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Superendividamento da Pessoa Idosa - Yasmin Mustafa (Disciplina de Legislação Especial)

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Aluna: Yasmin Andrade Mustafa Figueiredo
R.A: 202051379901
Disciplina: Legislação Especial 
Professor: Ricardo Maurício
AV1 
Superendividamento da Pessoa Idosa
Contextualizando, o Código de Defesa do Consumidor passou por mudanças em 07/2021, após a sanção presidencial de uma nova lei, que busca prevenir e solucionar o superendividamento da população brasileira. Na prática, foram incluídos novos trechos no CDC (Lei 8.078), que trazem mais segurança jurídica aos endividados que precisam negociar seus débitos, e dão mais transparência à oferta, por exemplo, de empréstimos.
Certo, mas o que é o Superendividamento ? Com sua nova alteração, o CDC define superendividamento como a impossibilidade de o consumidor pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, sem comprometer seu mínimo existencial (renda mínima para as necessidades básicas). Ou seja, é uma dívida que o consumidor não consegue pagar sem afetar o que é essencial para viver.
E em que isso implica na pessoa idosa?
Com sua nova redação, o CDC define superendividamento como a impossibilidade de o consumidor pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, sem comprometer seu mínimo existencial (renda mínima para as necessidades básicas para sobrevivência). Ou seja, é uma dívida que o consumidor não consegue pagar sem afetar o que é essencial para viver. Também não será permitido assédio ou pressão de venda de produtos e serviços, principalmente para idosos, analfabetos, doentes ou pessoas em estado de vulnerabilidade agravada.
Para implementação de informações sobre o tema, específico o evento “Superendividamento da Pessoa Idosa no Brasil: O que podemos fazer?”, esse evento com participação do TJDFT, foi promovido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, através da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. O evento alusivo ao Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, comemorado no dia 15 de março, o encontro promoveu uma roda de conversa que teve o objetivo de fomentar a discussão sobre o problema do endividamento e superendividamento da pessoa idosa no Brasil, trazendo esclarecimentos conceituais e orientações sobre abordagens e enfrentamento.
O evento trouxe ideais importantes e necessários, como a fala do Juiz Luís Miranda, Juiz Assistente da 2ª Vice-Presidência, onde ressaltou que “o idoso, com todas as suas particularidades e especificidades, é sujeito de direitos e de deveres e cabe ao Estado, nesse sentido, promover as garantias fundamentais para essa parcela da população de forma especializada, de forma competente, coordenada, para que os idosos tenham possibilidade de usufruir adequadamente o esforço que tiveram durante vários anos”, sendo levado em consideração a Lei nº 10.741, o Estatuto do idoso, que estabeleceu uma série de direitos que classifica como fundamentais a essa parcela da população. Como, por exemplo, o Artigo 9º, do Estatuto: É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.
A Juíza Monize Marques, Juíza de Direito e uma das coordenadoras da Central Judicial do Idoso – CJI, dialogou que “quando o idoso está nessa classificação, normalmente ele está por dívidas que foram contraídas por ele e para benefício de outros, o que torna bastante diferente dos demais consumidores superendividados”, sendo de fato, uma realidade da situação onde a pessoa idosa, por sua vez, realiza o sustento de forma marjoritaria da sua família, inclusive de seus filhos já adultos e independentes. Seguindo o princípio social que deve/precisar ajudar seus familiares, assim se endividada com empréstimos e gastos feitos por terceiros. 
Sim, o O Estatuto do Idoso, Lei 10.741/2003 prevê como crime a conduta de receber ou desviar bens, dinheiro ou benefícios de idosos. Porém, muitos casos não são classificados como violência financeira contra o idoso por ter o aval do idoso, sendo que esse idoso tem ciência e realiza o procedimento em pro de algo/alguém que ele confia e precisa ajudar.
Partindo do principio da violência financeira contra o idoso, a FEBRANBAN realizou um levantamento que revela que no desde o início da quarentena pelo Covid-19, houve um aumento de 60% em tentativas de golpes financeiros contra idosos . Com isso, a FEBRANBAN visou combater as fraudes financeiras, a entidade, com o apoio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e do Banco Central lançou uma campanha para informar e conscientizar sobre as tentativas de golpes financeiros. A iniciativa foi abordada no evento, e conta com medidas para proteção e enfrentamento à violação de direitos das pessoas idosas.
O PH.d Reinaldo Domingos, em fala, traz a ideia da sustentabilidade financeira, que consiste no uso dos recursos disponíveis de forma equilibrada, ou seja, utilizar sua renda de forma racional, atendendo as necessidades presente, porém seguindo uma lógica de se importar com as necessidades futuras. Levando em consideração, que de fato, chegar na terceira idade sem preocupações financeiras é o sonho de muitos, e para isso a educação e sustentabilidade financeira são métodos assertivos nesse quesito.
Concluímos, que a população idosa é a que mais sofre com a pandemia do Coronavírus, tanto pelos impactos mais severos da doença quanto pelo isolamento social. E também pela crise econômica que ela provocou, colocando os idosos como os principais responsáveis pelo sustento da família. Com isso, eles se tornaram vítimas ainda mais suscetíveis a ofertas enganosas e ao endividamento. Portanto, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) sofreu mudanças para proteger esses consumidores de armadilhas que possam comprometer o próprio sustento básico. De fato, as melhorias trazidas pela nova lei são inúmeras, sendo um grande passo no caminho para a melhora no exercício dos direitos do consumidor. Mas, com certeza, ainda há o que ser melhorado. Como, por exemplo, o direito de arrependimento da contratação do crédito, seria um grande avanço nessa política de prevenção ao superendividamento. Da mesma forma, a informação prestada ao consumidor, principalmente aos idosos, é atualmente insuficiente, é nítido que falta conhecimento sobre o que se contrata, o que colabora em muito para o Superendividamento. A expectativa que a prática da Lei 8.078 mude esse panorama, visto que preza pela educação financeira e pela clareza nas relações jurídicas.

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