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CRÉDITO E COBRANÇA

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CRÉDITO E COBRANÇA
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Emerson Strutz
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Cristiane Lisandra Danna
Norberto Siegel
Camila Roczanski
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Bárbara Pricila Franz
Marcelo Bucci
Revisão de Conteúdo: Bárbara Pricila Franz
Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2018
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
 ST927c
Strutz, Emerson
Crédito e cobrança. / Emerson Strutz – Indaial: UNIAS-
SELVI, 2018.
 
 98 p.; il.
ISBN 978-85-53158-24-9
1.Administração de crédito – Brasil. 2.Cobrança de con-
tas – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
 
CDD 658.88 
Emerson Strutz
Possui graduação em Licenciatura em 
Matematica pelo Centro Universitário Leonardo 
da Vinci(2008), graduação em Administração com 
Habilitação em Finanças pelo Centro Universitário 
Leonardo da Vinci(2009), especialização em 
Neuropsicopedagogia pelo Centro Universitário Leonardo 
da Vinci(2015), especialização em Docência no Ensino 
Superior pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci(2014), 
especialização em Administração Escolar, Supervisão 
e Orientação pelo Centro Universitário Leonardo da 
Vinci(2016), curso-tecnico-profissionalizante pelo Centro 
de Educação Profissional Hermann Hering(2005) e 
mestrado-profissionalizante em Ensino de Ciências e 
Matemática pelo Fundação Universidade Regional 
de Blumenau(2016). Atualmente é Supervisor de 
Disciplina do Centro Universitário Leonardo da 
Vinci. Tem experiência na área de Matemática 
e Gestão Financeira.
Sumário
APRESENTAÇÃO ..........................................................................07
CAPÍTULO 1
Introdução ao Crédito ...............................................................09
CAPÍTULO 2
Introdução à Cobrança ..............................................................41
CAPÍTULO 3
Estrutura da Gestão de Risco de Crédito ..............................71
APRESENTAÇÃO
No mundo contemporâneo a maior parte das empresas que realizam a 
administração de crédito são as instituições bancárias, utilizam-se de análises 
e questionamentos para a tomada de decisões referente ao deferimento ou não 
da concessão do crédito. Geralmente, essa análise leva em conta dois grandes 
alicerces: a isenção e a capacidade do tomador a honrar com seus compromissos 
firmados. Quando as instituições bancárias analisam a intenção de pagar do 
cliente, geralmente é investigado seu caráter, já a capacidade de pagamento é 
onde os bancos investigam a situação econômica desse cliente. 
É importante ressaltar que as duas análises são essenciais para conceder o 
crédito, porém, com mais ênfase na análise econômica, geralmente devido aos 
aspectos históricos, é comum o cliente deixar de cumprir suas obrigações, em sua 
maioria devido a não poder pagar, do que não estar disposto a pagar.
Portanto, ao definir políticas de crédito e cobrança é importante lembrar que 
ambas devem estar harmonizadas com os mercados e atividades envolvidas com 
os negócios da empresa. É necessário que essas políticas sejam expressas de 
forma clara, além de dispor de estrutura capaz de operacionalizar o processo de 
forma eficiente e eficaz.
Conhecer os tipos de cobrança e a forma que será realizada, bem como a 
periodicidade também contempla o planejamento do setor, devido à complexidade 
e fragilidade do processo, pode levar ao sucesso ou fracasso do objetivo em 
recuperar valores financeiros não pagos no prazo acordado.
Antes de tomar as medidas legais cabíveis ao devedor, é necessário tentar 
todas as medidas extrajudiciais possíveis, tendo acordos, formas de pagamentos 
para recuperar o montante cedido ao cliente. Para isso vamos verificar as possíveis 
maneiras de realizar as cobranças e os estágios que a empresa pode adotar.
Cada organização pode fazer uso de diversas políticas, de acordo com o 
perfil de seus clientes. Porém é necessário verificar se as formas utilizadas estão 
dentro da legislação brasileira.
Bons estudos!
CAPÍTULO 1
Introdução ao Crédito
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Conhecer os tipos de linhas de crédito.
�	Diferenciar os tipos de pessoas físicas e jurídicas.
�	Compreender as análises de crédito.
�	Realizar o cadastro de crédito, fazendo consultas e conceder limites de crédito 
de acordo com o risco do cliente.
10
 CRÉDITO E COBRANÇA
11
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Contextualização
As organizações estão inseridas em um mercado cada vez mais competitivo, 
buscando esforços, permanentemente, para manter, conquistar e fidelizar seus 
clientes. Nesse contexto, muitas operações buscam facilitar o fechamento de um 
contrato de venda por meio de concessão de crédito. Tal método tem se tornado 
um mecanismo estratégico utilizado pelas empresas como impulsionador de venda. 
No entanto, nesse contexto, há um fator desafiador, que é conceder o crédito 
diminuindo o máximo possível os prejuízos financeiros para a empresa com 
uma futura inadimplência. O grande objetivo deste material é fornecer ao leitor 
mecanismos para a concessão de crédito com um nível de segurança elevado e 
com um baixo índice de inadimplência nas empresas ao qual estão inseridos.
Verificaremos a maneira de realizar a implantação de um cadastro de 
clientes, os parâmetros e os critérios para a concessão de crédito e a forma de 
realizar a cobrança aos clientes, com o objetivo de aumentar a receita e melhorar 
o contato com o cliente.
Devemos ter em mente que o principal recurso para atingir os objetivos, tanto 
para conceder o crédito quanto para seu recebimento, é o capital humano. Desta 
forma, conhecer os procedimentos é essencial para que os colaboradores da 
organização consigam desempenhar melhor suas funções.
Introdução ao Crédito
Diariamente, as organizações efetuam operações envolvendo entradas 
e saídas de valores monetários. Independentemente se são micro, pequenas, 
médias ou grandes empresas precisam criar estruturas, simples ou complexas, 
para controlar as movimentações financeiras, os gastos, os investimentos, os 
empréstimos, as aplicações e os pagamentos, ou seja, as origens e os destinos 
desses recursos para que possam medir os resultados alcançados e definir as 
melhores estratégias para que seu crescimento seja possível.
O setor responsável por essas movimentações em uma empresa é 
denominado como Setor Financeiro e suas atribuições são geridas pela 
Administração Financeira. Abordaremos a seguir a parte da Administração 
Financeira responsável pelo controle de entradas e saídas de uma organização 
por meio de vendas, independente da forma de pagamento.
12
 CRÉDITO E COBRANÇA
Figura 1 - Fluxo Diretoria Financeira
Contas a pagar
Diretoria
FinanceiraContas a receber
Fiscal
Contabilidade
Fonte: O autor.
A formação da palavra Crédito tem origem da palavra “credere”, do latim, que 
possui em seu significado “acreditar”, “confiar”; pressupondo que quem assumir 
tal compromisso é confiável, e acredita-se que honrará àquilo firmado. 
De acordo com os históricos econômicos, financeiros e políticos 
de uma sociedade, os governos, os bancos e as empresas definem sua 
forma de conceder crédito. Você confere a notícia em sua íntegra no 
link <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1933051-bancos-
veem-espaco-para-retomada-da-concessao-de-credito.shtml>. 
“Os maiores bancos privados do Brasil têm a avaliação de que há espaçopara ampliar a concessão de crédito já no último trimestre de 2017 e prosseguir 
em alta ao longo de 2018, após as taxas de inadimplência de julho a setembro de 
2017 ficarem perto da estabilidade [...]” (FERNANDES, 2017, s.p.).
Diante disso, o crédito é uma das formas de impulsionar o consumo, 
proporcionando crescimento, girando a roda da economia. A população consome 
mais, movimentando diversos setores econômicos, seja ela industrial, comercial 
ou de serviços.
13
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
a) Linhas de Crédito
A partir do momento que uma organização coloca uma linha de crédito à 
disposição de terceiros, o analista responsável por essa operação, que muitas 
vezes recebe o nome de analista de crédito, possui sua promessa de quitação 
das parcelas através de várias formas de pagamento, buscando sempre o 
objetivo de quitar a dívida oriunda dessa concessão. No entanto, o analista 
precisa estar ciente de que o mercado pode sofrer mudanças, fazendo com que a 
dívida contraída não seja quitada, além de existirem empresas e pessoas com a 
intenção de golpes financeiros através dessas concessões.
O analista de crédito busca sempre informações no mercado financeiro 
para aumentar ou diminuir essa concessão, tanto no montante ofertado quanto 
no número de pessoas ou empresas que podem se beneficiar com esse crédito. 
Com tal informação, é possível verificar que os bancos se baseiam como um dos 
indicadores, nos históricos do mercado para essa liberação.
Ao conceder o crédito, é importante que o responsável por essa análise 
conheça a finalidade que será aplicada ao valor concedido, sabendo qual a real 
necessidade do cliente. Por esse motivo, é fundamental estar ciente da situação 
tanto financeira, quanto patrimonial, oferecendo assim uma linha de crédito que 
seja compatível com o perfil, a necessidade e a capacidade de amortização/
pagamento do valor concedido.
Verificaremos a seguir alguns tipos de linhas de crédito ofertados no nosso 
mercado financeiro.
• Linhas de Crédito Pessoas Físicas
As linhas de crédito pessoal no Brasil, geralmente, são oferecidas por 
instituições bancárias ou por instituições financeiras que ofertam esse tipo de 
produto para seus clientes. Atualmente, há uma variedade de tipos de linhas de 
crédito que as pessoas físicas podem contratar, as mais populares compreendem: 
Cartão de Crédito, Cheque Especial, Crédito Imobiliário, Leasing, entre outros.
O departamento responsável por essas concessões obedece algumas 
etapas como: análise do cliente, análise cadastral, de idoneidade, financeira, de 
relacionamento, patrimonial e sensibilidade. A partir dessa análise, há faixas de 
clientes para que eles possam cumprir com suas obrigações. 
