A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
47 pág.
NATAÇÃO ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS - Livro Texto Unidade III

Pré-visualização | Página 1 de 12

144
Re
vi
sã
o:
 F
ab
ríc
ia
 -
 D
ia
gr
am
aç
ão
: J
ef
fe
rs
on
 -
 1
4/
05
/1
8
Unidade III
Unidade III
7 NADO DE BORBOLETA
7.1 Histórico do nado de borboleta
O nado de borboleta surgiu por uma variação do nado de peito, que era na época permitida pela 
regra. Os nadadores vinham utilizando nas provas do nado de peito uma braçada com recuperação pela 
lateral do corpo e por fora da água, o que permitia não só a eliminação da resistência para levar os 
braços a frente, como também a braçada mais longa, com extensão dos cotovelos e consequente maior 
propulsão. Como a regra não proibia tal movimento, passou a ser utilizado e atribuiu‑se ao americano 
Henry Myers em 1933 o marco desta mudança na recuperação da braçada (VELASCO, 1997, p. 33). As 
regras tiveram que ser modificadas para preservar o antigo nado de peito “clássico” deste novo estilo de 
nadar que vinha se destacando por ser mais rápido. Pela aparência da nova braçada, foi batizado como 
borboleta, inicialmente realizado ainda com a pernada de peito e, mais tarde, com a determinação de 
novas regras, incorporou definitivamente a pernada conhecida como “golfinhada”.
7.2 Movimentação geral do nado de borboleta e seu ensino
7.2.1 Aprendizagem da pernada do nado borboleta
Apesar de o nado borboleta requerer uma força de braçada e coordenação que o costumam levar para 
ser o último nado a ser ensinado, a pernada do borboleta é simples e pode ser aprendida facilmente pelas 
crianças ainda na fase de habilidade básica de propulsão, pois utiliza movimentos ondulatórios do corpo 
inteiro, exercício chamado comumente de “minhoquinha”. Já para os adultos, apesar de o movimento 
não ser desgastante quando realizado para experimentação, há uma maior dificuldade, pois adultos se 
mostram mais “rígidos” em movimentações anteroposteriores da coluna, como requer esta pernada.
O movimento das pernas é simultâneo e na vertical, com duas fases: fase descendente (propulsiva) 
e fase ascendente (recuperação).
O movimento de pernas do nado de borboleta (golfinhada) imita o movimento realizado pelos golfinhos 
ao nadar. A movimentação ocorre a partir do quadril, sendo extensiva às pernas que permanecem juntas 
com joelhos semiflexionados no início da fase descendente, estendendo‑se e mantendo‑se estendidos 
na fase ascendente.
A aprendizagem da pernada do nado borboleta pode ser feita com a execução de um movimento 
anteroposterior de quadril com o aluno na posição em pé. Depois o mesmo movimento será experimentado 
com o aluno em decúbito ventral, associando com a submersão ou na superfície. Podemos usar a 
forma lúdica com uso de materiais e jogos de imitação, em que o aluno irá executar a movimentação 
145
Re
vi
sã
o:
 F
ab
ríc
ia
 -
 D
ia
gr
am
aç
ão
: J
ef
fe
rs
on
 -
 1
4/
05
/1
8
NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
na superfície ou em conjunto com a submersão, à meia água. Materiais podem ser utilizados, como 
espaguetes e arcos, dispostos no plano horizontal ou vertical para estimular a execução da golfinhada. 
Também podemos incrementar a prática com desafios, como fazer a pernada em decúbito lateral e dorsal. 
Tudo isso sempre criando situações que estimulem e desafiem os alunos a praticarem a golfinhada.
Usualmente, parte do trabalho deve ser realizada sem o uso da prancha, para justamente permitir uma 
oscilação de ombros e braços e facilitar o movimento corporal do tronco, quadris e pernas, enquanto o 
aluno tem pouca experiência no movimento, pois a prancha irá “travar” os braços do aluno na superfície, 
sem permitir que as mãos afundem, por exemplo. Logicamente, com mais experiência, o uso da prancha 
passa a ser uma importante referência no trabalho de pernadas de nadadores mais experientes.
