas, para diminuir a desigualdades. Nas políticas públicas, as que tem muito destaque são o Bolsa Família, Prouni, Fies, entre outros. Este governo teve grande sucesso na diminuição da pobreza no país, como é citado no documentário. No governo Lula não se focou apenas em um crescimento econômico, e se deu ênfase ao desenvolvimento humano.
As abordagens econômicas analisadas na disciplina de abordagens teórica do desenvolvimento, estão presentes nestes governos do Brasil. Na história da economia brasileira, tem diferentes vertentes, a uma lado mais comunista, e outro de direita mais conservador. Estes diferentes ideais, estão presente nessa construção do país, com cada governante buscando evoluir do subdesenvolvimento, com o objetivo de se tornar um país desenvolvimento. As abordagens mais conservadoras como a abordagem neoliberal, com líderes liberais, que preza pelo desenvolvimento econômico através da vocação agrária do país, e da mínima intervenção do Estado na economia. A abordagem desenvolvimentista que prioriza o desenvolvimento econômico pela industrialização, está presente na maioria dos governos dos últimos anos, com um viés mais inovador. A abordagem desenvolvimentista nacionalista do setor privado está presente no governo de FHC, onde o Estado investi no setor privado, buscando alcançar o desenvolvimento, como no caso das privatizações, que acabam dando lucro para o capital privado, há o incentivo ao setor privado. A abordagem desenvolvimentista nacionalista do setor público, que é a qual busca o desenvolvimento diminuindo as desigualdades sociais, e através de políticas públicas. É a abordagem que se encaixa no governo Lula, que tem o foco nas políticas sociais, com recursos do governo para amparar essa sociedade. Preza pelo avanço tecnológico, e industrial, proporcionar meios para o crescimento econômico dos menos favorecidos, desde a base buscando superar o subdesenvolvimento e diminuir as barreiras para o crescimento econômico de toda a sociedade.
O documentário trouxe uma grande reflexão sobre a economia brasileira, toda a trajetória política, com o início da democracia, com o povo podendo ter voz e escolher seus representantes, porém na maioria das vezes esses representantes que entravam no poder eram das elites, e o povo não se sentia representado. E esses presidentes priorizavam o favorecimento das elites, com políticas econômicas que colaboraram para o crescimento dessa pequena parte da sociedade. A falta de políticas públicas e sociais, favorece o subdesenvolvimento, pois o país se torna cada vez mais desigual, como Celso Furtado demonstrava, que toda a economia brasileira favorece o subdesenvolvimento, que o país não conseguirá avançar enquanto for dependente dos outros países, o quanto não investir na sua base e se tornar autônomo. Torna-se necessário investir recursos em políticas sociais,,
possibilitando melhores condições de saúde, educação, transporte, fornecendo as necessidades básicas para o desenvolvimento.
Portanto, a economia brasileira se desenvolveu comandada por elites, se desenvolveu pensando apenas no crescimento econômico, sem focar no que mais importa que é realizar políticas públicas, para diminuir as desigualdades, para avançar. Como no documentário é demonstrando, toda a história econômica turbulenta, com golpe militar, suicidio de presidente, escândalos de corrupção, entre outros que afetaram o desenvolvimento do país. E o momento atual é um retrocesso, com o Presidente Jair Bolsonaro, que tem um poder centralizado, com um viés conservador, diminuindo recursos financeiros para as políticas públicas. A educação é uma da áreas mais afetadas neste mandato, e com todos estes cortes de verbas para essas áreas de grande importância para a diminuição das desigualdades, e o crescente desemprego, deixa um receio sobre como será o futuro da economia brasileira.

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