Além das análises citadas, as instituições que ofertam crédito também 
buscam informações em órgãos como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a 
Centralização de Serviços bancários (Serasa).
14
 CRÉDITO E COBRANÇA
Após aprovado o cadastro e realizado as devidas análises, podem ser 
ofertados produtos como:
 – Crédito Imobiliário: é o tipo de financiamento destinado à compra de um 
imóvel, podendo ser novo ou usado, terreno ou edificação, comercial ou 
residencial. O valor do crédito imobiliário também pode ter como destino 
a construção, a reforma ou a compra de terrenos.
 – Cheque Especial: é um produto destinado ao limite de crédito predefinido 
pela instituição financeira, um montante “extra” que pode ser utilizado 
a qualquer momento. Esse valor é um contrato de empréstimo firmado 
entre o banco e o cliente, em que os juros e os encargos serão cobrados 
somente quando esse valor for utilizado.
– CDC - Crédito Direto ao Consumidor: é um tipo de produto ou linha 
de crédito destinado para a aquisição de bens duráveis, como a compra 
de um automóvel, eletrodomésticos ou até mesmo o financiamento de 
algum curso. O contrato desse tipo de produto é realizado diretamente 
no estabelecimento final, na qual este, por sua vez, realiza convênio com 
bancos ou agências financeiras.
 – Crédito Pessoal: é um tipo de produto onde o seu valor pode ser 
destinado a qualquer finalidade. O prazo para quitação, juros e encargos 
são definidos no momento de sua contratação.
– Crédito Estudantil: este tipo de financiamento é destinado 
exclusivamente para o pagamento de graduação, pós-graduação a nível 
de especialização, mestrado ou doutorado. Muitas instituições privadas 
oferecem tal financiamento, assim como o poder público através de 
alguns programas, como o Fies.
– Cartão de Crédito: um dos produtos mais populares para a aquisição de 
produtos ou serviços. Esse produto oferece ao consumidor o pagamento 
à vista ou parcelado dentro de um limite estipulado pela operadora 
do cartão. O consumidor pode pagar uma anuidade pela utilização 
do cartão, e os juros em caso de atraso no pagamento da fatura, já o 
estabelecimento paga uma taxa para oferecer o serviço.
 – Empréstimo Consignado: é o tipo de produto onde as parcelas 
desse financiamento são descontadas diretamente da fonte de renda 
do funcionário, ou seja, vêm descontadas de sua folha de pagamento, 
holerite. Geralmente, sua taxa de juros é menor que muitos dos produtos 
ofertados com a mesma facilidade.
15
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
• Linhas de Crédito Pessoas Jurídicas
As instituições financeiras possuem produtos específicos para empresas, as 
chamadas pessoas jurídicas. Estes produtos podem ser destinados à capital de giro, à 
compra de produtos, à aquisição de bens e ao pagamento de fornecedores ou serviços 
que venham necessitar. Tais produtos, geralmente, são quitados no curto e médio prazo, 
tendo como objetivo proporcionar a liquidez da empresa tomadora do financiamento. 
Verificaremos a seguir alguns exemplos desses produtos destinados a 
pessoas jurídicas.
– Linha de Crédito Capital de Giro: é o tipo de produto que a instituição 
financeira disponibiliza, por meio de empréstimo, um valor monetário 
para suprir suas necessidades de capital de giro. Tal produto pode exigir 
uma garantia de pagamento ou não. 
– Investimento: é o tipo de produto que se destina a financiar ou a realizar a 
manutenção da empresa, podendo ter a possibilidade de capital de giro atrelado.
– Leasing: a empresa pode financiar automóveis, máquinas, equipamentos, 
porém, até a quitação do seu financiamento, este bem fica em nome da 
instituição financeira que ofereceu o leasing e, no final, a empresa pode 
escolher em ficar ou devolver o bem. Caso queira se apropriar do bem, 
deve verificar se há algum valor residual para pagamento.
 – Desconto de Duplicatas ou Títulos: é o tipo de produto que as instituições 
financeiras antecipam o pagamento de duplicatas ou títulos, disponibilizando 
esse montante em sua conta corrente e cobrando os juros antecipadamente. 
Caso o cliente não venha a pagar essa duplicata ou esse título, o valor é 
descontado integralmente da conta corrente da empresa. 
 – Cartão de Crédito: um dos produtos mais populares para a aquisição 
de produtos ou serviços. Este produto possui as mesmas características 
do oferecido às pessoas físicas e proporciona o pagamento à vista ou 
parcelado dentro de um limite estipulado pela operadora do cartão. O 
consumidor pode pagar uma anuidade pela utilização do cartão e os 
juros em caso de atraso no pagamento da fatura, já o estabelecimento 
paga uma taxa para oferecer o serviço.
 – Abertura de empresa: algumas instituições financeiras fomentam a 
abertura de novas empresas. Para isso, oferecem uma linha de crédito 
com juros atraentes para que o empreendedor possa usufruir para a 
abertura de um novo negócio.
16
 CRÉDITO E COBRANÇA
 – Crédito Rural: é um produto disponibilizado aos produtores rurais 
e cooperativas, que pode ser usufruído desde o plantio até a 
comercialização do produto, com o objetivo de fomentar a produção rural 
no país, fortalecendo esse setor da economia.
– Linha de Crédito Empreendedor Individual:é o tipo de produto 
destinado a empreendedores de pequeno porte, a valores menores, para 
que possa gerar mais lucro ao seu negócio. 
– Linha de Crédito a Longo Prazo: é o tipo de produto que visa à 
expansão do negócio. A empresa pode financiar entre 37 a 72 meses, 
podendo variar, dependendo do ramo de atividade e proposta de 
pagamento. Esse tipo de produto ainda pode oferecer carência para 
início do pagamento de suas parcelas.
Análise de Crédito de Pessoa Física
Quando abordamos o quesito de análise de crédito, estamos tratando de um 
processo que atribui valores a um conjunto de informações que visa emitir um 
parecer sobre uma situação para a disponibilização de crédito, lembrando que, 
ao realizar a análise, será possível a emissão de um parecer positivo ou negativo. 
Essa análise pode ser realizada para pessoa física ou jurídica. Na análise de 
crédito, é definido o risco envolvido na operação, ou seja, o risco que a instituição 
financeira correrá ao oferecer tal crédito ao seu cliente.
Geralmente, essa análise é realizada utilizando uma tabela de critérios e 
pontuação que sofrem variações de instituições para instituições e de empresas 
para empresas. Através dessa análise, verifica-se a possibilidade desse cliente 
ser ou não inadimplente. Baseando-se nessa análise, são definidos limites, linhas 
de crédito, taxas de juros, prazos etc.
Figura 2 - Fluxo de Análise de Crédito
Análise de
Relacionamento
Análise
Financeira
Análise de
Idoneidade
Análise
Cadastral
Análise de
Sustentabilidade
Análise
Patrimonial
Fonte: O autor.
17
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
É através da análise que se verifica os riscos de conceder 
crédito, portanto, deve-se realizar cada etapa com seriedade, para 
diminuir os riscos para a instituição.
Como verificamos no esquema, há uma série de análises para a concessão 
do crédito, cada uma com suas peculiaridades e informações. É importante que 
cada processo seja realizado com a maior seriedade e imparcialidade, garantindo 
ao fornecedor do crédito o menor risco possível. A seguir, verificaremos 
detalhadamente alguns itens para cada tipo de análise.
a) Elaboração do Cadastro
Antigamente, o meio de venda era por meio de parcelamento, em que grande 
parte das empresas possuía seu crediário próprio, hoje, as empresas que utilizam 
da venda a prazo priorizam o parcelamento através do cartão de crédito, muitas 
vezes, para não perder share de mercado. Entretanto, ainda existem empresas 
que, por não trabalhar com cartões, oferecem seu próprio crediário, portanto, criar 
um cadastro de cliente que possa trazer segurança e confiabilidade à operação é 
imprescindível. Para criar tal cadastro, são necessários alguns itens, como:
Share de mercado significa participação, quota, fatia, e é um termo 
que vem do inglês. Share é muito utilizado em pesquisas e entrevistas, 
para medir o quanto determinada empresa tem de vantagem sobre a 
outra, sendo uma ferramenta essencial para cada organização.
Fonte: Disponível em: <https://www.significados.com.br/share/>.
Acesso em: 25 jan. 2018.
• Nome
Por mais óbvio que seja, o nome do cliente que será cadastrado deve ser 
exatamente igual ao que consta em algum documento oficial: CPF, Carteira 
Nacional de Habilitação, Identidade e Carteira de Trabalho.
18
 CRÉDITO E COBRANÇA
• Endereço
O endereço fornecido pelo tomador do crédito deve ser comprovado através 
de contas de consumo em seu nome, de preferência, conta de energia, água, 
esgoto, telefone e correspondências bancárias. É recomendado, quando são 
correspondências de terceiros, seja cônjuge ou pais, que não ultrapasse 60 dias 
da data de emissão.
• CPF - Cadastro de Pessoas Físicas
O Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) é um documento nacional gerido pela 
Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nele constam as informações cadastrais 
do contribuinte obrigados à inscrição no CPF, ou de cidadãos que se inscrevam 
voluntariamente.
Recomenda-se que as empresas ofereçam crédito somente a pessoas que 
não possuem irregularidades no CPF.
Quando é realizada uma consulta junto à Receita Federal do Brasil, o 
responsável pela análise de crédito deve observar a situação cadastral que o 
cliente se encontra, podendo ser:
Regular: quando não houver inconsistência cadastral e não constar 
omissão de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF).
Pendente de regularização: quando houver omissão de DIRPF, 
ou seja, quando a pessoa estava obrigada a preencher a declaração 
de Imposto de Renda em algum ano, mas não o fez.
Suspensa: quando houver inconsistência cadastral. As 
inconsistências cadastrais mais comuns no CPF ocorrem no nome 
do contribuinte, na data de nascimento, no nome da mãe e no Título 
Eleitoral. 
