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E Parte I
Preparação ao longo do ano 
 1. Como estudar Português 6
 2. Testes de avaliação 9
 3. Verbos de instrução utilizados em 
questionários 11
Parte II · Teoria e prática
1. Oralidade 13
Compreensão do Oral 13
Documentário 14
Exercício resolvido | Resolve tu! 15
Reportagem 16
Exercício resolvido | Resolve tu! 17
Anúncio publicitário 18
Exercício resolvido | Resolve tu! 19
Expressão Oral 20
Apreciação crítica 20
Exercício resolvido | Resolve tu! 21
Síntese 22
Exercício resolvido | Resolve tu! 23
Quadro-síntese (Compreensão do Oral, 
Expressão Oral) 24
2. Leitura 26
Relato de viagem 27
Exercício resolvido | Resolve tu! 28
Artigo de divulgação científica 32
Exercício resolvido | Resolve tu! 33
Exposição sobre um tema 38
Exercício resolvido | Resolve tu! 39
Apreciação crítica 43
Exercício resolvido | Resolve tu! 44
Cartoon 51
Exercício resolvido | Resolve tu! 51
3. Escrita 54
Exposição sobre um tema 55
Exercício resolvido | Resolve tu! 56
Apreciação crítica 60
Exercício resolvido | Resolve tu! 61
Síntese 65
Exercício resolvido | Resolve tu! 66
Quadro-síntese (Leitura, Escrita) 70
4. Educação Literária 72
Poesia trovadoresca 72
 1. Contextualização histórico-literária 72
1.1. Época medieval 72
1.2. Géneros da poesia trovadoresca 73
Cantigas de amigo 73
1. Representação de afetos e emoções 73
2. Espaços medievais, protagonistas e 
circunstâncias 74
3. Linguagem, estilo e estrutura 74
Exercício resolvido | Resolve tu! 75
Cantigas de amor 80
1. Representação de afetos e emoções 80
2. Espaços medievais, protagonistas e 
circunstâncias 80
3. Linguagem, estilo e estrutura 80
Exercício resolvido | Resolve tu! 81
Cantigas de escárnio e maldizer 86
1. Representação de afetos e emoções 86
2. Linguagem, estilo e estrutura 86
Exercício resolvido | Resolve tu! 87
Quadro-síntese 92
Fernão Lopes, 
Crónica de D. João I 93
1. Crónica de D. João I 93
1.1. Contexto histórico: a crise de 1383-1385 93
1.2. Capítulos 11, 115 e 148 94
1.3. Atores (individuais e coletivos) 94
1.4. Afirmação da consciência coletiva 95
1.5. Linguagem e estilo de Fernão Lopes 95
Exercício resolvido | Resolve tu! 96
Quadro-síntese 99
Gil Vicente 100
1. Contextualização histórico-literária 100
1.1. Gil Vicente, pai do teatro português 100
1.2. Época de Gil Vicente 100
2. Características do texto dramático 100
Farsa de Inês Pereira 101
1. Enredo e estrutura interna 101
2. Caracterização das personagens 
e relações entre elas 102
3. Farsa: natureza da obra 104
4. Representação do quotidiano 104
5. Dimensão satírica 104
Exercício resolvido | Resolve tu! 105
Quadro-síntese 112
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ÍN
D
IC
E Auto da Feira 113
1. Enredo e estrutura interna 113
2. Auto: natureza da obra 113
3. Caracterização das personagens 
e relações entre elas 114
4. Representação do quotidiano 115
5. Dimensão religiosa 115
Exercício resolvido | Resolve tu! 116
Quadro-síntese 121
Luís de Camões, Rimas 122
1. Contextualização histórico-literária 122
2. Temas da lírica camoniana 123
3. Linguagem, estilo e estrutura 124
3.1. Discurso pessoal e marcas de 
subjetividade 124
3.2. Soneto: características 124
3.3. Métrica (redondilha e decassílabo) 124
3.4. Lírica tradicional e inspiração clássica 125
3.5. Recursos expressivos 125
Exercício resolvido | Resolve tu! 126
Quadro-síntese 133
Luís de Camões, Os Lusíadas 134
1. A epopeia: natureza e estrutura da obra 134
2. Visão global: conteúdo de cada canto 135
3. Imaginário épico 136
4. Reflexões do poeta 136
Exercício resolvido | Resolve tu! 137
Quadro-síntese 145
História Trágico-Marítima 146
1. Contexto histórico: naufrágios nos 
séculos XVI e XVII 146
2. História Trágico-Marítima: características 146
3. “As terríveis aventuras de Jorge de 
Albuquerque Coelho (1565)”: aventuras e 
desventuras dos Descobrimentos 146
Exercício resolvido | Resolve tu! 147
Quadro-síntese 149
5. Gramática 151
O português: génese, variação e 
mudança 151
1. Principais etapas da formação 
e da evolução do português 151
2. Processos fonológicos 152
3. Etimologia 153
4. Geografia do português no mundo 153
Exercício resolvido | Resolve tu! 154
Lexicologia 156
Exercício resolvido | Resolve tu! 156
Classes de palavras 158
Exercício resolvido | Resolve tu! 160
Formação de palavras 161
Exercício resolvido | Resolve tu! 162
Funções sintáticas 164
1. Funções sintáticas ao nível da frase e 
internas ao grupo verbal 164
2. Funções sintáticas internas ao grupo 
nominal 165
3. Funções sintáticas internas ao grupo 
adjetival 165
Exercício resolvido | Resolve tu! 166
Coordenação e subordinação 171
1. Orações coordenadas 171 
2. Orações subordinadas 171
2.1. Orações subordinadas adverbiais 172
2.2. Orações subordinadas substantivas 172
2.3. Orações subordinadas adjetivas 172
Exercício resolvido | Resolve tu! 173
Semântica 178
1. Valor temporal 178 
2. Valor aspetual 178
3. Valor modal 178
Exercício resolvido | Resolve tu! 179
Texto e interação discursiva 182
1. Relações intratextuais 182 
2. Conectores discursivos 182
3. Registos de língua 183
4. Atos de fala 183
5. Dêixis 183
Exercício resolvido | Resolve tu! 184
Recursos expressivos 188
Parte III – Testes de Avaliação
Teste de Avaliação 1 – Poesia trovadoresca 191
Teste de Avaliação 2 – Fernão Lopes, 
Crónica de D. João I 196
Teste de Avaliação 3 – Gil Vicente, 
Farsa de Inês Pereira | Auto da Feira 201
Teste de Avaliação 4 – Luís de Camões, 
Rimas 207
Teste de Avaliação 5 – Luís de Camões, 
Os Lusíadas 212
Teste de Avaliação 6 – História 
Trágico-Marítima 217
Parte IV – Soluções 222
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16
Reportagem
A reportagem é um género textual produzido na esfera jornalística. Tem como foco 
um tema da atualidade, de interesse geral, que é tratado de forma exaustiva, em 
profundidade, com base na observação direta e na recolha de dados. A reporta-
gem pode ser:
• impressa (divulgada por escrito na imprensa);
• televisiva (divulgada na televisão, associando texto, som e imagem);
• radiofónica (divulgada na rádio, associando texto e som).
