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NATAÇÃO ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS - Livro Texto Unidade II

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Unidade II
Unidade II
5 O NADO DE COSTAS
O nado de costas permite associar a flutuação dorsal, que facilita a respiração de aprendizes, com 
movimentos alternados, realizando o deslocamento e permitindo um contato facilitado da face com o ar.
5.1 Histórico do nado de costas
Inicialmente, teria também sido utilizado com intuito utilitário e realizado com movimentos 
simultâneos similar ao nado peito, ou com pernadas em tesouradas, e evoluiu para a recuperação 
alternada de braços por sobre a superfície para aumentar a velocidade do nado.
Segundo Velasco (1994), nos Jogos Olímpicos de 1912, o norte‑americano Harry Habner já utilizava 
o movimento de braçada alternada para vencer a prova, e a pernada alternada também se incorporou 
posteriormente ao nado, para aproximá‑lo de como o conhecemos atualmente. Inicialmente, a fase 
submersa da braçada era realizada lateralmente ao corpo, sem afundar muito, assim como a fase de 
recuperação, na qual o braço retornava à posição inicial rente à superfície da água, diferentemente do 
que ocorre hoje, em um plano vertical a partir da coxa (MAGLISCHO, 1999).
5.2 Movimentação geral do nado de costas e seu ensino
Figura 89 – O aprendizado do nado de costas utiliza o acesso à respiração como uma vantagem 
de possibilidade de sua execução, mas se houver inalação de água, a sensação ao aprendiz 
é desagradável. Proteja as vias aéreas e faça o aluno ganhar maior controle respiratório
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
5.2.1 Posição do corpo na aprendizagem do nado de costas
O nado de costas é o único nado executado em decúbito dorsal.
A iniciação ao aprendizado do nado de costas dá‑se com a flutuação dorsal. Esta pode ser trabalhada 
paralelamente ao desenvolvimento da flutuação ventral, pois trata‑se de uma das habilidades básicas 
da natação.
Para a flutuação em decúbito dorsal é importante também desenvolver trabalho com a 
recuperação vertical, que é feita com flexão de pescoço, flexão seguida de extensão de joelhos e 
quadris e apoio dos pés no chão. Para o início do desenvolvimento da flutuação, vimos que se pode 
utilizar o apoio de uma pessoa ou material como prancha ou espaguete, até que o aluno adquira 
segurança para executar o movimento sozinho e sem apoio. Após realizar algumas práticas da 
flutuação incorporamos a propulsão de pernas, trabalho que pode ser feito primeiro com materiais, 
com apoio, e depois livre de apoios.
A cabeça deve estar posicionada obliquamente: uma pequena flexão cervical vai evitar que 
água passe por cima da testa e incomode um nadador. Uma flexão cervical exagerada vai retirar 
parte da cabeça da água e afundar o tronco e quadril, o que é indesejável, pois tornará o nado 
mais cansativo.
Figura 90 – A posição de cabeça muito elevada faz com que o peso do crânio influencie na posição de equilíbrio do corpo na água, 
resultando em afundamento do quadril e consequente maior resistência ao deslocamento
5.2.2 Movimentação de pernas na aprendizagem do nado de costas
O movimento de pernas é feito na vertical de forma alternada, sendo a fase ascendente propulsiva, 
e a descendente, de relaxamento e recuperação para o próximo movimento. Os joelhos não devem sair 
da água, caracterizando o movimento de “pedalar uma bicicleta”. O movimento geral deve ser “chutar 
a água”. Uma estratégia possível para facilitar o entendimento e realização do movimento pode ser 
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colocar uma bola acima dos pés do aluno, que vai realizando as pernadas e tentando chutar a bola que 
está sendo segurada pelo professor enquanto se desloca. No momento do chute final, o joelho deve 
estar estendido e o tornozelo também deve estar em sua extensão total para proporcionar o melhor 
aproveitamento da propulsão.
Há diversas possibilidades de utilização da prancha para melhorar a posição do corpo e progredir na 
percepção e melhora da pernada do nado de costas.
Quadro 4 – Diferentes usos da prancha no aprendizado do nado de costas
Posição da prancha Efeito no corpo Indicação para o uso
Abraçada no peito Grande estabilidade Ótimo para iniciar trabalhos. Requer afastar a prancha do corpo para recuperação vertical
Sob a cabeça Protege vias aéreas Deve‑se fazer pressão para trás com a cabeça, para provocar elevação do quadril
Sob a região lombar Evita afundar o quadril Deve‑se estender o tronco, combatendo a posição “sentada”
Acima das coxas Posicionamento ativo Braços estendidos seguram a prancha, ombro transfere flutuação para o tronco
Atrás da cabeça Alinhamento (streamline) Braços estendidos acima da cabeça, requer pressão das mãos para baixo na prancha. Posição difícil para iniciantes.
Sem prancha Alinhamento (streamline) Braços podem ficar ao longo do tronco (mais fácil) ou acima da cabeça (mais difícil)
5.2.3 Aprendizagem da braçada do nado de costas
A braçada é feita com movimentos alternados de braços, com duas fases: aérea e submersa. Maiores 
detalhes serão explorados na seção de aperfeiçoamento técnico, pois não se aplicam à aprendizagem 
do movimento básico.
Para ensinar o movimento básico da braçada, pode‑se utilizar a prancha para colaborar 
no equilíbrio da flutuação dorsal, uma vez que o movimento de braços pode dificultar a 
manutenção da posição. A braçada inicialmente pode ser adaptada, por exemplo, somente a 
impulsão com extensão do cotovelo desde o ombro até o quadril, e depois passar a abranger 
a amplitude total.
Também no início do trabalho da braçada pode ser feita a recuperação por dentro da água, 
simultaneamente, levando as mãos por debaixo da água lentamente e depois tracionando a água 
levando as mãos até a linha da cintura. Isso será possível de ser feito sem a prancha pelos alunos que 
possuem boa flutuação dorsal.
A braçada formal em circundução pode ser ensinada inicialmente com um braço abraçando a 
prancha junto ao peito (grande efeito de estabilidade), e movimentando‑se um braço de cada vez 
em circundução, enfatizando a entrada do braço próximo à orelha e a saída próximo à coxa. Depois, 
trabalha‑se a braçada completa do nado, com e sem apoio.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
Entrada
Tração
Agarre
Empurre
Desmanchamento
Recuperação
Figura 91 – Movimentação básica da braçada do nado de costas segundo Palmer
Exemplos de exercícios para o desenvolvimento dos movimentos da braçada do nado de costas:
• Usando a prancha sobre as coxas e a pernada do nado de costas, fazer movimento de 
circundução de um braço. Atravessar a piscina movimentando braço direito e retornar 
movimentando braço esquerdo.
• Mesmo exercício anterior, segurando a prancha, movimentando dois braços alternadamente 
(pegada dupla).
• Com flutuador entre as pernas, realizar a circundução alternada de braços.
• Executar movimentos da braçada do costas de forma livre, sem materiais (nado de costas completo 
– ainda sem detalhamento técnico).
No aprendizado da braçada do nado de costas, o professor deve se atentar e orientar o aluno quanto 
à proximidade da borda, pois o campo visual está prejudicado pela posição do corpo na água, e a maioria 
das piscinas não dispõe de bandeirinhas que indicam esta proximidade, o que pode levar a acidentes ao 
bater o braço na borda com força. Ensine o aluno a utilizar referências visuais do teto quando a piscina 
não possuir as bandeirinhas.
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