Cancelada por multiplicidade: quando houver mais de uma 
inscrição no CPF para a mesma pessoa. Essa situação ocorre com 
mais frequência entre as pessoas que perderam ou tiveram seus 
documentos roubados.
Cancelada por óbito sem espólio: quando a pessoa falecida 
não deixou bens a serem partilhados.
19
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Cancelada por encerramento de espólio: quando a pessoa 
falecida deixou bens a serem partilhados e o inventariante já 
apresentou a Declaração Final de Espólio (DFE).
Nula: quando houver constatação de fraude na inscrição do 
CPF.
Fonte: Disponível em: <https://www.guiadareceitafederal.com.br/como-
consultar-a-situacao-do-cpf-na-receita-federal/>. Acesso em: 8 jan. 2018.
É possível também verificar a região que o contribuinte foi cadastrado junto 
ao CPF pelo nono algarismo do número do CPF, que indica qual estado pertence 
o CPF conforme apresentamos a seguir: 
0 Rio Grande do Sul.
1 Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
2 Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.
3 Ceará, Maranhão e Piauí.
4 Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
5 Bahia e Sergipe.
6 Minas Gerais.
7 Espírito Santo e Rio de Janeiro.
8 São Paulo.
9 Paraná e Santa Catarina.
• Declaração de Imposto de Renda IR
A declaração de Imposto de Renda é um tipo de comprovante de renda 
amplamente aceito em diversas situações. Nele há informações sobre toda a 
renda declarada do ano anterior, bens que podem vir a servir como garantias. 
Essas informações são essenciais para a análise de crédito. É importante deixar 
a declaração de Imposto de Renda sempre de acordo com a realidade, pois a 
instituição financeira pode solicitar informações atualizadas para complementar a 
declaração.
• Rendimentos
É imprescindível saber o valor da renda do cliente que possui interesse na 
aquisição do crédito, é através dessa informação que será possível definir qual o 
valor do limite de crédito que poderá ser concedido.
20
 CRÉDITO E COBRANÇA
Há diversas formas de se comprovar os rendimentos, o cliente pode 
apresentar seu holerite através do vínculo empregatício, pela CLT, aposentadoria, 
pensão, pró-labore, aluguéis etc. Lembrando que para cada tipo de comprovação, 
deve-se verificar o comprovante que se adéqua a cada situação. Ao solicitar essa 
comprovação, é possível que o responsável pela análise entre em contato com a 
fonte pagadora, garantindo a veracidade da comprovação.
• Referências Comerciais
As referências comerciais dizem respeito a outras empresas ou instituições 
que o cliente realiza compras com frequência. No momento em que é realizado tais 
consultas a informações sobre os clientes, é interessante focar na pontualidade de 
pagamento das parcelas, o montante das compras, a periodicidade, entre outras 
informações que podem ser necessárias para o cadastro.
• Referências Pessoais
As referências pessoais dizem respeito a pessoas que possam vir a 
disponibilizar informações sobre o cliente, confirmando sua localidade, vínculo de 
parentesco, entre outras.
• Referências Bancárias
Quando tratamos de referências bancárias, estamos nos referindo às 
instituições financeiras ao qual o cliente possui algum tipo de relacionamento.Quando é realizado esse tipo de consulta, geralmente é apenas confirmado se o 
cliente também é cliente da instituição bancária e se é possível informar a quanto 
tempo, isso porque a legislação prevê o sigilo bancário, o qual não pode ser 
quebrado, salvo judicialmente.
• Análise de Idoneidade
A análise de idoneidade refere-se ao levantamento de informações referente 
ao grau de pagamento e conduta dos clientes no mercado financeiro. Essa análise 
é realizada através de consultas, verificando informações internas, e a órgãos de 
proteção ao crédito, como SPC, Serasa, entre outros.
Esses clientes são classificados de acordo com seu comportamento, assim 
disposto:
21
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Figura 3 - Classificação Idoneidade do Cliente 
Sem Restrição Nada que desabone
Apontamentos que não impedem a
concessão de crédito, todavia devem ser
avaliados e acompanhados. Exemplo:
cheque devolvido pela alínea 11
Há informações que desabonam,
representadas por registros de atrasos,
renegociações e transações liquidadas
em prejuízos e nível de risco
Apontamentos que impedem a
concessão de crédito, por motivo legal ou
normativa. Exemplo: bloqueio de bens,
falência, protestos etc.
Impeditivos
Restritivos
Alertas
Fonte: Adaptado de Santos (2003).
Os analistas de crédito afirmam que as despesas do cliente com despesas 
onerosas não devem ultrapassar o percentual de 20 a 30% de sua renda, mas, 
geralmente, a maioria dos clientes comprometem 70 a 80% de sua renda, realizado 
com sua manutenção básica. Portanto, foi criado o Índice de Comprometimento de 
Renda com Despesas Onerosas - ICRDO. Esse índice é calculado da seguinte forma:
ICRDO= Somatório das prestações onerosas mensais
 Valor da renda mensal líquida
c) Consulta de Informações (órgãos de informações e referências)
Após a coleta das informações do cliente, deve-se realizar a etapa para 
conceder o crédito a esse cliente, ou seja, chegamos ao momento de checar as 
informações. Essa checagem consiste em verificar se esse cliente possui algum 
processo judicial ou algum problema com o governo, porém essa checagem não 
se dá através de órgãos de proteção ao crédito.
Os órgãos de proteção ao crédito possuem um cadastro que inclui 
informações de pessoas inadimplentes, assim, se o cliente possui algum tipo de 
processo jurídico ou com o governo, as chances de o cliente não quitar sua dívida 
com o estabelecimento aumentam.
22
 CRÉDITO E COBRANÇA
Um dos órgãos de proteção ao crédito mais popular é o SPC, sua sigla 
significa Serviço de Proteção ao Crédito. Esse órgão concatena informações de 
caráter público, buscando a disponibilização de informações seguras para que o 
empresário possa analisar com cautela a concessão de crédito.
Outro órgão possível de consulta é formado pela Câmara de Dirigentes 
Lojistas, que são formadas por entidades privadas, possuindo a intermediação 
da Rede Renic (Rede Nacional de Informações Comerciais), que colabora com a 
disponibilização de informações ao SPC abrangendo todos os estados do país.
O Serasa é considerado a maior empresa da área de análise de crédito da 
América Latina. O órgão possui o maior banco de dados do mundo e seu principal 
objetivo é a prestação de serviços de interesse geral. Seu banco de dados é 
composto por dados cadastrais de empresas e cidadãos referente a dívidas vencidas 
e não liquidadas, ações judiciais, cheques devolvidos pela alínea 12, protestos de 
títulos e informações de origem do poder público. Os registros das dívidas são 
originados dos fornecedores/credores que indicam os dados do devedor.
As organizações e as empresas que possuem convênio com o Serasa 
podem realizar suas consultas por meio da internet, porém nada as impede de 
realizar a consulta por telefone. Quando as empresas fazem uso do meio virtual, 
elas utilizam seu login e senha, que dão acesso ao banco de consultas do órgão.
d) Prevenção a Fraudes
É quase impossível eliminar o risco de fraude em quaisquer meios devido à 
alta tecnologia que é disponibilizada a toda sociedade, porém é possível diminuir 
esse risco utilizando um processo robusto de prevenção.
Para compreendermos melhor esse processo, exemplificaremos um ato 
muito comum, que é a apropriação de uma identidade de outra pessoa, esse 
golpe é muito utilizado, pois alguém se apropria de informações de outra pessoa, 
como CPF, identidade, números de cartões de débito ou crédito, senhas, entre 
outros dados, com o intuito de cometer um ato fraudulento e lesar o fornecedor 
de crédito. Com esses dados, a pessoa com interesse em fraudar uma concessão 
de crédito, realiza a compra ou aquisição de empréstimos, lesando assim a 
financiadora ou a empresa concessora de crédito.
Já as pessoas que são vítimas desse tipo de crime levam de meses a anos 
para descobrirem que foram lesadas e comprovarem que não são responsáveis 
por tal ato. Muitas vezes, essas pessoas precisam dispor de um valor monetário 
para cobrir suas despesas com ações judiciais, comprovando que foram vítimas 
de um crime do mercado financeiro.
23
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
A tecnologia vem contribuindo para amenizar o número de fraudes causadas 
pela apropriação indevida de dados de terceiros, trazendo eficiência e agilidade 
no processo de consulta e identificação.
e) Credit Score - Sistemas de Crédito
O credit score é uma ferramenta que utiliza meios estatísticos para analisar se 
o crédito será aprovado ou não ao cliente. Ele estabelece uma pontuação para cada 
quesito, preestabelecido de acordo com as características do solicitante do crédito.
O intuito é estabelecer uma faixa de corte, ou pontuação máxima de risco 
que a empresa está disposta a assumir ao conceder crédito. Portanto, aqueles 
que sua pontuação ficar abaixo da pontuação de corte, terão seu crédito negado, 
e os acima terão seu crédito aprovado.
Não podemos afirmar que esta seja uma técnica com garantia de 100%, há 
possibilidades de que um mal pagador fique com sua pontuação acima da faixa 
preestabelecida e tenha seu crédito aprovado, porém é uma maneira de se prevenir.
Geralmente, quanto maior a nota que o cliente conseguir com sua análise, 
menor seria o risco de se conceder crédito a esse consumidor.
Segundo o ministro Sanseverino, o “credit scoring” originou-se no 
EUA, a partir de um trabalho elaborado por David Durand, em 1941, 
denominado “Risk Elements in Consumer Installment Financing”, em 
que foi desenvolvida a técnica estatística para se distinguir os bons e 
os maus empréstimos, atribuindo-se pesos diferentes para cada uma 
das variáveis presentes.
A partir da década de 1960, esse sistema de pontuação de 
crédito passou a ser amplamente utilizado nos EUA nas operações 
de crédito ao consumidor, especialmente nas concessões de cartão 
de crédito.
Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/sF7NkT>. Acesso em: 2 jan. 2018.
24
 CRÉDITO E COBRANÇA
Verificaremos a seguir um exemplo de como realizar a pontuação para o tipo 
de credit score.
Quadro 1 - Pontuação do cliente para o tipo de credit score
Características Pontos para resposta sim
É casado? 10
Possui carro próprio? 15
Possui casa própria? 7
Possui mais de 35 anos? 9
Reside há mais de 3 anos no mesmo endereço? 14
Possui referência bancária? 18
Possui telefone? 8
Possui menos de 3 filhos? 19
Fonte: O autor.
Depois de realizar a pontuação necessária, o analista de crédito realiza um 
estudo para verificar em qual faixa se enquadra o cliente, liberando, assim, o 
crédito ao cliente.
Lembrando que o modelo é apenas um exemplo, portanto, tanto as perguntas 
quanto a pontuação atribuída variam de empresa para empresa e o tipo de 
prestação de serviço.
Análise de Crédito Pessoa Jurídica
Geralmente, ao realizar uma venda para pessoa jurídica, ou seja, para 
empresas, estamos tratando de um valor maior que os montantes destinados à 
pessoa física, portanto, ao conceder crédito a empresas, o risco de inadimplência 
também aumenta.Com o intuito de minimizar esse índice, em que as pessoas 
jurídicas geralmente realizam suas compras a prazo, é necessário fazer o cadastro 
para que seja realizada a análise de crédito. Para pessoas jurídicas, geralmente, 
são realizadas algumas consultas e cadastro, tais como:
a) Elaboração do Cadastro
Da mesma forma que uma pessoa física necessita de uma certidão de 
nascimento para retirar seus documentos, como identidade, CPF, entre outros, 
as empresas necessitam de um NIRE (Número de Identificação do Registro da 
Empresa). Para se obter esse número, é necessário a confecção de um Contrato 
Social, Ficha de Cadastro Nacional e Registro na Junta Comercial. 
25
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
• Contrato Social
O Contrato Social é a certidão de nascimento da empresa, nele constam 
informações dos sócios, as divisões de quotas e os valores investidos. Além disso, 
o contrato social contém informações, como o ramo de atividade e o local em que 
atua, para emissão de notas fiscais. Nele, temos:
NIRE: Número de Identificação do Registro de Estado junto à Junta Comercial. 
Esse registro é obrigatório para que as empresas iniciem suas atividades. Feito 
isso, conseguem o número do CNPJ.
CNPJ: o CNPJ deve ser o mesmo número que consta nos documentos da 
empresa e pode ser consultado junto à Receita Federal e ao Sintegra.
Razão Social: nele indica se a sociedade é de Responsabilidade Limitada ou 
Sociedade Anônima.
Qualificação dos sócios: verifica-se nome, idade, profissão, endereço, 
estado civil, possível parentesco, documentos pessoais etc.
Endereço da empresa: deve ser verificado se o endereço está de acordo 
com os demais documentos oficiais disponíveis nos meios de consulta como: 
Sintegra, Cartão do CNPJ etc.
Ramo de atividade: o ramo de atividade deve ser pertinente àquilo que a 
empresa pretende adquirir, ou seja, deve ter ligação.
Capital Social e distribuição entre os sócios: estas informações devem 
ser idênticas ao que consta no Balanço Patrimonial da empresa.
Administradores da sociedade: é verificado quem é a pessoa responsável 
pela administração da empresa, ou seja, quem está autorizado a assinar 
legalmente pela empresa. Essa informação está contida no Contrato Social.
Tempo de duração e data de constituição da empresa: é importante medir 
o tempo que a empresa está constituída no mercado e a possível perspectiva de 
existência do negócio.
26
 CRÉDITO E COBRANÇA
Essas informações você pode consultar no site da junta 
comercial do seu estado. Acesse: <http://www.jucesc.sc.gov.br/>.
• CNPJ - Cadastro Nacional Pessoa Jurídica
O CNPJ é um número de cadastro que identifica todas as empresas, ou seja, as 
pessoas jurídicas e as pessoas equipadas (por exemplo, pessoas físicas que exploram 
uma atividade com o intuito de obter lucro de forma individual). Essas empresas ou 
pessoas são obrigadas a se inscreverem para exercer sua atividade formal.
Quando tratamos de pessoa jurídica, o número do CNPJ possui a mesma 
finalidade que o número do CPF (Cadastro de Pessoa Física) para pessoas 
físicas. É o número onde a Receita Federal do Brasil administra os tributos.
As informações contidas no Cartão de CNPJ são: nome empresarial, data 
de abertura, endereço, descrição da sua atividade econômica, natureza jurídica, 
situação cadastral junto à Receita Federal e outras informações que a empresa 
julgar necessária para elaborar o cadastro.
Lembramos que a situação cadastral da empresa deve ser ATIVA, indicando 
que a empresa está apta a emitir Nota ou Cupom Fiscal.
O número do CNPJ é composto por um total de 14 algarismos 
(00.000.000/0000-00), os primeiros oito algarismos chamamos de “raiz”, o que 
identifica a organização, os quatro seguintes algarismos formam o que chamamos 
de “sufixo”, que significa a unidade de atuação da empresa ou suas filiais e os 
dois últimos algarismos indicam o “dígito verificador”.
Você pode consultar essas informações no site da receita. 
Acesse: <www.receita.fazenda.gov.br>.
O modelo utilizado atualmente do cartão do CNPJ foi aprovado pela Instrução 
Normativa RFB nº 1005, de 8 de fevereiro de 2010.
27
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
• Sintegra
Sintegra é a sigla do “Sistema Integrado de Informações sobre 
Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços”. Trata-se, na 
realidade, de um sistema de troca de informações sobre operações 
de entrada e saída de mercadorias e prestações de serviços 
realizadas entre as unidades da Federação e internas.
Fonte: Disponível em: <http://www.sintegra.ms.gov.br/o-
que-e-sintegra/>. Acesso em: 2 jan. 2018.
O propósito do Sintegra, por parte do contribuinte, é homogeneizar e 
simplificar as obrigações de fornecimento de informações referentes às compras, 
às vendas e às prestações de serviços interestaduais.
Já com relação ao fisco, o intuito é proporcionar maior rapidez e confiabilidade 
nas informações trocadas entre os estados da confederação.
Por meio do estabelecido pelo Convênio Confaz 57/95 e atualizações 
posteriores, todo contribuinte que faz uso de processamento eletrônico de dados 
deve, obrigatoriamente, fornecer às Administrações Tributárias Estaduais por 
meio magnético, validado, contendo as informações de suas movimentações 
como venda, compra, aquisição e prestações que venham a ter praticado.
Logo, o sistema Sintegra tem o objetivo de colaborar com o acesso a 
informações dos contribuintes relativos a tributos estaduais, ou seja, verificar a 
situação da empresa que está solicitando o crédito junto ao seu estado.
Você pode consultar informações referente ao Sintegra no site: 
<www.sintegra.gov.br>.
• Referências Comerciais
As referências comerciais possuem o intuito de colaborar com a instituição 
fornecedora de crédito com a criação de um conceito sobre o perfil do cliente. Nele 
é possível verificar seu comportamento junto aos seus fornecedores habituais.
28
 CRÉDITO E COBRANÇA
Quando for analisar as informações comerciais, é importante que se atente 
aos detalhes, como:
– Consulta do número do CNPJ.
 – Pontualidade no pagamento de suas obrigações.
 – O tempo que possui relacionamento com a empresa.
 – Quando foi realizada a maior compra.
 – Maior acúmulo.
 – Acúmulo que possui no momento da consulta.
 – Valor da maior compra.
 – Data da última compra.
 – Valor da última compra.
 – Qual o conceito que a empresa possui do cliente.
 – Razão social da empresa, nome de quem forneceu as informações e 
data da consulta.
• Referências Bancárias
Quando tratamos das referências bancárias, queremos consultar quais as 
instituições financeiras que o cliente solicitante do crédito possui relacionamento. 
Quando é realizado esse tipo de consulta, geralmente é apenas confirmado se 
o cliente também é cliente da instituição bancária e se é possível informar a 
quanto tempo, isso porque a legislação prevê o sigilo bancário que não pode ser 
quebrado, salvo judicialmente.
• Relação de Faturamento
A empresa que está solicitando o crédito junto à instituição financeira ou a 
quaisquer outras organizações podem estar sujeitas a disponibilizar a relação de 
faturamento. Geralmente, o analista solicita o histórico de faturamento dos últimos 
12 meses da empresa, lembrando que essa declaração de faturamento deve ser 
validada pelo contador da empresa. Essa informação colabora na verificação se o 
cliente conseguirá quitar as prestações assumidas.
b) Consulta de Informações (órgãos de informações e referências)
Há empresas privadas disponíveis no mercado que possuem o intuito de 
contribuir com o fornecimento de informações econômicas e financeiras sobre 
as empresas. São especializadas nesse segmento, geralmente armazenam 
e disponibilizam informações desse caráter, além de comerciais, cadastrais, 
verificando o comportamento do possível cliente no mercado, assim, aqueles 
que se associam a estas instituições podem obter informações rápidas para 
concatenar seus negócios.
29
Introdução ao CréditoCapítulo 1 
Geralmente, a fonte destas informações são os cartórios e os tabelionatos, 
as publicações oficiais, a rede bancária e também àqueles que se associam. 
Logo, as informações disponíveis formam um relatório contendo:
– Dados relacionados a pessoas físicas e jurídicas.
 – Filiais.
 – Capital Social.
 – Protestos.
 – Cheques devolvidos.
 – Ações de execução de cobrança.
 – Ações de execução diversas referentes à pessoa física.
 – Atrasos no pagamento de títulos.
 – Processos de recuperação judicial.
 – Processos de falência.
 – Entre outras informações pertinentes no mercado financeiro.