Características temáticas
Variedade de temas Baseia-se na apresentação pormenorizada de um tema ou acontecimento, sobre qualquer área da realidade.
Multiplicidade de
intervenientes, meios 
e pontos de vista 
Resulta de uma multiplicidade de intervenientes (repórter, 
testemunhas), meios (formatos, suportes) e pontos de vista 
(repórter, pessoas envolvidas).
Informação seletiva
Apresenta informação que depende do poder de seleção e 
organização dos dados recolhidos pelo repórter e da sua forma de 
interpretar os factos.
Relação entre o todo
e as partes
A coerência da reportagem depende da relação entre o todo e as 
partes (forma como cada um dos tópicos abordados e pontos de 
vista expressos se articula com o sentido global).
Características estruturais e linguísticas
Estrutura interna
Embora não possua uma estrutura rígida, a reportagem tende a ser 
constituída por: 
• secção introdutória (apresentação do tema, partindo de 
informação que suscite o interesse do destinatário);
• desenvolvimento do tema;
• conclusão (fecho do tema, reforçando ideias-chave, por exemplo).
Diversidade de 
registos 
Diversidade de registos
• alternância da 1.ª pessoa ou 3.ª pessoa
• estilo cuidado, mas acessível, tendo em conta o público-alvo 
(público vasto e heterogéneo)
• marcas de subjetividade (quando o repórter e os restantes 
intervenientes transmitem a sua opinião)
Exercício 
resolvido
Resolve 
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Oralidade
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1. Visiona a reportagem “APalavra do Ano 2017 é «incêndios»”.
1.1. Identifica os intervenientes na reportagem, explicitando a sua função e/ou 
ponto de vista.
Interveniente Função / Ponto de vista
Voz off 
(1.ª intervenção)
Função: apresentar o tema, contextualizando a sua
importância
Repórter Função: conduzir entrevistas sobre a razão de a palavra
“incêndios” ter sido a mais votada
1.º grupo de 
pessoas 
entrevistadas 
Função: dar opinião sobre o facto de a palavra “incêndios”
ter sido eleita pelos portugueses
Ponto de vista predominante: 2017 foi um ano de incêndios,
trágico para Portugal
Voz off 
(2.ª intervenção)
Função: apresentar a segunda palavra mais votada pelos
portugueses (“afeto”)
2.º grupo de 
pessoas 
entrevistadas
Função: dar opinião sobre o facto de a palavra “afeto” ter
sido a segunda palavra mais votada pelos portugueses
Ponto de vista predominante: o PR teve uma ação pautada
pelo afeto em 2017
Outro ponto de vista: os incêndios representam uma
situação mais marcante do que a ação do PR
Voz off 
(3.ª intervenção)
Função: apresentar a 3.ª palavra mais votada (“florestas”);
concluir a reportagem
Exercício 
resolvido
1. Visiona a reportagem “Neve volta a pintar de branco a vila de Montalegre” e 
realiza o mesmo exercício.
Interveniente Função / Ponto de vista / Situação testemunhada
Voz off 
(1.ª intervenção)
Função: 
David Teixeira 
(representante da 
Proteção Civil)
Ponto de vista: 
Situação testemunhada: 
Voz off 
(2.ª intervenção)
Função: 
Turistas Situação testemunhada: 
Voz off 
(3.ª intervenção)
Função: 
Resolve 
tu!
Entre a imagem 
(situação filmada) e a 
linguagem verbal se 
estabelece uma 
relação de 
complementaridade? 
Ambas remetem para a 
beleza da neve, 
incitando o turismo.
Reparaste que… 
Dica
Visiona as reportagens 
duas vezes:
• na primeira, tenta 
apreender o seu 
sentido global;
• na segunda, foca-te 
nos aspetos referidos 
no questionário 
(função, ponto de vista 
ou situação 
testemunhada pelos 
intervenientes).
“A Palavra do Ano 2017 é 
«incêndios»”, Porto Canal, 2018
“Neve volta a pintar de branco a vila 
de Montalegre”, Porto Canal, 2017
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Vídeo
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1. Lê o texto.
Na luz matutina e fria das quatro horas tenho diante de mim 
um espetáculo único, quatro ilhas saindo do mar ao mesmo 
tempo – a Graciosa dum verde muito tenro acabando dum lado e 
do outro em penhascos decorativos; a Terceira muito ao longe 
quase desvanecida; e a meu lado, por trás do biombo violeta de 
S. Jorge, que se estende ao comprido nas águas, o cone do Pico 
aguçado até ao céu, transparente como se fosse de cristal. Isto 
frio, nítido e ao mesmo tempo irreal, num céu de esmalte onde se 
destacam a buril as linhas regulares do Pico, com uma 
nuvenzinha quase pousada na extremidade. É só num ponto e 
passa num instante, porque o navio não para – é no instante em 
que o Pico se revela erguido até ao céu e as manchas violetas das 
ilhas têm a cor passada da nuvem que vai desfazer-se – enquanto 
a Graciosa ali perto se mostra toda verde.
BRANDÃO, Raul (2011). As ilhas desconhecidas. Lisboa: Quetzal [p. 24].
5
10
1.1. Seleciona a opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido 
do texto.
