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Análise Crítica Comparativa Modelos conceituais do processo saúde doença: Modelo da história natural da doença, Modelo de Dahlgren e Whitehead e Modelo de Solar e Irwin

Análise crítica comparativa sobre modelos conceituais do processo saúde-doença (história natural da doença; Dahlgren & Whitehead; Solar & Irwin), descrevendo seus determinantes, estrutura, relações gráficas e críticas ao reducionismo e hierarquização.

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Análise Crítica Comparativa – Modelos conceituais do processo
saúde doença: Modelo da história natural da doença, Modelo de
Dahlgren e Whitehead e Modelo de Solar e Irwin
Antecedida por um modelo biomédico e unicausal que considerava a saúde
através de uma lógica linear, em que os mecanismos biológicos para explicar uma
doença eram essenciais e suficientes, o modelo da história natural da doença surge
como uma mudança no modo de pensar esse processo por se basear em um
modelo multicausal. Com o novo conceito de saúde, determinado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) como o estado de completo bem-estar físico, mental e
social, esse modelo busca explicar o processo saúde doença em dois períodos:
período pré-patogênico, em que a patologia não é manifestada, mas o indivíduo
está exposto ao adoecimento (poluição, falta de saneamento básico, água
contaminada, entre outros) e período patogênico, em que o processo de
adoecimento está ocorrendo no corpo e mudanças são percebidas no estado de
normalidade, podendo então evoluir para sequelas, cura ou morte.
Embora esse modelo seja mais abrangente, se comparado aos anteriores, ao
buscar explicar o processo através de outros fatores que ultrapassam uma única
causa biológica definitiva para o processo de adoecimento, ainda mostra-se redutivo
e com uma forte influência advinda do modelo anterior. A história da doença
ultrapassa motivos naturais, não se atendo apenas para o patológico e suas causas.
causas.
Posteriormente, surge um novo conceito de determinantes sociais da saúde
(DSS) que busca, resumidamente, definir as características e condições sociais em
que uma população vive que influenciam diretamente a saúde. Nesse sentido, o
modelo de Dahlgren e Whitehead é introduzido baseado em uma disposição de
camadas, sendo a mais próxima da base sobre características individuais do
indivíduo (idade, sexo e fatores hereditários) e a mais distante sobre as condições
socioeconômicas, culturais e ambientais gerais – macrodeterminantes. Entre essas
camadas, encontram-se fatores referentes ao comportamento e estilo de vida
(condições de vida e trabalho). Nesse modelo, uma ordem hierárquica é seguida,
em que, da base para a parte mais exterior, há uma influência cada vez maior sobre
as camadas anteriores.
Entretanto, nesse modelo é dada uma visibilidade menor para a parte
periférica (Condições Socioeconômicas, Culturais e Ambientais Gerais) e uma
maior para as Condições de Vida e de Trabalho. Essa disposição favorece o
entendimento de que aquilo que é mais importante merece mais atenção, portanto,
dá crédito às condições de vida e de trabalho. Além disso, esse modelo
hierarquizado não traduz completamente a realidade, visto que influências podem
ser maiores, ou não, que outras em determinados momentos e circunstâncias, de
modo que se há uma ligação entre as camadas nesse modelo, ela é fraca. No
modelo de Solar e Irwin, há dois grupos de determinantes: os determinantes
intermediários da saúde e os determinantes estruturais das desigualdades de
saúde. Nele, os determinantes estruturais ilustram fatores que originam posições
socioeconômicas, sendo que tais posições são influenciadas pela educação, classe
social, gênero e etnia. Já os determinantes intermediários abordam circunstâncias
materiais, fatores comportamentais e biológicos e fatores psicossociais. Somado a
isso, a coesão e o capital social atravessam os dois grupos e é ligada também ao
sistema de saúde, que está relacionada ao impacto sobre a equidade em saúde e o
bem-estar. O modelo de Solar e Irwin é repleto de conexões, por meio de setas,
entre os grupos e os fatores que influenciam o processo saúde e doença. Essas
relações intermediadas por recursos gráficos (setas) foram uma novidade em
relação aos modelos anteriores ao demonstrarem um dinamismo entre diversos
aspectos que atuam sobre esse processo, uma vez que não há uma ordem ou
mecanismo fixo para entendê-lo. Os determinantes estruturais recebem maior
atenção e transmitem a ideia de ser a base do processo. Apesar disso, o modelo
também recebe críticas, pois segue a abordagem da OMS ao comentar os DSS com
um olhar baseado em fatores, adotando perspectiva reducionista e fragmentada da
realidade, quando na verdade multiprocessos (psicológicos, culturais,
socioeconômicos, ecobiológicos) estão envolvidos. Através de uma perspectiva
linear, os modelos citados apresentaram melhorias em relação a seus anteriores ao
complementar e considerar fatores, até então, não contemplados. Porém, tais
modelos distanciam-se da noção de determinação social da saúde, que atenta para
os diversos processos – econômicos, sociais, psicológicos – e entende que o
entendimento acerca da doença pode ser transformado pela sociedade em
determinadas situações. Ainda existem dificuldades em encontrar maneiras de
conceituar o processo de saúde doença sem reduzi-lo, dado que o indivíduo é um
ser biológico, mas também social e psicológico, surgindo, então, a demanda de um
modelo mais completo possível que contemple o mesmo e a sociedade em que está
inserido.

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