Devido à grande abrangência que esse tipo de instituição consegue abranger, 
é importante que o analista responsável por conceder o crédito tenha esse relatório 
disponibilizado para realizar sua análise e verificar o deferimento ou não do crédito.
c) Certidões Negativas de Débito - CND
O documento que visa demonstrar que a empresa, pessoa ou objeto (imóvel, 
terreno, carro etc.) não possui débitos junto aos órgãos públicos recebe o nome 
de Certidão Negativa de Débito - CND. Esse documento é emitido pela Receita 
Federal e busca comprovar que não há ações criminais ou civis referentes à 
pessoa ou ao objeto consultado. Esse documento é válido por 180 dias. A seguir, 
verificaremos os tipos de status que aparecem ao realizar a consulta:
 – Certidão Positiva: esse status nos informa que há pendências junto ao 
órgão em que foi realizada a consulta.
 – Certidão Positiva com Efeito Negativo: informa que a pessoa possui 
pendências, porém já deu entrada em sua regularização.
 – Certidão Negativa: que não possui pendências.
Você pode se perguntar: quais são as principais certidões que podem 
comprovar a regularidade? São elas:
– Certidão Negativa de Débitos da Previdência Social.
 – Certidão de Regularidade Estadual.
 – Certidão de Regularidade Municipal.
 – Certidão Conjunta de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida 
Ativa da União.
30
 CRÉDITO E COBRANÇA
 – Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas.
– Certidão de Regularidade com o FGTS (CRF).
Para a emissão da CND municipal ou estadual, é necessário 
consultar o site do seu município ou estado. Já a CND Federal, é possível 
através do site da receita. Acesse: <www.receita.fazenda.gov.br>.
d) Balanço Patrimonial e DRE - Demonstração do Resultado do 
Exercício - Análise Básica
Dependendo da finalidade do crédito que está sendo pleiteado, é necessário 
verificar o Balanço Patrimonial e o DRE (Demonstração do Resultado do 
Exercício), através desses relatórios verifica-se a situação financeira e econômica 
da empresa em um determinado período, analisando os índices de liquidez, 
rentabilidade e endividamento, avaliando, assim, a situação da empresa no 
momento da confecção destes documentos.
Quando se realiza esse tipo de análise, é verificando um conjunto mínimo de 
indicadores financeiros, são eles:
– Índice de Liquidez Corrente: esse índice indica se a empresa possui 
capacidade de cumprir seus compromissos financeiros de curto prazo, 
ele é calculado da seguinte forma:
Liquidez Corrente = Ativo Circulante
 Passivo Circulante
– Índice de Liquidez Seca: indica a capacidade de cumprir suas 
obrigações na possibilidade de a empresa não vender nada de seu 
estoque, ele é calculado da seguinte forma:
Liquidez Seca = Ativo Circulante – Estoque
 Passivo Circulante
31
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Liquidez Geral = Ativo Circulante + Ativo Realizável a Longo Prazo
 Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo
Endividamento no Longo Prazo = Passivo Exigível a Longo Prazo
 Ativo Total
Endividamento Geral = Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo
 Ativo Total
Endividamento no Curto Prazo = Passivo Circulante
 Ativo Total
– Índice de Liquidez Geral: analisa a capacidade de a empresa cumprir suas 
obrigações de curto e longo prazo, seu cálculo se dá da seguinte forma:
– Endividamento no Curto Prazo: indica a proporção de endividamento 
da empresa no curto prazo, seu índice é calculado da seguinte forma:
– Endividamento no Longo Prazo: busca avaliar a proporção de 
endividamento no longo prazo, seu índice é calculado da seguinte forma:
– Endividamento Geral: analisa o endividamento geral da empresa, seu 
índice é calculado da seguinte forma:
Exemplo Balanço Patrimonial e DRE:
32
 CRÉDITO E COBRANÇA
demonstração do resultado do exercício
descrição 20X1 20X2
receita bruta de vendas de mercadorias, produtos e (ou) serviços 4.320.850,00 2.350.160,00
( - ) dedução da receita bruta -1.221.800,00 -543.700,00
 vendas canceladas -788.000,00 -320.000,00
 impostos e contribuições incidentes sobre vendas e serviços -4.233.800,00 -223.700,00
(=) receita líquida de vendas 3.099.050,00 1.806.460,00
( - ) custo das mercadorias ou produtos vendidos e (ou) serviços prestados -1.944.382,50 -935.840,00
(=) lucro bruto 1.154.667,50 870.620,00
( - ) despesas operacionais -459.900,00 -256.700,00
 ( - ) despesas com vendas -230.400,00 -125.500,00
 ( - ) despesas gerais e administrativas -150.800,00 -78.800,00
 ( - ) despesas financeiras líquidas -78.700,00 -52.400,00
(=) lucro operacional 694.767.50 613.920,00
(+) resultado positivo em participações societárias 180.000,00 100.000,00
(=) resultado período-base antes da contribuição social 874.767,50 713.920,00
( - ) contribuição social sobre o lucro -43.738,38 -34.850,00
(=) resultado período-base antes do IR 831.029,12 679.070,00
( - ) provisão para imposto de renda -208.900,00 -138.400,00
(=) lucro líquido do período-base antes das participações 622.129,12 540.670,00
( - ) participações de administradores -45.000,00 -30.000,00
(=) lucro líquido do exercício 577.129,12 510.670,00
( : ) número de ações 20.000,00 20.000,00
(=) lucro por ação (LPA) 0,03 0,03
Fonte: Disponível em: <http://rotadosconcursos.com.br/questoes-de-concursos/
contabilidade-privada-balanco-patrimonial-bp/385635>. Acesso em: 2 jan. 2018.
balanço patrimonial encerrado
20X1 20X2 20X1 20X2
ativo R$ R$ passivo R$ R$
ativo circulante 1.295.100,00 1.347.450,00 passivo circulante 1.450.500,00 1.138.780,00
 disponibilidades 552.400,00 600.250,00 financiamentos 265.500,00 128.780,00
 clientes 257.700,00 207.200,00 obrigações fiscais 85.000,00 90.000,00
 títulos a receber 322.250,00 250.000,00 outras obrigações 1.100.000,00 920.000,00
 ( - ) provisão para devedores duvidosos -64.550,00 -42.800,00
 outros créditos 340.000,00 340.000,00 passivo não circulante 1.150.000,00 1.050.000,00
 estoques de mercadorias 50.000,00 120.000,00 empréstimos 800.000,00 750.000,00
 despesas do exercício seguinte 95.000,00 80.000,00 debêntures 350.000,00 300.000,00
ativo não circulante 4.746.000,00 4.792.600,00
 ativo realizável a longo prazo 200.000,00 222.000,00 patrimônio líquido 3.440.600,00 3.951.270,00
 créditos e valores 200.000,00 222.000,00 capital social 2.440,000,00 2.400.000,00
 investimentos 906.000,00 1.010.000,00 reservas de capital 350.000,00 350.000,00
 participações em outras sociedades 750.000,00 850.000,00 reservas de lucros 690.600,00 1.201.270,00
 outros investimentos permanentes 156.000,00 160.000,00
 ativo imobilizado 3.640.000,00 3.560.600,00
 máquinas e equipamentos 3.912.000,00 3.815.600,00
 ( - ) depreciação acumulada -272.000,00 -255.000,00
total do ativo 6.041.100,00 6.140.050,00 total do passivo + PL 6.041.100,00 6.140.050,00
Quadro 2 - Exemplo de Balanço Patrimonial e DRE
33
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Concessão de Crédito
Conceder o crédito é quando se disponibiliza o crédito a uma empresa ou 
indivíduo.Esse valor monetário possibilita que a pessoa física ou jurídica tenha 
acesso a bens ou serviços que não teriam acesso naquele momento ou teriam 
que adiar sua aquisição. Como verificamos anteriormente, seu fornecimento pode 
ocasionar o risco de o valor monetário não ser quitado, caso esse crédito seja 
concedido ao mal pagador. 
a) Limitação de Crédito
O limite de crédito tem a finalidade de propor um limite máximo que 
será disponibilizado para o cliente poder fazer uso, através de empréstimos, 
financiamentos, compras a prazo, em outras palavras, é o valor máximo que a 
financiadora estará disposta a assumir o risco com determinado cliente.
Esse limite é definido somente após finalizar todas as etapas anteriores de 
análise de crédito, a capacidade de pagamento e a checagem das informações 
para o deferimento da concessão de crédito. Geralmente, é indicado que os 
limites de crédito sejam reavaliados constantemente no prazo de 6 a 12 meses, 
de acordo com a política da empresa. É possível classificar os clientes em três 
grupos básicos, atribuindo parâmetros:
• O valor que será concedido de crédito ao cliente - estipulado pela política 
de crédito da empresa.
• O valor que pode ser oferecido de crédito ao cliente - nele é definido a 
capacidade máxima que a empresa pode conceder de crédito.
• O valor que o cliente merece de crédito - depende da análise do cliente e 
das informações apresentadas por ele durante a análise de crédito.
b) Os 5 Cs do Crédito - Análise do Mercado
Para compreendermos melhor como é o processo da análise de crédito, 
verificaremos como funciona o mercado de crédito através dos 5 Cs, que trata de 
uma metodologia voltada para a análise desenvolvida por J. F. Weston.
Para essa análise, realizamos a checagem de cinco fatores iniciando com 
a letra C, essa análise é muito importante durante o processo de concessão de 
crédito. Os cinco Cs analisados são:
34
 CRÉDITO E COBRANÇA
Figura 4 - Os 5 Cs
Capital
Colateral Condições
Caráter
Capacidade
5 Cs do
Crédito
Fonte: O autor.
• Caráter: indica se o cliente possui a intenção de cumprir sua obrigação, 
levando em consideração informações como a existência de restrições, 
sua pontualidade de pagamento em outras obrigações, a honestidade e 
a forma de honrar seus compromissos.