1.1.1. Ao longo do texto predomina
a. o relato de um percurso feito entre a Graciosa e o Pico.
b. o relato da passagem de um navio.
c. uma descrição de carácter geográfico. 
d. uma reflexão motivada pelo entardecer.
1.1.2. A única expressão que não localiza os acontecimentos no espaço é
a. “Na luz matutina e fria das quatro horas” [l. 1].
b. “muito ao longe” [l. 4].
c. “a meu lado” [l. 5].
d. “ali perto” [l. 14].
1.1.3. O carácter literário do relato é reforçado pelo emprego
a. da ironia e do eufemismo.
b. da metáfora e da comparação.
c. da personificação e da enumeração.
d. da aliteração e do eufemismo.
1.1.4. A única expressão que ilustra o discurso pessoal é
a. “tenho diante de mim um espetáculo único” [ll. 1-2].
b. “a Terceira muito ao longe quase desvanecida” [ll. 4-5].
c. “com uma nuvenzinha quase pousada” [ll. 9-10].
d. “É só num ponto e passa num instante” [ll. 10-11].
X
X
Recorda estes recursos 
expressivos nas 
páginas 188-189.
X
X
Exercício 
resolvido
Descrição 
de quatro ilhas: 
Graciosa, Terceira, 
São Jorge, Pico
Comparação
Metáfora
Localização dos 
acontecimentos 
no tempo 
(madrugada)
Formas
de 1.ª pessoa
Nota
O discurso pessoal é 
marcado pelas formas 
de 1.ª pessoa 
(determinantes, 
pronomes, verbos).
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 Porto Editora
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1. Lê o texto.
Um relato de José Luís Peixoto na Coreia do Sul
Cheguei a Insadong também a pé, mas através de quilómetros de túneis 
subterrâneos. Seul tem uma imensa rede de centros comerciais debaixo de terra. 
Como uma segunda cidade, a distância desses túneis pode facilmente ser 
comparada à extensão das ruas à superfície. Nestas avenidas de neve no inverno, 
esse abrigo faz muita falta. Já para o visitante estrangeiro, como eu, depois de 
horas à deriva, entrando em lojas aleatórias ou numa das maiores livrarias de 
Seul, que também existe num desses subterrâneos, é muito fácil não reconhecer 
os caminhos quando se regressa à superfície. Ainda assim, perder-me numa 
cidade de absoluta segurança, como Seul, é um prazer infantil, é uma promessa 
de descobertas que, também como Seul, não terminam.
PEIXOTO, José Luís, in Volta ao Mundo, 21/12/2015, 
https://www.voltaaomundo.pt [consult. 09/01/2018].
5
10
1.1. Seleciona a opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido 
do texto.
1.1.1. O texto resulta da articulação entre
a. o relato de um trajeto e uma reflexão sobre o urbanismo de 
Insadong.
b. a descrição de Seul e considerações de carácter político.
c. o relato de um percurso e a crítica à insegurança nas ruas.
d. a descrição de Insadong e a recordação do passado longínquo.
1.1.2. O texto surge estruturado com base numa relação de
a. analogia.
b. causa-consequência.
c. contraste.
d. equivalência.
1.1.3. “Cheguei a Insadong também a pé” [l. 1] classifica-se como um segmento
a. narrativo.
b. descritivo.
c. dialogal.
d. reflexivo.
1.1.4. Na última frase, o tom apreciativo é marcado
a. pelo léxico valorativo. 
b. pela ironia. 
c. pelo vocabulário técnico. 
d. pelos tempos verbais.
1.1.5. A única expressão que ilustra o discurso pessoal é
a. “Cheguei a Insadong também a pé” [l. 1].
b. “esse abrigo faz muita falta” [l. 5].
c. “é muito fácil não reconhecer os caminhos quando se regressa à 
superfície” [ll. 7-8].
d. “é uma promessa de descobertas que […] não terminam” [ll. 9-10].
Dica
Pode haver alíneas 
apenas parcialmente 
corretas. Seleciona a 
única que é totalmente 
verdadeira.
Recorda estas relações 
intratextuais na 
página 182.
Resolve 
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Insadong
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2. Lê um excerto de um relato de viagem de Gonçalo Cadilhe.
Nós ao contrário em Varanasi
A Índia não é feita para passear. […] 
Gostaria de passear, mas não existe um passeio. Há 
buracos, bueiros abertos, saneamento por completar. Os 
parques e jardins estão degradados, os carros não 
respeitam os peões, os riquexós ainda menos, as ilhas 
pedonais não fazem parte do planeamento urbano. O 
espaço falta.
O conceito é absurdo – passear, como quem areja, 
como quem faz exercício físico, como quem namora. Na 
Índia, ninguém passeia. Caminha-se com um objetivo: 
fechar um negócio, encontrar um trabalho, arranjar um 
matrimónio, visitar um templo. Caminhar não é passear.
A vida é precária, a existência compartimentada em 
castas, subcastas, preconceitos e deveres familiares.
A condição humana é regularmente atroz, a morte 
uma aspiração. Aspira-se a uma melhor reencarnação 
ou, talvez um dia, ao desaparecimento total, ao fim do ciclodas transmigrações da 
alma, ao Nirvana. Há um atalho para se chegar mais rapidamente ao Nirvana: 
morrer em Varanasi.
Passeio em Varanasi, no único pedaço da cidade e talvez de toda a Índia onde 
passear parece fazer sentido. Passear como quem medita, ao longo da margem do 
Ganges, o mais sagrado e um dos mais poluídos rios do mundo. Passear como quem 
pensa na vida e na morte, entre pedaços de corpos ainda por arder nas fogueiras da 
cremação, bosta a secar, lixo por todo o lado, moscas também, os edifícios a 
desagregarem-se com os séculos, um ou outro cadáver a boiar, um calor infernal, 
um cheiro revoltante. E, no entanto, é verdade que a Índia é metafísica e espiritual.
Mas, para um olhar europeu, sob a forma de antítese e paradoxo. Afinal, onde é 
mais aguda a noção do efémero da existência, a noção da inevitabilidade da morte? 
