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FISIOLOGIA DO CORAÇÃO POTENCIAL DE AÇÃO DO CORAÇÃO NORMAL ARRITMIAS ➤Disfunções que causam anormalidades na formação e condução do impulso no miocárdio. – Se a arritmia surge dos atros, no AS ou no AV é chamada de supraventricular. – Se a arritmia surge dos ventrículos é chamada de ventricular. MECANISMO DAS ARRITMIAS Defeito na formação do impulso (nó SA): – Automaticidade alterada: capacidade de gerar o impulso está alterada. • Intensificação do automatismo (estimulação beta adrenérgica: aceleram frequência e Ach: reduz a frequência) •Batimento ectópico: frequência das células cardíacas é maior do que a do nó SA; • Lesão tecidual direta (infarto do miocárdio) – Atividade deflagrada: potencial de ação normal deflagra despolarizações anormais. • Pós-despolarização precoce: acontece antes da repolarização • Pós-despolarização tardia: acontece depois da repolarização ➤ A maioria dos fármacos antiarritmicos suprimem a automaticidade pelo bloqueio dos canais de Na+ VITÓRIA NASCIMENTO Despolarização ou Ca+2, reduzindo a proporção desses íons em relação ao K+. Isso diminui a inclinação da despolarização e/ou aumenta o limiar de descarga para uma voltagem menos negativa. Defeito na condução do impulso nervoso: – Reentrada (Taquiarritmias) – Bloqueio da condução (bradiarritmias) – Vias acessórias (taquiarritmias) Um bloqueio unidirecional causado por lesão miocárdica ou por prolongamento do período refratário resultar em uma via de condução anormal. ➤ Os fármacos antiarrítmicos impedem a reentrada, reduzindo a velocidade de condução e/ou aumentando o período refratário, convertendo assim o bloqueio unidirecional em bloqueio bidirecional. FÁRMACOS ANTIARRÍTMICOS ➤ Os fármacos antiarrítmicos podem agir na modificação da geração do impulso nervoso ou na condução destes. Geração – Diminuição da inclinação da fase 4 (células marcapasso); – Aumentar o limiar do impulso nervoso. Condução – Diminuir a velocidade de condução; – Aumentar o período refratário (as células não são reexcitadas). Classificação dos fármacos ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE I ➤ Atuam bloqueando canais de sódio (Na+) sensíveis a voltagem; ➤ Diminuindo a entrada de sódio reduz a velocidade de elevação da fase 0 do potencial de ação; ➤ Causam diminuição da excitabilidade e da velocidade de condução; ➤ Uso vem declinando devido seus possíveis efeitos pró- arrítmicos. ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE IA ➤Depressão fase 0 e Velocidade de Condução com recuperação moderada; ➤Prolonga a repolarização via bloqueio dos canais de K. Ex.: quinidina, procainamida e disopiramida Quinidina: – Mecanismo de ação: Se liga aos canais de sódio abertos e inativados, impedindo o influxo de sódio e reduzindo a velocidade de entrada rápida na fase 0; –Diminui a inclinação de despolarização espontânea na fase 4 e inibe as trocas de potássio (diminui velocidade de condução e aumenta a refratariedade); –Tem ações bloqueadora α-adrenérgica leve e anticolinérgica. –Taquiarritmias atrial, juncional AV e ventricular. – Efeitos adversos: potencialmente tóxica; náuseas, vômito e diarreia são observados comumente; Procainamida: – Ações semelhantes às da quinidina; – Formulação intravenosa (IV) e pode ser usada para tratar arritmias atriais e ventriculares agudas. – Efeitos adversos: Uso crônico causa elevada incidência de efeitos adversos, como: – Lúpus reversível (25 a 30% dos pacientes) – Doses elevadas podem induzir arritmias ventriculares; – A administração IV pode causar hipotensão; – SNC: depressão, alucinação e psicose; Disopiramida: – Ações semelhantes às da quinidina; – Causa vasoconstrição periférica (importante em paciente com comprometimento preexistente da função ventricular esquerda) – O tratamento das arritmias ventriculares como alternativa à procainamida e à quinidina, e pode ser usada também para manutenção do ritmo sinusal na fibrilação atrial ou flutter. – Efeitos adversos: Efeitos na atividade colinérgica (queda na acetilcolina): boca seca, retenção de urina, visão embaçada e constipação. ➤Eles