• Capacidade: analisa a capacidade do cliente de pagar os compromissos 
assumidos, analisando sua vida profissional, seja como colaborador ou 
empresário, sua estabilidade financeira e familiar.
• Condições: são analisadas as condições trabalhistas, as condições da 
empresa atual na qual o cliente faz parte, o tempo de vínculo empregatício 
ou o tempo de existência da empresa.
• Colateral: analisa o patrimônio do cliente, pois esses bens podem servir 
como garantia na concessão do crédito.
• Capital: analisa a situação financeira do cliente, realizando a análise de 
seus comprovantes de renda, declaração de Imposto de Renda, DRE e 
Balanço Patrimonial.
35
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
Deve-se analisar em conjunto todos os itens, para que a concessão de 
crédito tenha o intuito de diminuir o máximo de risco para a empresa.
e) Garantias das Operações - Riscos de Crédito
Quando tratamos de operações financeiras, está sempre implícito o risco 
em suas operações, pois a promessa de pagamento pode ser descumprida por 
fatores externos, portanto, em alguns casos, uma análise positiva profissional e 
familiar do cliente pode ser insuficiente.
Os analistas de crédito e cobrança buscam se atualizar, pois devido à 
concessão de crédito a um cliente que não possui potencial para honrar com os 
pagamentos, corre o risco de aumentar o grau de inadimplência. Já para o risco 
de crédito, é possível a avaliação utilizando três componentes:
– Risco default: está associado à probabilidade de ocorrer um default com 
o cliente que está contratando o crédito em determinado período.
– Risco de exposição: decorrente da incerteza do valor de crédito no 
período default.
– Risco de recuperação: incerteza do valor que poderá vir a ser 
recuperado pela instituição financeira que concedeu o crédito no caso de 
o cliente não cumprir suas obrigações.
Default é uma expressão da língua inglesa que significa falta, descuido, 
negligência ou omissão. Na área jurídica significa revelia, ausência, falta de 
comparecimento em juízo. Significa também falta de pagamento.
Default é o descumprimento de qualquer cláusula de um contrato 
relacionada com o credor e o devedor. É o que caracteriza um “calote”.
Default é uma mudança unilateral realizada nas condições de 
dívidas estabelecidas em contratos, com prazos, juros e garantias 
definidas, realizados entre nações, de países com bancos ou outras 
instituições financeiras. É também o descumprimento significativo em 
uma dessas cláusulas contratuais.
Fonte: Disponível em: <https://www.significados.com.
br/default-1/>. Acesso em: 25 jan. 2018.
36
 CRÉDITO E COBRANÇA
O processo de mensurar o risco ao conceder o crédito visa analisar o fluxo 
de caixa caso o cliente não venha cumprir suas obrigações. O risco default é 
considerado como a principal variável nessa análise, caso o cliente não venha 
cumprir com o contrato de financiamento firmado. Para isso, as empresas 
financiadoras podem exigir:
– Avalista: é quando uma pessoa física ou jurídica responde solidariamente 
com o tomador do financiamento. É importante que quando uma pessoa 
física ou jurídica seja avalista, seus bens não possuam quaisquer 
ônus, podendo assim ser responsabilizado pela quitação dos valores, 
garantindo o recebimento por parte da instituição financeira.
– Fiança: é uma garantia parcial ou total do valor contratado, geralmente 
dado por uma garantia pessoal. Para esse tipo de garantia, mesmo que 
o cliente esteja casado com separação total de bens, é necessário a 
assinatura do cônjuge.
– Caução em aplicações financeiras ou renda fixa: esse tipo de garantia 
é conhecido no mercado financeiro como garantia autoliquidável, 
representando o menor risco aos credores a disponibilização do 
crédito. Tal garantia se dá através de contrato ou aditivo de contrato de 
financiamento.
 – Duplicatas: é a entrega à instituição financeira ou ao credor duplicatas 
de caução para realização da contratação do financiamento.
– Alienação fiduciária: é quando o cliente transfere um bem, seja ele 
móvel ou imóvel ao credor, garantindo o cumprimento do contrato. 
Geralmente ocorre quando é adquirido um bem a crédito. Assim, 
a instituição financeira fica com o próprio bem como garantia de 
pagamento, impedindo o cliente de realizar quaisquer operações com 
terceiros do bem até a quitação do financiamento.
– Penhor mercantil: operação que entrega ao credor bens imóveis, como 
estoques prontos ou a ser concluídos.
– Hipoteca: é quando se vincula um bem que pelo Código Civil é 
considerado imóvel para quitação da dívida, como imóveis, terrenos, 
aviões, navios etc.
– Penhor de warrant e conhecimento de depósito: dizem respeito a 
títulos de crédito emitidos por armazéns e autorizados e representados 
por mercadorias depositadas nesses locais. Geralmente, esses títulos 
37
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
são emitidos em conjuntos e a mercadoria somente poderá ser retirada 
do depósito com a apresentação dos dois títulos. Para efeito de garantia, 
há a necessidade de apresentação dos dois títulos endossados.
Conforme Lins (2013), o warrant corresponde a uma promessa de 
pagamento de crédito, consubstanciada na garantia de penhor sobre 
a mercadoria armazenada. Por sua vez, o conhecimento de depósito 
pode ser definido como uma promessa de entrega da mercadoria 
ao final do prazo previsto na cártula, atribuindo ao seu beneficiário a 
condição de proprietário daquela, ainda que sem a posse dela.
Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/9mp9vK>. Acesso em: 25 jan. 2018.
d) Renovação do cadastro e do crédito - prazo do cliente
É importante sempre manter atualizadoo cadastro do cliente, bem como sua 
renovação do limite de crédito ao cliente. Tanto o mercado quanto suas atribuições 
financeiras são constantes, necessitando, assim, uma atualização periódica. 
• Reativação do Cadastro
Quando um cliente ficar com o status de inativo e ele decidir voltar a fazer 
movimentações com a empresa ou instituição, é necessário realizar todas as 
etapas do cadastro do cliente, incluindo as informações cadastrais.
O tempo que o cliente fica inativo para a instituição é determinado pela política 
interna da empresa, como o tempo mínimo para reativação do cadastro. Não é 
aconselhável que um cliente que fique mais de seis meses sem movimentação 
seja ativado sem a devida análise, ou seja, se ele ficou um período de seis meses 
sem a realização de compras ou contratações de serviços, deve-se iniciar o 
processo de análise desde o início.
• Renovação Cadastral
Já os clientes que passam por longos períodos sem passar para o status 
de inativos, ou seja, com movimentações periódicas, também precisam de 
acompanhamento com relação a sua situação cadastral, para evitar futuras 
surpresas. 
38
 CRÉDITO E COBRANÇA
Portanto, a política da empresa deve estabelecer o tempo de atualização 
cadastral dos clientes, realizando consultas comerciais, fornecedores e ao próprio 
cliente, lembrando sempre de atualizar as certidões e as consultas com o governo.
Atividades de Estudos:
1) Na crise financeira de 2008, uma das medidas adotadas para 
diminuir seu impacto foi a ampliação do acesso ao crédito, 
aumentando o papel dos bancos e das instituições financeiras 
no desenvolvimento do país. Com relação ao Crédito Direto ao 
Consumidor (CDC), podemos afirmar que: 
a) Possui um prazo mínimo de 2 anos para o vencimento.
b) Não inclui as compras no cartão de crédito.
c) É um crédito concedido através de instituições financeiras para 
aquisição de bens ou serviços.
d) É um empréstimo descontado diretamente na folha de pagamento. 
2) Para financiar as necessidades de curto prazo de seus clientes, 
algumas instituições financeiras utilizam linhas de crédito abertas 
com determinado limite, cujos encargos são cobrados de acordo 
com sua utilização. Podemos afirmar que esse produto bancário é o:
a) Cheque especial.
b) Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
c) Capital alavancado.
d) Empréstimo compulsório.
3) O Crédito Rural é um produto disponibilizado aos produtores 
rurais e cooperativas, que pode ser usufruído desde o plantio até 
a comercialização do produto. Com relação a esse tipo de crédito, 
podemos afirmar que:
I- Estimular os investimentos rurais feitos pelos produtores ou por 
suas associações (cooperativas, condomínios, parcerias etc.).
II- Favorecer o oportuno e adequado custeio da produção e a 
comercialização de produtos agropecuários. 
III- Fortalecer o setor rural. 
Assinale a alternativa CORRETA:
39
Introdução ao Crédito Capítulo 1 
a) As afirmativas I e III estão corretas.
b) As afirmativas I e II estão corretas.
c) As afirmativas II e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e III estão corretas.
4) Sobre o cadastro de clientes, com relação a sua análise, quando 
verificamos a situação por meio dos balanços, referências 
bancárias e cartas de crédito, o analista de crédito está realizando 
uma análise:
a) Econômico-financeira.
b) Jurídica.
c) Social.
d) Técnica conclusiva.
Algumas Considerações
Prezado acadêmico,
Neste capítulo, podemos verificar um pouco sobre o fluxo da diretoria 
financeira com relação à análise de crédito, além de compreender as principais 
linhas de crédito disponíveis no mercado, tanto para as pessoas físicas quanto 
para as pessoas jurídicas, compreendendo, basicamente, as linhas de crédito 
mais populares para pessoas físicas, como o crédito imobiliário, o cheque 
especial, o CDC, o crédito pessoal, o estudantil, o empréstimo consignado e o 
cartão de crédito.
Já para as pessoas jurídicas, abordamos as linhas de crédito como: capital 
de giro, investimento, leasing, desconto de duplicatas ou títulos, cartão de crédito, 
abertura de empresa, crédito rural, linha de crédito para empreendedor individual 
e linha de crédito a longo prazo.
Além dos tipos de linha de crédito, verificamos a importância da análise para 
o deferimento ou indeferimento do crédito. Abordamos desde análise cadastral, 
passando pela idoneidade, financeira, de relacionamento, patrimonial até chegar 
a análise de sensibilidade.