Num sorriso injetado de botox ou num nariz carcomido pela lepra? Num centro 
histórico recuperado e protegido da especulação imobiliária ou num centro 
histórico arrasado e substituído por qualquer outra coisa que seja mais barata e 
mais prática? Numa igreja intacta, parada no tempo e no estilo em que foi 
construída, ou num templo milenário que perdeu toda a importância arquitetural 
com as sucessivas modificações, acrescentos, arranjos, incluindo o pvc, o alumínio, o 
betão e o aço? Varanasi, uma das cidades mais antigas do mundo, mais antiga que a 
própria civilização europeia, é precisamente o lugar onde as diferenças da civilização 
indiana melhor se expõem ao olhar europeu.
“Alguém me está sugerindo que tudo isto em que habito, carne e ar e hotel, não 
passa de um projeto de sarcófago?”, pergunta o escritor Giorgio Manganelli, no seu 
livro Esperimento con l’India. Tudo é transitório – a vida é, certamente; e quem sabe 
se a morte também não o é? Erguendo as suas estátuas, preservando as suas cidades, 
protegendo os seus museus, dogmatizando os seus cânones culturais, consolidando 
as suas certezas religiosas, acreditando na salvação eterna, a Europa tenta contrariar 
a passagem do tempo e a Índia entrega-lhe tudo.
CADILHE, Gonçalo, in Visão, https://visao.sapo.pt/ [consult. 11/05/2018, com supressões].
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2.1. Seleciona a opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido 
do texto.
2.1.1. O texto resulta da articulação entre dois aspetos:
a. o relato de um percurso feito e a reflexão suscitada pela realidade 
observada.
b. a descrição de um espaço físico e o relato de acontecimentos his-
tóricos associados a esse espaço.
c. a reflexão sobre questões de carácter social e político e o relato 
de um percurso em Varanasi.
d. a reflexão sobre a importância religiosa de Varanasi e a descrição 
minuciosa de monumentos religiosos visitados.
2.1.2. Para Gonçalo Cadilhe,
a. passear e caminhar são conceitos com sentido análogo.
b. passear tem um carácter utilitário, ao contrário de caminhar.
c. não é possível passear em nenhum local da Índia. 
d. passear permite meditar.
2.1.3. O autor considera que a aspiração à morte é consequência
a. da precariedade da vida humana.
b. dos passeios junto ao rio Ganges.
c. dos contrastes entre os valores espirituais e materiais.
d. da inconsciência da transitoriedade da vida.
2.1.4. Gonçalo Cadilhe defende que a noção da inevitabilidade da morte
a. é mais forte no Ocidente do que na Índia.
b. ocorre, sobretudo, quando a vida é pautada pelo bem-estar físico.
c. é mais incisiva em contextos de pobreza extrema.
d. é recorrente quer na cultura ocidental, quer na cultura oriental.
2.1.5. Na expressão “um projeto de sarcófago” [l. 39] está presente 
a. a metáfora.
b. a antítese.
c. a metonímia.
d. a anáfora.
2.1.6. No último parágrafo, o autor conclui que 
a. nem a Europa nem a Índia lutam contra a efemeridade da vida.
b. a Europa e a Índia lidam de forma diferente com a transitoriedade 
da vida.
c. os monumentos religiosos da Índia são mais belos do que os eu-
ropeus.
d. os europeus aceitam facilmente a inevitabilidade da morte.
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Artigo de divulgação científica
O artigo de divulgação científica é um género textual que visa a divulgação do 
conhecimento científico ou tecnológico a um público não especializado. 
Os artigos de divulgação científica:
• são textos de carácter expositivo em que se apresenta informação seletiva, 
pautada pelo rigor e pela objetividade e marcada pela hierarquização das 
ideias e pela explicitação das fontes;
• são publicados em revistas de especialidade, destinadas ao grande público 
ou em secções específicas de jornais e revistas generalistas;
• abordam temas diversos, nas áreas das ciências exatas e naturais (astrono-
mia, biologia, botânica, ecologia, física, geologia, matemática, química, zoolo-
gia…), das ciências sociais e humanas (história, arqueologia, sociologia…) e da 
tecnologia.
Entre as características estruturais e linguísticas mais previsíveis neste género tex-
tual, podemos destacar as seguintes:
Estrutura Características linguísticas
Elementos paratextuais 
• título (e subtítulos)
• nome do autor
• imagens (fotografias, infografias, 
ilustrações), gráficos, esquemas
• abertura (secção inicial, graficamente 
destacada, em que se apresenta o tema)
Corpo do artigo, constituído por
• introdução
• desenvolvimento
• conclusão
• Citações ou paráfrases do discurso dos 
cientistas entrevistados ou dos estudos 
analisados, seguidas de explicitação das 
fontes
• Simplificação de conceitos de difícil 
compreensão para o leitor comum, 
recorrendo a 
 − analogias*
 − explicitações
 − reformulações
 − exemplificações
• Frases de tipo declarativo
• Verbos conjugados no presente (remetendo 
para acontecimentos atuais ou intemporais), 
no pretérito perfeito simples (relatando 
acontecimentos passados)
• Construções passivas
• Vocabulário técnico
• Palavras/expressões que remetem para 
factos encarados como
 − certos (cientificamente comprovados)
 − prováveis (hipóteses ainda por comprovar 
cientificamente)
Os artigos de 
divulgação científica 
se distinguem de 
outros textos 
jornalísticos pois:
❶ divulgam 
descobertas científicas 
(focando as etapas da 
descoberta, os 
métodos utilizados, os 
resultados obtidos…)?
❷ em geral, as 
citações neles 
presentes têm como 
origem entrevistas 
feitas a cientistas ou 
documentos por eles 
produzidos?
Sabias que…
As analogias nos 
artigos de divulgação 
científica podem ser 
feitas com base em 
metáforas e 
comparações?
*Sabias que…
Exercício 
resolvido
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1. Lê o texto.
Ciência
Primeiros homens modernos ibéricos queimavam 
ossos de animais para se aquecerem
Investigadores analisaram sedimentos de diferentes períodos 
pré-históricos.
Os primeiros homens modernos ibéricos queimavam ossos de 
animais para se aquecerem devido ao frio glaciar que os privou há 
milhares de anos do uso da madeira como combustível, defende um 
estudo de peritos espanhóis.
Para chegarem a esta conclusão, investigadores da Universidade 
do País Basco analisaram sedimentos de diferentes períodos pré- 
-históricos das jazidas de Labeko Koba (Guipúzcoa), Esquilleu 
(Cantábria) e Coimbre (Astúrias). 
