A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
37 pág.
DJi - Prescrição

Pré-visualização | Página 9 de 14

pela modalidade prescrição retroativa.
- o juiz de primeira instância não pode reconhecê-Ia, pois, ao fixar a pena
na condenação, esgotou sua atividade jurisdicional, sendo ainda
paradoxal que, na mesma sentença, condene o réu e decrete a extinção
da punibilidade. No entanto, afigure-se a seguinte hipótese: a condenação
já transitou emjulgado para a acusação, de maneira que é impossível a
pena ser aumentada. O juiz, ao decidir sobre o processamento do
recurso da defesa, verifica que, pela pena fixada, já se operou a
prescrição entre a data do fato e o recebimento da denúncia. Entendemos
que, como a extinção da punibilidade não estará sendo decretada na
própria sentença condenatória, mas em decisão ulterior, nada impede
que, por economia processual, o juiz de primeira instância julgue extinta a
punibilidade, com base no art. 107, IV, do Código Penal, c/c o art. 61,
caput, do Código de Processo Penal.
Prescrição da pretensão punitiva virtual, perspectiva, projetada ou
antecipada: é a prescrição reconhecida antecipadamente, em geral ainda
na fase extrajudicial, com base na provável pena concreta, que será
fixada pelo juiz, no momento futuro da condenação. Exemplo: o
promotor de justiça, deparando-se com um inquérito policial versando
sobre furto simples tentado, cometido há 5 anos, não pode requerer seu
arquivamento com base na prescrição, uma vez que, como vimos, antes
da condenação, aquela é calculada com base na maior pena possível.
Ocorre que a maior pena possível do furto simples é de 4 anos, e a
menor redução decorrente da tentativa, 1/3 (como se busca a maior pena
possível, deve-se levar em conta a menor diminuição resultante da
tentativa, pois, quanto menos se diminui, maior fica a pena). Tomando-se
4 anos (máximo da pena in abstracto), menos 1/3 (a menor diminuição
possível na tentativa), chega-se à maior pena que um juiz pode aplicar ao
furto simples tentado: 2 anos e 8 meses de reclusão. O prazo
prescricional correspondente a 2 anos e 8 meses de pena é de 8 anos (cf.
art. 109, IV, do Código Penal). Ainda não ocorreu, portanto, a
prescrição, com base no cálculo pela pena abstrata (cominada no tipo).
O promotor, porém, observa que o indiciado é primário e portador de
bons antecedentes, e não estão presentes circunstâncias agravantes, tudo
levando a crer que a pena será fixada no mínimo legal e não no máximo.
ConfIrmando-se essa probabilidade, teria ocorrido a prescrição, pois a
pena mínima do furto simples é de um ano, e, com a redução da tentativa,
qualquer que seja o quantum a ser diminuído, ficará inferior a um ano.
Como o prazo prescricional da pena inferior a um ano é de 2 anos, com
base nessa provável pena mínima já teria ocorrido a prescrição. Assim,
prescrição virtual nada mais é do que o reconhecimento da prescrição,
ainda na fase extra judicial, com base na provável pena mínima, que será
fixada pelo juiz. Fundamenta-se no princípio da economia processual,
uma vez que de nada adianta movimentar inutilmente a máquina
jurisdicional com processos que já nascem fadados ao insucesso, nos
quais, após condenar o réu, reconhece-se que o Estado não tinha mais o
direito de puni-lo, devido à prescrição. Em decisão publicada no Diário
Oficial do Estado do dia 25 de novembro de 1994, a fl.. 54, o
procurador-geral de Justiça confirmou pedido de arquivamento feito por
promotor de Justiça, com base no reconhecimento da prescrição
antecipada. Assim está redigida a ementa: "Crime contra a economia
popular. Art. 2º, inciso IX, da Lei n. 1.521/51. Fato ocorrido em 22 de
fevereiro de 1991. Somente a fixação da pena no máximo legal (dois
anos) evitaria o reconhecimento da causa extintiva da prescrição
retroativa. Tal fixação penal é antecipadamente verificável e possível, 'ex
vi' do disposto nos arts. 59, 61 e 62 do Código Penal. Há que se admitir,
pois, falta de justa causa para a persecução penal, ante a inutilidade de
um processo sem possibilidade de sanção. Reconhecimento antecipado
da prescrição retroativa". Mais recentemente, a Procuradoria-Geral
voltou a confmnar essa tese, embora não tivesse homologado o
arquivamento devido a peculiaridades do caso concreto (Inq. Pol. n.