Na próxima unidade do nosso livro didático, abordaremos itens relacionados 
à cobrança e aos tipos de cobrança.
40
 CRÉDITO E COBRANÇA
Referências
FERNANDES, A. Bancos veem espaço para retomada da concessão 
de crédito. 2017. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
mercado/2017/11/1933051-bancos-veem-espaco-para-retomada-da-concessao-
de-credito.shtml>. Acesso em: 3 jan. 2018.
HERMANN. Como consultar a situação do CPF na Receita Federal. 2016. 
Disponível em: <https://www.guiadareceitafederal.com.br/como-consultar-a-
situacao-do-cpf-na-receita-federal/>. Acesso em: 8 jan. 2018.
LINS, W. P. Warrant e conhecimento de depósito. 2013. Disponível em: <https://
webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DUhGGrNCbBoJ:https://
jus.com.br/artigos/37826/warrant-e-conhecimento-de-deposito+&cd=9&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 25 jan. 2018.
MOTTA, T. O que é Sintegra. 2014. Disponível em: <http://www.sintegra.ms.gov.
br/o-que-e-sintegra/>. Acesso em: 2 jan. 2018.
SANTOS, J. O. dos. Análise de crédito: empresas e pessoas físicas. 2. ed. São 
Paulo: Atlas, 2003.
CAPÍTULO 2
Introdução à Cobrança
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Conhecer as características e as espécies de cobrança.
� Identificar os meios de cobrança e as formas de pagamento.
� Compreender os diferentes tipos de cobrança.
� Identificar o tipo de cobrança adequado a ser realizado.
42
 CRÉDITO E COBRANÇA
43
Introdução à Cobrança Capítulo 2 
Contextualização
Atualmente, um dos fatores externos que vem prejudicando a saúde financeira 
de uma empresa é a inadimplência, que se agrava à medida que a crise econômica 
fica evidente. Se a inadimplência não for contornada e minimizada, pode levar a 
organização a ter grandes prejuízos, prejudicando o pagamento das contas e 
podendo levar - em médio ou longo prazo - à falência. Desta forma, é primordial 
adotar políticas de cobrança e ações que ajudem a evitar esse tipo de problema. 
Por isso, criar uma política de cobrança colabora para a padronização desse 
processo, fazendo com que a informação fique clara tanto para os colaboradores 
quanto para os clientes. Na política de cobrança, a empresa estabelece os meios 
de cobrança e a forma para cada caso e cada cliente, estipulando os valores de 
multas e juros por atraso, e também os prazos que o devedor terá para realizar 
uma negociação antes de seu nome ser incluído nos órgãos de proteção ao 
crédito, protestos ou ações de cobrança.
É necessário que, ao elaborar a política de crédito e cobrança, a empresa 
fique atenta à legislação e, principalmente, leve em consideração o que indica o 
código de defesa do consumidor e a ética para realizar as cobranças (evitando 
ameaças e cobranças abusivas, por exemplo).
Muitas empresas buscam terceirizar o serviço de cobrança, utilizando as 
assessorias de cobrança, que têm aproveitado cada vez mais a tecnologia e os 
novos meios de comunicação para realizar o seu trabalho.
Confira, a seguir, algumas formas de cobrar seu cliente e evitar a 
inadimplência.
Introdução à Cobrança
Atualmente, as empresas estão com suas estruturas bem definidas com 
relação à departamentalização, assim, um dos setores que ganhou notoriedade é 
o departamento de cobrança. Isso devido à gestão de cobrança ser um setor que 
requer uma dedicação única com pessoas capacitadas exercendo suas atividades 
exclusivamente para essa função.
É importante deixar claro que a política de concessãode crédito diminui 
significativamente a inadimplência dos clientes, porém, isso não inibe o risco 
de ter possíveis devedores. É justamente por essa parcela de maus pagadores 
que a empresa precisa deixar claro os procedimentos e as regras para realizar a 
cobrança destes clientes.
44
 CRÉDITO E COBRANÇA
Segundo Silva (2006, p. 354), “a gestão de cobrança deve 
estar focada na maximização visando melhorar o fluxo de caixa e na 
minimização de perdas de negócios futuros”. Desta forma, quando a 
empresa estabelece uma política de cobrança, deve ter em mente que 
deve recuperar valores monetários já vencidos. 
Portanto, ao definir políticas de crédito e cobrança, é importante 
lembrar que ambas devem estar harmonizadas com os mercados e as atividades 
devem estar envolvidas com os negócios da empresa. É necessário que essas 
políticas sejam expressas de forma clara, além de dispor de uma estrutura capaz 
de operacionalizar o processo de forma eficiente e eficaz, podendo fazer uso do 
quadro a seguir para gerir seus clientes.
A gestão de cobrança 
deve estar focada 
na maximização 
visando melhorar 
o fluxo de caixa e 
na minimização de 
perdas de negócios 
futuros.
Quadro 3 - Relação entre as ações de cobrança e políticas de crédito
Baixo risco de crédito
Alto esforço de
cobrança
Baixo risco de crédito
Baixo esforço de
cobrança
Alto risco de crédito
Baixo esforço de
cobrança
Alto risco de crédito
Alto esforço de
cobrança
Alto
AltoBaixo
R
I
S
C
O
Esforço de cobrança
Fonte: Adaptado de Silva (2006, p. 355).
Analisando o quadro no primeiro quadrante do lado esquerdo, verifica-se 
uma política de crédito que tem como direção clientes de alto risco aplicando uma 
fraca ação de cobrança. Conceder o crédito a esse tipo de cliente pode levar a um 
crescimento significativo na participação de mercado da organização.
 Quando analisamos o quadrante superior localizado no lado direito, temos uma 
política de crédito tendenciada a clientes de alto risco com uma ação forte de cobrança. 
Para clientes que se encaixam nesse quadrante, os baixos custos com a análise de 
crédito são compensados com o maior custo investido para recuperar perdas.
Já quando analisamos o quadrante inferior esquerdo, direcionamos a política 
de cobrança para clientes de baixo risco de crédito e uma política de cobrança 
mais liberal. Pelo histórico, bons clientes geralmente cumprem suas obrigações 
em dia, dessa maneira, a empresa não precisa concentrar esforços em ações 
de cobrança, porém é necessário realizar um leve acompanhamento da carteira 
de recebíveis, verificando a possibilidade de aumentar o prazo de pagamento, 
podendo aumentar a demanda por produtos ou serviços da empresa.
45
Introdução à Cobrança Capítulo 2 
Quando verificamos o quadrante inferior direito, há uma junção de uma 
política de clientes com baixo risco de crédito alienada a uma ação de cobrança 
mais agressiva.
O relacionamento que todas as empresas almejam com seu cliente é que, 
após o deferimento do crédito, todos realizassem sua quitação nos prazos 
estabelecidos, porém, algumas vezes esse fato não ocorre, a partir desse 
momento, podem surgir conflitos e divergências entre cliente e empresa. Para 
Lemes et al. (2002), algumas políticas podem ser utilizadas para amenizar esse 
tipo de situação. Por exemplo:
• Telefonema para lembrar, dois dias após o vencimento.
• E-mail ou carta no quinto dia.
• E-mail ou carta com texto mais enérgico no décimo dia (informando que 
o título será enviado para cobrança extrajudicial e/ou que o avalista ou 
garantidor será acionado).
• Acionamento do avalista.
• Envio ao Cartório de Protesto de Títulos e comunicação da inadimplência 
às Agências de Crédito.
• Execução da dívida através do encaminhamento do título aos advogados 
da empresa ou empresa de cobrança. 
Lemes et al. (2002) ainda indicam que é importante estar 
inseridos nas políticas de cobrança da empresa, multas e juros pelo 
atraso no pagamento dos contratos firmados. Deve-se também levar 
em consideração o histórico dos clientes, alguns deles passam por 
dificuldades financeiras pontuais, através dessa análise é estabelecido 
o nível de cobrança mais adequado.
Dentre os tipos de ações a serem tomadas, podemos dividi-las em 
dois grupos de negociação:
a) Negociação Administrativa
O tipo de negociação administrativa ocorre de forma tranquila 
e pacífica, o cliente e a financeira realizam sua cobrança e quitação 
dos débitos com uma renegociação em que ambas as partes aceitam 
o firmado, ou seja, a negociação administrativa é a maneira amigável 
de cobrar o cliente, diz respeito a todas as cobranças que não foram 
representadas por títulos judiciais, configurando uma relação de 
mútuo acordo. Geralmente, a forma utilizada de cobrança é o contato 
realizado por meio de e-mails, ligações telefônicas, cartas de cobrança 
e notificações extrajudiciais.
É importante 
estar inseridos 
nas políticas 
de cobrança da 
empresa, multas e 
juros pelo atraso 
no pagamento dos 
contratos firmados.
Negociação 
administrativa ocorre 
de forma tranquila e 
pacífica, o cliente e 
a financeira realizam 
sua cobrança 
e quitação dos 
débitos com uma 
renegociação em 
que ambas as partes 
aceitam o firmado.
46
 CRÉDITO E COBRANÇA
Na política de crédito e cobrança, a empresa determina um período que a 
pendência ficará na fase de negociação administrativa. Caso esgote esse período 
e não houver sucesso no recebimento do título, a cobrança entra na fase que 
chamamos de cobrança extrajudicial, na qual a dívida é registrada no Cartório de 
Protesto de Títulos. A seguir, especificaremos esse tipo de cobrança.
b) Negociação Judicial
A negociação judicial é a maneira litigiosa em juízo que as 
empresas utilizam para o recebimento do valor concedido como crédito 
ao devedor. Tal forma é acionada após as formas de negociações 
administrativas que não surtem efeito. O setor jurídico da empresa 
determina quais os títulos e as medidas judiciais que serão tomadas 
para cada caso.
A negociação judicial 
é a maneira litigiosa 
em juízo que as 
empresas utilizam 
para o recebimento do 
valor concedido como 
crédito ao devedor.