A par de sedimentos enegrecidos pelo fogo, os especialistas 
encontraram restos de ossos de animais, como bisontes e cabras, 
queimados.
Segundo um dos peritos, Álvaro Arrizabalaga, os invernos 
rigorosos obrigaram os homens pré-históricos a usarem ossos de 
animais como combustível depois de extraírem o tutano, um 
alimento “muito nutritivo” de que não abdicavam.
Na altura, a paisagem da região que corresponde à atual 
Península Ibérica “era própria do atual norte da Escandinávia”, onde 
havia pouca madeira, sublinhou o arqueólogo, citadopela agência 
noticiosa espanhola Efe.
DN/Lusa, in Diário de notícias, 17/12/2017, https://www.dn.pt [consult. 09/01/2018].
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1.1. Seleciona a opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido 
do texto.
1.1.1. O texto divulga conhecimentos da área da
a. zoologia.
b. paleontologia.
c. arqueologia.
d. botânica.
1.1.2. No primeiro parágrafo, apresenta-se
a. uma síntese da principal conclusão a que se chegou no estudo di-
vulgado.
b. os métodos de investigação utilizados.
c. uma citação retirada do estudo dos cientistas.
d. uma paráfrase do discurso da agência de notícias Efe.
1.1.3. A expressão “como bisontes e cabras” [l. 12] tem um intuito
a. exemplificativo.
b. contra-argumentativo.
c. retificativo.
d. reformulativo.
X
X
X
Vocabulário 
técnico da área 
da arqueologia
Síntese da principal 
conclusão do 
estudo divulgado
Identificação 
da fonte
Identificação 
da fonte
Exercício 
resolvido
Dica
Em geral as fontes são 
explicitadas junto às 
citações ou sínteses do 
discurso citado.
Consulta a página 55.
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1. Lê o texto.
Ciência
Novo método consegue identificar autismo nas crianças
Cientistas criaram um novo método de análise de biomarcadores metabólicos que 
permite identificar se uma criança tem autismo, facilitando o diagnóstico do dis-
túrbio neurológico.
O método desenvolvido por investigadores do Instituto Politécnico de 
Rensselaer, nos Estados Unidos, tem por base concentrações de substâncias 
específicas numa amostra de sangue, revela um estudo publicado esta quinta-feira 
na revista PLOS Computational Biology.
As substâncias (metabolitos) são produzidas por processos metabólicos, um 
deles conhecido por transulfuração, que estão alterados nas crianças com autismo. 
Os processos metabólicos são necessários à formação, ao desenvolvimento e à 
renovação das células.
Os cientistas usaram amostras de sangue de 83 crianças com autismo e de 76 
crianças neurotípicas (sem qualquer distúrbio psíquico significativo) com idades 
entre os três e os dez anos.
Os dados recolhidos foram trabalhados com o auxílio de modelos matemáticos 
avançados e de ferramentas de análise estatística, permitindo identificar 
corretamente 97,6 por cento das crianças autistas e 96,1 por cento das neurotípicas 
(que têm processos metabólicos um pouco diferentes das autistas).
Os autores da investigação ressalvam que são necessários mais estudos e 
pretendem perceber se possíveis tratamentos que manipulem os processos 
metabólicos poderão interferir nos sintomas do autismo, um distúrbio neurológico 
que aparece na infância e se caracteriza por comportamentos repetitivos e 
restritivos e dificuldade de interação social e comunicação.
As causas exatas do autismo continuam desconhecidas e o seu diagnóstico exige 
uma equipa multidisciplinar de médicos.
in Jornal de Notícias, 16/03/2017, https://www.jn.pt [consult. 09/01/2018].
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1.1. Seleciona a opção que te permite obter uma afirmação adequada ao sentido 
do texto.
1.1.1. O texto classifica-se como artigo de divulgação científica, pois 
a. um cientista pertencente a uma equipa transdisciplinar apresenta 
a sua opinião fundamentada sobre o autismo.
b. relata-se pormenorizadamente um projeto de investigação sobre 
o autismo nas crianças.
c. comunica-se uma descoberta científica a um público especiali-
zado na área da Biologia Computacional.
d. divulga-se a um público não especializado uma descoberta cientí-
fica recente.
1.1.2. Na abertura do texto, destacada a negrito [ll. 1-3],
a. refuta-se a informação apresentada no título.
b. sintetiza-se a descoberta científica a desenvolver no artigo.
Dica
Antes de responderes, 
elimina as opções falsas 
e as que estão apenas 
parcialmente corretas.
Resolve 
tu!
Instituto Politécnico de 
Rensselaer (EUA)
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c. citam-se os cientistas responsáveis pela investigação.
d. apresenta-se um ponto de vista crítico.
1.1.3. No primeiro parágrafo do corpo do texto [ll. 4-7], 
a. complementa-se a informação já apresentada, acrescentando 
dados sobre os responsáveis pela investigação e a fonte utilizada.
b. apresenta-se informação completamente nova.
c. reitera-se a informação apresentada no título e na abertura, fo-
cando-se as consequências do estudo neurológico feito. 
d. focam-se os processos metabólicos analisados durante o pro-
cesso de investigação.
1.1.4. Na linha 8, os parêntesis são utilizados para 
a. explicar o significado de um termo técnico. 
b. especificar um termo técnico desconhecido do leitor comum.
c. delimitar um ponto de vista pessoal.
d. apresentar um exemplo que ilustre o que foi dito anteriormente.
1.1.5. O método de recolha e análise de dados utilizado
a. é sintetizado no primeiro e segundo parágrafos [ll. 4-11]. 
b. é explicitado no terceiro e no quarto parágrafos [ll. 12-18].
c. é referido no penúltimo parágrafo [ll. 19-23]. 
d. não é referido no corpo do texto.
1.1.6. Pode considerar-se que o último parágrafo tem uma função de fecho, na 
medida em que
a. constitui uma síntese do que foi dito no desenvolvimento.
b. remete para os limites da investigação.
c. apresenta outras investigações já em curso.
d. corrobora a validade incontestável do estudo apresentado.
