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DermatologiaDermatologiaDermatologia DERMATOSES FÚNGICAS Os fungos podem ser divididos em antropofílicos (como o homem é o próprio hábitat, o tratamento é mais fácil), zoofílicos e geofílicos. Quando não temos certeza da família do fungo, pode ser feita uma cultura, que demora cerca de 21 dias. É causada pela Malassezia sp. -> levedura presente na microbiota normal (não transmite), lipodependente e polimórfica. Sua proliferação ocorre em casos de aumento de oleosidade ou secreção. Lesões com descamação e cor variável. Presença de máculas múltiplas que podem confluir. Com alteração da cor da pele, podendo ser eritematosa ou hipocrômica (mais comum com fototipos altos). Acomete pescoço, tórax e regiões próximas dos MS. É também chamada de levedura lipofílica, acometendo mais adultos, em regiões com maior oleosidade da pele. Sinal de Zilieri: descamação furfurácea que surge após o estiramento ou fricção da lesão. Na cultura/microscopia, as células se apresentam leveduriformes, globosas ou ovais, agrupadas em filamentos curtos, septados e irregulares. Tratamento: em grande extensão fluconazol ou itaconazol. Tópico: shampoo com sulfeto de selênio 2,5% (aplicando antes do banho); terbinafina 1% em solução; feticonazol spray. Pode ser usado o shampoo com cetoconazol, em casos de acometimento do couro cabeludo. Casos recidivantes crônicos são raros, nesses casos o tratamento é feito próximo do verão. MICOSES SUPERFICIAIS Mais comuns. 1 - Pitiríase versicolor Não possui um fungo específico causador. É mais comum em crianças, sendo rara em adultos. Adquirida por contato com indivíduos infectados, animais infectados (cães e gatos) ou através do contato com a terra. Diversos dermatófitos - Microsporum canis, Tricopyton tonsurans, Microsporum gypseum. Placa única no couro cabeludo, com descamação central ou várias lesões menores. Quérion: placa elevada, única, bem delimitada e dolorosa. Apresenta pústulas e microabcessos, com pus e linfonodomegalia. 2 - Dermatofitoses a - Tineas i. Tinea capitis: É uma microendemia em zonas rurais. É uma forma mais grave que pode causar alopecia definitiva. Tricophton schonleinii. ii. Tinea Favosa: Apresenta-se com vários aspectos morfológicos, desde vesículas (simula herpes), até placas e nódulos, que cicatrizam pelo centro (aspecto circinado). Tratamento: antifúngico tópico por 2-4 semanas, se disseminada associar tratamento sistêmico com fluconazol itaconazol ou terbinafina. iii. Tinea Corporis: Existem três formas de apresentação: Inflamatória: lesões inflamatórias, exsudativas, circunscritas. Herpes circinado: lesões anulares, eritematopapulosas, eritematovesicoescamosas nas bordas. Tende a curar pelo centro. Sicosiforme: igual à foliculite bacteriana, pústulas foliculares com crostas. iv. Tinea Barbae: É muito frequente, também apresenta três apresentações: Intertriginosa: descamação e maceração nos espaços interdigitais, com fissuras e prurido. Vesicobolhosa: geralmente associada com a forma intertriginosa, lesões vesicobolhosas, que podem complicar com infecções bacterianas. Escamosa: crônica, lesões escamosas e pruriginosas, geralmente associadas com onicomicose. v. Tinea pedis: Mais comum em homens. Geralmente bialteral, podendo estender para o períneo, glúteos e abdome. Caracterizada por lesões eritematodescamativas, com bordas nítidas, podendo ter vesículas pequenas. Com prurido e liquenificação. vi. Tinea cruris: Candidose: causadas por leveduras do gênero Candida. Sua ocorrência é universal, saprófita e eventualmente patógeno. Habita a pele, mucosa oral e vaginal. Pode se multiplicar e se tornar um parasita de acordo com fatores predispionentes e imunológicos. O uso de antibióticos aumenta a quantidade de Candida no intestino. O uso de ACO, DIU e a gestação aumentam a quantidade no aparelho genital feminino. Fatores predisponenetes: menor atividade do sistema imune (idosos e crianças), gravidez, ACO, DM, uso de antibióticos, corticoides e citostáticos, linfomas, tumores malignos, AIDS, umidade e maceração da pele, dificiência de ferro e de zinco. É o "sapinho". Comum em lactentes após a segunda semana de vida (flora ainda não completa, com contaminação ao passar pelo canal vaginal), idosos (dentes e próteses com mal estado de preservação), imunossupressão (AIDS), contaminação secundária por lesão oral prévia. 