2.438/90, publicação do Centro de Apoio das Promotorias Criminais, n.
7, ago./nov. 1997.).
Confirmado o arquivamento do inquérito policial pelo procurador-geral
de Justiça, com base na prescrição virtual, não cabe ao Poder Judiciário
questionar essa decisão do Ministério Público, sendo impossível o
reexame do mérito (Nesse sentido: STF, Inquérito n. l.085-5/SP, Rel.
Min. Ilmar Galvão, DJU, Seção 1,29-2-1996, p. 4853; STF, Inquérito n.
1.158-4/DF, Rel. Min. Octavio Gallotti, DJU, Seção I, 5-3-1996, p.
5514.).
Prescrição da Pretensão Executória (PPE)
Conceito: é a perda do poder-dever de executar a sanção imposta, em
face da inércia do Estado, durante determinado lapso.
Efeitos: ao contrário da prescrição da pretensão punitiva, essa espécie de
prescrição só extingue a pena principal, permanecendo inalterados todos
os demais efeitos secundários, penais e extrapenais, da condenação.
Termo inicial: a prescrição da pretensão executória começa a correr a
partir:
a) da data do trânsito em julgado da sentença condenatória para a
acusação (é incrível! a condenação só pode ser executada após o trânsito
em julgado para ambas as partes, mas a prescrição já começa a correr a
partir do trânsito em julgado para a acusação);
b) da data em que é proferida a decisão que revoga o livramento
condicional ou o sursis;
c) do dia em que a execução da pena é interrompida por qualquer
motivo.
- no caso de interrupção da execução da pena pela fuga do condenado, e
no caso de revogação do livramento condicional, a prescrição é regulada
pelo tempo que resta da pena.
Distinção entre PPP superveniente e PPE: embora ambas sejam
reguladas pela pena aplicada, a primeira tem início com a publicação da
sentença condenatória; a segunda, com o trânsito em julgado da
condenação para a acusação. Além disso, a prescrição superveniente só
pode ocorrer antes do trânsito em julgado para a defesa; a prescrição
executória, somente após esse trânsito (Nesse mesmo sentido: STJ, 5ª
T., RHC 4.Ü73-4/SP, Rel. Min. Jesus Costa Lima, unânime, DJU, 14-
11-1994.).
Contagem do prazo: a PPE é sempre calculada pela pena concretamente
fixada. O prazo é de Direito Penal, computando-se o dia do começo e
não se prorrogando quando terminar em sábado, domingo ou feriado. A
pena aplicada deve corresponder ao prazo prescricional fixado na tabela
do art. 109 do CP.
Causas interruptivas: obstam o curso da prescrição, fazendo com que se
reinicie do zero (desprezado o tempo até então decorrido). São as
seguintes:
a) início do cumprimento da pena;
b) continuação do cumprimento da pena;
c) reincidência.
- a interrupção da PPE em relação a um dos autores não produz efeitos
quanto aos demais (ao contrário das causas interruptivas da PPP).
- no caso da reincidência, a interrupção da prescrição ocorre na data em
que o novo crime é praticado e não na data em que transita em julgado a
sentença condenatória pela prática desse novo crime (RTJ, 107/990.).
Causas suspensivas: são aquelas que sustam o prazo prescricional,
fazendo com que este recomece a correr apenas pelo tempo que restar,
sendo computado o período decorrido, ao contrário do que sucede com
as causas interruptivas. Considera-se como causa suspensiva a prisão do
condenado por qualquer outro motivo que não a condenação que se
pretende executar. Nesta hipótese, a prescrição da pretensão de executar
urna condenação não corre enquanto o condenado estiver preso por
motivo diverso da condenação que se quer efetivar. Exemplo: condenado
procurado em uma comarca cumpre pena por outro crime em comarca
diversa. Enquanto estiver preso, cumprindo tal pena, não correrá a
prescrição no que se refere à outra condenação.
Diminuição do prazo prescricional: o prazo da PPE também é reduzido
pela metade no caso do menor de 21 anos à época do fato e do maior de
70 à época da sentença.
Prescrição da pena de multa: para saber qual