1.1.7. Está presente uma construção passiva em 
a. “As substâncias […] são produzidas por processos metabólicos” [l. 8].
b. “que aparece na infância” [l. 22].
c. “As causas exatas do autismo continuam desconhecidas” [l. 24].
d. “o seu diagnóstico exige uma equipa multidisciplinar” [ll. 24-25].
1.1.8. A forma verbal “ressalvam” [l. 19] sugere que os cientistas encaram as 
conclusões a que chegaram como
a. certas.
b. provisórias.
c. vagas.
d. improváveis.
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1. Lê o artigo de divulgação científica, cujos parágrafos se encontram desorde-
nados.
Investigação
Descobertas formas de vida desconhecidas em grutas na 
Antártida
2
Segundo o estudo divulgado na revista Polar Biology, as pesquisas 
aconteceram junto ao Monte Erebus, um vulcão ativo situado na ilha 
Ross, um lugar rodeado por grutas de gelo.
4
Apesar da nova descoberta, Laurie Cornell, também coautor, da 
Universidade de Maine, explica que não há garantias de que esses 
animais e plantas ainda vivam na atualidade e que, por isso, “o próximo 
passo é procurar organismos vivos. Se existirem, abre-se a porta para 
um incrível novo mundo”.
3
Dentro dessas grutas as temperaturas rondam os 25 graus. “Pode 
estar mesmo quente lá dentro. Podes usar uma t-shirt e estares 
confortável”, disse o coautor do estudo, Ceridwen Fraser, da Universidade 
Nacional Australiana, situada em Camberra.
1
Um grupo de cientistas descobriu amostras de ADN correspondentes 
a animais e plantas desconhecidos no interior de grutas na Antártida, 
onde se pode andar com uma t-shirt e não sentir frio.
in Jornal de Notícias, 13/09/2017, https://www.jn.pt/ [consult. 11/05/2018, adaptado].
1.1. Ordena os parágrafos conforme a seguinte progressão temática:
1 Síntese da descoberta feita pelos cientistas
2 Apresentação do contexto de investigação
3 Especificação de um aspeto da descoberta
4 Reflexão sobre os limites da investigação e perspetivas de investigação 
futura
1.1.1. Justifica a tua opção, com base em elementos textuais.
No primeiro parágrafo, sintetiza-se a descoberta feita, referindo os 
investigadores responsáveis pela investigação (“um grupo de cientistas”) e a 
descoberta propriamente dita, fazendo analogias com o dia a dia (“descobriu 
amostras de ADN […] sentir frio.”). Depois, indica-se o local em que a 
investigação foi realizada (segundo parágrafo). Por fim, no terceiro e quartoparágrafos, citam-se dois dos investigadores: primeiro, Ceridwen Fraser 
(“coautor do estudo”), que apresenta informação mais genérica e relacionada 
com o saber comum; depois, Laurie Cornell (“também coautor”), que expõe 
informação mais específica (limites da investigação) e “fecha” o texto, 
sugerindo perspetivas de investigação futuras. 
Dica
Sublinha as expressões 
que se referem aos 
tópicos identificados e 
anota os tópicos ao lado 
dos parágrafos. Assim, 
será fácil reordenares os 
segmentos.
Contexto de 
investigação
Pormenor da 
descoberta
Descoberta feita 
pelos cientistas
Limites da 
investigação
Perspetivas de 
investigação futura
Exercício 
resolvido
Resolve 
tu!
Dica
O advérbio “também” 
ajuda-te a ordenares 
corretamente os 
parágrafos 3 e 4, pois 
mostra que se vai referir 
uma nova fonte (o 
coautor foi referido no 
parágrafo anterior).
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1. Lê outro artigo de divulgação científica, cujos parágrafos também se encon-
tram desordenados.
Ciência
A catástrofe que extinguiu dinossauros influenciou as aves
Há 66 milhões de anos, um meteorito atingiu a Terra e provocou a extinção 
dos dinossauros. Um estudo agora divulgado tenta explicar como o impacto 
influenciou o tipo de aves que existem hoje.
No estudo, foi feita a relação evolutiva entre as 10 mil espécies de 
aves que existem hoje e concluiu-se que os sobreviventes do cataclismo 
foram as aves que viviam no solo. "As análises mostraram que o passado 
ancestral de todos os pássaros que vivem hoje, e todas as linhagens de 
aves que atravessaram o período Cretáceo, eram, provavelmente, 
terrestres", resumiu.
De acordo com o especialista, os antepassados das aves que 
conhecemos hoje e que têm como habitat as árvores só começaram a 
voar até aos ramos quando as florestas renasceram após o cataclismo. 
1
A extinção dos dinossauros continua a intrigar a comunidade 
científica e tem sido motivo de vários estudos, um dos quais tenta 
explicar como o cataclismo que aconteceu há milhões de anos 
influenciou o tipo de aves que existem hoje.
No artigo que foi publicado esta quinta-feira na revista Current 
Biology, os cientistas explicam que apenas as aves que viviam em terra 
sobreviveram às consequências do impacto, ao contrário do que 
aconteceu com as espécies que viviam nas árvores. A destruição massiva 
das florestas em todo o mundo, resultante do impacto, levou a que essas 
aves ficassem sem habitat, explicam os autores do estudo.
De acordo com o trabalho desenvolvido pela equipa liderada por 
Daniel Field, paleontólogo da Universidade de Bath, no Reino Unido, a 
destruição causada pelo meteorito que atingiu a Terra há 66 milhões de 
anos afetou a evolução das aves. […]
A análise de amostras de fósseis desse período, que foram recolhidas 
na Nova Zelândia, Japão, Europa e América do Norte, levaram os 
investigadores a concluir a destruição das florestas no final do período 
Cretáceo e a extinção das aves que tinham como habitat as árvores.
DN/LUSA, in Diário de Notícias, 24/05/2018, https://www.dn.pt/ 
[consult. 30/05/2018, adaptado e com supressões].
1.1. Ordena os parágrafos conforme a seguinte progressão temática:
1 Apresentação/problematização da questão científica a abordar 
2 Síntese da descoberta feita pelos cientistas
3 Apresentação de uma conclusão a que se chegou com a investigação
4 Explicitação da conclusão anteriormente apresentada
5 Referência ao contexto de recolha de dados 
6 Síntese final do estudo feito
1.1.1. Justifica a tua opção.
Resolve 
tu!