podem precipitar arritmias que evoluem para fibrilação ventricular ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE IB ➤Depressão mínima na fase 0 ➤Encurta repolarização na fase 3 ➤Prolonga condução de tecidos despolarizados ➤São úteis para tratar arritmias ventriculares. Ex.: lidocaína e mexiletil Lidocaína: – Os fármacos dessa classe se associam e se dissocial rapidamente nos canais de sódio, logo as ações deste fármaco se manifestam quando a célula cardíaca está despolarizada ou disparando rapidamente; – É o fármaco de escolha para o tratamento emergencial de arritmias cardíacas; *** – A lidocaína é um anestésico local que encurta a repolarização de fase 3 e diminui a duração do potencial de ação; – Útil no tratamento das arritmias ventriculares que aparecem durante isquemia miocárdica; – Efeitos adversos: Efeitos no SNC: sonolência, agitação, fala enrolada, convulsões. Ampla relação entre efeito tóxico e terapêutico; A mexiletina é usada para o tratamento crônico das arritmias ventriculares, com frequência em associação com amiodarona. ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE IC ➤Depressão importante na fase 0 e velocidade de condução; ➤Discreto efeito na repolarização. Ex.: propafenona e flecainida Flecainida e propafenona: – Suprimem a ascensão da fase 0 nas fibras de Purkinje e miocárdicas, causando redução acentuada da velocidade de condução em todo tecido cardíaco, com pouco efeito na duração do potencial de ação e no período refratário; – Efeitos adversos: tontura, visão embaçada, cefaleia e náusea. – Pode agravar arritmias preexistentes ou induzir taquicardia; – A propafenona tem perfil similar de efeitos adversos, mas pode causar broncoespasmo devido aos seus efeitos β-bloqueadores. ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE II ➤Beta bloqueadores: Reduzem a frequência cardíaca e velocidade de condução; ➤ Agem na fase 4 alterando a forma que o sistema nervoso simpático estimula as fibras cardíacas; (nota: o coração mantém uma frequência cardíaca por estímulo próprio e possui influência externa do sim. e parass.); prolongam a automaticidade e prolongam a condução AV; ➤Beta bloqueadores seletivos para beta 1 no coração levam a bradicardia (usado para taquiarritmias), diminui força de contração e batimentos cardíacos. ➤Representantes: Bisoprolol; Atenolol; Metoprolol; Propranolol (não seletivo e pode causar problemas respiratórios – beta 2) ➤ Usos: – Taquiarritmias – Palpitação e fibrilação atrial ➤ Efeitos adversos: – Hipotensão. Bradicardia e ICC; – A retirada súbita pode induzir arritmias cardíacas, angina e infarto do miocárdio; – Piora da asma, disfunção sexual, piora da diabetes (não seletivos). ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE III ➤ Bloqueadores de canais de K+ diminuem o efluxo de potássio durante a repolarização das células cardíacas. ➤Prolongam a duração do potencial de ação sem alterar a fase 0 de despolarização. ➤Indicações: – Taquiarritmias supraventriculares e ventriculares refratárias graves; – Reversão da fibrilação atrial; – Manutenção do ritmo sinusal. ➤ Representantes: Amiodarona; Dronedarona; Solatol; Dofetilda; ➤ Efeitos adversos: – Fibrose pulmonar – Tremores, cefaleia – Hipotensão – Toxicidade hepática – Coloração azulada da pele (acúmulo de iodeto) ANTIARRÍTMICOS DE CLASSE IV ➤Bloqueadores de canais de cálcio diminuem a corrente de entrada de cálcio, diminuindo a velocidade de despolarização espontânea da fase 4; Ações: ➤Atuam preferencialmente nos tecidos nodais (SA e AV): dependentes dos canis de Ca² ➤Tem pouco efeito sobre os tecidos dependentes dos canaisde sódio rápidos (fibras de Purkinge, músculos atrial e ventricular) ➤Torna mais lenta a ascensão do potencial de ação nas células do nó AV. Indicações: – Arritmias atriais – Taquicardia supraventricular de reentrada – Redução da frequência ventricular na palpitação e fibrilação atrial. – Hipertensão e angina Representantes: – Verapamil – Diltiazem Efeitos adversos: – Hipotensão – Bradicardia – Bloqueio AV quando associados com betabloqueadores – Evitar o uso em pacientes com ICC