Uma variação bastante interessante é a realização das pernadas com os braços ao lado do tronco e 
não acima da cabeça. Com este “encurtamento”, reduzindo a tronco e pernas a ondulação, cria‑se uma 
percepção diferenciada do movimento que pode enriquecer a experiência motora do aluno.
7.2.2 Exemplos de exercícios para desenvolvimento da pernada do nado de borboleta
São exemplos de exercícios:
• Em pé, fora da água, executar movimentos de ondulação com braços ao longo do corpo e 
acima da cabeça.
• Repetir a ondulação dentro da piscina, em pé.
• Com espaguete colocado sobre a superfície da piscina, saltar e mergulhar (mergulho elementar), 
passando sobre o material.
• Em pé, impulsionar o corpo e passar por cima da raia divisória (verifique se é seguro utilizar a raia 
desta forma).
• Atravessar a piscina executando ondulações em profundidade (submerso).
• Executar a pernada do borboleta na posição lateral, com o braço de cima ao longo do corpo, e o 
braço submerso estendido para a frente da cabeça.
• Executar a pernada do borboleta em diferentes amplitudes e velocidades: longa, curta, rápida, 
lenta etc.
7.2.3 Posição do corpo
Antes de descrevermos as diferentes ações do nado, faz‑se necessária a compreensão do movimento 
ondulatório do corpo que se origina na cabeça/ombros e passa pela coluna, quadris, joelhos e pés. Esta 
percepção se mostra como a base da execução geral do nado e sem ela se torna difícil o desenvolvimento 
do nado de borboleta. Portanto, quando abordarmos a pernada do borboleta, o movimento conjugado 
tem uma influência desde os ombros (conjugados com a braçada) até os pés.
146
Re
vi
sã
o:
 F
ab
ríc
ia
 -
 D
ia
gr
am
aç
ão
: J
ef
fe
rs
on
 -
 1
4/
05
/1
8
Unidade III
7.2.4 Aprendizagem da braçada do nado de borboleta
O movimento da braçada do nado de borboleta é simultâneo e apresenta duas fases: a fase aérea 
(recuperação) e a fase submersa (propulsiva). A fase aérea é a fase de recuperação em que os braços 
estão em voltando para a frente do corpo, e com as palmas das mãos voltadas para cima para trás. A fase 
submersa da braçada deste nado lembra a braçada do nado crawl, porém realizada simultaneamente dos 
dois lados, com algumas diferenças a serem detalhadas no seu aperfeiçoamento.
O trabalho para o ensino da braçada do nado de borboleta pode ser feito com a vivência do 
movimento em pé, caminhando pela piscina enquanto realiza a circundução simultânea dos braços. 
Pode‑se também, ao invés de caminhar, realizar saltos na vertical no momento em que a fase da braçada 
corresponde à extensão de cotovelos, para evidenciar a importância desta fase no desenvolvimento do 
nado, como veremos a seguir na análise técnica do aperfeiçoamento.
Uma maneira interessante de iniciar o movimento da braçada do borboleta durante o nado é 
executar a braçada de apenas um dos lados, juntamente com a pernada do nado de borboleta. Esse 
trabalho possibilita iniciar também a coordenação entre braçada e pernada, e, como a braçada é 
unilateral neste exercício, possibilita também que a respiração seja feita lateralmente, como no 
crawl. Isso alivia muito a sobrecarga da elevação da cabeça para fora da água, como aconteceria 
se a respiração fosse frontal.
Quando a opção do professor for um exercício para trabalhar os dois braços, deve‑se pensar em como 
diminuir a sobrecarga ao nadador. Uma opção pode ser utilizar um flutuador, colocando‑o bem próximo 
ao quadril (terço proximal da coxa), para que a flutuação fornecida não cause uma hiperextensão da 
coluna. O uso do flutuador possibilita uma experimentação da braçada mais leve, aliviando o trabalho 
das pernas, ainda pouco eficiente nesta fase.
Outra possibilidade é realizar a braçada do borboleta juntamente com a pernada do nado crawl para 
manter a flutuabilidade (equilíbrio) dos membros inferiores e tronco. No momento da extensão dos 
cotovelos, o aluno deve acelerar o batimento de pernas de crawl para facilitar o lançamento dos braços 
à frente, por cima da superfície,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.