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Exposição sobre um tema
A exposição sobre um tema visa a transmissão objetiva e ordenada de informa-
ção sobre determinado tema (ciência, história, literatura, política, desporto…): 
• a informação é apresentada de forma clara, dando conta do raciocínio se-
guido, desenvolvendo o tema de modo esclarecedor e demonstrando o que 
é dito com factos concretos (e não pontos de vista pessoais);
• tem como características o carácter demonstrativo, a elucidação evidente 
do tema (fundamentação das ideias), a concisão e a objetividade.
As exposições têm ainda especificidades ao nível da estrutura e das característi-
cas linguísticas, que contribuem para o seu carácter demonstrativo:
Estrutura Características linguísticas
Estrutura tripartida*
• introdução (apresentação do tema)
• desenvolvimento do tema, recorrendo a 
explicações e exemplos
• conclusão (fecho do texto) **
Elementos paratextuais 
• Título (e subtítulos) 
• Notas de rodapé
• Bibliografia (lista de obras consultadas)
• Esquemas, tabelas, quadros (com ou sem 
legenda)
• …
• Frases de tipo declarativo 
• Conectores
• Construções passivas
• Vocabulário específico, associado ao tema 
abordado
• 3.ª pessoa gramatical
• Verbos conjugados
 − no presente do indicativo (referência a 
situações atuais, genéricas ou intemporais) 
 − no pretérito perfeito do indicativo 
(referência a acontecimentos passados)
• Expressões que remetem para o tempo e o 
espaço em que se fala (deíticos) 
Ex.: aqui, agora, neste momento, 
antigamente, no futuro
Os conectores articulam com precisão as diferentes partes de uma exposição. 
Ex.:
Água e aquático pertencem à mesma família de palavras, mas, no contexto do 
funcionamento do português contemporâneo ou de outra fase anterior, não se 
considera que o segundo vocábulo seja formado a partir do primeiro.
Não obstante o adjetivo aquático ser da família de palavras de água, é necessário 
ter em conta que transitou do latim ao português por via erudita: aquatĭcus > aquático. 
É no âmbito do funcionamento do latim que o adjetivo aquatĭcus pode ser analisado 
como derivado, com base no aquat- de aquātus, a, um, particípio passado do verbo 
aquāri (“prover-se de água”); este, por sua vez, deriva de aqua, aquae, ou seja, “água”.
Sem se impor o conhecimento da história de cada vocábulo para identificar uma 
família de palavras, a linguística contemporânea considera que é frequente um radical, 
um sufixo ou outros morfemas se apresentarem com mais de uma forma; será este, 
portanto, o caso da família de palavras de água, que inclui alguns membros cujo radical 
é aqu- (aquático, aquoso), e não agu- (aguadeiro).
ROCHA, Carlos, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/ [consult. 24/04/2018].
Nota*
Nem sempre os textos 
de carácter expositivo 
são constituídos por 
estas três partes. É o 
que acontece, por 
exemplo, com os 
verbetes 
enciclopédicos.
Dica**
Na conclusão de uma 
exposição, pode-se, por 
exemplo:
• sintetizar as ideias 
mais relevantes;
• apresentar informação 
de carácter 
globalizante;
• abrir perspetivas sobre 
o tema…
Exercício 
resolvido
Oposição 
Alternativa
Oposição não impeditiva 
(= apesar disso)
Mudança de perspetiva
Explicação adicional
Conclusão
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1. Lê o texto.
A água é o único composto químico a estar presente na Terra 
simultaneamente sob forma sólida (os glaciares), líquida (os oceanos) e gasosa 
(as nuvens). Estes três estados desempenham importantes papéis no 
funcionamento desta Terra, que é justamente designada por planeta azul ou 
planeta da água. 
A  hidrosfera  pode ser subdividida em três reservatórios : o oceano, os 
glaciares polares e a água doce continental. O volume destes três reservatórios 
difere muitíssimo: 97 por cento da água de superfície encontra-se no oceano; os 
3 por cento que restam são constituídos por água doce, três quartos da qual 
estão retidos nos gelos polares. 
A água doce dos continentes é composta essencialmente pelas águas 
subterrâneas, superfícies freáticas profundas e superficiais. A água de 
superfície, aquela que vemos, que utilizamos e que marca a nossa vida 
quotidiana constitui um pequeníssimovolume do total: a água dos lagos 
representa a décima milésima parte da água terrestre de superfície, a água 
contida na atmosfera, a centésima milésima, e a água dos rios e ribeiras, a 
milionésima. 
Todavia , tanto em geoquímica como nas outras disciplinas, a importância 
de um reservatório não é exclusivamente função das suas dimensões, mas 
também do ritmo a que ele se renova, ou seja, da sua dinâmica. Temos assim 
que a duração média de permanência de uma molécula de água no  oceano é de 
40 000 anos , enquanto na  atmosfera é de apenas uma semana .
ALLÈGRE, Claude (1996). Ecologia das cidades, ecologia dos campos (trad. Maria João Reis). 
Lisboa: Instituto Piaget [pp. 99-100].
Verbos no presente 
(valor intemporal)
Expressão que remete 
para o espaço em que o 
autor se encontra
5
Todo → Parte
Construções passivas
10
Dados quantitativos
15
Vocabulário técnico 20
Contraste
1.1. Seleciona a(s) opção(ões) que te permite(m) obter afirmações corretas.
1.1.1. A objetividade e o carácter demonstrativo do texto são evidenciados 
a. pela expressão de pontos de vista pessoais.
b. pela apresentação de exemplos que ilustram o que é dito.
c. pela apresentação de dados quantitativos.
d. por frases de tipo interrogativo.
e. pela presença de vocabulário técnico.
f. por construções passivas.
g. por expressões que apontam genericamente para o espaço em 
que o autor se encontra.
h. por verbos no presente do indicativo, com valor intemporal.
1.1.2. As informações apresentadas ao longo do texto organizam-se 
a. por ordem cronológica. 
b. do todo para a parte.
c. da causa para a consequência. 
d. com base em contrastes.
X
X
X
X
X
X
X
X
Exercício 
resolvido
Exemplos 
(entre parêntesis)
Recorda estas relações 
intratextuais na 
página 182.
