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Resumo do Capítulo 4 - O discurso da pulsão

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Universidade Estácio de Sá
Curso de Psicologia
Teorias e Sistemas Psicológicos II
O Discurso da Pulsão:
 Os três ensaios sobre a sexualidade
Patrícia Almeida dos S. Minelli – Matrícula: 2010.02.11595-7
Rio de Janeiro
Novembro / 2011
Os Três ensaios sobre a teoria da sexualidade de Freud, considerados como o discurso da pulsão, juntamente com A interpretação de sonhos são os dois textos fundamentais onde se constrói toda a teoria psicanalítica.
Nos Três ensaios o discurso não está voltado para o desejo, mas sim para a pulsão que necessita de satisfação. Contudo não é de qualquer pulsão em geral que Freud fala nesse texto e sim da pulsão sexual em particular.
A superação da teoria do trauma implicou em duas descobertas: a do papel da fantasia e da sexualidade infantil. Apesar de citada na Interpretação de sonhos, a sexualidade infantil só foi desenvolvida nos Três ensaios sobre a sexualidade onde Freud coloca a perda da inocência infantil, com a sexualidade fragmentada em pulsões parciais vagando entre objetos e objetivos perversos.
Os Perversos
O primeiro dos três ensaios de Freud tem como título “As aberrações sexuais”.
As teorias existentes baseavam-se todas elas na noção de instinto, que será substituída por Freud pelo conceito de pulsão (Trieb – termo em alemão que significa impulso). Portanto em Três ensaios Freud não fala do instinto sexual, mas sim da pulsão sexual.
Se podemos apontar “desvios” ou “perversões” do instinto, por se tratar de uma conduta cujos padrões são fixados hereditariamente, isso se torna extremamente complexo em se tratando da pulsão, ela mesma, um desvio do instinto. Assim sendo, Freud começa a definir o que ele considera o objeto e o objetivo sexuais: o objeto sexual é a pessoa de quem procede a atração sexual e o objetivo sexual é o ato a que a pulsão conduz. No instinto temos padrão fixo de conduta ligando o objetivo e o objeto, enquanto na pulsão esses padrões são fixados durante a história do indivíduo. O critério do que seja um desvio é, portanto, muito mais variável no caso da pulsão do que no caso do instinto.
A caracterização do instinto foi feita, sobretudo, pela biologia, para a qual a função dominante é a função de reprodução. Em decorrência disso, é perversa toda conduta sexual que não conduza à reprodução, já que ela colocaria em risco a preservação da espécie. Se nos colocarmos dentro de um ponto de vista psicanalítico, para o qual o fundamental é o prazer e não a reprodução, certas condutas que seriam consideradas perversas se tomássemos como referencial o instinto deixam de sê-lo se tomarmos como referencial a pulsão.
A Sexualidade Infantil
É no segundo dos Três ensaios que Freud vai desenvolver a teoria da sexualidade infantil. 
A sexualidade infantil ainda não era colocada em discussão, porém se fazia notar através de um conjunto de práticas exercidas pelo social no sentido de exorcizar a ameaça que isso representava. Ao recusarmos o reconhecimento da sexualidade infantil, o que estamos fazendo é negar o reconhecimento dos nossos próprios impulsos sexuais infantis, mantendo “esquecido”os impulsos que lançamos na nossa própria infância. Freud, nos Três ensaios, quer reconstruir essa “pré-história” da sexualidade. 