3 - Candidíase a - Oral: Também chamada de "tinea da unha". Inicialmente com comprometimento subungueal distal e/ou lateral proximal ou superficial, podendo evoluir para acometimento total. Diagnóstico diferencial de psoríase ungueal, líquen plano ungueal, onicopatias congênitas ou traumáticas. Diagnóstico por exame micológico direto ou cultura, é importante não cortar a unha antes do exame. Em pacientes diabéticos é sempre necessário fazer o tratamento adequado. b - Onicomicoses. Comum em áreas de dobras (axilas, região inguinal e submamária, interdigital). Lesões eritematosas, úmidas e secretantes. Podem destruir a epiderme e causar erosões ou fissuras, envoltas por colarete úmido. Presença de lesões satélites, caracterizadas por vesículas ou pústulas. Sintomas como prurido e ardência. Fatores predisponentes: obesidade, DM, higiene inadequada. b - Intertriginosa: Além da C. albicans, pode ter o envolvimento de outros fungos e bactérias (sempre), como a Pseudomonas, por exemplo (secreção verde-escura). É causada pelo contato continuado com água, sabão e detergentes, sendo favorecida pela retirada das cutículas. Eritema e edema ao redor da matriz ungueal da mão, doloroso, pode ter gotículas com secreção seropurulenta e provocar distrofia ungueal (descolamento entre a lâmina ungueal e a dobra). Tratamento: fazer compressas com vinagre de maçã, evitar contato com os desencadeantes; retirar umidade presente na cavidade (separação da lâmina ungueal) com secador; tratar o agente causador. c - Paroníquea: Nem sempre ocorre acometimento da pele, quando ocorre pode ser consequência da entrada do fungo pela pele ou disseminação a partir de um foco visceral. Paracoccidioides brasiliensis. É um fungo presente no solo, com contágio por via inalatória ou poeira em suspensão. Lesões polimórficas em qualquer órgão ou aparelho - mais em pele, mucosas, linfonodos, pulmão, adrenais e SNC. Pode ocorrer até 60 anos de latência até a formação do complexo primário pulmonar. Histoplasma capsulatum, é endêmico nas Américas e raro na Europa. Habita excrementos de pássaros e morcegos, geralmente presente em cavernas. MICOSES SISTÊMICAS 1 - Paracoccidioidomicose 2 - Histoplasmose Sempre apresentam manifestações cutâneas. Chamada de cromomicose, ocorre através de uma implantação traumática na pele ou no subcutâneo, por diferentes gêneros de fungos dermáceos pigmentados, presentes no solo e nos vegetais. 90% dos casos no Br são causados pelo Fonsecaea pedrosoi. Acomete mais trabalhadores rurais, adultos. Lesões unilaterais, geralmente em MI. Propaga-se por contiguidade e autoinoculação, a disseminação por via hemática é excepcional. As lesões são polimórficas, podendo ser nodulares, em placa, tumorais, cicatriciais e verrucosas. Geralmente iniciam como pápulas ou nódulos que evoluem. Ocorre a presença de "black dots" por debris celulares e fungos em eliminação transepitelial. Evolução crônica e lenta, sem comprometer estado geral, mas podem causar deformidades e impotência funcional do membro acometido. O diagnóstico é feito pelo exame micológico direto ou cultura e microcultura (aspecto algodonoso). O tratamento é um desafio. Nas dormas localizadas pode ser feito criocirurgia, eletrocoagulação, exérese ou termoterapia. Nas formas extensas pode ser usado anfotericina B, terbinafina, itraconazol, voriconazol, todos por em média 12 meses. MICOSES SUBCUTÂNEAS 1 - Cromoblastomicose Causada pelo Sporothrix schenkii. A inoculação pode ser direta ou por contato com material contaminado (palhas e espinhos). Após a inoculaçãoacontece a positividade da esporotriquina. Acomete principalmente trabalhadores que têm contato com plantas e solo (jardineiros, agricultores, donas de casa). Pode acontecer contaminação dos animais (cães, gatos, equídeos e roedores). Os felinos são os vetores mais comuns, maior facilidade de infecção por deficiência imunitária. Caracterizado por múltiplas lesões cutâneas (é raro acometer outros órgãos), no MS ou face (mais comum em crianças), MI menos frequente. Localizada: papulonodular, ulcerosa, verrucosa. Cutâneo-linfática: papulonodular no ponto de inoculação, com um cordão de linfagite com nódulos ou gomas em aspecto de rosário. Diagnóstico: quando acometimento cutâneo-linfático a clínica é característica. Nos outros casos pode ser feito cultura e microcultura. Corpo asteroide, com halo claro e centro escuro, em forma de rosário. 2 - Esporotricose A suspeita é levantada em casos de quadro pulmonar febril após duas semanas de eventual exposição. É muito prevalente em HIV +. Apresenta-se com ulceração na mucosa oral, faríngea ou na língua. Cryptococcus neoformans. Encontrados nos pássaros, os dejetos possibilitam a disseminação em solos, vegetais em decomposição e na poeira domiciliar. A inoculação direta pela pele é rara. A infecção ocorre por inalação, sendo mais frequente em adultos com comorbidades - LES, linfomas, AIDS, neoplasias e tumores renais. Seu quadro sistêmico no SNC, se assemelha a sintomas de meningite crõnica ou lesões tumorais. Lesões polimórficas, com nódulos consistentes ou císticos, placas induradas tipo paniculite, lesões acneiformes e papulopustulosas. 3 - Criptococose