Tipos de Cobrança
As empresas não tinham a visão de que para realizar a cobrança era 
necessário realizar ferramentas estratégicas, simplesmente realizavam uma 
abordagem agressiva e incisiva na busca de recuperar o valor não honrado pelos 
devedores. Com o tempo, perceberam que, com esse tipo de abordagem, o êxito 
em recuperar o capital emprestado era difícil, assim, as empresas passaram a 
tratar a abordagem como uma política de cobrança, estruturando-a de forma mais 
cuidadosa, buscando não constranger o cliente.
Para realizar a cobrança, a empresa precisa definir um conjunto de 
procedimentos a serem executados, independentemente de seu tamanho, tendo 
como objetivo o recebimento do débito, pois estão diretamente relacionados aos 
seus negócios.
• Cobrança em Carteira
É um tipo de serviço oferecido pelas instituições bancárias, em que 
as empresas realizam a contratação e os títulos do crédito concedidos 
ao cliente são encaminhados para a cobrança bancária, podendo ser 
realizados das seguintes formas:
– Cheques pré-datas.
– Crédito na conta corrente da empresa.
– Comparecimento do cliente na empresa que disponibilizou o 
crédito para pagamento.
– Cobrança realizada no endereço do cliente.
É um tipo de 
serviço oferecido 
pelas instituições 
bancárias, em 
que as empresas 
realizam a 
contratação e os 
títulos do crédito 
concedidos 
ao cliente são 
encaminhados para 
a cobrança bancária
47
Introdução à Cobrança Capítulo 2 
Sempre que o cliente efetua o pagamento da parcela ou do montante total, 
é necessário fornecer recibos ou a entrega da duplicata referente ao total pago.
• Cobrança Bancária
As características da cobrança bancária estão ligadas ao tipo 
de cobrança que os títulos de cobrança pela venda de um produto 
ou serviçosão registrados em um banco, que possui o papel de 
intermediar a empresa e o cliente pela forma de pagamento. Os 
bancos emitem e disponibilizam à empresa e aos clientes os boletos 
que podem ser quitados em:
– Agências bancárias.
– Internet.
– Aplicativos bancários.
– Estabelecimentos credenciados (supermercados, lotéricas, 
lojas etc.).
• Emissão de duplicatas e boletos
Tudo que está relacionado à cobrança está diretamente ligado à administração 
da carteira de cobrança, que é composta por títulos de crédito, originados a partir 
da compra de um produto, aquisição de um serviço ou contrato de financiamento.
O Código Civil Brasileiro define como título de crédito “o 
documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele 
contido, e que somente produz efeito quando preenche os requisitos 
da lei”.
Portanto, quando tratamos de títulos de crédito, eles precisam 
conter no mínimo dois sujeitos envolvidos: o emitente (devedor) ou 
sacador e o beneficiário (credor). É comum em alguns títulos constar 
a figura do sacado, que é um intermediário responsável de pagar ao 
beneficiário o valor constante no título.
Os títulos de crédito no Brasil possuem sua regulamentação 
através do ramo do direito cambial ou cambiário. 
Neste ramo subentende que o crédito passa de um sujeito a outro 
facilmente, não estando vinculado a determinado negócio ou a 
exceções pessoais que um dos polos possa ter contra o outro.
O título de crédito representa o direito de receber do credor 
e o dever de pagar do devedor, sendo autônomo da relação 
jurídica que lhe deu origem e, por essa razão, pode ser 
As características da 
cobrança bancária 
estão ligadas ao tipo 
de cobrança que os 
títulos de cobrança 
pela venda de um 
produto ou serviço 
são registrados 
em um banco, que 
possui o papel 
de intermediar a 
empresa e o cliente 
pela forma de 
pagamento.
Código Civil 
Brasileiro define 
como título 
de crédito “o 
documento 
necessário ao 
exercício do direito 
literal e autônomo 
nele contido, e que 
somente produz 
efeito quando 
preenche os 
requisitos da lei.
48
 CRÉDITO E COBRANÇA
transferido livremente de um credor a outro, seja pela simples 
entrega (tradição), seja por assinatura de um possuidor em 
favor de outro (endosso) (ALMEIDA, 2009, s.p.).
Desta forma, os títulos de crédito ganham popularidade e principalmente 
legalidade na sua emissão, proporcionando segurança tanto para o credor quanto 
para o devedor. As principais características dos títulos de crédito são:
– Literalidade: para fins legais, somente o que está escrito é tido como 
válido.
– Cartularidade: o documento é representado através de papel (cártula), 
que fica em poder do credor.
 – Autonomia: trata de um documento independente referente às obrigações 
do título ao qual foi originado.
Esses títulos, portanto, podem ser protestados caso não venham a ser 
quitados até a data de vencimento. Os títulos que fazem parte da carteira de 
cobrança de uma empresa são formados por:
– Cheques.
– Duplicatas.
– Notas promissárias.
Quando tratamos do tipo de título que chamamos de duplicata, vale salientar 
que esse tipo de título de crédito foi regulamentado pela Lei das Duplicatas, Lei 
nº 5.474, de 1968. Conforme essa lei, no parágrafo primeiro, artigo segundo, uma 
duplicata deve conter as seguintes informações:
– Denominação “Duplicata”.
– Data de emissão.
– Número de ordem.
 – Número da fatura.
 – Data do vencimento ou declaração, por se tratar de uma duplicata à vista.
– Nome e domicílio do vendedor.
 – Nome e domicílio do comprador.
 – Importância a pagar (extenso e em algarismo).
– Praça de pagamento.
– Cláusula à ordem.
– Declaração de reconhecimento de sua exatidão, da obrigação de pagá-
la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, cambial.
– Assinatura do emitente.
49
Introdução à Cobrança Capítulo 2 
É importante verificar o artigo 8º, da mesma lei. Esse artigo indica que o 
comprador está autorizado a não aceitar a duplicata por um dos motivos a seguir:
– Não recebimento da mercadoria ou avaria, quando não expedidas 
ou não efetuadas sua entrega por conta e risco.
– Defeitos, vícios e diferenças na quantidade ou qualidade das 
mercadorias adquiridas.
– Divergência nos prazos ou nos valores ajustados.
Ainda assim, além das informações descritas em lei que devem ser 
obrigatórias no corpo da duplicata, vale destacar que:
– Cada duplicata pode se referir somente a uma única fatura.
– Uma fatura pode corresponder a mais de uma duplicata, porém o 
somatório das duplicatas não pode ultrapassar o valor total da fatura.
As duplicatas também são amparadas pelo Código Penal Brasileiro (ANO), 
que em seu artigo 172 nos indica que:
Expedir ou aceitar duplicata que não corresponda, com a 
fatura respectiva, a uma venda efetiva de bens ou a uma real 
prestação de serviços.
Pena: detenção de um a cinco anos, e multa equivalente a 20% 
sobre o valor da duplicata.
Parágrafo Único. Nas mesmas penas incorre aquele que falsificar 
ou adulterar a escrituração do Livro de Registro de Duplicatas.
Portanto, é importante verificar que a duplicata é um título amparado 
legalmente. Além disso, outras características que devem ser praticadas pela 
gestão de crédito e cobrança são:
– O credor deve ficar em posse da duplicata até sua total quitação.
– O comprovante de quitação ou pagamento é o recibo no verso da própria 
duplicata ou em documento emitido separadamente, constando os dados 
da duplicata quitada.
– No momento do pagamento da duplicata, é possível deduzir créditos 
existentes originados por devolução de mercadorias ou por abatimento 
de preço em favor do devedor.
– A data de vencimento de uma duplicata somente poderá ser prorrogada 
caso haja autorização expressa.
– Uma duplicata também pode ter avalistas, que no caso do não 
pagamento, torna-se corresponsável pela quitação.
50
 CRÉDITO E COBRANÇA
– Por se tratar de um título de crédito, uma duplicata pode ser protestada, 
caso não venha a ser cumprido o prazo de pagamento, nesse caso, o 
protesto somente poderá ser realizado na praça de pagamento do título.
– Caso ocorra a perda ou extravio da duplicata, deverá ser efetuada a 
emissão de uma “triplicata” para atender aos fins necessários, que segue 
as mesmas disposições de uma duplicata.
A triplicata trata-se de uma cópia da duplicata que foi perdida 
ou extraviada, esta via possui os mesmos efeitos, requisitos e 
formalidades da duplicata que substituiu (art. 23 da Lei de Duplicatas).
Fonte: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L5474.htm>. Acesso em: 2 mar. 2018.
Também é necessário verificar os prazos de prescrição, assim:
– Possui um prazo de 3 (três) anos que são contados a partir da data de 
vencimento, tanto contra o sacado quanto aos seus avalistas.
– Já com relação aos endossantes e seus avalistas, o prazo é de 
um ano a partir da data de vencimento.
Figura 5 - Modelo de Duplicata
Fonte: Disponível em: <http://www.hugomeira.com.br/wp-content/
uploads/2013/10/dm.jpg>. Acesso em: 1 fev. 2018.
51
Introdução à Cobrança Capítulo 2 
Vale salientar que uma duplicata não tem as mesmas 
características e finalidades de um boleto bancário. Somente uma 
duplicata pode ser a origem de um boleto.
• Cheques
O cheque é uma ordem de pagamento, classificado no direito 
comercial e empresarial como título de crédito, sendo um instrumento 
de mobilização bancária e uma ordem de pagamento à vista. Ele é 
regulamentado pela Lei do Cheque (Lei nº 7.357, de 1985). Para a 
emissão do cheque, é necessário observar alguns pontos comerciais:
– O cheque somente poderá ser emitido por uma instituição 
financeira ou bancária.
– O cliente deverá ter um saldo credor descrito em contrato de depósito 
bancário ou abertura de crédito.
Devem ser observados alguns pontos com relação à apresentação e à 
pagamento de um cheque. Por se tratar de uma ordem de pagamento à vista, ele 
deve