O Autoerotismo
Freud definiu o Autoerotismo como sendo “o estranho sexual mais primitivo”, agindo com independência de qualquer fim psicossexual “e exigindo somente sensações locais de satisfação”. O termo caracteriza um estado original da sexualidade infantil anterior ao do narcisismo, no qual a pulsão sexual, ligada a um órgão ou a excitação de uma zona erógena, encontra satisfação sem recorrer a um objeto externo. Anteriormente a fase autoerótica, na qual a pulsão sexual perde seu objeto, há uma fase na qual a pulsão se satisfaz por apoio na pulsão de autoconservação e essa satisfação se dá graças a um objeto: o seio materno. O termo apoio designa a relação que as pulsões sexuais mantêm originalmente com as funções vitais que lhes fornecem uma fonte orgânica, uma direção e um objeto. O apoio a que se refere Freud é o da pulsão sexual em outro processo não sexual, “sobre uma das funções somáticas vitais”. Essa função somática vital que possui fonte, direção e objeto, é o próprio instinto. Na amamentação de um bebê, por exemplo, o objeto do instinto é o alimento, enquanto o objeto da pulsão sexual é o seio materno, um objeto externo ao próprio corpo. Quando esse objeto é abandonado e a criança inicia o processo de chupar o dedo, se tem início o autoerotismo. 
Zonas Erógenas e Pulsões Parciais
Na primeira edição dos Três ensaios, Freud ainda não admitia uma organização da sexualidade anterior à puberdade. O que havia até essa fase era uma sexualidade desorganizada ligada a zonas erógenas. As zonas erógenas eram certas regiões do corpo que Freud considerava como fontes de diversas pulsões parciais. As pulsões parciais são os elementos básicos que irão constituir as organizações da libido. As pulsões parciais começam a funcionar num estado desorganizado, que caracteriza o autoerotismo. Freud dizia à época que “ na infância, a liberação da sexualidade ainda não é tão localizada como o é posteriormente, de modo que as zonas, que depois são abandonadas, também provocam algo análogo a liberação posterior da sexualidade.
Somente nos acréscimos feitos em 1915 aos Três ensaios que a noção de organização pré-genital infantil aparece de forma mais ampla abrangendo a organização “oral”, a “anal-sádica” e, posteriormente, a “fálica”, sendo esta última somente introduzida em 1923 aos Três ensaios.
As organizações pré-genitais são organizações da vida sexual nas quais as zonas genitais não assumiram ainda seu papel preponderante, isto é, nas quais a busca do prazer ainda não está dominada pela função reprodutora sobre a preponderância da zona genital.
É evidente que o corpo psicanalítico é um corpo fantasmático e não um corpo anatomofisiológico. É para o “fantasma” que se dirige o desejo, e não para o real; é ao nível da representação que se passa a psicanálise.
Ao recentrar a teoria psicanalítica na noção de desejo, Lacan nos mostra como o desejo surge do afastamento entre a necessidade e a exigência; como ele se dirige não a um objeto real, independente do indivíduo, mas a um “fantasma”.
As Fases da Organização da Libido
A noção de fase da libidinal designa uma etapa do desenvolvimento sexual da criança caracterizada por certa organização da libido determinada ou pela predominância de uma zona erógena ou por um modo de relação de objeto. Duas noções são necessárias para que se possa compreender corretamente o conceito de fase: a de zona erógena e a de relação de objeto.
Inicialmente, Freud distingue, dentre as organizações “pré-genitais”, duas fases: a oral e a sádico-anal. A terceira fase, a fálica, somente foi incluída em 1923 e, apesar de genital, reconhece apenas o genital masculino. Essa fase é dominada pelo complexo de castraçãoe corresponde ao declínio do complexo de Édipo.
Fase Oral – É a primeira fase da evolução sexual pré-genital e nela o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. O objetivo sexual consiste na incorporação do objeto, o que funcionará como modelo para identificações futuras. Vale relembrar que a noção de “apoio” é utilizada para mostrar a relação que a pulsão sexual mantém com o instinto de nutrição e ao mesmo tempo adquire independência em relação a ele e se satisfaz de forma autoerótica. A fase oral não se caracteriza apenas pelo predomínio de uma zona do corpo, mas também por uma modo de relação de objeto: a incorporação. Em 1924, Karl Abrahan propôs que se dividisse essa fase em duas: a fase oral precoce, caracterizada pela sucção, e a fase oral-sádica, caracterizada pela função de morder. Na fase oral-sádica, a incorporação implica na destruição do objeto, o que deflagra um sentimento de ambivalência em relação a ele.
Fase Anal-Sádica – É a segunda fase pré-genital da sexualidade infantil