Exposição sobre um tema2
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178
Semântica
1. Valor temporal
Relaciona-se com a localização dos acontecimentos no tempo.
Formas de expressão do tempo
Flexão verbal (tempos verbais) Levantei-me às 7:00, mas ainda estou em casa.
Verbos auxiliares (ir, haver de) Vou estudar Ciências.
Advérbios/locuções adverbiais ou expressões 
com valor temporal Levantei-me às 7:00, mas ainda estou em casa.
Orações 
Coordenadas copulativas 
(com valor temporal)
Levantei-me, vesti-me, tomei o pequeno 
almoço e finalmente saí de casa.
Subordinadas adverbiais temporais Depois de me levantar, vesti-me.
2. Valor aspetual
Relaciona-se com a forma como uma situação é perspetivada: 
Apresenta-se como 
terminada.  Reguei o jardim.  Valor perfetivo
Apresenta-se como 
não terminada.  Estou a regar o jardim.  Valor imperfetivo
Apresenta-se como 
atemporal/verdadeira 
em qualquer situação.
 A água é fundamental para a vida.  Situação genérica
Apresenta-se como 
habitual. 
Rego sempre o jardim ao 
fim do dia.  Situação habitual
Apresenta-se como 
repetitiva, ocorrendo 
com regularidade.
 Tenho regado o jardim todas as semanas.  Situação iterativa
3. Valor modal
Relaciona-se com a atitude do enunciador (quem fala ou escreve) em relação ao 
que diz e ao destinatário.
Expressão de certeza ou 
probabilidade sobre o con-
teúdo de um enunciado.

O Rui regou o jardim.
Sei que o Rui regou o jardim.
É provável que o Rui tenha 
regado o jardim.
 Modalidade epistémica
Expressão de imposição/
obrigação ou permissão/
proibição.
 Rui, rega/tens de regar o jardim. Não saias de casa já. 
Modalidade 
deôntica
Expressão de apreciação/ 
opinião sobre o conteúdo 
de um enunciado.
 Lamento que as flores tenham secado… 
Modalidade 
apreciativa
Relações de ordem 
cronológica
• Simultaneidade – 
dois acontecimentos 
ocorrem ao mesmo 
tempo
• Anterioridade – um 
acontecimento 
ocorre antes de outro
• Posterioridade – um 
acontecimento 
ocorre depois de 
outro
Algumas formas de 
expressão do aspeto
• Verbos auxiliares –
costumar, começar a, 
acabar de, terminar 
de…
• Advérbios – já, 
sempre, ainda, 
frequentemente, 
habitualmente, 
ultimamente…
• Outras expressões – 
duas vezes por dia, 
com frequência, 
durante todo o dia…
Algumas formas de 
expressão da 
modalidade
• Deôntica – faz, não 
faças, tens de, deves, 
podes, é/não é 
necessário/preciso/ 
obrigatório/proibido/
permitido
• Epistémica – sei/
tenho a certeza de/
duvido que, deve/não 
deve, é possível/
provável/ certo que, 
talvez, decerto, 
certamente
• Apreciativa – 
felizmente, 
infelizmente, lamento 
que, é pena que, é 
bom/mau/ 
agradável/
desagradável que…; 
frases de tipo 
exclamativo 
(Que bonito!)
Exercício 
resolvido
Nota
Conteúdos constantes 
da versão provisória 
do documento de 
definição das 
Aprendizagens 
Essenciais para a 
disciplina de 
Português, 10.º ano.
Gramática
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1. Lê o texto.
 
Pinhal de Leiria
Este pinhal expressa a inteligência do rei D. Afonso III, responsável no século 
XIII pela sua plantação. A extensão do pinhal de Leiria continuou a crescer, 
sobretudo sob ordem do rei D. Dinis, intitulado por isso como o “Rei Lavrador” de 
Portugal. […]
Durante vários séculos, o pinhal de Leiria foi um dos “pulmões” de Portugal, 
visto que a sua extensão se mantinha praticamente intacta mesmo com o corte de 
árvores. A política implementada neste pinhal era que, por cada árvore cortada 
uma era plantada.
Mais do que esta importância natural e ambiental, o pinhal de Leiria teve 
também um papel de destaque num dos momentos-chave portugueses: os 
Descobrimentos. As caravelas e as outras embarcações foram construídas usando a 
madeira e o pez deste pinhal! […]
Ao visitar o pinhal de Leiria, pode ainda mergulhar na história passada visitando 
alguns fornos que tratavam a madeira utilizada nas caravelas ou usufruir de trilhos 
naturais por entre as imensas árvores aí presentes.
in Turismo do Centro, https://turismodocentro.pt/ [consult. 26/03/2018, com supressões].
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1.1. Seleciona a opção correta. 
1.1.1. Nas linhas 1 a 4, está presente a modalidade
a. epistémica, veiculando-se certeza sobre o enunciado.
b. epistémica, transmitindo-se dúvida sobre o que é dito.
c. apreciativa, expressando-se uma opinião sobre o enunciado.
d. deôntica, exprimindo-se uma imposição. 
1.1.2. O enunciado “Durante vários séculos, o pinhal de Leiria foi um dos ‘pul-
mões’ de Portugal” [l. 5], tem um valor aspetual
a. perfetivo.
b. genérico.
c. imperfetivo.
d. iterativo.
1.1.3. No terceiro parágrafo, a modalidade apreciativa é expressa através
a. da expressão “Mais do que”.
b. dos adjetivos.
c. da frase exclamativa.
d. do nome “destaque”.
1.2. Reescreve o enunciado seguinte, expressando os valores semânticos indicados.
D. Dinis foi o Rei Lavrador.
a. Valor epistémico (dúvida): Creio que D. Dinis foi o Rei Lavrador. 
b. Valor apreciativo: Felizmente, D. Dinis foi o Rei Lavrador. 
c. Valor genérico: D. Dinis é o rei Lavrador. 
X
X
X
Exercício 
resolvido
Não há marcas de 
expressão de dúvida, 
apreciação ou imposição
 Valor epistémico de 
certeza 
A ação é dada como 
terminada
 Valor perfetivo
Frase exclamativa
 Valor apreciativo
Semântica5
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